O VOTO NO PURGATÓRIO
As eleições aproximam-se. Começa a ser tempo de fazer uma escolha. O problema é que estou mais dividido que nunca, nesta história das eleições.
Se o voto fosse contra, não teria nenhuma dúvida : Santana Lopes foi um erro trágico para o país e para o PSD, não tenho qualquer hesitação em repudiar esse nome. Oxalá que o resultado das eleições obrigue mesmo Santana Lopes a demitir-se da presidência do seu partido, seria um alívio.
Acabam aqui as minhas certezas, porém.
Votar PS ? Contribuir para a maioria absoluta ? A verdade é que não tenho confiança nenhuma naqueles homens do PS, tão depressa são capazes do melhor como a seguir borram a pintura toda e acabam por ser mais liberais que a própria direita. De resto, o engº Sócrates dá-me uma impressão tremenda de pouca solidez política e económica, acho que ele se viu no papel de Primeiro-Ministro depressa demais. As pessoas que o rodeiam são também as mesmas do tempo do engº Guterres, o que significa que já vimos do que a casa gasta. Não há verdadeiramente lideres naquela equipa, seja o que Deus quiser !
Bem, resta-nos o quê ? O voto num pequeno partido de esquerda como forma de obstar á maioria absoluta do PS e, ao mesmo tempo, contribuir para a derrota do PSD e do PP.
Se me perguntarem se voto descansado no BE, por exemplo, que posso eu dizer ? Admito que os seus dirigentes vieram da “extrema esquerda”, admito mesmo que sejam um pouco folclóricos e sem grande responsabilidade prática política. Admito tudo isso que quiserem. Ainda assim, é gente simpática que, de uma forma geral, se bate por principios que são os meus há dezenas de anos. Pelo menos alguns principios, o que já não é mau.
Por isso, acho que o meu voto vai ser assim : uma espécie de voto no purgatório, já que não há paraíso onde votar e recuso terminantemente votar no inferno ! Tenho dito !
Blogs (Blogues) = crónicas (quase) diárias; registo periódico de factos, opiniões e críticas ; as impressões íntimas, a política, o social.
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
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Vitor Cunha
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2/17/2005 05:22:00 da tarde
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sábado, fevereiro 12, 2005
UMA QUESTÃO DE SOFTWARE EMOCIONAL
Há dias em que sinto no estômago uma bola enorme. No estômago ou no peito, junto do coração ? Seja onde for, é uma bola feita de nada, um vazio frio e concentrado que nada faz passar. Como é que esta bola feita de vazio se apossou de mim ? Em que momento me apanhou desprevenido e se infiltrou ? Será que existe alguma depressão pós-gripe ?
É sábado, são 7.45 da tarde e estou sentado, no meu quarto, a escrever isto. Normalmente, a esta hora, sairia de casa para jantar e ver um filme. Hoje, vou ficar a carpir a minha solidão, mesmo que essa solidão tenha sido por mim procurada. Quando estou realmente em baixo, faço sempre isto, desde criança : uma espécie de cura pelo excesso da causa do mal. Ou então sempre fui masoquista sem o saber, sei lá.
Sabem afinal qual é a verdade ? É que eu nunca mais fui capaz de estabelecer uma relação minimamente estável e satisfatória com uma mulher, desde que fiquei viúvo. Pensei várias vezes que sim, mas não sou capaz. A sensação de insatisfação, de falta, de cansaço, acaba sempre por surgir. Não por culpa delas, as mulheres, bem generosas e gentis , por norma. Culpa minha, exclusiva. Há qualquer pequeno desajuste interno, no meu software, de certeza. E o pior é que já ninguém sabe reparar software destes, isto é ainda anterior ao MS-DOS, imaginem !
Sabem que mais ? Acho que vou ter de aprender a viver com este vazio no estômago ou no coração ou lá onde é ... até que o software ou qualquer peça de hardware estoirem de vez !
Há dias em que sinto no estômago uma bola enorme. No estômago ou no peito, junto do coração ? Seja onde for, é uma bola feita de nada, um vazio frio e concentrado que nada faz passar. Como é que esta bola feita de vazio se apossou de mim ? Em que momento me apanhou desprevenido e se infiltrou ? Será que existe alguma depressão pós-gripe ?
É sábado, são 7.45 da tarde e estou sentado, no meu quarto, a escrever isto. Normalmente, a esta hora, sairia de casa para jantar e ver um filme. Hoje, vou ficar a carpir a minha solidão, mesmo que essa solidão tenha sido por mim procurada. Quando estou realmente em baixo, faço sempre isto, desde criança : uma espécie de cura pelo excesso da causa do mal. Ou então sempre fui masoquista sem o saber, sei lá.
Sabem afinal qual é a verdade ? É que eu nunca mais fui capaz de estabelecer uma relação minimamente estável e satisfatória com uma mulher, desde que fiquei viúvo. Pensei várias vezes que sim, mas não sou capaz. A sensação de insatisfação, de falta, de cansaço, acaba sempre por surgir. Não por culpa delas, as mulheres, bem generosas e gentis , por norma. Culpa minha, exclusiva. Há qualquer pequeno desajuste interno, no meu software, de certeza. E o pior é que já ninguém sabe reparar software destes, isto é ainda anterior ao MS-DOS, imaginem !
Sabem que mais ? Acho que vou ter de aprender a viver com este vazio no estômago ou no coração ou lá onde é ... até que o software ou qualquer peça de hardware estoirem de vez !
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Vitor Cunha
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2/12/2005 08:34:00 da tarde
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sexta-feira, fevereiro 11, 2005
PERDI UMA GRANDE OCASIÃO DE ESTAR CALADO !
Lamentei-me eu, no meu ultimo escrito, que tinha uma gripe de meias tintas, que não era nem deixava de ser ... Melhor seria ter estado calado, acabei por estar toda a semana em casa, com febre e uma infecção nos brônquios. Ora toma.
A febre não foi muito alta, mas ainda assim não consegui dormir muito bem. O que significou ver quase tudo no canal AXN, Discovery, Odisseia, SIC Mulher, eu sei lá ...
Hoje, sinto-me renascer pouco a pouco.
Veremos amanhã de manhã.
Lamentei-me eu, no meu ultimo escrito, que tinha uma gripe de meias tintas, que não era nem deixava de ser ... Melhor seria ter estado calado, acabei por estar toda a semana em casa, com febre e uma infecção nos brônquios. Ora toma.
A febre não foi muito alta, mas ainda assim não consegui dormir muito bem. O que significou ver quase tudo no canal AXN, Discovery, Odisseia, SIC Mulher, eu sei lá ...
Hoje, sinto-me renascer pouco a pouco.
Veremos amanhã de manhã.
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Vitor Cunha
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2/11/2005 10:17:00 da tarde
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domingo, fevereiro 06, 2005
BOLAS, NEM SE PODE ESTAR CALMAMENTE COM GRIPE !
Estou farto de estar em casa. Farto do pingo no nariz, da sensação febril na cabeça, das tonturas quando me levanto da cama. Devia existir uma norma europeia contra as gripes e similares.
Ainda por cima, no meu caso, nem é gripe nem deixa de ser, é esta coisa intermédia, gripe à portuguesa, envergonhada e de meias-tintas.
Mas mesmo assim estou farto, tanto mais que já é a 2ª edição : estive assim na semana passada, fiquei bom e uma semana depois volto ao mesmo, ao chamado pingo reincidente.
Normalmente aproveito estas coisas para fazer uma espécie de balanço pessoal, pensar na minha vida, escolher objectivos para o futuro. Desta vez, porém, não consigo concentrar-me, acho que a vergonha desta campanha eleitoral me perturba. Nem é bem vergonha, é perplexidade e embaraço : como pode alguém escolher, em consciência, dentro desta feira da ladra em que se transformaram as campanhas eleitorais ?
Como pode alguém escolher entre estes fantasmas incorpóreos e ectoplasmáticos ? Que anda Guterres a fazer na campanha ? A desanimar as pessoas ? Não bastava Sócrates ? E Santana Lopes ? Será que a ideia é mesmo afugentar os eleitores do PSD ? E Portas, recentemente promovido a homem de Estado ? São estes os melhores portugueses que a democracia fez surgir para governar Portugal ?? Não há melhor ?
Bolas, meu, nem se pode estar engripado descansadamente neste país : estes candidatos transformam qualquer gripe num pesadelo !
Estou farto de estar em casa. Farto do pingo no nariz, da sensação febril na cabeça, das tonturas quando me levanto da cama. Devia existir uma norma europeia contra as gripes e similares.
Ainda por cima, no meu caso, nem é gripe nem deixa de ser, é esta coisa intermédia, gripe à portuguesa, envergonhada e de meias-tintas.
Mas mesmo assim estou farto, tanto mais que já é a 2ª edição : estive assim na semana passada, fiquei bom e uma semana depois volto ao mesmo, ao chamado pingo reincidente.
Normalmente aproveito estas coisas para fazer uma espécie de balanço pessoal, pensar na minha vida, escolher objectivos para o futuro. Desta vez, porém, não consigo concentrar-me, acho que a vergonha desta campanha eleitoral me perturba. Nem é bem vergonha, é perplexidade e embaraço : como pode alguém escolher, em consciência, dentro desta feira da ladra em que se transformaram as campanhas eleitorais ?
Como pode alguém escolher entre estes fantasmas incorpóreos e ectoplasmáticos ? Que anda Guterres a fazer na campanha ? A desanimar as pessoas ? Não bastava Sócrates ? E Santana Lopes ? Será que a ideia é mesmo afugentar os eleitores do PSD ? E Portas, recentemente promovido a homem de Estado ? São estes os melhores portugueses que a democracia fez surgir para governar Portugal ?? Não há melhor ?
Bolas, meu, nem se pode estar engripado descansadamente neste país : estes candidatos transformam qualquer gripe num pesadelo !
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Vitor Cunha
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2/06/2005 09:55:00 da tarde
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quinta-feira, fevereiro 03, 2005
HISTÓRIA DE UMA FUGA DE ÁGUA ...
Os homens da Câmara entreolharam-se, espantados. Voltaram a olhar para os números do contador de água : mesmo nesse curto espaço de tempo, o ponteiro tinha deslizado um pouco, subrepticiamente. “Não pode ser, Xico, os gajos nunca iam gastar mais de 100 m3 de água em dois meses ! Tem que haver uma rotura dentro de casa !”
E foi assim que acabei por saber. Havia uma rotura na canalização da minha casa do Entroncamento.
Primeira visita ao local do crime : abro a torneira de segurança ( com as torneiras de dentro da casa todas fechadas ) e começo a contar o tempo. Percorro as casas de banho, a cozinha, todo o rés-do-chão, o primeiro andar, as torneiras do quintal ... nem pinga de água que indique a fuga, tudo sêco, tudo calado. Regresso ao contador, vejo o tempo passado, a nova leitura, faço umas contas e pasmo : por dia estava a perder algures cerca de 1.500 litros de água !!! Bem, as minhocas por baixo da casa iam poder ter um lago privativo, pelos vistos.
Recorro á ajuda dos meus vizinhos. Conheceriam eles alguém que trabalhasse em canalizações ? Por acaso sim, ali estavam os numeros de telemóvel, era gente de Ourém, com fama de fazer bom trabalho e apresentar contas decentes.
Uns telefonemas e tudo combinado : viriam primeiro ver, davam-me um orçamento e logo se combinaria o resto.
Adiante, para não desmotivar o leitor.
Segunda visita ao local da fuga ( de água, entenda-se ). Cheguei preparado para passar dois ou três dias aqui. Roupa, livros. Pergunto a mim mesmo como irei tomar banho ... ( acabou por ser com água do poço, tirada para um balde ás 7 da manhã , brrrrrrrr ... )
Lá chegam os homens ( são quatro !! ). Dentro de minutos todo o rés do chão está de pernas para o ar, móveis e máquinas arredadas do sítio, tapetes e carpetes cheias de terra e ferramentas, trinta por uma linha ... Meu Deus !
A coisa vai então ser assim : não se sabe onde se situa a fuga de água, pelo que se vai substituir toda a canalização. E começam a colocar a nova, luzidia, de aço inoxidável, na parede, junto aos rodapés. Mede distância, corta tubo, coloca peça de ligação, curva ou recta ou com uma derivação, faz buraco na parede, óh Orlando corre com ele por trás da despensa, home, fica mais a jeito ...
E a serpente luzidia vai ganhando formas, vão-lhe nascendo bocas, umas para águas frias outras para águas quentes, passa de um lado para outro no corredor, infiltra-se na casa de banho , atravessa para a garagem, sai para o quintal, eu sei lá ...
E a outra, a velha ? Alguém mais vai querer saber dela ? Manchada na sua reputação, causadora da fuga monstruosa, com a mácula de um buraco sabe-se lá onde, por ali fica, escondida nas profundezas das paredes, anónima, envergonhada, sem que ninguém mais se lembre de olhar para ela e de lhe agradecer os 30 anos de bons e leais serviços !
É assim na vida, quase em tudo, sabiam ? As coisas ( e por vezes as pessoas ) valem enquanto prestam serviços úteis, enquanto é económico repará-las ... depois, abandonam-se á sua sorte, arranjam-se outras mais novas e vamos a isto que se faz tarde !
Bem, pelo menos desta vez não vai ser assim : sempre que entrar naquela casa vou recordar-me da velha canalização de água em aço galvanizado e de todas as horas que lá passei com ela, ao longo de tantos anos ... é o mínimo que posso fazer !
Quanto á nova : ai dela se não cumprir bem a sua missão , ainda acabo por chamar a antiga de novo ao serviço, mesmo com fugas e tudo ....
P.S. Esta história trouxe-me coisas boas, apesar de tudo : um banho matinal com água fria do poço, uma bela refeição no Café Central da Golegã ( ah aquelas favinhas com entrecosto !)e outra oferecida pelos meus simpáticos vizinhos, um re-encontro no Entroncamento com um velho amigo dos bancos da Primária ... e tudo isto pela quantia de 1.350 euros ! O pior foi que descobri que o velho esquentador está a dar o bafo, pelo que receio que a saga vá continuar ...Eu dar-vos-ei conta, prometo.
Os homens da Câmara entreolharam-se, espantados. Voltaram a olhar para os números do contador de água : mesmo nesse curto espaço de tempo, o ponteiro tinha deslizado um pouco, subrepticiamente. “Não pode ser, Xico, os gajos nunca iam gastar mais de 100 m3 de água em dois meses ! Tem que haver uma rotura dentro de casa !”
E foi assim que acabei por saber. Havia uma rotura na canalização da minha casa do Entroncamento.
Primeira visita ao local do crime : abro a torneira de segurança ( com as torneiras de dentro da casa todas fechadas ) e começo a contar o tempo. Percorro as casas de banho, a cozinha, todo o rés-do-chão, o primeiro andar, as torneiras do quintal ... nem pinga de água que indique a fuga, tudo sêco, tudo calado. Regresso ao contador, vejo o tempo passado, a nova leitura, faço umas contas e pasmo : por dia estava a perder algures cerca de 1.500 litros de água !!! Bem, as minhocas por baixo da casa iam poder ter um lago privativo, pelos vistos.
Recorro á ajuda dos meus vizinhos. Conheceriam eles alguém que trabalhasse em canalizações ? Por acaso sim, ali estavam os numeros de telemóvel, era gente de Ourém, com fama de fazer bom trabalho e apresentar contas decentes.
Uns telefonemas e tudo combinado : viriam primeiro ver, davam-me um orçamento e logo se combinaria o resto.
Adiante, para não desmotivar o leitor.
Segunda visita ao local da fuga ( de água, entenda-se ). Cheguei preparado para passar dois ou três dias aqui. Roupa, livros. Pergunto a mim mesmo como irei tomar banho ... ( acabou por ser com água do poço, tirada para um balde ás 7 da manhã , brrrrrrrr ... )
Lá chegam os homens ( são quatro !! ). Dentro de minutos todo o rés do chão está de pernas para o ar, móveis e máquinas arredadas do sítio, tapetes e carpetes cheias de terra e ferramentas, trinta por uma linha ... Meu Deus !
A coisa vai então ser assim : não se sabe onde se situa a fuga de água, pelo que se vai substituir toda a canalização. E começam a colocar a nova, luzidia, de aço inoxidável, na parede, junto aos rodapés. Mede distância, corta tubo, coloca peça de ligação, curva ou recta ou com uma derivação, faz buraco na parede, óh Orlando corre com ele por trás da despensa, home, fica mais a jeito ...
E a serpente luzidia vai ganhando formas, vão-lhe nascendo bocas, umas para águas frias outras para águas quentes, passa de um lado para outro no corredor, infiltra-se na casa de banho , atravessa para a garagem, sai para o quintal, eu sei lá ...
E a outra, a velha ? Alguém mais vai querer saber dela ? Manchada na sua reputação, causadora da fuga monstruosa, com a mácula de um buraco sabe-se lá onde, por ali fica, escondida nas profundezas das paredes, anónima, envergonhada, sem que ninguém mais se lembre de olhar para ela e de lhe agradecer os 30 anos de bons e leais serviços !
É assim na vida, quase em tudo, sabiam ? As coisas ( e por vezes as pessoas ) valem enquanto prestam serviços úteis, enquanto é económico repará-las ... depois, abandonam-se á sua sorte, arranjam-se outras mais novas e vamos a isto que se faz tarde !
Bem, pelo menos desta vez não vai ser assim : sempre que entrar naquela casa vou recordar-me da velha canalização de água em aço galvanizado e de todas as horas que lá passei com ela, ao longo de tantos anos ... é o mínimo que posso fazer !
Quanto á nova : ai dela se não cumprir bem a sua missão , ainda acabo por chamar a antiga de novo ao serviço, mesmo com fugas e tudo ....
P.S. Esta história trouxe-me coisas boas, apesar de tudo : um banho matinal com água fria do poço, uma bela refeição no Café Central da Golegã ( ah aquelas favinhas com entrecosto !)e outra oferecida pelos meus simpáticos vizinhos, um re-encontro no Entroncamento com um velho amigo dos bancos da Primária ... e tudo isto pela quantia de 1.350 euros ! O pior foi que descobri que o velho esquentador está a dar o bafo, pelo que receio que a saga vá continuar ...Eu dar-vos-ei conta, prometo.
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Vitor Cunha
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2/03/2005 06:14:00 da tarde
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sexta-feira, janeiro 28, 2005
ACABEM COM OS DEBATES : PONHAM-OS A FAZER COISAS, EM VEZ DE PALAVRAS !
Ontem assisti a mais um debate, na RTP1, desta vez sobre o estado da Justiça, em Portugal. Presentes estavam o actual Ministro, um ex/futuro Ministro (?), do PS, juízes, procuradores, advogados, políticos representantes de cada partido político e até público, aqueles que acabam por pagar tudo e não ver nada em troca.
Eram pessoas inteligentes, todas elas preocupadas em mostrar isso mesmo. Choveram as críticas, foram adiantadas algumas hipóteses de solução. A Justiça não funciona em tempo útil, em Portugal : a culpa é dos códigos, da falta de meios, da ineficácia (??) e falta de gestão dos tribunais, do excesso de acções que não deviam ir parar aos tribunais, da formação dos juízes, da Judiciária que não devia ter autonomia na fase de inquérito, do Ministério Público e de mais trezentas e vinte e nove causas diferentes...
Ri-se, leitor ? Encolhe os ombros, não é ?
Mas é assim que as coisas se passam em Portugal : os nossos diagnósticos das situações são sempre confusos, temerosos dos grupos de interesses, atabalhoados, apontando sempre para uma multidão de causas ... Obviamente, quem quiser fazer alguma coisa fica baralhado e acaba, como sempre, por ter de deixar as coisas na mesma.
Quem não é capaz de apontar apenas duas ou três causas dos estrangulamentos, não será nunca capaz de os resolver. Podem crer.
Esta é uma questão genética na nossa cultura : o nosso gozo está em mexer e remexer nos problemas, discuti-los infindavelmente, analisá-los de cabo a rabo, mostrar como somos cultos e inteligentes, mas ... nada de os resolver. Isso é aborrecido, não é interessante, como diria a ainda ministra da educação.
Todas estas discussões se passam a um nível de grande “elevação”, é tudo gente importante e educada, há verdades que não se podem dizer, tá a ver ??
E depois, o leitor já viu profissionais ( os juízes e outros ) mais alheados do estado das coisas, mais afastados da gestão do seu espaço diário de trabalho ? Comparem com médicos na organização da saúde, com os professores na organização do ensino, com os militares na organização da defesa ... Juízes ? Envolver-se na desburocratização do funcionamento dos tribunais e na organização da Justiça ?
Ná ... eles devem ser independentes, pá... Não devem meter-se nessas coisas, são gente superior, com vencimentos e regalias milionários para o nível português, para quê incomodarem-se ?
Ontem assisti a mais um debate, na RTP1, desta vez sobre o estado da Justiça, em Portugal. Presentes estavam o actual Ministro, um ex/futuro Ministro (?), do PS, juízes, procuradores, advogados, políticos representantes de cada partido político e até público, aqueles que acabam por pagar tudo e não ver nada em troca.
Eram pessoas inteligentes, todas elas preocupadas em mostrar isso mesmo. Choveram as críticas, foram adiantadas algumas hipóteses de solução. A Justiça não funciona em tempo útil, em Portugal : a culpa é dos códigos, da falta de meios, da ineficácia (??) e falta de gestão dos tribunais, do excesso de acções que não deviam ir parar aos tribunais, da formação dos juízes, da Judiciária que não devia ter autonomia na fase de inquérito, do Ministério Público e de mais trezentas e vinte e nove causas diferentes...
Ri-se, leitor ? Encolhe os ombros, não é ?
Mas é assim que as coisas se passam em Portugal : os nossos diagnósticos das situações são sempre confusos, temerosos dos grupos de interesses, atabalhoados, apontando sempre para uma multidão de causas ... Obviamente, quem quiser fazer alguma coisa fica baralhado e acaba, como sempre, por ter de deixar as coisas na mesma.
Quem não é capaz de apontar apenas duas ou três causas dos estrangulamentos, não será nunca capaz de os resolver. Podem crer.
Esta é uma questão genética na nossa cultura : o nosso gozo está em mexer e remexer nos problemas, discuti-los infindavelmente, analisá-los de cabo a rabo, mostrar como somos cultos e inteligentes, mas ... nada de os resolver. Isso é aborrecido, não é interessante, como diria a ainda ministra da educação.
Todas estas discussões se passam a um nível de grande “elevação”, é tudo gente importante e educada, há verdades que não se podem dizer, tá a ver ??
E depois, o leitor já viu profissionais ( os juízes e outros ) mais alheados do estado das coisas, mais afastados da gestão do seu espaço diário de trabalho ? Comparem com médicos na organização da saúde, com os professores na organização do ensino, com os militares na organização da defesa ... Juízes ? Envolver-se na desburocratização do funcionamento dos tribunais e na organização da Justiça ?
Ná ... eles devem ser independentes, pá... Não devem meter-se nessas coisas, são gente superior, com vencimentos e regalias milionários para o nível português, para quê incomodarem-se ?
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Vitor Cunha
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1/28/2005 01:49:00 da tarde
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LIÇÕES RÁPIDAS DE GLOBALIZAÇÃO OU OS CHINESES É QUE SE(NOS) LIXAM !
Na China actual, um operário têxtil trabalha 11 horas por dia, tem apenas um ou dois dias livres por mês e ganha, no mesmo mês, de 20 a 75 euros...
Leu bem, leitor, eu tive cuidado ao escrever os dados.
Note bem, leitor, num mundo em que as barreiras á deslocação de pessoas e bens se esboroam, você, dono de uma fabrica de confecções no vale do Ave, tem duas alternativas : ou inclina-se perante os baixíssimos custos de produção chineses e vai á falência ou ... junta-se a eles e leva a sua empresa para a China, contratando lá estes operários escravizados. Colocando no desemprego os seus actuais operários, cá no vale do Ave.
Já viu bem ? Que raio de beco sem saída é este ?
Como é que a Europa se vai aguentar nesta situação ?
É que, notem bem, já não nos podemos refugiar na ideia que eles não são capazes de produzir com os nossos níveis de qualidade e de incorporação tecnológica ! Não, são as nossas empresas detentoras dessas tecnologias e desses níveis de qualidade que se vão instalar na China, aproveitando também para sugar os desgraçados dos operários chineses.
Este é um problema do caraças, convenhamos. Como é que os nossos países industrializados, em que os direitos sociais fizeram um longo caminho, se calam e não lutam, obrigando os direitos humanos a ser respeitados também na China ?
Seria fácil resolver, não lhe parece ? Proibia-se a entrada de mercadorias oriundas desses países no nosso mundo e pronto, já está ... eles seriam obrigados, na China, a conceder mais alguns direitos aos operários e assim se ia evoluindo.
Porque não é assim ?
Ora, ora, leitor, não se esqueça : as nossas grandes empresas querem poder instalar-se na China, aproveitando aquelas condições de escravidão humana, e, obviamente, também querem depois mandar os seus produtos para cá, para nós comprarmos.
Está a ver ? Se limitássemos a entrada desses produtos estaríamos a prejudicar os interesses dessas grandes empresas ... e quem manda no Mundo, hoje, são elas.
Na China actual, um operário têxtil trabalha 11 horas por dia, tem apenas um ou dois dias livres por mês e ganha, no mesmo mês, de 20 a 75 euros...
Leu bem, leitor, eu tive cuidado ao escrever os dados.
Note bem, leitor, num mundo em que as barreiras á deslocação de pessoas e bens se esboroam, você, dono de uma fabrica de confecções no vale do Ave, tem duas alternativas : ou inclina-se perante os baixíssimos custos de produção chineses e vai á falência ou ... junta-se a eles e leva a sua empresa para a China, contratando lá estes operários escravizados. Colocando no desemprego os seus actuais operários, cá no vale do Ave.
Já viu bem ? Que raio de beco sem saída é este ?
Como é que a Europa se vai aguentar nesta situação ?
É que, notem bem, já não nos podemos refugiar na ideia que eles não são capazes de produzir com os nossos níveis de qualidade e de incorporação tecnológica ! Não, são as nossas empresas detentoras dessas tecnologias e desses níveis de qualidade que se vão instalar na China, aproveitando também para sugar os desgraçados dos operários chineses.
Este é um problema do caraças, convenhamos. Como é que os nossos países industrializados, em que os direitos sociais fizeram um longo caminho, se calam e não lutam, obrigando os direitos humanos a ser respeitados também na China ?
Seria fácil resolver, não lhe parece ? Proibia-se a entrada de mercadorias oriundas desses países no nosso mundo e pronto, já está ... eles seriam obrigados, na China, a conceder mais alguns direitos aos operários e assim se ia evoluindo.
Porque não é assim ?
Ora, ora, leitor, não se esqueça : as nossas grandes empresas querem poder instalar-se na China, aproveitando aquelas condições de escravidão humana, e, obviamente, também querem depois mandar os seus produtos para cá, para nós comprarmos.
Está a ver ? Se limitássemos a entrada desses produtos estaríamos a prejudicar os interesses dessas grandes empresas ... e quem manda no Mundo, hoje, são elas.
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Vitor Cunha
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1/28/2005 01:11:00 da manhã
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terça-feira, janeiro 25, 2005
ELEIÇÕES SIM, MAS ...
Um dia destes, sem qualquer entusiasmo ou esperança, vamos escolher quem nos irá governar nos próximos quatro anos. Para a maior parte de nós, trata-se apenas de dar umas vassouradas naqueles paraquedistas do Santana Lopes & Cia, mas sem grandes ilusões... Não será decerto Sócrates e aquela sua gente ressuscitada e requentada a produzir o milagre. Basta ver o programa de governo do PS : mais de 160 páginas !!! Quem escreve mais de 160 páginas de programa de governo não tem, de facto, uma ideia precisa para o futuro do país ... tem milhares, pelos vistos, mas todas ideias pequeninas !!
É intrigante, nos dirigentes políticos, a sua incapacidade de apresentar uma visão simples para o futuro do país, algo que se possa dizer numa página de papel. Vamos apostar em quê ? No turismo ? No capital estrangeiro ? No desenvolvimento de software ? Na tecnologia de lançamento de fogos florestais ??
O mais que se lhe aproxima é o “choque de gestão” do PSD e o “choque tecnológico” do PS. Porém, nem um nem outro são visões de desenvolvimento, apenas condições indispensáveis a um qualquer modelo de desenvolvimento. Mas qual ?
Continuamos, uma vez mais, a não discutir o que fazer no futuro.
Acho que não se discute porque ninguém sabe verdadeiramente o que se há-de fazer a este país medíocre. E, se alguém sabe o que fazer, não vai dizer para não perder votos. Assim, as grandes questões são substituidas por ideias parcelares, tais como aumentar ou diminuir impostos ou como diminuir os efectivos da função pública.
Com gente assim, com a incapacidade ou falta de vontade que revelam, como havemos algum dia de encontrar um caminho para o progresso ? Como se vai dar a rotura ? Um qualquer Salazar dos tempos modernos ? Uma outra revolução, desta vez dos lírios ou dos malmequeres ??
E agora, para que não digam que só critico sem dar nenhuma solução, aqui vai a minha sugestão de hoje.
Enquanto se decidem ou não sobre as grandes questões, sempre poderiam tentar responder a três temas quentíssimos e inadiáveis : a reforma do sistema eleitoral, no sentido de responsabilizar o deputado perante os eleitores e não perante o chefe do seu partido, e as reformas do sistema judicial e do sistema educativo, em qualquer sentido ... desde que passem a funcionar !!!
..
Um dia destes, sem qualquer entusiasmo ou esperança, vamos escolher quem nos irá governar nos próximos quatro anos. Para a maior parte de nós, trata-se apenas de dar umas vassouradas naqueles paraquedistas do Santana Lopes & Cia, mas sem grandes ilusões... Não será decerto Sócrates e aquela sua gente ressuscitada e requentada a produzir o milagre. Basta ver o programa de governo do PS : mais de 160 páginas !!! Quem escreve mais de 160 páginas de programa de governo não tem, de facto, uma ideia precisa para o futuro do país ... tem milhares, pelos vistos, mas todas ideias pequeninas !!
É intrigante, nos dirigentes políticos, a sua incapacidade de apresentar uma visão simples para o futuro do país, algo que se possa dizer numa página de papel. Vamos apostar em quê ? No turismo ? No capital estrangeiro ? No desenvolvimento de software ? Na tecnologia de lançamento de fogos florestais ??
O mais que se lhe aproxima é o “choque de gestão” do PSD e o “choque tecnológico” do PS. Porém, nem um nem outro são visões de desenvolvimento, apenas condições indispensáveis a um qualquer modelo de desenvolvimento. Mas qual ?
Continuamos, uma vez mais, a não discutir o que fazer no futuro.
Acho que não se discute porque ninguém sabe verdadeiramente o que se há-de fazer a este país medíocre. E, se alguém sabe o que fazer, não vai dizer para não perder votos. Assim, as grandes questões são substituidas por ideias parcelares, tais como aumentar ou diminuir impostos ou como diminuir os efectivos da função pública.
Com gente assim, com a incapacidade ou falta de vontade que revelam, como havemos algum dia de encontrar um caminho para o progresso ? Como se vai dar a rotura ? Um qualquer Salazar dos tempos modernos ? Uma outra revolução, desta vez dos lírios ou dos malmequeres ??
E agora, para que não digam que só critico sem dar nenhuma solução, aqui vai a minha sugestão de hoje.
Enquanto se decidem ou não sobre as grandes questões, sempre poderiam tentar responder a três temas quentíssimos e inadiáveis : a reforma do sistema eleitoral, no sentido de responsabilizar o deputado perante os eleitores e não perante o chefe do seu partido, e as reformas do sistema judicial e do sistema educativo, em qualquer sentido ... desde que passem a funcionar !!!
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Vitor Cunha
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1/25/2005 07:39:00 da tarde
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domingo, janeiro 23, 2005
DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA ... MAS PARA OS OUTROS !
Um coro tremendo de críticas se levantou ! Desde o venerável António Barreto até ao mais modesto comentador na folha dominical da paróquia de Quitanda de Baixo, todos se ergueram em defesa da liberdade de expressão de pensamento. Nunca antes se tinha visto uma onda tão avassaladora e envergonhada ( da parte de alguma gente de esquerda ) de repulsa e de discordância.
É que, imagine-se, Francisco Louçã disse a Paulo Portas que este não tinha o direito de se pronunciar sobre o aborto porque nunca sequer tinha contribuido para gerar uma vida, ele sim, Louçã, ele tinha uma filha !!
Bom, desiludam-se os que esperam que eu vá descer ao nível destes defensores dos bons costumes da tolerância democrática que tão ofendidos se mostraram.
Danem-se todos os que acham que Louçã disse uma cretinice, que não tem nada que se meter na vida privada de Paulo Portas.
Que se mordam todos os democratazinhos pequeninos e envergonhados de o serem, eu achei um piadão á saída de Louçã. Ser democrata não é sinónimo de intolerante, não senhor, mas também não rima com parvo ou cego.
Eu entendi muito bem aquilo que Louçã quis dizer a Paulo Portas, embora talvez o pudesse ter feito de uma forma mais eficaz e elegante.
Entendi e ri-me interiormente porque se alguém merece um comentário daqueles é de facto Paulo Portas, com aquela sua atitude postiça de defensor intransigente da moral e dos bons costumes.
E sabem porquê ? Porque, sem ninguém lhe ter passado procuração para tal, Paulo Portas arvorou-se em defensor dos grandes princípios da direita. Pátria, Deus e Família. Paulo Portas passou a ostentar um ar de homem de Estado, fatinhos de corte clássico, com risquinhas, e só lhe faltou a brilhantina no cabelo, como se usou em outros tempos.
Ninguém lhe pediu para ser assim, mas ele escolheu.
Ora se escolheu, não se admire depois de ouvir o que não gosta.
Não estão a perceber ? A questão de Louçã tem a ver com o aborto e não tem, é um pouco mais vasta : um defensor tão acrisolado daqueles valores, Deus,Pátria e Família ... poderia alguma vez ele renegar Deus ? Claro que não. Poderia ele alguma vez deixar de acreditar na Pátria ? Nem pensar ....
Então ... e quanto á Família ??? Hem ? Porque é que um tão grande defensor destes valores tradicionais, destes baluartes da sociedade moderna não adere ele próprio á formação de uma família e manda antes os outros fazê-lo ??
E, se não o deseja fazer, não perde ele uma parcela tremenda de credibilidade na sua compungida atitude ?
Como não ver hipocrisia na defesa desses valores, por parte do líder do CDS/PP ? Como se podem defender eficaz e sinceramente valores ... que não se praticam ?
Foi isto que ouvi da boca de Louçã. Como é que Paulo Portas fala tanto de aborto e da defesa da vida quando nem sequer está disponível para colocar uma só vida no Mundo que seja ?
O S.Tomás da direita ?
Portanto, não se trata de conceder a Paulo Portas um direito de opinião. Esse ele não precisa que ninguém lho conceda. Tratou-se apenas de desmontar uma das hipocrisias mais correntes nos defensores de uma certa ideologia de direita. Tratou-se também de evidenciar uma das contradições insanáveis na vida daquele jovem político.
E a quem não entendeu e se mostrou muito ofendido, recomendo uma ida urgente ao oculista. Não conseguem ver a hipocrisia de certas atitudes, pois não ?
Mas vai sendo tempo, meus senhores e senhoras.
Um coro tremendo de críticas se levantou ! Desde o venerável António Barreto até ao mais modesto comentador na folha dominical da paróquia de Quitanda de Baixo, todos se ergueram em defesa da liberdade de expressão de pensamento. Nunca antes se tinha visto uma onda tão avassaladora e envergonhada ( da parte de alguma gente de esquerda ) de repulsa e de discordância.
É que, imagine-se, Francisco Louçã disse a Paulo Portas que este não tinha o direito de se pronunciar sobre o aborto porque nunca sequer tinha contribuido para gerar uma vida, ele sim, Louçã, ele tinha uma filha !!
Bom, desiludam-se os que esperam que eu vá descer ao nível destes defensores dos bons costumes da tolerância democrática que tão ofendidos se mostraram.
Danem-se todos os que acham que Louçã disse uma cretinice, que não tem nada que se meter na vida privada de Paulo Portas.
Que se mordam todos os democratazinhos pequeninos e envergonhados de o serem, eu achei um piadão á saída de Louçã. Ser democrata não é sinónimo de intolerante, não senhor, mas também não rima com parvo ou cego.
Eu entendi muito bem aquilo que Louçã quis dizer a Paulo Portas, embora talvez o pudesse ter feito de uma forma mais eficaz e elegante.
Entendi e ri-me interiormente porque se alguém merece um comentário daqueles é de facto Paulo Portas, com aquela sua atitude postiça de defensor intransigente da moral e dos bons costumes.
E sabem porquê ? Porque, sem ninguém lhe ter passado procuração para tal, Paulo Portas arvorou-se em defensor dos grandes princípios da direita. Pátria, Deus e Família. Paulo Portas passou a ostentar um ar de homem de Estado, fatinhos de corte clássico, com risquinhas, e só lhe faltou a brilhantina no cabelo, como se usou em outros tempos.
Ninguém lhe pediu para ser assim, mas ele escolheu.
Ora se escolheu, não se admire depois de ouvir o que não gosta.
Não estão a perceber ? A questão de Louçã tem a ver com o aborto e não tem, é um pouco mais vasta : um defensor tão acrisolado daqueles valores, Deus,Pátria e Família ... poderia alguma vez ele renegar Deus ? Claro que não. Poderia ele alguma vez deixar de acreditar na Pátria ? Nem pensar ....
Então ... e quanto á Família ??? Hem ? Porque é que um tão grande defensor destes valores tradicionais, destes baluartes da sociedade moderna não adere ele próprio á formação de uma família e manda antes os outros fazê-lo ??
E, se não o deseja fazer, não perde ele uma parcela tremenda de credibilidade na sua compungida atitude ?
Como não ver hipocrisia na defesa desses valores, por parte do líder do CDS/PP ? Como se podem defender eficaz e sinceramente valores ... que não se praticam ?
Foi isto que ouvi da boca de Louçã. Como é que Paulo Portas fala tanto de aborto e da defesa da vida quando nem sequer está disponível para colocar uma só vida no Mundo que seja ?
O S.Tomás da direita ?
Portanto, não se trata de conceder a Paulo Portas um direito de opinião. Esse ele não precisa que ninguém lho conceda. Tratou-se apenas de desmontar uma das hipocrisias mais correntes nos defensores de uma certa ideologia de direita. Tratou-se também de evidenciar uma das contradições insanáveis na vida daquele jovem político.
E a quem não entendeu e se mostrou muito ofendido, recomendo uma ida urgente ao oculista. Não conseguem ver a hipocrisia de certas atitudes, pois não ?
Mas vai sendo tempo, meus senhores e senhoras.
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Vitor Cunha
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1/23/2005 06:33:00 da tarde
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quinta-feira, janeiro 20, 2005
A VIDA A TODO O CUSTO, SEMPRE ?
Se me perguntassem qual foi a maior alteração de atitude/comportamento dos portugueses nos ultimos 30 ou 40 anos eu responderia sem hesitar : ganharam todos um medo horrível da morte, ao mesmo tempo que se criou o mito do direito á vida a todo o custo.
Uma tossezinha mais forte, uma temperatura de 38º C , uma dor nas costas ? Urgências do Hospital ( é á borla, ainda por cima ! ), quando há uns anos atrás nem sequer se lembrariam dessa opção, nos locais onde ela era possível.
Dizem que o fumo faz mal ás pessoas que estão nos mesmos recintos que os fumadores ? Vá de proibir fumar nesses locais todos !
O queijo e os enchidos aumentam o colesterol ? Não há nada como um bifezinho de soja ou mesmo uma dieta vegetariana ...
É ainda necessário haver Forças Armadas ? Os marretas voluntários que vão, os meninos de família nunca mais lá põem os pés, podem fazer um dói-dói ...
Colocar uma fábrica de cimento a queimar resíduos perigosos, ainda que com precauções e filtros especiais ? Quem quiser que fique com isso ao pé, eu não, muito obrigado, tenho que cuidar da minha saúdinha !
Uma lixeira ? Vão fazê-la lá pr’a rua deles, aquilo faz mal aos pulmões !
Drogados ? Gajos com sida ? Acho muito bem que cuidem deles, sim senhor ... mas por favor façam isso lá longe, onde as nossas crianças não andem ( nem nós, nem nós ) ...
Vacas loucas ? Bolas, nunca mais comi carne de vaca, aquilo é só porcarias que lhes dão a comer e depois vê-se !
Já alguma vez estiveram num centro de saúde ou numa urgência de um hospital ? Há lá sempre dezenas de pessoas dos 70 anos para cima ... vários com 80 e 90 anos, como se estivessem em Fátima e não numa unidade de saúde.
Eu sei lá que mais. Podíamos estar aqui um dia inteiro a listar todos estes comportamentos, relativamente novos no nosso povo : egoísmo e endeusamento da vida.
Claro que não proponho que devamos morrer mais cedo, só para demonstrar que não temos medo da morte. Também não proponho que o leitor se esteja nas tintas para a sua saúde, mas que há um padrão inquietante no ar, isso há, não tenho duvidas !
Meu Deus, esta gente acha que vai viver para sempre ?
Ou preferem morrer com a saude em bom estado ?
Acho que nos falta uma cultura de aceitação da morte e da sua inevitabilidade. Como de resto tanto o cristianismo como o islamismo tentam fazer, ao afirmar que a vida não acaba com a morte.
Se for preciso usar a religião, então vamos a isso ; o que não faz grande sentido é este encarniçamento exagerado na luta contra a morte, mesmo quando a vida é apenas um amargo simulacro, como se pudessemos viver para sempre.
Temos que aprender a encontrar uma paz interior de aceitação da nossa partida, quando o momento estiver por perto e não desperdiçar energias a tentar impedir o inevitável.
Devíamos aprender também que há, em certos momentos, valores sociais colectivos que vale a pena defender, sem que sejamos tolhidos pelo medo de perder a nossa vida.
No fundo, atribuir um valor exagerado á nossa própria vida, praticando o culto da sua defesa a todo o custo, pode subverter totalmente a dignidade do ser humano, transformando-nos num bando da carneiros ou, o que é porventura pior, num bando de saudáveis e cobardes egoistas.
Se me perguntassem qual foi a maior alteração de atitude/comportamento dos portugueses nos ultimos 30 ou 40 anos eu responderia sem hesitar : ganharam todos um medo horrível da morte, ao mesmo tempo que se criou o mito do direito á vida a todo o custo.
Uma tossezinha mais forte, uma temperatura de 38º C , uma dor nas costas ? Urgências do Hospital ( é á borla, ainda por cima ! ), quando há uns anos atrás nem sequer se lembrariam dessa opção, nos locais onde ela era possível.
Dizem que o fumo faz mal ás pessoas que estão nos mesmos recintos que os fumadores ? Vá de proibir fumar nesses locais todos !
O queijo e os enchidos aumentam o colesterol ? Não há nada como um bifezinho de soja ou mesmo uma dieta vegetariana ...
É ainda necessário haver Forças Armadas ? Os marretas voluntários que vão, os meninos de família nunca mais lá põem os pés, podem fazer um dói-dói ...
Colocar uma fábrica de cimento a queimar resíduos perigosos, ainda que com precauções e filtros especiais ? Quem quiser que fique com isso ao pé, eu não, muito obrigado, tenho que cuidar da minha saúdinha !
Uma lixeira ? Vão fazê-la lá pr’a rua deles, aquilo faz mal aos pulmões !
Drogados ? Gajos com sida ? Acho muito bem que cuidem deles, sim senhor ... mas por favor façam isso lá longe, onde as nossas crianças não andem ( nem nós, nem nós ) ...
Vacas loucas ? Bolas, nunca mais comi carne de vaca, aquilo é só porcarias que lhes dão a comer e depois vê-se !
Já alguma vez estiveram num centro de saúde ou numa urgência de um hospital ? Há lá sempre dezenas de pessoas dos 70 anos para cima ... vários com 80 e 90 anos, como se estivessem em Fátima e não numa unidade de saúde.
Eu sei lá que mais. Podíamos estar aqui um dia inteiro a listar todos estes comportamentos, relativamente novos no nosso povo : egoísmo e endeusamento da vida.
Claro que não proponho que devamos morrer mais cedo, só para demonstrar que não temos medo da morte. Também não proponho que o leitor se esteja nas tintas para a sua saúde, mas que há um padrão inquietante no ar, isso há, não tenho duvidas !
Meu Deus, esta gente acha que vai viver para sempre ?
Ou preferem morrer com a saude em bom estado ?
Acho que nos falta uma cultura de aceitação da morte e da sua inevitabilidade. Como de resto tanto o cristianismo como o islamismo tentam fazer, ao afirmar que a vida não acaba com a morte.
Se for preciso usar a religião, então vamos a isso ; o que não faz grande sentido é este encarniçamento exagerado na luta contra a morte, mesmo quando a vida é apenas um amargo simulacro, como se pudessemos viver para sempre.
Temos que aprender a encontrar uma paz interior de aceitação da nossa partida, quando o momento estiver por perto e não desperdiçar energias a tentar impedir o inevitável.
Devíamos aprender também que há, em certos momentos, valores sociais colectivos que vale a pena defender, sem que sejamos tolhidos pelo medo de perder a nossa vida.
No fundo, atribuir um valor exagerado á nossa própria vida, praticando o culto da sua defesa a todo o custo, pode subverter totalmente a dignidade do ser humano, transformando-nos num bando da carneiros ou, o que é porventura pior, num bando de saudáveis e cobardes egoistas.
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Vitor Cunha
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1/20/2005 01:53:00 da manhã
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segunda-feira, janeiro 17, 2005
O DIREITO A ERRAR
É uma das atitudes mais dificeis, na minha opinião, ao longo da relação pais-filhos : perceber que eles têm o direito de tentar a sua vida, e consequentemente, o direito a errar. Confesso que não fui muito bom neste capítulo, sempre quis prevenir a minha filha quanto a certas ciladas da vida. Sem grande sucesso, diga-se.
Esta questão, contudo, é bem mais universal : bem vistas as coisas, todos os que amam deviam tê-la presente e aprender que amar é também ( devia ser ) conceder ao outro o direito a errar.
Surgiu há pouco tempo no panorama internacional uma jovem inglesa ( 17 anos ) que se está a popularizar rapidamente, interpretando música "soul". Tal como em tempos passados vos apresentei aqui Norah Jones, hoje trago-vos Joss Stone, com uma voz inacreditavelmente madura para tão pouca idade. A musica atraiu-me, o tema é um desafio, a voz é curiosa.
Ouçam este tema AQUI
Para quem tiver paciência e quiser ler as palavras da canção, aí estão elas :
JOSS STONE : RIGHT TO BE WRONG
I've got a right to be wrong
My mistakes will make me strong
I'm stepping out into the great unknown
I'm feeling wings though I've never flown
I've got a mind of my own
I'm flesh and blood to the bone
I'm not made of stone
Got a right to be wrong
So just leave me alone
I've got a right to be wrong
I've been held down too long
I've got to break free
So I can finally breathe
I've got a right to be wrong
Got to sing my own song
I might be singing out of key
But it sure feels good to me
Got a right to be wrong
So just leave me alone
You're entitled to your opinion
But it's really my decision
I can't turn back I'm on a mission
If you care don't you dare blur my vision
Let me be all that I can be
Don't smother me with negativity
Whatever's out there waiting for me
I'm going to faced it willingly
I've got a right to be wrong
My mistakes will make me strong
I'm stepping out into the great unknown
I'm feeling wings though I've never flown
I've got a mind of my own
Flesh and blood to the bone
See, I'm not made of stone
I've got a right to be wrong
So just leave me alone
I've got a right to be wrong
I've been held down to long
I've got to break free
So I can finally breathe
I've got a right to be wrong
Got to sing my own song
I might be singing out of key
But it sure feels good to me
I've got a right to be wrong
So just leave me alone
É uma das atitudes mais dificeis, na minha opinião, ao longo da relação pais-filhos : perceber que eles têm o direito de tentar a sua vida, e consequentemente, o direito a errar. Confesso que não fui muito bom neste capítulo, sempre quis prevenir a minha filha quanto a certas ciladas da vida. Sem grande sucesso, diga-se.
Esta questão, contudo, é bem mais universal : bem vistas as coisas, todos os que amam deviam tê-la presente e aprender que amar é também ( devia ser ) conceder ao outro o direito a errar.
Surgiu há pouco tempo no panorama internacional uma jovem inglesa ( 17 anos ) que se está a popularizar rapidamente, interpretando música "soul". Tal como em tempos passados vos apresentei aqui Norah Jones, hoje trago-vos Joss Stone, com uma voz inacreditavelmente madura para tão pouca idade. A musica atraiu-me, o tema é um desafio, a voz é curiosa.
Ouçam este tema AQUI
Para quem tiver paciência e quiser ler as palavras da canção, aí estão elas :
JOSS STONE : RIGHT TO BE WRONG
I've got a right to be wrong
My mistakes will make me strong
I'm stepping out into the great unknown
I'm feeling wings though I've never flown
I've got a mind of my own
I'm flesh and blood to the bone
I'm not made of stone
Got a right to be wrong
So just leave me alone
I've got a right to be wrong
I've been held down too long
I've got to break free
So I can finally breathe
I've got a right to be wrong
Got to sing my own song
I might be singing out of key
But it sure feels good to me
Got a right to be wrong
So just leave me alone
You're entitled to your opinion
But it's really my decision
I can't turn back I'm on a mission
If you care don't you dare blur my vision
Let me be all that I can be
Don't smother me with negativity
Whatever's out there waiting for me
I'm going to faced it willingly
I've got a right to be wrong
My mistakes will make me strong
I'm stepping out into the great unknown
I'm feeling wings though I've never flown
I've got a mind of my own
Flesh and blood to the bone
See, I'm not made of stone
I've got a right to be wrong
So just leave me alone
I've got a right to be wrong
I've been held down to long
I've got to break free
So I can finally breathe
I've got a right to be wrong
Got to sing my own song
I might be singing out of key
But it sure feels good to me
I've got a right to be wrong
So just leave me alone
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Vitor Cunha
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1/17/2005 07:31:00 da tarde
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domingo, janeiro 16, 2005
BARCOS DE PAPEL
Apetece-me escrever mas não sei sobre o quê.
Ocorre-me que escrever é uma actividade que, só por si, pode proporcionar prazer, embora seja duvidoso que alguém tenha igual prazer na leitura de um escrito deste tipo.
Bem, há sempre milhões de temas, posso pegar num deles e dizer meia duzia de banalidades. Ou posso pura e simplesmente não escrever nada.
Ou posso confessar-vos que ando um pouco perdido, nesta fase da minha vida : uma das maiores vantagens do trabalho é impedir ou dificultar a reflexão sobre nós próprios. Libertos dessa ocupação/preocupação é quase obrigatório pensar ( ou repensar ) as nossas vidas. Fazer uma espécie de balanço, que logo nos apressamos a afirmar que não é definitivo.
Quando penso nestes termos fico deprimido : o que fiz na vida até agora parece-me pouco mais que nada e não sinto que venha a ser diferente no tempo que me resta. A verdade é que nunca tracei objectivos para a minha vida, sempre me deixei um pouco arrastar pela corrente. Fiz, quando muito, pequenas correcções de trajectória, remando um pouco mais para aqui ou para ali, tentando reduzir a velocidade sempre que me pareceu necessário. O dinheiro e o poder nunca me seduziram, sem eu sequer perceber porquê. Não sinto em mim nenhum mérito ( ou demérito ) nisso, já que se tratou apenas de indiferença.
Ainda assim, gosto de muitas coisas na vida. Sou sensível á beleza e ao prazer, á desgraça e á injustiça. Gosto das pessoas individualmente tomadas, não tenho grande simpatia por multidões, povos ou grandes grupos. Odeio seguidismos, fanatismos e todas as manifestações de imbecilidade colectiva de que o mundo de hoje é pródigo.
Não sei se consigo acreditar em Deus, mas sei que a ideia me atrai. Qualquer Deus. De preferência um que seja de facto justo e atento ao homem, o que parece ser dificil.
Tenho medo da morte. Ou melhor, tenho medo da dor e do sofrimento, acho-os coisas inuteis, desnecessárias e cruéis.
Gosto das mulheres, sempre gostei desde pequenito. Achava-as seres maravilhosos, doces, e quentes. Ainda continuo a achar, embora tenha aprendido que também podem ser outras coisas...
E depois ? Isto tudo dito, avaliado e bem ponderado, o que se segue ?
Não sei.
Confesso que a corrente continua a levar-me, embora muito mais lentamente que outrora. Não faço a mínima ideia de qual vai ser a próxima curva do rio.
Espero apenas que haja areia limpa e quente no remanso onde irei encalhar ...
Apetece-me escrever mas não sei sobre o quê.
Ocorre-me que escrever é uma actividade que, só por si, pode proporcionar prazer, embora seja duvidoso que alguém tenha igual prazer na leitura de um escrito deste tipo.
Bem, há sempre milhões de temas, posso pegar num deles e dizer meia duzia de banalidades. Ou posso pura e simplesmente não escrever nada.
Ou posso confessar-vos que ando um pouco perdido, nesta fase da minha vida : uma das maiores vantagens do trabalho é impedir ou dificultar a reflexão sobre nós próprios. Libertos dessa ocupação/preocupação é quase obrigatório pensar ( ou repensar ) as nossas vidas. Fazer uma espécie de balanço, que logo nos apressamos a afirmar que não é definitivo.
Quando penso nestes termos fico deprimido : o que fiz na vida até agora parece-me pouco mais que nada e não sinto que venha a ser diferente no tempo que me resta. A verdade é que nunca tracei objectivos para a minha vida, sempre me deixei um pouco arrastar pela corrente. Fiz, quando muito, pequenas correcções de trajectória, remando um pouco mais para aqui ou para ali, tentando reduzir a velocidade sempre que me pareceu necessário. O dinheiro e o poder nunca me seduziram, sem eu sequer perceber porquê. Não sinto em mim nenhum mérito ( ou demérito ) nisso, já que se tratou apenas de indiferença.
Ainda assim, gosto de muitas coisas na vida. Sou sensível á beleza e ao prazer, á desgraça e á injustiça. Gosto das pessoas individualmente tomadas, não tenho grande simpatia por multidões, povos ou grandes grupos. Odeio seguidismos, fanatismos e todas as manifestações de imbecilidade colectiva de que o mundo de hoje é pródigo.
Não sei se consigo acreditar em Deus, mas sei que a ideia me atrai. Qualquer Deus. De preferência um que seja de facto justo e atento ao homem, o que parece ser dificil.
Tenho medo da morte. Ou melhor, tenho medo da dor e do sofrimento, acho-os coisas inuteis, desnecessárias e cruéis.
Gosto das mulheres, sempre gostei desde pequenito. Achava-as seres maravilhosos, doces, e quentes. Ainda continuo a achar, embora tenha aprendido que também podem ser outras coisas...
E depois ? Isto tudo dito, avaliado e bem ponderado, o que se segue ?
Não sei.
Confesso que a corrente continua a levar-me, embora muito mais lentamente que outrora. Não faço a mínima ideia de qual vai ser a próxima curva do rio.
Espero apenas que haja areia limpa e quente no remanso onde irei encalhar ...
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Vitor Cunha
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1/16/2005 04:14:00 da tarde
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quinta-feira, janeiro 13, 2005
NOVAS TECNOLOGIAS SIM ... MAS POUCO !
Em Portugal, há novos procedimentos na administração pública , envolvendo as tecnologias de informação , hurraaaa ! Não sei se todos vocês sabem, mas é hoje possível tirar uma caderneta predial na internet, ou pedir uma certidão de registo predial pela mesma via ... Já usei estas modalidades, e acho que representam um esforço muito válido de desburocratização.
Porém, convêm não esquecer que estamos em Portugal, hem ? Já vão ver : pedi recentemente via internet uma certidão de registo predial para o apartamento da minha filha. Indica-se o nº de registo, etc ... e pode pagar-se via cartão de crédito, multibanco ou à cobrança. Foi o que fiz, usei o multibanco, também através do acesso pela internet ao meu banco, 20 e tal euros e já está, agora era só esperar ....
Era, era ... mas não foi ! Passados dias, recebo uma carta da Conservatória de Registo Predial à qual tinha endereçado o pedido : tinha que pagar mais 7,50 euros para me passarem a certidão, tinha mais uma ou duas páginas ou não sei quê. E nem sequer me diziam como podia pagar...
Pacientemente, descobri um telefone de ajuda ao processo via internet. Do outro lado, uma senhora ( amável e até cúmplice ... ) disse-me então que já não podia pagar pelo multibanco ou cartão de crédito, agora só via cheque, vale postal ou indo lá pessoalmente ! E aconselhou-me, para a próxima, a usar o pagamento à cobrança, como aquele que menos confusão dá !
Vejam lá, isto é Portugal no seu melhor : qualquer esforço de simplificação da vida de todos nós esbarra com coisas tão tontas como a incapacidade de uma Conservatória dizer quanto custa, exactamente, uma certidão ! Dizem que depende do numero de páginas !! E, por causa disso, em vez de fixarem um preço médio razoável, vá de meter areias na engrenagem, mais cartas, cheques, vales e sei lá que mais !!! Não é de doidos ?
Claro : fui lá pagar o raio das páginas a mais da certidão e trouxe-a logo ...
No caminho, estacionei na Av. Rovisco Pais, ali mesmo junto ao IST, numa zona de parquímetros ... andei avenida acima e abaixo, os parquímetros ou estavam avariados ou eram vigaristas, porque meti 1 euro num deles e a máquina riu-se de mim e não me deu papel nenhum !! Furioso, fui à Conservatória. No regresso, andavam uns funcionários da empresa que explora estas maquinetas diabólicas a tentar reparar uma delas ... Pensei cá para mim : se depois disto tudo se atreveram a multar-me, ainda arranco o parquímetro e lhes dou com ele na cabeça !! Porra, pá, isto só nesta merda de país ... ( esta ultima frase só a disse para mim, por isso não me acusem de dizer asneiras na via pública, hem ? ).
Mas não. Afinal está tudo previsto : a malta que usa a zona arruina os parquímetros todos e depois já ninguém paga !!!
De facto, este País merece bem os Santana Lopes que lhe cabem em sorte ...
Em Portugal, há novos procedimentos na administração pública , envolvendo as tecnologias de informação , hurraaaa ! Não sei se todos vocês sabem, mas é hoje possível tirar uma caderneta predial na internet, ou pedir uma certidão de registo predial pela mesma via ... Já usei estas modalidades, e acho que representam um esforço muito válido de desburocratização.
Porém, convêm não esquecer que estamos em Portugal, hem ? Já vão ver : pedi recentemente via internet uma certidão de registo predial para o apartamento da minha filha. Indica-se o nº de registo, etc ... e pode pagar-se via cartão de crédito, multibanco ou à cobrança. Foi o que fiz, usei o multibanco, também através do acesso pela internet ao meu banco, 20 e tal euros e já está, agora era só esperar ....
Era, era ... mas não foi ! Passados dias, recebo uma carta da Conservatória de Registo Predial à qual tinha endereçado o pedido : tinha que pagar mais 7,50 euros para me passarem a certidão, tinha mais uma ou duas páginas ou não sei quê. E nem sequer me diziam como podia pagar...
Pacientemente, descobri um telefone de ajuda ao processo via internet. Do outro lado, uma senhora ( amável e até cúmplice ... ) disse-me então que já não podia pagar pelo multibanco ou cartão de crédito, agora só via cheque, vale postal ou indo lá pessoalmente ! E aconselhou-me, para a próxima, a usar o pagamento à cobrança, como aquele que menos confusão dá !
Vejam lá, isto é Portugal no seu melhor : qualquer esforço de simplificação da vida de todos nós esbarra com coisas tão tontas como a incapacidade de uma Conservatória dizer quanto custa, exactamente, uma certidão ! Dizem que depende do numero de páginas !! E, por causa disso, em vez de fixarem um preço médio razoável, vá de meter areias na engrenagem, mais cartas, cheques, vales e sei lá que mais !!! Não é de doidos ?
Claro : fui lá pagar o raio das páginas a mais da certidão e trouxe-a logo ...
No caminho, estacionei na Av. Rovisco Pais, ali mesmo junto ao IST, numa zona de parquímetros ... andei avenida acima e abaixo, os parquímetros ou estavam avariados ou eram vigaristas, porque meti 1 euro num deles e a máquina riu-se de mim e não me deu papel nenhum !! Furioso, fui à Conservatória. No regresso, andavam uns funcionários da empresa que explora estas maquinetas diabólicas a tentar reparar uma delas ... Pensei cá para mim : se depois disto tudo se atreveram a multar-me, ainda arranco o parquímetro e lhes dou com ele na cabeça !! Porra, pá, isto só nesta merda de país ... ( esta ultima frase só a disse para mim, por isso não me acusem de dizer asneiras na via pública, hem ? ).
Mas não. Afinal está tudo previsto : a malta que usa a zona arruina os parquímetros todos e depois já ninguém paga !!!
De facto, este País merece bem os Santana Lopes que lhe cabem em sorte ...
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Vitor Cunha
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1/13/2005 04:13:00 da tarde
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terça-feira, janeiro 11, 2005
CULINÁRIA É CULTURA
Há um ou dois dias, falei aqui sobre uma receita da cozinha indiana, o frango tandoori, e pedi ajuda porque não sabia que coisa era essa do tandoori. Bem, uma leitora esclareceu-me que se trata de um forno cilindrico e alto, feito de tijolos e barro, onde o calor de uma fogueira de carvão ou lenha é concentrado.
Mais do que isso : essa mesma leitora, simpática, forneceu-me uma receita para esse frango tandoori, fácil de concretizar aqui no nosso país.
Para a malta interessada, aí está a receita :
Frango Tandoori
Ingredientes
- ½ kg de sobrecoxas de frango
- ½ xícara de iogurte
- 1 cebola pequena picada
- 1 dente de alho amassado
- 1 pimenta dedo de moça sem semente bem picada
- 1 colher (sopa) de gengibre picado
- 2 colheres (sopa) de suco de limão
- 1 colher (chá) de cominho
- 1 colher (chá) de cúrcuma (espécie de açafrão)
- sal a gosto
Modo de Preparo
Bata a cebola, o alho, o gengibre e a pimenta no liquidificador. Misture-os com o iogurte, o suco de limão, o cominho, a cúrcuma e o sal. Coloque o frango numa travessa, cubra-o com o tempero e deixe-o marinar pelo menos duas horas. Quanto mais tempo marinar mais sabor ele terá. Coloque-o num tabuleiro e asse-o no forno em lume médio-alto por uma hora ou até que fique no ponto.
NOTA: Também poderá fazer o frango na churrasqueira, desse modo ele ficará mais parecido com o original
Um beijo para a nossa leitora ! E viva a boa cozinha !!
Há um ou dois dias, falei aqui sobre uma receita da cozinha indiana, o frango tandoori, e pedi ajuda porque não sabia que coisa era essa do tandoori. Bem, uma leitora esclareceu-me que se trata de um forno cilindrico e alto, feito de tijolos e barro, onde o calor de uma fogueira de carvão ou lenha é concentrado.
Mais do que isso : essa mesma leitora, simpática, forneceu-me uma receita para esse frango tandoori, fácil de concretizar aqui no nosso país.
Para a malta interessada, aí está a receita :
Frango Tandoori
Ingredientes
- ½ kg de sobrecoxas de frango
- ½ xícara de iogurte
- 1 cebola pequena picada
- 1 dente de alho amassado
- 1 pimenta dedo de moça sem semente bem picada
- 1 colher (sopa) de gengibre picado
- 2 colheres (sopa) de suco de limão
- 1 colher (chá) de cominho
- 1 colher (chá) de cúrcuma (espécie de açafrão)
- sal a gosto
Modo de Preparo
Bata a cebola, o alho, o gengibre e a pimenta no liquidificador. Misture-os com o iogurte, o suco de limão, o cominho, a cúrcuma e o sal. Coloque o frango numa travessa, cubra-o com o tempero e deixe-o marinar pelo menos duas horas. Quanto mais tempo marinar mais sabor ele terá. Coloque-o num tabuleiro e asse-o no forno em lume médio-alto por uma hora ou até que fique no ponto.
NOTA: Também poderá fazer o frango na churrasqueira, desse modo ele ficará mais parecido com o original
Um beijo para a nossa leitora ! E viva a boa cozinha !!
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Vitor Cunha
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1/11/2005 09:49:00 da tarde
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A QUALIDADE NÃO NASCE DA MEDIOCRIDADE
Hoje apetece-me falar pouco e de uma forma clara.
Por isso, aí vai : penso que as nossas elites, os políticos, sindicalistas, empresários e outros quadros dirigentes são medíocres, na sua imensa maioria. Medíocres. Incompetentes. Pouco imaginativos. Completamente incapazes de concretizar seja o que for. Invejosos. Pouco honestos intelectualmente ( pelo menos ). Preguiçosos. Pouco cultos. Ávidos de estatuto, de dinheiro e de poder. Palavrosos.
O que é ainda pior, a omnipotência esterilizante dos nossos partidos políticos mostra-se incapaz de mudar esta situação, de criar uma mística de mudança e de renovação, de dar uma pitada de esperança às pessoas de boa-fé ( olhem para as listas de candidatos às próximas eleições legislativas ... ).
Então, com estes mesmos tipos, as mesmas manias e comportamentos baixinhos, a mesma mediocridade, como é que vamos alguma vez deixar de ser um País medíocre ?
Como, digam-me lá ???
Hoje apetece-me falar pouco e de uma forma clara.
Por isso, aí vai : penso que as nossas elites, os políticos, sindicalistas, empresários e outros quadros dirigentes são medíocres, na sua imensa maioria. Medíocres. Incompetentes. Pouco imaginativos. Completamente incapazes de concretizar seja o que for. Invejosos. Pouco honestos intelectualmente ( pelo menos ). Preguiçosos. Pouco cultos. Ávidos de estatuto, de dinheiro e de poder. Palavrosos.
O que é ainda pior, a omnipotência esterilizante dos nossos partidos políticos mostra-se incapaz de mudar esta situação, de criar uma mística de mudança e de renovação, de dar uma pitada de esperança às pessoas de boa-fé ( olhem para as listas de candidatos às próximas eleições legislativas ... ).
Então, com estes mesmos tipos, as mesmas manias e comportamentos baixinhos, a mesma mediocridade, como é que vamos alguma vez deixar de ser um País medíocre ?
Como, digam-me lá ???
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Vitor Cunha
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1/11/2005 07:35:00 da tarde
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domingo, janeiro 09, 2005
QUEM SABE O QUE É O FRANGO "TANDOORI" ?
Reencontrei uma amiga que já não via há mais de dois anos. Conversámos, demos conta do tempo que vai passando, sentimos saudades de nós próprios.
Vi um filme, o ultimo do Woody Allen. A mesma história-base, tratada em duas versões opostas : como comédia e como um drama. Melinda e Melinda. Pelo meio, cenas idênticas, desfechos semelhantes. A vida , a mesma vida, pode ser sempre olhada sob estes dois ângulos. Por mim, acho que fui sempre um dramático do caraças, dou-me agora conta...
Experimentei a cozinha indiana, pela primeira vez. Frango “tandoori” e arroz “basmati” com legumes e um toque de caril. Gostei do sabor e do cheiro. A minha filha ficou de averiguar que coisa é essa do “tandoori”... O mais provável é que se esqueça de o fazer, como é hábito, portanto, quem souber que mo diga !
Fui colocar nos “vidrões” uma catrefada de (1) garrafas, garrafões e similares (2) papéis, cartões e coisas do género (3) embalagens de plástico ... Como vêem, sou muito modernaço, em minha casa já tenho um mini-ecoponto e levo a sério as recomendações dos senhores da TV ...
Mentira : quem fez isso tudo foi a minha filha, contra o meu cepticismo e cinismo. Eu acho que é tudo uma treta do caneco, descobriram foi uma forma de ganhar dinheiro a reciclar esses materiais e eu vou dar-lhes de mão beijada a matéria-prima para eles recircularem e ganharem a massa. Em troca, longe de me entregarem a minha parte nos lucros, ainda tenho de pagar as taxas autárquicas para o tratamento de lixo e esgotos ( veja a factura da água, em Lisboa ... ). Chama-se a isto a ecologia no tratamento dos resíduos sólidos, mas a mim parece-me que a ecologia tem umas costas muito grandes...E , se acham que estou a exagerar, reparem na quantidade de empresas municipais para tratamento de lixos que apareceram em todas as autarquias e os dinheiros que movimentam. E, já agora, vejam também quem são os respectivos administradores e quanto ganham ...
Ainda uma ultima, quanto a estas coisas dos residuos : porque será que em Portugal ainda não existe tratamento para os resíduos sólidos tóxicos e perigosos ( lembram-se da co-incineração ? ) e para estes, do vidro, papel e plásticos até campanhas porta-a-porta já fizeram ? Porque será ??
Acabou mais um fim de semana. Ou melhor, mais uma semana, da qual o fim de semana é a ponta. Virá outro a seguir. E depois ainda outro, para aqueles que ainda cá estiverem.
De novo Woody Allen, agora numa entrevista que deu recentemente, aqui em Portugal : “o dramático é que já nos apercebemos que estamos no mundo por acaso, sem qualquer finalidade ou objectivo. Todo o nosso esforço para ser feliz consiste em tentar esquecer esse vazio”.
Tentem ser felizes, acreditando ou não que estamos aqui com um objectivo e uma finalidade. Nem que seja vermos o Sporting a ganhar a Liga este ano.
Reencontrei uma amiga que já não via há mais de dois anos. Conversámos, demos conta do tempo que vai passando, sentimos saudades de nós próprios.
Vi um filme, o ultimo do Woody Allen. A mesma história-base, tratada em duas versões opostas : como comédia e como um drama. Melinda e Melinda. Pelo meio, cenas idênticas, desfechos semelhantes. A vida , a mesma vida, pode ser sempre olhada sob estes dois ângulos. Por mim, acho que fui sempre um dramático do caraças, dou-me agora conta...
Experimentei a cozinha indiana, pela primeira vez. Frango “tandoori” e arroz “basmati” com legumes e um toque de caril. Gostei do sabor e do cheiro. A minha filha ficou de averiguar que coisa é essa do “tandoori”... O mais provável é que se esqueça de o fazer, como é hábito, portanto, quem souber que mo diga !
Fui colocar nos “vidrões” uma catrefada de (1) garrafas, garrafões e similares (2) papéis, cartões e coisas do género (3) embalagens de plástico ... Como vêem, sou muito modernaço, em minha casa já tenho um mini-ecoponto e levo a sério as recomendações dos senhores da TV ...
Mentira : quem fez isso tudo foi a minha filha, contra o meu cepticismo e cinismo. Eu acho que é tudo uma treta do caneco, descobriram foi uma forma de ganhar dinheiro a reciclar esses materiais e eu vou dar-lhes de mão beijada a matéria-prima para eles recircularem e ganharem a massa. Em troca, longe de me entregarem a minha parte nos lucros, ainda tenho de pagar as taxas autárquicas para o tratamento de lixo e esgotos ( veja a factura da água, em Lisboa ... ). Chama-se a isto a ecologia no tratamento dos resíduos sólidos, mas a mim parece-me que a ecologia tem umas costas muito grandes...E , se acham que estou a exagerar, reparem na quantidade de empresas municipais para tratamento de lixos que apareceram em todas as autarquias e os dinheiros que movimentam. E, já agora, vejam também quem são os respectivos administradores e quanto ganham ...
Ainda uma ultima, quanto a estas coisas dos residuos : porque será que em Portugal ainda não existe tratamento para os resíduos sólidos tóxicos e perigosos ( lembram-se da co-incineração ? ) e para estes, do vidro, papel e plásticos até campanhas porta-a-porta já fizeram ? Porque será ??
Acabou mais um fim de semana. Ou melhor, mais uma semana, da qual o fim de semana é a ponta. Virá outro a seguir. E depois ainda outro, para aqueles que ainda cá estiverem.
De novo Woody Allen, agora numa entrevista que deu recentemente, aqui em Portugal : “o dramático é que já nos apercebemos que estamos no mundo por acaso, sem qualquer finalidade ou objectivo. Todo o nosso esforço para ser feliz consiste em tentar esquecer esse vazio”.
Tentem ser felizes, acreditando ou não que estamos aqui com um objectivo e uma finalidade. Nem que seja vermos o Sporting a ganhar a Liga este ano.
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Vitor Cunha
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1/09/2005 10:57:00 da tarde
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sábado, janeiro 08, 2005
SANTANA WHO ???
Hoje pensei no estado do país e nas próximas eleições.
Hummm, Santana ? Já vimos esse filme, uma epopeia burlesca de guião duvidoso. O homem não tem emenda, há-de morrer trapalhão e ambicioso, a abrir buracos por onde passar ...
Sócrates ? Não sei porquê mas não acredito, o homem fala demais sem dizer nada e não me dá confiança nenhuma. Nunca lhe ouvi uma só ideia original e sólida, e a teimosia com que tornou agora a agarrar-se à co-incineração abona pouco quanto à sua capacidade em entender o que é um lider político.
Paulo Portas ? Beeemm, esse pelo menos pretende ser um lider político, embora eu não tenha já paciência para ouvir aquele verdadeiro giroscópio de opiniões.Ninguém me tira da cabeça que ele foi um dos penetra na maternidade, à procura da tal incubadora ...
E mais ? O simpático e insinuante sedutor demodé, lider do PC e voluntarioso dançarino-marxista-leninista ? Claro que tem os seus fãs, mas já nem sequer enche meia praça, a malta já não grama cassettes, agora é tudo DVDs, por isso emigram que se farta para o PS e o BE ...
Resta-nos o outro Portas, o Miguel, e companheiros, gente simpática, com uma visão aberta e descomprometida, mas ... demasiado correctos naquilo que dizem, com opiniões sempre muito definitivas e certinhas, nunca tiveram nem vão ter tão depressa a responsabilidade de passar essas coisas à prática ...
Então ?
Então ?? Então, digo-vos : estamos lixados, todos nós. Vamos ter mais do mesmo, paleio, paleio, muita discussão, muita luta, mas ... pouca obra, como sempre.
Não sei para onde se há-de virar o meu coração, ou a minha cabeça, sabem ?
Só sei contra quem está virada, desde o início.
Mas isso já os leitores o sabem, também, não é verdade ?
Hoje pensei no estado do país e nas próximas eleições.
Hummm, Santana ? Já vimos esse filme, uma epopeia burlesca de guião duvidoso. O homem não tem emenda, há-de morrer trapalhão e ambicioso, a abrir buracos por onde passar ...
Sócrates ? Não sei porquê mas não acredito, o homem fala demais sem dizer nada e não me dá confiança nenhuma. Nunca lhe ouvi uma só ideia original e sólida, e a teimosia com que tornou agora a agarrar-se à co-incineração abona pouco quanto à sua capacidade em entender o que é um lider político.
Paulo Portas ? Beeemm, esse pelo menos pretende ser um lider político, embora eu não tenha já paciência para ouvir aquele verdadeiro giroscópio de opiniões.Ninguém me tira da cabeça que ele foi um dos penetra na maternidade, à procura da tal incubadora ...
E mais ? O simpático e insinuante sedutor demodé, lider do PC e voluntarioso dançarino-marxista-leninista ? Claro que tem os seus fãs, mas já nem sequer enche meia praça, a malta já não grama cassettes, agora é tudo DVDs, por isso emigram que se farta para o PS e o BE ...
Resta-nos o outro Portas, o Miguel, e companheiros, gente simpática, com uma visão aberta e descomprometida, mas ... demasiado correctos naquilo que dizem, com opiniões sempre muito definitivas e certinhas, nunca tiveram nem vão ter tão depressa a responsabilidade de passar essas coisas à prática ...
Então ?
Então ?? Então, digo-vos : estamos lixados, todos nós. Vamos ter mais do mesmo, paleio, paleio, muita discussão, muita luta, mas ... pouca obra, como sempre.
Não sei para onde se há-de virar o meu coração, ou a minha cabeça, sabem ?
Só sei contra quem está virada, desde o início.
Mas isso já os leitores o sabem, também, não é verdade ?
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1/08/2005 04:31:00 da tarde
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segunda-feira, janeiro 03, 2005
A TRAGÉDIA NA ÁSIA E A LIÇÃO DE GEOGRAFIA
Não se consegue ficar indiferente à tragédia provocada por aquelas vagas enormes em vários países asiáticos. Eu vi mortes, na guerra de África e ajudei a desenterrar dezenas de pessoas afogadas nas grandes cheias de 67 ou 68 ( ? ), perto de Vila Franca de Xira, aldeia de Quintas. Mesmo assim, não consigo abarcar todo o sofrimento humano de que vi marcas nas imagens da TV. Vi traços de incredulidade e incompreensão nas caras dos sobreviventes. Vi essa gente erguer ao céu olhos e mãos em busca de um porquê que ninguém lhes vai dar, deus ou homem.
Imaginem a banalização do horror ( a expressão não é minha, vem de um autor referindo-se ao genocídio praticado pelos alemães sobre os judeus ) que vai ficar agarrada á alma daquelas pessoas, dias e dias a enterrar ou a queimar corpos humanos, numa corrida contra as epidemias. Aqueles mortos, muitos deles, nem sequer vão ser identificados ou chorados. As ondas repentinas não os afogaram só : roubaram-lhes também a dignidade humana na hora da morte.
Apesar de tudo, dois acontecimentos diferentes trouxeram-me esperança.
Um deles, a rápida mobilização mundial para ajuda às vitimas, primeiro das organizações não governamentais, depois dos Estados e logo após de cada um de nós, como pessoas. Esta vontade de ajudar mostra que ainda somos todos humanos, coisa que os neo-liberalismos modernos bem têm tentado fazer esquecer.
O outro caso foi um hino ao conhecimento, à necessidade de investir a sério na educação, na formação, na prevenção : uma miuda de 10 anos acabou por salvar centenas de pessoas que estavam numa das praias atingidas, só porque soube identificar a causa provável da súbita maré vazia, do esquisito e pronunciado recuo da água do mar. Numa das ultimas aulas antes de férias, uma aula de Geografia, tinham sido explicadas as causas dos maremotos e os sinais característicos dos mesmos, como o tal abaixamento repentino da linha de água.
A nossa jovem olhou, viu o que todos estavam a ver, mas havia algo de diferente nela : ela sabia o que aquilo podia significar ! Explicou à mãe, a mãe acreditou e gritou para os outros, toda a gente fugiu ... e não houve mortes ali.
Já viram ? Centenas de pessoas salvaram-se só porque uma miuda de 10 anos tinha estado atenta na sala de aula ...
Isto é ou não um hino ao saber ??
E se acharem que sim, que o conhecimento é importante e pode salvar vidas nestas emergências, perguntem a vocês próprios que raio de incompetência, incúria ou ignorância impede os governos ( os de lá e os de cá ) de tomar medidas para que esse conhecimento chegue até nós ...
Não se consegue ficar indiferente à tragédia provocada por aquelas vagas enormes em vários países asiáticos. Eu vi mortes, na guerra de África e ajudei a desenterrar dezenas de pessoas afogadas nas grandes cheias de 67 ou 68 ( ? ), perto de Vila Franca de Xira, aldeia de Quintas. Mesmo assim, não consigo abarcar todo o sofrimento humano de que vi marcas nas imagens da TV. Vi traços de incredulidade e incompreensão nas caras dos sobreviventes. Vi essa gente erguer ao céu olhos e mãos em busca de um porquê que ninguém lhes vai dar, deus ou homem.
Imaginem a banalização do horror ( a expressão não é minha, vem de um autor referindo-se ao genocídio praticado pelos alemães sobre os judeus ) que vai ficar agarrada á alma daquelas pessoas, dias e dias a enterrar ou a queimar corpos humanos, numa corrida contra as epidemias. Aqueles mortos, muitos deles, nem sequer vão ser identificados ou chorados. As ondas repentinas não os afogaram só : roubaram-lhes também a dignidade humana na hora da morte.
Apesar de tudo, dois acontecimentos diferentes trouxeram-me esperança.
Um deles, a rápida mobilização mundial para ajuda às vitimas, primeiro das organizações não governamentais, depois dos Estados e logo após de cada um de nós, como pessoas. Esta vontade de ajudar mostra que ainda somos todos humanos, coisa que os neo-liberalismos modernos bem têm tentado fazer esquecer.
O outro caso foi um hino ao conhecimento, à necessidade de investir a sério na educação, na formação, na prevenção : uma miuda de 10 anos acabou por salvar centenas de pessoas que estavam numa das praias atingidas, só porque soube identificar a causa provável da súbita maré vazia, do esquisito e pronunciado recuo da água do mar. Numa das ultimas aulas antes de férias, uma aula de Geografia, tinham sido explicadas as causas dos maremotos e os sinais característicos dos mesmos, como o tal abaixamento repentino da linha de água.
A nossa jovem olhou, viu o que todos estavam a ver, mas havia algo de diferente nela : ela sabia o que aquilo podia significar ! Explicou à mãe, a mãe acreditou e gritou para os outros, toda a gente fugiu ... e não houve mortes ali.
Já viram ? Centenas de pessoas salvaram-se só porque uma miuda de 10 anos tinha estado atenta na sala de aula ...
Isto é ou não um hino ao saber ??
E se acharem que sim, que o conhecimento é importante e pode salvar vidas nestas emergências, perguntem a vocês próprios que raio de incompetência, incúria ou ignorância impede os governos ( os de lá e os de cá ) de tomar medidas para que esse conhecimento chegue até nós ...
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Vitor Cunha
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1/03/2005 08:09:00 da tarde
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sábado, janeiro 01, 2005
2005, UMA NOVA OPORTUNIDADE !
Aí está ele, novo, reluzente, ainda imaculado. Tem um nome bonito, chama-se 2005, já se livrou do estigma do Orwell, tem á sua frente 365 dias completamente novos e virgens, para cada um gravar como quiser.
Ao contrario daquilo em que muita gente acredita, não é a ele, 2005, que cabe ser bom ou mau, feliz ou infeliz : ele é apenas o invólucro, o papel do diário onde agora nos cabe a nós escrever a vida. Vamos ver o que escrevemos, portanto, vamos desejar que nos tornemos pessoas decentes, boas e capazes de olhar para o Mundo e para os outros. Bem precisados estamos todos desse milagre. Porque de milagre se fala, quando se acredita e se deseja a bondade como regra geral, a sensatez e a genuinidade como formas habituais de viver o dia-a-dia.
Que não seja isso que nos trave, porém : ousemos todos construir o milagre, pensemos todos que o impossível é apenas um futuro que temos de construir e que um dia vai estar ao nosso alcance !
Se tivermos a grandeza suficiente para ter esse sonho e se formos suficientemente persistentes para o concretizar.
Vamos a isso ?
Aí está ele, novo, reluzente, ainda imaculado. Tem um nome bonito, chama-se 2005, já se livrou do estigma do Orwell, tem á sua frente 365 dias completamente novos e virgens, para cada um gravar como quiser.
Ao contrario daquilo em que muita gente acredita, não é a ele, 2005, que cabe ser bom ou mau, feliz ou infeliz : ele é apenas o invólucro, o papel do diário onde agora nos cabe a nós escrever a vida. Vamos ver o que escrevemos, portanto, vamos desejar que nos tornemos pessoas decentes, boas e capazes de olhar para o Mundo e para os outros. Bem precisados estamos todos desse milagre. Porque de milagre se fala, quando se acredita e se deseja a bondade como regra geral, a sensatez e a genuinidade como formas habituais de viver o dia-a-dia.
Que não seja isso que nos trave, porém : ousemos todos construir o milagre, pensemos todos que o impossível é apenas um futuro que temos de construir e que um dia vai estar ao nosso alcance !
Se tivermos a grandeza suficiente para ter esse sonho e se formos suficientemente persistentes para o concretizar.
Vamos a isso ?
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1/01/2005 05:28:00 da tarde
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sábado, dezembro 25, 2004
NATAL 2004
O dia de Natal deste 2004 está a chegar ao fim. Como sempre, deixa um sabor a desilusão atrás de si.
O Natal é isto ? - perguntava-me eu nos meus dez ou onze anos.
Pergunto-me ainda hoje.
É, é apenas isto.
Uma ocasião passageira, uma convenção bonita, uma espécie de sedativo anual das nossas consciências culpadas. Uma vez por ano fingimos que somos bonzinhos, que amamos não só a nossa família como o resto do Mundo, fingimos que homenageamos o Menino que havia de ser Homem ...
E contudo, apesar de tudo, há sempre uma magia especial que não sei de onde vem. Talvez das memórias de mil presépios de barro inventados, em miudo. Talvez do cheiro do musgo quando o arrancava da terra ou das árvores. Talvez dos olhos extasiados de esperança de milhões de putos em todo o Mundo. Sei lá.
Este Natal foi a três. A minha filha, o Pipoca e eu. Divertimo-nos, partilhamos com ele o perú estaladiço e saboroso e, por fim, até o deixei saciar a sede no meu copo de água ...
Porque não ? Afinal, é Natal, não é ?
E você, leitor ? Como passou este dia ?
O dia de Natal deste 2004 está a chegar ao fim. Como sempre, deixa um sabor a desilusão atrás de si.
O Natal é isto ? - perguntava-me eu nos meus dez ou onze anos.
Pergunto-me ainda hoje.
É, é apenas isto.
Uma ocasião passageira, uma convenção bonita, uma espécie de sedativo anual das nossas consciências culpadas. Uma vez por ano fingimos que somos bonzinhos, que amamos não só a nossa família como o resto do Mundo, fingimos que homenageamos o Menino que havia de ser Homem ...
E contudo, apesar de tudo, há sempre uma magia especial que não sei de onde vem. Talvez das memórias de mil presépios de barro inventados, em miudo. Talvez do cheiro do musgo quando o arrancava da terra ou das árvores. Talvez dos olhos extasiados de esperança de milhões de putos em todo o Mundo. Sei lá.
Este Natal foi a três. A minha filha, o Pipoca e eu. Divertimo-nos, partilhamos com ele o perú estaladiço e saboroso e, por fim, até o deixei saciar a sede no meu copo de água ...
Porque não ? Afinal, é Natal, não é ?
E você, leitor ? Como passou este dia ?
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12/25/2004 07:46:00 da tarde
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terça-feira, dezembro 21, 2004
O MEU AMIGO FRANCISCO FREIRE DA SILVA
As nuvens voam baixo, hoje.
O Sol retirou-se cedo.
Levantou-se um vento súbito, gélido, que trespassa tudo e arrefece os velhos ossos.
O cérebro recusa aceitar a notícia, lembra tempos de alegria, camaradagem e luta, em terras banhadas por oceanos diversos, sob céus de outras estrelas.
Rejeito a notícia, não me interessa a verdade, não quero saber, não quero que me digam onde, nem a que horas nem para onde vai ... o meu velho amigo vai continuar por aí, por Lisboa, a enfrentar a doença com estoicismo e fé, a ter esperança no futuro e a lutar pela justiça social em que acreditava.
Não quero saber se este ou aquele me vem dizer, com ar compungido, que ele coitado ... Não é, não pode ser, nunca será verdade : da ultima vez que jantámos juntos ele contou-me que andava a tirar a carta de mota, deve ser isso, anda é por aí a acelerar, feito puto reguila como era há mais de quarenta anos atrás, quando nos conhecemos.
Não vou, nunca vou acreditar, não é verdade.
E contudo, o vento tornou-se muito mais frio e já não vejo nenhuma estrela no céu.
Mesmo assim, não aceito, digo apenas : adeus, Xico, amigo, até um destes dias ou meses ou anos ou quando fôr, não penses que te livras assim das minhas secas !
As nuvens voam baixo, hoje.
O Sol retirou-se cedo.
Levantou-se um vento súbito, gélido, que trespassa tudo e arrefece os velhos ossos.
O cérebro recusa aceitar a notícia, lembra tempos de alegria, camaradagem e luta, em terras banhadas por oceanos diversos, sob céus de outras estrelas.
Rejeito a notícia, não me interessa a verdade, não quero saber, não quero que me digam onde, nem a que horas nem para onde vai ... o meu velho amigo vai continuar por aí, por Lisboa, a enfrentar a doença com estoicismo e fé, a ter esperança no futuro e a lutar pela justiça social em que acreditava.
Não quero saber se este ou aquele me vem dizer, com ar compungido, que ele coitado ... Não é, não pode ser, nunca será verdade : da ultima vez que jantámos juntos ele contou-me que andava a tirar a carta de mota, deve ser isso, anda é por aí a acelerar, feito puto reguila como era há mais de quarenta anos atrás, quando nos conhecemos.
Não vou, nunca vou acreditar, não é verdade.
E contudo, o vento tornou-se muito mais frio e já não vejo nenhuma estrela no céu.
Mesmo assim, não aceito, digo apenas : adeus, Xico, amigo, até um destes dias ou meses ou anos ou quando fôr, não penses que te livras assim das minhas secas !
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12/21/2004 06:30:00 da tarde
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segunda-feira, dezembro 20, 2004
DIVAGAÇÕES EM TEMPO DE FRIO
Hoje à tarde começou a ficar um frio do caraças. Bom, muito frio, pelo menos. Aqui em Lisboa nunca está um frio do caraças, isso é lá para as Penhas da Saúde, Trás-os-Montes, e sítios assim. Aqui nunca me lembro de nevar, nem de gelar a água nos canos. O mais dramático que me lembro era de haver gelo nas poças de água, quando ia para o Liceu, de manhã. Ainda assim a malta ria-se muito e andava toda feliz de poça em poça, a partir o gelo com as botas.
Agora acho que já nem poças existem. Ehehehehehe. Ou, se existem, os putos nem sequer reparam nelas. As playstations destronaram essas coisas todas.
As poças actuais, em Lisboa, são os buracos do metro, no Terreiro do Paço, o buraco do túnel do Santana Lopes e o outro buraco do Terreiro do Paço, aquele do Bagão. E essas poças, que me conste, não fazem gelo nem fazem as delícias de ninguém. Isto digo eu, que sou ingénuo, mas se calhar até fazem as delícias de alguém. Há sempre alguém a ganhar dinheiro com os buracos dos outros. Ou melhor, é porque há sempre alguém a ganhar dinheiro que aparecem os buracos nos outros.
Brrrr ... chega de buracos, isto está a dar-me voltas à cabeça !
Volto à minha, está um frio do caraças, para Lisboa. Tenho o aquecedor a óleo ligado, aqui ao pé de mim e também liguei o que está ao pé do gato, não quero que o bicho congele. Se bem que talvez não fosse má ideia, se conseguisse que só os dentes dele congelassem. Mas acho que não é possível.
Queria escrever umas linhas para o meu blogue e vejam lá os efeitos do frio : saiu-me isto, assim, meio desconexo. Que se lixe : o que me apetecia agora era ir comprar pão quente e comê-lo, com manteiga, acompanhado de um café também bem quente. Uma amiga minha falou-me hoje em ir à padaria, e essa ideia não me sai da cabeça desde então ...
E é o que vou mesmo fazer. Até.
Hoje à tarde começou a ficar um frio do caraças. Bom, muito frio, pelo menos. Aqui em Lisboa nunca está um frio do caraças, isso é lá para as Penhas da Saúde, Trás-os-Montes, e sítios assim. Aqui nunca me lembro de nevar, nem de gelar a água nos canos. O mais dramático que me lembro era de haver gelo nas poças de água, quando ia para o Liceu, de manhã. Ainda assim a malta ria-se muito e andava toda feliz de poça em poça, a partir o gelo com as botas.
Agora acho que já nem poças existem. Ehehehehehe. Ou, se existem, os putos nem sequer reparam nelas. As playstations destronaram essas coisas todas.
As poças actuais, em Lisboa, são os buracos do metro, no Terreiro do Paço, o buraco do túnel do Santana Lopes e o outro buraco do Terreiro do Paço, aquele do Bagão. E essas poças, que me conste, não fazem gelo nem fazem as delícias de ninguém. Isto digo eu, que sou ingénuo, mas se calhar até fazem as delícias de alguém. Há sempre alguém a ganhar dinheiro com os buracos dos outros. Ou melhor, é porque há sempre alguém a ganhar dinheiro que aparecem os buracos nos outros.
Brrrr ... chega de buracos, isto está a dar-me voltas à cabeça !
Volto à minha, está um frio do caraças, para Lisboa. Tenho o aquecedor a óleo ligado, aqui ao pé de mim e também liguei o que está ao pé do gato, não quero que o bicho congele. Se bem que talvez não fosse má ideia, se conseguisse que só os dentes dele congelassem. Mas acho que não é possível.
Queria escrever umas linhas para o meu blogue e vejam lá os efeitos do frio : saiu-me isto, assim, meio desconexo. Que se lixe : o que me apetecia agora era ir comprar pão quente e comê-lo, com manteiga, acompanhado de um café também bem quente. Uma amiga minha falou-me hoje em ir à padaria, e essa ideia não me sai da cabeça desde então ...
E é o que vou mesmo fazer. Até.
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Vitor Cunha
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12/20/2004 07:50:00 da tarde
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sábado, dezembro 18, 2004
A COSTA DOS MURMÚRIOS
Ontem fui ver “A costa dos murmúrios”, de uma jovem cineasta portuguesa, baseado no livro do mesmo nome de Lídia Jorge. Confesso que não li o livro, mas sei que a autora esteve em Moçambique, por volta de 69/70, época em que decorre o livro/filme. Era então casada com um oficial paraquedista e assistiu, digamos que de camarote, a certos aspectos da guerra colonial.
É claro que uma obra de ficção é tão ficção quanto se queira. Mas também é claro que qualquer ficção com base numa certa realidade acaba sempre, inevitavelmente, por mostrar quanto e como essa mesma realidade afectou a artista.
Neste caso, a ficção construida pela escritora e decalcada pela cineasta acaba por reduzir uma realidade extremamente rica e complexa numa série de clichés sequenciais : os militares são todos violentos, machistas, criminosos de guerra e politicamente alienados ; as mulheres desses oficiais aborrecem-se de morte enquanto os maridos fazem a guerra e entretêm-se portanto todas elas a dar umas quecas por fora do casamento, para manter a prática ; os jornalistas locais são esclarecidos e sabem o que se passa mas não podem fazer nada, a não ser participar entusiasticamente na actividade lúdica anteriormente mencionada das esposas sózinhas ; finalmente, os maridos corneados, quando regressam da guerra, dedicam-se a jogar à roleta russa com os amantes das mulheres e umas vezes safam-se ... outras vezes morrem...
Brilhante. Fiquei estarrecido com a riqueza e pureza cristalina da criação artística de Lídia Jorge.
Eu bem sei que ela era então casada com um paraquedista e que estes eram acusados de usarem boinas verdes para disfarçar o musgo que lhes crescia nas cabeças ...ehehehehe .... Neste caso, porém, acho que o musgo a afectou a ela, também ...
É que, leitores, eu também fazia parte deste filme que agora vi, mas na época e no local original do “crime”. E mesmo respeitando o direito à ficção e percebendo até algum ressentimento e horror da autora perante tal realidade, ainda assim me surpreendo com a miopia e o preconceito revelados.
Quanto à linguagem cinematográfica usada, apenas um comentário : um filme não pode, não deve ser uma sequência de planos filmados e depois colados, com uns textos em voz off para dar coesão. Eu não sei fazer filmes, mas sei ler um filme. E aquilo que vi é apenas uma tentativa de filme, nada mais.
Fiquei com lágrimas não choradas, por dentro. Um dia hão-de sair.
Ontem fui ver “A costa dos murmúrios”, de uma jovem cineasta portuguesa, baseado no livro do mesmo nome de Lídia Jorge. Confesso que não li o livro, mas sei que a autora esteve em Moçambique, por volta de 69/70, época em que decorre o livro/filme. Era então casada com um oficial paraquedista e assistiu, digamos que de camarote, a certos aspectos da guerra colonial.
É claro que uma obra de ficção é tão ficção quanto se queira. Mas também é claro que qualquer ficção com base numa certa realidade acaba sempre, inevitavelmente, por mostrar quanto e como essa mesma realidade afectou a artista.
Neste caso, a ficção construida pela escritora e decalcada pela cineasta acaba por reduzir uma realidade extremamente rica e complexa numa série de clichés sequenciais : os militares são todos violentos, machistas, criminosos de guerra e politicamente alienados ; as mulheres desses oficiais aborrecem-se de morte enquanto os maridos fazem a guerra e entretêm-se portanto todas elas a dar umas quecas por fora do casamento, para manter a prática ; os jornalistas locais são esclarecidos e sabem o que se passa mas não podem fazer nada, a não ser participar entusiasticamente na actividade lúdica anteriormente mencionada das esposas sózinhas ; finalmente, os maridos corneados, quando regressam da guerra, dedicam-se a jogar à roleta russa com os amantes das mulheres e umas vezes safam-se ... outras vezes morrem...
Brilhante. Fiquei estarrecido com a riqueza e pureza cristalina da criação artística de Lídia Jorge.
Eu bem sei que ela era então casada com um paraquedista e que estes eram acusados de usarem boinas verdes para disfarçar o musgo que lhes crescia nas cabeças ...ehehehehe .... Neste caso, porém, acho que o musgo a afectou a ela, também ...
É que, leitores, eu também fazia parte deste filme que agora vi, mas na época e no local original do “crime”. E mesmo respeitando o direito à ficção e percebendo até algum ressentimento e horror da autora perante tal realidade, ainda assim me surpreendo com a miopia e o preconceito revelados.
Quanto à linguagem cinematográfica usada, apenas um comentário : um filme não pode, não deve ser uma sequência de planos filmados e depois colados, com uns textos em voz off para dar coesão. Eu não sei fazer filmes, mas sei ler um filme. E aquilo que vi é apenas uma tentativa de filme, nada mais.
Fiquei com lágrimas não choradas, por dentro. Um dia hão-de sair.
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Vitor Cunha
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12/18/2004 06:51:00 da tarde
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sexta-feira, dezembro 17, 2004
O SEGREDO PORTUGUÊS
Os portugueses são tontos. Somos mesmo totalmente ridiculos, tomados no seu conjunto. Ou então totalmente sábios, vá-se lá saber.
Vamos vivendo neste doce rame-rame, sem esforços nem iniciativas de maior, sem grandes motivos de alegria, mas também sem grandes motivos de pesar, essa é que é a verdade.
Isto ao longo dos ultimos séculos, não é de agora.
A essência dos portugueses é dificil de compreender pelas modernas sociedades de mercado. Talvez só mesmo os nossos ancestrais avós, os árabes, nos consigam compreender : nós somos os grandes especialistas em ser felizes com o esforço mínimo !
Produtividade ? Qualificações ? Hummm ... isso não dá muito trabalho ? - perguntamos logo ! E como dá ...
Isto porque, sem perceber nada disto, há economistas e políticos que vêm, de vez em quando, questionar a organização económica da nossa sociedade. O prof. Cavaco Silva veio agora, por exemplo, afirmar que até 2006 vai ser a mesma miséria de economia, que nos estamos cada vez mais a afastar da média europeia, que precisávamos era de aumentar as nossas exportações !
Concordo, devo dizer. E acho que todos os outros portugueses também concordam. Vamos lá então aumentar as nossas exportações, hem ? Bora ?
O único problema é que para exportar é preciso produzir coisas que os outros queiram comprar. E que raio de coisas havemos nós de produzir, sem grande suor ? Esse é que é o problema, pá ! Que sabemos nós fazer que os outros queiram comprar e que não nos obrigue a trabalhar no duro ??
Espera ... deixa-me pensar ... só se for a nossa secular habilidade para ir vivendo feliz sem saber nem querer produzir nada !
É isso .... Uauuuuu .... descobri !
Vamos exportar o nosso “know-how” para viver de papo para o ar, sem preocupações. Olhem que esta técnica vale dinheiro, vão ver !
Os portugueses são tontos. Somos mesmo totalmente ridiculos, tomados no seu conjunto. Ou então totalmente sábios, vá-se lá saber.
Vamos vivendo neste doce rame-rame, sem esforços nem iniciativas de maior, sem grandes motivos de alegria, mas também sem grandes motivos de pesar, essa é que é a verdade.
Isto ao longo dos ultimos séculos, não é de agora.
A essência dos portugueses é dificil de compreender pelas modernas sociedades de mercado. Talvez só mesmo os nossos ancestrais avós, os árabes, nos consigam compreender : nós somos os grandes especialistas em ser felizes com o esforço mínimo !
Produtividade ? Qualificações ? Hummm ... isso não dá muito trabalho ? - perguntamos logo ! E como dá ...
Isto porque, sem perceber nada disto, há economistas e políticos que vêm, de vez em quando, questionar a organização económica da nossa sociedade. O prof. Cavaco Silva veio agora, por exemplo, afirmar que até 2006 vai ser a mesma miséria de economia, que nos estamos cada vez mais a afastar da média europeia, que precisávamos era de aumentar as nossas exportações !
Concordo, devo dizer. E acho que todos os outros portugueses também concordam. Vamos lá então aumentar as nossas exportações, hem ? Bora ?
O único problema é que para exportar é preciso produzir coisas que os outros queiram comprar. E que raio de coisas havemos nós de produzir, sem grande suor ? Esse é que é o problema, pá ! Que sabemos nós fazer que os outros queiram comprar e que não nos obrigue a trabalhar no duro ??
Espera ... deixa-me pensar ... só se for a nossa secular habilidade para ir vivendo feliz sem saber nem querer produzir nada !
É isso .... Uauuuuu .... descobri !
Vamos exportar o nosso “know-how” para viver de papo para o ar, sem preocupações. Olhem que esta técnica vale dinheiro, vão ver !
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Vitor Cunha
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12/17/2004 09:32:00 da tarde
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terça-feira, dezembro 14, 2004
O CIRCO DESCEU À CIDADE
Ando de novo numa de preguiça. Não me consigo convencer a escrever. Os factos que vão surgindo na vida do nosso país ora me deprimem ora me dão uma enorme vontade de rir.
É como se Portugal fosse um imenso Circo Chen : umas vezes angustiamo-nos com os homens e mulheres do trapézio voador, outras vezes rimo-nos com os palhaços... ainda por cima, estes palhaços fazem as suas rábulas com um ar muito sério, como se fossem senhores competentes e responsáveis, e isso ainda me dá mais vontade de rir.
Pelo meio, os equilibristas, um pouco trapalhões, e os ilusionistas, que tão depressa mostram as cartas todas juntas como as fazem desaparecer, cada uma para seu lado ...
E com isto tudo, confesso, perco a vontade de escrever e começo a cansar-me do espectáculo.
Quando é que raio vai acabar o espectáculo de circo ?
Ando de novo numa de preguiça. Não me consigo convencer a escrever. Os factos que vão surgindo na vida do nosso país ora me deprimem ora me dão uma enorme vontade de rir.
É como se Portugal fosse um imenso Circo Chen : umas vezes angustiamo-nos com os homens e mulheres do trapézio voador, outras vezes rimo-nos com os palhaços... ainda por cima, estes palhaços fazem as suas rábulas com um ar muito sério, como se fossem senhores competentes e responsáveis, e isso ainda me dá mais vontade de rir.
Pelo meio, os equilibristas, um pouco trapalhões, e os ilusionistas, que tão depressa mostram as cartas todas juntas como as fazem desaparecer, cada uma para seu lado ...
E com isto tudo, confesso, perco a vontade de escrever e começo a cansar-me do espectáculo.
Quando é que raio vai acabar o espectáculo de circo ?
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Vitor Cunha
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12/14/2004 09:23:00 da tarde
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sábado, dezembro 11, 2004
O ESTRANHO CASO DO SECRETÁRIO DE ESTADO SEM TEMPO NA AGENDA...
De todos os factos que têm vindo a lume, nos ultimos tempos, sobre a forma de actuar deste Governo, vou destacar apenas um, para vos mostrar como as coisas são na prática.
O Governo recorreu a um militar para o cargo de presidente do serviço nacional de protecção civil, o que não espanta para quem conheça o tipo de treino e a forma de pensar dos militares em relação ás exigências daquele cargo.
Desta vez, era um Major-General do Exército.
O senhor bateu com a porta há dias, com estrondo, dizendo publicamente que não tinha confiança nenhuma no Secretário de Estado que o tutelava e explicando porquê : o jovem governante, do alto da sua importância e certamente também competência política e técnica sobre as áreas tuteladas, dava-se ao luxo de não o receber, para despacho, há qualquer coisa como quatro ( 4 ! ) meses .... Este governante exemplar nem sequer tinha ido conhecer o Serviço Nacional de Protecção Civil ( sabem o que é, não sabem ? incêndios, ambulâncias, catástrofes ... ) e estava-se nas tintas para os problemas que o general lhe queria colocar ...
As diferenças da forma de estar na vida entre políticos e militares são conhecidas e fáceis de descrever, numa pincelada : enquanto uns fazem da arte de conquistar votos e do jogo das aparências a sua essência, os outros foram ensinados a dizer a verdade, frontalmente e sem papas na língua. É assim e pronto, eu conheço bem os dois tipos de pessoas de que falo. Com algumas excepções nos dois sectores, como sempre, claro.
Mas neste caso, nem sequer é essa a questão que me chocou.
O que me indigna é que um governante ( apesar de ser um ajudante na terminologia de Cavaco Silva ) se dê ao luxo de estar quatro meses sem discutir os assuntos de um Serviço como o SNPC só porque não gosta do general seu presidente ...
Este facto evidencia uma falta de respeito enorme pelo país, por todos nós, até pelo seu dever como governante. Mas mais : o senhor Ministro da Administração Interna sabia disto e achava muito natural ...
Pensem bem nesta história.
Que raio de gente é esta que pensa que pode fazer o que quer, quando está no poder ?
Quando é que nós vamos eleger um bom administrador deste nosso condomínio á beira mar plantado e dar um pontapé no rabo a tipos que andem a gozar com o nosso dinheiro ?
De todos os factos que têm vindo a lume, nos ultimos tempos, sobre a forma de actuar deste Governo, vou destacar apenas um, para vos mostrar como as coisas são na prática.
O Governo recorreu a um militar para o cargo de presidente do serviço nacional de protecção civil, o que não espanta para quem conheça o tipo de treino e a forma de pensar dos militares em relação ás exigências daquele cargo.
Desta vez, era um Major-General do Exército.
O senhor bateu com a porta há dias, com estrondo, dizendo publicamente que não tinha confiança nenhuma no Secretário de Estado que o tutelava e explicando porquê : o jovem governante, do alto da sua importância e certamente também competência política e técnica sobre as áreas tuteladas, dava-se ao luxo de não o receber, para despacho, há qualquer coisa como quatro ( 4 ! ) meses .... Este governante exemplar nem sequer tinha ido conhecer o Serviço Nacional de Protecção Civil ( sabem o que é, não sabem ? incêndios, ambulâncias, catástrofes ... ) e estava-se nas tintas para os problemas que o general lhe queria colocar ...
As diferenças da forma de estar na vida entre políticos e militares são conhecidas e fáceis de descrever, numa pincelada : enquanto uns fazem da arte de conquistar votos e do jogo das aparências a sua essência, os outros foram ensinados a dizer a verdade, frontalmente e sem papas na língua. É assim e pronto, eu conheço bem os dois tipos de pessoas de que falo. Com algumas excepções nos dois sectores, como sempre, claro.
Mas neste caso, nem sequer é essa a questão que me chocou.
O que me indigna é que um governante ( apesar de ser um ajudante na terminologia de Cavaco Silva ) se dê ao luxo de estar quatro meses sem discutir os assuntos de um Serviço como o SNPC só porque não gosta do general seu presidente ...
Este facto evidencia uma falta de respeito enorme pelo país, por todos nós, até pelo seu dever como governante. Mas mais : o senhor Ministro da Administração Interna sabia disto e achava muito natural ...
Pensem bem nesta história.
Que raio de gente é esta que pensa que pode fazer o que quer, quando está no poder ?
Quando é que nós vamos eleger um bom administrador deste nosso condomínio á beira mar plantado e dar um pontapé no rabo a tipos que andem a gozar com o nosso dinheiro ?
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Vitor Cunha
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12/11/2004 06:31:00 da tarde
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terça-feira, dezembro 07, 2004
A MAGIA DAS LUZES
Acho que já o disse, pelo menos no ano passado : não gosto muito do Natal, pelos clássicos motivos da solidão e da inveja da alegria dos outros. Bem sei que há muitos como eu, e que a alegria de outros é mais fingida ( ou convencionada ... ) que sentida. Mas ainda assim, não gosto.
Deveria existir um Natal para as pessoas sós ou de famílias incompletas e pequenas. Afinal, toda a gente sabe que são cada vez mais as famílias nestas condições, pelo que seria uma medida bem acolhida, pela certa! O Natal das Famílias Incompletas. O presépio poderia, por exemplo, não ter o S. José, nem a vaca e o burro. Enfim, só sugestões valiosas que aqui deixo a quem de direito nesta questão do Natal.
Mas apesar destas minhas reservas, a verdade é que há coisas no Natal de que sempre gostei. Coisas simples. Como ficar deslumbrado a olhar as pequenas luzinhas com que decoramos as nossas vidas neste tempo. Luzes brancas, amarelas, azuis, verdes, fixas ou a piscar, made in Taiwan ou China. É algo de mágico, esta ingenuidade de homens e mulheres, presos nas luzinhas, esquecidos temporariamente das suas lutas e dos seus problemas. Poucas coisas conheço tão tranquilizantes como uma simples árvore de Natal, mesmo artificial, cheia de luzinhas a apagar e a acender ... Vá, montem uma em vossa casa e percam-se na contemplação das vossas memórias, ou dos vossos sonhos de futuro, enquanto olham as luzinhas do Natal e bebem um golo de qualquer coisa quente.
Aproveitem. Embora digam que o Natal é quando um homem quer, não acreditem : Natal só é uma vez em cada ano e apenas enquanto não decidirem acabar com ele, já que está a dar pouco lucro. Qualquer dia fecha ou é deslocalizado, mas, por enquanto, a magia ainda funciona.
Acho que já o disse, pelo menos no ano passado : não gosto muito do Natal, pelos clássicos motivos da solidão e da inveja da alegria dos outros. Bem sei que há muitos como eu, e que a alegria de outros é mais fingida ( ou convencionada ... ) que sentida. Mas ainda assim, não gosto.
Deveria existir um Natal para as pessoas sós ou de famílias incompletas e pequenas. Afinal, toda a gente sabe que são cada vez mais as famílias nestas condições, pelo que seria uma medida bem acolhida, pela certa! O Natal das Famílias Incompletas. O presépio poderia, por exemplo, não ter o S. José, nem a vaca e o burro. Enfim, só sugestões valiosas que aqui deixo a quem de direito nesta questão do Natal.
Mas apesar destas minhas reservas, a verdade é que há coisas no Natal de que sempre gostei. Coisas simples. Como ficar deslumbrado a olhar as pequenas luzinhas com que decoramos as nossas vidas neste tempo. Luzes brancas, amarelas, azuis, verdes, fixas ou a piscar, made in Taiwan ou China. É algo de mágico, esta ingenuidade de homens e mulheres, presos nas luzinhas, esquecidos temporariamente das suas lutas e dos seus problemas. Poucas coisas conheço tão tranquilizantes como uma simples árvore de Natal, mesmo artificial, cheia de luzinhas a apagar e a acender ... Vá, montem uma em vossa casa e percam-se na contemplação das vossas memórias, ou dos vossos sonhos de futuro, enquanto olham as luzinhas do Natal e bebem um golo de qualquer coisa quente.
Aproveitem. Embora digam que o Natal é quando um homem quer, não acreditem : Natal só é uma vez em cada ano e apenas enquanto não decidirem acabar com ele, já que está a dar pouco lucro. Qualquer dia fecha ou é deslocalizado, mas, por enquanto, a magia ainda funciona.
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Vitor Cunha
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12/07/2004 06:44:00 da tarde
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sexta-feira, dezembro 03, 2004
O PROBLEMA DO PSD
A grande questão que se coloca agora ao PSD : vão às eleições mantendo um candidato a primeiro-ministro que deu provas insofismáveis que não é capaz de governar , nem tem a mínima ideia de futuro para Portugal, ou vão arranjar outro candidato ?
É que se ficarem com o mesmo candidato, fica por demais evidente que apenas se preocuparam em maximizar as probabilidades de tornar a alcançar o poder, mesmo sabendo que, nesse caso, com o mesmo primeiro-ministro, seria a ruina para o país ...
Não acredito que não exista, dentro do PSD, muita gente que tem este mesmo raciocínio.
Porque não falam ? Porque se calam, à excepção de Pacheco Pereira e Miguel Veiga ?
Porque permitem que um partido que é representante de uma larga faixa de portugueses, gente moderada e sensata, seja liderado por um diletante e incompetente ( na função de primeiro-ministro, noutras será um ás ! ) como Santana Lopes ?
Acharão que a derrota nas próximas eleições é a única forma de se verem livres de tal personagem ? Ou acreditam ainda na capacidade de sedução de Santana Lopes, apesar de tudo, e não hesitam em alcançar o poder a todo o custo ?
Não gosto nada, mesmo nada, do que se anda a passar com as gentes mais responsáveis ( sê-lo-ão ? ) do meu país.
A grande questão que se coloca agora ao PSD : vão às eleições mantendo um candidato a primeiro-ministro que deu provas insofismáveis que não é capaz de governar , nem tem a mínima ideia de futuro para Portugal, ou vão arranjar outro candidato ?
É que se ficarem com o mesmo candidato, fica por demais evidente que apenas se preocuparam em maximizar as probabilidades de tornar a alcançar o poder, mesmo sabendo que, nesse caso, com o mesmo primeiro-ministro, seria a ruina para o país ...
Não acredito que não exista, dentro do PSD, muita gente que tem este mesmo raciocínio.
Porque não falam ? Porque se calam, à excepção de Pacheco Pereira e Miguel Veiga ?
Porque permitem que um partido que é representante de uma larga faixa de portugueses, gente moderada e sensata, seja liderado por um diletante e incompetente ( na função de primeiro-ministro, noutras será um ás ! ) como Santana Lopes ?
Acharão que a derrota nas próximas eleições é a única forma de se verem livres de tal personagem ? Ou acreditam ainda na capacidade de sedução de Santana Lopes, apesar de tudo, e não hesitam em alcançar o poder a todo o custo ?
Não gosto nada, mesmo nada, do que se anda a passar com as gentes mais responsáveis ( sê-lo-ão ? ) do meu país.
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Vitor Cunha
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12/03/2004 10:14:00 da tarde
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quinta-feira, dezembro 02, 2004
AS PEQUENAS COISAS HABILIDOSAS DO SHARE POLÍTICO
Caros amigos : aquilo a que se convencionou chamar política, nos orgãos de comunicação e na terminologia dos políticos, mais não é, muitas vezes, que uma série de pequenas "jogadas" mais ou menos habilidosas, dentro de um "timing" bem escolhido, com o objectivo de valorizar a nossa posição e de prejudicar a do nosso adversário.
Pensavam que esta política era sempre e só uma coisa "limpa", de homens e mulheres sem nada nas mangas, de peito aberto e posições claras e desassombradas ?
Sim ? Pensavam isso, a sério ? Ehehehehehe, não acredito, já ninguém é assim tão ingénuo.
Leiam algumas coisas sobre os jogos de bastidores e inter-relações dos ministros deste ainda nosso governo, vão ver como é material do maior valor educativo !
Já repararam, também, na atitude do CDS/PP, nesta crise ? Ooooh, genial, meu Deus : é do tipo "eles é que foram os artolas e confusionistas, o PSD, nós trabalhamos bem e tivemos ministros de categoria ... ". Notem, em termos relativos até é uma meia-verdade, pelo menos, o pior é que é também um tiro pelas costas, logo que o cimento aglutinador do poder desapareceu ...
Mas estas coisas não acontecem apenas no campo da ainda actual maioria, não senhor. Hoje darei apenas um exemplo, não propriamente da oposição mas do senhor Presidente da República.
Reparem : vários foram os sinais de que o Presidente estará interessado em que o orçamento proposto pelo PSD/PP seja ainda aprovado, certo ?
Pergunto eu, então : nesse caso, porque é que o Presidente não esperou uma semana para declarar que ia dissolver a Assembleia ? Se o tivesse feito, o orçamento já estaria então aprovado ...
Porque não esperou então essa semana ?
Oferece-se um prémio ao leitor que der a resposta mais convincente, ehehehe ...
Mas estas breves linhas têm uma moral : a política real, não a dos livros e dos princípios, faz-se destes pequenos truques e não apenas de questões ideológicas e estratégicas.
A táctica destas pequenas malandrices (?)ganhou uma importância tremenda, sobretudo porque o que se disputa, afinal, não passa de uma espécie de "share" televisivo : o espectador, em vez de carregar num botão para sintonizar uma dada estação, irá escrever uma cruz num determinado quadrado de um bocado de papel.
Qual é a diferença, para muita gente ?
Isto é a democracia, gostem ou não gostem. Não sei se é, como afirmava o outro, o menor dos males ... mas lá que é um jogo bizarro, disso não tenho duvidas !
Apesar de o defender com unhas e dentes, se for necessário.
Fiquei farto de lápis azuis, no tempo da outra madame, e de ministros com raivinha de dentes, ou de centrais de informação, nestes ultimos tempos.
Caros amigos : aquilo a que se convencionou chamar política, nos orgãos de comunicação e na terminologia dos políticos, mais não é, muitas vezes, que uma série de pequenas "jogadas" mais ou menos habilidosas, dentro de um "timing" bem escolhido, com o objectivo de valorizar a nossa posição e de prejudicar a do nosso adversário.
Pensavam que esta política era sempre e só uma coisa "limpa", de homens e mulheres sem nada nas mangas, de peito aberto e posições claras e desassombradas ?
Sim ? Pensavam isso, a sério ? Ehehehehehe, não acredito, já ninguém é assim tão ingénuo.
Leiam algumas coisas sobre os jogos de bastidores e inter-relações dos ministros deste ainda nosso governo, vão ver como é material do maior valor educativo !
Já repararam, também, na atitude do CDS/PP, nesta crise ? Ooooh, genial, meu Deus : é do tipo "eles é que foram os artolas e confusionistas, o PSD, nós trabalhamos bem e tivemos ministros de categoria ... ". Notem, em termos relativos até é uma meia-verdade, pelo menos, o pior é que é também um tiro pelas costas, logo que o cimento aglutinador do poder desapareceu ...
Mas estas coisas não acontecem apenas no campo da ainda actual maioria, não senhor. Hoje darei apenas um exemplo, não propriamente da oposição mas do senhor Presidente da República.
Reparem : vários foram os sinais de que o Presidente estará interessado em que o orçamento proposto pelo PSD/PP seja ainda aprovado, certo ?
Pergunto eu, então : nesse caso, porque é que o Presidente não esperou uma semana para declarar que ia dissolver a Assembleia ? Se o tivesse feito, o orçamento já estaria então aprovado ...
Porque não esperou então essa semana ?
Oferece-se um prémio ao leitor que der a resposta mais convincente, ehehehe ...
Mas estas breves linhas têm uma moral : a política real, não a dos livros e dos princípios, faz-se destes pequenos truques e não apenas de questões ideológicas e estratégicas.
A táctica destas pequenas malandrices (?)ganhou uma importância tremenda, sobretudo porque o que se disputa, afinal, não passa de uma espécie de "share" televisivo : o espectador, em vez de carregar num botão para sintonizar uma dada estação, irá escrever uma cruz num determinado quadrado de um bocado de papel.
Qual é a diferença, para muita gente ?
Isto é a democracia, gostem ou não gostem. Não sei se é, como afirmava o outro, o menor dos males ... mas lá que é um jogo bizarro, disso não tenho duvidas !
Apesar de o defender com unhas e dentes, se for necessário.
Fiquei farto de lápis azuis, no tempo da outra madame, e de ministros com raivinha de dentes, ou de centrais de informação, nestes ultimos tempos.
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Vitor Cunha
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12/02/2004 05:09:00 da tarde
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terça-feira, novembro 30, 2004
FINALMENTE !
Com mais de quatro meses de atraso, o Presidente da República decidiu dissolver a Assembleia da República e abrir caminho a eleições antecipadas.
Ouve-se um suspiro de alívio generalizado, o próprio Santana Lopes pareceu resignado e mesmo aliviado.
Ninguém agora irá contestar com grande veemência esta decisão do Presidente, depois de ser tão visível a balbúrdia e trapalhada política que este Governo trouxe à vida nacional.
Dá a ideia que Sampaio esperou por essa má actuação de Santana Lopes para ganhar força e tomar uma decisão quando toda a gente já tivesse visto, na realidade, o que valia este Governo.
O lider do PS é hoje Sócrates, e não Ferro Rodrigues, não se esqueçam também.
Aparentemente, pois, a actuação do Presidente da República foi impecável e muito inteligente, quando examinada na sua globalidade.
Discordo.
É que não era preciso ser bruxo, quatro meses atrás, para perceber que era isto que iria suceder, sendo Santana Lopes quem é. E, se isto é verdade, estes quatro meses foram um tempo perdido para o País.
Ou talvez não, pensando melhor.
Agora, a pouca aptidão de Santana Lopes para Primeiro-Ministro foi abundantemente demonstrada.
Agora, como exigia há dias Cavaco Silva, talvez tenha chegado o tempo da entrada em cena de políticos-homens e mulheres de barba rija, em vez de rapazes reguilas e atrevidos.
O unico problema é que ninguém sabe onde eles estão, esses políticos de primeira água ...
Com mais de quatro meses de atraso, o Presidente da República decidiu dissolver a Assembleia da República e abrir caminho a eleições antecipadas.
Ouve-se um suspiro de alívio generalizado, o próprio Santana Lopes pareceu resignado e mesmo aliviado.
Ninguém agora irá contestar com grande veemência esta decisão do Presidente, depois de ser tão visível a balbúrdia e trapalhada política que este Governo trouxe à vida nacional.
Dá a ideia que Sampaio esperou por essa má actuação de Santana Lopes para ganhar força e tomar uma decisão quando toda a gente já tivesse visto, na realidade, o que valia este Governo.
O lider do PS é hoje Sócrates, e não Ferro Rodrigues, não se esqueçam também.
Aparentemente, pois, a actuação do Presidente da República foi impecável e muito inteligente, quando examinada na sua globalidade.
Discordo.
É que não era preciso ser bruxo, quatro meses atrás, para perceber que era isto que iria suceder, sendo Santana Lopes quem é. E, se isto é verdade, estes quatro meses foram um tempo perdido para o País.
Ou talvez não, pensando melhor.
Agora, a pouca aptidão de Santana Lopes para Primeiro-Ministro foi abundantemente demonstrada.
Agora, como exigia há dias Cavaco Silva, talvez tenha chegado o tempo da entrada em cena de políticos-homens e mulheres de barba rija, em vez de rapazes reguilas e atrevidos.
O unico problema é que ninguém sabe onde eles estão, esses políticos de primeira água ...
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Vitor Cunha
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11/30/2004 07:36:00 da tarde
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sexta-feira, novembro 26, 2004
COERÊNCIA OU TEIMOSIA ? CORAGEM OU SUICÍDIO ?
Impressionante. Intrigante.
Não consigo compreender a persistência teimosa do PCP nos ultimos anos.
Será que a verdadeira questão, o verdadeiro objectivo daquele partido é a coerência com as posições anteriores ?
Será que a virtude extrema de um militante do PCP é permanecer cego e surdo a tudo aquilo que os rodeia ?
Não mudar é, em si mesmo, uma virtude ?
Como explicam os dirigentes do PCP que o partido tenha cada vez menos votos, cada vez menos influência mesmo nos estratos sociais de cuja origem se reclama ?
Que critérios usam esses dirigentes para aferir a adequação das suas opiniões e das suas propostas políticas ? Ou essa questão não os preocupa ?
Que estranho maniqueismo os faz considerar como traição ou colagem ao PS e à direita qualquer crítica interna, qualquer proposta de alteração e adaptação aos tempos modernos ?
Que raio de eficácia política ou social poderá ter um partido que está tão desajustado da realidade como se vivesse noutro país ?
Que estranho autismo os fará manter uma linha política que a história mostrou ter sido catastrófica e criminosa em tantos países do mundo ?
Que espantosa cegueira os faz ignorar os anseios e necessidades das camadas populacionais mais necessitadas e falar como se Portugal em 2004 fosse um país de operários e camponeses ?? Onde é que diabo estão esses gajos ?
E sabem o que é mais dramático ?
É que tenho a convicção de que seria muito importante para o país ter um PCP moderno e ajustado às novas preocupações. Um partido como o PCP seria um tempero indispensável numa sociedade demasiado liberal, demasiado centrada numa política de voragem de destruição, abdicação e rapina.
Um PCP revigorado e actualizado seria tão util ao nosso país como uma URSS, igualmente actualizada e democratizada, seria ao Mundo, em contraponto a uns EUA demasiado impantes e impunes.
Não se trata de trair seja o que for, ou de cedências ou de desvios ... trata-se apenas de inteligência, sensibilidade, capacidade de leitura da realidade e, talvez mais importante que tudo isso, trata-se de interesse genuino pelos mais desprotegidos da sociedade.
Tudo aquilo que Jerónimo de Sousa não vai ser capaz de fazer. Com a indispensável vénia de respeito ao homem que ele é.
Já o disse uma vez e digo-o hoje outra vez : mas porque é que o PCP devia ter um lider diferente, se os outros todos têm os que têm ?
Impressionante. Intrigante.
Não consigo compreender a persistência teimosa do PCP nos ultimos anos.
Será que a verdadeira questão, o verdadeiro objectivo daquele partido é a coerência com as posições anteriores ?
Será que a virtude extrema de um militante do PCP é permanecer cego e surdo a tudo aquilo que os rodeia ?
Não mudar é, em si mesmo, uma virtude ?
Como explicam os dirigentes do PCP que o partido tenha cada vez menos votos, cada vez menos influência mesmo nos estratos sociais de cuja origem se reclama ?
Que critérios usam esses dirigentes para aferir a adequação das suas opiniões e das suas propostas políticas ? Ou essa questão não os preocupa ?
Que estranho maniqueismo os faz considerar como traição ou colagem ao PS e à direita qualquer crítica interna, qualquer proposta de alteração e adaptação aos tempos modernos ?
Que raio de eficácia política ou social poderá ter um partido que está tão desajustado da realidade como se vivesse noutro país ?
Que estranho autismo os fará manter uma linha política que a história mostrou ter sido catastrófica e criminosa em tantos países do mundo ?
Que espantosa cegueira os faz ignorar os anseios e necessidades das camadas populacionais mais necessitadas e falar como se Portugal em 2004 fosse um país de operários e camponeses ?? Onde é que diabo estão esses gajos ?
E sabem o que é mais dramático ?
É que tenho a convicção de que seria muito importante para o país ter um PCP moderno e ajustado às novas preocupações. Um partido como o PCP seria um tempero indispensável numa sociedade demasiado liberal, demasiado centrada numa política de voragem de destruição, abdicação e rapina.
Um PCP revigorado e actualizado seria tão util ao nosso país como uma URSS, igualmente actualizada e democratizada, seria ao Mundo, em contraponto a uns EUA demasiado impantes e impunes.
Não se trata de trair seja o que for, ou de cedências ou de desvios ... trata-se apenas de inteligência, sensibilidade, capacidade de leitura da realidade e, talvez mais importante que tudo isso, trata-se de interesse genuino pelos mais desprotegidos da sociedade.
Tudo aquilo que Jerónimo de Sousa não vai ser capaz de fazer. Com a indispensável vénia de respeito ao homem que ele é.
Já o disse uma vez e digo-o hoje outra vez : mas porque é que o PCP devia ter um lider diferente, se os outros todos têm os que têm ?
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Vitor Cunha
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11/26/2004 01:56:00 da tarde
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terça-feira, novembro 23, 2004
UMA VIAGEM AO RIBATEJO
Saímos de Lisboa pelas 10 da manhã, eu todo engaiolado numa caixa de plástico com muitas frestas que me permitem ver a rua e as pessoas. Não fazia a mínima ideia para onde íamos, a mim ninguém diz nada por mais que eu mie a reclamar. Fosse como fosse, foi agradável a viagem : a minha dona tirou-me da caixa e deitou-me no seu colo e eu ia vendo as árvores a passar, lá fora, muito depressa.
Sabem a velocidade que temos de dar quando queremos apanhar um rato ou um pássaro ? Pois eu acho que íamos a andar mais depressa ainda que isso. Não faço ideia de como é possível uma coisa dessas, deviam ver ...
Uma soneca e chegámos. Numa terra do Ribatejo, ouvi-os dizer, mas não me ralei nada, porque me foram mostrar um sítio muito bonito ( o que será um quintal ? ), cheio de ervas, ramos de árvores espalhados pelo chão e muitos cheiros novos ... Tchiiii, aquilo pareceu-me muito grande, mas também é verdade que eu sou pequenito e acho tudo muito grande, porque ainda não sou capaz de correr muito depressa.
Só vos digo que foi a sensação mais maravilhosa que tive até hoje ! A princípio estava um pouco medroso, havia uns arbustos muitoooooo altos e cheios de esconderijos e passagens secretas, mas nunca me afastei muito do meu dono, essa é que é a verdade.
Ele andava a apanhar umas bolas amarelas, de umas árvores que vi com muitas dessas bolas penduradas, e punha-os numa cesta. Não faço a mínima ideia para que quer ele aquilo, nem sequer cheiram bem, as bolas, fui lá cheirá-las e quase espirrei ! Tive que lavar as mãos bem lavadas a seguir, aquilo até sabe mal ! É lá com ele, pensei, eu tenho aqui muito com que me entreter.
O pior foi pouco depois ... de repente, aparece-me à frente, vindo não sei donde, um tipo muito maior e mais velho que eu, preto com grandes malhas brancas. O parvalhão estava todo excitado, pôs-se a falar grosso e a mostrar os dentes, como se me fosse assustar com aquilo ... e a verdade é que assustou mesmo, o estúpido. Lá tive que miar a pedir auxílio ao meu dono : ele olhou e começou a dizer palavrões para o cretino invasor e a correr direito a ele, enquanto me pegava ao colo. O outro, o herói ribatejano, só teve tempo para fugir dali, a vociferar e a bufar . Bem feito, este meu dono ainda serve para alguma coisa ! Ouvi-o depois ( ao meu dono ) a dizer não sei quê de gatos territoriais, mas achei aquilo uma grande léria. O outro tipo deve ser é mesmo parvo de todo, que mal lhe ia eu fazer ?
Bem, com aquela mania das explorações, tinha-me esquecido de comer, o que raramente me acontece. Fui reclamar à minha dona ( acho que ela é que me sabe compreender quanto a essas coisas ) e lá me serviu um magnífico prato com bocadinhos de uma coisa muito saborosa a que ela chama peixe. Não sei bem se é peixe se é pescada, porque já a ouvi dizer as duas coisas... se calhar, ela não sabe bem o nome e diz outro qualquer, de vez em quando. Aquilo é mesmo bom, seja uma coisa ou outra, não tenho querido comer mais nada ... A não ser, claro, para acompanhar, um pouco de um líquido cheiroso e saboroso, parecido com aquilo que eu chupava na minha mãe. Também gosto muito disso.
O meu dono prefere um líquido, também, mas o dele é umas vezes quase preto, outras vezes quase amarelo, ainda não percebi porque é que ele muda de côr.
Bom, não vos quero maçar mais ... daí a um bocado, lá fomos outra vez para aquela casa esquisita que anda muito depressa. Desta vez, nem sequer me puseram na caixa que eu odeio, fui directamente para o colo da minha dona.
E sabem que mais ? Adormeci logo, estafado com as correrias e saltos. Quando acordei já estava na minha casa verdadeira outra vez, estoirado de todo, sem sequer conseguir abrir os olhos ( ainda não tenho 2 meses, é preciso ver ) ... mas feliz com aquela aventura.
Aquilo de andar “à solta” deve ter as suas compensações ... tenho de lá voltar !
Saímos de Lisboa pelas 10 da manhã, eu todo engaiolado numa caixa de plástico com muitas frestas que me permitem ver a rua e as pessoas. Não fazia a mínima ideia para onde íamos, a mim ninguém diz nada por mais que eu mie a reclamar. Fosse como fosse, foi agradável a viagem : a minha dona tirou-me da caixa e deitou-me no seu colo e eu ia vendo as árvores a passar, lá fora, muito depressa.
Sabem a velocidade que temos de dar quando queremos apanhar um rato ou um pássaro ? Pois eu acho que íamos a andar mais depressa ainda que isso. Não faço ideia de como é possível uma coisa dessas, deviam ver ...
Uma soneca e chegámos. Numa terra do Ribatejo, ouvi-os dizer, mas não me ralei nada, porque me foram mostrar um sítio muito bonito ( o que será um quintal ? ), cheio de ervas, ramos de árvores espalhados pelo chão e muitos cheiros novos ... Tchiiii, aquilo pareceu-me muito grande, mas também é verdade que eu sou pequenito e acho tudo muito grande, porque ainda não sou capaz de correr muito depressa.
Só vos digo que foi a sensação mais maravilhosa que tive até hoje ! A princípio estava um pouco medroso, havia uns arbustos muitoooooo altos e cheios de esconderijos e passagens secretas, mas nunca me afastei muito do meu dono, essa é que é a verdade.
Ele andava a apanhar umas bolas amarelas, de umas árvores que vi com muitas dessas bolas penduradas, e punha-os numa cesta. Não faço a mínima ideia para que quer ele aquilo, nem sequer cheiram bem, as bolas, fui lá cheirá-las e quase espirrei ! Tive que lavar as mãos bem lavadas a seguir, aquilo até sabe mal ! É lá com ele, pensei, eu tenho aqui muito com que me entreter.
O pior foi pouco depois ... de repente, aparece-me à frente, vindo não sei donde, um tipo muito maior e mais velho que eu, preto com grandes malhas brancas. O parvalhão estava todo excitado, pôs-se a falar grosso e a mostrar os dentes, como se me fosse assustar com aquilo ... e a verdade é que assustou mesmo, o estúpido. Lá tive que miar a pedir auxílio ao meu dono : ele olhou e começou a dizer palavrões para o cretino invasor e a correr direito a ele, enquanto me pegava ao colo. O outro, o herói ribatejano, só teve tempo para fugir dali, a vociferar e a bufar . Bem feito, este meu dono ainda serve para alguma coisa ! Ouvi-o depois ( ao meu dono ) a dizer não sei quê de gatos territoriais, mas achei aquilo uma grande léria. O outro tipo deve ser é mesmo parvo de todo, que mal lhe ia eu fazer ?
Bem, com aquela mania das explorações, tinha-me esquecido de comer, o que raramente me acontece. Fui reclamar à minha dona ( acho que ela é que me sabe compreender quanto a essas coisas ) e lá me serviu um magnífico prato com bocadinhos de uma coisa muito saborosa a que ela chama peixe. Não sei bem se é peixe se é pescada, porque já a ouvi dizer as duas coisas... se calhar, ela não sabe bem o nome e diz outro qualquer, de vez em quando. Aquilo é mesmo bom, seja uma coisa ou outra, não tenho querido comer mais nada ... A não ser, claro, para acompanhar, um pouco de um líquido cheiroso e saboroso, parecido com aquilo que eu chupava na minha mãe. Também gosto muito disso.
O meu dono prefere um líquido, também, mas o dele é umas vezes quase preto, outras vezes quase amarelo, ainda não percebi porque é que ele muda de côr.
Bom, não vos quero maçar mais ... daí a um bocado, lá fomos outra vez para aquela casa esquisita que anda muito depressa. Desta vez, nem sequer me puseram na caixa que eu odeio, fui directamente para o colo da minha dona.
E sabem que mais ? Adormeci logo, estafado com as correrias e saltos. Quando acordei já estava na minha casa verdadeira outra vez, estoirado de todo, sem sequer conseguir abrir os olhos ( ainda não tenho 2 meses, é preciso ver ) ... mas feliz com aquela aventura.
Aquilo de andar “à solta” deve ter as suas compensações ... tenho de lá voltar !
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Vitor Cunha
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11/23/2004 10:12:00 da tarde
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domingo, novembro 21, 2004
ABAIXO O SUOR NA EDUCAÇÃO !
Psicólogos, pediatras, pedagogos e sei lá mais quantos “sábios” vieram a terreiro desancar nos professores que se atrevem a mandar os meninos e meninas fazer trabalhos em casa ( TPC ). Pobrezitos, desunham-se a estudar a sério durante todo o santo dia, empenhados, entusiasmados, sem tempo sequer para limpar o suor que lhes cai rosto abaixo, enquanto escrevem e lêem nas salas de aula e depois ainda têm que ir para casa fazer TPC !!
E gastam nisso cerca de 5 horas por semana ! CINCO !!
Já viram ? Vejam lá se no resto da OCDE é assim ... é o tanas, claro : na média da OCDE trabalha-se MUITO MENOS, cerca de 4 horas e 36 minutos !! Faz toda a diferença, são cerca de uns longos 5 minutos por dia de diferença, o que é COLOSSAL !
Sinceramente, dou toda a razão aos “sábios” que levantaram esta questão. Os nossos jovens são autenticamente massacrados nas escolas, obrigam-os a trabalhar de uma forma desumana. E depois, para quê ? Não somos nós já dos melhores da Europa, se é que não do Mundo ? Pelo menos em Matemática, Física, Informática, Línguas ( incluindo o Português ) .... temos sempre as melhores classificações nesses concursos internacionais, como os Jogos Olímpicos da Matemática e outros ...
Eu iria até mais longe : proibia os TPC ; acabava com todos os exames, locais e nacionais ; proibia os professores de fazer testes escritos ou orais ( já pensaram no stress que isso provoca ? ) e, finalmente, decretava que só havia escola três dias por semana. Desses três dias, um deles seria obrigatoriamente dedicado ao futebol ou ao teatro, conforme as inclinações dos alunos.
Afinal, andar ao pontapé uns aos outros e a fazer de conta que somos um povo decente é aquilo de que mais precisamos ao longo da vida, não é ?
Então ? 'Bora nisso ?
Psicólogos, pediatras, pedagogos e sei lá mais quantos “sábios” vieram a terreiro desancar nos professores que se atrevem a mandar os meninos e meninas fazer trabalhos em casa ( TPC ). Pobrezitos, desunham-se a estudar a sério durante todo o santo dia, empenhados, entusiasmados, sem tempo sequer para limpar o suor que lhes cai rosto abaixo, enquanto escrevem e lêem nas salas de aula e depois ainda têm que ir para casa fazer TPC !!
E gastam nisso cerca de 5 horas por semana ! CINCO !!
Já viram ? Vejam lá se no resto da OCDE é assim ... é o tanas, claro : na média da OCDE trabalha-se MUITO MENOS, cerca de 4 horas e 36 minutos !! Faz toda a diferença, são cerca de uns longos 5 minutos por dia de diferença, o que é COLOSSAL !
Sinceramente, dou toda a razão aos “sábios” que levantaram esta questão. Os nossos jovens são autenticamente massacrados nas escolas, obrigam-os a trabalhar de uma forma desumana. E depois, para quê ? Não somos nós já dos melhores da Europa, se é que não do Mundo ? Pelo menos em Matemática, Física, Informática, Línguas ( incluindo o Português ) .... temos sempre as melhores classificações nesses concursos internacionais, como os Jogos Olímpicos da Matemática e outros ...
Eu iria até mais longe : proibia os TPC ; acabava com todos os exames, locais e nacionais ; proibia os professores de fazer testes escritos ou orais ( já pensaram no stress que isso provoca ? ) e, finalmente, decretava que só havia escola três dias por semana. Desses três dias, um deles seria obrigatoriamente dedicado ao futebol ou ao teatro, conforme as inclinações dos alunos.
Afinal, andar ao pontapé uns aos outros e a fazer de conta que somos um povo decente é aquilo de que mais precisamos ao longo da vida, não é ?
Então ? 'Bora nisso ?
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Vitor Cunha
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11/21/2004 07:49:00 da tarde
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sábado, novembro 20, 2004
DOUTORES EM ECONOMIA, POLÍTICOS ... E NÓS, OS CRIMINOSOS CONSUMIDORES !
( texto não aconselhável a pessoas impacientes ou àquelas que apenas gostam de ver a quinta não sei de quem )
Todos sabemos que a política, em democracia, é uma espécie de equilibrio na corda bamba, em que se perdem votos, frequentemente, quando se tomam boas decisões e, ao invés, se é recompensado com a confiança acrescida das pessoas ao tomar decisões estratégicamente erradas. A esta ultima táctica chama-se demagogia, toda a gente sabe isto.
Já alguma vez pensaram, porém, quem é que avalia, com rigor e isenção, se uma determinada decisão política é ajustada, errada ou apenas demagógica ?
Não é problema menor, responder a esta questão. Bem vistas as coisas, uma decisão política é sempre correcta para os correligionários do governo que a tomou e normalmente errada para os seus opositores. No caso de não a poderem baptizar de errada, então chamam-lhe demagógica. Ou seja, não é má em si mesmo, mas está-se mesmo a ver que foi tomada só para ganhar votos.
O povo, esse, habituado a estas questões, está-se nas tintas para a eventual demagogia : toda a gente sabe que em vésperas de eleições é que se resolvem os problemas...Há mesmo quem afirme que as eleições deviam ser feitas todos os anos, por esse motivo !
Não me compete defender este governo que temos agora. Nem nenhum outro, para ser verdadeiro. Como muitas outras pessoas, não gosto mesmo do “cheiro” que este poder político emana.
Mas ... baixar o IRS é bom, mau ou demagógico ? Desbloquear o acesso às contas bancárias é bom, mau ou demagógico ? Aumentar os funcionários públicos é bom, mau ou é demagógico ?
Das críticas que têm vindo a aparecer ao projecto de orçamento para 2005, entre elas as do Banco de Portugal, retiram-se as seguintes ideias :
--> Não há margem de manobra para baixar impostos ... ou, noutra versão, a baixa dos impostos não existe, de facto ;
--> O consumo está a aumentar – e irá ainda aumentar mais, com este orçamento – quando o que devia aumentar era as exportações ;
--> Não podemos ainda deixar de nos preocupar com os déficits orçamentais, e este orçamento não cuida disso ;
--> Nesta fase do ciclo económico, em que começa a haver algum crescimento, deve reforçar-se a contenção e a consolidação das contas e não alinhar no “esbanjamento” como aconteceu no guterrismo.
Pessoalmente, acho um piadão a estes doutores da pseudo-ciência económica. Esquecem-se, quase sempre, que os actores da economia real são pessoas e não numeros, e ficam muito admirados e escandalizados quando essas pessoas ( que para eles são apenas variáveis de um sistema ! ) resolvem não proceder como eles previram ou gostariam.
Agora a grande algazarra é contra os consumidores, que decidiram começar a consumir coisas ( automóveis, TVs, casas, que sei eu ... ) antes deles dizerem “Já podem !” ....
É que assim, as importações aumentaram muito mais que as exportações e isso é horrível, dizem eles ! Não é sustentável !
Mas que culpa têm as pessoas que cá em Portugal não se produza nada a não ser receber turismo ? Vamos todos ficar à espera que se resolvam a aumentar as exportações antes de comprar casa e carro e rádio e televisão ? E isso é que seria bom para a economia ?
Ora deixem-se de tretas para-científicas, sim ? Não são os consumidores que devem resolver os problemas estruturais do país, são eles, os políticos, auxiliados pelo Banco de Portugal e outras digníssimas instituições. E são os empresários, também.
Mas já alguma vez, em algum país do mundo, os economistas e analistas financeiros e políticos ajudaram a criar o que quer que fosse ?
E quanto a contenções salariais, que o senhor dr. Vitor Constâncio tanto se afadiga a recomendar, vivamente, nos ultimos anos, apetecer-me-ia aconselhá-lo a começar por si e pelos outros administradores do Banco de Portugal. O exemplo tem sempre muita força, sabe ? Mas se calhar vão dizer que isto é demagogia da minha parte ...
Conclusão : não temos um governo capaz, é certo, mas esta oposição e estes técnicos das coisas económicas também não nos dizem para onde devíamos ir, pois não ?
( texto não aconselhável a pessoas impacientes ou àquelas que apenas gostam de ver a quinta não sei de quem )
Todos sabemos que a política, em democracia, é uma espécie de equilibrio na corda bamba, em que se perdem votos, frequentemente, quando se tomam boas decisões e, ao invés, se é recompensado com a confiança acrescida das pessoas ao tomar decisões estratégicamente erradas. A esta ultima táctica chama-se demagogia, toda a gente sabe isto.
Já alguma vez pensaram, porém, quem é que avalia, com rigor e isenção, se uma determinada decisão política é ajustada, errada ou apenas demagógica ?
Não é problema menor, responder a esta questão. Bem vistas as coisas, uma decisão política é sempre correcta para os correligionários do governo que a tomou e normalmente errada para os seus opositores. No caso de não a poderem baptizar de errada, então chamam-lhe demagógica. Ou seja, não é má em si mesmo, mas está-se mesmo a ver que foi tomada só para ganhar votos.
O povo, esse, habituado a estas questões, está-se nas tintas para a eventual demagogia : toda a gente sabe que em vésperas de eleições é que se resolvem os problemas...Há mesmo quem afirme que as eleições deviam ser feitas todos os anos, por esse motivo !
Não me compete defender este governo que temos agora. Nem nenhum outro, para ser verdadeiro. Como muitas outras pessoas, não gosto mesmo do “cheiro” que este poder político emana.
Mas ... baixar o IRS é bom, mau ou demagógico ? Desbloquear o acesso às contas bancárias é bom, mau ou demagógico ? Aumentar os funcionários públicos é bom, mau ou é demagógico ?
Das críticas que têm vindo a aparecer ao projecto de orçamento para 2005, entre elas as do Banco de Portugal, retiram-se as seguintes ideias :
--> Não há margem de manobra para baixar impostos ... ou, noutra versão, a baixa dos impostos não existe, de facto ;
--> O consumo está a aumentar – e irá ainda aumentar mais, com este orçamento – quando o que devia aumentar era as exportações ;
--> Não podemos ainda deixar de nos preocupar com os déficits orçamentais, e este orçamento não cuida disso ;
--> Nesta fase do ciclo económico, em que começa a haver algum crescimento, deve reforçar-se a contenção e a consolidação das contas e não alinhar no “esbanjamento” como aconteceu no guterrismo.
Pessoalmente, acho um piadão a estes doutores da pseudo-ciência económica. Esquecem-se, quase sempre, que os actores da economia real são pessoas e não numeros, e ficam muito admirados e escandalizados quando essas pessoas ( que para eles são apenas variáveis de um sistema ! ) resolvem não proceder como eles previram ou gostariam.
Agora a grande algazarra é contra os consumidores, que decidiram começar a consumir coisas ( automóveis, TVs, casas, que sei eu ... ) antes deles dizerem “Já podem !” ....
É que assim, as importações aumentaram muito mais que as exportações e isso é horrível, dizem eles ! Não é sustentável !
Mas que culpa têm as pessoas que cá em Portugal não se produza nada a não ser receber turismo ? Vamos todos ficar à espera que se resolvam a aumentar as exportações antes de comprar casa e carro e rádio e televisão ? E isso é que seria bom para a economia ?
Ora deixem-se de tretas para-científicas, sim ? Não são os consumidores que devem resolver os problemas estruturais do país, são eles, os políticos, auxiliados pelo Banco de Portugal e outras digníssimas instituições. E são os empresários, também.
Mas já alguma vez, em algum país do mundo, os economistas e analistas financeiros e políticos ajudaram a criar o que quer que fosse ?
E quanto a contenções salariais, que o senhor dr. Vitor Constâncio tanto se afadiga a recomendar, vivamente, nos ultimos anos, apetecer-me-ia aconselhá-lo a começar por si e pelos outros administradores do Banco de Portugal. O exemplo tem sempre muita força, sabe ? Mas se calhar vão dizer que isto é demagogia da minha parte ...
Conclusão : não temos um governo capaz, é certo, mas esta oposição e estes técnicos das coisas económicas também não nos dizem para onde devíamos ir, pois não ?
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11/20/2004 07:15:00 da tarde
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sexta-feira, novembro 19, 2004
O PIPOCAS E OS TRÊS LIDERES QUE TEMOS
Está decidido. Após “auscultação consensualizada” ( ?? ), como diz o comunicado do PCP, resolvemos dar o nome de PIPOCAS ao nosso jovem gatinho. É amarelo e branco, como elas, e tem uns olhos doces. O nome é sonoro e fácil de dizer. Fica, pois, PIPOCAS.
Como não vamos realizar um congresso só para ratificar este nome, fica assim e pronto. Nem mais é de esperar num país onde nem sequer o governo foi eleito.
Voltando ao início, já leram ou ouviram o comunicado do PCP ? Parece que Jerónimo de Sousa vai mesmo ser o futuro secretário-geral daquele partido.
Claro que têm todo o direito de escolher Jerónimo de Sousa para liderar o partido. Também o PSD escolheu Santana Lopes e o PS elegeu José Sócrates.
Três escolhas ambíguas, discutíveis, sem esperança nem emoção. Lembram-se de Sá Carneiro, Soares e Cunhal ? Meu Deus, até onde iremos descer ?
Nenhum destes homens é, aparentemente, aquilo que o seu partido mais precisaria. Ou mesmo aquilo que o país exigiria. Mas todos eles são, certamente, aquilo que os seus partidos merecem actualmente... e, se calhar, o mesmo se aplica quanto ao país.
Já notaram que continua a imperar o domínio da imagem, da comunicação social, do tipo que já tem um nome feito e conhecido ? Até o PCP já aderiu à moda de escolher um lider mediatizado e mediatizável.
Enfim, é assim que somos, que havemos de fazer ?
De qualquer forma, vai ser giro observar as discussões destes três candidatos à liderança do país ( mais dois que o terceiro, embora ), já que nenhum deles tem nada no seu interior parecido a um projecto estruturante, uma ideia de futuro, um sonho sequer.
Nada. Todos eles são especialistas do vazio mediatizado, da palavra ôca e sem sumo.
Vão ser mais uns anos perdidos, os próximos.
Uma vez mais, Portugal adiado.
Entretanto, viva o PIPOCAS !
Está decidido. Após “auscultação consensualizada” ( ?? ), como diz o comunicado do PCP, resolvemos dar o nome de PIPOCAS ao nosso jovem gatinho. É amarelo e branco, como elas, e tem uns olhos doces. O nome é sonoro e fácil de dizer. Fica, pois, PIPOCAS.
Como não vamos realizar um congresso só para ratificar este nome, fica assim e pronto. Nem mais é de esperar num país onde nem sequer o governo foi eleito.
Voltando ao início, já leram ou ouviram o comunicado do PCP ? Parece que Jerónimo de Sousa vai mesmo ser o futuro secretário-geral daquele partido.
Claro que têm todo o direito de escolher Jerónimo de Sousa para liderar o partido. Também o PSD escolheu Santana Lopes e o PS elegeu José Sócrates.
Três escolhas ambíguas, discutíveis, sem esperança nem emoção. Lembram-se de Sá Carneiro, Soares e Cunhal ? Meu Deus, até onde iremos descer ?
Nenhum destes homens é, aparentemente, aquilo que o seu partido mais precisaria. Ou mesmo aquilo que o país exigiria. Mas todos eles são, certamente, aquilo que os seus partidos merecem actualmente... e, se calhar, o mesmo se aplica quanto ao país.
Já notaram que continua a imperar o domínio da imagem, da comunicação social, do tipo que já tem um nome feito e conhecido ? Até o PCP já aderiu à moda de escolher um lider mediatizado e mediatizável.
Enfim, é assim que somos, que havemos de fazer ?
De qualquer forma, vai ser giro observar as discussões destes três candidatos à liderança do país ( mais dois que o terceiro, embora ), já que nenhum deles tem nada no seu interior parecido a um projecto estruturante, uma ideia de futuro, um sonho sequer.
Nada. Todos eles são especialistas do vazio mediatizado, da palavra ôca e sem sumo.
Vão ser mais uns anos perdidos, os próximos.
Uma vez mais, Portugal adiado.
Entretanto, viva o PIPOCAS !
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Vitor Cunha
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11/19/2004 01:00:00 da manhã
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quinta-feira, novembro 18, 2004
NÃO É SÓ NO REINO DA DINAMARCA ...
Estas discussões na Assembleia da República são uma enorme perda de tempo para os deputados e de dinheiro para os contribuintes. Ninguém nunca nos espanta com uma posição original, independente da estratégia do seu partido, algo de pessoal. É sempre a mesma troca absurda de argumentos a que ninguém liga. É uma coisa enfadonha, sem garra, sem imaginação e sem paixão. E também sem futuro, não acredito que esta monotonia e ineficácia se possam manter por muito mais tempo.
A disciplina partidária obriga o deputado a ter uma opinião única, a do seu partido. Dizem os defensores desta prática que, de outra forma, os partidos ficariam ameaçados, sem nunca poderem definir e aplicar com segurança uma estratégia integrada na sua luta.
Pois é, isso é o que eles dizem.
O que eu digo é que isto é revoltante, repugnante mesmo. Estou farto de ver senhores tipo DVD ( é preciso actualizar aquela da cassette, não acham ? ), muito bem postos, todos a dizer o mesmo, em cada um dos partidos. Se assim é, para que serve uma discussão na Assembleia ? Só para fingir que os problemas são discutidos ?
Confesso, hoje, agora e aqui : não tenho o mínimo respeito pela Assembleia da República. Nunca consentiria em ser deputado.E não me culpem, se ficarem chocados com a afirmação. Culpem-os a eles, aos senhores deputados, e a todos os dirigentes partidários que deixaram desprestigiar completamente aquela casa.
E nem sequer percebem isso, nem sequer sabem o que pensam deles as pessoas que dizem representar.
Mas nada disto é para admirar, de facto. A vida política nacional está em degradação acelerada, cheira a pôdre por toda a parte. Poucos orgãos são respeitados, há uma sensação vaga de que todos podem fazer o que quiserem, porque ninguém tem poder, verdadeiramente. Os tribunais estão desacreditados ; a Assembleia é uma farsa ; o Governo dá uma sensação de irrealidade, ninguém aposta nele a sério ; os hospitais ou não conseguem atender as pessoas doentes ou provocam-lhes a morte ; as escolas vivem o seu dia-a-dia a fingir que ensinam alguém ; as finanças cobram dinheiro aos pobres e ignoram os ricos ; as televisões e os jornais despedem quem lhes não agrade ; a Alta Autoridade para a Comunicação Social diz que houve pressão ilegitima de um Ministro deste Governo sobre a TVI e os deputados da maioria assobiam para o ar e dizem que não concordam ....
No meio disto tudo, o senhor Presidente da República preocupa-se, honra lhe seja feita, e a Associação 25 de Abril promove um colóquio sobre a democracia ...
Sabem o motivo de tudo isto ?
Os homens e mulheres do meu país deixaram de ter valores e ética. Passaram a ter partidos e sindicatos e associações patronais e coisas dessas, mas perderam a vergonha, a honra, a modéstia, a sinceridade, a espiritualidade, a verticalidade e tantas outras coisas.
A hora é dos mercadores de bens e de almas. A hora é dos vendilhões do templo. E o pior de tudo é que já não vejo nenhum Jesus Cristo que os expulse das nossas vidas.
Estas discussões na Assembleia da República são uma enorme perda de tempo para os deputados e de dinheiro para os contribuintes. Ninguém nunca nos espanta com uma posição original, independente da estratégia do seu partido, algo de pessoal. É sempre a mesma troca absurda de argumentos a que ninguém liga. É uma coisa enfadonha, sem garra, sem imaginação e sem paixão. E também sem futuro, não acredito que esta monotonia e ineficácia se possam manter por muito mais tempo.
A disciplina partidária obriga o deputado a ter uma opinião única, a do seu partido. Dizem os defensores desta prática que, de outra forma, os partidos ficariam ameaçados, sem nunca poderem definir e aplicar com segurança uma estratégia integrada na sua luta.
Pois é, isso é o que eles dizem.
O que eu digo é que isto é revoltante, repugnante mesmo. Estou farto de ver senhores tipo DVD ( é preciso actualizar aquela da cassette, não acham ? ), muito bem postos, todos a dizer o mesmo, em cada um dos partidos. Se assim é, para que serve uma discussão na Assembleia ? Só para fingir que os problemas são discutidos ?
Confesso, hoje, agora e aqui : não tenho o mínimo respeito pela Assembleia da República. Nunca consentiria em ser deputado.E não me culpem, se ficarem chocados com a afirmação. Culpem-os a eles, aos senhores deputados, e a todos os dirigentes partidários que deixaram desprestigiar completamente aquela casa.
E nem sequer percebem isso, nem sequer sabem o que pensam deles as pessoas que dizem representar.
Mas nada disto é para admirar, de facto. A vida política nacional está em degradação acelerada, cheira a pôdre por toda a parte. Poucos orgãos são respeitados, há uma sensação vaga de que todos podem fazer o que quiserem, porque ninguém tem poder, verdadeiramente. Os tribunais estão desacreditados ; a Assembleia é uma farsa ; o Governo dá uma sensação de irrealidade, ninguém aposta nele a sério ; os hospitais ou não conseguem atender as pessoas doentes ou provocam-lhes a morte ; as escolas vivem o seu dia-a-dia a fingir que ensinam alguém ; as finanças cobram dinheiro aos pobres e ignoram os ricos ; as televisões e os jornais despedem quem lhes não agrade ; a Alta Autoridade para a Comunicação Social diz que houve pressão ilegitima de um Ministro deste Governo sobre a TVI e os deputados da maioria assobiam para o ar e dizem que não concordam ....
No meio disto tudo, o senhor Presidente da República preocupa-se, honra lhe seja feita, e a Associação 25 de Abril promove um colóquio sobre a democracia ...
Sabem o motivo de tudo isto ?
Os homens e mulheres do meu país deixaram de ter valores e ética. Passaram a ter partidos e sindicatos e associações patronais e coisas dessas, mas perderam a vergonha, a honra, a modéstia, a sinceridade, a espiritualidade, a verticalidade e tantas outras coisas.
A hora é dos mercadores de bens e de almas. A hora é dos vendilhões do templo. E o pior de tudo é que já não vejo nenhum Jesus Cristo que os expulse das nossas vidas.
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Vitor Cunha
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11/18/2004 01:02:00 da manhã
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segunda-feira, novembro 15, 2004
UM NOVO AMIGO
Pois é : já tenho aqui em casa um novo inquilino, a quem vou fornecer cama, mesa e pêlo escovado em troca da sua amizade e companhia. É amarelo(a) e branco, tem um mês e meio ( nasceu a 30 de Setembro ultimo ) e veio do Estoril... Tinham-nos dito que era uma menina, e demos-lhe o nome de Lili, dado tratar-se de uma gata da linha, né ? Acontece que, afinal, parece tratar-se de um garboso mancebo e estamos ainda indecisos quanto ao nome ...
É muito corajoso e voluntarioso, já trepa às camas e salta delas abaixo, começou a comer sólidos hoje mesmo ( uns pedacinhos de peixe que o deixaram de cabeça à roda ... ) e tem um feitio alegre, falador ( mia muito ! ) e sociável.
Se quiserem, podem sugerir nomes para o bichano. Estão a vê-lo aí em cima, não estão ?
Claro que tenho ainda muito vivas as recordações do Cenoura, uma amizade de dois anos e pouco, e até me sinto um pouco a "trair" essa mesma amizade. Sério, é estranhíssimo que essas emoções aconteçam nas nossas relações com bichos e não só com pessoas.
Achámos, porém, que adoptar um novo gatinho seria o melhor remédio para a tristeza que foi a perda do Cenoura.
E parece dar resultado, a minha filha anda feliz com o bichano e eu, eu ando com ele ao colo e até lhe ponho uma manta de lã por cima, para ele dormir quentinho !
Vamos ver se consigo convencer este fulaninho que os dentes e as unhas dele e a minha pele não são lá muito compatíveis. E que essa incompatibilidade também existe em relação à pele dos sofás e ao tecido dos cortinados...
Ir-vos-ei dando notícia do desenvolvimento do jovem felino. Por enquanto, dorme beatificamente dentro da sua cesta, aqui junto a mim, como se nada no Mundo o pudesse ameaçar.
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Vitor Cunha
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11/15/2004 07:23:00 da tarde
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sábado, novembro 13, 2004
DESGARRADA ESQUIZOFRÉNICA
Para que serve este congresso do PSD ?
Afinal, os impostos vão descer em 2005 ? Ou só em 2006 ? Ou não vão mesmo descer ?
A proposta de orçamento de estado para 2005 é despesista, de contenção ou demagógica ? Este nosso primeiro-ministro é mesmo a sério ou é só uma imagem virtual ?
Marcelo Rebelo de Sousa foi ou não “empurrado” para fora da TVI ?
A liberdade de imprensa está em risco em Portugal ?
O senhor presidente da república continua ou não preocupado ?
Álvaro Barreto acha que Paes do Amaral apenas fez aquilo que todos os empresários fazem, e que é não hostilizar o poder político. Não se tratou, pois, de pressão sobre Marcelo. Álvaro Barreto pensa que nós somos estúpidos ? Ou é ele que está xoné ?
Jerónimo Sousa vai ser o novo líder do PCP ? Vai mesmo ??
Guterres quebrou um silêncio de 3 anos para dizer que a vida política portuguesa actual mais parece um reality show ... não deve mesmo gostar nada de reality shows, para dizer isto !
Os palestinianos enlouqueceram e invadiram o funeral da Yasser Arafat... aquelas imagens quase desfizeram, em breves minutos, aquilo que Arafat levou uma vida inteira a fazer : a credibilidade da Palestina para vir a ser um Estado soberano.
Um muçulmano extremista quase degolou, em plena Amsterdão, o realizador Van Gogh, só porque este filmou um documentário denunciando a forma ignóbil como o islão trata as mulheres. Ou pelo menos como certos muçulmanos o fazem, invocando o islão.
Esta acção, pretendendo ser de vingança e de defesa da dignidade, apenas confirmou aquilo que Van Gogh denunciara : a coberto da religião, há formas de pensar e de actuar que não podem ser albergadas e toleradas na Europa. Nem se calhar no resto do Mundo.
E por aí fora, assim vai este país e este mundo, a caminhar apressadamente para a insalubridade mental.
Para que serve este congresso do PSD ?
Afinal, os impostos vão descer em 2005 ? Ou só em 2006 ? Ou não vão mesmo descer ?
A proposta de orçamento de estado para 2005 é despesista, de contenção ou demagógica ? Este nosso primeiro-ministro é mesmo a sério ou é só uma imagem virtual ?
Marcelo Rebelo de Sousa foi ou não “empurrado” para fora da TVI ?
A liberdade de imprensa está em risco em Portugal ?
O senhor presidente da república continua ou não preocupado ?
Álvaro Barreto acha que Paes do Amaral apenas fez aquilo que todos os empresários fazem, e que é não hostilizar o poder político. Não se tratou, pois, de pressão sobre Marcelo. Álvaro Barreto pensa que nós somos estúpidos ? Ou é ele que está xoné ?
Jerónimo Sousa vai ser o novo líder do PCP ? Vai mesmo ??
Guterres quebrou um silêncio de 3 anos para dizer que a vida política portuguesa actual mais parece um reality show ... não deve mesmo gostar nada de reality shows, para dizer isto !
Os palestinianos enlouqueceram e invadiram o funeral da Yasser Arafat... aquelas imagens quase desfizeram, em breves minutos, aquilo que Arafat levou uma vida inteira a fazer : a credibilidade da Palestina para vir a ser um Estado soberano.
Um muçulmano extremista quase degolou, em plena Amsterdão, o realizador Van Gogh, só porque este filmou um documentário denunciando a forma ignóbil como o islão trata as mulheres. Ou pelo menos como certos muçulmanos o fazem, invocando o islão.
Esta acção, pretendendo ser de vingança e de defesa da dignidade, apenas confirmou aquilo que Van Gogh denunciara : a coberto da religião, há formas de pensar e de actuar que não podem ser albergadas e toleradas na Europa. Nem se calhar no resto do Mundo.
E por aí fora, assim vai este país e este mundo, a caminhar apressadamente para a insalubridade mental.
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Vitor Cunha
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11/13/2004 03:08:00 da tarde
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terça-feira, novembro 09, 2004
BOLAS, QUE MAIS ME IRÁ ACONTECER ??
Nos ultimos dias tem sido uma avalanche de coisas desagradáveis : a revolta dos electrodomésticos, para começar, com as baixas do aspirador e da máquina de lavar roupa que tive que substituir. Não sem antes percorrer dezasseis lojas de electrodomésticos : umas não têm para entrega, as outras entregam mas não recebem ( os equipamentos velhos a substituir ) e ainda há aquelas que não têm nada em armazém nem parecem interessadas em encomendar ... enfim, Portugal, não é ?
Depois, o cartão do multibanco que se recusou a funcionar, obrigando-me a ir ao banco pedir outro e a resmungar com os tipos que, em pleno século XXI, são incapazes de produzir cartões com tarjetas que não se desmagnetizem.
Pelo meio, mais uma escritura, naquele edificio gigantesco que é a sede da CGD em Lisboa : burocracia, atrasos, calor dentro da sala em pleno Novembro...
Que mais ? Ah, uma mini-viagem meio de aventura que tinha combinada com pessoa amiga foi para as urtigas, inesperadamente, na véspera da largada ...
E ainda falta algo ... ah, sim ... da clínica veterinária telefonaram a dizer que a gatinha que nos tinham prometido tinha metido requerimento para ficar a mamar na mãe durante mais uns dias. Que havia de fazer ? Deferi o requerimento e tive de aturar a desilusão da minha filha que anda impacientíssima para ter a gatita cá em casa.
Como vêem, só chatices, desilusões, frustações. Ehehehehe ...Só duques, com este jogo não vou longe.
E não sei se notaram que, no meio destas coisas chatas todas, nem sequer falei do Governo e dos seus actos esquisitíssimos. Nem do n_ésimo ataque americano a Falluja, destinado ao êxito estrondoso dos anteriores, certamente. Nem de mais uma brilhantíssima dissertação política desse portento intelectual que é o sr. Ministro das relações parlamentares.
Náaaaa ... desta vez, para me chatear, bastou uma máquina de lavar roupa que desatou a fazer disparar o disjuntor geral do meu quadro eléctrico ...
Grrrrr ... que raiva, pá !!
Nos ultimos dias tem sido uma avalanche de coisas desagradáveis : a revolta dos electrodomésticos, para começar, com as baixas do aspirador e da máquina de lavar roupa que tive que substituir. Não sem antes percorrer dezasseis lojas de electrodomésticos : umas não têm para entrega, as outras entregam mas não recebem ( os equipamentos velhos a substituir ) e ainda há aquelas que não têm nada em armazém nem parecem interessadas em encomendar ... enfim, Portugal, não é ?
Depois, o cartão do multibanco que se recusou a funcionar, obrigando-me a ir ao banco pedir outro e a resmungar com os tipos que, em pleno século XXI, são incapazes de produzir cartões com tarjetas que não se desmagnetizem.
Pelo meio, mais uma escritura, naquele edificio gigantesco que é a sede da CGD em Lisboa : burocracia, atrasos, calor dentro da sala em pleno Novembro...
Que mais ? Ah, uma mini-viagem meio de aventura que tinha combinada com pessoa amiga foi para as urtigas, inesperadamente, na véspera da largada ...
E ainda falta algo ... ah, sim ... da clínica veterinária telefonaram a dizer que a gatinha que nos tinham prometido tinha metido requerimento para ficar a mamar na mãe durante mais uns dias. Que havia de fazer ? Deferi o requerimento e tive de aturar a desilusão da minha filha que anda impacientíssima para ter a gatita cá em casa.
Como vêem, só chatices, desilusões, frustações. Ehehehehe ...Só duques, com este jogo não vou longe.
E não sei se notaram que, no meio destas coisas chatas todas, nem sequer falei do Governo e dos seus actos esquisitíssimos. Nem do n_ésimo ataque americano a Falluja, destinado ao êxito estrondoso dos anteriores, certamente. Nem de mais uma brilhantíssima dissertação política desse portento intelectual que é o sr. Ministro das relações parlamentares.
Náaaaa ... desta vez, para me chatear, bastou uma máquina de lavar roupa que desatou a fazer disparar o disjuntor geral do meu quadro eléctrico ...
Grrrrr ... que raiva, pá !!
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Vitor Cunha
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11/09/2004 09:28:00 da tarde
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segunda-feira, novembro 08, 2004
CADA VEZ MAIS EGOISTAS E INDIFERENTES ?
O mundo está esquisito. Todos os dias, a todas as horas, somos bombardeados com violência, com sangue, com mortes, com a fome, com actuações autoritárias ... é uma verdadeira orgia permanente de sangue, suor, lágrimas e horror.
Esta é uma das consequências da tremenda velocidade com que as notícias circulam em todo o Mundo.
Qual vai ser, a prazo, o efeito destas realidades que todos os dias nos entram pela casa adentro ?
Vai ser ...
(a) uma maior tomada de consciência dos males que afligem o mundo e consequentemente uma atitude mais participante das pessoas ?
(b) uma progressiva banalização do horror, e, consequentemente, a indução de uma atitude cada vez mais passiva e desinteressada das mesmas pessoas perante esses problemas ?
Não sei se será hoje possível responder claramente a esta pergunta. Mas é pelo menos possível especular, aduzindo argumentos.
Por mim, acho que todo este imenso show permanente não irá conduzir a nenhuma atitude positiva de reacção. Quando o medicamento é ministrado em overdose, o máximo que se consegue é uma intoxicação.
E se assim for, a violência cada vez será maior, por ausência de oposição e indignação, perante rebanhos de seres humanos cada vez mais apáticos e egoístas.
Será este o cenário previsível do nosso futuro ?
O mundo está esquisito. Todos os dias, a todas as horas, somos bombardeados com violência, com sangue, com mortes, com a fome, com actuações autoritárias ... é uma verdadeira orgia permanente de sangue, suor, lágrimas e horror.
Esta é uma das consequências da tremenda velocidade com que as notícias circulam em todo o Mundo.
Qual vai ser, a prazo, o efeito destas realidades que todos os dias nos entram pela casa adentro ?
Vai ser ...
(a) uma maior tomada de consciência dos males que afligem o mundo e consequentemente uma atitude mais participante das pessoas ?
(b) uma progressiva banalização do horror, e, consequentemente, a indução de uma atitude cada vez mais passiva e desinteressada das mesmas pessoas perante esses problemas ?
Não sei se será hoje possível responder claramente a esta pergunta. Mas é pelo menos possível especular, aduzindo argumentos.
Por mim, acho que todo este imenso show permanente não irá conduzir a nenhuma atitude positiva de reacção. Quando o medicamento é ministrado em overdose, o máximo que se consegue é uma intoxicação.
E se assim for, a violência cada vez será maior, por ausência de oposição e indignação, perante rebanhos de seres humanos cada vez mais apáticos e egoístas.
Será este o cenário previsível do nosso futuro ?
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11/08/2004 10:39:00 da tarde
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domingo, novembro 07, 2004
UM FIM DE SEMANA FEITO DE NADAS
Este foi um daqueles fins de semana em que, tudo pesado e bem visto, não fiz nada. Li, vi cinema, fui às compras, jantei fora na sexta feira ... mas a minha sensação é de que nada se passou. Conhecem esta sensação, não conhecem ? Quando tudo o que se faz sabe a rotina e a dejá-vue. Quando nada de excitante acontece, como por exemplo aquela balzaquiana jeitosa que mora ali em frente perguntar-me se quero jantar com ela ...Enfim, entendam isto como um exemplo, apenas, ehehehehe ...
Percebem ? Não aconteceu nada este fim de semana.
O melhor de tudo, afinal, foi aquele franguinho assado, que comi ao jantar com a minha filha, num pequeno restaurante ao pé de mim. Nada de fantástico nem sofisticado : apenas um frango assado, muita salada e algumas batatas fritas. Aaaahhhh, e meia garrafa de um vinho tinto que não envergonharia ninguém, embora fosse correntíssimo de lineu. E uma boa cavaqueira, daquelas que só se tem com alguém que nos é muito querido.
Tive em seguida uma trabalheira danada a convencer a minha filha a ir ver um filme português que eu vira recomendado ... Sabem como é, os filmes ( e outras coisas ) portugueses não são lá muito entusiasmantes, pois não ?
Lá acabámos por ir. Fiquei de lhe pagar uma coima se ela não gostasse ! Já vêem como a cultura é dificil em Portugal !
O filme não é mau, não senhor : Noite Escura. Uma estória diabólica, de um casal que explora uma casa de alterne e que acaba por vender uma filha, carne para prostituição, como pagamento de uma dívida a uma mafia de leste ...
Linguagem vernácula, como se imagina, sangue, champagne, meninas e pseudo engatatões, o lado sórdido e miserável do negócio, uma boa direcção de actores ( pareceu-me ), uma montagem influenciada pela linguagem entrecortada dos clips musicais, um certo ar de fábula teatral tal o numero de cadáveres e outras tragédias tudo na mesma noite ... mas enfim, come-se, como dizia um amigo meu ( que por sinal falava de outras coisas que não cinema, quando usava essa frase ).
Bom, hoje ... hoje ? que raio me aconteceu hoje ? Deixa ver ... fui às compras, levámos algumas para casa da minha filha, fui depois lavar o carro ( gosto daquele sistema de sermos nós próprios a lavar o carro ), bebi um café, e ... pronto, era noite.
Ainda olhei para o televisor, o Benfica ganhava ao Setúbal ( devem estar doentes, aqueles tipos do benfica ! ) e mais nada, aqui estou a alinhavar esta crónica.
Esta crónica do nada.
Até amanhã, minha gente.
Este foi um daqueles fins de semana em que, tudo pesado e bem visto, não fiz nada. Li, vi cinema, fui às compras, jantei fora na sexta feira ... mas a minha sensação é de que nada se passou. Conhecem esta sensação, não conhecem ? Quando tudo o que se faz sabe a rotina e a dejá-vue. Quando nada de excitante acontece, como por exemplo aquela balzaquiana jeitosa que mora ali em frente perguntar-me se quero jantar com ela ...Enfim, entendam isto como um exemplo, apenas, ehehehehe ...
Percebem ? Não aconteceu nada este fim de semana.
O melhor de tudo, afinal, foi aquele franguinho assado, que comi ao jantar com a minha filha, num pequeno restaurante ao pé de mim. Nada de fantástico nem sofisticado : apenas um frango assado, muita salada e algumas batatas fritas. Aaaahhhh, e meia garrafa de um vinho tinto que não envergonharia ninguém, embora fosse correntíssimo de lineu. E uma boa cavaqueira, daquelas que só se tem com alguém que nos é muito querido.
Tive em seguida uma trabalheira danada a convencer a minha filha a ir ver um filme português que eu vira recomendado ... Sabem como é, os filmes ( e outras coisas ) portugueses não são lá muito entusiasmantes, pois não ?
Lá acabámos por ir. Fiquei de lhe pagar uma coima se ela não gostasse ! Já vêem como a cultura é dificil em Portugal !
O filme não é mau, não senhor : Noite Escura. Uma estória diabólica, de um casal que explora uma casa de alterne e que acaba por vender uma filha, carne para prostituição, como pagamento de uma dívida a uma mafia de leste ...
Linguagem vernácula, como se imagina, sangue, champagne, meninas e pseudo engatatões, o lado sórdido e miserável do negócio, uma boa direcção de actores ( pareceu-me ), uma montagem influenciada pela linguagem entrecortada dos clips musicais, um certo ar de fábula teatral tal o numero de cadáveres e outras tragédias tudo na mesma noite ... mas enfim, come-se, como dizia um amigo meu ( que por sinal falava de outras coisas que não cinema, quando usava essa frase ).
Bom, hoje ... hoje ? que raio me aconteceu hoje ? Deixa ver ... fui às compras, levámos algumas para casa da minha filha, fui depois lavar o carro ( gosto daquele sistema de sermos nós próprios a lavar o carro ), bebi um café, e ... pronto, era noite.
Ainda olhei para o televisor, o Benfica ganhava ao Setúbal ( devem estar doentes, aqueles tipos do benfica ! ) e mais nada, aqui estou a alinhavar esta crónica.
Esta crónica do nada.
Até amanhã, minha gente.
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11/07/2004 10:30:00 da tarde
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sexta-feira, novembro 05, 2004
A INCONTORNÁVEL E INCOMPREENSÍVEL REELEIÇÃO DO SR. BUSH
É incontornável. Ainda que eu queira esquecer e fingir que não sei de nada, a realidade é omnipresente e agride-me : Bush foi reeleito. Vamos ter de aturar Bush durante os próximos 4 anos.
Como é possível ?
Procurei hoje respostas. Como ? Porquê ?
Pelo que li, mesmo os analistas norte-americanos estão sem respostas. Fizeram-se sondagens, estilo "o que mais o motivou para ter votado Bush ?" ... e sabem quais foram os resultados ? A causa isolada mais vezes invocada foi "por uma questão dos valores que defende", em 22% dos casos. Depois, em muitos por cento, também, por causa da maior credibilidade na luta contra o terrorismo...
Leram bem ? Tornem a ler, vá ...
Agora pensem comigo : então um tipo que (a) se cortou de ir para o Vietnam, usando a influência do paizinho, para uma guerra com que concordava ( mas que a fizessem os outros ) e que (b) mentiu descaradamente quanto aos motivos da guerra contra o Iraque e mais (c) andou completamente desnorteado e em fuga enquanto as torres ardiam e colapsavam ... então (d) um tipo que deixa andar à vontade o Bin Laden, o inimigo declarado nº 1 e se dedica a invadir um país onde ele não está e que nem sequer o apoia ... então um fulano destes é votado POR CAUSA DOS SEUS VALORES e da SUA CREDIBILIDADE na LUTA ANTI-TERRORISTA ????
Por ultimo, os analistas americanos, falam do chamado "teste da cerveja", que significa que os americanos tendem a votar no homem com quem mais à vontade se sentiriam a beber uma cerveja... E Kerry tem um perfil um pouco snob e assustador para esse americano médio, amante de cerveja e de um amigo a beber com ele ...
Bush sairia assim beneficiado do teste da cerveja, pelos vistos !
Maior estupefacção ainda : mas ele, Bush, nem sequer bebe cerveja, acha que beber uma gota de álcool é pecado !
Minha nossa, como diriam os amigos brasileiros, esta barra é mesmo pesada de compreender : não há nada a fazer contra esta lógica da América profunda e interior.
Estes eleitores tem todo o direito de ter votado como votaram, claro, mas a verdade é que vamos ter que aturar mais quatro anos o homem que descobriu ( e declarou ) que a maior parte das importações americanas estava a vir de fora.
Estes eleitores tem todo o direito de ter votado em quem julgam que os defende, mas a verdade é que vamos continuar a ouvir Bush declarar "Bin Laden, morto ou vivo", enquanto vai invadindo mais um ou dois países que não têm nada a ver com isso.
Não consigo compreender, que querem ?
É incontornável. Ainda que eu queira esquecer e fingir que não sei de nada, a realidade é omnipresente e agride-me : Bush foi reeleito. Vamos ter de aturar Bush durante os próximos 4 anos.
Como é possível ?
Procurei hoje respostas. Como ? Porquê ?
Pelo que li, mesmo os analistas norte-americanos estão sem respostas. Fizeram-se sondagens, estilo "o que mais o motivou para ter votado Bush ?" ... e sabem quais foram os resultados ? A causa isolada mais vezes invocada foi "por uma questão dos valores que defende", em 22% dos casos. Depois, em muitos por cento, também, por causa da maior credibilidade na luta contra o terrorismo...
Leram bem ? Tornem a ler, vá ...
Agora pensem comigo : então um tipo que (a) se cortou de ir para o Vietnam, usando a influência do paizinho, para uma guerra com que concordava ( mas que a fizessem os outros ) e que (b) mentiu descaradamente quanto aos motivos da guerra contra o Iraque e mais (c) andou completamente desnorteado e em fuga enquanto as torres ardiam e colapsavam ... então (d) um tipo que deixa andar à vontade o Bin Laden, o inimigo declarado nº 1 e se dedica a invadir um país onde ele não está e que nem sequer o apoia ... então um fulano destes é votado POR CAUSA DOS SEUS VALORES e da SUA CREDIBILIDADE na LUTA ANTI-TERRORISTA ????
Por ultimo, os analistas americanos, falam do chamado "teste da cerveja", que significa que os americanos tendem a votar no homem com quem mais à vontade se sentiriam a beber uma cerveja... E Kerry tem um perfil um pouco snob e assustador para esse americano médio, amante de cerveja e de um amigo a beber com ele ...
Bush sairia assim beneficiado do teste da cerveja, pelos vistos !
Maior estupefacção ainda : mas ele, Bush, nem sequer bebe cerveja, acha que beber uma gota de álcool é pecado !
Minha nossa, como diriam os amigos brasileiros, esta barra é mesmo pesada de compreender : não há nada a fazer contra esta lógica da América profunda e interior.
Estes eleitores tem todo o direito de ter votado como votaram, claro, mas a verdade é que vamos ter que aturar mais quatro anos o homem que descobriu ( e declarou ) que a maior parte das importações americanas estava a vir de fora.
Estes eleitores tem todo o direito de ter votado em quem julgam que os defende, mas a verdade é que vamos continuar a ouvir Bush declarar "Bin Laden, morto ou vivo", enquanto vai invadindo mais um ou dois países que não têm nada a ver com isso.
Não consigo compreender, que querem ?
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11/05/2004 07:25:00 da tarde
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quinta-feira, novembro 04, 2004
UMA HISTÓRIA DE JOBS PARA OS NETOS
Hoje, na sua crónica do Público, Eduardo Prado Coelho dá conta, embevecido, que Artur Maurício, seu velho amigo dos verões de S. Martinho do Porto, tomou posse como presidente do Supremo Tribunal Constitucional. Mais à frente, no fim da crónica, pergunta-se, ao olhar para o neto, “de que virá ele a ser presidente. As crianças que correm à nossa frente serão reitores, dirigentes de empresas, treinadores de futebol” ...
Pois é , estes senhores são tão cristalinos, puros ... e elitistas nos seus pensamentos que até arrepia. Por detrás destas palavras de EPC está um mundo inteiro de injustiças e de desigualdades, das quais ele parece nem se dar conta.
Porque raio é que o neto dele há-de ser presidente seja do que for ou dirigente de uma qualquer empresa ?
Porque carga de água é que ele tinha o direito de andar em Letras e passar férias tranquilas e divertidas em S. Martinho do Porto, enquanto outros comiam o pão que o diabo amassou e as unicas férias que conseguiam era na Guiné, Angola ou Moçambique ?
Que espécie de alquimia social e política faz destas pessoas hoje seres de esquerda, fazedores de opinião de certos estratos intelectuais do nosso país ?
Que sabe ele, EPC, de injustiças, falta de liberdade, ausência de oportunidades, luta por um lugar ao sol ?
Claro que sabe pouco dessas coisas todas e o que sabe é por ouvir dizer ou por ler.
Porém, acho que EPC pouco se importa com isso.
A razão está do seu lado, é forçoso reconhecê-lo : o seu neto há-de mesmo vir a ser presidente de qualquer coisa ou dirigente de uma grande empresa, enquanto que o meu neto e o neto ali do Zé da Esquina, vendedor de jornais e cautelas, hão-de continuar a ser presididos ou dirigidos pelo neto de EPC ...
Noblesse oblige não é ?
Afinal, continuamos todos a estar condenados ao nosso destino, logo à partida. Inexoravelmente.
Inapelavelmente.
Com muito poucas excepções.
Por isso, EPC tem razão na sua crónica.
O que ele finge ignorar é que essa razão se alimenta de uma enorme injustiça e explica a ineficácia deste nosso país no seu conjunto.
É que nada garante que o neto de EPC venha a ser mais competente como dirigente ou presidente ou reitor do que o meu neto ou os netos de todos os Zé da Esquina deste país.
Antes pelo contrário : há muitos mais netos de Zés da Esquina neste país que netos de EPC.
Simples análise probabilística.
Mas a verdade é que o neto de EPC já tem mesmo o job garantido, essa é que é essa, e eu ... nem sequer tenho um neto, ainda, imaginem !
Hoje, na sua crónica do Público, Eduardo Prado Coelho dá conta, embevecido, que Artur Maurício, seu velho amigo dos verões de S. Martinho do Porto, tomou posse como presidente do Supremo Tribunal Constitucional. Mais à frente, no fim da crónica, pergunta-se, ao olhar para o neto, “de que virá ele a ser presidente. As crianças que correm à nossa frente serão reitores, dirigentes de empresas, treinadores de futebol” ...
Pois é , estes senhores são tão cristalinos, puros ... e elitistas nos seus pensamentos que até arrepia. Por detrás destas palavras de EPC está um mundo inteiro de injustiças e de desigualdades, das quais ele parece nem se dar conta.
Porque raio é que o neto dele há-de ser presidente seja do que for ou dirigente de uma qualquer empresa ?
Porque carga de água é que ele tinha o direito de andar em Letras e passar férias tranquilas e divertidas em S. Martinho do Porto, enquanto outros comiam o pão que o diabo amassou e as unicas férias que conseguiam era na Guiné, Angola ou Moçambique ?
Que espécie de alquimia social e política faz destas pessoas hoje seres de esquerda, fazedores de opinião de certos estratos intelectuais do nosso país ?
Que sabe ele, EPC, de injustiças, falta de liberdade, ausência de oportunidades, luta por um lugar ao sol ?
Claro que sabe pouco dessas coisas todas e o que sabe é por ouvir dizer ou por ler.
Porém, acho que EPC pouco se importa com isso.
A razão está do seu lado, é forçoso reconhecê-lo : o seu neto há-de mesmo vir a ser presidente de qualquer coisa ou dirigente de uma grande empresa, enquanto que o meu neto e o neto ali do Zé da Esquina, vendedor de jornais e cautelas, hão-de continuar a ser presididos ou dirigidos pelo neto de EPC ...
Noblesse oblige não é ?
Afinal, continuamos todos a estar condenados ao nosso destino, logo à partida. Inexoravelmente.
Inapelavelmente.
Com muito poucas excepções.
Por isso, EPC tem razão na sua crónica.
O que ele finge ignorar é que essa razão se alimenta de uma enorme injustiça e explica a ineficácia deste nosso país no seu conjunto.
É que nada garante que o neto de EPC venha a ser mais competente como dirigente ou presidente ou reitor do que o meu neto ou os netos de todos os Zé da Esquina deste país.
Antes pelo contrário : há muitos mais netos de Zés da Esquina neste país que netos de EPC.
Simples análise probabilística.
Mas a verdade é que o neto de EPC já tem mesmo o job garantido, essa é que é essa, e eu ... nem sequer tenho um neto, ainda, imaginem !
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11/04/2004 05:33:00 da tarde
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terça-feira, novembro 02, 2004
UMA CLÍNICA LISBOETA, PERDÃO : POLICLÍNICA !
Conhecem essas clínicas privadas que foram instaladas em apartamentos inicialmente destinados a habitação ? Lisboa está cheia dessas clínicas, ou policlínicas, como lhe chamam, vangloriando-se das consultas a duas ou três especialidades médicas.
À entrada do prédio há sempre um destaque especial para o 2º Dto – Policlinica do Rato, ou coisa do género. No cimo das escadas, transposta a normal porta de um andar, depara-se-nos um guichet minúsculo, obra-prima de desenho arquitectónico do primo do sócio principal da clínica. Perdão, da policlínica.
No guichet preenche-se uma ficha de cliente, não esquecer o numero do cartãozinho de saúde ( é ADSE ?? ). Ou sorrimos de felicidade, se já somos clientes e não precisamos de preencher o raio dos impressos.
Depois, temos um antigo quarto de dormir ou dois, transformados em sala de espera. Pintura a branco, uns bancos de plástico ao longo das paredes, um ou dois aparelhos de TV com imagem mas sem som ( sempre estamos numa clínica, não é ? ), uma mesa baixa com meia dúzia de “Máximas” e de “Vips” da “saison” passada ...
Sentadas, várias pessoas com ar de poucos amigos, como se estivessem todas terrivelmente doentes e não o quisessem dizer a ninguém. Velhas folheiam revistas de modas que não lhes devem dizer absolutamente nada.
Porque será que a maioria de pessoas nestas clínicas ( perdão, policlínicas ) é constituida por mulheres ? Apenas porque há mais mulheres ou será que elas são mais doentes ? Ou são tão doentes como os homens mas queixam-se e preocupam-se mais ? Aceitam-se opiniões ...
Um dos médicos assoma á porta da sala de espera e sussurra : Dª Felismina Silva . É ele, o clínico, que faz a chamada dos seus pacientes, numa acumulação de funções que diz muito sobre a política de emprego da clínica... perdão, da policlínica.
Adiante. Uma senhora de idade ( ehehehe, pr’aí da minha idade, mas muito mais velha ! ) veste uma camisola de lã, mais um casaco também de lã e, por cima, um casaco comprido de fazenda grossa, preta. Chove lá fora, mas aqui dentro da sala está calor. A mulher primeiro despe o casaco comprido, despe e tira o outro casaco de lã interior e volta a vestir o casaco comprido. Daí a minutos despe também o casaco comprido e põe-o pelas costas ...Mau, mau ...mais um pouco e tenho que aturar a velha a fazer strip-tease, não ?
Ao fim de duas horas ( o senhor doutor vem hoje mais tarde ) lá chamam a minha filha. Bem, talvez escape ao strip-tease.
Agora, deambulando pela sala, anda uma rapariga de 29 anos, desengraçada mas algo exibicionista. Sei a idade dela porque atendeu pr’aí uns 4 ou 5 telefonemas, repetindo sempre “obrigadinho, obrigadinho”, com um ar vagamente compungido e desanimado que eu não estava a perceber. Até que lhe ouvi : pois é, é o ultimo da casa dos 20, para o ano já terei 30, estás a ver ?
Fiquei mesmo com pena da moça, claro. Não pelos 29 anos, mas pela parvoíce que já não devia ter naquela idade. Com medo dos 30 ????? Meu Deus !
Bom, estava a ver que, depois de escapar ao strip-tease da outra velha ainda tinha que ir pagar um copo a esta velha prematura de 29 anos, tão em baixo a rapariga estava ... Mas não, a minha filha entretanto saiu da consulta, com uma data de papéis a esvoaçar nas mãos e proclamando “Cá comigo é sempre rápido, já tá !” ....
Afinal, ainda não tava tudo, eram precisas ainda cerca de trinta e nove vinhetas e códigos de barras e outros carimbos destinados a garantir a idoneidade do clínico e da clínica.
Perdão, da policlínica.
E aí têm a minha tarde de terça-feira, 2 de Novembro de 2004.
Confesso que só depois me lembrei do significado especial deste dia na nossa cultura.
Recordei então pessoas queridas que vivem ainda na minha memória. :(
Possivelmente, tal como você, leitor.
Vivamos, então, com as nossas mágoas e alegrias.
Conhecem essas clínicas privadas que foram instaladas em apartamentos inicialmente destinados a habitação ? Lisboa está cheia dessas clínicas, ou policlínicas, como lhe chamam, vangloriando-se das consultas a duas ou três especialidades médicas.
À entrada do prédio há sempre um destaque especial para o 2º Dto – Policlinica do Rato, ou coisa do género. No cimo das escadas, transposta a normal porta de um andar, depara-se-nos um guichet minúsculo, obra-prima de desenho arquitectónico do primo do sócio principal da clínica. Perdão, da policlínica.
No guichet preenche-se uma ficha de cliente, não esquecer o numero do cartãozinho de saúde ( é ADSE ?? ). Ou sorrimos de felicidade, se já somos clientes e não precisamos de preencher o raio dos impressos.
Depois, temos um antigo quarto de dormir ou dois, transformados em sala de espera. Pintura a branco, uns bancos de plástico ao longo das paredes, um ou dois aparelhos de TV com imagem mas sem som ( sempre estamos numa clínica, não é ? ), uma mesa baixa com meia dúzia de “Máximas” e de “Vips” da “saison” passada ...
Sentadas, várias pessoas com ar de poucos amigos, como se estivessem todas terrivelmente doentes e não o quisessem dizer a ninguém. Velhas folheiam revistas de modas que não lhes devem dizer absolutamente nada.
Porque será que a maioria de pessoas nestas clínicas ( perdão, policlínicas ) é constituida por mulheres ? Apenas porque há mais mulheres ou será que elas são mais doentes ? Ou são tão doentes como os homens mas queixam-se e preocupam-se mais ? Aceitam-se opiniões ...
Um dos médicos assoma á porta da sala de espera e sussurra : Dª Felismina Silva . É ele, o clínico, que faz a chamada dos seus pacientes, numa acumulação de funções que diz muito sobre a política de emprego da clínica... perdão, da policlínica.
Adiante. Uma senhora de idade ( ehehehe, pr’aí da minha idade, mas muito mais velha ! ) veste uma camisola de lã, mais um casaco também de lã e, por cima, um casaco comprido de fazenda grossa, preta. Chove lá fora, mas aqui dentro da sala está calor. A mulher primeiro despe o casaco comprido, despe e tira o outro casaco de lã interior e volta a vestir o casaco comprido. Daí a minutos despe também o casaco comprido e põe-o pelas costas ...Mau, mau ...mais um pouco e tenho que aturar a velha a fazer strip-tease, não ?
Ao fim de duas horas ( o senhor doutor vem hoje mais tarde ) lá chamam a minha filha. Bem, talvez escape ao strip-tease.
Agora, deambulando pela sala, anda uma rapariga de 29 anos, desengraçada mas algo exibicionista. Sei a idade dela porque atendeu pr’aí uns 4 ou 5 telefonemas, repetindo sempre “obrigadinho, obrigadinho”, com um ar vagamente compungido e desanimado que eu não estava a perceber. Até que lhe ouvi : pois é, é o ultimo da casa dos 20, para o ano já terei 30, estás a ver ?
Fiquei mesmo com pena da moça, claro. Não pelos 29 anos, mas pela parvoíce que já não devia ter naquela idade. Com medo dos 30 ????? Meu Deus !
Bom, estava a ver que, depois de escapar ao strip-tease da outra velha ainda tinha que ir pagar um copo a esta velha prematura de 29 anos, tão em baixo a rapariga estava ... Mas não, a minha filha entretanto saiu da consulta, com uma data de papéis a esvoaçar nas mãos e proclamando “Cá comigo é sempre rápido, já tá !” ....
Afinal, ainda não tava tudo, eram precisas ainda cerca de trinta e nove vinhetas e códigos de barras e outros carimbos destinados a garantir a idoneidade do clínico e da clínica.
Perdão, da policlínica.
E aí têm a minha tarde de terça-feira, 2 de Novembro de 2004.
Confesso que só depois me lembrei do significado especial deste dia na nossa cultura.
Recordei então pessoas queridas que vivem ainda na minha memória. :(
Possivelmente, tal como você, leitor.
Vivamos, então, com as nossas mágoas e alegrias.
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
11/02/2004 06:27:00 da tarde
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