sábado, julho 03, 2010

A QUESTÃO DA PT E DA TELEFÓNICA

As reacções indignadas de muita gente ao uso, pelo Estado Português, do direito de veto na aquisição da parte que a PT possui na brasileira Vivo pela espanhola Telefónica é ... inacreditavelmente hipócrita.
Porquê ? Porque toda a gente sabe que a maior parte dos Estados Europeus se têm oposto à aquisição das suas maiores empresas por empresas estrangeiras e aí toda a gente se calou e se calhar até achou bem. Num excelente artigo de Nicolau Santos publicado hoje no Expresso é claramente desmontada essa hipocrisia. Por exemplo, idêntica investida da mesma Telefónica à sua congénere italiana foi também travada por Berlusconi. Ainda pior, o governo espanhol tem-se oposto a várias compras dessas !
Portanto, o comportamento do governo português só pode indignar hipócritas de má memória ou aqueles que acham que Portugal se deve sujeitar a tudo o que qualquer país lhe queira impor. Ou os que acham que o mercado merece uma veneração divina.
Pela primeira vez em muito tempo, mesmo em MUITO TEMPO, o meu aplauso para uma decisão de José Sócrates. Que seja dito o que é justo, o senhor não teve medo.
Do lado oposto, a actuação do líder do BES, o senhor Ricardo Espírito Santo, foi absolutamente ... ignóbil. O senhor, que vinha proclamando aos sete ventos ser um fiel defensor da estratégia da administração da PT, virou completamente a casaca, na noite anterior à assembleia geral, a troco de uns míseros milhões de euros com que os espanhóis acenaram. Nada de admirar nestes senhores, só os admira e tem respeito quem for parvo ou ignorante ou deles precisar. Não é o meu caso, e a piada é que, ao longo dos anos, sempre que olhava a cara desse senhor, na TV, eu me lembrava de um velho princípio da sobrevivência e pensava : "aqui está um homem a quem eu nunca ia virar as costas, em caso de conflito".
A PT fez mal, distraiu-se e virou-lhe as costas, para falar com alguém que estava por detrás. Foi o suficiente, o senhor votou ao lado dos espanhóis. Ele e a Ongoing, uma "coisa" que ninguém ainda entendeu muito bem o que seja. Produz o quê ? Acções ?
Bem, resumindo e desanuviando : perder no futebol é uma coisa, deixar-se "comer" em casa pela Telefónica seria outra. Não seriam nunca os espanhóis, depois, a garantir os postos de trabalho que a PT hoje representa, para portugueses, em Portugal e Brasil.
Por uma vez, aplaudo.
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quarta-feira, junho 30, 2010

A SELECÇÃO É IGUAL AO PAÍS

Amigos, viram ontem, com olhos calmos ?
A selecção nacional de futebol traduz fielmente o estado de espírito da nação : medo de tudo, falta de ousadia, erros de casting, ausência de um líder agregador e motivador, ausência de uma estratégia ganhadora.
Uma tristeza completa, não tanto pelo futebol, mas pela semelhança com o país. Quer acreditem ou não, quer gostem ou não, aquilo somos nós, hoje, como nação.
Desnorteados, mal conduzidos, cada um para seu lado ...

segunda-feira, junho 28, 2010

A ARROGÂNCIA E A IGNORÂNCIA ELEVADAS À CATEGORIA DE POLÍTICAS

Infelizmente, é exactamente como se lê no título.
No princípio desta infeliz viagem, a arrogância, o posso-quero-e-mando transpareciam em todos os actos deste Governo. Como se toda a lucidez e inteligência tivessem ido morar para S.Bento deixando o resto do País a navegar num imenso mar de ignorância. Eles é que sabiam, eles iriam transformar este país, através, nomeadamente, de uma tremenda inovação tecnológica. Claro que todas estas pias intenções acabaram nuns quantos Magalhães a serem vendidos na Feira da Ladra e pouco mais.
Os países não se transformam facilmente, mas sobretudo não se mudam por acção de aprendizes de feiticeiro, viu-se depois.
Agora, passada a euforia e a presunção, agora, que o fim está anunciado e o País está bem pior do que quando eles o começaram a governar, a situação é ainda mais caricata : teimosa e encarniçadamente, os ministérios teimam na asneira, de qualquer maneira, contra o tempo e o bom senso, contra tudo e todos.
Não querendo aborrecer as clientelas e amiguinhos, insiste-se em medidas tontas para baixar custos em vez de acabar com institutos e serviços camarários fantasmas, duplicações escandalosas de serviços públicos, vencimentos exageradíssimos, etc ...
Nos últimos dias, tenho assistido, entre estarrecido e incrédulo, a actuações incríveis de diversos ministérios : um decidiu fazer o pessoal pagar pelas SCUTs, mas esqueceu-se de o fazer em toda a parte, só lhes interessou o Norte. Outro, vai-se às escolinhas com menos de 21 alunos e zás, acaba-se com elas, pura e simplesmente, sem ouvir nem falar com ninguém.
Por outro lado, numa estranha, provinciana e ultrapassada utopia dos ganhos pela concentração, vá de extinguir agrupamentos de escolas ... e uni-los em super hiper agrupamentos, como se se fosse ganhar muito com isso. Uma vez mais, não há discussão do projecto, não há preparação da sua execução, não há reflexão, nada. Faz-se e pronto, esta cambada de estúpidos e ignorantes que nós somos não merece mais.

Chega, pessoal. Chega e por muitos motivos. O primeiro desses motivos é que ninguém lhes passou procuração para fazer essas coisas. Já é motivo sério e grave.
O segundo motivo, porém, é ainda pior : é que, declarada e ostensivamente, não têm capacidade nem competência para lidar com essas coisas e destrui-las assim do pé para a mão.
Chega. Larguem já o que estão a fazer, vão-se embora e deixem a outros o encargo de estudar e fazer o que deve ser feito.
Já se viu que os senhores ministros actuais não sabem lá muito bem o que andam a fazer. Aproveitem, devem estar cansados, vão de férias e ... não voltem, por favor.
Afinal, convêm não esquecer que os ministros não foram escolhidos por Deus, foram apenas eleitos por nós, muitos de nós enganados, creio eu.
Vamos escolher outros ? É que estes já atingiram manifestamente o seu nível de incompetência ...

Em tempo : das minhas palavras não se julgue que advogo ou que vejo com bons olhos a subida ao poder do inefável novo líder do PSD ... Nada disso, farto das delícias do liberalismo andamos nós todos ! Logo, a batata quente está nas mãos do PS, como não podia deixar de ser. Vejam se ainda vão a tempo de contrariar as coisas e arranjam um homem ou mulher que entenda o País e saiba construir. Convirá, para variar, que não dê assim tanta importância ao marketing e à comunicação social. Serão capazes disso ?

terça-feira, junho 15, 2010

O TEMPO ESTÁ A ESGOTAR-SE ...

É verdade, não me tem apetecido escrever. Nos últimos tempos, oiço e vejo aquilo que se passa à minha volta como se tudo tivesse que ser filtrado e depurado. Nunca, em toda a minha vida, vi e ouvi tantas mentiras, tantas deturpações e tantos "desvios" à verdade dos factos. De há uns anos para cá, a falsidade, a hipocrisia e a falta de vergonha invadiram a vida pública portuguesa. O sentimento de nojo pelo ar pestilento espalha-se à nossa volta. Este Partido Socialista, pela mão de José Sócrates, conseguiu provocar na vida política nacional esta irremediável ferida : inaugurou o paradigma de que em política não é preciso fazer nada de bom e de concreto para a população, basta afirmar abundantemente que se fez isto e aquilo e ... calar todos aqueles que disserem o contrário. De forma discreta que logo de seguida será desmentida, claro. O resto é dos livros : muita gente se cala, uns por medo puro, outros para proteger os seus interesses, outros ainda porque receiam que o PSD venha a ser um problema ainda maior que o actual PS. O que não é nada difícil, ainda por cima.
Restam os outros, os que mandam o medo às urtigas, os não comprometidos, os não alinhados, aqueles a quem cabe restituir dignidade a este País e ao exercício do poder. Como sempre.

quarta-feira, junho 09, 2010

LÍDERES, PRECISAM-SE

Desgraçadamente, é assim mesmo como estão a ler : tanto em Portugal, como no resto da Europa, nesta época difícil, NÃO temos líderes inspirados, corajosos e com visão.
Nota-se perfeitamente uma onda de histeria a invadir toda a Europa. Chefes de Governo, altos funcionários da União Europeia, líderes da oposição, vemos toda a gente de cabeça mais ou menos perdida.
Ninguém tem qualquer ideia sensata ou mesmo louca sobre o que fazer. Toda a gente se limita a copiar medidas de contenção orçamental avulsas, sem sequer parar para pensar.
Até há uns meses, a palavra de ordem era colocar dinheiro no sistema financeiro, custasse o que custasse. Até a economia retomar. Uns meses depois, e porque a especulação financeira acelerou, toda a Europa decidiu, quase sem discussão, que agora o importante era controlar os défices, a todo o custo ...
Então e a crise, já acabou ? Se não acabou, onde nos vai levar esta loucura ?
Até a controlada Alemanha, por norma tão contida e reflectida, se apressou a baixar salários e a reter subsídios de Natal. Na Europa, acho que só a França tem escapado a este zelo doido no acerto das contas públicas.
Histeria, chamei-lhe eu, mas um prémio Nobel da Economia chamou-lhe recentemente masoquismo. O masoquismo europeu, que ele receia venha a afectar também os EUA.
Mas não é só na Europa que toda a gente parece de cabeça meio perdida. Nos EUA todas as vozes que sempre viram com maus olhos o euro aproveitam para clamar que o euro está condenado e que vai ser uma catástrofe do caraças.
Uma verdade está a vir ao de cima, singela e poderosa na sua clareza : a Europa, tal como tem sido estruturada, é um enorme bluff, um gigantesco castelo de cartas. É apenas uma gigantesca e ruinosa burocracia que não sabe para onde se virar, nestes dias. São milhares de funcionários, pagos a peso de oiro, com as mãos na cabeça. Mas estão a ver os líderes europeus conscientes desta verdade e a pensar o que deve ser feito ? Qual quê, é mais fácil aproveitar a maré e ir cortando em salários e regalias sociais dos trabalhadores, sempre se aproveita algo da crise, não é ?
Já notaram a insistência, por exemplo, com que em Portugal aparecem senhores bem vestidos e de ar competente a clamar por uma redução generalizada de salários ? Já pensaram porque raio é que quando há uma crise o remédio é sempre esse ? Já os ouviram, uma só vez que fosse, falar nas outras componentes que influenciam a produtividade e competitividade das nossas empresas ? Investimentos em equipamentos, organização, novas tecnologias ? Nãoooooooooo, isso dá muito trabalho, e obriga os "amigos" a investir e a arriscar, é mais fácil baixar salários e meter "a la poche" o diferencial daí resultante ! E se isso conduzisse a um aumento de exportações, por exemplo, ainda bem, mais uns eurozitos para engrossar a colheita anterior.
Amigos, digo-vos com toda a sinceridade : todos estes líderes políticos me metem nojo. E raiva. E desespero.
Infelizmente, já não somos só nós, portugueses, a não ir longe.
Toda a Europa está parada, em desalento, à procura de alguém providencial e salvador. Por mim, que não sou nada disso, apenas digo à Europa : não vão por esse caminho, é um erro gigantesco. Façam o oposto, ousem tomar medidas de incentivo à economia e ao consumo, aguentem enquanto puderem os défices internos e externos e dêem confiança às pessoas.
Então, de repente, toda a gente se esqueceu que, afinal, toda a economia assenta num jogo de expectativas ?

quarta-feira, junho 02, 2010

O PRETENSIOSISMO DOS PSEUDO SALVADORES DA PÁTRIA

Hoje apetece-me falar-lhes sobre um fenómeno social que me intriga e também me irrita um pouco.
Fazem-me cócegas na inteligência as pessoas que se colocam nos bicos dos pés. Aquelas pessoas que, desprovidas de um mínimo de sentido de autocrítica e senhoras de um ego enorme ( e despropositado ) se julgam perfeitamente aptas a desempenhar altas funções de Estado ou outras. A maior parte das vezes, esta gente será apenas sofrível ou mesmo medíocre nessas funções, como a prática mostra abundantemente mais tarde. Infelizmente, só percebemos bem isso quando o mal está feito e muito tempo está já perdido.
Querem saber em quem penso quando digo estas palavras ? Em pessoas como Sócrates, Fernando Nobre, Santana Lopes, Manuel Alegre, Passos Coelho e tantos outros. Há-os de dois tipos fundamentais : os salvadores "profissionais" e os "iluminados" repentinos. Uns nunca aprenderam a fazer nada na vida para além da sua missão de salvadores da Pátria ; os outros baralham as coisas e pensam que a presidência é uma espécie de medicina missionária para os males da política.
Sinto que muitos de vós se encolhem, quando digo isto, e pensam que endoideci.
Garanto-vos que estou na plena posse das minhas faculdades. E que estas chegam perfeitamente para saber porque digo o que digo.
Tenho um conceito muito "sério" do que deve ser o serviço público, a este nível. Deve ser algo a que apenas se devem candidatar pessoas que tenham algo de novo e útil a oferecer à comunidade. Estas funções não podem ser olhadas como formas de progressão pessoal ou de conquista de notoriedade.
Na minha opinião, é isso que tem acontecido. Estas pessoas não têm nem imaginação nem capacidade de motivação geral e sobretudo não têm a mais pequena ideia do que deve ser feito para arrancar Portugal deste marasmo. Falam, falam, mais nada. Seria natural, perante as lacunas e dificuldades do nosso desenvolvimento, que as pessoas fossem modestas e reconhecessem que não sabem o que há-de ser feito. O quê ? Não sabem, eles, os supremos arquitectos do país ? Claro que sabem, dizem eles. E depois ... é o que se vê. Atolam-se, perdem-se, não sabem para que lado se hão-de virar. Sabem que mais ? Assim também eu, acreditem. Seria difícil qualquer um de nós fazer pior que isto, nos últimos ( muitos ) anos.
Olhem bem à vossa volta, reflictam nos currículos dessas pessoas, analisem o que aconteceu de bom ou de mau graças a eles, e depois tentem perceber porque raio é que o país nunca vai a lado nenhum.
Se entenderem bem os porquês, verão que, tal como eu, pensarão : mas que raio tem Manuel Alegre ou Fernando Nobre a oferecer aos portugueses ? Ou Passos Coelho ? Ou Sócrates ? Ou ... Cavaco, já agora ?
Não temos gente melhor que estes ?
Não acredito.

segunda-feira, maio 31, 2010

UMA CURTÍSSIMA

Os israelitas são umas bestas. Perderam totalmente os valores civilizacionais básicos. Esta foi a gota de água, para mim. Não passam de umas bestas. É quase afrontoso que um povo que passou o que passou nas mãos de um tresloucado como Hitler, se transforme, poucos anos volvidos, numa reedição desse mesmo louco assassino.
Sem mais nem menos, com todas as letras que a palavra tem.
Assassinos.
Ganhem vergonha, suas bestas.
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PORTUGAL ENEVOADO

Como quase sempre ao longo da minha vida, o nosso país está envolto em névoa. As pessoas estão cá, estão vivas, mas movem-se de um lado para o outro como fantasmas, não se conseguem distinguir bem, no meio da névoa. Algo lhes roubou a côr, o viço, a alegria. Sempre me lembro desta malfadada bruma a envolver as pessoas. Dantes - oh meu Deus, há quanto tempo - dantes era o Salazar malvado, ditador e rústico. Agora é o iluminado e predestinado Sócrates, sem esquecer os longos anos do competente e aureolado Cavaco. Tudo gente ilustre - bem uns mais que outros, como decerto se lembrarão. A porcaria da névoa, da bruma é que é sempre a mesma. Está sempre omnipresente, pegajosa e húmida. Entra por qualquer pequeno buraquinho e inunda-nos a alma, suga-nos a vontade de lutar, sei lá que outros efeitos nefandos traz esta maldita névoa.
Para já não falar no reumático, nas dores na coluna e nos joelhos. É uma perfeita desgraça, esta névoa.
Sabem, eu nunca percebi se esta névoa vem do mar, de longe, ou se afinal vem desta gente triste e fria que povoa o meu país. Acho que são as pessoas que fabricam esta neblina, para disfarçar os que lhes vai na alma. Para que a miséria e o desalento não se notem tanto.
Ou então é castigo. Alguém me sabe dizer que tamanho pecado cometemos nós, os portugueses, que vilanagem medonha cometemos, para sermos tão duramente castigados por esta névoa maldita que não nos larga há séculos ?? Que mal fizemos nós a Deus e aos Santos para nos atirarem esta humidade peçonhenta e, ainda por cima, nos brindarem com chefias e lideranças tão declaradamente tontas e incompetentes como aquelas que temos tido ?
Mas quem é que precisa de timoneiros que nem sequer sabem para que lado se hão-de virar ?
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segunda-feira, maio 24, 2010

ESTA EUROPA DAS CONTRADIÇÕES ...

Para quem gosta destas questões, peço-lhes que tenham um pouco de paciência e vejam o vídeo anexo. É Daniel Cohn-Bendit, que os mais velhos reconhecerão logo como umas das figuras do Maio de 1968 em França. Desta vez, num discurso no Parlamento Europeu, insurge-se contra as contradições da Europa no auxílio à Grécia, e na hipocrisia da França e da Alemanha que venderam material militar no valor de biliões de euros à Grécia, em especial por causa do conflito Grécia-Turquia.
O discurso foi feito em francês, mas o video tem legendas em inglês, para quem estiver mais familiarizado com esta língua.
Agradeço ao meu amigo Fernando Cardeira ter-me chamado a atenção para este discurso.

sexta-feira, maio 21, 2010

DARWIN NÃO CHEGOU AQUI !

Somos o país do medo.
O país dos cobardes.
O país dos que deixam tudo na mesma para que mais tarde o tecto não lhes caia em cima.
O país dos que ameaçam que fazem isto e aquilo se, mas que nada fazem quando a oportunidade surge.
O país dos mentirosos.
O país dos que apresentam moções de censura ao governo, mas não para o derrubar.
O país dos que fazem hoje acordos com o governo e amanhã o censuram e lhe chamam nomes.
O país do faz de conta.
O país em que toda a gente se conhece e dá palmadas nas costas em privado. E depois se insultam em público, para parecer que ...
O país em que toda a gente tem irmãos, filhos, filhas, primos e primas a precisar de uma palavrinha ao ******** para um empregozito.
O país do mansos e dos falsos.
O país da hipocrisia e das meias tintas.
O país dos empresários que acham que a competitividade é pagar uma miséria aos empregados e ainda preconizam ... a descida dos salários para fazer face à crise.
O país dos empresários em que mais de três quartos tem a 4ª classe mal tirada.
O país dos sindicalistas/militantes partidários. Independentes que se farta.
O país onde nunca vi nenhum sindicato lutar pela organização, formação e reequipamento das empresas como forma de melhorar a produtividade.
O país onde os poucos que acabam as faculdades e outras escolas com notas brilhantes emigram ... ou vão trabalhar no sistema financeiro.
Em síntese, o país em que Darwin se enganou : aqui não houve evolução da espécie humana, ou se houve foi uma evolução negativa, regredimos aos tempos das trevas e da ignorância, quando a trampolinice era a palavra de ordem, os caciques mandavam e a miséria e a fome eram a rotina da maior parte da população.
Para mim, e para alguns dos meus amigos, estou certo, tudo isto é uma espécie de "remake" ou reposição do filme que já vimos nas nossas infâncias.
Bom, talvez não seja.
Agora os vigaristas são muitos mais e tudo se passa a cores e com som Dolby Sensaround.

PS - Não se zangue comigo o caro leitor. Até Darwin previu os casos excepção. Também temos alguns casos ( poucos, poucos ... ) onde as leis da evolução seguiram o seu curso e as pessoas são o oposto das que retrato em cima.

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quinta-feira, maio 20, 2010

QUEM TEM MEDO DA VERDADE ? PORQUÊ ?

Já não tenho grandes dúvidas. Mais do que proteger José Sócrates, parece-me cada vez mais nítida a preocupação de algumas pessoas em defender não sei bem o quê, talvez o País, do embaraço e vergonha que todos sentiríamos se a verdade fosse descoberta.
Só pode ser isso. Do Presidente do Supremo Tribunal ao Procurador-Geral da República, incluindo agora o deputado Mota Amaral, presidente da Comissão de Inquérito ao caso TVI/PT, todos mostram grande preocupação em evitar que a verdade venha ao de cima, todos fazem os impossíveis para justificar a não utilização das escutas.
É sabido que as vertentes políticas contidas nas escutas não irão ser apreciadas em processo penal ( a Face Oculta ); sabemos agora que, na vertente política, Mota Amaral alega que as mesmas escutas só podem ser utilizadas no âmbito do processo penal e não para fins políticos. Ou seja, a pescadinha de rabo na boca.
Diz Mota Amaral :


As alegações são cretinas, qualquer principiante do estudo da lógica percebe que estas pessoas andam a usar pretextos para que a verdade se não saiba.
Estão a defender o PS ? Alguns estarão. Estão a defender Sócrates ? Alguns estarão.
A minha convicção actual é que a porcaria que se extrai das escutas é tal que a defesa da honra do País aconselha a que essa porcaria não venha para a rua.
Será assim ? Porque motivo Mota Amaral diz coisas como esta, para justificar a sua não autorização do uso das escutas ?


Presume-se que estes tais direitos dos cidadãos se referem aos de José Sócrates e amigos, uma vez que aos meus e aos vossos não é de certeza. Não temos direito à verdade, uma vez que é preciso ocultar a verdade daquilo que os outros fizeram.
Uma coisa é certa : o conteúdo das tais escutas deve ser lindo, para que todas estas jogadas se façam. A miséria deve ser tão chocante que toda a gente tem medo de a revelar !!
Só por isso, tanto medo em revelar as tais escutas não é revelador da verdade ?
A mim parece-me que sim.

quarta-feira, maio 19, 2010

AS MARAVILHAS DA JUSTIÇA

É inaudito. É extraordinário. Cada vez mais sou um fã incondicional da justiça em Portugal. Todo o aparelho judicial passará a ter em mim um defensor implacável. Dá gosto pertencer a um país que tem tal sistema judicial.
Acham que estou a exagerar ? Então vejam estes dois ou três casos ...

Primeiro caso : recurso apreciado no Tribunal da Relação de Lisboa pelo sr. não-me-lembro-do-nome, sócio gerente da Bragaparques, acusado pelo Ministério Público de tentativa de corrupção do vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Sá Fernandes. O caso foi documentado com gravações e tudo e na 1ª Instância o réu tinha sido condenado. Sentença da Relação de Lisboa: não culpado, porque o vereador em questão não tinha competência, dentro da Câmara, para conseguir aquilo que o acusado pretendia e lhe pedia, a troco de uma quantia em dinheiro. Portanto, não pode ser enquadrado no crime de corrupção, diz o Tribunal !!

Segundo caso : S. Exª o sr. Primeiro Ministro foi apanhado em longas conversas telefónicas com o sr. dr. Armando Vara, seu amigo, onde se presume que tenham abordado o tema da compra da TVI pela PT. Caso quente. O sr Presidente do Supremo Tribunal declara as escutas nulas e sem valor e ordena a sua destruição, porque foram gravadas sem a sua autorização prévia.

Terceiro caso : na Comissão de Inquérito Parlamentar ao caso TVI/PT, foram analisadas pelo deputado Pacheco Pereira escutas do caso Face Oculta, que são "avassaladoras" e provam que "o Primeiro-Ministro mente".
O Presidente da Comissão decreta que essas escutas não podem ser utilizadas na redacção do relatório final, por tal ser ou poder ser inconstitucional !!

E pronto. Gostam ? Ficam a gostar do nosso sistema judicial ?
Amigos, leitores : estas disposições invocadas para justificar as decisões cheiram mal, não podem deixar de estar ERRADAS, dê lá por onde der.
Não pode existir uma lógica jurídica e uma lógica não jurídica, uma verdade jurídica e uma verdade não jurídica. O objectivo de todos estes sistemas é defender a VERDADE e a JUSTIÇA, e não a ocultação dos factos, por motivos processuais burocráticos.

Ou estou errado e a Justiça passou já mesmo a estar ao serviço do poder e dos poderosos ? Aos senhores juízes e magistrados do ministério público para resposta.
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terça-feira, maio 18, 2010

A HIDRA DAS SETE CABEÇAS

Hoje ao acordar tive este pensamento horrível : ninguém sabe exactamente o que há-de fazer para disciplinar e regulamentar o caos financeiro que impera no Mundo. Permitiram-se demasiadas liberdades, a vaga de fundo do liberalismo conseguiu minar totalmente os alicerces da normalidade e da sanidade dos povos e dos mercados.
Receio bem que a única coisa a fazer seja terminar pura e simplesmente com muitos produtos financeiros que ainda andam por aí ... à força, se necessário.
Acredito mesmo que o comum dos mortais abriria a boca de espanto se lhe dissessem como funcionam muitos desses produtos financeiros. Por exemplo, os "credit default swaps", nome diabólico, que causam todas estas subidas no custo do dinheiro, mais não são que uma espécie de "apostas" sobre a capacidade ou não de um determinado devedor institucional liquidar os seus empréstimos. É um jogo tenebroso e perigoso. Chamam-lhe seguros mas vão por mim, não passam de apostas. E o que é ainda mais sinistro é que muita gente ficará riquíssima, se um determinado país deixar de poder pagar as suas dívidas ! Veja o leitor se encontra alguma lógica nestas coisas.
Por mim, e sou completamente sincero, sempre que preciso inteirar-me disto ou daquilo que se passa nestes circuitos financeiros fico não só com uma enorme dor de cabeça mas também com enormes vómitos. Este sub-mundo fede, cheira a ratazanas e a esgoto, representa aquilo que de pior a humanidade possui.
Bom, mas a coisa, o monstro tentacular, a cobra das sete cabeças é de tal forma sinistra que ninguém sabe o que lhe há-de fazer. É como se toda a actividade humana, fábricas, serviços, emprego, normalidade de vida, tudo, estivesse submetido á arrogância de umas poucas centenas de sanguessugas ...
E não pense o leitor que lhe digo estas coisas a pensar apenas em Wall Street e similares. Não, é exactamente o mesmo entre nós, em Portugal.
É como se apenas interessasse a actividade financeira no Mundo. Já não conta a velha economia, de produzir e vender bens ou serviços. Não, agora o que conta é fazer milhões a todo o custo, nem que seja apenas a vender promessas de ganhar esses milhões.
Logo, a ideia horrível é esta : ninguém é capaz de colocar ordem nisto. Vai ser muito difícil sair deste atoleiro. No meio desta tempestade tremenda, marinheiros de água doce como José Sócrates e a sua equipa estão tão habilitados a lidar com o problema como eu a treinar a equipa de futebol do Real Madrid.

domingo, maio 16, 2010

ESTOU FARTO DESTAS CANTIGAS.
ESTOU FARTO DE PAGAR AS ASNEIRAS E AS BENESSES DOS OUTROS


Já o disse várias vezes, mas vale sempre a pena voltar à verdade básica : o Estado gasta mais do que pode, porque os dois ou três partidos do poder foram admitindo para o sector público todos os amigos e boys e girls que andavam sem emprego lá pelos partidos e ajudavam nas campanhas. Qualquer pessoa sabe que isto é verdade mas quase toda a gente se cala e deixa andar.
Eu assisti, como se em camarote real, a toda esta tramóia. Alguns dos cozinhados aconteceram pouco depois do 25 de Abril debaixo dos nossos olhos incrédulos e atónitos. Na época, ainda conseguimos travar um ou outro, mas depois eles, os senhores democratas impolutos, quiseram correr com os militares do poder. Percebe-se agora bem porquê. Desde aí, foi sempre a eito, numa média espantosa de dezenas de milhar de pessoas por ano. E não se pense que se respeitaram as categorias profissionais do funcionalismo público, com os correspondentes níveis salariais. Não, criaram-se MILHARES de postos de trabalho ( ou melhor, de tachos, porque postos de trabalho não eram de certeza ) que se entregaram a putos recém chegados das escolas ( quando não sem qualquer escolaridade significativa ) com vencimentos iguais aos de funcionários excelentes com 20 e 30 anos de serviço.
E se duvidam, consultem por favor o Diário da República, 2ª série, onde aparecem as nomeações para esses cargos e vejam o nível dos vencimentos.
Sempre que um novo Governo entra em funções, as novas nomeações para assessores de gabinete, chefes de gabinete e adjuntos de várias matérias, no conjunto dos ministérios e secretarias de estado, atinge facilmente as 5 ou 6.000 pessoas. Julgam que estas pessoas se afastam da mesa do orçamento quando o Governo cessa funções ? Estão muito enganados. Nessas alturas, é um corropio de outras nomeações para outros serviços do estado, tutelados por amigos. A coisa repete-se com cada novo Governo.
Sobre os institutos públicos já outro dia falei, MUITOS deles são um perfeito cancro, corrosivo e gastador. Em muitos deles, nada se passa de útil e palpável para o país, ninguém produz nada que tenha o mínimo impacto.
Bem, quando o dinheiro começa a ser curto, o que fazem estes partidos ? Dizem aos milhares de amigos para terem paciência e verem se arranjam trabalho noutro local qualquer ? Claro que não, nem nisso falam. O que fazem é ir aos bolsos de toda a malta rapar mais uns euros, mandam umas bocas vagas e foleiras e continua tudo na mesma, como se estivéssemos no melhor dos mundos.
Este jogo é indecoroso. Este jogo é uma trapaça pegada. Esta realidade social está viciada da cabeça aos pés por estas gerações de políticos com mais sentido de oportunismo que de serviço público. Estes portugueses não mereceram a liberdade de que passaram a usufruir. Nada fizeram com ela, apenas se aproveitaram dela. O país está na mesma, o mesmo lodaçal de sempre, até as moscas são as mesmas, a única coisa que mudou foram as técnicas e tácticas para enganar tudo e todos.
A mim, não são tanto os impostos adicionais que me custam. O que mais me custa é que estou farto de ouvir esta conversa fiada, sei muito bem os comos e os porquês, e sei que passados uns anos estarão a dizer o mesmo aos outros desgraçados dos portugueses que por aqui andarem nessa altura. Soares disse aos portugueses exactamente o mesmo, em 1983, que Sócrates disse em 2010. Bolas, então que se fez de positivo em perto de 30 anos ?? É este o contributo do Partido Socialista ( ou do Social Democrata ... ) para o desenvolvimento do País ? 30 anos passados TUDO NA MESMA ?
Dir-se-á que os pobres dos políticos não têm culpa, são as crises, os vícios estruturais da nossa economia, bla, bla, bla ... OK. Contudo, se não são capazes de fazer funcionar a economia de outra forma mais favorável a todos, porque insistem em se candidatar ?
Ah, amigos, aí poderemos divergir de opiniões, mas eu digo-vos a minha. Eles continuam a candidatar-se, apesar dos continuados fracassos da sua liderança, porque os portugueses são tadinhos e não conseguem separar o trigo do joio. E também porque não saberiam fazer mais nada da vida deles. E ainda porque esta é a melhor maneira de cuidar dos seus interesses e dos dos seus amigos.
Parvos não são, não. Parvos, parvos, somos nós.

quinta-feira, maio 13, 2010

SOTORA, FOI AQUELE MENINO !

E pronto, aí está, ainda fumegante, a sair do forno, o PEC II.
Os meninos não perderam tempo e fizeram diligentemente o trabalho de casa que a sotora lhes passou. A sotora não é pêra doce, é alemã e não tem grande paciência para alunos pouco aplicados. Portanto, aí está.
Que tal ? Acham bem ? Acham mal ? Sentem-se ligeiramente espoliados ou acham que tudo isto é indispensável e não se importam de pagar só para não haver mais chatices ?
Por mim, reservo a minha opinião para futura crónica.
Por hoje só vos queria mostrar a incomparável elegância negocial de José Sócrates. Como sabe que a medida não vai ser nada, mas mesmo nada bem aceite no meio dos seus amigos e boys, apressa-se a dizer que não foi ele, ele até nem concorda com a medida !
Amigos, esta atitude é vergonhosa, convenhamos. Não discuto sequer o mérito da medida ( efeito psicológico tem pela certa ! ) mas, se o Governo a vai tomar em consenso com o PSD, mandaria a elegância e a lealdade negocial que não se viesse dizer aquilo ...
Por amor de Deus, não foi só a licenciatura em Engenharia, afinal o nosso amigo é mesmo assim, um tanto português "esperto", não é ?

terça-feira, maio 11, 2010

LAMENTO MUITO, MAS ...

Este pedido de Bento XVI obriga-me a reflectir na tremenda crise de valores que por aí grassa. Sem dúvida seria muito benéfica uma nova evangelização, e o pedido do Papa é oportuno e até comovente, na medida em que faz apelo ao povo que, outrora, foi capaz de espalhar a doutrina de Cristo por quase todo o Mundo.
Pois é, seria muito bom que ainda fossemos capazes de uma empresa desse género, a Europa bem precisava.
O problema é que já poucos portugueses acreditam e praticam essa doutrina. Estão demasiados ocupados a tratar das suas vidinhas, querem lá saber desses valores. Hoje, a grande preocupação dos portugueses, enfim, de muitos portugueses, é ver se ganham uns euros fáceis, na bolsa, nos negócios rápidos em offshores ou em esquemas complicados para deitar mão a dinheiros públicos. Ou a obter lugares em conselhos de administração.
Portanto, Sua Santidade não se deve iludir. Os portugueses dos séc. XV e XVI morreram há muito e estes, os seus descendentes, estão mais virados para outras aventuras.
Ainda se Bento XVI nos pedisse para difundir a vigarice e a corrupção pela Europa, talvez se arranjasse alguma coisa. Para espalhar a virtude e os valores de Evangelho acho que não vamos arranjar muitos voluntários. Nem a Europa os acolheria bem, já agora ...

segunda-feira, maio 10, 2010

QUANDO O MAR BATE NA ROCHA ...

A Europa do euro, finalmente, resolveu sair da apatia e lutar contra o "mercado" financeiro mundial. Pelo menos uma das medidas básicas foi tomada, a criação de um fundo de recurso para auxílio de países com eventuais dificuldades de financiamento. A juros controlados e que não comprometam a recuperação económica desses países nem a estabilidade geral do euro.
Esta medida já deveria ter sido tomada há um mês atrás, quando os mercados evidenciaram estar a "atirar-se" a certos países da Europa como forma de enriquecimento rápido.
Agora, fazem ainda falta mais duas coisas : a legislação de regulação dos mercados financeiros, ao menos para limitar e disciplinar a especulação, e a criação de uma agência europeia de avaliação de risco financeiro. A Europa não pode descansar enquanto não atingir mais estes dois objectivos.

Desculpe, leitor, a minha insistência com este tema. Sucede que é um tema absolutamente estruturante da nossa vida real, nestes tempos. O leitor já viu onde nos está a levar a ganância e a pouca vergonha de uns quantos tubarões financeiros em todo o Mundo ? Já se fala, entre portas, em aumentar o IVA um ou dois pontos percentuais e em criar um novo imposto sobre os salários, provavelmente sobre o 14º mês.
Já viu, leitor ? Uns armam a confusão, metem milhões ao bolso, e depois nós todos cá estamos para dar para o peditório !
Uma tristeza. Um "remake" que começa a chatear, já dei para vários peditórios destes ao longo da minha vida.
Só espero que, desta vez, haja um pouco mais de cuidado e vergonha na distribuição do sacrifício, não só por quem trabalha mas pelo capital também, empresas financeiras incluídas.

sexta-feira, maio 07, 2010

ATIRAR DINHEIRO PARA A CRISE ... E SAIR DE LÁ QUEIMADO !

Leitor, há cerca de um ano os lideres mundiais reuniam-se e debatiam a tremenda crise financeira. Os bancos, sociedades financeiras e as bolsas debatiam-se com milhões de produtos "tóxicos" que já ninguém queria comprar. Esses bancos e sociedades financeiras, com falta de liquidez, ameaçavam falência e, com ela, toda a economia iria colapsar. A palavra de ordem para os governos foi então a de injectar dinheiro, a qualquer preço, nos bancos e sociedades financeiras. E onde mais fosse preciso.

Nem um ano depois, por causa dessas brincadeiras, os défices públicos de muitos países mostraram o reverso da medalha. Em alguns países, esse défice anual aparecia por cima de grandes dívidas públicas acumuladas de anos anteriores.

Enquanto nos EUA as coisas continuaram sob o signo do combate à mesma crise, aqui na Europa apareceu repentinamente a histeria de outra crise, a do défice público. Como se não fosse algo perfeitamente expectável do anterior. Países como a Alemanha de Ângela Merkel começaram uma pressão tremenda sobre os défices, ainda a crise anterior não estava acabada. E a pressão pegou, hoje já nem o BCE fala da outra crise, já só fala da crise dos défices.

Estas atitudes, na Europa, são surrealistas e suicidárias. São coisas destas que fazem da Europa uma invenção não sedimentada, uma tentativa falhada e não assumida, algo em quem o Mundo não acredita. Sinceramente, acho que a Alemanha não está interessada na Europa, agora que a integração da ex-RDA está politicamente concretizada e a ser economicamente digerida.
Primeiro o importante eram as nozes, seis meses depois já são as vozes. Nada disto faz sentido, mas a verdade é que todos os políticos e funcionários importantes da Europa alinham e discutem estas coisas, de uma forma mecânica, acéfala, sem nenhum rasgo de clarividência estratégica. Um bando de gente sem chama nem génio, esta Europa de hoje !

Como pano de fundo destas duas crises - a dos bancos e as dos défices - o que consegue o leitor identificar como constantes ? Já reparou nisso ?
Ah, pois é, as sempre presentes entidades financeiras, bancos e bolsas. Sempre elas. Primeiro, quando ficaram atrapalhadas e quase arruinadas, aqui del-rei e enchemos todas elas de dinheiro. Agora, quando ficámos "descalços" por causa do dinheiro que lá pusemos, que faz essa gente ? Especula, compra, vende, arranja forma de aumentar os juros, continua a ganhar rios de dinheiro, como sempre ...
E a Europa, parvinha e ingénua, a deixar-se ir, a deixar-se explorar indecorosamente !

Pois é, leitor, para quando a tão propalada como indispensável regulação da actividade financeira a nível mundial ?
Quando deixaremos de ser vítimas fáceis desta gente sem escrúpulos nem cara ?
Para quando uma Europa unida e coesa, não dependente dos mercados especulativos financeiros fora da Europa e, já agora, também não dependente do guarda-chuva americano no que respeita à defesa ?

quinta-feira, maio 06, 2010

AO QUE CHEGÁMOS

O sr deputado Ricardo Rodrigues é vice-presidente do grupo parlamentar do PS. Desconheço os motivos que levaram o partido a escolhê-lo entre vários outros deputados. Trata-se de um "velho" militante do PS, proveniente dos Açores, ilha de S. Miguel. É portador de uma longa e atribulada história naquela Região Autónoma, que resumo rapidamente. Primeiro chegou a ser arguido, embora não tivesse chegado a ser acusado, por falta de provas, num processo onde a figura de proa foi a srª Débora Raposo, da qual era advogado e sócio. Essa srª acabou condenada a 5 anos e alguns meses por burla qualificada e falsificação de documentos à Caixa Geral de Depósitos de Vila Franca do Campo. A tramóia foi de vários milhões de euros. Nunca se provou a "associação" deste senhor ao negócio.
A outra questão, que o levou a demitir-se do Governo Regional, foi uma história de pedofilia de contornos indefinidos, como a da Casa Pia. Nunca chegou a arguido nem foi investigado, mas os rumores eram tantos e tão fortes que o senhor achou por bem demitir-se.
Foi então "despachado" da Região para deputado nacional à Assembleia da República.
Em boa hora o fez, porque o PS afirma que tem sido "extremamente útil na defesa do projecto do partido". O que eu não duvido, porque sempre que o ouvi e vi, na TV, me pareceu uma daquelas pessoas ungidas pela fé, sempre dispostas ao martírio para defenderem os seus "chefes". O homem é granítico em relação a qualquer lógica ou ideia, desde que lhe cheire a contrária à do partido. Um "cão de guarda" fidelíssimo. Um deputado perfeito para Sócrates, suponho.
Ora bem, o senhor ficou irritado com uns jornalistas do "Sábado", quando estes lhe faziam perguntas relacionadas com aquelas duas questões por mim atrás indicadas. Ficou tão exaltado e nervoso que, num gesto "irreflectido", se levantou e saiu da sala, metendo ao bolso, discretamente ( veja as imagens ), os dois gravadores dos jornalistas ...
Leitor, aprecie bem como estão as coisas neste jardim à beira-mar plantado : um deputado não gosta das perguntas que lhe fazem os jornalistas e vai daí, zumba, confisca-lhes os gravadores e vai-se embora ...
O pobre deputado estava manifestamente tótó, nem sequer se lembrou que a entrevista estava a ser gravada em vídeo, também. Quer dizer, o homem é despudorado e tonto, ao mesmo tempo.
Pouco me interessa esta figura de deputado do PS, confesso. Homens destes não me fazem perder o sono nem me sobrecarregam a memória. Porém, uma coisa é grave, apesar de tudo : então o PS é desta matéria prima que faz os seus deputados vice-presidentes da bancada ? Já não tem pessoas isentas de ... eventuais contaminações ou suspeições éticas ? Ou, pelo menos, já não tem pessoas que saibam aguentar a comunicação social sem exercer represálias ?
Bem, pelo menos, neste caso, o senhor deputado não comprou a revista nem conseguiu que ela mudasse de mãos, limitou-se a "apropriar-se" dos gravadores...
As coisas estão a melhorar.

quarta-feira, maio 05, 2010

CINZAS EM PORTUGAL

Portugal não precisa do vulcão islandês para estar cheio de cinzas. Somos perfeitamente autónomos na criação de detritos que escurecem o horizonte e o futuro.
De vez em quando, dou comigo a pensar. Só a pensar. Acreditem ou não é uma actividade muito salutar e que poucos se dão ao luxo de praticar. Por exemplo, o nosso Governo foge desta actividade como o diabo da cruz. Pensar os problemas ? Discuti-los abertamente, sem ter em conta tomadas de posição anteriores ? Deus os livre ...
Vem isto a propósito do nosso Ensino não superior.
Amigos, há quantos anos andamos a assistir a estas lutas entre o Ministério ( com a cobertura de José Sócrates ) e os professores ? Há 3, 4 ? Quais são as alegações do Governo ? Querem um ensino de qualidade, não é ?
Lembram-se da divisão na carreira, entre titulares e não titulares ? Era essencial para a tal qualidade. Pois era, e era-o tanto que agora já não é. Lembram-se do ainda actual Estatuto do Aluno, que introduzia uma prova de recuperação(??) quando o aluno ultrapassava o limite das faltas ? Era assim mesmo, foi celebrado com pompa pelo Ministério e pelo 1º Ministro como um tremendo êxito ... Pois foi, mas agora o Ministério já disse que afinal foi ao contrário, afinal não contribuiu nada para a diminuição das faltas.
O anterior sistema de avaliação foi reconhecido como tendo muitas lacunas e erros, não foi ? Que interessa, o mesmo Ministério veio agora insistir em usar os resultados desse sistema errado e com lacunas para a ordenação dos professores, em concurso que está a decorrer !
Ou seja, qualquer observador culto e imparcial que olhe para esta realidade de fora nota sem dificuldade a extrema leviandade com que os vários responsáveis da pasta da Educação gerem estes assuntos. Leviandade e má-fé. E dissimulação. A sua agenda pode ser explicada de muitas formas mas NUNCA pela defesa da qualidade do ensino. Esse, o nosso ensino, continua de facto a ser a mesma ( desculpem-me ) merda de sempre, nos últimos largos anos. Nota-se, além do mais, uma espécie de raiva surda contra os agentes do ensino, como se o que importasse ao Governo fosse "ganhar" aos professores e gastar menos no Ensino. E é, não tenho hoje a mínima dúvida.
Ora bem, deixem-me ser bruto e muito claro : estou farto desta merda desta atitude. O Ensino em Portugal é também meu, como cidadão, e declaro que estou farto desta porcaria de governação no que ao ensino respeita. A verdade é que este Governo NÃO FEZ NADA EM DEFESA DO ENSINO, APENAS TEM PROVOCADO LUTAS INTERNAS E DESMOTIVAÇÃO, APENAS TEM CONTRIBUÍDO PARA A CONFUSÃO NAS ESCOLAS E A DEGRADAÇÃO DO MESMO ENSINO.
Por mim, que não gosto de meias-tintas nas palavras, estou farto, fartíssimo, vomito só de ouvir falar em Ministério da Educação, apetece-me correr à vassourada toda aquela gente e começar, finalmente, a fazer qualquer coisa para a melhoria do ensino em Portugal.
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sábado, maio 01, 2010

AS MISÉRIAS DA POLÍTICA

Ao lado, podem ler a notícia : Manuel Alegre acha que Cavaco Silva fez mal em imiscuir-se nos terrenos do Governo, quanto aos investimentos públicos. Continua Alegre, contando aos ignorantes que, para combater a crise dos anos 20 nos EUA, o presidente Roosevelt, a conselho do economista Keynes, usou em larga escala o investimento público para sair da crise.
E mais não disse Alegre, presumindo eu que ficou todo impante com o seu alarde de conhecimentos políticos e económicos.
A verdade é que o que Cavaco Silva disse foi isto , sendo meu o sublinhado a preto carregado :

"Entendo que faz sentido reponderar todos aqueles investimentos, públicos ou privados, na área dos bens não transaccionáveis, que tenham uma grande componente importada, isto é, que utilizem pouca produção nacional e que sejam capital intensivo, ou seja, que utilizem pouca mão-de-obra portuguesa"

... o que nada tem a ver com o que M. Alegre afirmou. O que Cavaco diz, de uma forma elíptica e cuidadosa, é que o TGV é um PÉSSIMO exemplo de como uma obra pública pode ajudar a incentivar a economia de um país. De facto, é um projecto muito capital-intensivo, o que quer dizer que "come" muito dinheiro para a quantidade de emprego que cria. Além disso, incorpora tecnologia ( desde os carris ao material circulante ) que terá de ser importada. Em suma, o impacto positivo sobre a economia nacional vai ser diminuto, para um rio de dinheiro que se vai gastar !

Alegre faz muitas destas afirmações. O afã dele em combater o outro presumível candidato às próximas eleições presidenciais fá-lo esquecer-se que não percebe NADA de economia e que se arrisca, nesses terrenos, a dizer muita asneira.
Como esta.
Nem Sócrates nem M. Alegre nem ninguém no PS actual parece estar a usar a cabeça. Um vento de derrota pressente-se. Se Sócrates desde sempre demonstrou que, para ele, governar o país era uma questão de gerir a sua imagem pública, nestes últimos dias tem sido angustiante e aflitivo. O homem que acabou a licenciatura de engenharia civil a um domingo, com o mesmo professor a quatro cadeiras, dá mostras de total desorientação e cansaço. Penso que insiste no TGV por pura teimosia ( que é um dos seus traços dominantes de carácter ) e para ter algo a que se agarrar. Isto, na mais bondosa das hipóteses.

Amigos, leitores : é por estas e outras que nunca hei-de pertencer a nenhum partido, nem nunca hei-de deixar que ninguém me espartilhe o pensamento. Também prometo que nunca me irei candidatar a PR, embora seja mais novo que o M. Alegre. Aparentemente, essas coisas fazem mal aos neurónios.
Então não é que eu, de tendências de esquerda desde que me lembro, e para quem Alegre é muito mais simpático, à partida, que Cavaco Silva, perante afirmações destas me apetece dizer "Óh Manel Alegre vai fazer poemas para a tua rua, pá, deixa lá a economia para quem sabe qualquer coisa disso ..."

Que fique registado, contudo, que gosto de M. Alegre e que o acho um socialista de gema, diferente da corrente actualmente dominante. Esta foi apenas uma "gaffe" dele, penso eu.
Tenha um bom fim de semana, amigo !
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sexta-feira, abril 30, 2010

OS INSTITUTOS PÚBLICOS E AS EMPRESAS MUNICIPAIS

Li hoje que o governo espanhol anunciou um plano sem precedentes para a eliminação de 29 empresas públicas e o corte de 32 altos cargos de responsáveis de vários ministérios como medida para diminuir o gasto público.
Li e sorri, meio triste, ao lembrar-me do que aconteceu no nosso país nestas últimas dezenas de anos. A verdade é que, tanto nos partidos políticos e governantes nacionais como nos autárquicos, cresceu uma mistura explosiva de vários ingredientes, a saber :

-> A necessidade de dar resposta à pressão das clientelas partidárias em busca de empregos para si ou para familiares ;

-> A chegada de novas ilusões e novos mitos de gestão, como a célebre 3ª via do Tony Blair, os ventos do neo-liberalismo económico e o suave charme da gestão empresarial aplicada à coisa pública ;

Estes dois vectores determinaram um crescimento absolutamente extravagante e imoral da máquina estatal, criando-se centenas de empresas públicas dotadas de autonomia administrativa e financeira, com o objectivo de fazer coisas ... que já eram feitas pelas inúmeras direcções-gerais e serviços dos vários ministérios.
A alegação é de que esses novos organismos seriam muito mais eficazes e flexíveis, permitindo quebrar o anquilosamento clássico dos serviços públicos, mas a verdade era e é outra.
Claro que esses novos organismos, intitulados de Institutos Públicos, seriam dotados de Conselhos de Administração, com presidentes, vice-presidentes e vogais, todos com vencimentos e regalias absolutamente superiores ao normal da função pública. Sem esquecer os carros e as despesas pessoais através de ... cartões de crédito.
Foram centenas os organismos assim criados. A febre da moda empresarial contagiava todos. Pudera, com aqueles vencimentos até apetecia trabalhar para o Estado.
Foi um regabofe. Pessoas sem qualquer tipo de qualificações para os lugares viram-se providos num qualquer conselho de administração, de um dia para o outro !
Para as mesmas funções, passámos assim a ter, em muitos casos, dois conjuntos de pessoas : uns, os antigos, da estrutura normal dos ministérios, desmotivados e mal pagos ; os outros, os dos institutos, em muitos casos completamente incompetentes, mas ... bem pagos e satisfeitos com o partido.
Como se isto não fosse já suficientemente mau, no período Guterres lembraram-se de autorizar as Câmaras Municipais a fazer o mesmo ! E vai daí, em todas as Câmaras, proliferaram as empresas municipais para os lixos, as águas, a cultura, a atribuição de casas económicas, os mercados, que sei eu. Todas com conselhos de administração e vencimentos de acordo. Em muitos casos, o próprio presidente da autarquia acumulava com o vencimento de presidente do conselho de administração de uma empresa destas.
Enfim, um fartar vilanagem. Neste momento, existem nos 308 municípios do país quase 250 empresas municipais, com um total de mais de 2.000 administradores !!!
Sobre estas empresas autárquicas, leiam, se quiserem, um artigo publicado num outro blogue, o Quadratura do Círculo.
Só a Câmara Municipal de Lisboa possui 9 destas empresas públicas, algumas delas entretanto já sujeitas ao escrutínio do Ministério Público, com os consequentes processos em tribunal. Veja aqui quais são essas empresas.
Bem, depois deste texto já longo, lembre-se agora da notícia com que começamos, sobre o Governo espanhol.
Em seguida, lembre-se que aqui em Portugal, a única forma que descobriram para poupar foi travar os salários, aumentar os impostos ( embora afirmem que não ) e deixar de fazer ... meia auto-estrada no centro do país. Continua o TGV para Madrid, continua o novo aeroporto, continuam os Institutos Públicos e as Empresas Municipais, continua toda a gente a sacar dinheiro ...
Estou pessimista, francamente.
Tenha um bom fim de semana, leitor, apesar de tudo.
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quarta-feira, abril 28, 2010

A ZONA EURO DESCONHECIDA

Na altura da adesão à moeda "única" europeia confesso que fui contra, por motivos que não interessam agora. Depois, embora sem me render à ideia, gostei da estabilidade que a nova moeda nos veio trazer, com baixas taxas de inflação e com uma "força" que seria garantia de segurança na turbulência financeira do Mundo.
A verdade é que o Euro se portou bem, como moeda, até ser posta à prova, duramente, com a recente crise financeira.
Agora, transformou-se numa moeda hesitante, sujeita a ataques selectivos aos países de economia mais fraca. Agora, mostra uma fragilidade financeira tremenda. Querem saber porquê ?

Ponto #1 - Decidiu-se avançar para a moeda única antes de existir a coesão política e doutrinária indispensável. A zona Euro não é uma zona políticamente estável nem com perspectivas políticas comuns. Assim, quando um destes países é atacado, a reacção de alguns dos outros não é a defesa em bloco, mas antes a crítica e a oposição à ajuda, como é o caso da Alemanha, hoje em relação à Grécia.

Ponto #2 - O Banco Central Europeu ( BCE ) criado não inclui responsabilidades de cobertura financeira, em caso de risco ou acidente. Nunca ninguém criou um fundo europeu de segurança para o euro, que pudesse agora fazer empréstimos aos países com dificuldades, a taxas de juro não especulativas. Os empréstimos a conceder à Grécia vão partir dos vários países, não do BCE. Provavelmente, para emprestar 700 e tal milhões de euros à Grécia, Portugal vai ter de pedir emprestado no mercado esse dinheiro a taxas de juro superiores às que a Grécia depois lhe vai pagar !!

Ponto #3 - A Europa nunca se assumiu como uma potência que fala a uma voz e que exige a relevância mundial económica e financeira a que tem direito. Por exemplo, nunca a Europa se decidiu a criar e instalar uma empresa europeia de "rating" que pudesse fazer melhor trabalho que as americanas e que introduzisse os factores locais de correcção e contenção. Sabe o leitor que as tais empresas de "rating", como a Standard & Poor's, que agora está a aproveitar-se de Portugal, são empresas privadas americanas ? Sabe que estas notas que vão lixar a vida de países inteiros são "arbitradas" por um ou dois senhores ? Sabe que esses mesmos senhores já cometeram erros terríveis, no passado recente ?
Mas nada disto parece interessar à Europa.

Ponto #4 - Em conjunto com a administração americana, a Europa não se entende quanto à legislação de regulamentação das empresas financeiras. Do lado de lá, no Congresso, os democratas de Obama andam, agora mesmo, em luta diária com os Republicanos para fazer passar a regulamentação que pretendem. Do lado de cá, na Europa, além de umas "bocas" de Sarkosy, ninguém parece preocupar-se com isso. É que essa regulamentação pode impedir as asneiras das tais firmas de "rating", além de outras. Então porque se não consegue avançar ?

Bom, leitor, espero ter-lhe mostrado que esta nossa Europa não passa ainda de uma menina ingénua e desprotegida, que não pode resistir aos ataques "traiçoeiros" dos "malandros" financeiros em todo o Mundo. Sinceramente, a Europa é uma desilusão ( mais uma ) que carrego comigo. É aqui que concordo com Mário Soares quando declara alto e bom som que a Europa de hoje não tem líderes políticos à altura.
Claro que não tem, a Europa de hoje não passa de uma burocracia cara e desconchavada que não sabe o quer.
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terça-feira, abril 27, 2010

A IDADE DA INOCÊNCIA

Quando era miúdo, acreditava piamente que as pessoas "crescidas" que governavam o país e o mundo sabiam perfeitamente o que faziam e mais, que o faziam sempre para o bem de todos. Que é que querem, uns acreditavam no Benfica, outros em lobisomens, eu acreditava nos homens.
Foi a maior desilusão da minha vida, quando comecei a ver que não era bem como eu pensava. Alguns desses crescidos preocupavam-se mesmo mas era com eles e os seus, em exclusivo. Outros, que até se interessavam pelos seus semelhantes, faziam muitos erros, embora convencidos da sua razão. Foi um grande balde de água fria. Afinal os homens e mulheres não sabiam bem o que havia de ser feito, as coisas andavam um pouco ao Deus-dará neste mundo que eu pensava ser ordenado e bem governado.
Possivelmente o leitor passou pelo mesmo trauma, não sei.
O tempo, o conhecimento e a experiência fizeram-me cínico, mais tarde. Descobri que a maior parte dos que gostam de ocupar os lugares do poder político não deviam lá estar. Ou são pouco sérios ou são incompetentes. Os restantes, fogem desses lugares como o diabo da cruz, vá-se lá saber porquê ...
Vem tudo isto a propósito da forma como o Mundo está organizado. Que pensa disso o leitor ?
Comecemos pelo grande "cimento" que parece aglutinar tudo e todos no Mundo de hoje : o dinheiro. É a mola real de todos os comportamentos e atitudes humanas. Dinheiro, quanto mais melhor.
Tempos houve em que se podia ter fé em outros princípios de solidariedade e de justiça entre os seres humanos. Essa fé foi traída e despedaçada por muitos que em nome desses princípios construiram sociedades opressivas e aberrantes. Agora, já quase ninguém tem essa fé, apenas se vai vivendo com pequeninas esperanças, submergidos por este tremendo mar de materialismo e ganância.
As igrejas, bem tentam, mas pouco podem fazer,também elas atacadas por fundamentalismos e pragas, como a pedofilia na igreja católica.
O dinheiro, o lucro como como valor absoluto, são hoje os conceitos dominantes, sem grande contestação. Mesmo quando é responsável por crises complexas como esta em que vivemos. Ninguém tem uma alternativa para esta lógica diabólica.
O que é pior de tudo é que, orientados por este paradigma, somos incapazes de parar e reorientar o nosso modelo de crescimento económico. Continuamos sempre em frente, desperdiçando e destruindo recursos naturais imprescindíveis à vida, numa corrida cega e estúpida, até ao abismo.
Confesso, já nada resta em mim do miúdo de que lhes falei no início. Esse miúdo não cresceu, foi muito pior : esse miúdo morreu, pelo menos tal como era.
Foi pena, esse miúdo faz-me falta, sinto saudades dele. Não gosto deste sabor a falta de esperança na minha boca.

domingo, abril 25, 2010

OS RISCOS E OS JUROS

Caro leitor : já reparou que, de repente, nos últimos tempos, apareceu no horizonte um novo "papão", os juros da dívida dos países com défice externo ? Já pensou que esse problema não se punha da mesma forma há 1 ano atrás ??
O que lhe vou dizer, caro leitor, é conhecimento básico deste mundo-cão moderno em que vivemos. Perca as ilusões, isto é mesmo um mundo totalmente mafioso, sem escrúpulos nem ética, onde apenas contam os milhões que se ganham.
Há dois anos atrás, quando do início da tão falada crise financeira, o que é que se averiguou ? Que o Mundo financeiro tinha enlouquecido, que as grandes instituições financeiras inventaram produtos financeiros que nem sequer valor real tinham e os vendiam e revendiam na bolsa a valores sempre estupidamente crescentes. Grande parte destes produtos eram constituidos por derivados dos créditos à habitação americanos, mas também eram largamente transaccionados produtos ligados ao petróleo e derivados. Assim como uns meses antes tinham sido produtos ligados aos cereais.
Tudo serve, na bolsa, para ganhar rios de dinheiro. O valor real das coisas é irrelevante, desde que apareçam sempre compradores, particulares ou institucionais, para comprar esses produtos.
Bom, a crise veio pôr a nú tudo isso. As novas D. Brancas foram descobertas e neutralizadas. A partir daí já não era possível vender na bolsa produtos ligados ao crédito à habitação, já ninguém os queria ...
Então, nos tempos que correm, quais são os produtos transaccionáveis nas grandes bolsas que podem dar milhões ? Pense um pouco ...
Eu digo-lhe : produtos compostos a partir de títulos da dívida pública de certos países ! Sim, a dívida portuguesa ( ou Grega ou Espanhola ), quando Portugal se financia nos mercados internacionais, é partida e repartida em fundos de investimento e outros pacotes envolvidos em roupagens atraentes e é colocado em bolsa, para serem comprados e revendidos pelos investidores. Quanto valem esses produtos ? A resposta é : valem tanto mais quanto maior for a taxa de juro que os países devedores são obrigados a pagar por eles.
Então, leitor, qual é a conclusão óbvia ? É que é do interesse puro e especulativo de quem comprou a nossa dívida que nós sejamos obrigados a pagar juros cada vez mais altos !! Tão simples como isto : quanto mais altos forem os juros, mais milhões eles ganham. Exactamente como há dois anos faziam com o imobiliário, agora o ponto de ataque destas sanguessugas financeiras é a dívida dos países com défice externo !
Como é antipático dizer isto, assim a frio, afirmam então que os juros aumentam porque também aumenta o risco desses países não pagarem a dívida ... quando é exactamente ao contrário, esses países têm problemas para pagar a dívida porque a especulação e a avidez internacional aumenta desmesuradamente os juros !!
Ou seja, o verdadeiro problema é a usura internacional e institucional, que ninguém consegue disciplinar e controlar. Houve muitas promessas, durante a crise, mas NADA foi feito, a especulação continua à solta, como no início.
Está a ver, leitor ? As coisas são sempre simples, quando as percebemos. Os problemas ( que são reais, claro ) da Grécia, de Portugal, Irlanda e de outros países não é tanto o risco de falência, é antes a obrigatoriedade de dar biliões e biliões de euros para as carteiras gordas de toda esta gente gulosa ...
Como se um país que paga 4% pelos seus empréstimos ficasse um devedor mais cumpridor se passar a pagar 5, 6 ou 7% pelos mesmos empréstimos ...
Risco, uma ova ! Do que eles falam é da mais desenfreada especulação à custa dos povos desses países !
Leitor : toda a gente do "meio" sabe isto que acabei de lhe contar. É capaz de me dizer porque é que nunca ninguém consegue dar um fim a esta bandalheira ???

sábado, abril 24, 2010

PALAVRAS PARA QUÊ ? É UM ARTISTA PORTUGUÊS !!

Este, e mais 200 ou 300 mil fulaninhos, igualmente portugueses de gema, impecáveis nos seus fatinhos de marca. Nem todos eles conseguiram "desviar" assim milhões, do lado de dentro de um banco, mas todos eles partilham o mesmo código ético e moral onde os conceitos de honestidade e verdade foram substituídos por uma única palavra : SACAR.
Tudo isto começa a ser perturbante e kafkiano. Não há dia em que não se saiba que a PJ entrou na sede de um clube de futebol, num banco, na PT, no negócio da sucata, num escritório de advogados, num centro comercial ( ai o Freeport ! ), num terminal de contentores, numa Câmara Municipal, sei lá onde mais. E depois é desesperante, parece o Benfica de épocas passadas, muitos lances de golo mas propriamente golos, perdão, condenações, nada ou quase nada.
Bem vistas as coisas, a corrupção e a avidez em sacar dinheiro de qualquer forma é que são a verdadeira epidemia. A gripe A ao pé disto é benigna, quase bem-vinda.
Sei que várias outras pessoas já o disseram, mas eu insisto : o verdadeiro problema da sociedade portuguesa é este, a falta de valores, a falta de sanção social ao roubo, aos esquemas espertos, à vigarice. São cada vez menos aqueles que não concordam com estas atitudes, cresce o "deixa andar", o sentimento de que se é parvo por também não fazer o mesmo, a ideia de que vale a pena "aproveitar as oportunidades" e de que o dinheiro e as coisas boas é que valem, na vida.
Não sei como iremos inverter isto e continuar a chamar vigarista e gatuno a quem o é.
Até o próprio código dos códigos, para os cristãos, parece vulnerável e antiquado, e sofre um ataque cerrado, à boleia das histórias da pedofilia ...
Não admira assim, amigos, que em vez de condenações penais desta gente e arresto dos bens ilicitamente apropriados, o resultado final seja ... o PEC.
É assim, uns comem, os outros pagam. Pergunte-se a si próprio porquê.
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sexta-feira, abril 23, 2010

ESTÁ TUDO DOIDO ?

Não tenho conseguido escrever nada, os meus ( poucos mas bons ) leitores que me desculpem. Pura e simplesmente, de vez em quando fico com o motor gripado. Este nosso país actual não deixa de me espantar, pura e simplesmente.
Sério, fico pasmado a ler e reler certas notícias, com a sensação que aterrei em Marte.
Isto a propósito dos CTT. Pensava eu que se tratava de um serviço público, insubstituível e de grande valor para as populações.
Pelos vistos estou errado. Afinal é uma empresa que se rege pelas leis do mercado e que tem o lucro por objectivo, não o serviço às populações.
Um destes dias, o sr. presidente desta "coisa" que dá pelo nome de CTT, confessava que tem 60 milhões de euros disponíveis para "ir às compras", em Espanha ou na França. Às compras ? Não pense o leitor que ele se referia a novos equipamentos de triagem da correspondência, ou coisa no género. Não, o senhor quer ir às compras de outras empresas, como se fosse o chairman de uma empresa privada em fase de crescimento !!!
Imaginam isto ? Mas quem autorizou estas aberrações ? Quem permitiu que um serviço público como os CTT fosse gerido tendo como orientação o lucro e o crescimento corporativo ? Desculpem-me, mas que merda de visão é esta, que porcaria de governo é este e os últimos, que tempos são estes que vivemos ?
Então não admira, para rematar, que José Sócrates venha propor a privatização dos CTT. Claro, se "aquilo" não é mais que uma empresa como outra qualquer ...
A sério, amigos, vocês entendem este mundo em que vivemos ? Vocês aceitam que tudo seja resumido a euros, a valor na bolsa, a empresas a comprar outras empresas ?
Confesso que fico com uma sensação horrorosa de estar a viver no meio de um grande jogo do "monopólio"...

sábado, abril 17, 2010

ESTÃO À ESPERA DE QUÊ ?
A enorme "núvem" de cinza e outros elementos vulcânicos, vinda da Islândia, estende-se rapidamente a toda a Europa do Norte e Central. À hora a que escrevo, já apanha mesmo uma pequena franja do espaço aéreo português, no norte do país.
Milhares de vôos foram já inviabilizados, dezenas de aeroportos estão fechados, muitos milhares de pessoas retidas por essa Europa fora, incluindo em Lisboa, Porto e Faro.
Um pouco por toda a Europa, as pessoas viram-se para as viagens alternativas, por terra, através do caminho de ferro e da via rodoviária.
Porém, é aqui que se nota que a tal Europa dos burocratas de Bruxelas, com as suas multiplas organizações, comités, reuniões e discussões ... não funciona, pura e simplesmente. Está paralizada e calada. Também os governos dos vários países parecem estar todos a dormir, à espera que um qualquer milagre varra a tal núvem e deixe as coisas voltar ao normal.
Pergunta simples e óbvia : não deviam estar já os Governos a dar directivas para que se reforcem até ao limite a utilização da via férrea e da via rodoviária ? Estão à espera de quê ? Vá lá, mexam-se, suas lesmas, tentem perceber as emergências em tempo útil ! Isto não vai desaparecer, provavelmente, em um ou dois dias !

quinta-feira, abril 15, 2010

A REALIDADE NÃO NOS DÁ DESCANSO

Preparem-se, aqui vai um cocktail do que se passa por aí, no Mundo :

Os escândalos de pedofilia na igreja católica. Só agora é que descobriram ??

O Figo prestou-se, aparentemente, a uma palhaçada de consequências ainda imprevisíveis. Curiosamente, não vai ser arguido, acho que o rapaz não sabia que o Taguspark tem capitais estatais.

O avião do presidente polaco despenhou-se na aterragem, com má visibilidade, à 4ª tentativa. Qualquer pessoa familiarizada com estas coisas sabe que o piloto, sem a coacção do presidente, nunca teria feito aquele disparate. Outro piloto polaco que costuma voar com o presidente veio dizer que, no passado, o presidente já tinha feito o mesmo. Teimosia de um político que, arrogante, eu é que mando, arrasta para a morte mais de 100 pessoas. Há outros que arrastam para a miséria um país inteiro.

Um vulcão velho, de nome impronunciável, na Islândia, resolveu vomitar chamas, lava, pedras e cinza. A cinza resolveu passear pelo norte da Europa, vai daí só hoje foram cancelados cerca de 5.000 vôos. Uma vez mais, a Natureza mostra que quem manda é ela.

Lá longe, na China, um sismo mata centenas de pessoas e destrói várias vilas inteiras. Não têm direito a grande emoção aqui em Portugal, afinal são chineses e moram longe.

Aqui ao lado, em Espanha, o juíz Baltazar Garzon, figura controversa, frequentemente armado em superstar, vai ser levado ao banco dos réus, atacado por franquistas reciclados.

A marcha dos preços do petróleo continua imparável, ninguém fez absolutamente nada para evitar de novo esta catástrofe. Os desvairados e corruptos do petróleo, em todo o mundo, esfregam as mãos e fazem brindes. O Governo português também, os impostos enchem-lhes os cofres.

A Comissão Europeia deixou passar o PEC português, com algumas recomendações subliminares para que o cinto seja mais apertado, aqui. O mesmo de sempre, uns dizem mata e os outros berram esfola !

A Organização Mundial de Saúde veio admitir que a história da gripe A foi um grande “flop” ; claro que não admite que a sua acção, nesta história toda, foi muito benéfica para a saúde ... da indústria farmacêutica. Só em Portugal, ficámos com 2/3 das vacinas nas mãos, sem nenhuma utilidade. Largos milhões de euros. Nestas matérias, ninguém ousa abrir comissões de inquérito, pois não ?

Passos Coelho, recém eleito presidente do PSD, vem inundar-nos com a sua sabedoria luminosa : do que estamos a precisar mesmo é de uma revisão da Constituição. Vá lá, podia ter-se lembrado de pior, estilo privatizar a água da chuva.

Por último, um antigo economista do FMI veio lançar luz definitivamente sobre Portugal : estamos nas vésperas da bancarrota ! O que o senhor não sabe, nem tem obrigação de saber, é que nós, portugueses, tirando o período da pimenta da Índia e o do ouro do Brasil, sempre vivemos em véspera de bancarrota ... isso para nós é canja, é o nosso dia a dia !

E pronto, é assim.
A vida moderna parece um jornal feito por e para doentes psiquiátricos.
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segunda-feira, abril 12, 2010

UMA QUINTA NO MEIO DO VERDE

É uma zona de colinas e vales, árvores tranquilas cá em baixo, a guardar as vinhas, gigantes de pás ao vento, lá em cima, rodando lentamente em busca de energia eléctrica.
É ainda Ribatejo, mas já a esticar-se para Oeste, à espera do vento que vem do mar.

Sempre que aqui venho, a esta quinta de amigos meus, sinto-me em paz com o Mundo e comigo mesmo.
Há qualquer coisa de mágico nestes verdes infinitamente variados, nestes muros de pedra cimentados com amor e suor, nos socalcos sabiamente construídos, nas cerejeiras e ginjeiras em flor.

Esta não é uma propriedade que alguma vez o dinheiro possa comprar, é algo onde se sentem os anos de sonhos e de canseiras, as soluções longamente reflectidas e construídas, o trabalho incansável, a dedicação e o amor por tudo isto.

Mais do que seus donos, estes meus amigos são os autores deste pedaço de paraíso, encaixado no triângulo Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço e Alenquer.
São pessoas simples e hospitaleiras, que têm sempre muito orgulho em partilhar com os amigos este seu trabalho de muitos anos, desde que adquiriram um pedaço de terra inóspita com uma casa meio arruinada no meio.
Tem faro para estas coisas, este meu amigo, e encontrou na sua mulher um sólido esteio para este trabalho de anos.
Parabéns a ambos, amigos, por esta obra das vossas vidas. Fiquem com este meu testemunho, alguém que vem de fora, vê a obra realizada e lhes diz : bravo, amigos, este foi e continua a ser um trabalho magnifico !

Bem hajam por me deixarem, de vez em quando, partilhar da tranquilidade e beleza deste local. E também da vossa companhia e amizade, que sabem muito bem quanto prezo.
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sábado, abril 10, 2010

ESTOU CANSADO
O cansaço invade-me os ossos. Tenho reumático político. E náuseas, as palavras vindas da TV dão-me vómitos e tudo rodopia à minha volta. Estou doente, todo o país está doente. Agonizamos, enquanto esperamos pela esperança. À nossa volta, vão surgindo candidatos a curandeiros, equipados a rigor nos seus fatinhos de lã macia, sorridentes e a cheirar ainda aos bancos da escola. Os que andaram na escola. O problema é que já ninguém acredita neles, nestes falsos curandeiros. Prometem muito mas deixam tudo na mesma ou ainda pior do que estava. Só de ouvir falar em Justiça, Educação ou Pequenas e Médias Empresas o meu estômago revolta-se e contrai-se como um louco. Ando há quase 40 anos a ouvir falar nisto e tudo fica sempre pior do que antes. Que raio de maldição é esta ? Será assim tão difícil mudar ? Ou, bem vistas as coisas, somos nós que não queremos mesmo mudar as coisas ? Ou, ainda mais simples, todos nós nos encolhemos, não nos queremos sacrificar e acabamos por escolher os meninos mais ambiciosos que põem o dedo no ar ?
Acho que não resisto : Durão Barroso fugiu assim que viu a porta aberta, Santana Lopes fez da governação uma "rave" na praia, Sócrates ofendeu-nos e maltratou-nos com a sua incompetência arrogante e agora ... isto é o que podemos esperar como alternativa ??

quinta-feira, abril 08, 2010

ÓH ZEINAL BAVA, VOCÊ SABE, TENHO UM FILHO QUE ...

Senti curiosidade, hoje, em saber mais sobre Zeinal Bava, o homem de nome esquisito que é o responsável executivo da PT. Com uma pesquisa no Google deparei com um artigo da VISÃO de 27 de Março de 2008, da autoria da jornalista Clara Teixeira. O artigo esclareceu-me as origens do senhor, tal como eu queria, mas não é disso que vos queria falar hoje. Não é da PT nem de Zeinal Bava nem da compra da TVI que vos vou falar.
É outra coisa. Leiam, por favor, a seguinte passagem que retirei do referido artigo :

O artigo não afirma que os filhos daqueles senhores entraram por "cunha", claro. Não afirma o artigo, mas ninguém tem dúvidas sobre isso, pois não ?
Não sou um tipo extremista, muito menos fundamentalista. Também não sou invejoso, mas estas "coisas" revolvem-me o estômago e todas as restantes vísceras, sabem ? São pequenas atitudes que, não sendo crime nem podendo ser chamadas de corrupção, deixam uma nódoa indelével, para mim, no carácter das pessoas. Dir-me-ão : então mas não é uma atitude natural, procurar ajudar os filhos ? Respondo : estas coisas são muito mais que ajudas aos filhos. São um aproveitamento ilegítimo de posições públicas, de relações, de apelidos. Pode, à primeira vista, parecer que são coisas simples, leves, sem mácula de maior. Não acredito. Para mim, quem usa a sua posição para favorecer os seus filhos é uma pessoa em quem não confio, ponto final. Se faz isso, fará outras coisas. Não admito, em democracia, estas atitudes.
Mesmo quando a generalidade das pessoas os desculpa, eu acho que são atitudes vergonhosas. Estive em posição de fazer isso, e nunca o fiz, nunca mais me poderia ver ao espelho.
Mas a vida é assim, e tenho a certeza que continuam todos a ser pessoas muito estimáveis e prontas a todos os sacrifícios por este País e pelos seus concidadãos. Claro que os filhos estão primeiro que os outros cidadãos, mas isso é normal, não ??

quarta-feira, abril 07, 2010

SOBRE A NATUREZA HUMANA

A primeira página do PÚBLICO de hoje suscitou-me algumas ideias que pensei em partilhar convosco.
Numa das notícias em destaque, dá-se conta das cheias provocadas no Rio de Janeiro por chuvadas intensas e prolongadas. A situação é muito má, arrasta-se há dias e é a história de sempre : a contagem já vai em mais de 100 mortos, casas em ruínas, carros destruídos, etc ... Claro que os directamente envolvidos são os mesmos de sempre, os mais desprotegidos, os que tiveram de construir as suas casas em locais totalmente inseguros, que mais ninguém quereria. No Rio de Janeiro, tal como na Madeira, quando chove em demasia o prejuízo não é igual para todos, há sempre aqueles que se lixam mais e são sempre os mesmos.
Outro pensamento não muito agradável que me ocorreu imediatamente, é que as mesmas situações ora são classificadas como tragédias, com direito a directos na TV, peditórios, arredondamentos e reconciliações políticas, se acontecerem no nosso quintal, perto de nós, como foi na Madeira, ou então são apenas fait-divers se acontecerem longe de nós, no quintal do vizinho.
Mas então as tragédias só o são se nos envolverem a nós ? Este egoísmo básico e primário sempre me irritou um pouco. Um enorme sismo no Chile ( hipótese ), mais de uma centena de milhar de mortos, mas, felizmente, não há portugueses entre eles ! Porreiro, pá !
Siga a marinha.
A outra notícia fala da completa "carnificina" que está a acontecer com as saídas da função pública. O fenómeno está explicado e ERA PREVISÍVEL. O Governo, no OE para este ano ( em processo de promulgação pelo Presidente ), passa a "multa" por cada ano abaixo do limite para a aposentação por inteiro para 6% em vez dos actuais 4.5%. Além disso, a própria base para cálculo da pensão muda, passa a ser o vencimento de 1995, corrigido com a inflação, em vez de ser o do último ano.
Claro, milhares de funcionários fizeram as contas e notaram que perderiam dinheiro se ficassem a trabalhar. Conclusão : está-se mesmo a ver que iria acontecer o que aconteceu, não é ?
E agora, leitor, pensa que os senhores do nosso Governo ficam atrapalhados e muito tristes ? Apesar de em alguns sectores terem que ir contratar pessoas ao estrangeiro ou aos já aposentados, como no caso dos médicos ?
Não, ficam todos felizes, apesar de gastarem mais dinheiro com a "jogada". Temos que pagar aos recém-aposentados, ainda que um pouco menos, mas temos que pagar a outros, contratados à pressa, para fazer o trabalho que estava a ser feito pelos primeiros. Significa que, em muitos casos, vamos pagar cerca do dobro que estávamos a pagar, não é ?
Ahhh, mas o Governo acha que está tudo como o ouro sobre azul, uma maravilha. No OE, o peso dos salários dos funcionários públicos no activo vai diminuir !! Maravilha, os outros, os que se aposentarem, ficam metidos no bolo das contas da Caixa Geral de Aposentações, já não chateiam tanto !!
Uma ultima pergunta : então e a mudança súbita das regras quase no fim do jogo, não é uma deslealdade, uma falta absoluta de respeito para quem trabalhou quase toda uma vida com outras regras ? Então isto não é uma quebra violentíssima da ÉTICA neste jogo da política ? Nunca Salazar ousou ir tão longe, na época, estas medidas eram sempre apenas aplicáveis às pessoas que entrassem no "sistema" numa dada altura posterior ... agora, não, mudam-se hoje as regras e é para já.
Um destes dias, os senhores acordam maldispostos e decretam que já ninguém tem direito a pensões de aposentação e ... pronto.

Muito mais haveria a dizer sobre estas duas notícias, eu sei. Mas sabem que mais ? Digam vocês, leitores, eu já fiz a minha parte ...

segunda-feira, abril 05, 2010

VIDAS EMPRESTADAS A PRAZO

A vida é um empréstimo a médio prazo. Ou a curto prazo, em alguns casos. Com juros altos e um final pouco feliz, porque não tem valor de resgate, é-se mesmo obrigado a devolver a vida emprestada, no final do contrato. É uma grande chatice, mas é mesmo assim. Não sei o que é que os gajos fazem depois às vidas devolvidas, se as congelam definitivamente ou se lhes fazem uma revisãozinha e as entregam outra vez a novos clientes. Se esta ultima versão for verdadeira, dará razão aos que acreditam na reincarnação, mas acho que não é bem assim. Por mim, acho que não gostaria nada de saber que esta minha vida já andou emprestada a um caçador de focas no Alaska ou a um gajo das SS hitlerianas. Por muito desinfectada que fosse, conta-quilómetros a zero e essas coisas todas, acho que ainda ficariam pequenos resquícios, alguns odores subtis, tendências esquisitas, sei lá.
Não, pelo sim pelo não, acho melhor que cada vida seja congelada depois de ser usada e devolvida. Congelada num casulo especial, com um fecho éclair hermético, para não apanhar nem sequer o pó das estrelas. E com um botão amarelo que, uma vez tocado por alguém, homem ou anjo, narrará resumidamente os episódios mais importantes da viagem terrena do seu hospedeiro, louvando-o entusiasticamente, ouvindo-se em simultâneo música celestial apropriada. Este mecanismo terá excepções, claro está. Por exemplo, não poderá ser aplicado a políticos em geral e a Sócrates em particular. A narrativa seria demasiado penosa, mesmo confrangedora.
Contrariamente ao que o leitor possa imaginar e com grande desgosto de Saramago, não será permitido usar estas vidas encapsuladas e congeladas, etéreas e imponderáveis, para encher passarolas ou balões ou quaisquer outros artefactos voadores.
Tenho dito. Fiquem-se com esta hoje e roam-se todos a imaginar que raio me deu para escrever esta crónica.
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quinta-feira, abril 01, 2010

PÁSCOA

Na Páscoa, a Igreja Católica celebra porventura os dois mais importantes momentos fundadores desta religião, numa duplicidade de enorme tristeza e dor, quando da morte de Jesus Cristo, pregado numa cruz de madeira, e mais tarde, num segundo momento, de espanto e alegria pela ressurreição de Cristo. Seja-se crente ou não, são momentos de um grande dramatismo e beleza simbólica, já que enaltecem a maior dádiva que alguém pode fazer a uma ideia, a uma causa, ao seu semelhante, a oferta da própria vida. Nesse sentido, a liturgia fundadora da Igreja Católica tem uma grandeza e dignidade humana que não encontra paralelo, na minha opinião, em nenhuma outra religião do Mundo.
A imagem que podem ver, à esquerda, é de um quadro do pintor espanhol Diego Velázquez, célebre retratista nascido em 1599 e falecido em 1660. Este quadro, Jesus Cristo na Cruz, é datado algures entre 1631 e 1639, e apresenta uma beleza tranquila e triste na forma como representa Jesus Cristo. Sempre me impressionou muito esta pintura. Curiosamente, Velázquez tinha raízes portuguesas, o seu pai era um advogado da cidade do Porto que entretanto se fixou em Espanha.
Já que vamos viver esta época da Páscoa, uma vez mais, recuemos até às origens, ponderemos nesta generosidade e desprendimento da dádiva da própria vida, ( do homem ou do filho de Deus, como quiserem ) sobretudo nesta altura em que o que parece importar é não a dádiva mas antes a apropriação, a posse, o roubo.
No meio de coisas doces e agradáveis, como as amêndoas e os coelhinhos de chocolate, olhemos a fantástica pintura de Velazquez e meditemos.
Hoje, em Portugal, mais do que nunca, é imperioso voltar aos valores e aos grandes princípios.