sexta-feira, novembro 28, 2008

DEMITA-SE, CARAMBA, AINDA QUE SEJA APENAS POR AMOR A ESTE PAÍS

Façamos uma espécie de raciocínio ao contrário.
Admitamos, por um momento, que a ministra da educação tem razão, tem uma boa proposta para a avaliação e que os seus pressupostos ( como a criação dos profs titulares e a sua implementação ) também são correctos.
A ministra tem razão, as propostas são boas … mas uma imensa maioria de professores recusam-se a aceitá-las. A avaliação já está vertida em lei, mas os profs não a vão aceitar.
Então que se faz ?
Num regime autoritário e cego, obrigar-se-ia ao cumprimento da lei, penalizando severamente todos os infractores. Com o peso da “bota”, estes acabariam por se subjugar, certamente.
Mas não vivemos num desses regimes, quer a senhora ministra tenha disso consciência ou não.
Então o que se pode dizer ?
Se a proposta é boa ( estamos ainda nessa hipótese de raciocínio ) e ninguém a aceita, então é porque algo falhou : ou no processo da sua elaboração, ou no processo de discussão com os destinatários, ou na preparação da sua concretização no terreno.
( É óbvio que algo do género a senhora ministra já o reconheceu, quando introduziu alterações dramáticas nas propostas, embora sem querer perceber onde está o cerne )
Em resumo, a ministra então tem umas excelentes propostas … mas não consegue convencer ninguém a usá-las, por este ou aquele motivo, não é ?
Insistir será levar o confronto para níveis superiores, introduzindo um clima dramático nas escolas. Convirá pensar nisso, não ? Haverá quem não perceba o mal que tudo isto está a provocar entre professores, entre estes e o seu ministério, e, por ultimo, no relacionamento entre professores e alunos, com o crescendo de indisciplina que a situação potencia ?
Bem, parece que a solução é simples : a senhora ministra DEVIA DEMITIR-SE, ainda que tenha hipoteticamente razão. Se ama o seu País, devia libertar o Primeiro-Ministro e PEDIR A DEMISSÃO. Ainda que continuasse a pensar que tem razão.
A política tem muitos exemplos disso, de pessoas que se retiram apenas para viabilizar a continuação do diálogo e do máximo consenso possível.
Esta pessoa, este ser humano, já não tem condições para o exercício do seu cargo. Quando recebe os representantes dos professores, já os olha com ódio, já os ameaça e maltrata. Isto não é saudável, se continuarmos assim vamos acabar à chapada. E depois … aos tiros, em ultimo caso.
Convem ter esta noção.

PS - Entre os efeitos perversos desta telenovela conta-se, sem dúvida, a minha inquietação permanente, a minha obsessão com tudo isto. Parece que já não sei escrever sobre mais nada. Gaita, cheira mal ! Demita-se e deixe outra pessoa tentar resolver.

quarta-feira, novembro 26, 2008

PROFECIAS ...

Há, de vez em quando, afirmações políticas que se vêm a revelar tão verdadeiras que apetece chamar-lhes proféticas.
O video que podem ver abaixo contem declarações do Secretário-Geral da FENPROF, em 2006, Paulo Sucena, quando da aprovação do actual Estatuto da Carreira Docente dos Professores.
Merece a pena ver e ouvir, palavra de honra.
Não se esquecem que isto se passa em 2006 !




Então, que acham ?
Para mim, é óbvio que aquela senhora que ocupa actualmente a pasta da educação não fazia então e ainda não faz hoje a mínima ideia do que é a política e de quais são os mecanismos da dinâmica social. Aprendeu, como se vê neste excerto de discurso dela, que é possível ter razão contra a maioria dos interessados, algumas vezes, e ter êxito nisso. Claramente nunca ninguém lhe explicou que isso só se pode fazer um numero limitado de vezes e, mesmo assim, com MUITO cuidado ... Ou a pobre senhora pensava que os desgraçados dos Profs, humilhados, ofendidos, pisados, desconsiderados e mal pagos iam andar o resto da vida a ser por ela manipulados impunemente ?
Sabem o que esta sinistra figura me faz lembrar ? Um pequeno aprendiz de feiticeiro, vaidoso, orgulhoso da sua ciência, mas ainda muito novato e inexperiente, nem sequer vislumbrando o que são as gentes portuguesas ...

PS - tenho andado adoentado do estômago, etc... Não sei se vem daí, mas ultimamente tenho uma reacção física de repulsa quando vejo aquela senhora aparecer na TV. Sinto o estômago aos altos e fico ansioso. Aquela mulher perturba-me, honra lhe seja feita. Ah, afinal pensando bem, as osgas também.

sábado, novembro 22, 2008

AH, MEU DEUS, ONDE APRENDERAM ELES A LIDERAR ??

Desculpem, tenho que voltar à Educação.
Prometo não chatear.
A questão é esta : quais os motivos que levam a ministra da educação e o primeiro-ministro a estes braços de ferro ? Que razões explicam esta obstinação ?
É que estas atitudes são tanto mais estranhas quanto lhes poderão custar a maioria absoluta ( Pai nosso, que estais no Céu ... ) nas próximas eleições, segundo a opinião de muitos comentadores.
Então porquê ?
A verdade é que verifiquei muitas vezes este fenómeno ao longo da minha vida profissional. Acho que lhe poderíamos chamar de insegurança básica. Ou de uma concepção errada do que é o exercício do poder. Em qualquer caso, existem sempre ignorâncias grandes na área da liderança.
Mas como poderia ser de outra forma ? Onde é que Sócrates ( ou a ministra ) aprendeu a chefiar fosse o que fosse, antes de se ver catapultado para a chefia de um governo nacional ?
O que eu verifiquei ao longo da vida é que a falta de preparação para “chefiar”, para ser lider, é quase sempre desastrosa, quando se alia a atitudes básicas de vaidade ou auto-convencimento. Raramente dá certo. A menos que a pessoa em questão seja uma daquelas que nasceram lideres, o que não me parece o caso.
É que, antes de se poder ser lider, tem que se conquistar a confiança e a adesão emocional dos “liderados”. Com isso, há respeito, há admiração, há vontade de percorrer os caminhos indicados, há solidez em torno do lider. Liderar não é ameaçar nem impor, por muito que as pessoas pensem que é.
Sem isso, por mais gritos que se soltem, por mais persistência que se aplique, por mais autoritarismo que se pretenda mostrar … nada feito, ninguém virá atrás de nós. Seja num combate militar, seja na política, seja ainda na selecção nacional de futebol.
E vão duas sugestões concretas, contando com a minha ultima. Os aspirantes a exercer funções políticas de topo, deveriam (a) ser escrutinados através de uma análise psicológica (b) frequentar uns seminários ( com prática ) de liderança.
Que tal ? Serão assim medidas tão tontas ?

quarta-feira, novembro 19, 2008

TESTE PSICOTÉCNICO PARA MINISTRO

Quem quer ser ministro devia submeter-se a um teste psicotécnico. Se fossem detectadas características como teimosia e obstinação exageradas chumbaria no teste. O mesmo para traumas profundos, psicoses e frustações não resolvidas. Tanto quanto possível, o candidato a ministro deveria ter um perfil psicológico saudável, evitando-se assim situações aviltantes, em democracia, como aquela que se vive no Ensino.
Afinal, ninguém hoje duvida que o impasse provêm das características pessoais da ministra ( e do primeiro-ministro ) muito mais do que qualquer outra coisa. Ou seja : o que está em causa, em termos práticos e políticos, nunca deveria ter provocado tamanha confusão, afinal é um aspecto relativamente marginal ao ensino, uma vez que os professores com avaliações menos boas continuarão a dar as suas aulas, em nada melhorando ou piorando o ensino … Então, porquê esta balbúrdia ?
Em meu entender, resulta directamente da falta de condições psicológicas da senhora para o exercício da função de ministro. Resulta da atitude de “somos a maioria, podemos fazer o que quisermos” que desde cedo este governo trouxe a este país. Resulta de objectivos enviesados e não confessados. Resulta da agressividade e falta de respeito com que vários estratos profissionais foram tratados. Resulta de sentimentos como a raiva e o ódio. Resulta de acusações de privilégio a torto e a direito. Resulta, acima de tudo, de um posicionamento psicológico pouco estável e saudável que nunca deveria ser permitido a um político.
É que, depois, não se esqueçam, quem semeia ventos colhe tempestades. É o que se vê, sem ganhos reais para ninguém.
Se eu pudesse, se tivesse uma varinha de condão, digo-vos o que faria : nem aquela pobre senhora disfarçada de ministra, nem o seu chefe, nem o inefável e sempre em pé ministro das obras públicas, nem a maior parte dos senhores ministros e ministras deste governo lá continuariam um só dia mais que fosse. Que fossem chatear outro povo com as suas insuficiências, incompetências e obstinações. Como não tenho essa tal varinha, limito-me a pedir, por todos os deuses : não deixem este PS ter de novo a maioria absoluta. POR FAVOR.

sábado, novembro 15, 2008

ISTO NÃO É POLÍTICA, É OBSTINAÇÃO ... ou a diferença entre um político e um Messias

Nunca me filiei em nenhum partido político. Tenho horror a que me imponham uma certa opinião sobre algo. Odeio unanimismos, mesmo se sobre coisas tão simples como um bom jogo de futebol.
Dito isto, a crise Governo-Professores dos últimos tempos tem-me dado muito que pensar, no que respeita ao papel dos partidos políticos na procura de soluções para o desenvolvimento do país. Concretizo melhor : do papel dos partidos políticos portugueses.
Os partidos políticos portugueses eliminam a capacidade de pensamento crítico de grandes massas de cidadãos. A certa altura, perante um determinado problema, muitas pessoas parecem perfeitas máquinas de recitação de palavras. Já nem as entendem, vomitam-as em torrente, sempre as mesmas, até à náusea total de quem os ouve. A verdade, o interesse colectivo, já nada disso lhes interessa. Apenas conta a repetição do que diz o chefe, apenas isso lhes dará vantagem no futuro, quando o filho precisar de emprego ou ele próprio desejar um tacho dos bons.
No nosso actual panorama, apenas um ou outro militante em cada partido ousam pensar pela própria cabeça. Honra aos heróis. Quanto a todos os outros, deixaram-se transformar numa massa putrefacta de sombras acéfalas.
No Parlamento, chamam-lhes disciplina de voto. Mas quem se lembraria de inventar esta manipulação descarada e viciosa da vontade e inteligência humanas ? Como é que pudemos permitir uma coisa destas ? Que sentido faz então haver deputados de cada região ? Apenas para os poder espalhar pelas diversas comissões ?
Oiçam as declarações actuais do Primeiro-Ministro, da ministra da Educação e do inefável ministro Santos Silva. Percebam-lhes as motivações, as tácticas. Adivinhem o que vão dizer, mesmo antes de abrirem a boca. Oiçam … e pasmem.
Alguém acredita que por detrás do que dizem estão genuínos interesses colectivos da educação e do país ?
Tretas, nos seus lábios apenas consigo ler uma coisa : a defesa teimosa e obstinada dos seus próprios interesses políticos. Até mesmo quando já se percebeu que estão a dar tiros nos pés.
Esta gente não tem a percepção mínima do que deverá ser a política moderna : a arte de gerir expectativas e conflitos. Esta gente ainda continua a pensar que fazer política é impor a sua vontade a todos os outros.
Só espero que em próximas eleições o país lhes retribua o desvelo com que eles o tratam.

quinta-feira, novembro 13, 2008

UM POUCO MAIS DE COMPETÊNCIA, SRª MINISTRA !

Mas afinal como é que é esse tal malfadado sistema de avaliação que a ministra da educação quer impingir aos professores ?
Bom, vamos por partes. Não sei qual o conhecimento que o leitor tem destes sistemas. Por acaso, gastei quase três anos da minha vida profissional a estudar e mais tarde a desenvolver e a implementar um desses sistemas de avaliação, num sector também do Estado, ligado à Defesa. Penso que sei do que falo, ao contrário do juízo que faço quanto à equipa do ministério que “inventou” o sistema que tanta polémica tem dado.
Em esqueleto, um sistema de avaliação compõe-se de uma grelha de avaliação, onde os avaliados serão “encaixados”, e de um circuito de avaliação, constituído por pessoas ( os avaliadores, quem vai avaliar ) e por procedimentos.
A grelha de avaliação não é mais que um conjunto de factores de avaliação ( por exemplo, a assiduidade no trabalho, a capacidade de iniciativa, etc... ) , onde cada factor é bem caracterizado para evitar mal-entendidos e em que cada factor possui vários graus ( do tipo muito pouco, pouco, medianamente, bom e muito bom ) descritos em muito pormenor, para minorar as ambiguidades e subjectividades. Se possível, com caracterização quantitativa de cada grau, mas com muito cuidado. Os números, em muitas situações, só aparentemente são objectivos.
A grelha de avaliação é a pedra de toque de um determinado sistema de avaliação. É o elemento mais importante e absolutamente definidor da qualidade do sistema.
Não é preciso ir mais longe : no modelo do ministério, não existe uma grelha de avaliação. Impõem-se duas ou três coisas e o resto atira-se para as Escolas decidirem !!!
Brilhante ! Está-se mesmo a ver no que iria dar, não está ? Primeiro, numa carga de trabalho absolutamente monstra para os professores, ainda por cima não preparados nem sequer habilitados a identificar correctamente factores de avaliação e ou os seus graus. Depois, num universo de milhares de escolas, surgiriam certamente enormes diferenças na qualidade das grelhas e ainda mais nos seus graus, como se tornou bem patente, à medida que o processo evoluia.
Escolas houve que inventaram factores de avaliação como “Atitude o Professor quanto à aceitação das políticas educacionais do Ministério” ou ainda “Capacidade do Professor angariar apoios financeiros a entidades externas à escola”. Pérolas destas, sim.
E note-se, com os olhos arregalados, desta perfeita balbúrdia pretende-se obter resultados UNIVERSAIS, para valorizar as classificações profissionais dos professores !
Continuemos. Em factores tão difíceis de avaliar como a “performance” profissional, inventou-se a ideia peregrina de ligar a performance aos resultados dos alunos. Outra ideia luminosa. À primeira vista, até pode parecer correcta, a ideia, mas pensemos bem em todas as circunstâncias que concorrem para os resultados dos alunos e quantas dessas circunstâncias são externas e alheias aos professores. Então um professor com boas turmas seria sempre muito melhor que um com más turmas. A coisa é tão óbvia que tiveram que fazer entrar uma nova variável, ainda mais estranha a um processo de avaliação : é que a medida do sucesso ou insucesso ( ou seja os graus daquele factor ) são definidos em negociação de objectivos, entre o professor e o chefe de departamento e mais não sei quem. Ovo do Colombo, não ? Mas completamente rachado, diria eu. A universalidade de um factor de avaliação não pode tolerar graus que são definidos de forma diferente para cada professor, num universo tão variado como são as condições sócio-económicas das diferentes Escolas e a sorte ou “saber” do professor a identificar objectivos mais modestos e fáceis de atingir .
O factor nunca poderá ser “Resultados obtidos”, em meu entender, mas sim “Empenhamento e qualidade didáctica do Professor”, avaliado in situ pelos seus pares ou “superiores”.
Mas isto é elementar, até me chateia estar a escrever isto.
Bom, estão a ter uma ideia mais correcta da imensa balbúrdia nas Escolas ?
Então, lá vai outra. Para evitar a tendência que todos os sistemas de avaliação apresentam de nivelar os resultados lá em cima da escala ( e não por baixo como erradamente a ministra repete sempre ) , o ministério inventou quotas, para cada nível final classificativo. É uma Escola de muito bons professores, tudo gente com muita experiência ? Não interessa, só podem ser 3 “Excelente” e 10 “Muito Bons” … que se lixe o resto.
Bem,mas isto destrói TODA a objectividade da avaliação. Então todo o trabalho que andam a ter para isto, no fim ? Se essa é a preocupação, então qualquer sistema simples e puramente qualitativo, resultante apenas da observação das aulas, conduz a melhores resultados, com muito menos esforço. Se querem regular a ascensão nas carreiras, ponham as quotas nos lugares das carreiras ( vagas ), não na avaliação !
No final, de todo este sistema conceptualmente tão POBRE e tão complicado, na sua génese, como se pode pretender obter resultados universais ( apesar das quotas, apesar da falta de universalidade de factores e de critérios ) para majorar as classificações profissionais nacionais dos professores ?
Meu Deus, isto já não é uma questão política de se gostar ou não da ministra ou da política deste Governo do PS.
Isto é, pura e simplesmente, incompetência de toda a equipa ministerial.
Não tiro uma letra : INCOMPETÊNCIA !

terça-feira, novembro 11, 2008

A HIPOCRISIA DO PODER SEM MEMÓRIA

O secretário de Estado Jorge Pedreira comparou a avaliação dos professores a um aumento de impostos.
Tem toda a razão, o sr secretário de Estado.
Os sindicatos do sector da educação não respeitaram o memorando de entendimento que tinham assinado com a ministra, suponho eu que pura e simplesmente porque viram, na prática, que o não podiam respeitar.
O senhor primeiro-ministro comprometeu-se com os portugueses, quando das ultimas eleições, a não aumentar os impostos.
Daí a uns meses passou o IVA de 19 para 21%, ao contrário do que tinha prometido.
Mudou de opinião. As circunstâncias mudaram, explicou, mais tarde.
Aceito.
Então, o sr primeiro-ministro pode mudar de opinião e dar o dito por não dito, mas os sindicatos NÃO ? Como é ?
Ora vêem ? O secretário de Estado Jorge Pedreira tem razão.

sábado, novembro 08, 2008

APOIO À MINISTRA

Aqui estão eles, os professores, vindos de todo o País, manifestando o seu incondicional apoio à política do ministério da educação.
Bandeiras ao vento, largas faixas, inscrições em T-shirts, os profs gritam ao mundo o seu entusiasmo por várias medidas deste ministério : a criação da categoria de prof titular, com grandes aumentos de vencimentos; a redução da carga burocrática do trabalho dos profs, para melhor se dedicarem ás suas aulas; a criação de instalações dignas, em todas as escolas, para o trabalho dos profs; a introdução de um sistema de avaliação simples e universal, dotado de factores de avaliação não dependentes de circunstâncias fora do controlo dos avaliados, factores iguais para todas as escolas; alterações no futuro concurso de profs onde é nítido o respeito pela dignidade daqueles profissionais; um estatuto do aluno direccionado para restituir às escolas o controlo do ambiente disciplinar nas aulas e na escola; um estatuto do professor onde só falta uma estátua ao mesmo, como reconhecimento dos seus bons serviços, enfim , tantas, tantas medidas que seria agora fastidioso a todas lembrar.
Só vos digo que nunca tinha visto tamanha homenagem à senhora ministra. Fantástico. Merecida manifestação de apoio a quem tudo tem feito para melhorar o ensino em Portugal.
E a verdade é que os resultados este ano já foram bens melhores, como se sabe. Mesmo dando desconto aos pontos facilissimos ...
Bem haja, senhora ministra, continue, está a prestar um bom serviço à Nação !

P.S. - Aqui para nós, senhora ministra, a senhora está a ser sub-aproveitada na educação. Poderia talvez ir dar uma mãozinha ao senhor ministro da defesa, ele tem tentado fazer aos militares algo semelhante ao que a senhora tem feito na educação...

quinta-feira, novembro 06, 2008

HÁ COISAS ESPANTOSAS NESTE MEU PAÍS ...

O Governador do Banco de Portugal ( BP ) é um autêntico balão de ar. Nem mais, nem menos. Leve-me a tribunal, se quiser. Continuarei a afirmar, e a provar : é um balão e um balão caro, ainda por cima. Grande volume, conteúdo muito leve. Sempre tive dúvidas quanto àquele homem de meia-idade, com um ar estudado e afectado, mesmo arrogante. Nunca o vi fazer nada de jeito, nem no PS nem no BP, mas vi-o sempre com um ar insuportável de superioridade profissional. As únicas intervenções que lhe conheço são para recomendar a toda a gente contenção nos salários ( desde que não seja no dele, claro ! ), dizer banalidades sobre a energia nuclear ( que raio tem o BP que falar do nuclear ?? ) ou a mandar para o ar uns números macroeconómicos, invariavelmente longe da realidade. Por toda esta frenética e fecunda actividade é o referido senhor remunerado a um nível acima dos 20.000 euros mensais, mais coisa menos coisa. Nada de mais, justo e merecido.
E que mais faz o senhor, no âmbito mais “sagrado” das atribuições do BP ? Devia controlar e regular, permanentemente, a actividade de todos os bancos, obrigando-os a cumprir a lei e a não se meterem em aventuras. Em nome da garantia publica da idoneidade bancária. Pergunte-se : o BP cumpre essa missão ? Lembro apenas duas siglas, as mais recentes : BCP e BPN. Vigarices, actividades menos ortodoxas, da ordem das centenas de milhões de euros !!!!
E o sr. Vitor Constâncio ? Quedo e mudo, assobiando para o lado. Perdão, nem sei se sabe assobiar. Mas se souber, decerto que o faz em surdina, para o lado. Não quis dizer nada sobre aqueles bancos por causa da confiança do público no sistema bancário. Tipo polícia que não prende o ladrão para não assustar os cidadãos.
Enfim, é o género de pessoas que são produto de um sistema partidário anquilosado e clientelar. Quantos homens não existiriam neste País com melhor perfil para aquela função, digam-me ... Está bem, deixa para lá, conservem-o bem, craques desses valem milhões . Aqueles dois bancos que o digam.
REMÉDIO PARA A SURDEZ E A CEGUEIRA POLÍTICAS

Dir-me-ão : é da natureza do poder, as pessoas que ocupam cargos dirigentes tornam-se sempre meio cegas e meio surdas. É normal, diz o bom-senso, têm muito com que se preocupar e não podem estar atentos às vozes que lhes chegam vindas da sociedade.
Pois, será assim que é a norma, mas eu não aceito. Ninguém deveria aceitar.
Primeiro, porque não lhes pagamos para serem surdos e cegos.
Segundo, porque o poder não é deles, é nosso.
Terceiro, porque normalmente essa cegueira e surdez é só a fingir, para não terem de nos dar explicações, para poderem fazer aquilo que querem e não aquilo que nós queremos.
Nunca hei-de aceitar com naturalidade esta cegueira ou surdez. Esta prepotência.
Depois, quando as ruas extravasam e os ânimos aquecem, quando a luta se intensifica e o medo lhes sobe às almas … deixam instantaneamente de ser cegos e surdos, passam a dar explicações, são todos sorrisos e boa-vontade.
Ou seja, em termos científicos : a surdez dos governantes é uma função inversa do numero de pessoas que protestam na rua. Quanto mais manifestantes, mais apurados ficam os ouvidos dos nossos governantes, mais desbloqueadas ficam as suas vontades.
Como qualquer outra lei do mundo físico, também existem excepções : a mais evidente é quando se trata de grandes empresas e de bancos. Aí a audição e a acuidade visual dos nossos governantes é sempre excelente, não são precisas as manifestações para nada, a boa vontade para abrir os cordões à bolsa é imediata, genuína e permanente.

Esta dissertação desconchavada vem a propósito de vários problemas e litígios que existem entre o nosso governo e parte importante dos governados. Com os militares já começou a ver-se como é. Resta agora ver a próxima manifestação de professores. Não duvido que a Ministra da Educação passe logo a ouvir melhor e também a ver com nitidez o que se passa dentro das Escolas.

Convenhamos porém … não é uma tristeza que assim seja ? Não seria de esperar que esta gente a quem pagamos para administrar a coisa pública tivesse um pouco mais de consideração por quem lhes paga ? É que, por vezes, até parece que são eles que nos pagam a nós da sua algibeira …

PS – o Presidente-eleito dos EUA fez um discurso comovente, quando da vitória. Aconselho vivamente a que o leiam. No meio desse discurso, surge uma frase linda como esta ( cito do cor ) : “ Prometo que os ouvirei ( ao povo ) sempre, sobretudo quando discordarmos !”.
Perfeito.
Exactamente como por cá.

terça-feira, novembro 04, 2008


OBAMA, YES WE CAN !

Hoje é dia de esperança, amanhã são as eleições presidenciais nos EUA.
Obama e McCain vão submeter-se ao voto popular, mas o que está em jogo é muito mais que escolher uma destas duas pessoas. Os americanos vão escolher entre a esperança da mudança e a resignação de soluções ineficazes e ruinosas. Ou melhor : entre a esperança num milagre, de um dos lados, e “politics as usual”, do outro lado.
Esta esperança não pertence apenas aos americanos, perpassa por todos nós, na Europa, em África, na Ásia, por toda a parte. O Mundo também acredita na esperança, também tem fé em milagres.
Por mim, acredito que os sistemas políticos produzem de quando em vez soluções extraordinárias e regeneradoras. Acredito que Obama irá ser eleito e que um vento de tranquilidade e inteligência irá soprar daqueles lados do Atlântico.
Tenhamos esperança nos EUA ... já que, por aqui, provavelmente, continuaremos sem esperança nenhuma.

sexta-feira, outubro 31, 2008

UMA QUESTÃO DE CONTENTORES ... OU DESPREZO PELA OPINIÃO DOS OUTROS ?

Hoje vamos falar de contentores. Ou melhor, vamos falar ( uma vez mais ) de falta de vergonha e de desprezo pelos outros.
Ora bem, é óbvio que aumentar quilómetro e meio àquele cais de Alcântara cheio de contentores é uma ideia que não iria agradar a muita gente. Ainda por cima, sabendo como estas obras se eternizam em Portugal e como costumam respeitar os espaços públicos, certamente que MUITA gente iria discordar.
Pois bem, não há dramas : faz-se um decreto-lei pela calada, sem alarde, e está o problema resolvido.
Ah, mas havia um problemazito : a concessão actual ia terminar já em 2015 … como rentabilizar o investimento da expansão ? Simples, uma vez mais : prorroga-se a actual concessão por mais … trinta e tal anos, até 2042 e pronto.
Discutir o assunto com a Câmara de Lisboa ? Levar a questão à Assembleia da República ? Suscitar a discussão pública da iniciativa ? Integrar a obra num plano geral para a zona ribeirinha ? Tssss, tsss, tsss … tudo isso dá trabalho, consome muito tempo e energias. Assim é muito mais fácil.
Confesso : não faço a mais pequena ideia se Lisboa ( e o País ) lucram alguma coisa ou não em ter uma área gigantesca para carga e descarga de contentores. A única coisa que detesto é que tomem decisões nas minhas costas em relação a coisas que são também minhas. Lisboa não pertence à empresa concessionária do cais de contentores, Lisboa não pertence a este Governo, nem a nenhum Governo passado ou futuro. Lisboa não pertence ao sr. Jorge Coelho nem ao sr. Sócrates. Lisboa não é mercadoria negociável.

Quero saber :

(a) aumentar a capacidade do cais de contentores é boa política para Lisboa e para o País ou só para a firma concessionária ?

(b) em caso de ser boa ideia a expansão do actual cais, não existem localizações mais adequadas ? Tem que ser logo ali, em zona privilegiada de lazer e de fruição do rio ?

Antes me responderem a estas questões, fiz questão de ajudar a parar a “negociata” meio encoberta, assinando a petição subscrita por Sousa Tavares.

Cabe-lhe a si fazer o mesmo. Ou não, como quiser. Em qualquer caso, clique aqui para ler a petição : http://www.gopetition.com/online/22835.html

Tenha um bom resto de dia.

quarta-feira, outubro 29, 2008

SÃO COISAS ABERRANTES A MAIS, GAITA !

A verdade é que não sei para onde me virar. A realidade excede a ficção, nestes tempos. A minha capacidade de indignação é todos os dias posta à prova, a maior parte das vezes vejo-me obrigado a zangar-me em “multitasking”.
Foi o truque palerma de introduzir na proposta do OE2009 aquela aberturazita para as ofertas aos partidos em “el contado”, descoberta em primeiro lugar pelo Diário Económico (DE). Foi a história do telefonema imediato do nosso primeiro-ministro para o director do DE, explicando não sei o quê ou refilando com a “má vontade” do jornal. É o miserabilismo dos nossos empresários recusando o salário mínimo de 450 euros. São os ventos persistentes de estagnação ou mesmo retracção do crescimento económico. São as coincidências do ex-ministro Jorge Coelho ao aceitar o lugar de Presidente do CA da Mota-Engil e vai daí, meses depois, é só concessões do Governo à empresa, sejam no Douro ou no porto de Lisboa. É uma actuação destrambelhada, incompetente, ruinosa e autista do Governo no ensino secundário, na gestão dos hospitais e na rede de cuidados de saúde, no desprezo manifesto por aqueles de quem depende a segurança e a defesa. É a suprema ironia de toda a gente considerar como uma medida eleitoralista os míseros 2.9% “generosamente” oferecidos aos funcionários públicos, fartos de perder poder de compra nos anos passados, da ordem dos dois dígitos percentuais.

São todas estas coisas e mais o raio deste vento frio.

São coisas a mais, acho eu.

A continuar assim, ainda me dá um AVC, ou saio do País antes disso.
A alternativa seria inventarmos o nosso Obama, e, já agora, trocarmos também as nossas pseudo-elites por suecos, alemães ou mesmo … chineses. Lamento, mas é verdade.

sexta-feira, outubro 17, 2008

UMA QUESTÃO DE OUTROS VALORES ...

É minha convicção que a maior crise actual, pelo menos em Portugal, não é de natureza financeira. A nossa maior crise é de valores. Portugal está profundamente doente, sim, mas não é por causa do crédito mal-parado ou da falta de liquidez dos bancos : está doente Portugal porque lhe falta a vergonha, o bom senso e a simples decência de comportamentos.
Acham que exagero ? Então recapitulem comigo.

Afirmam os especialistas que a corrupção existe a um nível imenso na nossa sociedade, e que as pessoas até desculpam e perdoam a pequena corrupção. Boa, continuemos.

O PSD está a considerar a hipótese, ao que se sabe já aprovada por Manuela Ferreira Leite, de voltar a apresentar Santana Lopes para a Câmara de Lisboa... Sim, o mesmo Santana Lopes. Excelente, adiante.

Sócrates e mais 344 ministros, secretários de estado ( os ministros não são de estado ? ), directores-gerais e outros senhores importantes andaram por aí a distribuir uma espécie de computador de algibeira, destinada a putos de 5 e 6 anos, que afirmaram ser portuguesissimo e a quem chamaram ... Magalhães. Recomenda-se ao autor do nome uma releitura urgente da história da época. Para além disso, magnifico, agora é que os putos vão todos aprender a ler, escrever e a fazer contas.

Isaltino, o impoluto de Oeiras, proclamou já que vai candidatar-se de novo á Câmara. Ignora-se se ainda tem o primo na Suiça, mas a avaliar pelas ultimas dos bancos lá do sítio, o primo já não deve lá estar.

A inefável e competente ministra da educação continua na sua sanha contra o que resta de qualidade no ensino publico, parece que os professores ainda têm umas horitas semanais livres das infindáveis reuniões de avaliação de desempenho, avaliação intercalar, avaliação disciplinar, avaliação curricular, elaboração de testes para recuperação de alunos com excesso de faltas, etc, etc ... Consta mesmo que, de vez em quando, até há um ou outro professor que consegue escapar-se das reuniões e ... dá uma aulita !! A ultima invenção da senhora foi agarrar nos professores do QZP ( de nomeação definitiva numa certa área geográfica do país ) e dizer-lhes : “Meus amigos foi boato. Vocês não foram nada providos no vosso lugar, vão todos ter de concorrer para milhões de Kms das vossas casas. Se não quiserem, processo disciplinar e despedimento“.
Excepcional, continuemos a mostrar até que ponto se desceu na escala da decência e na consideração pela dignidade dos outros.

O senhor primeiro-ministro. Bem, esse confesso que ando intrigado com o homem. Estou farto de o ver e ouvir em toda a parte e declaro que nunca vi o senhor dedicar a mínima consideração a quem o interpela e dele discorda. A sua atitude automática e imediata, sem qualquer nuance de respeito, é a de violência verbal, a arrogância e a pose de mestre. A razão da minha profunda intriga é a seguinte : onde teria Sócrates ido buscar a razão para esta atitude ? Que características lhe dão minimamente suporte para esta maneira de ser ?
Mistério ... aquilo que se conhece da sua vida justificaria, isso sim, uma atitude de modéstia e de respeito pela opinião dos outros, não seria ? Afinal, entre os seus interlocutores existem pessoas muito inteligentes, cultas, academicamente bem formadas, com experiência em vários sectores profissionais ...

Chega para convencer o leitor quanto á crise de valores ?
E agora, há por aí algum Banco Central que possa dar um aval a Portugal para valores, decência e vergonha ?
Ou então, como diz um amigo meu, isto não é um problema de valores nem de política e muito menos de economia ou finanças : Portugal não passa de um imenso prostíbulo, onde pessoas se vendem e outros vão só para ver. Ah, sim, e com uma ala dedicada a doentes mentais.

domingo, outubro 12, 2008

VOLTA Dª BRANCA, ESTÁS PERDOADA ...

A sensação claramente dominante neste momento é a impotência.
Um pouco por todo o Mundo as pessoas interrogam-se e receiam o futuro próximo.
É nítido que ninguém sabe exactamente o que fazer.
É nestas alturas que mais me interrogo sobre a verdadeira dimensão do homem actual e da sua fé um tanto infantil em instituições e organismos ditos idóneos.
Pessoalmente, como qualquer pessoa pode verificar se ler as minhas notas dos ultimos anos, a realidade actual não me surpreendeu nada. Há muito que em mim morreram as ilusões e a candura, há muito que deixei de acreditar no Pai Natal. As entidades ditas responsáveis sempre conviveram alegremente com todas as trafulhices que o submundo financeiro inventou, nestes ultimos anos. Alguém conhecedor destas realidades pode afirmar que foi apanhado de surpresa ? Então porque é que ninguém mexeu uma palha ? Sabem explicar ?
Eu sei : cumplicidades, conivências, interesses próprios ou de amigos ou de grupo.
Há muito tempo que eu explicava a economia financeira dos tempos correntes aos meus amigos como sendo uma versão gigantesca da Dª Branca. Alguns não me acreditavam, pensavam que eu exagerava, então aquelas venerandas instituições e aqueles competentes senhores alguma vez iriam deixar isto acontecer ?
Pois. Então onde estão agora todos esses ilustres garantes da idoneidade das operações financeiras ?

E agora, perguntamo-nos todos, os “especialistas” e os outros, que fazer ?
Agora há que restaurar a confiança, dizem-me.
Mas confiança em quê e em quem ?
Não percebem que essa é a grande questão ?

PS - Já pensaram quem seria que andava a especular com o petróleo, imediatamente antes de estoirar esta crise ? E porque o andariam a fazer ? É que eu acho muito interessante que ninguém fale agora da correlação entre as duas coisas ...

segunda-feira, setembro 15, 2008

NÃO HÁ CORRUPÇÃO : HÁ APENAS AMIGOS QUE SE AJUDAM UNS AOS OUTROS, NÉ ?

Vivi intensamente o PREC, de 1974 em diante. Não vou entrar em detalhes,mas vivi-o por dentro. Nessa altura, eramos todos frequentemente confrontados com posições políticas muito radicais, a que chamavamos esquerdistas, denunciando tudo e todos. Para essa gente radical, só existiam em Portugal eles, os puros, e todos os outros eram ou corruptos ou fascistas.
Por formação e carácter, sempre recusei essa abordagem. Também nunca fui grande adepto das teorias conspirativas e dos arautos das desgraças cataclísmicas. Sempre achei que a realidade era, por natureza, moderada e que a percentagem de casos de corrupção e de falta de honestidade eram mínimos.
Pois bem : nestes dias que correm, a pouco e pouco, vou-me sentindo envolto numa atmosfera irreal de manobras sujas, atmosfera quase invisível, dando a ideia de que já ninguém liga muito a estas coisas. Ou que a corrupção e o roubo são coisas comuns que não vale a pena investigar e punir.
Viram aquele caso do burocrata do desporto ( chefe da missão olímpica e tudo !! ) que se amerezendou com uns dois ou três vencimentos, carros e eu sei lá que mais ?
Tchiiiiiiiiiiii, e o desgraçado do sujeito diz que em seu tempo vai esclarecer tudo !
A seu tempo ? E ele é que diz quando é que decide explicar-se ?
Sabem o que eu acho, por vezes ?
Vai sair bronca, já aviso.
Então é assim : á semelhança do que tem vindo a suceder com o consumo de drogas, com a homosexualidade ( e com os casamentos homosexuais) , com a ausência da prisão preventiva, etc ... não me admiro nada, mas mesmo nada, que daqui a alguns anos seja descriminalizada a ... corrupção.
Desde que seja para uso pessoal, bem entendido.
Não acreditam ?

quinta-feira, setembro 11, 2008


OS NOSSOS ORÁCULOS DE DELFOS


Os americanos ( leia-se made in USA ) nem sempre são modelo de comportamento para ninguém. Ou mesmo raramente o são.
Dito isto, note-se como o banco central americano ( o Federal Reserve ) e o Banco Central Europeu ( BCE ) tem tido comportamentos diferentes, com resultados também bem diferentes.
A economia americana apresentava, como a europeia, indicadores de fraco crescimento económico, receios de estagnação ( crescimento nulo ) ou mesmo recessão ( crescimento negativo ), sinais de inflação, sobreendividamento das famílias, forte especulação no imobiliário com o desmonoramento financeiro desse sector. Na Europa, o senhor Trichet, á frente do BCE, fiel como um cão aos estatutos do Banco que mandam privilegiar o controlo da inflação, vá de fazer subir a taxa de juro, uma, duas e mais vezes, estando actualmente nos 4,25%. A ideia é que o alto preço do dinheiro desincentive o consumo ( e o investimento, pergunto eu ? ) e logo, por essa via, faça baixar a inflação. E o senhor persiste nisto há mais de um ano.
Bem, e fez ? A inflação foi contida ?
Não, como se sabe. E a economia ressentiu-se, claro, e sucedem-se as revisões em baixa para o crescimento no espaço europeu.
Alguém se chateou com isto, alguém questionou o sr. Trichet porque é que a sua teimosia está a dar tão maus resultados ?
No outro lado do Atlântico, o Federal Reserve fez exactamente o oposto, baixou corajosa e progressivamente a taxa de juro, embaratecendo o dinheiro. O Governo Federal, numa atitude sem precedentes a esta escala, introduziu no circuito recentemente milhares de milhões de dólares, tomando conta das duas maiores imobiliárias ( financiadoras ) do país.
Resultado : os indicadores económicos nos EUA começaram milagrosamente a recuperar ( enquanto os nossos se afundam ) e a inflação não disparou coisa nenhuma, quedando-se no mesmo patamar.

Então, quem fez melhor o seu papel ?

Moral da história : a economia, como ciência, é uma treta. Nunca vi uma ciência apresentar panaceias diferentes para a mesma situação. E não me venham com a conversa mole dos diferentes objectivos e estatutos dos dois bancos centrais, porque estatutos há muitos e mudam-se quando é preciso. A economia usa e abusa de modelos que me parecem obsoletos para fenómenos como a inflação, o crescimento, a bondade ou não do consumo interno no crescimento, etc ... A realidade, ano após ano, ridiculariza muitos desses modelos, mas os senhores do establishment fingem que não percebem, assobiam para o ar ou para o lado e continuam a dizer e a fazer as mesmas coisas, vezes sem conta.
Quem se lixa, sempre ? Eles não, são muito bons e muito bem bem pagos !

A hipocrisia e o faz de conta são a pior praga dos países desenvolvidos nos nossos dias, não acham ?

quarta-feira, setembro 10, 2008

O ENSINO, AS ESTATÍSTICAS E OS JORNALISTAS E POLÍTICOS

Hoje vieram a lume estatísticas do ensino compiladas pela OCDE. Os nossos jornais, cumprindo a sua missão, desataram a publicar títulos meio escandalizados meio perplexos, porque uma dessas estatísticas revela que em Portugal, o numero total de alunos de todos os níveis de ensino divididos pelo numero total de professores conduz ao valor de 8 alunos por professor, dos mais baixos existentes no espaço da OCDE.
Baralhação total : começaram aí os nossos jornalistas a tecer considerações, espantando-se que esse numero seja tão baixo enquanto que, ao mesmo tempo, o racio do numero de alunos por turma seja tão elevado ! Um deles ( desses jornalistas ) comenta mesmo que tal se poderia entender se os nossos professores trabalhassem pouco, mas um outro indicador divulgado sustenta precisamente o contrário ! Óh espanto ! Óh maravilha das estatística !
Então ? Em que ficamos ? Porque é que então, entre nós, existe um racio tão baixo de alunos por professor ? Há alunos a menos ? Há professores a mais ? Hummm ... que acha, leitor ?
Uma pista ... professores a mais, provavelmente, mas a mais em relação a quê ?
Que tal pensar que, na estrutura do nosso ensino ( e em quase todo o mundo, com excepção dos níveis etários mais baixos no ensino ), a cada disciplina/cadeira corresponde um professor ? E se há professores a mais, muito provavelmente, é porque o numero de disciplinas/cadeiras individualizadas é muito elevado, em média ? Idem para as respectivas cargas horárias semanais ? Que tal fazer as contas por aí ? Numero de disciplinas, carga horária de cada disciplina, numero de horas nos horários dos alunos,etc ... ?
Dito de outra forma mais simples : se o leitor agarrar em duas turmas de alunos, uma nos EUA e outra em Portugal, se a turma americana tiver uma carga horária semanal igual á portuguesa mas com apenas 7 disciplinas, enquanto a portuguesa tem 10 disciplinas, cada uma dessas disciplinas exigindo um professor diferente, em qual dos sistemas é que vão existir mais professores ? Qual dos sistemas dará um racio de menos alunos por professor, hem ? E já reparou, neste exemplo, que a turma americana até poderá ( e tem, por norma ) ter menos alunos que a portuguesa ?

Não seria honesto fazer primeiro essas contas e tentar perceber depois os tais 8 alunos por professor ? É que, se desligarmos esse indicador destes outros valores, ele não vale nada, porque não está relacionado sequer com o numero de alunos que cada professor, em cada momento, tem diante de si ao mesmo tempo para lhes ensinar algo ( a turma ) ...
Nestas coisas como em outras, exige-se seriedade na análise dos valores e não aquilo que se vê neste nosso país que é esgrimir estatísticas para tentar ter razão e atirar poeira aos olhos dos outros. Ou então, ignorância e/ou falta de hábito de raciocinar.

PS : as especulações por mim efectuadas neste comentário NÃO foram precedidas de nenhum estudo sobre a maior ou menor diversidade das matérias existentes nos currículos dos diferentes graus do nosso ensino. É apenas, como dizem os americanos, um “educated guess”, um palpite com o mínimo de ponderação.
Claro que poderíamos igualmente falar na taxa de horas úteis lectivas nos horários dos professores, claro que teríamos também de averiguar quem executa as actividades burocráticas e administrativas nos restantes países da OCDE ( em Portugal, muitas são feitas pelos professores ), claro que ... muitas outras coisas. Mas aposto que aquilo que lhes indico como possível razão é um bom principio de estudo !

sexta-feira, agosto 29, 2008

ACABAR COM A DESCOORDENAÇÃO ... DESCOORDENANDO AINDA MAIS !

Existe a PSP, com o seu Director Nacional, a GNR, com o respectivo Comandante Geral, a PJ mais o Director também Geral ou Nacional, o SEF , com o seu responsável máximo, o Gabinete de Coordenação da Segurança, com um General do Exército, o Ministros da Justiça, que tutela a PJ, o Ministro da Administração Interna, que manda na PSP e GNR , o Procurador-Geral que não se sabe em quem manda mas que usa a PJ ... e, pelos vistos, nenhuma destas Entidades coordena nada, nem há troca de informação nenhuma entre as mesmas, é agora preciso inventar uma outra Entidade ao lado destas todas que se chama o Secretário-Geral da Segurança, com a categoria de Secretário de Estado !

Brilhante. Excepcionalmente bem visto. Perante uma situação de descoordenação óbvia, por excesso de protagonistas, falta de linhas claras de comando, responsabilidades sobrepostas e desfuncionalidades flagrantes ... responde-se com a criação de uma nova instância, com funções dúbias e categoria hierárquica manifestamente insuficiente.

Neste meu País ainda se vê disto todos os dias : aquilo que qualquer aprendiz das artes da organização aprendeu é desprezado pelos homens e mulheres que elegemos para nos governar.
Aquilo que em qualquer País decente já existe há séculos, uma base de dados criminal partilhada por todas as Forças de Segurança, entre nós ainda não existe, apesar de já prevista em legislação anterior a esta em vários anos.
Agora, sim, com um senhor Juiz Conselheiro escolhido para o novo cargo ( seja quem for a pessoa em concreto ) , essa situação vai mudar : todas as polícias vão passar a funcionar coordenadamente e a informação vai estar ali prontinha e à mão de quem dela precisar !

Bem visto, meus senhores. Assim dá gosto ser eleitor e cidadão neste País.

sexta-feira, julho 04, 2008


OBRAS EM CASA ?
Ando há meses ( muitos ! ) a fugir do momento em que tenho mesmo de fazer obras em casa. Preciso de pintar paredes e tectos, gostava de colocar pavimento flutuante, queria aproveitar para mudar os mosaicos da cozinha e, já agora, os armários todos da mesma cozinha. No fundo, nada de complicado, dito assim.
O problema é que tenho a casa cheia de móveis e bugigangas e as obras vão obrigar a mudar tudo de sítio, tipo puzzle, enquanto que eu serei obrigado a emigrar, ainda não sei bem para onde. Esta perspectiva aterroriza-me, comodista que sou e amante do meu bem-estar primário. Terei de ir para casa da minha filha, entretanto ? Vou para um hotel ? E tirar aqueles livros todos das estantes, para as poder mover ? E a bonecada, tipo bibelots ? Oh que ganda seca !
Que me dizem a isto os leitores ? Sugestões ? Críticas ?
Alguém me quer acolher ?
Eh eh eh eh ...

sábado, junho 28, 2008

ENVELHECER NUM MUNDO DECRÉPITO

Faço hoje 65 anos. Não faço ideia nenhuma como aconteceu isto, não me lembro de nada, ainda ontem andava no Liceu. Se querem saber, acho que isto é um sonho, ou melhor, um pesadelo. Quando acordar, tudo estará na mesma e eu terei 40 e tal anos, se tanto.Pode lá ser, tantos anos, sessenta e cinco ! Se for verdade, é uma grande injustiça. Que chatice, ainda por cima sou obrigado a festejar. Festejar ?? O quê ? Ter chegado aqui e não ter morrido antes ? Mas isso deve ser festejado ? O que há para festejar, esta minha idade é a velhice, a idade em que ficamos transparentes, até as mulheres nos sorriem e tudo, dizendo com os olhos que velhote simpático ... Mas há mais, muito mais.Chega um homem a esta idade e o que vê ? Um mundo bonito, feliz, onde se possa descansar tranquilamente e deixar a velhice entrar em nós ?Não, o que vejo á minha volta é um mundo doido, desgovernado, um mundo em regime de pilhagem acelerada.O petróleo nos 140 dólares, 71% das ordens diárias de compra são especulativas e todos encolhem os ombros; o Oceano Ártico em degelo acelerado, teme-se que este Verão se derreta a fina camada de gelo sobre as suas águas e ninguém faz nada ; a Siemens diz que vai despedir 15.000 pessoas e todos pensam "não é nada comigo" ; no Zimbabué, o ditadorzeco faz o que quer, corre com a oposição vencedora e a ONU nem sequer um papel consegue escrever ...Aparentemente, ninguém, nenhum Governo, nenhuma organização pode ou quer fazer nada. NADA. Mas para que pagamos nós a estes gajos todos se nenhum deles resolve seja o que for ? É como se tudo fosse inevitável. Como se já estivéssemos todos condenados. É desesperante, porra, chega um homem aos 65 anos e o que vê é um mundo de interesses, um mundo de dinheiro e ganância, um mundo sem deus, nem esperança nem amanhã. ...Sabem uma coisa ? É pela negativa, bem sei, é egoismo, também, mas que hei-de fazer ? A ideia é perturbante ( tenho uma filha e gente de quem gosto ) mas tentadora : chegar á velhice num mundo destes talvez nem seja mau de todo. Menos coisas lamentamos perder, menor será a dor da partida.
PS - que ideia parva esta minha última ... desculpem-me, é a esclerose a atacar !

sexta-feira, junho 20, 2008

A DESGRAÇA DA CLASSE MÉDIA

Nos ultimos anos, quando se fala em políticas sociais, tornou-se moda virar a atenção exclusivamente para “os mais desfavorecidos” ou para “os sectores mais vulneráveis”. Á partida, parece uma boa ideia, os ricos não têm problemas e os assim-assim podem bem com esta ou aquela subida de preços.
Oferecem-se rendimentos mínimos a quem pouco tem, garantem-se subidas nas pensões abaixo de um certo valor, beneficiam-se os juros de quem tem rendimentos abaixo de um certo limiar, oferecem-se benefícios aos pescadores, depois aos camionistas, em breve aos taxistas, sei lá a quem mais ...
Parece tudo justo, não parece ?
Mas é um jogo perigoso. Quem define as fronteiras ? Quem decreta “tu precisas, tu não precisas” ? Que espécie de justiça é esta que exclui milhões de pessoas, pressupondo á partida que estão e ficam bem, que podem suportar os custos ?
De há muito que sucessivos governos brincam aos robins dos bosques, mas este então tem sido fértil nesta perigosas e demagógicas políticas pseudo-sociais.
A verdade é que os estratos populacionais ditos da classe média estão cada vez mais empobrecidos, cada vez mais esquecidos. A verdade é que esta forma de olhar a sociedade é falsa e, no nosso caso, apenas proporcionou cobertura política a um desenfreado processo de sobre-enriquecimento das classes médias-altas e altas. Como contraponto político, como que para fazer esquecer o “gamanço” desavergonhado, lá vinha o interesse pelos “mais desfavorecidos”. Reparem bem, por exemplo, como Sócrates se defende quando o criticam por governar á direita ... Lá salta o complemento ás pensões mais miseráveis, lá aparece o abono de família, etc ...
Rejeito uma política social feita de migalhas, feita de mentiras, onde os muito pobres são apenas mantidos no limiar da fome e toda a outra gente da classe média é esbulhada em nome do sobre-enriquecimento dos poderosos.
Chega de mentiras e de hipocrisia. Chega de roubos, é isso que tem acontecido.
Quero uma sociedade onde todos possam ter dignidade, onde todos possam ter uma vida razoável, onde os imensos lucros das petrolíferas sejam taxados e essas taxas sejam colocadas ao serviço de todos e não só de pescadores, taxistas e camionistas.
Chega, estou farto de ser considerado como condenado a estiolar e a esperar que acabe por ser considerado, no fim da minha vida, como “sector mais desfavorecido” ...
Que é, afinal, o que nos espera a todos se não quebramos esta política anti-classe média, levada a cabo por aprendizes de feiticeiro ao serviço dos grandes interesses.

quarta-feira, junho 11, 2008

AS SOLUÇÕES HABILIDOSAS DESTE GOVERNO !

Vejam só esta maravilha : que medidas propôs o Governo à ANTRAM e aos outros transportadores para desbloquear as acções de paralização que, como sabem, têm como origem o preço exorbitante dos combustíveis ?
Entre outras, relacionadas com a dedução dos custos com o combustível em sede de IRC, o Governo propôs-lhes a introdução de uma fórmula automática que aumentará o preço a cobrar pelos serviços de transporte em função do custo do gasóleo !
Boa ! Bem visto !
Ou seja, se porventura o leitor ainda não percebeu : o Governo aplacou os transportadores deixando-os atirar automaticamente os aumentos do gasóleo PARA CIMA DE NÓS !
Brilhante. Devia ser esta a solução a que Sócrates aludia ontem, ao afirmar que a ajuda a prestar aos sectores prejudicados não poderia por em causa o bem colectivo.
Pois, assim também eu resolvia bem os problemas todos : atirava sempre os custos para cima de nós.
Cabe então aqui a pergunta : e nós, simples cidadãos, que podemos fazer para defender os nossos direitos ? Que estradas podemos cortar ? Que abastecimentos podemos interromper ?
Só vejo uma solução : podemos interromper o fornecimento de votos a um Governo como este. Bem o merece.
‘Bora fazer isso ?

sábado, junho 07, 2008

A QUEM INTERESSA A ESPECULAÇÃO NO PETRÓLEO ?

Para que serve lamentarmo-nos sobre a escalada vertiginosa do preço do petróleo ? Porque é que algumas pessoas só agora descobriram o mundo miserável em que vivemos ? Porque é que, durante tanto tempo, essas pessoas distraidas desculparam e entenderam os arautos do neo-liberalismo, os feiticeiros dos mercados pseudo-livres ? Porque é que, desde há muitos anos, presenciámos cenas vergonhosas nos mercados financeiros com um encolher de ombros ?

Saberão os leitores que, neste momento, circulam nas águas de todo o Mundo, gigantescos petroleiros carregados de crude, a aguardar o seu destino, sem saberem muito bem a sua rota final, a aguardar pela indicação do comprador ? Saberão os leitores que a mansa tremenda de investidores financeiros não produtivos ( não criam realmente nada, a unica coisa que fazem é comprar, contribuir para a elevação dos preços e vender, depois ) se atiraram ao petróleo como um bando de gatos a bofe, comprando quantidades tremendas e esperando, apenas, até que dois dias depois o vendem com o lucro líquido de milhões de dólares ? Essas compras fictícias ( porque esse bando não quer o petróleo, realmente ) reduzem a quantidade de petróleo disponível, fazem aumentar os preços e depois ... é só vender !

Mas então, dirão os leitores, se o processo é esse – é-o sem duvida, em grande parte da realidade ! – não seria relativamente fácil acabar com essas compras especulativas de petróleo, num mundo de gente séria ? Por exemplo, aceitando apenas compras de petróleo a pessoas credenciadas, representantes das refinadoras ? Por exemplo, taxando muito fortemente as mais valias provenientes desta especulação com o petróleo ?

Claro que sim. Então porque não é feito ?

Ah, caro leitor, aí somos conduzidos para o que de pior o ser humano possui. No mundo moderno, pouca gente se move pelo interesse comum, como se calhar já percebeu. E então, o que tem isso a ver com o petróleo ?
Tudo.
Quem se poderia opor a estas especulações com o petróleo ?
Os governos, claro, e os organismos internacionais, também.
Mas quer saber uma coisa, leitor ? São esses mesmos governos e organismos que estão a ganhar milhões, também, com estes preços do petróleo. E as refinadoras. E as distribuidoras. E as grandes empresas de comercialização. E as cleptocracias normalmente no poder dos países produtores de petróleo. E os outros países produtores de petróleo. Toda esta gentinha anda deslumbrada com este acréscimo gigantesco de receitas, caramba !
Já viu alguém, caro leitor, dar tiros nos próprios pés ? Acha que os governos vão fazer algo contra isto ? Ahhhhhhhhhhhhhhh .....

Sabe, leitor, qual seria a unica coisa a obrigar os governos – todos os governos – a intervir nesta matéria ?
O mesmo de sempre. Todos nós, as vítimas, unidas e furiosas, nas ruas a gritar contra eles. Todos nós a dizer claramente que não queremos aceitar este jogo sujo, viciado.
Todos nós a gritar, ao mesmo tempo : “PAREM A ESPECULAÇÃO, JÁ !”
De outra forma, todos os Sócrates do Mundo vão permanecer surdos e cegos, acredite.
Afinal, eles nem sequer andam nos seus carros e ainda recebem uns milhõezitos adicionais para os seus orçamentos ...

terça-feira, junho 03, 2008

MITOS E MENTIRAS

Os hábitos actuais de vida e de comunicação em sociedade estão completamente cheios de meias-verdades, falsidades, lugares comuns e mitos. Não conheço o panorama dos outros países europeus, mas quanto a nós, nunca imaginei que se pudesse DESCER tanto na escala da qualidade.
Querem ver algumas preciosidades ?

- O mito das médias europeias. ( a má estatística como mentira ao serviço da ilusão )
Nos ultimos tempos, em tudo o que é meios de informação e sobretudo a nível do discurso laudatório do Governo, são usadas todos os dias comparações dos preços praticados em Portugal com as médias europeias. Ah, a gasolina não é das mais caras da Europa ... afinal é só 20 e poucos cêntimos mais cara que em Espanha.
Os bens alimentares não subiram tanto em Portugal como no resto da Europa.
Um bilhete de cinema em Portugal não é caro, é igual ao de Paris ...
E por aí fora.
Quem usa estes indicadores está a fazer passar gato por lebre, está a querer enganar os portugueses. São mentiras ! São balelas ! A gasolina em Portugal para estar ao mesmo preço da França ou da Alemanha teria de ser MUITO mais barata ! Não me interessa o valor absoluto dos preços, interessa-me sim o esforço financeiro que tenho de fazer para comprar essas coisas, com os salários portugueses. Os preços não deviam ser comparados em valor absoluto mas sim corrigidos em função dos índices de poder de compra !
Assim, não vale !

- O mito do populismo. ( a tentativa de calar a verdade pelo agitar de um chavão )
Os gestores portugueses das grandes empresas ( sector privado e do Estado ) auferem vencimentos totalmente desproporcionados aos dos restantes sectores da vida nacional ? Populismo ... populistas é o que estes gajos sabem ser ! Que é que queriam ? Que deixássemos fugir os melhores gestores ? Que lhes oferecessemos tuta e meia ?
A sociedade portuguesa é das mais desequilibradas da Europa, as diferenças são colossais entre sectores populacionais ? Lá vem o Paulinho das Feiras outra vez ... que querias tu ? Que alinhassemos pelo cavador alentejano ? Ai estes populistas !


- O mito da responsabilização indevida ( a tentativa de evitar vozes críticas )
Então o gajo é do nosso Partido e nada pr’aí a dizer umas coisas contra o nosso Governo ? Eh pá, o gajo é indecente, é um irresponsável. Há que estarmos unidos nesta fase dificil. Temos a razão do nosso lado, não endireitamos aquela coisa do déficit ? Que mais queriam estes gajos ?

- O mito do défice público. ( a grande desculpa do neo-liberalismo bacoco )
Provavelmente, este é o maior dos actuais mitos. Lembro-me de que,com Cavaco, na época do “betão” das autoestradas, o défice chegou a ser de 9%. Era preciso investir, andar para a frente. Era o chamado défice virtuoso.
Depois, o Euro veio impor o limite máximo anual de 3%, para que a solidez da moeda fosse constante e credível. Agora, só por causa disso, inventou-se a teoria económica da bondade do défice pequeno ou nulo. Já não há défices virtuosos, todas as medidas são boas para atingir os 3% ou menos. É preciso baixar os rendimentos do trabalho dos funcionários públicos ? Baixem-se. É preciso cortar nos custos da defesa e da segurança interna ? Corte-se, os gajos que andem menos de carro e de avião e de navio ! É preciso estrangular os profs ? Fechar umas maternidades e centros de saúde ? Faça-se !
O importante é o défice pequeno, mesmo que já não exista povo para o admirar !

-O mito da indispensabilidade dos partidos políticos. ( ai que vou levar dos democratas todos ... )
Os partidos políticos são indispensáveis à democracia, sem eles seria o populismo, o caudilhismo, a anarquia. Sim, está bem, aceito que tenham um papel importante na sociedade.
Mas não estes que temos.
Estes que temos são uma merda, desculpem. Repositórios dos piores tiques da nossa vida actual. Inchados e putrefactos de carreirismo, de nepotismo, de oportunismo. Vi-os nascer e hoje não são uma sombra do que já foram. Nunca foram organizações isentas de mácula, claro, mas hoje ...
Estão tão desacreditados, hoje, os partidos políticos que sempre que algum dos seus líderes locais é impedido de concorrer a eleições em nome desse partido, por motivos de ética política ou moral ... acaba por ser eleito como independente. Lembram-se do Major, da Fátinha, do Isaltino ? Pois é ... Os partidos mentiram e aldrabaram tantas vezes os portugueses que agora já não adianta, já ninguém acredita neles, mesmo quando têm razão.

Poderia continuar ad-infinitum. Mas já estou cansado, é muito deprimente escrever sobre estes temas. Deprimente ... e populista !

sexta-feira, maio 16, 2008

DA CRISE MUNDIAL Á ASAE, TUDO É SURREALISMO PURO !

Quando reflicto um pouco sobre a forma como a vida económica está organizada, neste nosso mundo moderno, acabo sempre por ficar com uma sensação de fúria e de impotência. Mas também fico sempre com a ideia de que tudo isto é surreal, de que ninguém sabe muito bem como é que a coisa funciona nem o que vai acontecer num futuro próximo.
Há crise ? É o sector financeiro ? Há especulação com o petróleo e com os cereais ? Há tipos, grupos, empresas a usar o petróleo e o arroz como quem compra e vende acções ? Quem está a provocar o quê ? O mercado funciona mesmo livremente ou é apenas uma grande balela, todos estas variações são provocadas pela mão humana ?
É que, ao acompanhar diariamente estas odisseias, surge-me sempre a sensação de inevitabilidade, como se nada pudesse ser feito para evitar estes descalabros. Então foi este caos completo a que o neo-liberalismo nos conduziu ? Onde estão agora os arautos da desregulação e da liberalização ? A menos que estejam a comprar e vender arroz e trigo ...
Bom, mas voltemos ao assunto : então não se pode fazer nada ? Vamos assistir a fomes, desempregos, misérias várias, com um encolher de ombros ? Vamos continuar a tolerar a rapinagem, a podridão, a corrupção sem limites, a especulação desenfreada ? Oh, triste condição a de ser lúcido e impotente, antes não perceber nada do que se está a passar...
Pois bem, no meio de tudo isto, prossegue a actividade imbecil da ASAE. Imbecil porque paranóica e cega. Como se vivessemos num mundo a caminho da perfeição. Como se os nossos problemas fossem as colheres de pau ou o sistema H não-sei-quantos da gestão da refrigeração dos alimentos. Um destes dias, aplicaram uma coima de 15.000 e tal euros a um desgraçado dono de um barzito algures neste Portugal maluco ... Ahhhhh, mas afinal parece que foi engano, não era bem aquilo ...
Meu Deus, já não há paciência para aqueles tipos.
Já nem sei porque fui agora buscar a ASAE.
Talvez porque pior que sofrer todas estas convulsões da economia mundial seja aturar as diatribes e prepotências dos pequenos títeres, de ares vagamente mussolinianos, cheios de um afã enorme de mostrar serviço e prosseguir carreira ...

quarta-feira, maio 14, 2008

NINGUÉM TRAVA ESTES GAJOS ?

Leitor, aqui fica o aviso, muito sério : o capital financeiro ( e algum do outro, também ) perdeu totalmente a inibição e a vergonha e os mecanismos de controlo estão a revelar-se incapazes ou inexistentes. Uma enorme avalanche de desgraça e miséria está ( e ainda vai piorar ) a abater-se sobre todos nós. Não sei em que momento estes gajos tomaram o freio nos dentes, em Portugal e no resto do Mundo, mas o ataque é frontal, descarado e sem tréguas. Todas as frentes de ataque foram abertas, os homens sem rosto estão a armadilhar completamente os nossos caminhos : os juros sobem diariamente, as matérias primas principais também, a inflação começou o seu ciclo vicioso, a extorsão é vertiginosa.Notem isto, a título de exemplo : os lucros da BP em Portugal, no 1º trimestre deste ano, cresceram 63% em relação ao trimestre homólogo de 2007. Hem, nada mau, hem ? O aumento do preço do petróleo é tanto e ainda dá para este acréscimo de LUCROS ? Não é óbvio ? A matéria prima sobe 10 e eles reflectem 20 no consumidor !!
Não há mesmo nem vergonha nem quem os obrigue a tê-la.
Estamos entregues aos bichos.
QUEM VAI TRAVAR ESTES GAJOS ?

domingo, maio 11, 2008


OS SALVADORES E OUTROS ARTISTAS

Hoje está um daqueles dias estranhos, cinzentos e infelizes.
Ainda por cima, acabei de ler o PÚBLICO, o que significa que fiquei com um nó no estômago. Há dias assim, cinzentos por fora e por dentro.
Já repararam como vai o mundo ? Zimbawé, Myanmar, para os que gostam do exotismo e da aventura, o nosso Portugal, para os mais comodistas que preferem a excitação local.
Traço comum ? O despudor, a inesgotável sede de poder, a enorme capacidade de avidez e rapinagem do ser humano. Descanse o leitor, não irei fazer nenhuma teoria geral da podridão humana. Apenas notar, uma vez mais, o que a ganância provoca no género humano.

Por cá, neste pequeno circo doméstico, nem sequer o pecado é grandioso. Como sempre, limitamo-nos a uma espécie de loucura mansa, tipo regresso de Santana Lopes-III ou o tabú de Alberto João Jardim.
Pior, sem dúvida, é a espécie de benemerência compulsiva de salvação nacional em que Sócrates se especializou. Não sei quem convenceu aquele ilustre senhor dessa sua qualidade, mas não há dia que passe sem mais uma das suas medidas salvadoras.
Indiferentes à salvação, obviamente distraidos, cada vez é maior o número dos novos pobres da classe média que não podem mais pagar as suas casas, ou uns litritos de gasolina para a carripana em segunda mão.
Medidas mal explicadas ao povo, sugerem os bem intencionados que acreditam em Sócrates...Pois, comento eu : como é que raio vão explicar a essa gente o que lhes está a acontecer ? Acham que eles vão aceitar as explicações ?

Tenha um bom resto de domingo, leitor. Se puder, emigre e ponha-se a salvo destes salvadores.

segunda-feira, maio 05, 2008

PARA QUE RAIO SERVEM AS NOSSAS VIDAS ?

Qual é o sentido das nossas vidas ?
Atingir aqueles grandes objectivos profissionais com que sonhámos, quando jovens e ingénuos ?Alcançar a riqueza e o bem estar material ? A notoriedade, a fama ?Praticar o bem, espalhar a ajuda e consolação ?
Qual é o sentido profundo da nossa vida ?
Ah, queriam uma resposta, não era ? Pois, também eu. Queriam, mas não vão ter essa resposta.
Ao fim destes anos todos, apenas vos sei dizer assim : se quisermos uma resposta, cada um de nós tem que a descobrir. Não há uma resposta padrão, acho eu.
Nem mesmo uma daquelas respostas vazias tipo "o nosso grande objectivo é concretizar a felicidade", porque então a pergunta aí muda e passa a ser : "O que é a felicidade ?".
Estão a ver o imbróglio ? Não há ajudas, a tua resposta não serve para mim e a minha não te vai satisfazer.

Para mim, o sentido da minha vida muda como o vento ou a temperatura.
Tempos houve - parvo que eu sou - em que pensei que o amor fazia sentido, o amor podia ser tão forte que desse significado á minha vida.
Depois, as coisas mudaram e passou a ser a política : toda a minha vida ganhava cor e sabor se ajudasse á mudança, á criação de uma sociedade mais justa e fraterna. Tretas, de novo : vi pessoas passarem de pobres dignos a novos ricos mais miseráveis que antes. Vi a minha incapacidade e ineficácia nessa tarefa gigantesca de antecipar o tempo, de mudar pessoas e comportamentos. Desisti, confesso, entrego ao tempo a mudança.
Houve também um tempo para me sentir místico, religioso, para entrar e me sentar numa qualquer igreja e ali estar, sentado, calado, tentando ouvir ou ver a verdade ou a bondade ou fosse o que fosse.
Tentei as artes, a literatura, as engenharias, a informática. Nada.
O prazer, o sexo, a boa comida. Que sentido pode existir nisso tudo ?
Também passei pela guerra - embora essa não tenha sido escolha minha - essa grande mestra da natureza humana e das grandezas e indignidades a ela associadas.
Nada me deu respostas. Continuei sem saber muito bem o que ando para aqui a fazer.
Bah ... tornei-me cínico, claro.
Agora, vou ajudando a minha filha nos inevitáveis desaires da sua vida, vou ajudando uma ou outra pessoa minha amiga, mais por incapacidade de fuga do que por vocação missionária, creio eu.
É este o sentido da minha vida ? Ou, pura e simplesmente, não haverá sentido nenhum para as nossas vidas e elas devem ser vividas descontraidamente, sem preocupações de chegar a lado nenhum ?
Ou, por outro lado, o grande sentido da vida está nas pequenas coisas como ouvir o miado matinal de saudação da minha gata ou dar um abraço a um amigo, borrifando-me totalmente para os grandes e poderosos e para as suas ridículas manias de salvadores do mundo ?
Gosto desta.
O sentido da vida está no sabor das pequenas coisas.
Fiquem-se com esta.

segunda-feira, abril 28, 2008

A ESPERANÇA E A PRODUTIVIDADE

Ser dinheiro antes de ser humano, ter olhos em cifrão, vender fome e morte a baixo custo. Inventar deuses inexistentes ou irresponsáveis. Alienar principios, bondade, verdade.
Correr depressa, sempre cada vez mais depressa , fomentar sempre a competição. Fabricar perdedores obrigatórios. Crescer sempre para ganhar.
Produtividade, religião moderna : vamos todos para a China , lá trabalha-se muito e come-se pouco, apenas uma malga de arroz, abençoada globalização, agora quero ver os sindicatos ...
Possuir, possuir, cada vez mais, que se lixem os deserdados, que façam pela vida, são um bando de preguiçosos ...
Estou preocupado, contudo : a esperança fugiu daqui ! E na China também não a vi ... poderei continuar a ganhar assim tanto sem a esperança ao lado dos meus escravos ???

quinta-feira, abril 24, 2008

OBRA JOCOSERIA ...



Há algo em Portugal que eu nunca entendi, confesso. Já vivi em outros países por tempo suficiente para perceber que é algo de profundamente lusitano. E também profundamente pernicioso. Dir-se-ia algo entre o masoquismo e o narcisismo ao contrário.Sabem do que falo ?


Deste sentimento tão português de descrença, de cinismo, de fatalismo, de miserabilismo.Mas não é tudo. Para lá desta mescla de sentimentos enviesados nota-se algo ainda mais surpreendente : um certo gosto pelo trágico-cómico, pelo teatro burlesco. Como entender de outra forma o apelo de Menezes a Jardim para se candidatar a lider do PSD ? Ou a intenção de Santana de se candidatar ?Confesso : não entendo este meu país. A parvoíce, a mediocridade e a desvergonha andam à solta ... ou sou eu que já não percebo nada de nada ?Alberto João Jardim, para lider do PSD ? Eh, eh, eh, eh ... este Menezes é um ponto. A menos que fosse para mostrar ao Mundo que no PSD ainda há piores que ele, no domínio das ideias tontas. Meu Deus ... E é com gente desta que podemos contar para fazer frente a Sócrates ? Sabem o que é pior ? Um destes dias começo a pensar que Sócrates deve ser um génio, de facto, neste país "exíguo", como lhe chama, apropriadamente, Adriano Moreira.
Exíguo de valores humanos.
Exíguo de sensatez.

Que havemos nós de fazer deste nosso País ?

sexta-feira, abril 11, 2008

QUE INGÉNUOS QUE NÓS FOMOS ...

Vivemos uma época de grande balburdia. Confusa, entaramelada, sem regras nem principios consensualmente aceites. É uma época sem brilho, sem grandeza, atafulhada de pequenos e grandes expedientes. Respira-se uma atmosfera de sobre-regulamentação em muitas áreas da nossa vida, ao mesmo tempo que, noutras áreas, pouco ou nada se respeitam outras coisas, com o maior dos à vontades. Somos protegidos de todos os tipos de bactérias e virus, por um lado, mas somos sujeitos a todas as espécies de agressões aos direitos e liberdades individuais, por outro. Que coisa estranha ...Ou talvez não : perante as duas realidades, qualquer pessoa que não seja imbecil, cedo descobrirá que a motivação verdadeira para todas estas coisas NÃO é o respeito pela PESSOA. Será respeito, ou amor, ou conveniência por outras coisas, mas pelo ser humano, não é.
Volto á minha sensação : vive-se uma autêntica peixeirada, não é ? Quais são os valores que ainda estão intactos, no Portugal de hoje ?No meio deste xarope delicodoce, vejo algumas linhas de força perfeitamente delineadas, em progressão subreptícia, lenta mas inexorável .

Uma primeira linha, a dos aprendizes de ditadores. Uns muito pouco experientes, ainda, outros já com tarimba. Uns e outros ultrapassaram a vergonha cultural e colectiva do passado salazarista, acham que é chegado o momento de talhar as coisas a seu gosto. Tanto na economia real das empresas, como na burocracia do poder político, os aprendizes pululam, ansiosos, despudorados, ávidos. A meta é a mesma : cortar, reduzir, mandar para a rua, poupar dinheiro nuns pobres desgraçados ( para poder gastar noutras coisas, mais giras ... ). Proibir está na ordem do dia. Seja o que for, desde o tabaco até ao piercing.

A segunda linha é mais astuta, aproveita as aberturas dos entusiastas da primeira linha ( no futebol chamar-se-ia a estas oportunidades, assistências ... ) para desviarem o máximo de recursos financeiros para os seus bolsos. Esta linha de actuação tem diferentes patamares, é claro : o patamar dos gajos ditos sérios que se deixam colocar em grandes empresas, obviamente pelos seus méritos profissionais ; o patamar dos gajos espertos que, investidos do poder para tal, incentivam hoje alguém a vender por 100 e amanhã arranjam uma empresa publica que o vai comprar por 1000 ; o patamar, mais ao nível do rés-do-chão, dos que aceitam descaradamente luvas em troca de favorecimentos ; o patamar ainda do tipo que angaria donativos para o partido e se esquece de metade desses donativos no porta-luvas do carro ... enfim, nunca mais acaba !

Em síntese : uns ameaçam, proibem e mandam calar, outros enriquecem, paulatinamente, sem alarido.
Como sempre, o Zé Povinho assiste, meio estonteado, meio incrédulo, a este regabofe.
Mas então - vocifera, com a saliva a escorrer-lhe dos lábios - mas então, não era o outro, o Salazar, mais o Tenreiro, que eram os maus da fita ?? Afinal, quantos Salazares e Tenreiros é que este país tem ?

sexta-feira, março 14, 2008

QUE VIDA ESTA, MEU DEUS !

Esta noite estou cansado. Cansado, gasto, desiludido.
Passei o dia a resolver um problema informático, no computador de um amigo. Aquilo ia dando comigo em doido. Depois, de repente, apercebi-me que era sexta-feira e que não tinha combinado nada com ninguém. Por motivos vários, dei por mim como tantas e tantas vezes já me vi : sózinho, cansado, sem saber que fazer.
Á falta de melhor, fui recordando outras situações em que me senti assim, ao longo da vida : logo no início, quando estudava ainda no Técnico e vivia num quarto alugado para as bandas da Fonte Luminosa ; depois, em África, Moçambique, para onde a guerra colonial me atirou, por vezes em locais onde nem Deus saberia encontrar-me ; mais tarde, nos EUA, para onde fui estudar umas porcarias que de pouco me serviram ... outras vezes, como hoje, na minha casa, no meu quarto, sem vontade para sair e ir beber um copo ou ver um filme tardio.
Muitas vezes penso em mim como um homem solitário. Apesar de ter amigos e amigas, a minha filha e tudo isso. Sou, na essência, um tipo solitário e mal humorado, agora cada vez mais consciente da idade e do caminhar inexorável para outras paragens.
Sim, a morte, essa ideia que todos tentamos desesperadamente evitar ... como se isso fosse possível. Mas hoje também não quero pensar nisso : estou cansado e dá muito trabalho pensar no futuro. Acho que não consigo pensar, pura e simplesmente. As palavras que aqui vêem atrás umas das outras, são os meus dedos que as escrevem, não vieram do meu interior, acreditem.
Sei que, como eu, há milhões de outras pessoas, no Mundo, igualmente sós e igualmente cansadas e chateadas. Dá uma sensação de coisa normal, de algo que não é notícia. É verdade, somos muitos, os chateados deste Mundo, valha-nos isso.
Vai um brinde a todos nós ?

terça-feira, março 11, 2008

OS MECANISMOS DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA

Factos : Sócrates venceu as ultimas eleições com maioria absoluta ; do respectivo programa eleitoral constavam algumas medidas para o ensino semelhantes ás que têm vindo a ser tomadas, sem entrar em pormenores ; os professores manifestaram-se contra a forma como essas medidas têm vindo a ser levadas à prática e contra alguns dos pormenores entretanto surgidos ; Sócrates afirma que não muda nem uma vírgula e que é ele que tem legitimidade política porque venceu as eleições ; se as coisas assim continuarem, a instabilidade tomará conta das Escolas e, no final, não se vê como é que o Ensino vai melhorar.

Comentários : a representatividade, em democracia, não pode NUNCA ser definitiva, irrevogável ou independente das condições concretas sob as quais se desenvolve.
Sendo uma forma de resolução de conflitos, em sociedade, a representatividade baseia a sua eficácia na permanente aceitação por todas as partes envolvidas, ou, pelo menos, pela maioria dessas partes. Quando tal equilíbrio se rompe, assumindo a contestação formas graves e ou muito expressivas, é preciso que a sociedade política possua mecanismos de regulação para estas roturas, designadamente :

- a re-análise por parte do Governo, com os novos dados do problema ;
- a intervenção da Assembleia da República, no âmbito do seu papel de fiscalização dos actos do Governo ;
- a intervenção do Presidente da República ( PR ).

No caso do actual conflito do ensino, em Portugal, seria de esperar que não fosse preciso passar do primeiro passo atrás referido : o Governo deveria reanalisar o assunto, com calma e ponderação, e introduzir as correcções indispensáveis. Tal como fez na escolha do novo aeroporto, tal como fez no caso da Saúde, pelo menos até certo ponto.
Neste caso, a obstinação de Sócrates e da senhora doutora Maria de Lurdes Rodrigues, não vão permitir tal coisa.
E lá vamos nós para o segundo nível de intervenção, a Assembleia da Republica (AR ).
Aí chegados, um novo obstáculo se levanta : alguém acredita na independência face ao Governo dos deputados eleitos pelo PS ? Pode a AR ser de facto um orgão de fiscalização do Governo, quando o Governo é que “manda” nos deputados da maioria ?
Cada um que responda, a minha resposta é NÃO ou MUITO DIFICILMENTE.
Sendo assim, resta-nos a ultima esperança constitucional de solução de conflitos : poderá o PR chamar o Governo ao bom-senso, forçando-o a olhar a realidade com flexibilidade e a esquecer ódios ( porque de ódio se trata, parece-me ... ) ?
Acredito que sim, Cavaco Silva é pessoa para isso, não impondo, que não está nas suas atribuições, mas convencendo, acalmando, sugerindo ...
Na minha opinião, será nessa instância que as coisas tomarão rumo, de uma forma mais ou menos expressa, provavelmente um pouco encapotada.
Para já, estamos na fase 2. Está agendada a discussão, na AR, no próximo dia 26, de duas propostas ( do CDS e PP, mas o PSD concorda ) para a suspensão da avaliação até ao próximo ano lectivo.
Veremos.

sábado, março 08, 2008

CARTA A UMA MINISTRA MAL AMADA

Digª Senhora Ministra da Educação :

Permita-me V.Exª que lhe explique algo que, pelos vistos, lhe tem escapado, não obstante a argúcia de que V.Exª tem dado mostra : sendo V. Exª uma pessoa dedicada de corpo e alma ao seu País, e, em particular, á nobre causa da Educação, empenhando-se V.Exª com todo o seu ser na identificação dos males do nosso Ensino e na adopção das consequentes medidas correctivas, sendo, portanto, V. Exª uma Ministra que ama o seu País e tão bem compreende as vicissitudes da Educação ... porque é que, aparentemente, 70 ou 75% dos Exmos Professores a detestam e afirmam que V. Exª já não tem mais condições de exercício do seu cargo ?
Suponho que V.Exª tem dado inumeras voltas no seu leito, intrigada, sem conseguir dormir, tentando entender esta intrigante contradição : amando V.Exª tanto o seu País e a Educação, como é que a Educação não ama V.Exª ?

Pois bem, eu tenho e ofereço a V. Exª a chave do imbróglio : a razão pela qual ninguém ama V.Exª esteve hoje bem patente na entrevista que V.Exª concedeu, em directo, á SIC. Afirmou então V.Exª que o facto de terem estado na rua 100.000 professores a protestar contra si é IRRELEVANTE.
Aí tem, Senhora Ministra, porque não a amam : V.Exª é possuidora de um raro dom de insensibilidade humana e política, V. Exª está-se nas tintas para as pessoas que neste momento são professores, V. Exª é fria como o aço, V.Exª não sente nunca empatia, nem respeito, nem consideração ... V. Exª nem se dá conta que, ao afirmar que 100.000 pessoas na rua são IRRELEVANTES, V.Exª desprezou-os totalmente, desprezou a realidade e tornou-se, a si própria, irrelevante.
Afinal, Senhora Ministra, era fácil perceber o segredo : V.Exª ama o seu País e o Ensino, mas quanto aos Professores ... a esses, odeia-os.

Desejo a V. Exa as maiores felicidades. E, sobretudo, desejo-lhe que consiga aprender a gostar dos outros e a não viver em conflito permanente com eles.

sexta-feira, março 07, 2008

HUMILDADE NA GOVERNAÇÃO, PRECISA-SE ...

A senhora ministra da educação bem podia ser uma criatura mais sensata e sensível.
Alguém lhe disse que, para ser ministra, tinha que ser assim, implacável, surda e cega ... acho que a enganaram.
Se foi o senhor primeiro-ministro quem assim a aconselhou, bem mal andou. Embora outra coisa não fosse de esperar, já que também ele padece do mesmo mal.
Digo-vos, sinceramente : por muito medíocre que Portugal seja, estas duas pessoas não nos fazem falta nenhuma como governantes. Assumo claramente : o meu país estaria bem melhor se ambos se retirassem, num rasgo de clarividência e humildade.
Vindas não se sabe de onde, assumem-se na política como semi-deuses que tudo sabem e tudo podem, não se permitindo nunca uma duvida ou uma atitude de consenso, esticando até aos ultimos limites a noção de democracia representativa, desprezando arrogantemente todos os que se lhes opõem.
Pessoas destas, tão enquistadas, tão convencidas das suas poções milagrosas, tão soberbas, tão absurdamente fechadas aos outros, não deviam nunca ser governantes. Falta-lhes a humildade de quem sabe poder estar errado, falta-lhes a tolerância para as ideias dos outros e a sensibilidade para os seus problemas, falta-lhes a paciência dos que sabem operar a mudança, falta-lhes a sabedoria e o instinto de verdadeiros lideres.
Um lider, ainda que conduza a sua gente para ambientes de perigo e sacrifício, é capaz de suscitar entusiasmo e mesmo paixão.
Estes dois governantes, o que conseguem é fazer quase o pleno de entusiasmos e paixões … contra os seus projectos e ideias. Não é assim que se muda nada, a mudança não pode ser feita á força e de afogadilho, por mais votos que se tenham recolhido nas eleições.
A representatividade política, em democracia, não pode excluir o respeito pelas opiniões e legítimos interesses dos outros. Muito menos podem os eleitos retirar aos outros a sua dignidade.
Quando se olha muito para o umbigo não se enxerga o país.

quarta-feira, março 05, 2008

EM RECONQUISTA DA DIGNIDADE PERDIDA

É nova, esta dinâmica de luta e oposição que tem vindo a reunir professores por todo o país.
Sábado iremos assistir a uma grande manifestação, tudo o indica, talvez a primeira da era das novas tecnologias de comunicação.
Telemóveis, correio electrónico, blogues, todos estes novos meios uniram pessoas e ultrapassaram os velhos sindicatos, lentos, legalistas e burocratizados.
Na sua mágoa de iluminado incompreendido, Sócrates vai notar, afinal, que estas coisas das tecnologias da comunicação podem funcionar de muitas formas, umas boas ... e outras igualmente boas, mas para os outros.
Presumo que este venha a ser um dos raciocínios do Primeiro-Ministro, surpreendido por esta atitude daqueles a quem alguém chamou “professorzecos”, na Assembleia da República.
Que eu saiba, ele não lhes chamou isso, mas fez pior : directa ou indirectamente, por processos directos ou mais enviezados, acusou-os de trabalhar pouco e ganhar demasiado, de quererem todos chegar ao topo da carreira, de faltarem muito, de terem horários reduzidos, de serem os responsáveis pelos variadíssimos males do ensino.
Privilegiados, foi a palavra que circulou por toda a parte.
Este Governo fez isso de que o acuso directamente : caluniou os professores. Fez o mesmo com os militares, a quem dedica idêntico desprezo. Fez isso com a generalidade dos servidores do Estado, que assistiram a tudo, atónitos, enquanto viam os Valas deste País tomar de assalto as máquinas de dinheiro ...
Por isso, declaro alto e bom som a minha profunda simpatia pela manifestação de sábado dos professores, em reconquista da dignidade perdida.
Espero que todos eles sintam, bem fundo dentro de si, a dignidade de quem luta, a força de quem não desiste nem abdica de ser português e profissional do ensino.
A todos eles, do fundo do meu coração, o meu grito de solidariedade !
E o meu obrigado. Estão a restituir-me fé no povo português.

terça-feira, março 04, 2008

APOIO OBAMA ... E A MINHA GATA LILI !

Estou farto de política, esta noite. Estou com um olho nas primárias americanas, ando secretamente a torcer pelo Obama, como de resto 3/4 do Mundo, não sei bem porquê. O homem trouxe a palavra mágica mudança e mudança é esperança. Bem, mas dizia eu que entre Obama, a senhora Clinton e a nossa inesquecível senhora ministra da educação, hoje apostei ... na Lili, a nossa gata voadora. Está mais crescida, embora seja pequenita . É de uma raça originária da Turquia, chamada Van Turca, porque o seu habitat originário é nas margens do lago Van. É isso ... e é uma gata totalmente ás avessas das gatas normais e decentes : imaginem que gosta de água, gosta de se equilibrar em cima das ombreiras das portas ... e gosta de derrubar para o chão tudo que apanha em cima de mesas e armários. Uma doçura ! Nem tudo é mau : é uma gata muito faladora e gosta muito de estar onde nós estamos, faz uma boa companhia. Mia que se farta, embora me seja ainda dificil perceber a sua linguagem. Excepto quando me acorda, ás 6 ou 7 da manhã, a miar desalmadamente aos meus ouvidos ou a puxar-me um dos braços para fora da cama. Aí percebo bem : quer uma latinha de salmão ou coisa do género. E as unicas alternativas que me restam são expulsá-la do quarto e fechar-lhe a porta ... ou ir-lhe dar mesmo a latinha, porque de resto é uma chata do caraças e não se cala !
Para que possam apreciar um pouco da Lili, mostro-vos hoje um video que fiz com ela, a partir da minha webcam. O video não ficou famoso, mas ainda assim podem vê-la a tentar destruir á dentada a antena do meu router wireless de ligação á internet. É mesmo uma gracinha !
E por hoje é tudo, fiquem-se com a Lili, sim ?
( clicar na seta para ver o video )

video
A AVALIAÇÃO DE PROFESSORES E OS APRENDIZES DE FEITICEIRO

Paula é professora de Matemática do Ensino Secundário. Jovem ainda, vai nos seus 35 anos e quase 12 de profissão. É uma professora devotada, prepara as suas aulas, elabora os seus testes com todo o cuidado. É também exigente, acredita nas virtudes do trabalho, passa TPC, corrige-os sempre e procura dar o máximo apoio aos seus alunos. Alguns, porém, por atrasos impossíveis de recuperar, outros por nítida falta de esforço e trabalho, ficam-se pelas notas fraquinhas,muito fraquinhas, mesmo.
Paula é mãe de 2 filhos ainda pequenos e, ocasionalmente, tem que faltar para dar apoio aos filhos, embora se esforce para compensar o tempo perdido e acabe sempre por cumprir as metas do programa. Não é muito comunicativa, a nossa Paula, e apesar de ter algumas amigas, prefere dar as suas aulas e , após isso, isolar-se na preparação das aulas seguintes, a ver testes, etc ... Paula é uma mulher-lider, não obstante a sua idade, criando sempre um ambiente de respeito na sua sala de aulas, embora onde talvez se respire um pouco de tensão reprimida.
A Escola da Paula desenvolveu dois grupos distintos de grelhas de avaliação. Dois conjuntos de factores.
O primeiro usa os seguintes factores : planeamento das aulas, assiduidade, ligação á comunidade, resultados na progressão dos alunos e capacidade de empatia na sala de aula.
O outro escolheu planeamento das aulas, cumprimento do programa, adesão ás iniciativas extra-curriculares da Escola, resultados na progressão dos alunos e capacidade de liderança na sala de aulas. Todos os factores têm igual peso e uma escala de valores de 1 a 10.
Vejamos como foi ( ou podia ter sido ) avaliada a Paula.


Num caso, a Paula teria uma boa avaliação, enquanto que no outro a avaliação seria para o fraquito.
Qual seria a diferença ? A Paula é a mesma, o seu trabalho é o mesmo, os avaliadores até teriam sido os mesmos ... então ?
A grelha de avaliação NÃO foi a mesma !!!! E a "habilidade" da Paula na escolha dos objectivos também não foi a mesma ...
AH, CLARO, A GRELHA DE AVALIAÇÃO ... pois é, é apenas o factor mais importante e decisivo de qualquer sistema de avaliação. Também é o mais complexo e dificil de escolher. Andei envolvido num projecto de sistema de avaliação em que esse trabalho nos levou cerca de ano e meio !!!
Então agora PASME-SE : A GRELHA DE AVALIAÇÃO FOI REMETIDA PELO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO PARA TRABALHO DAS ESCOLAS .... a fazer em algumas poucas semanas !!!
Assim mesmo : as Escolas que façam esse trabalho. Mesmo sem perceberem nada de avaliação e dos multiplos cuidados a ter no desnvolvimento de uma grelha de avaliação. As Escolas que escolham umas quantas de uma lista fornecida ...
Claro que não vão existir duas grelhas iguais. Claro que estará á partida comprometida a equidade no tratamento dos professores. Claro que só por acaso é que surgirão grelhas boas nas Escolas ... o Ministério da Educação fugiu do trabalho mais complicado, mais delicado e que mais controvérsia poderia suscitar.
Para mim, ao atirar esta responsabilidade para as Escolas, tirou coerência, credibilidade e mais do que isso, LEGITIMIDADE, a todo o Projecto.
A avaliação de Professores NUNCA deverá avançar nestes moldes, por estar ferida de morte na sua concepção inicial.
Nunca deve ser tarde demais para tornar boa uma coisa má.
Ou é mais importante que a Srª Ministra e o Sr. Primeiro-Ministro não percam a face ?

segunda-feira, março 03, 2008


ESTA MINISTRA DA EDUCAÇÃO ESTÁ ERRADA !

A Educação funciona mal, em Portugal, em todos os níveis. Há mais de 40 anos que começou a entrar pelo cano ... e eu tenho sido espectador atento, diga-se.
O sistema está hoje em colapso quase completo e não há sinais de recuperação. Nem sequer de um início de recuperação. Não há qualquer esperança para a educação no nosso País, nos próximos tempos. Acham que sou pessimista ? Vejamos.
O que é educar ? É assim algo tão extraordinário e dificil ?
Claro que não. Educar é apenas um processo que os humanos inventaram para transmitir, de geração em geração, conhecimentos e atitudes, em muitas áreas ; é apenas uma forma de evitarmos recuos no saber e no saber fazer. Nos primeiros tempos do homem, esta transmissão era feita dentro dos clãs, na tribo, a partir dos pais, mães e de todos, no fundo, ao mesmo tempo que as coisas iam acontecendo.
Mais tarde, descobriu-se uma forma diferente e muito mais especializada para a transmissão do saber : a escola. Arranjava-se um espaço, metiam-se os putos lá dentro, punha-se um professor com uma chibata á frente dos alunos, ele falava e os putos ouviam e repetiam, era a escola no seu paradigma inicial.
Foi um descanso ! Essa invenção poupava os pais do trabalho de ensinar os meninos, agora era só verificar, á noite, se eles tinham aprendido alguma coisa ou não ... excelente.
O tempo correu, os pais cada vez mais ocupados e com menos tempo, as escolas cada vez maiores, os conhecimentos a transmitir cada vez mais numerosos e complexos !
Não me vou meter por essa discussão, mas o importante é que hoje há milhões de bits de informação, provindos de cada vez mais áreas humanisticas e técnicas, que queremos meter nas cabeças de um numero cada vez maior de putos, pelos processos habituais ... mas a um custo cada vez menor e, se possível, num tempo mais curto.
Ainda por cima, queremos fazer isto sem dor nem suor, como se de um jogo de computador se tratasse, sem necessidade de estudo e de reflexão.
Mais, tudo isto num ambiente em que, no fundo, ninguém está disposto a mexer uma palha, lá em casa, para ensinar aos meninos a ser disciplinados, a trabalhar, a respeitar os professores, etc ... Quanto a essa de respeitar os professores, até se vive exactamente ao invés, tentando a todo o custo que os putos percam todo o respeito por eles, seja por via dos estatutos de alunos seja a desacreditar publicamente os mesmos.
Bom, seja como for, esta é a situação a que se chegou. Um caos, de facto. Há que mudar paradigmas, formas de resolver o problema, sei lá ...
E é aqui que se revela o génio deste Governo e desta Ministra : olhando esta realidade, o Governo achou que se devia mexer ... nas regalias dos professores. ( Lembram-se do cientista maluco que ia cortando as pernas a uma rã, uma a seguir a outra, e depois assustava a rã com um grito, fazendo a rã saltar ? Esse tipo concluiu que a rã, quando se lhe cortava a quarta pata, fica ... surda. )
Está-se mesmo a ver : o ensino está a desordem, o caos que está, não é ? Tumba, tira-se da cartola os professores titulares, com um novo estatuto dos professores em que só metade é que irá progredir, fixam-se quotas, faz-se á pressa um sistema de avaliação côxo e atamancado, cuja unica preocupação é legitimar a não-promoção dos professores, edita-se um novo estatuto do aluno ( que logo depois se suspende ) decretando-se que podem faltar á fartazana sem consequências, etc ... etc ...
Como podem ver, se tiveram paciência de ler até aqui, tudo medidas apropriadíssimas, apontadas ao cerne do problema ! Com medidas destas, o ensino vai mesmo melhorar, caramba, são medidas inteligentes, bem vistas, próprias de pessoas excepcionalmente dotadas para estas coisas do ensino !
Agora notem o requinte : sabendo á partida que os professores são gente esconsa e fugidia, sempre prontos a boicotar o ensino, o ministério adoptou desde o início uma postura própria de um ministro das cadeias a legislar para com os reclusos : força na marreta e eles que se lixem, não queremos saber deles para nada ! Uma simpatia, medidas bem discutidas e acertadas com os professores, cuidado na defesa do seu estatuto de vida, tudo com uma enorme simpatia e respeito, não me venham dizer o contrário !

Pois. E é exactamente por causa disto tudo que os professores agora dizem ( e ainda vão dizer mais ) BASTA !
É que, seja eu de que partido for ( nenhum ), não sou estúpido, e não consigo encontrar em NENHUMA das diversas medidas do Ministério uma preocupação sincera com a degradação do ensino.
Apenas encontro a preocupação de reduzir a factura com o pessoal, no Ministério. Misturada com uma espécie de raiva surda e inconfessada contra eles, os professores.
Sabem, não posso deixar de lhes dar razão, não posso deixar de os aplaudir, não posso deixar de lhes gritar : FORÇA, rapaziada, FORÇA, professores, LUTEM PELA DIGNIDADE QUE VOS É DEVIDA !