Blogs (Blogues) = crónicas (quase) diárias; registo periódico de factos, opiniões e críticas ; as impressões íntimas, a política, o social.
terça-feira, julho 14, 2009
A ASAE veio outra vez a público, desta vez porque o Tribunal da Relação de Lisboa a considerou inconstitucional.
Pouco me interessa essa tomada de posição da Relação de Lisboa, porque é inoperante e pouco útil. Agora quanto à ASAE, a coisa é mais complicada ...
A ASAE é a outra face de Sócrates. A face gémea, cuja filosofia foi directa e despudoradamente copiada da do primeiro-ministro. Tal como Sócrates, a ASAE começou o seu reinado contra os portugueses. Não mandatados por eles, na procura do bem comum, mas antes emboidos de uma inexplicável raiva e de um inusitado ódio contra muitos portugueses. Quem é que acredita que a ASAE persegue objectivos de sanidade e melhoria das condições sanitárias de restaurantes e coisas do género ? Quem é tão crédulo e ignorante que olha para a postura física do director da ASAE e não percebe imediantamente outros objectivos, outras motivações, outros designios ?
Pessoalmente, rejeito a forma arrogante, despótica e autista que tanto Sócrates como a ASAE utilizaram na relação com muitos portugueses que lhes pagam o salário e que deles esperavam outras medidas. Desprezo esses resquícios tardios da omnisciência e omnipotência salazarista. Odeio essas posturas de deprezo pelos outros, sobretudo pelos mais fracos, trazidas para o palco do poder político por Sócrates e obscenamente copiadas pelo homem da ASAE.
Ainda por cima, arvorando-se ambos em “grandes” homens, coisa que, obviamente, nem um nem outro serão “jamais”, na minha opinião. E aqui é mesmo “jamais”, peço desculpa ao sr ministro das obras públicas ou equipamento social ou lá o que é.
quinta-feira, junho 18, 2009
Por vezes, chega ao meu conhecimento a história de cães e gatos que foram abandonados pelos donos aqui ou ali. Não sei bem porquê, mas ao olhar para as fotos dos bichos sinto uma imensa tristeza e, ao mesmo tempo, um ódio tremendo quanto a esses tais donos. Não usemos eufemismos : é ódio mesmo o que sinto. Seria capaz de lhes bater, se presenciasse a cena. Bater a sério.
Naqueles olhos dos cãezitos e gatos lê-se uma agonia tremenda, uma grande incompreensão, uma dor mansa e submissa que me deita completamente por terra. Tivesse eu uma quinta em vez de um apartamento em Lisboa ( onde já habitam 2 gatos ) e acho que recolhia essa bicharada toda.
Mas não queria falar de mim, queria interrogar-me e interrogar-vos sobre quem são essas pessoas capazes de ter um cãozito em casa durante anos e depois, sem mais nem menos, ir à serra de Sintra largar o bicho. Que raio de gente é esta ? Serão nossos iguais ? São homens e mulheres como nós ? São gente ?
Desculpem-me leitores : o raio que parta estas pessoas ! O diabo que as leve !
Mesmo na minha idade, se vir alguém a fazer isso podem acreditar que trago o cão ou gato mas o tipo, esse, fica lá, com um tronco pela cabeça abaixo !
quarta-feira, junho 10, 2009
Há uns anos atrás, Cavaco Silva, então Primeiro-Ministro, recusou conceder uma pensão por mérito á viuva de Salgueiro Maia, numa ocasião em que foram concedidas pensões do mesmo tipo a dois antigos agentes da PIDE-DGS.
A recusa levantou celeuma na altura.
Cavaco Silva teria então as suas razões, quero eu acreditar, embora delas discorde total e veementemente. Se houve alguém neste País que nunca quis nada para si, nem honrarias nem benesses, foi Salgueiro Maia.
Mas se Cavaco Silva tinha então as suas razões, que se passou entretanto que fez com que hoje se perfilasse, com um ar solene e compungido, perante o monumento a Salgueiro Maia, na cidade de Santarém ?
Apetece lembrar Shakespeare e dizer que o Mundo é um imenso palco e todos os homens e mulheres simples actores.
Ainda assim, a alguns desses actores é exigível uma maior constância na sua representação, creio eu.
A realidade em Portugal tem laivos de surrealismo.
Dois dias depois do eleitorado ter dito ao sr. Primeiro-Ministro que não aprecia mesmo nada a sua pose arrogante e autoritária, que não gostou da sua deriva para a direita, dois dias depois de muitos, mesmo muitos eleitores terem deslocado o seu voto para a esquerda ( para o BE e PC ), dois dias depois desta ensaboadela ... eis que é tornado público que o sr. Presidente da República irá condecorar, no 10 de Junho, uma organização sindical, a UGT !
Depois de tudo o que tem sucedido, considerando a actuação conhecida da UGT e o reduzido numero de trabalhadores que representa, só se pode pensar que a condecoração tem por objectivo dar-lhe, na “secretaria”, o estatuto político-social que aquela central sindical não quis ou não soube conquistar no terreno.
É como atribuir a Torre e Espada a quem nunca entrou em combate.
Há só um pequeno senão : as condecorações estão hoje ainda mais desvalorizadas que o dólar. Coisas como esta não vão mudar nada. A UGT vai continuar com a mesma imagem, na cabeça dos trabalhadores portugueses, e a condecoração atribuida perde um pouco mais de significado.
quinta-feira, junho 04, 2009
Aquilo que sei sobre aviões não é muito, mas é alguma coisa. Sobretudo, não acredito em bruxedos. Podem ter a certeza que agora, ao escrever estas linhas, as pessoas e organizações responsáveis pela investigação aeronáutica do acidente sabem mais do que aquilo que deixam passar para a comunicação social.
Uma análise sumária e simplista constata que a tripulação do avião não teve tempo para qualquer comunicação rádio. Os dispositivos automáticos de localização do avião ficaram imediatamente fora de acção. Os destroços entretanto encontrados estavam bastante afastados uns dos outros.
Sabem qual é a hipótese mais consentânea com todos estes dados ?
Explosão a bordo. Súbita e violenta.
Se arredarmos a hipótese de terrorismo ( a acção já teria sido reinvidicada ), resta-nos uma explosão provocada pelo combustível. Toneladas de combustível. Muitas.
Já não é a primeira vez que tal sucede. Lembram-se do célebre TWA 900, salvo erro ? Explosão a bordo, nos vapores de combustível, provocada por uma qualquer faísca não identificada. Os circuitos de ligação à terra dos depósitos foram todos melhorados, depois disso, creio eu ... mas, na minha opinião, é algo que é hoje ainda um forte perigo nos aviões, sobretudo em zonas de forte intensidade eléctrica.
O combustível que os aviões levam é uma perfeita bomba a bordo, em caso de algo correr mal. Aguardemos pelo resultado do inquérito.
Que descansem em paz todos os que seguiam a bordo e tiveram uma morte tão inesperada e desnecessária. Oxalá tudo tenha sido muito rápido, como parece.
Não deixem de voar, por causa deste acidente. Afinal, viver tem sempre perigos : atravessar a rua para ir beber um café ou ir de carro, pela autoestrada, para qualquer sítio. A percentagem de acidentes fatais na aviação comercial é ainda, de longe, muito reduzida, acreditem.
PS – vou votar, como sempre, mas nem me apetece falar destas eleições. Ao que nós chegámos !
quarta-feira, junho 03, 2009
O juiz-conselheiro Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, no decorrer de uma cerimónia pública, veio hoje esclarecer os portugueses : afinal, é a imprensa a responsável pela opinião desfavorável que existe na sociedade portuguesa sobre a Justiça.
Para mim, são opiniões destas que fundamentam o juízo que eu faço sobre a justiça portuguesa. São opiniões destas, autistas, completamente erradas, provenientes do presidente do STJ que me deixam estarrecido... então aqueles senhores ainda não viram que a justiça está completamente desacreditada no nosso país ?? Ainda têm dúvidas ? Como é que isto é possível ? Agora são os jornais é que ... ?
Haverá um só português que ignore que os casos de justiça, em Portugal, demoram LARGOS ANOS a serem julgados ? Haverá quem acredite na total isenção de todos os seus agentes, isto é, haverá alguém tão distraído que não perceba a enorme diferença, em termos de acesso á qualidade da justiça, entre um pobre diabo qualquer e um senhor director-geral, ministro ou mesmo apresentador de televisão ?
Haverá quem nunca tenha presenciado a enorme falta de humildade e mesmo prepotência com que o vulgar cidadão é tratado numa sala de tribunal, como se o juíz fosse um monarca absolutista , em contraste com a forma como são tratados presidentes de Câmara, por exemplo ?
Haverá alguém que ainda acredite que os agentes da justiça ( ministério publico e magistrados judiciais ) não têm qualquer culpa na forma de funcionamento do sistema, e que a culpa é apenas dos legisladores ?
O leitor já alguma vez leu todo aquele articulado pungente que procura fortalecer as sentenças ? Incrível : nem um santo consegue digerir aquilo, parece um filme do António de Oliveira, daqueles mais parados ... depois não se admirem, quanto tempo leva uma “peça” daquelas a congeminar e a escrever ?
É absolutamente fantástico, digo-lhes. Tentem um dia ler uma coisa dessas para saberem do que falo. Mas armem-se de paciência, hem , porque a coisa dá voltas e mais voltas lógicas, é retorcida como a curva de Mobius, antes de vir dar ao principio.
A sensação que retive, de alguns exemplos que li, é que o juiz não conhece bem a estrada nem tem GPS. Enfim.
Será assim tão dificil endireitar este subsistema da justiça ?
Com base na minha experiência pessoal, de alguém que ajudou a reformular alguns sistemas complexos envolvendo comportamentos humanos, é quase certo que, quando há um sistema de mudança muito dificil, é porque os seus agentes não estão a participar na mudança ou estão mesmo a fazer contra-vapor.
Qual será a verdade ?
domingo, maio 31, 2009
segunda-feira, maio 25, 2009
Escrever é despirmo-nos. Despirmo-nos de tecidos e de ilusões. Ficar com a alma a sangrar. Vomitar tudo o que não conseguimos digerir.
Escrever é morrer e renascer no mesmo instante. É tentar ficar limpo e impoluto.
Escrever é o maior engano de todos. Ninguém se purifica escrevendo. Apenas a acção purifica. E mesmo assim, nem toda a acção. Há acções purificadoras mas que, ao mesmo tempo, são assassinas. Desiludam-se todos os falsos libertadores : através da morte de inocentes nunca há-de surgir a claridade. As trevas que se infiltram nos seus corações vão impedi-los de ver nascer o dia.
O dia está cansado, vem aí a noite, em seu socorro.
Paz e alegria aos homens e mulheres que vivem sem rastejar, ainda que famintos. Um dia, este mundo será deles também.
sexta-feira, maio 08, 2009
Numa carta dirigida aos pais dos alunos de uma escola básica em Castelo de Vide, aquela onde se recordam foram obtidas imagens não autorizadas dos “putos” a trabalhar com o computadorzito Magalhães, José Sócrates afirma que «um dos objectivos do Partido Socialista é valorizar a escola e o trabalho que todas as crianças e professores vêm desenvolvendo com vista à construção de um Portugal e de um mundo melhores».
Notou-se claramente esse objectivo, ao longo deste último ano.
Os professores é que parece ainda não terem percebido bem essa “valorização” do seu trabalho.
São mesmo distraidos, esses professores.
Da ultima vez que os vi, foram mais de 120.000 professores distraidos a desfilar em Lisboa, contestando essa “valorização” do seu trabalho.
Ele há pessoas mesmo distraidas e mal agradecidas, caramba.
segunda-feira, maio 04, 2009
A minha vida está a tornar-se uma seca. A nível pessoal estou sem motivações, sem desafios. Preguiçoso. Desanimado. A nível social, a descrença é total. Os problemas avolumam-se todos os dias, o Governo anuncia medidas irrelevantes ou ao lado dos problemas. Só remates ao lado ou passes para trás. É angustiante, ouvi-los falar da crise e perceber que eles sabem tanto sair dela como eu saberia sair de uma favela do Rio.
Ando cansado. Nem sequer me apetece escrever, em tempos idos tinha prazer nisto, agora já não. Todo este desemprego, toda esta angústia de milhares de pessoas acaba por se infiltrar em nós, não é ?
Este senhor que veio da Beira Interior para o PS conseguiu aquilo que Salazar e Caetano nunca conseguiram : cheguei à conclusão que este meu país está moribundo, sem condições de recuperação, sem dignidade nem honra nem glória. Nunca seremos um país “decente”, razoavelmente bem gerido e habitado por pessoas educadas e sensatas. Nunca. As sondagens indicam que à volta de 38 a 40% dos portugueses ainda vão votar Sócrates... Desisto. Enquanto tanta gente achar que Sócrates é bom para o País, eu recuso-me a ser português. Hoje percebo muito bem Saramago. Foi para isto que o agora São Nuno venceu os castelhanos, em Aljubarrota ? Azar do caraças !
Vou suspender a minha nacionalidade. Tal como o Almada Negreiros dizia do Dantas, se Sócrates é português, então eu quero ser espanhol ! Pim !
segunda-feira, abril 06, 2009
Vá, digam lá com toda a franqueza : não se sentem um tanto perdidos no Portugal de 2009 ?
Eu sinto. Algumas das minhas referências clássicas estão a desaparecer. Só vejo acontecimentos estranhos, que nem sequer consigo saber se são verdadeiros ou não. O tempo arrasta-se e tudo parece mergulhado em algodão em rama. A verdade não existe em Portugal, em 2009. Sócrates está ou não implicado naquela história ? Os arguidos da Casa Pia andaram ou não com os putos ? Pinto da Costa deu ou não dinheiro ao árbitro ?
É como me parece este país, uma coisa de brincar, onde nada é real, tudo é um faz de conta. A terra do feiticeiro de Oz. Estou sempre à espera, ao dobrar a esquina, de encontrar o homem de lata e o leão. Ou os sete anões e a Branca de Neve.
Pensando melhor, a Branca de Neve, não, isso seria impossível. Por aqui, só Dªs Brancas mas não de neve. Mais a atirar para o cinzento ou mesmo negro.
Somos um país onde até a fantasia está corrompida.
quarta-feira, março 25, 2009
INQUALIFICÁVEL, esta equipa do ME ( ainda ) em funções. Quando uso este adjectivo sei bem porque o faço. Não sei dizer se são bons, maus, hábeis, inábeis, pessoas de mérito ou pessoas sem qualquer mérito. A sua actuação nem sequer cabe nas fronteiras do político, há muito que atravessaram para um território que também desconheço, que também não sei qualificar.
Ao longo de todo este ano lectivo, na actuação daquela equipa transpareceu, mais do que qualquer motivação política, mais do que uma preocupação em diminuir custos, um ódio puro aos professores. Ódio, nada de hesitações nas palavras. Por vezes, mais do que ódio, uma imensa raiva surda. Onde raio terão ido buscar as razões para essa raiva ? Quem lhes fez mal ?
Muito gostaria eu de conhecer os percursos da senhora ministra e dos senhores secretários durante o seu percurso pelo ensino secundário ...
Agora, esta ultima atitude do inefável secretário de Estado, a ameaçar os sindicatos que apresentaram uma acção em tribunal para suspender o concurso de professores : vai-lhes exigir indemnizações, olá se vai, pensam que o ME é o quê ??
Esta equipa está de cabeça perdida, já não distingue bem a realidade à sua frente. Então eles ( o ME ) podem inventar regras especiais, que ninguém conhece, para a ocupação de milhares de postos de trabalho de professores, com eventual abertura a toda a espécie de amiguismos e compadrios, na selecção dos professores para as escolas de intervenção prioritária ... Em resposta, os professores, directamente lesados nos seus interesses, UMA VEZ MAIS, por esta equipa, deveriam estar calados e quietinhos, a entoar hossanas ao Governo e ao ME !
Chega, senhores. Chega. Ganhem dimensão, ganhem vergonha. Aprendam a fazer política de outra maneira, de uma forma mais corajosa, ética e verdadeira. Este vosso jeito na Educação não é bonito e não presta, não nos leva a lado nenhum.
Convençam-se de uma vez : vivemos em democracia, não nos vamos calar, vamos lutar até vencer. E aqui para nós, que ninguém nos ouve, parece-me que o vosso reinado de terror está a chegar ao fim !
terça-feira, março 17, 2009
Este mês tenho andado em maré de azar. Primeiro foi o carro : num momento ia a andar normalmente e no outro tinha uma luz acesa no painel e o motor a soluçar perdidamente. Condoído, lá o levei ao mecânico ( obrigado à amiga da minha filha que é sobrinha dum excelente mecânico de VW ali em Algés ) que me resolveu os soluços em troca de 320 euritos. Não, não foi xarope para a tosse que ele receitou ao carro, foram velas e bobines.
Mal refeito, aí está : a máquina de lavar roupa com uma pneumonia aguda, a fazer uns barulhos horrorosos na centrifugação. Ponho-lhe o estetoscópio : um rolamento farto de viver. Como a esta já se somavam outras mazelas, feitas as contas ao que me custaria o internamento da máquina, tumba, decidi comprar uma nova. Mais 500 euritos, tão a ver ? Ainda a não tenho cá em casa mas os euros já se foram.
Ah, pois, ainda não vos tinha dito que paguei este mês o seguro do carro, uma pechincha, toma lá mais 500, quem me manda ter seguro para danos próprios ? Como se tudo isto não bastasse, as Finanças fizeram-me uma proposta, pelo Correio : no próximo mês eu dou-lhes quase 300 euros e eles deixam-me viver mais uns tempos.
Lindo. Em quanto vai ?
Bom, sei perfeitamente que não me posso queixar muito nos tempos que correm. Posso pagar estas contas, embora um tanto avermelhado, este mês, mas há muita gente a passar mal, sem carro nem seguro nem máquina da roupa nem nada. E com problemas para criar os filhos. E a viver todos os dias com medo do futuro e raiva desta vida de merda que Portugal lhes proporciona. Gente a quem ninguém salva, já que não se chamam BCP ou BPN.
Sei tudo isso, óh se sei.
Há muitos, muitos anos, num mês como o próximo, vomitei todo o medo que tinha dentro de mim, aproveitei toda a bílis acumulada e juntei-me a um pequeno grupo de malucos românticos que queriam fazer de Portugal um sítio decente para se viver. Onde não tivéssemos vergonha de ser portugueses.
Pois foi, viu-se o que aconteceu 35 anos depois : manadas de corruptos, bandos de vigaristas, rebanhos de homens sem vergonha … uma desgraça horrorosa. Hoje, tenho mais bílis acumulada que nessa altura, tenho ainda muita vergonha de partilhar o meu país com toda essa cambada.
Que havemos de fazer, pessoal ?
Nem tudo é mau, porém. Ontem, ao passar pela Praça de Espanha, vi dois patos a voar, por cima da Praça, e depois a poisar numa relvado que há por ali. Uns azuis e verdes, coisas lindas ! Diz a minha filha que devem pertencer aos jardins da Gulbenkian. Que pertençam, antes à Gulbenkian que a S. Bento ou a Belém, não é ?
sábado, março 07, 2009

Foi assim durante a gestação desta presente crise financeira e económica, está hoje de novo a ser assim. Quando ninguém já conseguia fazer dinheiro com aqueles produtos financeiros fraudulentos que nada valiam, todos os grandes investidores apostaram nos cereais, primeiro, e depois no petróleo. Até os Fundos de Pensões americanos. Toda a gente do meio sabia, ninguém ou quase ninguém o disse ou se ralou com isso.
Porquê ?
Porque ninguém via ( nem hoje vê ) alternativas para este imenso jogo de Dª Branca. Ninguém sabe como parar esta incessante e obrigatória escalada de fazer mais dinheiro, cada vez mais dinheiro, a partir do que existe. Ninguém sabe como substituir esta lógica suicida por outra qualquer que seja sustentável. Nem ninguém parece muito preocupado com isso, diga-se em abono da verdade. Ou quase ninguém. Quando aparece alguém chama-se-lhe extremista ou esquerdista e pronto, está resolvida a questão.
Esta terrível espiral é a mesma que leva ao inexorável esgotamento dos recursos naturais do planeta, à destruição das florestas, à poluição dos mares, à subida imparável da temperatura média, á destruição de todos os valores morais.
Pensam que estou a exagerar ?
Quando todos os políticos da Europa e dos Estados Unidos andam por aí a gritar que querem construir uma nova ordem financeira mundial, porque raio é que nem sequer conseguem riscar do mapa os off-shores ? Como é que nem sequer conseguem restringir as transacções de matérias primas como o petróleo às companhias de refinação e de comercialização ?
Porque é que ninguém tem a coragem de confessar que a economia mundial está completamente dominada pela actividade financeira especulativa ?
Porque é que falam em regulação e não em destruição e substituição ?
Porque é que ninguém consegue explicar a necessidade aparentemente imperiosa de crescer sempre, de ganhar sempre mais dinheiro, de produzir sempre mais automóveis, mais computadores, mais tudo ?
Sabem do que precisávamos ?
De mais modéstia. De menos cupidez. De mais simplicidade na vida. De menos fausto e manias das grandezas. De menos vencimentos milionários, como se esses tipos que os ganham valessem alguma coisa como Homens, como lideres ou como gestores. Como se viu. Ficções, contos de fadas, fábulas modernas.
Que mundo este, onde o grande objectivo do Homem é adorar o dinheiro !!
sexta-feira, março 06, 2009

Faço questão em afirmar que vivo perfeitamente sózinho, mas não é verdade, nunca foi. O que eu gostaria e nunca tive, era alguém que tivesse verdadeiramente prazer em estar comigo, em conversar ou em estar simplesmente calado. Nunca tive ninguém assim, ninguém. Talvez a minha mulher, nos primeiros tempos. Mas até essa grande amiga já partiu. Nunca mais tive nenhum amigo, nenhuma mulher que fosse capaz de me dedicar a sua intimidade, tal como eu gostaria. Com o tempo, eu próprio me tornei egoista e incapaz de conviver em liberdade e sentir felicidade com alguém.
Amigos, amigos mesmo, tenho tido mas do tipo longínquo, de nos vermos de mês a mês. Depois de ficar viúvo, tive muitas experiências, conheci algumas mulheres interessantes ( se calhar melhores do que eu … ) mas continuei a não sentir aquela cumplicidade e amizade que tudo ultrapassa.
Erro meu ? Azar ? Não sei, mas a verdade é que me sinto um solitário total, nestes tempos.
Tenho uma espécie de namorada-amiga com quem mantenho uma relação mais de fidelização do que outra coisa ( é como ser cliente da TV Cabo … ), mas dessa relação não aproveito nada, em termos de amizade, compreensão ou cumplicidade. Sou eu que dou tudo, não sei porquê. Acho que mantenho essa relação mais por um sentimento ( errado ? ) de companheirismo para com ela ( tem algumas dificuldades na vida e eu tento ajudá-la ) do que outra coisa.
Hoje, por exemplo, essa minha amiga-namorada decidiu ( faz isso muito ) que ia jantar com umas amigas, todas elas divorciadas ou mal-casadas, desejosas de arrastar as amigas para esse partido das mulheres sózinhas e unidas. Coisa tenebrosa de facciosismo e egoismo. Nem lhe passou pela cabeça que eu preciso dela, de alguém com quem conversar para me sentir vivo. Desconhece a empatia, desconhece-me totalmente.
Acho que eu é que estou errado, não se deve depender para nada de alguém sem empatia, não é ? Como diz o Rui Veloso numa canção, não se deve amar ninguém que não gosta da mesma canção que nós …
Seja como for, vi-me só numa noite de sexta. Resolvi jantar num pequeno e modesto restaurante em Benfica, perto da Igreja, “O Chafariz”. Não é a primeira vez.
Três pessoas na sala, comigo. Mais tarde, entram outras três pessoas, com um ar um pouco deslocado, talvez de Angola ou Moçambique. Raça negra. Marido e mulher mais filha, esta grávida. O marido tem um olho todo tapado com um penso. Sentam-se perto de mim.
Daí a um bocado, ou o tinto fez efeito ou foi o olho tapado, o homem derrubou o copo e entornou o vinho todo pelo fato. Um fatinho de bom aspecto diga-se.
Não resisti, e com aquela intimidade de pouca gente na sala mais o meu hábito de África, comentei : “foi o olho tapado, olha que pena “ e ri-me … O homem, como tantas vezes vi em África,com um sentido de humor excelente, largou-se a rir, virado para mim, dizendo “ que pena, o vinho ...” !
Esta cumplicidade, étnica, ainda por cima, fez-me sorrir na noite, quando saí do restaurante e caminhei para casa ( moro perto ).
Ia eu embrenhado nestes profundíssimos pensamentos ( a solidão e a cumplicidade inter-raças ) quando dei de caras com uma ex-namorada, de mão dada com o seu actual companheiro. Homem da minha idade, aspecto algo ingénuo. Muito mais nabo que eu, pensei instintiva e imediatamente, porque somos nós assim ?
A minha ex- parou, fez um sorriso do tipo “olha um velho amigo meu “ e apresentou-me ao amigo. Afirmei que tinha muito prazer ( mentira ! ), perguntei pela mãe dessa minha amiga ( uma velhota simpática e rabujenta de mais de 90 anos, agora ) e despedi-me.
Prossegui sózinho, pensando na coincidência daquele encontro, como se Alguém me estivesse a dizer : “Estás sózinho porque queres, porque és egoista e tens sido incapaz de amar ...”.
Curiosamente, pouco me ralei, continuou o egoismo, apenas me lembrei de como aquela minha ex-namorada era quente e audaciosa na intimidade. Sim, apenas senti saudades do sexo, não da pessoa. Que quer isto dizer, não presto mesmo como ser humano ? Que apenas fico bem na minha solidão ? Que tenho o que mereço ?
O grande problema é que eu não fico bem, assim solitário, assim como não me sinto bem, apertado e espartilhado numa relação íntima comprometida. E se isto é assim, aos 65, como raio virá a melhorar ?
Passem bem. Por mim, vim para casa e escrevi este texto.
quarta-feira, março 04, 2009
Ando a ler um livro do Baptista-Bastos e, nos intervalos, o “O Conde de Abranhos” do Eça de Queiroz. Não sei o que se passa comigo, ando sem paciência nenhuma. Ao BB ainda consigo entender e ter prazer com a sua leitura, em muitas passagens do ( acho eu, não me lembro bem, tenho o livro no carro … ) “Lisboa a Tinta da China”. É um homem sensível, ama Lisboa e os outros, consegue acertar-me com palavras comoventes. Mesmo assim, não suporto as longas passagens, as constantes reviravoltas nos personagens, ora o pai ora o filho, numa confusão do caraças, em tempos entremeados tipo James Joyce … Já não é o primeiro grande escritor português que se perde nas teias do "novo romance". Como o Lobo Antunes, excelentes no conto, na crónica, mas intragáveis no romance. Sobretudo o Lobo Antunes.
Mas o pior foi o Eças. O conde de Abranhos para mim, pertencia aos meus 19 ou 20 anos, era uma das obras que me faziam sustentar que o Eça era o suprasumo dos sarcásticos e dos lúcidos, num país cinzentão e ignorante como era o Portugal do séc XIX. Pois bem, foi uma desilusão, esta releitura. Não sei bem explicar-vos, mas o Eça está longe, afastado, já não pertence ao Portugal de hoje. Os seus personagens são ingénuos e inofensivos, no Portugal dos BPN, BPP e quejandos. O conde de Abranhos é uma virgem inocente, em oportunismo político, quando comparado com dezenas dos actuais políticos deste país. Apenas a ignorância do distintissimo Conde, então Ministro da Marinha e do Ultramar, ao situar Moçambique na costa ocidental de África me fez sorrir e recordar um outro Ministro, dos nossos tempos, quando proclamava a margem sul como um deserto … Talvez se deva dizer, em abono do Eça, que é dificil a um escritor permanecer intemporal numa época de tão grande degradação de todos os valores éticos e morais. Nem o Eça aguenta, por outras palavras !
Enfim, como comecei por dizer, devo ser eu que não ando com paciência.
Também, quem pode ficar indiferente ao descalabro acelerado deste país e aos efeitos sociais desta crise ?
domingo, março 01, 2009

OS NOSSOS OFF-SHORE E OS DOS OUTROS
Hoje não vos vou aborrecer com política.
Hoje vou virar-me para o humor, tão necessário neste país cinzento.
O sr Ministro de Estado e das Finanças ( ver imagem ao lado ) repudia energicamente os off-shore que, como ele muito bem sabe, foram inventados e proliferaram por todo o Mundo para permitir a fuga aos impostos e a outras esquisitices regulamentares dos governos.
Repudia os off-shore ... menos o da Madeira, claro.
O "nosso" off-shore é muito melhor que os off-shore dos outros.
O "nosso" off-shore é supervisionado por ele, garante.
( este espaço foi por mim intencionalmente deixado em branco para permitir ao leitor raciocinar e tentar compreender a elevada densidade científica desta afirmação )
E pronto, deixo-vos com este apontamento queiroziano.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Não me apetece escrever nada. Nem fazer nada. Só sinto uma profunda letargia. Sou um urso em hibernação. Palpita-me que estou acompanhado dos outros 9 milhões e meio de portugueses. Deixo de fora 500.000 que não são ursos. São aves de rapina. As aves de rapina não hibernam, não dormem e não descansam, sempre a pairar em círculos sobre tudo o que mexe, prontas a mergulhar e a afundar as suas garras em tudo o que valha a pena.
Já não sinto nada, o disjuntor central do meu cérebro disparou, a sobrecarga era exagerada. Nunca vivi nada de semelhante ao longo dos meus muitos anos de vida. Onde estavam escondidos, como apareceram, todos estes vampiros ? Quem lhes ensinou a arte, com quem aprenderam a usar os offshores, como perderam toda a vergonha ?
Que forças poderosas os movem, como conseguem usar as máscaras de gente séria e decente, que vento, chuva ou temperatura lhes permitiu desabrochar ?
Amigos, vá lá. Isto a que assistimos no nosso país não é obra de meia dúzia de corruptos. São muito mais que isso. É uma praga. A praga dos gafanhotos corruptos.
Sabe-se como começam, nunca se sabe como vão acabar. Começam nos partidos políticos, calmamente. Fazem-se notar, chegam-se aos chefes, abanam vigorosamente a cabeça, em sins ou nãos de enérgica concordância. Esperam a sua vez. Dão bicadas uns nos outros, como galinhas à espera do milho. Um dia são premiados, o chefe entrega-lhes um institutozito para dirigir (?) ou um lugarzito no Parlamento ou mesmo um lugar de director-geral. Um lugar onde normalmente dão largas à sua desesperada incompetência, a troco de uns milhares todos os meses, mais cartão de crédito e BMW. O pior nem é o dinheiro que estas sombras cinzentas consomem. O pior é que os organismos ou instituições por onde passam estiolam, apodrecem, ficam cada vez mais irremediavelmente atolados na lama.
Um dia, ahhhh finalmente, um dia deixam o governo ou o poder, com uma grande experiência … em tráfico de influências. Nesse dia, esfregam as mãos, chegou o momento tão ansiosamente esperado: um conselho de administração ( um ? Vários, como tantos casos que conheço ), numa grande empresa ou num banco.
A partir daí, mais nada por norma se conhece da vida deste promissor gestor. Apenas se sabe que, poucos anos volvidos, compra casas de meio milhão a vários milhões de euros, apresenta garagens com bentleys ou aston-martins ( os mercedes e bmw são muito foleiros para esta gente ), frequenta restaurantes que o leitor nem de nome conhece e torna-se, finalmente, uma pessoa de BEM.
Pensa que exagero, leitor ?
Oxalá assim fosse. É mesmo assim como lhe conto.
Ocasionalmente, um deles estampa-se ou é apanhado numa das reviravoltas dos jogos de poder e cai-lhe em cima uma sindicância, um inquérito, uma investigaçãozinha.
E depois, que mal tem isso ? São uns anitos um pouco chatos é verdade, mas a verdade vem longe e duvida-se que alguma vez se descubra. Com sorte, até os honorários dos advogados são pagos pelo Estado. E depois, há sempre uns sobrinhos ou primos na Suiça ou em Lisboa, dispostos ajudar a família, não é ?
Ahhh, agora vem outra verdadeira catástrofe : a justiça portuguesa. Toda a gente afirma a pés juntos que acredita na Justiça ( com J maiusculo ) e mais blablabla, enquanto esperamos anos e anos por ela, essa tal justiça.
Por mim, sou sincero, estou farto disto tudo. Dos corruptos, dos vigaristas, da política pequenina e também da justiça portuguesa. Acredito na justiça, mas apenas enquanto conceito teórico.
Na prática das nossas vidas, acho que a justiça portuguesa é ineficaz, demorada, por vezes estranhamente enviesada e parcial. Não acredito numa justiça que precisa que um vigarista abandone a presidência de um clube de futebol para o acusar. Não acredito numa justiça que anda ou não anda com os processos conforme os ventos que sopram do poder. Não acredito em deputados dependentes dos chefes dos partidos, em investigadores dependentes ou temerosos dos governos, em entidades de regulação não autónomas e de espinha curvada. Também não acredito em polícias, de investigação ou não, demasiado reverentes e atentas.
Portugal, tal como está, é um país sem espinha e sem projecto.
A culpa, como sempre, não é deles … é nossa.
terça-feira, janeiro 27, 2009
Esta gente, meus senhores, não faz a mínima ideia do que anda a fazer. Acreditem ou não, esta é a verdade, nua, dura, simples e ... aterradora.
Não me estou a colocar naquela posição típica do português que apenas sabe mandar umas bocas e nada mais. Palavra que procuro, afanosamente, encontrar um sentido para toda esta rapaziada ambiciosa e atrevida que encheu os corredores do poder. Mas não consigo. Nada do que se passa actualmente neste nosso país faz sentido. Apenas vejo uma enorme quantidade de iniciativas tontas e apressadas, muitas delas nem sequer estudadas, algumas outras mesmo contraditórias, como se todo o Portugal não passasse de uma grande manta tipo patchwork. Soundbytes, apenas. Propaganda. Feira da Ladra pura. Cada serviço, cada direcção geral, toda a gente tem muitos objectivos modernos e entusiasmantes. Todos os ministros falam que se fartam sobre grandes iniciativas, desde o TGV ao simplex, desde as novas oportunidades ao 12º ano para todos, desde o aborto ao casamento entre rapaziada do mesmo sexo. Tudo numa tremenda caldeirada ideológica, ao sabor dos ventos dos shares e das sondagens, sem o menor plano de conjunto nem sequer uma ideiazita agregadora.
Fazem-se coisas como o simplex, a casa na hora ( ou lá o que é ), por um lado. Por outro, inventam-se novos impressos e documentos que quem quer vender ou alugar uma casa tem que mandar fazer, por centenas de euros e horas e horas de espera, a dizer que a casa é assim e assado quanto ao consumo de energia, ainda que a casa tenha 100 e tal anos ... Mas isto não é de malucos ?
A sério : já não é uma questão de concordar ou não com as políticas deste governo. Pura e simplesmente, não os entendo. Não faço a mínima ideia do que eles querem deste país. E o mais dramático, é que estou convencido que eles também não.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
No domínio da dignidade de um ser pensante, haverá alguma coisa mais horrível que aquilo a que os partidos políticos chamam a disciplina de voto ?
Obrigar alguém a votar contra a sua consciência não será a fronteira limite da democracia, não será já o início do totalitarismo ?
Que justificações éticas e políticas podem ser apresentadas para defender uma atitude destas ? A justificação real, e unica, não será o medo das opiniões das pessoas, neste caso dos deputados ?
Pura e simplesmente não se pretende OBRIGAR pessoas a pensar como o partido quer, e não como elas, pessoas, querem ?
Qual é a diferença, do ponto de vista teórico, para um partido totalitarista ?
Afinal, são as pessoas que determinam a opinião de um partido ou é exactamente ao contrário, é o partido que diz às pessoas como devem pensar ?
DISCIPLINA PARTIDÁRIA, uma ova, desculpem.
TOTALITARISMO PARTIDÁRIO, isso sim, não me venham com falinhas suaves e hipócritas.
É por esta e muitas outras, do mesmo nível, que eu nunca pertenci nem hei-de pertencer a partido nenhum. Prezo muito a minha liberdade de pensamento.
Agora, perante isto, imagino o que irá na cabeça do Manuel Alegre. Conhecendo-o e admirando-o, aposto que só lhe resta uma atitude : desrespeitar a disciplina partidária, ser ele próprio. Nem sei que atitude ele iria tomar, com liberdade de opção no voto. Agora, só lhe resta uma coisa, com esta história da disciplina de voto : continuar a proclamar : “A mim, ninguém me cala !”.
Este nosso Portugal não está em crise . Está é uma verdadeira latrina, cheia de merda.
sexta-feira, novembro 28, 2008
Façamos uma espécie de raciocínio ao contrário.
Admitamos, por um momento, que a ministra da educação tem razão, tem uma boa proposta para a avaliação e que os seus pressupostos ( como a criação dos profs titulares e a sua implementação ) também são correctos.
A ministra tem razão, as propostas são boas … mas uma imensa maioria de professores recusam-se a aceitá-las. A avaliação já está vertida em lei, mas os profs não a vão aceitar.
Então que se faz ?
Num regime autoritário e cego, obrigar-se-ia ao cumprimento da lei, penalizando severamente todos os infractores. Com o peso da “bota”, estes acabariam por se subjugar, certamente.
Mas não vivemos num desses regimes, quer a senhora ministra tenha disso consciência ou não.
Então o que se pode dizer ?
Se a proposta é boa ( estamos ainda nessa hipótese de raciocínio ) e ninguém a aceita, então é porque algo falhou : ou no processo da sua elaboração, ou no processo de discussão com os destinatários, ou na preparação da sua concretização no terreno.
( É óbvio que algo do género a senhora ministra já o reconheceu, quando introduziu alterações dramáticas nas propostas, embora sem querer perceber onde está o cerne )
Em resumo, a ministra então tem umas excelentes propostas … mas não consegue convencer ninguém a usá-las, por este ou aquele motivo, não é ?
Insistir será levar o confronto para níveis superiores, introduzindo um clima dramático nas escolas. Convirá pensar nisso, não ? Haverá quem não perceba o mal que tudo isto está a provocar entre professores, entre estes e o seu ministério, e, por ultimo, no relacionamento entre professores e alunos, com o crescendo de indisciplina que a situação potencia ?
Bem, parece que a solução é simples : a senhora ministra DEVIA DEMITIR-SE, ainda que tenha hipoteticamente razão. Se ama o seu País, devia libertar o Primeiro-Ministro e PEDIR A DEMISSÃO. Ainda que continuasse a pensar que tem razão.
A política tem muitos exemplos disso, de pessoas que se retiram apenas para viabilizar a continuação do diálogo e do máximo consenso possível.
Esta pessoa, este ser humano, já não tem condições para o exercício do seu cargo. Quando recebe os representantes dos professores, já os olha com ódio, já os ameaça e maltrata. Isto não é saudável, se continuarmos assim vamos acabar à chapada. E depois … aos tiros, em ultimo caso.
Convem ter esta noção.
PS - Entre os efeitos perversos desta telenovela conta-se, sem dúvida, a minha inquietação permanente, a minha obsessão com tudo isto. Parece que já não sei escrever sobre mais nada. Gaita, cheira mal ! Demita-se e deixe outra pessoa tentar resolver.
quarta-feira, novembro 26, 2008
Há, de vez em quando, afirmações políticas que se vêm a revelar tão verdadeiras que apetece chamar-lhes proféticas.
O video que podem ver abaixo contem declarações do Secretário-Geral da FENPROF, em 2006, Paulo Sucena, quando da aprovação do actual Estatuto da Carreira Docente dos Professores.
Merece a pena ver e ouvir, palavra de honra.
Não se esquecem que isto se passa em 2006 !
Então, que acham ?
Para mim, é óbvio que aquela senhora que ocupa actualmente a pasta da educação não fazia então e ainda não faz hoje a mínima ideia do que é a política e de quais são os mecanismos da dinâmica social. Aprendeu, como se vê neste excerto de discurso dela, que é possível ter razão contra a maioria dos interessados, algumas vezes, e ter êxito nisso. Claramente nunca ninguém lhe explicou que isso só se pode fazer um numero limitado de vezes e, mesmo assim, com MUITO cuidado ... Ou a pobre senhora pensava que os desgraçados dos Profs, humilhados, ofendidos, pisados, desconsiderados e mal pagos iam andar o resto da vida a ser por ela manipulados impunemente ?
Sabem o que esta sinistra figura me faz lembrar ? Um pequeno aprendiz de feiticeiro, vaidoso, orgulhoso da sua ciência, mas ainda muito novato e inexperiente, nem sequer vislumbrando o que são as gentes portuguesas ...
PS - tenho andado adoentado do estômago, etc... Não sei se vem daí, mas ultimamente tenho uma reacção física de repulsa quando vejo aquela senhora aparecer na TV. Sinto o estômago aos altos e fico ansioso. Aquela mulher perturba-me, honra lhe seja feita. Ah, afinal pensando bem, as osgas também.
sábado, novembro 22, 2008
Desculpem, tenho que voltar à Educação.
Prometo não chatear.
A questão é esta : quais os motivos que levam a ministra da educação e o primeiro-ministro a estes braços de ferro ? Que razões explicam esta obstinação ?
É que estas atitudes são tanto mais estranhas quanto lhes poderão custar a maioria absoluta ( Pai nosso, que estais no Céu ... ) nas próximas eleições, segundo a opinião de muitos comentadores.
Então porquê ?
A verdade é que verifiquei muitas vezes este fenómeno ao longo da minha vida profissional. Acho que lhe poderíamos chamar de insegurança básica. Ou de uma concepção errada do que é o exercício do poder. Em qualquer caso, existem sempre ignorâncias grandes na área da liderança.
Mas como poderia ser de outra forma ? Onde é que Sócrates ( ou a ministra ) aprendeu a chefiar fosse o que fosse, antes de se ver catapultado para a chefia de um governo nacional ?
O que eu verifiquei ao longo da vida é que a falta de preparação para “chefiar”, para ser lider, é quase sempre desastrosa, quando se alia a atitudes básicas de vaidade ou auto-convencimento. Raramente dá certo. A menos que a pessoa em questão seja uma daquelas que nasceram lideres, o que não me parece o caso.
É que, antes de se poder ser lider, tem que se conquistar a confiança e a adesão emocional dos “liderados”. Com isso, há respeito, há admiração, há vontade de percorrer os caminhos indicados, há solidez em torno do lider. Liderar não é ameaçar nem impor, por muito que as pessoas pensem que é.
Sem isso, por mais gritos que se soltem, por mais persistência que se aplique, por mais autoritarismo que se pretenda mostrar … nada feito, ninguém virá atrás de nós. Seja num combate militar, seja na política, seja ainda na selecção nacional de futebol.
E vão duas sugestões concretas, contando com a minha ultima. Os aspirantes a exercer funções políticas de topo, deveriam (a) ser escrutinados através de uma análise psicológica (b) frequentar uns seminários ( com prática ) de liderança.
Que tal ? Serão assim medidas tão tontas ?
quarta-feira, novembro 19, 2008
Quem quer ser ministro devia submeter-se a um teste psicotécnico. Se fossem detectadas características como teimosia e obstinação exageradas chumbaria no teste. O mesmo para traumas profundos, psicoses e frustações não resolvidas. Tanto quanto possível, o candidato a ministro deveria ter um perfil psicológico saudável, evitando-se assim situações aviltantes, em democracia, como aquela que se vive no Ensino.
Afinal, ninguém hoje duvida que o impasse provêm das características pessoais da ministra ( e do primeiro-ministro ) muito mais do que qualquer outra coisa. Ou seja : o que está em causa, em termos práticos e políticos, nunca deveria ter provocado tamanha confusão, afinal é um aspecto relativamente marginal ao ensino, uma vez que os professores com avaliações menos boas continuarão a dar as suas aulas, em nada melhorando ou piorando o ensino … Então, porquê esta balbúrdia ?
Em meu entender, resulta directamente da falta de condições psicológicas da senhora para o exercício da função de ministro. Resulta da atitude de “somos a maioria, podemos fazer o que quisermos” que desde cedo este governo trouxe a este país. Resulta de objectivos enviesados e não confessados. Resulta da agressividade e falta de respeito com que vários estratos profissionais foram tratados. Resulta de sentimentos como a raiva e o ódio. Resulta de acusações de privilégio a torto e a direito. Resulta, acima de tudo, de um posicionamento psicológico pouco estável e saudável que nunca deveria ser permitido a um político.
É que, depois, não se esqueçam, quem semeia ventos colhe tempestades. É o que se vê, sem ganhos reais para ninguém.
Se eu pudesse, se tivesse uma varinha de condão, digo-vos o que faria : nem aquela pobre senhora disfarçada de ministra, nem o seu chefe, nem o inefável e sempre em pé ministro das obras públicas, nem a maior parte dos senhores ministros e ministras deste governo lá continuariam um só dia mais que fosse. Que fossem chatear outro povo com as suas insuficiências, incompetências e obstinações. Como não tenho essa tal varinha, limito-me a pedir, por todos os deuses : não deixem este PS ter de novo a maioria absoluta. POR FAVOR.
sábado, novembro 15, 2008
Nunca me filiei em nenhum partido político. Tenho horror a que me imponham uma certa opinião sobre algo. Odeio unanimismos, mesmo se sobre coisas tão simples como um bom jogo de futebol.
Dito isto, a crise Governo-Professores dos últimos tempos tem-me dado muito que pensar, no que respeita ao papel dos partidos políticos na procura de soluções para o desenvolvimento do país. Concretizo melhor : do papel dos partidos políticos portugueses.
Os partidos políticos portugueses eliminam a capacidade de pensamento crítico de grandes massas de cidadãos. A certa altura, perante um determinado problema, muitas pessoas parecem perfeitas máquinas de recitação de palavras. Já nem as entendem, vomitam-as em torrente, sempre as mesmas, até à náusea total de quem os ouve. A verdade, o interesse colectivo, já nada disso lhes interessa. Apenas conta a repetição do que diz o chefe, apenas isso lhes dará vantagem no futuro, quando o filho precisar de emprego ou ele próprio desejar um tacho dos bons.
No nosso actual panorama, apenas um ou outro militante em cada partido ousam pensar pela própria cabeça. Honra aos heróis. Quanto a todos os outros, deixaram-se transformar numa massa putrefacta de sombras acéfalas.
No Parlamento, chamam-lhes disciplina de voto. Mas quem se lembraria de inventar esta manipulação descarada e viciosa da vontade e inteligência humanas ? Como é que pudemos permitir uma coisa destas ? Que sentido faz então haver deputados de cada região ? Apenas para os poder espalhar pelas diversas comissões ?
Oiçam as declarações actuais do Primeiro-Ministro, da ministra da Educação e do inefável ministro Santos Silva. Percebam-lhes as motivações, as tácticas. Adivinhem o que vão dizer, mesmo antes de abrirem a boca. Oiçam … e pasmem.
Alguém acredita que por detrás do que dizem estão genuínos interesses colectivos da educação e do país ?
Tretas, nos seus lábios apenas consigo ler uma coisa : a defesa teimosa e obstinada dos seus próprios interesses políticos. Até mesmo quando já se percebeu que estão a dar tiros nos pés.
Esta gente não tem a percepção mínima do que deverá ser a política moderna : a arte de gerir expectativas e conflitos. Esta gente ainda continua a pensar que fazer política é impor a sua vontade a todos os outros.
Só espero que em próximas eleições o país lhes retribua o desvelo com que eles o tratam.
quinta-feira, novembro 13, 2008
Mas afinal como é que é esse tal malfadado sistema de avaliação que a ministra da educação quer impingir aos professores ?
Bom, vamos por partes. Não sei qual o conhecimento que o leitor tem destes sistemas. Por acaso, gastei quase três anos da minha vida profissional a estudar e mais tarde a desenvolver e a implementar um desses sistemas de avaliação, num sector também do Estado, ligado à Defesa. Penso que sei do que falo, ao contrário do juízo que faço quanto à equipa do ministério que “inventou” o sistema que tanta polémica tem dado.
Em esqueleto, um sistema de avaliação compõe-se de uma grelha de avaliação, onde os avaliados serão “encaixados”, e de um circuito de avaliação, constituído por pessoas ( os avaliadores, quem vai avaliar ) e por procedimentos.
A grelha de avaliação não é mais que um conjunto de factores de avaliação ( por exemplo, a assiduidade no trabalho, a capacidade de iniciativa, etc... ) , onde cada factor é bem caracterizado para evitar mal-entendidos e em que cada factor possui vários graus ( do tipo muito pouco, pouco, medianamente, bom e muito bom ) descritos em muito pormenor, para minorar as ambiguidades e subjectividades. Se possível, com caracterização quantitativa de cada grau, mas com muito cuidado. Os números, em muitas situações, só aparentemente são objectivos.
A grelha de avaliação é a pedra de toque de um determinado sistema de avaliação. É o elemento mais importante e absolutamente definidor da qualidade do sistema.
Não é preciso ir mais longe : no modelo do ministério, não existe uma grelha de avaliação. Impõem-se duas ou três coisas e o resto atira-se para as Escolas decidirem !!!
Brilhante ! Está-se mesmo a ver no que iria dar, não está ? Primeiro, numa carga de trabalho absolutamente monstra para os professores, ainda por cima não preparados nem sequer habilitados a identificar correctamente factores de avaliação e ou os seus graus. Depois, num universo de milhares de escolas, surgiriam certamente enormes diferenças na qualidade das grelhas e ainda mais nos seus graus, como se tornou bem patente, à medida que o processo evoluia.
Escolas houve que inventaram factores de avaliação como “Atitude o Professor quanto à aceitação das políticas educacionais do Ministério” ou ainda “Capacidade do Professor angariar apoios financeiros a entidades externas à escola”. Pérolas destas, sim.
E note-se, com os olhos arregalados, desta perfeita balbúrdia pretende-se obter resultados UNIVERSAIS, para valorizar as classificações profissionais dos professores !
Continuemos. Em factores tão difíceis de avaliar como a “performance” profissional, inventou-se a ideia peregrina de ligar a performance aos resultados dos alunos. Outra ideia luminosa. À primeira vista, até pode parecer correcta, a ideia, mas pensemos bem em todas as circunstâncias que concorrem para os resultados dos alunos e quantas dessas circunstâncias são externas e alheias aos professores. Então um professor com boas turmas seria sempre muito melhor que um com más turmas. A coisa é tão óbvia que tiveram que fazer entrar uma nova variável, ainda mais estranha a um processo de avaliação : é que a medida do sucesso ou insucesso ( ou seja os graus daquele factor ) são definidos em negociação de objectivos, entre o professor e o chefe de departamento e mais não sei quem. Ovo do Colombo, não ? Mas completamente rachado, diria eu. A universalidade de um factor de avaliação não pode tolerar graus que são definidos de forma diferente para cada professor, num universo tão variado como são as condições sócio-económicas das diferentes Escolas e a sorte ou “saber” do professor a identificar objectivos mais modestos e fáceis de atingir .
O factor nunca poderá ser “Resultados obtidos”, em meu entender, mas sim “Empenhamento e qualidade didáctica do Professor”, avaliado in situ pelos seus pares ou “superiores”.
Mas isto é elementar, até me chateia estar a escrever isto.
Bom, estão a ter uma ideia mais correcta da imensa balbúrdia nas Escolas ?
Então, lá vai outra. Para evitar a tendência que todos os sistemas de avaliação apresentam de nivelar os resultados lá em cima da escala ( e não por baixo como erradamente a ministra repete sempre ) , o ministério inventou quotas, para cada nível final classificativo. É uma Escola de muito bons professores, tudo gente com muita experiência ? Não interessa, só podem ser 3 “Excelente” e 10 “Muito Bons” … que se lixe o resto.
Bem,mas isto destrói TODA a objectividade da avaliação. Então todo o trabalho que andam a ter para isto, no fim ? Se essa é a preocupação, então qualquer sistema simples e puramente qualitativo, resultante apenas da observação das aulas, conduz a melhores resultados, com muito menos esforço. Se querem regular a ascensão nas carreiras, ponham as quotas nos lugares das carreiras ( vagas ), não na avaliação !
No final, de todo este sistema conceptualmente tão POBRE e tão complicado, na sua génese, como se pode pretender obter resultados universais ( apesar das quotas, apesar da falta de universalidade de factores e de critérios ) para majorar as classificações profissionais nacionais dos professores ?
Meu Deus, isto já não é uma questão política de se gostar ou não da ministra ou da política deste Governo do PS.
Isto é, pura e simplesmente, incompetência de toda a equipa ministerial.
Não tiro uma letra : INCOMPETÊNCIA !
terça-feira, novembro 11, 2008
O secretário de Estado Jorge Pedreira comparou a avaliação dos professores a um aumento de impostos.
Tem toda a razão, o sr secretário de Estado.
Os sindicatos do sector da educação não respeitaram o memorando de entendimento que tinham assinado com a ministra, suponho eu que pura e simplesmente porque viram, na prática, que o não podiam respeitar.
O senhor primeiro-ministro comprometeu-se com os portugueses, quando das ultimas eleições, a não aumentar os impostos.
Daí a uns meses passou o IVA de 19 para 21%, ao contrário do que tinha prometido.
Mudou de opinião. As circunstâncias mudaram, explicou, mais tarde.
Aceito.
Então, o sr primeiro-ministro pode mudar de opinião e dar o dito por não dito, mas os sindicatos NÃO ? Como é ?
Ora vêem ? O secretário de Estado Jorge Pedreira tem razão.
sábado, novembro 08, 2008
APOIO À MINISTRAAqui estão eles, os professores, vindos de todo o País, manifestando o seu incondicional apoio à política do ministério da educação.
Bandeiras ao vento, largas faixas, inscrições em T-shirts, os profs gritam ao mundo o seu entusiasmo por várias medidas deste ministério : a criação da categoria de prof titular, com grandes aumentos de vencimentos; a redução da carga burocrática do trabalho dos profs, para melhor se dedicarem ás suas aulas; a criação de instalações dignas, em todas as escolas, para o trabalho dos profs; a introdução de um sistema de avaliação simples e universal, dotado de factores de avaliação não dependentes de circunstâncias fora do controlo dos avaliados, factores iguais para todas as escolas; alterações no futuro concurso de profs onde é nítido o respeito pela dignidade daqueles profissionais; um estatuto do aluno direccionado para restituir às escolas o controlo do ambiente disciplinar nas aulas e na escola; um estatuto do professor onde só falta uma estátua ao mesmo, como reconhecimento dos seus bons serviços, enfim , tantas, tantas medidas que seria agora fastidioso a todas lembrar.
Só vos digo que nunca tinha visto tamanha homenagem à senhora ministra. Fantástico. Merecida manifestação de apoio a quem tudo tem feito para melhorar o ensino em Portugal.
E a verdade é que os resultados este ano já foram bens melhores, como se sabe. Mesmo dando desconto aos pontos facilissimos ...
Bem haja, senhora ministra, continue, está a prestar um bom serviço à Nação !
P.S. - Aqui para nós, senhora ministra, a senhora está a ser sub-aproveitada na educação. Poderia talvez ir dar uma mãozinha ao senhor ministro da defesa, ele tem tentado fazer aos militares algo semelhante ao que a senhora tem feito na educação...
quinta-feira, novembro 06, 2008
O Governador do Banco de Portugal ( BP ) é um autêntico balão de ar. Nem mais, nem menos. Leve-me a tribunal, se quiser. Continuarei a afirmar, e a provar : é um balão e um balão caro, ainda por cima. Grande volume, conteúdo muito leve. Sempre tive dúvidas quanto àquele homem de meia-idade, com um ar estudado e afectado, mesmo arrogante. Nunca o vi fazer nada de jeito, nem no PS nem no BP, mas vi-o sempre com um ar insuportável de superioridade profissional. As únicas intervenções que lhe conheço são para recomendar a toda a gente contenção nos salários ( desde que não seja no dele, claro ! ), dizer banalidades sobre a energia nuclear ( que raio tem o BP que falar do nuclear ?? ) ou a mandar para o ar uns números macroeconómicos, invariavelmente longe da realidade. Por toda esta frenética e fecunda actividade é o referido senhor remunerado a um nível acima dos 20.000 euros mensais, mais coisa menos coisa. Nada de mais, justo e merecido.
E que mais faz o senhor, no âmbito mais “sagrado” das atribuições do BP ? Devia controlar e regular, permanentemente, a actividade de todos os bancos, obrigando-os a cumprir a lei e a não se meterem em aventuras. Em nome da garantia publica da idoneidade bancária. Pergunte-se : o BP cumpre essa missão ? Lembro apenas duas siglas, as mais recentes : BCP e BPN. Vigarices, actividades menos ortodoxas, da ordem das centenas de milhões de euros !!!!
E o sr. Vitor Constâncio ? Quedo e mudo, assobiando para o lado. Perdão, nem sei se sabe assobiar. Mas se souber, decerto que o faz em surdina, para o lado. Não quis dizer nada sobre aqueles bancos por causa da confiança do público no sistema bancário. Tipo polícia que não prende o ladrão para não assustar os cidadãos.
Enfim, é o género de pessoas que são produto de um sistema partidário anquilosado e clientelar. Quantos homens não existiriam neste País com melhor perfil para aquela função, digam-me ... Está bem, deixa para lá, conservem-o bem, craques desses valem milhões . Aqueles dois bancos que o digam.
Dir-me-ão : é da natureza do poder, as pessoas que ocupam cargos dirigentes tornam-se sempre meio cegas e meio surdas. É normal, diz o bom-senso, têm muito com que se preocupar e não podem estar atentos às vozes que lhes chegam vindas da sociedade.
Pois, será assim que é a norma, mas eu não aceito. Ninguém deveria aceitar.
Primeiro, porque não lhes pagamos para serem surdos e cegos.
Segundo, porque o poder não é deles, é nosso.
Terceiro, porque normalmente essa cegueira e surdez é só a fingir, para não terem de nos dar explicações, para poderem fazer aquilo que querem e não aquilo que nós queremos.
Nunca hei-de aceitar com naturalidade esta cegueira ou surdez. Esta prepotência.
Depois, quando as ruas extravasam e os ânimos aquecem, quando a luta se intensifica e o medo lhes sobe às almas … deixam instantaneamente de ser cegos e surdos, passam a dar explicações, são todos sorrisos e boa-vontade.
Ou seja, em termos científicos : a surdez dos governantes é uma função inversa do numero de pessoas que protestam na rua. Quanto mais manifestantes, mais apurados ficam os ouvidos dos nossos governantes, mais desbloqueadas ficam as suas vontades.
Como qualquer outra lei do mundo físico, também existem excepções : a mais evidente é quando se trata de grandes empresas e de bancos. Aí a audição e a acuidade visual dos nossos governantes é sempre excelente, não são precisas as manifestações para nada, a boa vontade para abrir os cordões à bolsa é imediata, genuína e permanente.
Esta dissertação desconchavada vem a propósito de vários problemas e litígios que existem entre o nosso governo e parte importante dos governados. Com os militares já começou a ver-se como é. Resta agora ver a próxima manifestação de professores. Não duvido que a Ministra da Educação passe logo a ouvir melhor e também a ver com nitidez o que se passa dentro das Escolas.
Convenhamos porém … não é uma tristeza que assim seja ? Não seria de esperar que esta gente a quem pagamos para administrar a coisa pública tivesse um pouco mais de consideração por quem lhes paga ? É que, por vezes, até parece que são eles que nos pagam a nós da sua algibeira …
PS – o Presidente-eleito dos EUA fez um discurso comovente, quando da vitória. Aconselho vivamente a que o leiam. No meio desse discurso, surge uma frase linda como esta ( cito do cor ) : “ Prometo que os ouvirei ( ao povo ) sempre, sobretudo quando discordarmos !”.
Perfeito.
Exactamente como por cá.
terça-feira, novembro 04, 2008

OBAMA, YES WE CAN !
Obama e McCain vão submeter-se ao voto popular, mas o que está em jogo é muito mais que escolher uma destas duas pessoas. Os americanos vão escolher entre a esperança da mudança e a resignação de soluções ineficazes e ruinosas. Ou melhor : entre a esperança num milagre, de um dos lados, e “politics as usual”, do outro lado.
Esta esperança não pertence apenas aos americanos, perpassa por todos nós, na Europa, em África, na Ásia, por toda a parte. O Mundo também acredita na esperança, também tem fé em milagres.
Por mim, acredito que os sistemas políticos produzem de quando em vez soluções extraordinárias e regeneradoras. Acredito que Obama irá ser eleito e que um vento de tranquilidade e inteligência irá soprar daqueles lados do Atlântico.
Tenhamos esperança nos EUA ... já que, por aqui, provavelmente, continuaremos sem esperança nenhuma.
sexta-feira, outubro 31, 2008
Hoje vamos falar de contentores. Ou melhor, vamos falar ( uma vez mais ) de falta de vergonha e de desprezo pelos outros.
Ora bem, é óbvio que aumentar quilómetro e meio àquele cais de Alcântara cheio de contentores é uma ideia que não iria agradar a muita gente. Ainda por cima, sabendo como estas obras se eternizam em Portugal e como costumam respeitar os espaços públicos, certamente que MUITA gente iria discordar.
Pois bem, não há dramas : faz-se um decreto-lei pela calada, sem alarde, e está o problema resolvido.
Ah, mas havia um problemazito : a concessão actual ia terminar já em 2015 … como rentabilizar o investimento da expansão ? Simples, uma vez mais : prorroga-se a actual concessão por mais … trinta e tal anos, até 2042 e pronto.
Discutir o assunto com a Câmara de Lisboa ? Levar a questão à Assembleia da República ? Suscitar a discussão pública da iniciativa ? Integrar a obra num plano geral para a zona ribeirinha ? Tssss, tsss, tsss … tudo isso dá trabalho, consome muito tempo e energias. Assim é muito mais fácil.
Confesso : não faço a mais pequena ideia se Lisboa ( e o País ) lucram alguma coisa ou não em ter uma área gigantesca para carga e descarga de contentores. A única coisa que detesto é que tomem decisões nas minhas costas em relação a coisas que são também minhas. Lisboa não pertence à empresa concessionária do cais de contentores, Lisboa não pertence a este Governo, nem a nenhum Governo passado ou futuro. Lisboa não pertence ao sr. Jorge Coelho nem ao sr. Sócrates. Lisboa não é mercadoria negociável.
Quero saber :
(a) aumentar a capacidade do cais de contentores é boa política para Lisboa e para o País ou só para a firma concessionária ?
(b) em caso de ser boa ideia a expansão do actual cais, não existem localizações mais adequadas ? Tem que ser logo ali, em zona privilegiada de lazer e de fruição do rio ?
Antes me responderem a estas questões, fiz questão de ajudar a parar a “negociata” meio encoberta, assinando a petição subscrita por Sousa Tavares.
Cabe-lhe a si fazer o mesmo. Ou não, como quiser. Em qualquer caso, clique aqui para ler a petição : http://www.gopetition.com/online/22835.html
Tenha um bom resto de dia.
quarta-feira, outubro 29, 2008
A verdade é que não sei para onde me virar. A realidade excede a ficção, nestes tempos. A minha capacidade de indignação é todos os dias posta à prova, a maior parte das vezes vejo-me obrigado a zangar-me em “multitasking”.
Foi o truque palerma de introduzir na proposta do OE2009 aquela aberturazita para as ofertas aos partidos em “el contado”, descoberta em primeiro lugar pelo Diário Económico (DE). Foi a história do telefonema imediato do nosso primeiro-ministro para o director do DE, explicando não sei o quê ou refilando com a “má vontade” do jornal. É o miserabilismo dos nossos empresários recusando o salário mínimo de 450 euros. São os ventos persistentes de estagnação ou mesmo retracção do crescimento económico. São as coincidências do ex-ministro Jorge Coelho ao aceitar o lugar de Presidente do CA da Mota-Engil e vai daí, meses depois, é só concessões do Governo à empresa, sejam no Douro ou no porto de Lisboa. É uma actuação destrambelhada, incompetente, ruinosa e autista do Governo no ensino secundário, na gestão dos hospitais e na rede de cuidados de saúde, no desprezo manifesto por aqueles de quem depende a segurança e a defesa. É a suprema ironia de toda a gente considerar como uma medida eleitoralista os míseros 2.9% “generosamente” oferecidos aos funcionários públicos, fartos de perder poder de compra nos anos passados, da ordem dos dois dígitos percentuais.
São todas estas coisas e mais o raio deste vento frio.
São coisas a mais, acho eu.
A continuar assim, ainda me dá um AVC, ou saio do País antes disso.
A alternativa seria inventarmos o nosso Obama, e, já agora, trocarmos também as nossas pseudo-elites por suecos, alemães ou mesmo … chineses. Lamento, mas é verdade.
sexta-feira, outubro 17, 2008
UMA QUESTÃO DE OUTROS VALORES ...Acham que exagero ? Então recapitulem comigo.
Afirmam os especialistas que a corrupção existe a um nível imenso na nossa sociedade, e que as pessoas até desculpam e perdoam a pequena corrupção. Boa, continuemos.
O PSD está a considerar a hipótese, ao que se sabe já aprovada por Manuela Ferreira Leite, de voltar a apresentar Santana Lopes para a Câmara de Lisboa... Sim, o mesmo Santana Lopes. Excelente, adiante.
Sócrates e mais 344 ministros, secretários de estado ( os ministros não são de estado ? ), directores-gerais e outros senhores importantes andaram por aí a distribuir uma espécie de computador de algibeira, destinada a putos de 5 e 6 anos, que afirmaram ser portuguesissimo e a quem chamaram ... Magalhães. Recomenda-se ao autor do nome uma releitura urgente da história da época. Para além disso, magnifico, agora é que os putos vão todos aprender a ler, escrever e a fazer contas.
Isaltino, o impoluto de Oeiras, proclamou já que vai candidatar-se de novo á Câmara. Ignora-se se ainda tem o primo na Suiça, mas a avaliar pelas ultimas dos bancos lá do sítio, o primo já não deve lá estar.
A inefável e competente ministra da educação continua na sua sanha contra o que resta de qualidade no ensino publico, parece que os professores ainda têm umas horitas semanais livres das infindáveis reuniões de avaliação de desempenho, avaliação intercalar, avaliação disciplinar, avaliação curricular, elaboração de testes para recuperação de alunos com excesso de faltas, etc, etc ... Consta mesmo que, de vez em quando, até há um ou outro professor que consegue escapar-se das reuniões e ... dá uma aulita !! A ultima invenção da senhora foi agarrar nos professores do QZP ( de nomeação definitiva numa certa área geográfica do país ) e dizer-lhes : “Meus amigos foi boato. Vocês não foram nada providos no vosso lugar, vão todos ter de concorrer para milhões de Kms das vossas casas. Se não quiserem, processo disciplinar e despedimento“.
Excepcional, continuemos a mostrar até que ponto se desceu na escala da decência e na consideração pela dignidade dos outros.
O senhor primeiro-ministro. Bem, esse confesso que ando intrigado com o homem. Estou farto de o ver e ouvir em toda a parte e declaro que nunca vi o senhor dedicar a mínima consideração a quem o interpela e dele discorda. A sua atitude automática e imediata, sem qualquer nuance de respeito, é a de violência verbal, a arrogância e a pose de mestre. A razão da minha profunda intriga é a seguinte : onde teria Sócrates ido buscar a razão para esta atitude ? Que características lhe dão minimamente suporte para esta maneira de ser ?
Mistério ... aquilo que se conhece da sua vida justificaria, isso sim, uma atitude de modéstia e de respeito pela opinião dos outros, não seria ? Afinal, entre os seus interlocutores existem pessoas muito inteligentes, cultas, academicamente bem formadas, com experiência em vários sectores profissionais ...
Chega para convencer o leitor quanto á crise de valores ?
E agora, há por aí algum Banco Central que possa dar um aval a Portugal para valores, decência e vergonha ?
Ou então, como diz um amigo meu, isto não é um problema de valores nem de política e muito menos de economia ou finanças : Portugal não passa de um imenso prostíbulo, onde pessoas se vendem e outros vão só para ver. Ah, sim, e com uma ala dedicada a doentes mentais.
domingo, outubro 12, 2008
A sensação claramente dominante neste momento é a impotência.
Um pouco por todo o Mundo as pessoas interrogam-se e receiam o futuro próximo.
É nítido que ninguém sabe exactamente o que fazer.
É nestas alturas que mais me interrogo sobre a verdadeira dimensão do homem actual e da sua fé um tanto infantil em instituições e organismos ditos idóneos.
Pessoalmente, como qualquer pessoa pode verificar se ler as minhas notas dos ultimos anos, a realidade actual não me surpreendeu nada. Há muito que em mim morreram as ilusões e a candura, há muito que deixei de acreditar no Pai Natal. As entidades ditas responsáveis sempre conviveram alegremente com todas as trafulhices que o submundo financeiro inventou, nestes ultimos anos. Alguém conhecedor destas realidades pode afirmar que foi apanhado de surpresa ? Então porque é que ninguém mexeu uma palha ? Sabem explicar ?
Eu sei : cumplicidades, conivências, interesses próprios ou de amigos ou de grupo.
Há muito tempo que eu explicava a economia financeira dos tempos correntes aos meus amigos como sendo uma versão gigantesca da Dª Branca. Alguns não me acreditavam, pensavam que eu exagerava, então aquelas venerandas instituições e aqueles competentes senhores alguma vez iriam deixar isto acontecer ?
Pois. Então onde estão agora todos esses ilustres garantes da idoneidade das operações financeiras ?
E agora, perguntamo-nos todos, os “especialistas” e os outros, que fazer ?
Agora há que restaurar a confiança, dizem-me.
Mas confiança em quê e em quem ?
Não percebem que essa é a grande questão ?
PS - Já pensaram quem seria que andava a especular com o petróleo, imediatamente antes de estoirar esta crise ? E porque o andariam a fazer ? É que eu acho muito interessante que ninguém fale agora da correlação entre as duas coisas ...
segunda-feira, setembro 15, 2008
Vivi intensamente o PREC, de 1974 em diante. Não vou entrar em detalhes,mas vivi-o por dentro. Nessa altura, eramos todos frequentemente confrontados com posições políticas muito radicais, a que chamavamos esquerdistas, denunciando tudo e todos. Para essa gente radical, só existiam em Portugal eles, os puros, e todos os outros eram ou corruptos ou fascistas.
Por formação e carácter, sempre recusei essa abordagem. Também nunca fui grande adepto das teorias conspirativas e dos arautos das desgraças cataclísmicas. Sempre achei que a realidade era, por natureza, moderada e que a percentagem de casos de corrupção e de falta de honestidade eram mínimos.
Pois bem : nestes dias que correm, a pouco e pouco, vou-me sentindo envolto numa atmosfera irreal de manobras sujas, atmosfera quase invisível, dando a ideia de que já ninguém liga muito a estas coisas. Ou que a corrupção e o roubo são coisas comuns que não vale a pena investigar e punir.
Viram aquele caso do burocrata do desporto ( chefe da missão olímpica e tudo !! ) que se amerezendou com uns dois ou três vencimentos, carros e eu sei lá que mais ?
Tchiiiiiiiiiiii, e o desgraçado do sujeito diz que em seu tempo vai esclarecer tudo !
A seu tempo ? E ele é que diz quando é que decide explicar-se ?
Sabem o que eu acho, por vezes ?
Vai sair bronca, já aviso.
Então é assim : á semelhança do que tem vindo a suceder com o consumo de drogas, com a homosexualidade ( e com os casamentos homosexuais) , com a ausência da prisão preventiva, etc ... não me admiro nada, mas mesmo nada, que daqui a alguns anos seja descriminalizada a ... corrupção.
Desde que seja para uso pessoal, bem entendido.
Não acreditam ?
quinta-feira, setembro 11, 2008

OS NOSSOS ORÁCULOS DE DELFOS
Os americanos ( leia-se made in USA ) nem sempre são modelo de comportamento para ninguém. Ou mesmo raramente o são.
Dito isto, note-se como o banco central americano ( o Federal Reserve ) e o Banco Central Europeu ( BCE ) tem tido comportamentos diferentes, com resultados também bem diferentes.
A economia americana apresentava, como a europeia, indicadores de fraco crescimento económico, receios de estagnação ( crescimento nulo ) ou mesmo recessão ( crescimento negativo ), sinais de inflação, sobreendividamento das famílias, forte especulação no imobiliário com o desmonoramento financeiro desse sector. Na Europa, o senhor Trichet, á frente do BCE, fiel como um cão aos estatutos do Banco que mandam privilegiar o controlo da inflação, vá de fazer subir a taxa de juro, uma, duas e mais vezes, estando actualmente nos 4,25%. A ideia é que o alto preço do dinheiro desincentive o consumo ( e o investimento, pergunto eu ? ) e logo, por essa via, faça baixar a inflação. E o senhor persiste nisto há mais de um ano.
Bem, e fez ? A inflação foi contida ?
Não, como se sabe. E a economia ressentiu-se, claro, e sucedem-se as revisões em baixa para o crescimento no espaço europeu.
Alguém se chateou com isto, alguém questionou o sr. Trichet porque é que a sua teimosia está a dar tão maus resultados ?
No outro lado do Atlântico, o Federal Reserve fez exactamente o oposto, baixou corajosa e progressivamente a taxa de juro, embaratecendo o dinheiro. O Governo Federal, numa atitude sem precedentes a esta escala, introduziu no circuito recentemente milhares de milhões de dólares, tomando conta das duas maiores imobiliárias ( financiadoras ) do país.
Resultado : os indicadores económicos nos EUA começaram milagrosamente a recuperar ( enquanto os nossos se afundam ) e a inflação não disparou coisa nenhuma, quedando-se no mesmo patamar.
Então, quem fez melhor o seu papel ?
Moral da história : a economia, como ciência, é uma treta. Nunca vi uma ciência apresentar panaceias diferentes para a mesma situação. E não me venham com a conversa mole dos diferentes objectivos e estatutos dos dois bancos centrais, porque estatutos há muitos e mudam-se quando é preciso. A economia usa e abusa de modelos que me parecem obsoletos para fenómenos como a inflação, o crescimento, a bondade ou não do consumo interno no crescimento, etc ... A realidade, ano após ano, ridiculariza muitos desses modelos, mas os senhores do establishment fingem que não percebem, assobiam para o ar ou para o lado e continuam a dizer e a fazer as mesmas coisas, vezes sem conta.
Quem se lixa, sempre ? Eles não, são muito bons e muito bem bem pagos !
A hipocrisia e o faz de conta são a pior praga dos países desenvolvidos nos nossos dias, não acham ?
quarta-feira, setembro 10, 2008
Hoje vieram a lume estatísticas do ensino compiladas pela OCDE. Os nossos jornais, cumprindo a sua missão, desataram a publicar títulos meio escandalizados meio perplexos, porque uma dessas estatísticas revela que em Portugal, o numero total de alunos de todos os níveis de ensino divididos pelo numero total de professores conduz ao valor de 8 alunos por professor, dos mais baixos existentes no espaço da OCDE.
Baralhação total : começaram aí os nossos jornalistas a tecer considerações, espantando-se que esse numero seja tão baixo enquanto que, ao mesmo tempo, o racio do numero de alunos por turma seja tão elevado ! Um deles ( desses jornalistas ) comenta mesmo que tal se poderia entender se os nossos professores trabalhassem pouco, mas um outro indicador divulgado sustenta precisamente o contrário ! Óh espanto ! Óh maravilha das estatística !
Então ? Em que ficamos ? Porque é que então, entre nós, existe um racio tão baixo de alunos por professor ? Há alunos a menos ? Há professores a mais ? Hummm ... que acha, leitor ?
Uma pista ... professores a mais, provavelmente, mas a mais em relação a quê ?
Que tal pensar que, na estrutura do nosso ensino ( e em quase todo o mundo, com excepção dos níveis etários mais baixos no ensino ), a cada disciplina/cadeira corresponde um professor ? E se há professores a mais, muito provavelmente, é porque o numero de disciplinas/cadeiras individualizadas é muito elevado, em média ? Idem para as respectivas cargas horárias semanais ? Que tal fazer as contas por aí ? Numero de disciplinas, carga horária de cada disciplina, numero de horas nos horários dos alunos,etc ... ?
Dito de outra forma mais simples : se o leitor agarrar em duas turmas de alunos, uma nos EUA e outra em Portugal, se a turma americana tiver uma carga horária semanal igual á portuguesa mas com apenas 7 disciplinas, enquanto a portuguesa tem 10 disciplinas, cada uma dessas disciplinas exigindo um professor diferente, em qual dos sistemas é que vão existir mais professores ? Qual dos sistemas dará um racio de menos alunos por professor, hem ? E já reparou, neste exemplo, que a turma americana até poderá ( e tem, por norma ) ter menos alunos que a portuguesa ?
Não seria honesto fazer primeiro essas contas e tentar perceber depois os tais 8 alunos por professor ? É que, se desligarmos esse indicador destes outros valores, ele não vale nada, porque não está relacionado sequer com o numero de alunos que cada professor, em cada momento, tem diante de si ao mesmo tempo para lhes ensinar algo ( a turma ) ...
Nestas coisas como em outras, exige-se seriedade na análise dos valores e não aquilo que se vê neste nosso país que é esgrimir estatísticas para tentar ter razão e atirar poeira aos olhos dos outros. Ou então, ignorância e/ou falta de hábito de raciocinar.
PS : as especulações por mim efectuadas neste comentário NÃO foram precedidas de nenhum estudo sobre a maior ou menor diversidade das matérias existentes nos currículos dos diferentes graus do nosso ensino. É apenas, como dizem os americanos, um “educated guess”, um palpite com o mínimo de ponderação.
Claro que poderíamos igualmente falar na taxa de horas úteis lectivas nos horários dos professores, claro que teríamos também de averiguar quem executa as actividades burocráticas e administrativas nos restantes países da OCDE ( em Portugal, muitas são feitas pelos professores ), claro que ... muitas outras coisas. Mas aposto que aquilo que lhes indico como possível razão é um bom principio de estudo !
sexta-feira, agosto 29, 2008
Existe a PSP, com o seu Director Nacional, a GNR, com o respectivo Comandante Geral, a PJ mais o Director também Geral ou Nacional, o SEF , com o seu responsável máximo, o Gabinete de Coordenação da Segurança, com um General do Exército, o Ministros da Justiça, que tutela a PJ, o Ministro da Administração Interna, que manda na PSP e GNR , o Procurador-Geral que não se sabe em quem manda mas que usa a PJ ... e, pelos vistos, nenhuma destas Entidades coordena nada, nem há troca de informação nenhuma entre as mesmas, é agora preciso inventar uma outra Entidade ao lado destas todas que se chama o Secretário-Geral da Segurança, com a categoria de Secretário de Estado !
Brilhante. Excepcionalmente bem visto. Perante uma situação de descoordenação óbvia, por excesso de protagonistas, falta de linhas claras de comando, responsabilidades sobrepostas e desfuncionalidades flagrantes ... responde-se com a criação de uma nova instância, com funções dúbias e categoria hierárquica manifestamente insuficiente.
Neste meu País ainda se vê disto todos os dias : aquilo que qualquer aprendiz das artes da organização aprendeu é desprezado pelos homens e mulheres que elegemos para nos governar.
Aquilo que em qualquer País decente já existe há séculos, uma base de dados criminal partilhada por todas as Forças de Segurança, entre nós ainda não existe, apesar de já prevista em legislação anterior a esta em vários anos.
Agora, sim, com um senhor Juiz Conselheiro escolhido para o novo cargo ( seja quem for a pessoa em concreto ) , essa situação vai mudar : todas as polícias vão passar a funcionar coordenadamente e a informação vai estar ali prontinha e à mão de quem dela precisar !
Bem visto, meus senhores. Assim dá gosto ser eleitor e cidadão neste País.
sexta-feira, julho 04, 2008

O problema é que tenho a casa cheia de móveis e bugigangas e as obras vão obrigar a mudar tudo de sítio, tipo puzzle, enquanto que eu serei obrigado a emigrar, ainda não sei bem para onde. Esta perspectiva aterroriza-me, comodista que sou e amante do meu bem-estar primário. Terei de ir para casa da minha filha, entretanto ? Vou para um hotel ? E tirar aqueles livros todos das estantes, para as poder mover ? E a bonecada, tipo bibelots ? Oh que ganda seca !
Que me dizem a isto os leitores ? Sugestões ? Críticas ?
Alguém me quer acolher ?
Eh eh eh eh ...
sábado, junho 28, 2008
Faço hoje 65 anos. Não faço ideia nenhuma como aconteceu isto, não me lembro de nada, ainda ontem andava no Liceu. Se querem saber, acho que isto é um sonho, ou melhor, um pesadelo. Quando acordar, tudo estará na mesma e eu terei 40 e tal anos, se tanto.Pode lá ser, tantos anos, sessenta e cinco ! Se for verdade, é uma grande injustiça. Que chatice, ainda por cima sou obrigado a festejar. Festejar ?? O quê ? Ter chegado aqui e não ter morrido antes ? Mas isso deve ser festejado ? O que há para festejar, esta minha idade é a velhice, a idade em que ficamos transparentes, até as mulheres nos sorriem e tudo, dizendo com os olhos que velhote simpático ... Mas há mais, muito mais.Chega um homem a esta idade e o que vê ? Um mundo bonito, feliz, onde se possa descansar tranquilamente e deixar a velhice entrar em nós ?Não, o que vejo á minha volta é um mundo doido, desgovernado, um mundo em regime de pilhagem acelerada.O petróleo nos 140 dólares, 71% das ordens diárias de compra são especulativas e todos encolhem os ombros; o Oceano Ártico em degelo acelerado, teme-se que este Verão se derreta a fina camada de gelo sobre as suas águas e ninguém faz nada ; a Siemens diz que vai despedir 15.000 pessoas e todos pensam "não é nada comigo" ; no Zimbabué, o ditadorzeco faz o que quer, corre com a oposição vencedora e a ONU nem sequer um papel consegue escrever ...Aparentemente, ninguém, nenhum Governo, nenhuma organização pode ou quer fazer nada. NADA. Mas para que pagamos nós a estes gajos todos se nenhum deles resolve seja o que for ? É como se tudo fosse inevitável. Como se já estivéssemos todos condenados. É desesperante, porra, chega um homem aos 65 anos e o que vê é um mundo de interesses, um mundo de dinheiro e ganância, um mundo sem deus, nem esperança nem amanhã. ...Sabem uma coisa ? É pela negativa, bem sei, é egoismo, também, mas que hei-de fazer ? A ideia é perturbante ( tenho uma filha e gente de quem gosto ) mas tentadora : chegar á velhice num mundo destes talvez nem seja mau de todo. Menos coisas lamentamos perder, menor será a dor da partida.
PS - que ideia parva esta minha última ... desculpem-me, é a esclerose a atacar !
sexta-feira, junho 20, 2008
Nos ultimos anos, quando se fala em políticas sociais, tornou-se moda virar a atenção exclusivamente para “os mais desfavorecidos” ou para “os sectores mais vulneráveis”. Á partida, parece uma boa ideia, os ricos não têm problemas e os assim-assim podem bem com esta ou aquela subida de preços.
Oferecem-se rendimentos mínimos a quem pouco tem, garantem-se subidas nas pensões abaixo de um certo valor, beneficiam-se os juros de quem tem rendimentos abaixo de um certo limiar, oferecem-se benefícios aos pescadores, depois aos camionistas, em breve aos taxistas, sei lá a quem mais ...
Parece tudo justo, não parece ?
Mas é um jogo perigoso. Quem define as fronteiras ? Quem decreta “tu precisas, tu não precisas” ? Que espécie de justiça é esta que exclui milhões de pessoas, pressupondo á partida que estão e ficam bem, que podem suportar os custos ?
De há muito que sucessivos governos brincam aos robins dos bosques, mas este então tem sido fértil nesta perigosas e demagógicas políticas pseudo-sociais.
A verdade é que os estratos populacionais ditos da classe média estão cada vez mais empobrecidos, cada vez mais esquecidos. A verdade é que esta forma de olhar a sociedade é falsa e, no nosso caso, apenas proporcionou cobertura política a um desenfreado processo de sobre-enriquecimento das classes médias-altas e altas. Como contraponto político, como que para fazer esquecer o “gamanço” desavergonhado, lá vinha o interesse pelos “mais desfavorecidos”. Reparem bem, por exemplo, como Sócrates se defende quando o criticam por governar á direita ... Lá salta o complemento ás pensões mais miseráveis, lá aparece o abono de família, etc ...
Rejeito uma política social feita de migalhas, feita de mentiras, onde os muito pobres são apenas mantidos no limiar da fome e toda a outra gente da classe média é esbulhada em nome do sobre-enriquecimento dos poderosos.
Chega de mentiras e de hipocrisia. Chega de roubos, é isso que tem acontecido.
Quero uma sociedade onde todos possam ter dignidade, onde todos possam ter uma vida razoável, onde os imensos lucros das petrolíferas sejam taxados e essas taxas sejam colocadas ao serviço de todos e não só de pescadores, taxistas e camionistas.
Chega, estou farto de ser considerado como condenado a estiolar e a esperar que acabe por ser considerado, no fim da minha vida, como “sector mais desfavorecido” ...
Que é, afinal, o que nos espera a todos se não quebramos esta política anti-classe média, levada a cabo por aprendizes de feiticeiro ao serviço dos grandes interesses.
quarta-feira, junho 11, 2008
Vejam só esta maravilha : que medidas propôs o Governo à ANTRAM e aos outros transportadores para desbloquear as acções de paralização que, como sabem, têm como origem o preço exorbitante dos combustíveis ?
Entre outras, relacionadas com a dedução dos custos com o combustível em sede de IRC, o Governo propôs-lhes a introdução de uma fórmula automática que aumentará o preço a cobrar pelos serviços de transporte em função do custo do gasóleo !
Boa ! Bem visto !
Ou seja, se porventura o leitor ainda não percebeu : o Governo aplacou os transportadores deixando-os atirar automaticamente os aumentos do gasóleo PARA CIMA DE NÓS !
Brilhante. Devia ser esta a solução a que Sócrates aludia ontem, ao afirmar que a ajuda a prestar aos sectores prejudicados não poderia por em causa o bem colectivo.
Pois, assim também eu resolvia bem os problemas todos : atirava sempre os custos para cima de nós.
Cabe então aqui a pergunta : e nós, simples cidadãos, que podemos fazer para defender os nossos direitos ? Que estradas podemos cortar ? Que abastecimentos podemos interromper ?
Só vejo uma solução : podemos interromper o fornecimento de votos a um Governo como este. Bem o merece.
‘Bora fazer isso ?
sábado, junho 07, 2008
Para que serve lamentarmo-nos sobre a escalada vertiginosa do preço do petróleo ? Porque é que algumas pessoas só agora descobriram o mundo miserável em que vivemos ? Porque é que, durante tanto tempo, essas pessoas distraidas desculparam e entenderam os arautos do neo-liberalismo, os feiticeiros dos mercados pseudo-livres ? Porque é que, desde há muitos anos, presenciámos cenas vergonhosas nos mercados financeiros com um encolher de ombros ?
Saberão os leitores que, neste momento, circulam nas águas de todo o Mundo, gigantescos petroleiros carregados de crude, a aguardar o seu destino, sem saberem muito bem a sua rota final, a aguardar pela indicação do comprador ? Saberão os leitores que a mansa tremenda de investidores financeiros não produtivos ( não criam realmente nada, a unica coisa que fazem é comprar, contribuir para a elevação dos preços e vender, depois ) se atiraram ao petróleo como um bando de gatos a bofe, comprando quantidades tremendas e esperando, apenas, até que dois dias depois o vendem com o lucro líquido de milhões de dólares ? Essas compras fictícias ( porque esse bando não quer o petróleo, realmente ) reduzem a quantidade de petróleo disponível, fazem aumentar os preços e depois ... é só vender !
Mas então, dirão os leitores, se o processo é esse – é-o sem duvida, em grande parte da realidade ! – não seria relativamente fácil acabar com essas compras especulativas de petróleo, num mundo de gente séria ? Por exemplo, aceitando apenas compras de petróleo a pessoas credenciadas, representantes das refinadoras ? Por exemplo, taxando muito fortemente as mais valias provenientes desta especulação com o petróleo ?
Claro que sim. Então porque não é feito ?
Ah, caro leitor, aí somos conduzidos para o que de pior o ser humano possui. No mundo moderno, pouca gente se move pelo interesse comum, como se calhar já percebeu. E então, o que tem isso a ver com o petróleo ?
Tudo.
Quem se poderia opor a estas especulações com o petróleo ?
Os governos, claro, e os organismos internacionais, também.
Mas quer saber uma coisa, leitor ? São esses mesmos governos e organismos que estão a ganhar milhões, também, com estes preços do petróleo. E as refinadoras. E as distribuidoras. E as grandes empresas de comercialização. E as cleptocracias normalmente no poder dos países produtores de petróleo. E os outros países produtores de petróleo. Toda esta gentinha anda deslumbrada com este acréscimo gigantesco de receitas, caramba !
Já viu alguém, caro leitor, dar tiros nos próprios pés ? Acha que os governos vão fazer algo contra isto ? Ahhhhhhhhhhhhhhh .....
Sabe, leitor, qual seria a unica coisa a obrigar os governos – todos os governos – a intervir nesta matéria ?
O mesmo de sempre. Todos nós, as vítimas, unidas e furiosas, nas ruas a gritar contra eles. Todos nós a dizer claramente que não queremos aceitar este jogo sujo, viciado.
Todos nós a gritar, ao mesmo tempo : “PAREM A ESPECULAÇÃO, JÁ !”
De outra forma, todos os Sócrates do Mundo vão permanecer surdos e cegos, acredite.
Afinal, eles nem sequer andam nos seus carros e ainda recebem uns milhõezitos adicionais para os seus orçamentos ...
terça-feira, junho 03, 2008
Os hábitos actuais de vida e de comunicação em sociedade estão completamente cheios de meias-verdades, falsidades, lugares comuns e mitos. Não conheço o panorama dos outros países europeus, mas quanto a nós, nunca imaginei que se pudesse DESCER tanto na escala da qualidade.
Querem ver algumas preciosidades ?
- O mito das médias europeias. ( a má estatística como mentira ao serviço da ilusão )
Nos ultimos tempos, em tudo o que é meios de informação e sobretudo a nível do discurso laudatório do Governo, são usadas todos os dias comparações dos preços praticados em Portugal com as médias europeias. Ah, a gasolina não é das mais caras da Europa ... afinal é só 20 e poucos cêntimos mais cara que em Espanha.
Os bens alimentares não subiram tanto em Portugal como no resto da Europa.
Um bilhete de cinema em Portugal não é caro, é igual ao de Paris ...
E por aí fora.
Quem usa estes indicadores está a fazer passar gato por lebre, está a querer enganar os portugueses. São mentiras ! São balelas ! A gasolina em Portugal para estar ao mesmo preço da França ou da Alemanha teria de ser MUITO mais barata ! Não me interessa o valor absoluto dos preços, interessa-me sim o esforço financeiro que tenho de fazer para comprar essas coisas, com os salários portugueses. Os preços não deviam ser comparados em valor absoluto mas sim corrigidos em função dos índices de poder de compra !
Assim, não vale !
- O mito do populismo. ( a tentativa de calar a verdade pelo agitar de um chavão )
Os gestores portugueses das grandes empresas ( sector privado e do Estado ) auferem vencimentos totalmente desproporcionados aos dos restantes sectores da vida nacional ? Populismo ... populistas é o que estes gajos sabem ser ! Que é que queriam ? Que deixássemos fugir os melhores gestores ? Que lhes oferecessemos tuta e meia ?
A sociedade portuguesa é das mais desequilibradas da Europa, as diferenças são colossais entre sectores populacionais ? Lá vem o Paulinho das Feiras outra vez ... que querias tu ? Que alinhassemos pelo cavador alentejano ? Ai estes populistas !
- O mito da responsabilização indevida ( a tentativa de evitar vozes críticas )
Então o gajo é do nosso Partido e nada pr’aí a dizer umas coisas contra o nosso Governo ? Eh pá, o gajo é indecente, é um irresponsável. Há que estarmos unidos nesta fase dificil. Temos a razão do nosso lado, não endireitamos aquela coisa do déficit ? Que mais queriam estes gajos ?
- O mito do défice público. ( a grande desculpa do neo-liberalismo bacoco )
Provavelmente, este é o maior dos actuais mitos. Lembro-me de que,com Cavaco, na época do “betão” das autoestradas, o défice chegou a ser de 9%. Era preciso investir, andar para a frente. Era o chamado défice virtuoso.
Depois, o Euro veio impor o limite máximo anual de 3%, para que a solidez da moeda fosse constante e credível. Agora, só por causa disso, inventou-se a teoria económica da bondade do défice pequeno ou nulo. Já não há défices virtuosos, todas as medidas são boas para atingir os 3% ou menos. É preciso baixar os rendimentos do trabalho dos funcionários públicos ? Baixem-se. É preciso cortar nos custos da defesa e da segurança interna ? Corte-se, os gajos que andem menos de carro e de avião e de navio ! É preciso estrangular os profs ? Fechar umas maternidades e centros de saúde ? Faça-se !
O importante é o défice pequeno, mesmo que já não exista povo para o admirar !
-O mito da indispensabilidade dos partidos políticos. ( ai que vou levar dos democratas todos ... )
Os partidos políticos são indispensáveis à democracia, sem eles seria o populismo, o caudilhismo, a anarquia. Sim, está bem, aceito que tenham um papel importante na sociedade.
Mas não estes que temos.
Estes que temos são uma merda, desculpem. Repositórios dos piores tiques da nossa vida actual. Inchados e putrefactos de carreirismo, de nepotismo, de oportunismo. Vi-os nascer e hoje não são uma sombra do que já foram. Nunca foram organizações isentas de mácula, claro, mas hoje ...
Estão tão desacreditados, hoje, os partidos políticos que sempre que algum dos seus líderes locais é impedido de concorrer a eleições em nome desse partido, por motivos de ética política ou moral ... acaba por ser eleito como independente. Lembram-se do Major, da Fátinha, do Isaltino ? Pois é ... Os partidos mentiram e aldrabaram tantas vezes os portugueses que agora já não adianta, já ninguém acredita neles, mesmo quando têm razão.
Poderia continuar ad-infinitum. Mas já estou cansado, é muito deprimente escrever sobre estes temas. Deprimente ... e populista !
