ASAE : a emulação do estilo de Sócrates
A ASAE veio outra vez a público, desta vez porque o Tribunal da Relação de Lisboa a considerou inconstitucional.
Pouco me interessa essa tomada de posição da Relação de Lisboa, porque é inoperante e pouco útil. Agora quanto à ASAE, a coisa é mais complicada ...
A ASAE é a outra face de Sócrates. A face gémea, cuja filosofia foi directa e despudoradamente copiada da do primeiro-ministro. Tal como Sócrates, a ASAE começou o seu reinado contra os portugueses. Não mandatados por eles, na procura do bem comum, mas antes emboidos de uma inexplicável raiva e de um inusitado ódio contra muitos portugueses. Quem é que acredita que a ASAE persegue objectivos de sanidade e melhoria das condições sanitárias de restaurantes e coisas do género ? Quem é tão crédulo e ignorante que olha para a postura física do director da ASAE e não percebe imediantamente outros objectivos, outras motivações, outros designios ?
Pessoalmente, rejeito a forma arrogante, despótica e autista que tanto Sócrates como a ASAE utilizaram na relação com muitos portugueses que lhes pagam o salário e que deles esperavam outras medidas. Desprezo esses resquícios tardios da omnisciência e omnipotência salazarista. Odeio essas posturas de deprezo pelos outros, sobretudo pelos mais fracos, trazidas para o palco do poder político por Sócrates e obscenamente copiadas pelo homem da ASAE.
Ainda por cima, arvorando-se ambos em “grandes” homens, coisa que, obviamente, nem um nem outro serão “jamais”, na minha opinião. E aqui é mesmo “jamais”, peço desculpa ao sr ministro das obras públicas ou equipamento social ou lá o que é.
Blogs (Blogues) = crónicas (quase) diárias; registo periódico de factos, opiniões e críticas ; as impressões íntimas, a política, o social.
terça-feira, julho 14, 2009
quinta-feira, junho 18, 2009
QUÃO BAIXO O HOMEM É CAPAZ DE SER ?
Por vezes, chega ao meu conhecimento a história de cães e gatos que foram abandonados pelos donos aqui ou ali. Não sei bem porquê, mas ao olhar para as fotos dos bichos sinto uma imensa tristeza e, ao mesmo tempo, um ódio tremendo quanto a esses tais donos. Não usemos eufemismos : é ódio mesmo o que sinto. Seria capaz de lhes bater, se presenciasse a cena. Bater a sério.
Naqueles olhos dos cãezitos e gatos lê-se uma agonia tremenda, uma grande incompreensão, uma dor mansa e submissa que me deita completamente por terra. Tivesse eu uma quinta em vez de um apartamento em Lisboa ( onde já habitam 2 gatos ) e acho que recolhia essa bicharada toda.
Mas não queria falar de mim, queria interrogar-me e interrogar-vos sobre quem são essas pessoas capazes de ter um cãozito em casa durante anos e depois, sem mais nem menos, ir à serra de Sintra largar o bicho. Que raio de gente é esta ? Serão nossos iguais ? São homens e mulheres como nós ? São gente ?
Desculpem-me leitores : o raio que parta estas pessoas ! O diabo que as leve !
Mesmo na minha idade, se vir alguém a fazer isso podem acreditar que trago o cão ou gato mas o tipo, esse, fica lá, com um tronco pela cabeça abaixo !
Por vezes, chega ao meu conhecimento a história de cães e gatos que foram abandonados pelos donos aqui ou ali. Não sei bem porquê, mas ao olhar para as fotos dos bichos sinto uma imensa tristeza e, ao mesmo tempo, um ódio tremendo quanto a esses tais donos. Não usemos eufemismos : é ódio mesmo o que sinto. Seria capaz de lhes bater, se presenciasse a cena. Bater a sério.
Naqueles olhos dos cãezitos e gatos lê-se uma agonia tremenda, uma grande incompreensão, uma dor mansa e submissa que me deita completamente por terra. Tivesse eu uma quinta em vez de um apartamento em Lisboa ( onde já habitam 2 gatos ) e acho que recolhia essa bicharada toda.
Mas não queria falar de mim, queria interrogar-me e interrogar-vos sobre quem são essas pessoas capazes de ter um cãozito em casa durante anos e depois, sem mais nem menos, ir à serra de Sintra largar o bicho. Que raio de gente é esta ? Serão nossos iguais ? São homens e mulheres como nós ? São gente ?
Desculpem-me leitores : o raio que parta estas pessoas ! O diabo que as leve !
Mesmo na minha idade, se vir alguém a fazer isso podem acreditar que trago o cão ou gato mas o tipo, esse, fica lá, com um tronco pela cabeça abaixo !
quarta-feira, junho 10, 2009
COISAS DE HOMENS OU PERIPÉCIAS DA POLÍTICA ?
Há uns anos atrás, Cavaco Silva, então Primeiro-Ministro, recusou conceder uma pensão por mérito á viuva de Salgueiro Maia, numa ocasião em que foram concedidas pensões do mesmo tipo a dois antigos agentes da PIDE-DGS.
A recusa levantou celeuma na altura.
Cavaco Silva teria então as suas razões, quero eu acreditar, embora delas discorde total e veementemente. Se houve alguém neste País que nunca quis nada para si, nem honrarias nem benesses, foi Salgueiro Maia.
Mas se Cavaco Silva tinha então as suas razões, que se passou entretanto que fez com que hoje se perfilasse, com um ar solene e compungido, perante o monumento a Salgueiro Maia, na cidade de Santarém ?
Apetece lembrar Shakespeare e dizer que o Mundo é um imenso palco e todos os homens e mulheres simples actores.
Ainda assim, a alguns desses actores é exigível uma maior constância na sua representação, creio eu.
Há uns anos atrás, Cavaco Silva, então Primeiro-Ministro, recusou conceder uma pensão por mérito á viuva de Salgueiro Maia, numa ocasião em que foram concedidas pensões do mesmo tipo a dois antigos agentes da PIDE-DGS.
A recusa levantou celeuma na altura.
Cavaco Silva teria então as suas razões, quero eu acreditar, embora delas discorde total e veementemente. Se houve alguém neste País que nunca quis nada para si, nem honrarias nem benesses, foi Salgueiro Maia.
Mas se Cavaco Silva tinha então as suas razões, que se passou entretanto que fez com que hoje se perfilasse, com um ar solene e compungido, perante o monumento a Salgueiro Maia, na cidade de Santarém ?
Apetece lembrar Shakespeare e dizer que o Mundo é um imenso palco e todos os homens e mulheres simples actores.
Ainda assim, a alguns desses actores é exigível uma maior constância na sua representação, creio eu.
DIZ-ME QUEM SÃO OS TEUS HERÓIS, DIR-TE-EI QUEM ÉS !
A realidade em Portugal tem laivos de surrealismo.
Dois dias depois do eleitorado ter dito ao sr. Primeiro-Ministro que não aprecia mesmo nada a sua pose arrogante e autoritária, que não gostou da sua deriva para a direita, dois dias depois de muitos, mesmo muitos eleitores terem deslocado o seu voto para a esquerda ( para o BE e PC ), dois dias depois desta ensaboadela ... eis que é tornado público que o sr. Presidente da República irá condecorar, no 10 de Junho, uma organização sindical, a UGT !
Depois de tudo o que tem sucedido, considerando a actuação conhecida da UGT e o reduzido numero de trabalhadores que representa, só se pode pensar que a condecoração tem por objectivo dar-lhe, na “secretaria”, o estatuto político-social que aquela central sindical não quis ou não soube conquistar no terreno.
É como atribuir a Torre e Espada a quem nunca entrou em combate.
Há só um pequeno senão : as condecorações estão hoje ainda mais desvalorizadas que o dólar. Coisas como esta não vão mudar nada. A UGT vai continuar com a mesma imagem, na cabeça dos trabalhadores portugueses, e a condecoração atribuida perde um pouco mais de significado.
A realidade em Portugal tem laivos de surrealismo.
Dois dias depois do eleitorado ter dito ao sr. Primeiro-Ministro que não aprecia mesmo nada a sua pose arrogante e autoritária, que não gostou da sua deriva para a direita, dois dias depois de muitos, mesmo muitos eleitores terem deslocado o seu voto para a esquerda ( para o BE e PC ), dois dias depois desta ensaboadela ... eis que é tornado público que o sr. Presidente da República irá condecorar, no 10 de Junho, uma organização sindical, a UGT !
Depois de tudo o que tem sucedido, considerando a actuação conhecida da UGT e o reduzido numero de trabalhadores que representa, só se pode pensar que a condecoração tem por objectivo dar-lhe, na “secretaria”, o estatuto político-social que aquela central sindical não quis ou não soube conquistar no terreno.
É como atribuir a Torre e Espada a quem nunca entrou em combate.
Há só um pequeno senão : as condecorações estão hoje ainda mais desvalorizadas que o dólar. Coisas como esta não vão mudar nada. A UGT vai continuar com a mesma imagem, na cabeça dos trabalhadores portugueses, e a condecoração atribuida perde um pouco mais de significado.
quinta-feira, junho 04, 2009
UM VÔO TRÁGICO
Aquilo que sei sobre aviões não é muito, mas é alguma coisa. Sobretudo, não acredito em bruxedos. Podem ter a certeza que agora, ao escrever estas linhas, as pessoas e organizações responsáveis pela investigação aeronáutica do acidente sabem mais do que aquilo que deixam passar para a comunicação social.
Uma análise sumária e simplista constata que a tripulação do avião não teve tempo para qualquer comunicação rádio. Os dispositivos automáticos de localização do avião ficaram imediatamente fora de acção. Os destroços entretanto encontrados estavam bastante afastados uns dos outros.
Sabem qual é a hipótese mais consentânea com todos estes dados ?
Explosão a bordo. Súbita e violenta.
Se arredarmos a hipótese de terrorismo ( a acção já teria sido reinvidicada ), resta-nos uma explosão provocada pelo combustível. Toneladas de combustível. Muitas.
Já não é a primeira vez que tal sucede. Lembram-se do célebre TWA 900, salvo erro ? Explosão a bordo, nos vapores de combustível, provocada por uma qualquer faísca não identificada. Os circuitos de ligação à terra dos depósitos foram todos melhorados, depois disso, creio eu ... mas, na minha opinião, é algo que é hoje ainda um forte perigo nos aviões, sobretudo em zonas de forte intensidade eléctrica.
O combustível que os aviões levam é uma perfeita bomba a bordo, em caso de algo correr mal. Aguardemos pelo resultado do inquérito.
Que descansem em paz todos os que seguiam a bordo e tiveram uma morte tão inesperada e desnecessária. Oxalá tudo tenha sido muito rápido, como parece.
Não deixem de voar, por causa deste acidente. Afinal, viver tem sempre perigos : atravessar a rua para ir beber um café ou ir de carro, pela autoestrada, para qualquer sítio. A percentagem de acidentes fatais na aviação comercial é ainda, de longe, muito reduzida, acreditem.
PS – vou votar, como sempre, mas nem me apetece falar destas eleições. Ao que nós chegámos !
Aquilo que sei sobre aviões não é muito, mas é alguma coisa. Sobretudo, não acredito em bruxedos. Podem ter a certeza que agora, ao escrever estas linhas, as pessoas e organizações responsáveis pela investigação aeronáutica do acidente sabem mais do que aquilo que deixam passar para a comunicação social.
Uma análise sumária e simplista constata que a tripulação do avião não teve tempo para qualquer comunicação rádio. Os dispositivos automáticos de localização do avião ficaram imediatamente fora de acção. Os destroços entretanto encontrados estavam bastante afastados uns dos outros.
Sabem qual é a hipótese mais consentânea com todos estes dados ?
Explosão a bordo. Súbita e violenta.
Se arredarmos a hipótese de terrorismo ( a acção já teria sido reinvidicada ), resta-nos uma explosão provocada pelo combustível. Toneladas de combustível. Muitas.
Já não é a primeira vez que tal sucede. Lembram-se do célebre TWA 900, salvo erro ? Explosão a bordo, nos vapores de combustível, provocada por uma qualquer faísca não identificada. Os circuitos de ligação à terra dos depósitos foram todos melhorados, depois disso, creio eu ... mas, na minha opinião, é algo que é hoje ainda um forte perigo nos aviões, sobretudo em zonas de forte intensidade eléctrica.
O combustível que os aviões levam é uma perfeita bomba a bordo, em caso de algo correr mal. Aguardemos pelo resultado do inquérito.
Que descansem em paz todos os que seguiam a bordo e tiveram uma morte tão inesperada e desnecessária. Oxalá tudo tenha sido muito rápido, como parece.
Não deixem de voar, por causa deste acidente. Afinal, viver tem sempre perigos : atravessar a rua para ir beber um café ou ir de carro, pela autoestrada, para qualquer sítio. A percentagem de acidentes fatais na aviação comercial é ainda, de longe, muito reduzida, acreditem.
PS – vou votar, como sempre, mas nem me apetece falar destas eleições. Ao que nós chegámos !
quarta-feira, junho 03, 2009
AFINAL, O PROBLEMA DA JUSTIÇA EM PORTUGAL SÓ EXISTE PORQUE A IMPRENSA O INVENTOU !
O juiz-conselheiro Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, no decorrer de uma cerimónia pública, veio hoje esclarecer os portugueses : afinal, é a imprensa a responsável pela opinião desfavorável que existe na sociedade portuguesa sobre a Justiça.
Para mim, são opiniões destas que fundamentam o juízo que eu faço sobre a justiça portuguesa. São opiniões destas, autistas, completamente erradas, provenientes do presidente do STJ que me deixam estarrecido... então aqueles senhores ainda não viram que a justiça está completamente desacreditada no nosso país ?? Ainda têm dúvidas ? Como é que isto é possível ? Agora são os jornais é que ... ?
Haverá um só português que ignore que os casos de justiça, em Portugal, demoram LARGOS ANOS a serem julgados ? Haverá quem acredite na total isenção de todos os seus agentes, isto é, haverá alguém tão distraído que não perceba a enorme diferença, em termos de acesso á qualidade da justiça, entre um pobre diabo qualquer e um senhor director-geral, ministro ou mesmo apresentador de televisão ?
Haverá quem nunca tenha presenciado a enorme falta de humildade e mesmo prepotência com que o vulgar cidadão é tratado numa sala de tribunal, como se o juíz fosse um monarca absolutista , em contraste com a forma como são tratados presidentes de Câmara, por exemplo ?
Haverá alguém que ainda acredite que os agentes da justiça ( ministério publico e magistrados judiciais ) não têm qualquer culpa na forma de funcionamento do sistema, e que a culpa é apenas dos legisladores ?
O leitor já alguma vez leu todo aquele articulado pungente que procura fortalecer as sentenças ? Incrível : nem um santo consegue digerir aquilo, parece um filme do António de Oliveira, daqueles mais parados ... depois não se admirem, quanto tempo leva uma “peça” daquelas a congeminar e a escrever ?
É absolutamente fantástico, digo-lhes. Tentem um dia ler uma coisa dessas para saberem do que falo. Mas armem-se de paciência, hem , porque a coisa dá voltas e mais voltas lógicas, é retorcida como a curva de Mobius, antes de vir dar ao principio.
A sensação que retive, de alguns exemplos que li, é que o juiz não conhece bem a estrada nem tem GPS. Enfim.
Será assim tão dificil endireitar este subsistema da justiça ?
Com base na minha experiência pessoal, de alguém que ajudou a reformular alguns sistemas complexos envolvendo comportamentos humanos, é quase certo que, quando há um sistema de mudança muito dificil, é porque os seus agentes não estão a participar na mudança ou estão mesmo a fazer contra-vapor.
Qual será a verdade ?
O juiz-conselheiro Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, no decorrer de uma cerimónia pública, veio hoje esclarecer os portugueses : afinal, é a imprensa a responsável pela opinião desfavorável que existe na sociedade portuguesa sobre a Justiça.
Para mim, são opiniões destas que fundamentam o juízo que eu faço sobre a justiça portuguesa. São opiniões destas, autistas, completamente erradas, provenientes do presidente do STJ que me deixam estarrecido... então aqueles senhores ainda não viram que a justiça está completamente desacreditada no nosso país ?? Ainda têm dúvidas ? Como é que isto é possível ? Agora são os jornais é que ... ?
Haverá um só português que ignore que os casos de justiça, em Portugal, demoram LARGOS ANOS a serem julgados ? Haverá quem acredite na total isenção de todos os seus agentes, isto é, haverá alguém tão distraído que não perceba a enorme diferença, em termos de acesso á qualidade da justiça, entre um pobre diabo qualquer e um senhor director-geral, ministro ou mesmo apresentador de televisão ?
Haverá quem nunca tenha presenciado a enorme falta de humildade e mesmo prepotência com que o vulgar cidadão é tratado numa sala de tribunal, como se o juíz fosse um monarca absolutista , em contraste com a forma como são tratados presidentes de Câmara, por exemplo ?
Haverá alguém que ainda acredite que os agentes da justiça ( ministério publico e magistrados judiciais ) não têm qualquer culpa na forma de funcionamento do sistema, e que a culpa é apenas dos legisladores ?
O leitor já alguma vez leu todo aquele articulado pungente que procura fortalecer as sentenças ? Incrível : nem um santo consegue digerir aquilo, parece um filme do António de Oliveira, daqueles mais parados ... depois não se admirem, quanto tempo leva uma “peça” daquelas a congeminar e a escrever ?
É absolutamente fantástico, digo-lhes. Tentem um dia ler uma coisa dessas para saberem do que falo. Mas armem-se de paciência, hem , porque a coisa dá voltas e mais voltas lógicas, é retorcida como a curva de Mobius, antes de vir dar ao principio.
A sensação que retive, de alguns exemplos que li, é que o juiz não conhece bem a estrada nem tem GPS. Enfim.
Será assim tão dificil endireitar este subsistema da justiça ?
Com base na minha experiência pessoal, de alguém que ajudou a reformular alguns sistemas complexos envolvendo comportamentos humanos, é quase certo que, quando há um sistema de mudança muito dificil, é porque os seus agentes não estão a participar na mudança ou estão mesmo a fazer contra-vapor.
Qual será a verdade ?
segunda-feira, maio 25, 2009
COISAS ALINHAVADAS SEM NEXO
Escrever é despirmo-nos. Despirmo-nos de tecidos e de ilusões. Ficar com a alma a sangrar. Vomitar tudo o que não conseguimos digerir.
Escrever é morrer e renascer no mesmo instante. É tentar ficar limpo e impoluto.
Escrever é o maior engano de todos. Ninguém se purifica escrevendo. Apenas a acção purifica. E mesmo assim, nem toda a acção. Há acções purificadoras mas que, ao mesmo tempo, são assassinas. Desiludam-se todos os falsos libertadores : através da morte de inocentes nunca há-de surgir a claridade. As trevas que se infiltram nos seus corações vão impedi-los de ver nascer o dia.
O dia está cansado, vem aí a noite, em seu socorro.
Paz e alegria aos homens e mulheres que vivem sem rastejar, ainda que famintos. Um dia, este mundo será deles também.
Escrever é despirmo-nos. Despirmo-nos de tecidos e de ilusões. Ficar com a alma a sangrar. Vomitar tudo o que não conseguimos digerir.
Escrever é morrer e renascer no mesmo instante. É tentar ficar limpo e impoluto.
Escrever é o maior engano de todos. Ninguém se purifica escrevendo. Apenas a acção purifica. E mesmo assim, nem toda a acção. Há acções purificadoras mas que, ao mesmo tempo, são assassinas. Desiludam-se todos os falsos libertadores : através da morte de inocentes nunca há-de surgir a claridade. As trevas que se infiltram nos seus corações vão impedi-los de ver nascer o dia.
O dia está cansado, vem aí a noite, em seu socorro.
Paz e alegria aos homens e mulheres que vivem sem rastejar, ainda que famintos. Um dia, este mundo será deles também.
sexta-feira, maio 08, 2009
PROFESSORES DISTRAIDOS
Numa carta dirigida aos pais dos alunos de uma escola básica em Castelo de Vide, aquela onde se recordam foram obtidas imagens não autorizadas dos “putos” a trabalhar com o computadorzito Magalhães, José Sócrates afirma que «um dos objectivos do Partido Socialista é valorizar a escola e o trabalho que todas as crianças e professores vêm desenvolvendo com vista à construção de um Portugal e de um mundo melhores».
Notou-se claramente esse objectivo, ao longo deste último ano.
Os professores é que parece ainda não terem percebido bem essa “valorização” do seu trabalho.
São mesmo distraidos, esses professores.
Da ultima vez que os vi, foram mais de 120.000 professores distraidos a desfilar em Lisboa, contestando essa “valorização” do seu trabalho.
Ele há pessoas mesmo distraidas e mal agradecidas, caramba.
Numa carta dirigida aos pais dos alunos de uma escola básica em Castelo de Vide, aquela onde se recordam foram obtidas imagens não autorizadas dos “putos” a trabalhar com o computadorzito Magalhães, José Sócrates afirma que «um dos objectivos do Partido Socialista é valorizar a escola e o trabalho que todas as crianças e professores vêm desenvolvendo com vista à construção de um Portugal e de um mundo melhores».
Notou-se claramente esse objectivo, ao longo deste último ano.
Os professores é que parece ainda não terem percebido bem essa “valorização” do seu trabalho.
São mesmo distraidos, esses professores.
Da ultima vez que os vi, foram mais de 120.000 professores distraidos a desfilar em Lisboa, contestando essa “valorização” do seu trabalho.
Ele há pessoas mesmo distraidas e mal agradecidas, caramba.
segunda-feira, maio 04, 2009
GOSTAVA QUE O SÃO NUNO VISSE AGORA ESTE PAÍS !
A minha vida está a tornar-se uma seca. A nível pessoal estou sem motivações, sem desafios. Preguiçoso. Desanimado. A nível social, a descrença é total. Os problemas avolumam-se todos os dias, o Governo anuncia medidas irrelevantes ou ao lado dos problemas. Só remates ao lado ou passes para trás. É angustiante, ouvi-los falar da crise e perceber que eles sabem tanto sair dela como eu saberia sair de uma favela do Rio.
Ando cansado. Nem sequer me apetece escrever, em tempos idos tinha prazer nisto, agora já não. Todo este desemprego, toda esta angústia de milhares de pessoas acaba por se infiltrar em nós, não é ?
Este senhor que veio da Beira Interior para o PS conseguiu aquilo que Salazar e Caetano nunca conseguiram : cheguei à conclusão que este meu país está moribundo, sem condições de recuperação, sem dignidade nem honra nem glória. Nunca seremos um país “decente”, razoavelmente bem gerido e habitado por pessoas educadas e sensatas. Nunca. As sondagens indicam que à volta de 38 a 40% dos portugueses ainda vão votar Sócrates... Desisto. Enquanto tanta gente achar que Sócrates é bom para o País, eu recuso-me a ser português. Hoje percebo muito bem Saramago. Foi para isto que o agora São Nuno venceu os castelhanos, em Aljubarrota ? Azar do caraças !
Vou suspender a minha nacionalidade. Tal como o Almada Negreiros dizia do Dantas, se Sócrates é português, então eu quero ser espanhol ! Pim !
A minha vida está a tornar-se uma seca. A nível pessoal estou sem motivações, sem desafios. Preguiçoso. Desanimado. A nível social, a descrença é total. Os problemas avolumam-se todos os dias, o Governo anuncia medidas irrelevantes ou ao lado dos problemas. Só remates ao lado ou passes para trás. É angustiante, ouvi-los falar da crise e perceber que eles sabem tanto sair dela como eu saberia sair de uma favela do Rio.
Ando cansado. Nem sequer me apetece escrever, em tempos idos tinha prazer nisto, agora já não. Todo este desemprego, toda esta angústia de milhares de pessoas acaba por se infiltrar em nós, não é ?
Este senhor que veio da Beira Interior para o PS conseguiu aquilo que Salazar e Caetano nunca conseguiram : cheguei à conclusão que este meu país está moribundo, sem condições de recuperação, sem dignidade nem honra nem glória. Nunca seremos um país “decente”, razoavelmente bem gerido e habitado por pessoas educadas e sensatas. Nunca. As sondagens indicam que à volta de 38 a 40% dos portugueses ainda vão votar Sócrates... Desisto. Enquanto tanta gente achar que Sócrates é bom para o País, eu recuso-me a ser português. Hoje percebo muito bem Saramago. Foi para isto que o agora São Nuno venceu os castelhanos, em Aljubarrota ? Azar do caraças !
Vou suspender a minha nacionalidade. Tal como o Almada Negreiros dizia do Dantas, se Sócrates é português, então eu quero ser espanhol ! Pim !
segunda-feira, abril 06, 2009
O PAÍS IMPOSSÍVEL
Vá, digam lá com toda a franqueza : não se sentem um tanto perdidos no Portugal de 2009 ?
Eu sinto. Algumas das minhas referências clássicas estão a desaparecer. Só vejo acontecimentos estranhos, que nem sequer consigo saber se são verdadeiros ou não. O tempo arrasta-se e tudo parece mergulhado em algodão em rama. A verdade não existe em Portugal, em 2009. Sócrates está ou não implicado naquela história ? Os arguidos da Casa Pia andaram ou não com os putos ? Pinto da Costa deu ou não dinheiro ao árbitro ?
É como me parece este país, uma coisa de brincar, onde nada é real, tudo é um faz de conta. A terra do feiticeiro de Oz. Estou sempre à espera, ao dobrar a esquina, de encontrar o homem de lata e o leão. Ou os sete anões e a Branca de Neve.
Pensando melhor, a Branca de Neve, não, isso seria impossível. Por aqui, só Dªs Brancas mas não de neve. Mais a atirar para o cinzento ou mesmo negro.
Somos um país onde até a fantasia está corrompida.
Vá, digam lá com toda a franqueza : não se sentem um tanto perdidos no Portugal de 2009 ?
Eu sinto. Algumas das minhas referências clássicas estão a desaparecer. Só vejo acontecimentos estranhos, que nem sequer consigo saber se são verdadeiros ou não. O tempo arrasta-se e tudo parece mergulhado em algodão em rama. A verdade não existe em Portugal, em 2009. Sócrates está ou não implicado naquela história ? Os arguidos da Casa Pia andaram ou não com os putos ? Pinto da Costa deu ou não dinheiro ao árbitro ?
É como me parece este país, uma coisa de brincar, onde nada é real, tudo é um faz de conta. A terra do feiticeiro de Oz. Estou sempre à espera, ao dobrar a esquina, de encontrar o homem de lata e o leão. Ou os sete anões e a Branca de Neve.
Pensando melhor, a Branca de Neve, não, isso seria impossível. Por aqui, só Dªs Brancas mas não de neve. Mais a atirar para o cinzento ou mesmo negro.
Somos um país onde até a fantasia está corrompida.
quarta-feira, março 25, 2009
O ÓDIO COMO MOTIVAÇÃO DE GOVERNO ??
INQUALIFICÁVEL, esta equipa do ME ( ainda ) em funções. Quando uso este adjectivo sei bem porque o faço. Não sei dizer se são bons, maus, hábeis, inábeis, pessoas de mérito ou pessoas sem qualquer mérito. A sua actuação nem sequer cabe nas fronteiras do político, há muito que atravessaram para um território que também desconheço, que também não sei qualificar.
Ao longo de todo este ano lectivo, na actuação daquela equipa transpareceu, mais do que qualquer motivação política, mais do que uma preocupação em diminuir custos, um ódio puro aos professores. Ódio, nada de hesitações nas palavras. Por vezes, mais do que ódio, uma imensa raiva surda. Onde raio terão ido buscar as razões para essa raiva ? Quem lhes fez mal ?
Muito gostaria eu de conhecer os percursos da senhora ministra e dos senhores secretários durante o seu percurso pelo ensino secundário ...
Agora, esta ultima atitude do inefável secretário de Estado, a ameaçar os sindicatos que apresentaram uma acção em tribunal para suspender o concurso de professores : vai-lhes exigir indemnizações, olá se vai, pensam que o ME é o quê ??
Esta equipa está de cabeça perdida, já não distingue bem a realidade à sua frente. Então eles ( o ME ) podem inventar regras especiais, que ninguém conhece, para a ocupação de milhares de postos de trabalho de professores, com eventual abertura a toda a espécie de amiguismos e compadrios, na selecção dos professores para as escolas de intervenção prioritária ... Em resposta, os professores, directamente lesados nos seus interesses, UMA VEZ MAIS, por esta equipa, deveriam estar calados e quietinhos, a entoar hossanas ao Governo e ao ME !
Chega, senhores. Chega. Ganhem dimensão, ganhem vergonha. Aprendam a fazer política de outra maneira, de uma forma mais corajosa, ética e verdadeira. Este vosso jeito na Educação não é bonito e não presta, não nos leva a lado nenhum.
Convençam-se de uma vez : vivemos em democracia, não nos vamos calar, vamos lutar até vencer. E aqui para nós, que ninguém nos ouve, parece-me que o vosso reinado de terror está a chegar ao fim !
INQUALIFICÁVEL, esta equipa do ME ( ainda ) em funções. Quando uso este adjectivo sei bem porque o faço. Não sei dizer se são bons, maus, hábeis, inábeis, pessoas de mérito ou pessoas sem qualquer mérito. A sua actuação nem sequer cabe nas fronteiras do político, há muito que atravessaram para um território que também desconheço, que também não sei qualificar.
Ao longo de todo este ano lectivo, na actuação daquela equipa transpareceu, mais do que qualquer motivação política, mais do que uma preocupação em diminuir custos, um ódio puro aos professores. Ódio, nada de hesitações nas palavras. Por vezes, mais do que ódio, uma imensa raiva surda. Onde raio terão ido buscar as razões para essa raiva ? Quem lhes fez mal ?
Muito gostaria eu de conhecer os percursos da senhora ministra e dos senhores secretários durante o seu percurso pelo ensino secundário ...
Agora, esta ultima atitude do inefável secretário de Estado, a ameaçar os sindicatos que apresentaram uma acção em tribunal para suspender o concurso de professores : vai-lhes exigir indemnizações, olá se vai, pensam que o ME é o quê ??
Esta equipa está de cabeça perdida, já não distingue bem a realidade à sua frente. Então eles ( o ME ) podem inventar regras especiais, que ninguém conhece, para a ocupação de milhares de postos de trabalho de professores, com eventual abertura a toda a espécie de amiguismos e compadrios, na selecção dos professores para as escolas de intervenção prioritária ... Em resposta, os professores, directamente lesados nos seus interesses, UMA VEZ MAIS, por esta equipa, deveriam estar calados e quietinhos, a entoar hossanas ao Governo e ao ME !
Chega, senhores. Chega. Ganhem dimensão, ganhem vergonha. Aprendam a fazer política de outra maneira, de uma forma mais corajosa, ética e verdadeira. Este vosso jeito na Educação não é bonito e não presta, não nos leva a lado nenhum.
Convençam-se de uma vez : vivemos em democracia, não nos vamos calar, vamos lutar até vencer. E aqui para nós, que ninguém nos ouve, parece-me que o vosso reinado de terror está a chegar ao fim !
terça-feira, março 17, 2009
OS PATOS DA GULBENKIAN VOAM NA PRAÇA DE ESPANHA
Este mês tenho andado em maré de azar. Primeiro foi o carro : num momento ia a andar normalmente e no outro tinha uma luz acesa no painel e o motor a soluçar perdidamente. Condoído, lá o levei ao mecânico ( obrigado à amiga da minha filha que é sobrinha dum excelente mecânico de VW ali em Algés ) que me resolveu os soluços em troca de 320 euritos. Não, não foi xarope para a tosse que ele receitou ao carro, foram velas e bobines.
Mal refeito, aí está : a máquina de lavar roupa com uma pneumonia aguda, a fazer uns barulhos horrorosos na centrifugação. Ponho-lhe o estetoscópio : um rolamento farto de viver. Como a esta já se somavam outras mazelas, feitas as contas ao que me custaria o internamento da máquina, tumba, decidi comprar uma nova. Mais 500 euritos, tão a ver ? Ainda a não tenho cá em casa mas os euros já se foram.
Ah, pois, ainda não vos tinha dito que paguei este mês o seguro do carro, uma pechincha, toma lá mais 500, quem me manda ter seguro para danos próprios ? Como se tudo isto não bastasse, as Finanças fizeram-me uma proposta, pelo Correio : no próximo mês eu dou-lhes quase 300 euros e eles deixam-me viver mais uns tempos.
Lindo. Em quanto vai ?
Bom, sei perfeitamente que não me posso queixar muito nos tempos que correm. Posso pagar estas contas, embora um tanto avermelhado, este mês, mas há muita gente a passar mal, sem carro nem seguro nem máquina da roupa nem nada. E com problemas para criar os filhos. E a viver todos os dias com medo do futuro e raiva desta vida de merda que Portugal lhes proporciona. Gente a quem ninguém salva, já que não se chamam BCP ou BPN.
Sei tudo isso, óh se sei.
Há muitos, muitos anos, num mês como o próximo, vomitei todo o medo que tinha dentro de mim, aproveitei toda a bílis acumulada e juntei-me a um pequeno grupo de malucos românticos que queriam fazer de Portugal um sítio decente para se viver. Onde não tivéssemos vergonha de ser portugueses.
Pois foi, viu-se o que aconteceu 35 anos depois : manadas de corruptos, bandos de vigaristas, rebanhos de homens sem vergonha … uma desgraça horrorosa. Hoje, tenho mais bílis acumulada que nessa altura, tenho ainda muita vergonha de partilhar o meu país com toda essa cambada.
Que havemos de fazer, pessoal ?
Nem tudo é mau, porém. Ontem, ao passar pela Praça de Espanha, vi dois patos a voar, por cima da Praça, e depois a poisar numa relvado que há por ali. Uns azuis e verdes, coisas lindas ! Diz a minha filha que devem pertencer aos jardins da Gulbenkian. Que pertençam, antes à Gulbenkian que a S. Bento ou a Belém, não é ?
Este mês tenho andado em maré de azar. Primeiro foi o carro : num momento ia a andar normalmente e no outro tinha uma luz acesa no painel e o motor a soluçar perdidamente. Condoído, lá o levei ao mecânico ( obrigado à amiga da minha filha que é sobrinha dum excelente mecânico de VW ali em Algés ) que me resolveu os soluços em troca de 320 euritos. Não, não foi xarope para a tosse que ele receitou ao carro, foram velas e bobines.
Mal refeito, aí está : a máquina de lavar roupa com uma pneumonia aguda, a fazer uns barulhos horrorosos na centrifugação. Ponho-lhe o estetoscópio : um rolamento farto de viver. Como a esta já se somavam outras mazelas, feitas as contas ao que me custaria o internamento da máquina, tumba, decidi comprar uma nova. Mais 500 euritos, tão a ver ? Ainda a não tenho cá em casa mas os euros já se foram.
Ah, pois, ainda não vos tinha dito que paguei este mês o seguro do carro, uma pechincha, toma lá mais 500, quem me manda ter seguro para danos próprios ? Como se tudo isto não bastasse, as Finanças fizeram-me uma proposta, pelo Correio : no próximo mês eu dou-lhes quase 300 euros e eles deixam-me viver mais uns tempos.
Lindo. Em quanto vai ?
Bom, sei perfeitamente que não me posso queixar muito nos tempos que correm. Posso pagar estas contas, embora um tanto avermelhado, este mês, mas há muita gente a passar mal, sem carro nem seguro nem máquina da roupa nem nada. E com problemas para criar os filhos. E a viver todos os dias com medo do futuro e raiva desta vida de merda que Portugal lhes proporciona. Gente a quem ninguém salva, já que não se chamam BCP ou BPN.
Sei tudo isso, óh se sei.
Há muitos, muitos anos, num mês como o próximo, vomitei todo o medo que tinha dentro de mim, aproveitei toda a bílis acumulada e juntei-me a um pequeno grupo de malucos românticos que queriam fazer de Portugal um sítio decente para se viver. Onde não tivéssemos vergonha de ser portugueses.
Pois foi, viu-se o que aconteceu 35 anos depois : manadas de corruptos, bandos de vigaristas, rebanhos de homens sem vergonha … uma desgraça horrorosa. Hoje, tenho mais bílis acumulada que nessa altura, tenho ainda muita vergonha de partilhar o meu país com toda essa cambada.
Que havemos de fazer, pessoal ?
Nem tudo é mau, porém. Ontem, ao passar pela Praça de Espanha, vi dois patos a voar, por cima da Praça, e depois a poisar numa relvado que há por ali. Uns azuis e verdes, coisas lindas ! Diz a minha filha que devem pertencer aos jardins da Gulbenkian. Que pertençam, antes à Gulbenkian que a S. Bento ou a Belém, não é ?
sábado, março 07, 2009

DE NOVO O PETRÓLEO !!
Os motivos da subida brutal do petróleo, há uns meses, estão bem patentes nesta notícia de hoje, sábado, no Público. O petróleo não é, com as actuais regras dos mercados, um bem de consumo, que se compra e vende para ser usado como petróleo, mas sim um produto de investimento, para comprar hoje a um preço e vender daqui a uns dias, por um preço muito superior. Ou seja : permite-se que o petróleo, matéria-prima essencial no Mundo de hoje, seja usado como meio de especulação, como forma de criação artificial de mais-valias financeiras.
Foi assim durante a gestação desta presente crise financeira e económica, está hoje de novo a ser assim. Quando ninguém já conseguia fazer dinheiro com aqueles produtos financeiros fraudulentos que nada valiam, todos os grandes investidores apostaram nos cereais, primeiro, e depois no petróleo. Até os Fundos de Pensões americanos. Toda a gente do meio sabia, ninguém ou quase ninguém o disse ou se ralou com isso.
Porquê ?
Porque ninguém via ( nem hoje vê ) alternativas para este imenso jogo de Dª Branca. Ninguém sabe como parar esta incessante e obrigatória escalada de fazer mais dinheiro, cada vez mais dinheiro, a partir do que existe. Ninguém sabe como substituir esta lógica suicida por outra qualquer que seja sustentável. Nem ninguém parece muito preocupado com isso, diga-se em abono da verdade. Ou quase ninguém. Quando aparece alguém chama-se-lhe extremista ou esquerdista e pronto, está resolvida a questão.
Esta terrível espiral é a mesma que leva ao inexorável esgotamento dos recursos naturais do planeta, à destruição das florestas, à poluição dos mares, à subida imparável da temperatura média, á destruição de todos os valores morais.
Pensam que estou a exagerar ?
Quando todos os políticos da Europa e dos Estados Unidos andam por aí a gritar que querem construir uma nova ordem financeira mundial, porque raio é que nem sequer conseguem riscar do mapa os off-shores ? Como é que nem sequer conseguem restringir as transacções de matérias primas como o petróleo às companhias de refinação e de comercialização ?
Porque é que ninguém tem a coragem de confessar que a economia mundial está completamente dominada pela actividade financeira especulativa ?
Porque é que falam em regulação e não em destruição e substituição ?
Porque é que ninguém consegue explicar a necessidade aparentemente imperiosa de crescer sempre, de ganhar sempre mais dinheiro, de produzir sempre mais automóveis, mais computadores, mais tudo ?
Sabem do que precisávamos ?
De mais modéstia. De menos cupidez. De mais simplicidade na vida. De menos fausto e manias das grandezas. De menos vencimentos milionários, como se esses tipos que os ganham valessem alguma coisa como Homens, como lideres ou como gestores. Como se viu. Ficções, contos de fadas, fábulas modernas.
Que mundo este, onde o grande objectivo do Homem é adorar o dinheiro !!
Foi assim durante a gestação desta presente crise financeira e económica, está hoje de novo a ser assim. Quando ninguém já conseguia fazer dinheiro com aqueles produtos financeiros fraudulentos que nada valiam, todos os grandes investidores apostaram nos cereais, primeiro, e depois no petróleo. Até os Fundos de Pensões americanos. Toda a gente do meio sabia, ninguém ou quase ninguém o disse ou se ralou com isso.
Porquê ?
Porque ninguém via ( nem hoje vê ) alternativas para este imenso jogo de Dª Branca. Ninguém sabe como parar esta incessante e obrigatória escalada de fazer mais dinheiro, cada vez mais dinheiro, a partir do que existe. Ninguém sabe como substituir esta lógica suicida por outra qualquer que seja sustentável. Nem ninguém parece muito preocupado com isso, diga-se em abono da verdade. Ou quase ninguém. Quando aparece alguém chama-se-lhe extremista ou esquerdista e pronto, está resolvida a questão.
Esta terrível espiral é a mesma que leva ao inexorável esgotamento dos recursos naturais do planeta, à destruição das florestas, à poluição dos mares, à subida imparável da temperatura média, á destruição de todos os valores morais.
Pensam que estou a exagerar ?
Quando todos os políticos da Europa e dos Estados Unidos andam por aí a gritar que querem construir uma nova ordem financeira mundial, porque raio é que nem sequer conseguem riscar do mapa os off-shores ? Como é que nem sequer conseguem restringir as transacções de matérias primas como o petróleo às companhias de refinação e de comercialização ?
Porque é que ninguém tem a coragem de confessar que a economia mundial está completamente dominada pela actividade financeira especulativa ?
Porque é que falam em regulação e não em destruição e substituição ?
Porque é que ninguém consegue explicar a necessidade aparentemente imperiosa de crescer sempre, de ganhar sempre mais dinheiro, de produzir sempre mais automóveis, mais computadores, mais tudo ?
Sabem do que precisávamos ?
De mais modéstia. De menos cupidez. De mais simplicidade na vida. De menos fausto e manias das grandezas. De menos vencimentos milionários, como se esses tipos que os ganham valessem alguma coisa como Homens, como lideres ou como gestores. Como se viu. Ficções, contos de fadas, fábulas modernas.
Que mundo este, onde o grande objectivo do Homem é adorar o dinheiro !!
sexta-feira, março 06, 2009

SOLIDÃO. ESCOLHA OU INCAPACIDADE ?
A solidão fascina-me e entristece-me, no mesmo minuto. Toda a minha vida me senti sózinho, por vezes com pessoas à volta, outras mesmo sem ninguém.
Faço questão em afirmar que vivo perfeitamente sózinho, mas não é verdade, nunca foi. O que eu gostaria e nunca tive, era alguém que tivesse verdadeiramente prazer em estar comigo, em conversar ou em estar simplesmente calado. Nunca tive ninguém assim, ninguém. Talvez a minha mulher, nos primeiros tempos. Mas até essa grande amiga já partiu. Nunca mais tive nenhum amigo, nenhuma mulher que fosse capaz de me dedicar a sua intimidade, tal como eu gostaria. Com o tempo, eu próprio me tornei egoista e incapaz de conviver em liberdade e sentir felicidade com alguém.
Amigos, amigos mesmo, tenho tido mas do tipo longínquo, de nos vermos de mês a mês. Depois de ficar viúvo, tive muitas experiências, conheci algumas mulheres interessantes ( se calhar melhores do que eu … ) mas continuei a não sentir aquela cumplicidade e amizade que tudo ultrapassa.
Erro meu ? Azar ? Não sei, mas a verdade é que me sinto um solitário total, nestes tempos.
Tenho uma espécie de namorada-amiga com quem mantenho uma relação mais de fidelização do que outra coisa ( é como ser cliente da TV Cabo … ), mas dessa relação não aproveito nada, em termos de amizade, compreensão ou cumplicidade. Sou eu que dou tudo, não sei porquê. Acho que mantenho essa relação mais por um sentimento ( errado ? ) de companheirismo para com ela ( tem algumas dificuldades na vida e eu tento ajudá-la ) do que outra coisa.
Hoje, por exemplo, essa minha amiga-namorada decidiu ( faz isso muito ) que ia jantar com umas amigas, todas elas divorciadas ou mal-casadas, desejosas de arrastar as amigas para esse partido das mulheres sózinhas e unidas. Coisa tenebrosa de facciosismo e egoismo. Nem lhe passou pela cabeça que eu preciso dela, de alguém com quem conversar para me sentir vivo. Desconhece a empatia, desconhece-me totalmente.
Acho que eu é que estou errado, não se deve depender para nada de alguém sem empatia, não é ? Como diz o Rui Veloso numa canção, não se deve amar ninguém que não gosta da mesma canção que nós …
Seja como for, vi-me só numa noite de sexta. Resolvi jantar num pequeno e modesto restaurante em Benfica, perto da Igreja, “O Chafariz”. Não é a primeira vez.
Três pessoas na sala, comigo. Mais tarde, entram outras três pessoas, com um ar um pouco deslocado, talvez de Angola ou Moçambique. Raça negra. Marido e mulher mais filha, esta grávida. O marido tem um olho todo tapado com um penso. Sentam-se perto de mim.
Daí a um bocado, ou o tinto fez efeito ou foi o olho tapado, o homem derrubou o copo e entornou o vinho todo pelo fato. Um fatinho de bom aspecto diga-se.
Não resisti, e com aquela intimidade de pouca gente na sala mais o meu hábito de África, comentei : “foi o olho tapado, olha que pena “ e ri-me … O homem, como tantas vezes vi em África,com um sentido de humor excelente, largou-se a rir, virado para mim, dizendo “ que pena, o vinho ...” !
Esta cumplicidade, étnica, ainda por cima, fez-me sorrir na noite, quando saí do restaurante e caminhei para casa ( moro perto ).
Ia eu embrenhado nestes profundíssimos pensamentos ( a solidão e a cumplicidade inter-raças ) quando dei de caras com uma ex-namorada, de mão dada com o seu actual companheiro. Homem da minha idade, aspecto algo ingénuo. Muito mais nabo que eu, pensei instintiva e imediatamente, porque somos nós assim ?
A minha ex- parou, fez um sorriso do tipo “olha um velho amigo meu “ e apresentou-me ao amigo. Afirmei que tinha muito prazer ( mentira ! ), perguntei pela mãe dessa minha amiga ( uma velhota simpática e rabujenta de mais de 90 anos, agora ) e despedi-me.
Prossegui sózinho, pensando na coincidência daquele encontro, como se Alguém me estivesse a dizer : “Estás sózinho porque queres, porque és egoista e tens sido incapaz de amar ...”.
Curiosamente, pouco me ralei, continuou o egoismo, apenas me lembrei de como aquela minha ex-namorada era quente e audaciosa na intimidade. Sim, apenas senti saudades do sexo, não da pessoa. Que quer isto dizer, não presto mesmo como ser humano ? Que apenas fico bem na minha solidão ? Que tenho o que mereço ?
O grande problema é que eu não fico bem, assim solitário, assim como não me sinto bem, apertado e espartilhado numa relação íntima comprometida. E se isto é assim, aos 65, como raio virá a melhorar ?
Passem bem. Por mim, vim para casa e escrevi este texto.
Faço questão em afirmar que vivo perfeitamente sózinho, mas não é verdade, nunca foi. O que eu gostaria e nunca tive, era alguém que tivesse verdadeiramente prazer em estar comigo, em conversar ou em estar simplesmente calado. Nunca tive ninguém assim, ninguém. Talvez a minha mulher, nos primeiros tempos. Mas até essa grande amiga já partiu. Nunca mais tive nenhum amigo, nenhuma mulher que fosse capaz de me dedicar a sua intimidade, tal como eu gostaria. Com o tempo, eu próprio me tornei egoista e incapaz de conviver em liberdade e sentir felicidade com alguém.
Amigos, amigos mesmo, tenho tido mas do tipo longínquo, de nos vermos de mês a mês. Depois de ficar viúvo, tive muitas experiências, conheci algumas mulheres interessantes ( se calhar melhores do que eu … ) mas continuei a não sentir aquela cumplicidade e amizade que tudo ultrapassa.
Erro meu ? Azar ? Não sei, mas a verdade é que me sinto um solitário total, nestes tempos.
Tenho uma espécie de namorada-amiga com quem mantenho uma relação mais de fidelização do que outra coisa ( é como ser cliente da TV Cabo … ), mas dessa relação não aproveito nada, em termos de amizade, compreensão ou cumplicidade. Sou eu que dou tudo, não sei porquê. Acho que mantenho essa relação mais por um sentimento ( errado ? ) de companheirismo para com ela ( tem algumas dificuldades na vida e eu tento ajudá-la ) do que outra coisa.
Hoje, por exemplo, essa minha amiga-namorada decidiu ( faz isso muito ) que ia jantar com umas amigas, todas elas divorciadas ou mal-casadas, desejosas de arrastar as amigas para esse partido das mulheres sózinhas e unidas. Coisa tenebrosa de facciosismo e egoismo. Nem lhe passou pela cabeça que eu preciso dela, de alguém com quem conversar para me sentir vivo. Desconhece a empatia, desconhece-me totalmente.
Acho que eu é que estou errado, não se deve depender para nada de alguém sem empatia, não é ? Como diz o Rui Veloso numa canção, não se deve amar ninguém que não gosta da mesma canção que nós …
Seja como for, vi-me só numa noite de sexta. Resolvi jantar num pequeno e modesto restaurante em Benfica, perto da Igreja, “O Chafariz”. Não é a primeira vez.
Três pessoas na sala, comigo. Mais tarde, entram outras três pessoas, com um ar um pouco deslocado, talvez de Angola ou Moçambique. Raça negra. Marido e mulher mais filha, esta grávida. O marido tem um olho todo tapado com um penso. Sentam-se perto de mim.
Daí a um bocado, ou o tinto fez efeito ou foi o olho tapado, o homem derrubou o copo e entornou o vinho todo pelo fato. Um fatinho de bom aspecto diga-se.
Não resisti, e com aquela intimidade de pouca gente na sala mais o meu hábito de África, comentei : “foi o olho tapado, olha que pena “ e ri-me … O homem, como tantas vezes vi em África,com um sentido de humor excelente, largou-se a rir, virado para mim, dizendo “ que pena, o vinho ...” !
Esta cumplicidade, étnica, ainda por cima, fez-me sorrir na noite, quando saí do restaurante e caminhei para casa ( moro perto ).
Ia eu embrenhado nestes profundíssimos pensamentos ( a solidão e a cumplicidade inter-raças ) quando dei de caras com uma ex-namorada, de mão dada com o seu actual companheiro. Homem da minha idade, aspecto algo ingénuo. Muito mais nabo que eu, pensei instintiva e imediatamente, porque somos nós assim ?
A minha ex- parou, fez um sorriso do tipo “olha um velho amigo meu “ e apresentou-me ao amigo. Afirmei que tinha muito prazer ( mentira ! ), perguntei pela mãe dessa minha amiga ( uma velhota simpática e rabujenta de mais de 90 anos, agora ) e despedi-me.
Prossegui sózinho, pensando na coincidência daquele encontro, como se Alguém me estivesse a dizer : “Estás sózinho porque queres, porque és egoista e tens sido incapaz de amar ...”.
Curiosamente, pouco me ralei, continuou o egoismo, apenas me lembrei de como aquela minha ex-namorada era quente e audaciosa na intimidade. Sim, apenas senti saudades do sexo, não da pessoa. Que quer isto dizer, não presto mesmo como ser humano ? Que apenas fico bem na minha solidão ? Que tenho o que mereço ?
O grande problema é que eu não fico bem, assim solitário, assim como não me sinto bem, apertado e espartilhado numa relação íntima comprometida. E se isto é assim, aos 65, como raio virá a melhorar ?
Passem bem. Por mim, vim para casa e escrevi este texto.
quarta-feira, março 04, 2009
EÇA DE QUEIROZ, BAPTISTA-BASTOS E A CRISE ...
Ando a ler um livro do Baptista-Bastos e, nos intervalos, o “O Conde de Abranhos” do Eça de Queiroz. Não sei o que se passa comigo, ando sem paciência nenhuma. Ao BB ainda consigo entender e ter prazer com a sua leitura, em muitas passagens do ( acho eu, não me lembro bem, tenho o livro no carro … ) “Lisboa a Tinta da China”. É um homem sensível, ama Lisboa e os outros, consegue acertar-me com palavras comoventes. Mesmo assim, não suporto as longas passagens, as constantes reviravoltas nos personagens, ora o pai ora o filho, numa confusão do caraças, em tempos entremeados tipo James Joyce … Já não é o primeiro grande escritor português que se perde nas teias do "novo romance". Como o Lobo Antunes, excelentes no conto, na crónica, mas intragáveis no romance. Sobretudo o Lobo Antunes.
Mas o pior foi o Eças. O conde de Abranhos para mim, pertencia aos meus 19 ou 20 anos, era uma das obras que me faziam sustentar que o Eça era o suprasumo dos sarcásticos e dos lúcidos, num país cinzentão e ignorante como era o Portugal do séc XIX. Pois bem, foi uma desilusão, esta releitura. Não sei bem explicar-vos, mas o Eça está longe, afastado, já não pertence ao Portugal de hoje. Os seus personagens são ingénuos e inofensivos, no Portugal dos BPN, BPP e quejandos. O conde de Abranhos é uma virgem inocente, em oportunismo político, quando comparado com dezenas dos actuais políticos deste país. Apenas a ignorância do distintissimo Conde, então Ministro da Marinha e do Ultramar, ao situar Moçambique na costa ocidental de África me fez sorrir e recordar um outro Ministro, dos nossos tempos, quando proclamava a margem sul como um deserto … Talvez se deva dizer, em abono do Eça, que é dificil a um escritor permanecer intemporal numa época de tão grande degradação de todos os valores éticos e morais. Nem o Eça aguenta, por outras palavras !
Enfim, como comecei por dizer, devo ser eu que não ando com paciência.
Também, quem pode ficar indiferente ao descalabro acelerado deste país e aos efeitos sociais desta crise ?
Ando a ler um livro do Baptista-Bastos e, nos intervalos, o “O Conde de Abranhos” do Eça de Queiroz. Não sei o que se passa comigo, ando sem paciência nenhuma. Ao BB ainda consigo entender e ter prazer com a sua leitura, em muitas passagens do ( acho eu, não me lembro bem, tenho o livro no carro … ) “Lisboa a Tinta da China”. É um homem sensível, ama Lisboa e os outros, consegue acertar-me com palavras comoventes. Mesmo assim, não suporto as longas passagens, as constantes reviravoltas nos personagens, ora o pai ora o filho, numa confusão do caraças, em tempos entremeados tipo James Joyce … Já não é o primeiro grande escritor português que se perde nas teias do "novo romance". Como o Lobo Antunes, excelentes no conto, na crónica, mas intragáveis no romance. Sobretudo o Lobo Antunes.
Mas o pior foi o Eças. O conde de Abranhos para mim, pertencia aos meus 19 ou 20 anos, era uma das obras que me faziam sustentar que o Eça era o suprasumo dos sarcásticos e dos lúcidos, num país cinzentão e ignorante como era o Portugal do séc XIX. Pois bem, foi uma desilusão, esta releitura. Não sei bem explicar-vos, mas o Eça está longe, afastado, já não pertence ao Portugal de hoje. Os seus personagens são ingénuos e inofensivos, no Portugal dos BPN, BPP e quejandos. O conde de Abranhos é uma virgem inocente, em oportunismo político, quando comparado com dezenas dos actuais políticos deste país. Apenas a ignorância do distintissimo Conde, então Ministro da Marinha e do Ultramar, ao situar Moçambique na costa ocidental de África me fez sorrir e recordar um outro Ministro, dos nossos tempos, quando proclamava a margem sul como um deserto … Talvez se deva dizer, em abono do Eça, que é dificil a um escritor permanecer intemporal numa época de tão grande degradação de todos os valores éticos e morais. Nem o Eça aguenta, por outras palavras !
Enfim, como comecei por dizer, devo ser eu que não ando com paciência.
Também, quem pode ficar indiferente ao descalabro acelerado deste país e aos efeitos sociais desta crise ?
domingo, março 01, 2009

OS NOSSOS OFF-SHORE E OS DOS OUTROS
Hoje não vos vou aborrecer com política.
Hoje vou virar-me para o humor, tão necessário neste país cinzento.
O sr Ministro de Estado e das Finanças ( ver imagem ao lado ) repudia energicamente os off-shore que, como ele muito bem sabe, foram inventados e proliferaram por todo o Mundo para permitir a fuga aos impostos e a outras esquisitices regulamentares dos governos.
Repudia os off-shore ... menos o da Madeira, claro.
O "nosso" off-shore é muito melhor que os off-shore dos outros.
O "nosso" off-shore é supervisionado por ele, garante.
( este espaço foi por mim intencionalmente deixado em branco para permitir ao leitor raciocinar e tentar compreender a elevada densidade científica desta afirmação )
E pronto, deixo-vos com este apontamento queiroziano.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
AINDA SE APROVEITA ALGUMA COISA ?
Não me apetece escrever nada. Nem fazer nada. Só sinto uma profunda letargia. Sou um urso em hibernação. Palpita-me que estou acompanhado dos outros 9 milhões e meio de portugueses. Deixo de fora 500.000 que não são ursos. São aves de rapina. As aves de rapina não hibernam, não dormem e não descansam, sempre a pairar em círculos sobre tudo o que mexe, prontas a mergulhar e a afundar as suas garras em tudo o que valha a pena.
Já não sinto nada, o disjuntor central do meu cérebro disparou, a sobrecarga era exagerada. Nunca vivi nada de semelhante ao longo dos meus muitos anos de vida. Onde estavam escondidos, como apareceram, todos estes vampiros ? Quem lhes ensinou a arte, com quem aprenderam a usar os offshores, como perderam toda a vergonha ?
Que forças poderosas os movem, como conseguem usar as máscaras de gente séria e decente, que vento, chuva ou temperatura lhes permitiu desabrochar ?
Amigos, vá lá. Isto a que assistimos no nosso país não é obra de meia dúzia de corruptos. São muito mais que isso. É uma praga. A praga dos gafanhotos corruptos.
Sabe-se como começam, nunca se sabe como vão acabar. Começam nos partidos políticos, calmamente. Fazem-se notar, chegam-se aos chefes, abanam vigorosamente a cabeça, em sins ou nãos de enérgica concordância. Esperam a sua vez. Dão bicadas uns nos outros, como galinhas à espera do milho. Um dia são premiados, o chefe entrega-lhes um institutozito para dirigir (?) ou um lugarzito no Parlamento ou mesmo um lugar de director-geral. Um lugar onde normalmente dão largas à sua desesperada incompetência, a troco de uns milhares todos os meses, mais cartão de crédito e BMW. O pior nem é o dinheiro que estas sombras cinzentas consomem. O pior é que os organismos ou instituições por onde passam estiolam, apodrecem, ficam cada vez mais irremediavelmente atolados na lama.
Um dia, ahhhh finalmente, um dia deixam o governo ou o poder, com uma grande experiência … em tráfico de influências. Nesse dia, esfregam as mãos, chegou o momento tão ansiosamente esperado: um conselho de administração ( um ? Vários, como tantos casos que conheço ), numa grande empresa ou num banco.
A partir daí, mais nada por norma se conhece da vida deste promissor gestor. Apenas se sabe que, poucos anos volvidos, compra casas de meio milhão a vários milhões de euros, apresenta garagens com bentleys ou aston-martins ( os mercedes e bmw são muito foleiros para esta gente ), frequenta restaurantes que o leitor nem de nome conhece e torna-se, finalmente, uma pessoa de BEM.
Pensa que exagero, leitor ?
Oxalá assim fosse. É mesmo assim como lhe conto.
Ocasionalmente, um deles estampa-se ou é apanhado numa das reviravoltas dos jogos de poder e cai-lhe em cima uma sindicância, um inquérito, uma investigaçãozinha.
E depois, que mal tem isso ? São uns anitos um pouco chatos é verdade, mas a verdade vem longe e duvida-se que alguma vez se descubra. Com sorte, até os honorários dos advogados são pagos pelo Estado. E depois, há sempre uns sobrinhos ou primos na Suiça ou em Lisboa, dispostos ajudar a família, não é ?
Ahhh, agora vem outra verdadeira catástrofe : a justiça portuguesa. Toda a gente afirma a pés juntos que acredita na Justiça ( com J maiusculo ) e mais blablabla, enquanto esperamos anos e anos por ela, essa tal justiça.
Por mim, sou sincero, estou farto disto tudo. Dos corruptos, dos vigaristas, da política pequenina e também da justiça portuguesa. Acredito na justiça, mas apenas enquanto conceito teórico.
Na prática das nossas vidas, acho que a justiça portuguesa é ineficaz, demorada, por vezes estranhamente enviesada e parcial. Não acredito numa justiça que precisa que um vigarista abandone a presidência de um clube de futebol para o acusar. Não acredito numa justiça que anda ou não anda com os processos conforme os ventos que sopram do poder. Não acredito em deputados dependentes dos chefes dos partidos, em investigadores dependentes ou temerosos dos governos, em entidades de regulação não autónomas e de espinha curvada. Também não acredito em polícias, de investigação ou não, demasiado reverentes e atentas.
Portugal, tal como está, é um país sem espinha e sem projecto.
A culpa, como sempre, não é deles … é nossa.
Não me apetece escrever nada. Nem fazer nada. Só sinto uma profunda letargia. Sou um urso em hibernação. Palpita-me que estou acompanhado dos outros 9 milhões e meio de portugueses. Deixo de fora 500.000 que não são ursos. São aves de rapina. As aves de rapina não hibernam, não dormem e não descansam, sempre a pairar em círculos sobre tudo o que mexe, prontas a mergulhar e a afundar as suas garras em tudo o que valha a pena.
Já não sinto nada, o disjuntor central do meu cérebro disparou, a sobrecarga era exagerada. Nunca vivi nada de semelhante ao longo dos meus muitos anos de vida. Onde estavam escondidos, como apareceram, todos estes vampiros ? Quem lhes ensinou a arte, com quem aprenderam a usar os offshores, como perderam toda a vergonha ?
Que forças poderosas os movem, como conseguem usar as máscaras de gente séria e decente, que vento, chuva ou temperatura lhes permitiu desabrochar ?
Amigos, vá lá. Isto a que assistimos no nosso país não é obra de meia dúzia de corruptos. São muito mais que isso. É uma praga. A praga dos gafanhotos corruptos.
Sabe-se como começam, nunca se sabe como vão acabar. Começam nos partidos políticos, calmamente. Fazem-se notar, chegam-se aos chefes, abanam vigorosamente a cabeça, em sins ou nãos de enérgica concordância. Esperam a sua vez. Dão bicadas uns nos outros, como galinhas à espera do milho. Um dia são premiados, o chefe entrega-lhes um institutozito para dirigir (?) ou um lugarzito no Parlamento ou mesmo um lugar de director-geral. Um lugar onde normalmente dão largas à sua desesperada incompetência, a troco de uns milhares todos os meses, mais cartão de crédito e BMW. O pior nem é o dinheiro que estas sombras cinzentas consomem. O pior é que os organismos ou instituições por onde passam estiolam, apodrecem, ficam cada vez mais irremediavelmente atolados na lama.
Um dia, ahhhh finalmente, um dia deixam o governo ou o poder, com uma grande experiência … em tráfico de influências. Nesse dia, esfregam as mãos, chegou o momento tão ansiosamente esperado: um conselho de administração ( um ? Vários, como tantos casos que conheço ), numa grande empresa ou num banco.
A partir daí, mais nada por norma se conhece da vida deste promissor gestor. Apenas se sabe que, poucos anos volvidos, compra casas de meio milhão a vários milhões de euros, apresenta garagens com bentleys ou aston-martins ( os mercedes e bmw são muito foleiros para esta gente ), frequenta restaurantes que o leitor nem de nome conhece e torna-se, finalmente, uma pessoa de BEM.
Pensa que exagero, leitor ?
Oxalá assim fosse. É mesmo assim como lhe conto.
Ocasionalmente, um deles estampa-se ou é apanhado numa das reviravoltas dos jogos de poder e cai-lhe em cima uma sindicância, um inquérito, uma investigaçãozinha.
E depois, que mal tem isso ? São uns anitos um pouco chatos é verdade, mas a verdade vem longe e duvida-se que alguma vez se descubra. Com sorte, até os honorários dos advogados são pagos pelo Estado. E depois, há sempre uns sobrinhos ou primos na Suiça ou em Lisboa, dispostos ajudar a família, não é ?
Ahhh, agora vem outra verdadeira catástrofe : a justiça portuguesa. Toda a gente afirma a pés juntos que acredita na Justiça ( com J maiusculo ) e mais blablabla, enquanto esperamos anos e anos por ela, essa tal justiça.
Por mim, sou sincero, estou farto disto tudo. Dos corruptos, dos vigaristas, da política pequenina e também da justiça portuguesa. Acredito na justiça, mas apenas enquanto conceito teórico.
Na prática das nossas vidas, acho que a justiça portuguesa é ineficaz, demorada, por vezes estranhamente enviesada e parcial. Não acredito numa justiça que precisa que um vigarista abandone a presidência de um clube de futebol para o acusar. Não acredito numa justiça que anda ou não anda com os processos conforme os ventos que sopram do poder. Não acredito em deputados dependentes dos chefes dos partidos, em investigadores dependentes ou temerosos dos governos, em entidades de regulação não autónomas e de espinha curvada. Também não acredito em polícias, de investigação ou não, demasiado reverentes e atentas.
Portugal, tal como está, é um país sem espinha e sem projecto.
A culpa, como sempre, não é deles … é nossa.
terça-feira, janeiro 27, 2009
JÁ NÃO É NAVEGAÇÃO À VISTA ... É MESMO ANDAR À DERIVA !
Esta gente, meus senhores, não faz a mínima ideia do que anda a fazer. Acreditem ou não, esta é a verdade, nua, dura, simples e ... aterradora.
Não me estou a colocar naquela posição típica do português que apenas sabe mandar umas bocas e nada mais. Palavra que procuro, afanosamente, encontrar um sentido para toda esta rapaziada ambiciosa e atrevida que encheu os corredores do poder. Mas não consigo. Nada do que se passa actualmente neste nosso país faz sentido. Apenas vejo uma enorme quantidade de iniciativas tontas e apressadas, muitas delas nem sequer estudadas, algumas outras mesmo contraditórias, como se todo o Portugal não passasse de uma grande manta tipo patchwork. Soundbytes, apenas. Propaganda. Feira da Ladra pura. Cada serviço, cada direcção geral, toda a gente tem muitos objectivos modernos e entusiasmantes. Todos os ministros falam que se fartam sobre grandes iniciativas, desde o TGV ao simplex, desde as novas oportunidades ao 12º ano para todos, desde o aborto ao casamento entre rapaziada do mesmo sexo. Tudo numa tremenda caldeirada ideológica, ao sabor dos ventos dos shares e das sondagens, sem o menor plano de conjunto nem sequer uma ideiazita agregadora.
Fazem-se coisas como o simplex, a casa na hora ( ou lá o que é ), por um lado. Por outro, inventam-se novos impressos e documentos que quem quer vender ou alugar uma casa tem que mandar fazer, por centenas de euros e horas e horas de espera, a dizer que a casa é assim e assado quanto ao consumo de energia, ainda que a casa tenha 100 e tal anos ... Mas isto não é de malucos ?
A sério : já não é uma questão de concordar ou não com as políticas deste governo. Pura e simplesmente, não os entendo. Não faço a mínima ideia do que eles querem deste país. E o mais dramático, é que estou convencido que eles também não.
Esta gente, meus senhores, não faz a mínima ideia do que anda a fazer. Acreditem ou não, esta é a verdade, nua, dura, simples e ... aterradora.
Não me estou a colocar naquela posição típica do português que apenas sabe mandar umas bocas e nada mais. Palavra que procuro, afanosamente, encontrar um sentido para toda esta rapaziada ambiciosa e atrevida que encheu os corredores do poder. Mas não consigo. Nada do que se passa actualmente neste nosso país faz sentido. Apenas vejo uma enorme quantidade de iniciativas tontas e apressadas, muitas delas nem sequer estudadas, algumas outras mesmo contraditórias, como se todo o Portugal não passasse de uma grande manta tipo patchwork. Soundbytes, apenas. Propaganda. Feira da Ladra pura. Cada serviço, cada direcção geral, toda a gente tem muitos objectivos modernos e entusiasmantes. Todos os ministros falam que se fartam sobre grandes iniciativas, desde o TGV ao simplex, desde as novas oportunidades ao 12º ano para todos, desde o aborto ao casamento entre rapaziada do mesmo sexo. Tudo numa tremenda caldeirada ideológica, ao sabor dos ventos dos shares e das sondagens, sem o menor plano de conjunto nem sequer uma ideiazita agregadora.
Fazem-se coisas como o simplex, a casa na hora ( ou lá o que é ), por um lado. Por outro, inventam-se novos impressos e documentos que quem quer vender ou alugar uma casa tem que mandar fazer, por centenas de euros e horas e horas de espera, a dizer que a casa é assim e assado quanto ao consumo de energia, ainda que a casa tenha 100 e tal anos ... Mas isto não é de malucos ?
A sério : já não é uma questão de concordar ou não com as políticas deste governo. Pura e simplesmente, não os entendo. Não faço a mínima ideia do que eles querem deste país. E o mais dramático, é que estou convencido que eles também não.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
DISCIPLINA DE VOTO ... O CARAÇAS !
No domínio da dignidade de um ser pensante, haverá alguma coisa mais horrível que aquilo a que os partidos políticos chamam a disciplina de voto ?
Obrigar alguém a votar contra a sua consciência não será a fronteira limite da democracia, não será já o início do totalitarismo ?
Que justificações éticas e políticas podem ser apresentadas para defender uma atitude destas ? A justificação real, e unica, não será o medo das opiniões das pessoas, neste caso dos deputados ?
Pura e simplesmente não se pretende OBRIGAR pessoas a pensar como o partido quer, e não como elas, pessoas, querem ?
Qual é a diferença, do ponto de vista teórico, para um partido totalitarista ?
Afinal, são as pessoas que determinam a opinião de um partido ou é exactamente ao contrário, é o partido que diz às pessoas como devem pensar ?
DISCIPLINA PARTIDÁRIA, uma ova, desculpem.
TOTALITARISMO PARTIDÁRIO, isso sim, não me venham com falinhas suaves e hipócritas.
É por esta e muitas outras, do mesmo nível, que eu nunca pertenci nem hei-de pertencer a partido nenhum. Prezo muito a minha liberdade de pensamento.
Agora, perante isto, imagino o que irá na cabeça do Manuel Alegre. Conhecendo-o e admirando-o, aposto que só lhe resta uma atitude : desrespeitar a disciplina partidária, ser ele próprio. Nem sei que atitude ele iria tomar, com liberdade de opção no voto. Agora, só lhe resta uma coisa, com esta história da disciplina de voto : continuar a proclamar : “A mim, ninguém me cala !”.
Este nosso Portugal não está em crise . Está é uma verdadeira latrina, cheia de merda.
No domínio da dignidade de um ser pensante, haverá alguma coisa mais horrível que aquilo a que os partidos políticos chamam a disciplina de voto ?
Obrigar alguém a votar contra a sua consciência não será a fronteira limite da democracia, não será já o início do totalitarismo ?
Que justificações éticas e políticas podem ser apresentadas para defender uma atitude destas ? A justificação real, e unica, não será o medo das opiniões das pessoas, neste caso dos deputados ?
Pura e simplesmente não se pretende OBRIGAR pessoas a pensar como o partido quer, e não como elas, pessoas, querem ?
Qual é a diferença, do ponto de vista teórico, para um partido totalitarista ?
Afinal, são as pessoas que determinam a opinião de um partido ou é exactamente ao contrário, é o partido que diz às pessoas como devem pensar ?
DISCIPLINA PARTIDÁRIA, uma ova, desculpem.
TOTALITARISMO PARTIDÁRIO, isso sim, não me venham com falinhas suaves e hipócritas.
É por esta e muitas outras, do mesmo nível, que eu nunca pertenci nem hei-de pertencer a partido nenhum. Prezo muito a minha liberdade de pensamento.
Agora, perante isto, imagino o que irá na cabeça do Manuel Alegre. Conhecendo-o e admirando-o, aposto que só lhe resta uma atitude : desrespeitar a disciplina partidária, ser ele próprio. Nem sei que atitude ele iria tomar, com liberdade de opção no voto. Agora, só lhe resta uma coisa, com esta história da disciplina de voto : continuar a proclamar : “A mim, ninguém me cala !”.
Este nosso Portugal não está em crise . Está é uma verdadeira latrina, cheia de merda.
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