ABAIXO OS NATAIS E AS PASSAGENS DE ANO
Hoje, quinta-feira, tenho uma saudação especial a todos aqueles que detestam o Natal e as passagens de ano. A todos aqueles sem família para fazer a tal “festa de família”. A todos aqueles que não têm paciência ou dinheiro para fazer a passagem do ano a um qualquer hotel ( o réveillon, dizem eles ... ), por entre goladas de uma alegria mais ou menos etilizada. A todos aqueles que se sentem agredidos, esbulhados, aldrabados, confiscados e a quem, por isso mesmo, nunca sobraria grande disposição para a alegria. A todos os que temem pelo seu emprego, pelo seu futuro, pelo pão de amanhã. A todos os que olham para os seus filhos e se abstêem de trincar uma fatia de bolo-rei para que eles a comam. A todos os despojados da vida e da felicidade. A todos os que choram às escondidas, de dor, solidão ou pobreza. A todos os enteados desta sociedade nada solidária. A todos os que se escondem em vãos de escada, na rua, ou em outros vãos de escada das suas vidas sem amor e compreensão.
Numa palavra, a todos os homens e mulheres que nada têm para celebrar e a quem a vida se esqueceu de dar motivos para alegria.
A todos esses, sem esquecimento, quero dizer : estou convosco, irmãos e irmãs da minha humanidade. Só por ignorância, preguiça ou egoísmo não ando por aí a partilhar um abraço, uma canja ou um golo de tinto. Acho que ainda um dia irei fazer isso mesmo. Embora sem esperança , mesmo assim, de vencer definitivamente este frio permanente que sinto dentro de mim.
Saravá, minha gente !
Blogs (Blogues) = crónicas (quase) diárias; registo periódico de factos, opiniões e críticas ; as impressões íntimas, a política, o social.
quinta-feira, dezembro 30, 2010
segunda-feira, dezembro 27, 2010
SOLIDÃO E ... MAU CHEIRO !
Neste Natal de 2010, a solidão invadiu-me. Já antes vivi largos períodos sózinho, sem nunca me sentir em solidão. Nessas épocas, contudo, era muito mais novo e tinha a esperança do meu lado. Hoje, não tenho esperança. Nem na minha vida futura nem em Portugal nem no Mundo. Dizem-me os meus amigos que cada vez estou mais amargo e estranham sentir-me assim. Ao que eu respondo : como NÃO me sentir amargo ? Ao longo da minha vida sempre fui honesto e procurei seguir os grandes princípios éticos. Aparentemente, essa não é a receita para a felicidade. Por azar ou inabilidade, a felicidade nunca quis nada comigo. A lucidez e a não conformidade com os valores dominantes não são nada bons para a saúde mental e mesmo física. Um tipo acaba sozinho e a sentir-se um D. Quixote de segunda, já que nem sequer tenho uma Dulcineia que me dê alento.
Um grande amigo meu, que na juventude foi uma das minhas referências quanto ao inconformismo e à injustiça, escreveu-me hoje um mail a dizer-me que me acha muito amargo e a dar-me algumas receitas para conseguir ver o Mundo de uma forma mais optimista. Claro que muitos dos seus argumentos são sensatos, mas não me fez sentir melhor. Tal como eu não o fazia sentir melhor nos nossos vinte anos. Acho que estou a ser na velhice o que ele foi na juventude, um inconformado militante.
Claro que é uma atitude estúpida, a generosidade e o fôlego da juventude não acontecem na minha idade e portanto não podem justificar este inconformismo serôdio. Mas que hei-de fazer ? É assim que me sinto ...
Será que a culpa é apenas da solidão ? Não me parece, já experimentei uma ou duas relações humanas e a sensação não diminuiu nada. Sinto-me traído e vilipendiado por estas camadas de pseudo socialistas e sociais-democratas que mais não fizeram senão delapidar os poucos recursos do País a dar tachos e empreitadas a amigos e conhecidos e a fazerem os outros pagar para isso. Uma cambada de ignorantes jovens e atrevidos que nem sequer conheciam a dimensão da sua ignorância. Assisti a tudo isto, à invasão da máquina do Estado por jovens ávidos de poder e dinheiro, com uma licenciatura tirada a martelo ( outros nem isso ) e um enorme desejo de enriquecer fosse como fosse. Assisti a tudo isto, presenciei algumas situações, ouvi lamentos de amigos e conhecidos, mas os dados estavam lançados. Nada faria parar essa matilha ávida e sedenta que não hesitava perante nada e que usava todas as armas ao seu alcance, desde a conspiração e compadrio até à mais torpe corrupção e tráfico de influências.
Assistir a tudo isto fez-me vómitos, provocou-me azedo no estômago. Estão a perceber agora porque motivo me sinto tão amargo, tão sem esperança ?
Como querem que não me sinta amargo num ambiente tão fétido, tão pútrido como aquele em que vivemos ? Seriam capazes de viver bem mesmo ao lado de um pântano a libertar gases mal cheirosos o dia inteiro ?
Pois bem, é assim o Portugal de hoje para mim. Um pequeno pântano mal cheiroso. Quem puder e quiser que esqueça o cheiro e se sinta bem.
Eu não consigo.
Neste Natal de 2010, a solidão invadiu-me. Já antes vivi largos períodos sózinho, sem nunca me sentir em solidão. Nessas épocas, contudo, era muito mais novo e tinha a esperança do meu lado. Hoje, não tenho esperança. Nem na minha vida futura nem em Portugal nem no Mundo. Dizem-me os meus amigos que cada vez estou mais amargo e estranham sentir-me assim. Ao que eu respondo : como NÃO me sentir amargo ? Ao longo da minha vida sempre fui honesto e procurei seguir os grandes princípios éticos. Aparentemente, essa não é a receita para a felicidade. Por azar ou inabilidade, a felicidade nunca quis nada comigo. A lucidez e a não conformidade com os valores dominantes não são nada bons para a saúde mental e mesmo física. Um tipo acaba sozinho e a sentir-se um D. Quixote de segunda, já que nem sequer tenho uma Dulcineia que me dê alento.
Um grande amigo meu, que na juventude foi uma das minhas referências quanto ao inconformismo e à injustiça, escreveu-me hoje um mail a dizer-me que me acha muito amargo e a dar-me algumas receitas para conseguir ver o Mundo de uma forma mais optimista. Claro que muitos dos seus argumentos são sensatos, mas não me fez sentir melhor. Tal como eu não o fazia sentir melhor nos nossos vinte anos. Acho que estou a ser na velhice o que ele foi na juventude, um inconformado militante.
Claro que é uma atitude estúpida, a generosidade e o fôlego da juventude não acontecem na minha idade e portanto não podem justificar este inconformismo serôdio. Mas que hei-de fazer ? É assim que me sinto ...
Será que a culpa é apenas da solidão ? Não me parece, já experimentei uma ou duas relações humanas e a sensação não diminuiu nada. Sinto-me traído e vilipendiado por estas camadas de pseudo socialistas e sociais-democratas que mais não fizeram senão delapidar os poucos recursos do País a dar tachos e empreitadas a amigos e conhecidos e a fazerem os outros pagar para isso. Uma cambada de ignorantes jovens e atrevidos que nem sequer conheciam a dimensão da sua ignorância. Assisti a tudo isto, à invasão da máquina do Estado por jovens ávidos de poder e dinheiro, com uma licenciatura tirada a martelo ( outros nem isso ) e um enorme desejo de enriquecer fosse como fosse. Assisti a tudo isto, presenciei algumas situações, ouvi lamentos de amigos e conhecidos, mas os dados estavam lançados. Nada faria parar essa matilha ávida e sedenta que não hesitava perante nada e que usava todas as armas ao seu alcance, desde a conspiração e compadrio até à mais torpe corrupção e tráfico de influências.
Assistir a tudo isto fez-me vómitos, provocou-me azedo no estômago. Estão a perceber agora porque motivo me sinto tão amargo, tão sem esperança ?
Como querem que não me sinta amargo num ambiente tão fétido, tão pútrido como aquele em que vivemos ? Seriam capazes de viver bem mesmo ao lado de um pântano a libertar gases mal cheirosos o dia inteiro ?
Pois bem, é assim o Portugal de hoje para mim. Um pequeno pântano mal cheiroso. Quem puder e quiser que esqueça o cheiro e se sinta bem.
Eu não consigo.
quinta-feira, dezembro 09, 2010
A CEGUEIRA DE CERTA ESQUERDA
Quem me costuma ler sabe muito bem que a minha forma de ver o mundo é alicerçada no respeito pelo trabalho do ser humano e na recusa de entregar todo o poder aos ricos e poderosos. Uma visão de esquerda, tal como sempre entendi a esquerda. Contudo, quando tal se impõe, também gosto de fazer a minha crítica aos comportamentos de sectores políticos de certa esquerda ( ou extrema esquerda, para alguns ) portuguesa.
Isto ainda a propósito daquilo a que chamei de confusões de César, quanto ao tira e repõe do corte nos vencimentos dos funcionários públicos nos Açores.
A medida de César é obviamente eleitoral e desajeitada. Fez aquilo que é quase impossível, que é colocar todo o País do mesmo lado da barreira.
Pois bem, ainda assim, tanto o PCP como o BE vieram dizer que acham muito bem o que César fez, o que eles acham mal são os cortes que o Governo decidiu.
Aqui têm mais uma limitação da vida partidária. Tremenda. A incapacidade de olhar a realidade nas suas complexas nuances. A obrigatoriedade de pensar segundo cartilhas, baias, espartilhos. A suprema ironia da mais absoluta falta de lógica, quando se proclama combater a injustiça.
O argumento destes partidos é este : já que não concordamos com a medida do corte, então que se lixe a falta de equidade, o que é preciso é que alguns não sofram os tais cortes. Como se César, em vez de eleitoralismo, tivesse vestido a capa do Zorro e começasse a corrigir à espadeirada as cretinices do Governo central.
Não, meus senhores, os partidos e as opiniões partidárias não são soberanas e muitas vezes nem sequer são importantes. Para além dos partidos, de qualquer partido, existem principios de vida social. A ideologia e ainda menos a prática política não podem esquecer-se nem afastar-se da ética. Nem da igualdade de direitos. Nem de muitas outras coisas.
É por estas e outras que nunca consegui sentir-me de nenhum partido, nem de nenhum clube de futebol. Prefiro, sempre preferi, a lucidez e a liberdade de pensamento à emoção, às bandeiras e ao sentimento de pertença.
Feitios.
E fiquem-se com esta, senhores pseudo representantes políticos dos trabalhadores e afins : essa gente que dizem representar NÃO GOSTOU daquela coisa nos Açores. Acreditem em mim. Ou não acreditem e, em vez de pensarem que sabem avaliar o que as pessoas sentem, perguntem-lhes se gostaram ou não de saber que os cortes são só para eles e que a malta dos Açores se vai baldar ...
Quem me costuma ler sabe muito bem que a minha forma de ver o mundo é alicerçada no respeito pelo trabalho do ser humano e na recusa de entregar todo o poder aos ricos e poderosos. Uma visão de esquerda, tal como sempre entendi a esquerda. Contudo, quando tal se impõe, também gosto de fazer a minha crítica aos comportamentos de sectores políticos de certa esquerda ( ou extrema esquerda, para alguns ) portuguesa.
Isto ainda a propósito daquilo a que chamei de confusões de César, quanto ao tira e repõe do corte nos vencimentos dos funcionários públicos nos Açores.
A medida de César é obviamente eleitoral e desajeitada. Fez aquilo que é quase impossível, que é colocar todo o País do mesmo lado da barreira.
Pois bem, ainda assim, tanto o PCP como o BE vieram dizer que acham muito bem o que César fez, o que eles acham mal são os cortes que o Governo decidiu.
Aqui têm mais uma limitação da vida partidária. Tremenda. A incapacidade de olhar a realidade nas suas complexas nuances. A obrigatoriedade de pensar segundo cartilhas, baias, espartilhos. A suprema ironia da mais absoluta falta de lógica, quando se proclama combater a injustiça.
O argumento destes partidos é este : já que não concordamos com a medida do corte, então que se lixe a falta de equidade, o que é preciso é que alguns não sofram os tais cortes. Como se César, em vez de eleitoralismo, tivesse vestido a capa do Zorro e começasse a corrigir à espadeirada as cretinices do Governo central.
Não, meus senhores, os partidos e as opiniões partidárias não são soberanas e muitas vezes nem sequer são importantes. Para além dos partidos, de qualquer partido, existem principios de vida social. A ideologia e ainda menos a prática política não podem esquecer-se nem afastar-se da ética. Nem da igualdade de direitos. Nem de muitas outras coisas.
É por estas e outras que nunca consegui sentir-me de nenhum partido, nem de nenhum clube de futebol. Prefiro, sempre preferi, a lucidez e a liberdade de pensamento à emoção, às bandeiras e ao sentimento de pertença.
Feitios.
E fiquem-se com esta, senhores pseudo representantes políticos dos trabalhadores e afins : essa gente que dizem representar NÃO GOSTOU daquela coisa nos Açores. Acreditem em mim. Ou não acreditem e, em vez de pensarem que sabem avaliar o que as pessoas sentem, perguntem-lhes se gostaram ou não de saber que os cortes são só para eles e que a malta dos Açores se vai baldar ...
domingo, dezembro 05, 2010
Nos ultimos dias, em cada cavadela sai-me uma minhoca. As pérolas de lógica argumentativa dos nossos governantes aparecem-me todos os dias, mal abro um jornal ou o computador. Não consigo resistir ao charme apelativo destes pensamentos iluminados. Vale tudo, neste nosso Portugal a caminho da mendicidade intelectual. Nem há verdade, nem sagacidade nem vergonha. É o império dos pequeninos. É a derrota da democracia.
Nesta questão de cortar vencimento a TODA a gente da função publica e do sector empresarial do Estado, o senhor das nove ilhas resolveu cortar ... e tornar a dar de novo, ao contrário do resto do país. Depois, quem critica esta marosca saloia é que está a dividir o País. Não é ele, com esta manobra rasteira de eleitoralismo ilhéu, são os outros ! Repito : uma pérola argumentativa !!
Sabem, é por atitudes destas que sou visceralmente contra a regionalização e afirmo que quem a defende ou não entende nada da maneira de ser dos portugueses ou deseja criar condições para um saque ainda maior.
Gaita, malta, aturar três "manfios" do calibre de Sócrates, César e Alberto João já dá o trabalho que se vê, vejam lá o que seria com 8 ou 9 do mesmo género ...
sábado, dezembro 04, 2010
Afirmações destas são admissíveis ? Miragens, mentiras e magalhães, poderia ser um filme do Almodôvar, mas é apenas o dia a dia que temos de suportar vindo destes tristes políticos, provavelmente também eles fruto deste ou de outros magalhães. Até quando, senhores e senhoras, vamos ter de aturar coisas destas ? Até quando teremos de nos sentir humilhados e mistificados ? Até quando vamos ser menorizados por gente sem valor nem génio, nitidamente desfasados daquilo que podem e sabem fazer ? Até quando vai a evolução e desenvolvimento do país ser entregue a pessoas que nem a elas próprias se souberam desenvolver ?
Desculpem-me, nunca fui elitista, mas também nunca pensei em ser músico nem director de cinema, por exemplo.
Chega, senhoras e senhores. Ou querem-me convencer que não sentem vergonha quando lêem coisas como esta aqui ao lado ? Querem-me convencer que aceitam e engolem esta e todas as outras sempre com a alegação "os outros são bem piores ...".
Gaita, não aceito isso. Não aceito ser trucidado em vida por estes só porque ainda há piores que eles. E, aqui para nós, será mesmo que alguém em Portugal é politicamente pior que isto ? Será possível ? É que o que eu vejo, diariamente, é o jogo e a defesa dos grupos económicos e dos bancos, dos ricos e poderosos, desde a recusa na taxação da distribuição antecipada dos dividendos ( o que daria ao Estado alguns um ou dois MILHARES DE MILHÕES, só na PT )até às excepções aos cortes de vencimentos, prontos a servir a quem se puder servir deles.
Amigos, toda a minha vida fui um homem de esquerda. Se ser socialista é agir e fazer política como José Sócrates e o actual PS fazem, então eu prefiro morrer íntegro, vertical, responsável, ainda que isso me arraste para a direita.
Recuso o facilitismo, o carreirismo, o amiguismo, a incompetência, o jogo de influências e de cunhas, o "jobismo" de tantos e tantos ilustres medíocres que vão paulatinamente destruindo o que resta do tal Estado social que o PS afirma ainda defender.
A verdade é que quando esse clone de José Sócrates chamado Passos Coelho vier a ser eleito ( o que foi tornado inevitável não por mim mas pelo próprio PS ) pouco ou nada ainda restará desse tal Estado social, ao ritmo a que as coisas estão a evoluir.
A mim, neste momento, já não me restam ilusões nem ideologias nem esperanças.
Queria apenas ser governado por gente em quem eu pudesse confiar e que não andasse por esse Mundo fora a dizer coisas tontas como essa aí ao lado.
segunda-feira, novembro 29, 2010
OS MITOS, DE NOVO
Nos tempos modernos, a construção de mitos anda intimamente associada aos orgãos de comunicação. Não que os mitos existam por causa deles, já existiam muito antes desta era da comunicação. Só que agora os meios de comunicação precisam deles, vivem deles.
Devo andar com alguma mitomania, imagino, já ontem acabei por escrever sobre o mito do "mercado" financeiro e a sua "inteligência" própria.
Hoje, vejam só, é de futebol que falo. O Real do Mourinho está a levar 5-0 do Barcelona e não sei se o jogo já acabou.
Quando li este resultado, fiquei a sorrir e pensei : queres ver que agora o Mourinho já não é o melhor treinador do Mundo ? E notem, até simpatizo com o homem !
Estão a ver como a realidade acaba sempre a contestar os mitos ?
Quem deve ter gostado deste resultado foi o Benfica. Afinal, assim não foram só eles a levarem 5 a seco, no Porto, os craques do Real levaram pela mesma bitola.
Nos tempos modernos, a construção de mitos anda intimamente associada aos orgãos de comunicação. Não que os mitos existam por causa deles, já existiam muito antes desta era da comunicação. Só que agora os meios de comunicação precisam deles, vivem deles.
Devo andar com alguma mitomania, imagino, já ontem acabei por escrever sobre o mito do "mercado" financeiro e a sua "inteligência" própria.
Hoje, vejam só, é de futebol que falo. O Real do Mourinho está a levar 5-0 do Barcelona e não sei se o jogo já acabou.
Quando li este resultado, fiquei a sorrir e pensei : queres ver que agora o Mourinho já não é o melhor treinador do Mundo ? E notem, até simpatizo com o homem !
Estão a ver como a realidade acaba sempre a contestar os mitos ?
Quem deve ter gostado deste resultado foi o Benfica. Afinal, assim não foram só eles a levarem 5 a seco, no Porto, os craques do Real levaram pela mesma bitola.
sábado, novembro 27, 2010
A MITIFICAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO
Há algo de profundamente ridículo e falso na forma como os meios de comunicação e os numerosíssimos comentadores televisivos abordam a questão dos juros que o tão falado “mercado” insiste em aplicar a países como Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha, etc ...
De acordo com tão ilustres fontes, o que levaria o “mercado” a aumentar ou diminuir os juros seria a sua percepção da solidez financeira e económica destes países e o grau de confiança que as medidas de contenção adoptadas transmitiriam ao tal “mercado”.
Mas esta gente está toda doida ou resolveram todos gozar comigo ?
Então os “mercados”, desconfiando que Portugal poderá vir a não poder satisfazer as suas dívidas, resolvem comprar na mesma os títulos ... mas a 7% em vez de 6% ? Então o juro mais alto resolve o problema da credibilidade ?
Meus senhores, deixem-se de “rodriguinhos”. O tal “mercado” não funciona assim, não é uma senhora rica e prudente a investir o seu dinheiro ... O tal “mercado”, meus amigos, são bancos e sociedades gestoras de fundos que todos os dias procuram os investimentos que maximizem os seus lucros. Não perdem tempo com leituras de orçamentos ou de pactos entre partidos. Pura e simplesmente olham em redor e procuram comprar e vender o que maior retorno lhes proporcionar. Acontece que, hoje em dia, a compra de dívida soberana destes países é um grande negócio ! Muito bom negócio, mesmo ! Ao contrário do que se possa pensar , o risco é baixo, bastante baixo, ninguém acredita que a Europa e o FMI fossem deixar ir à falência algum destes países. E se assim é, o risco é mínimo, malta ! Risco mínimo e lucro máximo.
Pura e simplesmente, as taxas têm subido ... porque podem subir, sem risco de ruptura. Vão tentando, sempre um pouco mais acima, tendo o cuidado de não subir tão alto os juros que venha o FMI estragar-lhes o negócio.
Estão a ver ?
Que raio é que isto tem a ver com a aprovação ou não do orçamento português ? Ou com a credibilidade de Portugal vir a pagar a sua dívida ? Se eles duvidassem, mesmo a sério, não investiam na nossa dívida e ponto final.
Há algo de profundamente ridículo e falso na forma como os meios de comunicação e os numerosíssimos comentadores televisivos abordam a questão dos juros que o tão falado “mercado” insiste em aplicar a países como Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha, etc ...
De acordo com tão ilustres fontes, o que levaria o “mercado” a aumentar ou diminuir os juros seria a sua percepção da solidez financeira e económica destes países e o grau de confiança que as medidas de contenção adoptadas transmitiriam ao tal “mercado”.
Mas esta gente está toda doida ou resolveram todos gozar comigo ?
Então os “mercados”, desconfiando que Portugal poderá vir a não poder satisfazer as suas dívidas, resolvem comprar na mesma os títulos ... mas a 7% em vez de 6% ? Então o juro mais alto resolve o problema da credibilidade ?
Meus senhores, deixem-se de “rodriguinhos”. O tal “mercado” não funciona assim, não é uma senhora rica e prudente a investir o seu dinheiro ... O tal “mercado”, meus amigos, são bancos e sociedades gestoras de fundos que todos os dias procuram os investimentos que maximizem os seus lucros. Não perdem tempo com leituras de orçamentos ou de pactos entre partidos. Pura e simplesmente olham em redor e procuram comprar e vender o que maior retorno lhes proporcionar. Acontece que, hoje em dia, a compra de dívida soberana destes países é um grande negócio ! Muito bom negócio, mesmo ! Ao contrário do que se possa pensar , o risco é baixo, bastante baixo, ninguém acredita que a Europa e o FMI fossem deixar ir à falência algum destes países. E se assim é, o risco é mínimo, malta ! Risco mínimo e lucro máximo.
Pura e simplesmente, as taxas têm subido ... porque podem subir, sem risco de ruptura. Vão tentando, sempre um pouco mais acima, tendo o cuidado de não subir tão alto os juros que venha o FMI estragar-lhes o negócio.
Estão a ver ?
Que raio é que isto tem a ver com a aprovação ou não do orçamento português ? Ou com a credibilidade de Portugal vir a pagar a sua dívida ? Se eles duvidassem, mesmo a sério, não investiam na nossa dívida e ponto final.
sexta-feira, outubro 29, 2010
FUNDAÇÃO CIDADE DE GUIMARÃESGuimarães é uma cidade linda e muito bem preservada. A praça que se vê na foto foi objecto de um trabalho notável de recuperação. Para quem não souber, Guimarães não é uma grande cidade ( ainda bem para quem lá vive, não é ? ), tem pouco mais de 50 mil habitantes. É sede de um concelho que foi e ainda é, apesar da crise, fortemente industrializado, com têxteis, cutelaria, calçado, etc ... Terra de gente trabalhadora, portanto.
Pois bem, soube-se hoje : a Câmara Municipal da cidade promoveu a constituição de uma fundação, cujo objectivo não conheço bem mas não será difícil adivinhar : a FUNDAÇÃO CIDADE DE GUIMARÃES. O leitor vê algum mal nesta fundação ? Bom, o problema é que esta Fundação, como qualquer fundação que se preze, tem um Conselho de Administração. Com pessoas a ocupar os respectivos cargos, claro. Há um Presidente do Conselho de Administração e acho que dois ou três vogais. Tudo bem, por enquanto, não é ?
O pior é que foi tornado público, agora, que o sr Presidente aufere um salário mensal de 14.500 euros e cada vogal 12.000 euros. Leram bem, 14.500 e 12.000 euros. Por mês. Todos os meses. Pagos ... por nós, obviamente.
Leitor, é isto que tenho tentado demonstrar : neste desgraçado país, PERDEU-SE A VERGONHA. Começou-se a "sacar" dinheiro ao Estado como se fosse a coisa mais natural do Mundo. Todos os pretextos são bons. Empresas Municipais, Institutos Públicos, Observatórios, Fundações. Vale tudo. Ninguém os trava, ninguém os perturba, metem ao bolso, descaradamente, 14.500 euros por mês para ser presidente de uma fundação chamada Cidade de Guimarães !!! É uma orgia completa, pessoal.
Este senhor é um caso único ? É um caso de falta de vergonha único no panorama nacional ? É apenas um caso de polícia ?
NÃO ! MIL VEZES NÃO !!
Como este senhor, e o senhor presidente da Câmara que autorizou este roubo institucional, há MILHARES neste nosso país. De Norte a Sul. Nas Câmaras, no Governo, nos Institutos, proliferam por todo o País ! Piores que cogumelos.
E claro, depois batem-me à porta, e à sua também, leitor, de mão estendida, a dizerem-me que é preciso dar mais dinheiro ao País. Claro que é preciso mais dinheiro, malta, vá lá, este senhor da Fundação Cidade de Guimarães não pode ficar sem o seu modesto salário.
Não acha, leitor ?
PS - garanto ao leitor que nem sequer sei se é o PS ou o PSD a presidir à CM de Guimarães, nem quem foi o Presidente que "inventou" esta Fundação. Não costumo pautar as minhas apreciações pelas cores partidárias, portanto é-me indiferente. Muito menos conheço o senhor presidente da dita Fundação. E é bem melhor que nunca o venha a conhecer, nunca apreciei dar-me com gente que enfia as mãos nas minhas algibeiras.
quinta-feira, outubro 28, 2010
A ARTE DA ILUSÃO
Quase todo o Portugal pensante tem andado preso à novela do acordo-não acordo-talvez afinal acordo do PS com o PSD.
Aí está. Ilustra bem aquilo que penso e me tenho esforçado por escrever. Não me interessa para nada esse acordo. O PSD está condenado a deixar passar o orçamento e é o que vai fazer. Nesse caso, porquê toda esta excitação com o raio do acordo ? Se existir um acordo vai mudar significativamente a situação ou tornar bom um orçamento de desastre ? Claro que não. Então ?
Repito : este é o problema de sempre, este é o mal que sempre vi acompanhar os nossos políticos, mesmo os das outras gerações : a incapacidade de pensar e liderar o país em direcção a um porto seguro.
Então, não seria melhor andarmos já a discutir mas é o que vamos fazer a seguir, durante 2011 e 2012 e anos seguintes ? Como vamos conseguir uma boa execução orçamental em 2011, com este Governo, se já este ano não conseguiram uma redução da despesa muito menor ? Que garantias dá este Governo de fazer algo por este País ?
Mais : que raio vamos fazer em 2012, para descer o défice de 4 ou mais provavelmente 5 % para 3% ? Outro corte salarial, mais sangue ?
Quando vamos repensar a estrutura e organização do nosso Estado e fazer emagrecer essas incontáveis empresas municipais e institutos e afins ? Quando vamos obrigar o nosso Governo (outro porque este já não vale a pena o esforço ) a executar essas mudanças ? Quando vamos discutir o que podemos fazer para ajudar o tecido produtivo do país a reformular-se, a reconstruir-se, a crescer ? Quando vamos apostar nesta ou naquela direcção de crescimento e jogar tudo nessa estratégia ?
Quando vamos discutir o que queremos e podemos ser no conjunto dos países da Europa?
E depois de discutir e decidir, quando vamos adoptar políticas de incentivos, financeiras e fiscais, para fazer o País guinar para esse lado ?
Será pedir muito ?
Será impossível escolher e votar em pessoas preocupadas com essas coisas e não com fatinhos caros e carros topo de gama ?
Leitores, amigos : façam-se ouvir, digam a esta gente que estão fartos e querem vê-los a merecer o dinheiro que lhes pagamos ! Falem, gritem, chamem-lhes nomes ou sejam educados, mas mostrem que estão fartos desta forma de desgoverno, deste fingimento, desta incompetência !
Se não fizerem nada disso, aviso : preparem-se para mais sangue no 2º trimestre de 2011.
Vão ser tempos difíceis e duros, arranjemos gente competente para pilotar o barco em águas revoltas, não deixemos o leme nestas mãos amadoras e incompetentes.
Quase todo o Portugal pensante tem andado preso à novela do acordo-não acordo-talvez afinal acordo do PS com o PSD.
Aí está. Ilustra bem aquilo que penso e me tenho esforçado por escrever. Não me interessa para nada esse acordo. O PSD está condenado a deixar passar o orçamento e é o que vai fazer. Nesse caso, porquê toda esta excitação com o raio do acordo ? Se existir um acordo vai mudar significativamente a situação ou tornar bom um orçamento de desastre ? Claro que não. Então ?
Repito : este é o problema de sempre, este é o mal que sempre vi acompanhar os nossos políticos, mesmo os das outras gerações : a incapacidade de pensar e liderar o país em direcção a um porto seguro.
Então, não seria melhor andarmos já a discutir mas é o que vamos fazer a seguir, durante 2011 e 2012 e anos seguintes ? Como vamos conseguir uma boa execução orçamental em 2011, com este Governo, se já este ano não conseguiram uma redução da despesa muito menor ? Que garantias dá este Governo de fazer algo por este País ?
Mais : que raio vamos fazer em 2012, para descer o défice de 4 ou mais provavelmente 5 % para 3% ? Outro corte salarial, mais sangue ?
Quando vamos repensar a estrutura e organização do nosso Estado e fazer emagrecer essas incontáveis empresas municipais e institutos e afins ? Quando vamos obrigar o nosso Governo (outro porque este já não vale a pena o esforço ) a executar essas mudanças ? Quando vamos discutir o que podemos fazer para ajudar o tecido produtivo do país a reformular-se, a reconstruir-se, a crescer ? Quando vamos apostar nesta ou naquela direcção de crescimento e jogar tudo nessa estratégia ?
Quando vamos discutir o que queremos e podemos ser no conjunto dos países da Europa?
E depois de discutir e decidir, quando vamos adoptar políticas de incentivos, financeiras e fiscais, para fazer o País guinar para esse lado ?
Será pedir muito ?
Será impossível escolher e votar em pessoas preocupadas com essas coisas e não com fatinhos caros e carros topo de gama ?
Leitores, amigos : façam-se ouvir, digam a esta gente que estão fartos e querem vê-los a merecer o dinheiro que lhes pagamos ! Falem, gritem, chamem-lhes nomes ou sejam educados, mas mostrem que estão fartos desta forma de desgoverno, deste fingimento, desta incompetência !
Se não fizerem nada disso, aviso : preparem-se para mais sangue no 2º trimestre de 2011.
Vão ser tempos difíceis e duros, arranjemos gente competente para pilotar o barco em águas revoltas, não deixemos o leme nestas mãos amadoras e incompetentes.
segunda-feira, outubro 25, 2010
SOMOS MESMO NABOS, CARAÇAS !Não é nada difícil acreditar nesta notícia. Já muitas vezes escrevi que, em Portugal, ninguém parece saber o que fazer para que a economia cresça. Também não é nada difícil perceber porquê, muita gente tem vindo a alertar para isto de há muitos anos para cá. Não produzimos muitas coisas e, das que produzimos, raras têm elevado valor acrescentado. Como se sabe - mas muitas vezes se finge ignorar, porque dá jeito - a produtividade varia linearmente com o valor de mercado daquilo que se produz. Se eu conseguisse vender pêra Rocha com a mesma margem de Mercedes ou BMWs teria o problema do País resolvido. Mas nós não produzimos automóveis, nem software, nem vendemos petróleo. Não temos um sector decente de pescas nem agrícola, os que tínhamos trocámo-los por um prato de lentilhas da Comunidade Europeia. O nosso sector têxtil, tradicionalmente mal equipado e sobrevivendo á custa de baixos salários há muito que foi destruído pelos chineses e afins. Alguns sub-sectores de componentes electrónicos para automóveis e computadores têm vindo a sair do País, atraídos pelos baixos custos da mão-de-obra oriental ou da Europa de leste. O que nos resta ? O turismo ? O sector de moldes para plásticos ? Curto, muito curto.
O que temos feito para virar esta realidade do avesso ?
A verdade é que muito pouco ou nada. Dir-se-á que o Governo pouco pode fazer, num país com um tecido empresarial tão pobre e desqualificado como o nosso e uma banca tão desgraçadamente virada para coisas como o crédito à habitação ou o crédito a casamentos de luxo e tão pouco dedicada ao financiamento da actividade empresarial.
Até estaria disposto a concordar um pouco com essa ideia, não fosse um raciocínio simples : se este ou aquele governante não é capaz, se se sente impotente para ajudar a mudar os destinos do país ... porque não se demite ? Porque hão-de insistir em nada fazer ? Apenas para ocupar um lugar de prestígio, de onde pode ajudar a malta amiga e a clientela do seu partido ?
Se não são capazes - e não são, como se vê - porque razão não se demitem ?
... é que, graças a essa falta de seriedade e honestidade, andamos a brincar aos países há muitos anos !
Sou levado a concluir, embora de uma forma atrozmente mordaz, que Guterres e Durão Barroso foram os únicos a fazer o que deve ser feito : sair, quando nada se consegue resolver.
Antes isso que isto, embora ultimamente o seguinte seja sempre pior que o anterior !!
sábado, outubro 23, 2010
ATÉ QUANDO VAMOS ATURAR ISTO ?
Quem ouve falar os responsáveis políticos do PS e do PSD, chega muito depressa a duas conclusões :
-> eles não têm nada a ver com a presente situação, tudo isto é apenas devido à crise internacional e aos tipos que especulam a emprestar dinheiro ;
-> eles não fazem a menor ideia de como iremos sair deste buraco, a única coisa que os preocupa para já é a redução do défice.
Estas duas ideias são aterradoras. Roubam qualquer réstea de esperança que ainda existisse. Desanimam qualquer português que ainda saiba pensar e não alicerce as suas ideias nas ilustres cabeças dos senhores Sócrates e Passos Coelho.
Por um lado, fica evidente a total ausência de verdade e mesmo de responsabilidade na relação entre governados e governantes. Mentem, ocultam, escondem, sacodem a água dos capotes. Pior do que tudo o resto, porventura, são incompetentes, tomam decisões obviamente erradas, não hesitam em privilegiar certos grupos sociais em detrimento de outros, perpetuam práticas totalmente repugnantes de compadrio e protecção indevida e ilegal a familiares, amigos, gente do partido.
Em segundo lugar, aqui para nós que ninguém nos ouve, nenhum destes senhores faz a menor ideia do que será preciso fazer para sair deste atoleiro. Não faz ideia ... e nem sequer se preocupa em fingir que tem qualquer coisa parecida com uma ideia. Ou então dizem coisas espantosas como aquela de que as energias alternativas é que vão ser o futuro da economia. Nada, das cabeças de toda aquela gente não sai energia nenhuma positiva. A pouca que existe é usada apenas para conservar o poder e afirmar que está tudo bem.
Sabem, leitores, são estas duas questões que me andam a tirar o sono. Estas pessoas que supostamente deveriam ser os nossos lideres, não lideram coisa nenhuma afinal. Vão apenas fazendo navegação à vista, conforme as ordens que os donos da Europa lhes gritam. Donos da Europa que, em meu entender, são lideres tão maus e tão míopes como os nossos a nível interno.
Enfim, uma completa tristeza e falta de esperança.
Aposto que, se as coisas continuarem assim, daqui a um ano ( ou menos ) vamos gramar com outra redução dos salários, igual ou pior do que esta.
Quem aposta contra mim ?
Quem ouve falar os responsáveis políticos do PS e do PSD, chega muito depressa a duas conclusões :
-> eles não têm nada a ver com a presente situação, tudo isto é apenas devido à crise internacional e aos tipos que especulam a emprestar dinheiro ;
-> eles não fazem a menor ideia de como iremos sair deste buraco, a única coisa que os preocupa para já é a redução do défice.
Estas duas ideias são aterradoras. Roubam qualquer réstea de esperança que ainda existisse. Desanimam qualquer português que ainda saiba pensar e não alicerce as suas ideias nas ilustres cabeças dos senhores Sócrates e Passos Coelho.
Por um lado, fica evidente a total ausência de verdade e mesmo de responsabilidade na relação entre governados e governantes. Mentem, ocultam, escondem, sacodem a água dos capotes. Pior do que tudo o resto, porventura, são incompetentes, tomam decisões obviamente erradas, não hesitam em privilegiar certos grupos sociais em detrimento de outros, perpetuam práticas totalmente repugnantes de compadrio e protecção indevida e ilegal a familiares, amigos, gente do partido.
Em segundo lugar, aqui para nós que ninguém nos ouve, nenhum destes senhores faz a menor ideia do que será preciso fazer para sair deste atoleiro. Não faz ideia ... e nem sequer se preocupa em fingir que tem qualquer coisa parecida com uma ideia. Ou então dizem coisas espantosas como aquela de que as energias alternativas é que vão ser o futuro da economia. Nada, das cabeças de toda aquela gente não sai energia nenhuma positiva. A pouca que existe é usada apenas para conservar o poder e afirmar que está tudo bem.
Sabem, leitores, são estas duas questões que me andam a tirar o sono. Estas pessoas que supostamente deveriam ser os nossos lideres, não lideram coisa nenhuma afinal. Vão apenas fazendo navegação à vista, conforme as ordens que os donos da Europa lhes gritam. Donos da Europa que, em meu entender, são lideres tão maus e tão míopes como os nossos a nível interno.
Enfim, uma completa tristeza e falta de esperança.
Aposto que, se as coisas continuarem assim, daqui a um ano ( ou menos ) vamos gramar com outra redução dos salários, igual ou pior do que esta.
Quem aposta contra mim ?
quarta-feira, outubro 20, 2010
O CUSTO DA INCOMPETÊNCIA
O que mais me custa, neste verdadeiro terramoto que nos está a cair em cima, é ninguém responsável nos vir dizer o que aconteceu e porquê, e muito menos dar um vislumbre de esperança no futuro, explicando qual é a “táctica” para sairmos do “buraco”.
Tudo está a suceder como se fosse uma inevitabilidade, como se tivesse mesmo sido um terramoto, do qual ninguém tem culpas.
É extraordinária esta desfaçatez, esta falta de sentido das responsabilidades, este assobiar para o lado.
É a crise a culpada, dizem.
A crise ??
Mas então não foi uma crise das instituições financeiras, dos bancos ? Não foi a ganância desses loucos ávidos de dinheiro que precipitou o Mundo nesta crise ?
E se foi, como parece que foi, porque carga de água somos nós a pagar ?? Como é que os causadores da crise continuam impávidos e serenos, com lucros de muitos milhões, a pagar 5 ou 6% de impostos, enquanto a mim me tiram cada vez mais ??
É ou não verdade que o Governo meteu no BPN qualquer coisa como 4.000 milhões de euros, verba suficiente para reduzir o défice este ano ? E se é verdade, quem lhes deu autorização para fazer isso ?
E agora, que história é esta de andarmos a dar ao doente paninhos quentes, para ver se acalmamos os mercados ?
Os mercados ??
Mas que raio de entidade mítica é essa que nos está a governar, na realidade ? Então dantes era a mão invisível e agora são os mercados ??
E esses senhores dos tais mercados, que se aproveitam das debilidades dos povos e das imbecilidades dos seus governantes, não podem ser regulamentados, disciplinados ?
Então se há o risco de um país ir à ruina e não honrar o pagamento da sua dívida soberana, com mais 3 ou 4% nas taxas de juro esse risco já não é grave ?? Ou tudo isto do custo do risco é uma grande treta e trata-se apenas de especulação, com todas as letras ? E, se assim for, não será mesmo melhor a intervenção do FMI, já que as taxas desses pelo menos não são especulativas ?
E que faz a Europa, com o seu conjunto de políticos medíocres e incompetentes ? Traça uma estratégia de futuro ? Preocupa-se com o desenvolvimento de amanhã ?
Não, apenas vê o défice, apenas está preocupada com o défice, as pessoas que se lixem.
Meus caros amigos, talvez agora vejam os meus motivos. Talvez agora desculpem a minha obsessão anti-Sócrates e anti-mediocridade geral dos políticos. Agora ficou visível ( e palpável ) o custo extremo que todos vamos pagar por esta incompetência generalizada.
Pessoalmente, não me agrada nada ter razão e termos ido bater no fundo como eu receava há anos. Nada disto me agrada, como é natural, mas nada disto me surpreende. Vantagens da idade e de alguma experiência por esses meandros da vida.
O que me espanta, isso sim, apesar de tudo, é a desfaçatez, a tranquilidade, o “não tenho culpa nenhuma nisto” destes senhores.
Isso, sim, espanta-me e indigna-me.
O que mais me custa, neste verdadeiro terramoto que nos está a cair em cima, é ninguém responsável nos vir dizer o que aconteceu e porquê, e muito menos dar um vislumbre de esperança no futuro, explicando qual é a “táctica” para sairmos do “buraco”.
Tudo está a suceder como se fosse uma inevitabilidade, como se tivesse mesmo sido um terramoto, do qual ninguém tem culpas.
É extraordinária esta desfaçatez, esta falta de sentido das responsabilidades, este assobiar para o lado.
É a crise a culpada, dizem.
A crise ??
Mas então não foi uma crise das instituições financeiras, dos bancos ? Não foi a ganância desses loucos ávidos de dinheiro que precipitou o Mundo nesta crise ?
E se foi, como parece que foi, porque carga de água somos nós a pagar ?? Como é que os causadores da crise continuam impávidos e serenos, com lucros de muitos milhões, a pagar 5 ou 6% de impostos, enquanto a mim me tiram cada vez mais ??
É ou não verdade que o Governo meteu no BPN qualquer coisa como 4.000 milhões de euros, verba suficiente para reduzir o défice este ano ? E se é verdade, quem lhes deu autorização para fazer isso ?
E agora, que história é esta de andarmos a dar ao doente paninhos quentes, para ver se acalmamos os mercados ?
Os mercados ??
Mas que raio de entidade mítica é essa que nos está a governar, na realidade ? Então dantes era a mão invisível e agora são os mercados ??
E esses senhores dos tais mercados, que se aproveitam das debilidades dos povos e das imbecilidades dos seus governantes, não podem ser regulamentados, disciplinados ?
Então se há o risco de um país ir à ruina e não honrar o pagamento da sua dívida soberana, com mais 3 ou 4% nas taxas de juro esse risco já não é grave ?? Ou tudo isto do custo do risco é uma grande treta e trata-se apenas de especulação, com todas as letras ? E, se assim for, não será mesmo melhor a intervenção do FMI, já que as taxas desses pelo menos não são especulativas ?
E que faz a Europa, com o seu conjunto de políticos medíocres e incompetentes ? Traça uma estratégia de futuro ? Preocupa-se com o desenvolvimento de amanhã ?
Não, apenas vê o défice, apenas está preocupada com o défice, as pessoas que se lixem.
Meus caros amigos, talvez agora vejam os meus motivos. Talvez agora desculpem a minha obsessão anti-Sócrates e anti-mediocridade geral dos políticos. Agora ficou visível ( e palpável ) o custo extremo que todos vamos pagar por esta incompetência generalizada.
Pessoalmente, não me agrada nada ter razão e termos ido bater no fundo como eu receava há anos. Nada disto me agrada, como é natural, mas nada disto me surpreende. Vantagens da idade e de alguma experiência por esses meandros da vida.
O que me espanta, isso sim, apesar de tudo, é a desfaçatez, a tranquilidade, o “não tenho culpa nenhuma nisto” destes senhores.
Isso, sim, espanta-me e indigna-me.
domingo, outubro 17, 2010
OS ANOS DA RAIVA E DA VERGONHA
Toda esta situação é vergonhosa. Ou devia ser, para quem é responsável por termos chegado aqui.
Vergonha de andar anos a fio a receber, do dinheiro dos contribuintes, quantias absolutamente exageradas, sem a menor preocupação, sem limite, sem recato.
Vergonha de ver crescer a pobreza, o desemprego e mesmo assim, continuar a sacar o mais possível do dinheiro de todos.
Vergonha de tudo fazer para aumentar os gastos, os desperdícios, a insanidade total da fúria despesista.
Vergonha por todos os pseudo-institutos e empresas municipais e grupos de missão e tudo o que sirva para garantir mais uns largos milhares de euros mensais para os bolsos dos senhores e senhoras.
Vergonha de todos os estudos, trabalhos e simples conselhos comprados a peso de oiro fora dos orgãos públicos, só para agradar a amigos.
Vergonha de tantas e tantas parcerias público privadas, verdadeiros sorvedouros de milhões de euros sem controlo nenhum e muito pouca utilidade pública.
Vergonha de tantos pseudo banqueiros que desviam milhões e nem sequer a face perdem. Vergonha de tantas e tantas decisões parvas, erradas, completamente estranhas ao interesse nacional.
Vergonha de tantas autoestradas sem finalidade nem trânsito.
Vergonha de TGVs quando ao mesmo tempo deixaram destruir o Caminho de Ferro como transporte de mercadorias em todo o país.
Vergonha de tratarem o país com a mesma displicência e falta de brio com que tratam das suas vidas privadas.
Por fim, vergonha de virem agora, depois de tudo o que fizeram de errado, depois de tudo o que gastaram doidamente, virem agora, à força, sob ameaças, com chantagens, extorquirem-nos ainda mais.
Vergonha de fazerem tudo isto, primeiro gastar mal e demais e depois de nos virem pedir para pagar a factura, com um sorriso nos lábios e resquícios de sobranceria e altivez.
Se esta gente a não tem, eu tenho.
Tenho vergonha de não ser capaz de fazer nada para impedir o meu país de ser alvo do saque desta gente.
Tenho vergonha da minha impotência perante estes abutres. Tenho vergonha de não ter coragem, em alternativa, de voltar costas a tudo isto e de ir viver para um qualquer Lanzarote.
Tenho vergonha também de compartilhar o meu país com pessoas que nada ouvem, nada vêem e que dizem que a culpa de tudo isto é da crise, que se há-de fazer.
Tempos de vergonha, de luto, de raiva, de impotência.
Toda esta situação é vergonhosa. Ou devia ser, para quem é responsável por termos chegado aqui.
Vergonha de andar anos a fio a receber, do dinheiro dos contribuintes, quantias absolutamente exageradas, sem a menor preocupação, sem limite, sem recato.
Vergonha de ver crescer a pobreza, o desemprego e mesmo assim, continuar a sacar o mais possível do dinheiro de todos.
Vergonha de tudo fazer para aumentar os gastos, os desperdícios, a insanidade total da fúria despesista.
Vergonha por todos os pseudo-institutos e empresas municipais e grupos de missão e tudo o que sirva para garantir mais uns largos milhares de euros mensais para os bolsos dos senhores e senhoras.
Vergonha de todos os estudos, trabalhos e simples conselhos comprados a peso de oiro fora dos orgãos públicos, só para agradar a amigos.
Vergonha de tantas e tantas parcerias público privadas, verdadeiros sorvedouros de milhões de euros sem controlo nenhum e muito pouca utilidade pública.
Vergonha de tantos pseudo banqueiros que desviam milhões e nem sequer a face perdem. Vergonha de tantas e tantas decisões parvas, erradas, completamente estranhas ao interesse nacional.
Vergonha de tantas autoestradas sem finalidade nem trânsito.
Vergonha de TGVs quando ao mesmo tempo deixaram destruir o Caminho de Ferro como transporte de mercadorias em todo o país.
Vergonha de tratarem o país com a mesma displicência e falta de brio com que tratam das suas vidas privadas.
Por fim, vergonha de virem agora, depois de tudo o que fizeram de errado, depois de tudo o que gastaram doidamente, virem agora, à força, sob ameaças, com chantagens, extorquirem-nos ainda mais.
Vergonha de fazerem tudo isto, primeiro gastar mal e demais e depois de nos virem pedir para pagar a factura, com um sorriso nos lábios e resquícios de sobranceria e altivez.
Se esta gente a não tem, eu tenho.
Tenho vergonha de não ser capaz de fazer nada para impedir o meu país de ser alvo do saque desta gente.
Tenho vergonha da minha impotência perante estes abutres. Tenho vergonha de não ter coragem, em alternativa, de voltar costas a tudo isto e de ir viver para um qualquer Lanzarote.
Tenho vergonha também de compartilhar o meu país com pessoas que nada ouvem, nada vêem e que dizem que a culpa de tudo isto é da crise, que se há-de fazer.
Tempos de vergonha, de luto, de raiva, de impotência.
segunda-feira, agosto 23, 2010
terça-feira, agosto 17, 2010
GET BACK TO WHERE YOU ONCE BELONGED
Leia primeiro e depois veja o video !
Dizem que a letra dessa música, que manda alguém voltar para o lugar de onde veio, foi escrita pelo Paul Mc Cartney, para chatear a Yoko Ono, aquela esquisitíssima mulher que deu a volta ao miolo do John Lennon, e de que ninguém no grupo gostava para além do J. Lennon. O vídeo mostra a gravação em estúdio e as trocas de olhares entre as personagens são muito interessantes.
Este vídeo foi achado nos escombros da antiga gravadora dos Beatles, (Abbey Road Studios) e mostra uma sessão de gravação de uma famosa música dos Beatles (GET BACK), já no crepúsculo do grupo.
Mais histórico ainda: vêem-se dois artistas individuais na gravação, hoje consagrados: participando como teclista das gravações, o grande pianista negro americano Billy Preston (que, posteriormente, faria uma carreira a solo brilhante); e assistindo (pasmem!) à gravação - lá pela altura do minuto 02:11 - o líder de um grupo que já começava a fazer sucesso como substituto natural dos Beatles, Mick Jagger!
Para além do natural enlevo de quem contempla estes jovens e revive o seu próprio tempo, como é o meu caso, que tenho a mesma idade do Paul Mc Cartney, aproveite para ouvir uma canção simples e cheia de ritmo, que poderia muito bem ser aplicada a outros personagens do nosso tempo, e da nossa pátria, quiçá políticos dos quais estamos fartos !
Get back to where you once belonged , Jo Jo ... eH eh eh eh eh ...
Leia primeiro e depois veja o video !
Dizem que a letra dessa música, que manda alguém voltar para o lugar de onde veio, foi escrita pelo Paul Mc Cartney, para chatear a Yoko Ono, aquela esquisitíssima mulher que deu a volta ao miolo do John Lennon, e de que ninguém no grupo gostava para além do J. Lennon. O vídeo mostra a gravação em estúdio e as trocas de olhares entre as personagens são muito interessantes.
Este vídeo foi achado nos escombros da antiga gravadora dos Beatles, (Abbey Road Studios) e mostra uma sessão de gravação de uma famosa música dos Beatles (GET BACK), já no crepúsculo do grupo.
Mais histórico ainda: vêem-se dois artistas individuais na gravação, hoje consagrados: participando como teclista das gravações, o grande pianista negro americano Billy Preston (que, posteriormente, faria uma carreira a solo brilhante); e assistindo (pasmem!) à gravação - lá pela altura do minuto 02:11 - o líder de um grupo que já começava a fazer sucesso como substituto natural dos Beatles, Mick Jagger!
Para além do natural enlevo de quem contempla estes jovens e revive o seu próprio tempo, como é o meu caso, que tenho a mesma idade do Paul Mc Cartney, aproveite para ouvir uma canção simples e cheia de ritmo, que poderia muito bem ser aplicada a outros personagens do nosso tempo, e da nossa pátria, quiçá políticos dos quais estamos fartos !
Get back to where you once belonged , Jo Jo ... eH eh eh eh eh ...
quarta-feira, agosto 11, 2010
TEIMOSIA MINHA OU LEVIANDADE DE ALGUNS ?
Vem-me acontecendo isto com bastante regularidade, e eu já nem tenho a certeza de nada. Entre conhecidos, discutindo isto e aquilo, vejo pessoas que emitem opiniões muito longe da realidade ( pelo menos daquilo que para mim é a realidade ), com o maior dos à vontades, assumindo completamente o direito à opinião expressa, ainda que saibam muito bem, lá por dentro ( acredito eu, se assim não for ainda é pior ) que a sua opinião é mal fundamentada ou não fundamentada de todo.
Creio que a atitude tem a ver com o amor próprio, com a vontade de realçar o seu papel na sociedade, uma série de coisas dessas, que também a mim importam.
A diferença, muitas vezes, é que eu gastei muitas horas de leitura e meditação, ou longos anos de prática profissional, antes de emitir essa opinião e vejo que os outros falam apenas por ouvir dizer ou, em alguns casos, por anos de actividade profissional sem qualquer enquadramento doutrinário ou legal.
Estas circunstâncias sempre me irritaram. Nas conversas de restaurante ou de café, somos todos peritos em tudo, desde a política ao futebol. Eu também.
A verdade é que nunca aprendi a calar-me, nestas ocasiões, e frequentemente me vejo envolvido em disputas parvas, no meio de argumentos de duvidosa racionalidade, irritado, quase aos berros.
Depois, fico chateado e cansado, mas o mal está feito.
Estou farto disto. Estou farto destas situações. Estou também farto ( e magoado ) que pessoas que me são próximas se coloquem em oposição a mim, sistematicamente, não pelo valor dos argumentos em si mas apenas porque acham que não se deve falar alto numa discussão.
Para falar verdade, acho que abuso, por vezes, da minha impaciência e má-educação. Porém, também é verdade que já descobri, por mim, que hoje ninguém gosta de aprender com ninguém e que todos se acham qualificados para falar de tudo em pé de igualdade com os outros. Já não existe modéstia nem vontade de aprender, só existem direitos de igualdade e de livre expressão de opinião.
A excepção é quando algum tipo fala na TV. Aí, dá a ideia que essa pessoa passa automaticamente a ser invadida por uma auréola de sabedoria omnisciente. Essa pessoa passa a ser importante. Como o engº Sócrates antes de ser presidente do PS, nas suas conversas na TV com o dr Santana Lopes, outro candidato a iluminado, por falar na TV.
Se não falarmos na TV, somos iguais a todos os outros, quaisquer que sejam os nosso argumentos.
Para mim, esta história é apenas uma das corrupções introduzidas pela democracia : se o meu voto vale o mesmo que o teu, então a minha opinião é tão boa como a tua.
E não me convences do contrário. JAMAIS.
.
Vem-me acontecendo isto com bastante regularidade, e eu já nem tenho a certeza de nada. Entre conhecidos, discutindo isto e aquilo, vejo pessoas que emitem opiniões muito longe da realidade ( pelo menos daquilo que para mim é a realidade ), com o maior dos à vontades, assumindo completamente o direito à opinião expressa, ainda que saibam muito bem, lá por dentro ( acredito eu, se assim não for ainda é pior ) que a sua opinião é mal fundamentada ou não fundamentada de todo.
Creio que a atitude tem a ver com o amor próprio, com a vontade de realçar o seu papel na sociedade, uma série de coisas dessas, que também a mim importam.
A diferença, muitas vezes, é que eu gastei muitas horas de leitura e meditação, ou longos anos de prática profissional, antes de emitir essa opinião e vejo que os outros falam apenas por ouvir dizer ou, em alguns casos, por anos de actividade profissional sem qualquer enquadramento doutrinário ou legal.
Estas circunstâncias sempre me irritaram. Nas conversas de restaurante ou de café, somos todos peritos em tudo, desde a política ao futebol. Eu também.
A verdade é que nunca aprendi a calar-me, nestas ocasiões, e frequentemente me vejo envolvido em disputas parvas, no meio de argumentos de duvidosa racionalidade, irritado, quase aos berros.
Depois, fico chateado e cansado, mas o mal está feito.
Estou farto disto. Estou farto destas situações. Estou também farto ( e magoado ) que pessoas que me são próximas se coloquem em oposição a mim, sistematicamente, não pelo valor dos argumentos em si mas apenas porque acham que não se deve falar alto numa discussão.
Para falar verdade, acho que abuso, por vezes, da minha impaciência e má-educação. Porém, também é verdade que já descobri, por mim, que hoje ninguém gosta de aprender com ninguém e que todos se acham qualificados para falar de tudo em pé de igualdade com os outros. Já não existe modéstia nem vontade de aprender, só existem direitos de igualdade e de livre expressão de opinião.
A excepção é quando algum tipo fala na TV. Aí, dá a ideia que essa pessoa passa automaticamente a ser invadida por uma auréola de sabedoria omnisciente. Essa pessoa passa a ser importante. Como o engº Sócrates antes de ser presidente do PS, nas suas conversas na TV com o dr Santana Lopes, outro candidato a iluminado, por falar na TV.
Se não falarmos na TV, somos iguais a todos os outros, quaisquer que sejam os nosso argumentos.
Para mim, esta história é apenas uma das corrupções introduzidas pela democracia : se o meu voto vale o mesmo que o teu, então a minha opinião é tão boa como a tua.
E não me convences do contrário. JAMAIS.
.
segunda-feira, agosto 09, 2010
AS MAFIAS DO GÁS - 2Voltemos então à história tenebrosa das mafias do gás em Lisboa.
O que vou narrar é real, verdadeiro e muito recente.
Para resolver um problema de estanqueicidade num troço de 3 a 4 metros de tubagem na sua loja, a minha amiga chamou um responsável de uma firma credenciada pela GDL. O senhor X. veio, viu a natureza do problema, disse que iriam resolver aquilo injectando uma resina XPTO e propôs 620 euros. A tal resina devia incluir compostos de ouro ou platina.
A minha amiga achou muito, telefonou-lhe e ele baixou para ... 600 ! Generoso, o homem. No dia seguinte, à hora combinada, aterra uma carrinha à porta da loja, entram na loja dois tipos novos e inquirem, ameaçadoramente : "Quem é que nos vai pagar ? Nós recebemos sempre à partida, são 250 euros mais IVA ! ".
Bem, a minha amiga, fosse pelo tom brusco e de ameaça ou pelo facto destes falarem em 250+IVA enquanto o "outro" falava em 600, disse logo que sim e pagou-lhes.
Uma horita depois, com a tubagem já "enresinada", os rapazes entregam a factura / recibo e o termo de responsabilidade e põem-se na alheta.
No dia seguinte, a fiscalização do gás vem e declara a questão solucionada, podem abrir o gás !
Eis que a minha amiga, intrigada, recebe um telefonema do senhor X, o tal dos 600 euros, com uma conversa mole do tipo "Então sabe que já tem gás ? O problemazinho já foi resolvido ... ". E a minha amiga : "Ah, sim, pois foi, até tenho um recibo do trabalho e o certificado de responsabilidade, tudo por 250 euros + IVA ... ".
O senhor X fica um pouco atrapalhado, faz uma tosse seca e despede-se, dizendo que há-de passar pela loja para explicar tudo ... Pois, então passe, diz a minha amiga.
Não creio que possa explicar nada que já não saibamos : uma pequena firma, a quem ele encomenda trabalhos, levou 250 euros mais IVA por um trabalho pelo qual ele iria cobrar 600 !!!! Esqueceu-se de avisar os capangas, o sr. X ! Imperdoável !
São 100 % de lucro, apenas por arranjar trabalho aos outros, aos seus subempreiteiros que, com a pressa de receber, revelaram logo todo o esquema.
E é assim que vamos vivendo, neste mundo de grandes e pequenos tubarões, onde toda a gente tem ordem não para matar, como o 007, mas para roubar, da forma que puderem.
Que me dizem a isto ? Não temos uma sociedade maravilhosa ?
.
.
domingo, agosto 08, 2010
TONTICES, INCOMPETÊNCIAS & INCONGRUÊNCIAS
Com a idade, fui-me desinteressando de fenómenos mais imediatos e, em compensação, dou comigo a pensar em coisas simples, mas de escala nacional.
Cheguei à conclusão, por exemplo, que Portugal é um verdadeiro repositório de coisas que não fazem sentido. Nada parece jogar certo.
Querem ver ?
Temos um salário nacional mínimo de 475 euros, mas um bilhete de ingresso para o Jardim Zoológico custa 25 euros, um bilhete de futebol anda pelo mesmo preço e uma refeição normal modesta nunca menos de 10 euros. Um gestor de topo atinge facilmente 10.000 euros ( fora prémios, cartões e carros ) e um Juiz 5, 6 ou 7.000.
Os transportes públicos são relativamente baratos, mas a CP, o Metro, a Carris e todas as outras empresas públicas do sector vivem com dívidas de milhares de milhões de euros. Os hospitais não param de nos surpreender, sejam os públicos sejam os de gestão empresarial ou os de parcerias público-privadas : mais uns milhares de milhões de dívidas. As autoestradas são um mistério para mim, não percebo onde iremos buscar dinheiro para manter toda esta asfaltagem desenfreada.
A Justiça, cujos agentes não se podem queixar de ganhar pouco, está quase totalmente paralisada e não se vê jeito de mudança. A Procuradoria-Geral da República é uma instituição onde, ao que parece, cada um faz o que quer e a mais não é obrigado. Incluindo proteger os amigos.
Mas que raio se passa connosco, afinal ?
Somos, de facto, muito maus a organizar e muito pouco produtivos no trabalho ? Ou temos empresários da carochinha e, ainda por cima, forretas e egoístas ?
Os nossos trabalhadores têm baixa produtividade ou os nossos empresários é que não investem um euro em equipamentos, inovação e processos de trabalho ? Ou acham que os empregados é que devem fazer isso ?
Muitas coisas não podem ser pagas a preço de custo ( os bilhetes para os transportes públicos ) porque ficariam muito caros ou somos nós que temos uns salários de miséria ?
A "história" que muitos economistas nos querem vender, que não podemos pagar salários mais altos por causa da baixa produtividade, não se aplica aos empresários e gestores ? Esses têm sempre altíssimas produtividades ?
Que vai Portugal fazer no futuro, depois de termos placidamente assistido à destruição da nossa agricultura e das nossas pescas ? Vamos todos para o turismo, servir à mesa no Algarve ?
Uma ultima questão : não é para pensar NESTAS COISAS E DAR-LHES SENTIDO QUE PAGAMOS A GOVERNANTES, PRESIDENTE DA REPÚBLICA E DEPUTADOS ? Aparentemente, tem sido dinheiro deitado à rua.
É tudo assim tão difícil ? Com todos os diabos, meus caros senhores, quando é que alguém mostra que tem uma ideia de conjunto para este País desengonçado e envergonhado ?
Ou a culpa, afinal, é da Constituição ???
Com a idade, fui-me desinteressando de fenómenos mais imediatos e, em compensação, dou comigo a pensar em coisas simples, mas de escala nacional.
Cheguei à conclusão, por exemplo, que Portugal é um verdadeiro repositório de coisas que não fazem sentido. Nada parece jogar certo.
Querem ver ?
Temos um salário nacional mínimo de 475 euros, mas um bilhete de ingresso para o Jardim Zoológico custa 25 euros, um bilhete de futebol anda pelo mesmo preço e uma refeição normal modesta nunca menos de 10 euros. Um gestor de topo atinge facilmente 10.000 euros ( fora prémios, cartões e carros ) e um Juiz 5, 6 ou 7.000.
Os transportes públicos são relativamente baratos, mas a CP, o Metro, a Carris e todas as outras empresas públicas do sector vivem com dívidas de milhares de milhões de euros. Os hospitais não param de nos surpreender, sejam os públicos sejam os de gestão empresarial ou os de parcerias público-privadas : mais uns milhares de milhões de dívidas. As autoestradas são um mistério para mim, não percebo onde iremos buscar dinheiro para manter toda esta asfaltagem desenfreada.
A Justiça, cujos agentes não se podem queixar de ganhar pouco, está quase totalmente paralisada e não se vê jeito de mudança. A Procuradoria-Geral da República é uma instituição onde, ao que parece, cada um faz o que quer e a mais não é obrigado. Incluindo proteger os amigos.
Mas que raio se passa connosco, afinal ?
Somos, de facto, muito maus a organizar e muito pouco produtivos no trabalho ? Ou temos empresários da carochinha e, ainda por cima, forretas e egoístas ?
Os nossos trabalhadores têm baixa produtividade ou os nossos empresários é que não investem um euro em equipamentos, inovação e processos de trabalho ? Ou acham que os empregados é que devem fazer isso ?
Muitas coisas não podem ser pagas a preço de custo ( os bilhetes para os transportes públicos ) porque ficariam muito caros ou somos nós que temos uns salários de miséria ?
A "história" que muitos economistas nos querem vender, que não podemos pagar salários mais altos por causa da baixa produtividade, não se aplica aos empresários e gestores ? Esses têm sempre altíssimas produtividades ?
Que vai Portugal fazer no futuro, depois de termos placidamente assistido à destruição da nossa agricultura e das nossas pescas ? Vamos todos para o turismo, servir à mesa no Algarve ?
Uma ultima questão : não é para pensar NESTAS COISAS E DAR-LHES SENTIDO QUE PAGAMOS A GOVERNANTES, PRESIDENTE DA REPÚBLICA E DEPUTADOS ? Aparentemente, tem sido dinheiro deitado à rua.
É tudo assim tão difícil ? Com todos os diabos, meus caros senhores, quando é que alguém mostra que tem uma ideia de conjunto para este País desengonçado e envergonhado ?
Ou a culpa, afinal, é da Constituição ???
quarta-feira, agosto 04, 2010
A MAFIA DO GÁS NATURAL ou O ABUSO PERMANENTE DO CONSUMIDOR
Aqui há uns anos atrás, alguns empresários, escudados no poder político, eternamente desinteressado da defesa do interesse público, decidiram introduzir em Portugal o gás natural. Ou vice-versa, pouco me interessa agora. Em vários locais do País, designadamente em Lisboa, já existia uma rede de distribuição do chamado "gás de cidade". A grande maioria dos prédios da capital dispunham de redes para este tipo de gás, ou em chumbo ( as mais antigas ) ou em tubo galvanizado.
Quando da introdução do gás natural, prometeram-se mundos e fundos, mas a verdade é que NÃO FORAM EXECUTADAS NENHUMAS BENEFICIAÇÕES OU SUBSTITUIÇÕES DAS REDES DE GÁS DOS PRÉDIOS DA CIDADE ! Não era preciso, afirmavam, o gás natural trabalhava à mesma pressão do gás de cidade !
Toda a gente engoliu esta inverdade. A verdade, verdade, que se tem vindo a revelar dramaticamente ao longo destes últimos anos, é que o gás natural é um gás seco, ao contrário do gás de cidade. Este último, com a humidade que lhe estava associada, garantia a estanqueicidade das canalizações, muitas delas com uniões feitas à custa do velho fio de sisal que só é eficaz enquanto húmido.
Lembro-me que, colocado o assunto na Assembleia da República, a GDL garantiu que iria "humidificar" o gás natural, para evitar a proliferação de fugas nas velhas redes da cidade.
Cumpriram o prometido ?
NUNCA !
Diariamente, um pouco por toda a cidade de Lisboa, a GDL obriga os consumidores a ensaios das suas instalações, que invariavelmente chegam à conclusão de que existem quebras de pressão, vulgo fugas. Ao darem essa triste notícia ao cliente, juntam logo uma lista de firmas reparadoras, dizendo ao cliente para telefonarem. Em resumo, há largas dezenas de famílias em Lisboa, TODOS OS DIAS ( gostava de saber quantas ) a serem exploradas, pagando a essas firmas largos milhares de euros que deveriam ter sido despesa da GDL. Ninguém lhes pediu o gás natural, meu Deus, o gás de cidade era perfeito e nunca havia fugas !!
Em simultâneo com a introdução do gás natural, deu-se a criação de centenas de firmas para reparação das tais fugas que toda a gente do meio sabia que iam aparecer. Ao mesmo tempo, criaram mais uma quantidade de entidades inspectoras, para fiscalizar o trabalho das outras. Tudo coincidências curiosas. Umas e outras firmas numa obscena mistura cruzada de capitais, acabando todas por pertencer ou ter interesses umas nas outras.
O "cozinhado" continua diariamente, toda a gente já percebeu o que eles fazem e fizeram mas ninguém tem alternativas, se quiser continuar com o gás natural.
Conheço pessoas e até restaurantes que, cansados desta tourada e desta exploração, se viraram para o "tudo eléctrico" ou mesmo para o gás propano, em depósitos industriais.
Enfim, negócios à portuguesa, com tudo o que esta expressão implica de irresponsabilidade e de falta de vergonha.
A MAFIA do gás natural, em Lisboa, não é nada natural, amigos, é mesmo uma mafia totalmente artificial que todos nós toleramos por indiferença e comodismo.
Aqui há uns anos atrás, alguns empresários, escudados no poder político, eternamente desinteressado da defesa do interesse público, decidiram introduzir em Portugal o gás natural. Ou vice-versa, pouco me interessa agora. Em vários locais do País, designadamente em Lisboa, já existia uma rede de distribuição do chamado "gás de cidade". A grande maioria dos prédios da capital dispunham de redes para este tipo de gás, ou em chumbo ( as mais antigas ) ou em tubo galvanizado.
Quando da introdução do gás natural, prometeram-se mundos e fundos, mas a verdade é que NÃO FORAM EXECUTADAS NENHUMAS BENEFICIAÇÕES OU SUBSTITUIÇÕES DAS REDES DE GÁS DOS PRÉDIOS DA CIDADE ! Não era preciso, afirmavam, o gás natural trabalhava à mesma pressão do gás de cidade !
Toda a gente engoliu esta inverdade. A verdade, verdade, que se tem vindo a revelar dramaticamente ao longo destes últimos anos, é que o gás natural é um gás seco, ao contrário do gás de cidade. Este último, com a humidade que lhe estava associada, garantia a estanqueicidade das canalizações, muitas delas com uniões feitas à custa do velho fio de sisal que só é eficaz enquanto húmido.
Lembro-me que, colocado o assunto na Assembleia da República, a GDL garantiu que iria "humidificar" o gás natural, para evitar a proliferação de fugas nas velhas redes da cidade.
Cumpriram o prometido ?
NUNCA !
Diariamente, um pouco por toda a cidade de Lisboa, a GDL obriga os consumidores a ensaios das suas instalações, que invariavelmente chegam à conclusão de que existem quebras de pressão, vulgo fugas. Ao darem essa triste notícia ao cliente, juntam logo uma lista de firmas reparadoras, dizendo ao cliente para telefonarem. Em resumo, há largas dezenas de famílias em Lisboa, TODOS OS DIAS ( gostava de saber quantas ) a serem exploradas, pagando a essas firmas largos milhares de euros que deveriam ter sido despesa da GDL. Ninguém lhes pediu o gás natural, meu Deus, o gás de cidade era perfeito e nunca havia fugas !!
Em simultâneo com a introdução do gás natural, deu-se a criação de centenas de firmas para reparação das tais fugas que toda a gente do meio sabia que iam aparecer. Ao mesmo tempo, criaram mais uma quantidade de entidades inspectoras, para fiscalizar o trabalho das outras. Tudo coincidências curiosas. Umas e outras firmas numa obscena mistura cruzada de capitais, acabando todas por pertencer ou ter interesses umas nas outras.
O "cozinhado" continua diariamente, toda a gente já percebeu o que eles fazem e fizeram mas ninguém tem alternativas, se quiser continuar com o gás natural.
Conheço pessoas e até restaurantes que, cansados desta tourada e desta exploração, se viraram para o "tudo eléctrico" ou mesmo para o gás propano, em depósitos industriais.
Enfim, negócios à portuguesa, com tudo o que esta expressão implica de irresponsabilidade e de falta de vergonha.
A MAFIA do gás natural, em Lisboa, não é nada natural, amigos, é mesmo uma mafia totalmente artificial que todos nós toleramos por indiferença e comodismo.
sábado, julho 31, 2010
O MEU PORTO DE ABRIGO PESSOALO TIRAGOSTOS é uma pequena loja de pronto-a-comer, datada de meados dos anos 80, propriedade de uma pessoa minha amiga. Fica quase á frente da porta do prédio onde vivo, em Lisboa (Benfica), é só atravessar a rua. É uma sala decorada com sobriedade e bom gosto, azulejos brancos, atravessados por lintelos amarelos, móveis de madeira castanha, com portas de ripas entrecruzadas. No alto dos armários, galinhas de cerâmica e dois ou três panelões em latão brilhante. Nas paredes, três ou quatro aguarelas de patos selvagens, com uns verdes e azuis muito suaves. Não há outra loja assim, acreditem.
Conheço esta pequena loja desde que foi inaugurada, em 1985 ou 1986. A minha mulher costumava lá ir frequentemente, beber café e ou comer uma das excelentes empadas caseiras de galinha. Depois, quando ela partiu, habituei-me também a ir lá todos os dias, com a minha filha. Pequeno-almoço, almoço, apenas conversa, esta pequena loja tornou-se a minha referência diária, ao longo dos últimos anos. A simpatia e o sorriso da sua dona acolheram-me e ajudaram-me, nesse momento da minha vida, confesso. Tornámo-nos amigos, convivemos para além das quatro paredes da loja, mas a loja, aquela loja, continuou sempre a ser o meu porto de abrigo diário.
Aqui há uns anos, quando a dona decidiu fazer obras de renovação da loja, empenhei-me no processo, orientei tecnicamente os trabalhos, fiz mesmo muitas coisas com as minhas mãos, gastei largas dezenas de horas dentro daquelas paredes, sózinho, discutindo com o fogão e a fritadeira a incompetência do pintor, arregaçando as mangas e fazendo eu próprio o que o homem deveria ter feito.
Enfim, algo de mim ficou naquelas paredes e naquele pavimento.
Quanto à senhora sua dona, aquela loja foi a sua companheira fiel de muitos anos, todos os dias, com sol e com chuva, com clientes ou sem eles, em momentos de euforia e muitos outros de desânimo. Aquela pequena loja apossou-se de grande parte da alma da sua dona, acho eu. Da minha também, o que é estranho, porventura.
A verdade é que a loja mudou hoje de dono. A sua ( verdadeira ) dona alugou a exploração da loja a um casal, eram precisos sangue e entusiasmos novos.
Para ela, a sua dona de sempre, foi o fim de uma relação de 25 anos, sem quebras de fidelidade. Vai ser difícil para ela, senti-o hoje, ao ver o ar infeliz e desnorteado dessa minha amiga. É sempre doloroso terminar uma relação, afinal.
Quanto a mim, foi o fim de um era, mais do que de um ciclo. Não só pela minha amizade com a dona, mas também pela relação que eu próprio desenvolvi com a loja.
É o fim do meu porto de abrigo diário, do meu café matinal e da minha primeira conversa do dia, acolhido pelo sorriso amigável da minha amiga.
Pode ser que continue a entrar naquela loja, para um café ou mesmo um almoço, mas nada será o mesmo. Uma parte da minha vida desapareceu, com aquela mudança na loja. Sei que uma enorme parte da vida da sua dona também fica para trás, para sempre embebida naquelas paredes e naqueles bancos amarelos.
The show must go on, porém. Muita sorte aos novos "donos", muita sorte à minha amiga. Por mim, acho que não vou conseguir substituir o meu porto de abrigo diário, os anos não perdoam.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
