Blogs (Blogues) = crónicas (quase) diárias; registo periódico de factos, opiniões e críticas ; as impressões íntimas, a política, o social.
terça-feira, janeiro 27, 2009
Esta gente, meus senhores, não faz a mínima ideia do que anda a fazer. Acreditem ou não, esta é a verdade, nua, dura, simples e ... aterradora.
Não me estou a colocar naquela posição típica do português que apenas sabe mandar umas bocas e nada mais. Palavra que procuro, afanosamente, encontrar um sentido para toda esta rapaziada ambiciosa e atrevida que encheu os corredores do poder. Mas não consigo. Nada do que se passa actualmente neste nosso país faz sentido. Apenas vejo uma enorme quantidade de iniciativas tontas e apressadas, muitas delas nem sequer estudadas, algumas outras mesmo contraditórias, como se todo o Portugal não passasse de uma grande manta tipo patchwork. Soundbytes, apenas. Propaganda. Feira da Ladra pura. Cada serviço, cada direcção geral, toda a gente tem muitos objectivos modernos e entusiasmantes. Todos os ministros falam que se fartam sobre grandes iniciativas, desde o TGV ao simplex, desde as novas oportunidades ao 12º ano para todos, desde o aborto ao casamento entre rapaziada do mesmo sexo. Tudo numa tremenda caldeirada ideológica, ao sabor dos ventos dos shares e das sondagens, sem o menor plano de conjunto nem sequer uma ideiazita agregadora.
Fazem-se coisas como o simplex, a casa na hora ( ou lá o que é ), por um lado. Por outro, inventam-se novos impressos e documentos que quem quer vender ou alugar uma casa tem que mandar fazer, por centenas de euros e horas e horas de espera, a dizer que a casa é assim e assado quanto ao consumo de energia, ainda que a casa tenha 100 e tal anos ... Mas isto não é de malucos ?
A sério : já não é uma questão de concordar ou não com as políticas deste governo. Pura e simplesmente, não os entendo. Não faço a mínima ideia do que eles querem deste país. E o mais dramático, é que estou convencido que eles também não.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
No domínio da dignidade de um ser pensante, haverá alguma coisa mais horrível que aquilo a que os partidos políticos chamam a disciplina de voto ?
Obrigar alguém a votar contra a sua consciência não será a fronteira limite da democracia, não será já o início do totalitarismo ?
Que justificações éticas e políticas podem ser apresentadas para defender uma atitude destas ? A justificação real, e unica, não será o medo das opiniões das pessoas, neste caso dos deputados ?
Pura e simplesmente não se pretende OBRIGAR pessoas a pensar como o partido quer, e não como elas, pessoas, querem ?
Qual é a diferença, do ponto de vista teórico, para um partido totalitarista ?
Afinal, são as pessoas que determinam a opinião de um partido ou é exactamente ao contrário, é o partido que diz às pessoas como devem pensar ?
DISCIPLINA PARTIDÁRIA, uma ova, desculpem.
TOTALITARISMO PARTIDÁRIO, isso sim, não me venham com falinhas suaves e hipócritas.
É por esta e muitas outras, do mesmo nível, que eu nunca pertenci nem hei-de pertencer a partido nenhum. Prezo muito a minha liberdade de pensamento.
Agora, perante isto, imagino o que irá na cabeça do Manuel Alegre. Conhecendo-o e admirando-o, aposto que só lhe resta uma atitude : desrespeitar a disciplina partidária, ser ele próprio. Nem sei que atitude ele iria tomar, com liberdade de opção no voto. Agora, só lhe resta uma coisa, com esta história da disciplina de voto : continuar a proclamar : “A mim, ninguém me cala !”.
Este nosso Portugal não está em crise . Está é uma verdadeira latrina, cheia de merda.
sexta-feira, novembro 28, 2008
Façamos uma espécie de raciocínio ao contrário.
Admitamos, por um momento, que a ministra da educação tem razão, tem uma boa proposta para a avaliação e que os seus pressupostos ( como a criação dos profs titulares e a sua implementação ) também são correctos.
A ministra tem razão, as propostas são boas … mas uma imensa maioria de professores recusam-se a aceitá-las. A avaliação já está vertida em lei, mas os profs não a vão aceitar.
Então que se faz ?
Num regime autoritário e cego, obrigar-se-ia ao cumprimento da lei, penalizando severamente todos os infractores. Com o peso da “bota”, estes acabariam por se subjugar, certamente.
Mas não vivemos num desses regimes, quer a senhora ministra tenha disso consciência ou não.
Então o que se pode dizer ?
Se a proposta é boa ( estamos ainda nessa hipótese de raciocínio ) e ninguém a aceita, então é porque algo falhou : ou no processo da sua elaboração, ou no processo de discussão com os destinatários, ou na preparação da sua concretização no terreno.
( É óbvio que algo do género a senhora ministra já o reconheceu, quando introduziu alterações dramáticas nas propostas, embora sem querer perceber onde está o cerne )
Em resumo, a ministra então tem umas excelentes propostas … mas não consegue convencer ninguém a usá-las, por este ou aquele motivo, não é ?
Insistir será levar o confronto para níveis superiores, introduzindo um clima dramático nas escolas. Convirá pensar nisso, não ? Haverá quem não perceba o mal que tudo isto está a provocar entre professores, entre estes e o seu ministério, e, por ultimo, no relacionamento entre professores e alunos, com o crescendo de indisciplina que a situação potencia ?
Bem, parece que a solução é simples : a senhora ministra DEVIA DEMITIR-SE, ainda que tenha hipoteticamente razão. Se ama o seu País, devia libertar o Primeiro-Ministro e PEDIR A DEMISSÃO. Ainda que continuasse a pensar que tem razão.
A política tem muitos exemplos disso, de pessoas que se retiram apenas para viabilizar a continuação do diálogo e do máximo consenso possível.
Esta pessoa, este ser humano, já não tem condições para o exercício do seu cargo. Quando recebe os representantes dos professores, já os olha com ódio, já os ameaça e maltrata. Isto não é saudável, se continuarmos assim vamos acabar à chapada. E depois … aos tiros, em ultimo caso.
Convem ter esta noção.
PS - Entre os efeitos perversos desta telenovela conta-se, sem dúvida, a minha inquietação permanente, a minha obsessão com tudo isto. Parece que já não sei escrever sobre mais nada. Gaita, cheira mal ! Demita-se e deixe outra pessoa tentar resolver.
quarta-feira, novembro 26, 2008
Há, de vez em quando, afirmações políticas que se vêm a revelar tão verdadeiras que apetece chamar-lhes proféticas.
O video que podem ver abaixo contem declarações do Secretário-Geral da FENPROF, em 2006, Paulo Sucena, quando da aprovação do actual Estatuto da Carreira Docente dos Professores.
Merece a pena ver e ouvir, palavra de honra.
Não se esquecem que isto se passa em 2006 !
Então, que acham ?
Para mim, é óbvio que aquela senhora que ocupa actualmente a pasta da educação não fazia então e ainda não faz hoje a mínima ideia do que é a política e de quais são os mecanismos da dinâmica social. Aprendeu, como se vê neste excerto de discurso dela, que é possível ter razão contra a maioria dos interessados, algumas vezes, e ter êxito nisso. Claramente nunca ninguém lhe explicou que isso só se pode fazer um numero limitado de vezes e, mesmo assim, com MUITO cuidado ... Ou a pobre senhora pensava que os desgraçados dos Profs, humilhados, ofendidos, pisados, desconsiderados e mal pagos iam andar o resto da vida a ser por ela manipulados impunemente ?
Sabem o que esta sinistra figura me faz lembrar ? Um pequeno aprendiz de feiticeiro, vaidoso, orgulhoso da sua ciência, mas ainda muito novato e inexperiente, nem sequer vislumbrando o que são as gentes portuguesas ...
PS - tenho andado adoentado do estômago, etc... Não sei se vem daí, mas ultimamente tenho uma reacção física de repulsa quando vejo aquela senhora aparecer na TV. Sinto o estômago aos altos e fico ansioso. Aquela mulher perturba-me, honra lhe seja feita. Ah, afinal pensando bem, as osgas também.
sábado, novembro 22, 2008
Desculpem, tenho que voltar à Educação.
Prometo não chatear.
A questão é esta : quais os motivos que levam a ministra da educação e o primeiro-ministro a estes braços de ferro ? Que razões explicam esta obstinação ?
É que estas atitudes são tanto mais estranhas quanto lhes poderão custar a maioria absoluta ( Pai nosso, que estais no Céu ... ) nas próximas eleições, segundo a opinião de muitos comentadores.
Então porquê ?
A verdade é que verifiquei muitas vezes este fenómeno ao longo da minha vida profissional. Acho que lhe poderíamos chamar de insegurança básica. Ou de uma concepção errada do que é o exercício do poder. Em qualquer caso, existem sempre ignorâncias grandes na área da liderança.
Mas como poderia ser de outra forma ? Onde é que Sócrates ( ou a ministra ) aprendeu a chefiar fosse o que fosse, antes de se ver catapultado para a chefia de um governo nacional ?
O que eu verifiquei ao longo da vida é que a falta de preparação para “chefiar”, para ser lider, é quase sempre desastrosa, quando se alia a atitudes básicas de vaidade ou auto-convencimento. Raramente dá certo. A menos que a pessoa em questão seja uma daquelas que nasceram lideres, o que não me parece o caso.
É que, antes de se poder ser lider, tem que se conquistar a confiança e a adesão emocional dos “liderados”. Com isso, há respeito, há admiração, há vontade de percorrer os caminhos indicados, há solidez em torno do lider. Liderar não é ameaçar nem impor, por muito que as pessoas pensem que é.
Sem isso, por mais gritos que se soltem, por mais persistência que se aplique, por mais autoritarismo que se pretenda mostrar … nada feito, ninguém virá atrás de nós. Seja num combate militar, seja na política, seja ainda na selecção nacional de futebol.
E vão duas sugestões concretas, contando com a minha ultima. Os aspirantes a exercer funções políticas de topo, deveriam (a) ser escrutinados através de uma análise psicológica (b) frequentar uns seminários ( com prática ) de liderança.
Que tal ? Serão assim medidas tão tontas ?
quarta-feira, novembro 19, 2008
Quem quer ser ministro devia submeter-se a um teste psicotécnico. Se fossem detectadas características como teimosia e obstinação exageradas chumbaria no teste. O mesmo para traumas profundos, psicoses e frustações não resolvidas. Tanto quanto possível, o candidato a ministro deveria ter um perfil psicológico saudável, evitando-se assim situações aviltantes, em democracia, como aquela que se vive no Ensino.
Afinal, ninguém hoje duvida que o impasse provêm das características pessoais da ministra ( e do primeiro-ministro ) muito mais do que qualquer outra coisa. Ou seja : o que está em causa, em termos práticos e políticos, nunca deveria ter provocado tamanha confusão, afinal é um aspecto relativamente marginal ao ensino, uma vez que os professores com avaliações menos boas continuarão a dar as suas aulas, em nada melhorando ou piorando o ensino … Então, porquê esta balbúrdia ?
Em meu entender, resulta directamente da falta de condições psicológicas da senhora para o exercício da função de ministro. Resulta da atitude de “somos a maioria, podemos fazer o que quisermos” que desde cedo este governo trouxe a este país. Resulta de objectivos enviesados e não confessados. Resulta da agressividade e falta de respeito com que vários estratos profissionais foram tratados. Resulta de sentimentos como a raiva e o ódio. Resulta de acusações de privilégio a torto e a direito. Resulta, acima de tudo, de um posicionamento psicológico pouco estável e saudável que nunca deveria ser permitido a um político.
É que, depois, não se esqueçam, quem semeia ventos colhe tempestades. É o que se vê, sem ganhos reais para ninguém.
Se eu pudesse, se tivesse uma varinha de condão, digo-vos o que faria : nem aquela pobre senhora disfarçada de ministra, nem o seu chefe, nem o inefável e sempre em pé ministro das obras públicas, nem a maior parte dos senhores ministros e ministras deste governo lá continuariam um só dia mais que fosse. Que fossem chatear outro povo com as suas insuficiências, incompetências e obstinações. Como não tenho essa tal varinha, limito-me a pedir, por todos os deuses : não deixem este PS ter de novo a maioria absoluta. POR FAVOR.
sábado, novembro 15, 2008
Nunca me filiei em nenhum partido político. Tenho horror a que me imponham uma certa opinião sobre algo. Odeio unanimismos, mesmo se sobre coisas tão simples como um bom jogo de futebol.
Dito isto, a crise Governo-Professores dos últimos tempos tem-me dado muito que pensar, no que respeita ao papel dos partidos políticos na procura de soluções para o desenvolvimento do país. Concretizo melhor : do papel dos partidos políticos portugueses.
Os partidos políticos portugueses eliminam a capacidade de pensamento crítico de grandes massas de cidadãos. A certa altura, perante um determinado problema, muitas pessoas parecem perfeitas máquinas de recitação de palavras. Já nem as entendem, vomitam-as em torrente, sempre as mesmas, até à náusea total de quem os ouve. A verdade, o interesse colectivo, já nada disso lhes interessa. Apenas conta a repetição do que diz o chefe, apenas isso lhes dará vantagem no futuro, quando o filho precisar de emprego ou ele próprio desejar um tacho dos bons.
No nosso actual panorama, apenas um ou outro militante em cada partido ousam pensar pela própria cabeça. Honra aos heróis. Quanto a todos os outros, deixaram-se transformar numa massa putrefacta de sombras acéfalas.
No Parlamento, chamam-lhes disciplina de voto. Mas quem se lembraria de inventar esta manipulação descarada e viciosa da vontade e inteligência humanas ? Como é que pudemos permitir uma coisa destas ? Que sentido faz então haver deputados de cada região ? Apenas para os poder espalhar pelas diversas comissões ?
Oiçam as declarações actuais do Primeiro-Ministro, da ministra da Educação e do inefável ministro Santos Silva. Percebam-lhes as motivações, as tácticas. Adivinhem o que vão dizer, mesmo antes de abrirem a boca. Oiçam … e pasmem.
Alguém acredita que por detrás do que dizem estão genuínos interesses colectivos da educação e do país ?
Tretas, nos seus lábios apenas consigo ler uma coisa : a defesa teimosa e obstinada dos seus próprios interesses políticos. Até mesmo quando já se percebeu que estão a dar tiros nos pés.
Esta gente não tem a percepção mínima do que deverá ser a política moderna : a arte de gerir expectativas e conflitos. Esta gente ainda continua a pensar que fazer política é impor a sua vontade a todos os outros.
Só espero que em próximas eleições o país lhes retribua o desvelo com que eles o tratam.
quinta-feira, novembro 13, 2008
Mas afinal como é que é esse tal malfadado sistema de avaliação que a ministra da educação quer impingir aos professores ?
Bom, vamos por partes. Não sei qual o conhecimento que o leitor tem destes sistemas. Por acaso, gastei quase três anos da minha vida profissional a estudar e mais tarde a desenvolver e a implementar um desses sistemas de avaliação, num sector também do Estado, ligado à Defesa. Penso que sei do que falo, ao contrário do juízo que faço quanto à equipa do ministério que “inventou” o sistema que tanta polémica tem dado.
Em esqueleto, um sistema de avaliação compõe-se de uma grelha de avaliação, onde os avaliados serão “encaixados”, e de um circuito de avaliação, constituído por pessoas ( os avaliadores, quem vai avaliar ) e por procedimentos.
A grelha de avaliação não é mais que um conjunto de factores de avaliação ( por exemplo, a assiduidade no trabalho, a capacidade de iniciativa, etc... ) , onde cada factor é bem caracterizado para evitar mal-entendidos e em que cada factor possui vários graus ( do tipo muito pouco, pouco, medianamente, bom e muito bom ) descritos em muito pormenor, para minorar as ambiguidades e subjectividades. Se possível, com caracterização quantitativa de cada grau, mas com muito cuidado. Os números, em muitas situações, só aparentemente são objectivos.
A grelha de avaliação é a pedra de toque de um determinado sistema de avaliação. É o elemento mais importante e absolutamente definidor da qualidade do sistema.
Não é preciso ir mais longe : no modelo do ministério, não existe uma grelha de avaliação. Impõem-se duas ou três coisas e o resto atira-se para as Escolas decidirem !!!
Brilhante ! Está-se mesmo a ver no que iria dar, não está ? Primeiro, numa carga de trabalho absolutamente monstra para os professores, ainda por cima não preparados nem sequer habilitados a identificar correctamente factores de avaliação e ou os seus graus. Depois, num universo de milhares de escolas, surgiriam certamente enormes diferenças na qualidade das grelhas e ainda mais nos seus graus, como se tornou bem patente, à medida que o processo evoluia.
Escolas houve que inventaram factores de avaliação como “Atitude o Professor quanto à aceitação das políticas educacionais do Ministério” ou ainda “Capacidade do Professor angariar apoios financeiros a entidades externas à escola”. Pérolas destas, sim.
E note-se, com os olhos arregalados, desta perfeita balbúrdia pretende-se obter resultados UNIVERSAIS, para valorizar as classificações profissionais dos professores !
Continuemos. Em factores tão difíceis de avaliar como a “performance” profissional, inventou-se a ideia peregrina de ligar a performance aos resultados dos alunos. Outra ideia luminosa. À primeira vista, até pode parecer correcta, a ideia, mas pensemos bem em todas as circunstâncias que concorrem para os resultados dos alunos e quantas dessas circunstâncias são externas e alheias aos professores. Então um professor com boas turmas seria sempre muito melhor que um com más turmas. A coisa é tão óbvia que tiveram que fazer entrar uma nova variável, ainda mais estranha a um processo de avaliação : é que a medida do sucesso ou insucesso ( ou seja os graus daquele factor ) são definidos em negociação de objectivos, entre o professor e o chefe de departamento e mais não sei quem. Ovo do Colombo, não ? Mas completamente rachado, diria eu. A universalidade de um factor de avaliação não pode tolerar graus que são definidos de forma diferente para cada professor, num universo tão variado como são as condições sócio-económicas das diferentes Escolas e a sorte ou “saber” do professor a identificar objectivos mais modestos e fáceis de atingir .
O factor nunca poderá ser “Resultados obtidos”, em meu entender, mas sim “Empenhamento e qualidade didáctica do Professor”, avaliado in situ pelos seus pares ou “superiores”.
Mas isto é elementar, até me chateia estar a escrever isto.
Bom, estão a ter uma ideia mais correcta da imensa balbúrdia nas Escolas ?
Então, lá vai outra. Para evitar a tendência que todos os sistemas de avaliação apresentam de nivelar os resultados lá em cima da escala ( e não por baixo como erradamente a ministra repete sempre ) , o ministério inventou quotas, para cada nível final classificativo. É uma Escola de muito bons professores, tudo gente com muita experiência ? Não interessa, só podem ser 3 “Excelente” e 10 “Muito Bons” … que se lixe o resto.
Bem,mas isto destrói TODA a objectividade da avaliação. Então todo o trabalho que andam a ter para isto, no fim ? Se essa é a preocupação, então qualquer sistema simples e puramente qualitativo, resultante apenas da observação das aulas, conduz a melhores resultados, com muito menos esforço. Se querem regular a ascensão nas carreiras, ponham as quotas nos lugares das carreiras ( vagas ), não na avaliação !
No final, de todo este sistema conceptualmente tão POBRE e tão complicado, na sua génese, como se pode pretender obter resultados universais ( apesar das quotas, apesar da falta de universalidade de factores e de critérios ) para majorar as classificações profissionais nacionais dos professores ?
Meu Deus, isto já não é uma questão política de se gostar ou não da ministra ou da política deste Governo do PS.
Isto é, pura e simplesmente, incompetência de toda a equipa ministerial.
Não tiro uma letra : INCOMPETÊNCIA !
terça-feira, novembro 11, 2008
O secretário de Estado Jorge Pedreira comparou a avaliação dos professores a um aumento de impostos.
Tem toda a razão, o sr secretário de Estado.
Os sindicatos do sector da educação não respeitaram o memorando de entendimento que tinham assinado com a ministra, suponho eu que pura e simplesmente porque viram, na prática, que o não podiam respeitar.
O senhor primeiro-ministro comprometeu-se com os portugueses, quando das ultimas eleições, a não aumentar os impostos.
Daí a uns meses passou o IVA de 19 para 21%, ao contrário do que tinha prometido.
Mudou de opinião. As circunstâncias mudaram, explicou, mais tarde.
Aceito.
Então, o sr primeiro-ministro pode mudar de opinião e dar o dito por não dito, mas os sindicatos NÃO ? Como é ?
Ora vêem ? O secretário de Estado Jorge Pedreira tem razão.
sábado, novembro 08, 2008
APOIO À MINISTRAAqui estão eles, os professores, vindos de todo o País, manifestando o seu incondicional apoio à política do ministério da educação.
Bandeiras ao vento, largas faixas, inscrições em T-shirts, os profs gritam ao mundo o seu entusiasmo por várias medidas deste ministério : a criação da categoria de prof titular, com grandes aumentos de vencimentos; a redução da carga burocrática do trabalho dos profs, para melhor se dedicarem ás suas aulas; a criação de instalações dignas, em todas as escolas, para o trabalho dos profs; a introdução de um sistema de avaliação simples e universal, dotado de factores de avaliação não dependentes de circunstâncias fora do controlo dos avaliados, factores iguais para todas as escolas; alterações no futuro concurso de profs onde é nítido o respeito pela dignidade daqueles profissionais; um estatuto do aluno direccionado para restituir às escolas o controlo do ambiente disciplinar nas aulas e na escola; um estatuto do professor onde só falta uma estátua ao mesmo, como reconhecimento dos seus bons serviços, enfim , tantas, tantas medidas que seria agora fastidioso a todas lembrar.
Só vos digo que nunca tinha visto tamanha homenagem à senhora ministra. Fantástico. Merecida manifestação de apoio a quem tudo tem feito para melhorar o ensino em Portugal.
E a verdade é que os resultados este ano já foram bens melhores, como se sabe. Mesmo dando desconto aos pontos facilissimos ...
Bem haja, senhora ministra, continue, está a prestar um bom serviço à Nação !
P.S. - Aqui para nós, senhora ministra, a senhora está a ser sub-aproveitada na educação. Poderia talvez ir dar uma mãozinha ao senhor ministro da defesa, ele tem tentado fazer aos militares algo semelhante ao que a senhora tem feito na educação...
quinta-feira, novembro 06, 2008
O Governador do Banco de Portugal ( BP ) é um autêntico balão de ar. Nem mais, nem menos. Leve-me a tribunal, se quiser. Continuarei a afirmar, e a provar : é um balão e um balão caro, ainda por cima. Grande volume, conteúdo muito leve. Sempre tive dúvidas quanto àquele homem de meia-idade, com um ar estudado e afectado, mesmo arrogante. Nunca o vi fazer nada de jeito, nem no PS nem no BP, mas vi-o sempre com um ar insuportável de superioridade profissional. As únicas intervenções que lhe conheço são para recomendar a toda a gente contenção nos salários ( desde que não seja no dele, claro ! ), dizer banalidades sobre a energia nuclear ( que raio tem o BP que falar do nuclear ?? ) ou a mandar para o ar uns números macroeconómicos, invariavelmente longe da realidade. Por toda esta frenética e fecunda actividade é o referido senhor remunerado a um nível acima dos 20.000 euros mensais, mais coisa menos coisa. Nada de mais, justo e merecido.
E que mais faz o senhor, no âmbito mais “sagrado” das atribuições do BP ? Devia controlar e regular, permanentemente, a actividade de todos os bancos, obrigando-os a cumprir a lei e a não se meterem em aventuras. Em nome da garantia publica da idoneidade bancária. Pergunte-se : o BP cumpre essa missão ? Lembro apenas duas siglas, as mais recentes : BCP e BPN. Vigarices, actividades menos ortodoxas, da ordem das centenas de milhões de euros !!!!
E o sr. Vitor Constâncio ? Quedo e mudo, assobiando para o lado. Perdão, nem sei se sabe assobiar. Mas se souber, decerto que o faz em surdina, para o lado. Não quis dizer nada sobre aqueles bancos por causa da confiança do público no sistema bancário. Tipo polícia que não prende o ladrão para não assustar os cidadãos.
Enfim, é o género de pessoas que são produto de um sistema partidário anquilosado e clientelar. Quantos homens não existiriam neste País com melhor perfil para aquela função, digam-me ... Está bem, deixa para lá, conservem-o bem, craques desses valem milhões . Aqueles dois bancos que o digam.
Dir-me-ão : é da natureza do poder, as pessoas que ocupam cargos dirigentes tornam-se sempre meio cegas e meio surdas. É normal, diz o bom-senso, têm muito com que se preocupar e não podem estar atentos às vozes que lhes chegam vindas da sociedade.
Pois, será assim que é a norma, mas eu não aceito. Ninguém deveria aceitar.
Primeiro, porque não lhes pagamos para serem surdos e cegos.
Segundo, porque o poder não é deles, é nosso.
Terceiro, porque normalmente essa cegueira e surdez é só a fingir, para não terem de nos dar explicações, para poderem fazer aquilo que querem e não aquilo que nós queremos.
Nunca hei-de aceitar com naturalidade esta cegueira ou surdez. Esta prepotência.
Depois, quando as ruas extravasam e os ânimos aquecem, quando a luta se intensifica e o medo lhes sobe às almas … deixam instantaneamente de ser cegos e surdos, passam a dar explicações, são todos sorrisos e boa-vontade.
Ou seja, em termos científicos : a surdez dos governantes é uma função inversa do numero de pessoas que protestam na rua. Quanto mais manifestantes, mais apurados ficam os ouvidos dos nossos governantes, mais desbloqueadas ficam as suas vontades.
Como qualquer outra lei do mundo físico, também existem excepções : a mais evidente é quando se trata de grandes empresas e de bancos. Aí a audição e a acuidade visual dos nossos governantes é sempre excelente, não são precisas as manifestações para nada, a boa vontade para abrir os cordões à bolsa é imediata, genuína e permanente.
Esta dissertação desconchavada vem a propósito de vários problemas e litígios que existem entre o nosso governo e parte importante dos governados. Com os militares já começou a ver-se como é. Resta agora ver a próxima manifestação de professores. Não duvido que a Ministra da Educação passe logo a ouvir melhor e também a ver com nitidez o que se passa dentro das Escolas.
Convenhamos porém … não é uma tristeza que assim seja ? Não seria de esperar que esta gente a quem pagamos para administrar a coisa pública tivesse um pouco mais de consideração por quem lhes paga ? É que, por vezes, até parece que são eles que nos pagam a nós da sua algibeira …
PS – o Presidente-eleito dos EUA fez um discurso comovente, quando da vitória. Aconselho vivamente a que o leiam. No meio desse discurso, surge uma frase linda como esta ( cito do cor ) : “ Prometo que os ouvirei ( ao povo ) sempre, sobretudo quando discordarmos !”.
Perfeito.
Exactamente como por cá.
terça-feira, novembro 04, 2008

OBAMA, YES WE CAN !
Obama e McCain vão submeter-se ao voto popular, mas o que está em jogo é muito mais que escolher uma destas duas pessoas. Os americanos vão escolher entre a esperança da mudança e a resignação de soluções ineficazes e ruinosas. Ou melhor : entre a esperança num milagre, de um dos lados, e “politics as usual”, do outro lado.
Esta esperança não pertence apenas aos americanos, perpassa por todos nós, na Europa, em África, na Ásia, por toda a parte. O Mundo também acredita na esperança, também tem fé em milagres.
Por mim, acredito que os sistemas políticos produzem de quando em vez soluções extraordinárias e regeneradoras. Acredito que Obama irá ser eleito e que um vento de tranquilidade e inteligência irá soprar daqueles lados do Atlântico.
Tenhamos esperança nos EUA ... já que, por aqui, provavelmente, continuaremos sem esperança nenhuma.
sexta-feira, outubro 31, 2008
Hoje vamos falar de contentores. Ou melhor, vamos falar ( uma vez mais ) de falta de vergonha e de desprezo pelos outros.
Ora bem, é óbvio que aumentar quilómetro e meio àquele cais de Alcântara cheio de contentores é uma ideia que não iria agradar a muita gente. Ainda por cima, sabendo como estas obras se eternizam em Portugal e como costumam respeitar os espaços públicos, certamente que MUITA gente iria discordar.
Pois bem, não há dramas : faz-se um decreto-lei pela calada, sem alarde, e está o problema resolvido.
Ah, mas havia um problemazito : a concessão actual ia terminar já em 2015 … como rentabilizar o investimento da expansão ? Simples, uma vez mais : prorroga-se a actual concessão por mais … trinta e tal anos, até 2042 e pronto.
Discutir o assunto com a Câmara de Lisboa ? Levar a questão à Assembleia da República ? Suscitar a discussão pública da iniciativa ? Integrar a obra num plano geral para a zona ribeirinha ? Tssss, tsss, tsss … tudo isso dá trabalho, consome muito tempo e energias. Assim é muito mais fácil.
Confesso : não faço a mais pequena ideia se Lisboa ( e o País ) lucram alguma coisa ou não em ter uma área gigantesca para carga e descarga de contentores. A única coisa que detesto é que tomem decisões nas minhas costas em relação a coisas que são também minhas. Lisboa não pertence à empresa concessionária do cais de contentores, Lisboa não pertence a este Governo, nem a nenhum Governo passado ou futuro. Lisboa não pertence ao sr. Jorge Coelho nem ao sr. Sócrates. Lisboa não é mercadoria negociável.
Quero saber :
(a) aumentar a capacidade do cais de contentores é boa política para Lisboa e para o País ou só para a firma concessionária ?
(b) em caso de ser boa ideia a expansão do actual cais, não existem localizações mais adequadas ? Tem que ser logo ali, em zona privilegiada de lazer e de fruição do rio ?
Antes me responderem a estas questões, fiz questão de ajudar a parar a “negociata” meio encoberta, assinando a petição subscrita por Sousa Tavares.
Cabe-lhe a si fazer o mesmo. Ou não, como quiser. Em qualquer caso, clique aqui para ler a petição : http://www.gopetition.com/online/22835.html
Tenha um bom resto de dia.
quarta-feira, outubro 29, 2008
A verdade é que não sei para onde me virar. A realidade excede a ficção, nestes tempos. A minha capacidade de indignação é todos os dias posta à prova, a maior parte das vezes vejo-me obrigado a zangar-me em “multitasking”.
Foi o truque palerma de introduzir na proposta do OE2009 aquela aberturazita para as ofertas aos partidos em “el contado”, descoberta em primeiro lugar pelo Diário Económico (DE). Foi a história do telefonema imediato do nosso primeiro-ministro para o director do DE, explicando não sei o quê ou refilando com a “má vontade” do jornal. É o miserabilismo dos nossos empresários recusando o salário mínimo de 450 euros. São os ventos persistentes de estagnação ou mesmo retracção do crescimento económico. São as coincidências do ex-ministro Jorge Coelho ao aceitar o lugar de Presidente do CA da Mota-Engil e vai daí, meses depois, é só concessões do Governo à empresa, sejam no Douro ou no porto de Lisboa. É uma actuação destrambelhada, incompetente, ruinosa e autista do Governo no ensino secundário, na gestão dos hospitais e na rede de cuidados de saúde, no desprezo manifesto por aqueles de quem depende a segurança e a defesa. É a suprema ironia de toda a gente considerar como uma medida eleitoralista os míseros 2.9% “generosamente” oferecidos aos funcionários públicos, fartos de perder poder de compra nos anos passados, da ordem dos dois dígitos percentuais.
São todas estas coisas e mais o raio deste vento frio.
São coisas a mais, acho eu.
A continuar assim, ainda me dá um AVC, ou saio do País antes disso.
A alternativa seria inventarmos o nosso Obama, e, já agora, trocarmos também as nossas pseudo-elites por suecos, alemães ou mesmo … chineses. Lamento, mas é verdade.
sexta-feira, outubro 17, 2008
UMA QUESTÃO DE OUTROS VALORES ...Acham que exagero ? Então recapitulem comigo.
Afirmam os especialistas que a corrupção existe a um nível imenso na nossa sociedade, e que as pessoas até desculpam e perdoam a pequena corrupção. Boa, continuemos.
O PSD está a considerar a hipótese, ao que se sabe já aprovada por Manuela Ferreira Leite, de voltar a apresentar Santana Lopes para a Câmara de Lisboa... Sim, o mesmo Santana Lopes. Excelente, adiante.
Sócrates e mais 344 ministros, secretários de estado ( os ministros não são de estado ? ), directores-gerais e outros senhores importantes andaram por aí a distribuir uma espécie de computador de algibeira, destinada a putos de 5 e 6 anos, que afirmaram ser portuguesissimo e a quem chamaram ... Magalhães. Recomenda-se ao autor do nome uma releitura urgente da história da época. Para além disso, magnifico, agora é que os putos vão todos aprender a ler, escrever e a fazer contas.
Isaltino, o impoluto de Oeiras, proclamou já que vai candidatar-se de novo á Câmara. Ignora-se se ainda tem o primo na Suiça, mas a avaliar pelas ultimas dos bancos lá do sítio, o primo já não deve lá estar.
A inefável e competente ministra da educação continua na sua sanha contra o que resta de qualidade no ensino publico, parece que os professores ainda têm umas horitas semanais livres das infindáveis reuniões de avaliação de desempenho, avaliação intercalar, avaliação disciplinar, avaliação curricular, elaboração de testes para recuperação de alunos com excesso de faltas, etc, etc ... Consta mesmo que, de vez em quando, até há um ou outro professor que consegue escapar-se das reuniões e ... dá uma aulita !! A ultima invenção da senhora foi agarrar nos professores do QZP ( de nomeação definitiva numa certa área geográfica do país ) e dizer-lhes : “Meus amigos foi boato. Vocês não foram nada providos no vosso lugar, vão todos ter de concorrer para milhões de Kms das vossas casas. Se não quiserem, processo disciplinar e despedimento“.
Excepcional, continuemos a mostrar até que ponto se desceu na escala da decência e na consideração pela dignidade dos outros.
O senhor primeiro-ministro. Bem, esse confesso que ando intrigado com o homem. Estou farto de o ver e ouvir em toda a parte e declaro que nunca vi o senhor dedicar a mínima consideração a quem o interpela e dele discorda. A sua atitude automática e imediata, sem qualquer nuance de respeito, é a de violência verbal, a arrogância e a pose de mestre. A razão da minha profunda intriga é a seguinte : onde teria Sócrates ido buscar a razão para esta atitude ? Que características lhe dão minimamente suporte para esta maneira de ser ?
Mistério ... aquilo que se conhece da sua vida justificaria, isso sim, uma atitude de modéstia e de respeito pela opinião dos outros, não seria ? Afinal, entre os seus interlocutores existem pessoas muito inteligentes, cultas, academicamente bem formadas, com experiência em vários sectores profissionais ...
Chega para convencer o leitor quanto á crise de valores ?
E agora, há por aí algum Banco Central que possa dar um aval a Portugal para valores, decência e vergonha ?
Ou então, como diz um amigo meu, isto não é um problema de valores nem de política e muito menos de economia ou finanças : Portugal não passa de um imenso prostíbulo, onde pessoas se vendem e outros vão só para ver. Ah, sim, e com uma ala dedicada a doentes mentais.
domingo, outubro 12, 2008
A sensação claramente dominante neste momento é a impotência.
Um pouco por todo o Mundo as pessoas interrogam-se e receiam o futuro próximo.
É nítido que ninguém sabe exactamente o que fazer.
É nestas alturas que mais me interrogo sobre a verdadeira dimensão do homem actual e da sua fé um tanto infantil em instituições e organismos ditos idóneos.
Pessoalmente, como qualquer pessoa pode verificar se ler as minhas notas dos ultimos anos, a realidade actual não me surpreendeu nada. Há muito que em mim morreram as ilusões e a candura, há muito que deixei de acreditar no Pai Natal. As entidades ditas responsáveis sempre conviveram alegremente com todas as trafulhices que o submundo financeiro inventou, nestes ultimos anos. Alguém conhecedor destas realidades pode afirmar que foi apanhado de surpresa ? Então porque é que ninguém mexeu uma palha ? Sabem explicar ?
Eu sei : cumplicidades, conivências, interesses próprios ou de amigos ou de grupo.
Há muito tempo que eu explicava a economia financeira dos tempos correntes aos meus amigos como sendo uma versão gigantesca da Dª Branca. Alguns não me acreditavam, pensavam que eu exagerava, então aquelas venerandas instituições e aqueles competentes senhores alguma vez iriam deixar isto acontecer ?
Pois. Então onde estão agora todos esses ilustres garantes da idoneidade das operações financeiras ?
E agora, perguntamo-nos todos, os “especialistas” e os outros, que fazer ?
Agora há que restaurar a confiança, dizem-me.
Mas confiança em quê e em quem ?
Não percebem que essa é a grande questão ?
PS - Já pensaram quem seria que andava a especular com o petróleo, imediatamente antes de estoirar esta crise ? E porque o andariam a fazer ? É que eu acho muito interessante que ninguém fale agora da correlação entre as duas coisas ...
segunda-feira, setembro 15, 2008
Vivi intensamente o PREC, de 1974 em diante. Não vou entrar em detalhes,mas vivi-o por dentro. Nessa altura, eramos todos frequentemente confrontados com posições políticas muito radicais, a que chamavamos esquerdistas, denunciando tudo e todos. Para essa gente radical, só existiam em Portugal eles, os puros, e todos os outros eram ou corruptos ou fascistas.
Por formação e carácter, sempre recusei essa abordagem. Também nunca fui grande adepto das teorias conspirativas e dos arautos das desgraças cataclísmicas. Sempre achei que a realidade era, por natureza, moderada e que a percentagem de casos de corrupção e de falta de honestidade eram mínimos.
Pois bem : nestes dias que correm, a pouco e pouco, vou-me sentindo envolto numa atmosfera irreal de manobras sujas, atmosfera quase invisível, dando a ideia de que já ninguém liga muito a estas coisas. Ou que a corrupção e o roubo são coisas comuns que não vale a pena investigar e punir.
Viram aquele caso do burocrata do desporto ( chefe da missão olímpica e tudo !! ) que se amerezendou com uns dois ou três vencimentos, carros e eu sei lá que mais ?
Tchiiiiiiiiiiii, e o desgraçado do sujeito diz que em seu tempo vai esclarecer tudo !
A seu tempo ? E ele é que diz quando é que decide explicar-se ?
Sabem o que eu acho, por vezes ?
Vai sair bronca, já aviso.
Então é assim : á semelhança do que tem vindo a suceder com o consumo de drogas, com a homosexualidade ( e com os casamentos homosexuais) , com a ausência da prisão preventiva, etc ... não me admiro nada, mas mesmo nada, que daqui a alguns anos seja descriminalizada a ... corrupção.
Desde que seja para uso pessoal, bem entendido.
Não acreditam ?
quinta-feira, setembro 11, 2008

OS NOSSOS ORÁCULOS DE DELFOS
Os americanos ( leia-se made in USA ) nem sempre são modelo de comportamento para ninguém. Ou mesmo raramente o são.
Dito isto, note-se como o banco central americano ( o Federal Reserve ) e o Banco Central Europeu ( BCE ) tem tido comportamentos diferentes, com resultados também bem diferentes.
A economia americana apresentava, como a europeia, indicadores de fraco crescimento económico, receios de estagnação ( crescimento nulo ) ou mesmo recessão ( crescimento negativo ), sinais de inflação, sobreendividamento das famílias, forte especulação no imobiliário com o desmonoramento financeiro desse sector. Na Europa, o senhor Trichet, á frente do BCE, fiel como um cão aos estatutos do Banco que mandam privilegiar o controlo da inflação, vá de fazer subir a taxa de juro, uma, duas e mais vezes, estando actualmente nos 4,25%. A ideia é que o alto preço do dinheiro desincentive o consumo ( e o investimento, pergunto eu ? ) e logo, por essa via, faça baixar a inflação. E o senhor persiste nisto há mais de um ano.
Bem, e fez ? A inflação foi contida ?
Não, como se sabe. E a economia ressentiu-se, claro, e sucedem-se as revisões em baixa para o crescimento no espaço europeu.
Alguém se chateou com isto, alguém questionou o sr. Trichet porque é que a sua teimosia está a dar tão maus resultados ?
No outro lado do Atlântico, o Federal Reserve fez exactamente o oposto, baixou corajosa e progressivamente a taxa de juro, embaratecendo o dinheiro. O Governo Federal, numa atitude sem precedentes a esta escala, introduziu no circuito recentemente milhares de milhões de dólares, tomando conta das duas maiores imobiliárias ( financiadoras ) do país.
Resultado : os indicadores económicos nos EUA começaram milagrosamente a recuperar ( enquanto os nossos se afundam ) e a inflação não disparou coisa nenhuma, quedando-se no mesmo patamar.
Então, quem fez melhor o seu papel ?
Moral da história : a economia, como ciência, é uma treta. Nunca vi uma ciência apresentar panaceias diferentes para a mesma situação. E não me venham com a conversa mole dos diferentes objectivos e estatutos dos dois bancos centrais, porque estatutos há muitos e mudam-se quando é preciso. A economia usa e abusa de modelos que me parecem obsoletos para fenómenos como a inflação, o crescimento, a bondade ou não do consumo interno no crescimento, etc ... A realidade, ano após ano, ridiculariza muitos desses modelos, mas os senhores do establishment fingem que não percebem, assobiam para o ar ou para o lado e continuam a dizer e a fazer as mesmas coisas, vezes sem conta.
Quem se lixa, sempre ? Eles não, são muito bons e muito bem bem pagos !
A hipocrisia e o faz de conta são a pior praga dos países desenvolvidos nos nossos dias, não acham ?
quarta-feira, setembro 10, 2008
Hoje vieram a lume estatísticas do ensino compiladas pela OCDE. Os nossos jornais, cumprindo a sua missão, desataram a publicar títulos meio escandalizados meio perplexos, porque uma dessas estatísticas revela que em Portugal, o numero total de alunos de todos os níveis de ensino divididos pelo numero total de professores conduz ao valor de 8 alunos por professor, dos mais baixos existentes no espaço da OCDE.
Baralhação total : começaram aí os nossos jornalistas a tecer considerações, espantando-se que esse numero seja tão baixo enquanto que, ao mesmo tempo, o racio do numero de alunos por turma seja tão elevado ! Um deles ( desses jornalistas ) comenta mesmo que tal se poderia entender se os nossos professores trabalhassem pouco, mas um outro indicador divulgado sustenta precisamente o contrário ! Óh espanto ! Óh maravilha das estatística !
Então ? Em que ficamos ? Porque é que então, entre nós, existe um racio tão baixo de alunos por professor ? Há alunos a menos ? Há professores a mais ? Hummm ... que acha, leitor ?
Uma pista ... professores a mais, provavelmente, mas a mais em relação a quê ?
Que tal pensar que, na estrutura do nosso ensino ( e em quase todo o mundo, com excepção dos níveis etários mais baixos no ensino ), a cada disciplina/cadeira corresponde um professor ? E se há professores a mais, muito provavelmente, é porque o numero de disciplinas/cadeiras individualizadas é muito elevado, em média ? Idem para as respectivas cargas horárias semanais ? Que tal fazer as contas por aí ? Numero de disciplinas, carga horária de cada disciplina, numero de horas nos horários dos alunos,etc ... ?
Dito de outra forma mais simples : se o leitor agarrar em duas turmas de alunos, uma nos EUA e outra em Portugal, se a turma americana tiver uma carga horária semanal igual á portuguesa mas com apenas 7 disciplinas, enquanto a portuguesa tem 10 disciplinas, cada uma dessas disciplinas exigindo um professor diferente, em qual dos sistemas é que vão existir mais professores ? Qual dos sistemas dará um racio de menos alunos por professor, hem ? E já reparou, neste exemplo, que a turma americana até poderá ( e tem, por norma ) ter menos alunos que a portuguesa ?
Não seria honesto fazer primeiro essas contas e tentar perceber depois os tais 8 alunos por professor ? É que, se desligarmos esse indicador destes outros valores, ele não vale nada, porque não está relacionado sequer com o numero de alunos que cada professor, em cada momento, tem diante de si ao mesmo tempo para lhes ensinar algo ( a turma ) ...
Nestas coisas como em outras, exige-se seriedade na análise dos valores e não aquilo que se vê neste nosso país que é esgrimir estatísticas para tentar ter razão e atirar poeira aos olhos dos outros. Ou então, ignorância e/ou falta de hábito de raciocinar.
PS : as especulações por mim efectuadas neste comentário NÃO foram precedidas de nenhum estudo sobre a maior ou menor diversidade das matérias existentes nos currículos dos diferentes graus do nosso ensino. É apenas, como dizem os americanos, um “educated guess”, um palpite com o mínimo de ponderação.
Claro que poderíamos igualmente falar na taxa de horas úteis lectivas nos horários dos professores, claro que teríamos também de averiguar quem executa as actividades burocráticas e administrativas nos restantes países da OCDE ( em Portugal, muitas são feitas pelos professores ), claro que ... muitas outras coisas. Mas aposto que aquilo que lhes indico como possível razão é um bom principio de estudo !