quinta-feira, dezembro 30, 2010

ABAIXO OS NATAIS E AS PASSAGENS DE ANO

Hoje, quinta-feira, tenho uma saudação especial a todos aqueles que detestam o Natal e as passagens de ano. A todos aqueles sem família para fazer a tal “festa de família”. A todos aqueles que não têm paciência ou dinheiro para fazer a passagem do ano a um qualquer hotel ( o réveillon, dizem eles ... ), por entre goladas de uma alegria mais ou menos etilizada. A todos aqueles que se sentem agredidos, esbulhados, aldrabados, confiscados e a quem, por isso mesmo, nunca sobraria grande disposição para a alegria. A todos os que temem pelo seu emprego, pelo seu futuro, pelo pão de amanhã. A todos os que olham para os seus filhos e se abstêem de trincar uma fatia de bolo-rei para que eles a comam. A todos os despojados da vida e da felicidade. A todos os que choram às escondidas, de dor, solidão ou pobreza. A todos os enteados desta sociedade nada solidária. A todos os que se escondem em vãos de escada, na rua, ou em outros vãos de escada das suas vidas sem amor e compreensão.
Numa palavra, a todos os homens e mulheres que nada têm para celebrar e a quem a vida se esqueceu de dar motivos para alegria.
A todos esses, sem esquecimento, quero dizer : estou convosco, irmãos e irmãs da minha humanidade. Só por ignorância, preguiça ou egoísmo não ando por aí a partilhar um abraço, uma canja ou um golo de tinto. Acho que ainda um dia irei fazer isso mesmo. Embora sem esperança , mesmo assim, de vencer definitivamente este frio permanente que sinto dentro de mim.
Saravá, minha gente !

segunda-feira, dezembro 27, 2010

SOLIDÃO E ... MAU CHEIRO !

Neste Natal de 2010, a solidão invadiu-me. Já antes vivi largos períodos sózinho, sem nunca me sentir em solidão. Nessas épocas, contudo, era muito mais novo e tinha a esperança do meu lado. Hoje, não tenho esperança. Nem na minha vida futura nem em Portugal nem no Mundo. Dizem-me os meus amigos que cada vez estou mais amargo e estranham sentir-me assim. Ao que eu respondo : como NÃO me sentir amargo ? Ao longo da minha vida sempre fui honesto e procurei seguir os grandes princípios éticos. Aparentemente, essa não é a receita para a felicidade. Por azar ou inabilidade, a felicidade nunca quis nada comigo. A lucidez e a não conformidade com os valores dominantes não são nada bons para a saúde mental e mesmo física. Um tipo acaba sozinho e a sentir-se um D. Quixote de segunda, já que nem sequer tenho uma Dulcineia que me dê alento.
Um grande amigo meu, que na juventude foi uma das minhas referências quanto ao inconformismo e à injustiça, escreveu-me hoje um mail a dizer-me que me acha muito amargo e a dar-me algumas receitas para conseguir ver o Mundo de uma forma mais optimista. Claro que muitos dos seus argumentos são sensatos, mas não me fez sentir melhor. Tal como eu não o fazia sentir melhor nos nossos vinte anos. Acho que estou a ser na velhice o que ele foi na juventude, um inconformado militante.
Claro que é uma atitude estúpida, a generosidade e o fôlego da juventude não acontecem na minha idade e portanto não podem justificar este inconformismo serôdio. Mas que hei-de fazer ? É assim que me sinto ...
Será que a culpa é apenas da solidão ? Não me parece, já experimentei uma ou duas relações humanas e a sensação não diminuiu nada. Sinto-me traído e vilipendiado por estas camadas de pseudo socialistas e sociais-democratas que mais não fizeram senão delapidar os poucos recursos do País a dar tachos e empreitadas a amigos e conhecidos e a fazerem os outros pagar para isso. Uma cambada de ignorantes jovens e atrevidos que nem sequer conheciam a dimensão da sua ignorância. Assisti a tudo isto, à invasão da máquina do Estado por jovens ávidos de poder e dinheiro, com uma licenciatura tirada a martelo ( outros nem isso ) e um enorme desejo de enriquecer fosse como fosse. Assisti a tudo isto, presenciei algumas situações, ouvi lamentos de amigos e conhecidos, mas os dados estavam lançados. Nada faria parar essa matilha ávida e sedenta que não hesitava perante nada e que usava todas as armas ao seu alcance, desde a conspiração e compadrio até à mais torpe corrupção e tráfico de influências.
Assistir a tudo isto fez-me vómitos, provocou-me azedo no estômago. Estão a perceber agora porque motivo me sinto tão amargo, tão sem esperança ?
Como querem que não me sinta amargo num ambiente tão fétido, tão pútrido como aquele em que vivemos ? Seriam capazes de viver bem mesmo ao lado de um pântano a libertar gases mal cheirosos o dia inteiro ?
Pois bem, é assim o Portugal de hoje para mim. Um pequeno pântano mal cheiroso. Quem puder e quiser que esqueça o cheiro e se sinta bem.
Eu não consigo.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

A CEGUEIRA DE CERTA ESQUERDA

Quem me costuma ler sabe muito bem que a minha forma de ver o mundo é alicerçada no respeito pelo trabalho do ser humano e na recusa de entregar todo o poder aos ricos e poderosos. Uma visão de esquerda, tal como sempre entendi a esquerda. Contudo, quando tal se impõe, também gosto de fazer a minha crítica aos comportamentos de sectores políticos de certa esquerda ( ou extrema esquerda, para alguns ) portuguesa.
Isto ainda a propósito daquilo a que chamei de confusões de César, quanto ao tira e repõe do corte nos vencimentos dos funcionários públicos nos Açores.
A medida de César é obviamente eleitoral e desajeitada. Fez aquilo que é quase impossível, que é colocar todo o País do mesmo lado da barreira.
Pois bem, ainda assim, tanto o PCP como o BE vieram dizer que acham muito bem o que César fez, o que eles acham mal são os cortes que o Governo decidiu.
Aqui têm mais uma limitação da vida partidária. Tremenda. A incapacidade de olhar a realidade nas suas complexas nuances. A obrigatoriedade de pensar segundo cartilhas, baias, espartilhos. A suprema ironia da mais absoluta falta de lógica, quando se proclama combater a injustiça.
O argumento destes partidos é este : já que não concordamos com a medida do corte, então que se lixe a falta de equidade, o que é preciso é que alguns não sofram os tais cortes. Como se César, em vez de eleitoralismo, tivesse vestido a capa do Zorro e começasse a corrigir à espadeirada as cretinices do Governo central.
Não, meus senhores, os partidos e as opiniões partidárias não são soberanas e muitas vezes nem sequer são importantes. Para além dos partidos, de qualquer partido, existem principios de vida social. A ideologia e ainda menos a prática política não podem esquecer-se nem afastar-se da ética. Nem da igualdade de direitos. Nem de muitas outras coisas.
É por estas e outras que nunca consegui sentir-me de nenhum partido, nem de nenhum clube de futebol. Prefiro, sempre preferi, a lucidez e a liberdade de pensamento à emoção, às bandeiras e ao sentimento de pertença.
Feitios.
E fiquem-se com esta, senhores pseudo representantes políticos dos trabalhadores e afins : essa gente que dizem representar NÃO GOSTOU daquela coisa nos Açores. Acreditem em mim. Ou não acreditem e, em vez de pensarem que sabem avaliar o que as pessoas sentem, perguntem-lhes se gostaram ou não de saber que os cortes são só para eles e que a malta dos Açores se vai baldar ...

domingo, dezembro 05, 2010

AS CONFUSÕES DE CÉSAR
Nos ultimos dias, em cada cavadela sai-me uma minhoca. As pérolas de lógica argumentativa dos nossos governantes aparecem-me todos os dias, mal abro um jornal ou o computador. Não consigo resistir ao charme apelativo destes pensamentos iluminados. Vale tudo, neste nosso Portugal a caminho da mendicidade intelectual. Nem há verdade, nem sagacidade nem vergonha. É o império dos pequeninos. É a derrota da democracia.
Nesta questão de cortar vencimento a TODA a gente da função publica e do sector empresarial do Estado, o senhor das nove ilhas resolveu cortar ... e tornar a dar de novo, ao contrário do resto do país. Depois, quem critica esta marosca saloia é que está a dividir o País. Não é ele, com esta manobra rasteira de eleitoralismo ilhéu, são os outros ! Repito : uma pérola argumentativa !!
Sabem, é por atitudes destas que sou visceralmente contra a regionalização e afirmo que quem a defende ou não entende nada da maneira de ser dos portugueses ou deseja criar condições para um saque ainda maior.
Gaita, malta, aturar três "manfios" do calibre de Sócrates, César e Alberto João já dá o trabalho que se vê, vejam lá o que seria com 8 ou 9 do mesmo género ...

sábado, dezembro 04, 2010

MIRAGENS, MENTIRAS E MAGALHÃES

Afirmações destas são admissíveis ? Miragens, mentiras e magalhães, poderia ser um filme do Almodôvar, mas é apenas o dia a dia que temos de suportar vindo destes tristes políticos, provavelmente também eles fruto deste ou de outros magalhães. Até quando, senhores e senhoras, vamos ter de aturar coisas destas ? Até quando teremos de nos sentir humilhados e mistificados ? Até quando vamos ser menorizados por gente sem valor nem génio, nitidamente desfasados daquilo que podem e sabem fazer ? Até quando vai a evolução e desenvolvimento do país ser entregue a pessoas que nem a elas próprias se souberam desenvolver ?
Desculpem-me, nunca fui elitista, mas também nunca pensei em ser músico nem director de cinema, por exemplo.
Chega, senhoras e senhores. Ou querem-me convencer que não sentem vergonha quando lêem coisas como esta aqui ao lado ? Querem-me convencer que aceitam e engolem esta e todas as outras sempre com a alegação "os outros são bem piores ...".
Gaita, não aceito isso. Não aceito ser trucidado em vida por estes só porque ainda há piores que eles. E, aqui para nós, será mesmo que alguém em Portugal é politicamente pior que isto ? Será possível ? É que o que eu vejo, diariamente, é o jogo e a defesa dos grupos económicos e dos bancos, dos ricos e poderosos, desde a recusa na taxação da distribuição antecipada dos dividendos ( o que daria ao Estado alguns um ou dois MILHARES DE MILHÕES, só na PT )até às excepções aos cortes de vencimentos, prontos a servir a quem se puder servir deles.
Amigos, toda a minha vida fui um homem de esquerda. Se ser socialista é agir e fazer política como José Sócrates e o actual PS fazem, então eu prefiro morrer íntegro, vertical, responsável, ainda que isso me arraste para a direita.
Recuso o facilitismo, o carreirismo, o amiguismo, a incompetência, o jogo de influências e de cunhas, o "jobismo" de tantos e tantos ilustres medíocres que vão paulatinamente destruindo o que resta do tal Estado social que o PS afirma ainda defender.
A verdade é que quando esse clone de José Sócrates chamado Passos Coelho vier a ser eleito ( o que foi tornado inevitável não por mim mas pelo próprio PS ) pouco ou nada ainda restará desse tal Estado social, ao ritmo a que as coisas estão a evoluir.
A mim, neste momento, já não me restam ilusões nem ideologias nem esperanças.
Queria apenas ser governado por gente em quem eu pudesse confiar e que não andasse por esse Mundo fora a dizer coisas tontas como essa aí ao lado.

segunda-feira, novembro 29, 2010

OS MITOS, DE NOVO

Nos tempos modernos, a construção de mitos anda intimamente associada aos orgãos de comunicação. Não que os mitos existam por causa deles, já existiam muito antes desta era da comunicação. Só que agora os meios de comunicação precisam deles, vivem deles.
Devo andar com alguma mitomania, imagino, já ontem acabei por escrever sobre o mito do "mercado" financeiro e a sua "inteligência" própria.
Hoje, vejam só, é de futebol que falo. O Real do Mourinho está a levar 5-0 do Barcelona e não sei se o jogo já acabou.
Quando li este resultado, fiquei a sorrir e pensei : queres ver que agora o Mourinho já não é o melhor treinador do Mundo ? E notem, até simpatizo com o homem !
Estão a ver como a realidade acaba sempre a contestar os mitos ?
Quem deve ter gostado deste resultado foi o Benfica. Afinal, assim não foram só eles a levarem 5 a seco, no Porto, os craques do Real levaram pela mesma bitola.

sábado, novembro 27, 2010

A MITIFICAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO

Há algo de profundamente ridículo e falso na forma como os meios de comunicação e os numerosíssimos comentadores televisivos abordam a questão dos juros que o tão falado “mercado” insiste em aplicar a países como Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha, etc ...
De acordo com tão ilustres fontes, o que levaria o “mercado” a aumentar ou diminuir os juros seria a sua percepção da solidez financeira e económica destes países e o grau de confiança que as medidas de contenção adoptadas transmitiriam ao tal “mercado”.
Mas esta gente está toda doida ou resolveram todos gozar comigo ?
Então os “mercados”, desconfiando que Portugal poderá vir a não poder satisfazer as suas dívidas, resolvem comprar na mesma os títulos ... mas a 7% em vez de 6% ? Então o juro mais alto resolve o problema da credibilidade ?
Meus senhores, deixem-se de “rodriguinhos”. O tal “mercado” não funciona assim, não é uma senhora rica e prudente a investir o seu dinheiro ... O tal “mercado”, meus amigos, são bancos e sociedades gestoras de fundos que todos os dias procuram os investimentos que maximizem os seus lucros. Não perdem tempo com leituras de orçamentos ou de pactos entre partidos. Pura e simplesmente olham em redor e procuram comprar e vender o que maior retorno lhes proporcionar. Acontece que, hoje em dia, a compra de dívida soberana destes países é um grande negócio ! Muito bom negócio, mesmo ! Ao contrário do que se possa pensar , o risco é baixo, bastante baixo, ninguém acredita que a Europa e o FMI fossem deixar ir à falência algum destes países. E se assim é, o risco é mínimo, malta ! Risco mínimo e lucro máximo.
Pura e simplesmente, as taxas têm subido ... porque podem subir, sem risco de ruptura. Vão tentando, sempre um pouco mais acima, tendo o cuidado de não subir tão alto os juros que venha o FMI estragar-lhes o negócio.
Estão a ver ?
Que raio é que isto tem a ver com a aprovação ou não do orçamento português ? Ou com a credibilidade de Portugal vir a pagar a sua dívida ? Se eles duvidassem, mesmo a sério, não investiam na nossa dívida e ponto final.

sexta-feira, outubro 29, 2010

FUNDAÇÃO CIDADE DE GUIMARÃES

Guimarães é uma cidade linda e muito bem preservada. A praça que se vê na foto foi objecto de um trabalho notável de recuperação. Para quem não souber, Guimarães não é uma grande cidade ( ainda bem para quem lá vive, não é ? ), tem pouco mais de 50 mil habitantes. É sede de um concelho que foi e ainda é, apesar da crise, fortemente industrializado, com têxteis, cutelaria, calçado, etc ... Terra de gente trabalhadora, portanto.
Pois bem, soube-se hoje : a Câmara Municipal da cidade promoveu a constituição de uma fundação, cujo objectivo não conheço bem mas não será difícil adivinhar : a FUNDAÇÃO CIDADE DE GUIMARÃES. O leitor vê algum mal nesta fundação ? Bom, o problema é que esta Fundação, como qualquer fundação que se preze, tem um Conselho de Administração. Com pessoas a ocupar os respectivos cargos, claro. Há um Presidente do Conselho de Administração e acho que dois ou três vogais. Tudo bem, por enquanto, não é ?
O pior é que foi tornado público, agora, que o sr Presidente aufere um salário mensal de 14.500 euros e cada vogal 12.000 euros. Leram bem, 14.500 e 12.000 euros. Por mês. Todos os meses. Pagos ... por nós, obviamente.
Leitor, é isto que tenho tentado demonstrar : neste desgraçado país, PERDEU-SE A VERGONHA. Começou-se a "sacar" dinheiro ao Estado como se fosse a coisa mais natural do Mundo. Todos os pretextos são bons. Empresas Municipais, Institutos Públicos, Observatórios, Fundações. Vale tudo. Ninguém os trava, ninguém os perturba, metem ao bolso, descaradamente, 14.500 euros por mês para ser presidente de uma fundação chamada Cidade de Guimarães !!! É uma orgia completa, pessoal.
Este senhor é um caso único ? É um caso de falta de vergonha único no panorama nacional ? É apenas um caso de polícia ?
NÃO ! MIL VEZES NÃO !!
Como este senhor, e o senhor presidente da Câmara que autorizou este roubo institucional, há MILHARES neste nosso país. De Norte a Sul. Nas Câmaras, no Governo, nos Institutos, proliferam por todo o País ! Piores que cogumelos.
E claro, depois batem-me à porta, e à sua também, leitor, de mão estendida, a dizerem-me que é preciso dar mais dinheiro ao País. Claro que é preciso mais dinheiro, malta, vá lá, este senhor da Fundação Cidade de Guimarães não pode ficar sem o seu modesto salário.
Não acha, leitor ?

PS - garanto ao leitor que nem sequer sei se é o PS ou o PSD a presidir à CM de Guimarães, nem quem foi o Presidente que "inventou" esta Fundação. Não costumo pautar as minhas apreciações pelas cores partidárias, portanto é-me indiferente. Muito menos conheço o senhor presidente da dita Fundação. E é bem melhor que nunca o venha a conhecer, nunca apreciei dar-me com gente que enfia as mãos nas minhas algibeiras.

quinta-feira, outubro 28, 2010

A ARTE DA ILUSÃO

Quase todo o Portugal pensante tem andado preso à novela do acordo-não acordo-talvez afinal acordo do PS com o PSD.
Aí está. Ilustra bem aquilo que penso e me tenho esforçado por escrever. Não me interessa para nada esse acordo. O PSD está condenado a deixar passar o orçamento e é o que vai fazer. Nesse caso, porquê toda esta excitação com o raio do acordo ? Se existir um acordo vai mudar significativamente a situação ou tornar bom um orçamento de desastre ? Claro que não. Então ?
Repito : este é o problema de sempre, este é o mal que sempre vi acompanhar os nossos políticos, mesmo os das outras gerações : a incapacidade de pensar e liderar o país em direcção a um porto seguro.
Então, não seria melhor andarmos já a discutir mas é o que vamos fazer a seguir, durante 2011 e 2012 e anos seguintes ? Como vamos conseguir uma boa execução orçamental em 2011, com este Governo, se já este ano não conseguiram uma redução da despesa muito menor ? Que garantias dá este Governo de fazer algo por este País ?
Mais : que raio vamos fazer em 2012, para descer o défice de 4 ou mais provavelmente 5 % para 3% ? Outro corte salarial, mais sangue ?
Quando vamos repensar a estrutura e organização do nosso Estado e fazer emagrecer essas incontáveis empresas municipais e institutos e afins ? Quando vamos obrigar o nosso Governo (outro porque este já não vale a pena o esforço ) a executar essas mudanças ? Quando vamos discutir o que podemos fazer para ajudar o tecido produtivo do país a reformular-se, a reconstruir-se, a crescer ? Quando vamos apostar nesta ou naquela direcção de crescimento e jogar tudo nessa estratégia ?
Quando vamos discutir o que queremos e podemos ser no conjunto dos países da Europa?
E depois de discutir e decidir, quando vamos adoptar políticas de incentivos, financeiras e fiscais, para fazer o País guinar para esse lado ?
Será pedir muito ?
Será impossível escolher e votar em pessoas preocupadas com essas coisas e não com fatinhos caros e carros topo de gama ?
Leitores, amigos : façam-se ouvir, digam a esta gente que estão fartos e querem vê-los a merecer o dinheiro que lhes pagamos ! Falem, gritem, chamem-lhes nomes ou sejam educados, mas mostrem que estão fartos desta forma de desgoverno, deste fingimento, desta incompetência !
Se não fizerem nada disso, aviso : preparem-se para mais sangue no 2º trimestre de 2011.
Vão ser tempos difíceis e duros, arranjemos gente competente para pilotar o barco em águas revoltas, não deixemos o leme nestas mãos amadoras e incompetentes.

segunda-feira, outubro 25, 2010

SOMOS MESMO NABOS, CARAÇAS !

Não é nada difícil acreditar nesta notícia. Já muitas vezes escrevi que, em Portugal, ninguém parece saber o que fazer para que a economia cresça. Também não é nada difícil perceber porquê, muita gente tem vindo a alertar para isto de há muitos anos para cá. Não produzimos muitas coisas e, das que produzimos, raras têm elevado valor acrescentado. Como se sabe - mas muitas vezes se finge ignorar, porque dá jeito - a produtividade varia linearmente com o valor de mercado daquilo que se produz. Se eu conseguisse vender pêra Rocha com a mesma margem de Mercedes ou BMWs teria o problema do País resolvido. Mas nós não produzimos automóveis, nem software, nem vendemos petróleo. Não temos um sector decente de pescas nem agrícola, os que tínhamos trocámo-los por um prato de lentilhas da Comunidade Europeia. O nosso sector têxtil, tradicionalmente mal equipado e sobrevivendo á custa de baixos salários há muito que foi destruído pelos chineses e afins. Alguns sub-sectores de componentes electrónicos para automóveis e computadores têm vindo a sair do País, atraídos pelos baixos custos da mão-de-obra oriental ou da Europa de leste. O que nos resta ? O turismo ? O sector de moldes para plásticos ? Curto, muito curto.
O que temos feito para virar esta realidade do avesso ?
A verdade é que muito pouco ou nada. Dir-se-á que o Governo pouco pode fazer, num país com um tecido empresarial tão pobre e desqualificado como o nosso e uma banca tão desgraçadamente virada para coisas como o crédito à habitação ou o crédito a casamentos de luxo e tão pouco dedicada ao financiamento da actividade empresarial.
Até estaria disposto a concordar um pouco com essa ideia, não fosse um raciocínio simples : se este ou aquele governante não é capaz, se se sente impotente para ajudar a mudar os destinos do país ... porque não se demite ? Porque hão-de insistir em nada fazer ? Apenas para ocupar um lugar de prestígio, de onde pode ajudar a malta amiga e a clientela do seu partido ?
Se não são capazes - e não são, como se vê - porque razão não se demitem ?
... é que, graças a essa falta de seriedade e honestidade, andamos a brincar aos países há muitos anos !
Sou levado a concluir, embora de uma forma atrozmente mordaz, que Guterres e Durão Barroso foram os únicos a fazer o que deve ser feito : sair, quando nada se consegue resolver.
Antes isso que isto, embora ultimamente o seguinte seja sempre pior que o anterior !!

sábado, outubro 23, 2010

ATÉ QUANDO VAMOS ATURAR ISTO ?

Quem ouve falar os responsáveis políticos do PS e do PSD, chega muito depressa a duas conclusões :

-> eles não têm nada a ver com a presente situação, tudo isto é apenas devido à crise internacional e aos tipos que especulam a emprestar dinheiro ;
-> eles não fazem a menor ideia de como iremos sair deste buraco, a única coisa que os preocupa para já é a redução do défice.

Estas duas ideias são aterradoras. Roubam qualquer réstea de esperança que ainda existisse. Desanimam qualquer português que ainda saiba pensar e não alicerce as suas ideias nas ilustres cabeças dos senhores Sócrates e Passos Coelho.
Por um lado, fica evidente a total ausência de verdade e mesmo de responsabilidade na relação entre governados e governantes. Mentem, ocultam, escondem, sacodem a água dos capotes. Pior do que tudo o resto, porventura, são incompetentes, tomam decisões obviamente erradas, não hesitam em privilegiar certos grupos sociais em detrimento de outros, perpetuam práticas totalmente repugnantes de compadrio e protecção indevida e ilegal a familiares, amigos, gente do partido.
Em segundo lugar, aqui para nós que ninguém nos ouve, nenhum destes senhores faz a menor ideia do que será preciso fazer para sair deste atoleiro. Não faz ideia ... e nem sequer se preocupa em fingir que tem qualquer coisa parecida com uma ideia. Ou então dizem coisas espantosas como aquela de que as energias alternativas é que vão ser o futuro da economia. Nada, das cabeças de toda aquela gente não sai energia nenhuma positiva. A pouca que existe é usada apenas para conservar o poder e afirmar que está tudo bem.
Sabem, leitores, são estas duas questões que me andam a tirar o sono. Estas pessoas que supostamente deveriam ser os nossos lideres, não lideram coisa nenhuma afinal. Vão apenas fazendo navegação à vista, conforme as ordens que os donos da Europa lhes gritam. Donos da Europa que, em meu entender, são lideres tão maus e tão míopes como os nossos a nível interno.
Enfim, uma completa tristeza e falta de esperança.
Aposto que, se as coisas continuarem assim, daqui a um ano ( ou menos ) vamos gramar com outra redução dos salários, igual ou pior do que esta.
Quem aposta contra mim ?

quarta-feira, outubro 20, 2010

O CUSTO DA INCOMPETÊNCIA

O que mais me custa, neste verdadeiro terramoto que nos está a cair em cima, é ninguém responsável nos vir dizer o que aconteceu e porquê, e muito menos dar um vislumbre de esperança no futuro, explicando qual é a “táctica” para sairmos do “buraco”.
Tudo está a suceder como se fosse uma inevitabilidade, como se tivesse mesmo sido um terramoto, do qual ninguém tem culpas.
É extraordinária esta desfaçatez, esta falta de sentido das responsabilidades, este assobiar para o lado.
É a crise a culpada, dizem.
A crise ??
Mas então não foi uma crise das instituições financeiras, dos bancos ? Não foi a ganância desses loucos ávidos de dinheiro que precipitou o Mundo nesta crise ?
E se foi, como parece que foi, porque carga de água somos nós a pagar ?? Como é que os causadores da crise continuam impávidos e serenos, com lucros de muitos milhões, a pagar 5 ou 6% de impostos, enquanto a mim me tiram cada vez mais ??
É ou não verdade que o Governo meteu no BPN qualquer coisa como 4.000 milhões de euros, verba suficiente para reduzir o défice este ano ? E se é verdade, quem lhes deu autorização para fazer isso ?
E agora, que história é esta de andarmos a dar ao doente paninhos quentes, para ver se acalmamos os mercados ?
Os mercados ??
Mas que raio de entidade mítica é essa que nos está a governar, na realidade ? Então dantes era a mão invisível e agora são os mercados ??
E esses senhores dos tais mercados, que se aproveitam das debilidades dos povos e das imbecilidades dos seus governantes, não podem ser regulamentados, disciplinados ?
Então se há o risco de um país ir à ruina e não honrar o pagamento da sua dívida soberana, com mais 3 ou 4% nas taxas de juro esse risco já não é grave ?? Ou tudo isto do custo do risco é uma grande treta e trata-se apenas de especulação, com todas as letras ? E, se assim for, não será mesmo melhor a intervenção do FMI, já que as taxas desses pelo menos não são especulativas ?
E que faz a Europa, com o seu conjunto de políticos medíocres e incompetentes ? Traça uma estratégia de futuro ? Preocupa-se com o desenvolvimento de amanhã ?
Não, apenas vê o défice, apenas está preocupada com o défice, as pessoas que se lixem.

Meus caros amigos, talvez agora vejam os meus motivos. Talvez agora desculpem a minha obsessão anti-Sócrates e anti-mediocridade geral dos políticos. Agora ficou visível ( e palpável ) o custo extremo que todos vamos pagar por esta incompetência generalizada.
Pessoalmente, não me agrada nada ter razão e termos ido bater no fundo como eu receava há anos. Nada disto me agrada, como é natural, mas nada disto me surpreende. Vantagens da idade e de alguma experiência por esses meandros da vida.
O que me espanta, isso sim, apesar de tudo, é a desfaçatez, a tranquilidade, o “não tenho culpa nenhuma nisto” destes senhores.
Isso, sim, espanta-me e indigna-me.

domingo, outubro 17, 2010

OS ANOS DA RAIVA E DA VERGONHA

Toda esta situação é vergonhosa. Ou devia ser, para quem é responsável por termos chegado aqui.
Vergonha de andar anos a fio a receber, do dinheiro dos contribuintes, quantias absolutamente exageradas, sem a menor preocupação, sem limite, sem recato.
Vergonha de ver crescer a pobreza, o desemprego e mesmo assim, continuar a sacar o mais possível do dinheiro de todos.
Vergonha de tudo fazer para aumentar os gastos, os desperdícios, a insanidade total da fúria despesista.
Vergonha por todos os pseudo-institutos e empresas municipais e grupos de missão e tudo o que sirva para garantir mais uns largos milhares de euros mensais para os bolsos dos senhores e senhoras.
Vergonha de todos os estudos, trabalhos e simples conselhos comprados a peso de oiro fora dos orgãos públicos, só para agradar a amigos.
Vergonha de tantas e tantas parcerias público privadas, verdadeiros sorvedouros de milhões de euros sem controlo nenhum e muito pouca utilidade pública.
Vergonha de tantos pseudo banqueiros que desviam milhões e nem sequer a face perdem. Vergonha de tantas e tantas decisões parvas, erradas, completamente estranhas ao interesse nacional.
Vergonha de tantas autoestradas sem finalidade nem trânsito.
Vergonha de TGVs quando ao mesmo tempo deixaram destruir o Caminho de Ferro como transporte de mercadorias em todo o país.
Vergonha de tratarem o país com a mesma displicência e falta de brio com que tratam das suas vidas privadas.
Por fim, vergonha de virem agora, depois de tudo o que fizeram de errado, depois de tudo o que gastaram doidamente, virem agora, à força, sob ameaças, com chantagens, extorquirem-nos ainda mais.
Vergonha de fazerem tudo isto, primeiro gastar mal e demais e depois de nos virem pedir para pagar a factura, com um sorriso nos lábios e resquícios de sobranceria e altivez.
Se esta gente a não tem, eu tenho.
Tenho vergonha de não ser capaz de fazer nada para impedir o meu país de ser alvo do saque desta gente.
Tenho vergonha da minha impotência perante estes abutres. Tenho vergonha de não ter coragem, em alternativa, de voltar costas a tudo isto e de ir viver para um qualquer Lanzarote.
Tenho vergonha também de compartilhar o meu país com pessoas que nada ouvem, nada vêem e que dizem que a culpa de tudo isto é da crise, que se há-de fazer.
Tempos de vergonha, de luto, de raiva, de impotência.

segunda-feira, agosto 23, 2010




Ahhhhh ... mas então a outra, a medicina deste senhor, não se tornou também num grande negócio ?
Então qual é o problema ? Defesa da nossa saúde ou tentativa de evitar a concorrência ?

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terça-feira, agosto 17, 2010

GET BACK TO WHERE YOU ONCE BELONGED

Leia primeiro e depois veja o video !
Dizem que a letra dessa música, que manda alguém voltar para o lugar de onde veio, foi escrita pelo Paul Mc Cartney, para chatear a Yoko Ono, aquela esquisitíssima mulher que deu a volta ao miolo do John Lennon, e de que ninguém no grupo gostava para além do J. Lennon. O vídeo mostra a gravação em estúdio e as trocas de olhares entre as personagens são muito interessantes.
Este vídeo foi achado nos escombros da antiga gravadora dos Beatles, (Abbey Road Studios) e mostra uma sessão de gravação de uma famosa música dos Beatles (GET BACK), já no crepúsculo do grupo.
Mais histórico ainda: vêem-se dois artistas individuais na gravação, hoje consagrados: participando como teclista das gravações, o grande pianista negro americano Billy Preston (que, posteriormente, faria uma carreira a solo brilhante); e assistindo (pasmem!) à gravação - lá pela altura do minuto 02:11 - o líder de um grupo que já começava a fazer sucesso como substituto natural dos Beatles, Mick Jagger!
Para além do natural enlevo de quem contempla estes jovens e revive o seu próprio tempo, como é o meu caso, que tenho a mesma idade do Paul Mc Cartney, aproveite para ouvir uma canção simples e cheia de ritmo, que poderia muito bem ser aplicada a outros personagens do nosso tempo, e da nossa pátria, quiçá políticos dos quais estamos fartos !
Get back to where you once belonged , Jo Jo ... eH eh eh eh eh ...

video

quarta-feira, agosto 11, 2010

TEIMOSIA MINHA OU LEVIANDADE DE ALGUNS ?

Vem-me acontecendo isto com bastante regularidade, e eu já nem tenho a certeza de nada. Entre conhecidos, discutindo isto e aquilo, vejo pessoas que emitem opiniões muito longe da realidade ( pelo menos daquilo que para mim é a realidade ), com o maior dos à vontades, assumindo completamente o direito à opinião expressa, ainda que saibam muito bem, lá por dentro ( acredito eu, se assim não for ainda é pior ) que a sua opinião é mal fundamentada ou não fundamentada de todo.
Creio que a atitude tem a ver com o amor próprio, com a vontade de realçar o seu papel na sociedade, uma série de coisas dessas, que também a mim importam.
A diferença, muitas vezes, é que eu gastei muitas horas de leitura e meditação, ou longos anos de prática profissional, antes de emitir essa opinião e vejo que os outros falam apenas por ouvir dizer ou, em alguns casos, por anos de actividade profissional sem qualquer enquadramento doutrinário ou legal.
Estas circunstâncias sempre me irritaram. Nas conversas de restaurante ou de café, somos todos peritos em tudo, desde a política ao futebol. Eu também.
A verdade é que nunca aprendi a calar-me, nestas ocasiões, e frequentemente me vejo envolvido em disputas parvas, no meio de argumentos de duvidosa racionalidade, irritado, quase aos berros.
Depois, fico chateado e cansado, mas o mal está feito.
Estou farto disto. Estou farto destas situações. Estou também farto ( e magoado ) que pessoas que me são próximas se coloquem em oposição a mim, sistematicamente, não pelo valor dos argumentos em si mas apenas porque acham que não se deve falar alto numa discussão.
Para falar verdade, acho que abuso, por vezes, da minha impaciência e má-educação. Porém, também é verdade que já descobri, por mim, que hoje ninguém gosta de aprender com ninguém e que todos se acham qualificados para falar de tudo em pé de igualdade com os outros. Já não existe modéstia nem vontade de aprender, só existem direitos de igualdade e de livre expressão de opinião.
A excepção é quando algum tipo fala na TV. Aí, dá a ideia que essa pessoa passa automaticamente a ser invadida por uma auréola de sabedoria omnisciente. Essa pessoa passa a ser importante. Como o engº Sócrates antes de ser presidente do PS, nas suas conversas na TV com o dr Santana Lopes, outro candidato a iluminado, por falar na TV.
Se não falarmos na TV, somos iguais a todos os outros, quaisquer que sejam os nosso argumentos.
Para mim, esta história é apenas uma das corrupções introduzidas pela democracia : se o meu voto vale o mesmo que o teu, então a minha opinião é tão boa como a tua.
E não me convences do contrário. JAMAIS.

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segunda-feira, agosto 09, 2010

AS MAFIAS DO GÁS - 2

Voltemos então à história tenebrosa das mafias do gás em Lisboa.
O que vou narrar é real, verdadeiro e muito recente.
Para resolver um problema de estanqueicidade num troço de 3 a 4 metros de tubagem na sua loja, a minha amiga chamou um responsável de uma firma credenciada pela GDL. O senhor X. veio, viu a natureza do problema, disse que iriam resolver aquilo injectando uma resina XPTO e propôs 620 euros. A tal resina devia incluir compostos de ouro ou platina.
A minha amiga achou muito, telefonou-lhe e ele baixou para ... 600 ! Generoso, o homem. No dia seguinte, à hora combinada, aterra uma carrinha à porta da loja, entram na loja dois tipos novos e inquirem, ameaçadoramente : "Quem é que nos vai pagar ? Nós recebemos sempre à partida, são 250 euros mais IVA ! ".
Bem, a minha amiga, fosse pelo tom brusco e de ameaça ou pelo facto destes falarem em 250+IVA enquanto o "outro" falava em 600, disse logo que sim e pagou-lhes.
Uma horita depois, com a tubagem já "enresinada", os rapazes entregam a factura / recibo e o termo de responsabilidade e põem-se na alheta.
No dia seguinte, a fiscalização do gás vem e declara a questão solucionada, podem abrir o gás !
Eis que a minha amiga, intrigada, recebe um telefonema do senhor X, o tal dos 600 euros, com uma conversa mole do tipo "Então sabe que já tem gás ? O problemazinho já foi resolvido ... ". E a minha amiga : "Ah, sim, pois foi, até tenho um recibo do trabalho e o certificado de responsabilidade, tudo por 250 euros + IVA ... ".
O senhor X fica um pouco atrapalhado, faz uma tosse seca e despede-se, dizendo que há-de passar pela loja para explicar tudo ... Pois, então passe, diz a minha amiga.
Não creio que possa explicar nada que já não saibamos : uma pequena firma, a quem ele encomenda trabalhos, levou 250 euros mais IVA por um trabalho pelo qual ele iria cobrar 600 !!!! Esqueceu-se de avisar os capangas, o sr. X ! Imperdoável !
São 100 % de lucro, apenas por arranjar trabalho aos outros, aos seus subempreiteiros que, com a pressa de receber, revelaram logo todo o esquema.
E é assim que vamos vivendo, neste mundo de grandes e pequenos tubarões, onde toda a gente tem ordem não para matar, como o 007, mas para roubar, da forma que puderem.
Que me dizem a isto ? Não temos uma sociedade maravilhosa ?
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domingo, agosto 08, 2010

TONTICES, INCOMPETÊNCIAS & INCONGRUÊNCIAS

Com a idade, fui-me desinteressando de fenómenos mais imediatos e, em compensação, dou comigo a pensar em coisas simples, mas de escala nacional.
Cheguei à conclusão, por exemplo, que Portugal é um verdadeiro repositório de coisas que não fazem sentido. Nada parece jogar certo.
Querem ver ?
Temos um salário nacional mínimo de 475 euros, mas um bilhete de ingresso para o Jardim Zoológico custa 25 euros, um bilhete de futebol anda pelo mesmo preço e uma refeição normal modesta nunca menos de 10 euros. Um gestor de topo atinge facilmente 10.000 euros ( fora prémios, cartões e carros ) e um Juiz 5, 6 ou 7.000.
Os transportes públicos são relativamente baratos, mas a CP, o Metro, a Carris e todas as outras empresas públicas do sector vivem com dívidas de milhares de milhões de euros. Os hospitais não param de nos surpreender, sejam os públicos sejam os de gestão empresarial ou os de parcerias público-privadas : mais uns milhares de milhões de dívidas. As autoestradas são um mistério para mim, não percebo onde iremos buscar dinheiro para manter toda esta asfaltagem desenfreada.
A Justiça, cujos agentes não se podem queixar de ganhar pouco, está quase totalmente paralisada e não se vê jeito de mudança. A Procuradoria-Geral da República é uma instituição onde, ao que parece, cada um faz o que quer e a mais não é obrigado. Incluindo proteger os amigos.
Mas que raio se passa connosco, afinal ?
Somos, de facto, muito maus a organizar e muito pouco produtivos no trabalho ? Ou temos empresários da carochinha e, ainda por cima, forretas e egoístas ?
Os nossos trabalhadores têm baixa produtividade ou os nossos empresários é que não investem um euro em equipamentos, inovação e processos de trabalho ? Ou acham que os empregados é que devem fazer isso ?
Muitas coisas não podem ser pagas a preço de custo ( os bilhetes para os transportes públicos ) porque ficariam muito caros ou somos nós que temos uns salários de miséria ?
A "história" que muitos economistas nos querem vender, que não podemos pagar salários mais altos por causa da baixa produtividade, não se aplica aos empresários e gestores ? Esses têm sempre altíssimas produtividades ?
Que vai Portugal fazer no futuro, depois de termos placidamente assistido à destruição da nossa agricultura e das nossas pescas ? Vamos todos para o turismo, servir à mesa no Algarve ?
Uma ultima questão : não é para pensar NESTAS COISAS E DAR-LHES SENTIDO QUE PAGAMOS A GOVERNANTES, PRESIDENTE DA REPÚBLICA E DEPUTADOS ? Aparentemente, tem sido dinheiro deitado à rua.
É tudo assim tão difícil ? Com todos os diabos, meus caros senhores, quando é que alguém mostra que tem uma ideia de conjunto para este País desengonçado e envergonhado ?
Ou a culpa, afinal, é da Constituição ???

quarta-feira, agosto 04, 2010

A MAFIA DO GÁS NATURAL ou O ABUSO PERMANENTE DO CONSUMIDOR

Aqui há uns anos atrás, alguns empresários, escudados no poder político, eternamente desinteressado da defesa do interesse público, decidiram introduzir em Portugal o gás natural. Ou vice-versa, pouco me interessa agora. Em vários locais do País, designadamente em Lisboa, já existia uma rede de distribuição do chamado "gás de cidade". A grande maioria dos prédios da capital dispunham de redes para este tipo de gás, ou em chumbo ( as mais antigas ) ou em tubo galvanizado.
Quando da introdução do gás natural, prometeram-se mundos e fundos, mas a verdade é que NÃO FORAM EXECUTADAS NENHUMAS BENEFICIAÇÕES OU SUBSTITUIÇÕES DAS REDES DE GÁS DOS PRÉDIOS DA CIDADE ! Não era preciso, afirmavam, o gás natural trabalhava à mesma pressão do gás de cidade !
Toda a gente engoliu esta inverdade. A verdade, verdade, que se tem vindo a revelar dramaticamente ao longo destes últimos anos, é que o gás natural é um gás seco, ao contrário do gás de cidade. Este último, com a humidade que lhe estava associada, garantia a estanqueicidade das canalizações, muitas delas com uniões feitas à custa do velho fio de sisal que só é eficaz enquanto húmido.
Lembro-me que, colocado o assunto na Assembleia da República, a GDL garantiu que iria "humidificar" o gás natural, para evitar a proliferação de fugas nas velhas redes da cidade.
Cumpriram o prometido ?
NUNCA !
Diariamente, um pouco por toda a cidade de Lisboa, a GDL obriga os consumidores a ensaios das suas instalações, que invariavelmente chegam à conclusão de que existem quebras de pressão, vulgo fugas. Ao darem essa triste notícia ao cliente, juntam logo uma lista de firmas reparadoras, dizendo ao cliente para telefonarem. Em resumo, há largas dezenas de famílias em Lisboa, TODOS OS DIAS ( gostava de saber quantas ) a serem exploradas, pagando a essas firmas largos milhares de euros que deveriam ter sido despesa da GDL. Ninguém lhes pediu o gás natural, meu Deus, o gás de cidade era perfeito e nunca havia fugas !!
Em simultâneo com a introdução do gás natural, deu-se a criação de centenas de firmas para reparação das tais fugas que toda a gente do meio sabia que iam aparecer. Ao mesmo tempo, criaram mais uma quantidade de entidades inspectoras, para fiscalizar o trabalho das outras. Tudo coincidências curiosas. Umas e outras firmas numa obscena mistura cruzada de capitais, acabando todas por pertencer ou ter interesses umas nas outras.
O "cozinhado" continua diariamente, toda a gente já percebeu o que eles fazem e fizeram mas ninguém tem alternativas, se quiser continuar com o gás natural.
Conheço pessoas e até restaurantes que, cansados desta tourada e desta exploração, se viraram para o "tudo eléctrico" ou mesmo para o gás propano, em depósitos industriais.
Enfim, negócios à portuguesa, com tudo o que esta expressão implica de irresponsabilidade e de falta de vergonha.
A MAFIA do gás natural, em Lisboa, não é nada natural, amigos, é mesmo uma mafia totalmente artificial que todos nós toleramos por indiferença e comodismo.

sábado, julho 31, 2010

O MEU PORTO DE ABRIGO PESSOAL
O TIRAGOSTOS é uma pequena loja de pronto-a-comer, datada de meados dos anos 80, propriedade de uma pessoa minha amiga. Fica quase á frente da porta do prédio onde vivo, em Lisboa (Benfica), é só atravessar a rua. É uma sala decorada com sobriedade e bom gosto, azulejos brancos, atravessados por lintelos amarelos, móveis de madeira castanha, com portas de ripas entrecruzadas. No alto dos armários, galinhas de cerâmica e dois ou três panelões em latão brilhante. Nas paredes, três ou quatro aguarelas de patos selvagens, com uns verdes e azuis muito suaves. Não há outra loja assim, acreditem.
Conheço esta pequena loja desde que foi inaugurada, em 1985 ou 1986. A minha mulher costumava lá ir frequentemente, beber café e ou comer uma das excelentes empadas caseiras de galinha. Depois, quando ela partiu, habituei-me também a ir lá todos os dias, com a minha filha. Pequeno-almoço, almoço, apenas conversa, esta pequena loja tornou-se a minha referência diária, ao longo dos últimos anos. A simpatia e o sorriso da sua dona acolheram-me e ajudaram-me, nesse momento da minha vida, confesso. Tornámo-nos amigos, convivemos para além das quatro paredes da loja, mas a loja, aquela loja, continuou sempre a ser o meu porto de abrigo diário.
Aqui há uns anos, quando a dona decidiu fazer obras de renovação da loja, empenhei-me no processo, orientei tecnicamente os trabalhos, fiz mesmo muitas coisas com as minhas mãos, gastei largas dezenas de horas dentro daquelas paredes, sózinho, discutindo com o fogão e a fritadeira a incompetência do pintor, arregaçando as mangas e fazendo eu próprio o que o homem deveria ter feito.
Enfim, algo de mim ficou naquelas paredes e naquele pavimento.
Quanto à senhora sua dona, aquela loja foi a sua companheira fiel de muitos anos, todos os dias, com sol e com chuva, com clientes ou sem eles, em momentos de euforia e muitos outros de desânimo. Aquela pequena loja apossou-se de grande parte da alma da sua dona, acho eu. Da minha também, o que é estranho, porventura.

A verdade é que a loja mudou hoje de dono. A sua ( verdadeira ) dona alugou a exploração da loja a um casal, eram precisos sangue e entusiasmos novos.
Para ela, a sua dona de sempre, foi o fim de uma relação de 25 anos, sem quebras de fidelidade. Vai ser difícil para ela, senti-o hoje, ao ver o ar infeliz e desnorteado dessa minha amiga. É sempre doloroso terminar uma relação, afinal.
Quanto a mim, foi o fim de um era, mais do que de um ciclo. Não só pela minha amizade com a dona, mas também pela relação que eu próprio desenvolvi com a loja.
É o fim do meu porto de abrigo diário, do meu café matinal e da minha primeira conversa do dia, acolhido pelo sorriso amigável da minha amiga.
Pode ser que continue a entrar naquela loja, para um café ou mesmo um almoço, mas nada será o mesmo. Uma parte da minha vida desapareceu, com aquela mudança na loja. Sei que uma enorme parte da vida da sua dona também fica para trás, para sempre embebida naquelas paredes e naqueles bancos amarelos.
The show must go on, porém. Muita sorte aos novos "donos", muita sorte à minha amiga. Por mim, acho que não vou conseguir substituir o meu porto de abrigo diário, os anos não perdoam.

sexta-feira, julho 30, 2010

CALOR, CALOR ...

Estive uns dias sem escrever, a descansar os dedos e, pensava eu, também os neurónios. Nada disso. O que a baixa política e a trampolinice deste pobre país não conseguiram, conseguiu o calor insuportável deste tempo desgovernado em que vivemos : quase gripei os tais neurónios. 42º C á sombra, companheiros e companheiras. Uma enormidade. Fui passar uns dias ao Entroncamento, tinha lá umas coisas a arranjar em casa, mas não aguentei, confesso : no final do segundo dia desertei cobardemente para Lisboa e o ar condicionado, com medo de derreter literalmente o conteudo craniano ! Bolas, até via miragens, na autoestrada, enquanto acelerava para a salvação.
Tenho que lá voltar, quando a calor baixar um pouco. Veremos.
Entretanto, a vida pública à portuguesa continuou, com as idiotices e sem-vergonhices do costume. O hábito. Termina a fase de investigação do processo Freeport, na prática não viram nada, não descobriram nada, mas também nem sequer perguntaram a quem podia saber alguma coisa. Entraram uns milhões e saíram, mas não sabem para que contas, ou que bolsos foram ... Em suma, tudo se passou como se fosse eu a tentar saber o que aconteceu e não a PJ mais o MP.
É o costume.
Paulatinamente, o senhor Procurador-Geral da República continua a ocultar-nos e a destruir factos, ou porque estão em segredo disto ou daquilo ou porque qualquer outra coisa. Até pode ser que não, mas o que parece é que há de facto uma eficaz cortina de fumo que nos impede de ver o que devia ser público e visível.
Somos assim. Tristemente cinzentos e dissimulados.
Havemos de morrer sem mácula nem desonra, mas tristemente ignorantes, enganados e miseráveis.

sexta-feira, julho 16, 2010

O PAÍS DE ONDE A DECÊNCIA E A VERGONHA DESERTARAM

Dantes, há muitos anos atrás, havia vergonha na sociedade portuguesa. Muitos tipos de vergonha, salientemos : vergonha de ainda termos uma ditadura, em plena Europa, vergonha de termos uma guerra colonial, quando essa época já tinha passado em todo o Mundo. Vergonha também de se ostentar riqueza e de ganhar desmesuradamente, numa sociedade rural e extremamente pobre. Havia uma espécie de sentimento generalizado das conveniências e da proporcionalidade económica. Um gestor de topo de uma grande empresa, por exemplo, limitava-se a ganhar 500 quando o trabalhador ganhava 50.
Até os sonhos dourados eram contidos, nessa época, talvez pela restricção do exemplo de Salazar, ele próprio um homem sóbrio em gostos e poupado nos gastos.
Dir-se-à que Portugal estava parado no tempo.
Bom, tudo isso já lá vai. Feliz e infelizmente, tenhamos a coragem de o proclamar. Nem tudo melhorou, nem tudo foram cravos, as flores de Abril. À socapa, também nos chegaram muitas flores de cardo e azedas.
Assisti espantado e incrédulo à enorme vaga de egocentrismo, de falta de escrúpulos, de cupidez, de sem-vergonhice que caracterizou muita gente da classe média portuguesa, nestes anos pós Abril.
Era vê-los a rastejar, a implorar, a mendigar, a traficar, um lugarzinho bem remunerado para si e para os seus. Foi vê-los, despudoradamente, sem réstea de vergonha, a aumentarem-se a si próprios, a modificar os estatutos jurídicos das empresas para poderem auferirem salários principescos. Medíocres profissionalmente, a maior parte dessa gente, não qualificados para os lugares, era vê-los a saltitar de empresa pública em empresa pública, hoje nos transportes, amanhã nos cimentos, depois de amanhã na comunicação social, que interessa o sector, é tudo a fingir, é tudo para sacar umas massas !
A imensa mole dos chamados gestores públicos nacionais tem muito pouco de gestor e nada de nacionais. Recebem salários internacionais pela sua incompetência absurda e criminosa. São um grupo de pessoas a quem o País nada deve, muito pelo contrário.
E àqueles de vós que pensarem que estou a exagerar, eu lanço um repto : indiquem-me um nome, apenas um, desses pseudo gestores que tenha feito um bom lugar numa dessas empresas. Um que seja, para amostra. Pois é, não há.
Lembro-me bem do caso da TAP, quando o poder político desesperou e começou a perceber que a empresa se arriscava à falência imediata, com a incompetência do senhor Cardoso e Cunha, que de exploração de aviões sabia que eles tinham rodas ... Aí ( curioso, foi Santana Lopes ), foram obrigados a mandar o amador para a rua e a entregar a empresa a um ... brasileiro. Meu Deus.
Bom, adiante. Mas onde fui eu hoje buscar o "alimento" para esta diatribe ? A esta notícia : o seleccionador nacional de futebol vai receber um prémio de desempenho de 720.000 euros. Setecentos e vinte mil euros, quase 150.000 contos, pelo magnífico comportamento da nossa equipa nacional de futebol. Dois empates, uma vitória, uma derrota iguais a 720.000 euros !!
Estão agora a perceber porque fui buscar o passado ?
É que uma coisa destas, só é possível de acontecer porque esta malta, colectivamente, perdeu a cabeça, a noção dos valores ... e a vergonha.
Escuso-me de acrescentar aqueles indicadores todos da miséria nacional. Envergonho-me de falar no desemprego e na fome em muitos lares. Não quero ser demagógico, sei que quem me lê tem sensibilidade e conhecimento do estado do País.
Por isso, pergunto-vos : não vivemos tempos estranhos e sem vergonha ?

quarta-feira, julho 14, 2010

AH GANDA PAÍS !

Hoje li algures esta notícia : "Uma acção de fiscalização da Autoridade Marítima do Sul culminou na apreensão e destruição de cerca de 500 bolas de Berlim, tendo ainda autuado 20 vendedores ambulantes ilegais nas praias de Albufeira, Silves e Portimão." Li a notícia e exultei, claro ! Que ganda país o nosso, amigos ! No meio destas preocupações todas com o défice e os rating, no meio da agonia tremenda da saída ou não do euro, não é que as nossas autoridades não desanimam e continuam a pugnar pelos nossos interesses, galhardamente ? Ah, malta, o que seria de nós se esses vigaristas de praia nos vendessem aquelas bolas de berlim todas ? Cem, duzentos portugueses iriam para as urgências de Portimão, não ? Ah ganda Polícia Marítima, pá ! É assim mesmo ! Então esses reles vendedores de praia pensavam que tinham a mesma impunidade dos barcos espanhóis quando vêem a Monte Gordo arrastar o nosso lingueirão e a nossa conquilha impunemente ? Nããããão, pá, uma coisa é roubarem-nos os bivalves, outra coisa é andarem pr´aí a impingir óculos e bolas de berlim cheias de creme aos veraneantes !
Porra, pá, estava a ver que nunca mais via uma acção destas assim, à James Bond, nas nossas praias. Por aqui, em Cascais, o mais que se vê é uma malta de cor a dar uns tiritos e a sacar umas carteiras, pá ! Nada de tão excitante e retemperador como esta acção dignificante da autoridade marítima no Algarve.
Parabéns, pá !
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segunda-feira, julho 12, 2010

SOBRE AS COISAS DA CULTURA ...

Confesso humildemente : não percebo nada daquilo a que se convencionou chamar o mundo cultural em Portugal. Tenho sérias dificuldades mesmo ao nível do léxico que é usado por essa gente. Aquilo que eu pensava ser a cultura, em sentido lato, é algo completamente diferente para os "entendidos", afinal.
Leio coisas como esta, a propósito da demissão de um senhor que desempenhava funções de "director-geral das artes" e da nomeação do seu substituto :
"De acordo com o Ministério da Cultura, João Aidos tem uma "vasta experiência e reputação no meio cultural português, ligado a inúmeros projetos no âmbito da Rede Nacional de Teatros e Cine-Teatros, gestor, programador, produtor e engenheiro projetista com profunda ligação à rede e tecidos culturais em todo o território nacional.
Licenciado em teatro, João Aidos desempenhava até hoje funções de diretor artístico do Teatro Virgínia, em Torres Novas."

Pasmo. Fico mesmo aturdido com a experiência deste senhor. Para já, ser director artístico do Teatro Virgínia, em Torres Novas ( que eu conheço e é uma coisa bem-intencionadinha de província ) não me parecia ser grande recomendação. Engano meu, o senhor é licenciado em Teatro ( o que raio é, aqui para nós, ser licenciado em teatro ? ) e, além de outros predicados, é "engenheiro projetista com profunda ligação à rede e tecidos culturais ...".
Boa. Afinal ser licenciado em Teatro implica engenharia de projecto. Ou melhor, de projeto. Porreiro, pá. Neste ponto, até a licenciatura do nosso Primeiro-Ministro me parece bem, devo dizer.
Adiante. Tentei ir mais longe e fiz uma pesquisa exaustiva do que é a tal CULTURA de que fala esta gente. Pasmem, óh gentes ignorantes e longes de Deus e da Cultura : temos uma Ministra da Cultura e uma data de directores-gerais para estudarem, regulamentarem e atribuirem SUBSÍDIOS estatais a diversos grupos de teatro, cinema e músicos nacionais, que sem eles ( os subsídios ) acabariam por perecer, acabando-se a cultura.
Se bem entendo, pois, a Cultura, para esta estrutura burocrática, é apenas uma mancha de necessitados a precisar de uns cobres para produzirem ... cultura. Cultura igual a subsídio, portanto.
Depois de saber isto, fico mais satisfeito, claro. Já percebo para que precisamos nós de uma Ministra da Cultura, caramba !
Olhem, sabem que mais, agora sem gozo ? Tudo isto é de uma imensa mediocridade, faz pena, dá vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo, sei lá ...

sábado, julho 03, 2010

A QUESTÃO DA PT E DA TELEFÓNICA

As reacções indignadas de muita gente ao uso, pelo Estado Português, do direito de veto na aquisição da parte que a PT possui na brasileira Vivo pela espanhola Telefónica é ... inacreditavelmente hipócrita.
Porquê ? Porque toda a gente sabe que a maior parte dos Estados Europeus se têm oposto à aquisição das suas maiores empresas por empresas estrangeiras e aí toda a gente se calou e se calhar até achou bem. Num excelente artigo de Nicolau Santos publicado hoje no Expresso é claramente desmontada essa hipocrisia. Por exemplo, idêntica investida da mesma Telefónica à sua congénere italiana foi também travada por Berlusconi. Ainda pior, o governo espanhol tem-se oposto a várias compras dessas !
Portanto, o comportamento do governo português só pode indignar hipócritas de má memória ou aqueles que acham que Portugal se deve sujeitar a tudo o que qualquer país lhe queira impor. Ou os que acham que o mercado merece uma veneração divina.
Pela primeira vez em muito tempo, mesmo em MUITO TEMPO, o meu aplauso para uma decisão de José Sócrates. Que seja dito o que é justo, o senhor não teve medo.
Do lado oposto, a actuação do líder do BES, o senhor Ricardo Espírito Santo, foi absolutamente ... ignóbil. O senhor, que vinha proclamando aos sete ventos ser um fiel defensor da estratégia da administração da PT, virou completamente a casaca, na noite anterior à assembleia geral, a troco de uns míseros milhões de euros com que os espanhóis acenaram. Nada de admirar nestes senhores, só os admira e tem respeito quem for parvo ou ignorante ou deles precisar. Não é o meu caso, e a piada é que, ao longo dos anos, sempre que olhava a cara desse senhor, na TV, eu me lembrava de um velho princípio da sobrevivência e pensava : "aqui está um homem a quem eu nunca ia virar as costas, em caso de conflito".
A PT fez mal, distraiu-se e virou-lhe as costas, para falar com alguém que estava por detrás. Foi o suficiente, o senhor votou ao lado dos espanhóis. Ele e a Ongoing, uma "coisa" que ninguém ainda entendeu muito bem o que seja. Produz o quê ? Acções ?
Bem, resumindo e desanuviando : perder no futebol é uma coisa, deixar-se "comer" em casa pela Telefónica seria outra. Não seriam nunca os espanhóis, depois, a garantir os postos de trabalho que a PT hoje representa, para portugueses, em Portugal e Brasil.
Por uma vez, aplaudo.
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quarta-feira, junho 30, 2010

A SELECÇÃO É IGUAL AO PAÍS

Amigos, viram ontem, com olhos calmos ?
A selecção nacional de futebol traduz fielmente o estado de espírito da nação : medo de tudo, falta de ousadia, erros de casting, ausência de um líder agregador e motivador, ausência de uma estratégia ganhadora.
Uma tristeza completa, não tanto pelo futebol, mas pela semelhança com o país. Quer acreditem ou não, quer gostem ou não, aquilo somos nós, hoje, como nação.
Desnorteados, mal conduzidos, cada um para seu lado ...

segunda-feira, junho 28, 2010

A ARROGÂNCIA E A IGNORÂNCIA ELEVADAS À CATEGORIA DE POLÍTICAS

Infelizmente, é exactamente como se lê no título.
No princípio desta infeliz viagem, a arrogância, o posso-quero-e-mando transpareciam em todos os actos deste Governo. Como se toda a lucidez e inteligência tivessem ido morar para S.Bento deixando o resto do País a navegar num imenso mar de ignorância. Eles é que sabiam, eles iriam transformar este país, através, nomeadamente, de uma tremenda inovação tecnológica. Claro que todas estas pias intenções acabaram nuns quantos Magalhães a serem vendidos na Feira da Ladra e pouco mais.
Os países não se transformam facilmente, mas sobretudo não se mudam por acção de aprendizes de feiticeiro, viu-se depois.
Agora, passada a euforia e a presunção, agora, que o fim está anunciado e o País está bem pior do que quando eles o começaram a governar, a situação é ainda mais caricata : teimosa e encarniçadamente, os ministérios teimam na asneira, de qualquer maneira, contra o tempo e o bom senso, contra tudo e todos.
Não querendo aborrecer as clientelas e amiguinhos, insiste-se em medidas tontas para baixar custos em vez de acabar com institutos e serviços camarários fantasmas, duplicações escandalosas de serviços públicos, vencimentos exageradíssimos, etc ...
Nos últimos dias, tenho assistido, entre estarrecido e incrédulo, a actuações incríveis de diversos ministérios : um decidiu fazer o pessoal pagar pelas SCUTs, mas esqueceu-se de o fazer em toda a parte, só lhes interessou o Norte. Outro, vai-se às escolinhas com menos de 21 alunos e zás, acaba-se com elas, pura e simplesmente, sem ouvir nem falar com ninguém.
Por outro lado, numa estranha, provinciana e ultrapassada utopia dos ganhos pela concentração, vá de extinguir agrupamentos de escolas ... e uni-los em super hiper agrupamentos, como se se fosse ganhar muito com isso. Uma vez mais, não há discussão do projecto, não há preparação da sua execução, não há reflexão, nada. Faz-se e pronto, esta cambada de estúpidos e ignorantes que nós somos não merece mais.

Chega, pessoal. Chega e por muitos motivos. O primeiro desses motivos é que ninguém lhes passou procuração para fazer essas coisas. Já é motivo sério e grave.
O segundo motivo, porém, é ainda pior : é que, declarada e ostensivamente, não têm capacidade nem competência para lidar com essas coisas e destrui-las assim do pé para a mão.
Chega. Larguem já o que estão a fazer, vão-se embora e deixem a outros o encargo de estudar e fazer o que deve ser feito.
Já se viu que os senhores ministros actuais não sabem lá muito bem o que andam a fazer. Aproveitem, devem estar cansados, vão de férias e ... não voltem, por favor.
Afinal, convêm não esquecer que os ministros não foram escolhidos por Deus, foram apenas eleitos por nós, muitos de nós enganados, creio eu.
Vamos escolher outros ? É que estes já atingiram manifestamente o seu nível de incompetência ...

Em tempo : das minhas palavras não se julgue que advogo ou que vejo com bons olhos a subida ao poder do inefável novo líder do PSD ... Nada disso, farto das delícias do liberalismo andamos nós todos ! Logo, a batata quente está nas mãos do PS, como não podia deixar de ser. Vejam se ainda vão a tempo de contrariar as coisas e arranjam um homem ou mulher que entenda o País e saiba construir. Convirá, para variar, que não dê assim tanta importância ao marketing e à comunicação social. Serão capazes disso ?

terça-feira, junho 15, 2010

O TEMPO ESTÁ A ESGOTAR-SE ...

É verdade, não me tem apetecido escrever. Nos últimos tempos, oiço e vejo aquilo que se passa à minha volta como se tudo tivesse que ser filtrado e depurado. Nunca, em toda a minha vida, vi e ouvi tantas mentiras, tantas deturpações e tantos "desvios" à verdade dos factos. De há uns anos para cá, a falsidade, a hipocrisia e a falta de vergonha invadiram a vida pública portuguesa. O sentimento de nojo pelo ar pestilento espalha-se à nossa volta. Este Partido Socialista, pela mão de José Sócrates, conseguiu provocar na vida política nacional esta irremediável ferida : inaugurou o paradigma de que em política não é preciso fazer nada de bom e de concreto para a população, basta afirmar abundantemente que se fez isto e aquilo e ... calar todos aqueles que disserem o contrário. De forma discreta que logo de seguida será desmentida, claro. O resto é dos livros : muita gente se cala, uns por medo puro, outros para proteger os seus interesses, outros ainda porque receiam que o PSD venha a ser um problema ainda maior que o actual PS. O que não é nada difícil, ainda por cima.
Restam os outros, os que mandam o medo às urtigas, os não comprometidos, os não alinhados, aqueles a quem cabe restituir dignidade a este País e ao exercício do poder. Como sempre.

quarta-feira, junho 09, 2010

LÍDERES, PRECISAM-SE

Desgraçadamente, é assim mesmo como estão a ler : tanto em Portugal, como no resto da Europa, nesta época difícil, NÃO temos líderes inspirados, corajosos e com visão.
Nota-se perfeitamente uma onda de histeria a invadir toda a Europa. Chefes de Governo, altos funcionários da União Europeia, líderes da oposição, vemos toda a gente de cabeça mais ou menos perdida.
Ninguém tem qualquer ideia sensata ou mesmo louca sobre o que fazer. Toda a gente se limita a copiar medidas de contenção orçamental avulsas, sem sequer parar para pensar.
Até há uns meses, a palavra de ordem era colocar dinheiro no sistema financeiro, custasse o que custasse. Até a economia retomar. Uns meses depois, e porque a especulação financeira acelerou, toda a Europa decidiu, quase sem discussão, que agora o importante era controlar os défices, a todo o custo ...
Então e a crise, já acabou ? Se não acabou, onde nos vai levar esta loucura ?
Até a controlada Alemanha, por norma tão contida e reflectida, se apressou a baixar salários e a reter subsídios de Natal. Na Europa, acho que só a França tem escapado a este zelo doido no acerto das contas públicas.
Histeria, chamei-lhe eu, mas um prémio Nobel da Economia chamou-lhe recentemente masoquismo. O masoquismo europeu, que ele receia venha a afectar também os EUA.
Mas não é só na Europa que toda a gente parece de cabeça meio perdida. Nos EUA todas as vozes que sempre viram com maus olhos o euro aproveitam para clamar que o euro está condenado e que vai ser uma catástrofe do caraças.
Uma verdade está a vir ao de cima, singela e poderosa na sua clareza : a Europa, tal como tem sido estruturada, é um enorme bluff, um gigantesco castelo de cartas. É apenas uma gigantesca e ruinosa burocracia que não sabe para onde se virar, nestes dias. São milhares de funcionários, pagos a peso de oiro, com as mãos na cabeça. Mas estão a ver os líderes europeus conscientes desta verdade e a pensar o que deve ser feito ? Qual quê, é mais fácil aproveitar a maré e ir cortando em salários e regalias sociais dos trabalhadores, sempre se aproveita algo da crise, não é ?
Já notaram a insistência, por exemplo, com que em Portugal aparecem senhores bem vestidos e de ar competente a clamar por uma redução generalizada de salários ? Já pensaram porque raio é que quando há uma crise o remédio é sempre esse ? Já os ouviram, uma só vez que fosse, falar nas outras componentes que influenciam a produtividade e competitividade das nossas empresas ? Investimentos em equipamentos, organização, novas tecnologias ? Nãoooooooooo, isso dá muito trabalho, e obriga os "amigos" a investir e a arriscar, é mais fácil baixar salários e meter "a la poche" o diferencial daí resultante ! E se isso conduzisse a um aumento de exportações, por exemplo, ainda bem, mais uns eurozitos para engrossar a colheita anterior.
Amigos, digo-vos com toda a sinceridade : todos estes líderes políticos me metem nojo. E raiva. E desespero.
Infelizmente, já não somos só nós, portugueses, a não ir longe.
Toda a Europa está parada, em desalento, à procura de alguém providencial e salvador. Por mim, que não sou nada disso, apenas digo à Europa : não vão por esse caminho, é um erro gigantesco. Façam o oposto, ousem tomar medidas de incentivo à economia e ao consumo, aguentem enquanto puderem os défices internos e externos e dêem confiança às pessoas.
Então, de repente, toda a gente se esqueceu que, afinal, toda a economia assenta num jogo de expectativas ?

quarta-feira, junho 02, 2010

O PRETENSIOSISMO DOS PSEUDO SALVADORES DA PÁTRIA

Hoje apetece-me falar-lhes sobre um fenómeno social que me intriga e também me irrita um pouco.
Fazem-me cócegas na inteligência as pessoas que se colocam nos bicos dos pés. Aquelas pessoas que, desprovidas de um mínimo de sentido de autocrítica e senhoras de um ego enorme ( e despropositado ) se julgam perfeitamente aptas a desempenhar altas funções de Estado ou outras. A maior parte das vezes, esta gente será apenas sofrível ou mesmo medíocre nessas funções, como a prática mostra abundantemente mais tarde. Infelizmente, só percebemos bem isso quando o mal está feito e muito tempo está já perdido.
Querem saber em quem penso quando digo estas palavras ? Em pessoas como Sócrates, Fernando Nobre, Santana Lopes, Manuel Alegre, Passos Coelho e tantos outros. Há-os de dois tipos fundamentais : os salvadores "profissionais" e os "iluminados" repentinos. Uns nunca aprenderam a fazer nada na vida para além da sua missão de salvadores da Pátria ; os outros baralham as coisas e pensam que a presidência é uma espécie de medicina missionária para os males da política.
Sinto que muitos de vós se encolhem, quando digo isto, e pensam que endoideci.
Garanto-vos que estou na plena posse das minhas faculdades. E que estas chegam perfeitamente para saber porque digo o que digo.
Tenho um conceito muito "sério" do que deve ser o serviço público, a este nível. Deve ser algo a que apenas se devem candidatar pessoas que tenham algo de novo e útil a oferecer à comunidade. Estas funções não podem ser olhadas como formas de progressão pessoal ou de conquista de notoriedade.
Na minha opinião, é isso que tem acontecido. Estas pessoas não têm nem imaginação nem capacidade de motivação geral e sobretudo não têm a mais pequena ideia do que deve ser feito para arrancar Portugal deste marasmo. Falam, falam, mais nada. Seria natural, perante as lacunas e dificuldades do nosso desenvolvimento, que as pessoas fossem modestas e reconhecessem que não sabem o que há-de ser feito. O quê ? Não sabem, eles, os supremos arquitectos do país ? Claro que sabem, dizem eles. E depois ... é o que se vê. Atolam-se, perdem-se, não sabem para que lado se hão-de virar. Sabem que mais ? Assim também eu, acreditem. Seria difícil qualquer um de nós fazer pior que isto, nos últimos ( muitos ) anos.
Olhem bem à vossa volta, reflictam nos currículos dessas pessoas, analisem o que aconteceu de bom ou de mau graças a eles, e depois tentem perceber porque raio é que o país nunca vai a lado nenhum.
Se entenderem bem os porquês, verão que, tal como eu, pensarão : mas que raio tem Manuel Alegre ou Fernando Nobre a oferecer aos portugueses ? Ou Passos Coelho ? Ou Sócrates ? Ou ... Cavaco, já agora ?
Não temos gente melhor que estes ?
Não acredito.

segunda-feira, maio 31, 2010

UMA CURTÍSSIMA

Os israelitas são umas bestas. Perderam totalmente os valores civilizacionais básicos. Esta foi a gota de água, para mim. Não passam de umas bestas. É quase afrontoso que um povo que passou o que passou nas mãos de um tresloucado como Hitler, se transforme, poucos anos volvidos, numa reedição desse mesmo louco assassino.
Sem mais nem menos, com todas as letras que a palavra tem.
Assassinos.
Ganhem vergonha, suas bestas.
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PORTUGAL ENEVOADO

Como quase sempre ao longo da minha vida, o nosso país está envolto em névoa. As pessoas estão cá, estão vivas, mas movem-se de um lado para o outro como fantasmas, não se conseguem distinguir bem, no meio da névoa. Algo lhes roubou a côr, o viço, a alegria. Sempre me lembro desta malfadada bruma a envolver as pessoas. Dantes - oh meu Deus, há quanto tempo - dantes era o Salazar malvado, ditador e rústico. Agora é o iluminado e predestinado Sócrates, sem esquecer os longos anos do competente e aureolado Cavaco. Tudo gente ilustre - bem uns mais que outros, como decerto se lembrarão. A porcaria da névoa, da bruma é que é sempre a mesma. Está sempre omnipresente, pegajosa e húmida. Entra por qualquer pequeno buraquinho e inunda-nos a alma, suga-nos a vontade de lutar, sei lá que outros efeitos nefandos traz esta maldita névoa.
Para já não falar no reumático, nas dores na coluna e nos joelhos. É uma perfeita desgraça, esta névoa.
Sabem, eu nunca percebi se esta névoa vem do mar, de longe, ou se afinal vem desta gente triste e fria que povoa o meu país. Acho que são as pessoas que fabricam esta neblina, para disfarçar os que lhes vai na alma. Para que a miséria e o desalento não se notem tanto.
Ou então é castigo. Alguém me sabe dizer que tamanho pecado cometemos nós, os portugueses, que vilanagem medonha cometemos, para sermos tão duramente castigados por esta névoa maldita que não nos larga há séculos ?? Que mal fizemos nós a Deus e aos Santos para nos atirarem esta humidade peçonhenta e, ainda por cima, nos brindarem com chefias e lideranças tão declaradamente tontas e incompetentes como aquelas que temos tido ?
Mas quem é que precisa de timoneiros que nem sequer sabem para que lado se hão-de virar ?
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segunda-feira, maio 24, 2010

ESTA EUROPA DAS CONTRADIÇÕES ...

Para quem gosta destas questões, peço-lhes que tenham um pouco de paciência e vejam o vídeo anexo. É Daniel Cohn-Bendit, que os mais velhos reconhecerão logo como umas das figuras do Maio de 1968 em França. Desta vez, num discurso no Parlamento Europeu, insurge-se contra as contradições da Europa no auxílio à Grécia, e na hipocrisia da França e da Alemanha que venderam material militar no valor de biliões de euros à Grécia, em especial por causa do conflito Grécia-Turquia.
O discurso foi feito em francês, mas o video tem legendas em inglês, para quem estiver mais familiarizado com esta língua.
Agradeço ao meu amigo Fernando Cardeira ter-me chamado a atenção para este discurso.

sexta-feira, maio 21, 2010

DARWIN NÃO CHEGOU AQUI !

Somos o país do medo.
O país dos cobardes.
O país dos que deixam tudo na mesma para que mais tarde o tecto não lhes caia em cima.
O país dos que ameaçam que fazem isto e aquilo se, mas que nada fazem quando a oportunidade surge.
O país dos mentirosos.
O país dos que apresentam moções de censura ao governo, mas não para o derrubar.
O país dos que fazem hoje acordos com o governo e amanhã o censuram e lhe chamam nomes.
O país do faz de conta.
O país em que toda a gente se conhece e dá palmadas nas costas em privado. E depois se insultam em público, para parecer que ...
O país em que toda a gente tem irmãos, filhos, filhas, primos e primas a precisar de uma palavrinha ao ******** para um empregozito.
O país do mansos e dos falsos.
O país da hipocrisia e das meias tintas.
O país dos empresários que acham que a competitividade é pagar uma miséria aos empregados e ainda preconizam ... a descida dos salários para fazer face à crise.
O país dos empresários em que mais de três quartos tem a 4ª classe mal tirada.
O país dos sindicalistas/militantes partidários. Independentes que se farta.
O país onde nunca vi nenhum sindicato lutar pela organização, formação e reequipamento das empresas como forma de melhorar a produtividade.
O país onde os poucos que acabam as faculdades e outras escolas com notas brilhantes emigram ... ou vão trabalhar no sistema financeiro.
Em síntese, o país em que Darwin se enganou : aqui não houve evolução da espécie humana, ou se houve foi uma evolução negativa, regredimos aos tempos das trevas e da ignorância, quando a trampolinice era a palavra de ordem, os caciques mandavam e a miséria e a fome eram a rotina da maior parte da população.
Para mim, e para alguns dos meus amigos, estou certo, tudo isto é uma espécie de "remake" ou reposição do filme que já vimos nas nossas infâncias.
Bom, talvez não seja.
Agora os vigaristas são muitos mais e tudo se passa a cores e com som Dolby Sensaround.

PS - Não se zangue comigo o caro leitor. Até Darwin previu os casos excepção. Também temos alguns casos ( poucos, poucos ... ) onde as leis da evolução seguiram o seu curso e as pessoas são o oposto das que retrato em cima.

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quinta-feira, maio 20, 2010

QUEM TEM MEDO DA VERDADE ? PORQUÊ ?

Já não tenho grandes dúvidas. Mais do que proteger José Sócrates, parece-me cada vez mais nítida a preocupação de algumas pessoas em defender não sei bem o quê, talvez o País, do embaraço e vergonha que todos sentiríamos se a verdade fosse descoberta.
Só pode ser isso. Do Presidente do Supremo Tribunal ao Procurador-Geral da República, incluindo agora o deputado Mota Amaral, presidente da Comissão de Inquérito ao caso TVI/PT, todos mostram grande preocupação em evitar que a verdade venha ao de cima, todos fazem os impossíveis para justificar a não utilização das escutas.
É sabido que as vertentes políticas contidas nas escutas não irão ser apreciadas em processo penal ( a Face Oculta ); sabemos agora que, na vertente política, Mota Amaral alega que as mesmas escutas só podem ser utilizadas no âmbito do processo penal e não para fins políticos. Ou seja, a pescadinha de rabo na boca.
Diz Mota Amaral :


As alegações são cretinas, qualquer principiante do estudo da lógica percebe que estas pessoas andam a usar pretextos para que a verdade se não saiba.
Estão a defender o PS ? Alguns estarão. Estão a defender Sócrates ? Alguns estarão.
A minha convicção actual é que a porcaria que se extrai das escutas é tal que a defesa da honra do País aconselha a que essa porcaria não venha para a rua.
Será assim ? Porque motivo Mota Amaral diz coisas como esta, para justificar a sua não autorização do uso das escutas ?


Presume-se que estes tais direitos dos cidadãos se referem aos de José Sócrates e amigos, uma vez que aos meus e aos vossos não é de certeza. Não temos direito à verdade, uma vez que é preciso ocultar a verdade daquilo que os outros fizeram.
Uma coisa é certa : o conteúdo das tais escutas deve ser lindo, para que todas estas jogadas se façam. A miséria deve ser tão chocante que toda a gente tem medo de a revelar !!
Só por isso, tanto medo em revelar as tais escutas não é revelador da verdade ?
A mim parece-me que sim.

quarta-feira, maio 19, 2010

AS MARAVILHAS DA JUSTIÇA

É inaudito. É extraordinário. Cada vez mais sou um fã incondicional da justiça em Portugal. Todo o aparelho judicial passará a ter em mim um defensor implacável. Dá gosto pertencer a um país que tem tal sistema judicial.
Acham que estou a exagerar ? Então vejam estes dois ou três casos ...

Primeiro caso : recurso apreciado no Tribunal da Relação de Lisboa pelo sr. não-me-lembro-do-nome, sócio gerente da Bragaparques, acusado pelo Ministério Público de tentativa de corrupção do vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Sá Fernandes. O caso foi documentado com gravações e tudo e na 1ª Instância o réu tinha sido condenado. Sentença da Relação de Lisboa: não culpado, porque o vereador em questão não tinha competência, dentro da Câmara, para conseguir aquilo que o acusado pretendia e lhe pedia, a troco de uma quantia em dinheiro. Portanto, não pode ser enquadrado no crime de corrupção, diz o Tribunal !!

Segundo caso : S. Exª o sr. Primeiro Ministro foi apanhado em longas conversas telefónicas com o sr. dr. Armando Vara, seu amigo, onde se presume que tenham abordado o tema da compra da TVI pela PT. Caso quente. O sr Presidente do Supremo Tribunal declara as escutas nulas e sem valor e ordena a sua destruição, porque foram gravadas sem a sua autorização prévia.

Terceiro caso : na Comissão de Inquérito Parlamentar ao caso TVI/PT, foram analisadas pelo deputado Pacheco Pereira escutas do caso Face Oculta, que são "avassaladoras" e provam que "o Primeiro-Ministro mente".
O Presidente da Comissão decreta que essas escutas não podem ser utilizadas na redacção do relatório final, por tal ser ou poder ser inconstitucional !!

E pronto. Gostam ? Ficam a gostar do nosso sistema judicial ?
Amigos, leitores : estas disposições invocadas para justificar as decisões cheiram mal, não podem deixar de estar ERRADAS, dê lá por onde der.
Não pode existir uma lógica jurídica e uma lógica não jurídica, uma verdade jurídica e uma verdade não jurídica. O objectivo de todos estes sistemas é defender a VERDADE e a JUSTIÇA, e não a ocultação dos factos, por motivos processuais burocráticos.

Ou estou errado e a Justiça passou já mesmo a estar ao serviço do poder e dos poderosos ? Aos senhores juízes e magistrados do ministério público para resposta.
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terça-feira, maio 18, 2010

A HIDRA DAS SETE CABEÇAS

Hoje ao acordar tive este pensamento horrível : ninguém sabe exactamente o que há-de fazer para disciplinar e regulamentar o caos financeiro que impera no Mundo. Permitiram-se demasiadas liberdades, a vaga de fundo do liberalismo conseguiu minar totalmente os alicerces da normalidade e da sanidade dos povos e dos mercados.
Receio bem que a única coisa a fazer seja terminar pura e simplesmente com muitos produtos financeiros que ainda andam por aí ... à força, se necessário.
Acredito mesmo que o comum dos mortais abriria a boca de espanto se lhe dissessem como funcionam muitos desses produtos financeiros. Por exemplo, os "credit default swaps", nome diabólico, que causam todas estas subidas no custo do dinheiro, mais não são que uma espécie de "apostas" sobre a capacidade ou não de um determinado devedor institucional liquidar os seus empréstimos. É um jogo tenebroso e perigoso. Chamam-lhe seguros mas vão por mim, não passam de apostas. E o que é ainda mais sinistro é que muita gente ficará riquíssima, se um determinado país deixar de poder pagar as suas dívidas ! Veja o leitor se encontra alguma lógica nestas coisas.
Por mim, e sou completamente sincero, sempre que preciso inteirar-me disto ou daquilo que se passa nestes circuitos financeiros fico não só com uma enorme dor de cabeça mas também com enormes vómitos. Este sub-mundo fede, cheira a ratazanas e a esgoto, representa aquilo que de pior a humanidade possui.
Bom, mas a coisa, o monstro tentacular, a cobra das sete cabeças é de tal forma sinistra que ninguém sabe o que lhe há-de fazer. É como se toda a actividade humana, fábricas, serviços, emprego, normalidade de vida, tudo, estivesse submetido á arrogância de umas poucas centenas de sanguessugas ...
E não pense o leitor que lhe digo estas coisas a pensar apenas em Wall Street e similares. Não, é exactamente o mesmo entre nós, em Portugal.
É como se apenas interessasse a actividade financeira no Mundo. Já não conta a velha economia, de produzir e vender bens ou serviços. Não, agora o que conta é fazer milhões a todo o custo, nem que seja apenas a vender promessas de ganhar esses milhões.
Logo, a ideia horrível é esta : ninguém é capaz de colocar ordem nisto. Vai ser muito difícil sair deste atoleiro. No meio desta tempestade tremenda, marinheiros de água doce como José Sócrates e a sua equipa estão tão habilitados a lidar com o problema como eu a treinar a equipa de futebol do Real Madrid.

domingo, maio 16, 2010

ESTOU FARTO DESTAS CANTIGAS.
ESTOU FARTO DE PAGAR AS ASNEIRAS E AS BENESSES DOS OUTROS


Já o disse várias vezes, mas vale sempre a pena voltar à verdade básica : o Estado gasta mais do que pode, porque os dois ou três partidos do poder foram admitindo para o sector público todos os amigos e boys e girls que andavam sem emprego lá pelos partidos e ajudavam nas campanhas. Qualquer pessoa sabe que isto é verdade mas quase toda a gente se cala e deixa andar.
Eu assisti, como se em camarote real, a toda esta tramóia. Alguns dos cozinhados aconteceram pouco depois do 25 de Abril debaixo dos nossos olhos incrédulos e atónitos. Na época, ainda conseguimos travar um ou outro, mas depois eles, os senhores democratas impolutos, quiseram correr com os militares do poder. Percebe-se agora bem porquê. Desde aí, foi sempre a eito, numa média espantosa de dezenas de milhar de pessoas por ano. E não se pense que se respeitaram as categorias profissionais do funcionalismo público, com os correspondentes níveis salariais. Não, criaram-se MILHARES de postos de trabalho ( ou melhor, de tachos, porque postos de trabalho não eram de certeza ) que se entregaram a putos recém chegados das escolas ( quando não sem qualquer escolaridade significativa ) com vencimentos iguais aos de funcionários excelentes com 20 e 30 anos de serviço.
E se duvidam, consultem por favor o Diário da República, 2ª série, onde aparecem as nomeações para esses cargos e vejam o nível dos vencimentos.
Sempre que um novo Governo entra em funções, as novas nomeações para assessores de gabinete, chefes de gabinete e adjuntos de várias matérias, no conjunto dos ministérios e secretarias de estado, atinge facilmente as 5 ou 6.000 pessoas. Julgam que estas pessoas se afastam da mesa do orçamento quando o Governo cessa funções ? Estão muito enganados. Nessas alturas, é um corropio de outras nomeações para outros serviços do estado, tutelados por amigos. A coisa repete-se com cada novo Governo.
Sobre os institutos públicos já outro dia falei, MUITOS deles são um perfeito cancro, corrosivo e gastador. Em muitos deles, nada se passa de útil e palpável para o país, ninguém produz nada que tenha o mínimo impacto.
Bem, quando o dinheiro começa a ser curto, o que fazem estes partidos ? Dizem aos milhares de amigos para terem paciência e verem se arranjam trabalho noutro local qualquer ? Claro que não, nem nisso falam. O que fazem é ir aos bolsos de toda a malta rapar mais uns euros, mandam umas bocas vagas e foleiras e continua tudo na mesma, como se estivéssemos no melhor dos mundos.
Este jogo é indecoroso. Este jogo é uma trapaça pegada. Esta realidade social está viciada da cabeça aos pés por estas gerações de políticos com mais sentido de oportunismo que de serviço público. Estes portugueses não mereceram a liberdade de que passaram a usufruir. Nada fizeram com ela, apenas se aproveitaram dela. O país está na mesma, o mesmo lodaçal de sempre, até as moscas são as mesmas, a única coisa que mudou foram as técnicas e tácticas para enganar tudo e todos.
A mim, não são tanto os impostos adicionais que me custam. O que mais me custa é que estou farto de ouvir esta conversa fiada, sei muito bem os comos e os porquês, e sei que passados uns anos estarão a dizer o mesmo aos outros desgraçados dos portugueses que por aqui andarem nessa altura. Soares disse aos portugueses exactamente o mesmo, em 1983, que Sócrates disse em 2010. Bolas, então que se fez de positivo em perto de 30 anos ?? É este o contributo do Partido Socialista ( ou do Social Democrata ... ) para o desenvolvimento do País ? 30 anos passados TUDO NA MESMA ?
Dir-se-á que os pobres dos políticos não têm culpa, são as crises, os vícios estruturais da nossa economia, bla, bla, bla ... OK. Contudo, se não são capazes de fazer funcionar a economia de outra forma mais favorável a todos, porque insistem em se candidatar ?
Ah, amigos, aí poderemos divergir de opiniões, mas eu digo-vos a minha. Eles continuam a candidatar-se, apesar dos continuados fracassos da sua liderança, porque os portugueses são tadinhos e não conseguem separar o trigo do joio. E também porque não saberiam fazer mais nada da vida deles. E ainda porque esta é a melhor maneira de cuidar dos seus interesses e dos dos seus amigos.
Parvos não são, não. Parvos, parvos, somos nós.

quinta-feira, maio 13, 2010

SOTORA, FOI AQUELE MENINO !

E pronto, aí está, ainda fumegante, a sair do forno, o PEC II.
Os meninos não perderam tempo e fizeram diligentemente o trabalho de casa que a sotora lhes passou. A sotora não é pêra doce, é alemã e não tem grande paciência para alunos pouco aplicados. Portanto, aí está.
Que tal ? Acham bem ? Acham mal ? Sentem-se ligeiramente espoliados ou acham que tudo isto é indispensável e não se importam de pagar só para não haver mais chatices ?
Por mim, reservo a minha opinião para futura crónica.
Por hoje só vos queria mostrar a incomparável elegância negocial de José Sócrates. Como sabe que a medida não vai ser nada, mas mesmo nada bem aceite no meio dos seus amigos e boys, apressa-se a dizer que não foi ele, ele até nem concorda com a medida !
Amigos, esta atitude é vergonhosa, convenhamos. Não discuto sequer o mérito da medida ( efeito psicológico tem pela certa ! ) mas, se o Governo a vai tomar em consenso com o PSD, mandaria a elegância e a lealdade negocial que não se viesse dizer aquilo ...
Por amor de Deus, não foi só a licenciatura em Engenharia, afinal o nosso amigo é mesmo assim, um tanto português "esperto", não é ?

terça-feira, maio 11, 2010

LAMENTO MUITO, MAS ...

Este pedido de Bento XVI obriga-me a reflectir na tremenda crise de valores que por aí grassa. Sem dúvida seria muito benéfica uma nova evangelização, e o pedido do Papa é oportuno e até comovente, na medida em que faz apelo ao povo que, outrora, foi capaz de espalhar a doutrina de Cristo por quase todo o Mundo.
Pois é, seria muito bom que ainda fossemos capazes de uma empresa desse género, a Europa bem precisava.
O problema é que já poucos portugueses acreditam e praticam essa doutrina. Estão demasiados ocupados a tratar das suas vidinhas, querem lá saber desses valores. Hoje, a grande preocupação dos portugueses, enfim, de muitos portugueses, é ver se ganham uns euros fáceis, na bolsa, nos negócios rápidos em offshores ou em esquemas complicados para deitar mão a dinheiros públicos. Ou a obter lugares em conselhos de administração.
Portanto, Sua Santidade não se deve iludir. Os portugueses dos séc. XV e XVI morreram há muito e estes, os seus descendentes, estão mais virados para outras aventuras.
Ainda se Bento XVI nos pedisse para difundir a vigarice e a corrupção pela Europa, talvez se arranjasse alguma coisa. Para espalhar a virtude e os valores de Evangelho acho que não vamos arranjar muitos voluntários. Nem a Europa os acolheria bem, já agora ...

segunda-feira, maio 10, 2010

QUANDO O MAR BATE NA ROCHA ...

A Europa do euro, finalmente, resolveu sair da apatia e lutar contra o "mercado" financeiro mundial. Pelo menos uma das medidas básicas foi tomada, a criação de um fundo de recurso para auxílio de países com eventuais dificuldades de financiamento. A juros controlados e que não comprometam a recuperação económica desses países nem a estabilidade geral do euro.
Esta medida já deveria ter sido tomada há um mês atrás, quando os mercados evidenciaram estar a "atirar-se" a certos países da Europa como forma de enriquecimento rápido.
Agora, fazem ainda falta mais duas coisas : a legislação de regulação dos mercados financeiros, ao menos para limitar e disciplinar a especulação, e a criação de uma agência europeia de avaliação de risco financeiro. A Europa não pode descansar enquanto não atingir mais estes dois objectivos.

Desculpe, leitor, a minha insistência com este tema. Sucede que é um tema absolutamente estruturante da nossa vida real, nestes tempos. O leitor já viu onde nos está a levar a ganância e a pouca vergonha de uns quantos tubarões financeiros em todo o Mundo ? Já se fala, entre portas, em aumentar o IVA um ou dois pontos percentuais e em criar um novo imposto sobre os salários, provavelmente sobre o 14º mês.
Já viu, leitor ? Uns armam a confusão, metem milhões ao bolso, e depois nós todos cá estamos para dar para o peditório !
Uma tristeza. Um "remake" que começa a chatear, já dei para vários peditórios destes ao longo da minha vida.
Só espero que, desta vez, haja um pouco mais de cuidado e vergonha na distribuição do sacrifício, não só por quem trabalha mas pelo capital também, empresas financeiras incluídas.