VIVEMOS NUMA DEMOCRACIA ESFRANGALHADA
Vivemos em democracia. Mas que raio é isso da democracia, a representativa, como a nossa ? É uma espécie de cartão dourado que dá direito a quem tem mais votos de fazer o que quiser ? Nos tempos que correm, é isso mesmo que parece, sabem ? É que, durante a campanha eleitoral, fazem-se promessas que depois das eleições são completamente esquecidas. Outras vezes, tomam-se decisões totalmente ausentes do programa eleitoral, com o maior dos à vontades, como se a delegação de poderes que lhes demos valesse para tudo.
A sério, pessoal, estou disposto a admitir uma certa margem entre o que se promete e o que se faz. Mas isto excede tudo o que é razoável, isto é a negação da democracia tal como a vejo, tal como está escrita. E se assim é, isto é abuso de poder, isto é tirania, isto é a negação da democracia.
Nesta história dos subsídios, garanto-vos que aquilo que me rói por dentro não é saquearem-me a minha pensão. Não é o dinheiro, é aquela sensação de injustiça, de impotência perante a iniquidade do despotismo.
Repisemos : então neste nosso simulacro de democracia, vale tudo entre eleições ? É assim uma coisa tipo "votem votem, deixem-me lá apanhar no poder que logo vos digo ?"
É para garantir este joguinho vicioso e aldrabão que existem orgãos ( caros, diga-se de passagem ) cuja missão é garantir que a democracia funciona e que as leis são respeitadas ? A Presidência da República e o Tribunal Constitucional estão lá para quê ? Não esqueçamos que não é Deus ou a República quem lhes paga as contas, não é ?
Da ultima vez que o Tribunal Constitucional se pronunciou sobre esta matéria justificou a sua concordância com o facto de se tratar de uma medida de emergência e temporária, bem delimitada no tempo. E então, ainda sustenta a mesma decisão ??
Com todos os diabos, pessoal, o desrespeito começou com Sócrates, bem sei e isso não retira um milímetro de força à minha razão. Também nunca gostei de Sócrates, não sou do PS ( nem de nenhum outro partido, diga-se ) e mantenho as minhas telhas todas de cerâmica de barro, não de vidro. Por isso, digo-vos : para mim, chega. Não me interessa para nada da crise nem do défice ( não tenho responsabilidades em nada disso ) nem quero saber se o Governo precisa de ir aos bolsos dos cidadãos ou não.
Para mim, ao tomarem-se decisões destas sem sequer as discutir na Assembleia, estão a exceder as competências do Governo, estão a fazer da democracia uma caricatura, estão a elevar a mentira e o livre arbítrio ao poder.
Repito : estar-me-ia nas tintas para os subsídios, se o meu país deles necessitasse e se essa decisão tivesse sido tomada em legitimidade completa em termos representativos, ou seja, depois de ter sido divulgada antes das eleições. Assim, afirmando hoje que era só por 2 anos ( para suavizar o impacto e o Tribunal Constitucional ver ? ) e amanhã dizendo que só em 2018, assim não.
Pessoalmente, não aceito esta decisão como legítima. Espero para ver o que acontece, mas até lá afirmo que, para mim, este Governo está a governar pela força, fora da legitimidade da representação política democrática e fora da legitimidade constitucional.
Ou seja, para mim não estamos mais a viver em democracia plena, vivemos uma democracia limitada e mentirosa. E quem estiver interessado neste tema que comece a pensar que novos caminhos a democracia representativa deve tomar, para minorar ou evitar estes abusos continuados do poder.
Blogs (Blogues) = crónicas (quase) diárias; registo periódico de factos, opiniões e críticas ; as impressões íntimas, a política, o social.
segunda-feira, abril 30, 2012
domingo, abril 15, 2012
MISTER SCROOGE
Lembram-se do sr. Scrooge, aquele velho avarento dos contos de Natal ingleses, inventado por Charles Dickens ? Um destes dias lembrei-me dele, vá-se lá saber porquê.
Isto aqui em Portugal parece de facto um conto. Não um conto simpático de Natal, com muitas luzinhas e música à maneira, mas um conto de terror, com lobisomens e encruzilhadas à meia noite. Claro que a acção também mete um mr. Scrooge, agarrado ao dinheiro que conta e reconta, sem o utilizar em nada de útil. Quanto ao restante enredo, é confuso, ninguém conhece bem o guião. Até suspeito que não existe guião nenhum e que cada personagem faz o que quer, numa vertigem quase pornográfica. E digo pornográfica, desculpe-me o leitor a linguagem, porque quem se **** acabamos sempre por ser nós, os pagantes.
Já notaram, caros leitores, que em boa verdade não se pode chamar a isto governar ? Governar pressupõe um caminho, ou pelo menos uma vaga ideia de onde se quer chegar. Em Portugal, nestas ultimas semanas, tornou-se bem claro que não há bem um caminho, o que há é uma tentativa mais ou menos descabelada de sacrificar tudo e todos ao sucesso de alguns, bem poucos. Assim como no Titanic, onde os passageiros da 3ª classe e os tripulantes menos qualificados foram cruelmente sacrificados.
Inventam-se taxas, aumentam-se outras, descartam-se pessoas, corta-se nos financiamentos, mente-se, aldraba-se, atiram-se explicações e justificações desajeitadas e cretinas, proibem-se coisas absurdas ( fumar dentro dos carros, com crianças ?? ), eu já não sei que mais.
Um destes dias ouvi na RTP1, salvo erro, um dos personagens principais deste conto. Palavroso, advogadoso, literalmente vazio e atrapalhado quando a entrevistadora lhe falou nas PPP e coisas do género. Que está tudo em estudo, que brevemente iremos saber, tretas desse género. Paleio nitidamente para preencher o enredo do conto.
Não, amigos, NUNCA viremos a ter uma renegociação das PPP que não seja apenas para fingir. Nunca. O que viremos a ter é a continuação da mesma política do mr. Sócrates em privilegiar as grandes empresas que participam nessas tais PPP. O leitor ainda não leu ou ouviu uma das especulações sobre o fecho da Maternidade Alfredo da Costa ? É que esse fecho irá dar muito jeito à PPP que gere o Hospital de Loures ... é preciso arranjar clientes, c'os diabos !
Não, isto é mau de mais para ser a realidade, isto tem que ser um conto de terror ... Quanto ao sr. Scrooge, guarde lá o seu ( nosso ) dinheirinho bem guardado, ainda acabaremos um dia por ter as contas todas certinhas, é mais que certo.
Pena é que nessa altura Portugal esteja reduzido a metade, sob protectorado da Alemanha.
Lembram-se do sr. Scrooge, aquele velho avarento dos contos de Natal ingleses, inventado por Charles Dickens ? Um destes dias lembrei-me dele, vá-se lá saber porquê.
Isto aqui em Portugal parece de facto um conto. Não um conto simpático de Natal, com muitas luzinhas e música à maneira, mas um conto de terror, com lobisomens e encruzilhadas à meia noite. Claro que a acção também mete um mr. Scrooge, agarrado ao dinheiro que conta e reconta, sem o utilizar em nada de útil. Quanto ao restante enredo, é confuso, ninguém conhece bem o guião. Até suspeito que não existe guião nenhum e que cada personagem faz o que quer, numa vertigem quase pornográfica. E digo pornográfica, desculpe-me o leitor a linguagem, porque quem se **** acabamos sempre por ser nós, os pagantes.
Já notaram, caros leitores, que em boa verdade não se pode chamar a isto governar ? Governar pressupõe um caminho, ou pelo menos uma vaga ideia de onde se quer chegar. Em Portugal, nestas ultimas semanas, tornou-se bem claro que não há bem um caminho, o que há é uma tentativa mais ou menos descabelada de sacrificar tudo e todos ao sucesso de alguns, bem poucos. Assim como no Titanic, onde os passageiros da 3ª classe e os tripulantes menos qualificados foram cruelmente sacrificados.
Inventam-se taxas, aumentam-se outras, descartam-se pessoas, corta-se nos financiamentos, mente-se, aldraba-se, atiram-se explicações e justificações desajeitadas e cretinas, proibem-se coisas absurdas ( fumar dentro dos carros, com crianças ?? ), eu já não sei que mais.
Um destes dias ouvi na RTP1, salvo erro, um dos personagens principais deste conto. Palavroso, advogadoso, literalmente vazio e atrapalhado quando a entrevistadora lhe falou nas PPP e coisas do género. Que está tudo em estudo, que brevemente iremos saber, tretas desse género. Paleio nitidamente para preencher o enredo do conto.
Não, amigos, NUNCA viremos a ter uma renegociação das PPP que não seja apenas para fingir. Nunca. O que viremos a ter é a continuação da mesma política do mr. Sócrates em privilegiar as grandes empresas que participam nessas tais PPP. O leitor ainda não leu ou ouviu uma das especulações sobre o fecho da Maternidade Alfredo da Costa ? É que esse fecho irá dar muito jeito à PPP que gere o Hospital de Loures ... é preciso arranjar clientes, c'os diabos !
Não, isto é mau de mais para ser a realidade, isto tem que ser um conto de terror ... Quanto ao sr. Scrooge, guarde lá o seu ( nosso ) dinheirinho bem guardado, ainda acabaremos um dia por ter as contas todas certinhas, é mais que certo.
Pena é que nessa altura Portugal esteja reduzido a metade, sob protectorado da Alemanha.
sexta-feira, abril 13, 2012
A GRANDE DÚVIDA
Pois é, amigos, a minha grande dúvida , quanto ao futuro do nosso país e quanto à bondade deste nosso governo é se estamos no bom caminho ( ou mesmo se estamos em algum caminho ) ou se, pura e simplesmente, andamos à deriva, à mercê da evolução das economias dos outros e das suas ideias ( ou da falta delas ).
O poder financeiro tomou conta do Mundo e anda a fazer dele o que bem quer. Não há sentido económico nem político em nada do que sucede no dia a dia do Mundo : as bolsas são dirigidas por algoritmos electrónicos que poucos entendem mas que eu não tenho qualquer hesitação em afirmar que estão feitos para optimizar a especulação. Os investidores internacionais, encarcerados e orientados por uma autêntica manada de especuladores ávidos, influenciam governos, compram comentadores, vão pouco a pouco tomando conta do mundo.
Na Europa, a desorientação da senhora Merkel e dos outros responsáveis europeus é aterradora, é como se a Europa estivesse a ser liderada por um bando de putos inconscientes, ignorantes e despreocupados. Passos Coelho, no meio deste desastre completo, é apenas uma pequena peça de significado menor, já que ainda não percebeu que o caminho que trilha vai dar ao desastre, não à recuperação e ao êxito. Nem sequer sei se isso o preocuparia, caso estivesse consciente do risco, já que o seu comportamento revela um grande desprezo pelas pessoas. É como se não tivesse nada a ver com os dramas que vai provocando. Estranho, muito estranho. Sobem as tensões, irritam-se os ânimos, há gente com fome como nunca e eles, os nossos representantes, nada sentem, nada dizem, nada os afecta, a não ser o "memorando" e os seus cortes.
Vivem-se tempos estranhos e perigosos, teimo eu em afirmar. Tempos que precedem as grandes borrascas, os grandes dilúvios. Tempos que eu nunca esperei vir a viver, neste Outono-Inverno do meu calendário pessoal.
Lamento muito, mas é óbvio que ninguém sabe muito bem onde isto vai dar. Nem ninguém parece consciente dos perigos que se avizinham.
O Mundo anda à deriva, à espera de uma grande catarse que o transfigure.
Pois é, amigos, a minha grande dúvida , quanto ao futuro do nosso país e quanto à bondade deste nosso governo é se estamos no bom caminho ( ou mesmo se estamos em algum caminho ) ou se, pura e simplesmente, andamos à deriva, à mercê da evolução das economias dos outros e das suas ideias ( ou da falta delas ).
O poder financeiro tomou conta do Mundo e anda a fazer dele o que bem quer. Não há sentido económico nem político em nada do que sucede no dia a dia do Mundo : as bolsas são dirigidas por algoritmos electrónicos que poucos entendem mas que eu não tenho qualquer hesitação em afirmar que estão feitos para optimizar a especulação. Os investidores internacionais, encarcerados e orientados por uma autêntica manada de especuladores ávidos, influenciam governos, compram comentadores, vão pouco a pouco tomando conta do mundo.
Na Europa, a desorientação da senhora Merkel e dos outros responsáveis europeus é aterradora, é como se a Europa estivesse a ser liderada por um bando de putos inconscientes, ignorantes e despreocupados. Passos Coelho, no meio deste desastre completo, é apenas uma pequena peça de significado menor, já que ainda não percebeu que o caminho que trilha vai dar ao desastre, não à recuperação e ao êxito. Nem sequer sei se isso o preocuparia, caso estivesse consciente do risco, já que o seu comportamento revela um grande desprezo pelas pessoas. É como se não tivesse nada a ver com os dramas que vai provocando. Estranho, muito estranho. Sobem as tensões, irritam-se os ânimos, há gente com fome como nunca e eles, os nossos representantes, nada sentem, nada dizem, nada os afecta, a não ser o "memorando" e os seus cortes.
Vivem-se tempos estranhos e perigosos, teimo eu em afirmar. Tempos que precedem as grandes borrascas, os grandes dilúvios. Tempos que eu nunca esperei vir a viver, neste Outono-Inverno do meu calendário pessoal.
Lamento muito, mas é óbvio que ninguém sabe muito bem onde isto vai dar. Nem ninguém parece consciente dos perigos que se avizinham.
O Mundo anda à deriva, à espera de uma grande catarse que o transfigure.
domingo, abril 08, 2012
BRINCAR AOS COMBÓIOS ...
Há momentos então em que me convenço que escolhemos um administrador do condomínio que não passa de um menino que gosta de brincar aos combóios. Não daqueles que andam a alta velocidade, como o outro menino, mas daqueles muito compridos, com muitos vagões, e que vão de Sines para Espanha. Só é pena que fiquem na fronteira, porque de lá em diante não há linha para eles. Mas também, malta, não se pode pensar em tudo, né ?
Mas não é só aos combóios que o menino gosta de brincar, não. Também gosta de brincar com os portugueses, sobretudo com aqueles a quem tirou os subsídios de Natal e de férias. Gosta de enganar esses meninos, dizendo que lhes vai devolver os subsídios em 2014, mas não, é só em 2015, afinal, e aos bochechos.
É um brincalhão, este menino. Tão depressa diz uma coisa como o seu contrário.
E quando se põe a inventar onde é que há-de ir buscar mais dinheiro ? Ele é o IMI, ele é o IRS, ele é o IVA ... nada o contenta, nada o pára...
O pior é que já lá vai um ano e a brincadeira parece estar a dar péssimos resultados. A economia não cresce e os desempregados são cada vez mais... Não, malta, a brincadeira já vai longe de mais, sobretudo porque é com as nossas vidas e o nosso dinheiro que o menino anda a brincar.
Porque é que o menino nunca mais vai brincar com as PPPs nem com as rendas que andamos a pagar à EDP e outros ? Porque é que só brinca connosco e nunca com esses ?
Por mim, já estou francamente farto da brincadeira. Apetece-me dizer a este tal menino que vá brincar para a sua rua e nos deixe em paz. Pode ser que arranjemos algum outro menino que brinque melhor do que ele e que, pelo menos, faça combóios onde já existam linhas, não é ?
Há momentos então em que me convenço que escolhemos um administrador do condomínio que não passa de um menino que gosta de brincar aos combóios. Não daqueles que andam a alta velocidade, como o outro menino, mas daqueles muito compridos, com muitos vagões, e que vão de Sines para Espanha. Só é pena que fiquem na fronteira, porque de lá em diante não há linha para eles. Mas também, malta, não se pode pensar em tudo, né ?
Mas não é só aos combóios que o menino gosta de brincar, não. Também gosta de brincar com os portugueses, sobretudo com aqueles a quem tirou os subsídios de Natal e de férias. Gosta de enganar esses meninos, dizendo que lhes vai devolver os subsídios em 2014, mas não, é só em 2015, afinal, e aos bochechos.
É um brincalhão, este menino. Tão depressa diz uma coisa como o seu contrário.
E quando se põe a inventar onde é que há-de ir buscar mais dinheiro ? Ele é o IMI, ele é o IRS, ele é o IVA ... nada o contenta, nada o pára...
O pior é que já lá vai um ano e a brincadeira parece estar a dar péssimos resultados. A economia não cresce e os desempregados são cada vez mais... Não, malta, a brincadeira já vai longe de mais, sobretudo porque é com as nossas vidas e o nosso dinheiro que o menino anda a brincar.
Porque é que o menino nunca mais vai brincar com as PPPs nem com as rendas que andamos a pagar à EDP e outros ? Porque é que só brinca connosco e nunca com esses ?
Por mim, já estou francamente farto da brincadeira. Apetece-me dizer a este tal menino que vá brincar para a sua rua e nos deixe em paz. Pode ser que arranjemos algum outro menino que brinque melhor do que ele e que, pelo menos, faça combóios onde já existam linhas, não é ?
sexta-feira, março 30, 2012
SÉRIO ? É PRECISO ASSIM TANTO ESFORÇO ?
Não consigo perceber os meus concidadãos, muitas vezes. Pessoas com todas as condições e qualificações para serem sensatas e equilibradas dizem as coisas mais espantosas, quando nos situamos no domínio dos interesses partidários. E, acrescente-se, no domínio da defesa das suas escolha pessoais.
Ora sejamos honestos e simples : é preciso algum esforço, entre os portugueses, para demonizar Sócrates ? Ele, coitado, pessoa tão simples e humilde, não fez nada para isso ??
Deixemo-nos de tretas e de defender as nossas atitudes pessoais à posteriori : Sócrates, no meu universo conhecido de pessoas que se movimentam nos circuitos ditos políticos, é a pessoa que mais esforços fez, sem a ajuda de ninguém, para se tornar odiado e odioso. Nunca vi ninguém que reunisse, a determinada altura, tamanha coincidência de ódios e ressentimentos. Como político e como ser humano. É falso isto que afirmo ?
O senhor tinha ( tem ) uma concentração única de "qualidades", poucas vezes presentes em alguém. Uma mistura explosiva de auto-confiança e sobranceria, de teimosia inflexível e falta de pudor, de desprezo pela opinião alheia e de convicção exageradíssima das suas próprias virtudes. Digam-me lá então se é preciso alguém fazer muito esforço para o demonizar ?
Adicionem a tudo isto uma impreparação notória para a governação ( ao contrário da sua própria crença de que seria sobre-dotado ... ) e uma enorme insensatez, e terão os condimentos da matéria explosiva.
Mais : junte-se a este cozinhado o estado do país quando se começaram a fazer contas, as quantidades tremendas de dinheiro que foram "transferidas" para as grandes empresas, em jogos absurdos de parcerias privadas ( de publicas só tinham o dinheiro a pagar ), em sonhos pacóvios de energias eólicas e fotovoltaicas ( que exigiam ao contribuinte uma pagamento em duplicado a outras formas de energia ), em outros devaneios de grandeza e de "deixar obra" como no caso do TGV e do novo aeroporto e teremos o retrato completo de um senhor a quem nunca deveria ter sido permitido brincar aos estadistas.
Doa a quem doer - como por exemplo aos seus sustentáculos dentro do partido, por esta ou aquela razão - Sócrates foi um digno continuador da inépcia e falta de visão governativa de um Cavaco no seu melhor. Com uma diferença : tinha menos dinheiro para gastar e fez tudo como se tivesse muito.
Demonizar Sócrates ? Não é possível, ele foi um pequeno "demónio" ( pequeno por causa do inglês técnico, apenas ) por ele mesmo, demonizou-se por mérito próprio, não precisa que ninguém faça isso por ele.
Não consigo perceber os meus concidadãos, muitas vezes. Pessoas com todas as condições e qualificações para serem sensatas e equilibradas dizem as coisas mais espantosas, quando nos situamos no domínio dos interesses partidários. E, acrescente-se, no domínio da defesa das suas escolha pessoais.
Ora sejamos honestos e simples : é preciso algum esforço, entre os portugueses, para demonizar Sócrates ? Ele, coitado, pessoa tão simples e humilde, não fez nada para isso ??
Deixemo-nos de tretas e de defender as nossas atitudes pessoais à posteriori : Sócrates, no meu universo conhecido de pessoas que se movimentam nos circuitos ditos políticos, é a pessoa que mais esforços fez, sem a ajuda de ninguém, para se tornar odiado e odioso. Nunca vi ninguém que reunisse, a determinada altura, tamanha coincidência de ódios e ressentimentos. Como político e como ser humano. É falso isto que afirmo ?
O senhor tinha ( tem ) uma concentração única de "qualidades", poucas vezes presentes em alguém. Uma mistura explosiva de auto-confiança e sobranceria, de teimosia inflexível e falta de pudor, de desprezo pela opinião alheia e de convicção exageradíssima das suas próprias virtudes. Digam-me lá então se é preciso alguém fazer muito esforço para o demonizar ?
Adicionem a tudo isto uma impreparação notória para a governação ( ao contrário da sua própria crença de que seria sobre-dotado ... ) e uma enorme insensatez, e terão os condimentos da matéria explosiva.
Mais : junte-se a este cozinhado o estado do país quando se começaram a fazer contas, as quantidades tremendas de dinheiro que foram "transferidas" para as grandes empresas, em jogos absurdos de parcerias privadas ( de publicas só tinham o dinheiro a pagar ), em sonhos pacóvios de energias eólicas e fotovoltaicas ( que exigiam ao contribuinte uma pagamento em duplicado a outras formas de energia ), em outros devaneios de grandeza e de "deixar obra" como no caso do TGV e do novo aeroporto e teremos o retrato completo de um senhor a quem nunca deveria ter sido permitido brincar aos estadistas.
Doa a quem doer - como por exemplo aos seus sustentáculos dentro do partido, por esta ou aquela razão - Sócrates foi um digno continuador da inépcia e falta de visão governativa de um Cavaco no seu melhor. Com uma diferença : tinha menos dinheiro para gastar e fez tudo como se tivesse muito.
Demonizar Sócrates ? Não é possível, ele foi um pequeno "demónio" ( pequeno por causa do inglês técnico, apenas ) por ele mesmo, demonizou-se por mérito próprio, não precisa que ninguém faça isso por ele.
sexta-feira, março 23, 2012
OS SINAIS DA REVOLTA
Estudam-se, há muitos anos, às condições materiais e psicológicas de eclosão das crises nas sociedades, até ao aparecimento dos primeiros sintomas de rotura do tecido social. Por outras palavras, há fenómenos que prenunciam o surgir da violência.
Os nossos governantes, quanto a estas questões, demonstram uma indiferença ( para não dizer ignorância ) extrema. Para eles, o escudo da lei protege-os e torna-os imunes à ira dos outros.
Ora a verdade é que não é bem assim. A história de Portugal mostra-nos muitas ocorrências de tumultos graves, de tentativas de revoluções e mesmo de golpes bem sucedidos antecedidos de muitos "avisos" a que ninguém ligou.
Nos ultimos tempos, o governo tem acumulado várias situações muito delicadas, gravemente ofensivas da paz social sem sequer parecer consciente dos riscos envolvidos. É natural, claro, uns andam atarefados a controlar os gastos e a fazer cortes, outros dedicam-se a fazer negócios, não há tempo nem paciência para tudo.
Mas as coisas vão fervendo, lenta e inexorávelmente, fiquem a saber.
Com a minha experiência, afirmo que aquela intervenção da polícia durante a greve geral, é extremamente reveladora do grau de raiva, desorientação e falta de enquadramento no seio da mesma polícia. Na verdade, não deve ser mesmo nada fácil ser polícia nestes tempos, amigos ...
Não estou a desculpar as acções exageradas e totalmente tontas da responsabilidade da PSP. O que vos estou a dizer é que elas são reveladoras de um estado de espírito que nunca deveria existir no meio deles.
E por falar em polícia, que se passará no meio militar ? E nos funcionários das finanças ? E nos outros funcionários todos do Estado, professores, juízes, médicos ? Já pensaram bem na redução terrível no desempenho destas pessoas, todos os dias assaltados por indignações e humilhações ?
Nem quero pensar no clima lindo que se vai viver quando, em Junho ou Julho, notarmos mesmo o roubo que nos fizeram. Enquanto, em simultâneo, é só milhões para o BPN, as PPP, os grandes grupos económicos que aprisionaram o nosso país e as nossas carteiras.
Senhores do governo, atentem bem nestas situações. Não se esqueçam que os portugueses são de brandos costumes ... só até perderem a paciência !
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Estudam-se, há muitos anos, às condições materiais e psicológicas de eclosão das crises nas sociedades, até ao aparecimento dos primeiros sintomas de rotura do tecido social. Por outras palavras, há fenómenos que prenunciam o surgir da violência.
Os nossos governantes, quanto a estas questões, demonstram uma indiferença ( para não dizer ignorância ) extrema. Para eles, o escudo da lei protege-os e torna-os imunes à ira dos outros.
Ora a verdade é que não é bem assim. A história de Portugal mostra-nos muitas ocorrências de tumultos graves, de tentativas de revoluções e mesmo de golpes bem sucedidos antecedidos de muitos "avisos" a que ninguém ligou.
Nos ultimos tempos, o governo tem acumulado várias situações muito delicadas, gravemente ofensivas da paz social sem sequer parecer consciente dos riscos envolvidos. É natural, claro, uns andam atarefados a controlar os gastos e a fazer cortes, outros dedicam-se a fazer negócios, não há tempo nem paciência para tudo.
Mas as coisas vão fervendo, lenta e inexorávelmente, fiquem a saber.
Com a minha experiência, afirmo que aquela intervenção da polícia durante a greve geral, é extremamente reveladora do grau de raiva, desorientação e falta de enquadramento no seio da mesma polícia. Na verdade, não deve ser mesmo nada fácil ser polícia nestes tempos, amigos ...
Não estou a desculpar as acções exageradas e totalmente tontas da responsabilidade da PSP. O que vos estou a dizer é que elas são reveladoras de um estado de espírito que nunca deveria existir no meio deles.
E por falar em polícia, que se passará no meio militar ? E nos funcionários das finanças ? E nos outros funcionários todos do Estado, professores, juízes, médicos ? Já pensaram bem na redução terrível no desempenho destas pessoas, todos os dias assaltados por indignações e humilhações ?
Nem quero pensar no clima lindo que se vai viver quando, em Junho ou Julho, notarmos mesmo o roubo que nos fizeram. Enquanto, em simultâneo, é só milhões para o BPN, as PPP, os grandes grupos económicos que aprisionaram o nosso país e as nossas carteiras.
Senhores do governo, atentem bem nestas situações. Não se esqueçam que os portugueses são de brandos costumes ... só até perderem a paciência !
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terça-feira, março 20, 2012
Ouvem-se por aí muitas vezes afirmações caridosas, do género "o poder local é o verdadeiro baluarte da democracia em Portugal".
Nunca padeci desse verdadeiro delírio que faz as pessoas acreditar nesta afirmação. É verdade que muitos melhoramentos foram introduzidos em muitas terrinhas deste nosso país, falta é saber a que custo. Falta é descontar a essas maravilhas a profusão de rotundas estúpidas e outras obras que só interessam ao orgulho e amor próprio do sr presidente de câmara.
A própria filosofia de investir dinheiro para poder ser reeleito, usada pela grande maioria dos autarcas, é prova de que o poder local está longe de ser uma benesse dos Deuses para as populações locais. Eu diria mesmo mais, fazendo possívelmente zangar alguns dos meus escassos ( mas bons ! ) leitores : o chamado poder local é o verdadeiro repositório de todas as misérias humanas ( morais e profissionais ) dos portugueses. O poder local tem sido bem mais caciqueiro e esbanjador que o poder político central, e este, como se sabe, não tem sido propriamente um modelo de virtudes cívicas no uso dos dinheiros públicos.
Enfim, Portugal é o que é. Viemos a saber agora que, depois das dívidas da Madeira, à volta dos 6.000 milhões, as dívidas das Câmaras Municipais atingem os 12.000 milhões !!
Espantoso. Não nos bastava o "falso engenheiro" e outros, agora temos mais uns 300 e tantos "artistas", a fazer parvoíces e a virem-nos às algibeiras.
Confesso que estou farto desta gente. Chego a admirar e a desejar a contenção e a "avareza" de Salazar, para quem só era permitido fazer uma despesa pública se houvesse dotação orçamental. Qual pedir aos bancos qual carapuça, o homem era inflexível e se não havia "massa" não havia obra.
Pergunto a mim mesmo, nestes ultimos quase 40 anos, quem foram os inteligentes que permitiram os desvios a estas normas e autorizaram toda a gente a endividar-se.
Aquilo que se vê é simples de entender : não há nenhum organismo público com autonomia financeira que não se tenha endividado até à medula ! Com poucas excepções, como meia dúzia de Câmaras no país ( entre elas o Porto ), com as contas em ordem.
É por isso que um destes dias, ao ouvir António J Seguro afirmar que irá voltar à regionalização logo que oportuno, ia morrendo de riso e tristeza ... Isso, isso, mais uns quantos a endividarem-se, é mesmo disso que estamos a precisar ...
Temos grandes lideres políticos, sem dúvida.
domingo, março 18, 2012
LIBERALISMO NÃO É A MESMA COISA QUE DESVIO DE DINHEIROS PÚBLICOS.
De vez em quando, há que regressar ao início das coisas, aos princípios fundamentais, para que não subsistam equívocos e confusões. Os americanos incentivam esta atitude, lembrando muitas vezes "back to the basics".
É isso mesmo.
A grande confusão de algumas pessoas deste nosso pequeno rectângulo é entre opções políticas e ou ideológicas, legítimas em democracia, e opções entre a honestidade e a falta dela. Vejamos : ser liberal ou mesmo ultra liberal em política não é um crime. Pensar que o papel do Estado no país deve ser reduzido ao mínimo e que todas as actividades susceptíveis de gerar lucro devam estar no sector privado é uma forma de pensar legítima.
Já não é legítimo, nem sério, tratar os dinheiros públicos com displicência ou mesmo uma forte inclinação para os "entregar" ao sector privado.
Repito : isso não é política, é crime, é um roubo a todos nós. O dinheiro público não é do Estado, é dinheiro de todos nós, é dinheiro que nos tiram da algibeira através dos impostos. Insisto, há uma diferença entre opções políticas e entre seriedade e desonestidade.
Para mim, expliquem-me o que quiserem, pagar uma compensação a uma empresa privada, por algo que não sucedeu, conscientemente, deveria ser investigado pela Promotoria Pública. É um desprezo manifesto pelos verdadeiros donos daquele dinheiro, nós todos.
Um grupo económico oferecer de mão beijada um grande "emprego" ao homem a quem o nosso Governo incumbiu de fiscalizar e assessorar as privatizações e as PPP é ... surrealista, tal a falta de sentido ético envolvido. Diz o senhor primeiro ministro que não há incompatibilidade legal ou política : pois não, o que há é um enorme desrespeito por todos nós, o que parece que já não conta.
Deixar "cair" um secretário de Estado, só porque a EDP não gostou que ele tentasse defender os nossos bolsos da avidez daquela empresa revela outra vez desprezo por todos nós e submissão ao senhor dinheiro.
Andar a fingir que se faz alguma coisa em respeito às PPP é outra aventura : o respeitinho aos nossos amigos do dinheiro é muito bonito e mais vale cortar nos vencimentos dos mesmos do costume do que recuperar uns milhões aos gulosos.
Para evitar mal entendidos : o senhor Sócrates horrorizava-me porque esta que agora retrato era a sua postura habitual. O actual governo não vai por melhores caminhos, ao que tudo indica.
Acabo como comecei : diferenças ideológicas ou políticas são uma coisa, outra coisa é chamar parvos a nós todos e andar descaradamente a maltratar dinheiro nosso.
O Código Civil tem nomes para essas coisas, embora só se apliquem a nós e nunca a eles.
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De vez em quando, há que regressar ao início das coisas, aos princípios fundamentais, para que não subsistam equívocos e confusões. Os americanos incentivam esta atitude, lembrando muitas vezes "back to the basics".
É isso mesmo.
A grande confusão de algumas pessoas deste nosso pequeno rectângulo é entre opções políticas e ou ideológicas, legítimas em democracia, e opções entre a honestidade e a falta dela. Vejamos : ser liberal ou mesmo ultra liberal em política não é um crime. Pensar que o papel do Estado no país deve ser reduzido ao mínimo e que todas as actividades susceptíveis de gerar lucro devam estar no sector privado é uma forma de pensar legítima.
Já não é legítimo, nem sério, tratar os dinheiros públicos com displicência ou mesmo uma forte inclinação para os "entregar" ao sector privado.
Repito : isso não é política, é crime, é um roubo a todos nós. O dinheiro público não é do Estado, é dinheiro de todos nós, é dinheiro que nos tiram da algibeira através dos impostos. Insisto, há uma diferença entre opções políticas e entre seriedade e desonestidade.
Para mim, expliquem-me o que quiserem, pagar uma compensação a uma empresa privada, por algo que não sucedeu, conscientemente, deveria ser investigado pela Promotoria Pública. É um desprezo manifesto pelos verdadeiros donos daquele dinheiro, nós todos.
Um grupo económico oferecer de mão beijada um grande "emprego" ao homem a quem o nosso Governo incumbiu de fiscalizar e assessorar as privatizações e as PPP é ... surrealista, tal a falta de sentido ético envolvido. Diz o senhor primeiro ministro que não há incompatibilidade legal ou política : pois não, o que há é um enorme desrespeito por todos nós, o que parece que já não conta.
Deixar "cair" um secretário de Estado, só porque a EDP não gostou que ele tentasse defender os nossos bolsos da avidez daquela empresa revela outra vez desprezo por todos nós e submissão ao senhor dinheiro.
Andar a fingir que se faz alguma coisa em respeito às PPP é outra aventura : o respeitinho aos nossos amigos do dinheiro é muito bonito e mais vale cortar nos vencimentos dos mesmos do costume do que recuperar uns milhões aos gulosos.
Para evitar mal entendidos : o senhor Sócrates horrorizava-me porque esta que agora retrato era a sua postura habitual. O actual governo não vai por melhores caminhos, ao que tudo indica.
Acabo como comecei : diferenças ideológicas ou políticas são uma coisa, outra coisa é chamar parvos a nós todos e andar descaradamente a maltratar dinheiro nosso.
O Código Civil tem nomes para essas coisas, embora só se apliquem a nós e nunca a eles.
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sábado, março 10, 2012
SERIEDADE, PRECISA-SE COM URGÊNCIA
O que diria o leitor se tivesse uns euros para investir e alguém lhe viesse dizer que estava disposto a garantir-lhe uma taxa de retribuição do seu capital de 10 ou 15% ao ano, sem qualquer risco para si ?
O leitor provavelmente desconfiaria da fartura e perguntaria o porquê da oferta, não é ? Bom, o seu interlocutor diria que não tinha capital disponível para o investimento, mas que precisava mesmo de fazer esse investimento e que conseguiria sempre pagar a "renda" anual.
Acharia bom, leitor ? Uma alta taxa de rentabilidade financeira com risco nulo ?
Pois bem, essa é exactamente a forma "habilidosa" como diferentes governos nacionais conseguiram fazer "obra", sem terem orçamento para isso, comprometendo-se depois a pagar quantias astronómicas, tudo somado, nos anos vindouros.
É a este "esquema" que se dá o nome de PPP - Parcerias Publico-Privadas : os privados investem, o Estado paga anualmente os seus lucros, o risco é nulo para o privado, os encargos avultadíssimos para o país.
Isto foi aplicado a auto-estradas, a hospitais, a pontes, à co-geração de energia eléctrica e a mais não são quantas outras áreas.
Esta solução é ruinosa e imoral. Ruinosa porque incentiva o poder político a lançar-se em projectos ( como é que pensam que o novo aeroporto iria ser construido ? ) para os quais de outra maneira não teria meios. Ruinosa porque sugere que podemos construir coisas sem dinheiro e depois logo se verá. Imorais porque proporcionam lucros certos e fabulosos às firmas das parcerias ( por exemplo a MOTA-ENGIL, não é ... ), sem qualquer risco envolvido, à custa dos mesmos de sempre.
Obviamente, o sistema agrada às firmas envolvidas e também aos políticos que aparecem com obra feita.
Um dos resultados desta história é a profusão totalmente absurda de auto-estradas neste país, circunstância que ameaçou o "negócio" no início, uma vez que a "renda" anual que o Estado pagaria ( nas ex-SCUT ) era calculada em função do número de carros a circular nas mesmas. Pobrezitos, lá foi necessário ( no final do reinado de Sócrates ) um Secretário de Estado vir alterar as regras do jogo e inventar uma forma de calcular a "renda" em função ... da disponibilidade ou potencialidade da autoestrada, e não dos carros que por lá transitam. Bom trabalho, o risco continua a ser nulo.
Pormenores. Tal como este outro pormenor, o "engano" recente de pagar duas vezes a mesma coisa à LUSOPONTE. Pagava-se-lhe uma compensação de cerca de 4 milhões de euros por não se pagar portagens na ponte em Agosto. Em Agosto ultimo o Governo acabou com a "borla", a LUSOPONTE recebeu as portagens ... e também a compensação por não as receber. Só mais 4,4 milhões de euros. Tudo pelos privados, ainda que tenhamos que ir buscar dinheiro à rapaziada que trabalha.
Será apenas amor à iniciativa privada ou favores a amigos ? Nem pensem, leitor, trata-se também de acautelar o futuro, quando sairmos da esfera pública e arranjarmos um qualquer lugarzito no Conselho de Administração de uma MOTA-ENGIL ou LUSOPONTE.
Digo-vos : em muitos anos de vida e uma atenção constante à coisa política, nunca como hoje presenciei uma tal degradação da ética e da honra. E dos ideais republicanos.
É vergonhoso. É assustador. É uma pouca-vergonha. Com hifen ou sem ele.
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O que diria o leitor se tivesse uns euros para investir e alguém lhe viesse dizer que estava disposto a garantir-lhe uma taxa de retribuição do seu capital de 10 ou 15% ao ano, sem qualquer risco para si ?
O leitor provavelmente desconfiaria da fartura e perguntaria o porquê da oferta, não é ? Bom, o seu interlocutor diria que não tinha capital disponível para o investimento, mas que precisava mesmo de fazer esse investimento e que conseguiria sempre pagar a "renda" anual.
Acharia bom, leitor ? Uma alta taxa de rentabilidade financeira com risco nulo ?
Pois bem, essa é exactamente a forma "habilidosa" como diferentes governos nacionais conseguiram fazer "obra", sem terem orçamento para isso, comprometendo-se depois a pagar quantias astronómicas, tudo somado, nos anos vindouros.
É a este "esquema" que se dá o nome de PPP - Parcerias Publico-Privadas : os privados investem, o Estado paga anualmente os seus lucros, o risco é nulo para o privado, os encargos avultadíssimos para o país.
Isto foi aplicado a auto-estradas, a hospitais, a pontes, à co-geração de energia eléctrica e a mais não são quantas outras áreas.
Esta solução é ruinosa e imoral. Ruinosa porque incentiva o poder político a lançar-se em projectos ( como é que pensam que o novo aeroporto iria ser construido ? ) para os quais de outra maneira não teria meios. Ruinosa porque sugere que podemos construir coisas sem dinheiro e depois logo se verá. Imorais porque proporcionam lucros certos e fabulosos às firmas das parcerias ( por exemplo a MOTA-ENGIL, não é ... ), sem qualquer risco envolvido, à custa dos mesmos de sempre.
Obviamente, o sistema agrada às firmas envolvidas e também aos políticos que aparecem com obra feita.
Um dos resultados desta história é a profusão totalmente absurda de auto-estradas neste país, circunstância que ameaçou o "negócio" no início, uma vez que a "renda" anual que o Estado pagaria ( nas ex-SCUT ) era calculada em função do número de carros a circular nas mesmas. Pobrezitos, lá foi necessário ( no final do reinado de Sócrates ) um Secretário de Estado vir alterar as regras do jogo e inventar uma forma de calcular a "renda" em função ... da disponibilidade ou potencialidade da autoestrada, e não dos carros que por lá transitam. Bom trabalho, o risco continua a ser nulo.
Pormenores. Tal como este outro pormenor, o "engano" recente de pagar duas vezes a mesma coisa à LUSOPONTE. Pagava-se-lhe uma compensação de cerca de 4 milhões de euros por não se pagar portagens na ponte em Agosto. Em Agosto ultimo o Governo acabou com a "borla", a LUSOPONTE recebeu as portagens ... e também a compensação por não as receber. Só mais 4,4 milhões de euros. Tudo pelos privados, ainda que tenhamos que ir buscar dinheiro à rapaziada que trabalha.
Será apenas amor à iniciativa privada ou favores a amigos ? Nem pensem, leitor, trata-se também de acautelar o futuro, quando sairmos da esfera pública e arranjarmos um qualquer lugarzito no Conselho de Administração de uma MOTA-ENGIL ou LUSOPONTE.
Digo-vos : em muitos anos de vida e uma atenção constante à coisa política, nunca como hoje presenciei uma tal degradação da ética e da honra. E dos ideais republicanos.
É vergonhoso. É assustador. É uma pouca-vergonha. Com hifen ou sem ele.
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terça-feira, fevereiro 28, 2012
SEM MÁSCARA
Amigo leitor, finalmente sabemos quem é e o que pretende Passos Coelho.
A agenda escondida de que vos falei, em anterior escrito, apareceu à luz do dia.
Aí o temos, em todo o seu esplendor, o Estado garantia, como ele diz, em vez do Estado prestador de serviços.
Retire-se o serviço público, abram alas para o serviço-negócio. Muito mais barato, eficiente e, sobretudo, muito mais apto a encher as algibeiras de alguns.
Pormenores.
Quem quiser - e puder, claro está - que pague o hospital, a escola dos filhos, porque não a própria segurança, amanhã. A empresa erigida em Deus todo poderoso, o homem e a mulher promovidos a prestadores também, neste caso do seu trabalho. Ao mais baixo custo possível e se alguém o quiser empregar.
Como pano de fundo, o Estado garante. Não se sabe bem o quê. Provavelmente, garante que o trabalhador mantêm a cabeça baixa, sem fazer ondas. Deve ser isso.
Fantástica visão de um futuro moderno, num país como Portugal onde o tecido empresarial é tão pobrezinho e incompetente.
Simplesmente inacreditável.
Andava aqui todo o mundo convencido que o Estado tinha que ser interventor activo, num país tão marcado por desigualdades e iniquidades.
Mas não, foi preciso sair do seu casulo este homem, dotado de uma inteligência extrema e raro sentido de missão, para ficarmos todos a saber a verdade. Temos que caminhar para o Estado garantia, apenas.
Suspeito que a garantia do Estado, na visão de Passos Coelho, deverá ser do género da sua própria garantia, antes das eleições, de que não aumentaria impostos nem retiraria os subsídios de Natal e férias.
De qualquer forma, leitor, agora já sabe o que aquelas cabeças andam a congeminar. Nunca gostei de Sócrates, mas isto é diferente, isto é um ataque ... nuclear. Direito ao núcleo de um Estado social.
Não os deixemos concretizar estas ideias egoístas e perigosas, está bem ?
Ia para dizer : defendamos a dignidade do ser humano. Mas não digo, gosto pouco de jogar à defesa nestas coisas. Ataquemos, portanto, mostremos a esta gente que não queremos estes negócios. O país não é deles, por mais troika que lhes valha e por mais disparates que Sócrates tenha feito.
Acordem, companheiros, preparem-se para a luta.
Amigo leitor, finalmente sabemos quem é e o que pretende Passos Coelho.
A agenda escondida de que vos falei, em anterior escrito, apareceu à luz do dia.
Aí o temos, em todo o seu esplendor, o Estado garantia, como ele diz, em vez do Estado prestador de serviços.
Retire-se o serviço público, abram alas para o serviço-negócio. Muito mais barato, eficiente e, sobretudo, muito mais apto a encher as algibeiras de alguns.
Pormenores.
Quem quiser - e puder, claro está - que pague o hospital, a escola dos filhos, porque não a própria segurança, amanhã. A empresa erigida em Deus todo poderoso, o homem e a mulher promovidos a prestadores também, neste caso do seu trabalho. Ao mais baixo custo possível e se alguém o quiser empregar.
Como pano de fundo, o Estado garante. Não se sabe bem o quê. Provavelmente, garante que o trabalhador mantêm a cabeça baixa, sem fazer ondas. Deve ser isso.
Fantástica visão de um futuro moderno, num país como Portugal onde o tecido empresarial é tão pobrezinho e incompetente.
Simplesmente inacreditável.
Andava aqui todo o mundo convencido que o Estado tinha que ser interventor activo, num país tão marcado por desigualdades e iniquidades.
Mas não, foi preciso sair do seu casulo este homem, dotado de uma inteligência extrema e raro sentido de missão, para ficarmos todos a saber a verdade. Temos que caminhar para o Estado garantia, apenas.
Suspeito que a garantia do Estado, na visão de Passos Coelho, deverá ser do género da sua própria garantia, antes das eleições, de que não aumentaria impostos nem retiraria os subsídios de Natal e férias.
De qualquer forma, leitor, agora já sabe o que aquelas cabeças andam a congeminar. Nunca gostei de Sócrates, mas isto é diferente, isto é um ataque ... nuclear. Direito ao núcleo de um Estado social.
Não os deixemos concretizar estas ideias egoístas e perigosas, está bem ?
Ia para dizer : defendamos a dignidade do ser humano. Mas não digo, gosto pouco de jogar à defesa nestas coisas. Ataquemos, portanto, mostremos a esta gente que não queremos estes negócios. O país não é deles, por mais troika que lhes valha e por mais disparates que Sócrates tenha feito.
Acordem, companheiros, preparem-se para a luta.
sexta-feira, fevereiro 10, 2012
PORTUGAL, UM IMENSO BPN ?
A actuação deste Governo é como um filme de 3ª categoria, com actores imaturos e impreparados, alguns deles sem a menor experiência e conhecimento do papel que deles se exigiria. Mais lixado ainda é que já o anterior governo era, ele também, uma espécie de filme mexicano ou venezuelano, desenganem-se os socialistas sempre dispostos a defender o seu clube.
Parafraseando o sr Ministro da Defesa, assim o país fica insustentável. Mas fica insustentável porque eles, os políticos, não prestam para estas coisas. Quem foi treinado e está vocacionado para entender Portugal como uma espécie de grande feira de negócios nunca deveria ser escolhido para o Governo da Nação. É por isso que o sr. Ministro da Defesa , e vários outros seus colegas, actuais e antecessores, não compreendem os militares e ainda menos o País.
Na cabeça deles, os militares são pessoas esquisitas que teimam em jurar fidelidade à Pátria e por ela estão dispostos a dar a sua vida. "Mas onde é que já se viu semelhante dislate, digam-me cá ? E nem sequer ganham nada que justifique essas ideias malucas, esses tipos devem vir de outro século. Mas quem é que se preocupa hoje com os militares ? Vá lá, façam lá umas paradazinhas, umas medalhinhas, andem lá a distair-se por esses sítios exóticos, longínquos e estranhos ( que ideia a minha ir lá no Natal passado, porra ! ) e deixem-se de falar em política e noutros assuntos sérios. Deixem isso a quem sabe, como nós, os políticos."
A diferença, a enorme diferença, é que para um militar Portugal não é uma feira de negócios, é uma realidade complexa feita de homens, mulheres, solo, cidades, aldeias, gente morta a quem respeitam, actos heróicos e sacrifícios sem nome, uma história velha de nove séculos. Portugal não é um conselho de administração, nem recebem por senhas de sessão. Muitos deles receberam foi chumbo, outros só stress e famílias destruídas ou infelizes. A todos eles só resta o orgulho de serem dignos, corajosos, verdadeiros, frontais e honestos.
É por isso, sr Ministro, que o caso BPN para um militar não é um assunto político, é antes um caso paradigmático de nojeira, podridão, falta de seriedade e vergonha, um caso onde o “negócio” ( patente até no nome do banco ) se prolongou até à exaustão, até ao descalabro total. Depois de tudo isso, debaixo dos nossos narizes, ainda por cima temos que ser nós a pagar toda aquela trafulhice imunda ...
Ainda acha, sr Ministro, que isto é falar de política ? Não, sr Ministro, falar no BPN é apontar o descalabro em que políticos travestidos em homens de negócios mergulharam aquele banco e, por arrastamento, o próprio país. Falar em BPN é lamentar o lamaçal em que nos estão a afogar, nós que não fomos tidos nem achados no negócio. Porque a verdade, nua e crua, é que hoje Portugal se está a transformar num imenso BPN.
Se acha que os militares gostam disso, está muito enganado, sr Ministro. E se acha que os impede de perceber e odiar essa transformação aviltante da sua Pátria, está ainda mais enganado.
A actuação deste Governo é como um filme de 3ª categoria, com actores imaturos e impreparados, alguns deles sem a menor experiência e conhecimento do papel que deles se exigiria. Mais lixado ainda é que já o anterior governo era, ele também, uma espécie de filme mexicano ou venezuelano, desenganem-se os socialistas sempre dispostos a defender o seu clube.
Parafraseando o sr Ministro da Defesa, assim o país fica insustentável. Mas fica insustentável porque eles, os políticos, não prestam para estas coisas. Quem foi treinado e está vocacionado para entender Portugal como uma espécie de grande feira de negócios nunca deveria ser escolhido para o Governo da Nação. É por isso que o sr. Ministro da Defesa , e vários outros seus colegas, actuais e antecessores, não compreendem os militares e ainda menos o País.
Na cabeça deles, os militares são pessoas esquisitas que teimam em jurar fidelidade à Pátria e por ela estão dispostos a dar a sua vida. "Mas onde é que já se viu semelhante dislate, digam-me cá ? E nem sequer ganham nada que justifique essas ideias malucas, esses tipos devem vir de outro século. Mas quem é que se preocupa hoje com os militares ? Vá lá, façam lá umas paradazinhas, umas medalhinhas, andem lá a distair-se por esses sítios exóticos, longínquos e estranhos ( que ideia a minha ir lá no Natal passado, porra ! ) e deixem-se de falar em política e noutros assuntos sérios. Deixem isso a quem sabe, como nós, os políticos."
A diferença, a enorme diferença, é que para um militar Portugal não é uma feira de negócios, é uma realidade complexa feita de homens, mulheres, solo, cidades, aldeias, gente morta a quem respeitam, actos heróicos e sacrifícios sem nome, uma história velha de nove séculos. Portugal não é um conselho de administração, nem recebem por senhas de sessão. Muitos deles receberam foi chumbo, outros só stress e famílias destruídas ou infelizes. A todos eles só resta o orgulho de serem dignos, corajosos, verdadeiros, frontais e honestos.
É por isso, sr Ministro, que o caso BPN para um militar não é um assunto político, é antes um caso paradigmático de nojeira, podridão, falta de seriedade e vergonha, um caso onde o “negócio” ( patente até no nome do banco ) se prolongou até à exaustão, até ao descalabro total. Depois de tudo isso, debaixo dos nossos narizes, ainda por cima temos que ser nós a pagar toda aquela trafulhice imunda ...
Ainda acha, sr Ministro, que isto é falar de política ? Não, sr Ministro, falar no BPN é apontar o descalabro em que políticos travestidos em homens de negócios mergulharam aquele banco e, por arrastamento, o próprio país. Falar em BPN é lamentar o lamaçal em que nos estão a afogar, nós que não fomos tidos nem achados no negócio. Porque a verdade, nua e crua, é que hoje Portugal se está a transformar num imenso BPN.
Se acha que os militares gostam disso, está muito enganado, sr Ministro. E se acha que os impede de perceber e odiar essa transformação aviltante da sua Pátria, está ainda mais enganado.
terça-feira, janeiro 31, 2012
A ERA DAS AGENDAS ESCONDIDAS
Nunca fui adepto das teorias da conspiração. Nunca admiti que o Mundo fosse efectivamente regulado ou planeado por organizações secretas tipo Opus Dei, Maçonaria ou Bilderberg Club. Não sou nenhum ingénuo, sou antes muito pragmático e cartesiano.
Porém, nos últimos tempos, começo a pensar que há muitos factos que só podem ser explicados se as pessoas envolvidas tiverem objectivos diferentes dos declarados.
Não concordam ? Querem que aclare a ideia ? Então vamos lá.
Facto nº 1 - a crise na Europa tem vindo a piorar sempre, nos dois ultimos anos. Para qualquer observador atento, a discrepância é total entre as medidas que a srª Merkel "inventa" para a Europa e aquelas que seriam indispensáveis ao combate eficaz à crise. Toda a gente diz que assim não vamos lá ...
Interpretação nº 1 - não sendo a srª Merkel estúpida, nem a restante classe política da Alemanha, não sendo a história alemã propriamente uma história da Branca de Neve em relação ao resto da Europa, teremos então de admitir que os objectivos da Alemanha não são apenas os da defesa do euro e da ajuda à recuperação da Europa. Claro que não, a Alemanha tem, quase de certeza, uma agenda escondida para esta situação da Europa. E essa agenda não é, seguramente, o reforço da autonomia e independência económica dos velhos países soberanos da Europa. Apostaria que é exactamente o oposto.
Facto nº 2 - em Portugal, as medidas exageradas de austeridade impostas pelo Governo estão a destruir rapidamente os frágeis equilíbrios económicos do nosso país. Sem expectativas, sem esperança, corroídos por um sentido enorme de injustiça e desigualdade de tratamento, os portugueses estão a perder a coesão nacional e a não acreditar no futuro do país.
Interpretação nº 2 - os membros do Governo, apesar da inexperiência e leviandade, não são pessoas estúpidas, estão a ver o que acima descrevi. Então porque insistem ? A resposta só pode ser porque a sua preocupação primeira não é o combate à crise, nem sair dela o mais depressa possível. Neste caso, a agenda escondida é a destruição do estado social e a criação de uma sociedade toda virada para o investimento privado, em todas as áreas sociais e económicas. No meu entender, é esse o verdadeiro e não confessado objectivo do actual Governo.
Escuso-me de apresentar mais exemplos. Vivemos de fato uma era de mistificação, de intenções camufladas, de objectivos escondidos.
Ou então, todas estas pessoas no poder, tanto na Europa como em Portugal, não passam de aprendizes de feiticeiro, muito, muito incompetentes...
Eu não apostaria nessa explicação.
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Nunca fui adepto das teorias da conspiração. Nunca admiti que o Mundo fosse efectivamente regulado ou planeado por organizações secretas tipo Opus Dei, Maçonaria ou Bilderberg Club. Não sou nenhum ingénuo, sou antes muito pragmático e cartesiano.
Porém, nos últimos tempos, começo a pensar que há muitos factos que só podem ser explicados se as pessoas envolvidas tiverem objectivos diferentes dos declarados.
Não concordam ? Querem que aclare a ideia ? Então vamos lá.
Facto nº 1 - a crise na Europa tem vindo a piorar sempre, nos dois ultimos anos. Para qualquer observador atento, a discrepância é total entre as medidas que a srª Merkel "inventa" para a Europa e aquelas que seriam indispensáveis ao combate eficaz à crise. Toda a gente diz que assim não vamos lá ...
Interpretação nº 1 - não sendo a srª Merkel estúpida, nem a restante classe política da Alemanha, não sendo a história alemã propriamente uma história da Branca de Neve em relação ao resto da Europa, teremos então de admitir que os objectivos da Alemanha não são apenas os da defesa do euro e da ajuda à recuperação da Europa. Claro que não, a Alemanha tem, quase de certeza, uma agenda escondida para esta situação da Europa. E essa agenda não é, seguramente, o reforço da autonomia e independência económica dos velhos países soberanos da Europa. Apostaria que é exactamente o oposto.
Facto nº 2 - em Portugal, as medidas exageradas de austeridade impostas pelo Governo estão a destruir rapidamente os frágeis equilíbrios económicos do nosso país. Sem expectativas, sem esperança, corroídos por um sentido enorme de injustiça e desigualdade de tratamento, os portugueses estão a perder a coesão nacional e a não acreditar no futuro do país.
Interpretação nº 2 - os membros do Governo, apesar da inexperiência e leviandade, não são pessoas estúpidas, estão a ver o que acima descrevi. Então porque insistem ? A resposta só pode ser porque a sua preocupação primeira não é o combate à crise, nem sair dela o mais depressa possível. Neste caso, a agenda escondida é a destruição do estado social e a criação de uma sociedade toda virada para o investimento privado, em todas as áreas sociais e económicas. No meu entender, é esse o verdadeiro e não confessado objectivo do actual Governo.
Escuso-me de apresentar mais exemplos. Vivemos de fato uma era de mistificação, de intenções camufladas, de objectivos escondidos.
Ou então, todas estas pessoas no poder, tanto na Europa como em Portugal, não passam de aprendizes de feiticeiro, muito, muito incompetentes...
Eu não apostaria nessa explicação.
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domingo, janeiro 29, 2012
É ESTE O SNS QUE PASSOS COELHO DESEJA ?
Leitor, tenha paciência, peço-lhe, e leia a carta que segue abaixo, sobre a odisseia de uma senhora em defesa da saúde de sua mãe, no enquadramento actual do SNS.
É algo ... aviltante, indigno, indecente, que só me dá vontade de bater em alguém.
Leia, leitor. E sobretudo, não vá em cantigas : isto pouco tem a ver com a falta de dinheiro. Isto tem a ver, sobretudo, e na minha opinião, com o projecto encapotado e subreptício de destruir os alicerces do SNS, da Escola Pública e de muitas mais coisas.
Não o canso mais, leitor : leia a carta da senhora ao Ministro da Saúde.
Excelentíssimo Senhor Ministro da Saúde
Maria Leonor de Moura Ventura Furtado, filha de Maria da Ascensão Moura , na sequência do falecimento de sua Mãe, ocorrida no dia 7 do mês corrente, após dias de sofrimento atroz e de cerca de 3 meses de diligências inacreditáveis e que julga de todo inaceitáveis, reveladoras da descoordenação, desinteresse, falta de apoio e insensibilidade, em especial por parte de clínicos do IPO, vem expôr para conhecimento e apreciação de V. Excelência o seguinte:
A minha Mãe, Maria da Ascensão Moura, com processo clínico nº 486 089 do IPO, era doente daquele Instituto há mais de 30 anos, tendo ali sido operada a um pequeno tumor num seio em 1993. Na sequência da operação continuou a ser ali assistida regularmente até 17/04/2009, data em que o médico assistente lhe deu alta, passando a ser acompanhada pelo médico de família. Caso viesse a haver agravamento da situação anterior, deveria voltar ao IPO onde também continuou, até mais recentemente, a fazer tratamentos de fisioterapia ao braço que inchava na sequência da operação de 1993.
Entretanto em 25 de Outubro de 2011, na sequência dos resultados de uma ecografia e de uma mamografia, com pedido urgente de uma biópsia, foi contactado telefonicamente o IPO para solicitar a marcação da biópsia requerida. Conforme solicitação do IPO foi enviada a necessária credencial por fax, ficando a aguardar-se a respectiva marcação.
Cerca de um mês depois, o IPO informou telefonicamente que ali não eram feitas biópsias a doentes externos; aqui começou uma luta contra o tempo, procurando encontrar onde fazer a biópsia, tendo-se conseguido marcação para 16 de Janeiro de 2012 no Centro de Senologia em Lisboa (350 euros).
Entretanto, em Dezembro, o estado de saúde de minha Mãe conhecia forte agravamento com dores sobretudo na região lombar; como tinha caído na semana anterior considerou-se melhor ser vista por um médico, pelo que em 20 de Dezembro foi transportada à urgência do hospital de S. José. Após observação e RX o médico deu-lhe alta, aconselhando uma consulta no IPO, depois de conhecer a sua história clínica, já que as dores teriam outra origem.
Foi de imediato solicitado ao Centro de Saúde uma credencial para consulta com o seu médico assistente no IPO (Dr.Vítor Farricho que, soube depois, já não prestava serviço naquele bloco), na esperança de ela ali poder ficar internada e fazer a biópsia mais cedo. Entretanto continuando o estado de saúde a agravar-se fui com a doente às urgências do IPO a 26 de Dezembro, tendo ali sido recusada a sua observação com a alegação (incorrecta) de que apenas ali fizera uma mamografia em 22 de setembro de 2006 e nunca mais lá fizera nenhuma. Conforme referido anteriormente a minha Mãe continuou a ser ali acompanhada até Abril de 2009 e, mesmo depois, ali fizera tratamentos.
No IPO, após longa questão sobre o ser vista ou não por um médico da urgência, foi-me concedida autorização para entrar no gabinete do cirurgião de serviço, Dr. Peixinhos Dias; após observação dos resultados da mamografia e da ecografia, o Dr. disse nada poder fazer; entretanto, considerando melhor, e dada a minha insistência em que fosse prescrito um medicamento para aliviar o sofrimento da doente, o Dr. Peixinhos decidiu fazer no dia seguinte, ele próprio, a biópsia à doente.
Por isso, no dia 27, a doente foi de novo transportada ao IPO, agora já só se movimentando em cadeira de rodas; foi feita a biópsia e marcada consulta para o dia 12 de Janeiro;
Entretanto comunicaram-me do IPO, via telefone, que a consulta do dia 12 fora antecipada para o dia 3; estranhando a antecipação, dado que nesta data ainda não haveria o resultado da biópsia, comuniquei o facto ao Dr. Peixinhos, aproveitando para lhe transmitir que a doente piorava de dia para dia e que era necessário que lhe fosse ministrada medicação, podendo assim terminar os seus dias com os cuidados familiares; em tom enérgico, disse-me que isso seria uma grande irresponsabilidade, pois a minha Mãe tinha de ser operada, o tumor podia rebentar, abrir ferida e cheirar mal... Referiu-me ainda o Dr. que não tinha conhecimento da alteração da consulta, mas que ia pedir urgência no resultado da biópsia e que levasse lá a doente no dia 5, às 11h, pois aproveitaria o facto de lá estar a equipa médica para se decidir o que fazer com a doente.
No dia 5 de Janeiro, às 10h, passei pelo guichet anunciando que a doente estava a caminho, para fazerem o favor de avisar o Dr. Peixinhos de que ela iria chegar em ambulância;
- às 11h os bombeiros conduziram a maca, segundo as indicações, para um gabinete ao lado do do médico onde a doente seria observada; o médico foi vê-la e saíu;
- cerca das 12h, perguntei à enfermeira se ainda demorava muito pois a doente gritava com dores; respondeu-me que o médico estava a tratar do assunto; passado um tempo, o médico voltou a entrar e a sair;
- às 13.45h, como a espera era angustiante, voltei a perguntar o que se passava, já que a equipa médica nunca mais descia; foi-me transmitido, num tom que não deixava dúvidas, que a equipa médica, liderada pelo Dr. Santos Costa, já se tinha ido embora...
- bati à porta do gabinete do Dr. Peixinhos e entrei, inquirindo do que se estava a passar; então a equipa fora-se embora com a doente ali à espera desde as 11h? não a internava? o que é eu ia fazer com ela naquele estado? o Dr. Peixinhos, verdadeiramente embaraçado, respondeu que não podia fazer mais nada, que não tinha condições para a internar e que a levasse ao hospital da área da residência, tendo continuado as suas consultas;
- o pessoal de enfermagem e auxiliares, bombeiros e doentes que aguardavam a sua vez, tudo ficou atónito perante tal situação...
Sózinha, sem qualquer apoio do IPO, pedi aos bombeiros que conduzissem a doente para a urgência de S. José, aonde chegou cerca das 15h; aqui o caos era geral, com macas ocupando por completo o espaço das urgências; era visível o estrangulamento provocado pelo encerramento das urgências do Curry Cabral;
- cerca das 16h o médico aguardava ainda o resultado das análises, mas foi confirmando que a doente estava efectivamente muito mal e que certamente iria ficar internada; às 19h sugeriram que eu regressasse a casa.
No dia 6 às 10h, telefonei para o Hospital de S. José onde me comunicaram que a doente tinha sido transferida de madrugada para o Hospital Curry Cabral; ali fui às visitas das 14h e das 19h, tendo pedido ao médico (Dr Pedro) que a medicasse fortemente para alívio das dores.
No dia 7 de Janeiro pelas 10h, telefonaram-me do Hospital Curry Cabral para me dizer que passasse por lá quando me fosse possível..., pois não podiam dar informações pelo telefone...
Assim, com uns últimos dias completamente angustiantes e cheios de dores terminou a minha Mãe a sua passagem pela vida neste Portugal onde, a par de algumas palavras de esperança, se assiste à degradação das condições de assistência aos doentes que mais necessitam.
Neste caso, em condições de grande sofrimento que não me permitem calar a revolta, a minha Mãe foi abandonada à sua sorte e ao meu cuidado pelos clínicos do IPO, com uma doença do foro específico daquele Instituto, para a qual não tiveram uma acção ou palavra que pudesse minimizar o seu grande sofrimento e ajudar a família a encontrar a solução mais satisfatória.
À consideração de Vossa Excelência.
Lisboa, 21 de Janeiro de 2012
Maria Leonor de Moura Ventura Furtado
[NOTA: esta carta seguiu para o Sr. Ministro, para a Entidade Reguladora da Saúde e para o IPO, devidamente identificada].
Leitor, tenha paciência, peço-lhe, e leia a carta que segue abaixo, sobre a odisseia de uma senhora em defesa da saúde de sua mãe, no enquadramento actual do SNS.
É algo ... aviltante, indigno, indecente, que só me dá vontade de bater em alguém.
Leia, leitor. E sobretudo, não vá em cantigas : isto pouco tem a ver com a falta de dinheiro. Isto tem a ver, sobretudo, e na minha opinião, com o projecto encapotado e subreptício de destruir os alicerces do SNS, da Escola Pública e de muitas mais coisas.
Não o canso mais, leitor : leia a carta da senhora ao Ministro da Saúde.
Excelentíssimo Senhor Ministro da Saúde
Maria Leonor de Moura Ventura Furtado, filha de Maria da Ascensão Moura , na sequência do falecimento de sua Mãe, ocorrida no dia 7 do mês corrente, após dias de sofrimento atroz e de cerca de 3 meses de diligências inacreditáveis e que julga de todo inaceitáveis, reveladoras da descoordenação, desinteresse, falta de apoio e insensibilidade, em especial por parte de clínicos do IPO, vem expôr para conhecimento e apreciação de V. Excelência o seguinte:
A minha Mãe, Maria da Ascensão Moura, com processo clínico nº 486 089 do IPO, era doente daquele Instituto há mais de 30 anos, tendo ali sido operada a um pequeno tumor num seio em 1993. Na sequência da operação continuou a ser ali assistida regularmente até 17/04/2009, data em que o médico assistente lhe deu alta, passando a ser acompanhada pelo médico de família. Caso viesse a haver agravamento da situação anterior, deveria voltar ao IPO onde também continuou, até mais recentemente, a fazer tratamentos de fisioterapia ao braço que inchava na sequência da operação de 1993.
Entretanto em 25 de Outubro de 2011, na sequência dos resultados de uma ecografia e de uma mamografia, com pedido urgente de uma biópsia, foi contactado telefonicamente o IPO para solicitar a marcação da biópsia requerida. Conforme solicitação do IPO foi enviada a necessária credencial por fax, ficando a aguardar-se a respectiva marcação.
Cerca de um mês depois, o IPO informou telefonicamente que ali não eram feitas biópsias a doentes externos; aqui começou uma luta contra o tempo, procurando encontrar onde fazer a biópsia, tendo-se conseguido marcação para 16 de Janeiro de 2012 no Centro de Senologia em Lisboa (350 euros).
Entretanto, em Dezembro, o estado de saúde de minha Mãe conhecia forte agravamento com dores sobretudo na região lombar; como tinha caído na semana anterior considerou-se melhor ser vista por um médico, pelo que em 20 de Dezembro foi transportada à urgência do hospital de S. José. Após observação e RX o médico deu-lhe alta, aconselhando uma consulta no IPO, depois de conhecer a sua história clínica, já que as dores teriam outra origem.
Foi de imediato solicitado ao Centro de Saúde uma credencial para consulta com o seu médico assistente no IPO (Dr.Vítor Farricho que, soube depois, já não prestava serviço naquele bloco), na esperança de ela ali poder ficar internada e fazer a biópsia mais cedo. Entretanto continuando o estado de saúde a agravar-se fui com a doente às urgências do IPO a 26 de Dezembro, tendo ali sido recusada a sua observação com a alegação (incorrecta) de que apenas ali fizera uma mamografia em 22 de setembro de 2006 e nunca mais lá fizera nenhuma. Conforme referido anteriormente a minha Mãe continuou a ser ali acompanhada até Abril de 2009 e, mesmo depois, ali fizera tratamentos.
No IPO, após longa questão sobre o ser vista ou não por um médico da urgência, foi-me concedida autorização para entrar no gabinete do cirurgião de serviço, Dr. Peixinhos Dias; após observação dos resultados da mamografia e da ecografia, o Dr. disse nada poder fazer; entretanto, considerando melhor, e dada a minha insistência em que fosse prescrito um medicamento para aliviar o sofrimento da doente, o Dr. Peixinhos decidiu fazer no dia seguinte, ele próprio, a biópsia à doente.
Por isso, no dia 27, a doente foi de novo transportada ao IPO, agora já só se movimentando em cadeira de rodas; foi feita a biópsia e marcada consulta para o dia 12 de Janeiro;
Entretanto comunicaram-me do IPO, via telefone, que a consulta do dia 12 fora antecipada para o dia 3; estranhando a antecipação, dado que nesta data ainda não haveria o resultado da biópsia, comuniquei o facto ao Dr. Peixinhos, aproveitando para lhe transmitir que a doente piorava de dia para dia e que era necessário que lhe fosse ministrada medicação, podendo assim terminar os seus dias com os cuidados familiares; em tom enérgico, disse-me que isso seria uma grande irresponsabilidade, pois a minha Mãe tinha de ser operada, o tumor podia rebentar, abrir ferida e cheirar mal... Referiu-me ainda o Dr. que não tinha conhecimento da alteração da consulta, mas que ia pedir urgência no resultado da biópsia e que levasse lá a doente no dia 5, às 11h, pois aproveitaria o facto de lá estar a equipa médica para se decidir o que fazer com a doente.
No dia 5 de Janeiro, às 10h, passei pelo guichet anunciando que a doente estava a caminho, para fazerem o favor de avisar o Dr. Peixinhos de que ela iria chegar em ambulância;
- às 11h os bombeiros conduziram a maca, segundo as indicações, para um gabinete ao lado do do médico onde a doente seria observada; o médico foi vê-la e saíu;
- cerca das 12h, perguntei à enfermeira se ainda demorava muito pois a doente gritava com dores; respondeu-me que o médico estava a tratar do assunto; passado um tempo, o médico voltou a entrar e a sair;
- às 13.45h, como a espera era angustiante, voltei a perguntar o que se passava, já que a equipa médica nunca mais descia; foi-me transmitido, num tom que não deixava dúvidas, que a equipa médica, liderada pelo Dr. Santos Costa, já se tinha ido embora...
- bati à porta do gabinete do Dr. Peixinhos e entrei, inquirindo do que se estava a passar; então a equipa fora-se embora com a doente ali à espera desde as 11h? não a internava? o que é eu ia fazer com ela naquele estado? o Dr. Peixinhos, verdadeiramente embaraçado, respondeu que não podia fazer mais nada, que não tinha condições para a internar e que a levasse ao hospital da área da residência, tendo continuado as suas consultas;
- o pessoal de enfermagem e auxiliares, bombeiros e doentes que aguardavam a sua vez, tudo ficou atónito perante tal situação...
Sózinha, sem qualquer apoio do IPO, pedi aos bombeiros que conduzissem a doente para a urgência de S. José, aonde chegou cerca das 15h; aqui o caos era geral, com macas ocupando por completo o espaço das urgências; era visível o estrangulamento provocado pelo encerramento das urgências do Curry Cabral;
- cerca das 16h o médico aguardava ainda o resultado das análises, mas foi confirmando que a doente estava efectivamente muito mal e que certamente iria ficar internada; às 19h sugeriram que eu regressasse a casa.
No dia 6 às 10h, telefonei para o Hospital de S. José onde me comunicaram que a doente tinha sido transferida de madrugada para o Hospital Curry Cabral; ali fui às visitas das 14h e das 19h, tendo pedido ao médico (Dr Pedro) que a medicasse fortemente para alívio das dores.
No dia 7 de Janeiro pelas 10h, telefonaram-me do Hospital Curry Cabral para me dizer que passasse por lá quando me fosse possível..., pois não podiam dar informações pelo telefone...
Assim, com uns últimos dias completamente angustiantes e cheios de dores terminou a minha Mãe a sua passagem pela vida neste Portugal onde, a par de algumas palavras de esperança, se assiste à degradação das condições de assistência aos doentes que mais necessitam.
Neste caso, em condições de grande sofrimento que não me permitem calar a revolta, a minha Mãe foi abandonada à sua sorte e ao meu cuidado pelos clínicos do IPO, com uma doença do foro específico daquele Instituto, para a qual não tiveram uma acção ou palavra que pudesse minimizar o seu grande sofrimento e ajudar a família a encontrar a solução mais satisfatória.
À consideração de Vossa Excelência.
Lisboa, 21 de Janeiro de 2012
Maria Leonor de Moura Ventura Furtado
[NOTA: esta carta seguiu para o Sr. Ministro, para a Entidade Reguladora da Saúde e para o IPO, devidamente identificada].
terça-feira, janeiro 17, 2012
A ETERNA ARTE DO TEATRO DE FANTOCHES
Por vezes tenho a sensação de que Portugal não é um país verdadeiro, é antes uma espécie de teatro de fantoches que se desenrola perante os nossos olhos incrédulos e cansados. Os fantoches, perdão, os intervenientes falam com grande entusiasmo de feitos extraordinários e de acontecimentos importantes e eu não consigo sequer saber de que raio falam eles. No teatro de fantoches da minha infância, pelo menos, eu percebia os "bonecos" e aplaudia quando o herói dava umas valentes pauladas no malandro da fita. Agora suspeito que sou eu e os outros desgraçados como eu que levam as pauladas, mas eles, no palco, falam de coisas malucas que eu não entendo.
Gritam eles que conseguiram um grande acordo para o aumento da produtividade e da competitividade ( das empresas, decerto ) porque ... vão fazer as pessoas trabalhar mais alguns dias por ano e vão poder despedir quem bem entendam. É aqui que deixo de os perceber : mas como é que raio isto vai aumentar a competitividade e a produtividade ? Mas em tempo de trabalho os portugueses não são já dos que mais tempo trabalham ?? Então ... como é que ?
Não, só pode ser um teatro de fantoches, ainda por cima com um guião mal escrito.
Mas a competitividade não é uma função de múltiplas variáveis, tal como aprendi na minha Economia, que começa nas técnicas de gestão, nos equipamentos, na formação profissional dos trabalhadores, para já não falar do produto, da natureza e qualidade daquilo que se produz, das mais valias que são acrescentadas no processo da produção ??
Então a produtividade e a competitividade afinal dependem apenas de se trabalhar mais ou menos dois dias por ano ? Ou de se poder despedir uma gaja porque demonstrou a sua evidente inadaptação ao posto de trabalho quando recusou dormir com o patrão ?
Afinal, esta gente anda toda a gozar connosco quando falam destas coisas e mandam estas bocas tolas e incompetentes ?
A única coisa que se safa, no meio desta pobreza intelectual e desonestidade profissional, é o estilo "art nouveau" do sr ministro da economia, que esse pelo menos faz-me rir, com as suas histórias de pastéis de nata e coisas assim.
Óh meu Deus, para a próxima não fico aqui parado a ver esta barraca de teatro de fantoches, não prestam mesmo para nada !
Por vezes tenho a sensação de que Portugal não é um país verdadeiro, é antes uma espécie de teatro de fantoches que se desenrola perante os nossos olhos incrédulos e cansados. Os fantoches, perdão, os intervenientes falam com grande entusiasmo de feitos extraordinários e de acontecimentos importantes e eu não consigo sequer saber de que raio falam eles. No teatro de fantoches da minha infância, pelo menos, eu percebia os "bonecos" e aplaudia quando o herói dava umas valentes pauladas no malandro da fita. Agora suspeito que sou eu e os outros desgraçados como eu que levam as pauladas, mas eles, no palco, falam de coisas malucas que eu não entendo.
Gritam eles que conseguiram um grande acordo para o aumento da produtividade e da competitividade ( das empresas, decerto ) porque ... vão fazer as pessoas trabalhar mais alguns dias por ano e vão poder despedir quem bem entendam. É aqui que deixo de os perceber : mas como é que raio isto vai aumentar a competitividade e a produtividade ? Mas em tempo de trabalho os portugueses não são já dos que mais tempo trabalham ?? Então ... como é que ?
Não, só pode ser um teatro de fantoches, ainda por cima com um guião mal escrito.
Mas a competitividade não é uma função de múltiplas variáveis, tal como aprendi na minha Economia, que começa nas técnicas de gestão, nos equipamentos, na formação profissional dos trabalhadores, para já não falar do produto, da natureza e qualidade daquilo que se produz, das mais valias que são acrescentadas no processo da produção ??
Então a produtividade e a competitividade afinal dependem apenas de se trabalhar mais ou menos dois dias por ano ? Ou de se poder despedir uma gaja porque demonstrou a sua evidente inadaptação ao posto de trabalho quando recusou dormir com o patrão ?
Afinal, esta gente anda toda a gozar connosco quando falam destas coisas e mandam estas bocas tolas e incompetentes ?
A única coisa que se safa, no meio desta pobreza intelectual e desonestidade profissional, é o estilo "art nouveau" do sr ministro da economia, que esse pelo menos faz-me rir, com as suas histórias de pastéis de nata e coisas assim.
Óh meu Deus, para a próxima não fico aqui parado a ver esta barraca de teatro de fantoches, não prestam mesmo para nada !
domingo, janeiro 15, 2012
À PROCURA DA VERGONHA PERDIDA
Nesta tarde lisboeta cinzenta e chuvosa, entretenho-me com conjecturas íntimas e um tanto desanimadoras. Ajudem-me no raciocínio, vá lá.
Os conceitos éticos dominantes numa determinada sociedade e época são fortemente condicionados por factores perversos, como a aceitação social de certos actos ou, pelo contrário, a sua condenação mais ou menos generalizada pela maioria das pessoas "circundantes". Ou seja, pelas pessoas que se movem nos mesmos círculos sociais ou de interesses.
Acresce a influência de um sentimento difuso de impunidade de certas acções outrora condenáveis e condenadas. Estas considerações são do conhecimento generalizado, nelas não havendo matéria especialmente controversa.
Não sei se o mesmo acontecerá com a minha afirmação seguinte : a consciência social da incorrecção de certos actos ( roubar, aproveitar-se das situações em proveito próprio, etc ... ), com a consequente recriminação social, tende a esbater-se em ambientes demasiado pantanosos. Como se a recusa social de certos comportamentos fosse afrouxando, à medida que esses comportamentos se tornam quase "normais", tal a sua frequência. Como se as pessoas se cansassem de censurar e achar mal.
Como se o "mal" e o eticamente errado se fossem banalizando...
Pois bem, daqui lanço um repto a quem mais disto perceba que eu : qual é a "dose" diária máxima de aldrabice, vigarice e bandalheira que um cidadão normal aguenta até deixar de se importar com a verdade e os valores éticos ? Até se alienar ? Até deixar de se ralar com essas miúdezas ?
Para mim, em Portugal, já se atingiu esse limiar. Mais do que idealizar revoluções, angustia-me pensar como conseguiremos um dia regenerar a forma genuina de pensar e sentir dos portugueses, completamente abandalhada nestes ultimos anos. Não vai ser nada fácil ...
Nesta tarde lisboeta cinzenta e chuvosa, entretenho-me com conjecturas íntimas e um tanto desanimadoras. Ajudem-me no raciocínio, vá lá.
Os conceitos éticos dominantes numa determinada sociedade e época são fortemente condicionados por factores perversos, como a aceitação social de certos actos ou, pelo contrário, a sua condenação mais ou menos generalizada pela maioria das pessoas "circundantes". Ou seja, pelas pessoas que se movem nos mesmos círculos sociais ou de interesses.
Acresce a influência de um sentimento difuso de impunidade de certas acções outrora condenáveis e condenadas. Estas considerações são do conhecimento generalizado, nelas não havendo matéria especialmente controversa.
Não sei se o mesmo acontecerá com a minha afirmação seguinte : a consciência social da incorrecção de certos actos ( roubar, aproveitar-se das situações em proveito próprio, etc ... ), com a consequente recriminação social, tende a esbater-se em ambientes demasiado pantanosos. Como se a recusa social de certos comportamentos fosse afrouxando, à medida que esses comportamentos se tornam quase "normais", tal a sua frequência. Como se as pessoas se cansassem de censurar e achar mal.
Como se o "mal" e o eticamente errado se fossem banalizando...
Pois bem, daqui lanço um repto a quem mais disto perceba que eu : qual é a "dose" diária máxima de aldrabice, vigarice e bandalheira que um cidadão normal aguenta até deixar de se importar com a verdade e os valores éticos ? Até se alienar ? Até deixar de se ralar com essas miúdezas ?
Para mim, em Portugal, já se atingiu esse limiar. Mais do que idealizar revoluções, angustia-me pensar como conseguiremos um dia regenerar a forma genuina de pensar e sentir dos portugueses, completamente abandalhada nestes ultimos anos. Não vai ser nada fácil ...
domingo, janeiro 08, 2012
CANSA VIVER EM PORTUGAL
Cansa viver em Portugal. Para qualquer pessoa que ainda conserve alguns dos velhos valores de decência e honestidade, viver em Portugal tornou-se extremamente desgastante e psiquicamente cansativo.
Todos os dias somos inundados com casos de pagamento de luvas, tráfego de influências, abuso do poder político para obtenção de vantagens económicas, vigarice, fraude, sei lá que mais. A lista é extensíssima : Freeport, licenciaturas a granel em Universidaddes manhosas, fraudes na gestão das mesmas universidades, submarinos, sobreiros, a trafulhice e os lóbis do gás natural, a fuga das SGPS para a Holanda, o fundo de pensões dos bancários ( alguém me explica porque raio é que temos deir pagar 500 a 600 milhões de euros aos bancários, em 2012, a partir do orçamento de estado ? ), uma austeridade quase totalmente à custa dos mais pobres, o caso do sucateiro e a última, a golpada da TDT, cuja responsabilidade de concretização foi atribuida à PT, empresa com interesses opostos aos da TDT ...
Convenhamos : já não falo na ética e no bom nome das instituições, a profusão de tantos esquemas sujos e ilícitos é simplesmente cansativa e deprimente. Ainda por cima porque nunca se vê nenhum dos poderosos ser punido em julgamento. Ainda se lembram do folhetim do sr. Isaltino Morais ? Alguém sabe porque raio é que o senhor ainda não está numa prisão a cumprir a pena a que foi condenado ? Não, ninguém sabe explicar e ninguém se preocupa, pelos vistos.
Eu não consigo deixar de me preocupar. Fui educado com outros princípios, éticos e políticos. Estas situações destroem-me, deixam-me aniquilado, corroem-me por dentro.
Os portugueses não se importam com as vigarices, com a corrupção ? Vivo num país onde essas coisas são toleradas, ou, pelo contrário, são os poderes ( o judicial, o político que toleram estas coisas todas porque lhes dá jeito fingir que nada se passa ?
Mas será que conseguem tolerar o cheiro nauseabundo que emana dos centros de poder estabelecidos ? Será que vamos todos continuar a tolerar esta merda completa em que estamos mergulhados ???
.
.
PS - percebem porque estive cerca de um mês sem escrever nada ? Apetece-me emigrar e fugir de toda esta imundice, é o que me apetece.
Cansa viver em Portugal. Para qualquer pessoa que ainda conserve alguns dos velhos valores de decência e honestidade, viver em Portugal tornou-se extremamente desgastante e psiquicamente cansativo.
Todos os dias somos inundados com casos de pagamento de luvas, tráfego de influências, abuso do poder político para obtenção de vantagens económicas, vigarice, fraude, sei lá que mais. A lista é extensíssima : Freeport, licenciaturas a granel em Universidaddes manhosas, fraudes na gestão das mesmas universidades, submarinos, sobreiros, a trafulhice e os lóbis do gás natural, a fuga das SGPS para a Holanda, o fundo de pensões dos bancários ( alguém me explica porque raio é que temos deir pagar 500 a 600 milhões de euros aos bancários, em 2012, a partir do orçamento de estado ? ), uma austeridade quase totalmente à custa dos mais pobres, o caso do sucateiro e a última, a golpada da TDT, cuja responsabilidade de concretização foi atribuida à PT, empresa com interesses opostos aos da TDT ...
Convenhamos : já não falo na ética e no bom nome das instituições, a profusão de tantos esquemas sujos e ilícitos é simplesmente cansativa e deprimente. Ainda por cima porque nunca se vê nenhum dos poderosos ser punido em julgamento. Ainda se lembram do folhetim do sr. Isaltino Morais ? Alguém sabe porque raio é que o senhor ainda não está numa prisão a cumprir a pena a que foi condenado ? Não, ninguém sabe explicar e ninguém se preocupa, pelos vistos.
Eu não consigo deixar de me preocupar. Fui educado com outros princípios, éticos e políticos. Estas situações destroem-me, deixam-me aniquilado, corroem-me por dentro.
Os portugueses não se importam com as vigarices, com a corrupção ? Vivo num país onde essas coisas são toleradas, ou, pelo contrário, são os poderes ( o judicial, o político que toleram estas coisas todas porque lhes dá jeito fingir que nada se passa ?
Mas será que conseguem tolerar o cheiro nauseabundo que emana dos centros de poder estabelecidos ? Será que vamos todos continuar a tolerar esta merda completa em que estamos mergulhados ???
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PS - percebem porque estive cerca de um mês sem escrever nada ? Apetece-me emigrar e fugir de toda esta imundice, é o que me apetece.
segunda-feira, dezembro 05, 2011
EM BUSCA DA DESGRAÇA INEVITÁVEL ?
Se não fosse perigoso ou mesmo crítico, seria totalmente ridículo e far-nos-ia rir a bandeiras despregadas.
Pela enésima vez, acompanhados por grande excitação mediática, Frau Merkel e Monsieur Sarkosy reuniram a sós e ... sairam-se com baboseiras e lugares comuns. A situação exige armamento pesado e tiro rápido e aqueles dois iluminados falam em fisgas e paus.
Não sei se estão a gozar connosco, se são mesmo tontinhos e incompetentes ou, se, pelo contrário, a Alemanha sabe muito bem o que está a fazer e Sarkosy ... nem sequer percebe o que ela quer. Esta última interpretação é a minha favorita, como sabem.
A questão é que, ainda que a Alemanha só pretenda salvar o Euro depois de ter assegurado o controlo sobre os orçamentos dos "maus e preguiçosos", com esta "rapidez" de decisão arrisca-se a salvar apenas os ... cacos.
Não se entende qual é a ideia daqueles dois, na verdade. Se pretendem ilegal e abusivamente apoderarem-se da Comunidade Europeia, pelo menos façam-o com eficácia e oportunidade, não é ? Ou então, se a ideia da Alemanha é ganhar tempo e desistir do euro, pelo menos declarem-o urgentemente, porque tudo isto pode degenerar num conflito dos diabos.
Voltamos agora à ideia de uma emenda aos Tratados, a assinar pelos 27 ou pelo menos pelos 17 do Euro, comprometendo-se todos os países a respeitar os 3% para o défice e a inscreverem essa ideia nas respectivas Constituições. Coisas de concretização rápida, como se sabe :) , após as quais os "mercados" passarão a tratar toda a gente com muita deferência e a não praticar estes juros exorbitantes.
Pura idiotice, como disse, ou apenas a Alemanha a ganhar tempo, a fingir que faz mas não faz ?
A condução da Europa por aqueles dois é tão errática e disparatada que começo mesmo a acreditar que a Alemanha procura um pretexto para sair desta pela direita baixa, deixando toda a gente com o pássaro nas mãos.
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Se não fosse perigoso ou mesmo crítico, seria totalmente ridículo e far-nos-ia rir a bandeiras despregadas.
Pela enésima vez, acompanhados por grande excitação mediática, Frau Merkel e Monsieur Sarkosy reuniram a sós e ... sairam-se com baboseiras e lugares comuns. A situação exige armamento pesado e tiro rápido e aqueles dois iluminados falam em fisgas e paus.
Não sei se estão a gozar connosco, se são mesmo tontinhos e incompetentes ou, se, pelo contrário, a Alemanha sabe muito bem o que está a fazer e Sarkosy ... nem sequer percebe o que ela quer. Esta última interpretação é a minha favorita, como sabem.
A questão é que, ainda que a Alemanha só pretenda salvar o Euro depois de ter assegurado o controlo sobre os orçamentos dos "maus e preguiçosos", com esta "rapidez" de decisão arrisca-se a salvar apenas os ... cacos.
Não se entende qual é a ideia daqueles dois, na verdade. Se pretendem ilegal e abusivamente apoderarem-se da Comunidade Europeia, pelo menos façam-o com eficácia e oportunidade, não é ? Ou então, se a ideia da Alemanha é ganhar tempo e desistir do euro, pelo menos declarem-o urgentemente, porque tudo isto pode degenerar num conflito dos diabos.
Voltamos agora à ideia de uma emenda aos Tratados, a assinar pelos 27 ou pelo menos pelos 17 do Euro, comprometendo-se todos os países a respeitar os 3% para o défice e a inscreverem essa ideia nas respectivas Constituições. Coisas de concretização rápida, como se sabe :) , após as quais os "mercados" passarão a tratar toda a gente com muita deferência e a não praticar estes juros exorbitantes.
Pura idiotice, como disse, ou apenas a Alemanha a ganhar tempo, a fingir que faz mas não faz ?
A condução da Europa por aqueles dois é tão errática e disparatada que começo mesmo a acreditar que a Alemanha procura um pretexto para sair desta pela direita baixa, deixando toda a gente com o pássaro nas mãos.
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terça-feira, novembro 29, 2011
IGNORÂNCIA CRIMINOSA DO NEO-LIBERALISMO OU ALINHAMENTO COM INTERESSES DESCONHECIDOS ?
Confesso que não consigo perceber.
Não sou capaz de perceber o que querem estes senhores do PSD e do CDS que nos estão a governar.
Será que estão sinceramente a tentar "endireitar" as contas públicas, será que acreditam genuinamente nas suas premissas económicas de partida e nas potencialidades do caminho que estão a seguir ?
Nesse caso, apenas nos poderemos queixar da sua EXTRAORDINÁRIA ingenuidade e ignorância. Nós, os mais velhos, já vimos muitas vezes, cá dentro e lá fora, onde conduz o tal caminho e sabemos, por experiência, que será sempre à miséria e nunca à retoma do crescimento.
Ou, pelo contrário, estes senhores sabem muito bem qual virá a ser o resultado das suas políticas e estão deliberadamente a "enterrar" o País, só porque isso entregará nas mãos dos amigos grande parte dos recursos que até agora são nacionais.
Ou ainda porque pertencem a um qualquer clube obscuro ( do qual a senhora Merkel é também obviamente sócia ) que planeou e está a executar uma operação de "tomada" da Europa pela força da economia.
No primeiro caso enfrentamos a ignorância e a arrogância dos novos neo-liberais e teremos, mais tarde ou mais cedo, que os derrotar nas urnas e enviá-los para férias prolongadas.
Nas restantes hipóteses, a questão é mais grave, muito mais grave. Comprovadas as suspeitas e vistas as consequências, não teremos outra solução que promover o seu afastamento do poder, de uma forma ou de outra. É que essa atitude seria aquilo a que um militar chamaria de traição à Pátria.
Volto a afirmar : neste momento, não sou capaz de perceber que motivações estão por detrás da acção do Governo.
De facto, este orçamento para 2012 mostra uma tal frieza de sentimentos, uma tal ausência de escrúpulos, um tal cinismo que me faz arrepiar e acreditar na teoria da conspiração contra os interesses nacionais.
Cinismo quando fazem uma pequena operação de cosmética no "roubo" de salários aos trabalhadores do Estado e clamam que atenderam aos apelos da sociedade por uma maior equitatividade ! Note-se que os prejudicados são exactamente os mesmos enquanto grupo mas o Governo acha que introduziu equitatividade no "roubo" ! Só pode ser cinismo ...
E o aumento do IVA na restauração de 13% para 23% ?? Que dizer deste verdadeiro tiro no porta-aviões ? Quem é que fez as contas para recomendar esta medida ? Será que são assim tão maus a aritmética ou é apenas um orçamento de desespero, como ouvi hoje alguém chamar-lhe ?
Será que os senhores ainda não perceberam que acima de certos valores a economia ( sim, o jogo entre a oferta e a procura, até os liberais sabem o que é ) deixa de ser elástica e proporcional e começa a apresentar inversões, como redução da procura, falências, despedimentos, redução do IVA, da TSU , do IRC das empresas e do IRS dos empregados e empresários em nome individual, para além do aumento dos gastos do Estado com os subsídios de desemprego ? Ninguém explicou a estes senhores que os impostos não se podem aumentar acima de certos valores ?
Ou tratar-se-à da destruição deliberada desse sector da nossa economia ? A quem interessará isso ?
Como vêem, é difícil percebê-los. Muito difícil.
Contudo, vamos continuar muito atentos, ah isso vamos. E expectantes.
E tristes, Portugal não merecia estas incompetências.
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Confesso que não consigo perceber.
Não sou capaz de perceber o que querem estes senhores do PSD e do CDS que nos estão a governar.
Será que estão sinceramente a tentar "endireitar" as contas públicas, será que acreditam genuinamente nas suas premissas económicas de partida e nas potencialidades do caminho que estão a seguir ?
Nesse caso, apenas nos poderemos queixar da sua EXTRAORDINÁRIA ingenuidade e ignorância. Nós, os mais velhos, já vimos muitas vezes, cá dentro e lá fora, onde conduz o tal caminho e sabemos, por experiência, que será sempre à miséria e nunca à retoma do crescimento.
Ou, pelo contrário, estes senhores sabem muito bem qual virá a ser o resultado das suas políticas e estão deliberadamente a "enterrar" o País, só porque isso entregará nas mãos dos amigos grande parte dos recursos que até agora são nacionais.
Ou ainda porque pertencem a um qualquer clube obscuro ( do qual a senhora Merkel é também obviamente sócia ) que planeou e está a executar uma operação de "tomada" da Europa pela força da economia.
No primeiro caso enfrentamos a ignorância e a arrogância dos novos neo-liberais e teremos, mais tarde ou mais cedo, que os derrotar nas urnas e enviá-los para férias prolongadas.
Nas restantes hipóteses, a questão é mais grave, muito mais grave. Comprovadas as suspeitas e vistas as consequências, não teremos outra solução que promover o seu afastamento do poder, de uma forma ou de outra. É que essa atitude seria aquilo a que um militar chamaria de traição à Pátria.
Volto a afirmar : neste momento, não sou capaz de perceber que motivações estão por detrás da acção do Governo.
De facto, este orçamento para 2012 mostra uma tal frieza de sentimentos, uma tal ausência de escrúpulos, um tal cinismo que me faz arrepiar e acreditar na teoria da conspiração contra os interesses nacionais.
Cinismo quando fazem uma pequena operação de cosmética no "roubo" de salários aos trabalhadores do Estado e clamam que atenderam aos apelos da sociedade por uma maior equitatividade ! Note-se que os prejudicados são exactamente os mesmos enquanto grupo mas o Governo acha que introduziu equitatividade no "roubo" ! Só pode ser cinismo ...
E o aumento do IVA na restauração de 13% para 23% ?? Que dizer deste verdadeiro tiro no porta-aviões ? Quem é que fez as contas para recomendar esta medida ? Será que são assim tão maus a aritmética ou é apenas um orçamento de desespero, como ouvi hoje alguém chamar-lhe ?
Será que os senhores ainda não perceberam que acima de certos valores a economia ( sim, o jogo entre a oferta e a procura, até os liberais sabem o que é ) deixa de ser elástica e proporcional e começa a apresentar inversões, como redução da procura, falências, despedimentos, redução do IVA, da TSU , do IRC das empresas e do IRS dos empregados e empresários em nome individual, para além do aumento dos gastos do Estado com os subsídios de desemprego ? Ninguém explicou a estes senhores que os impostos não se podem aumentar acima de certos valores ?
Ou tratar-se-à da destruição deliberada desse sector da nossa economia ? A quem interessará isso ?
Como vêem, é difícil percebê-los. Muito difícil.
Contudo, vamos continuar muito atentos, ah isso vamos. E expectantes.
E tristes, Portugal não merecia estas incompetências.
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segunda-feira, novembro 28, 2011
AH BOM, ASSIM JÁ É EQUITATIVO !
O Governo e o PS estão em vias de se entenderem : os cortes dos subsídios de férias e natal de 2012 vai ser muito mais justa e equitativa ! Já não é para todos os funcionários públicos e do sector empresarial do Estado com vencimentos acima de 1000 euros !! VAI SER EXACTAMENTE PARA AS MESMAS VÍTIMAS MAS COM VENCIMENTOS ACIMA DE 1100 EUROS ! ATÉ LÁ, EM VEZ DE SER A PARTIR DE 480 EUROS VAI SER A PARTIR DOS 600 EUROS, OS CORTES SÃO PROPORCIONAIS !!
DEIXEM-ME RESPIRAR, QUE FANTÁSTICO ! QUE SOLUÇÃO ENGENHOSA !!!
ISTO É QUE É EQUITATIVIDADE DENTRO DA SOCIEDADE PORTUGUESA !!
BRAVO !
APENAS FAÇO O SEGUINTE COMENTÁRIO, SE ISTO VIER A CONCRETIZAR-SE : O PS QUE VÁ DAR UMA CURVA AO BILHAR GRANDE, PARA VER SE APRENDE A SER UM PARTIDO DE OPOSIÇÃO A SÉRIO E NÃO ANDA A BRINCAR COM OS PORTUGUESES.
MAIS : O SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, SE "ENGOLIR" ESTA E NÃO FIZER NADA, ESTÁ DISPENSADO DE SE PRONUNCIAR SOBRE O QUE QUER QUE SEJA EM PORTUGAL.
NOTA FINAL : ESTA GENTE ENDOIDECEU TODA ???
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O Governo e o PS estão em vias de se entenderem : os cortes dos subsídios de férias e natal de 2012 vai ser muito mais justa e equitativa ! Já não é para todos os funcionários públicos e do sector empresarial do Estado com vencimentos acima de 1000 euros !! VAI SER EXACTAMENTE PARA AS MESMAS VÍTIMAS MAS COM VENCIMENTOS ACIMA DE 1100 EUROS ! ATÉ LÁ, EM VEZ DE SER A PARTIR DE 480 EUROS VAI SER A PARTIR DOS 600 EUROS, OS CORTES SÃO PROPORCIONAIS !!
DEIXEM-ME RESPIRAR, QUE FANTÁSTICO ! QUE SOLUÇÃO ENGENHOSA !!!
ISTO É QUE É EQUITATIVIDADE DENTRO DA SOCIEDADE PORTUGUESA !!
BRAVO !
APENAS FAÇO O SEGUINTE COMENTÁRIO, SE ISTO VIER A CONCRETIZAR-SE : O PS QUE VÁ DAR UMA CURVA AO BILHAR GRANDE, PARA VER SE APRENDE A SER UM PARTIDO DE OPOSIÇÃO A SÉRIO E NÃO ANDA A BRINCAR COM OS PORTUGUESES.
MAIS : O SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, SE "ENGOLIR" ESTA E NÃO FIZER NADA, ESTÁ DISPENSADO DE SE PRONUNCIAR SOBRE O QUE QUER QUE SEJA EM PORTUGAL.
NOTA FINAL : ESTA GENTE ENDOIDECEU TODA ???
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quinta-feira, novembro 24, 2011
E AGORA, EUROPA ?
É deveras impressionante ler e ouvir as diversas declarações dos responsáveis europeus sobre a crise financeira.
Impressionante, porque reina entre eles uma calma e passividade esquisita, como se ainda não tivessem percebido que não têm muito tempo disponível.
Impressionante, porque a Alemanha continua presa dos seus egoísmos e dos seus preconceitos para com os outros países da Europa, a menos que sejam outras as motivações.
Impressionante, porque o primeiro ministro de Portugal evidencia um pensamento político primário, nitidamente mal fundamentado e obviamente errado. De resto, como se o senhor percebesse alguma coisa da guerra em que está metido.
Impressionante, por último, pensar que pertencemos a uma Europa onde um só país paralisa todos os restantes, negando-se reiteradamente a combater os ataques financeiros de que todos somos alvos. Lembrem-se que esse mesmo país foi o mesmo que, já por duas vezes, mergulhou no caos toda a Europa. Por este andar, a terceira está para breve.
Enquanto tudo isto se passa, os tão prometidos e propagandeados instrumentos legislativos de regulação do sector financeiro, na América e na Europa, dormem um sono profundo nas gavetas dos responsáveis.
Amigos, estas coisas não podem acontecer por acaso.
Os lideres europeus não possuem grande craveira intelectual mas não podem ser assim tão estúpidos e distraídos ...
Não, há aqui uma lógica de destruição por detrás destas atitudes demissionárias. Alguém anda a planear tudo isto.
Alguém descobriu as vulnerabilidades da Europa e resolveu saquear tudo isto a seu bel prazer. Primeiro põem as economias de rastos, compram depois ao desbarato as nossas empresas e bens, enquanto todos nós, aturdidos, roubados e humilhados nem forças teremos para protestar.
Uma vez mais proclamo : se a Alemanha não está a participar desta autêntica contra-revolução neo-liberal, a verdade é que parece.
Parece, parece !
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É deveras impressionante ler e ouvir as diversas declarações dos responsáveis europeus sobre a crise financeira.
Impressionante, porque reina entre eles uma calma e passividade esquisita, como se ainda não tivessem percebido que não têm muito tempo disponível.
Impressionante, porque a Alemanha continua presa dos seus egoísmos e dos seus preconceitos para com os outros países da Europa, a menos que sejam outras as motivações.
Impressionante, porque o primeiro ministro de Portugal evidencia um pensamento político primário, nitidamente mal fundamentado e obviamente errado. De resto, como se o senhor percebesse alguma coisa da guerra em que está metido.
Impressionante, por último, pensar que pertencemos a uma Europa onde um só país paralisa todos os restantes, negando-se reiteradamente a combater os ataques financeiros de que todos somos alvos. Lembrem-se que esse mesmo país foi o mesmo que, já por duas vezes, mergulhou no caos toda a Europa. Por este andar, a terceira está para breve.
Enquanto tudo isto se passa, os tão prometidos e propagandeados instrumentos legislativos de regulação do sector financeiro, na América e na Europa, dormem um sono profundo nas gavetas dos responsáveis.
Amigos, estas coisas não podem acontecer por acaso.
Os lideres europeus não possuem grande craveira intelectual mas não podem ser assim tão estúpidos e distraídos ...
Não, há aqui uma lógica de destruição por detrás destas atitudes demissionárias. Alguém anda a planear tudo isto.
Alguém descobriu as vulnerabilidades da Europa e resolveu saquear tudo isto a seu bel prazer. Primeiro põem as economias de rastos, compram depois ao desbarato as nossas empresas e bens, enquanto todos nós, aturdidos, roubados e humilhados nem forças teremos para protestar.
Uma vez mais proclamo : se a Alemanha não está a participar desta autêntica contra-revolução neo-liberal, a verdade é que parece.
Parece, parece !
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