Confesso que não percebo o que faz correr Sócrates.
Sou capaz de perceber uma pessoa determinada, com espírito de missão.
Sou capaz de entender aqueles que têm um sonho e dele não se desviam.
A Sócrates, porém, não lhe conheço sonhos grandiosos para o país, nem lhe pressinto motivações ou concepções políticas de rasgo. Não é crime nenhum, mas Sócrates surge-me como uma pessoa mediana, homem sem grandes preocupações políticas ou humanisticas, nem sequer uma formação científica muito sólida. Os seus maiores entusiasmos, no domínio do sonho realizador, são o fim do défice e o engrandecimento da tecnologia. Sonho pequeno, convenhamos, para resultados tão destrutivos na vida e no sossego de tanta gente, com essa unica justificação.
Onde é que Sócrates foi beber o néctar da sua verdade ? Como se formou no seu espírito a descoberta de que era inevitável fazer o que está a fazer ? Quem ou o quê o convenceram que a felicidade do país exige o sacrifício de tantos dos seus filhos ?
Não sei, não, como diriam os nossos irmãos brasileiros, mas é como se Sócrates fosse movido por uma agenda secreta e invisível, que nunca ninguém viu ou sequer suspeita mas que está lá, á sua cabeceira, permanentemente. Agenda que exige frieza, mesmo um certo estranho e preverso prazer, na sua concretização.
Por mim ( mas quem é que eu sou, não é, comparado com um Primeiro-Ministro ? ), acho que nunca na vida seria capaz de sacrificar tanta gente em tão pouco tempo sem ter pesadelos durante a noite, sem me questionar se estaria no caminho certo ou não. Fosse por que motivo fosse. Sócrates, porém, não hesita nunca um momento, tem sempre uma Ota pronta na secretária á sua frente, tem sempre a certeza do que faz : vai reduzir o défice e pronto ! Ah, já me esquecia, desculpem lá : também vai colocar nas Escolas uns quadros esquisitíssimos, interactivos, dizem eles ( interagem com quem ? os alunos estão todos a ficar ignorantes ... ).
E vai, claro. Vai reduzir o défice. Vai reduzir o défice e muitas outras coisas mais, por arrasto, ao que se começa a ver.
Por favor, mas mesmo por favor, não queiram que Sócrates reduza mais o défice. Digam-lhe que já chega, está bem, obrigado, agora precisamos de outras coisas.
Como cuidar das pessoas, caramba. E da economia em geral.
E do País, já agora, se puder ser.
Blogs (Blogues) = crónicas (quase) diárias; registo periódico de factos, opiniões e críticas ; as impressões íntimas, a política, o social.
quarta-feira, agosto 08, 2007
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Vitor Cunha
à(s)
8/08/2007 02:23:00 da manhã
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sábado, junho 30, 2007
CALMA, SENHORES MINISTROS
Amigos ou pelo menos leitores : que me dizem daquela história de Vieira do Minho ?
Conta-se em poucas palavras :
Acto 1 – O senhor Ministro da Saúde deu uma entrevista a um jornal. Entre outras preciosidades, afirmou que nunca na vida entrou num SAP, nem fazia ideia de alguma vez lá entrar ( acho que a ideia do Sr. Ministro seria a de que esses serviços estariam sempre insuficientemente dotados de equipamentos e pessoal, pelo que melhor seria muitos deles encerrarem ... ) ;
Acto 2 – Um médico do Centro de Saúde de Vieira do Lima, certamente sentindo-se “agradecido” ao Sr. Ministro por aquelas palavras, tão reconfortantes para quem todos os dias trabalha num serviço desses, resolveu afixar no placard do Centro uma cópia do jornal com a entrevista, adicionando-lhe um comentário brincalhão do género : “Façam como o sr. Ministro, não ponham aqui os pés !” ;
Acto 3 – O sr. Ministro, irritadíssimo com esta piada, exonerou a directora do Centro de Saúde ( não o autor da piada, cujo "castigo" acarretaria maiores dificuldades processuais ), invocando quebra de lealdade para com ele ;
Bom.
Que dizer de coisas como estas, que vão sucedendo um pouco por todo o país, entre cidadãos e membros do Governo ?
Em primeiro lugar, estas atitudes revelam insegurança.
Depois, imaturidade política.
Em seguida, uma atitude interior de pouca tolerância para com a forma de pensar dos outros.
Por ultimo, uma enorme confusão entre o que é o dever de lealdade institucional, de um servidor do Estado para com um membro do Governo, e a sua afinidade ou lealdade pessoal para com esse Governo, esse membro do Governo ou a sua política.
Estes sinais provocam inquietação em todos nós e também, segundo se sabe, dentro do próprio PS.
Mas que outra coisa seria de esperar, senhores Ministros ?
Este “nosso” Governo, em diversos sectores em simultâneo, investe sem dó nem piedade, tipo tsunami social, na destruição de muitas situações, a que chama de privilegiadas.
Os atingidos, funcionários do Estado, senhores de "privilégios" imensos como se sabe(embora não costumem fazer férias na neve nem em outros locais exóticos ) e milhares de outros cidadãos, atingidos pelo encerramento de instalações hospitalares,por exemplo, o que deveriam fazer ? Manifestações de agradecimento ao Governo, pelo empenho na defesa dos interesses nacionais ? Orações todos os dias pela manhã , pedindo graças divinas para os senhores Ministros ?
Ora vá lá, senhores Ministros : sou mais velho que a maior parte dos senhores, tenho a mesma formação académica, educação e inteligência, tenho experiência de vida e, num passado remoto, arrisquei tudo o que tinha ( não era muito, também ) para que este País voltasse a ter uma democracia. Sei o que custa hoje viver decentemente em Portugal, sem a protecção de privilégios, cartões de crédito, despesas de representação, carros caros de vidros escuros e outras mariquices quejandas. Não meto nem aceito cunhas, não precisei nunca de obter colocações vantajosas através de amigos, do partido ou da sociedade empresarial civil.
É desta posição, que receio bem comece a ser rara, que me permito lançar uma palavra de alerta e bom-senso : façam um esforço por cair no Portugal real, por perceber quão mal se vive neste gueto da Europa, por entender, finalmente, quão pouca gente percebe sequer o que os senhores Ministros pretendem fazer.
Pensam que as pessoas trabalham gostosamente e vivem para o combate ao défice, ou quê ? Terão sido os funcionários do Estado a inventar Institutos e outras posições muito bem remuneradas no mesmo Estado ? Somos nós que aumentamos as despesas e contratamos centenas e centenas de assessores e encomendamos pareceres e estudos caríssimos fora do Estado, quando lá dentro existem especialistas cuja função é essa mesmo ? Não vêem que estamos todos muito fartos de ouvir falar nisso, há anos e anos, aguentar salários sem aumentos ou aumentos baixíssimos, progressões congeladas, despedimentos, enquanto todos os outros países da Europa vão fazendo pela vida e conseguindo melhorar ?
Então, sinceramente, acham que os portugueses lhes deviam estar agradecidos por estes ultimos anos, nos quais obviamente incluo outros senhores Ministros anteriores a V. Exas ? Acham, a sério ?? Acham que os potugueses são parvos ?
Por ultimo, permitam-me que lhes recorde aquilo que Salazar sempre percebeu muito bem : deixem-nos ao menos brincar com estas coisas, senhores, inventar umas piadas, umas anedotas sobre V. Exªs ! Precisamos de válvulas de escape, senhores, não esqueçam !
Se nem isso lhes ( nos ) concederem, então podem ter a certeza, meus caros senhores, que os portugueses encontrarão, mais tarde ou mais cedo, uma resposta adequada para oferecer a V. Exªs.
Com toda a razão.
Amigos ou pelo menos leitores : que me dizem daquela história de Vieira do Minho ?
Conta-se em poucas palavras :
Acto 1 – O senhor Ministro da Saúde deu uma entrevista a um jornal. Entre outras preciosidades, afirmou que nunca na vida entrou num SAP, nem fazia ideia de alguma vez lá entrar ( acho que a ideia do Sr. Ministro seria a de que esses serviços estariam sempre insuficientemente dotados de equipamentos e pessoal, pelo que melhor seria muitos deles encerrarem ... ) ;
Acto 2 – Um médico do Centro de Saúde de Vieira do Lima, certamente sentindo-se “agradecido” ao Sr. Ministro por aquelas palavras, tão reconfortantes para quem todos os dias trabalha num serviço desses, resolveu afixar no placard do Centro uma cópia do jornal com a entrevista, adicionando-lhe um comentário brincalhão do género : “Façam como o sr. Ministro, não ponham aqui os pés !” ;
Acto 3 – O sr. Ministro, irritadíssimo com esta piada, exonerou a directora do Centro de Saúde ( não o autor da piada, cujo "castigo" acarretaria maiores dificuldades processuais ), invocando quebra de lealdade para com ele ;
Bom.
Que dizer de coisas como estas, que vão sucedendo um pouco por todo o país, entre cidadãos e membros do Governo ?
Em primeiro lugar, estas atitudes revelam insegurança.
Depois, imaturidade política.
Em seguida, uma atitude interior de pouca tolerância para com a forma de pensar dos outros.
Por ultimo, uma enorme confusão entre o que é o dever de lealdade institucional, de um servidor do Estado para com um membro do Governo, e a sua afinidade ou lealdade pessoal para com esse Governo, esse membro do Governo ou a sua política.
Estes sinais provocam inquietação em todos nós e também, segundo se sabe, dentro do próprio PS.
Mas que outra coisa seria de esperar, senhores Ministros ?
Este “nosso” Governo, em diversos sectores em simultâneo, investe sem dó nem piedade, tipo tsunami social, na destruição de muitas situações, a que chama de privilegiadas.
Os atingidos, funcionários do Estado, senhores de "privilégios" imensos como se sabe(embora não costumem fazer férias na neve nem em outros locais exóticos ) e milhares de outros cidadãos, atingidos pelo encerramento de instalações hospitalares,por exemplo, o que deveriam fazer ? Manifestações de agradecimento ao Governo, pelo empenho na defesa dos interesses nacionais ? Orações todos os dias pela manhã , pedindo graças divinas para os senhores Ministros ?
Ora vá lá, senhores Ministros : sou mais velho que a maior parte dos senhores, tenho a mesma formação académica, educação e inteligência, tenho experiência de vida e, num passado remoto, arrisquei tudo o que tinha ( não era muito, também ) para que este País voltasse a ter uma democracia. Sei o que custa hoje viver decentemente em Portugal, sem a protecção de privilégios, cartões de crédito, despesas de representação, carros caros de vidros escuros e outras mariquices quejandas. Não meto nem aceito cunhas, não precisei nunca de obter colocações vantajosas através de amigos, do partido ou da sociedade empresarial civil.
É desta posição, que receio bem comece a ser rara, que me permito lançar uma palavra de alerta e bom-senso : façam um esforço por cair no Portugal real, por perceber quão mal se vive neste gueto da Europa, por entender, finalmente, quão pouca gente percebe sequer o que os senhores Ministros pretendem fazer.
Pensam que as pessoas trabalham gostosamente e vivem para o combate ao défice, ou quê ? Terão sido os funcionários do Estado a inventar Institutos e outras posições muito bem remuneradas no mesmo Estado ? Somos nós que aumentamos as despesas e contratamos centenas e centenas de assessores e encomendamos pareceres e estudos caríssimos fora do Estado, quando lá dentro existem especialistas cuja função é essa mesmo ? Não vêem que estamos todos muito fartos de ouvir falar nisso, há anos e anos, aguentar salários sem aumentos ou aumentos baixíssimos, progressões congeladas, despedimentos, enquanto todos os outros países da Europa vão fazendo pela vida e conseguindo melhorar ?
Então, sinceramente, acham que os portugueses lhes deviam estar agradecidos por estes ultimos anos, nos quais obviamente incluo outros senhores Ministros anteriores a V. Exas ? Acham, a sério ?? Acham que os potugueses são parvos ?
Por ultimo, permitam-me que lhes recorde aquilo que Salazar sempre percebeu muito bem : deixem-nos ao menos brincar com estas coisas, senhores, inventar umas piadas, umas anedotas sobre V. Exªs ! Precisamos de válvulas de escape, senhores, não esqueçam !
Se nem isso lhes ( nos ) concederem, então podem ter a certeza, meus caros senhores, que os portugueses encontrarão, mais tarde ou mais cedo, uma resposta adequada para oferecer a V. Exªs.
Com toda a razão.
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Vitor Cunha
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6/30/2007 11:00:00 da tarde
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quinta-feira, junho 28, 2007
O CRIME DEFINE-SE POR OPOSIÇÃO AOS MEUS INTERESSES ?
Também disse que muitas situações são detectadas graças a denúncias, principalmente de particulares, o que reflecte uma mudança de mentalidade por parte das pessoas e «uma maior consciencialização de que a pirataria é crime».
O que acabam de ler é um excerto de uma notícia sobre a “caça” da TV Cabo aos ilustres cidadãos que se atrevam a instalar caixinhas pirata para ver a TV- Sport á borla.
Então é assim como viram : a “bufaria” é considerada pela TV-Cabo como sendo uma atitude de grande valor cívico, demonstrativa da forte consciência social dos portugueses perante o crime.
Extraordinário.
Ao ponto a que a hipocrisia chega : o elogio da denúncia como atitude positiva.
Estão mesmo a ver, não estão ? O Carlitos ali da esquina, todo roído com o Zeca por causa daquela garina boa do centro comercial, vá de chibar para a TV-Cabo que o Zeca vê o futebol á borla lá em casa, com uma box pirata ! É assim mesmo, catano, atão o gajo pensava que me gamava a garina e se ficava a rir ? Toma lá, lixa-te todo !
E aí temos o Carlitos das Fontaínhas, bufo inveterado e corno frequente, promovido á categoria de cidadão fortemente consciente dos seus deveres cívicos.
Claro que, como em tudo na vida, a verdade é relativa. Aquilo que para alguns é crime, para outros é perfeitamente normal. Assim, o manfio que se atreva a “fintar” a TV-Cabo é tratado de criminoso e sujeito á denúncia dos Carlitos todos deste país, sob o olhar complacente do nosso Governo ; por outro lado, um senhor Ministro que finta os valores da isenção e lisura de procedimentos e “mete” a filha no seu Gabinete, a ganhar 3.500 euros por mês, sem saber ler nem escrever ... esse não é criminoso, é apenas esperto e não faz mais que toda a outra rapaziada faz.
Ora vêem ? Notam como tudo isto é divertido ?
Pois bem, invertamos as verdades : que tal acusar a TV-Cabo de “pirataria económica”, por primeiro ter entrado em nossas casas, por X por mês, todos os canais em claro e depois, progressivamente, quando já nos tínhamos habituado, começar a pedir mais 15 ou 20 euritos por mês pelo futebol ou pelo cinema, sem que o cliente tenha qualquer alternativa ?
Hem, que me dizem, isso não poderá também ser rotulado de “pirataria” ?
Ou será apenas ... uma estratégia inocente de “marketing” ?
Sabem que mais ? Abram-me bem esses olhos, malta ! Há por aí uma série enorme de gajos a tirar-nos dos bolsos todos os poucos cêntimos que ainda lá restam ! Uns de uma maneira, outros de outra. Uns cheios de moralidade, invocando sempre a lei e o mercado ; outros nem por isso, abusando apenas da sua posição e poder.
Não me venham pois com consciências cívicas, caramba, chega de cinismo e hipocrisia.
Também disse que muitas situações são detectadas graças a denúncias, principalmente de particulares, o que reflecte uma mudança de mentalidade por parte das pessoas e «uma maior consciencialização de que a pirataria é crime».
O que acabam de ler é um excerto de uma notícia sobre a “caça” da TV Cabo aos ilustres cidadãos que se atrevam a instalar caixinhas pirata para ver a TV- Sport á borla.
Então é assim como viram : a “bufaria” é considerada pela TV-Cabo como sendo uma atitude de grande valor cívico, demonstrativa da forte consciência social dos portugueses perante o crime.
Extraordinário.
Ao ponto a que a hipocrisia chega : o elogio da denúncia como atitude positiva.
Estão mesmo a ver, não estão ? O Carlitos ali da esquina, todo roído com o Zeca por causa daquela garina boa do centro comercial, vá de chibar para a TV-Cabo que o Zeca vê o futebol á borla lá em casa, com uma box pirata ! É assim mesmo, catano, atão o gajo pensava que me gamava a garina e se ficava a rir ? Toma lá, lixa-te todo !
E aí temos o Carlitos das Fontaínhas, bufo inveterado e corno frequente, promovido á categoria de cidadão fortemente consciente dos seus deveres cívicos.
Claro que, como em tudo na vida, a verdade é relativa. Aquilo que para alguns é crime, para outros é perfeitamente normal. Assim, o manfio que se atreva a “fintar” a TV-Cabo é tratado de criminoso e sujeito á denúncia dos Carlitos todos deste país, sob o olhar complacente do nosso Governo ; por outro lado, um senhor Ministro que finta os valores da isenção e lisura de procedimentos e “mete” a filha no seu Gabinete, a ganhar 3.500 euros por mês, sem saber ler nem escrever ... esse não é criminoso, é apenas esperto e não faz mais que toda a outra rapaziada faz.
Ora vêem ? Notam como tudo isto é divertido ?
Pois bem, invertamos as verdades : que tal acusar a TV-Cabo de “pirataria económica”, por primeiro ter entrado em nossas casas, por X por mês, todos os canais em claro e depois, progressivamente, quando já nos tínhamos habituado, começar a pedir mais 15 ou 20 euritos por mês pelo futebol ou pelo cinema, sem que o cliente tenha qualquer alternativa ?
Hem, que me dizem, isso não poderá também ser rotulado de “pirataria” ?
Ou será apenas ... uma estratégia inocente de “marketing” ?
Sabem que mais ? Abram-me bem esses olhos, malta ! Há por aí uma série enorme de gajos a tirar-nos dos bolsos todos os poucos cêntimos que ainda lá restam ! Uns de uma maneira, outros de outra. Uns cheios de moralidade, invocando sempre a lei e o mercado ; outros nem por isso, abusando apenas da sua posição e poder.
Não me venham pois com consciências cívicas, caramba, chega de cinismo e hipocrisia.
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Vitor Cunha
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6/28/2007 07:03:00 da tarde
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quarta-feira, junho 27, 2007
UM GATO PRETO NA FLORESTA PERDIDA
Um destes dias, ao fim da tarde, estava sentado no Colombo, a comer uma canja. A minha filha sentava-se a meu lado. Estávamos calados. Á minha frente, aqueles troncos retorcidos, enredados numas ruinas misteriosas, a versão Belmiro de Azevedo de uma floresta perdida. Aqui para nós, sempre senti uma simpatia inconfessada por aquela imitação. Sonhos de criança, maravilhas que povoam as nossas mentes, os livros de aventuras da nossa infância ?
Seja como for, aquela pantera negra a descer por entre os ramos ressequidos tinha um toque surreal, naquele ambiente urbano de centro comercial.
Quase esfreguei os olhos. Que raio era aquilo, já faziam decorações assim tão reais ?
Não, era um gato que descia pelos ramos, seguro e ágil. Um gato preto de olhos verdes, desconfiados.
Um gato ?? Ali, no meio do Colombo ??
Sim,um gato.
Desceu das árvores falsas e foi direito a um prato de comida, bem real. Era óbvio que o rei da selva misteriosa tinha cúmplices entre o pessoal dos restaurantes. A minha filha perguntou a uma mulher que trabalhava na limpeza das mesas e o mistério esclareceu-se. Era o gato residente, já há uns oito anos, disse ela. Aparecera nas obras, coisinha minúscula, perdido ou abandonado pela mãe e pelo mundo em geral. O pessoal das obras foi tomando conta dele, o jovem gato foi-se adaptando ao local. Quando construiram aquela floresta, no ultimo piso, o gato sentiu-se em casa. Árvores, belos sítios para se esconder e dormir. Comida á borla, ainda por cima, era o paraíso.
E lá estava ele, elegante, pêlo brilhante, todo preto, maravilhoso na sua solidão. Subiu de novo, numa árvore da sua floresta e quedou-se, empoleirado num ramo, a lamber-se vagarosamente. Tentámos ainda umas fotos, com o telemóvel da minha filha, mas não ficaram nada de jeito. Talvez seja melhor assim, podem imaginá-lo como quiserem, a viver naquele ambiente.
Saímos do Colombo, mas o gato preto não me largava o pensamento. Viver daquela forma, ali, numa floresta fingida, absolutamente só, sem outros gatos, já viram que vida a daquele ser ? Que espantoso equilibrio psicológico, que ascetismo mais admirável, que capacidade maravilhosa de sobreviver com o pouco que tem.
Será feliz ? Nunca terá tentado sair dali e ir por esse mundo fora ?
Senti-me verdadeiramente irmão daquele bicho. Também eu me sinto, nestes ultimos tempos, a viver numa mata fingida, empoleirado no meu sexto andar, sem coragem para enfrentar o mundo. Um destes dias vou levar-lhe um petisco. Pena que os gatos não gostem de cerveja, poderíamos beber um copo juntos.
Um destes dias, ao fim da tarde, estava sentado no Colombo, a comer uma canja. A minha filha sentava-se a meu lado. Estávamos calados. Á minha frente, aqueles troncos retorcidos, enredados numas ruinas misteriosas, a versão Belmiro de Azevedo de uma floresta perdida. Aqui para nós, sempre senti uma simpatia inconfessada por aquela imitação. Sonhos de criança, maravilhas que povoam as nossas mentes, os livros de aventuras da nossa infância ?
Seja como for, aquela pantera negra a descer por entre os ramos ressequidos tinha um toque surreal, naquele ambiente urbano de centro comercial.
Quase esfreguei os olhos. Que raio era aquilo, já faziam decorações assim tão reais ?
Não, era um gato que descia pelos ramos, seguro e ágil. Um gato preto de olhos verdes, desconfiados.
Um gato ?? Ali, no meio do Colombo ??
Sim,um gato.
Desceu das árvores falsas e foi direito a um prato de comida, bem real. Era óbvio que o rei da selva misteriosa tinha cúmplices entre o pessoal dos restaurantes. A minha filha perguntou a uma mulher que trabalhava na limpeza das mesas e o mistério esclareceu-se. Era o gato residente, já há uns oito anos, disse ela. Aparecera nas obras, coisinha minúscula, perdido ou abandonado pela mãe e pelo mundo em geral. O pessoal das obras foi tomando conta dele, o jovem gato foi-se adaptando ao local. Quando construiram aquela floresta, no ultimo piso, o gato sentiu-se em casa. Árvores, belos sítios para se esconder e dormir. Comida á borla, ainda por cima, era o paraíso.
E lá estava ele, elegante, pêlo brilhante, todo preto, maravilhoso na sua solidão. Subiu de novo, numa árvore da sua floresta e quedou-se, empoleirado num ramo, a lamber-se vagarosamente. Tentámos ainda umas fotos, com o telemóvel da minha filha, mas não ficaram nada de jeito. Talvez seja melhor assim, podem imaginá-lo como quiserem, a viver naquele ambiente.
Saímos do Colombo, mas o gato preto não me largava o pensamento. Viver daquela forma, ali, numa floresta fingida, absolutamente só, sem outros gatos, já viram que vida a daquele ser ? Que espantoso equilibrio psicológico, que ascetismo mais admirável, que capacidade maravilhosa de sobreviver com o pouco que tem.
Será feliz ? Nunca terá tentado sair dali e ir por esse mundo fora ?
Senti-me verdadeiramente irmão daquele bicho. Também eu me sinto, nestes ultimos tempos, a viver numa mata fingida, empoleirado no meu sexto andar, sem coragem para enfrentar o mundo. Um destes dias vou levar-lhe um petisco. Pena que os gatos não gostem de cerveja, poderíamos beber um copo juntos.
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Vitor Cunha
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6/27/2007 11:24:00 da manhã
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segunda-feira, junho 25, 2007
O INTRIGANTE E OMNI-PRESENTE SENHOR JOE BERARDO
Sou um aprendiz permanente da natureza humana.
Mais do que um amor genérico pelo ser humano, que não reinvidico – em certos casos sinto mesmo repugnância – tenho o fascínio dos porquês, das motivações, das explicações.
No fundo, talvez não seja mesmo um humanista, apenas alguém que gosta de desmanchar os brinquedos para saber como são por dentro.
Dito isto, confesso que aquele tipo me intriga, o Joe Berardo. Sei pouco sobre ele, ainda não ouvi muita coisa dele, apenas o vi e ouvi em algumas entrevistas, por causa do Benfica.
Da mesma forma que não me reclamo de humanista, também não sou um místico do dinheiro ou do poder. Não sinto qualquer apelo ou admiração particular nem por um nem por outro.
Contudo, gostaria muito de saber o que faz de um ser humano milionário e de outro sem-abrigo. A oportunidade, uma pre-disposição, a ambição, uma habilidade especial, o karma ?
Olhem bem para este homem, oiçam-o. Qe raio existe neste tipo que justifique ou explique os milhões que ele tem ? Transforma em ouro tudo o que lhe vem á mão ?
Coisa intrigante.
Aquilo que se vê é que o senhor é ecuménico : tanto compra obras de arte como clubes de futebol, os seus interesses não conhecem barreiras nem fronteiras, tal como a sua vida. Gosta de se ouvir, tem montes de ideias ( aparentemente sem grande brilho ), assume o papel de animador da vida portuguesa.
Ainda assim, das suas intervenções e palavras ressalta um vazio enorme. Quem é, de facto, este senhor ? Que fez ele na vida ? Ganhou o dinheiro como ? Que habilidades especiais o povoam ? Será um génio do investimento financeiro, será um especialista daquelas mais-valias tipo compra hoje e vende amanhã com 1000% de lucro ?
Notem, não estou a indignar-me nem a criticar o senhor. Apenas gostava de saber como é por dentro este Joe, o homem que diz “fuck him” acerca de Rui Costa, eh eh eh ... Alguma virtude terá, e grande, se o avaliarmos pela sua talha dourada. Mas onde se esconde essa veia de ouro que não a consigo descortinar no meio da sua conversa dificil, mal articulada e um pouco superficial ?
Não, decididamente, este Benfica não vai nada bem... não é este novo mecenas que vai trazer algo de novo ao velho clube...
É apenas mais do mesmo : uma troca de dinheiro por ... mais dinheiro, com a oferta adicional de uma auréola de homem importante e providencial.
Mas que raio terá o futebol, no seu interior, que tanto atrai este género de pessoas ?
Que estranhos tempos estes em que o nome de um clube velhinho, com história e tradição, mais não é que uma marca que vende bem.
Sou um aprendiz permanente da natureza humana.
Mais do que um amor genérico pelo ser humano, que não reinvidico – em certos casos sinto mesmo repugnância – tenho o fascínio dos porquês, das motivações, das explicações.
No fundo, talvez não seja mesmo um humanista, apenas alguém que gosta de desmanchar os brinquedos para saber como são por dentro.
Dito isto, confesso que aquele tipo me intriga, o Joe Berardo. Sei pouco sobre ele, ainda não ouvi muita coisa dele, apenas o vi e ouvi em algumas entrevistas, por causa do Benfica.
Da mesma forma que não me reclamo de humanista, também não sou um místico do dinheiro ou do poder. Não sinto qualquer apelo ou admiração particular nem por um nem por outro.
Contudo, gostaria muito de saber o que faz de um ser humano milionário e de outro sem-abrigo. A oportunidade, uma pre-disposição, a ambição, uma habilidade especial, o karma ?
Olhem bem para este homem, oiçam-o. Qe raio existe neste tipo que justifique ou explique os milhões que ele tem ? Transforma em ouro tudo o que lhe vem á mão ?
Coisa intrigante.
Aquilo que se vê é que o senhor é ecuménico : tanto compra obras de arte como clubes de futebol, os seus interesses não conhecem barreiras nem fronteiras, tal como a sua vida. Gosta de se ouvir, tem montes de ideias ( aparentemente sem grande brilho ), assume o papel de animador da vida portuguesa.
Ainda assim, das suas intervenções e palavras ressalta um vazio enorme. Quem é, de facto, este senhor ? Que fez ele na vida ? Ganhou o dinheiro como ? Que habilidades especiais o povoam ? Será um génio do investimento financeiro, será um especialista daquelas mais-valias tipo compra hoje e vende amanhã com 1000% de lucro ?
Notem, não estou a indignar-me nem a criticar o senhor. Apenas gostava de saber como é por dentro este Joe, o homem que diz “fuck him” acerca de Rui Costa, eh eh eh ... Alguma virtude terá, e grande, se o avaliarmos pela sua talha dourada. Mas onde se esconde essa veia de ouro que não a consigo descortinar no meio da sua conversa dificil, mal articulada e um pouco superficial ?
Não, decididamente, este Benfica não vai nada bem... não é este novo mecenas que vai trazer algo de novo ao velho clube...
É apenas mais do mesmo : uma troca de dinheiro por ... mais dinheiro, com a oferta adicional de uma auréola de homem importante e providencial.
Mas que raio terá o futebol, no seu interior, que tanto atrai este género de pessoas ?
Que estranhos tempos estes em que o nome de um clube velhinho, com história e tradição, mais não é que uma marca que vende bem.
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Vitor Cunha
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6/25/2007 05:17:00 da tarde
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quarta-feira, junho 20, 2007
NÃO NOS PODEMOS QUEIXAR DE ESTAR MOLHADOS, SE ANDARMOS Á CHUVA ...
Parece que o senhor José Socrates (JS ), cidadão deste país mas também Primeiro-Ministro, neste momento, apresentou queixa-crime contra o cidadão António Albino Caldeira (AAC ) , professor em Alcobaça, devido ás afirmações deste no seu blogue sobre o processo da licenciatura do primeiro, na Uni.
Não li a totalidade dos escritos de AAC no seu blogue, mas li alguns. Foi ele, nesse blogue, que levantou a celeuma, depois agarrada pelos orgãos de comunicação social.
Claro que JS tem todo o direito de apresentar queixas sobre quem ele quiser, não é isso que está em causa.
O facto de o fazer agora, porém, enquanto titular do cargo que ocupa, é extremamente revelador da sua personalidade.
Vamos agora aos factos : JS sente-se ofendido ( atacado ? ) por questionarem a forma como terminou a sua licenciatura na Uni. Na sua opinião, fez tudo com lisura e não teve qualquer responsabilidade em nada.
Tudo bem, cada um pensa o que quiser dos seus actos. Embora nunca ninguém seja bom juiz em causa própria, como se sabe.
O que eu não posso, porque ficaria a pesar na minha consciência, é deixar de dizer o seguinte :
1º ) Sou engº civil, com a licenciatura terminada no IST sog a égide da Academia Militar, dado que sou militar de carreira ( agora na reserva, prestes a passar á reforma ) ;
2º ) Estive muitos anos inscrito na Ordem dos Engenheiros, tendo depois cancelado a minha inscrição, por motivos pessoais ;
3º ) Tenho orgulho pessoal em ter “tirado” um curso de Engª Civil primeiro na Academia Militar, depois no IST, com professores qualificados e exigentes, dos quais recordo o célebre Prof Edgar Cardoso, em Pontes. Terminei o curso com uma boa média geral, acrescente-se ;
4º) Nesse tempo, nesse curso, seria IMPENSÁVEL que o mesmo Prof fosse responsável por quatro cadeiras, assim como seria IMPENSÁVEL fazer testes, ainda que de uma coisa chamada Inglês Técnico, através de fax ;
5º) No meu tempo, no IST, para que um aluno fosse convidado a dar aulas, após terminar o curso, era preciso que esse aluno fosse de facto um “craque”, do género 18 ou 19 de média ;
6º) Se eu tivesse concluido uma licenciatura em Engª Civil numa Universidade como a Universidade Independente, em idênticas condições ás de JS, NUNCA na vida teria a coragem de me intitular engenheiro, inscrito ou não na Ordem. NUNCA. Para mim, ser engº tem outra dignidade científica, técnica e intelectual ;
7º) As pessoas são obviamente diferentes, nos seus procedimentos habituais e na forma como se apresentam e actuam em sociedade. Por isso, acho que JS tem todo o direito a agir como quiser, embora seja obrigado a aceitar a opinião dos seus concidadãos, quanto ao mérito dos seus procedimentos ;
8º ) JS não se pode furtar a que qualquer pessoa, neste caso EU, faça um juízo de valor negativo sobre a qualidade científica e técnica daquelas cadeiras que fez na Uni, da forma como aparentemente foram leccionadas. Acho também que JS é obrigado a reconhecer-ME o direito a pensar que os cargos que desempenhava na altura tenham tido eventualmente influência na forma como todo o processo decorreu. Verdadeiro ou falso, com o seu conhecimento ou sem ele, tenho o direito a colocar essa hipótese e a escrever a minha OPINIÃO sobre ela. A verdade é que eu nunca poderia ter enviado um fax ao director do IST , nem a nenhum Professor, começando com um “Meu caro ... “ ;
9º) Acho que, se for verdade que JS apresentou uma queixa-crime contra AAC, este procedimento em nada engrandece JS, nem dignifica e fortalece a democracia portuguesa. JS não é hoje apenas um vulgar cidadão, qualquer atitude deste tipo que eventualmente tenha tomado questiona as liberdades fundamentais de uma democracia, fomentando o medo e o passivismo.
Por mim, odiei demasiado essas coisas ao longo da minha vida para agora as aceitar.
Parece que o senhor José Socrates (JS ), cidadão deste país mas também Primeiro-Ministro, neste momento, apresentou queixa-crime contra o cidadão António Albino Caldeira (AAC ) , professor em Alcobaça, devido ás afirmações deste no seu blogue sobre o processo da licenciatura do primeiro, na Uni.
Não li a totalidade dos escritos de AAC no seu blogue, mas li alguns. Foi ele, nesse blogue, que levantou a celeuma, depois agarrada pelos orgãos de comunicação social.
Claro que JS tem todo o direito de apresentar queixas sobre quem ele quiser, não é isso que está em causa.
O facto de o fazer agora, porém, enquanto titular do cargo que ocupa, é extremamente revelador da sua personalidade.
Vamos agora aos factos : JS sente-se ofendido ( atacado ? ) por questionarem a forma como terminou a sua licenciatura na Uni. Na sua opinião, fez tudo com lisura e não teve qualquer responsabilidade em nada.
Tudo bem, cada um pensa o que quiser dos seus actos. Embora nunca ninguém seja bom juiz em causa própria, como se sabe.
O que eu não posso, porque ficaria a pesar na minha consciência, é deixar de dizer o seguinte :
1º ) Sou engº civil, com a licenciatura terminada no IST sog a égide da Academia Militar, dado que sou militar de carreira ( agora na reserva, prestes a passar á reforma ) ;
2º ) Estive muitos anos inscrito na Ordem dos Engenheiros, tendo depois cancelado a minha inscrição, por motivos pessoais ;
3º ) Tenho orgulho pessoal em ter “tirado” um curso de Engª Civil primeiro na Academia Militar, depois no IST, com professores qualificados e exigentes, dos quais recordo o célebre Prof Edgar Cardoso, em Pontes. Terminei o curso com uma boa média geral, acrescente-se ;
4º) Nesse tempo, nesse curso, seria IMPENSÁVEL que o mesmo Prof fosse responsável por quatro cadeiras, assim como seria IMPENSÁVEL fazer testes, ainda que de uma coisa chamada Inglês Técnico, através de fax ;
5º) No meu tempo, no IST, para que um aluno fosse convidado a dar aulas, após terminar o curso, era preciso que esse aluno fosse de facto um “craque”, do género 18 ou 19 de média ;
6º) Se eu tivesse concluido uma licenciatura em Engª Civil numa Universidade como a Universidade Independente, em idênticas condições ás de JS, NUNCA na vida teria a coragem de me intitular engenheiro, inscrito ou não na Ordem. NUNCA. Para mim, ser engº tem outra dignidade científica, técnica e intelectual ;
7º) As pessoas são obviamente diferentes, nos seus procedimentos habituais e na forma como se apresentam e actuam em sociedade. Por isso, acho que JS tem todo o direito a agir como quiser, embora seja obrigado a aceitar a opinião dos seus concidadãos, quanto ao mérito dos seus procedimentos ;
8º ) JS não se pode furtar a que qualquer pessoa, neste caso EU, faça um juízo de valor negativo sobre a qualidade científica e técnica daquelas cadeiras que fez na Uni, da forma como aparentemente foram leccionadas. Acho também que JS é obrigado a reconhecer-ME o direito a pensar que os cargos que desempenhava na altura tenham tido eventualmente influência na forma como todo o processo decorreu. Verdadeiro ou falso, com o seu conhecimento ou sem ele, tenho o direito a colocar essa hipótese e a escrever a minha OPINIÃO sobre ela. A verdade é que eu nunca poderia ter enviado um fax ao director do IST , nem a nenhum Professor, começando com um “Meu caro ... “ ;
9º) Acho que, se for verdade que JS apresentou uma queixa-crime contra AAC, este procedimento em nada engrandece JS, nem dignifica e fortalece a democracia portuguesa. JS não é hoje apenas um vulgar cidadão, qualquer atitude deste tipo que eventualmente tenha tomado questiona as liberdades fundamentais de uma democracia, fomentando o medo e o passivismo.
Por mim, odiei demasiado essas coisas ao longo da minha vida para agora as aceitar.
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Vitor Cunha
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6/20/2007 05:55:00 da tarde
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segunda-feira, junho 18, 2007

AS DESVENTURAS DE UMA GATA VOADORA
A Lili anda com uma crise de identidade. Ou não sabe que é apenas uma gata ou então tem secretos desejos de ser mais que isso. Um pássaro ? Uma águia ?
Não sei o que vai naquela cabecita, não vos posso explicar bem os porquês, mas a coisa foi assim : na passada sexta-feira, de manhã, estava eu a fazer a barba, o Pipoca ( o gatão amarelo, macho de 3 anos ) começou a fazer um enorme chinfrim na porta da casa de banho, com miados estridentes e enérgicas raspadelas.
Abri a porta e percebi que ele andava á procura da sua companheira Lili. Como ali não estava, fiz um rápido périplo pelos sítios habituais da gatinha. Sem êxito.
De repente,notei uma fresta na janela da marquise da cozinha. Senti-me gelar por dentro, aquela janela dá directamente para o parque de estacionamento das traseiras, seis pisos abaixo ... Corri para a janela e olhei : lá em baixo, muito pequenina, uma coisita branca e preta estava deitada no chão, imóvel, sabe-se lá em que estado !
O meu coração entrou em paranóia, confesso. Não tenho vergonha de vos confessar que foi um dos momentos mais aflitivos da minha vida, e já passei por alguns que não recomendo a ninguém.
Chamei-a, com um berro : “Lili !!!!!! “. Não é que a gatita virou a cabeça e olhou para cima ? Estava viva, pelo menos ainda estava viva !!
Precipitei-me para o elevador, a cara ainda com espuma, totalmente despenteado, só com uma t-shirt e umas calças, mas com a lucidez para agarrar as chaves do carro.
Era ela, a pobrezita. Teria caído ? Teria dado um salto para apanhar qualquer passarito ? Teria pensado que voava ? Certo, certo é que estava deitada ali, imóvel, em estado de choque, seis andares abaixo de casa.
Peguei-lhe e ela desatou num pranto de miados, dorida, assustadíssima, com um ar infeliz, como quem não entende o que lhe aconteceu. Fui correndo para o carro, enquanto lhe apalpava as patas e a barriga. Ela ia soltando miaus terríveis, as pessoas voltavam-se para olhar aquele quadro esquisito, um homem com ar esgazeado, as calças a cair, levando ao colo uma gata espavorida que soltava pungentes lamentos.
Fiz um vôo baixo até ao veterinário. Lá a examinou, não encontrou nada partido, injectou-lhe um anti-inflamatório e mandou-me ver se ela usava a bexiga bem ... entretanto, tinha avisado a minha filha, com cuidado.
A Lili passou o resto da sexta-feira deitada de lado, tapada com um cobertor, em estado de torpor, sem comer nem beber. Nem urinar, nem nada.
Eu e a minha filha íamos deitando olhares desconfiados para a bichinha e ás 9 da noite não resistimos : agarrámos na Lili e acelerámos para o Hospital Veterinário de S. Bento ( na Rua de S. Bento ), onde sabíamos existir urgências e meios complementares de diagnóstico.
E assim foi, a Lili teve direito a nova auscultação e apalpação, raios-X, ecografia e outro anti-inflamatório. Respirámos um pouco, finalmente, a bexiga da bicha via-se bem, intacta, na ecografia. Nem sinais de hemorragia interna nem nada.
Eram quase 11 da noite de sexta quando chegámos a casa, de novo, bastante mais descansados. A Lili, essa, alheia ás nossas preocupações, dormia descansadamente, na caixa de transporte...
Bem, o fim de semana passou-se ainda um pouco em sobressalto, mas a jovem felídea foi-se recompondo, recomeçou a comer desalmadamente e, pouco a pouco, também a fazer as suas visitas a sua casa de banho.
Relaxei, enfim. Só no domingo á noite me apercebi bem do stress que a queda da bichana nos tinha provocado.
Laços ... é o que é. Laços que tecemos com os outros, sejam pessoas, bichos ou até coisas. Laços de ternura, como aquele filme de há uns anos, lembram-se ?
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Vitor Cunha
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6/18/2007 06:13:00 da tarde
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quinta-feira, junho 14, 2007
QUANDO A ARGUMENTAÇÃO DESCE AO NÍVEL DA ANEDOTA
O nível da argumentação dos actuais dirigentes do PS para justificar as suas decisões quanto ao novo aeroporto atingiu os limites da decência intelectual.
Como sabem, a decisão do Governo quanto ao novo aeroporto tem duas componentes : fazer o aeroporto num local horroroso em termos geológicos e orográficos ( com autênticos pântanos rodeados por montes ) e, além disso, terminar com o actual aeroporto da Portela.
Que eu saiba, nunca ninguém explicou claramente aos portugueses o porquê destas duas decisões. Referem-se sempre uns estudos complicadíssimos, vastos e pesados dossiers, umas análises terrivelmente científicas feitas por entidades de renome internacional, mas, manda a verdade afirmar alto e bom som, NUNCA NINGUÉM DISSE AOS PORTUGUESES AS RAZÕES, PÃO, PÃO, QUEIJO, QUEIJO.
Como se estas coisas fossem complicadíssimas e não pudessem ser explicadas em termos simples.
Bom, hoje, na TV, ouvi António Costa usar um dos mais “inteligentes” e “sólidos” argumentos sobre o encerramento da Portela :
“Acho muita piada aos que defendem a manutenção do aeroporto da Portela no meio de uma cidade como Lisboa. Então, porque não defendem a construção do novo aeroporto também dentro da cidade, ali entre Benfica e Monsanto ? “
Esta pérola de lógica iluminou-me a manhã. Sinceramente, acredito que António Costa, nesta altura, já deve estar arrependido de se ter saido com esta ideia. Contudo, a verdade é que eu o vi e ouvi dizer isto.
Pelos vistos, para António Costa, pretender que a Portela continue, sob outras condições, ou fazer um aeroporto novo na 2ª circular são duas ideias idênticas e da mesma natureza.
Comparar a manutenção de um aeroporto que funciona todos os dias, em condições de segurança, com centenas de aviões a descolar e aterrar e milhares de passageiros a sair e a entrar com a construção de um novo aeroporto em Benfica é uma atitude intelectualmente MUITO desonesta e que revela um quase desespero, na incapacidade de explicar as questões.
Nós, portugueses, não merecemos atitudes destas e não as queremos. Nós, lisboetas, também não. Por isso, no que me respeita, António Costa não será o novo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. E se o vier a ser, por conseguir legitimamente a adesão de outros lisboetas que não eu, então o meu desejo é que aprenda a respeitar mais as pessoas e não volte a atirar-lhes ideias apressadas e tontas como esta.
Nem todos os lisboetas são estúpidos, co’os diabos.
O nível da argumentação dos actuais dirigentes do PS para justificar as suas decisões quanto ao novo aeroporto atingiu os limites da decência intelectual.
Como sabem, a decisão do Governo quanto ao novo aeroporto tem duas componentes : fazer o aeroporto num local horroroso em termos geológicos e orográficos ( com autênticos pântanos rodeados por montes ) e, além disso, terminar com o actual aeroporto da Portela.
Que eu saiba, nunca ninguém explicou claramente aos portugueses o porquê destas duas decisões. Referem-se sempre uns estudos complicadíssimos, vastos e pesados dossiers, umas análises terrivelmente científicas feitas por entidades de renome internacional, mas, manda a verdade afirmar alto e bom som, NUNCA NINGUÉM DISSE AOS PORTUGUESES AS RAZÕES, PÃO, PÃO, QUEIJO, QUEIJO.
Como se estas coisas fossem complicadíssimas e não pudessem ser explicadas em termos simples.
Bom, hoje, na TV, ouvi António Costa usar um dos mais “inteligentes” e “sólidos” argumentos sobre o encerramento da Portela :
“Acho muita piada aos que defendem a manutenção do aeroporto da Portela no meio de uma cidade como Lisboa. Então, porque não defendem a construção do novo aeroporto também dentro da cidade, ali entre Benfica e Monsanto ? “
Esta pérola de lógica iluminou-me a manhã. Sinceramente, acredito que António Costa, nesta altura, já deve estar arrependido de se ter saido com esta ideia. Contudo, a verdade é que eu o vi e ouvi dizer isto.
Pelos vistos, para António Costa, pretender que a Portela continue, sob outras condições, ou fazer um aeroporto novo na 2ª circular são duas ideias idênticas e da mesma natureza.
Comparar a manutenção de um aeroporto que funciona todos os dias, em condições de segurança, com centenas de aviões a descolar e aterrar e milhares de passageiros a sair e a entrar com a construção de um novo aeroporto em Benfica é uma atitude intelectualmente MUITO desonesta e que revela um quase desespero, na incapacidade de explicar as questões.
Nós, portugueses, não merecemos atitudes destas e não as queremos. Nós, lisboetas, também não. Por isso, no que me respeita, António Costa não será o novo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. E se o vier a ser, por conseguir legitimamente a adesão de outros lisboetas que não eu, então o meu desejo é que aprenda a respeitar mais as pessoas e não volte a atirar-lhes ideias apressadas e tontas como esta.
Nem todos os lisboetas são estúpidos, co’os diabos.
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Vitor Cunha
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6/14/2007 11:03:00 da manhã
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terça-feira, junho 12, 2007
QUE CHATICE, PÁ, AGORA QUE EU ME ESTAVA A CONVENCER SOBRE A OTA !!
Que desilusão do caraças me deu o sr. Primeiro-Ministro !
A verdade é que eu andava com uma curiosidade tramada para ver até que ponto ia a teimosia do senhor. Um país inteiro a dizer-lhe que não tinha razão quanto áquela história da Ota e ele que sim, que era ali mesmo que ia ser o novo aeroporto, a menos que chovessem picaretas !
Confesso que a sua obstinação me andava a maravilhar, não é qualquer pessoa que faz aquilo, pá ! Um herói da resistência, um prodígio de autismo !
Bolas, então agora que eu já tinha praticamente feito do senhor o meu ídolo dos tempos modernos, ele muda, ele cede e afinal vai estudar a localização em Alcochete ??
Desculpem-me, senhores e senhoras, mas isto assim não é nada ! Apetece-me dizer : porra para Alcochete ! Então agora chegam aqui meia duzia de patrões da industria e só porque entregaram uma duzia de folhas A4 ao sr. Presidente da Republica, provavelmente amanhadas á pressa, falando em Alcochete, agora já vamos estudar um novo local ???
Não concordo, porra, Alcochete não se compara com a Ota, tem muito menos relevo, é praticamente um deserto, qualquer gajo faz ali umas pistas, qual é o gozo ? Hem ? Que piada vai ter terraplanar aquelas terras já todas lisinhas ? Tem algum jeito ? Vá lá, senhor Primeiro-Ministro, agora é que vai desistir ? ‘Bora continuar com a Ota ! Ota ! Ota ! Ota !
Como é que vai ficar agora a minha fé na indestrutibilidade da teimosia do senhor Primeiro-Ministro ? Hem ? Um destes dias ainda me vêem dizer que Mourinho não é o melhor treinador mundial de todos os tempos, começo a não acreditar em ninguém ...
Vivemos tempos de incerteza, pá, agora até já o engº Sócrates muda de opinião !
Que mais nos irá acontecer ??
Que desilusão do caraças me deu o sr. Primeiro-Ministro !
A verdade é que eu andava com uma curiosidade tramada para ver até que ponto ia a teimosia do senhor. Um país inteiro a dizer-lhe que não tinha razão quanto áquela história da Ota e ele que sim, que era ali mesmo que ia ser o novo aeroporto, a menos que chovessem picaretas !
Confesso que a sua obstinação me andava a maravilhar, não é qualquer pessoa que faz aquilo, pá ! Um herói da resistência, um prodígio de autismo !
Bolas, então agora que eu já tinha praticamente feito do senhor o meu ídolo dos tempos modernos, ele muda, ele cede e afinal vai estudar a localização em Alcochete ??
Desculpem-me, senhores e senhoras, mas isto assim não é nada ! Apetece-me dizer : porra para Alcochete ! Então agora chegam aqui meia duzia de patrões da industria e só porque entregaram uma duzia de folhas A4 ao sr. Presidente da Republica, provavelmente amanhadas á pressa, falando em Alcochete, agora já vamos estudar um novo local ???
Não concordo, porra, Alcochete não se compara com a Ota, tem muito menos relevo, é praticamente um deserto, qualquer gajo faz ali umas pistas, qual é o gozo ? Hem ? Que piada vai ter terraplanar aquelas terras já todas lisinhas ? Tem algum jeito ? Vá lá, senhor Primeiro-Ministro, agora é que vai desistir ? ‘Bora continuar com a Ota ! Ota ! Ota ! Ota !
Como é que vai ficar agora a minha fé na indestrutibilidade da teimosia do senhor Primeiro-Ministro ? Hem ? Um destes dias ainda me vêem dizer que Mourinho não é o melhor treinador mundial de todos os tempos, começo a não acreditar em ninguém ...
Vivemos tempos de incerteza, pá, agora até já o engº Sócrates muda de opinião !
Que mais nos irá acontecer ??
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Vitor Cunha
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6/12/2007 01:22:00 da manhã
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sexta-feira, junho 08, 2007
A BANDA LARGA Hoje foi dia de ar condicionado. Mais um, o terceiro.
A coisa ficou a funcionar, mas a minha confiança nele não. Até evito ligar o bicho, com medo que o mesmo vomite ar quente. Acho que trouxe um dragão para casa, em vez de um urso polar.
Esta epopeia da fuga do gás proporcionou-me, contudo, um momento cada vez mais raro na nossa relação com o mercado. Acontece que eu tinha entregue o cheque ao dono da firma que me instalou o ar condicionado, no dia anterior áquele em que de novo verifiquei que não estava a funcionar. Quando, no dia seguinte, os técnicos entraram em minha casa, um deles entregou-me o cheque que eu tinha passado, dizendo “O meu patrão devolve-lhe o cheque, só o quer de novo quando tudo estiver OK “...
Fiquei admiradissimo, ainda há gente assim, com ética e estilo. Boa !
A meio caminho de lado nenhum.
Este slogan foi inventado pelo PSD, celebrando o meio do mandato do PS. Raramente tenho visto, no marketing político, um slogan tão certeiro como este.
Pouco me importa se o slogan parte de senhores que, nos ultimos tempos, tampouco chegaram a algum lado; é giro e faz-me sempre sorrir, quando o leio nos outdoors espalhados por esta Lisboa. De facto, estamos todos numa dinâmica tremenda de mudança, mas ninguém sabe para onde iremos, ou o que queremos do futuro.
Confrange-me, esta miopia política, esta navegação sem rumo, ao mesmo tempo que se vão fazendo umas coisas para entreter o cidadão.
Navegamos rumo ao défice, como que se assim chegássemos a algum lado. O crescimento é baixissimo, a inflação aumenta ( óh a admiração dos economistas ! ), o desemprego prospera, os despedimentos colectivos upa, upa, a confiança da generalidade dos portugueses há muito que desapareceu ... mas o Governo que escolhemos ( digo escolhemos porque as eleições são um processo de responsabilidade colectiva, não porque eu o tivesse escolhido ) continua teimosamente, muito teimosamente a insistir que estamos no rumo certo.
A ultima das delícias foi esta do anuncio da oferta de computadores e do acesso á internet via banda larga a alunos e professores, ao desbarato. Fiquei emocionadíssimo, agora percebi, finalmente.
Num país de ignorantes, como o nosso, a banda larga é de facto uma aposta sensacional para o desenvolvimento.
Vamos poder afirmar que somos o primeiro país da Europa com analfabetismo funcional, insucesso escolar, elevado desemprego e baixos salários ... tudo em banda larga. E bem larga, ao que se sabe.
Já viram a pinta ?
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Vitor Cunha
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6/08/2007 11:17:00 da tarde
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quinta-feira, junho 07, 2007
OS FERIADOS SÃO POUCO MELHORES QUE OS DOMINGOS
Foi-se.
É verdade, não estou a gozar, o gás do ar condicionado fugiu todo outra vez.
Não perguntem, não faço a mínima ideia para onde fugiu e ainda menos por onde fugiu.
Começo a acreditar que este sistema de ar condicionado está com mau-olhado.
Amanhã tenho outra vez aí uma equipa de técnicos ( ?) ...
Hem, estão todos mais satisfeitos ?
Os países do G8 concordaram que é preciso diminuir a emissão de dióxido de carbono.
Não é fantástico ???
A resolução não diz QUANTO nem QUANDO será essa tal diminuição, mas toda a gente parece considerar este acordo como um passo em frente.
Eu também.
Acho que é um passo em frente para o prosseguimento inexorável do aquecimento da Terra, por via do efeito de estufa. E olhem que o dióxido de carbono não foge do sítio, como o gás do meu ar condicionado. Fica lá sempre a chatear, a tapar, a fazer subir a temperatura.
Raios os partam a todos.
A notícia estalou, como um milagre. Alguém, desconhecido, telefonou para a polícia espanhola dizendo que sabia onde estava a pequenita do Algarve.
Esperança ...
Horas depois : a policia espanhola nega a história e a nossa PJ também não sabe de nada.
Jornalismo, isto ? Ou já ninguém se dá ao trabalho de confirmar notícias ?
Jura solene : não volto a ler qualquer notícia sobre este caso, a menos que encontrem a menina.
Esta tarde, peguei no carro e fui dar uma volta pela marginal. Com a minha filha, tivemos uma ou duas horas pai-filha.
Não estava demasiado calor, o termómetro do carro indicava 26º C exteriores. Apesar disso, as praias da linha estavam já todas a 80 ou 90%. Esta malta anda toda maluquinha com o sol, mesmo com todos os avisos contra os ultravioletas.
Sabem porquê, não sabem ? A moda, a ditadura do fica bem, a pressão exacerbada da opinião publica ( credo, mulher, estás tão branquinha ... ).
Que se lixe a opinião publica. Desde miudo que gosto de mar, de pescar, de caça submarina, de tomar banho nas ondas ... mas nunca gostei de me esparramar ao sol, feito lagarto tonto de pele nua e sem escamas.
Não é agora que vou começar.
Acabámos a tomar uma bebida ( pronto, está bem, tabém comemos um bolito ... ) na Vela Latina, ali mesmo em frente á célebre Universidade Moderna e lado a lado com a Torre de Belém. É um local giro, onde se encontram, numa calma convergência, os ecos das grandezas passadas dos portugueses com algumas das suas recentes misérias. Turistas aos bandos, acho que éramos os unicos portugueses.
Minto, os arrumadores também eram portugueses. What else ?
Ciao, vou publicar este texto e depois vou ler ou ver TV.
Passem bem, não resmunguem muito e ... abram os olhos, os ouvidos e a garganta.
O tempo da tolerância acabou.
Foi-se.
É verdade, não estou a gozar, o gás do ar condicionado fugiu todo outra vez.
Não perguntem, não faço a mínima ideia para onde fugiu e ainda menos por onde fugiu.
Começo a acreditar que este sistema de ar condicionado está com mau-olhado.
Amanhã tenho outra vez aí uma equipa de técnicos ( ?) ...
Hem, estão todos mais satisfeitos ?
Os países do G8 concordaram que é preciso diminuir a emissão de dióxido de carbono.
Não é fantástico ???
A resolução não diz QUANTO nem QUANDO será essa tal diminuição, mas toda a gente parece considerar este acordo como um passo em frente.
Eu também.
Acho que é um passo em frente para o prosseguimento inexorável do aquecimento da Terra, por via do efeito de estufa. E olhem que o dióxido de carbono não foge do sítio, como o gás do meu ar condicionado. Fica lá sempre a chatear, a tapar, a fazer subir a temperatura.
Raios os partam a todos.
A notícia estalou, como um milagre. Alguém, desconhecido, telefonou para a polícia espanhola dizendo que sabia onde estava a pequenita do Algarve.
Esperança ...
Horas depois : a policia espanhola nega a história e a nossa PJ também não sabe de nada.
Jornalismo, isto ? Ou já ninguém se dá ao trabalho de confirmar notícias ?
Jura solene : não volto a ler qualquer notícia sobre este caso, a menos que encontrem a menina.
Esta tarde, peguei no carro e fui dar uma volta pela marginal. Com a minha filha, tivemos uma ou duas horas pai-filha.
Não estava demasiado calor, o termómetro do carro indicava 26º C exteriores. Apesar disso, as praias da linha estavam já todas a 80 ou 90%. Esta malta anda toda maluquinha com o sol, mesmo com todos os avisos contra os ultravioletas.
Sabem porquê, não sabem ? A moda, a ditadura do fica bem, a pressão exacerbada da opinião publica ( credo, mulher, estás tão branquinha ... ).
Que se lixe a opinião publica. Desde miudo que gosto de mar, de pescar, de caça submarina, de tomar banho nas ondas ... mas nunca gostei de me esparramar ao sol, feito lagarto tonto de pele nua e sem escamas.
Não é agora que vou começar.
Acabámos a tomar uma bebida ( pronto, está bem, tabém comemos um bolito ... ) na Vela Latina, ali mesmo em frente á célebre Universidade Moderna e lado a lado com a Torre de Belém. É um local giro, onde se encontram, numa calma convergência, os ecos das grandezas passadas dos portugueses com algumas das suas recentes misérias. Turistas aos bandos, acho que éramos os unicos portugueses.
Minto, os arrumadores também eram portugueses. What else ?
Ciao, vou publicar este texto e depois vou ler ou ver TV.
Passem bem, não resmunguem muito e ... abram os olhos, os ouvidos e a garganta.
O tempo da tolerância acabou.
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Vitor Cunha
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6/07/2007 06:09:00 da tarde
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quarta-feira, junho 06, 2007
SURREALISMOSExcerto de uma notícia recente, a propósito da decisão do Banco Central Europeu de voltar a aumentar a taxa de referência :
“O preço do dinheiro encontra-se agora no valor mais elevado em seis anos, depois de oito aumentos consecutivos da taxa, com o BCE a tentar evitar que o forte crescimento económico gere pressões inflacionistas no médio e longo prazo. O BCE mostrou-se ainda preocupado com a possibilidade das empresas aproveitarem o período actual de crescimento económico para aumentar os preços. A economia europeia cresceu no primeiro trimestre ao ritmo mais elevado da última década e ao triplo do ritmo da economia norte-americana, suportada pelo baixo desemprego e elevada confiança dos consumidores e empresários.”
ISTO É SURREALISTA : MAS DE QUE É QUE ESTES GAJOS ESTÃO A FALAR ?
FORTE CRESCIMENTO ECONÓMICO ???
CRESCIMENTO DA ECONOMIA MAIS ELEVADO DA ULTIMA DÉCADA ????
ELEVADA CONFIANÇA DOS CONSUMIDORES E EMPRESÁRIOS ????????????
QUE TEMOS NÓS, AQUI EM PORTUGAL, A VER COM ESTA SITUAÇÃO ?
É DA MESMA EUROPA QUE FALAMOS ?
PORQUE RAIO DE MOTIVO SOMOS OBRIGADOS A SUPORTAR MEDIDAS ECONÓMICAS COMPLETAMENTE EM CONTRACICLO COM A NOSSA REALIDADE ECONÓMICA, SÓ PORQUE INTERESSA Á EUROPA RICA ? ?
QUEM É QUE GANHA COM ESTES VERDADEIROS TIROS NOS PÉS, AUMENTAR AS TAXAS DE JUROS QUANDO ESTAMOS PRATICAMENTE EM ESTAGNAÇÃO ???
JÁ NÃO NOS BASTAVAM OS FALSOS PROFETAS PORTUGUESES, AGORA TAMBÉM TEMOS QUE ATURAR AS MADUREZAS DOS PROFETAS EUROPEUS RICOS ?
ESTA EUROPA COMEÇA A FAZER-ME ALERGIAS ... PORQUE TIVEMOS NÓS QUE ADERIR AO EURO ( E SUPORTAR OS ACRÉSCIMOS NOS PREÇOS ), PORQUE TEMOS QUE PASSAR A VIDA SUJEITOS A 3% NO DEFICIT PUBLICO, PORQUE TEMOS QUE SUPORTAR AS DECISÕES DE UM QUALQUER SR. TRICHET DO BANCO CENTRAL EUROPEU ?
ENTÃO ... PORQUÊ ???
ESTAMOS A APROXIMARMO-NOS DELES, DOS RICOS DA EUROPA ?
O NOSSO PODER DE COMPRA TEM AUMENTADO ?
A NOSSA ECONOMIA TEM CRESCIDO ?
O DESEMPREGO TEM DIMINUIDO ??
E O PIOR DE TUDO É QUE, NESTES DIAS QUE CORREM, ASSUNTOS IMPORTANTES QUE AFECTAM A NOSSA SOBERANIA SÃO DISCUTIDOS EM BRUXELAS E, SE HÁ O RECEIO DE VIREM A NÃO SER APROVADOS, TENTA-SE QUE ESSES ASSUNTOS NÃO SEJAM SUBMETIDOS Á CONSULTA E VOTAÇÃO DESSES MESMOS POVOS.
TUDO ISTO EM NOME DE UMA IDEIA DE EUROPA QUE JÁ NINGUÉM SABE EXACTAMENTE QUAL É ...
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Vitor Cunha
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6/06/2007 06:45:00 da tarde
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terça-feira, junho 05, 2007
AS DESVENTURAS DE UM ENCALORADO
Tudo me acontece.
Até mesmo um sistema novinho de ar condicionado que não condiciona coisa nenhuma, a não ser o meu humor. Quanto ao ar, quente comme d´habitude, muito obrigado.
Eu conto.
Um destes dias, após várias e sábias considerações sobre o aquecimento global ( e em particular o aquecimento da minha casa nestes ultimos verões ), decidi derreter uma data de massa num sistema de ar condicionado, em vez de ser eu a derreter com o calor. Um toque de burguesice que a minha idade já me permite ter, com a desculpa de que sofro muito com o calor e bla bla bla ... Adiante.
Bem, adjudiquei a coisa, veio primeiro o dono da firma,muito simpático, “ eu se fosse ao senhor fazia assim e assado, etc ... “, acordámos os termos da obra e tudo bem. Daí a uns curtos dias, aparecem-me em casa quatro manfios ( quatro, gaita !!! ), cheios de caixotes de papelão, rolos de tubinho de cobre e uma enorme colecção de caixas de ferramentas. Isto logo de manhã na ultima sexta-feira.
O granel lá se foi desenrolando, o chão cheio de ferramentas sorteadas, parafusos, rolos de fita isoladora e, sobretudo, bocadões enormes do estuque, os energumenos eram especializados em abrir buracos gigantescos nas paredes !
Os meus dois gatos, alarmados com o barulho dos berbequins e as botifarras dos instaladores, retiraram prudentemente para o quarto da minha filha.
Eu, desgraçado, nem almoçar fui, seguindo atentamente as obras e tentando evitar que toda a casa se transformasse num enorme buraco.
Lá para as 5 da tarde, famélico, pernas trémulas, cheio de pó e caliça, observei os especialistas a terminar o seu trabalho. Os aparelhos pareciam estar a funcionar bem e, portanto, tudo tinha terminado em bem. Aleluia !
Horas depois, tudo aspirado e rearrumado, duche, estômago confortado, vou experimentar as delícias de um fresquinho quase nocturno .... e nicles. Aquilo parecia soprar apenas o ar da noite, morno e humido.
Nada ? Seria eu que não sabia manejar as novas tecnologias ? Hummm, de sobrecenho carregado, dediquei uma longa hora ao esudo dos vários manuais do utilizador e de instalação, pode ser que ...
Nada, nenhuma informação util. Deito-me, desanimado e quente.
Passa o fim de semana e logo na segunda, faço um tímido telefonema para o dono da firma, não haverá nenhuma fuga de gás, sr. Correia, que acha ?
O sr. Correia, desconfiado e depois de muitas perguntas destinadas a averiguar da minha sanidade mental e capacidade de distinguir ar frio de ar quente, lá me retorquiu que me ia enviar uma equipa para ver o problema .
Ufa, pensei, agora vamos lá a ver se a tal equipa chega, aperta dois botões do telecomando e aquela porcaria começa a deitar frio ... Vai ser bonito, as caras dos manfios a rirem-se de mim, já viram ?
Bom, na mouche, os matulões ( dois mulatos de Angola ) chegaram e logo declararam que aquela coisa não botava népias de frio, de facto. Vitória, proclamei eu, tinha razão !!
De pouco me valeu a razão, todo o dia foi dedicado 1º) a ver se havia uma fuga no gás 2º) a tentar descobrir onde era a fuga ... 3º ) reparada uma fuga, a colocar todos os circuitos com gás á pressão, para ver se havia mais fugas ... 4º) a encher a instalação de novo com gás 5º) veja lá então agora se já deita ar frio ....
Deitava. Estava frio. Que maravilha !! Finalmente !
Bem, mas eu não disse que tudo me acontece ? O resto da tarde passei-a a reparar um pé da mesa da sala que eu parti , com o tira e põe no sítio.
Finalmente, com a sala arrefecida, posso agora descansar um pouco.
Não com muita confiança, sabem, de todo o lado me parecem surgir ruidos de gás em fuga, arruinando-me de novo este conforto tão arduamente conquistado.
Amanhã conto-vos se o gás ainda cá está ou não ...
Tudo me acontece.
Até mesmo um sistema novinho de ar condicionado que não condiciona coisa nenhuma, a não ser o meu humor. Quanto ao ar, quente comme d´habitude, muito obrigado.
Eu conto.
Um destes dias, após várias e sábias considerações sobre o aquecimento global ( e em particular o aquecimento da minha casa nestes ultimos verões ), decidi derreter uma data de massa num sistema de ar condicionado, em vez de ser eu a derreter com o calor. Um toque de burguesice que a minha idade já me permite ter, com a desculpa de que sofro muito com o calor e bla bla bla ... Adiante.
Bem, adjudiquei a coisa, veio primeiro o dono da firma,muito simpático, “ eu se fosse ao senhor fazia assim e assado, etc ... “, acordámos os termos da obra e tudo bem. Daí a uns curtos dias, aparecem-me em casa quatro manfios ( quatro, gaita !!! ), cheios de caixotes de papelão, rolos de tubinho de cobre e uma enorme colecção de caixas de ferramentas. Isto logo de manhã na ultima sexta-feira.
O granel lá se foi desenrolando, o chão cheio de ferramentas sorteadas, parafusos, rolos de fita isoladora e, sobretudo, bocadões enormes do estuque, os energumenos eram especializados em abrir buracos gigantescos nas paredes !
Os meus dois gatos, alarmados com o barulho dos berbequins e as botifarras dos instaladores, retiraram prudentemente para o quarto da minha filha.
Eu, desgraçado, nem almoçar fui, seguindo atentamente as obras e tentando evitar que toda a casa se transformasse num enorme buraco.
Lá para as 5 da tarde, famélico, pernas trémulas, cheio de pó e caliça, observei os especialistas a terminar o seu trabalho. Os aparelhos pareciam estar a funcionar bem e, portanto, tudo tinha terminado em bem. Aleluia !
Horas depois, tudo aspirado e rearrumado, duche, estômago confortado, vou experimentar as delícias de um fresquinho quase nocturno .... e nicles. Aquilo parecia soprar apenas o ar da noite, morno e humido.
Nada ? Seria eu que não sabia manejar as novas tecnologias ? Hummm, de sobrecenho carregado, dediquei uma longa hora ao esudo dos vários manuais do utilizador e de instalação, pode ser que ...
Nada, nenhuma informação util. Deito-me, desanimado e quente.
Passa o fim de semana e logo na segunda, faço um tímido telefonema para o dono da firma, não haverá nenhuma fuga de gás, sr. Correia, que acha ?
O sr. Correia, desconfiado e depois de muitas perguntas destinadas a averiguar da minha sanidade mental e capacidade de distinguir ar frio de ar quente, lá me retorquiu que me ia enviar uma equipa para ver o problema .
Ufa, pensei, agora vamos lá a ver se a tal equipa chega, aperta dois botões do telecomando e aquela porcaria começa a deitar frio ... Vai ser bonito, as caras dos manfios a rirem-se de mim, já viram ?
Bom, na mouche, os matulões ( dois mulatos de Angola ) chegaram e logo declararam que aquela coisa não botava népias de frio, de facto. Vitória, proclamei eu, tinha razão !!
De pouco me valeu a razão, todo o dia foi dedicado 1º) a ver se havia uma fuga no gás 2º) a tentar descobrir onde era a fuga ... 3º ) reparada uma fuga, a colocar todos os circuitos com gás á pressão, para ver se havia mais fugas ... 4º) a encher a instalação de novo com gás 5º) veja lá então agora se já deita ar frio ....
Deitava. Estava frio. Que maravilha !! Finalmente !
Bem, mas eu não disse que tudo me acontece ? O resto da tarde passei-a a reparar um pé da mesa da sala que eu parti , com o tira e põe no sítio.
Finalmente, com a sala arrefecida, posso agora descansar um pouco.
Não com muita confiança, sabem, de todo o lado me parecem surgir ruidos de gás em fuga, arruinando-me de novo este conforto tão arduamente conquistado.
Amanhã conto-vos se o gás ainda cá está ou não ...
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Vitor Cunha
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6/05/2007 09:42:00 da tarde
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segunda-feira, junho 04, 2007
OS GALEGOS SOMOS NÓS !!Os trabalhadores da Galiza ganham hoje um salário médio da ordem dos 1.200 euros mensais, o dobro do salário médio no Norte de Portugal. Com taxas de crescimento da ordem dos 4% e desemprego bem abaixo do nosso, a Galiza de hoje é muito diferente do que era há 50 ou 60 anos atrás, onde milhares de pessoas emigravam para Portugal á procura de uma oportunidade. Ainda há quem se lembre dos amola-tesouras , dos negociantes de tecidos, dos empregados de restaurante e mesmo dos donos desses restaurantes, todos galegos. Nessa época, a palavra galego aplicava-se a alguém pobre e que se matava a trabalhar. Trabalhei que nem um galego, dizia-se ...
Mas que raio há de errado connosco ? Que fado miserável e desgraçado é o nosso, sempre condenados á miséria, sempre a queixarmo-nos de tudo e de todos ? Que maldição nos lançaram ? Porque havemos nós de continuar sempre a trabalhar que nem um galego e a ser ... português, no que ao salário respeita ?
Sabem que este é um tema querido de muitos intelectuais ? Que muitos cérebros portugueses e alguns até estrangeiros se debruçaram sobre este enigma ?
Por mim, já li teorias interessantes, já ouvi muita gente, já vi bastante do nosso país e continuo a espantar-me : ainda oiço coisas como aconselhar-se moderação salarial, porque a nossa economia é pouco competitiva, sem NUNCA se acrescentar qualquer medida ou sugestão para melhorar a tal competitividade. Esta é uma afirmação recorrente, por exemplo do sr. Governador do Banco de Portugal.
Pois bem, e sem medo das palavras, de uma vez por todas : o que se passa é que os nossos empresários são, por norma, um bando de desqualificados. Não temos empresários bons, assim como também nos faltam bons políticos. E também não temos, acho eu, Governadores do Banco de Portugal com mais senso e menos hipocrisia económica.
Quando se fala de produtividade, de competitividade, porque raio de raciocinio enviesado se fala logo dos trabalhadores ? Então a culpa é dos trabalhadores se a magnifica fábrica Lanifícios de Vizela, Lda ainda opera com máquinas do século passado e se derrete todo o seu capital nos Ferrari dos Sr. Augusto e do filho ? A culpa da falta de competitividade é dos operários do vidro da Marinha Grande ( há uns anos atrás, hoje faliram quase todas ) obrigados a usar fornos do tempo da Maria Cachucha ?
Quando se planeiam cursos de formação e qualificação profissional, como é que ninguém se lembra de organizar cursos de empresários e gestores ?
Vão por mim, o problema de Portugal não é, nem nunca foi o da qualidade e generosidade da nossa mão-de-obra. Como se sabe, infelizmente, pela qualidade do contributo que muitos compatriotas nossos dão á economia de países como a Bélgica, Luxemburgo, França ou Alemanha.
Não, claro. O problema é da péssima qualidade ( em média ) dos nossos empresários. E já que estamos com a mão na massa, também dos nossos políticos. E depois, este nacional-cunhismo que em nada fomenta a qualidade, a eficiência. Sim, só por mero acaso é que o filho do sr. Ministro disto ou daquilo é melhor que aquele rapazito da Guarda, bom aluno e muito persistente e esperto. Mas é sempre o filho do sr. Ministro que ocupa o cargo, não é ? Que mal tem que o rapaz não seja nenhum génio e que só vá fazer disparates ?
Bom, digam-se as verdades. Acabe-se com a corrupção e o tráfico de influências. Fomente-se o aparecimento de novos empresários, com coragem e vantagens económicas e fiscais. Aposte-se muito forte nisso, caramba. Incentivem-se os cérebros a aderir ao empreendorismo. Penalizem-se os empresários que nada tentam para a inovação e reapetrechamento tecnológico das suas empresas e que assim condenam os seus trabalhadores a salários de miséria. Retomem-se valores universais tais como a competência, a honestidade e a isenção. Mas a sério, nada de hipocrisia e fantochadas.
Aposto que, se assim fosse, em 10 ou 15 anos Portugal estaria francamente diferente.
Não tenho esperanças, porém.
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Vitor Cunha
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6/04/2007 06:31:00 da tarde
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domingo, junho 03, 2007
ROTINAS
Sou um homem de rotinas.
Gosto de hábitos que ajudem a dar um sentido á minha vida. Sem esses hábitos, tenho a péssima tendência de não fazer nada e deixar o tempo passar, enquanto leio ou vejo TV. A cabeça não pára, continuo sempre a pensar nisto ou naquilo, mas as pernas, na ausência de compromissos ou hábitos, acham por bem descansar e nada nem ninguém as convence a sair dessa letargia.
Preciso pois de hábitos.
Ou de projectos, porque me entusiasmo facilmente com novas ideias, novos rumos, coisas a atingir. Entro então em estado “febril”, a adrenalina em pleno, esqueço-me de comer, durmo pouco, pareço incansável.
O chato é que, noutras ocasiões, não tenho projectos em carteira e as minhas rotinas são alteradas por qualquer motivo. Sinto-me então “desligado” da corrente, sem nenhuma vontade de fazer nada.
Hoje foi um desses dias. Tinha a bateria em baixo quando acordei, senti logo. Mais tarde, as pessoas com quem costumo almoçar aos domingos tinham mais que fazer. Fui-me então deixando ficar por casa, vagamente aborrecido e cheio de pena de mim próprio. Vi um ou dois filmes, outras tantas séries, almocei e pouco mais.
Descobri, entretanto, que na TV passam, nos vários canais, mais de 39 séries sobre hospitais, médicos e pacientes. É obra, caramba, um perfeito desperdício ! O sr. Ministro da Saúde que não as veja, ainda encerra meia dúzia delas, pelo menos as que passarem nos canais publicos, não é ?
E se não são de médicos e hospitais, são de detectives, investigadores e criminosos. Normalmente, gajos brilhantes que descobrem sempre tudo e prendem os maus, rapidamente e a baixo custo, nada que se compare com a nossa PJ, enfim ...
Também redescobri a minha velha antipatia pelos domingos, pensava eu que isso me tinha passado. Mas não, continuam a ser dias horrorosos, pardacentos, mais antecâmara de nova semana de luta que dia de descanso. Estilo ultimo dia de condenado.
Não gosto de domingos, definitivamente, nem de não saber que hei-de fazer.
Devolvam-me as minhas rotinas, por favor.
Ou ofereçam-me um milagre.
Sou um homem de rotinas.
Gosto de hábitos que ajudem a dar um sentido á minha vida. Sem esses hábitos, tenho a péssima tendência de não fazer nada e deixar o tempo passar, enquanto leio ou vejo TV. A cabeça não pára, continuo sempre a pensar nisto ou naquilo, mas as pernas, na ausência de compromissos ou hábitos, acham por bem descansar e nada nem ninguém as convence a sair dessa letargia.
Preciso pois de hábitos.
Ou de projectos, porque me entusiasmo facilmente com novas ideias, novos rumos, coisas a atingir. Entro então em estado “febril”, a adrenalina em pleno, esqueço-me de comer, durmo pouco, pareço incansável.
O chato é que, noutras ocasiões, não tenho projectos em carteira e as minhas rotinas são alteradas por qualquer motivo. Sinto-me então “desligado” da corrente, sem nenhuma vontade de fazer nada.
Hoje foi um desses dias. Tinha a bateria em baixo quando acordei, senti logo. Mais tarde, as pessoas com quem costumo almoçar aos domingos tinham mais que fazer. Fui-me então deixando ficar por casa, vagamente aborrecido e cheio de pena de mim próprio. Vi um ou dois filmes, outras tantas séries, almocei e pouco mais.
Descobri, entretanto, que na TV passam, nos vários canais, mais de 39 séries sobre hospitais, médicos e pacientes. É obra, caramba, um perfeito desperdício ! O sr. Ministro da Saúde que não as veja, ainda encerra meia dúzia delas, pelo menos as que passarem nos canais publicos, não é ?
E se não são de médicos e hospitais, são de detectives, investigadores e criminosos. Normalmente, gajos brilhantes que descobrem sempre tudo e prendem os maus, rapidamente e a baixo custo, nada que se compare com a nossa PJ, enfim ...
Também redescobri a minha velha antipatia pelos domingos, pensava eu que isso me tinha passado. Mas não, continuam a ser dias horrorosos, pardacentos, mais antecâmara de nova semana de luta que dia de descanso. Estilo ultimo dia de condenado.
Não gosto de domingos, definitivamente, nem de não saber que hei-de fazer.
Devolvam-me as minhas rotinas, por favor.
Ou ofereçam-me um milagre.
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Vitor Cunha
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6/03/2007 07:11:00 da tarde
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sábado, junho 02, 2007
ESTOU FARTO DO NOVO AEROPORTO !
Suponho que, para a maior parte das pessoas, esta história da OTA já enjoa.
Contudo, se pensarem bem, a história é terrivelmente esclarecedora quanto á incapacidade portuguesa de fazer seja o que for bem feito.
Neste momento, estou-me nas tintas se a construção de duas pistas meio pantanosas na OTA é melhor ou pior que a construção das mesmas no meio dos passarocos ( e dos camelos ?? ) do Poceirão. Não alinho nessa discussão, estou farto dela, nada do que se passa tem a ver com técnica.
O que me interessa é o aspecto exemplar e paradigmático deste caso.
É assim que os portugueses são : seja a solução boa ou má, os que são do outro partido acham-a forçosamente má. E vice-versa, exaustivamente, cansativamente, doentiamente. E as coisas vão apodrecendo, vão sendo adiadas, até que alguém, mais teimoso, leva mesmo á prática qualquer coisa. Tardiamente, por norma, e quase nunca a melhor solução. Somos assim...
Então, aqueles lancinantes apelos ao consenso do Senhor Presidente da República servem para quê ?
Ora, também eles, esses apelos, fazem parte da nossa maneira de ser : apela-se para que se faça aquilo que se sabe ser impossível, apenas para não se ser acusado de não o ter feito. Estranho, não ?
Ah, esta imensa dificuldade de ser português ...
Suponho que, para a maior parte das pessoas, esta história da OTA já enjoa.
Contudo, se pensarem bem, a história é terrivelmente esclarecedora quanto á incapacidade portuguesa de fazer seja o que for bem feito.
Neste momento, estou-me nas tintas se a construção de duas pistas meio pantanosas na OTA é melhor ou pior que a construção das mesmas no meio dos passarocos ( e dos camelos ?? ) do Poceirão. Não alinho nessa discussão, estou farto dela, nada do que se passa tem a ver com técnica.
O que me interessa é o aspecto exemplar e paradigmático deste caso.
É assim que os portugueses são : seja a solução boa ou má, os que são do outro partido acham-a forçosamente má. E vice-versa, exaustivamente, cansativamente, doentiamente. E as coisas vão apodrecendo, vão sendo adiadas, até que alguém, mais teimoso, leva mesmo á prática qualquer coisa. Tardiamente, por norma, e quase nunca a melhor solução. Somos assim...
Então, aqueles lancinantes apelos ao consenso do Senhor Presidente da República servem para quê ?
Ora, também eles, esses apelos, fazem parte da nossa maneira de ser : apela-se para que se faça aquilo que se sabe ser impossível, apenas para não se ser acusado de não o ter feito. Estranho, não ?
Ah, esta imensa dificuldade de ser português ...
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Vitor Cunha
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6/02/2007 01:19:00 da manhã
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quarta-feira, maio 30, 2007
QUATRO QUESTÕES Penso que as coisas se passam assim muitas vezes : um homem ( ou mulher ) sente-se atraido pelo poder e canditata-se a umas quaisquer eleições. Faz promessas, escreve um programa de acção, tenta dar de si uma imagem de credibilidade.
É eleito ... e logo depois de eleito começam a acontecer coisas estranhas.
A primeira de todas é que esse eleito se vê rodeado, por norma, por um grande numero de pessoas que o adulam, sempre dispostas a satisfazer todas as suas necessidades ou caprichos. Gabinetes bem decorados, palácios lindos, bons carros, batedores na estrada quando se desloca, guarda-costas, ajudantes, restaurantes caros, viagens por esse Mundo, eu sei lá. Tudo em nome do prestígio que o cargo deve ter. Tudo em nosso nome e por nós pago ( naturalmente, what else ?, como diz o George Clooney em recente comercial ), tudo para que esse senhor ou senhora tenha boas condições do exercicio da função.
Primeira questão : todas essas mordomias são assim tão importantes para o bom exercício do cargo, ou trata-se claramente de um aproveitamento da situação ?
Segunda questão : com a vida tão “blindada” e “fashion” que esses eleitos levam, como é que de facto conhecem a nossa vida e os nossos problemas ? Apenas por ouvir falar, não é ?
Continuemos.
O nosso eleito, uma vez no poder, esquece-se rapidamente do seu programa e das suas promessas e faz exactamente o oposto, como se fosse a coisa mais natural.
Ao fim de algum tempo, dentro da sua cabeça, surgem conceitos e motivações estranhos. Começa a convencer-se daquilo que os seus acólitos lhe dizem, ele ( ela ) é que tem razão, ele ( ou ela ) são uma dádiva de Deus ao povo. As opiniões contrárias são cansativas e desmotivadoras, por um lado, por outro impedem o êxito das acções que tão inteligentemente iniciou.
É mais ou menos por essa altura que se esboça a tendência ( natural, afinal ... ) de tentar impedir as vozes contrárias. Qualquer discussão é estúpida e infecunda, todos os que se lhe opõem apenas o fazem porque lhe invejam o poder. Quem pode levar o País a bom porto é ele ( ou ela ), como se atrevem a fazê-lo perder tempo ?
Esta auto-ilusão é tanto maior quanto menor for a capacidade intelectual do nosso eleito ( ou eleita ), isto é, os “pequenos cérebros” são muito mais rápidos a acreditarem na sua genialidade que os realmente lideres. Se bem percorrerem a lista dos ditadores vão encontrar, de uma forma muito generalizada, homens com pouca cultura e capacidade intelectual. De facto, se pensarmos bem, só um idiota se julga um deus, não é ?
Terceira questão : recusemos como nossos lideres os homens iluminados, que pensam ter sempre razão. Escolhamos homens e mulheres que saibam ouvir e só depois decidir, não idiotas que se julgam génios e se recusam a ouvir os outros.
Prossigamos.
O nosso candidato a génio começa a sentir-se perseguido. Ninguém o entende, ninguém admira a sua devoção á Pátria. Começa então com o comportamento do acossado : compra pessoas, oferece tachos aos seus inimigos, move influências para calar vozes incómodas, manipula dentro do seu partido.
Numa fase seguinte, e se o ambiente geral é propício, encerra estações de TV ou jornais, ou impõe a censura prévia, ou cria um clima de medo.
Quarta questão : NUNCA se deixem calar, essa é a condição sine qua non de um regime livre. Digam as asneiras que quiserem, berrem ou falem baixinho, mas NUNCA, NUNCA se deixem calar.
Se se calarem, se se deixarem amordaçar, estarão a transformar um qualquer pseudo-iluminado num ditador e irão sofrer-lhe as consequências.
Tudo isto dito, perguntarão de quem estou eu a falar. De Sócrates ?
Não, senhoras e senhores, não é de Sócrates que falo, é de todos os homens ou mulheres que escolhermos para nos representar. A natureza humana é aquilo que é, e já Sócrates, o filósofo, o sabia.
Nunca deixem as rédeas muito soltas, os homens ( e as mulheres ) são apenas seres humanos ...
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Vitor Cunha
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5/30/2007 04:44:00 da tarde
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quarta-feira, maio 23, 2007
APRESENTO-LHES A LILIEsta é a Lili, a minha nova gatinha residente. Como podem ver é branca, tem o rabo e as orelhas cinzento escuro e o pelo é maior que o habitual para estes bichanos sem raça.
É uma jovem gata de forte personalidade, corajosa e muito faladora. Trouxemo-la ( a minha filha e eu ) para casa com o pretexto de fazer companhia ao Pipoca, o nosso outro gato amarelo de que se lembrarão os leitores mais "velhotes".
Agora, aqui em casa, é o desassossego total : são correrias intermináveis, frequentemente pautadas por agudas guinchadelas da Lili, quando o Pipoca a lambe mais furiosamente ou lhe dá uma mordidela de namorado menos terna numa perna. Vinga-se logo a seguir, não se preocupem ( ou não seja uma ela ... ), atirando-se em vôo picado para lhe morder o rabo. O Pipoca fica com um ar vagamente ofendido, mas depressa lhe passa. Finalmente, extenuados ( ele mais depressa que ela ) estiram-se ao comprido nos pés da minha cama e adormecem ao pé um do outro.
A verdade é que estes bichanos me transmitem ternura e tranquilidade, ao contrário dos dignos senhores que escolhemos para serem governantes.
Mérito dos gatos ? Demérito dos governantes ?
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Vitor Cunha
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5/23/2007 12:11:00 da manhã
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segunda-feira, maio 21, 2007
SÃO PROIBIDAS AS BOCAS SOBRE A LICENCIATURA DO SR. PRIMEIRO-MINISTRO !
Leram o meu post anterior ? Se não leram, sugiro que comecem por aí.
Hoje é imperioso que fale de algo inaudito acontecido num orgão do Ministério da Educação, a Direcção Regional do Norte.
O caso conta-se em três palavras : um professor destacado nesse orgão do Estado ( notem bem, ser um orgão do Estado não significa ser um orgão do Governo ... ), enquanto trabalhava, deu uma “boca” para um colega do lado, sobre a licenciatura do Primeiro-Ministro. A piada ( de que se desconhece o teor ) chegou ao conhecimento da senhora directora regional, que, pasme-se, logo ordenou a abertura de um auto de averiguações a que logo se seguiu, segundo parece, o respectivo processo disciplinar. Enquanto isso, o professor foi preventivamente suspenso e logo mandado regressar á sua Escola de origem, que quem trabalha num Ministério não pode mandar bocas ao Governo !
Claro que o caso foi imediatamente levado a Tribunal Administrativo pelo tal professor. E bem.
Mas que raio de importância viu a senhora directora regional numa piada sobre algo que toda a gente sabe que foi um processo atribulado, pouco ortodoxo e ainda por clarificar totalmente ? Quem lhe encomendou tal atitude persecutória, porque motivo se abespinhou daquela forma por uma boca ?
Este caso terá alguma importância ou tratar-se-á apenas de um fait divers, uma funcionária pública excessivamente zelosa ?
Em meu entender, é paradigmático, e ilustra bem o teor do meu anterior post. É assim que “as coisas” começam, é assim que os “intocáveis” são criados, é desta forma que se pretende colar fita adesiva na boca das pessoas, é a maneira que a gente pequena tem de evitar a oposição.
Não acredito que a zelosa funcionária pública tenha recebido ordens de alguém do Governo para não permitir desaforos relacionados com a licenciatura do Primeiro-Ministro. No que acredito é no excesso de zelo, misturado com temor reverencial, temperado com uma pitadinha de fé na divindade sacrossanta de um Primeiro-Ministro. Ou quem sabe, na esperança de que esse zelo seja recompensado na vida eterna. Ou na actual, bem terrena. De qualquer forma, aqueles a quem chamamos mais papistas que o Papa são frequentemente os primeiros ( ou segundos, não me interessa a ordem ! ) responsáveis pela criação de um clima horroroso de intolerância e de perseguição.
Conheci bem o processo nos tempos de Salazar, com a simpática Pide a policiar tudo e todos, mesmo cafés, bares e cinemas, e nem mesmo nessa época os funcionários públicos dos escalões médio/alto denunciavam ou perseguiam os seus colegas por uma boca contra o Governo.
Este caso é totalmente inaudito, reafirmo.
Preocupante, mesmo.
Vamos seguir este assunto com interesse.
Leram o meu post anterior ? Se não leram, sugiro que comecem por aí.
Hoje é imperioso que fale de algo inaudito acontecido num orgão do Ministério da Educação, a Direcção Regional do Norte.
O caso conta-se em três palavras : um professor destacado nesse orgão do Estado ( notem bem, ser um orgão do Estado não significa ser um orgão do Governo ... ), enquanto trabalhava, deu uma “boca” para um colega do lado, sobre a licenciatura do Primeiro-Ministro. A piada ( de que se desconhece o teor ) chegou ao conhecimento da senhora directora regional, que, pasme-se, logo ordenou a abertura de um auto de averiguações a que logo se seguiu, segundo parece, o respectivo processo disciplinar. Enquanto isso, o professor foi preventivamente suspenso e logo mandado regressar á sua Escola de origem, que quem trabalha num Ministério não pode mandar bocas ao Governo !
Claro que o caso foi imediatamente levado a Tribunal Administrativo pelo tal professor. E bem.
Mas que raio de importância viu a senhora directora regional numa piada sobre algo que toda a gente sabe que foi um processo atribulado, pouco ortodoxo e ainda por clarificar totalmente ? Quem lhe encomendou tal atitude persecutória, porque motivo se abespinhou daquela forma por uma boca ?
Este caso terá alguma importância ou tratar-se-á apenas de um fait divers, uma funcionária pública excessivamente zelosa ?
Em meu entender, é paradigmático, e ilustra bem o teor do meu anterior post. É assim que “as coisas” começam, é assim que os “intocáveis” são criados, é desta forma que se pretende colar fita adesiva na boca das pessoas, é a maneira que a gente pequena tem de evitar a oposição.
Não acredito que a zelosa funcionária pública tenha recebido ordens de alguém do Governo para não permitir desaforos relacionados com a licenciatura do Primeiro-Ministro. No que acredito é no excesso de zelo, misturado com temor reverencial, temperado com uma pitadinha de fé na divindade sacrossanta de um Primeiro-Ministro. Ou quem sabe, na esperança de que esse zelo seja recompensado na vida eterna. Ou na actual, bem terrena. De qualquer forma, aqueles a quem chamamos mais papistas que o Papa são frequentemente os primeiros ( ou segundos, não me interessa a ordem ! ) responsáveis pela criação de um clima horroroso de intolerância e de perseguição.
Conheci bem o processo nos tempos de Salazar, com a simpática Pide a policiar tudo e todos, mesmo cafés, bares e cinemas, e nem mesmo nessa época os funcionários públicos dos escalões médio/alto denunciavam ou perseguiam os seus colegas por uma boca contra o Governo.
Este caso é totalmente inaudito, reafirmo.
Preocupante, mesmo.
Vamos seguir este assunto com interesse.
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Vitor Cunha
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5/21/2007 07:26:00 da tarde
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segunda-feira, maio 14, 2007
Autoridades ...
Não sei o que vocês pensam, mas este país está demasiado autoritário para o meu gosto. Autoritário, ouviram bem.
Vivi no tempo de Salazar e Caetano ( e não gostei ), vivi o 25 de Abril ( e tive esperança ) , atravessei o turbulento PREC ( e senti-me mal, francamente ), mas nunca vivi uma época como a que atravessamos : enquanto formalmente tudo leva a crer que se trata de uma democracia, vive-se de facto uma época pré-autoritária.
O registo auto-suficiente e convencido do Primeiro-Ministro, a sua impaciência para com as discordâncias e críticas, a sua pose de iluminado, a sua reacção no caso da licenciatura, tentando silenciar os orgãos de comunicação, todos estes tiques indiciam um modo autoritário de entender e exercer o poder.
Os autoritarismos começam sempre por atitudes deste género, potenciadas e ampliadas depois pela indiferença, complacência ou adesão entusiástica de parte significativa dos governados.
Ademais, sabemos bem como os autoritarismos nascem e se alimentam de certas circunstâncias : uma situação económica dificil ( um déficit a combater, por exemplo ) e um inimigo comum a grande parte da população, sejam eles os monárquicos, os seguidores do imperador, os comunistas, os ricos, os judeus ou ... os funcionários públicos.
Estou a acusar o Primeiro-Ministro de tentar instalar um regime autoritário ? Não, não é isso que afirmo. O que sustento é que o seu estilo, as suas opções políticas e os homens de que se rodeou fazem-nos andar á deriva em águas turbulentas, muito perigosas, sem verdadeiramente sabermos para onde vamos e, o que é pior, sem termos consciência do perigo.
Olhem á volta : o fisco e a segurança social penhoram tudo aos devedores, contas bancárias, salários, automóveis, certificados de aforro, imóveis ; a ASAE invade feiras, restaurantes, mercados, armazéns, põe tudo a ferro e fogo, multa, prende, encerra, apreende ; o Governo muda todas as regras do jogo, baixa pensões, sobe idades para a reforma, destrói vínculos de trabalho e subsistemas de saúde no funcionalismo público, fecha hospitais, maternidades e circulos judiciais, a Ministra da Educação trata os professores como meliantes, corta-lhes direitos e sorri, convencida da sua razão.
Tudo é feito apressadamente, atabalhoadamente, sem estudos nem explicações, como se nos quisessem apanhar a todos distraidos, estilo aeroporto da Ota. As coisas são feitas acintosamente, com uma espécie de raiva surda que não se sabe de onde vem mas que se lê claramente no semblante das diversas autoridades no exercício das suas funções. De resto, elas, essas mesmas autoridades, proliferam como cogumelos, cada uma delas mais autoridade que as outras, umas por expressa recomendação superior, outras por impregnação osmótica do estilo autoritário do chefe, as restantes para não ficarem atrás das primeiras, todas elas empenhadas na sua nobre missão de serem autoridade.
Ainda por cima, muitas dessas autoridades invocam a defesa dos nossos direitos, defesa que não me lembro de lhes ter delegado ; sim, eu até gosto de comer uma fartura nessas feiras populares que agora a ASAE tão diligente e afanosamente persegue por atentado á saude publica !!
As polícias crescem por toda a parte, neste frenesim autoritário, neste verdadeiro bacanal da tutela das nossas vontades : agora já há polícias municipais, polícias da higiene alimentar, polícias da empresa de estacionamento de Lisboa, inspectores da TV Cabo, que sei eu ...
Mas há mais, há mecanismos de segurança : se alguma destas autoridades, por excesso de zelo e manifesta incompreensão dos governados, acabar por cair no furioso desagrado publico, chama-se a RTP e faz-se um daqueles programas de absolvição e desculpabilização que todos conhecem, com convidados escolhidos a dedo.
Acham que não, que eu exagero ? Viram atentamente o “Prós e Contras” da RTP1 sobre a política de educação ou sobre a ASAE ? São capazes de me dizer para que serviram aqueles programas ?
Tudo isto sem esquecer a actuação da inefável Entidade Reguladora para a Comunicação Social ( essa, não sei se por vergonha ou falta de atrevimento, não se chama autoridade ... ) a impor quotas á RTP, para tratar o Governo e a oposição, metade para o Governo e PS e a outra metade para o resto do mundo. A isto se chama equitatividade e independência, não é ?
Vejam ainda os sinais preocupantes da constituição de uma designada Comissão da Carteira ( profissional dos jornalistas ), destinada não se sabe a que tipo de controlo sobre os mesmos, que provavelmente tenderá, no futuro, a chamar-se Autoridade para o Controlo da Ética Jornalística, ou coisa do género.
Vá lá, não se distraiam, por favor : olhem atentamente á nossa volta. Olhem, vejam, sintam, reajam.
Que nunca ninguém venha a dizer , mais tarde, que nunca pensou que ... ou que foi apanhado desprevenido.
É que sim, senhor, é preciso autoridade ... mas, com mil demónios, tanta autoridade assim já irrita, ninguém lhes passou procuração para criar um Estado tutelar, paternalista e autoritário, onde já nem fumar se pode.
Não sei o que vocês pensam, mas este país está demasiado autoritário para o meu gosto. Autoritário, ouviram bem.
Vivi no tempo de Salazar e Caetano ( e não gostei ), vivi o 25 de Abril ( e tive esperança ) , atravessei o turbulento PREC ( e senti-me mal, francamente ), mas nunca vivi uma época como a que atravessamos : enquanto formalmente tudo leva a crer que se trata de uma democracia, vive-se de facto uma época pré-autoritária.
O registo auto-suficiente e convencido do Primeiro-Ministro, a sua impaciência para com as discordâncias e críticas, a sua pose de iluminado, a sua reacção no caso da licenciatura, tentando silenciar os orgãos de comunicação, todos estes tiques indiciam um modo autoritário de entender e exercer o poder.
Os autoritarismos começam sempre por atitudes deste género, potenciadas e ampliadas depois pela indiferença, complacência ou adesão entusiástica de parte significativa dos governados.
Ademais, sabemos bem como os autoritarismos nascem e se alimentam de certas circunstâncias : uma situação económica dificil ( um déficit a combater, por exemplo ) e um inimigo comum a grande parte da população, sejam eles os monárquicos, os seguidores do imperador, os comunistas, os ricos, os judeus ou ... os funcionários públicos.
Estou a acusar o Primeiro-Ministro de tentar instalar um regime autoritário ? Não, não é isso que afirmo. O que sustento é que o seu estilo, as suas opções políticas e os homens de que se rodeou fazem-nos andar á deriva em águas turbulentas, muito perigosas, sem verdadeiramente sabermos para onde vamos e, o que é pior, sem termos consciência do perigo.
Olhem á volta : o fisco e a segurança social penhoram tudo aos devedores, contas bancárias, salários, automóveis, certificados de aforro, imóveis ; a ASAE invade feiras, restaurantes, mercados, armazéns, põe tudo a ferro e fogo, multa, prende, encerra, apreende ; o Governo muda todas as regras do jogo, baixa pensões, sobe idades para a reforma, destrói vínculos de trabalho e subsistemas de saúde no funcionalismo público, fecha hospitais, maternidades e circulos judiciais, a Ministra da Educação trata os professores como meliantes, corta-lhes direitos e sorri, convencida da sua razão.
Tudo é feito apressadamente, atabalhoadamente, sem estudos nem explicações, como se nos quisessem apanhar a todos distraidos, estilo aeroporto da Ota. As coisas são feitas acintosamente, com uma espécie de raiva surda que não se sabe de onde vem mas que se lê claramente no semblante das diversas autoridades no exercício das suas funções. De resto, elas, essas mesmas autoridades, proliferam como cogumelos, cada uma delas mais autoridade que as outras, umas por expressa recomendação superior, outras por impregnação osmótica do estilo autoritário do chefe, as restantes para não ficarem atrás das primeiras, todas elas empenhadas na sua nobre missão de serem autoridade.
Ainda por cima, muitas dessas autoridades invocam a defesa dos nossos direitos, defesa que não me lembro de lhes ter delegado ; sim, eu até gosto de comer uma fartura nessas feiras populares que agora a ASAE tão diligente e afanosamente persegue por atentado á saude publica !!
As polícias crescem por toda a parte, neste frenesim autoritário, neste verdadeiro bacanal da tutela das nossas vontades : agora já há polícias municipais, polícias da higiene alimentar, polícias da empresa de estacionamento de Lisboa, inspectores da TV Cabo, que sei eu ...
Mas há mais, há mecanismos de segurança : se alguma destas autoridades, por excesso de zelo e manifesta incompreensão dos governados, acabar por cair no furioso desagrado publico, chama-se a RTP e faz-se um daqueles programas de absolvição e desculpabilização que todos conhecem, com convidados escolhidos a dedo.
Acham que não, que eu exagero ? Viram atentamente o “Prós e Contras” da RTP1 sobre a política de educação ou sobre a ASAE ? São capazes de me dizer para que serviram aqueles programas ?
Tudo isto sem esquecer a actuação da inefável Entidade Reguladora para a Comunicação Social ( essa, não sei se por vergonha ou falta de atrevimento, não se chama autoridade ... ) a impor quotas á RTP, para tratar o Governo e a oposição, metade para o Governo e PS e a outra metade para o resto do mundo. A isto se chama equitatividade e independência, não é ?
Vejam ainda os sinais preocupantes da constituição de uma designada Comissão da Carteira ( profissional dos jornalistas ), destinada não se sabe a que tipo de controlo sobre os mesmos, que provavelmente tenderá, no futuro, a chamar-se Autoridade para o Controlo da Ética Jornalística, ou coisa do género.
Vá lá, não se distraiam, por favor : olhem atentamente á nossa volta. Olhem, vejam, sintam, reajam.
Que nunca ninguém venha a dizer , mais tarde, que nunca pensou que ... ou que foi apanhado desprevenido.
É que sim, senhor, é preciso autoridade ... mas, com mil demónios, tanta autoridade assim já irrita, ninguém lhes passou procuração para criar um Estado tutelar, paternalista e autoritário, onde já nem fumar se pode.
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Vitor Cunha
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5/14/2007 07:51:00 da tarde
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quarta-feira, maio 09, 2007
Portugal tornou-se uma imensa lixeira.
Por toda a parte se sente o cheiro nauseabundo de um país em decomposição.
Deambulamos por este País, tontos e sufocados de tanta podridão, sem uma réstea de esperança, sem um pouco de ar limpo.
Os partidos políticos tornaram-se em clubes de emprego e em promotores de negócios, as juventudes partidárias em escolas de oportunismo, os clubes de futebol em lobbies de interesses, agências de negócios e viveiros de deliquentes, as câmaras municipais em escolas práticas de corrupção, as televisões e jornais em simulacros de contrapoder, as escolas e universidades em fábricas de canudos e de ignorantes, as forças de segurança e os militares em gente desmotivada e amordaçada, a generalidade do povo num bando de subnutridos e mal pagos.
No meio desta lixeira, eles, os que gostam destes ambientes, singram com vento pela popa, velas enfunadas, a toda a velocidade. Combinam-se negócios chorudos, compram-se terrenos por um e vendem-se por dez, aceitam-se milhões por aquele empurrãozito, deliberam-se em assembleia salários principescos mesmo em empresas arruinadas, inventam-se empresas e institutos públicos, arranjam-se empregos chorudos para os filhos, netos, primos e primas, até para o filho da mulher a dias, compram-se os ultimos modelos dos carros topo de gama, os andares de luxo, as vivendas na quinta da marinha ...
De onde vem o dinheiro para tudo isto ?
É fácil. Muito simples, mesmo : enquanto a conta bancária deles cresce todos os meses 20 ou 25.000 euros, vai-se impondo a moderação salarial, que não se pode pagar mais a quem trabalha, a produtividade é muito baixa, baixam-se os salários reais todos os anos, retiram-se regalias, corta-se nas despesas de saúde dos outros ... enfim, de corte em corte, são muitos os milhões que ficam disponíveis para eles, percebem não percebem ?
Entretanto, vão eles preparando também o futurozinho ... neste estado de coisas, não há melhor segurança na velhice que fazer uns favorzitos aos grupos económicos, abrir-lhes caminho para investimentos em áreas de grande lucro, como a saúde e as reformas, por exemplo, eles hão-de lembrar-se de nós mais tarde ...
E o povo ? E o País ?
Ora, o povo sempre resistiu a tudo, o País há-de sobreviver ... e, se não sobreviver, os espanhóis compram o que sobrar...
Portanto, who cares ?
Por toda a parte se sente o cheiro nauseabundo de um país em decomposição.
Deambulamos por este País, tontos e sufocados de tanta podridão, sem uma réstea de esperança, sem um pouco de ar limpo.
Os partidos políticos tornaram-se em clubes de emprego e em promotores de negócios, as juventudes partidárias em escolas de oportunismo, os clubes de futebol em lobbies de interesses, agências de negócios e viveiros de deliquentes, as câmaras municipais em escolas práticas de corrupção, as televisões e jornais em simulacros de contrapoder, as escolas e universidades em fábricas de canudos e de ignorantes, as forças de segurança e os militares em gente desmotivada e amordaçada, a generalidade do povo num bando de subnutridos e mal pagos.
No meio desta lixeira, eles, os que gostam destes ambientes, singram com vento pela popa, velas enfunadas, a toda a velocidade. Combinam-se negócios chorudos, compram-se terrenos por um e vendem-se por dez, aceitam-se milhões por aquele empurrãozito, deliberam-se em assembleia salários principescos mesmo em empresas arruinadas, inventam-se empresas e institutos públicos, arranjam-se empregos chorudos para os filhos, netos, primos e primas, até para o filho da mulher a dias, compram-se os ultimos modelos dos carros topo de gama, os andares de luxo, as vivendas na quinta da marinha ...
De onde vem o dinheiro para tudo isto ?
É fácil. Muito simples, mesmo : enquanto a conta bancária deles cresce todos os meses 20 ou 25.000 euros, vai-se impondo a moderação salarial, que não se pode pagar mais a quem trabalha, a produtividade é muito baixa, baixam-se os salários reais todos os anos, retiram-se regalias, corta-se nas despesas de saúde dos outros ... enfim, de corte em corte, são muitos os milhões que ficam disponíveis para eles, percebem não percebem ?
Entretanto, vão eles preparando também o futurozinho ... neste estado de coisas, não há melhor segurança na velhice que fazer uns favorzitos aos grupos económicos, abrir-lhes caminho para investimentos em áreas de grande lucro, como a saúde e as reformas, por exemplo, eles hão-de lembrar-se de nós mais tarde ...
E o povo ? E o País ?
Ora, o povo sempre resistiu a tudo, o País há-de sobreviver ... e, se não sobreviver, os espanhóis compram o que sobrar...
Portanto, who cares ?
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Vitor Cunha
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5/09/2007 10:26:00 da tarde
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terça-feira, março 29, 2005
HOJE ESTOU NUMA DE INTELECTUAL !
Se hoje parecer um pouco pedante ou fora do meu registo habitual, peço desde já desculpa ao leitor. Mas leiam, não se vão já embora, isto não é assim tão chato como pensam ...
No PÚBLICO de hoje, Eduardo Prado Coelho ( EPC ) lembra Jean Paul Sartre, a quem chama o intelectual dos intelectuais , tanto no título da crónica como no seu final, em jeito de conclusão, lembrando embora figuras contemporâneas de Sartre, e que dele divergiam, como Michel Foucault ou Raymond Aron.
É claro que a figura de Sartre foi omnipresente, na geração de EPC ( que é a minha, mais ou menos ). Sartre multiplicou as suas actividades pelas obras de filosofia, teatro, jornalismo e política, pelo menos. Sartre foi uma espécie de ícone do pensamento de esquerda para várias gerações. Sartre era um homem com um apetite voraz pelo reconhecimento público, pela notoriedade. Sartre foi, de facto, um intelectual com uma influência enorme no seu tempo.
Contudo, quem conheça os aspectos mais pragmáticos da vida de Sartre, sabe que ele foi obrigado a fazer “cambalhotas” diversas, tentando acomodar as suas ideias á realidade que ia sendo conhecida. Frequentemente errou análises políticas, desprezou ou não viu nenhuma ameaça em fenómenos como o surgimento do nazismo, com Hitler, tentou justificar os campos de concentração soviéticos ( os gulags ), não se importou nada de permanecer na França ocupada pelos nazis na 2ª Guerra Mundial ( enquanto R. Aron, por exemplo, fugiu para Inglaterra e combateu de lá, como pôde, os alemães ) e mais uma série de actos falhados, errados, incoerentes ...
Conheci Sartre durante o PREC, quando veio a Portugal tentar perceber in loco o que tinha sido a Revolução dos Cravos. Eu ainda não tinha 30 anos e Sartre estava velho, viria a falecer pouco tempo depois. Ele fez perguntas, teceu comentários, deu conselhos : achei-o meio tonto, incoerente, sem ter percebido o que estava a ver ( insistia nos soldados, que eles é que deviam fazer isto e aquilo, etc ... ).
Bom, não liguem á minha opinião, atentem só nos outros factos que vos contei.
Agora reparem : que estranha noção de intelectual é esta, que faz Eduardo Prado Coelho chamar o intelectual dos intelectuais a um homem que quase nunca percebeu a realidade que o cercava ( lembrem-se que Sartre era sociólogo, hem ... ) e cujas apostas na mudança da sociedade foram quase sempre falhadas ??
Aparentemente, somos tanto mais intelectuais quanto maiores forem os nossos erros ao teorizar sobre a sociedade e a sua mudança. Desde que publiquemos uma data de livros, façamos artigos em jornais e revistas e andemos pelo mundo fora a "mandar" bocas. E desde que saibamos também cair nas boas graças dos auto intitulados revolucionários de todo o Mundo.
Ah, antes que me acusem : eu até gostava ( e gosto ) de Sartre e li dele muita coisa. Mas, como dizia o maluco á porta do manicómio, "sou maluco mas não sou estúpido !".
Se hoje parecer um pouco pedante ou fora do meu registo habitual, peço desde já desculpa ao leitor. Mas leiam, não se vão já embora, isto não é assim tão chato como pensam ...
No PÚBLICO de hoje, Eduardo Prado Coelho ( EPC ) lembra Jean Paul Sartre, a quem chama o intelectual dos intelectuais , tanto no título da crónica como no seu final, em jeito de conclusão, lembrando embora figuras contemporâneas de Sartre, e que dele divergiam, como Michel Foucault ou Raymond Aron.
É claro que a figura de Sartre foi omnipresente, na geração de EPC ( que é a minha, mais ou menos ). Sartre multiplicou as suas actividades pelas obras de filosofia, teatro, jornalismo e política, pelo menos. Sartre foi uma espécie de ícone do pensamento de esquerda para várias gerações. Sartre era um homem com um apetite voraz pelo reconhecimento público, pela notoriedade. Sartre foi, de facto, um intelectual com uma influência enorme no seu tempo.
Contudo, quem conheça os aspectos mais pragmáticos da vida de Sartre, sabe que ele foi obrigado a fazer “cambalhotas” diversas, tentando acomodar as suas ideias á realidade que ia sendo conhecida. Frequentemente errou análises políticas, desprezou ou não viu nenhuma ameaça em fenómenos como o surgimento do nazismo, com Hitler, tentou justificar os campos de concentração soviéticos ( os gulags ), não se importou nada de permanecer na França ocupada pelos nazis na 2ª Guerra Mundial ( enquanto R. Aron, por exemplo, fugiu para Inglaterra e combateu de lá, como pôde, os alemães ) e mais uma série de actos falhados, errados, incoerentes ...
Conheci Sartre durante o PREC, quando veio a Portugal tentar perceber in loco o que tinha sido a Revolução dos Cravos. Eu ainda não tinha 30 anos e Sartre estava velho, viria a falecer pouco tempo depois. Ele fez perguntas, teceu comentários, deu conselhos : achei-o meio tonto, incoerente, sem ter percebido o que estava a ver ( insistia nos soldados, que eles é que deviam fazer isto e aquilo, etc ... ).
Bom, não liguem á minha opinião, atentem só nos outros factos que vos contei.
Agora reparem : que estranha noção de intelectual é esta, que faz Eduardo Prado Coelho chamar o intelectual dos intelectuais a um homem que quase nunca percebeu a realidade que o cercava ( lembrem-se que Sartre era sociólogo, hem ... ) e cujas apostas na mudança da sociedade foram quase sempre falhadas ??
Aparentemente, somos tanto mais intelectuais quanto maiores forem os nossos erros ao teorizar sobre a sociedade e a sua mudança. Desde que publiquemos uma data de livros, façamos artigos em jornais e revistas e andemos pelo mundo fora a "mandar" bocas. E desde que saibamos também cair nas boas graças dos auto intitulados revolucionários de todo o Mundo.
Ah, antes que me acusem : eu até gostava ( e gosto ) de Sartre e li dele muita coisa. Mas, como dizia o maluco á porta do manicómio, "sou maluco mas não sou estúpido !".
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Vitor Cunha
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3/29/2005 06:45:00 da tarde
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quinta-feira, março 24, 2005
NOTÍCIAS DA FUGA ( ATRAVÉS DO RASGO NO NEVOEIRO )
Já há muito que não escrevo neste blogue. Daí não vem nenhum mal ao Mundo, claro. Mas sinto-me incomodado, quando noto nas estatisticas que meia dúzia de leitores vieram cá frequentemente ver se “o gajo escreveu qq coisa de jeito” ... e não encontram nada !
É que as coisas nem sempre correm de molde a empurrar-me para a escrita. Ou as musas foram de férias, ou eu não fui e precisava, ou o assunto escasseia ou eu é que escasseio.
Uma coisa dessas, rica, sei lá ... como diria uma tia da linha. Está a veeeer ?
A verdade é que tenho andado um pouco baralhado. Aquele salto no desconhecido, através do buraco no nevoeiro, não resultou tão bem quanto eu esperava ...
Quando caí, tive azar : em vez de terra macia mas firme, encontrei uma espécie de terreno movediço, tão depressa sólido como logo a seguir completamente líquido e borbulhante, capaz de tragar até a minha alma, quanto mais o meu corpo. Ou seja, a liberdade tem os seus custos e eu ando ainda a pagá-los. Com juros, claro.
Bem, a coisa não foi assim tão má como isso. Simplesmente, tenho dificuldade em perceber as mulheres. Tão depressa me parecem dizer que sim como logo a seguir percebo que afinal era não, mas um não que poderia ser um talvez ou até mesmo um sim desde que ... adiante, acho que a auto-estrada para os Açores já vai adiantada, sabem?, tenho que ir ver as obras.
Mas já agora fiquem-se só com esta : a coisa até meteu um bailarico á maneira numa tenda instalada no Centro Cultural de Belém ... mas sobre isso contar-vos-ei depois, a coisa foi complicada, com tangos, valsas, paso-dobles e outras relíquias de antanho. E o vosso amigo, atrapalhado e a suar, esquecido do manual dos anos 60 !
Enfim, sabem que mais ? Tempus trampis, que é como quem diz : está um tempo da trampa, nem chove nem é Primavera. Preparem-se, um destes dias a hora vai mudar e então não sei como vai ser : se com esta hora já as coisas iam mal nem quero saber o que será com a nova, ainda inexperiente, novinha em folha ...
Vou-me mas é embora, por hoje. Façam loucuras, em especial antes de morrer. Depois é mais dificil.
...
Já há muito que não escrevo neste blogue. Daí não vem nenhum mal ao Mundo, claro. Mas sinto-me incomodado, quando noto nas estatisticas que meia dúzia de leitores vieram cá frequentemente ver se “o gajo escreveu qq coisa de jeito” ... e não encontram nada !
É que as coisas nem sempre correm de molde a empurrar-me para a escrita. Ou as musas foram de férias, ou eu não fui e precisava, ou o assunto escasseia ou eu é que escasseio.
Uma coisa dessas, rica, sei lá ... como diria uma tia da linha. Está a veeeer ?
A verdade é que tenho andado um pouco baralhado. Aquele salto no desconhecido, através do buraco no nevoeiro, não resultou tão bem quanto eu esperava ...
Quando caí, tive azar : em vez de terra macia mas firme, encontrei uma espécie de terreno movediço, tão depressa sólido como logo a seguir completamente líquido e borbulhante, capaz de tragar até a minha alma, quanto mais o meu corpo. Ou seja, a liberdade tem os seus custos e eu ando ainda a pagá-los. Com juros, claro.
Bem, a coisa não foi assim tão má como isso. Simplesmente, tenho dificuldade em perceber as mulheres. Tão depressa me parecem dizer que sim como logo a seguir percebo que afinal era não, mas um não que poderia ser um talvez ou até mesmo um sim desde que ... adiante, acho que a auto-estrada para os Açores já vai adiantada, sabem?, tenho que ir ver as obras.
Mas já agora fiquem-se só com esta : a coisa até meteu um bailarico á maneira numa tenda instalada no Centro Cultural de Belém ... mas sobre isso contar-vos-ei depois, a coisa foi complicada, com tangos, valsas, paso-dobles e outras relíquias de antanho. E o vosso amigo, atrapalhado e a suar, esquecido do manual dos anos 60 !
Enfim, sabem que mais ? Tempus trampis, que é como quem diz : está um tempo da trampa, nem chove nem é Primavera. Preparem-se, um destes dias a hora vai mudar e então não sei como vai ser : se com esta hora já as coisas iam mal nem quero saber o que será com a nova, ainda inexperiente, novinha em folha ...
Vou-me mas é embora, por hoje. Façam loucuras, em especial antes de morrer. Depois é mais dificil.
...
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Vitor Cunha
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3/24/2005 09:28:00 da tarde
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sexta-feira, março 18, 2005
A INEFÁVEL SANTIDADE DOS DEFENSORES DA CASA PIA
Este processo da Casa Pia já me faz cócegas nos neurónios há muito tempo. É um daqueles casos que servem de catarse colectiva e, o que é pior, de fervoroso e hipócrita júbilo de “beatos” compungidos, armados em defensores da moralidade pública e das normas dos bons costumes sociais, preparados para colher, mais cedo ou mais tarde, os louros bem terrenos dessa sua enorme firmeza moral !
Por mim, confesso, pouco me preocupam os aspectos sexo-morais do caso, a menos que me demonstrem que os putos envolvidos são, de facto, vítimas e não pequenos prostitutos e homossexuais a ganharem uns trocos e umas passeatas.
Tremo só de pensar nos danos que este famigerado caso já provocou neste país de bons costumes ( quando os outros estão a ver ... )e das atenções que desviou de coisas verdadeiramente importantes da nossa vida colectiva. Lembram-se, por exemplo, dos ataques ao PS ? Bem, acho que o tiro lhes saiu pela culatra, mas apesar de tudo o Ferro Rodrigues não é o líder do PS, pois não ?
Agora, essa inefável e beatífica figura que se chama Catalina Pestana ( integra defensora e prosélita de Santana Lopes nas ultimas eleições, diga-se ) imbuída de um fervor justiceiro e de uma auréola de imaculada, vem dizer coisas espantosas no seu testemunho em pleno Tribunal. Pasmem : diz a senhora ( a fazer fé na comunicação social ) que uns alunos lhe disseram que na década de 70 e 80 havia uma organização de pedofilia holandesa ( ou algo do género ) à qual pertencia Carlos Cruz e outros... E acrescenta, uma jovem aluna disse-lhe que, uma vez que tinha ido a casa do embaixador Ritto, tinha lá visto uma foto do mesmo Carlos Cruz !
Pérolas autênticas, estas afirmações. Disseram-lhe uns alunos, vítimas da pedofilia, diz ela. E diz isto em pleno Tribunal.
Se isto é mesmo assim, já não sei que raio é o direito, em Portugal. Então eu vou a Tribunal, como testemunha, afirmar que houve uns gajos ( sempre em segredo, para não os matarem, decerto ) que me disseram que a Dª Catalina Pestana não faz a mínima ideia do que deveria ser uma gestão séria da Casa Pia ???
Até pode ser verdade, notem, mas isto não é ético, caramba. Eu devo dizer aquilo que sei, não aquilo que ouvi dizer, sem garantia nenhuma de que seja verdade.
Ou já não é assim ??? Já vale tudo ?
Por falar em gestão séria da Casa Pia, já leram que há uma data de putos, num dos colégios da Casa Pia que já acham que podem fazer o que quiserem ? Como estão protegidos ... então vá de bater em professoras e outras coisas idênticas ...
Mas claro que nada disto é grave : as professoras são de maior idade e o caso não tem o impacto de uma orgia pedófila, não é ? É pouco grave, não dá direito a julgamento nenhum e a Dª Catalina Pestana pode dormir sossegada.
Enfim, vamo-nos vendo por aí ...
...
Este processo da Casa Pia já me faz cócegas nos neurónios há muito tempo. É um daqueles casos que servem de catarse colectiva e, o que é pior, de fervoroso e hipócrita júbilo de “beatos” compungidos, armados em defensores da moralidade pública e das normas dos bons costumes sociais, preparados para colher, mais cedo ou mais tarde, os louros bem terrenos dessa sua enorme firmeza moral !
Por mim, confesso, pouco me preocupam os aspectos sexo-morais do caso, a menos que me demonstrem que os putos envolvidos são, de facto, vítimas e não pequenos prostitutos e homossexuais a ganharem uns trocos e umas passeatas.
Tremo só de pensar nos danos que este famigerado caso já provocou neste país de bons costumes ( quando os outros estão a ver ... )e das atenções que desviou de coisas verdadeiramente importantes da nossa vida colectiva. Lembram-se, por exemplo, dos ataques ao PS ? Bem, acho que o tiro lhes saiu pela culatra, mas apesar de tudo o Ferro Rodrigues não é o líder do PS, pois não ?
Agora, essa inefável e beatífica figura que se chama Catalina Pestana ( integra defensora e prosélita de Santana Lopes nas ultimas eleições, diga-se ) imbuída de um fervor justiceiro e de uma auréola de imaculada, vem dizer coisas espantosas no seu testemunho em pleno Tribunal. Pasmem : diz a senhora ( a fazer fé na comunicação social ) que uns alunos lhe disseram que na década de 70 e 80 havia uma organização de pedofilia holandesa ( ou algo do género ) à qual pertencia Carlos Cruz e outros... E acrescenta, uma jovem aluna disse-lhe que, uma vez que tinha ido a casa do embaixador Ritto, tinha lá visto uma foto do mesmo Carlos Cruz !
Pérolas autênticas, estas afirmações. Disseram-lhe uns alunos, vítimas da pedofilia, diz ela. E diz isto em pleno Tribunal.
Se isto é mesmo assim, já não sei que raio é o direito, em Portugal. Então eu vou a Tribunal, como testemunha, afirmar que houve uns gajos ( sempre em segredo, para não os matarem, decerto ) que me disseram que a Dª Catalina Pestana não faz a mínima ideia do que deveria ser uma gestão séria da Casa Pia ???
Até pode ser verdade, notem, mas isto não é ético, caramba. Eu devo dizer aquilo que sei, não aquilo que ouvi dizer, sem garantia nenhuma de que seja verdade.
Ou já não é assim ??? Já vale tudo ?
Por falar em gestão séria da Casa Pia, já leram que há uma data de putos, num dos colégios da Casa Pia que já acham que podem fazer o que quiserem ? Como estão protegidos ... então vá de bater em professoras e outras coisas idênticas ...
Mas claro que nada disto é grave : as professoras são de maior idade e o caso não tem o impacto de uma orgia pedófila, não é ? É pouco grave, não dá direito a julgamento nenhum e a Dª Catalina Pestana pode dormir sossegada.
Enfim, vamo-nos vendo por aí ...
...
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
3/18/2005 11:58:00 da tarde
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quarta-feira, março 16, 2005
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O RASGO NO NEVOEIRO
Há assim momentos, como o de hoje, em que o denso nevoeiro se abre um pouco e consigo vislumbrar vultos, movimento, até cores, do outro lado da estrada. Pouco interessa conhecer os detalhes, acho que tu vais entender. Na tua vida já também aconteceram episódios destes : de repente, tudo parece possível, até mesmo aquela fatia de luz, cor e calor pela qual anseias há tanto tempo. Mas tem cuidado, é preciso aproveitar a aberta, atravessa o nevoeiro enquanto ele não se refaz e recobre de novo o buraco. Não hesites, estas oportunidades não se compadecem com medos, tibiezas ou duvidas exageradas. É preciso estar pronto para saltar, como se a tua vida disso dependesse. E depende, acredita.
Por mim, estou farto deste nevoeiro cinzento, húmido e opaco que me cerca há algum tempo. As coisas à minha volta perdem o contorno, esbatem-se, ficam reduzidas a uma massa informe e incolor. Asfixio. Esbracejo. Grito por vezes. Outras vezes vivo conformado e triste. A maior parte do tempo, finjo que sou homem, mas no fundo sou uma espécie de plasticina cinzenta que já nem sequer se cola a nada. Na verdade, tenho tido medo, algumas vezes, de atravessar o buraco no nevoeiro.
Hoje vai ser diferente. Hoje não há nevoeiro que me impeça de ver a verdade. Vou saltar pelo rasgo que se abriu, mesmo sem saber bem onde ele me leva.
Também, que tenho a perder ? Pior que este vazio não é de certeza.
Desculpem, tenho de ir, vou tentar a minha sorte ... ooooooops ....
...
O RASGO NO NEVOEIRO Há assim momentos, como o de hoje, em que o denso nevoeiro se abre um pouco e consigo vislumbrar vultos, movimento, até cores, do outro lado da estrada. Pouco interessa conhecer os detalhes, acho que tu vais entender. Na tua vida já também aconteceram episódios destes : de repente, tudo parece possível, até mesmo aquela fatia de luz, cor e calor pela qual anseias há tanto tempo. Mas tem cuidado, é preciso aproveitar a aberta, atravessa o nevoeiro enquanto ele não se refaz e recobre de novo o buraco. Não hesites, estas oportunidades não se compadecem com medos, tibiezas ou duvidas exageradas. É preciso estar pronto para saltar, como se a tua vida disso dependesse. E depende, acredita.
Por mim, estou farto deste nevoeiro cinzento, húmido e opaco que me cerca há algum tempo. As coisas à minha volta perdem o contorno, esbatem-se, ficam reduzidas a uma massa informe e incolor. Asfixio. Esbracejo. Grito por vezes. Outras vezes vivo conformado e triste. A maior parte do tempo, finjo que sou homem, mas no fundo sou uma espécie de plasticina cinzenta que já nem sequer se cola a nada. Na verdade, tenho tido medo, algumas vezes, de atravessar o buraco no nevoeiro.
Hoje vai ser diferente. Hoje não há nevoeiro que me impeça de ver a verdade. Vou saltar pelo rasgo que se abriu, mesmo sem saber bem onde ele me leva.
Também, que tenho a perder ? Pior que este vazio não é de certeza.
Desculpem, tenho de ir, vou tentar a minha sorte ... ooooooops ....
...
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
3/16/2005 01:38:00 da tarde
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sábado, março 12, 2005
UM NOVO GOVERNO
O novo governo do engº José Socrates toma hoje posse. Começo por não saber exactamente de que é que eles vão tomar posse, uma vez que nestes tempos desvairados o lugar de ministro pouco conteúdo tem. Por um lado a Europa omnipresente, tonta e burocrática, por outro o poder dos grupos empresariais. A verdade nua e crua é que ser ministro já não é o que era.
Apesar de tudo, a actividade de um governo ainda pode ser importante no bater o pé á Europa, por exemplo, ou na escolha interna das prioridades, dentro de um leque de opções cada vez mais reduzido. Assim sendo, desejo sinceramente êxito a este novo governo. Este desgraçado e sempre adiado país bem o merece. E as oportunidades são cada vez mais escassas. Penso mesmo que, para a solução de algumas questões importantes, pura e simplesmente ... já passou o prazo.
Felicidades, ainda assim.
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O novo governo do engº José Socrates toma hoje posse. Começo por não saber exactamente de que é que eles vão tomar posse, uma vez que nestes tempos desvairados o lugar de ministro pouco conteúdo tem. Por um lado a Europa omnipresente, tonta e burocrática, por outro o poder dos grupos empresariais. A verdade nua e crua é que ser ministro já não é o que era.
Apesar de tudo, a actividade de um governo ainda pode ser importante no bater o pé á Europa, por exemplo, ou na escolha interna das prioridades, dentro de um leque de opções cada vez mais reduzido. Assim sendo, desejo sinceramente êxito a este novo governo. Este desgraçado e sempre adiado país bem o merece. E as oportunidades são cada vez mais escassas. Penso mesmo que, para a solução de algumas questões importantes, pura e simplesmente ... já passou o prazo.
Felicidades, ainda assim.
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Vitor Cunha
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3/12/2005 12:51:00 da tarde
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terça-feira, março 08, 2005
PARA GANHAR, É PRECISO LUTAR ! Hoje, a propósito do Dia da Mulher, vários pensamentos atravessaram os meus neurónios, ou o que deles ainda resta. Pensei na evolução, relativamente recente, dos direitos da Mulher, muitos deles ainda hoje por alcançar em pleno na nossa sociedade. Pensei nos direitos dos trabalhadores, como têm vindo a mudar ao longo dos ultimos séculos. Pensei sobretudo nas alterações dramáticas que tiveram que ocorrer, para que tais direitos viessem a ser admitidos e respeitados. Pensei, mastiguei e vejam lá se concordam comigo em duas grandes ideias fundamentais :
Nas relações entre seres humanos, a lógica do aproveitamento de muitos, para benefício de alguns, tem sido uma constante ao longo da vida do ser humano. Ou seja, apesar do que é afirmado por religiões e doutrinas políticas, o ser humano, no seu enquadramento normal na sociedade, não se regula por critérios de solidariedade e de respeito pelos outros seres humanos, mas antes pela defesa dos seus interesses pessoais e privados.
Os direitos de largos sectores de seres humanos apenas foram conquistados pela luta, unindo esforços e obrigando os sectores dominantes da sociedade a reconhecerem esses direitos. Nunca nenhum direito foi oferecido, todos foram conquistados, através da pressão e da força social e política, com maior ou menor sacrificio.
Hoje é o Dia da Mulher. Aproveitemos para reflectir nas lutas que foram necessárias para que tivessem o seu lugar de direito na sociedade, para que pudessem votar, trabalhar, filiar-se em sindicatos, dispor do seu corpo, decidir se fazem ou não aborto e todas as outras coisas ...
Pensem nisso, pensem naquelas duas ideias fundamentais que acima descrevi - se concordarem com elas, claro - e decidam se é preciso muito mais para se ser de esquerda, fundamentadamente, num mundo que ainda tem tanto para mudar ! É que nas grandes alterações que se verificaram na vida das Mulheres ( assim como nas outras alterações ) , que eu saiba, nunca a Direita foi uma aliada : muito pelo contrário, foi sempre a Direita que, sob diferentes rostos, se opôs a essa mudança, por vezes com uma violência tremenda.
Aqui fica a minha homenagem à Mulher, neste dia, da mesma forma que já o fiz em vários outros dias. Convêm, contudo, que nos lembremos sempre do que foi preciso fazer, ao longo dos tempos, para que as coisas sejam como hoje são. E mais : convem perceber quem foram os aliados, ao longo desse processo, e quem foram os inimigos. Para que não existam ambiguidades e confusões.
...
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Vitor Cunha
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3/08/2005 07:37:00 da tarde
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segunda-feira, março 07, 2005
LYING DOWN COMEDY
Há um mundo bem melhor que este onde eu vivo e se calhar você também ... só que é caríssimo e não chego lá. Mas, felizmente, dizem que a verdadeira felicidade está nas pequenas coisas... e acho que já percebi onde : um pequeno iate, um pequeno Porsche, uma pequena mansão, uma pequena fortuna, uma "pequena" bem gira ... não é ?
Assim sendo, vivo cada dia como se fosse o último. Bem sei que um dia vou mesmo acertar, mas que hei-de fazer ? Nesse dia, já pedi para escreverem na minha lápide "A partir de hoje não contem mais comigo, desisti de ir a festas e jantares".
Sigo também outras normas, para me sentir mais feliz. Por exemplo, nunca acordo antes do meio-dia, não gosto de me sentir mal disposto pela manhã. Como fico horrorosamente mal humorado antes de tomar café, tomo-o na cama, antes de sair. E já que estou na cama, aproveito para tratar de alguns problemas pendentes com a minha secretária.
Mais tarde, muito mais tarde, vou trabalhar. Tenho uma equipa que trabalha comigo : é que assim, quando algo der errado, posso sempre culpar alguém.
Nessa equipa, seguimos o principio de nunca roubar as ideias de ninguém, seria plágio, punido por lei. Fazemos antes pesquisa na internet e aproveitamos as ideias de muitos, já não é plágio neste caso.
Comigo, na equipa, trabalham várias mulheres : é preciso alguém com imaginação e criatividade para fazer o trabalho, já se vê. E não ia ser eu a fazer isso, não é ? Já me dá tanto trabalho ser empresário, ia agora esforçar-me e ter ideias ainda por cima ?
E pronto, vou-me raspar da empresa antes que me venham pedir os cheques dos vencimentos : afinal a Cofidis existe para quê ?
....
Há um mundo bem melhor que este onde eu vivo e se calhar você também ... só que é caríssimo e não chego lá. Mas, felizmente, dizem que a verdadeira felicidade está nas pequenas coisas... e acho que já percebi onde : um pequeno iate, um pequeno Porsche, uma pequena mansão, uma pequena fortuna, uma "pequena" bem gira ... não é ?
Assim sendo, vivo cada dia como se fosse o último. Bem sei que um dia vou mesmo acertar, mas que hei-de fazer ? Nesse dia, já pedi para escreverem na minha lápide "A partir de hoje não contem mais comigo, desisti de ir a festas e jantares".
Sigo também outras normas, para me sentir mais feliz. Por exemplo, nunca acordo antes do meio-dia, não gosto de me sentir mal disposto pela manhã. Como fico horrorosamente mal humorado antes de tomar café, tomo-o na cama, antes de sair. E já que estou na cama, aproveito para tratar de alguns problemas pendentes com a minha secretária.
Mais tarde, muito mais tarde, vou trabalhar. Tenho uma equipa que trabalha comigo : é que assim, quando algo der errado, posso sempre culpar alguém.
Nessa equipa, seguimos o principio de nunca roubar as ideias de ninguém, seria plágio, punido por lei. Fazemos antes pesquisa na internet e aproveitamos as ideias de muitos, já não é plágio neste caso.
Comigo, na equipa, trabalham várias mulheres : é preciso alguém com imaginação e criatividade para fazer o trabalho, já se vê. E não ia ser eu a fazer isso, não é ? Já me dá tanto trabalho ser empresário, ia agora esforçar-me e ter ideias ainda por cima ?
E pronto, vou-me raspar da empresa antes que me venham pedir os cheques dos vencimentos : afinal a Cofidis existe para quê ?
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3/07/2005 05:11:00 da tarde
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quinta-feira, março 03, 2005
O PEDIDO IMPOSSÍVEL Esta é um bocadinho machista e já conhecida mas é muito gira.
Gira e verdadeira, ehehehehe !
Então leiam e meditem :
Um homem caminhava pela praia de Cascais e tropeçou numa velha lâmpada. Pegou nela, esfregou-a e... um génio saltou lá de dentro, que disse:
"O.K! Libertaste-me da lâmpada, blá, blá, blá! Esquece aquela história dos três desejos! Tens direito a um desejo apenas e ponto final!"
O homem disse:
"Eu sempre quis ir aos Açores, mas tenho um medo enorme de voar... e no mar costumo ficar enjoado. Podes construir uma ponte até aos Açores, para eu poder ir de carro?"
O génio riu muito e disse:
"Impossível. Pensa na logística do assunto. Como é que os pilares chegavam ao fundo do Oceano Atlântico? Pensa em quanto betão armado, em quanto aço, em quanta mão de obra... Não, de maneira nenhuma! Pensa noutro desejo..."
O homem compreendeu e tentou pensar num desejo realmente possível.
"Fui casado e divorciado 4 vezes. As minhas mulheres disseram sempre que eu não me importava com elas e que era um insensível. Então, é meu desejo compreender as mulheres; saber como se sentem por dentro e o que estão a pensar quando não falam connosco; saber porque estão a chorar... saber realmente o que querem quando não dizem nada... saber como fazê-las realmente felizes!"
O génio respondeu:
"Queres a merda da ponte com três ou quatro faixas?"
....
( A história do génio de Cascais foi-me enviada em mail pelo meu amigo J. Andrade. O meu obrigado. )
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Vitor Cunha
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3/03/2005 05:02:00 da tarde
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segunda-feira, fevereiro 28, 2005
MILLION DOLLAR BABYFalar agora deste filme talvez seja fácil, mas não me importo : torci para que o filme ganhasse pelo menos o Óscar do melhor Realizador e acabou por ganhar esse, mais os de melhor actriz principal, melhor actor secundário e melhor filme de 2004. Arrazador. De vez em quando os tipos dos óscares até acertam.
Sempre admirei Clint Eastwood, já do tempo dos velhos westerns e do "Dirty" Harry, uma figura inesquecível de detective em luta pela verdade e pela justiça nas ruas míticas de San Francisco. Talvez seja a sua figura de homem alto e seco, bonitão, voz grave e rouca, poucas falas ; talvez uma certa qualidade indefinível de elegância simples e de bom gosto ou talvez também por me ter com ele cruzado, anos atrás, numa rua da cidadezinha de Carmel ( California ), onde ele era Mayor. Certo é que sempre foi um dos meus actores ( e mais tarde realizador ) favoritos. Mas vamos ao que interessa : hoje com 74 anos ( uma criança ao pé dos 90s de Manuel de Oliveira, note-se ) Clint Eastwood dirigiu nos ultimos anos filmes como Mystic River e agora este Million Dollar Baby. Mystic River tocava temas de pedofilia e dos segredos e traumas associados. Million Dollar Baby elege o desencanto e a solidão, a pobreza, o esforço para a vencer, o amor que restitui a vida e, finalmente, a relação entre o amor e a morte. Filme de uma grande simplicidade narrativa, sem jogos de sombras e de ilusões à francesa, tudo nele respira genuinidade e verdade da vida. As interpretações de Clint Eastwood e de Hilary Swank ( na foto, premiada com o Óscar para a melhor actriz principal ) valem bem a ida a um cinema perto de si, garanto-lhe que sairá de lá mais identificado/a com o ser humano, senão mesmo com uma lagrimita ao canto do olho ... Vá, não hesite, e depois diga-me o que achou do filme.
Pode também ver um pequeno excerto do filme AQUI
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Vitor Cunha
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2/28/2005 03:13:00 da tarde
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quarta-feira, fevereiro 23, 2005
O INSOLENTE PISCAR DO CURSOR
Sento-me á mesa e abro o Word. O cursor pisca, em desafio. A minha mão esquerda esfrega o joelho do mesmo lado, sinto-o frio apesar do quarto aquecido. A mão direita está perto do teclado, não vá a inspiração atacar. Na TV, na RTP1, percebo que vão transmitir o jogo Barcelona – Chelsea. Fico indiferente, a minha paixão pelo futebol já não é o que era. Assim como outras paixões, diga-se de passagem. Afago outra vez o joelho : dói-me levemente. A verdade é que o espaço em branco no processador de texto está ali á frente e fita-me com um ar desdenhoso : tu ? achas que sabes escrever ? deixa-te disso ...
Os meus olhos divagam pelo quarto, demorando-se num ou noutro objecto, sem qualquer ordem ou motivo : um Porsche em miniatura, uma velha Olympus relegada para o canto por uma irmã digital, livros diversos, CDs e DVDs numa caixinha de madeira, outra caixa em porcelana da Vista Alegre, oferecida já não sei por quem, o livro que ando a ler, um relato verídico de uma alemã que foi secretária de Hitler ... Claro que apenas quero ganhar tempo, conheço estes objectos de cor e salteado, nem sequer preciso olhar para eles. A verdade é que não me apetece escolher tema nenhum para esta croniqueta blogueana.
Dou por mim a pensar : ainda bem que não estou no lugar do Sócrates, acho que não ia dormir nos próximos meses ... ... e agora golo do Chelsea, em autogolo de um defesa do Barcelona. Levanto a cabeça para a TV e vejo as imagens. Lucky Mourinho. Enfrento de novo o branco onde o cursor continua a piscar, vagamente insolente. Que se lixe o cursor, eu já lhe digo quem manda aqui ... um clique, e já está, pronto !
Até á próxima. Lá fora, no asfalto, um aguaceiro ligeiro lava os despojos do dia.
Sento-me á mesa e abro o Word. O cursor pisca, em desafio. A minha mão esquerda esfrega o joelho do mesmo lado, sinto-o frio apesar do quarto aquecido. A mão direita está perto do teclado, não vá a inspiração atacar. Na TV, na RTP1, percebo que vão transmitir o jogo Barcelona – Chelsea. Fico indiferente, a minha paixão pelo futebol já não é o que era. Assim como outras paixões, diga-se de passagem. Afago outra vez o joelho : dói-me levemente. A verdade é que o espaço em branco no processador de texto está ali á frente e fita-me com um ar desdenhoso : tu ? achas que sabes escrever ? deixa-te disso ...
Os meus olhos divagam pelo quarto, demorando-se num ou noutro objecto, sem qualquer ordem ou motivo : um Porsche em miniatura, uma velha Olympus relegada para o canto por uma irmã digital, livros diversos, CDs e DVDs numa caixinha de madeira, outra caixa em porcelana da Vista Alegre, oferecida já não sei por quem, o livro que ando a ler, um relato verídico de uma alemã que foi secretária de Hitler ... Claro que apenas quero ganhar tempo, conheço estes objectos de cor e salteado, nem sequer preciso olhar para eles. A verdade é que não me apetece escolher tema nenhum para esta croniqueta blogueana.
Dou por mim a pensar : ainda bem que não estou no lugar do Sócrates, acho que não ia dormir nos próximos meses ... ... e agora golo do Chelsea, em autogolo de um defesa do Barcelona. Levanto a cabeça para a TV e vejo as imagens. Lucky Mourinho. Enfrento de novo o branco onde o cursor continua a piscar, vagamente insolente. Que se lixe o cursor, eu já lhe digo quem manda aqui ... um clique, e já está, pronto !
Até á próxima. Lá fora, no asfalto, um aguaceiro ligeiro lava os despojos do dia.
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Vitor Cunha
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2/23/2005 10:47:00 da tarde
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segunda-feira, fevereiro 21, 2005
RIEN NE VA PLUS !
E pronto, os dados estão lançados !
Ontem lá foi a malta toda ( menos os desinteressados do costume ) dizer de sua justiça. Com um ar de ajuste de contas, pareceu-me, mas talvez fosse só o meu desejo a torcer a realidade. Tudo somado e pesado, foi o que se viu :
- O PS ainda não acreditou no que lhe aconteceu : a maioria absoluta que desejavam mas em que não acreditavam. Sócrates ficou de tal forma apanhado que nem se dirigiu aos portugueses e portuguesas que o elegeram, limitando-se a falar para os amigos e camaradas da sala onde estava. Mau começo, mas esperemos que tivesse sido a verdura nestas andanças. Vamos ver como corrige.
- O PSD levou uma tareia enorme, como se calculava. Mesmo assim, pergunto a mim mesmo como ainda houve tantos portugueses a votar naquele partido, com aquela liderança ... terá algo a ver com o nosso instinto de desgraça, com o nosso masoquismo encapotado ? Bem, a maior desgraça para o PSD foi – e ainda continuará a ser – Santana Lopes : este homem sem norte nem grandeza agarra-se aos farrapos de poder que ainda tem e recusa-se a abandonar o seu lugar, continuando a acusar outros, dentro do partido, por aquilo que ele próprio provocou. Fez-me náuseas, confesso. Náuseas.
- O CDS/PP falhou em todos os objectivos traçados, mas pelo menos Portas levou a sério o seu perfil dos ultimos tempos e anunciou que sairia de presidente do partido. Não acredito muito que não venha a ser “repescado”, mas pelo menos mostrou alguma grandeza. Acreditam que, intimamente, até insultei a direita portuguesa ? Onde estão esses senhores e senhoras ? Votaram no engº Sócrates ? Ficaram em casa ?
- O BE ficou deslumbrado com os seus oito deputados. Talvez por isso, começaram logo a dizer e a fazer asneiras : desde os lenços brancos de despedida á direita ( mas foram eles, BE, que os afastaram ou quê ? ) até a ameaças imediatas ao PS, de tudo se viu um pouco na noite de vitória. Decididamente, cresceram mais em numero de deputados que em bom senso e maturidade política.
- A CDU foi uma enorme surpresa para mim. Claro que beneficiou do mesmo efeito que o BE, os votos daqueles que quiseram votar à esquerda para impedir a maioria absoluta do PS. Mas mesmo assim, conseguiram um resultado muito satisfatório para os seus objectivos, mais dois deputados. Dou a mão á palmatória : nunca acreditei em Jerónimo de Sousa, mas parece que o homem é genuino, simpático e consegue transmitir uma mensagem credível. Parabéns.
E pronto. Um grande vencedor, o PS, e um grande e duplamente derrotado, o PSD, já que nem mesmo assim se conseguiu ainda livrar de tão peganhento e incómodo lider.
O País, esse, veremos se fica a ganhar ou nem por isso. Espero que alguma coisa venha a ser feita, não temos muito mais tempo para outras santanadas.
Os dados ainda não acabaram de rolar mas já estão lançados ...
E pronto, os dados estão lançados !
Ontem lá foi a malta toda ( menos os desinteressados do costume ) dizer de sua justiça. Com um ar de ajuste de contas, pareceu-me, mas talvez fosse só o meu desejo a torcer a realidade. Tudo somado e pesado, foi o que se viu :
- O PS ainda não acreditou no que lhe aconteceu : a maioria absoluta que desejavam mas em que não acreditavam. Sócrates ficou de tal forma apanhado que nem se dirigiu aos portugueses e portuguesas que o elegeram, limitando-se a falar para os amigos e camaradas da sala onde estava. Mau começo, mas esperemos que tivesse sido a verdura nestas andanças. Vamos ver como corrige.
- O PSD levou uma tareia enorme, como se calculava. Mesmo assim, pergunto a mim mesmo como ainda houve tantos portugueses a votar naquele partido, com aquela liderança ... terá algo a ver com o nosso instinto de desgraça, com o nosso masoquismo encapotado ? Bem, a maior desgraça para o PSD foi – e ainda continuará a ser – Santana Lopes : este homem sem norte nem grandeza agarra-se aos farrapos de poder que ainda tem e recusa-se a abandonar o seu lugar, continuando a acusar outros, dentro do partido, por aquilo que ele próprio provocou. Fez-me náuseas, confesso. Náuseas.
- O CDS/PP falhou em todos os objectivos traçados, mas pelo menos Portas levou a sério o seu perfil dos ultimos tempos e anunciou que sairia de presidente do partido. Não acredito muito que não venha a ser “repescado”, mas pelo menos mostrou alguma grandeza. Acreditam que, intimamente, até insultei a direita portuguesa ? Onde estão esses senhores e senhoras ? Votaram no engº Sócrates ? Ficaram em casa ?
- O BE ficou deslumbrado com os seus oito deputados. Talvez por isso, começaram logo a dizer e a fazer asneiras : desde os lenços brancos de despedida á direita ( mas foram eles, BE, que os afastaram ou quê ? ) até a ameaças imediatas ao PS, de tudo se viu um pouco na noite de vitória. Decididamente, cresceram mais em numero de deputados que em bom senso e maturidade política.
- A CDU foi uma enorme surpresa para mim. Claro que beneficiou do mesmo efeito que o BE, os votos daqueles que quiseram votar à esquerda para impedir a maioria absoluta do PS. Mas mesmo assim, conseguiram um resultado muito satisfatório para os seus objectivos, mais dois deputados. Dou a mão á palmatória : nunca acreditei em Jerónimo de Sousa, mas parece que o homem é genuino, simpático e consegue transmitir uma mensagem credível. Parabéns.
E pronto. Um grande vencedor, o PS, e um grande e duplamente derrotado, o PSD, já que nem mesmo assim se conseguiu ainda livrar de tão peganhento e incómodo lider.
O País, esse, veremos se fica a ganhar ou nem por isso. Espero que alguma coisa venha a ser feita, não temos muito mais tempo para outras santanadas.
Os dados ainda não acabaram de rolar mas já estão lançados ...
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2/21/2005 03:43:00 da tarde
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sábado, fevereiro 19, 2005
AINDA FÁTIMA
Com a morte de Lúcia, voltaram aos jornais e revistas os acontecimentos de 1917, na serra d’Aire. Não muito longe de onde eu nasci, embora uns bons anos antes. Voltei a olhar as fotos da época, os relatos das “aparições”, as dúvidas iniciais da igreja portuguesa, o destino que deram á Lúcia, que esteve longe de ter sido uma escolha da própria, coitada.
Reli, revi e repensei.
Com todos os diabos, nada daquilo faz sentido, é tudo uma grande confusão, um delírio das crianças, induzido quiçá, já que na época houve diversas “aparições” idênticas reclamadas mas que nunca beneficiaram de qualquer atenção.
Os chamados mistérios eram coisas esquisitas, de nenhum interesse ou mesmo de falsa veracidade : a notícia do fim da guerra já para dia 13 ( a guerra 1914-1918 ) revelar-se-ia inexacta, o fim do bolchevismo ainda vinha muito longe e a visão de um sacerdote a ser alvejado a tiro era muito mais adequada ao jacobinismo reinante na época em Portugal ( o anti-clericalismo dos homens da I República roçou o desvario e o ódio puro ! ) do que a um futuro atentado ao Papa, cometido muitos anos após, em plena praça do Vaticano.
Enfim, todos os elementos indiciavam a total ausência de sobrenatural, a inexistência de qualquer “aparição”, a ilusão de uns pequenos pastores cansados e talvez esfomeados, em plena serra.
E então ? Que é que tudo isto interessa a uma multidão de seres sem esperança, em luta contra uma existência medíocre e com a perspectiva inevitável da morte ?
Claro que esta gente toda precisa de “aparições” e de anuncios de milagres. Claro que querem acreditar no céu e na sua libertação da morte inevitável.
Claro que optam pela esperança em vez do tremendo desespero do nada.
Esta será sempre a essência dos seres humanos, confrontados com os limites de uma vida sem sentido e sem dignidade : hão-de sempre criar esperanças nem que seja na ilusão ou no misticismo.
Não escolho essa via, nas minhas concepções pessoais sobre a vida e a morte, mas não tenho coragem de atirar pedras a quem o faz : a realidade é, muitas vezes, demasiado estúpida e aterradora para se poder acreditar nela ...
Com a morte de Lúcia, voltaram aos jornais e revistas os acontecimentos de 1917, na serra d’Aire. Não muito longe de onde eu nasci, embora uns bons anos antes. Voltei a olhar as fotos da época, os relatos das “aparições”, as dúvidas iniciais da igreja portuguesa, o destino que deram á Lúcia, que esteve longe de ter sido uma escolha da própria, coitada.
Reli, revi e repensei.
Com todos os diabos, nada daquilo faz sentido, é tudo uma grande confusão, um delírio das crianças, induzido quiçá, já que na época houve diversas “aparições” idênticas reclamadas mas que nunca beneficiaram de qualquer atenção.
Os chamados mistérios eram coisas esquisitas, de nenhum interesse ou mesmo de falsa veracidade : a notícia do fim da guerra já para dia 13 ( a guerra 1914-1918 ) revelar-se-ia inexacta, o fim do bolchevismo ainda vinha muito longe e a visão de um sacerdote a ser alvejado a tiro era muito mais adequada ao jacobinismo reinante na época em Portugal ( o anti-clericalismo dos homens da I República roçou o desvario e o ódio puro ! ) do que a um futuro atentado ao Papa, cometido muitos anos após, em plena praça do Vaticano.
Enfim, todos os elementos indiciavam a total ausência de sobrenatural, a inexistência de qualquer “aparição”, a ilusão de uns pequenos pastores cansados e talvez esfomeados, em plena serra.
E então ? Que é que tudo isto interessa a uma multidão de seres sem esperança, em luta contra uma existência medíocre e com a perspectiva inevitável da morte ?
Claro que esta gente toda precisa de “aparições” e de anuncios de milagres. Claro que querem acreditar no céu e na sua libertação da morte inevitável.
Claro que optam pela esperança em vez do tremendo desespero do nada.
Esta será sempre a essência dos seres humanos, confrontados com os limites de uma vida sem sentido e sem dignidade : hão-de sempre criar esperanças nem que seja na ilusão ou no misticismo.
Não escolho essa via, nas minhas concepções pessoais sobre a vida e a morte, mas não tenho coragem de atirar pedras a quem o faz : a realidade é, muitas vezes, demasiado estúpida e aterradora para se poder acreditar nela ...
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2/19/2005 05:41:00 da tarde
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quinta-feira, fevereiro 17, 2005
O VOTO NO PURGATÓRIO
As eleições aproximam-se. Começa a ser tempo de fazer uma escolha. O problema é que estou mais dividido que nunca, nesta história das eleições.
Se o voto fosse contra, não teria nenhuma dúvida : Santana Lopes foi um erro trágico para o país e para o PSD, não tenho qualquer hesitação em repudiar esse nome. Oxalá que o resultado das eleições obrigue mesmo Santana Lopes a demitir-se da presidência do seu partido, seria um alívio.
Acabam aqui as minhas certezas, porém.
Votar PS ? Contribuir para a maioria absoluta ? A verdade é que não tenho confiança nenhuma naqueles homens do PS, tão depressa são capazes do melhor como a seguir borram a pintura toda e acabam por ser mais liberais que a própria direita. De resto, o engº Sócrates dá-me uma impressão tremenda de pouca solidez política e económica, acho que ele se viu no papel de Primeiro-Ministro depressa demais. As pessoas que o rodeiam são também as mesmas do tempo do engº Guterres, o que significa que já vimos do que a casa gasta. Não há verdadeiramente lideres naquela equipa, seja o que Deus quiser !
Bem, resta-nos o quê ? O voto num pequeno partido de esquerda como forma de obstar á maioria absoluta do PS e, ao mesmo tempo, contribuir para a derrota do PSD e do PP.
Se me perguntarem se voto descansado no BE, por exemplo, que posso eu dizer ? Admito que os seus dirigentes vieram da “extrema esquerda”, admito mesmo que sejam um pouco folclóricos e sem grande responsabilidade prática política. Admito tudo isso que quiserem. Ainda assim, é gente simpática que, de uma forma geral, se bate por principios que são os meus há dezenas de anos. Pelo menos alguns principios, o que já não é mau.
Por isso, acho que o meu voto vai ser assim : uma espécie de voto no purgatório, já que não há paraíso onde votar e recuso terminantemente votar no inferno ! Tenho dito !
As eleições aproximam-se. Começa a ser tempo de fazer uma escolha. O problema é que estou mais dividido que nunca, nesta história das eleições.
Se o voto fosse contra, não teria nenhuma dúvida : Santana Lopes foi um erro trágico para o país e para o PSD, não tenho qualquer hesitação em repudiar esse nome. Oxalá que o resultado das eleições obrigue mesmo Santana Lopes a demitir-se da presidência do seu partido, seria um alívio.
Acabam aqui as minhas certezas, porém.
Votar PS ? Contribuir para a maioria absoluta ? A verdade é que não tenho confiança nenhuma naqueles homens do PS, tão depressa são capazes do melhor como a seguir borram a pintura toda e acabam por ser mais liberais que a própria direita. De resto, o engº Sócrates dá-me uma impressão tremenda de pouca solidez política e económica, acho que ele se viu no papel de Primeiro-Ministro depressa demais. As pessoas que o rodeiam são também as mesmas do tempo do engº Guterres, o que significa que já vimos do que a casa gasta. Não há verdadeiramente lideres naquela equipa, seja o que Deus quiser !
Bem, resta-nos o quê ? O voto num pequeno partido de esquerda como forma de obstar á maioria absoluta do PS e, ao mesmo tempo, contribuir para a derrota do PSD e do PP.
Se me perguntarem se voto descansado no BE, por exemplo, que posso eu dizer ? Admito que os seus dirigentes vieram da “extrema esquerda”, admito mesmo que sejam um pouco folclóricos e sem grande responsabilidade prática política. Admito tudo isso que quiserem. Ainda assim, é gente simpática que, de uma forma geral, se bate por principios que são os meus há dezenas de anos. Pelo menos alguns principios, o que já não é mau.
Por isso, acho que o meu voto vai ser assim : uma espécie de voto no purgatório, já que não há paraíso onde votar e recuso terminantemente votar no inferno ! Tenho dito !
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sábado, fevereiro 12, 2005
UMA QUESTÃO DE SOFTWARE EMOCIONAL
Há dias em que sinto no estômago uma bola enorme. No estômago ou no peito, junto do coração ? Seja onde for, é uma bola feita de nada, um vazio frio e concentrado que nada faz passar. Como é que esta bola feita de vazio se apossou de mim ? Em que momento me apanhou desprevenido e se infiltrou ? Será que existe alguma depressão pós-gripe ?
É sábado, são 7.45 da tarde e estou sentado, no meu quarto, a escrever isto. Normalmente, a esta hora, sairia de casa para jantar e ver um filme. Hoje, vou ficar a carpir a minha solidão, mesmo que essa solidão tenha sido por mim procurada. Quando estou realmente em baixo, faço sempre isto, desde criança : uma espécie de cura pelo excesso da causa do mal. Ou então sempre fui masoquista sem o saber, sei lá.
Sabem afinal qual é a verdade ? É que eu nunca mais fui capaz de estabelecer uma relação minimamente estável e satisfatória com uma mulher, desde que fiquei viúvo. Pensei várias vezes que sim, mas não sou capaz. A sensação de insatisfação, de falta, de cansaço, acaba sempre por surgir. Não por culpa delas, as mulheres, bem generosas e gentis , por norma. Culpa minha, exclusiva. Há qualquer pequeno desajuste interno, no meu software, de certeza. E o pior é que já ninguém sabe reparar software destes, isto é ainda anterior ao MS-DOS, imaginem !
Sabem que mais ? Acho que vou ter de aprender a viver com este vazio no estômago ou no coração ou lá onde é ... até que o software ou qualquer peça de hardware estoirem de vez !
Há dias em que sinto no estômago uma bola enorme. No estômago ou no peito, junto do coração ? Seja onde for, é uma bola feita de nada, um vazio frio e concentrado que nada faz passar. Como é que esta bola feita de vazio se apossou de mim ? Em que momento me apanhou desprevenido e se infiltrou ? Será que existe alguma depressão pós-gripe ?
É sábado, são 7.45 da tarde e estou sentado, no meu quarto, a escrever isto. Normalmente, a esta hora, sairia de casa para jantar e ver um filme. Hoje, vou ficar a carpir a minha solidão, mesmo que essa solidão tenha sido por mim procurada. Quando estou realmente em baixo, faço sempre isto, desde criança : uma espécie de cura pelo excesso da causa do mal. Ou então sempre fui masoquista sem o saber, sei lá.
Sabem afinal qual é a verdade ? É que eu nunca mais fui capaz de estabelecer uma relação minimamente estável e satisfatória com uma mulher, desde que fiquei viúvo. Pensei várias vezes que sim, mas não sou capaz. A sensação de insatisfação, de falta, de cansaço, acaba sempre por surgir. Não por culpa delas, as mulheres, bem generosas e gentis , por norma. Culpa minha, exclusiva. Há qualquer pequeno desajuste interno, no meu software, de certeza. E o pior é que já ninguém sabe reparar software destes, isto é ainda anterior ao MS-DOS, imaginem !
Sabem que mais ? Acho que vou ter de aprender a viver com este vazio no estômago ou no coração ou lá onde é ... até que o software ou qualquer peça de hardware estoirem de vez !
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Vitor Cunha
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2/12/2005 08:34:00 da tarde
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sexta-feira, fevereiro 11, 2005
PERDI UMA GRANDE OCASIÃO DE ESTAR CALADO !
Lamentei-me eu, no meu ultimo escrito, que tinha uma gripe de meias tintas, que não era nem deixava de ser ... Melhor seria ter estado calado, acabei por estar toda a semana em casa, com febre e uma infecção nos brônquios. Ora toma.
A febre não foi muito alta, mas ainda assim não consegui dormir muito bem. O que significou ver quase tudo no canal AXN, Discovery, Odisseia, SIC Mulher, eu sei lá ...
Hoje, sinto-me renascer pouco a pouco.
Veremos amanhã de manhã.
Lamentei-me eu, no meu ultimo escrito, que tinha uma gripe de meias tintas, que não era nem deixava de ser ... Melhor seria ter estado calado, acabei por estar toda a semana em casa, com febre e uma infecção nos brônquios. Ora toma.
A febre não foi muito alta, mas ainda assim não consegui dormir muito bem. O que significou ver quase tudo no canal AXN, Discovery, Odisseia, SIC Mulher, eu sei lá ...
Hoje, sinto-me renascer pouco a pouco.
Veremos amanhã de manhã.
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Vitor Cunha
à(s)
2/11/2005 10:17:00 da tarde
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domingo, fevereiro 06, 2005
BOLAS, NEM SE PODE ESTAR CALMAMENTE COM GRIPE !
Estou farto de estar em casa. Farto do pingo no nariz, da sensação febril na cabeça, das tonturas quando me levanto da cama. Devia existir uma norma europeia contra as gripes e similares.
Ainda por cima, no meu caso, nem é gripe nem deixa de ser, é esta coisa intermédia, gripe à portuguesa, envergonhada e de meias-tintas.
Mas mesmo assim estou farto, tanto mais que já é a 2ª edição : estive assim na semana passada, fiquei bom e uma semana depois volto ao mesmo, ao chamado pingo reincidente.
Normalmente aproveito estas coisas para fazer uma espécie de balanço pessoal, pensar na minha vida, escolher objectivos para o futuro. Desta vez, porém, não consigo concentrar-me, acho que a vergonha desta campanha eleitoral me perturba. Nem é bem vergonha, é perplexidade e embaraço : como pode alguém escolher, em consciência, dentro desta feira da ladra em que se transformaram as campanhas eleitorais ?
Como pode alguém escolher entre estes fantasmas incorpóreos e ectoplasmáticos ? Que anda Guterres a fazer na campanha ? A desanimar as pessoas ? Não bastava Sócrates ? E Santana Lopes ? Será que a ideia é mesmo afugentar os eleitores do PSD ? E Portas, recentemente promovido a homem de Estado ? São estes os melhores portugueses que a democracia fez surgir para governar Portugal ?? Não há melhor ?
Bolas, meu, nem se pode estar engripado descansadamente neste país : estes candidatos transformam qualquer gripe num pesadelo !
Estou farto de estar em casa. Farto do pingo no nariz, da sensação febril na cabeça, das tonturas quando me levanto da cama. Devia existir uma norma europeia contra as gripes e similares.
Ainda por cima, no meu caso, nem é gripe nem deixa de ser, é esta coisa intermédia, gripe à portuguesa, envergonhada e de meias-tintas.
Mas mesmo assim estou farto, tanto mais que já é a 2ª edição : estive assim na semana passada, fiquei bom e uma semana depois volto ao mesmo, ao chamado pingo reincidente.
Normalmente aproveito estas coisas para fazer uma espécie de balanço pessoal, pensar na minha vida, escolher objectivos para o futuro. Desta vez, porém, não consigo concentrar-me, acho que a vergonha desta campanha eleitoral me perturba. Nem é bem vergonha, é perplexidade e embaraço : como pode alguém escolher, em consciência, dentro desta feira da ladra em que se transformaram as campanhas eleitorais ?
Como pode alguém escolher entre estes fantasmas incorpóreos e ectoplasmáticos ? Que anda Guterres a fazer na campanha ? A desanimar as pessoas ? Não bastava Sócrates ? E Santana Lopes ? Será que a ideia é mesmo afugentar os eleitores do PSD ? E Portas, recentemente promovido a homem de Estado ? São estes os melhores portugueses que a democracia fez surgir para governar Portugal ?? Não há melhor ?
Bolas, meu, nem se pode estar engripado descansadamente neste país : estes candidatos transformam qualquer gripe num pesadelo !
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Vitor Cunha
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2/06/2005 09:55:00 da tarde
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quinta-feira, fevereiro 03, 2005
HISTÓRIA DE UMA FUGA DE ÁGUA ...
Os homens da Câmara entreolharam-se, espantados. Voltaram a olhar para os números do contador de água : mesmo nesse curto espaço de tempo, o ponteiro tinha deslizado um pouco, subrepticiamente. “Não pode ser, Xico, os gajos nunca iam gastar mais de 100 m3 de água em dois meses ! Tem que haver uma rotura dentro de casa !”
E foi assim que acabei por saber. Havia uma rotura na canalização da minha casa do Entroncamento.
Primeira visita ao local do crime : abro a torneira de segurança ( com as torneiras de dentro da casa todas fechadas ) e começo a contar o tempo. Percorro as casas de banho, a cozinha, todo o rés-do-chão, o primeiro andar, as torneiras do quintal ... nem pinga de água que indique a fuga, tudo sêco, tudo calado. Regresso ao contador, vejo o tempo passado, a nova leitura, faço umas contas e pasmo : por dia estava a perder algures cerca de 1.500 litros de água !!! Bem, as minhocas por baixo da casa iam poder ter um lago privativo, pelos vistos.
Recorro á ajuda dos meus vizinhos. Conheceriam eles alguém que trabalhasse em canalizações ? Por acaso sim, ali estavam os numeros de telemóvel, era gente de Ourém, com fama de fazer bom trabalho e apresentar contas decentes.
Uns telefonemas e tudo combinado : viriam primeiro ver, davam-me um orçamento e logo se combinaria o resto.
Adiante, para não desmotivar o leitor.
Segunda visita ao local da fuga ( de água, entenda-se ). Cheguei preparado para passar dois ou três dias aqui. Roupa, livros. Pergunto a mim mesmo como irei tomar banho ... ( acabou por ser com água do poço, tirada para um balde ás 7 da manhã , brrrrrrrr ... )
Lá chegam os homens ( são quatro !! ). Dentro de minutos todo o rés do chão está de pernas para o ar, móveis e máquinas arredadas do sítio, tapetes e carpetes cheias de terra e ferramentas, trinta por uma linha ... Meu Deus !
A coisa vai então ser assim : não se sabe onde se situa a fuga de água, pelo que se vai substituir toda a canalização. E começam a colocar a nova, luzidia, de aço inoxidável, na parede, junto aos rodapés. Mede distância, corta tubo, coloca peça de ligação, curva ou recta ou com uma derivação, faz buraco na parede, óh Orlando corre com ele por trás da despensa, home, fica mais a jeito ...
E a serpente luzidia vai ganhando formas, vão-lhe nascendo bocas, umas para águas frias outras para águas quentes, passa de um lado para outro no corredor, infiltra-se na casa de banho , atravessa para a garagem, sai para o quintal, eu sei lá ...
E a outra, a velha ? Alguém mais vai querer saber dela ? Manchada na sua reputação, causadora da fuga monstruosa, com a mácula de um buraco sabe-se lá onde, por ali fica, escondida nas profundezas das paredes, anónima, envergonhada, sem que ninguém mais se lembre de olhar para ela e de lhe agradecer os 30 anos de bons e leais serviços !
É assim na vida, quase em tudo, sabiam ? As coisas ( e por vezes as pessoas ) valem enquanto prestam serviços úteis, enquanto é económico repará-las ... depois, abandonam-se á sua sorte, arranjam-se outras mais novas e vamos a isto que se faz tarde !
Bem, pelo menos desta vez não vai ser assim : sempre que entrar naquela casa vou recordar-me da velha canalização de água em aço galvanizado e de todas as horas que lá passei com ela, ao longo de tantos anos ... é o mínimo que posso fazer !
Quanto á nova : ai dela se não cumprir bem a sua missão , ainda acabo por chamar a antiga de novo ao serviço, mesmo com fugas e tudo ....
P.S. Esta história trouxe-me coisas boas, apesar de tudo : um banho matinal com água fria do poço, uma bela refeição no Café Central da Golegã ( ah aquelas favinhas com entrecosto !)e outra oferecida pelos meus simpáticos vizinhos, um re-encontro no Entroncamento com um velho amigo dos bancos da Primária ... e tudo isto pela quantia de 1.350 euros ! O pior foi que descobri que o velho esquentador está a dar o bafo, pelo que receio que a saga vá continuar ...Eu dar-vos-ei conta, prometo.
Os homens da Câmara entreolharam-se, espantados. Voltaram a olhar para os números do contador de água : mesmo nesse curto espaço de tempo, o ponteiro tinha deslizado um pouco, subrepticiamente. “Não pode ser, Xico, os gajos nunca iam gastar mais de 100 m3 de água em dois meses ! Tem que haver uma rotura dentro de casa !”
E foi assim que acabei por saber. Havia uma rotura na canalização da minha casa do Entroncamento.
Primeira visita ao local do crime : abro a torneira de segurança ( com as torneiras de dentro da casa todas fechadas ) e começo a contar o tempo. Percorro as casas de banho, a cozinha, todo o rés-do-chão, o primeiro andar, as torneiras do quintal ... nem pinga de água que indique a fuga, tudo sêco, tudo calado. Regresso ao contador, vejo o tempo passado, a nova leitura, faço umas contas e pasmo : por dia estava a perder algures cerca de 1.500 litros de água !!! Bem, as minhocas por baixo da casa iam poder ter um lago privativo, pelos vistos.
Recorro á ajuda dos meus vizinhos. Conheceriam eles alguém que trabalhasse em canalizações ? Por acaso sim, ali estavam os numeros de telemóvel, era gente de Ourém, com fama de fazer bom trabalho e apresentar contas decentes.
Uns telefonemas e tudo combinado : viriam primeiro ver, davam-me um orçamento e logo se combinaria o resto.
Adiante, para não desmotivar o leitor.
Segunda visita ao local da fuga ( de água, entenda-se ). Cheguei preparado para passar dois ou três dias aqui. Roupa, livros. Pergunto a mim mesmo como irei tomar banho ... ( acabou por ser com água do poço, tirada para um balde ás 7 da manhã , brrrrrrrr ... )
Lá chegam os homens ( são quatro !! ). Dentro de minutos todo o rés do chão está de pernas para o ar, móveis e máquinas arredadas do sítio, tapetes e carpetes cheias de terra e ferramentas, trinta por uma linha ... Meu Deus !
A coisa vai então ser assim : não se sabe onde se situa a fuga de água, pelo que se vai substituir toda a canalização. E começam a colocar a nova, luzidia, de aço inoxidável, na parede, junto aos rodapés. Mede distância, corta tubo, coloca peça de ligação, curva ou recta ou com uma derivação, faz buraco na parede, óh Orlando corre com ele por trás da despensa, home, fica mais a jeito ...
E a serpente luzidia vai ganhando formas, vão-lhe nascendo bocas, umas para águas frias outras para águas quentes, passa de um lado para outro no corredor, infiltra-se na casa de banho , atravessa para a garagem, sai para o quintal, eu sei lá ...
E a outra, a velha ? Alguém mais vai querer saber dela ? Manchada na sua reputação, causadora da fuga monstruosa, com a mácula de um buraco sabe-se lá onde, por ali fica, escondida nas profundezas das paredes, anónima, envergonhada, sem que ninguém mais se lembre de olhar para ela e de lhe agradecer os 30 anos de bons e leais serviços !
É assim na vida, quase em tudo, sabiam ? As coisas ( e por vezes as pessoas ) valem enquanto prestam serviços úteis, enquanto é económico repará-las ... depois, abandonam-se á sua sorte, arranjam-se outras mais novas e vamos a isto que se faz tarde !
Bem, pelo menos desta vez não vai ser assim : sempre que entrar naquela casa vou recordar-me da velha canalização de água em aço galvanizado e de todas as horas que lá passei com ela, ao longo de tantos anos ... é o mínimo que posso fazer !
Quanto á nova : ai dela se não cumprir bem a sua missão , ainda acabo por chamar a antiga de novo ao serviço, mesmo com fugas e tudo ....
P.S. Esta história trouxe-me coisas boas, apesar de tudo : um banho matinal com água fria do poço, uma bela refeição no Café Central da Golegã ( ah aquelas favinhas com entrecosto !)e outra oferecida pelos meus simpáticos vizinhos, um re-encontro no Entroncamento com um velho amigo dos bancos da Primária ... e tudo isto pela quantia de 1.350 euros ! O pior foi que descobri que o velho esquentador está a dar o bafo, pelo que receio que a saga vá continuar ...Eu dar-vos-ei conta, prometo.
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
2/03/2005 06:14:00 da tarde
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