sexta-feira, outubro 31, 2008

UMA QUESTÃO DE CONTENTORES ... OU DESPREZO PELA OPINIÃO DOS OUTROS ?

Hoje vamos falar de contentores. Ou melhor, vamos falar ( uma vez mais ) de falta de vergonha e de desprezo pelos outros.
Ora bem, é óbvio que aumentar quilómetro e meio àquele cais de Alcântara cheio de contentores é uma ideia que não iria agradar a muita gente. Ainda por cima, sabendo como estas obras se eternizam em Portugal e como costumam respeitar os espaços públicos, certamente que MUITA gente iria discordar.
Pois bem, não há dramas : faz-se um decreto-lei pela calada, sem alarde, e está o problema resolvido.
Ah, mas havia um problemazito : a concessão actual ia terminar já em 2015 … como rentabilizar o investimento da expansão ? Simples, uma vez mais : prorroga-se a actual concessão por mais … trinta e tal anos, até 2042 e pronto.
Discutir o assunto com a Câmara de Lisboa ? Levar a questão à Assembleia da República ? Suscitar a discussão pública da iniciativa ? Integrar a obra num plano geral para a zona ribeirinha ? Tssss, tsss, tsss … tudo isso dá trabalho, consome muito tempo e energias. Assim é muito mais fácil.
Confesso : não faço a mais pequena ideia se Lisboa ( e o País ) lucram alguma coisa ou não em ter uma área gigantesca para carga e descarga de contentores. A única coisa que detesto é que tomem decisões nas minhas costas em relação a coisas que são também minhas. Lisboa não pertence à empresa concessionária do cais de contentores, Lisboa não pertence a este Governo, nem a nenhum Governo passado ou futuro. Lisboa não pertence ao sr. Jorge Coelho nem ao sr. Sócrates. Lisboa não é mercadoria negociável.

Quero saber :

(a) aumentar a capacidade do cais de contentores é boa política para Lisboa e para o País ou só para a firma concessionária ?

(b) em caso de ser boa ideia a expansão do actual cais, não existem localizações mais adequadas ? Tem que ser logo ali, em zona privilegiada de lazer e de fruição do rio ?

Antes me responderem a estas questões, fiz questão de ajudar a parar a “negociata” meio encoberta, assinando a petição subscrita por Sousa Tavares.

Cabe-lhe a si fazer o mesmo. Ou não, como quiser. Em qualquer caso, clique aqui para ler a petição : http://www.gopetition.com/online/22835.html

Tenha um bom resto de dia.

quarta-feira, outubro 29, 2008

SÃO COISAS ABERRANTES A MAIS, GAITA !

A verdade é que não sei para onde me virar. A realidade excede a ficção, nestes tempos. A minha capacidade de indignação é todos os dias posta à prova, a maior parte das vezes vejo-me obrigado a zangar-me em “multitasking”.
Foi o truque palerma de introduzir na proposta do OE2009 aquela aberturazita para as ofertas aos partidos em “el contado”, descoberta em primeiro lugar pelo Diário Económico (DE). Foi a história do telefonema imediato do nosso primeiro-ministro para o director do DE, explicando não sei o quê ou refilando com a “má vontade” do jornal. É o miserabilismo dos nossos empresários recusando o salário mínimo de 450 euros. São os ventos persistentes de estagnação ou mesmo retracção do crescimento económico. São as coincidências do ex-ministro Jorge Coelho ao aceitar o lugar de Presidente do CA da Mota-Engil e vai daí, meses depois, é só concessões do Governo à empresa, sejam no Douro ou no porto de Lisboa. É uma actuação destrambelhada, incompetente, ruinosa e autista do Governo no ensino secundário, na gestão dos hospitais e na rede de cuidados de saúde, no desprezo manifesto por aqueles de quem depende a segurança e a defesa. É a suprema ironia de toda a gente considerar como uma medida eleitoralista os míseros 2.9% “generosamente” oferecidos aos funcionários públicos, fartos de perder poder de compra nos anos passados, da ordem dos dois dígitos percentuais.

São todas estas coisas e mais o raio deste vento frio.

São coisas a mais, acho eu.

A continuar assim, ainda me dá um AVC, ou saio do País antes disso.
A alternativa seria inventarmos o nosso Obama, e, já agora, trocarmos também as nossas pseudo-elites por suecos, alemães ou mesmo … chineses. Lamento, mas é verdade.

sexta-feira, outubro 17, 2008

UMA QUESTÃO DE OUTROS VALORES ...

É minha convicção que a maior crise actual, pelo menos em Portugal, não é de natureza financeira. A nossa maior crise é de valores. Portugal está profundamente doente, sim, mas não é por causa do crédito mal-parado ou da falta de liquidez dos bancos : está doente Portugal porque lhe falta a vergonha, o bom senso e a simples decência de comportamentos.
Acham que exagero ? Então recapitulem comigo.

Afirmam os especialistas que a corrupção existe a um nível imenso na nossa sociedade, e que as pessoas até desculpam e perdoam a pequena corrupção. Boa, continuemos.

O PSD está a considerar a hipótese, ao que se sabe já aprovada por Manuela Ferreira Leite, de voltar a apresentar Santana Lopes para a Câmara de Lisboa... Sim, o mesmo Santana Lopes. Excelente, adiante.

Sócrates e mais 344 ministros, secretários de estado ( os ministros não são de estado ? ), directores-gerais e outros senhores importantes andaram por aí a distribuir uma espécie de computador de algibeira, destinada a putos de 5 e 6 anos, que afirmaram ser portuguesissimo e a quem chamaram ... Magalhães. Recomenda-se ao autor do nome uma releitura urgente da história da época. Para além disso, magnifico, agora é que os putos vão todos aprender a ler, escrever e a fazer contas.

Isaltino, o impoluto de Oeiras, proclamou já que vai candidatar-se de novo á Câmara. Ignora-se se ainda tem o primo na Suiça, mas a avaliar pelas ultimas dos bancos lá do sítio, o primo já não deve lá estar.

A inefável e competente ministra da educação continua na sua sanha contra o que resta de qualidade no ensino publico, parece que os professores ainda têm umas horitas semanais livres das infindáveis reuniões de avaliação de desempenho, avaliação intercalar, avaliação disciplinar, avaliação curricular, elaboração de testes para recuperação de alunos com excesso de faltas, etc, etc ... Consta mesmo que, de vez em quando, até há um ou outro professor que consegue escapar-se das reuniões e ... dá uma aulita !! A ultima invenção da senhora foi agarrar nos professores do QZP ( de nomeação definitiva numa certa área geográfica do país ) e dizer-lhes : “Meus amigos foi boato. Vocês não foram nada providos no vosso lugar, vão todos ter de concorrer para milhões de Kms das vossas casas. Se não quiserem, processo disciplinar e despedimento“.
Excepcional, continuemos a mostrar até que ponto se desceu na escala da decência e na consideração pela dignidade dos outros.

O senhor primeiro-ministro. Bem, esse confesso que ando intrigado com o homem. Estou farto de o ver e ouvir em toda a parte e declaro que nunca vi o senhor dedicar a mínima consideração a quem o interpela e dele discorda. A sua atitude automática e imediata, sem qualquer nuance de respeito, é a de violência verbal, a arrogância e a pose de mestre. A razão da minha profunda intriga é a seguinte : onde teria Sócrates ido buscar a razão para esta atitude ? Que características lhe dão minimamente suporte para esta maneira de ser ?
Mistério ... aquilo que se conhece da sua vida justificaria, isso sim, uma atitude de modéstia e de respeito pela opinião dos outros, não seria ? Afinal, entre os seus interlocutores existem pessoas muito inteligentes, cultas, academicamente bem formadas, com experiência em vários sectores profissionais ...

Chega para convencer o leitor quanto á crise de valores ?
E agora, há por aí algum Banco Central que possa dar um aval a Portugal para valores, decência e vergonha ?
Ou então, como diz um amigo meu, isto não é um problema de valores nem de política e muito menos de economia ou finanças : Portugal não passa de um imenso prostíbulo, onde pessoas se vendem e outros vão só para ver. Ah, sim, e com uma ala dedicada a doentes mentais.

domingo, outubro 12, 2008

VOLTA Dª BRANCA, ESTÁS PERDOADA ...

A sensação claramente dominante neste momento é a impotência.
Um pouco por todo o Mundo as pessoas interrogam-se e receiam o futuro próximo.
É nítido que ninguém sabe exactamente o que fazer.
É nestas alturas que mais me interrogo sobre a verdadeira dimensão do homem actual e da sua fé um tanto infantil em instituições e organismos ditos idóneos.
Pessoalmente, como qualquer pessoa pode verificar se ler as minhas notas dos ultimos anos, a realidade actual não me surpreendeu nada. Há muito que em mim morreram as ilusões e a candura, há muito que deixei de acreditar no Pai Natal. As entidades ditas responsáveis sempre conviveram alegremente com todas as trafulhices que o submundo financeiro inventou, nestes ultimos anos. Alguém conhecedor destas realidades pode afirmar que foi apanhado de surpresa ? Então porque é que ninguém mexeu uma palha ? Sabem explicar ?
Eu sei : cumplicidades, conivências, interesses próprios ou de amigos ou de grupo.
Há muito tempo que eu explicava a economia financeira dos tempos correntes aos meus amigos como sendo uma versão gigantesca da Dª Branca. Alguns não me acreditavam, pensavam que eu exagerava, então aquelas venerandas instituições e aqueles competentes senhores alguma vez iriam deixar isto acontecer ?
Pois. Então onde estão agora todos esses ilustres garantes da idoneidade das operações financeiras ?

E agora, perguntamo-nos todos, os “especialistas” e os outros, que fazer ?
Agora há que restaurar a confiança, dizem-me.
Mas confiança em quê e em quem ?
Não percebem que essa é a grande questão ?

PS - Já pensaram quem seria que andava a especular com o petróleo, imediatamente antes de estoirar esta crise ? E porque o andariam a fazer ? É que eu acho muito interessante que ninguém fale agora da correlação entre as duas coisas ...

segunda-feira, setembro 15, 2008

NÃO HÁ CORRUPÇÃO : HÁ APENAS AMIGOS QUE SE AJUDAM UNS AOS OUTROS, NÉ ?

Vivi intensamente o PREC, de 1974 em diante. Não vou entrar em detalhes,mas vivi-o por dentro. Nessa altura, eramos todos frequentemente confrontados com posições políticas muito radicais, a que chamavamos esquerdistas, denunciando tudo e todos. Para essa gente radical, só existiam em Portugal eles, os puros, e todos os outros eram ou corruptos ou fascistas.
Por formação e carácter, sempre recusei essa abordagem. Também nunca fui grande adepto das teorias conspirativas e dos arautos das desgraças cataclísmicas. Sempre achei que a realidade era, por natureza, moderada e que a percentagem de casos de corrupção e de falta de honestidade eram mínimos.
Pois bem : nestes dias que correm, a pouco e pouco, vou-me sentindo envolto numa atmosfera irreal de manobras sujas, atmosfera quase invisível, dando a ideia de que já ninguém liga muito a estas coisas. Ou que a corrupção e o roubo são coisas comuns que não vale a pena investigar e punir.
Viram aquele caso do burocrata do desporto ( chefe da missão olímpica e tudo !! ) que se amerezendou com uns dois ou três vencimentos, carros e eu sei lá que mais ?
Tchiiiiiiiiiiii, e o desgraçado do sujeito diz que em seu tempo vai esclarecer tudo !
A seu tempo ? E ele é que diz quando é que decide explicar-se ?
Sabem o que eu acho, por vezes ?
Vai sair bronca, já aviso.
Então é assim : á semelhança do que tem vindo a suceder com o consumo de drogas, com a homosexualidade ( e com os casamentos homosexuais) , com a ausência da prisão preventiva, etc ... não me admiro nada, mas mesmo nada, que daqui a alguns anos seja descriminalizada a ... corrupção.
Desde que seja para uso pessoal, bem entendido.
Não acreditam ?

quinta-feira, setembro 11, 2008


OS NOSSOS ORÁCULOS DE DELFOS


Os americanos ( leia-se made in USA ) nem sempre são modelo de comportamento para ninguém. Ou mesmo raramente o são.
Dito isto, note-se como o banco central americano ( o Federal Reserve ) e o Banco Central Europeu ( BCE ) tem tido comportamentos diferentes, com resultados também bem diferentes.
A economia americana apresentava, como a europeia, indicadores de fraco crescimento económico, receios de estagnação ( crescimento nulo ) ou mesmo recessão ( crescimento negativo ), sinais de inflação, sobreendividamento das famílias, forte especulação no imobiliário com o desmonoramento financeiro desse sector. Na Europa, o senhor Trichet, á frente do BCE, fiel como um cão aos estatutos do Banco que mandam privilegiar o controlo da inflação, vá de fazer subir a taxa de juro, uma, duas e mais vezes, estando actualmente nos 4,25%. A ideia é que o alto preço do dinheiro desincentive o consumo ( e o investimento, pergunto eu ? ) e logo, por essa via, faça baixar a inflação. E o senhor persiste nisto há mais de um ano.
Bem, e fez ? A inflação foi contida ?
Não, como se sabe. E a economia ressentiu-se, claro, e sucedem-se as revisões em baixa para o crescimento no espaço europeu.
Alguém se chateou com isto, alguém questionou o sr. Trichet porque é que a sua teimosia está a dar tão maus resultados ?
No outro lado do Atlântico, o Federal Reserve fez exactamente o oposto, baixou corajosa e progressivamente a taxa de juro, embaratecendo o dinheiro. O Governo Federal, numa atitude sem precedentes a esta escala, introduziu no circuito recentemente milhares de milhões de dólares, tomando conta das duas maiores imobiliárias ( financiadoras ) do país.
Resultado : os indicadores económicos nos EUA começaram milagrosamente a recuperar ( enquanto os nossos se afundam ) e a inflação não disparou coisa nenhuma, quedando-se no mesmo patamar.

Então, quem fez melhor o seu papel ?

Moral da história : a economia, como ciência, é uma treta. Nunca vi uma ciência apresentar panaceias diferentes para a mesma situação. E não me venham com a conversa mole dos diferentes objectivos e estatutos dos dois bancos centrais, porque estatutos há muitos e mudam-se quando é preciso. A economia usa e abusa de modelos que me parecem obsoletos para fenómenos como a inflação, o crescimento, a bondade ou não do consumo interno no crescimento, etc ... A realidade, ano após ano, ridiculariza muitos desses modelos, mas os senhores do establishment fingem que não percebem, assobiam para o ar ou para o lado e continuam a dizer e a fazer as mesmas coisas, vezes sem conta.
Quem se lixa, sempre ? Eles não, são muito bons e muito bem bem pagos !

A hipocrisia e o faz de conta são a pior praga dos países desenvolvidos nos nossos dias, não acham ?

quarta-feira, setembro 10, 2008

O ENSINO, AS ESTATÍSTICAS E OS JORNALISTAS E POLÍTICOS

Hoje vieram a lume estatísticas do ensino compiladas pela OCDE. Os nossos jornais, cumprindo a sua missão, desataram a publicar títulos meio escandalizados meio perplexos, porque uma dessas estatísticas revela que em Portugal, o numero total de alunos de todos os níveis de ensino divididos pelo numero total de professores conduz ao valor de 8 alunos por professor, dos mais baixos existentes no espaço da OCDE.
Baralhação total : começaram aí os nossos jornalistas a tecer considerações, espantando-se que esse numero seja tão baixo enquanto que, ao mesmo tempo, o racio do numero de alunos por turma seja tão elevado ! Um deles ( desses jornalistas ) comenta mesmo que tal se poderia entender se os nossos professores trabalhassem pouco, mas um outro indicador divulgado sustenta precisamente o contrário ! Óh espanto ! Óh maravilha das estatística !
Então ? Em que ficamos ? Porque é que então, entre nós, existe um racio tão baixo de alunos por professor ? Há alunos a menos ? Há professores a mais ? Hummm ... que acha, leitor ?
Uma pista ... professores a mais, provavelmente, mas a mais em relação a quê ?
Que tal pensar que, na estrutura do nosso ensino ( e em quase todo o mundo, com excepção dos níveis etários mais baixos no ensino ), a cada disciplina/cadeira corresponde um professor ? E se há professores a mais, muito provavelmente, é porque o numero de disciplinas/cadeiras individualizadas é muito elevado, em média ? Idem para as respectivas cargas horárias semanais ? Que tal fazer as contas por aí ? Numero de disciplinas, carga horária de cada disciplina, numero de horas nos horários dos alunos,etc ... ?
Dito de outra forma mais simples : se o leitor agarrar em duas turmas de alunos, uma nos EUA e outra em Portugal, se a turma americana tiver uma carga horária semanal igual á portuguesa mas com apenas 7 disciplinas, enquanto a portuguesa tem 10 disciplinas, cada uma dessas disciplinas exigindo um professor diferente, em qual dos sistemas é que vão existir mais professores ? Qual dos sistemas dará um racio de menos alunos por professor, hem ? E já reparou, neste exemplo, que a turma americana até poderá ( e tem, por norma ) ter menos alunos que a portuguesa ?

Não seria honesto fazer primeiro essas contas e tentar perceber depois os tais 8 alunos por professor ? É que, se desligarmos esse indicador destes outros valores, ele não vale nada, porque não está relacionado sequer com o numero de alunos que cada professor, em cada momento, tem diante de si ao mesmo tempo para lhes ensinar algo ( a turma ) ...
Nestas coisas como em outras, exige-se seriedade na análise dos valores e não aquilo que se vê neste nosso país que é esgrimir estatísticas para tentar ter razão e atirar poeira aos olhos dos outros. Ou então, ignorância e/ou falta de hábito de raciocinar.

PS : as especulações por mim efectuadas neste comentário NÃO foram precedidas de nenhum estudo sobre a maior ou menor diversidade das matérias existentes nos currículos dos diferentes graus do nosso ensino. É apenas, como dizem os americanos, um “educated guess”, um palpite com o mínimo de ponderação.
Claro que poderíamos igualmente falar na taxa de horas úteis lectivas nos horários dos professores, claro que teríamos também de averiguar quem executa as actividades burocráticas e administrativas nos restantes países da OCDE ( em Portugal, muitas são feitas pelos professores ), claro que ... muitas outras coisas. Mas aposto que aquilo que lhes indico como possível razão é um bom principio de estudo !

sexta-feira, agosto 29, 2008

ACABAR COM A DESCOORDENAÇÃO ... DESCOORDENANDO AINDA MAIS !

Existe a PSP, com o seu Director Nacional, a GNR, com o respectivo Comandante Geral, a PJ mais o Director também Geral ou Nacional, o SEF , com o seu responsável máximo, o Gabinete de Coordenação da Segurança, com um General do Exército, o Ministros da Justiça, que tutela a PJ, o Ministro da Administração Interna, que manda na PSP e GNR , o Procurador-Geral que não se sabe em quem manda mas que usa a PJ ... e, pelos vistos, nenhuma destas Entidades coordena nada, nem há troca de informação nenhuma entre as mesmas, é agora preciso inventar uma outra Entidade ao lado destas todas que se chama o Secretário-Geral da Segurança, com a categoria de Secretário de Estado !

Brilhante. Excepcionalmente bem visto. Perante uma situação de descoordenação óbvia, por excesso de protagonistas, falta de linhas claras de comando, responsabilidades sobrepostas e desfuncionalidades flagrantes ... responde-se com a criação de uma nova instância, com funções dúbias e categoria hierárquica manifestamente insuficiente.

Neste meu País ainda se vê disto todos os dias : aquilo que qualquer aprendiz das artes da organização aprendeu é desprezado pelos homens e mulheres que elegemos para nos governar.
Aquilo que em qualquer País decente já existe há séculos, uma base de dados criminal partilhada por todas as Forças de Segurança, entre nós ainda não existe, apesar de já prevista em legislação anterior a esta em vários anos.
Agora, sim, com um senhor Juiz Conselheiro escolhido para o novo cargo ( seja quem for a pessoa em concreto ) , essa situação vai mudar : todas as polícias vão passar a funcionar coordenadamente e a informação vai estar ali prontinha e à mão de quem dela precisar !

Bem visto, meus senhores. Assim dá gosto ser eleitor e cidadão neste País.

sexta-feira, julho 04, 2008


OBRAS EM CASA ?
Ando há meses ( muitos ! ) a fugir do momento em que tenho mesmo de fazer obras em casa. Preciso de pintar paredes e tectos, gostava de colocar pavimento flutuante, queria aproveitar para mudar os mosaicos da cozinha e, já agora, os armários todos da mesma cozinha. No fundo, nada de complicado, dito assim.
O problema é que tenho a casa cheia de móveis e bugigangas e as obras vão obrigar a mudar tudo de sítio, tipo puzzle, enquanto que eu serei obrigado a emigrar, ainda não sei bem para onde. Esta perspectiva aterroriza-me, comodista que sou e amante do meu bem-estar primário. Terei de ir para casa da minha filha, entretanto ? Vou para um hotel ? E tirar aqueles livros todos das estantes, para as poder mover ? E a bonecada, tipo bibelots ? Oh que ganda seca !
Que me dizem a isto os leitores ? Sugestões ? Críticas ?
Alguém me quer acolher ?
Eh eh eh eh ...

sábado, junho 28, 2008

ENVELHECER NUM MUNDO DECRÉPITO

Faço hoje 65 anos. Não faço ideia nenhuma como aconteceu isto, não me lembro de nada, ainda ontem andava no Liceu. Se querem saber, acho que isto é um sonho, ou melhor, um pesadelo. Quando acordar, tudo estará na mesma e eu terei 40 e tal anos, se tanto.Pode lá ser, tantos anos, sessenta e cinco ! Se for verdade, é uma grande injustiça. Que chatice, ainda por cima sou obrigado a festejar. Festejar ?? O quê ? Ter chegado aqui e não ter morrido antes ? Mas isso deve ser festejado ? O que há para festejar, esta minha idade é a velhice, a idade em que ficamos transparentes, até as mulheres nos sorriem e tudo, dizendo com os olhos que velhote simpático ... Mas há mais, muito mais.Chega um homem a esta idade e o que vê ? Um mundo bonito, feliz, onde se possa descansar tranquilamente e deixar a velhice entrar em nós ?Não, o que vejo á minha volta é um mundo doido, desgovernado, um mundo em regime de pilhagem acelerada.O petróleo nos 140 dólares, 71% das ordens diárias de compra são especulativas e todos encolhem os ombros; o Oceano Ártico em degelo acelerado, teme-se que este Verão se derreta a fina camada de gelo sobre as suas águas e ninguém faz nada ; a Siemens diz que vai despedir 15.000 pessoas e todos pensam "não é nada comigo" ; no Zimbabué, o ditadorzeco faz o que quer, corre com a oposição vencedora e a ONU nem sequer um papel consegue escrever ...Aparentemente, ninguém, nenhum Governo, nenhuma organização pode ou quer fazer nada. NADA. Mas para que pagamos nós a estes gajos todos se nenhum deles resolve seja o que for ? É como se tudo fosse inevitável. Como se já estivéssemos todos condenados. É desesperante, porra, chega um homem aos 65 anos e o que vê é um mundo de interesses, um mundo de dinheiro e ganância, um mundo sem deus, nem esperança nem amanhã. ...Sabem uma coisa ? É pela negativa, bem sei, é egoismo, também, mas que hei-de fazer ? A ideia é perturbante ( tenho uma filha e gente de quem gosto ) mas tentadora : chegar á velhice num mundo destes talvez nem seja mau de todo. Menos coisas lamentamos perder, menor será a dor da partida.
PS - que ideia parva esta minha última ... desculpem-me, é a esclerose a atacar !

sexta-feira, junho 20, 2008

A DESGRAÇA DA CLASSE MÉDIA

Nos ultimos anos, quando se fala em políticas sociais, tornou-se moda virar a atenção exclusivamente para “os mais desfavorecidos” ou para “os sectores mais vulneráveis”. Á partida, parece uma boa ideia, os ricos não têm problemas e os assim-assim podem bem com esta ou aquela subida de preços.
Oferecem-se rendimentos mínimos a quem pouco tem, garantem-se subidas nas pensões abaixo de um certo valor, beneficiam-se os juros de quem tem rendimentos abaixo de um certo limiar, oferecem-se benefícios aos pescadores, depois aos camionistas, em breve aos taxistas, sei lá a quem mais ...
Parece tudo justo, não parece ?
Mas é um jogo perigoso. Quem define as fronteiras ? Quem decreta “tu precisas, tu não precisas” ? Que espécie de justiça é esta que exclui milhões de pessoas, pressupondo á partida que estão e ficam bem, que podem suportar os custos ?
De há muito que sucessivos governos brincam aos robins dos bosques, mas este então tem sido fértil nesta perigosas e demagógicas políticas pseudo-sociais.
A verdade é que os estratos populacionais ditos da classe média estão cada vez mais empobrecidos, cada vez mais esquecidos. A verdade é que esta forma de olhar a sociedade é falsa e, no nosso caso, apenas proporcionou cobertura política a um desenfreado processo de sobre-enriquecimento das classes médias-altas e altas. Como contraponto político, como que para fazer esquecer o “gamanço” desavergonhado, lá vinha o interesse pelos “mais desfavorecidos”. Reparem bem, por exemplo, como Sócrates se defende quando o criticam por governar á direita ... Lá salta o complemento ás pensões mais miseráveis, lá aparece o abono de família, etc ...
Rejeito uma política social feita de migalhas, feita de mentiras, onde os muito pobres são apenas mantidos no limiar da fome e toda a outra gente da classe média é esbulhada em nome do sobre-enriquecimento dos poderosos.
Chega de mentiras e de hipocrisia. Chega de roubos, é isso que tem acontecido.
Quero uma sociedade onde todos possam ter dignidade, onde todos possam ter uma vida razoável, onde os imensos lucros das petrolíferas sejam taxados e essas taxas sejam colocadas ao serviço de todos e não só de pescadores, taxistas e camionistas.
Chega, estou farto de ser considerado como condenado a estiolar e a esperar que acabe por ser considerado, no fim da minha vida, como “sector mais desfavorecido” ...
Que é, afinal, o que nos espera a todos se não quebramos esta política anti-classe média, levada a cabo por aprendizes de feiticeiro ao serviço dos grandes interesses.

quarta-feira, junho 11, 2008

AS SOLUÇÕES HABILIDOSAS DESTE GOVERNO !

Vejam só esta maravilha : que medidas propôs o Governo à ANTRAM e aos outros transportadores para desbloquear as acções de paralização que, como sabem, têm como origem o preço exorbitante dos combustíveis ?
Entre outras, relacionadas com a dedução dos custos com o combustível em sede de IRC, o Governo propôs-lhes a introdução de uma fórmula automática que aumentará o preço a cobrar pelos serviços de transporte em função do custo do gasóleo !
Boa ! Bem visto !
Ou seja, se porventura o leitor ainda não percebeu : o Governo aplacou os transportadores deixando-os atirar automaticamente os aumentos do gasóleo PARA CIMA DE NÓS !
Brilhante. Devia ser esta a solução a que Sócrates aludia ontem, ao afirmar que a ajuda a prestar aos sectores prejudicados não poderia por em causa o bem colectivo.
Pois, assim também eu resolvia bem os problemas todos : atirava sempre os custos para cima de nós.
Cabe então aqui a pergunta : e nós, simples cidadãos, que podemos fazer para defender os nossos direitos ? Que estradas podemos cortar ? Que abastecimentos podemos interromper ?
Só vejo uma solução : podemos interromper o fornecimento de votos a um Governo como este. Bem o merece.
‘Bora fazer isso ?

sábado, junho 07, 2008

A QUEM INTERESSA A ESPECULAÇÃO NO PETRÓLEO ?

Para que serve lamentarmo-nos sobre a escalada vertiginosa do preço do petróleo ? Porque é que algumas pessoas só agora descobriram o mundo miserável em que vivemos ? Porque é que, durante tanto tempo, essas pessoas distraidas desculparam e entenderam os arautos do neo-liberalismo, os feiticeiros dos mercados pseudo-livres ? Porque é que, desde há muitos anos, presenciámos cenas vergonhosas nos mercados financeiros com um encolher de ombros ?

Saberão os leitores que, neste momento, circulam nas águas de todo o Mundo, gigantescos petroleiros carregados de crude, a aguardar o seu destino, sem saberem muito bem a sua rota final, a aguardar pela indicação do comprador ? Saberão os leitores que a mansa tremenda de investidores financeiros não produtivos ( não criam realmente nada, a unica coisa que fazem é comprar, contribuir para a elevação dos preços e vender, depois ) se atiraram ao petróleo como um bando de gatos a bofe, comprando quantidades tremendas e esperando, apenas, até que dois dias depois o vendem com o lucro líquido de milhões de dólares ? Essas compras fictícias ( porque esse bando não quer o petróleo, realmente ) reduzem a quantidade de petróleo disponível, fazem aumentar os preços e depois ... é só vender !

Mas então, dirão os leitores, se o processo é esse – é-o sem duvida, em grande parte da realidade ! – não seria relativamente fácil acabar com essas compras especulativas de petróleo, num mundo de gente séria ? Por exemplo, aceitando apenas compras de petróleo a pessoas credenciadas, representantes das refinadoras ? Por exemplo, taxando muito fortemente as mais valias provenientes desta especulação com o petróleo ?

Claro que sim. Então porque não é feito ?

Ah, caro leitor, aí somos conduzidos para o que de pior o ser humano possui. No mundo moderno, pouca gente se move pelo interesse comum, como se calhar já percebeu. E então, o que tem isso a ver com o petróleo ?
Tudo.
Quem se poderia opor a estas especulações com o petróleo ?
Os governos, claro, e os organismos internacionais, também.
Mas quer saber uma coisa, leitor ? São esses mesmos governos e organismos que estão a ganhar milhões, também, com estes preços do petróleo. E as refinadoras. E as distribuidoras. E as grandes empresas de comercialização. E as cleptocracias normalmente no poder dos países produtores de petróleo. E os outros países produtores de petróleo. Toda esta gentinha anda deslumbrada com este acréscimo gigantesco de receitas, caramba !
Já viu alguém, caro leitor, dar tiros nos próprios pés ? Acha que os governos vão fazer algo contra isto ? Ahhhhhhhhhhhhhhh .....

Sabe, leitor, qual seria a unica coisa a obrigar os governos – todos os governos – a intervir nesta matéria ?
O mesmo de sempre. Todos nós, as vítimas, unidas e furiosas, nas ruas a gritar contra eles. Todos nós a dizer claramente que não queremos aceitar este jogo sujo, viciado.
Todos nós a gritar, ao mesmo tempo : “PAREM A ESPECULAÇÃO, JÁ !”
De outra forma, todos os Sócrates do Mundo vão permanecer surdos e cegos, acredite.
Afinal, eles nem sequer andam nos seus carros e ainda recebem uns milhõezitos adicionais para os seus orçamentos ...

terça-feira, junho 03, 2008

MITOS E MENTIRAS

Os hábitos actuais de vida e de comunicação em sociedade estão completamente cheios de meias-verdades, falsidades, lugares comuns e mitos. Não conheço o panorama dos outros países europeus, mas quanto a nós, nunca imaginei que se pudesse DESCER tanto na escala da qualidade.
Querem ver algumas preciosidades ?

- O mito das médias europeias. ( a má estatística como mentira ao serviço da ilusão )
Nos ultimos tempos, em tudo o que é meios de informação e sobretudo a nível do discurso laudatório do Governo, são usadas todos os dias comparações dos preços praticados em Portugal com as médias europeias. Ah, a gasolina não é das mais caras da Europa ... afinal é só 20 e poucos cêntimos mais cara que em Espanha.
Os bens alimentares não subiram tanto em Portugal como no resto da Europa.
Um bilhete de cinema em Portugal não é caro, é igual ao de Paris ...
E por aí fora.
Quem usa estes indicadores está a fazer passar gato por lebre, está a querer enganar os portugueses. São mentiras ! São balelas ! A gasolina em Portugal para estar ao mesmo preço da França ou da Alemanha teria de ser MUITO mais barata ! Não me interessa o valor absoluto dos preços, interessa-me sim o esforço financeiro que tenho de fazer para comprar essas coisas, com os salários portugueses. Os preços não deviam ser comparados em valor absoluto mas sim corrigidos em função dos índices de poder de compra !
Assim, não vale !

- O mito do populismo. ( a tentativa de calar a verdade pelo agitar de um chavão )
Os gestores portugueses das grandes empresas ( sector privado e do Estado ) auferem vencimentos totalmente desproporcionados aos dos restantes sectores da vida nacional ? Populismo ... populistas é o que estes gajos sabem ser ! Que é que queriam ? Que deixássemos fugir os melhores gestores ? Que lhes oferecessemos tuta e meia ?
A sociedade portuguesa é das mais desequilibradas da Europa, as diferenças são colossais entre sectores populacionais ? Lá vem o Paulinho das Feiras outra vez ... que querias tu ? Que alinhassemos pelo cavador alentejano ? Ai estes populistas !


- O mito da responsabilização indevida ( a tentativa de evitar vozes críticas )
Então o gajo é do nosso Partido e nada pr’aí a dizer umas coisas contra o nosso Governo ? Eh pá, o gajo é indecente, é um irresponsável. Há que estarmos unidos nesta fase dificil. Temos a razão do nosso lado, não endireitamos aquela coisa do déficit ? Que mais queriam estes gajos ?

- O mito do défice público. ( a grande desculpa do neo-liberalismo bacoco )
Provavelmente, este é o maior dos actuais mitos. Lembro-me de que,com Cavaco, na época do “betão” das autoestradas, o défice chegou a ser de 9%. Era preciso investir, andar para a frente. Era o chamado défice virtuoso.
Depois, o Euro veio impor o limite máximo anual de 3%, para que a solidez da moeda fosse constante e credível. Agora, só por causa disso, inventou-se a teoria económica da bondade do défice pequeno ou nulo. Já não há défices virtuosos, todas as medidas são boas para atingir os 3% ou menos. É preciso baixar os rendimentos do trabalho dos funcionários públicos ? Baixem-se. É preciso cortar nos custos da defesa e da segurança interna ? Corte-se, os gajos que andem menos de carro e de avião e de navio ! É preciso estrangular os profs ? Fechar umas maternidades e centros de saúde ? Faça-se !
O importante é o défice pequeno, mesmo que já não exista povo para o admirar !

-O mito da indispensabilidade dos partidos políticos. ( ai que vou levar dos democratas todos ... )
Os partidos políticos são indispensáveis à democracia, sem eles seria o populismo, o caudilhismo, a anarquia. Sim, está bem, aceito que tenham um papel importante na sociedade.
Mas não estes que temos.
Estes que temos são uma merda, desculpem. Repositórios dos piores tiques da nossa vida actual. Inchados e putrefactos de carreirismo, de nepotismo, de oportunismo. Vi-os nascer e hoje não são uma sombra do que já foram. Nunca foram organizações isentas de mácula, claro, mas hoje ...
Estão tão desacreditados, hoje, os partidos políticos que sempre que algum dos seus líderes locais é impedido de concorrer a eleições em nome desse partido, por motivos de ética política ou moral ... acaba por ser eleito como independente. Lembram-se do Major, da Fátinha, do Isaltino ? Pois é ... Os partidos mentiram e aldrabaram tantas vezes os portugueses que agora já não adianta, já ninguém acredita neles, mesmo quando têm razão.

Poderia continuar ad-infinitum. Mas já estou cansado, é muito deprimente escrever sobre estes temas. Deprimente ... e populista !

sexta-feira, maio 16, 2008

DA CRISE MUNDIAL Á ASAE, TUDO É SURREALISMO PURO !

Quando reflicto um pouco sobre a forma como a vida económica está organizada, neste nosso mundo moderno, acabo sempre por ficar com uma sensação de fúria e de impotência. Mas também fico sempre com a ideia de que tudo isto é surreal, de que ninguém sabe muito bem como é que a coisa funciona nem o que vai acontecer num futuro próximo.
Há crise ? É o sector financeiro ? Há especulação com o petróleo e com os cereais ? Há tipos, grupos, empresas a usar o petróleo e o arroz como quem compra e vende acções ? Quem está a provocar o quê ? O mercado funciona mesmo livremente ou é apenas uma grande balela, todos estas variações são provocadas pela mão humana ?
É que, ao acompanhar diariamente estas odisseias, surge-me sempre a sensação de inevitabilidade, como se nada pudesse ser feito para evitar estes descalabros. Então foi este caos completo a que o neo-liberalismo nos conduziu ? Onde estão agora os arautos da desregulação e da liberalização ? A menos que estejam a comprar e vender arroz e trigo ...
Bom, mas voltemos ao assunto : então não se pode fazer nada ? Vamos assistir a fomes, desempregos, misérias várias, com um encolher de ombros ? Vamos continuar a tolerar a rapinagem, a podridão, a corrupção sem limites, a especulação desenfreada ? Oh, triste condição a de ser lúcido e impotente, antes não perceber nada do que se está a passar...
Pois bem, no meio de tudo isto, prossegue a actividade imbecil da ASAE. Imbecil porque paranóica e cega. Como se vivessemos num mundo a caminho da perfeição. Como se os nossos problemas fossem as colheres de pau ou o sistema H não-sei-quantos da gestão da refrigeração dos alimentos. Um destes dias, aplicaram uma coima de 15.000 e tal euros a um desgraçado dono de um barzito algures neste Portugal maluco ... Ahhhhh, mas afinal parece que foi engano, não era bem aquilo ...
Meu Deus, já não há paciência para aqueles tipos.
Já nem sei porque fui agora buscar a ASAE.
Talvez porque pior que sofrer todas estas convulsões da economia mundial seja aturar as diatribes e prepotências dos pequenos títeres, de ares vagamente mussolinianos, cheios de um afã enorme de mostrar serviço e prosseguir carreira ...

quarta-feira, maio 14, 2008

NINGUÉM TRAVA ESTES GAJOS ?

Leitor, aqui fica o aviso, muito sério : o capital financeiro ( e algum do outro, também ) perdeu totalmente a inibição e a vergonha e os mecanismos de controlo estão a revelar-se incapazes ou inexistentes. Uma enorme avalanche de desgraça e miséria está ( e ainda vai piorar ) a abater-se sobre todos nós. Não sei em que momento estes gajos tomaram o freio nos dentes, em Portugal e no resto do Mundo, mas o ataque é frontal, descarado e sem tréguas. Todas as frentes de ataque foram abertas, os homens sem rosto estão a armadilhar completamente os nossos caminhos : os juros sobem diariamente, as matérias primas principais também, a inflação começou o seu ciclo vicioso, a extorsão é vertiginosa.Notem isto, a título de exemplo : os lucros da BP em Portugal, no 1º trimestre deste ano, cresceram 63% em relação ao trimestre homólogo de 2007. Hem, nada mau, hem ? O aumento do preço do petróleo é tanto e ainda dá para este acréscimo de LUCROS ? Não é óbvio ? A matéria prima sobe 10 e eles reflectem 20 no consumidor !!
Não há mesmo nem vergonha nem quem os obrigue a tê-la.
Estamos entregues aos bichos.
QUEM VAI TRAVAR ESTES GAJOS ?

domingo, maio 11, 2008


OS SALVADORES E OUTROS ARTISTAS

Hoje está um daqueles dias estranhos, cinzentos e infelizes.
Ainda por cima, acabei de ler o PÚBLICO, o que significa que fiquei com um nó no estômago. Há dias assim, cinzentos por fora e por dentro.
Já repararam como vai o mundo ? Zimbawé, Myanmar, para os que gostam do exotismo e da aventura, o nosso Portugal, para os mais comodistas que preferem a excitação local.
Traço comum ? O despudor, a inesgotável sede de poder, a enorme capacidade de avidez e rapinagem do ser humano. Descanse o leitor, não irei fazer nenhuma teoria geral da podridão humana. Apenas notar, uma vez mais, o que a ganância provoca no género humano.

Por cá, neste pequeno circo doméstico, nem sequer o pecado é grandioso. Como sempre, limitamo-nos a uma espécie de loucura mansa, tipo regresso de Santana Lopes-III ou o tabú de Alberto João Jardim.
Pior, sem dúvida, é a espécie de benemerência compulsiva de salvação nacional em que Sócrates se especializou. Não sei quem convenceu aquele ilustre senhor dessa sua qualidade, mas não há dia que passe sem mais uma das suas medidas salvadoras.
Indiferentes à salvação, obviamente distraidos, cada vez é maior o número dos novos pobres da classe média que não podem mais pagar as suas casas, ou uns litritos de gasolina para a carripana em segunda mão.
Medidas mal explicadas ao povo, sugerem os bem intencionados que acreditam em Sócrates...Pois, comento eu : como é que raio vão explicar a essa gente o que lhes está a acontecer ? Acham que eles vão aceitar as explicações ?

Tenha um bom resto de domingo, leitor. Se puder, emigre e ponha-se a salvo destes salvadores.

segunda-feira, maio 05, 2008

PARA QUE RAIO SERVEM AS NOSSAS VIDAS ?

Qual é o sentido das nossas vidas ?
Atingir aqueles grandes objectivos profissionais com que sonhámos, quando jovens e ingénuos ?Alcançar a riqueza e o bem estar material ? A notoriedade, a fama ?Praticar o bem, espalhar a ajuda e consolação ?
Qual é o sentido profundo da nossa vida ?
Ah, queriam uma resposta, não era ? Pois, também eu. Queriam, mas não vão ter essa resposta.
Ao fim destes anos todos, apenas vos sei dizer assim : se quisermos uma resposta, cada um de nós tem que a descobrir. Não há uma resposta padrão, acho eu.
Nem mesmo uma daquelas respostas vazias tipo "o nosso grande objectivo é concretizar a felicidade", porque então a pergunta aí muda e passa a ser : "O que é a felicidade ?".
Estão a ver o imbróglio ? Não há ajudas, a tua resposta não serve para mim e a minha não te vai satisfazer.

Para mim, o sentido da minha vida muda como o vento ou a temperatura.
Tempos houve - parvo que eu sou - em que pensei que o amor fazia sentido, o amor podia ser tão forte que desse significado á minha vida.
Depois, as coisas mudaram e passou a ser a política : toda a minha vida ganhava cor e sabor se ajudasse á mudança, á criação de uma sociedade mais justa e fraterna. Tretas, de novo : vi pessoas passarem de pobres dignos a novos ricos mais miseráveis que antes. Vi a minha incapacidade e ineficácia nessa tarefa gigantesca de antecipar o tempo, de mudar pessoas e comportamentos. Desisti, confesso, entrego ao tempo a mudança.
Houve também um tempo para me sentir místico, religioso, para entrar e me sentar numa qualquer igreja e ali estar, sentado, calado, tentando ouvir ou ver a verdade ou a bondade ou fosse o que fosse.
Tentei as artes, a literatura, as engenharias, a informática. Nada.
O prazer, o sexo, a boa comida. Que sentido pode existir nisso tudo ?
Também passei pela guerra - embora essa não tenha sido escolha minha - essa grande mestra da natureza humana e das grandezas e indignidades a ela associadas.
Nada me deu respostas. Continuei sem saber muito bem o que ando para aqui a fazer.
Bah ... tornei-me cínico, claro.
Agora, vou ajudando a minha filha nos inevitáveis desaires da sua vida, vou ajudando uma ou outra pessoa minha amiga, mais por incapacidade de fuga do que por vocação missionária, creio eu.
É este o sentido da minha vida ? Ou, pura e simplesmente, não haverá sentido nenhum para as nossas vidas e elas devem ser vividas descontraidamente, sem preocupações de chegar a lado nenhum ?
Ou, por outro lado, o grande sentido da vida está nas pequenas coisas como ouvir o miado matinal de saudação da minha gata ou dar um abraço a um amigo, borrifando-me totalmente para os grandes e poderosos e para as suas ridículas manias de salvadores do mundo ?
Gosto desta.
O sentido da vida está no sabor das pequenas coisas.
Fiquem-se com esta.

segunda-feira, abril 28, 2008

A ESPERANÇA E A PRODUTIVIDADE

Ser dinheiro antes de ser humano, ter olhos em cifrão, vender fome e morte a baixo custo. Inventar deuses inexistentes ou irresponsáveis. Alienar principios, bondade, verdade.
Correr depressa, sempre cada vez mais depressa , fomentar sempre a competição. Fabricar perdedores obrigatórios. Crescer sempre para ganhar.
Produtividade, religião moderna : vamos todos para a China , lá trabalha-se muito e come-se pouco, apenas uma malga de arroz, abençoada globalização, agora quero ver os sindicatos ...
Possuir, possuir, cada vez mais, que se lixem os deserdados, que façam pela vida, são um bando de preguiçosos ...
Estou preocupado, contudo : a esperança fugiu daqui ! E na China também não a vi ... poderei continuar a ganhar assim tanto sem a esperança ao lado dos meus escravos ???

quinta-feira, abril 24, 2008

OBRA JOCOSERIA ...



Há algo em Portugal que eu nunca entendi, confesso. Já vivi em outros países por tempo suficiente para perceber que é algo de profundamente lusitano. E também profundamente pernicioso. Dir-se-ia algo entre o masoquismo e o narcisismo ao contrário.Sabem do que falo ?


Deste sentimento tão português de descrença, de cinismo, de fatalismo, de miserabilismo.Mas não é tudo. Para lá desta mescla de sentimentos enviesados nota-se algo ainda mais surpreendente : um certo gosto pelo trágico-cómico, pelo teatro burlesco. Como entender de outra forma o apelo de Menezes a Jardim para se candidatar a lider do PSD ? Ou a intenção de Santana de se candidatar ?Confesso : não entendo este meu país. A parvoíce, a mediocridade e a desvergonha andam à solta ... ou sou eu que já não percebo nada de nada ?Alberto João Jardim, para lider do PSD ? Eh, eh, eh, eh ... este Menezes é um ponto. A menos que fosse para mostrar ao Mundo que no PSD ainda há piores que ele, no domínio das ideias tontas. Meu Deus ... E é com gente desta que podemos contar para fazer frente a Sócrates ? Sabem o que é pior ? Um destes dias começo a pensar que Sócrates deve ser um génio, de facto, neste país "exíguo", como lhe chama, apropriadamente, Adriano Moreira.
Exíguo de valores humanos.
Exíguo de sensatez.

Que havemos nós de fazer deste nosso País ?