COELHO HOJE NA CONFERÊNCIA "PENSAR O FUTURO"
É absolutamente hilariante que certas pessoas, ostensivamente incapazes de pensar o presente, resolvam botar palpites sobre o futuro. Fantástico.
Talvez por isso Passos Coelho tornou a declarar, acho que pela segunda vez, que o Sporting vai afinal ganhar a Liga este ano - perdão, que a crise está em vias de terminar.
É esta capacidade de previsão que faz dele um político de excepção. De excepção porque nenhum dos outros se mete em tantas baralhadas.
Enfim. Que tenha uma longa vida, é o que lhe desejo - agora com sinceridade - mas de preferência perto de Sócrates. Assim, pelo menos, irritam-se um ao outro e não a nós.
Blogs (Blogues) = crónicas (quase) diárias; registo periódico de factos, opiniões e críticas ; as impressões íntimas, a política, o social.
quarta-feira, janeiro 16, 2013
segunda-feira, janeiro 07, 2013
LAMENTOS DESARRANJADOS
São nove da noite. Lá fora, na rua, está frio. Aqui, no meu quarto, o gato dorme pacificamente aos pés da minha cama. A casa está silenciosa, a minha filha está na escola ainda, só deve chegar lá pelas 10 e tal. Tenho a televisão sem som, como muitas outras vezes. Nem o ruido dos autocarros me chega da rua, graças ás recentes janelas de vidro duplo. Acho que já tenho saudades desses ruidos. Estive a ler durante muito tempo, parei com a sensação de não saber as horas nem onde me encontrava. Agora já sei mas fiquei a matutar no tempo. No tempo que nos foge. Entre muitas outras coisas, é esse tempo que me tem vindo a fazer envelhecer. Este ano, lá para meio do ano, vou fazer 70 anos. Incrível, setenta anos. Um velhote, em todos os sentidos. Lá está esse tempo estuporado, não sei bem como é que isto aconteceu tão depressa. Claro que é melhor eu aceitar, ou fingir que aceito, ninguém tem paciência para aturar um velho arrependido e contrariado por ter envelhecido. OK, mas lá que estou estonteado com esta história é verdade.
Tenho fome ? interrogo-me. A verdade é que não almocei, hoje. Comi uma sandes de carne assada, lá pelo meio da tarde, quando regressei do Leroy Merlin. Sabem, aquele armazém grande de artigos de bricolage ? Frequento esse ambiente como outros vão a apresentações de livros, a estreias de cinema ou a exposições de pintura. Acho que me identifico mais com berbequins e tintas do que com escritores e senhoras distintas a falar bem. Reparo agora que isto dito assim me dá um ar troglodita e vagamente estúpido. Que se lixe, é a verdade. De pintura, por exemplo, prefiro as Janelas Verdes, aprecio muito mais os pintores já mortos, que nos deram tempo - cá está o tempo de novo - para depurar e saborear as suas obras. Passa-se o mesmo com os escritores. Conheço dois ou três escritores ainda vivos e, apesar de até gostar de algumas das suas obras, dou por mim a rejeitar os seus maneirismos, a sua mania, os seus tiques. Como a vaidade. Quanto a Eça de Queiroz, por exemplo, já não somos convidados para a apresentação de mais um livro, na FNAC ou no Grémio Literário, nem somos escorraçados pelo seu mau feitio ou vaidade. Não, em síntese, um artista bom é um artista morto. Não pelo mesmo motivo que por vezes se diz isso dos extremistas, mas pelos motivos que já vos apontei.
Não faço a mais pequena ideia do motivo que me levou hoje a alinhar estas palavras. A solidão, talvez.
Ou a anti-vaidade que é uma forma canhestra de vaidade, também. Chiça !
Passem bem. E não me venham mais chatear para eu não estar sempre a escrever sobre política. Já viram no que dá quando escrevo sobre outras coisas ??
São nove da noite. Lá fora, na rua, está frio. Aqui, no meu quarto, o gato dorme pacificamente aos pés da minha cama. A casa está silenciosa, a minha filha está na escola ainda, só deve chegar lá pelas 10 e tal. Tenho a televisão sem som, como muitas outras vezes. Nem o ruido dos autocarros me chega da rua, graças ás recentes janelas de vidro duplo. Acho que já tenho saudades desses ruidos. Estive a ler durante muito tempo, parei com a sensação de não saber as horas nem onde me encontrava. Agora já sei mas fiquei a matutar no tempo. No tempo que nos foge. Entre muitas outras coisas, é esse tempo que me tem vindo a fazer envelhecer. Este ano, lá para meio do ano, vou fazer 70 anos. Incrível, setenta anos. Um velhote, em todos os sentidos. Lá está esse tempo estuporado, não sei bem como é que isto aconteceu tão depressa. Claro que é melhor eu aceitar, ou fingir que aceito, ninguém tem paciência para aturar um velho arrependido e contrariado por ter envelhecido. OK, mas lá que estou estonteado com esta história é verdade.
Tenho fome ? interrogo-me. A verdade é que não almocei, hoje. Comi uma sandes de carne assada, lá pelo meio da tarde, quando regressei do Leroy Merlin. Sabem, aquele armazém grande de artigos de bricolage ? Frequento esse ambiente como outros vão a apresentações de livros, a estreias de cinema ou a exposições de pintura. Acho que me identifico mais com berbequins e tintas do que com escritores e senhoras distintas a falar bem. Reparo agora que isto dito assim me dá um ar troglodita e vagamente estúpido. Que se lixe, é a verdade. De pintura, por exemplo, prefiro as Janelas Verdes, aprecio muito mais os pintores já mortos, que nos deram tempo - cá está o tempo de novo - para depurar e saborear as suas obras. Passa-se o mesmo com os escritores. Conheço dois ou três escritores ainda vivos e, apesar de até gostar de algumas das suas obras, dou por mim a rejeitar os seus maneirismos, a sua mania, os seus tiques. Como a vaidade. Quanto a Eça de Queiroz, por exemplo, já não somos convidados para a apresentação de mais um livro, na FNAC ou no Grémio Literário, nem somos escorraçados pelo seu mau feitio ou vaidade. Não, em síntese, um artista bom é um artista morto. Não pelo mesmo motivo que por vezes se diz isso dos extremistas, mas pelos motivos que já vos apontei.
Não faço a mais pequena ideia do motivo que me levou hoje a alinhar estas palavras. A solidão, talvez.
Ou a anti-vaidade que é uma forma canhestra de vaidade, também. Chiça !
Passem bem. E não me venham mais chatear para eu não estar sempre a escrever sobre política. Já viram no que dá quando escrevo sobre outras coisas ??
sexta-feira, janeiro 04, 2013
AS QUINTAS E AS HORTAS, EM BENFICA
A quinta que vêem na foto chama-se Quinta da Granja e ainda resiste, orgulhosamente, em Benfica. São cerca de 11 ha de terreno cultivado, com um complexo de casas no topo da colina, rodeados por edifícios e arruamentos por todos os lados. A quinta data de finais do século XVII, é velhinha, tem todo o direito de estar onde está sem que ninguém a chateie. Já teve vinha, depois ovelhas, agora apenas cereais. Ao que me disseram, a família proprietária recusa vender esta linda preciosidade, de outra forma já estava transformada em betão encavalitado um no outro.
Fica mesmo perto do Colombo, em Lisboa.
Mas hoje não me vou ficar pela Quinta da Granja. Saibam que ela já não está sózinha no meio dos carros e prédios. Entre a quinta e o Colombo a Câmara Municipal de Lisboa deu expressão a um sonho velho do Arquitecto Ribeiro Teles e construiu umas Hortas Urbanas. O terreno ( já existiam no local umas velhas hortas ad-hoc ) foi todo preparado, água e electricidade colocadas e dividido em talhões com uns barracões pré-construidos.
Em seguida foi feito um concurso e cada talhão foi alugado a um interessado na sua exploração. Garanto-vos, são autênticas mini-hortas onde não faltam as couves, as alfaces, as favas, ervilhas e tudo o resto que se adivinha.
Vou de minha casa ao Colombo muitas vezes, a pé, e é sempre ao lado destas hortas que passo. Os meus olhos vagueiam sempre pelo verde das plantas e pelo esforço dos agricultores urbanos que, curvados e de enxada em riste, por ali se divertem calmamente, a dois passos dos carros e da balbúrdia do grande centro comercial.
Lembro-me sempre do velho arquitecto Ribeiro Teles, que eu conheci nos anos sessenta em comícios de oposição ao ditador Salazar. Como ele deve sorrir ao ver esta realidade !
Penso, muitas vezes, como deve ser ser bom ver um dia concretizado um velho sonho de transformação da realidade que uma vez tivemos...
Seja como for, obrigado arq Ribeiro Teles e obrigado Câmara Municipal de Lisboa. Esta ideia e a sua concretização estão a trazer muita felicidade a muita gente.
Entre eles ... a mim, também.
Até.
PS - Não, não, não sei nada de nabos e hortaliça, gosto muito da ideia mas não me vão apanhar de enxada ao ombro ...
sábado, dezembro 22, 2012
Em muitas e variadas ocasiões habituamo-nos a ver a figura pseudo-aristocrática, ligeiramente empertigada e pedante do presidente do Conselho de Administração do BES, sr Ricardo Salgado, produzindo afirmações sobre a actualidade política.
Uma figura daquelas que muita gente chamaria de "acima de qualquer suspeita".
Porém, quem lhe chamar isso erra profundamente.
Veio agora a lume, o senhor não resistiu a tanto imposto e colocou a salvo, num qualquer offshore estrangeiro, uns milhõezitos de euros, ao que parece a título pessoal.
Sim, não se admirem, a título pessoal. Ou pensam que uma pessoa importante como esta não terá de seu uns míseros milhões de euros ?
Bem, seja como for, o senhor assustou-se com uma investigação em curso pela PJ e tratou de alterar a sua declaração de IRS e pagou o imposto em falta, ao abrigo de uma legislação caridosa, feita para senhores assim, em que apenas se paga 7.5% de imposto, uma coisa insignificante.
Ao que parece o sr Ricardo Salgado não foi considerado arguido de coisa nenhuma e irá brevemente, numa TV perto de si, tecer considerações sobre o elevadíssimo custo da mão-de-obra em Portugal e coisas congéneres.
Um mimo, esta estratégia. Primeiro, prevarica-se e depois, se a coisa der para o torto, paga-se o imposto devido e pronto, é como se nada tivesse acontecido. Claro que se a coisa não der para o torto ...
Este é o Portugal de 2012. Cheio de fulanos destes, com a complacência da justiça e das finanças. É com Administradores bancários destes, bem como aqueles do BCP e BPN que iremos reconstruir o País ?
Quanto a mim, um destes dias ainda sou constituido arguido e levado a julgamento por ter protestado pelo roubo dos subsídios e agora pelo corte nas pensões ...
sexta-feira, dezembro 21, 2012
JESUS EXPULSA OS VENDILHÕES DO TEMPLO
Chega Dezembro, as árvores despem-se, a chuva, a neve e o frio tomam conta das montanhas, dos campos e das ruas das cidades. Os homens agasalham-se, acolhem-se a fogueiras, lareiras e aquecedores. Acendem-se luzes, animam-se as almas, renovam-se esperanças. Começa a sentir-se o Natal, a solidariedade surge nas palavras que lançamos ao vento.
Trocam-se votos, compram-se prendas, prepara-se a ceia, redescobre-se a alegria de viver.
É assim todos os Natais.
Era assim em todos os Natais.
Neste Natal, não. Neste Natal não vai haver alegria na ceia para milhares e milhares de pessoas. Desempregados, despojados, roubados, sem abrigo, sem esperança, todos somos este ano um pouco náufragos neste mar enraivecido e traiçoeiro.
Não há grandeza nem amor nem abraços solidários entre todos nós, neste Natal. Vivemos uma época de luto, de luta, de tristeza. Os céus estão negros, o vento assobia, não há luzes nem música nem esperança.
Neste Natal, não me apetece saudar o nascimento de Jesus. Prefiro saudar o Homem, ou o filho de um Deus, que, num gesto silencioso e frio, indignado, expulsou do Templo os comerciantes que tudo vendiam, indiferentes ao local e ao respeito que o mesmo lhes devia merecer.
É esse Menino que prefiro saudar, neste tempo em que tantos vendilhões invadiram o Templo, de novo.
Um abraço, amigos. Havemos de conseguir, basta seguirmos o exemplo do Menino.
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Chega Dezembro, as árvores despem-se, a chuva, a neve e o frio tomam conta das montanhas, dos campos e das ruas das cidades. Os homens agasalham-se, acolhem-se a fogueiras, lareiras e aquecedores. Acendem-se luzes, animam-se as almas, renovam-se esperanças. Começa a sentir-se o Natal, a solidariedade surge nas palavras que lançamos ao vento.
Trocam-se votos, compram-se prendas, prepara-se a ceia, redescobre-se a alegria de viver.
É assim todos os Natais.
Era assim em todos os Natais.
Neste Natal, não. Neste Natal não vai haver alegria na ceia para milhares e milhares de pessoas. Desempregados, despojados, roubados, sem abrigo, sem esperança, todos somos este ano um pouco náufragos neste mar enraivecido e traiçoeiro.
Não há grandeza nem amor nem abraços solidários entre todos nós, neste Natal. Vivemos uma época de luto, de luta, de tristeza. Os céus estão negros, o vento assobia, não há luzes nem música nem esperança.
Neste Natal, não me apetece saudar o nascimento de Jesus. Prefiro saudar o Homem, ou o filho de um Deus, que, num gesto silencioso e frio, indignado, expulsou do Templo os comerciantes que tudo vendiam, indiferentes ao local e ao respeito que o mesmo lhes devia merecer.
É esse Menino que prefiro saudar, neste tempo em que tantos vendilhões invadiram o Templo, de novo.
Um abraço, amigos. Havemos de conseguir, basta seguirmos o exemplo do Menino.
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segunda-feira, dezembro 10, 2012
A ÁRVORE DE NATAL
Confesso a minha simpatia pelo Natal. Ao longo dos anos já tenho dito - e escrito - que detesto o Natal. Mentira. Sempre gostei do Natal, desde menino. Por vezes irrito-me com essa história da festa da família, eu que de família sou tão pobre e escasso. Deviam chamar-lhe a festa de Jesus, porque é disso que se trata, afinal, ou não é ?
Em pequeno deliciava-me a fazer o presépio. Para mim, o presépio nada tinha de arte abstrata. Não, as coisas tinham todas de figurar lá, no meio do musgo e areia. Fazia, com barro, as figuras da Virgem Maria, S. José e Menino Jesus, e acrescentava também, com alguma relutância ( porque não as sabia fazer lá muito bem ) a ovelha, o burro e a vaca. Nasci adiantado no tempo, parece que agora o Papa Ratzinger decidiu bani-las do evento ... Bom, mas não me ficava por aí : o presépio tinha sempre que "meter" um poço com a nora respectiva, um lago ( que eu fazia mesmo com uma lata e água ) e alguns cidadãos a subir a estrada. Para mim, também não havia palheiro, Jesus nasceu mesmo foi numa gruta...
Comprazia-me nisto vários dos primeiros dias das férias do Natal, na Escola Primária. Era uma delícia.
Mais tarde, já não sei bem por quem, fui apresentado á árvore de Natal. Um espanto, aí o meu gozo eram as luzes, que na época e com o parco dinheiro reinante, eram escassas e demasiado grandes, nada das maravilhas modernas.
Bom, mas estou a divagar.
Hoje, nada de política, como me aconselhou um bom amigo meu. Apenas para vos dizer que já fiz a árvore de Natal cá de casa. É um rebento de pinheiro daqueles que estão fora do pinhal, apanhado por esse meu amigo do conselho. Fomos tratar do mini-pinheiro já era noite, lanterna ( chinesa ) na mão, carro a trabalhar com os faróis acesos apontados para nós. A noite, o cheiro dos pinheiros, o céu cheio de estrelas, os faróis do carro, tudo foi uma saborosa aventura. Agora, aqui está o "nosso" pinheiro, ostentando orgulhosamente a catrefada de luzes - são leds made in China, vejam lá a evolução - que lhe enrolámos á volta.
Fica bem o pinheirinho aqui em casa. De vez em quando cheiro-lhe os ramos e lembro-me da minha infância.
Fico largos segundos a olhar as luzes e a ver coisas entre elas. Sobretudo coisas do passado. Como convêm, de resto, talvez consiga vislumbrar um menino nascido algures em Belém e que viria a incomodar muita gente bem instalada e a ajudar muita gente infeliz e pobre.
Fiquem-se com a minha árvore, por hoje.
Obrigado a vocês que tiveram a paciência de me ler e ao meu amigo Zé, que me descobriu a árvorezinha ...
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Confesso a minha simpatia pelo Natal. Ao longo dos anos já tenho dito - e escrito - que detesto o Natal. Mentira. Sempre gostei do Natal, desde menino. Por vezes irrito-me com essa história da festa da família, eu que de família sou tão pobre e escasso. Deviam chamar-lhe a festa de Jesus, porque é disso que se trata, afinal, ou não é ?
Em pequeno deliciava-me a fazer o presépio. Para mim, o presépio nada tinha de arte abstrata. Não, as coisas tinham todas de figurar lá, no meio do musgo e areia. Fazia, com barro, as figuras da Virgem Maria, S. José e Menino Jesus, e acrescentava também, com alguma relutância ( porque não as sabia fazer lá muito bem ) a ovelha, o burro e a vaca. Nasci adiantado no tempo, parece que agora o Papa Ratzinger decidiu bani-las do evento ... Bom, mas não me ficava por aí : o presépio tinha sempre que "meter" um poço com a nora respectiva, um lago ( que eu fazia mesmo com uma lata e água ) e alguns cidadãos a subir a estrada. Para mim, também não havia palheiro, Jesus nasceu mesmo foi numa gruta...
Comprazia-me nisto vários dos primeiros dias das férias do Natal, na Escola Primária. Era uma delícia.
Mais tarde, já não sei bem por quem, fui apresentado á árvore de Natal. Um espanto, aí o meu gozo eram as luzes, que na época e com o parco dinheiro reinante, eram escassas e demasiado grandes, nada das maravilhas modernas.
Bom, mas estou a divagar.
Hoje, nada de política, como me aconselhou um bom amigo meu. Apenas para vos dizer que já fiz a árvore de Natal cá de casa. É um rebento de pinheiro daqueles que estão fora do pinhal, apanhado por esse meu amigo do conselho. Fomos tratar do mini-pinheiro já era noite, lanterna ( chinesa ) na mão, carro a trabalhar com os faróis acesos apontados para nós. A noite, o cheiro dos pinheiros, o céu cheio de estrelas, os faróis do carro, tudo foi uma saborosa aventura. Agora, aqui está o "nosso" pinheiro, ostentando orgulhosamente a catrefada de luzes - são leds made in China, vejam lá a evolução - que lhe enrolámos á volta.
Fica bem o pinheirinho aqui em casa. De vez em quando cheiro-lhe os ramos e lembro-me da minha infância.
Fico largos segundos a olhar as luzes e a ver coisas entre elas. Sobretudo coisas do passado. Como convêm, de resto, talvez consiga vislumbrar um menino nascido algures em Belém e que viria a incomodar muita gente bem instalada e a ajudar muita gente infeliz e pobre.
Fiquem-se com a minha árvore, por hoje.
Obrigado a vocês que tiveram a paciência de me ler e ao meu amigo Zé, que me descobriu a árvorezinha ...
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quarta-feira, dezembro 05, 2012
A CLASSE DE GASPAR E PASSOS COELHO
Nestes dias foi bem visível a classe dos nossos governantes, Vitor Gaspar e Passos Coelho, face àquela história de termos ou não as mesmas condições que a Europa concedeu à Grécia. Lembremos : a Europa permitiu à Grécia ter juros um pouco mais baixos e, muito importante, deu-lhes um prazo bem mais alargado para começar a pagar a dívida. Num primeiro momento, um responsável da burocracia Europeia insinuou que Portugal e a Irlanda iriam beneficiar dessa decisão. Gaspar e Coelho, compreensivelmente, desdobraram-se em afirmações e explicações sobre o tema, encantados com a ideia.
A Europa, porém, já não conhece a palavra solidariedade a menos que seja obrigada. A Europa faz tudo para não gastar uns tostõezitos. A Alemanha, a França e a presidência da Europa começaram logo a dizer que no seu entender, se fossem Portugal e a Irlanda, nunca pretenderiam que lhes fossem aplicadas as mesmas soluções que a Grécia. Seriam muito mau, os mercados levar-nos-iam a mal, nunca mais nos emprestariam dinheiro ... Argumento esfarrapado, quase todos os analistas afirmaram que os mercados apenas se preocupam com a potencialidade dos países para pagar as suas dívidas, não mais. Ou seja, a Alemanha, a França e a comunidade estão-nos a enganar, a ver se não reclamamos o mesmo tratamento ...
Tudo bem, pessoalmente, nesta fase da Europa, eu não esperava outra atitude.
De quem eu esperava uma atitude bem mais firme era de Gaspar e Passos. Ludibriados, manipulados, é um desconforto, uma vergonha nacional vê-los "meter a viola no saco" e começar imediatamente a repetir os argumentos da Europa ! Meu Deus, é a indignidade total, esta gente desconhece a verticalidade da coluna vertebral e ignora completamente o que significa representar um país.
Estes dois senhores não podem relacionar-se com a Europa como estão habituados a fazer na sua vida privada : sempre a obedecer, sempre a agradar aos chefes, como unica forma de defender colocações e tachos. Estes senhores deviam frequentar um curso rápido do que significa e exige falar em nome de um País autónomo, defender os seus interesses antes de mais nada, pondo de lado simpatias e receios de ofender os poderosos.
Repito : foi lamentável o que sucedeu. Envergonharam o País e a eles próprios.
Até aquele senhor que habita Belém se viu obrigado a sair do seu voto de silêncio, hoje, e reafirmar publicamente qual deve ser a atitude de Portugal : exigir melhores condições de juros e prazos para pagamento.
Percebe agora, leitor ( é retórica, o leitor já o percebeu há muito ) porque motivo eu comecei, há uns tempos atrás, a falar de traição a Portugal por parte de Gaspar e Coelho ? Como vê, ao acatar as desculpas esfarrapadas da Europa deixaram de defender os interesses reais de Portugal !!!
Até quando nos vamos deixar representar por pessoas que não defendem os nossos interesses ?
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Nestes dias foi bem visível a classe dos nossos governantes, Vitor Gaspar e Passos Coelho, face àquela história de termos ou não as mesmas condições que a Europa concedeu à Grécia. Lembremos : a Europa permitiu à Grécia ter juros um pouco mais baixos e, muito importante, deu-lhes um prazo bem mais alargado para começar a pagar a dívida. Num primeiro momento, um responsável da burocracia Europeia insinuou que Portugal e a Irlanda iriam beneficiar dessa decisão. Gaspar e Coelho, compreensivelmente, desdobraram-se em afirmações e explicações sobre o tema, encantados com a ideia.
A Europa, porém, já não conhece a palavra solidariedade a menos que seja obrigada. A Europa faz tudo para não gastar uns tostõezitos. A Alemanha, a França e a presidência da Europa começaram logo a dizer que no seu entender, se fossem Portugal e a Irlanda, nunca pretenderiam que lhes fossem aplicadas as mesmas soluções que a Grécia. Seriam muito mau, os mercados levar-nos-iam a mal, nunca mais nos emprestariam dinheiro ... Argumento esfarrapado, quase todos os analistas afirmaram que os mercados apenas se preocupam com a potencialidade dos países para pagar as suas dívidas, não mais. Ou seja, a Alemanha, a França e a comunidade estão-nos a enganar, a ver se não reclamamos o mesmo tratamento ...
Tudo bem, pessoalmente, nesta fase da Europa, eu não esperava outra atitude.
De quem eu esperava uma atitude bem mais firme era de Gaspar e Passos. Ludibriados, manipulados, é um desconforto, uma vergonha nacional vê-los "meter a viola no saco" e começar imediatamente a repetir os argumentos da Europa ! Meu Deus, é a indignidade total, esta gente desconhece a verticalidade da coluna vertebral e ignora completamente o que significa representar um país.
Estes dois senhores não podem relacionar-se com a Europa como estão habituados a fazer na sua vida privada : sempre a obedecer, sempre a agradar aos chefes, como unica forma de defender colocações e tachos. Estes senhores deviam frequentar um curso rápido do que significa e exige falar em nome de um País autónomo, defender os seus interesses antes de mais nada, pondo de lado simpatias e receios de ofender os poderosos.
Repito : foi lamentável o que sucedeu. Envergonharam o País e a eles próprios.
Até aquele senhor que habita Belém se viu obrigado a sair do seu voto de silêncio, hoje, e reafirmar publicamente qual deve ser a atitude de Portugal : exigir melhores condições de juros e prazos para pagamento.
Percebe agora, leitor ( é retórica, o leitor já o percebeu há muito ) porque motivo eu comecei, há uns tempos atrás, a falar de traição a Portugal por parte de Gaspar e Coelho ? Como vê, ao acatar as desculpas esfarrapadas da Europa deixaram de defender os interesses reais de Portugal !!!
Até quando nos vamos deixar representar por pessoas que não defendem os nossos interesses ?
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segunda-feira, dezembro 03, 2012
Em Portugal só há dois tipos de pessoas : os equilibristas e os vigaristas. Não estou nada a exagerar, é só pensarem um bocado. Aqueles que não querem ser vigaristas e não aguentam ser equilibristas, emigram, vão para outros ares onde não os obriguem a esta escolha difícil.Deixemos de lado os vigaristas, categoria que todos conhecemos e que não exige grandes caracterizações.
Vejamos a grande maioria dos outros, os equilibristas. Gente que desde que nasceu sempre precisou, em maior ou menor grau, de se equilibrar perante os obstáculos da vida. Gente que teve que resistir a coisas como a ditadura, a guerra de África, os desmandos e as ansiedades da revolução, as tropelias sem conta de muitos e desvairados governos. Hoje inventa um novo imposto, amanhã cria um novo procedimento, obriga a usar a internet a pessoas que nem sequer sabem escrever uma carta. Os bancos telefonam hoje para casa a oferecer um grande crédito, amanhã dizem-nos que estamos em crise porque gastámos mais do que produzimos. Ontem, a Europa achava que nos devíamos dedicar ao turismo e dava-nos rios de dinheiro para não cultivar, não pescar, vender a industria. Hoje, dizem-nos que estamos falidos, levam-nos juros agiotas pelo dinheiro que nos emprestam, torcem o nariz à nossa falta de produtividade.
As leis, os orçamentos, mudam, remudam, retorcem-se, distorcem-se, andam para ali, andam para aqui. Em Portugal sempre se confundiu mudar a realidade com produzir leis. Somos talvez os maiores produtores mundiais de legislação, ela é tanta que já ninguém sabe ao certo que leis é que existem e qual foi a finalidade das mesmas. Fazem-se leis e dois dias depois fazem-se alterações às mesmas leis. Desconfio que já foram produzidas alterações a leis que nem sequer ainda existiam.
Já vivemos épocas de crescimento, de optimismo. Milhares de autoestradas. Grandes Centros Culturais. Magnificos terminais de passageiros e carga em pistas ( Beja, lembram-se ? ) onde nunca iriam aterrar e descolar aviões, a não ser os militares. Inundámos o país de geradores eólicos de electricidade, especialistas de produção de energia eléctrica quando estamos todos a dormir, sem precisar dela. Inventámos computadores parvos que distribuimos pelos putos todos, sem qualquer ganho visível. A não ser alguns que foram parar à Feira da Ladra. Tudo ilusório, meus senhores, quanto mais olham menos vêem...
De quando em quando, com uma periodicidade assustadora, chamamos o FMI porque já não sabemos para onde nos virar. Aí, inevitávelmente, arranjamos forma de ir buscar aos bolsos do Zé Povinho o dinheiro que os nossos políticos desbarataram ou os nossos bancos perderam, em investimentos ruinosos. Aí começamos a teorizar sobre a baixa produtividade dos trabalhadores portugueses, os elevados custos da mão de obra, que é preciso baixar, e também sobre essa gentalha dos funcionários públicos, que são imensos e ganham que se fartam. Pouco importa que tenham sido eles, os aprendizes de feiticeiro, a engrossar desmedidamente as fileiras dos funcionários públicos, salários acima das tabelas, com familiares, amigos, filhos, sobrinhos e afilhadas. Isso é omitido, ninguém sabe de nada, pá, quem ? nós não fomos ...
Este país é uma anedota pegada, meus senhores. Nós a suportar tudo isto, a trabalhar, a pagar, e os senhores ainda por cima a chamar-nos nomes feios.
Ainda acham que não somos equilibristas ? E dos bons, caramba, daqueles ( como na imagem ) que não precisam de vara de balanço nem de cabos de segurança.
Pelo meu lado, que estou velho, ando-me a equilibrar há mais de 65 anos, caramba !!!
E sem ver fim ao espectáculo, o que é o pior.
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quinta-feira, novembro 29, 2012
AJUSTAMENTO ou TERRORISMO POLÍTICO ?
Passos Coelho e os seus apaniguados continuam desesperadamente a executar o seu plano.
Não sei se têm consciência disso ou não - acho que têm mas não se preocupam - a sua acção tem sido e vai ainda ser mais caracterizada por uma ideia simples : o que estão a fazer é terrorismo político.
De facto, a ideologia que subjaz a esta acção destruidora tem muito de extremismo religioso. Tal como outros terrorismos, acreditam na capacidade redentora da destruição e da vingança ; tal como outros antes deles, são teimosos, não cedem à razão nem aos apelos. Tal como outros extremismos, julgam-se iluminados e legitimados por uma qualquer entidade mítica, neste caso o mercado e o liberalismo económico.
Tal como todos os outros iluminados, não olham a meios nem os comovem os efeitos nocivos das acções que executam.
No seguimento do paralelismo, Passos Coelho e o seu grupo não têm dúvidas, atacam inesperadamente, disparam rajadas para toda a parte, seguem a política do facto consumado. A falta de respeito e a total ausência de empatia para com os seus alvos é outra característica marcante que permite a esta facção apanhar de surpresa muita gente.
Por último, tal como os outros, estes novos terroristas não têm a mais pequena ideia de como a sua acção virá a ter seguimento, não pensam nisso, importa é continuar a destruir depois logo se verá. Este gosto pela destruição, pelo abalar do edifício até aos seus alicerces é de tal forma que - tal como os outros - manifestam desconforto se a Europa faz alguma coisa que lhes retire os alicerces, que faça perigar o seu alibi. Não querem ouvir falar em juros mais baixos, nem em dilatar prazos, nem em nada que nos facilite a vida : percebam, amigos, qualquer coisa nesse sentido retira força à sua fúria destruidora.
Terrorismo político puro. Pessoalmente, nunca tinha visto nada deste género, mas é assim que os vejo, actualmente.
Resta-nos usar as mesmas armas, para nossa defesa, que usamos contra qualquer outro género de terrorismo.
Há que os neutralizar, o mais depressa possível, antes que não reste nada do Portugal de Abril.
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Passos Coelho e os seus apaniguados continuam desesperadamente a executar o seu plano.
Não sei se têm consciência disso ou não - acho que têm mas não se preocupam - a sua acção tem sido e vai ainda ser mais caracterizada por uma ideia simples : o que estão a fazer é terrorismo político.
De facto, a ideologia que subjaz a esta acção destruidora tem muito de extremismo religioso. Tal como outros terrorismos, acreditam na capacidade redentora da destruição e da vingança ; tal como outros antes deles, são teimosos, não cedem à razão nem aos apelos. Tal como outros extremismos, julgam-se iluminados e legitimados por uma qualquer entidade mítica, neste caso o mercado e o liberalismo económico.
Tal como todos os outros iluminados, não olham a meios nem os comovem os efeitos nocivos das acções que executam.
No seguimento do paralelismo, Passos Coelho e o seu grupo não têm dúvidas, atacam inesperadamente, disparam rajadas para toda a parte, seguem a política do facto consumado. A falta de respeito e a total ausência de empatia para com os seus alvos é outra característica marcante que permite a esta facção apanhar de surpresa muita gente.
Por último, tal como os outros, estes novos terroristas não têm a mais pequena ideia de como a sua acção virá a ter seguimento, não pensam nisso, importa é continuar a destruir depois logo se verá. Este gosto pela destruição, pelo abalar do edifício até aos seus alicerces é de tal forma que - tal como os outros - manifestam desconforto se a Europa faz alguma coisa que lhes retire os alicerces, que faça perigar o seu alibi. Não querem ouvir falar em juros mais baixos, nem em dilatar prazos, nem em nada que nos facilite a vida : percebam, amigos, qualquer coisa nesse sentido retira força à sua fúria destruidora.
Terrorismo político puro. Pessoalmente, nunca tinha visto nada deste género, mas é assim que os vejo, actualmente.
Resta-nos usar as mesmas armas, para nossa defesa, que usamos contra qualquer outro género de terrorismo.
Há que os neutralizar, o mais depressa possível, antes que não reste nada do Portugal de Abril.
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segunda-feira, novembro 26, 2012
O REGRESSO AO PÃO E VINHO SOBRE A MESA ?
Nos ultimos dias a raiva e a impotência são tão grandes dentro de mim que quase não deixam espaço para escrever. Ou viver.
Não sei que mais apreciar, se a total e completa traição de um governo ao seu povo se o vergonhoso espectáculo de uma maioria acéfala, teimosa e completamente ignorante.
Toda a gente já percebeu, economistas e políticos de todos os quadrantes e cantos do Mundo já o disseram : continuar por esta senda de cortes só provoca o agravamento de dívida e dos défices, sem benefício para ninguém. Nem para nós, portugueses, nem para os nossos credores.
A coisa é tão transparente e inevitável que apetece perguntar : se os senhores do governo, que não são estúpidos, continuam cegamente a fazer o mesmo, é porque o seu verdadeiro objectivo não é a dívida nem o défice, mas sim outra coisa.
O quê , então ?
Há várias respostas possíveis, dependendo de quão longe levamos o verdadeiro objectivo do governo : empobrecimento da sociedade, desmantelamento do estado social, submissão à estratégia ( uma vez mais ) da Europa e ou da Alemanha.
Qualquer um destes objectivos, se se vier a provar, é suficiente para se acusar este governo de traição a Portugal ou à ordem constitucional vigente. Deixemo-nos de eufemismo ou de meias tintas. Corremos o risco de andarmos a ser vítimas de uma ideologia criminosa ou, ainda pior, de submissão a uma outra ideologia estranha ao interesse nacional.
Não vejo grandes alternativas, sinceramente. O descalabro é e vai ser tão grande que este governo ou é o supra-sumo da incompetência e ignorância ou anda a reboque de interesses que não são os nossos.
Passa pela cabeça de alguém obrigar todo um povo a regressar ao velho fado da casinha portuguesa com pão e vinho na mesa só porque as contas públicas não andam certas ? Ou porque é preciso desviar muitos milhões de euros para segurar a banca ?
Volto a lembrar os mais esquecidos : o limite da paciência dos portugueses está quase, quase, atingido. Quando tal suceder, se vier a suceder, não há cargas da polícia de choque que os salvem.
Repito, não se esqueçam disso.
Eu avisei.
Nos ultimos dias a raiva e a impotência são tão grandes dentro de mim que quase não deixam espaço para escrever. Ou viver.
Não sei que mais apreciar, se a total e completa traição de um governo ao seu povo se o vergonhoso espectáculo de uma maioria acéfala, teimosa e completamente ignorante.
Toda a gente já percebeu, economistas e políticos de todos os quadrantes e cantos do Mundo já o disseram : continuar por esta senda de cortes só provoca o agravamento de dívida e dos défices, sem benefício para ninguém. Nem para nós, portugueses, nem para os nossos credores.
A coisa é tão transparente e inevitável que apetece perguntar : se os senhores do governo, que não são estúpidos, continuam cegamente a fazer o mesmo, é porque o seu verdadeiro objectivo não é a dívida nem o défice, mas sim outra coisa.
O quê , então ?
Há várias respostas possíveis, dependendo de quão longe levamos o verdadeiro objectivo do governo : empobrecimento da sociedade, desmantelamento do estado social, submissão à estratégia ( uma vez mais ) da Europa e ou da Alemanha.
Qualquer um destes objectivos, se se vier a provar, é suficiente para se acusar este governo de traição a Portugal ou à ordem constitucional vigente. Deixemo-nos de eufemismo ou de meias tintas. Corremos o risco de andarmos a ser vítimas de uma ideologia criminosa ou, ainda pior, de submissão a uma outra ideologia estranha ao interesse nacional.
Não vejo grandes alternativas, sinceramente. O descalabro é e vai ser tão grande que este governo ou é o supra-sumo da incompetência e ignorância ou anda a reboque de interesses que não são os nossos.
Passa pela cabeça de alguém obrigar todo um povo a regressar ao velho fado da casinha portuguesa com pão e vinho na mesa só porque as contas públicas não andam certas ? Ou porque é preciso desviar muitos milhões de euros para segurar a banca ?
Volto a lembrar os mais esquecidos : o limite da paciência dos portugueses está quase, quase, atingido. Quando tal suceder, se vier a suceder, não há cargas da polícia de choque que os salvem.
Repito, não se esqueçam disso.
Eu avisei.
quarta-feira, novembro 21, 2012
OS LIMITES DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA
Vou ser rápido, simples e perfeitamente claro, espero eu : este Governo NÃO tem legitimidade para fazer nenhuma discussão e muito menos alteração nos limites e contornos do chamado Estado Social. Não pode, legitimamente, fazer nada de tão dramático porque pura e simplesmente não possui delegação do povo português para tanto.
É assim que funciona a democracia representativa. Nenhum destes temas foi abordado ou discutido nas ultimas eleições legislativas, logo o governo não deve fazer nada sem possuir mandato para tanto.
Se, de facto, querem discutir esses temas e sobre eles tomar decisões, só têm uma solução : fazer novas eleições. Tão simples como isso. Então, cada partido dirá o que pretende fazer quanto à reconfiguração ( ou não ) do nosso Estado e o povo escolherá.
Qualquer procedimento que não passe por novas eleições é ilegítimo e, consequentemente, anti-democrático e inconstitucional.
O senhor Presidente da República que tenha muita atenção a esta questão : o povo português não deu qualquer procuração ao actual Governo para modificar os limites do Estado social. Se o tentarem fazer, estão fora da legalidade democrática e podem, nos termos da Constituição, ser demitidos pelo Presidente da República ou ... destituidos pelos militares, em razão do juramento de fidelidade deste corpo especial para com a Constituição.
Esta é apenas uma consequência imediata das regras da democracia representativa, realidade à qual já ninguém parece prestar muita atenção.
Ou a crise já suspendeu a legitimidade democrática ?
Vou ser rápido, simples e perfeitamente claro, espero eu : este Governo NÃO tem legitimidade para fazer nenhuma discussão e muito menos alteração nos limites e contornos do chamado Estado Social. Não pode, legitimamente, fazer nada de tão dramático porque pura e simplesmente não possui delegação do povo português para tanto.
É assim que funciona a democracia representativa. Nenhum destes temas foi abordado ou discutido nas ultimas eleições legislativas, logo o governo não deve fazer nada sem possuir mandato para tanto.
Se, de facto, querem discutir esses temas e sobre eles tomar decisões, só têm uma solução : fazer novas eleições. Tão simples como isso. Então, cada partido dirá o que pretende fazer quanto à reconfiguração ( ou não ) do nosso Estado e o povo escolherá.
Qualquer procedimento que não passe por novas eleições é ilegítimo e, consequentemente, anti-democrático e inconstitucional.
O senhor Presidente da República que tenha muita atenção a esta questão : o povo português não deu qualquer procuração ao actual Governo para modificar os limites do Estado social. Se o tentarem fazer, estão fora da legalidade democrática e podem, nos termos da Constituição, ser demitidos pelo Presidente da República ou ... destituidos pelos militares, em razão do juramento de fidelidade deste corpo especial para com a Constituição.
Esta é apenas uma consequência imediata das regras da democracia representativa, realidade à qual já ninguém parece prestar muita atenção.
Ou a crise já suspendeu a legitimidade democrática ?
segunda-feira, novembro 05, 2012
A MINHA LISBOA
Por vezes canso-me da política, da pequenez sórdida desta gente que se apropriou do país e deixo o meu espírito divagar por outras andanças.
Gosto de Lisboa. É a minha cidade. Embora aqui não tenha nascido, vivo em Lisboa há uns bons 50 anos. Conheço a cidade, claro, mas ainda há nela muitas coisas que me encantam e transportam para outros tempos, uns da minha juventude, outros de pessoas ilustres que por aqui deambularam, como Fernando Pessoa ou Almada Negreiros.
Gosto de percorrer velhas ruas, de preferência sem saber muito bem onde vão dar, deixando os meus olhos absorver pormenores de múltiplas formas e cores. Águas furtadas forradas a chapa canelada de zinco, lá em cima, sabe-se lá quem lá mora, dorme e sonha. Lampiões de desenho antigo, fazendo-me lembrar os de gás, do tempo do terramoto. Varandas de pedra estreitinhas, com protecções de ferro forjado, castigadas pelos anos e chuvadas várias. Estores que se enrolam e desenrolam naquelas caixas metálicas exteriores, pintadas de um tom sujo que se adivinha já ter sido beige ou branco. Velhas mulheres com xailes à volta dos ombros, assomando de janelas do rés do chão, protegidas por meias sacadas de ripas pintadas de verde. Calçadas todas desniveladas, um grande alto aqui, uma poça cheia de água acolá, pedras polidas por gente que eu nunca conheci mas que posso perfeitamente imaginar. O sr. Cardoso, que tem um cafézito ali à esquina, a Dª Laura que é modista para fora, o sr. Joaquim, o dono do lugar de frutas e hortaliças, a Dª Eulália, viúva de um antigo embarcadiço das linhas de África. E tantas outras pessoas que por aqui fizeram as suas vidas e que, por isso mesmo, deram vida a estas ruelas.
E é assim que eu gosto de ver Lisboa, sem automóveis, nem bares finos, nem centros comerciais. Com gente modesta e humilde.
O pior é que, quando penso nestas gentes, me vem logo à ideia a seguinte questão : então esta gente é que viveu e vive acima das suas posses ? Foi esta gente que gastou à tripa forra e agora têm que pagar tudo à troika ??
Mau, amigos, lá se foi o meu tranquilo interlúdio com a política de lado. É inevitável regressar à selva em que esta gente nos mergulhou.
Paciência, até breve !
.
Por vezes canso-me da política, da pequenez sórdida desta gente que se apropriou do país e deixo o meu espírito divagar por outras andanças.
Gosto de Lisboa. É a minha cidade. Embora aqui não tenha nascido, vivo em Lisboa há uns bons 50 anos. Conheço a cidade, claro, mas ainda há nela muitas coisas que me encantam e transportam para outros tempos, uns da minha juventude, outros de pessoas ilustres que por aqui deambularam, como Fernando Pessoa ou Almada Negreiros.
Gosto de percorrer velhas ruas, de preferência sem saber muito bem onde vão dar, deixando os meus olhos absorver pormenores de múltiplas formas e cores. Águas furtadas forradas a chapa canelada de zinco, lá em cima, sabe-se lá quem lá mora, dorme e sonha. Lampiões de desenho antigo, fazendo-me lembrar os de gás, do tempo do terramoto. Varandas de pedra estreitinhas, com protecções de ferro forjado, castigadas pelos anos e chuvadas várias. Estores que se enrolam e desenrolam naquelas caixas metálicas exteriores, pintadas de um tom sujo que se adivinha já ter sido beige ou branco. Velhas mulheres com xailes à volta dos ombros, assomando de janelas do rés do chão, protegidas por meias sacadas de ripas pintadas de verde. Calçadas todas desniveladas, um grande alto aqui, uma poça cheia de água acolá, pedras polidas por gente que eu nunca conheci mas que posso perfeitamente imaginar. O sr. Cardoso, que tem um cafézito ali à esquina, a Dª Laura que é modista para fora, o sr. Joaquim, o dono do lugar de frutas e hortaliças, a Dª Eulália, viúva de um antigo embarcadiço das linhas de África. E tantas outras pessoas que por aqui fizeram as suas vidas e que, por isso mesmo, deram vida a estas ruelas.
E é assim que eu gosto de ver Lisboa, sem automóveis, nem bares finos, nem centros comerciais. Com gente modesta e humilde.
O pior é que, quando penso nestas gentes, me vem logo à ideia a seguinte questão : então esta gente é que viveu e vive acima das suas posses ? Foi esta gente que gastou à tripa forra e agora têm que pagar tudo à troika ??
Mau, amigos, lá se foi o meu tranquilo interlúdio com a política de lado. É inevitável regressar à selva em que esta gente nos mergulhou.
Paciência, até breve !
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domingo, novembro 04, 2012
VAMOS TER PANCADA, COMPANHEIROS ...
Como sabem, há muito que comecei a alertar para este perigo de acabarmos todos à pancada. As coisas complicam-se cada vez mais.
Temos um Governo esquisito, cuja essência pode bem ser ilustrada pelo senhor da foto ao lado. Uma mistura entre uma rapaziada incompetente e um bando de assaltantes sem pudor do Estado português. Governo legitimado formalmente pelo voto popular, há ano e meio, há muito que abandonou essa legitimidade, enveredando por caminhos ínvios e manifestamente inconstitucionais e ou ilegais, sem qualquer relação com o seu programa eleitoral.
Com ou sem legitimidade democrática, Passos Coelho é um exemplo perfeito da insanidade e da teimosia de uma certa direita, convencidos da sua missão religiosa de salvar Portugal, começando ... por o destruir, para começar.
Na essência, essa é a explicação subconsciente da palavra que usou. Para refundar, seja o que for, é preciso antes de mais que essa coisa esteja ou venha a ser destruída.
Esta rapaziada, teimosamente empenhada na destruição do Estado social, não desanima mesmo quando é notório que não existe, em Portugal, uma maioria favorável a esse desígnio. Forçando a situação, procuram criar em certos sectores da população a ideia que o Estado social é o responsável pelo nível exagerado de impostos que irão pagar. Visto por outro ângulo, andam por aí a propalar esta ideia : querem pagar menos impostos ? Vamos então reduzir ou acabar com esse Estado social, é por aí que o vosso dinheiro se vai.
Lembram a brutalidade com que foi anunciada, na altura, a redução de 7% nos vencimentos para entregar directamente aos patrões ? Voltem a lembrar agora a "enormidade" dos impostos em 2013, assim descritos por Vitor Gaspar. Atentem nas suas recentes expressões "os portugueses não querem pagar os impostos que seriam necessários para custear o estado social". Notam a sequência das medidas e das frases ?
Bom, acho que hoje já não há margem para dúvidas.
E então ? Então, com a oposição do PS, este governo sabe que tem que entrar numa área cinzenta e provavelmente ilegal para conseguir cortes anti-Estado social. Nada que os demova, já perceberam que podem fazer muita coisa antes que o Presidente da República, esse não-interveniente, e ou o Tribunal Constitucional tomem uma decisão. Irão portanto forçar as coisas, tentando criar factos consumados.
Só que ... esta rapaziada sabe pouco das dinâmicas sociais. Na ausência de actuação do Presidente da República e do Tribunal Constitucional, resta-nos sermos nós, os portugueses, a agir. Civis e ou militares, a história de Portugal mostra bem estas coisas.
É por isso que vos digo : VAMOS TER PANCADA, COMPANHEIROS ... e da DURA !
Continuem, PSD e CDS, convencidos que iremos aturar todas as vossas diatribes e vão ter uma grande, uma enorme surpresa.
Considerem-se avisados.
.
Como sabem, há muito que comecei a alertar para este perigo de acabarmos todos à pancada. As coisas complicam-se cada vez mais.
Temos um Governo esquisito, cuja essência pode bem ser ilustrada pelo senhor da foto ao lado. Uma mistura entre uma rapaziada incompetente e um bando de assaltantes sem pudor do Estado português. Governo legitimado formalmente pelo voto popular, há ano e meio, há muito que abandonou essa legitimidade, enveredando por caminhos ínvios e manifestamente inconstitucionais e ou ilegais, sem qualquer relação com o seu programa eleitoral.
Com ou sem legitimidade democrática, Passos Coelho é um exemplo perfeito da insanidade e da teimosia de uma certa direita, convencidos da sua missão religiosa de salvar Portugal, começando ... por o destruir, para começar.
Na essência, essa é a explicação subconsciente da palavra que usou. Para refundar, seja o que for, é preciso antes de mais que essa coisa esteja ou venha a ser destruída.
Esta rapaziada, teimosamente empenhada na destruição do Estado social, não desanima mesmo quando é notório que não existe, em Portugal, uma maioria favorável a esse desígnio. Forçando a situação, procuram criar em certos sectores da população a ideia que o Estado social é o responsável pelo nível exagerado de impostos que irão pagar. Visto por outro ângulo, andam por aí a propalar esta ideia : querem pagar menos impostos ? Vamos então reduzir ou acabar com esse Estado social, é por aí que o vosso dinheiro se vai.
Lembram a brutalidade com que foi anunciada, na altura, a redução de 7% nos vencimentos para entregar directamente aos patrões ? Voltem a lembrar agora a "enormidade" dos impostos em 2013, assim descritos por Vitor Gaspar. Atentem nas suas recentes expressões "os portugueses não querem pagar os impostos que seriam necessários para custear o estado social". Notam a sequência das medidas e das frases ?
Bom, acho que hoje já não há margem para dúvidas.
E então ? Então, com a oposição do PS, este governo sabe que tem que entrar numa área cinzenta e provavelmente ilegal para conseguir cortes anti-Estado social. Nada que os demova, já perceberam que podem fazer muita coisa antes que o Presidente da República, esse não-interveniente, e ou o Tribunal Constitucional tomem uma decisão. Irão portanto forçar as coisas, tentando criar factos consumados.
Só que ... esta rapaziada sabe pouco das dinâmicas sociais. Na ausência de actuação do Presidente da República e do Tribunal Constitucional, resta-nos sermos nós, os portugueses, a agir. Civis e ou militares, a história de Portugal mostra bem estas coisas.
É por isso que vos digo : VAMOS TER PANCADA, COMPANHEIROS ... e da DURA !
Continuem, PSD e CDS, convencidos que iremos aturar todas as vossas diatribes e vão ter uma grande, uma enorme surpresa.
Considerem-se avisados.
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quarta-feira, outubro 31, 2012
O QUE ELES QUEREM SEI EU !!!
Vêm-os ? Agora percebe-se bem, não é ?
Aproveita-se a oportunidade, começa a dizer-se que é preciso um corte permanente de 4.000 milhões de euros e vai daí, pergunta-se onde é que vamos cortar sem ser nos sectores que nos levam mais dinheiro, a saúde, o ensino e a segurança social ... Os rapazes ( eles, o PSD e o CDS ) até são grandes defensores do estado social, mas palavra de honra que não temos dinheiro para isso, afirmam hipocritamente. A malta tem que refundar umas coisitas, né ?
Agora vê-se muito bem, um ano e meio depois de chegarem ao poder, onde é que esta gente quer chegar.
Temos que cortar 4.000 milhões de euros, portanto há que privatizar uns sectores do ensino, umas valências hospitalares, coisas desse tipo.
Nem sequer é dito que, em 2013, só em juros da dívida vamos pagar 8.000 milhões de euros, o equivalente ao sistema de saúde ou ao sistema escolar ... Se negociassem e obrigassem a Europa e o FMI a levar-nos juros mais baixos ( metade, por exemplo ) só aí iríamos buscar qualquer coisa como 2.000 milhões ! Mas não, nós somos muito sérios, deixamo-nos explorar indecentemente pelos nossos pseudo-salvadores e sempre de bico calado, com um espírito de escravo agradecido pelas benesses do senhor.
Também não é dito que, com uma economia a crescer, teríamos mais dinheiro dos impostos e as necessidades não seriam tão dramáticas. Também não se fala nas PPPs, num imposto sobre as grandes fortunas e não sei quantas coisas mais. Como investir na produção. Não, o "negócio" é bem feito, só se fala nos factos que favorecem o objectivo deles.
Não, leitor, nada de ilusões, a verdade é que esta dívida veio mesmo a calhar para eles conseguirem convencer alguns portugueses quanto ás suas teses. O que o nosso ( nosso ?? ) governo pretende, como já disse várias vezes, NÃO é resolver o problema do défice e da dívida externa ; o que eles querem é arranjar uma catrefada de negócios para os amigos, nacionais e estrangeiros. Não duvidem, esta rapaziada não tem qualquer vínculo emocional com Portugal e os portugueses, a Pátria deles é a Europa dos negócios, a Europa do dinheiro.
Se bem repararam, o Orçamento para 2013 já não é importante , na Assembleia só se falou, durante horas, no corte permanente dos 4.000 milhões e na refundação não sei bem de quê.
É caso para gritar, agora, aquela expressão tão popular : o que eles querem sei eu !!!
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Vêm-os ? Agora percebe-se bem, não é ?
Aproveita-se a oportunidade, começa a dizer-se que é preciso um corte permanente de 4.000 milhões de euros e vai daí, pergunta-se onde é que vamos cortar sem ser nos sectores que nos levam mais dinheiro, a saúde, o ensino e a segurança social ... Os rapazes ( eles, o PSD e o CDS ) até são grandes defensores do estado social, mas palavra de honra que não temos dinheiro para isso, afirmam hipocritamente. A malta tem que refundar umas coisitas, né ?
Agora vê-se muito bem, um ano e meio depois de chegarem ao poder, onde é que esta gente quer chegar.
Temos que cortar 4.000 milhões de euros, portanto há que privatizar uns sectores do ensino, umas valências hospitalares, coisas desse tipo.
Nem sequer é dito que, em 2013, só em juros da dívida vamos pagar 8.000 milhões de euros, o equivalente ao sistema de saúde ou ao sistema escolar ... Se negociassem e obrigassem a Europa e o FMI a levar-nos juros mais baixos ( metade, por exemplo ) só aí iríamos buscar qualquer coisa como 2.000 milhões ! Mas não, nós somos muito sérios, deixamo-nos explorar indecentemente pelos nossos pseudo-salvadores e sempre de bico calado, com um espírito de escravo agradecido pelas benesses do senhor.
Também não é dito que, com uma economia a crescer, teríamos mais dinheiro dos impostos e as necessidades não seriam tão dramáticas. Também não se fala nas PPPs, num imposto sobre as grandes fortunas e não sei quantas coisas mais. Como investir na produção. Não, o "negócio" é bem feito, só se fala nos factos que favorecem o objectivo deles.
Não, leitor, nada de ilusões, a verdade é que esta dívida veio mesmo a calhar para eles conseguirem convencer alguns portugueses quanto ás suas teses. O que o nosso ( nosso ?? ) governo pretende, como já disse várias vezes, NÃO é resolver o problema do défice e da dívida externa ; o que eles querem é arranjar uma catrefada de negócios para os amigos, nacionais e estrangeiros. Não duvidem, esta rapaziada não tem qualquer vínculo emocional com Portugal e os portugueses, a Pátria deles é a Europa dos negócios, a Europa do dinheiro.
Se bem repararam, o Orçamento para 2013 já não é importante , na Assembleia só se falou, durante horas, no corte permanente dos 4.000 milhões e na refundação não sei bem de quê.
É caso para gritar, agora, aquela expressão tão popular : o que eles querem sei eu !!!
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domingo, outubro 28, 2012
AS COISAS FICAM CLARAS !
Ora vejam, as coisas estão a chegar ao momento da verdade.
Vejam como aquilo que sempre foi o objectivo principal de Passos Coelho começa a vir à superfície ...
Sempre acreditei que a destruição do Estado, tal como o entendemos depois do 25 de Abril, era a principal preocupação deste PSD. Não sei se esta visão é partilhada pelo CDS, mas a verdade é que isso não me interessa muito. O CDS não tem rumo nem palavra, por isso vai para onde a corrente correr.
Nos últimos tempos, muita gente andava para aí confusa e com diferentes interpretações quanto à actuação da dupla Gaspar-Coelho. Uns acreditavam que eles procuravam mesmo corrigir os défices ( externo e do orçamento) ; outros preferiam a interpretação mais plausível do "ajustamento", ou seja o empobrecimento brutal e generalizado do país, por forma a tornar o nível de vida compatível com a produção de riqueza no País.
Começa agora a tornar-se claro que o objectivo é outro, mais maquiavélico e ambicioso. O que Gaspar e Coelho pretendem é "refundar" o Estado, mudar completamente o paradigma que a Constituição consagra em Portugal : saúde tendencialmente gratuita, educação para todos, gratuita até ao nível secundário, protecção social no desemprego, na doença e no fim da vida laboral, com as pensões.
O que esses senhores desejam é acabar com essas situações e inaugurar uma nova época onde a saude, a educação e a segurança social são pagas a dinheiro, por quem as quiser ou puder ter.
Já muita gente em diversas regiões do Mundo foram por esse caminho, com resultados nada brilhantes : a senhora Tatchter na Grã-Bretanha, o senhor Ronald Reagan nos EUA, para apenas mencionar dois desses capatazes das grandes empresas com investimentos nesses sectores. As coisas não correram nada bem, a não ser que considerem um êxito a criação de legiões de pobres sem direito nem à educação, nem à segurança social, nem à saúde. Triste gente essa, sem grandeza nem empatia, gente que pura e simplesmente não se importam com os outros ...
Pois bem, vê-se agora bem claro que é para onde querem ir o nosso Pedrinho e o Gasparzito, o pseudo-génio falhado. O empobrecimento generalizado não é um fim para eles, trata-se apenas de um meio, um instrumento para que os portugueses mais facilmente "engulam" a destruição do serviço nacional de saúde, a escola pública e o segurança social. Se os portugueses se cansarem com a tremenda carga de impostos, talvez comecem a querer acabar com essas coisas, essa é a esperança do duo maquiavélico ...
É por isso, porque o objectivo é esse e não outro, que o governo vomita certas medidas sem qualquer sentido económico, numa aparente desorientação quanto ao caminho a seguir. Nada de desorientações, a ideia é sempre a de conseguir que os portugueses se cansem do estado social e comecem a preferir o "cada um para si".
É também por isso que este governo se está nas tintas para lutar, na Europa, por melhores condições no pagamento da dívida. Eles, de facto, não querem que as coisas melhorem, em Portugal. Para eles, quanto pior, melhor. Eles apenas querem criar condições para o volte-face.
Se o leitor acreditar nesta interpretação - para mim é uma certeza - então todas as coisas passam a fazer sentido. O governo apenas visa o desmantelamento deste Estado social, o pouco que ainda resiste. Não sei se toda a gente neste governo - e nos partidos que o suportam - percebe qual é o objectivo de Gaspar e Coelho, mas para mim este duo não tem dúvidas e está a usar todas as artimanhas para chegarem onde querem.
Para lhes parar o golpe, basta dizermos a todos a verdade. Os portugueses não vão consentir nesta vilania, nesta traição. Os portugueses vão desmascarar o Pedrito e o Gasparzito e vão mandá-los para o Abu-Dhabi.
Comecemos hoje essa tarefa.
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Ora vejam, as coisas estão a chegar ao momento da verdade.
Vejam como aquilo que sempre foi o objectivo principal de Passos Coelho começa a vir à superfície ...
Sempre acreditei que a destruição do Estado, tal como o entendemos depois do 25 de Abril, era a principal preocupação deste PSD. Não sei se esta visão é partilhada pelo CDS, mas a verdade é que isso não me interessa muito. O CDS não tem rumo nem palavra, por isso vai para onde a corrente correr.
Nos últimos tempos, muita gente andava para aí confusa e com diferentes interpretações quanto à actuação da dupla Gaspar-Coelho. Uns acreditavam que eles procuravam mesmo corrigir os défices ( externo e do orçamento) ; outros preferiam a interpretação mais plausível do "ajustamento", ou seja o empobrecimento brutal e generalizado do país, por forma a tornar o nível de vida compatível com a produção de riqueza no País.
Começa agora a tornar-se claro que o objectivo é outro, mais maquiavélico e ambicioso. O que Gaspar e Coelho pretendem é "refundar" o Estado, mudar completamente o paradigma que a Constituição consagra em Portugal : saúde tendencialmente gratuita, educação para todos, gratuita até ao nível secundário, protecção social no desemprego, na doença e no fim da vida laboral, com as pensões.
O que esses senhores desejam é acabar com essas situações e inaugurar uma nova época onde a saude, a educação e a segurança social são pagas a dinheiro, por quem as quiser ou puder ter.
Já muita gente em diversas regiões do Mundo foram por esse caminho, com resultados nada brilhantes : a senhora Tatchter na Grã-Bretanha, o senhor Ronald Reagan nos EUA, para apenas mencionar dois desses capatazes das grandes empresas com investimentos nesses sectores. As coisas não correram nada bem, a não ser que considerem um êxito a criação de legiões de pobres sem direito nem à educação, nem à segurança social, nem à saúde. Triste gente essa, sem grandeza nem empatia, gente que pura e simplesmente não se importam com os outros ...
Pois bem, vê-se agora bem claro que é para onde querem ir o nosso Pedrinho e o Gasparzito, o pseudo-génio falhado. O empobrecimento generalizado não é um fim para eles, trata-se apenas de um meio, um instrumento para que os portugueses mais facilmente "engulam" a destruição do serviço nacional de saúde, a escola pública e o segurança social. Se os portugueses se cansarem com a tremenda carga de impostos, talvez comecem a querer acabar com essas coisas, essa é a esperança do duo maquiavélico ...
É por isso, porque o objectivo é esse e não outro, que o governo vomita certas medidas sem qualquer sentido económico, numa aparente desorientação quanto ao caminho a seguir. Nada de desorientações, a ideia é sempre a de conseguir que os portugueses se cansem do estado social e comecem a preferir o "cada um para si".
É também por isso que este governo se está nas tintas para lutar, na Europa, por melhores condições no pagamento da dívida. Eles, de facto, não querem que as coisas melhorem, em Portugal. Para eles, quanto pior, melhor. Eles apenas querem criar condições para o volte-face.
Se o leitor acreditar nesta interpretação - para mim é uma certeza - então todas as coisas passam a fazer sentido. O governo apenas visa o desmantelamento deste Estado social, o pouco que ainda resiste. Não sei se toda a gente neste governo - e nos partidos que o suportam - percebe qual é o objectivo de Gaspar e Coelho, mas para mim este duo não tem dúvidas e está a usar todas as artimanhas para chegarem onde querem.
Para lhes parar o golpe, basta dizermos a todos a verdade. Os portugueses não vão consentir nesta vilania, nesta traição. Os portugueses vão desmascarar o Pedrito e o Gasparzito e vão mandá-los para o Abu-Dhabi.
Comecemos hoje essa tarefa.
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domingo, outubro 21, 2012
MANUEL ANTÓNIO PINA ( 1943-2012 )
Era um homem da minha geração. Nascido no mesmo ano em que eu nasci. Nunca o conheci, nem sequer nunca o vi ao vivo, mesmo ao longe. O mesmo não digo das suas crónicas, tão largamente difundidas na rede, por vezes lidas no seu Jornal de Notícias.
Era das raras pessoas de quem eu tinha ( tenho ) inveja. Uma inveja saudável, acho eu, mas inveja ainda assim. Invejava-lhe a palavra lúcida, fácil, elegante e impiedosa para com tiranetes, mentirosos ou simplesmente corruptos. Invejava-lhe ( invejo-lhe ) a atitude desassombrada de homem do Norte, a simplicidade da sua maneira de ser, até o seu amor aos gatos. Gostava dele, eu que nunca na vida o vi. Gostava e gosto.
Este pequeno texto é a minha homenagem a este senhor da minha geração que agora nos abandonou. Ficamos mesmo mais pobres, sem ele. Há textos que não vão ser escritos. Há políticos pouco sérios que vão respirar melhor. Há uma grande lacuna sem ele.
É assim a vida, mas não devia ser. Para nosso bem. Para bem de Portugal, Manuel António Pina não devia ter-nos deixado. Vai deixar muita saúdade, descanse em paz. Gostaria de o ter conhecido e sido seu amigo.
Fica para depois de. Até lá.
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Era um homem da minha geração. Nascido no mesmo ano em que eu nasci. Nunca o conheci, nem sequer nunca o vi ao vivo, mesmo ao longe. O mesmo não digo das suas crónicas, tão largamente difundidas na rede, por vezes lidas no seu Jornal de Notícias.
Era das raras pessoas de quem eu tinha ( tenho ) inveja. Uma inveja saudável, acho eu, mas inveja ainda assim. Invejava-lhe a palavra lúcida, fácil, elegante e impiedosa para com tiranetes, mentirosos ou simplesmente corruptos. Invejava-lhe ( invejo-lhe ) a atitude desassombrada de homem do Norte, a simplicidade da sua maneira de ser, até o seu amor aos gatos. Gostava dele, eu que nunca na vida o vi. Gostava e gosto.
Este pequeno texto é a minha homenagem a este senhor da minha geração que agora nos abandonou. Ficamos mesmo mais pobres, sem ele. Há textos que não vão ser escritos. Há políticos pouco sérios que vão respirar melhor. Há uma grande lacuna sem ele.
É assim a vida, mas não devia ser. Para nosso bem. Para bem de Portugal, Manuel António Pina não devia ter-nos deixado. Vai deixar muita saúdade, descanse em paz. Gostaria de o ter conhecido e sido seu amigo.
Fica para depois de. Até lá.
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quarta-feira, outubro 17, 2012
ALGUÉM ME EXPLICA ?
Tenho a sensação, por vezes, de viver num mundo de fantasia e absurdo. Tipo Alice no País das Maravilhas, só que mais no País dos Absurdos.
O FMI já por diversas vezes, nos últimos dias, nos tem brindado com afirmações destas. Que nada desta austeridade vai resultar, que tudo isto está errado. Agora é a estimativa do governo para o crescimento em 2013, que é como sabem de -1% e que agora o FMI diz que no mínimo vai andar nos -2,8% podendo chegar aos -5 e tal %.
Por acaso tenho a mesma sensação, mas não fui eu que impus ao governo português um défice de -4,5% em 2013. Não fui eu quem obrigou ( ou induziu ) Portugal a este regime suicida.
Então ? Esta situação não foi provocada pelo FMI e pela Europa ?
Ou foi apenas o governo português que nos quis obrigar a esta miséria galopante, em nome da sua própria visão de regeneração para Portugal ?
Porque se a responsabilidade é do FMI, então que venha JÁ a Portugal para renegociar os termos do ajustamento.
Se a responsabilidade é do Governo de Portugal - como a própria Europa começou para aí a dizer - então, nós, portugueses, precisamos saber isso para "tratar" da saúde ao nosso governo e dar-lhe o enterro que merecem.
Há uns dias, levantei dúvidas sobre a lealdade de Gaspar e Coelho para com os portugueses, na óptica de que estarão a defender as teses e as experiências do FMI e da Alemanha.
Esta hipótese, porém, de ser o nosso Governo a exagerar na austeridade, em nome de objectivos ideológicos e de interesses económicos de terceiros, MUITO PARA ALÉM do que o FMI preconiza ( lembram-se do "para além da troika" ? ) DEVE SER IMEDIATAMENTE AVERIGUADA.
A Europa e o FMI devem ser imediatamente confrontados com a situação e devem confirmar quais são os seus dados e os seus limites.
PRECISAMOS DESVENDAR ESTE MISTÉRIO. JÁ !!!
Tenho a sensação, por vezes, de viver num mundo de fantasia e absurdo. Tipo Alice no País das Maravilhas, só que mais no País dos Absurdos.
O FMI já por diversas vezes, nos últimos dias, nos tem brindado com afirmações destas. Que nada desta austeridade vai resultar, que tudo isto está errado. Agora é a estimativa do governo para o crescimento em 2013, que é como sabem de -1% e que agora o FMI diz que no mínimo vai andar nos -2,8% podendo chegar aos -5 e tal %.
Por acaso tenho a mesma sensação, mas não fui eu que impus ao governo português um défice de -4,5% em 2013. Não fui eu quem obrigou ( ou induziu ) Portugal a este regime suicida.
Então ? Esta situação não foi provocada pelo FMI e pela Europa ?
Ou foi apenas o governo português que nos quis obrigar a esta miséria galopante, em nome da sua própria visão de regeneração para Portugal ?
Porque se a responsabilidade é do FMI, então que venha JÁ a Portugal para renegociar os termos do ajustamento.
Se a responsabilidade é do Governo de Portugal - como a própria Europa começou para aí a dizer - então, nós, portugueses, precisamos saber isso para "tratar" da saúde ao nosso governo e dar-lhe o enterro que merecem.
Há uns dias, levantei dúvidas sobre a lealdade de Gaspar e Coelho para com os portugueses, na óptica de que estarão a defender as teses e as experiências do FMI e da Alemanha.
Esta hipótese, porém, de ser o nosso Governo a exagerar na austeridade, em nome de objectivos ideológicos e de interesses económicos de terceiros, MUITO PARA ALÉM do que o FMI preconiza ( lembram-se do "para além da troika" ? ) DEVE SER IMEDIATAMENTE AVERIGUADA.
A Europa e o FMI devem ser imediatamente confrontados com a situação e devem confirmar quais são os seus dados e os seus limites.
PRECISAMOS DESVENDAR ESTE MISTÉRIO. JÁ !!!
terça-feira, outubro 16, 2012
A TEORIA DAS LEALDADES
Sabem, se estivéssemos no tempo da guerra fria, eu não teria dúvida nenhuma : Gaspar e Coelho seriam agentes duplos. Sob a capa de portugueses, trabalhariam para a Alemanha.
É isso mesmo que Portas parece estar a pensar, nesta foto.
O tempo da guerra fria já passou, contudo.
Não serão agentes duplos, Gaspar e Coelho, concedo. Mas o que é indiscutível, para muita gente, é que eles não trabalham no melhor interesse de Portugal. Neles nunca se vislumbrou a mínima preocupação de enfrentar a UE com firmeza, a defender a nossa posição e a exigir outras condições que evitassem a miséria para tanta da nossa gente. Nunca se leu na cara deles a compaixão, a empatia com os portugueses, com tanta gente aflita e desesperada para pagar as suas contas e continuar a viver. Sorriem, vão ao teatro, andam em bons carros, frequentam restaurantes cujos preços dariam para duas semanas de comida a muita família ... e depois atiram-nos com toda esta carga de impostos para cima !
Isto não está certo, isto não é admíssivel.
Sabem o que é ? Esta gente, de tanto andar enrolada com a burocracia europeia e a gastar os corredores do Banco de Portugal e outros locais, onde o Portugal profundo não entra, perdeu o instinto básico de lealdade para com o seu povo. Em vez de discutir as condições com a Europa, aceita-lhes todas as directivas e que se lixem os portugueses. E fica à espera dos seus aplausos, não dos nossos.
Não tenho qualquer dúvida que tanto Gaspar como Coelho abandonaram a lealdade básica para com o seu povo. Não são portugueses a sério, um é estudante na Alemanha, com a srª Merkel como tutora, e o outro é um burocrata europeu que perdeu o cérebro e a alma na confusão dos modelos econométricos. Que, mesmo assim, teimam em não coincidir com a realidade.
Gente, nada há a fazer com estes dois. Percam as esperanças.
Vamos mesmo ter que lhes mostrar a saída.
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Sabem, se estivéssemos no tempo da guerra fria, eu não teria dúvida nenhuma : Gaspar e Coelho seriam agentes duplos. Sob a capa de portugueses, trabalhariam para a Alemanha.
É isso mesmo que Portas parece estar a pensar, nesta foto.
O tempo da guerra fria já passou, contudo.
Não serão agentes duplos, Gaspar e Coelho, concedo. Mas o que é indiscutível, para muita gente, é que eles não trabalham no melhor interesse de Portugal. Neles nunca se vislumbrou a mínima preocupação de enfrentar a UE com firmeza, a defender a nossa posição e a exigir outras condições que evitassem a miséria para tanta da nossa gente. Nunca se leu na cara deles a compaixão, a empatia com os portugueses, com tanta gente aflita e desesperada para pagar as suas contas e continuar a viver. Sorriem, vão ao teatro, andam em bons carros, frequentam restaurantes cujos preços dariam para duas semanas de comida a muita família ... e depois atiram-nos com toda esta carga de impostos para cima !
Isto não está certo, isto não é admíssivel.
Sabem o que é ? Esta gente, de tanto andar enrolada com a burocracia europeia e a gastar os corredores do Banco de Portugal e outros locais, onde o Portugal profundo não entra, perdeu o instinto básico de lealdade para com o seu povo. Em vez de discutir as condições com a Europa, aceita-lhes todas as directivas e que se lixem os portugueses. E fica à espera dos seus aplausos, não dos nossos.
Não tenho qualquer dúvida que tanto Gaspar como Coelho abandonaram a lealdade básica para com o seu povo. Não são portugueses a sério, um é estudante na Alemanha, com a srª Merkel como tutora, e o outro é um burocrata europeu que perdeu o cérebro e a alma na confusão dos modelos econométricos. Que, mesmo assim, teimam em não coincidir com a realidade.
Gente, nada há a fazer com estes dois. Percam as esperanças.
Vamos mesmo ter que lhes mostrar a saída.
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segunda-feira, outubro 15, 2012
NÃO VALE A PENA, A ÚNICA RESPOSTA É : RUA !!
Estes senhores, de facto, não valem nada. Nada.
Este homem, em particular, é apenas um burocrata europeu, medíocre, medroso, subserviente e, acima de tudo, está-se totalmente nas tintas para as pessoas.
Não mudam, estes senhores. Pautam-se apenas por dois princípios fundamentais :
a) fazem cortes ou aumentam impostos aritmeticamente, sem quaisquer considerações sobre os seus efeitos sociais. Não trabalham em economia, apenas procuram um equilíbrio aritmético.
b) evitam, cuidadosamente, todas as medidas a sério que impliquem ir ao bolso do capital. Veja-se, por exemplo, que, nesta apresentação do orçamento pelo ministro, há dois dados notáveis : o corte nas pensões dos reformados e pensionistas representa 450 milhões de euros. Isto é dinheiro tirado da algibeira dos pensionistas, pura e simplesmente. Sabem quanto é que este homenzinho diz que vai reduzir nas PPs ? 1000 ? 2000 ? 2500 milhões ? Não, a fabulosa importância de 250 milhões de euros, METADE do que irão roubar aos pensionistas...
Se isto não retrata este governo, não sei que mais seja preciso.
Ahhhhh, uma pérola final : o pequenote afirma que o Estado português gastou muito dinheiro na sua formação. Isto num tom que insinua que é, de facto, um génio muito caro e que não devemos prescindir dele.
Por mim, não tenho a mínima dúvida em o dispensar da obrigação de retribuir a formação que o Estado lhe pagou.
Pode ir, sr ministro, pode ir. Vá, por favor, aplicar a sua formação noutro lado qualquer.
Não quero ouvi-lo mais, sobretudo a afirmar que é este seu orçamento ou o plano de ajustamento português vai às urtigas. Já ouvi muitas coisas dessas, ao longo da minha vida, quase todas irremediavelmente erradas e politicamente demagógicas.
Estes senhores, de facto, não valem nada. Nada.
Este homem, em particular, é apenas um burocrata europeu, medíocre, medroso, subserviente e, acima de tudo, está-se totalmente nas tintas para as pessoas.
Não mudam, estes senhores. Pautam-se apenas por dois princípios fundamentais :
a) fazem cortes ou aumentam impostos aritmeticamente, sem quaisquer considerações sobre os seus efeitos sociais. Não trabalham em economia, apenas procuram um equilíbrio aritmético.
b) evitam, cuidadosamente, todas as medidas a sério que impliquem ir ao bolso do capital. Veja-se, por exemplo, que, nesta apresentação do orçamento pelo ministro, há dois dados notáveis : o corte nas pensões dos reformados e pensionistas representa 450 milhões de euros. Isto é dinheiro tirado da algibeira dos pensionistas, pura e simplesmente. Sabem quanto é que este homenzinho diz que vai reduzir nas PPs ? 1000 ? 2000 ? 2500 milhões ? Não, a fabulosa importância de 250 milhões de euros, METADE do que irão roubar aos pensionistas...
Se isto não retrata este governo, não sei que mais seja preciso.
Ahhhhh, uma pérola final : o pequenote afirma que o Estado português gastou muito dinheiro na sua formação. Isto num tom que insinua que é, de facto, um génio muito caro e que não devemos prescindir dele.
Por mim, não tenho a mínima dúvida em o dispensar da obrigação de retribuir a formação que o Estado lhe pagou.
Pode ir, sr ministro, pode ir. Vá, por favor, aplicar a sua formação noutro lado qualquer.
Não quero ouvi-lo mais, sobretudo a afirmar que é este seu orçamento ou o plano de ajustamento português vai às urtigas. Já ouvi muitas coisas dessas, ao longo da minha vida, quase todas irremediavelmente erradas e politicamente demagógicas.
REVOLTA SÓ QUANDO NOS TOCA ?
Deixem-me ser mauzinho por uma vez.
Deixem-me ser lúcido e pedagógico.
Só reagimos, a maior parte das vezes, quando nos afecta a nós, directamente.
Antes disso, não vale a pena, não é connosco.
Hoje, toda a gente, todos os sectores bramam contra a austeridade, vão-nos esmagar, é um assalto à mão armada, é um saque.
Porém ...
Porém, ESTE ANO EM CURSO, há quem já esteja a ser vítima dessa mesma "quadrilha" sem que a sociedade se tenha incomodado a reagir.
Eram os outros, os "privilegiados", mereciam o roubo, nada havia a censurar.
A verdade é que o roubo em curso a essa gente "privilegiada" - que varia entre 17,8 % e 24,3 % do rendimento anual !!! - foi MUITO MAIOR que o roubo que se prepara para 2013 a toda a gente. E que, convêm não esquecer, ainda vai penalizar BASTANTE MAIS os mesmos, os servidores do Estado e reformados, em 2013.
Que um país inteiro tenha assistido a esta vergonha sem reagir é um sinal preocupante dos tempos. Que um governo da República tenha provocado e incentivado este egoísmo colectivo é mais do que preocupante, é uma vergonha nacional. Que este egoismo tenha tido direito a cartas pomposas escritas por Paulo Portas aos seus apaniguados, e a pressões dentro do governo, não é uma vergonha nacional ... é apenas uma vergonha para esse senhor de poucos princípios e pouca dignidade.
Dou por mim a pensar : quantos salários seriam roubados aos servidores públicos em 2013 se o Tribunal Constitucional não tivesse estragado a "festa" ao governo e ... aos outros portugueses todos ?
O que teria sido preciso para que as pessoas começassem a gritar que se lixe a troika ?
Pessoal, vejam se crescem um pouquinho mais e se começam a aprender uma coisa que se chama empatia com os outros, sim ? Em alternativa, vejam se começam a ler Brecht, também por aí chegarão à verdade. Ou a Bíblia. Ou o Corão. Ou o meu antigo livro da 4ª classe, em plena vigência da longa noite fascista.
PS - sei que hoje estou a ser pomposo e um pouco paterrnalista - além de antipático. Porém acho que tenho razão no remoque e que talvez isso acorde algumas consciências.
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Deixem-me ser mauzinho por uma vez.
Deixem-me ser lúcido e pedagógico.
Só reagimos, a maior parte das vezes, quando nos afecta a nós, directamente.
Antes disso, não vale a pena, não é connosco.
Hoje, toda a gente, todos os sectores bramam contra a austeridade, vão-nos esmagar, é um assalto à mão armada, é um saque.
Porém ...
Porém, ESTE ANO EM CURSO, há quem já esteja a ser vítima dessa mesma "quadrilha" sem que a sociedade se tenha incomodado a reagir.
Eram os outros, os "privilegiados", mereciam o roubo, nada havia a censurar.
A verdade é que o roubo em curso a essa gente "privilegiada" - que varia entre 17,8 % e 24,3 % do rendimento anual !!! - foi MUITO MAIOR que o roubo que se prepara para 2013 a toda a gente. E que, convêm não esquecer, ainda vai penalizar BASTANTE MAIS os mesmos, os servidores do Estado e reformados, em 2013.
Que um país inteiro tenha assistido a esta vergonha sem reagir é um sinal preocupante dos tempos. Que um governo da República tenha provocado e incentivado este egoísmo colectivo é mais do que preocupante, é uma vergonha nacional. Que este egoismo tenha tido direito a cartas pomposas escritas por Paulo Portas aos seus apaniguados, e a pressões dentro do governo, não é uma vergonha nacional ... é apenas uma vergonha para esse senhor de poucos princípios e pouca dignidade.
Dou por mim a pensar : quantos salários seriam roubados aos servidores públicos em 2013 se o Tribunal Constitucional não tivesse estragado a "festa" ao governo e ... aos outros portugueses todos ?
O que teria sido preciso para que as pessoas começassem a gritar que se lixe a troika ?
Pessoal, vejam se crescem um pouquinho mais e se começam a aprender uma coisa que se chama empatia com os outros, sim ? Em alternativa, vejam se começam a ler Brecht, também por aí chegarão à verdade. Ou a Bíblia. Ou o Corão. Ou o meu antigo livro da 4ª classe, em plena vigência da longa noite fascista.
PS - sei que hoje estou a ser pomposo e um pouco paterrnalista - além de antipático. Porém acho que tenho razão no remoque e que talvez isso acorde algumas consciências.
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