segunda-feira, dezembro 05, 2011

EM BUSCA DA DESGRAÇA INEVITÁVEL ?

Se não fosse perigoso ou mesmo crítico, seria totalmente ridículo e far-nos-ia rir a bandeiras despregadas.
Pela enésima vez, acompanhados por grande excitação mediática, Frau Merkel e Monsieur Sarkosy reuniram a sós e ... sairam-se com baboseiras e lugares comuns. A situação exige armamento pesado e tiro rápido e aqueles dois iluminados falam em fisgas e paus.
Não sei se estão a gozar connosco, se são mesmo tontinhos e incompetentes ou, se, pelo contrário, a Alemanha sabe muito bem o que está a fazer e Sarkosy ... nem sequer percebe o que ela quer. Esta última interpretação é a minha favorita, como sabem.
A questão é que, ainda que a Alemanha só pretenda salvar o Euro depois de ter assegurado o controlo sobre os orçamentos dos "maus e preguiçosos", com esta "rapidez" de decisão arrisca-se a salvar apenas os ... cacos.
Não se entende qual é a ideia daqueles dois, na verdade. Se pretendem ilegal e abusivamente apoderarem-se da Comunidade Europeia, pelo menos façam-o com eficácia e oportunidade, não é ? Ou então, se a ideia da Alemanha é ganhar tempo e desistir do euro, pelo menos declarem-o urgentemente, porque tudo isto pode degenerar num conflito dos diabos.
Voltamos agora à ideia de uma emenda aos Tratados, a assinar pelos 27 ou pelo menos pelos 17 do Euro, comprometendo-se todos os países a respeitar os 3% para o défice e a inscreverem essa ideia nas respectivas Constituições. Coisas de concretização rápida, como se sabe :) , após as quais os "mercados" passarão a tratar toda a gente com muita deferência e a não praticar estes juros exorbitantes.
Pura idiotice, como disse, ou apenas a Alemanha a ganhar tempo, a fingir que faz mas não faz ?
A condução da Europa por aqueles dois é tão errática e disparatada que começo mesmo a acreditar que a Alemanha procura um pretexto para sair desta pela direita baixa, deixando toda a gente com o pássaro nas mãos.
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terça-feira, novembro 29, 2011

IGNORÂNCIA CRIMINOSA DO NEO-LIBERALISMO OU ALINHAMENTO COM INTERESSES DESCONHECIDOS ?

Confesso que não consigo perceber.
Não sou capaz de perceber o que querem estes senhores do PSD e do CDS que nos estão a governar.
Será que estão sinceramente a tentar "endireitar" as contas públicas, será que acreditam genuinamente nas suas premissas económicas de partida e nas potencialidades do caminho que estão a seguir ?
Nesse caso, apenas nos poderemos queixar da sua EXTRAORDINÁRIA ingenuidade e ignorância. Nós, os mais velhos, já vimos muitas vezes, cá dentro e lá fora, onde conduz o tal caminho e sabemos, por experiência, que será sempre à miséria e nunca à retoma do crescimento.
Ou, pelo contrário, estes senhores sabem muito bem qual virá a ser o resultado das suas políticas e estão deliberadamente a "enterrar" o País, só porque isso entregará nas mãos dos amigos grande parte dos recursos que até agora são nacionais.
Ou ainda porque pertencem a um qualquer clube obscuro ( do qual a senhora Merkel é também obviamente sócia ) que planeou e está a executar uma operação de "tomada" da Europa pela força da economia.
No primeiro caso enfrentamos a ignorância e a arrogância dos novos neo-liberais e teremos, mais tarde ou mais cedo, que os derrotar nas urnas e enviá-los para férias prolongadas.
Nas restantes hipóteses, a questão é mais grave, muito mais grave. Comprovadas as suspeitas e vistas as consequências, não teremos outra solução que promover o seu afastamento do poder, de uma forma ou de outra. É que essa atitude seria aquilo a que um militar chamaria de traição à Pátria.
Volto a afirmar : neste momento, não sou capaz de perceber que motivações estão por detrás da acção do Governo.
De facto, este orçamento para 2012 mostra uma tal frieza de sentimentos, uma tal ausência de escrúpulos, um tal cinismo que me faz arrepiar e acreditar na teoria da conspiração contra os interesses nacionais.
Cinismo quando fazem uma pequena operação de cosmética no "roubo" de salários aos trabalhadores do Estado e clamam que atenderam aos apelos da sociedade por uma maior equitatividade ! Note-se que os prejudicados são exactamente os mesmos enquanto grupo mas o Governo acha que introduziu equitatividade no "roubo" ! Só pode ser cinismo ...
E o aumento do IVA na restauração de 13% para 23% ?? Que dizer deste verdadeiro tiro no porta-aviões ? Quem é que fez as contas para recomendar esta medida ? Será que são assim tão maus a aritmética ou é apenas um orçamento de desespero, como ouvi hoje alguém chamar-lhe ?
Será que os senhores ainda não perceberam que acima de certos valores a economia ( sim, o jogo entre a oferta e a procura, até os liberais sabem o que é ) deixa de ser elástica e proporcional e começa a apresentar inversões, como redução da procura, falências, despedimentos, redução do IVA, da TSU , do IRC das empresas e do IRS dos empregados e empresários em nome individual, para além do aumento dos gastos do Estado com os subsídios de desemprego ? Ninguém explicou a estes senhores que os impostos não se podem aumentar acima de certos valores ?
Ou tratar-se-à da destruição deliberada desse sector da nossa economia ? A quem interessará isso ?

Como vêem, é difícil percebê-los. Muito difícil.
Contudo, vamos continuar muito atentos, ah isso vamos. E expectantes.
E tristes, Portugal não merecia estas incompetências.
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segunda-feira, novembro 28, 2011

AH BOM, ASSIM JÁ É EQUITATIVO !

O Governo e o PS estão em vias de se entenderem : os cortes dos subsídios de férias e natal de 2012 vai ser muito mais justa e equitativa ! Já não é para todos os funcionários públicos e do sector empresarial do Estado com vencimentos acima de 1000 euros !! VAI SER EXACTAMENTE PARA AS MESMAS VÍTIMAS MAS COM VENCIMENTOS ACIMA DE 1100 EUROS ! ATÉ LÁ, EM VEZ DE SER A PARTIR DE 480 EUROS VAI SER A PARTIR DOS 600 EUROS, OS CORTES SÃO PROPORCIONAIS !!

DEIXEM-ME RESPIRAR, QUE FANTÁSTICO ! QUE SOLUÇÃO ENGENHOSA !!!

ISTO É QUE É EQUITATIVIDADE DENTRO DA SOCIEDADE PORTUGUESA !!

BRAVO !

APENAS FAÇO O SEGUINTE COMENTÁRIO, SE ISTO VIER A CONCRETIZAR-SE : O PS QUE VÁ DAR UMA CURVA AO BILHAR GRANDE, PARA VER SE APRENDE A SER UM PARTIDO DE OPOSIÇÃO A SÉRIO E NÃO ANDA A BRINCAR COM OS PORTUGUESES.
MAIS : O SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, SE "ENGOLIR" ESTA E NÃO FIZER NADA, ESTÁ DISPENSADO DE SE PRONUNCIAR SOBRE O QUE QUER QUE SEJA EM PORTUGAL.

NOTA FINAL : ESTA GENTE ENDOIDECEU TODA ???
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quinta-feira, novembro 24, 2011

E AGORA, EUROPA ?

É deveras impressionante ler e ouvir as diversas declarações dos responsáveis europeus sobre a crise financeira.
Impressionante, porque reina entre eles uma calma e passividade esquisita, como se ainda não tivessem percebido que não têm muito tempo disponível.
Impressionante, porque a Alemanha continua presa dos seus egoísmos e dos seus preconceitos para com os outros países da Europa, a menos que sejam outras as motivações.
Impressionante, porque o primeiro ministro de Portugal evidencia um pensamento político primário, nitidamente mal fundamentado e obviamente errado. De resto, como se o senhor percebesse alguma coisa da guerra em que está metido.
Impressionante, por último, pensar que pertencemos a uma Europa onde um só país paralisa todos os restantes, negando-se reiteradamente a combater os ataques financeiros de que todos somos alvos. Lembrem-se que esse mesmo país foi o mesmo que, já por duas vezes, mergulhou no caos toda a Europa. Por este andar, a terceira está para breve.

Enquanto tudo isto se passa, os tão prometidos e propagandeados instrumentos legislativos de regulação do sector financeiro, na América e na Europa, dormem um sono profundo nas gavetas dos responsáveis.

Amigos, estas coisas não podem acontecer por acaso.
Os lideres europeus não possuem grande craveira intelectual mas não podem ser assim tão estúpidos e distraídos ...
Não, há aqui uma lógica de destruição por detrás destas atitudes demissionárias. Alguém anda a planear tudo isto.
Alguém descobriu as vulnerabilidades da Europa e resolveu saquear tudo isto a seu bel prazer. Primeiro põem as economias de rastos, compram depois ao desbarato as nossas empresas e bens, enquanto todos nós, aturdidos, roubados e humilhados nem forças teremos para protestar.
Uma vez mais proclamo : se a Alemanha não está a participar desta autêntica contra-revolução neo-liberal, a verdade é que parece.
Parece, parece !
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terça-feira, novembro 22, 2011



AH, ENTÃO OBRIGADO, PÁ !

Ah bom, assim está bem, andava a ficar preocupado mas não tinha razão. Afinal, a tremenda injecção de dinheiro nos bancos privados ... é para salvaguardar os nossos interesses, leitor. Não é para lhes fazer um favor a eles, bancos, é para nos defender a nós. Assim, sim, podemos andar descansados.
Para ser sincero, começo a estar MUITO farto destes argumentos. Mesmo muito farto. Já paguei muitos euros para o BPN, para os bancos que emprestaram dinheiro ao Alberto João, na Madeira e agora tenho que continuar a pagar para todos estes ?
Isso já é suficientemente mau, não me venham ainda por cima passar a mão pela cabeça e fingir que tudo isto é ... para o meu bem. Mas que raio de fantochada é esta ?
O meu bem ? Eu nunca precisei desses bancos para nada, eu nunca vi esses bancos a financiar o desenvolvimento do país, apenas os vi na ganância dos empréstimos à habitação ( e não à agricultura e à industria ) e também no negócio dos empréstimos às Câmaras Municipais e Empresas do sector empresarial do Estado, ajudando a criar os enormes buracos da gestão pública deste país.
Muito a sério, leitor, nada, mas mesmo nada, existiu de virtuoso na gestão destes bancos no passado. A ajuda deles ao bem público foi bem reduzida.
Agora, querem-me convencer que esta ( mais esta ) injecção de dinheiro é para o MEU bem e não para lhes fazer a papinha ?
Ao longo dos últimos anos quem ficou com os lucros repartidos pelos accionistas, todos os anos ? Calhou-lhe algum desse dinheiro, leitor ? A mim não, porque hei-de eu agora pagar este frete ?
Agora é que estes bancos vão ajudar o país ? Agora é que vão ser úteis ao bem público ?
Poupem-me, por favor. Estou farto destes argumentos sobre o interesse nacional dos bancos. Nunca o vi, esse interesse nacional, quanto a ESTES bancos. São apenas empresas privadas que se regem pelos princípios do lucro mais fácil e imediato, mais nada. Ainda por cima, não são eles que garantem sózinhos o valor dos nossos depósitos, é uma vez mais o Estado com a mãozinha por detrás.
Estou pelos cabelos com esta iniciativa privada que, quando as coisas não lhes correm bem, vêem buscar dinheiro ao sector público, a todos nós. ELPPP, deviam-se chamar estes marmanjos. Empresas de Lucros Privados e Prejuízos Públicos.
Se virem bem, do projecto de lei nem sequer constam os juros que esses bancos deveriam pagar pelo empréstimo. Nada, é oferta de todos nós a esses bancos. Não se conhecem imposições do Estado para que vendam património, para que façam aumentos de capital a partir dos accionistas, para que sejam impedidos de distribuir dividendos nos próximos anos ... Nada. Toma lá o dinheiro e depois logo se vê.
Não, assim EU não alinho. Sou EU que vou pagar esse dinheiro e NÃO concordo com essa tramóia.
Por Deus, até parece, por aquilo que temos vindo a observar, que os "negócios" tomaram o poder neste país. Já não é PSD e o CDS, acho que deviam meter um "N" algures no meio dessas siglas. "N" de negócios.
Nisso, pelo menos o BPN tinha lá o "N", não enganou ninguém...
Passem bem, se puderem.
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domingo, novembro 20, 2011

ESTOU MUITO APREENSIVO

Até há pouco tempo, parecia-me que a Europa tinha falta de liderança política e que esse era o problema que justificava esta crise.
Começo a suspeitar que não é bem isso que se passa.
Deixem-me propor-vos esta linha de raciocínio : e se a aparentemente frágil e desorientada Angela Merkel fosse, no fundo, uma política determinada e perfeitamente consciente do caminho que quer seguir ?
E se, por debaixo das aparências, existisse um País na Europa que desejasse, uma vez mais, levar por diante os seus objectivos permanentes de alargamento do seu "espaço vital" ?
E se a aparente "desconfiança" dos "mercados" em relação à Europa ( não vejo os tais mercados a atacar da mesma forma outras zonas económicas do Mundo ) fosse, afinal, uma ofensiva perfeitamente planeada e coordenada, visando destruir a derradeira praça forte na defesa dos Estados sociais ?
E mais, se certos Estados da Europa não fossem completamente alheios a essa ofensiva, atrasando deliberadamente o início de uma defesa activa e eficaz que inviabilize esse ataque ?
E se, tudo examinado e ponderado, estivéssemos já em plena Guerra Mundial III, mesmo ainda sem o saber ?
E se aquilo que se passa fosse muito mais que a despudorada actividade de um sector financeiro ao qual ninguém parece disposto a opor-se ?
E se toda esta passividade não for apenas incompetência mas estratégia ?
Já viram a persistência com que a Alemanha recusa permitir que o Banco Central Europeu compre a dívida pública dos países atacados ? Porquê essa atitude ? O motivo oficial é o receio de que esses países deixem de tentar controlar as suas despesas, se o BCE lhes comprar a dívida. Sim, esse é o motivo oficial invocado.
E se o verdadeiro motivo não for esse ?
É que, não sei se sabem, muitas das empresas privatizadas à força, a que a Grécia e a Irlanda ( e o mesmo irá suceder com Portugal ) se viram forçadas, foram ou irão ser adquiridas a baixo custo por empresas ... alemãs. Claro.
Só um tolo deixaria de considerar esta hipótese : e se a recusa da Alemanha em utilizar o BCE para controlar a crise for porque ... lhe convêm assim ?
Pensem nisso. Oxalá, digo-vos, que estas minhas especulações não passem disso mesmo.
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sexta-feira, novembro 18, 2011

HIPOCRISIAS

Hoje vou pegar na história da produtividade em Portugal e na miserável, requentada e mais que gasta ideia de que é preciso reduzir salários para nos tornarmos competitivos quanto às nossas exportações.
Sabem, a hipocrisia, a falsidade e a mentira arruinam-me a disposição. Não consigo aceitar de bom grado estas ideias cujo único objectivo é conseguir baixar o custo da mão de obra, em nome dos interesses de quem proclama estas ideias.
A competitividade ( e também a produtividade que são dois conceitos económicos diferentes, já agora ...) depende de muitos factores para além do custo da mão de obra. Começa pela natureza do próprio produto, pelas técnicas organizativas do trabalho, pelo nível e produtividade do equipamento usado na produção, pela qualidade dos lideres, por muita, muita coisa para além dos salários.
Se apenas dependesse dos salários deveríamos ser, aqui em Portugal, dos mais competitivos da Europa, não é ? Como somos dos que têm os salários mais baixos, de acordo com a própria receita deles deveríamos ser dos mais competitivos, ou não ?
Mas não somos, claro, porque faltam as outras coisas.

Nos poucos sectores produtivos exportadores portugueses ( calçado, moldes de plástico, vidros, etc ... ) melhoramos todos os aspectos que atrás referi e o resultado foi o aumento da competitividade e o êxito nas exportações. Alguns desses sectores até praticam bons níveis salariais para os respectivos trabalhadores.
Então, é a reduzir salários que se melhora a competitividade ? O tanas, desculpe o leitor.
Isso é o que eles querem, reduzir o valor do trabalho a zero. Assim vai o Mundo neo-liberal em todo o seu esplendor. Assim vai o ódio e desprezo desta gente por quem possui de seu apenas aquilo que ganha com o seu trabalho. É assim que se vê onde querem chegar estes fulanos ...

quarta-feira, novembro 16, 2011

A GUERRA JÁ COMEÇOU E ESTAMOS OCUPADOS ??

Pensando bem as coisas, isto das legalidades é coisa complicada. Quem conferiu o direito a esta gente de vir para o nosso país e começar a dizer que nós temos que fazer isto e aquilo, só porque nos emprestaram uns milhares de milhões de euros ( não chegam, sequer ) a juros altíssimos ( à volta de 5% ) e cobrando-nos ainda por cima por esse trabalho umas largas centenas de milhões de euros.
Já pensaram que esta história, num país aflito porque não se consegue financiar no mercado ( porque a especulação é desmedida e não controlada ) pode muito bem configurar uma chantagem ? Ah queres ajuda ? Então, vais pagar uns juros valentes, vais vender as tuas grandes empresas a preços de saldo, vais embaratecer a tua mão de obra, vais financiar os bancos do teu dinheiro, etc, etc ...
Se isto não é chantagem, o que é então chantagear um País ?
Qual é a legislação interna portuguesa ou tratado internacional que legitime esta verdadeira intervenção externa ?
Sabem que a ferocidade destas cláusulas é tal que nem no tempo da intervenção espanhola aconteceu assim ? Quem deu autoridade à Europa e ao FMI para uma intervenção deste tipo ? Sob que soberania vivemos hoje ? Nos termos da Constituição, para suceder uma situação destas não seria necessária a declaração do estado de sítio ou de emergência, por forma a suspender a acção da legislação normal ?
OK, OK, ir-me-ão responder que quem deve tanto dinheiro ao estrangeiro não se pode queixar. A isso respondo que não é assim forçosamente, que não somos obrigados de forma alguma a este temor e respeito pacóvio pela troika, que bem poderíamos e podemos a qualquer tempo rejeitar esta ou aquele medida e exigir outro tratamento. Sim, se se trata de vender a nossa soberania, em definitivo, quero pelo menos fazer um concurso mundial para ver se os chineses dão mais. Que raio de negócio é este assim ???
Insisto na pergunta : estamos ocupados por alguma potência estrangeira ?? Se não estamos, porque raio vamos pagar tanto por este empréstimo e vender-lhes, quase ao desbarato, a TAP, a REN, a EDP, etc ...?
Qual é a fonte de legitimidade da troika ??
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terça-feira, novembro 15, 2011

O ROUBO

Leitor, tenha paciência, atente nestes números que dizem respeito à venda de títulos da dívida pública espanhola.
Há um mês Espanha vendeu títulos da sua dívida a 3,8 % de juros, numa venda concorrida onde surgiram 4,26 vezes mais interessados do que títulos à venda.
Um mês depois, aparecem ainda mais interessados, 5,96 vezes mais que os títulos, e os juros foram a ... 5,15 % !!!!

Nota-se :
a) os investidores estão tão pouco receosos quanto à capacidade da Espanha pagar que quase duplicaram em relação à ultima vez ;

b) apesar de haver muito mais interessados os juros subiram escandalosamente ...

Assim não dá, leitor. Assim é nítido que este não é um jogo limpo e que aquilo a que se anda para aí a chamar de mercado mais não é que uma organização de ladrões e vigaristas. A lógica elementar mandava a que o mecanismo de fixação dos juros fosse baseado numa função inversa da procura. Se houver muitos interessados, os juros baixam e sobem quando houver que despertar o interesse do investidor.
Mas não, aqui, ao que parece, os juros são fixados directamente por quem tem interesse em lucrar milhões com eles e não de acordo com nenhuma regra "limpa" de mercado. É óbvio que os juros são manipulados por pessoas, não por mercado nenhum.
É tão óbvio que a pergunta seguinte tem que ser : então porque é que os governos permitem isto ? Porque é que todos toleramos esta ditadura gananciosa e vergonhosa, fingindo que ninguém tem a culpa e são as regras da oferta e da procura a provocar isto ?
Porque é que os governos não actuam ?

Cada um dos leitores escolha a sua razão. A mim serve-me perfeitamente o desabafo de Mário Soares, há dois dias, num colóquio, quando formulou esta mesma pergunta : só pode ser porque muitos deles têm interesses neste tipo de mercado ...
Ou há outra explicação para o simples facto desses tais mercados subjugarem completamente os governos de países soberanos ???
Já houve guerras mundiais a começar por muito menos, leitor. Olhe que é verdade, houve já milhões de mortes por causas bem menos graves.
Não será tempo de começar a fazer algo contra esses tais mercados ? Ou se destrói a capacidade deles em manipular os juros, directamente, por regulamentação séria e mundial, ou então pomos o Banco Central Europeu a fazer moeda e a emprestar aos países da Europa, enquanto esses países se tentam reestrutura e endireitar. Sem destruir o consumo interno nesses países nem lançar na fome, desemprego e desespero milhões de pessoas.
Porque esperam ? Será que nós os temos que obrigar a fazer o que deve ser feito ?
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quinta-feira, novembro 10, 2011

PARA TODOS ??

É isto : ainda poderia tentar perceber se justificassem, de alguma forma, o que vão fazer. Mas não, tentam cínicamente esconder a realidade das suas acções com frases destas, repetidas mil vezes, conforme recomendações dos conselheiros de marketing. Isto não é fazer política, senhor primeiro ministro, isto não é ser leal e frontal, isto é atropelamento e fuga, é bater nas pessoas e assobiar para o lado, é tentar salvar a dignidade própria à custa apenas dos desgraçados de sempre.
Não é assim, senhor primeiro ministro, que irá recuperar a economia e nem sequer a idoneidade. Assim apenas irá criar ódios e ressentimentos. Assim nunca mais terá um país coeso e solidário. Assim não vai lá, senhor Passos Coelho. E repito, não estou a falar de dinheiro, que nunca para mim foi importante, sequer. Estou a falar de dignidade, de verdade, de orgulho no que sou, penso e faço.
Nem consigo compreender, senhor primeiro ministro, como consegue olhar-se ao espelho de manhã sem corar e sentir-se mal. Decerto os seus pais o ensinaram que não se deve mentir. Mentir, sim, com todas as letras : é que os sacrifícios que está a pedir ao País não são exigentes para todos por igual, como o senhor bem sabe. Bem pode repetir milhões de vezes a mesma frase, pouco importa : o senhor primeiro ministro do meu País ( que eu já muito sofri para defender ) não está a dizer a verdade, conscientemente. A esse acto chama-se mentir.
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quarta-feira, novembro 09, 2011

ESTAMOS PRISIONEIROS DA ESTUPIDEZ ... OU DA MALVADEZ ?

Rodemos à nossa volta, oiçamos as palavras de responsáveis de vários grupos e governos, meditemos e ... espantemo-nos, senhores. Espantemo-nos com tamanha parvoíce e ignorância ou, se formos menos crédulos, com tamanha sem vergonha e ataque descarado aos direitos dos humildes e dos distraidos.
Oiçamos o senhor presidente de uma região autonóma de uma só via ( só é autónoma para gastar, para as receitas já não é autónoma, nós que paguemos ) e pasmemos, se conseguirmos resistir ao sono. Onde é que fomos inventar tal personagem, meu Deus ? Onde é que já alguém ouviu um discurso de tomada de posse de uma zona ( com menos gente que a Amadora ) em que, ao longo de uma hora e tal, se misture a defesa de uma coisa tão repugnante como a zona franca da Madeira com ataques directos ao Continente, àqueles que têm pago as contas deles ? Tudo isto entremeado com trezentas e tal citações desde Sá Carneiro ao padre Manuel Antunes, a uma média de uma citação e meia por frase ?
A insuficiência intelectual não mora só na Madeira, porém. Do lado de cá, vemos e ouvimos um Passos Coelho patético a jurar que ele nunca pediu, nem tem necessidade de pedir, nenhuma renegociação do acordo com a troika, coisa à qual óbvia e manifestamente iremos parar, vidé Grécia e, atenção, brevemente, vidé também a Irlanda. O sr. Juncker, que eu nunca percebi o que é que anda a fazer no meio deste granel, a jurar que Portugal não precisa de mais dinheiro - de que óbviamente Portugal precisa - e que, de resto, mesmo que precisasse ele seria contra. Lindooooooo ...
Esta idiotice radica ainda na ideia completamente tótó que os "mercados" reagem à confiança ou desconfiança, que os "mercados" se vão portar bem se nós também nos portarmos bem ... Passos Coelho, então, é tão patético e veemente a declarar que iremos cumprir a todo o custo as metas inicialmente traçadas, e a jurar que nunca procuraremos renegociá-las, é tão enérgico nestas declarações que ... parece que não deseja que nada mude e que as condições continuem mesmo más.
E pensando bem, se calhar até lhe convem, é o unico enquadramento político que lhe permitirá prosseguir nas destruições e demolições da máquina do Estado. É uma ideia horrível, mas possível, não sejamos ingénuos. Nessa lógica, para a troupe neo-liberal, quanto pior ... melhor.
Mas aposto o que quiserem que assim não vamos lá. Vão ser indispensáveis novos prazos e novas taxas de juro. E uma ladeira menos íngreme para as taxas anuais para o défice. Aposto o que o leitor quiser.
A menos que tudo isto ainda seja mais idiota do que eu penso e que esta malta ainda não tenham percebido ( apesar da Grécia ) que este caminho não tem saída.
Seja como for, leitor, o pior deste filme é que nós é que o estamos a pagar com língua de palmo, sem sequer podermos discutir as condições.
Sinceramente, leitor, acha normais todas estas coisas ?

PS - eu não acho, como se percebe pelas minhas palavras. E no próximo sábado poderão encontrar-me no Rossio, com muitos mais militares, a mostrar claramente que não gostamos mesmo nada do que este Governo está a fazer. Tudo democrático e calmo, não tenham receio, não haverá fardas nem espingardas nem carros blindados nem nada. Apenas nos queremos fazer ouvir, que isto da democracia não se esgota no voto de quatro em quatro anos, e cada vez mais temos de também falar, nesse intervalo. Tanto mais que antes do voto se dizem umas coisas ... e depois do voto se fazem outras.


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terça-feira, novembro 08, 2011

SEJAMOS CLAROS

Declaro que sou pensionista e poderá haver da minha parte uma leitura enviesada por esse facto. Contudo, acho-me suficientemente sério e imparcial para poder emitir juízos perfeitamente equilibrados.
Dito isto, sejamos claros e directos : aquilo que o Governo pretende fazer aos pensionistas e funcionários públicos, e só a eles, é uma monstruosidade de injustiça e desprezo pelas pessoas. É ignóbil, primário, desonesto. Em português arcaico, uma pulhice vergonhosa, não tenhamos medo das palavras nem dos homens.
Ainda por cima, o cinismo com que se ouve o sr. Relvas e outros que tais a declararem que "os sacrifícios são para todos" põe-me à beira de um ataque de raiva e de desejo de destruição, não sei bem de quê ou de quem.
Até pode ser que, em termos económicos e de sustentação futura da solução, seja melhor reduzir apenas nos gastos do Estado, sem agravar os impostos ao resto do País. Pode ser que essa seja a solução tecnocrática, a solução contabilística, até concedo isso. Contudo, uma Nação é feita de muito mais que de tecnocracia e contabilidade. É feita de pessoas, de sentimentos e sensações. É feita de confiança. É feita de coesão e de sentido de justiça.
Não basta aplicar medidas muito certinhas em termos contabilísticos ; a verdade é que fazer de bodes expiatórios das asneiras e azares de um País inteiro apenas os funcionários públicos e pensionistas é BAIXO, é SOEZ, é INDIGNO de um governante.
Tudo isto é possível porque entrámos no reino do improviso, da incompetência e da manifesta falta de valores éticos e humanistas, já há muitos anos.
Lembrem-se : que raio de sociedade política é esta que permite Santanas Lopes, Zés Sócrates ou Passos Coelhos como Primeiro Ministros, pessoas sem experiência de governo ou gestão de coisa nenhuma a sério, com uma falta de cultura impressionante e mesmo de princípios políticos consistentes. Quantas vezes me lamentei eu dessa sina maldita ?
Sabem, e falo apenas por mim : o que me custa não é perder os subsídios, não é o dinheiro apenas, o que me custa é sentir-me vítima de uma enorme injustiça no meu País, o que me custa é a raiva contra tudo o que cheire a Estado por parte deste governo. O que me custa é que sinto o País a fragmentar-se, a destruir-se, a ser levado por caminhos errados, o egoísmo a crescer dentro de nós. O que me custa é a cegueira doutrinária, a estupidez inenarrável de quem pensa que destruindo o Estado e reduzindo o défice público alcançará o desenvolvimento económico automaticamente ...

quarta-feira, novembro 02, 2011

UMA SOCIEDADE EM CONVULSÃO

Começa agora a perceber-se, creio eu. A situação social na Grécia deve ter atingido um tal grau de instabilidade que o Governo temeu um golpe militar. As Forças Armadas gregas são modernas, bem equipadas e com uma grande tradição de intervenção nas questões públicas. Papandreau, acossado politicamente pela direita, provavelmente receando o resultado de uma campanha eleitoral para novas eleições e, por outro lado, encostado à parede pelos militares, decidiu que um referendo popular seria mais fácil de ganhar e legitimaria o seu governo, travando a direita e os militares.
A jogada é arriscada, o resultado do referendo não é de fácil previsão.
Teremos que aguardar para ver a evolução.
De qualquer forma, uma intervenção militar nesta altura seria muito grave, não estou a ver onde é que os militares iriam buscar o financiamento para o país não colapsar totalmente.
Assim, por alto, toda esta história dá para reflectir quanto às consequências do caminho que o FMI e a Europa têm andado a impingir à Grécia. Cortes, redução brutal do nível de vida, recessão prolongada e profunda, completa ausência de perspectivas para a saída da crise, crispação, violência, choques sociais brutais, um país à beira de uma tragédia.
Admiram-se depois com os resultados de uma "política" tão desastrosa ?
Europa, acorda, ainda há tempo mas está a esgotar-se rapidamente.
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terça-feira, novembro 01, 2011

ERA O QUE NOS FALTAVA AGORA

Era isto mesmo que nos faltava agora, este arroubo democrático de Papandreou. Cada vez é mais notória a falta de lideres nesta Europa cansada e descrente.
Era mesmo disto que a Grécia mais precisava. Depois de pôr a pão e laranjas sobretudo os funcionários públicos e reformados, o primeiro ministro grego tenta sacudir para o povo a água que lhe cai em cima, que é como quem diz a responsabilidade. Precisamente agora, quando tudo exigia que a realidade grega fosse tratada com luvas e pinças.
Não é loucura, não, é demagogia e irresponsabilidade. Que pode o povo dizer no tal referendo ? Que não senhor, que preferem mandar tudo às urtigas e ir vender pevides para a porta da Acrópole ?
O anterior governo ocultou, mentiu, gastou, destruiu tudo. Este, não aguenta a pedalada e sai pela esquerda baixa ? Que merda é esta ? Apetece mandar a Grécia à fava e continuar a vida, não é ?
Só que, agora, a Europa está indissociavelmente ligada à sorte da Grécia. Se deixar afundar a Grécia, a Europa inicia o seu funeral a todo o vapor e nada mais irá restar que cinzas do sonho de uma Europa forte e unida.
Agora, nem quero pensar nisso.
Acho que está na hora de um grande salto em frente, para a Europa. Comece-se a discutir o embrião de uma federação, ainda que seja limitada apenas a alguns poderes. Aproveite-se a nova liderança e faça-se do BCE um banco europeu, de facto. Não sei como será possível convencer os alemães a alinhar nisto, mas a verdade é que é isto ou ... ficamos todos isolados na Europa, cada país a contar apenas consigo mesmo.
Vivem-se momentos angustiantes, para quem saiba qual é a situação real. Não precisávamos para nada agora desta cambalhota do sr. Papandreou. Se ele está assim tão medroso, demita-se e convoque eleições ou discuta com a Europa e a troika o caminho do resgate. Seria bem melhor que andar para aí a fazer referendos parvos e inúteis.

sábado, outubro 29, 2011

AS SOLUÇÕES QNLMJ

Uma vez mais, o duo da foto combinou uma solução para a Europa e convenceu os outros a aceitá-la.
Toda a gente aplaudiu, no primeiro dia, no segundo já nem tanto. Por mim, confesso que não percebi como é que raio aquilo é uma solução. A unica coisa que faz sentido é terem aumentado o limite do fundo para ajuda dos países em dificuldade. Ajuda ? Bem, para emprestar a esses países a um juro um poucochinho mais baixo. Contudo, se bem entendi, esse dinheiro nem sequer é europeu, vão pedir à China, Brasil, etc ... para entrar com massa.
Quanto ao perdão a 50% da dívida à Grécia aí é que não percebi mesmo. Perdão, de quem ? Quem é que perdoa ? Os bancos franceses e alemães ( e algum português ? ) que compraram títulos de dívida grega ? Quem é que convenceu esses bancos a perder assim tantos milhões ?
Não lhes vão pagar nada ? Sério ? Quem é que vai pagar essa dívida "perdoada" ?
Como vêem, pessoal, ninguém sabe que gaita de solução é esta. Nem ninguém acredita que seja uma solução.
Outro ponto : como toda a gente continua a não confiar no sector financeiro, incluindo a banca, vai daí a Europa obriga-os a ter uma maior taxa de dinheiro em caixa relativamente ao que emprestam. Porém, aqueles bancos que não o conseguirem fazer pelos seus próprios meios ( os accionistas entrarem com mais dinheiro, por exº ) vão receber dinheiro do Estado. Pago por nós, claro.
Ou seja, pagamos para compeensar a ruína e o descalabro da banca ( BPN ) e pagamos para evitar essa ruína. Sempre a pagar.
Para quê ? Ah, para a Banca poder financiar a actividade económica e o país poder crescer, ora bem. Mas como não cresce, mesmo assim, vai daí sacam-nos os subsídios, que é para dar à Banca, claro.
Alguém percebe alguma coisa desta lógica ? Eu não, só percebo que me estão a esbulhar. E vão continuar.

É como vêem. Está tudo claro e resolvido na Europa, dizem eles. Ou pelo menos estão a caminho.
O tanas, amigos. Estão a caminho, digo-o outra vez, é de de nos pôr a todos à pancada. E não será no futebol ... será mesmo a doer.
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PS - ah, sim, QNLMJ significa " que não lembram ao Menino Jesus ..."
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sexta-feira, outubro 28, 2011

A VERDADEIRA NATUREZA DA CRISE

A Itália, hoje, pagou à volta de 6%, na emissão de títulos de dívida pública a 10 anos, num montante de quase 8.000 milhões de euros.
Aos senhores da Europa, aos pequenos senhores do nosso país, aos liberais, aos incrédulos, aos fanáticos dos partidos do poder, apenas digo : continuem a cortar, meus senhores, comprem facas bem afiadas para quando chegar ao osso, mas saibam que não enganam ninguém dos que estão a ser cortados !!
Sabemos todos que os cortes não vão melhorar nada no nosso país, sabemos todos que as medidas da Europa são uma treta, sabemos todos que há muita gente a engordar com a nossa miséria e tristeza.
Não se iludam, nós não nos deixamos enganar assim.
Como da outra vez, um belo dia, pela madrugada, o sol vai brilhar de novo, porque alguma coisa ou alguém deu um pontapé nos fundilhos de todos os jogadores de casino que nos andam a lixar.
Digo-vos : nós sabemos o que andam a tentar fazer !
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quarta-feira, outubro 26, 2011

MEXAM-SE, PASPALHOS !

Caros senhores importantes, bem vestidos, por nós excessivamente pagos e nada, mas mesmo nada inteligentes ou competentes : Portugal não é um rebanho de ovelhas e cabras que se leva a pastar aqui ou ali e a quem se dá ou retira a ração, à vossa vontade. Portugal é habitado por pessoas ( sabem o que é ? Seres humanos ... ) que precisam de comer e comprar vestuário para os filhos, pagar a renda da casa e o aluguer da TV Cabo, essas coisas, sabem, que a vocês parecem insignificantes mas que muita gente por aqui começa a não poder fazer.
Não se esqueçam, Portugal não é habitado por números mas sim por pessoas. Pessoas que por vezes se irritam e com alguma ajuda são capazes de correr com moiros, franceses e mesmo com um ou outro alemão que, pela calada da guerra, nos entrou por Angola dentro.
Porque é que todos esses senhores inteligentes da Europa ( a começar pelo "nosso" Durão Barroso ) não percebem que esse caminho, o dos cortes, não leva a lado nenhum ? Ainda não perceberam quem é e onde está o inimigo ? Quando é que se decidem a combater o poder financeiro, aqueles outros senhores que vivem para multiplicar os seus ganhos emprestando dinheiro ? Quando é que percebem que o verdadeiro inimigo são esses tipos e não os desgraçados dos funcionários públicos gregos, irlandeses ou portugueses ?
Meu Deus, enquanto estes iluminados não perceberem qual é a verdadeira luta vamos assistir a esta batalha esquisita onde nos vamos desarmando e desgastando à espera que o inimigo tenha pena de nós e baixe os juros das nossas dívidas...
Isto é cretino, estupido, paranóico ! Meus senhores, arregacem as mangas, façam com que o Banco Central Europeu possa emitir moeda ( até o nosso Presidente já sugeriu isso mesmo, caramba ! ), satisfaçam as necessidades imediatas de vários países europeus ( enquanto se reorganizam para a produção ) e sequem, definitivamente, a gula das sociedades e bolsas financeiras americanas sobretudo.
Façam isso, gaita, deixem-se de parvoíces e de seguir sempre o figurino dos cortes, cortes, cortes ...
Digo-vos isto com calma, enquanto é tempo. Se prosseguirem pelo vosso caminho, digo-vos com toda a certeza : vamos acabar todos ao sopapo e não vai ser lindo. Se assim for, quando vos apanharmos, não vos iremos perdoar, podem crer.
Ah bom, sim, por vezes escapa-me : a não ser que V.Exas sejam os dignos representantes na Europa desses tais grandes interesses da finança mundial. Pode muito bem ser ...
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PS - este texto foi escrito ao abrigo de já não sei que acordo linguístico. Nem me interessam essas cretinices de quem não sabe fazer mais nada a não ser chatear os outros. Porque não cortam essas coisas, já que andam nessa fúria de cortar ?
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A TAL COESÃO NACIONAL ...

Leio frequentemente declarações de pessoas ligadas ao Governo a perorar sobre a necessidade de nos juntarmos todos nesse grandioso desígnio nacional de aguentar a crise e reconstruir o País.
Ainda não percebi se estão a tentar enganar alguém ou se, pura e simplesmente, ainda não entenderam que já não vivemos numa ditadura.
Mas essa gente não tem consciência de que andam a fazer equilíbrio numa corda bamba ? Não sabem que essa história da coesão nacional é um assunto complexo e muito difícil de manter ? Não, acho que não sabem, não podiam ter aprendido em sítio nenhum por onde andaram a estudar e a trabalhar.
Dentro do conceito de coesão nacional habitam sentimentos muito diferentes e difusos, de pessoas muito diferentes umas das outras, quanto à sua cultura sociológica, académica e civilizacional. Sentimentos como a inveja e a raiva surgem muito espontãneamente, dadas as enormes diferenças de estatuto social. A coesão nacional pressupõe que as desigualdades não sejam muito grandes ou muito óbvias. No mínimo, as pessoas devem ver sinais de que o mau tempo abrange todos - e não os afecta só a eles. A coesão exige que olhemos uns para os outros e esbocemos um sorriso de cumplicidade - ou um esgar de tristeza - conscientes que estamos todos no mesmo barco.
As medidas de âmbito sectorial NUNCA podem favorecer a coesão nacional. Sejam elas medidas boas ou más. Despertam sentimentos "ainda bem que não é nada comigo" ou "acho muito bem são uns malandros da pior espécie" !!
Bom, não é preciso ser nenhum sociólogo ou politólogo para perceber que estamos a caminhar exactamente ao contrário. E que esse caminho é MUITO perigoso. A coesão nacional não é um jogo de palavras, é algo que tem a ver com dôr, com sangue, com violência, com morte. Não se iludam.
Nos últimos dias, todos os comentários de gente simples que eu oiço traduzem uma raiva crescente, uma indignação galopante que excede em muito a questão do corte dos subsídios. Acho que Passos Coelho e os seus conselheiros não têm consciência do "monstro" que se arriscam a acordar. E ninguém se deixe enganar com a ideia dos pretensos brandos costumes nacionais ...
Penso que esta foi a mensagem principal do Conselho de Estado de ontem. Embora não sejam a maioria, há Conselheiros de Estado que conhecem este assunto que hoje vos trouxe.
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segunda-feira, outubro 24, 2011

AGORA JÁ NÃO VALE, SRs. MINISTROS

Sou daqueles que não ligam grande importância a estas minudências, tais como subsídios de alojamento, ajudas de custo, despesas de representação, etc ... Acredito que usufruir de uma qualquer vantagem que a lei permita para certos cargos é uma questão da consciência de cada um e, sobretudo, da adequação da medida à sua situação concreta. Ou seja, se um qualquer político precisar de alugar uma casa em Lisboa ( porque não tem nenhuma ), para o exercício das suas funções, não vejo que seja injusto pagar-lhe um subsídio para isso.
O que já não me parece tão bem são as consciências pouco tranquilas ou as demagogias eleitoralistas.
De facto, ou os senhores ministros precisavam ( precisam ) mesmo do subsídio para viver em Lisboa, e não percebo porque vão AGORA abdicar dele, ou então, se acham que o estavam a receber um tanto "forçadamente", devolvam o dinheiro recebido e sujeitem-se à avaliação política dos eleitores. Não creio que existam outras alternativas, não percebo o que é abdicar de um subsídio por solidariedade por um colega.
A única questão, repito, é saber se o sr. Ministro da Administração Interna possue ou não uma casa em Lisboa ( ou Algés ) habitável e disponível ou se se trata apenas de afirmações maldosas e infundadas. Nenhuma das atitudes de renúncia dos senhores ministros podem fugir a esta questão.
E note-se, nem sequer estou, desta vez, a tomar uma posição perante o que se passou. Estou apenas a dizer que quero - tenho esse direito - saber a verdade dos factos.

domingo, outubro 23, 2011

MENTIRAS ...

Haverá uma só pessoa em Portugal, descomprometida ( isto é, que possa pensar ) que não veja como o governo PSD/CDS elegeu os funcionários públicos como os "patrocinadores" oficiais da crise ? Acham que há alguém ? Claro que não, os desgraçados patrocinadores já "deram" 5% em média, sózinhos, depois meio subsídio de Natal ( ou já se esqueceram ) , este em conjunto com toda a malta que trabalha, e, finalmente, em 2012 e 2013, os dois subsídios, num valor superior a 14% dos vencimentos.
Toda a gente explica a crise, nas conversas de café, a suprema forma de conhecimento em Portugal, que a crise apareceu porque o país vive acima das suas possibilidades. Acho que não é assim, os únicos que viviam acima do que podiam eram os funcionários, todos os outros estavam bem.
Para justificar essa decisão, já ouvi as mais variadas e tresloucadas opiniões. Desta vez não opiniões emitidas à volta de um café e uma aguardente, mas afirmações oficiais de membros do governo. A saber :

a) São só os funcionários públicos porque ganham mais 10 a 15% que os outros do sector privado ;
b) ... porque é a única forma de diminuir a despesa do Estado e não de aumentar os impostos como seria se pagassem todos ;
c) ... porque afinal os funcionários têm ( ainda ) segurança no emprego.

Como o leitor pode ver, é só escolher. O problema é que as várias explicações não são coerentes entre si, umas são de uma natureza as outras querem dizer coisas diferentes.
Balelas. Não fujamos à palavra : mentiras !
Se é preciso pagar erros e asneiras, ou azares de conjuntura, que sejamos todos a pagá-los : trabalhadores do sector privado, funcionários públicos, gente com dinheiro ganho em aplicações financeiras, bancos, empresas, bolsa de valores, etc ...
Esquecer tudo isto e concentrar os esforços num só sector, os trabalhadores do Estado, só pode ser explicado por uma política deliberada de ataque ao Estado, minando o seu alicerce básico, a motivação das pessoas que dão corpo e vida a esse mesmo Estado. Claro, adicionalmente estão a reduzir despesa ; mas o que de facto lhes interessa, na minha perspectiva, é desorientar e desmotivar toda a máquina do Estado.
Se isso acontecer, óptimo, mais fácil será, no futuro imediato, destruir toda a máquina do Estado na saúde, no ensino, em todos os sectores que, por ideologia, o Governo pretende entregar ao sector privado.
Em síntese, aquilo a que assistimos é a uma tentativa de aproveitamento da crise para concretizar uma agenda liberal de destruição do Estado. O azar dos pobres funcionários públicos é que estão entre o Governo e essa agenda liberal e, ainda por cima, podem ser e estão a ser usados como catalizadores da destruição.
Mas sabem, acho que não vai ser como eles pensam e projectam.
Acho que a malta vai perceber a tempo de ...
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sexta-feira, outubro 21, 2011

O CAMINHO CERTO PARA O FIM DO PAÍS

Estas medidas de Passos Coelho, na sua violência e quase castigo, irão representar um valor de 2,0% do PIB ( corte de subsídios e congelamento, descontando o efeito negativo no IRS não arrecadado pelo Estado ), cerca de 3.360 milhões de euros ( Fonte : Relatório do OE 2012 ).
Segundo se depreende do mesmo relatório, são medidas que foram tornadas indispensáveis porque se vai chegar ao final de 2011 com um saldo real de -7,7%, suavizado para os -5,9% apenas com a transferência para o Estado de mais um fundo de pensões de um banco qualquer. Ou seja, deveríamos estar a passar de -5,9% em 2011 para -4,5% em 2012 ( -1,6%) mas afinal estamos a passar de -7,7% para -4,5%, na realidade.
E PORQUÊ ??? Vêem ? Lá está de novo o PORQUÊ ...
Aí, este Governo faz umas fintas, uns golpes de rins, diz umas larachas apressadas e evita ao máximo comprometer-se com uma explicação. A verdade é que a marcha da execução orçamental do subsector Estado, Administração Central, até está a correr melhor que o esperado, soube-se hoje. Então, que raios, onde está o tal buraco tremendo, de 3.400 milhões de euros que tanto aflige o Governo ?
Não tenho a certeza do que vou dizer, mas aposto que não errarei muito se disser que os excessos estão ligados a duas coisas : os efeitos BPN ( oferecidos aos angolanos do BIC, mas sem as dívidas ... ) mais os efeitos Madeira.
E então ? Então, expliquem-me lá a seguir porque raio é que oiço tanta gente a afirmar que os funcionários públicos são demasiados, comem o orçamento todo, etc , etc ... Mas que raio tem uma coisa com outra ???
Certo, certo é que Passos Coelho acha que os salários dos funcionários públicos é que devem pagar a política de merda desenvolvida ( pelo anterior governo ) quanto ao BPN e agora também devem pagar as madurezas do Alberto João da Madeira.
Ora tomem !
Como podem ajuizar, nada mais simples, nada mais justo, nada mais equitativo.

Só que, pessoal, a coisa não vai parar aqui. Farto ando eu desta gente toda a dizer-me patetices e bojardas, sem nada de concreto e de inteligente, sem uma perspectiva para amanhã ...
Só que, dizia eu, em 2013, o défice vai ter que andar pelos 3,0%, malta. Ou seja, é preciso baixar de 4,5% em 2012 ( hummmm, de uns 5,0%, pelo menos) , para 3% em 2013.
Com a abordagem inteligente ao problema que se viu agora, é legítimo perguntar a Passos Coelho : em 2013 vai cortar o QUÊ exactamente ? Aos mesmos funcionários públicos, pelas mesmas razões agora invocadas ? Corta-lhes as pilas e o cabelo ? Ou mais 10 ou 15% de vencimento ?
Ou ainda não pensou nisso ?

quarta-feira, outubro 19, 2011

PORQUÊ ?

As coisas perdem o sentido, quando repetimos muitas vezes a mesma afirmação. É um princípio bem conhecido na publicidade e no marketing. Infelizmente, na política também.
A crise. A crise. A crise. A crise existe porque ... estamos em crise.
As circunstâncias especiais e estranhas que vivemos aconselham a que não esqueçamos esta verdade e continuemos sempre a perguntar PORQUÊ. Desde as causas originais da crise ( PORQUÊ o descontrolo e a cupidez do sistema financeiro ? Terá de ser mesmo assim ? ), passando pela chamada crise da dívida soberana ( PORQUÊ agora esta crise ? Há anos que os países de todo o Mundo vendem dívida soberana, PORQUÊ a crise agora ? Será que no fundo não há nenhuma crise de dívida soberana, o que há é ainda o sistema financeiro a querer ganhar mundos e fundos ? ) até ao mito que nos é impingido pelo FMI e pelo Fundo de Estabilidade Financeira Europeu que um País se irá "safar" se cortar tudo e todos até toda a gente cair para o lado.
PORQUÊ ? Porque havemos de acreditar nisso ? Alguma vez tal aconteceu ?
Ainda mais : é óbvio que as privatizações vão ser feitas ao preço da uva mijona e o capital daí resultante não vai dar para compensar défice nenhum. Então PORQUÊ ? Porque se vão fazer ? Porque é que a "Troika" nos forçou a fazer isso ? PORQUÊ ??
Por último : Passos Coelho quer tirar os dois subsídios aos funcionários públicos, para financiar o país. PORQUÊ aos funcionários públicos ? PORQUÊ não a todos equitativamente ? PORQUE se pensou numa coisa para o subsídio de Natal de 2011 e noutra coisa para os subsídios de 2012 ?
E, finalmente, não haverá nada que um país soberano ( pouco, mas ainda alguma coisa ) possa fazer para criar melhores condições para atacar a crise ?
PORQUÊ esta subserviência e aceitação sem discussão ?
PORQUÊ andam por aí a França e a Alemanha a mandar na Europa e os outros todos a baixar a cabeça e a aceitar ?
PORQUÊ ?

domingo, outubro 16, 2011

QUE MAL FIZEMOS NÓS A DEUS ?

Dizem que os portugueses são muito queixosos e que nunca estão satisfeitos com o que têm. Pois. Dizem. Mas a verdade é que podíamos ter um pouco mais de sorte, não ? Então, este é o melhor a que temos direito ? Meu Deus ...
Esta última, então, é bem digna do anedotário nacional. Afirma o senhor doutor Passos Coelho, a quem os portugueses ( alguns ) confiaram o cargo de primeiro ministro do nosso país, que cortou os subsídios de férias e natal de 2012 apenas aos funcionários públicos porque o vencimento médio destes é superior em 10 a 15% á média nacional ou do sector privado, não sei bem.
Ah, bom, ficámos todos mais descansados. Afinal, apesar de todas as evidências, é uma medida justa e equitativa, destina-se a compensar o excesso de vencimento que os malandros dos funcionários públicos, pela calada, vêm acumulando.
Está bem, até concordo. Decerto, foi para compensar também esses 10 a 15% de excesso que os vencimentos dos funcionários públicos já tinham sido cortados, em média, 5% desde o início do ano ... Não, espera lá : 5% deste ano mais os 14,28% ( 2 em 14 )do próximo ano já dá 19,28% !! Alto lá, então como é ? Onde é que está a diferença dos 10 a 15% usados na justificação ???
Não pode ser, senhor primeiro ministro, as suas contas não batem certo. Essas contas estão-me a parecer muito à moda da Madeira.
E depois, aqui para nós, já enjoa ouvir dizer sempre as mesmas larachas sem qualquer fundamento de facto. Estou mesmo farto, senhor primeiro ministro. Então os vencimentos dos funcionários públicos, em média, são superiores em 10 a 15% ao vencimento médio nacional ? Mas o senhor não se lembra que no funcionalismo público existem 50% de pessoas com cursos superiores e boas qualificações, como médicos, juízes, professores, etc ... enquanto essa média a nível geral do país ( ou no sector privado, se quiser ) é muitíssimo mais baixa ? Ou está a ponderar em igualdade de qualificações ? Ainda pior, diga-me se um engenheiro ou arquitecto de uma qualquer Câmara Municipal ganha mais 10 a 15% do que um engenheiro ou arquitecto do sector privado ? Ou quererá V.Exa comparar o vencimento de um Chefe de Clínica em Sta Maria com o vencimento de um médico com uma avença numa qualquer policlínica de vão de escada ? Ou comparar o vencimento de um Oficial das Forças Armadas com um homem da segurança de um banco ? Ou um juíz de comarca com um juíz de café ?
Não sei se nos estamos a entender, senhor primeiro ministro, o senhor está a fugir à realidade, a toda a força, exactamente como o outro, a seu lado na foto acima. Para não ter que dizer fugir à verdade.
E, ainda que fosse verdade o que afirma, o senhor já tinha ido "buscar" aos funcionários públicos quase o DOBRO do que afirma ser a diferença para a média do país ou do sector privado. Ou arranja outros números ou deixa de ir "sacar" apenas aos funcionários públicos, caramba.
Mas que sorte que nós temos, malta. Colectivamente, são estas as melhores escolhas que somos capazes de fazer ? Hem ?

PS - Uma pergunta a V.Exa : quando decidiu cortar uma boa fatia no subsídio de Natal de TODOS os portugueses que o recebem, no final deste ano, os funcionários públicos não ganhavam já 10 a 15% mais do que os outros, como agora V.Exa afirma ?

quarta-feira, outubro 05, 2011

OXALÁ DEUS GOSTE DA EUROPA

No meu último escrito, dei-vos a minha quase-certeza, este caminho político e financeiro não tem saída, é impossível o País recuperar com este plano.
Hoje, gostaria de vos falar de outra desgraça que nos aflige : a qualidade dos homens e mulheres que nos representam, nas várias instâncias do poder. Qualidade ... ou falta dela. O fenómeno não é exclusivo de Portugal, está espalhado por toda a Europa, pelo menos, mas isso não o torna menos preocupante. A verdade é que olhamos para todos os lados e não vemos políticos de elevada craveira. Não vemos gente excepcional, só gente muito certinha, a repetir as mesmas palavras, sem dúvidas, sem rasgos, sem visão de futuro, sem ousadia. Desde Durão Barroso ( inclusive, claro ) que Portugal não consegue ter um primeiro ministro motivador e com visão. E com gente vulgar, os problemas acumulam-se e pioram, não se irão resolver.
É completamente patética a forma como o poder político se comporta, nos nossos dias. Agem como se tudo se fosse resolver, com umas quantas medidas de austeridade. Fingem que será solução, que o caminho está aberto, que a luz ao fim do túnel brilha forte e intensa. Ocultam o que verdadeiramente possam pensar, têm o máximo cuidado em não ser derrotistas, evitam a todo o custo a verdade !
Mas é assim que vamos alguma vez recuperar ? Claro que não.
Então, como virá a ser a saída ?
Como sempre, em Portugal, as saídas para as crises aparecem abruptamente, ou de dentro ou de fora, mas sempre viabilizadas por terceiros, nunca pelos responsáveis políticos da altura.
Foi assim em 1640, em 1910 ( que hoje celebramos ), em 1974 ( o regime de então também estava num beco sem saída ) e ... não sei quando será a próxima. Também como habitualmente, logo que surge um corte radical e moralizador com um regime "defeituoso", surge imediatamente uma "clique" à volta do novo poder que se aproveita da situação e começa a substituir a ética pelo primado do venha-a-nós.
Apesar de gostarmos de pensar o contrário, somos de facto um povo de gananciosos medíocres e sem vergonha, em termos maioritários. O Eça sabia disso muito bem.
E então, não há esperança, não há saída ?
Bem, talvez exista, mas não será através da austeridade, com toda a certeza. Talvez a Europa ganhe juízo e perceba o que tem de fazer, colectivamente. Talvez só venha a existir saída depois da hecatombe, quando todo o Mundo perceber que o poder financeiro tem de ser ferozmente disciplinado, antes de haver esperança. Talvez ... quem sabe ?
Uma coisa é certa, porém : não será o nosso governo a criar condições para essa saída. Nem o estimável senhor presidente da República, mestre a prever o óbvio e escasso em sugerir soluções. Para ser justo, naquela entrevista no palácio de Belém sugeriu algo com potencial, mas parece ter-se arrependido.
Se eu fosse religioso, diria que esta é uma daquelas alturas em que faria sentido um "Deus nos valha " ... já que os homens que nos dirigem não parecem ser capazes de o fazer.

sexta-feira, setembro 30, 2011

A QUADRATURA DO CÍRCULO
Leitor, não adianta, nada disto vale a pena. Temos que procurar uma nova saída. Da forma como estamos a atacar a crise, nunca vai ser possível sair do buraco ! É a perfeita quadratura do círculo !
De que é que este maduro está a falar, pergunta. Estou a falar da crise, dos inúmeros cortes e aumentos de impostos que temos vindo a sofrer e da profunda sensação de inutilidade que nos invade sempre que vemos os resultados de todos esses esforços, como foi agora. No fim do ano o objectivo é um défice de 5,9 % mas agora, no fim do 1º semestre e já com os efeitos dos cortes na função pública e do aumento do IRS, da diminuições nas prestações sociais, o défice é de ... 8,3 % !!! Ainda estamos piores do que quando começámos !
Que pensa o leitor disto, hem ?
Bom, é verdade que ainda não estão contabilizados os efeitos do corte no subsídio de Natal, nem os aumentos no IVA da electricidade e gás. Também é verdade que só há pouco tempo começamos a contabilizar os buracos da Madeira e das empresas estatais, sectores que nunca contavam para estas contas. Sim, tudo isso é verdade, mas ...
Mas o grande, o enorme, o incontornável problema é outro !!!
O leitor alguma vez viu, preto no branco, uma abordagem à dívida e à forma de a vir a pagar, ao longo dos anos ? Alguma vez lhe mostraram um plano de recuperação e pagamento da dívida ?
Nunca, leitor, nunca. Se esse plano alguma vez foi feito, ficou no segredo, tão desagradáveis seriam os dados que o mesmo revelava.
Pois é, a verdadeira questão é esta : ao ritmo actual de crescimento da economia, com os empréstimos que temos que pagar ( os de agora e os antigos ), aos juros que nos impuseram, NUNCA SERÁ POSSÍVEL SEQUER PAGAR OS JUROS ( apenas os juros ) e DIMINUIR DRASTICAMENTE O DÉFICE.
Por outras palavras, os milhares de milhões de euros ANUAIS do serviço da dívida, apenas em juros, representam um montante MAIOR que todos os cortes juntos que possamos fazer !!
É IMPOSSÍVEL, meus senhores.
E então ? Então, ou os juros baixam, ou o prazo de pagamento aumenta consideravelmente, ou a economia começa a crescer bem, ou ... É IMPOSSÍVEL. Mesmo que os portugueses deixem de comer e de beber a partir de agora e abdiquem da quase totalidade dos seus salários, mesmo assim NÃO DÁ !!!
Como dizia Guterres, é só fazer contas. Eu fiz algumas, não as mostro porque para desanimado e com vontade de partir isto tudo basto eu.
Se não acredita em mim, leitor, vá estando atento ao desenrolar das coisas. Vai ver mesmo que novos cortes ( roubos ?? ) vão ser anunciados brevemente. Vão ver que, apesar de tudo, os 5,9 % vão ficar longe. Estejam atentos e lembrem-se do que hoje, aqui, lhes digo : é a quadratura do círculo, é uma questão de solução impossível, é uma política desastrosa e sem retorno, é a maneira mais rápida para o empobrecimento generalizado de largas camadas da nossa população, para o desmprego, a miséria, a fome ... e défice vai continuar a existir ou até a agravar-se ...
Leitor, considere isto que lhe digo como um sinal de alerta vermelho. Nenhum destes senhores do nosso governo, ou da Europa, faz a mínima ideia de como será possível resolver esta questão. E eu não me espanto, a questão NÃO TEM SOLUÇÃO, com os actuais parâmetros.
O que pode o leitor fazer ? Para já, estar atento e começar a exigir que lhe seja explicado o plano plurianual para sair da crise. Os grandes numeros. Eles que mostrem esses numeros, nós não somos mais estupidos que eles e vamos perceber os numeros.
Mostrem-nos os numeros ! Mostrem-nos os numeros !

quarta-feira, setembro 28, 2011

UMA INCONCEBÍVEL ATITUDE DE UM SENHOR MINISTRO

Este Ministério da Educação está a revelar-se uma fonte diária de actos tontos. Não consigo dizê-lo de outra forma : são actos tontos que revelam uma total impreparação para o exercício da função de ministro. Total.
A quem lembraria cancelar a entrega aos melhores alunos do País de um prémio de 500 euros, durante uma cerimónia à qual as Escolas conferem bastante ênfase e visibilidade, na véspera da tal cerimónia ? Quem se lembraria de "obrigar" os alunos premiados a entregar o dinheiro a famílias carenciadas ou a outros alunos igualmente carenciados ?
Desde quando o reconhecimento do mérito e a solidariedade social são temas equivalentes e intermutáveis ?
Desde quando se podem defraudar as expectativas de alguns jovens e distintos alunos obrigando-os ainda por cima a fazer "caridade" à custa do seu prémio ?
Quem teria dito ao sr. ministro que esta seria uma boa medida de política escolar ? Ou seria apenas uma ideia que o senhor ministro teve sózinho ?
Senhor ministro, se foi um seu colaborador a dar-lhe essa ideia, despeça-o, por favor ! Se a ideia foi sua, faça um favor ao País e demita-se, quanto antes.
É que o País já não aguenta mais ideias brilhantes como esta ! Gaita, não basta a crise e descontarem-nos no vencimento e obrigarem-nos a pagar sempre mais impostos ? Agora ainda temos que aturar parvoíces destas ?

PS - Sr. ministro : se não há dinheiro para pagar esses prémios aos putos, diga-o francamente. Não tente é dar lições de solidariedade a quem não as pediu, nem tente baralhar as opiniões dos portugueses.

segunda-feira, setembro 26, 2011

UM PAÍS ESTUPIDIFICADO ou UM PAÍS VIGARIZADO ?

Nos últimos tempos nem sequer tenho conseguido coragem para escrever. Os indicadores de uma sociedade profundamente doente são diários e preocupantes. Não é apenas a crise, a crise ainda é o acontecimento mais normal dentro desta profusão esquizofrénica de acontecimentos. Todos os dias surgem do nada "casos" neuróticos, que imediatamente são explorados pela comunicação social e pelos inúmeros comentadores da nossa praça como coisas gravíssimas e aberrantes, não se vislumbrando a mínima sensatez, a mínima dignidade profissional de averiguar a verdade e os porquês.
Pergunto a mim próprio, muitas vezes, como foi possível tornarmo-nos num povo de mentirosos, de vigaristas, de hipócritas e de desonestos. E a verdade é que nem sequer posso agora dizer que a responsabilidade é de Sócrates, embora o seu estilo tenha tido - acho eu - a sua quota parte de influência nesta nova portuguese way of life.
Querem exemplos ?
Esta história das não sei quantas dezenas de milhares de baixas nos professores. Os jornalistas foram buscar os dados não sei onde, atiram-os para o ar, insinuando a vigarice extrema da coisa, só lhes faltando logo enterrar os professores todos. O ministro diz que é preocupante e adianta que vão ser averiguados possíveis casos de infracção. Lindo ! Mas a ninguém interessa averiguar o PORQUÊ ? Então, de repente, sem motivo nenhum, uma data de milhares de profs pedem aos médicos que lhes passem um atestadozito ? É assim ? Já nem se pensa um pouquinho ? Porque deu aos profs todos o vício de serem faltosos e mandriões exactamente naquela altura ? Hem, PORQUE SERIA ? Não quero insultar o leitor com a resposta que eu dei a mim mesmo, acho que saberão descobrir a eventual causa.

Momento dois, a questão da Madeira. Andamos há anos a permitir que um personagem de medíocre envergadura mental e fraco discernimento se tenha apropriado da Madeira, de uma forma completamente infantil, fazendo obras e tornando-se popularucho. Toda a gente ligada ao poder permitiu isto e até achou muita piada. Então, qual é agora o espanto ? Há quantos anos deveriam ter percebido e actuado ? Esta gente é toda doida ou sou eu que sou old-fashioned ?

Outra : um senhor primeiro ministro, algo ingénuo ainda e por isso mesmo a falar a verdade vezes demais, descai-se a afirmar o óbvio, que se a Grécia se afundar provavelmente seremos obrigados a um segundo resgate. Zumba, caiem-lhe todos em cima, aquilo é lá coisa que se diga, mesmo sendo verdade um primeiro ministro não o deve dizer ! Meu Deus, mas esta malta é mesmo assim parva naturalmente ou treinam muito para ser assim ?

Já estou cansado, só de pensar nestas parvoíces. O leitor vá aproveitando todos os dias e descobrindo a idiotice desse dia. É que são diárias ... e não são apenas idiotices, há malevolência e premeditação em muitas das coisas que são ditas. Estou a assistir a coisas que fazem de Sócrates um aprendiz no que respeita à intoxicação da opinião pública ! Mas essas, as mais graves, guardo-as para vos contar num próximo dia de chuva .

domingo, agosto 28, 2011

AS MORDIDELAS DA VIDA

Tenho um gato amarelo, de nome Pipoca. Ou melhor, é o gato da minha filha, mas sempre vivemos juntos. Gosto do gato, faço-lhe festas e dou-lhe petiscos, sobretudo depois de ele ter estado no hospital veterinário de S.Bento, assustadíssimo, com uma crise urinária.
Pois bem, um destes dias, há quase três semanas, não o vi e dei-lhe uma valente pisadela no rabo. O bicho não foi de contemplações e ... zás, pespegou-me uma tremendíssima mordidela na canela. Os dentes dele entraram mesmo, acabei no Centro de Saúde, andei a antibiótico uma mão cheia de dias e ainda hoje tenho o pé inchado ! É verdade que o pisei, mas acho a reacção dele exagerada, para quem tão bem o trata.
Enfim, coisas de gatos, não é ?
Bom, também tenho uma amiga, pessoa com quem me relacionei há bastantes anos. Embora não seja uma relação íntima ( já foi ... ) tenho por ela amizade e já muitas vezes tive ocasião de a ajudar, em momentos difíceis da sua vida. Vai daí, um destes dias, pisei-lhe o rabo também ! Perdão, não foi bem isso, disse-lhe algo que a ofendeu muito, pelos seus padrões. Para mim, não foi nada de importante, mas ela reagiu como o Pipoca, o tal da foto : não me deu uma mordidela, mas deixou de me falar e quando tentei contactá-la ao telefone desligou-me o mesmo, raivosamente ...
De forma que ando nesta, ultimamente. Dou umas pisadelas e, em troca, recebo mordidelas de criar bicho !
Que hei-de fazer ? Deixar de pisar rabos ? Calar-me ?
Acho que não. As reacções exageradas tiram sempre razão aos seus autores. E, afinal, de uma forma ou de outra, seja o que for que façamos, acabamos sempre por levar umas mordidelas da vida, não é ?
Ah, é verdade, o Pipoca, pelo menos, nunca deixou de me miar ...

terça-feira, agosto 09, 2011

A VISÃO MORALISTA DA CRISE FINANCEIRA, ALEMANHA DIXIT

Infelizmente, hoje fiquei sem dúvidas, a Europa vai mesmo naufragar. Que Deus tenha piedade das almas dos que caírem ao mar ...
Então observem : no meio desta tormenta, em pleno ataque da cambada financeira internacional, a Alemanha sai-se com a proposta de criar uma espécie de conselho europeu supervisor das economias dos vários países. Àqueles que não passarem nos critérios da sanidade e da competitividade serão aplicadas fortes sanções...
Vejam lá a profundidade desta ideia ! Enterrem-se definitivamente aqueles que estiverem mal enterrados e que vivam os ricos !
Ah grande ideia de Europa, senhores. Com gente desta, com ideias tão inventivas como esta, não há nada a recear ... excepto o fim da ideia original de Europa. E do Euro, claro.
É estranho, mas os Alemães sempre misturaram ( em seu proveito ) moralidade e economia. Os que merecem, trabalham e se esforçam e os outros, os madraços e incompetentes. Os puros e os impuros. Os loiros de olhos azuis ou cinzentos e os outros, os de cabelo preto e pele escura.
Nem duas guerras devastadoras os conseguiram ensinar. Hão-de sempre ser assim.
Quando são ideias destas que governam a Europa, bem podemos todos dizer adeus a esta Europa. Com que então o problema resolve-se expulsando e liquidando os judeus, não é ? Perdão, castigando severamente os gajos preguiçosos e gastadores do Sul, não é ? E vá lá que, por enquanto, só pensam em multar ...
Senhores, todos os outros senhores da Europa : tomem as redes da Europa nas mãos. Não deixem que sejam aqueles contabilistas moralistas a ditar as leis desta nossa Europa ...

segunda-feira, julho 04, 2011

FERNANDO NOBRE, A QUEM NÃO DEIXARAM SERVIR O PAÍS

Fechou-se esse infeliz episódio do dr. Fernando Nobre.
Na senda dos hábitos portugueses das meias-tintas, pouca gente se atreve a dizer o que realmente pensa da atitude deste senhor, na questão da sua eleição à Assembleia da República, tendo como meta a Presidência da Assembleia da República. Vai-se afirmando que foi um erro de "casting" de Passos Coelho, mas a ele, dr Fernando Nobre, evita-se qualificá-lo.
Não conheço pessoalmente o dr Fernando Nobre e, à partida, tinha por ele bastante empatia e respeito. Tanto, que em anos sucessivos elegi a AMI para aquela transferência-doação que o IRS nos permite. Contudo, as últimas acções do senhor destruiram em mim toda essa simpatia. Em ambos os casos, foi muito perceptível para quem saiba ler as pessoas que o dito senhor doutor sofre de megalomania política e cívica. Ou é isso ou então ainda é pior, porque nos remeteria para um oportunismo político tremendo, na tentativa de cobrar dividendos políticos a partir da sua popularidade cívica.
Mas não, prefiro acreditar que o dr Fernando Nobre sofre de um grave desvio psicológico, levando-o a crer poder ser muito útil ao seu país, mas só a partir de cargos como Presidente da República ou, se este não estiver vago, como Presidente da Assembleia da República.
Não sei se esta ilusão se deve apenas ao seu espírito politicamente pouco clarividente, ou se algumas pessoas o foram disso convencendo, muito por causa do "medo" do candidato Manuel Alegre, nas ultimas eleições, e, recentemente, pela ideia insensata de Passos Coelho que ele poderia arrastar atrás de si os eleitores das presidenciais. Seja como for, sózinho ou com ideias sopradas pelos amigos ( da onça ? ) a verdade é que o estimável doutor em medicina meteu terrivelmente os pés na política. Acho que o senhor já devia ter mais bom senso ( e modéstia cívica ) que aquele que demonstrou.
Para finalizar, surge-nos agora esta sua renúncia ao mandato de deputado, depois de te dito que permanecia na Assembleia, como simples deputado. Para mim, uma atitude indigna, que apenas compreendo porque dentro da cabeça do senhor doutor, deve ter sido uma tremenda injustiça os portugueses não o terem aceite para a presidência da Assembleia. Assim, dado que não há mais cargos importantes no País, onde o senhor doutor possa ajudar a Nação, retira-se e vai ajudar quem da AMI necessitar.
Acredito ser a melhor solução, só é pena ( vê-se agora ) é que a Presidência da AMI passe a ser a sua 3ª escolha ...
De todo este episódio rocambolesco, fica a dignidade dos deputados na Assembleia, não se deixando influenciar pela direcção do PSD, nem pela Maçonaria, nem por nenhuma outra organização de influências, dizendo não a uma eleição totalmente palerma e desajustada.
A saída de Sócrates, a rejeição de Fernando Nobre e a escolha de Assunção Esteves reconciliaram-me com o meu país.
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domingo, julho 03, 2011

O GRANDE NEGÓCIO DOS DIAS DE HOJE : O DINHEIRO !

Volto a afirmá-lo : nos últimos anos um frémito de ganância aconteceu em todo o Mundo. Uma espécie de epidemia, brutal, mortífera, para a qual ninguém conseguiu antídoto ou mesmo apenas alívio.
Comecemos pelo princípio, como convêm. A epidemia começou no mundo financeiro, bancos, sociedades de investimento, sociedades de crédito. Perceberam que se podia vender e comprar toda a espécie de produtos, perceberam que podiam conceder créditos a quem não os podia pagar e mesmo assim vender esses débitos a terceiros, enroupados em seda e lantejoulas, os chamados produtos integrados, e com isso fazer milhões. Os lucros eram fabulosos e rápidos. O consumo foi assim incentivado, potenciado quase até à exaustão. Poder-se-à aqui comentar que as pessoas foram atrás desta onda consumista a crédito, deveriam conhecer os seus limites e parar...
Qual quê ? Quem é a pessoa, educada já nesta nossa nova sociedade da abundância e glamour, que resiste à possibilidade de comprar um carrinho de sonho, uma casa grande num local bom ou a umas férias em Cuba ? Hem ? Em outdoors, na TV, nos jornais e revistas, bancos, empreendedores imobiliários, concessionários de automóveis, todos se uniam para fazer o Zé Português contrair o seu créditozito ( ou 3 ou 4 ) e avançar para estas maravilhas ...
Se vasculharem bem nas vossas consciências, a quem se deviam pedir responsabilidades por esta situação ? Aos bancos, não ?
Não, por amor de Deus, aos bancos nunca, não tiveram culpa nenhuma disto, dizem-nos os políticos. Os bancos são essenciais à vida económica de uma sociedade moderna, são eles que financiam o crescimento económico, são eles que ajudam a criar a riqueza, dizem esses mesmos políticos. E vai daí, vão-nos extorquindo mais uns cobres para tapar os buracos dos bancos, essas entidades beneméritas da sociedade. Estes, por sua vez, como a crise está bera, restringem o crédito às empresas e que se lixe o desenvolvimento ...
Sabem o que lhes digo ? Quando crescer quero ser dono de um banco. Nos tempos das vacas gordas é um ver se te avias, o dinheiro entra de escantilhão. Se vier a crise, são eles na mesma, os tontos do costume, a abrir as carteiras e a darem-me dinheiro na mesma ... Quem é que pode perder neste jogo ? Ná, quero mesmo ir para banqueiro.
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segunda-feira, junho 27, 2011

QUARENTA ANOS
A minha única filha faz hoje 40 anos. Ela lamenta-se, acha que está a ficar velha, mas para mim tudo isto aconteceu ontem, há muito pouco tempo.
No ano em que ela nasceu, em 1971, tinha ela apenas seis meses e eu 28 anos, fui mobilizado para uma comissão de serviço militar em Moçambique. Para os mais novos que me lerem ( haverá algum ? ), este facto pouco ou nada representa, mas muitos homens da minha geração e de algumas gerações anteriores sabem muito bem o que significava isto. A angústia da partida, a consciência de que ia estar longe muito tempo e uma vaga noção dos riscos e perigos que ia correr tiravam-me o sono e a vontade de comer. Lembro-me como se fosse hoje do meu embarque no Figo Maduro, num dos dois Boeing 707 que a Força Aérea acabara de adquirir para o transporte de tropas de e para o Ultramar, como então se dizia. Era noite e eu tinha optado por ir sózinho para o embarque. Pouca coisa levava, nem sequer sabia muito bem o que me iria fazer mais falta. O estômago doia-me e sentia o suor a pingar enquanto esperava o embarque. Como iria ser a minha vida ? A minha mulher e a Sofia, recém nascida, iriam ficar bem ?
Descansem, não vos vou contar histórias de África. Estive por lá dois anos, sem vir a Portugal continental. Ia sabendo da minha filha por cartas e fotografias. Sabia que ela estava a crescer sem conhecer o pai e dava por mim a pensar quão mau isso seria para ela, mais tarde.
Regressei, felizmente, são e salvo, no final de 1973, para logo a seguir me meter noutra "alhada", a conspiração e a concretização do 25 de Abril. A partir de então, o tempo entrou numa espécie de voragem vertiginosa, como se nada o detivesse. Os anos foram desfilando, rápidos e a minha vida passou sempre a correr na frente dos meus olhos. Como um filme a que se assiste. Umas vezes a acção era mais rápida, outras vezes mais lenta. Soube o que era a felicidade, em breves momentos, mas também soube o que era perder pessoas amadas, numa sucessão impressionante, como para me castigar de algo que eu tenha feito de errado. Pais, sogros, mulher, todos foram, demasiado rapidamente, sem me dar tempo a pensar e a recuperar.
E é aqui que volto à minha filha. Ela, a pequenota que nasceu no ano em que toda esta voragem começou, acabou por ser o meu esteio neste resto de vida, a esperança que já morreu em praticamente todas as outras coisas. Afinal, foi esse ser pequenino que nasceu há precisamente 40 anos que me tem dado estímulo e coragem para continuar a viver. Quero deixar-lhe aqui, hoje, essa minha homenagem e gratidão.
Mas também quero dizer-lhe que tudo isto começou ontem, não foi assim há tanto tempo.
Sofia, coração ao alto, também eu faço hoje 40 anos. Faço 40 anos depois de te ter visto nascer. Os outros 28 que eu já tinha que se lixem, não contam para esta história ! Parabéns, filhota, estes quarenta anos de amor, ternura e companheirismo já ninguém nos vem tirar e tu ainda vais ter muitos, mas muitos mais para construires o resto da tua vida. Não percas tempo, começa já hoje !

quarta-feira, junho 15, 2011

A FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO

Confesso : nunca morri de amores por Saramago. Li muitos dos seus livros, gostei da vários, de outros não, mas de quem nunca gostei foi dele, como pessoa.
Sempre o achei de uma vaidade e arrogância intoleráveis, sempre pensei que seria alguém muito autoritário e convencido, lembro bem o que se passou no Diário de Notícias, quando Saramago foi director.
Acho que Saramago nunca se libertou daquela capa de autodidacta que é veladamente cáustico para todos os outros que adquiriram uma formação académica de raíz. Muito autoconfiante, opinava sobre isto e aquilo com a segurança da infalibilidade, como se ser escritor lhe desse especial qualificação para ter essas opiniões.
Em síntese, sempre considerei Saramago um escritor razoável que se julga Deus e que desenvolve um snobismo muito particular e peculiar. Muito como António Lobo Antunes, que o odiava solenemente mas que com ele partilha de algumas dessas maleitas de feitio.
Na minha opinião, claro.
Hoje li uma notícia onde a sua viúva se vangloria ( ou lamenta ? ) da ausência de qualquer investimento público na fundação José Saramago, em fase de aguardar a conclusão das obras na Casa dos Bicos, em Lisboa, onde ficará a sede. Nem um tostão do Estado, proclama a orgulhosa ( ou lamuriosa ? ) senhora.
Vejo nesta senhora a mesma vaidade e orgulho desmedido de Saramago. E falta de cuidado, também. Nem um tostão ? Então a Casa dos Bicos era propriedade dela ou de Saramago ? Um dos edifícios históricos de Lisboa mais emblemáticos cedido para sede da fundação José Saramago não conta como "verbas do Estado" ?
Ah, céus, sempre esse orgulho desmedido ...

sábado, junho 11, 2011

AS IRONIAS ALEMÃS

No caso da famosa bactéria cujo nome não estou para fixar, responsável pela morte de mais de 30 pessoas, na Alemanha, há alguns motivos de reflexão, análise e amarga ironia.
A primeira reflexão remete-nos para o preconceito alemão contra os povos do sul : a origem da contaminação tinha que vir dos coitados dos pepinos espanhóis ! Pois claro, está visto.
A segunda reflexão é de que a tão propagandeada eficácia e eficiência alemãs, afinal não se devem aplicar à investigação de fontes de contaminação em saúde pública. Estão a demorar séculos para encontrar a fonte, exactamente como se a pesquisa estivesse a ser feita em Portugal !
Por último, a ironia final : os vegetais fonte da contaminação parece que pertencem a uma quinta agrícola alemã, de agricultura BIOLÓGICA.
Brilhante. Agricultura biológica numa quinta alemã e dá estes bonitos resultados ! Será que a partir de agora os alemães aprendem a ter um pouco mais de respeito pelos outros e começam a pensar que não são assim tão bons como pensam ?
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quarta-feira, junho 08, 2011

E DEPOIS DO ADEUS ...

Como muitas outras vezes, quando as coisas finalmente acontecem como queríamos, fica-nos uma sensação de vazio na boca. Sócrates partiu e agora ficamos apenas com a realidade, sem o grande inventor de sonhos. Ainda por cima, para Sócrates se ir embora, temos agora que aturar a direita.
Bom, também não se pode querer chuva no nabal e sol na eira, não é ? Sobretudo se o nabal e a eira forem pertinho um do outro.
Portanto, agora temos o FMI e a Europa a dizerem-nos o que fazer, e temos Passos Coelho e Portas para testamenteiros. Como será que vão fazer para cumprir as exigências não sei, parecem-me demasiadas mudanças em tão pouco tempo. Acho mesmo que ninguém faz a mínima ideia do que irá acontecer.
Sabem, leitores, a economia não é uma ciência nada exacta. Mesmo nada. E quando é manejada por aprendizes de feiticeiro muito liberais e armados em sabichões, vindos do estrangeiro, ainda menos. Muitas das medidas preconizadas pela "troika" entram nessa categoria, como o alegado contributo para a competitividade trazido pela redução da Taxa Social Única. Ou muito me engano ou o resultado irá apenas ser um aumento da margem de lucro das empresas, até pequeno em alguns casos, sem qualquer aumento de produtividade e com um prejuízo brutal para a Segurança Social. Ou, em alternativa, mais um aumentozinho de impostos para compensar a mesma Segurança Social.
O mais certo é nem procurarem a compensação, vão ver.
Enfim ...
Em próximo escrito, prometo que vou procurar, de uma forma simples, mostrar que por detrás da preocupação da "troika" em recuperar o dinheiro emprestado, com juros, o momento foi aproveitado para nos impingir uma data de medidas que mais não fazem que retirar dinheiro e bens ao sector público para o entregar na mão de privados. Com o malabarismo de nos fazer crer que aí é que esse dinheiro e esses bens estão bem, não só para quem fica com eles ... mas para nós outros, também !
Amigos, receio bem que a breve prazo muitos de vós vão pensar que Sócrates, afinal, não era assim tão mau ... Por mim, irei ter sempre bem presente a responsabilidade desse senhor, ao fragilizar o PS, na chegada do liberalismo de direita.
Por agora, vamos todos aguardar, atentos, os novos episódios.
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sexta-feira, junho 03, 2011


RED ROSES FOR A (BLUE) FOOLISH LADY

Só nos faltava esta. Divinal. Agora até uma companhia de transporte aéreo "low-cost", a Ryanair, dá lições de economia e de defesa dos seus próprios interesses a um sindicato português, o do pessoal navegante de cabine. Gozo cruel, é certo, mas totalmente justificado. Saiba o leitor que nisto de sindicatos, sejam de trabalhadores ou de patrões, nenhum escapa à fatalidade do homem português : tão depressa é arguto e brilhante como logo a seguir dá mostras de uma imensa estupidez.
É o caso.
De resto, daqueles sindicatos ( incluindo o dos pilotos ) tudo há a esperar, sem que nada me cause admiração. É gente que ganha demais ( muito demais ) para o trabalho que produz e com um substrato cultural e ético que, em termos médios, deixa bastante para desejar. Mistura explosiva, geradora de impulsos egoístas de enorme violência e de um autismo incrível. Possivelmente, a pressão atmosférica reduzida da cabine de vôo em que trabalham, durante horas, somada aos mais de 10 Kms de altitude, fá-los sentir-se mais altos e importantes, muito mais altos que todos os outros portugueses que são obrigados a aturar o pântano em que o país se transformou. Na história do sindicalismo português são sindicatos que bem mereciam um qualquer Nobel do Oportunismo e Venha a Nós ismo. Palmas portanto. Ou rosas, como as da Ryanair.
Leitores, só afirmo o seguinte, tomando bem o peso às palavras : comparado com muitos senhores e senhoras deste pessoal, Sócrates parece um anjinho inocente e culto, mal pago e incompreendido.

quarta-feira, junho 01, 2011

CADA CAVADELA CADA MINHOCA

Tinha prometido a mim mesmo não voltar ao tema, mas não consigo. O tema é Sócrates e o enigma da sua personalidade. Cada nova cavadela no terreno da realidade, nova minhoca aparece. Quem diz minhoca diz inverdade, ocultação, mistificação. A última minhoca são as diferentes versões do memorando de entendimento com a Europa e o FMI, com prazos mais apertados e um ênfase grande na "grande redução da Taxa Social Única", quando ainda há poucos dias ouvi Sócrates ( no debate com Passos Coelho ? ) afirmar que o que estava no Memo era a obrigatoriedade de estudar a questão ...
Enfim, acho que já pouca gente hoje duvida disto : por detrás de um homem com boa aparência, bem vestido, bem falante, etc ... está um ser humano com um carácter retorcido e tortuoso, extremamente teimoso e ambicioso, incapaz de gerar o mínimo consenso político, sem uma demarcação clara entre a ética e o interesse pessoal. Pessoa que não desperta em quem o conheça a mínima confiança.
Como foi possível este senhor ser Primeiro-Ministro de Portugal durante 6 anos ?
Confesso que não sei responder. Talvez os socialistas saibam, mais aqueles que votaram nele duas vezes seguidas.
Este mistério há-de me perseguir sempre, a vulnerabilidade extrema de pessoas e instituições perante um vendedor de ilusões deste calibre. Nessas pessoas e instituições não hesito em incluir a Procuradoria Geral da República e o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.
Como foi possível ???
É agora muito nítido : para as pessoas começarem a vislumbrar a verdade para além da varinha mágica da ilusão, tinha mesmo que acontecer o cataclismo que aconteceu. Tínhamos mesmo que ir à quase bancarrota para as gentes acordarem ... e, mesmo assim, só porque o ministro das finanças ganhou vergonha ou medo e não aguentou mais a ilusão, proclamando que Portugal iria recorrer à ajuda externa.
Lembram-se ? Lembram-se também o que Sócrates fez ao ministro, retirando-o sem apelo nem agravo das listas do PS ??
Meu Deus, torno a dizer : como é possível tudo isto ter acontecido ?

sábado, maio 28, 2011

VERDADE OU CLUBISMO

Há aspectos no comportamento humano que sempre me fascinaram. Ou melhor, que sempre me irritaram. A incapacidade humana de separar a análise de factos das emoções e dos sentimentos é um desses aspectos. Pessoas inteligentes, educadas e honestas deixam-se de tal forma afectar pela simpatia por um clube de futebol ou um partido político que ficam incapazes de olhar para a realidade.
Lembro-me, há uns anos atrás, de discutir acaloradamente com um amigo meu, benfiquista ferrenho, sobre a personalidade do então presidente do clube, o advogado Vale e Azevedo.
Já se conheciam, na época, certas aventuras e desventuras do senhor, quer na sua esfera profissional, quer na condução dos assuntos do clube. Mas qual quê, esse meu amigo, apesar de pessoa muito inteligente, recusava-se a ver a realidade e chegou a murmurar, de soslaio, que eu devia era simpatizar com o FC do Porto e o Pinto da Costa. Poucos anos depois, mudou finalmente de opinião, embora apenas parcialmente.
A barreira entre a defesa de algo em que acreditamos e a procura da verdade é muito fina e é extremamente fácil cairmos na esparrela.
Pessoalmente, nunca fui muito dado a grandes paixões, nem por um clube de futebol, nem por um partido, nem sequer por músicos ou actores de cinema. Tenho as minhas preferências, é certo, mas nunca chegam à paixão. Por esse facto escapo com relativa facilidade ao sectarismo e ao clubismo. Não sou mais feliz por isso, confesso, escapa-me uma dimensão que dá muitas alegrias a muita gente, mas é assim que sou, ou penso ser.
Vem tudo isto a propósito de quê ?
Uma vez mais, de Sócrates, claro. Tenho vários amigos do PS a quem tenho ultimamente perguntado em quem vão votar. Adivinham a resposta, não adivinham ? Isto espanta-me, indigna-me, irrita-me, põe-me a pensar : as pessoas são de facto livres, nos seus pensamentos ? Como é possível sancionar comportamentos totalmente irresponsáveis, criminosos mesmo, só porque se trata do partido X ? Então as características humanas, éticas, morais de um lider não contam ?
Enfim, aceito que o ser humano é assim. Não concordo, nunca hei-de deixar de criticar essas atitudes, mas não posso modificar a genética humana, não é ? Quando muito, posso apenas resmungar que foram atitudes destas, acríticas, apaixonadas, acéfalas, que permitiram a ascenção e manutenção no poder de Salazar, Hitler, Mussolini, Estaline e tantos outros. Por essas e outras, leitor, nunca deixe de PENSAR, por amor de Deus ( ou de Alla, ou de Buda, ou o que quiser ), nunca deixe de usar a sua própria cabeça. Por favor. Seja no futebol, na política ou nos matraquilhos.
Use a sua cabeça e ... sinta-se infeliz e solitário, mas pelo menos verdadeiro.
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quarta-feira, maio 25, 2011

A DÍVIDA PÚBLICA, ESSA DESCONHECIDA

Ninguém duvida que Portugal tem uma grande dívida pública. Muitos milhares de milhões de euros. Desde há anos, mas muito maior de há uns anos a esta parte.
Temos também a noção de que os sacrifícios que estamos a fazer ( e vamos ainda fazer ) se destinam a conseguirmos um equilíbrio que nos permita pagar a dívida e não voltarmos a pedir tanto dinheiro como no passado.
Fala-se disto - da dívida - todos os dias.
Contudo, aqui só entre nós, algum dos leitores tem presente qual é o montante total do que devemos, ao longo de quantos anos vamos ter que pagar essa quantia, qual é a parte dos juros, qual é a parte do capital ?
Alguém já fez contas, por exemplo, à forma de pagamento destes últimos 78.000 milhões de euros ? Quanto vamos pagar de juros ? Ao longo de quantos anos ? Podemos pagar isso ?
Numa altura em que as vozes que falam na reestruturação da dívida começam a aumentar, não esclarecer e quantificar essa dívida parece-me surrealista. Ou má fé.
Não acham que os portugueses merecem conhecer os números em questão ? Afinal, são eles que vão pagar ...
Ou não interessa muito que se saiba, a malta podia assustar-se de morte ?
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segunda-feira, maio 23, 2011


HÁ COISAS QUE NÃO MUDAM ?
O leitor leu a notícia, por certo. Uma jovem foi cumprir o preceito legal designado por Dia da Defesa Nacional - que é um dia passado numa Unidade Militar, em actividades relacionadas com a vida militar - e acabou por morrer, de uma forma estúpida, porque caiu de um cabo de aço, de uma altura de 4 ou 5 metros.
Trata-se de uma actividade relativamente simples e pouco perigosa, onde uma pessoa fica pendurada pelas mãos de um cabo de aço, através de uma roldana que desliza no cabo. Este cabo está "amarrado" nas duas pontas, com uma inclinação que permite o deslizar fácil e rápido da roldana. O único desafio é na chegada do cabo ao solo, sobretudo se o ângulo do cabo for demasiado acentuado : convêm que o utilizador faça uma espécie de "aterragem", dando às pernas previamente como se andasse de bicicleta ... sem bicicleta.
Pertenço a uma geração que foi pioneira no uso desse "instrumento", destinado a habituar o espírito do utente ao risco e à emoção. O "slide" ( do inglês, deslizar, ecorregar, em português ), na Academia Militar, em Gomes Freire, estava preso de um lado no topo do depósito de água e, do outro, na versão inicial, prendia a uma viatura estacionada do outro lado do campo de futebol. Em diversas ocasiões, o veículo não suportava o peso do cabo e dos utentes ( por vezes havia no cabo, a descer, mais do que um jovem ) e andava um ou dois metros para a frente, fazendo com que o cabo descesse de repente e os "utentes" viessem em "acelerado" para o chão ...
Isto foi no início dos slides em Portugal, para aí em 1963 ou 1964 ! Mais um ou dois acidentes aconteceram, nessa altura, felizmente nenhum mortal.
A razão porque falo nisto, hoje, é que me parece INADMISSÍVEL que 47 anos depois, o Exército ainda não consiga fazer melhor do que fazia na época. Amarrar o cabo a uma viatura ... ( a acreditar nas notícias ) meu Deus, quando é que vão aprender ?
É assim que vamos "vender" aos nossos jovens a ideia da defesa da Pátria ? A deixar morrer jovens por incúria ou inabilidade ?
Quem responde agora por esta irresponsabilidade ?
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sábado, maio 21, 2011

REALIDADE OU FANTASIA ?

Não me despertam grande curiosidade, os debates entre os lideres partidários, na TV. Aquilo é mais propaganda que debate e raramente se ouve alguma ideia original ou com algum valor. Os intervenientes pautam-se por regras muito apertadas de comunicação, estilo parece mal ao eleitor que um político se zangue ou que mostre impaciência. Enfim, aquilo costuma ser uma enorme chachada sem interesse nem como esclarecimento político nem como espectáculo. De onde, não costumo ver. Ontem, por azar, apanhei o programa entre Passos Coelho e Sócrates ... e pasmei.
É verdade, pasmei.
Como é possível a alguém que passou a vida a dizer hoje uma coisa e a fazer outra amanhã comportar-se daquela maneira, como se fosse uma pessoa de palavra ?
Como é possível a Sócrates continuar a afirmar que Portugal não precisava de pedir ajuda externa e que tal só aconteceu porque lhe chumbaram o PEC não sei quantos ?
Que quantidade de "lata" é preciso alguém ter para assim se comportar ?
Pssst, malta, nunca ninguém se lembrou da hipótese patológica para José Sócrates ? Pois cá a mim parece-me que a verdade deve andar por aí : o senhor é totalmente incapaz de separar a fantasia da realidade, nega os factos até à exaustão, nunca se reconhece responsável por nada de mal que tenha feito. Para ele, não dizer a verdade mas apenas aquilo que ele acha que lhe convêm é uma segunda natureza. Mais : é incapaz de perceber que tem um problema com estas questões.
Digam-me, honestamente : se fosse qualquer outra pessoa, em outro cargo, não teria havido já uma data de psiquiatras e psicólogos a baptizar estas atitudes ?
Pois, mas como é na política, toda a gente se limita a constatar que José Sócrates tem uma grande determinação e resistência ao combate político ... quando a verdade é que o senhor precisaria, eventualmente, era de ajuda especializada !
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