terça-feira, julho 31, 2012

EUROPA, O RASTILHO ESTÁ ACESO, QUEM O VAI APAGAR ?

A política devia ser algo claro e feita aos olhos de toda a gente, como naqueles restaurantes em que a cozinha fica exposta aos clientes.
Devia, mas não é.
Pelo contrário, é um jogo de sombras, é uma espécie de ilusionismo de salão, cheia de truques. Quanto mais se olha menos se vê, menos se percebe.
Nestes dias de Verão - e, para alguns, de férias - esta ideia ganha muita força quando se olha para a Europa e se tenta perceber o que se está a passar. Muito difícil, muito preocupante.
Por detrás de qualquer um dos personagens existem realidades com que é preciso entrar em conta. Por detrás da Srª Merkel existem as opiniões dos alemães, na sua maioria, extremamente egoístas e pouco esclarecidas, mas decididamente contra o Euro e a Europa. Como sempre, de resto, estão contra tudo o que não comandam ou que lhes pode custar uns tostões, mesmo depois de terem enriquecido à custa da mesma Europa, em grande parte.
Não gosto de julgar levianamente, muito menos a maneira de ser dos povos, mas a verdade ... é que nunca gostei da forma alemã de estar no mundo.
Temos depois os gregos, que também nunca percebi bem. Um país e um povo simpático, em muitas coisas parecidos connosco, mas com vícios sociais tremendos entre eles uma grande tendência para dizerem uma coisa ... e fazerem outra.
Há ainda os parceiros bem conhecidos da Espanha - dirigida agora por um team desnorteado e sem garra - e da Itália, os habituais frios e egoístas do norte, Holanda, Finlândia e semelhantes. Nem valerá a pena mencionar a Grã-Bretanha, sempre com um pé cá e dois lá, sempre preparada para a fuga e marimbando-se na ideia de Europa.
Uma Comissão errática e manifestamente sem chama nem inspiração, um presidente da entidade mais crítica de toda a Europa - o Banco Central Europeu - com comportamentos estranhos seguidos de pomposas declarações de intenções, agora sob suspeitas por ter vindo directamente ( ou quase ) do mundo privado banqueiro e fazer parte de um clube esquisito, de banqueiros e políticos, cujas intenções não se conhecem bem, mas que eu iria jurar serem defender os interesses da grande Banca até ao último suspiro.
Dito isto, assim, sem grandes alardes nem riquezas, o que fica da Europa, leitor ? Ou melhor, o que podemos esperar das entidades com responsabilidade no presente e futuro da Europa ?
Haverá por aí alguém que, por acaso ou ingenuidade, ainda acredite neles ?
Haverá por aí alguém que ainda tenha uma fé inabalável no Euro e, consequentemente, na Europa ??
Eu gostaria de ter, mas não tenho. De momento, as minhas esperanças mais fundas vão no sentido de que se consiga evitar o descalabro financeiro total, com desvalorizações brutais no regresso às moedas de origem, e mais : que se consiga evitar o desmembramento da Europa, com todos os perigos e ressentimentos daí recorrentes.
Não me convinha mesmo nada, no Outono/Inverno da minha vida, cair no meio da Terceira Guerra Mundial, uma vez mais começada na Europa ... e com a ajuda da Alemanha.
Haja ainda alguma esperança e bastante bom senso em toda a gente.

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domingo, julho 29, 2012

TEXTO PARA VELHOS CÍNICOS OU COM DÚVIDAS ...

Nesta fase da minha vida, aos 69 anos, uma das minhas maiores dificuldades ou preocupações é conseguir situar-me neste tempo que vivemos.
Passo a vida a perguntar a mim mesmo : é a tua velhice a trabalhar, estás a ficar senil ou as coisas estão mesmo aparvalhadas e ninguém se entende ?
Não sei. Palavra que muitas das vezes não sei. É difícil distinguir fronteiras neste mundo confuso e confundido. Os valores éticos e morais de outros decénios evaporaram-se, novos valores são-nos impingidos todos os dias, as fronteiras entre a honestidade e o oportunismo quase não existem já ...
Cresci habituado à segurança de valores estabilizados e aceites por todos. Vivi coisas como a guerra, uma revolução, as mini-saias, os Beatles, Elvis Presley, os judeus, vítimas de Hitler e agora candidatos a algozes para com os palestinianos, a queda da União Soviética e do Muro de Berlim, e ainda antes disso a destruição quase total da minha fé pessoal no socialismo dos homens reais.
Vi como a sociedade elegia o consumo desenfreado como religião, como a tecnocracite propõe a compra de objectos estranhos que já ninguém sabe o que são ( telemóveis ? micro-computadores ? máquinas de jogos ? Máquinas fotográficas ? ), vi endeusarem pessoas a quem chamaram génios só porque se dedicaram a inventar essas brincadeiras caras e inúteis, vi e continuo a ver o centro do poder mundial deslocar-se da indústria para o mundo financeiro, paradigma de quem nada produz e mesmo assim cria riquezas incalculáveis sem nenhuma base real ...
Nestes últimos tempos, ainda por cima, quando as leis internas dessa economia mistificada e mistificadora anunciaram o desastre, vi como nos atiraram para os ombros a responsabilidade de resolver os problemas. A nós, que nada tínhamos contribuído para o descalabro.
Vivi independências de novas nações, vivi a perda da mesma independência por parte de outras nações ( como a nossa ), vivi grandezas, assisti a mentiras à escala mundial, com total impunidade, como foi o caso último da gripe das aves ...
Vivi o aparecimento do politicamente correcto, do medo à opinião diferente, assisti à força crescente e imparável da homosexualidade, como um direito de opção, para já, quem sabe como uma obrigação num futuro próximo :)
Ao longo de todos estes anos fui sendo testemunha do caminho inexorável do ser humano para a destruição, através da insustentabilidade do nosso meio ambiente. Gelos que derretem, correntes de água ao contrário, secas e cheias todas no mesmo saco, todas elas imprevisíveis, enquanto metade da comunidade científica e dos governos, a soldo das grandes multinacionais ou delas dependentes, continua a combater a ideia do sobreaquecimento.
Vi o aparecimento, no meu país, da chegada ao poder de jovens tão ambiciosos como ignorantes, cheios de auto-confiança ... e de comportamentos totalmente desastrosos para o País.
Pois é, amigos, para encurtar : vi, vivi ou assisti a tudo isto, impotente, muitas vezes com um enorme azedo na boca. Passei - passámos, nós, os mais velhos - por tudo isto, umas vezes feliz outras vezes inquieto e infeliz.
Mas a verdade, verdadinha, que o meu espírito cartesiano e a minha honestidade intelectual me mandam dizer, a verdade é que em relação à minha concordância ou discordância, com que cataloguei todas estas questões, não sei se é apenas a minha velhice a trabalhar, e o Mundo não vai assim tão mal como isso, ou se afinal andamos todos alegremente a dizer e a fazer parvoíces tremendas ... a destruir os nosso próprios alicerces e a produzir um animal qualquer apenas parecido com o homem.
Aceito opiniões. Ou mesmo dúvidas, como as minhas. Ou diferentes.

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sexta-feira, julho 27, 2012

EXPLOREM, CAMBADA, MAS AO MENOS CALEM-SE ...

Outra coisa que me anda a irritar sobremaneira é a quantidade enorme de organismos, instituições, economistas e outras entidades estrangeiras que anda por aí a pronunciar-se sobre Portugal, ensinando-nos o que deveríamos fazer, dando conselhos, fazendo previsões e outras manigâncias do género. Nos últimos tempos foram a OCDE, o FMI, o BCE, a Comissão Europeia e um economista qualquer prémio Nobel em mil novecentos e carqueja, para além de todo o bicho careta nacional, como o insustentável e indisfarçável Ferraz da Costa, e o falsamente independente economista João Duque. Toda esta gente ilustre repete a cartilha mais-que-liberal do corta-corta, reduz salários, tira subsídios, manda para a miséria. Parece que não sabem pensar, limitam-se a recitar o livro das receitas que os poderosos do mundo editaram há muito tempo, agora repescado do fundo das gavetas.
Curiosamente, embelezam as suas previsíveis declarações com afirmações contraditórias, ditas no fim do discurso, à laia de "vejam bem nós não somos assim tão indiferentes à vossa miséria ... ".
O FMI, por exemplo, depois de nos incentivar a cortar mais aqui e acolá, a eito, acrescenta, no fim, "cuidado com o cansaço da austeridade" ! Não sei bem como entender isto, será que insinuam que deveríamos chamar-lhe outra coisa, como por exemplo, expiação de pecados antigos ?
A verdade, verdade é que toda esta gente anda por aqui como abutres, cortem, cortem, reduzam, reduzam, enquanto vão abrindo caminho para os amigos especularem à doida no "mercado" das dívidas públicas e na compra de empresas rentáveis e estratégicas ( electricidade, gás, aeroportos, etc ... ). Indiferentes à irracionalidade das suas recomendações, alheios aos seus efeitos nefastos e contraditórios, "lixando-se" para a miséria que vão espalhando. ( se o Passos Coelho usa esta expressão é porque é boa, não ? )
Malta, apetece mesmo dizer-lhes : CALEM-SE, PORRA, NÃO QUEREMOS OS VOSSOS CONSELHOS, JÁ VIMOS ONDE VAMOS PARAR SE OS SEGUIRMOS.
O QUE VOCÊS QUEREM SABEMOS NÓS, É SURRIPIAR TODA A RIQUEZA QUE AINDA RESTA, É FAZER DE NÓS UMA CHINA OU ÍNDIA NA EUROPA, EM TERMOS DE SALÁRIOS.
SE VOCÊS NÃO NOS VÃO DEIXAR DE CHATEAR, PELO MENOS APRENDAM A DIZER QUALQUER COISA COM SENTIDO E A NÃO SEREM TÃO TRANSPARENTES QUANTO ÀS VOSSA INTENÇÕES, CAMBADA DE HIPÓCRITAS DIREITINHAS.
CALEM-SE, PORRA, JÁ NÃO SUPORTAMOS TANTOS DISCURSOS.

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quinta-feira, julho 26, 2012

ESTOU FARTO

Estou farto de ouvir Paulo Portas, outros deputados do CDS e do PSD e variadíssimos comentadores afirmarem que a decisão do Tribunal Constitucional ( declarando a inconstitucionalidade dos cortes nos subsídios apenas a pensionistas e funcionários públicos ) criou um problema ao país e que vai ser agora muito difícil encontrar uma solução. Acrescentam esses iluminados políticos e comentadores que os funcionários públicos ganham mais que os privados e têm mais segurança no emprego, portanto o princípio da igualdade não se devia aplicar.
Mas que porra é esta ? Mas que gentalha ignorante, hipócrita e sem grandeza é esta ? Mas que raio tem a ver o que os funcionários públicos ganham ou não ganham ou a hipotética segurança no trabalho com esta questão ?
Entendamo-nos : a igualdade que a Constituição fala e que o Tribunal Constitucional reconhece é a igualdade perante a lei e perante o esforço que é pedido ao povo português. É a igualdade que proclama que, se é preciso um esforço colectivo, ele deve ser pedido proporcionalmente a todos os portugueses e não apenas só a alguns, em função da natureza do seu vínculo contratual. Em palavras simples, O DÉFICE É DO PAÍS, TODOS DEVEM PAGAR POR IGUAL, EM FUNÇÃO DO QUE GANHAM OU DO QUE LUCRAM.
Haverá coisa mais simples de entender ?
Não é esta a filosofia subjacente ao imposto sobre o rendimento, em Portugal ? Ou os gestores do sector empresarial do Estado não deviam pagar IRS porque se trata de funções temporárias que cessam no fim do mandato ? Ou a mesma coisa se devia aplicar ao sr. ministro Paulo Portas, também não devia pagar ?
ESTOU FARTO DESTES CÍNICOS HIPÓCRITAS.
Aparentemente, estes senhores acham que os funcionários públicos deviam pagar a totalidade da crise : salários e progressões na carreira congelados, descontos nos vencimentos, entre 3,5 e 10% ( ou já se esqueceram ? ) desde 2011, agora mais 14,3% dos cortes dos subsídios, amanhã se bem lhes aprouver outro cortezito de mais 10%, assim é que deve ser ???
Ainda por cima, enquanto andaram a "engordar" as despesas do Estado, criando institutos, observatórios e altos isto e aquilo, com bons salários para familiares, amigos e primos, não se preocuparam com os gastos  ... agora, queriam cortar em todos os funcionários públicos ?
O raio que parta toda esta gente sem princípios nem grandeza, mandem embora toda essa gente que nunca devia estar a soldo do Estado, limpem o Estado de toda a tralha com que o engordaram viciosamente e talvez os cortes não precisem ser tão grandes.
ESTOU FARTO, DE FACTO, DESTA GENTE. FORAM ELES E MAIS NINGUÉM QUE LEVARAM O PAÍS A ESTA SITUAÇÃO, FORAM ELES E MAIS NINGUÉM QUE FIZERAM DO PAÍS UMA COUTADA E SE APROPRIARAM DA POUCA RIQUEZA EXISTENTE, NÃO FOI O POVO, NÃO FORAM OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS !
Estou tão farto que a minha vontade, um destes dias, é de dar umas boas bofetadas a um destes teóricos dos sacrifícios para os outros !



sábado, julho 21, 2012

AQUELE SENHOR É MINISTRO DA EDUCAÇÃO ou É SOLICITADOR DE EXECUÇÃO DE DÍVIDAS ???

Hoje de manhã estive a ver ( em diferido, claro ) a audição do ministro da educação, no Parlamento, a pedido do Bloco de Esquerda. Confesso, não toda a audição, só algumas partes.
É aflitivo. É desanimador. É de fugir.
Aquele senhor que aceitou desempenhar as funções de ministro da educação mostrou bem, repito mostrou bem que não percebe nada sobre o funcionamento das escolas, que não lhe interessa para nada o sucesso ou insucesso da escola pública e que não hesita em mentir - repito : em mentir - ao responder às perguntas dos deputados. Neste dia da audição, evita responder com os números da hecatombe que provocou nas escolas, diz que é um processo evolutivo, blá-blá-blá, tudo isto sem convicção, sem chama, mostrando claramente que é apenas o agente dos cortes na educação, não mais do que isso.
É fantástico como estas pessoas aceitam cargos destes com esta leviandade, ou com esta falta de sensibilidade. Todo o desempenho do senhor é uma tristeza, tanto do ponto de vista da sua falta de preparação para o cargo - ainda que a finalidade fosse apenas cortar na educação - como do ponto de vista da sua cultura geral, incluindo nesta a sua capacidade de verbalizar ideias.
Uma pobreza.
Ao que nós chegámos...

sexta-feira, julho 20, 2012

PORTUGAL A TROUXE-MOUXE

Já o disse antes, mas repito-o hoje : viver em Portugal cansa-me muito. Não é propriamente a terra que me cansa, são as pessoas e as suas atitudes.
Por acasos do nascimento e educação, sou uma pessoa que aprecia o rigor, a competência, o estudo dos problemas, a capacidade de decisão e de execução daquilo que se decide.
Abomino a incompetência, o chico-espertismo, o laxismo, a falta de vergonha, a vigarice. Lamento não estar mais "à la page" com o que é norma no nosso país, mas é assim que eu sou. Eu e muitos outros portugueses, eu sei.
Esta explicação é importante para que se perceba o meu cansaço actual de viver no meu país.
De facto, viver em Portugal, hoje, e tentando permanecer informado, é uma actividade quase masoquista, tal é a quantidade de novidades diárias totalmente arrasadoras para o meu "ego".
Não há apenas corrupção esporádica ou intermitente no meu país, o que parece é não haver outra coisa para além da corrupção. Em todos os níveis, em todas as vertentes e significados. Compadrio. Vantagens ilegais ou, se não ilegais, pelo menos não éticas. Defesa exagerada e excessiva dos interesses próprios - ou do partido - em detrimento da verdade ou do bem comum. Interesseirismo. Trafulhice, tentativas de negar coisas erradas que se fazem ou fizeram. Fugas à responsabilidade criminal, civil e sobretudo ética e moral. Sei lá que mais ...
Os julgamentos acabam quase sempre inconclusivos, sem ninguém condenado ( a não ser os desgraçados dos delitos comuns, claro ) ou, se o foram, sem nunca irem para a cadeia. O Ministério Público leva casos a julgamento, ou não, consoante as suas convicções pessoais e políticas. Ou então pelo que lê nos jornais, conforma declarações de hoje ao Diário de Notícias do Procurador-Geral, a propósito da famosa não-licenciatura. Os senhores deputados, os senhores banqueiros, emitem opiniões que ninguém lhes pediu e normalmente  bem reveladoras dos seus interesses pessoais ou de grupo. Por vezes disfarçadas com o bem da Nação, como um distinto banqueiro que afirma que a recente decisão do Tribunal Constitucional é "extremamente perigosa para o País". ( Claro que seria ainda mais perigosa se se tratasse de um novo imposto para a Banca ... ).
Bem vistas as coisas, vivemos num país em putrefacção, que começa a exalar um cheirinho bem desagradável.
Meu Deus, então na política governamental, as coisas são mesmo surrealistas. Vivemos uma espécie de santalopismo sem Santana Lopes, com a agravante de vivermos em crise e do senhor Primeiro Ministro se levar a sério e estar convencido de que sabe governar.
Patético.
À excepção do homem-contabilista das Finanças, todos os outros personagens me fazem lembrar os miúdos da minha rua, nos meus oito ou dez anos, a  jogar aos cobóis e aos índios, convencidos que  éramos os maiores do Ribatejo. Sabem tanto da governação e das necessidades do país como nós sabíamos de cobóis e índios. Tentávamos fazer caras convincentes, dizíamos coisas que pensávamos ser apropriadas, mas, no fundo, era tudo uma imensa brincadeira.
Tínhamos uma vantagem sobre o nosso Governo : as nossas brincadeiras não faziam mal a ninguém, excepto a algum cão ou gato vadio que fugiam aterrorizados das nossas setas e tiros.
Reparem só nesta, se ainda não ligaram ao assunto : o sr. Ministro da Educação ( e Ciência ??? ) produziu recentemente uma data de medidas sobre as nossas Escolas ( ver meu post anterior ), com a preocupação óbvia de reduzir horários e deixar de pagar a uma data  de professores.
Os efeitos foram catrastóficos, Escolas houve onde ficaram sem horários quase 1/3 dos professores ! O bom do sr. Ministro, alarmado com o excesso das suas medidas, apressou-se a divulgar uma catrefada de tarefas complementares que os professores sem horários atribuidos poderão desempenhar nas Escolas, evitando assim a catástrofe. Só que todas essas medidas apanham as Escolas com muita gente em férias, não há medidas concretas, vai ser um granel do caraças !
Nesta mesma altura, e decerto com as mesmas motivações, atira o sr Ministro cá para fora uma verdeira revolução no ensino profissional, metendo ao barulho os institutos de formação profissional, as escolas e as empresas. Prometendo mundos e fundos ( dinheiro, almoços e festas na cabeça, acho eu ) aos putos menores de 24 anos e com o 9º ano feito que queiram ir para esta via profissional.
Tudo bem, até concordo com a ideia. Mas esta ideia levará tempo a colocar no terreno, acho eu. O Ministro não acha, não faz a menor ideia do que é preciso fazer para pôr a funcionar uma coisa destas bem preparada. O Ministro acha que basta um comunicado de imprensa e que o resto é imediatamente feito pelas escolas e centros de formação. Quanto às empresas  ( modelo alemão, até nisto ) temos tempo para lhes perguntar se querem alinhar no modelo ...
E é assim, pessoal.
Afinal, lixar os mesmos do costume e abandalhar completamente um pequeno país até é fácil.
Não precisamos cá para nada do "engº" Sócrates, temos cá "drs" que sabem fazer isso na perfeição.

segunda-feira, julho 16, 2012

ATAQUE TREMENDO E COBARDE AO ENSINO NÃO SUPERIOR

Nos últimos meses, sorrateiramente, o Ministério da Educação tem vindo a preparar, uma a uma, várias medidas que modificaram substancialmente a vida das Escolas e os recursos humanos que nelas trabalham. Tudo dissimuladamente, com a CÍNICA alegação da qualidade do ensino.
Vejam apenas as mais importantes :

a) alteração profunda dos currículos : acaba com isto, tira aquilo dali, corta acolá ... ;
b) alteração da forma como é organizada a carga horária dos professores, de uma forma insidiosa, começando a falar em minutos e adoptando a unidade dos 50 minutos para uma "aula"  : resultado, cada professor ficará com mais uma turma, em média, perda imediata de vários horários ;
c) forçar a que cada turma tenha 30 alunos ;
d) limitar fortemente ou mesmo acabar com o ensino nocturno em muitas escolas onde tal era habitual, enquanto o ME continue a subsidiar, com dinheiros públicos, colégios privados onde o mesmo continua, por norma de baixa qualidade ;
e) forçar à aglomeração de escolas diferentes em grandes unidades de 3000 e mais alunos, em muitos casos afastadas de vários quilómetros, apenas com uma equipa de gestão.

Olha-se para estas medidas e admira-se o cinismo e a sem-vergonha da justificação da qualidade do ensino. Estas medidas vão, obviamente, piorar o ensino nas escolas : mais alunos por turma, mais turmas por professor, mais escolas por gestor, menor variedade e riqueza curricular.
Destinam-se então a quê, estas medidas : a baixar custos salariais na educação. A despedir professores tornados desnecessários. A embaratecer o sistema. Provavelmente, a degradar de tal forma o ensino público que abra perspectivas de bons negócios ao sector privado.
Dir-se-á que a tal somos obrigados pela troika, pela falta de dinheiro.
Não.
Tudo isto é para além da troika, tudo isto é feito sem dar cavaco a ninguém, sem uma atitude de coragem e honestidade. Esta verdadeira revolução liberal de destruição do ensino público é conduzida de uma forma matreira e dissimulada, contando com a nossa distração e com a tradicional apatia dos professores mais velhos, sempre alheados destas coisas que os não afectam, pensam eles.

Num primeiro momento, a aplicação destas regras conduziu a duas consequências :

--> acabar completamente, a nível nacional, com 15 a 20.000 professores contratados que há dezenas de anos eram considerados necessários ao ensino ;

-->acabar com um número ainda incerto de lugares de professores dos quadros, com estimativas entre 5 a 10.000 lugares ;

Leitor : vamos mesmo conceder que talvez pudessem existir professores a mais. Pessoalmente não creio, mas enfim ... Agora convenhamos : de 20.000 a 30.000 professores a mais, NUNCA, não é possível, é uma verdadeira desgraça para o nosso ensino público, é matar dois coelhos com um só tiro : reduzir a despesa e destruir o ensino público nestes escalões !
Mas vamos mesmo conceder, por redução ao absurdo, que a realidade é mesma essa, a de que existiam 30.000 professores a mais ... Então esta forma de encarar o problema e de mandar para fora do sistema toda esta gente, sem discutir o problema nas sedes próprias, não é pura e simplesmente repugnante, ainda por cima invocando a qualidade do ensino em Portugal ?

 Esta forma insidiosa, sonsa, dissimulada de resolver a questão é INDIGNA. INADMISSÍVEL.
Gente sem grandeza, gente pequenina, gente sem vergonha, co'os diabos, não há outra forma de colocar a questão.




sexta-feira, julho 13, 2012

PÉROLAS

Afirmou hoje Paulo Portas, algures na Madeira, acho eu, a propósito da decisão do Tribunal Constitucional de considerar inconstitucionais os cortes dos subsídios : "Temos de saber e entender que, se o problema de Portugal é défice do Estado, não é justo pretender que o sector privado tem a mesma responsabilidade de ajudar".
Assim falam os Ministros deste nosso país. Assim erram, clamorosamente, os políticos deste nosso país.
A afirmação de Paulo Portas é um disparate da cabeça aos pés. É apenas um jogo de palavras, ainda por cima de palavras tontas. 
Então, sr. Paulo Portas, o défice como é público tem que ser resolvido apenas à custa do sector público ??? Terá o senhor alguma vez pensado porque raio se chama sector público e défice público ? Será que o senhor pensa que o défice público é provocado apenas pelas despesas das pessoas que trabalham no sector público ? 
Será que o senhor, caro Paulo Portas, ministro dos negócios estrangeiros deste país ( deve ser por isso ... ) não sabe que dentro do défice público estão as despesas com a Justiça, a Educação, a Saúde, a Segurança e a Defesa, a Segurança Social, etc, etc, que são encargos com a satisfação das necessidades de todos os portugueses, trabalhem eles no sector privado ou no público ? 
Será que ignora que o dinheiro gasto com o BPN e com a recapitalização de outros bancos, com impacto no défice público, foi assim gasto com a justificação da defesa do interesse nacional ?
Sr ministro Paulo Portas, o senhor estava distraído, certamente, quando atirou essa frase para a comunicação social, não estava ?
Ou não estava e é mesmo assim, ignorante ?
Bom, não se torne a equivocar : no Orçamento do Estado estão inscritas receitas provenientes dos impostos de TODOS os portugueses e, por outro lado, despesas com serviços para proveito dos mesmos TODOS os portugueses, pelo menos em teoria.
Então, fica assente ? O défice público é um assunto que deve ser resolvido por TODOS os portugueses ? Ficou convencido que disse um disparate, ou não ? 
Caso tenha dúvidas, senhor Ministro, sugiro-lhe que pergunte ao seu colega de governo, o senhor Ministro Relvas, ao que parece ele é entendido nessas questões teóricas.
Despeço-me com amizade, sr. Ministro Paulo Portas, o senhor é um jovem que até me despertava alguma simpatia, dos tempos do Independente ...

sexta-feira, julho 06, 2012

DE SÓCRATES A PASSOS COELHO, UMA HISTÓRIA DE ENCANTAR

Para os leitores que gostem de xadrez, ou de estratégia, ou apenas de jogos de intriga e poder, aqui vai uma boa história.
Durante seis anos, numa terra longínqua, o poder político foi exercido por um jovem ambicioso, ignorante e desmiolado, de uma forma inconsequente e irresponsável, acumulando dívida pública e manifestando grande desprezo por todos quantos se lhe opunham. Para qualquer pessoa experiente, era visível que esse tiranete estava apenas a abrir caminho para a chegada da direita ao poder, enquanto ia aproveitando para dar aos amigos grandes negociatas.
Com o empurrãozito da crise financeira entretanto surgida ( pela qual os bancos foram responsáveis, é bom não esquecer ), esse convencido e obstinado aprendiz de feiticeiro foi apeado e logo substituído por uma espécie de seu clone, desta vez da área da direita liberal. Este novo iluminado tinha uma teoria encarniçada dentro de si : em Portugal, era preciso acabar com o Estado social e transformar todos os sectores em áreas de negócio ... só assim viria a verdadeira felicidade para todos. ( ?? )
Nunca em Portugal, há mais de um século, tinha existido uma maioria social de apoio a esta teoria económica velha e desacreditada que, de resto, já tinha sido responsável pela crise financeira, uma vez que se opõe a qualquer forma de regulação da actividade financeira.
Assim, escondido no manto da crise, e usando o capital de descrédito acumulado por Sócrates, o jovem político começou a tentar concretizar a sua agenda. Não era tanto o combate à crise que o motivava, o que ele pretendia, no fundo, era destruir todas as resistências a uma nova era de negócios universais, em todas as áreas e domínios. Bom, aqui para nós, apenas uma interpretação mais radical da mesma velha história anterior.
Cortou aqui e ali, aumentou impostos, desmantelou e extinguiu onde achou melhor, sempre com o pretexto da diminuição do défice e do controlo da dívida pública. Que, de resto, e para ele incompreensivelmente, não cessavam de aumentar. Entre as suas muitas habilidades, impôs o corte abrupto a todos os funcionários públicos de uma parte dos seus vencimentos e também dos subsídios de férias e natal, em conjunto com os pensionistas. Nada de monta, apenas cerca de 20% de redução salarial, em média ! Para alguns mesmo cerca de 25% ! Nem se deteve a pensar que os pobres não tinham a culpa de nada, e que era injusto aplicar os cortes apenas a eles. Também não perdeu muito tempo a ouvir palavras de crítica e preocupação de várias personalidades desse longínquo país, quanto à inconstitucionalidade da medida pretendida. Ele é que sabia, que se lixasse a Constituição, logo se alteraria, quando calhasse. De alguma forma imitou Soares, daquela vez em que meteu o socialismo na gaveta : agora era Passos Coelho a meter a Constituição na ( mesma ? ) gaveta.
Entretanto, alheios a todas estas preocupações, dois sectores económicos do país exultavam e acumulavam riqueza : as construtoras, verdadeiros aspiradores de dinheiros públicos ( porque alguém nisso alinhou, relembre-se ) e os queridos bancos, onde foram parar, de uma forma directa ou indirecta, grande parte dos recursos financeiros dos habitantes desse país.
Quanto a estas duas entidades, a benevolência do jovem político mandante era total. Tudo para a Banca, meus senhores, eles são o garante da actividade económica ! Curiosamente, no dia a dia, a Banca comprazia-se em fazer o contrário, sabotando completamente a mesma actividade económica, levando juros de 7 e 8% às PME com dinheiro que ia buscar à Europa a 1% .... Mas isso parecia não fazer esmorecer o nosso bem amado líder, indiferente a essas minudências.
As construtoras e as grandes empresas do ramo energético continuavam a sua actividade de bombas sugadoras das algibeiras do zé pagante, ora subindo exageradamente o preço dos combustíveis e energia ou gás, ora recebendo tranquilamente rendas avultadas do Estado para manter em funcionamento as suas centrais, ora ainda averbando milhares e milhares de milhões de euros por terem construído autoestradas onde circulam cada vez menos automóveis.
A estes sectores, o nosso jovem líder nada fazia que os perturbasse. Fingia que sim, uma ou outra vez, mas afinal nada de concreto, era sempre mais fácil ir directamente aos bolsos dos populares, que não tinham advogados para os defender nem chorudos cargos para oferecer.
Obviamente, o país desmembrava-se. O desemprego crescia, imparável, enquanto o jovem e os seus mentores se mostravam surpreendidos, imagine-se.
Eis senão quando, no meio deste cataclismo, o Tribunal Constitucional tem um rebate de consciência e afirma, nove contra três, que o corte dos subsídios é inconstitucional ! Alegria de uns e espanto e raiva de outros. Como podia ser ? Ainda bem que afinal era inconstitucional ... mas só em 2013, porque este ano a malta ainda ia gramar o corte ! Do mal o menos, não é ?
Pelo meio, perdidos nesta selva de fingimentos e compadrios, ainda há tempo para assistir a episódios burlescos, como aquele dos tipos que acabaram com as Novas Oportunidades, por manifesta falta de rigor e que, afinal, tinham feito licenciaturas pelo mesmo sistema em Universidades do reino !
Só visto, o país está transformado numa espécie de opereta, com enredo de segunda e actores de terceira ... mas espectadores-pagantes de primeira, o que é o pior.
A farsa irá continuar, nos próximos meses.
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quinta-feira, julho 05, 2012


ACORDEM, ANDAM A SAQUEAR O PAÍS !

Nós, os portugueses, somos demasiado pacientes e pacíficos.
Com tudo o que se vai passando neste nosso desgraçado país, já devíamos ter dado uns quantos murros na mesa ( ou noutros pontos mais apropriados ) e gritado : BASTA !
Mas não, aguentamos tudo, desde o previsível ao inimaginável. Desde ministros com licenciaturas supersónicas até à mais sórdida concubinagem entre a banca, o poder político e as empresas beneficiárias das PPP. 
Desde a total ausência de pudor na escolha dos sacrificados até ao mais completo desprezo pelo seu sofrimento diário.
Tenho vergonha dos governantes que o meu país arranjou.  Tenho ódio a quem diariamente procura destruir tudo aquilo por que lutei durante anos : um serviço nacional de saúde, um sistema de ensino público de qualidade, um país equitativo e com oportunidades para todos, premiando a qualidade e o esforço e ultrapassando privilégios de classe social, de família, de partido.
Ilusões, apenas ilusões. Esta rapaziada atrevida e ignorante, ambiciosa e sem ética, desejosa de um enriquecimento rápido, destruiu tudo em poucos anos. É verdade que começou a sério com Sócrates e não apenas agora com o PSD/CDS, mas essa constatação de pouco me serve.
É uma desgraça completa, um país aprisionado por interesses privados, um fartar vilanagem, uma rapina total, hienas e abutres escondidos nas abas negras da crise.
Acordem, portugueses, abram os olhos e soltem a vossa indignação. Afinal, sob o pretexto da crise, andamos a ser violentamente roubados de pertences, haveres e de esperança.
Não deixem que nos roubem também a dignidade.
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sábado, maio 12, 2012

ELOGIO DO DESEMPREGO ou É PRECISO É TER LATA

Ficou desempregado ? 'No problem', a malta tem que perceber que ficar desempregado não é mau, necessariamente. Um gajo pode até aproveitar para mudar de vida, não é ? Por exemplo, se você era mecânico numa empresa de camionagem, pode aproveitar e criar a sua própria empresa, já viu ? Ou se era operária têxtil no Vale do Ave, porque não aproveitar para começar uma carreira a vender T-shirts e fatos de treino na feira de Carcavelos ? É preciso é ter iniciativa e não se deixar esmagar pelas dificuldades. Não se esqueça que a Banca aí está, cheia de facilidades, a apoiar a iniciativa privada, etc ...
Em síntese, é preciso ver sempre as vantagens, não é ? Se ficar desempregado, lembre-se que também não tem de se levantar cedo todos os dias. Já viu ? Até é porreiro, pá !
Andam por aí a dizer que o nível de desemprego é alarmante e que muita miséria está a acontecer. Falso, totalmente falso. O que vai acontecer é que mais de um milhão de pessoas vai mudar de vida, quiçá metade deles poderão vir a ser empresários, mesmo. Quem assim fala é inimigo do Governo, isso é a oposição a pretender que o país está em fanicos e que assim não vamos lá.
Vamos pois, não tarda muito teremos o país a crescer exponencialmente, vão ver ! Mesmo com 20% de desemprego, deixem-nos acertar as contas e vão ver o crescimento a aparecer. É garantido, pá, acreditem.
E aqui para nós, mesmo se não houver crescimento e o desemprego ficar igual ao da Espanha ( 25% ), que se lixe, pelo menos temos o défice controlado e as exportações a aumentar. E as empresas que eram do sector público estarão nas mãos de outros senhores, e as PPP continuam na mesma a dar fortunas a meia dúzia de grupos económicos. E os salários terão diminuindo, permitindo aos nossos empresários maiores lucros. Que venham outros depois preocuparem-se com o crescimento e a diminuição do desemprego, já que são tão amigos dos pobrezinhos.
Por nós, teremos feito a nossa missão e aproveitado bem a crise. Quem pode contestar esta verdade ?

PS - esta é a minha interpretação sobre a sábia forma de pensar do nosso governo, nos tempos que correm. Para esta interpretação, baseio-me no que ouço ( do governo ), no que vejo e também, em muitos casos, no que não vejo fazer.

sexta-feira, maio 11, 2012

FALTA DE MEMÓRIA OU PURA HIPOCRISIA ?

O ministro alemão das Finanças, o senhor Schäuble, rejeitou, há um ou dois dias, a adopção de programas de crescimento na zona euro fomentados por novas dívidas.
"Pegar em dinheiro que não se tem, não é fazer política de crescimento, esse é o caminho errado", insistiu o ministro alemão, advertindo que Berlim irá ter muita atenção a este aspecto nas negociações a nível europeu para uma nova estratégia de crescimento.

Leitor, veja como as circunstâncias modificam os homens e o que eles dizem : isto que o sr. Schäuble afirma rejeitar foi precisamente aquilo de que a Alemanha beneficiou no pós guerra e lhe permitiu o desenvolvimento de que goza hoje. Mais : entre os muitos países que emprestaram ( deram ) dinheiro à Alemanha estava ... a Grécia, imaginem.

Se esta estratégia deu resultado então e permitiu à Alemanha crescer, porque raio é que agora é pecado e não se deve fazer ???

Ahhhhh ... já sei, é por isso : é que nem Portugal, Irlanda ou a Grécia são como a Alemanha, tão trabalhadores e eficientes. E puros. E imaculados. Estes países não merecem essa oportunidade, eles sim.
Estes países não são de confiança, caramba, eles sim. Aquela história de terem destruído a Europa em duas guerras devastadoras e criminosas, isso não interessa, eles são bons e de confiança.
Este é o cerne do pensamento alemão sobre o resto da Europa, sabem ? Sempre o foi, não me espanta nada.
O que me espanta são os tipos que acreditam piamente neles e os tomam como modelo de virtude. Ou que lhes dão espaço de manobra política e os deixam tentar conseguir pela economia o que não conseguiram pelas armas.
Releiam o que disse o sr. ministro alemão, relembrem a história da II Guerra Mundial e do pós guerra e ficarão com uma ideia clara do que é a hipocrisia desta direita alemã despudorada e acéfala, grande responsável pelos tormentos que a Europa suporta actualmente.

sexta-feira, maio 04, 2012

O CAMINHO PARA A DERROCADA

Portugal está meio apalermado, meio apatetado. Aquela ideia de que tudo se compunha sempre, que o melhor era não nos preocuparmos demasiado parece que já não funciona. Não se vislumbra oiro do Brasil, o petróleo do Alentejo está demorado, a pimenta da Índia já ninguém a compra ( e também já não há India portuguesa ) e os dinheiros da Europa vão escasseando. Co'os diabos, querem ver que é desta que temos mesmo que trabalhar a sério ?
Vai ser chato como tudo. Não temos empresários decentes, nem trabalhadores qualificados, nem bancos interessados na economia real ( por oposição ao lucro fácil ), nem políticos com uma visão descomprometida e nacional. Como é que vamos conseguir ?
Competitividade ? Mas como, Deus meu, se a única coisa que todos estes gajos pensam é em reduzir salários ? Como é que, com todas estas Universidades e Institutos e Academias ninguém ainda explicou a esta gente que a competitividade é uma coisa que pouco tem a ver, hoje, com salários baixos ? Porque é que essa gente não reflecte um pouquinho sobre a AutoEuropa, aqui entre nós, ou sobre o êxito de algumas firmas portuguesas no estrangeiro ?
O que é que caracteriza essas firmas, o que é ? Salários baixos ? Uma produtividade espantosa ? Custos extremamente baixos dos factores de produção ?
Ná. Frio.
É simples : produzem artigos de grande qualidade, apetecidos por muita gente no Mundo. Criaram uma imagem, defendem-a, vão sempre melhorando o que produzem, situam bem o comprador-alvo dos seus produtos, gastam rios de dinheiro em organização, em equipamentos topo de gama, em designers, em marketing et voilá ! Tão simples como isso.
Ou acreditam que os automóveis chineses, de concepção chinesa, mesmo com a mão de obra ao preço da uva mijona, vão competir com os Volkswagen, BMW e Mercedes ? Não me parece.
Então ? Porquê insistir na tecla já muito gasta dos salários ?
A resposta é simples : porque é fácil, não obriga os empresários a grandes estudos nem reconversões nem investimentos e sempre vai dando para o BMW e a amante, para quê outras preocupações ?
E é assim, neste doce torpor, neste ambiente anestesiado, com governantes e presidentes apáticos e conformados, com sindicatos atónitos e de olhar esgazeado, é assim que vamos vivendo e morrendo lenta mas inexoravelmente.
Embora toda esta boa gente vá fazendo de conta, fingindo que fazem a mais pequena ideia do que estão a fazer. Desde 1976, pelo menos, que vejo este fingimento sorrateiro, esta delapidação morna e esconsa do nosso país, este caminhar suave para a derrocada final.
Digam-me que estou enganado, POR FAVOR.

segunda-feira, abril 30, 2012

VIVEMOS NUMA DEMOCRACIA ESFRANGALHADA

Vivemos em democracia. Mas que raio é isso da democracia, a representativa, como a nossa ? É uma espécie de cartão dourado que dá direito a quem tem mais votos de fazer o que quiser ? Nos tempos que correm, é isso mesmo que parece, sabem ? É que, durante a campanha eleitoral, fazem-se promessas que depois das eleições são completamente esquecidas. Outras vezes, tomam-se decisões totalmente ausentes do programa eleitoral, com o maior dos à vontades, como se a delegação de poderes que lhes demos valesse para tudo.
A sério, pessoal, estou disposto a admitir uma certa margem entre o que se promete e o que se faz. Mas isto excede tudo o que é razoável, isto é a negação da democracia tal como a vejo, tal como está escrita. E se assim é, isto é abuso de poder, isto é tirania, isto é a negação da democracia.
Nesta história dos subsídios, garanto-vos que aquilo que me rói por dentro não é saquearem-me a minha pensão. Não é o dinheiro, é aquela sensação de injustiça, de impotência perante a iniquidade do despotismo.
Repisemos : então neste nosso simulacro de democracia, vale tudo entre eleições ? É assim uma coisa tipo "votem votem, deixem-me lá apanhar no poder que logo vos digo ?"
É para garantir este joguinho vicioso e aldrabão que existem orgãos ( caros, diga-se de passagem ) cuja missão é garantir que a democracia funciona e que as leis são respeitadas ? A Presidência da República e o Tribunal Constitucional estão lá para quê ? Não esqueçamos que não é Deus ou a República quem lhes paga as contas, não é ?
Da ultima vez que o Tribunal Constitucional se pronunciou sobre esta matéria justificou a sua concordância com o facto de se tratar de uma medida de emergência e temporária, bem delimitada no tempo. E então, ainda sustenta a mesma decisão ??
Com todos os diabos, pessoal, o desrespeito começou com Sócrates, bem sei e isso não retira um milímetro de força à minha razão. Também nunca gostei de Sócrates, não sou do PS ( nem de nenhum outro partido, diga-se ) e mantenho as minhas telhas todas de cerâmica de barro, não de vidro. Por isso, digo-vos : para mim, chega. Não me interessa para nada da crise nem do défice ( não tenho responsabilidades em nada disso ) nem quero saber se o Governo precisa de ir aos bolsos dos cidadãos ou não.
Para mim, ao tomarem-se decisões destas sem sequer as discutir na Assembleia, estão a exceder as competências do Governo, estão a fazer da democracia uma caricatura, estão a elevar a mentira e o livre arbítrio ao poder.
Repito : estar-me-ia nas tintas para os subsídios, se o meu país deles necessitasse e se essa decisão tivesse sido tomada em legitimidade completa em termos representativos, ou seja, depois de ter sido divulgada antes das eleições. Assim, afirmando hoje que era só por 2 anos ( para suavizar o impacto e o Tribunal Constitucional ver ? ) e amanhã dizendo que só em 2018, assim não.
Pessoalmente, não aceito esta decisão como legítima. Espero para ver o que acontece, mas até lá afirmo que, para mim, este Governo está a governar pela força, fora da legitimidade da representação política democrática e fora da legitimidade constitucional.
Ou seja, para mim não estamos mais a viver em democracia plena, vivemos uma democracia limitada e mentirosa. E quem estiver interessado neste tema que comece a pensar que novos caminhos a democracia representativa deve tomar, para minorar ou evitar estes abusos continuados do poder.



domingo, abril 15, 2012

MISTER SCROOGE

Lembram-se do sr. Scrooge, aquele velho avarento dos contos de Natal ingleses, inventado por Charles Dickens ? Um destes dias lembrei-me dele, vá-se lá saber porquê.
Isto aqui em Portugal parece de facto um conto. Não um conto simpático de Natal, com muitas luzinhas e música à maneira, mas um conto de terror, com lobisomens e encruzilhadas à meia noite. Claro que a acção também mete um mr. Scrooge, agarrado ao dinheiro que conta e reconta, sem o utilizar em nada de útil. Quanto ao restante enredo, é confuso, ninguém conhece bem o guião. Até suspeito que não existe guião nenhum e que cada personagem faz o que quer, numa vertigem quase pornográfica. E digo pornográfica, desculpe-me o leitor a linguagem, porque quem se **** acabamos sempre por ser nós, os pagantes.
Já notaram, caros leitores, que em boa verdade não se pode chamar a isto governar ? Governar pressupõe um caminho, ou pelo menos uma vaga ideia de onde se quer chegar. Em Portugal, nestas ultimas semanas, tornou-se bem claro que não há bem um caminho, o que há é uma tentativa mais ou menos descabelada de sacrificar tudo e todos ao sucesso de alguns, bem poucos. Assim como no Titanic, onde os passageiros da 3ª classe e os tripulantes menos qualificados foram cruelmente sacrificados.
Inventam-se taxas, aumentam-se outras, descartam-se pessoas, corta-se nos financiamentos, mente-se, aldraba-se, atiram-se explicações e justificações desajeitadas e cretinas, proibem-se coisas absurdas ( fumar dentro dos carros, com crianças ?? ), eu já não sei que mais.
Um destes dias ouvi na RTP1, salvo erro, um dos personagens principais deste conto. Palavroso, advogadoso, literalmente vazio e atrapalhado quando a entrevistadora lhe falou nas PPP e coisas do género. Que está tudo em estudo, que brevemente iremos saber, tretas desse género. Paleio nitidamente para preencher o enredo do conto.
Não, amigos, NUNCA viremos a ter uma renegociação das PPP que não seja apenas para fingir. Nunca. O que viremos a ter é a continuação da mesma política do mr. Sócrates em privilegiar as grandes empresas que participam nessas tais PPP. O leitor ainda não leu ou ouviu uma das especulações sobre o fecho da Maternidade Alfredo da Costa ? É que esse fecho irá dar muito jeito à PPP que gere o Hospital de Loures ... é preciso arranjar clientes, c'os diabos !
Não, isto é mau de mais para ser a realidade, isto tem que ser um conto de terror ... Quanto ao sr. Scrooge, guarde lá o seu ( nosso ) dinheirinho bem guardado, ainda acabaremos um dia por ter as contas todas certinhas, é mais que certo.
Pena é que nessa altura Portugal esteja reduzido a metade, sob protectorado da Alemanha.




sexta-feira, abril 13, 2012

A GRANDE DÚVIDA

Pois é, amigos, a minha grande dúvida , quanto ao futuro do nosso país e quanto à bondade deste nosso governo é se estamos no bom caminho ( ou mesmo se estamos em algum caminho ) ou se, pura e simplesmente, andamos à deriva, à mercê da evolução das economias dos outros e das suas ideias ( ou da falta delas ).
O poder financeiro tomou conta do Mundo e anda a fazer dele o que bem quer. Não há sentido económico nem político em nada do que sucede no dia a dia do Mundo : as bolsas são dirigidas por algoritmos electrónicos que poucos entendem mas que eu não tenho qualquer hesitação em afirmar que estão feitos para optimizar a especulação. Os investidores internacionais, encarcerados e orientados por uma autêntica manada de especuladores ávidos, influenciam governos, compram comentadores, vão pouco a pouco tomando conta do mundo.
Na Europa, a desorientação da senhora Merkel e dos outros responsáveis europeus é aterradora, é como se a Europa estivesse a ser liderada por um bando de putos inconscientes, ignorantes e despreocupados. Passos Coelho, no meio deste desastre completo, é apenas uma pequena peça de significado menor, já que ainda não percebeu que o caminho que trilha vai dar ao desastre, não à recuperação e ao êxito. Nem sequer sei se isso o preocuparia, caso estivesse consciente do risco, já que o seu comportamento revela um grande desprezo pelas pessoas. É como se não tivesse nada a ver com os dramas que vai provocando. Estranho, muito estranho. Sobem as tensões, irritam-se os ânimos, há gente com fome como nunca e eles, os nossos representantes, nada sentem, nada dizem, nada os afecta, a não ser o "memorando" e os seus cortes.
Vivem-se tempos estranhos e perigosos, teimo eu em afirmar. Tempos que precedem as grandes borrascas, os grandes dilúvios. Tempos que eu nunca esperei vir a viver, neste Outono-Inverno do meu calendário pessoal.
Lamento muito, mas é óbvio que ninguém sabe muito bem onde isto vai dar. Nem ninguém parece consciente dos perigos que se avizinham.
O Mundo anda à deriva, à espera de uma grande catarse que o transfigure.

domingo, abril 08, 2012

BRINCAR AOS COMBÓIOS ...

Há momentos então em que me convenço que escolhemos um administrador do condomínio que não passa de um menino que gosta de brincar aos combóios. Não daqueles que andam a alta velocidade, como o outro menino, mas daqueles muito compridos, com muitos vagões, e que vão de Sines para Espanha. Só é pena que fiquem na fronteira, porque de lá em diante não há linha para eles. Mas também, malta, não se pode pensar em tudo, né ?
Mas não é só aos combóios que o menino gosta de brincar, não. Também gosta de brincar com os portugueses, sobretudo com aqueles a quem tirou os subsídios de Natal e de férias. Gosta de enganar esses meninos, dizendo que lhes vai devolver os subsídios em 2014, mas não, é só em 2015, afinal, e aos bochechos.
É um brincalhão, este menino. Tão depressa diz uma coisa como o seu contrário.
E quando se põe a inventar onde é que há-de ir buscar mais dinheiro ? Ele é o IMI, ele é o IRS, ele é o IVA ... nada o contenta, nada o pára...
O pior é que já lá vai um ano e a brincadeira parece estar a dar péssimos resultados. A economia não cresce e os desempregados são cada vez mais... Não, malta, a brincadeira já vai longe de mais, sobretudo porque é com as nossas vidas e o nosso dinheiro que o menino anda a brincar.
Porque é que o menino nunca mais vai brincar com as PPPs nem com as rendas que andamos a pagar à EDP e outros ? Porque é que só brinca connosco e nunca com esses ?
Por mim, já estou francamente farto da brincadeira. Apetece-me dizer a este tal menino que vá brincar para a sua rua e nos deixe em paz. Pode ser que arranjemos algum outro menino que brinque melhor do que ele e que, pelo menos, faça combóios onde já existam linhas, não é ?

sexta-feira, março 30, 2012

SÉRIO ? É PRECISO ASSIM TANTO ESFORÇO ?

Não consigo perceber os meus concidadãos, muitas vezes. Pessoas com todas as condições e qualificações para serem sensatas e equilibradas dizem as coisas mais espantosas, quando nos situamos no domínio dos interesses partidários. E, acrescente-se, no domínio da defesa das suas escolha pessoais.
Ora sejamos honestos e simples : é preciso algum esforço, entre os portugueses, para demonizar Sócrates ? Ele, coitado, pessoa tão simples e humilde, não fez nada para isso ??
Deixemo-nos de tretas e de defender as nossas atitudes pessoais à posteriori : Sócrates, no meu universo conhecido de pessoas que se movimentam nos circuitos ditos políticos, é a pessoa que mais esforços fez, sem a ajuda de ninguém, para se tornar odiado e odioso. Nunca vi ninguém que reunisse, a determinada altura, tamanha coincidência de ódios e ressentimentos. Como político e como ser humano. É falso isto que afirmo ?
O senhor tinha ( tem ) uma concentração única de "qualidades", poucas vezes presentes em alguém. Uma mistura explosiva de auto-confiança e sobranceria, de teimosia inflexível e falta de pudor, de desprezo pela opinião alheia e de convicção exageradíssima das suas próprias virtudes. Digam-me lá então se é preciso alguém fazer muito esforço para o demonizar ?
Adicionem a tudo isto uma impreparação notória para a governação ( ao contrário da sua própria crença de que seria sobre-dotado ... ) e uma enorme insensatez, e terão os condimentos da matéria explosiva.
Mais : junte-se a este cozinhado o estado do país quando se começaram a fazer contas, as quantidades tremendas de dinheiro que foram "transferidas" para as grandes empresas, em jogos absurdos de parcerias privadas ( de publicas só tinham o dinheiro a pagar ), em sonhos pacóvios de energias eólicas e fotovoltaicas ( que exigiam ao contribuinte uma pagamento em duplicado a outras formas de energia ), em outros devaneios de grandeza e de "deixar obra" como no caso do TGV e do novo aeroporto e teremos o retrato completo de um senhor a quem nunca deveria ter sido permitido brincar aos estadistas.
Doa a quem doer - como por exemplo aos seus sustentáculos dentro do partido, por esta ou aquela razão - Sócrates foi um digno continuador da inépcia e falta de visão governativa de um Cavaco no seu melhor. Com uma diferença : tinha menos dinheiro para gastar e fez tudo como se tivesse muito.
Demonizar Sócrates ? Não é possível, ele foi um pequeno "demónio" ( pequeno por causa do inglês técnico, apenas ) por ele mesmo, demonizou-se por mérito próprio, não precisa que ninguém faça isso por ele.



sexta-feira, março 23, 2012

OS SINAIS DA REVOLTA

Estudam-se, há muitos anos, às condições materiais e psicológicas de eclosão das crises nas sociedades, até ao aparecimento dos primeiros sintomas de rotura do tecido social. Por outras palavras, há fenómenos que prenunciam o surgir da violência.
Os nossos governantes, quanto a estas questões, demonstram uma indiferença ( para não dizer ignorância ) extrema. Para eles, o escudo da lei protege-os e torna-os imunes à ira dos outros.
Ora a verdade é que não é bem assim. A história de Portugal mostra-nos muitas ocorrências de tumultos graves, de tentativas de revoluções e mesmo de golpes bem sucedidos antecedidos de muitos "avisos" a que ninguém ligou.
Nos ultimos tempos, o governo tem acumulado várias situações muito delicadas, gravemente ofensivas da paz social sem sequer parecer consciente dos riscos envolvidos. É natural, claro, uns andam atarefados a controlar os gastos e a fazer cortes, outros dedicam-se a fazer negócios, não há tempo nem paciência para tudo.
Mas as coisas vão fervendo, lenta e inexorávelmente, fiquem a saber.
Com a minha experiência, afirmo que aquela intervenção da polícia durante a greve geral, é extremamente reveladora do grau de raiva, desorientação e falta de enquadramento no seio da mesma polícia. Na verdade, não deve ser mesmo nada fácil ser polícia nestes tempos, amigos ...
Não estou a desculpar as acções exageradas e totalmente tontas da responsabilidade da PSP. O que vos estou a dizer é que elas são reveladoras de um estado de espírito que nunca deveria existir no meio deles.
E por falar em polícia, que se passará no meio militar ? E nos funcionários das finanças ? E nos outros funcionários todos do Estado, professores, juízes, médicos ? Já pensaram bem na redução terrível no desempenho destas pessoas, todos os dias assaltados por indignações e humilhações ?
Nem quero pensar no clima lindo que se vai viver quando, em Junho ou Julho, notarmos mesmo o roubo que nos fizeram. Enquanto, em simultâneo, é só milhões para o BPN, as PPP, os grandes grupos económicos que aprisionaram o nosso país e as nossas carteiras.
Senhores do governo, atentem bem nestas situações. Não se esqueçam que os portugueses são de brandos costumes ... só até perderem a paciência !
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terça-feira, março 20, 2012

OS GRANDES LIDERES POLÍTICOS

Ouvem-se por aí muitas vezes afirmações caridosas, do género "o poder local é o verdadeiro baluarte da democracia em Portugal".
Nunca padeci desse verdadeiro delírio que faz as pessoas acreditar nesta afirmação. É verdade que muitos melhoramentos foram introduzidos em muitas terrinhas deste nosso país, falta é saber a que custo. Falta é descontar a essas maravilhas a profusão de rotundas estúpidas e outras obras que só interessam ao orgulho e amor próprio do sr presidente de câmara.
A própria filosofia de investir dinheiro para poder ser reeleito, usada pela grande maioria dos autarcas, é prova de que o poder local está longe de ser uma benesse dos Deuses para as populações locais. Eu diria mesmo mais, fazendo possívelmente zangar alguns dos meus escassos ( mas bons ! ) leitores : o chamado poder local é o verdadeiro repositório de todas as misérias humanas ( morais e profissionais ) dos portugueses. O poder local tem sido bem mais caciqueiro e esbanjador que o poder político central, e este, como se sabe, não tem sido propriamente um modelo de virtudes cívicas no uso dos dinheiros públicos.
Enfim, Portugal é o que é. Viemos a saber agora que, depois das dívidas da Madeira, à volta dos 6.000 milhões, as dívidas das Câmaras Municipais atingem os 12.000 milhões !!
Espantoso. Não nos bastava o "falso engenheiro" e outros, agora temos mais uns 300 e tantos "artistas", a fazer parvoíces e a virem-nos às algibeiras.
Confesso que estou farto desta gente. Chego a admirar e a desejar a contenção e a "avareza" de Salazar, para quem só era permitido fazer uma despesa pública se houvesse dotação orçamental. Qual pedir aos bancos qual carapuça, o homem era inflexível e se não havia "massa" não havia obra.
Pergunto a mim mesmo, nestes ultimos quase 40 anos, quem foram os inteligentes que permitiram os desvios a estas normas e autorizaram toda a gente a endividar-se.
Aquilo que se vê é simples de entender : não há nenhum organismo público com autonomia financeira que não se tenha endividado até à medula ! Com poucas excepções, como meia dúzia de Câmaras no país ( entre elas o Porto ), com as contas em ordem.
É por isso que um destes dias, ao ouvir António J Seguro afirmar que irá voltar à regionalização logo que oportuno, ia morrendo de riso e tristeza ... Isso, isso, mais uns quantos a endividarem-se, é mesmo disso que estamos a precisar ...
Temos grandes lideres políticos, sem dúvida.