sábado, março 01, 2008


OS FAMOSOS E AS CAUSAS HUMANITÁRIAS
De há uns anos para cá, as Nações Unidas têm recorrido aos célebres deste nosso mundo para missões de ajuda humanitária.
Trata-se de uma actividade que essas pessoas abraçam empenhadamente, segundo parece.
A minha proposta de hoje é aproveitar essas actividades para suscitar uma discussão, muito simples na sua formulação, mas que pode servir para mostrar como é difícil, tantas vezes, formar uma opinião fundamentada sobre a realidade.
Antes de mais, notemos que os factos apresentam diferentes valorações consoante o local onde nos situemos :

- Se estivermos do lado das Nações Unidas, a medida é inteligente e não duvido que tenha algum impacto : a notoriedade dos e das embaixadoras escolhidas garante a presença nos meios de comunicação de todo o Mundo do problema para o qual se pretende chamar a atenção ;

- Do lado das celebridades escolhidas, o terreno é mais movediço. Podemos admitir que algumas dessas pessoas sejam sensíveis, de facto, às atrocidades humanitárias que presenciam; ainda assim, parece insofismável que para eles advém igualmente um acréscimo de popularidade, potenciada pelo facto de se tratar de uma actividade que a opinião publica valoriza grandemente ;

Após esta análise, poderemos afirmar que, com estas iniciativas, todos ganham ? As Nações Unidas, as vítimas das atrocidades e ... as próprias celebridades.
Assim parece.

E contudo, porque é que ainda sinto uma certa crispação quando leio notícias destas ?
Então, hoje, neste Mundo maluco e desnorteado, para que uma causa justa seja conhecida, para levar as pessoas a preocuparem-se com o que se passa á sua volta, é preciso ouvirem a Angelina Jolie ou o Brad Pitt ou a Maddona a falar disso ?

Valha-me Jesus Cristo, que apesar de tudo, dentro das celebridades, ainda é aquela que mais admiro e em quem mais confio : tem outros méritos, não faz filmes, não canta e, ao que parece, nunca foi a Hollywood.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

LIDERES POLÍTICOS A SÉRIO, PRECISAM-SE ...

Este PS é um espanto.
Não me entendam mal, o PSD é hoje um Partido suicida, mas o PS ... é o máximo.
Para quem conheceu o PS de Soares, Salgado Zenha ou Alegre, mesmo o PS de Ferro Rodrigues, este partido neo-liberal, acobertado na antiga sigla, é bem o sinal dos tempos que vivemos. Vou começar a chamar-lhe PS*, é forçoso que sejamos rigorosos. Uma coisa é ( era ) o PS, outra bem diferente é o PS*.
Hoje, bem cedo, veio o inefável e simpático porta-voz do partido afirmar em público, por causa de sondagem recente, que o PS* continua com “níveis altíssimos” de popularidade, enquanto o PSD desceu 3 pontos percentuais... e o senhor estava felicíssimo, ao fazer esta afirmação. Conclui logo que isso se devia ao apoio dos portugueses ás medidas do Governo.
Tristeza ... é isto a política, hoje ? A arte de fingir que não se percebe a realidade ?
Claro que o PS* não tem culpa de NÃO EXISTIR ALTERNATIVA CREDÍVEL á sua política. Claro que o PSD não precisou para nada do PS* para se auto-mutilar, com lideres que nunca o deveriam ter sido. O PS* não é responsável, é verdade, mas os portugueses ainda o são menos, diga-se em aparte.
Estranho, estranho e mesmo preocupante é que o PS leia os resultados da sondagem como se os numeros significassem um apoio e concordância á sua política. As pessoas atingidas pelas medidas do PS* reagem, um pouco em todos os sectores, um pouco por todo o país. Do Governo temos visto discordar professores, médicos, juízes, utentes do SNS, militares, EMPRESÁRIOS ( localização do novo aeroporto, por exº, Belmiro de Azevedo, outro exemplo, quanto ao fisco ) , fiscalistas, reformados actuais e futuros ... mas toda esta gente é irrelevante para o Governo. Para eles, só o mundo virtual onde vivem é que conta e todas estas pessoas um bando de privilegiados. Estão a prejudicar gravemente todos estes sectores sociais, estão a despertar em toda a sociedade uma agressividade que não augura nada de bom ... mas estão muito felizes, acham que estão a governar lindamente.
Ainda não perceberam : NUNCA MAIS vão ter outra vez a maioria absoluta que o desvario do governo de Santana Lopes provocou. NUNCA MAIS se vão poder armar em ditadores eleitos, arrogantes e provocadores, insultando tantos grupos sociais, provocando tantas feridas e tão graves no nosso tecido social.
Mais : no dia em que o PSD se deixar de brincadeiras e arranjar um lider credível que saiba transmitir esperança ao país, este PS* vai á vida.
É essa realidade que este PS* se recusa a ver.
E daí, talvez não. Talvez até o percebam.

PS – Obviamente que não é apenas o PSD que precisa inventar um líder credível, com um PROJECTO POLÍTICO para o país.
O PS* também.

VIVER EM PORTUGAL HOJE DESMORALIZA-ME

Ninguém é obrigado a gostar do seu país, mas eu gosto. Por muitos motivos.
Gosto tanto que abracei, muito novo, uma carreira que me exigia uma disponibilidade total, incluindo a da minha própria vida, na defesa desse mesmo país.
Nunca me arrependi dessa decisão, continuo a amar o meu país, embora seja dificil hoje descortinar esse país no meio da floresta de horrores que alguém nele plantou.
É verdade, mudou muito, este meu país.
Era um país infeliz, atrasado e amordaçado.
Hoje é um país amedrontado, paralizado, desorientado e profundamente desigual.
Cheira a incerteza, a desânimo, a falta de esperança.
Portugal é de novo um país infeliz.
Cansa muito, é extenuante, viver agora no meu país.
Dói, cada minuto que passa. Custa a respirar.
Luto, todos os dias, para não cair no ódio.
Quero voltar a amar o meu país, não adianta odiar quem não o respeita.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

O GAMANÇO EM BANDA LARGA

No Portugal de hoje, a unica coisa genuina é o gamanço. Nunca vi tantos a sacar como agora. Em toda a parte. Empresas publicas e privadas, a unica diferença é onde se saca, se no bolso do povo em geral se no do accionista. O saque é contínuo e atingiu o nível do despudor, ou seja, em Portugal , sacar deixou de ser mal visto em sociedade. Perdeu-se a vergonha. Não se hesita em subir escandalosamente os vencimentos, nos conselhos de administração, para quantias que fariam corar de vergonha qualquer pessoa, há bem pouco tempo. Oferecem-se milhões de euros para que os cirurgiões operem, para que os médicos das unidades de familia trabalhem, enquanto em contrapartida se mantêm os outros funcionários sem aumentos nem promoções há anos. Um ministro despacha uns problemas da Iberdrola e logo após o fim do seu mandato vai para administrador da mesma Iberdrola.Temos um responável do nosso banco central a ganhar muito mais que o seu congénere nos EUA. Há cidadãos impedidos de se reformarem, porque ainda não têm não sei quantos anos ou não sei quantos anos de serviço, enquanto outros acumulam várias pensões, bem boas por sinal, arranjadas em meia duzia de anos de serviço aqui e acolá.
No Governo, gastam-se anualmente uns bons milhões de euros a pagar estudos, projectos, assessorias a empresas privadas, enquanto os serviços do Estado que poderiam desnvolver esses trabalhos são desprezados.
Pedem-se sacrifícios ao povo, enquanto esse mesmo povo lê, atónito, que o senhor fulano tal levou 10 ou 20 milhões de euros de indemnização, quando saiu do banco. MILHÕES, amigos, MILHÕES.
Fica-se banzado, não é ?
Quem são estes gajos, estes supra-sumos, estas inteligências avassaladoras ? Quem é toda esta gente apressada, venal, sem vergonha, criaturas cinzentas, de olhar esconso, mãos velozes e dissimuladas, ávidos, a salivarem, empurrando-se uns aos outros por mais um tachozito ?
Quem são, afinal, estes senhores ?
A resposta é simples : são, apenas e tão sómente, vulgares saqueadores.
Ou rapineiros, se preferirem.
E nós, os outros, somos os saqueados, os rapinados.
Ou parvos, se preferirem.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

SÓCRATES E O ZORRO

Sócrates é uma espécie de Zorro ao contrário, um Zorro em negativo.
Em vez do poderoso cavalo negro, monta apenas umas sapatilhas Nike, em despropositadas cenas de jogging nos locais mais inverosímeis.
Em vez de tirar aos ricos, deixa-os enriquecer ainda mais, enquanto vai esmifrando os desgraçados dos funcionários e da classe média para tapar o buraco das contas públicas.
A espada que celebrizou o Zorro, em Sócrates é apenas um telefone, mais virado para as redacções dos jornais e das televisões que para os vilões deste País.
A célebre mascarilha do Zorro é diferente em Sócrates : Zorro usava-a para não cair nas mãos do poder, Sócrates usa-a para que o poder lhe caia nas mãos.
Num, a mascarilha era de tecido negro e colocava-a nos olhos, durante a acção; no outro, a mascarilha é invisível e usa-a nas palavras, para camuflar a acção.
Zorro tinha como inimigos o Governo e os grandes senhores da terra ; para Sócrates, os inimigos são os professores, os utentes que ainda restam do Serviço Nacional de Saúde, os privilegiados do passe social, os chatos dos desempregados, a classe média em geral.
No final, Zorro transformou-se num mito romântico de homem de bem, herói querido pelo povo.
Sócrates, se Deus e os homens não adormecerem, há-de voltar a ser aquilo que nunca deveria ter deixado de ser : um homem anónimo como tantos outros, sem grandeza nem generosidade, sem qualquer visão de futuro para o seu País, a quem ninguém nunca amou.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A NOVA TRAVESSIA FERROVIÁRIA DO TEJO PARA O NOVO AEROPORTO DE LISBOA

Hoje vou dar a conhecer o trabalho de um grande amigo meu. O engº de aeródromos José Lopes, distinto oficial da Força Aérea Portuguesa, é um amigo de longos anos, companheiro de andanças várias e senhor de uma sólida formação técnica. Para além de tudo isso, é pessoa voluntariosa e ainda suficientemente bem intencionada para gostar da sua Pátria e lhe querer dar o seu esforço e contributo.
Deste modo - assim mesmo, sem desejo de honras nem proventos - resolveu dedicar tempo e massa cinzenta ao problema que está em cima da mesa, depois da decisão governamental de construir o Novo Aeroporto de Lisboa ( NAL ) nos terrenos do Campo de Tiro de Alcochete.
É preciso agora pensar nas ligações ao NAL, tanto ferroviárias como rodoviárias, e na(s) consequente(s) travessias do Tejo. Acresce que essas ligações devem ser pensadas em conjunto, obviamente, com o traçado das ligações do TGV para Norte, Sul e Madrid. E ainda, com a actual rede ferroviária da REFER.

Se dedicarem 5 minutos a este tema ( sei que não é dos tópicos mais agradáveis para uma boa digestão ... ) depressa chegarão á conclusão que há aqui muitas variáveis e portanto muitas soluções diferentes : a empresa responsável pela futura rede de alta velocidade ( a RAVE ) tem uma solução, implicando a travessia do Tejo de Chelas ao Barreiro, mas o meu amigo José Lopes descobriu uma solução mais simples e elegante : a travessia Olaias-Montijo, começando no alto das Olaias e terminando quase junto da margem sul da Vasco da Gama, perto daquela zona de serviço que lá existe, lembram-se ?

Pessoalmente, acho que a solução J. Lopes tem vantagens e olha para o problema de uma forma integrada, isto é, tenta encontrar um equilíbrio entre todas as componentes do problema.



Podem fazer uma ideia da solução, ao examinar a figura junto. Cliquem na figura e vê-la-ão ampliada em todo o écran, regressem depois a esta página, OK ?

Há alguns pontos a destacar nesta solução que agora vos apresento :



1) Liga todos os pontos importantes : Portela, novo aeroporto, TGV, rede clássica da REFER, etc ...




2) A ponte Olaias-Montijo evita qualquer problema ( como rebaixamento em tunel, sobre-elevação, etc ... ) de cotas sobre o Tejo, para salvaguarda dos canais de navegação, uma vez que parte, nas Oaias, da cota +50 ( 50 m acima do nível do mar ) e chega á margem sul á mesma cota da Vasco da Gama ( mais ou menos ), com um pequeno acerto na trajectória para não "incomodar" as operações aéreas da Base da Força Aérea no Montijo.


3) O trajecto Olaias-Montijo é mais curto que na solução da REFER ( que podem ver no gráfico seguinte ) ; o trajecto total até ao Novo Aeroporto é também bastante mais curto.


4) As ligações para Norte do TGV são redesenhadas, passando a correr, até Santarém, pela margem esquerda do Tejo, com melhores condições de orografia e espaço disponível.


5) A nova Estação Central de Lisboa, nas Olaias, onde confluem a rede clássica da REFER, na linha de cintura de Lisboa, o TGV, o shuttle para o novo aeroporto e a rede de Metro passa a constituir o nó central de todas estas redes.



Enfim... é só vantagens, creio eu. Mas como não quero que "engulam" isto sem conhecimento de causa, vejam neste segundo gráfico o traçado proposto pela RAVE, incluindo a travessia Chelas-Barreiro.


Espero não vos ter aborrecido muito com este tema. Achei que era meu dever ajudar a divulgar as ideias do meu amigo, dado que se trata de um especialista nestas coisas mas que, apesar de tudo, não tem facilidade na sua divulgação.
Devo ainda acrescentar que esta proposta foi defendida pelo Engº Lopes no recente seminário que sobre este tema decorreu no LNEC, com a presença de todas as entidades intervenientes.

Se gostarem, divulguem o endereço do blogue pelos vossos amigos, OK ?
Um até breve e ... o meu obrigado !

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

UM INFELIZ CONVICTO

Não consigo ser feliz.
Nunca consegui, acho eu.
Oiço os outros falar da sua felicidade, das coisas que lhes dão prazer e só consigo pensar que não os entendo.
Se tenho tido ao longo da minha vida momentos de alguma alegria e esquecimento, tenho sempre a sensação que foram breves e um pouco por acaso.
Não gosto de muitas coisas que parecem agradar a quase todos os outros, o que é receita certa para não conseguir ligar-me bem a ninguém.
Não gosto de viajar, pelo menos da maneira que a maior parte gosta.
Não gosto de concertos de música séria, e fujo a sete pés dos outros, tipo Tina Turner em Alvalade.
Não gosto de teatro, óh blasfémia.
Não sinto prazer em ballet, clássico ou moderno.
Coisas como o flamengo fazem-me sono.
Nos ultimos tempos, dei por mim a aborrecer a praia, a achar estupido secar ao sol.
( Continuo a gostar do mar, mas isso não é popular ! )
Não me seduz o jogo, seja ele roleta ou slot-machines. Nem acho ponta de piada em ir jantar ao Casino e ver umas boazudas a rebolarem-se no palco.
Não gosto de conversas amáveis, desprovidas de emoção ou de polémica.
Não gosto de pessoas tolas, mesquinhas, egoistas ou que têm pavor da morte.
Odeio filmes tipo Harry não sei quantos, o jovem feiticeiro.
Sempre senti aversão pelo fado de Lisboa, nunca fui a uma casa de fados.
Odeio pessoas que dizem “está provado que” a anteceder uma qualquer afirmação patusca.
Odiei a Expo, percebi perfeitamente para que iria aquilo servir e a quem iria favorecer, nunca lá pus os pés.
Odeio a trafulhice, a mentira, a hipocrisia, o carreirismo, o partidarismo, o oportunismo, a mediocridade de valores.
Odeio os novos-ricos e também alguns dos velhos.
Odeio a maior parte dos padres e aquilo que esqueceram de Jesus Cristo, um dos meus heróis de puto.
Odeio muito daquilo em que Portugal se está a transformar.
Detesto festas com muita gente, todos muito determinados em se “divertirem”.
Sou indiferente a parques temáticos tipo Walt Disney.
As ultimas vezes que vi futebol só consegui pensar em árbitros venais e dirigentes corruptos. E jogadores pançudos de tanto dinheiro e tão pouco interessados em jogar futebol.
Conservo ainda valores dentro de mim, acho eu, mas já nem me lembro exactamente de quais.
Há ainda muita coisa de que gosto, claro, mas com todas estas coisas que odeio ou ás quais sou indiferente, como vou conseguir ligar-me aos que me rodeiam e ser “feliz” ?
Acham que alguém como eu, com tantos pontos negros, tantos “não gosto” e “odeio” poderia alguma vez ser feliz em Portugal ?

Acho que me vou resignar a ser infeliz.
Como sempre.

PS – Não tentem experimentar estas habilidades em casa, são coisas perigosas que só devem fazer na presença de profissionais qualificados em cinismo e em pessimismo e com todas as medidas de segurança activadas. Fiquem-se pelo gostar de todas estas coisas, é muito mais seguro.

sábado, fevereiro 09, 2008

DIREITO Á INDIGNAÇÃO OU INCAPACIDADE DE INDIGNAÇÃO ?

A divulgação na imprensa de actos pessoais de figuras públicas, ilícitos ou anti-éticos, é um imperativo de qualquer regime democrático. É um mecanismo de controlo, por excelência, sem o qual esses actos ficarão sempre ocultos e, consequentemente, sem sanção jurídica ou política.
Concordamos todos que é assim ?
Beeeeeeeeemmm, nem sempre, diria eu.

Quando essas denúncias acontecem em Portugal, no tempo presente, nada se passa.
Pelo menos, nada de visível.
É como se nada nos pudesse já indignar ou fazer admirar. Como se já tivéssemos visto tudo, sem qualquer consequência. Descremos da equidade e oportunidade da justiça, não acreditamos também nas consequências eleitorais futuras desses actos. O que sabemos, isso sim, é que Isaltino Morais e Fátima Felgueiras andam para aí há ANOS para ser julgados ... e nunca mais se vê nada. Entretanto, são reeleitos.

Em Portugal, quando alguém como o actual bastonário da Ordem dos Advogados diz publicamente algo QUE TODOS NÓS SABEMOS, cai-lhe em cima o Carmo e a Trindade, clamam que o homem é populista e demagogo, um desmiolado, um perigo para a sociedade ...
Pois, é mesmo : um perigo ! Só que não é para a sociedade, é um perigo para este reino da paz podre e do faz de conta, um perigo para o saque desavergonhado em que a nossa vida publica se está a transformar.

Como entidade colectiva, a parte urbana da sociedade portuguesa apodreceu. Cheira mal, tal como a boca do Dantas, nas palavras de Almada Negreiros, embora ele próprio não cheirasse a rosas, acho eu.
Portugal urbano perdeu o pudor, perdeu a capacidade de se indignar. Há demasiada gente entretida a sacar o que pode, enquanto outros andam distraidos a olhar para o futebol. Há demasida gente pronta a culpar os jornais, em vez de censurar os autores dos actos investigados pelos jornais. Há sempre alguém que resiste, dizia o Adriano Correia de Oliveira, mas isso era dantes : agora há sempre alguém que encolhe os ombros e diz : “O gajo fez isso ? Então e depois ? Onde está a gravidade ? Todos eles são assim, uma cambada, que se lixe !”

Mário Soares falava do direito á indignação, certo ? Pois agora do que se trata é da incapacidade de indignação, já não há quem queira exercer esse direito.

Não é verdade, ainda há Pessoas. Mas são poucas, muito poucas.

Nada disto vem a propósito de Sócrates e das suas assinaturas em projectos de moradias lá para as faldas da serra ... Não, desta vez não é Sócrates que me entristece. Ou não é apenas Sócrates.
É o País.
Este País que eu sempre amei, este País que eu jurei defender, mesmo com o risco da própria vida, este País está a ficar um esgoto putrefacto e nauseabundo.
Este desgraçado País está cheio de merda !

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

A MÁ CONSCIÊNCIA NA POLÍTICA

Sempre fiquei muito irritado quando alguém presume que que sou ignorante ou imbecil. O grau dessa irritação sobe de tom quando me parece que a coisa é feita com acinte e sem grande cuidado, isto é, que se parte do pressuposto que somos todos uma cambada de parvos que engolimos tudo.
Sobretudo quando se trata de pessoas a quem elegemos ( neste caso, é apenas um eufemismo, o tempo verbal ) e pagamos para gerir a coisa pública.

Ouvi hoje um senhor qualquer na TV, a perorar sobre o sistema de avalição dos professores, defendendo a bondade e virtude do sistema. Percebi depois que era um secretário de estado. Argumentos estafados, pobres, tipo “é assim que se faz no estrangeiro” ou “então querem que todos sejam iguais ?”.

Clama o senhor ( mais a ministra, mais o primeiro-ministro ) que nenhuma das reformas em curso na área da educação têm por motivação a questão da redução dos custos com o pessoal. Afirmam-no indignada e categoricamente. Como ousamos pensar isso ?
A separação dos professores em titulares e não-titulares não foi nada arbitrária, a avaliação e a consequente imposição de quotas máximas para as boas classificações também não. Tudo se rege pelo objectivo de melhorar o ensino, afirmam.

Bom.
Estão a querer fazer de mim estúpido, parvo ou as duas coisas ?

Então o que sucede a um professor que não é titular ? Deixa de dar aulas e de ter os seus alunos a quem vai transmitir conhecimentos e atitudes ?
O que sucede a um professor cuja avaliação for apenas razoável ou, sendo muito boa, não couber na quota estabelecida ? Deixa de dar aulas ? Deixa de ter alunos ?

Se a estas duas questões afirmarmos que não, não deixam de dar aulas, vão continuar a ter os seus alunos como até aí, porventura mais desmotivados e reactivos, como será de esperar, então a que conclusões podemos chegar ?
Se esses professores vão continuar a dar aulas, com os mesmos alunos, apesar de não serem titulares e não terem excelente ou muito bom na avaliação, COMO RAIO É QUE O ENSINO VAI MELHORAR ???

Qual é a unica coisa que muda então, digam-me lá ?
Como vimos, a qualidade do ensino não é, uma vez que esses professores continuam onde estavam, a dar as suas aulas.
Então que é, adivinhem, vá ...

Isso mesmo : a unica mudança é que o dito professor não vai progredir na carreira e vai, portanto, custar menos dinheiro ao patrão Estado.
Ou não é ?
Gostava de ver negado este raciocínio por quem quer que fosse.

Bom, e gastar menos dinheiro com os professores é assim tão imoral ?
Não, não é.
Tem todo o direito de fazer isso.
Do que não têm direito é de negar este objectivo, e andar para aí a dizer que estas medidas visam a qualidade do ensino.

Mas há mais : um dos parâmetros de avaliação dos professores vai ser o resultado que os seus alunos obtiverem. Pede-se aos professores que fixem um objectivo-meta quantificado, tipo “os meus alunos da turma x vão melhorar o aproveitamento em 10%, relativamente ao ano anterior” e já está. No fim vai medir-se o cumprimento desse objectivo.
Ora bem : então a meta é fixada pelo professor e é ele que vai dar as notas que vão dizer se esse objectivo foi ou não alcançado. Certo ?
Oh meu Deus, uma vez mais estão a fazer-me passar por parvo.
Mas então, nestas circunstâncias, haverá algum professor masoquista que vá chumbar quem o merece se isso for comprometer o seu objectivo ? Haaaaaã ? Digam lá ?
As notas não vão melhorar, todas elas, a olhos vistos, com alegria incontida da senhora ministra ?
Vamos apostar ?

Uma vez mais : todas as medidas visam a melhoria do sistema de ensino, não é ?
Como se vê.

Assim, não. Assim, estão a tentar deitar-nos areia para os olhos.
Com todas as letras : estão a esconder de nós os verdadeiros objectivos da sua reforma.
Por mim, é algo que me irrita, repito : não gosto que me tomem por tolo.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Confesso que não percebo o que faz correr Sócrates.
Sou capaz de perceber uma pessoa determinada, com espírito de missão.
Sou capaz de entender aqueles que têm um sonho e dele não se desviam.
A Sócrates, porém, não lhe conheço sonhos grandiosos para o país, nem lhe pressinto motivações ou concepções políticas de rasgo. Não é crime nenhum, mas Sócrates surge-me como uma pessoa mediana, homem sem grandes preocupações políticas ou humanisticas, nem sequer uma formação científica muito sólida. Os seus maiores entusiasmos, no domínio do sonho realizador, são o fim do défice e o engrandecimento da tecnologia. Sonho pequeno, convenhamos, para resultados tão destrutivos na vida e no sossego de tanta gente, com essa unica justificação.
Onde é que Sócrates foi beber o néctar da sua verdade ? Como se formou no seu espírito a descoberta de que era inevitável fazer o que está a fazer ? Quem ou o quê o convenceram que a felicidade do país exige o sacrifício de tantos dos seus filhos ?
Não sei, não, como diriam os nossos irmãos brasileiros, mas é como se Sócrates fosse movido por uma agenda secreta e invisível, que nunca ninguém viu ou sequer suspeita mas que está lá, á sua cabeceira, permanentemente. Agenda que exige frieza, mesmo um certo estranho e preverso prazer, na sua concretização.
Por mim ( mas quem é que eu sou, não é, comparado com um Primeiro-Ministro ? ), acho que nunca na vida seria capaz de sacrificar tanta gente em tão pouco tempo sem ter pesadelos durante a noite, sem me questionar se estaria no caminho certo ou não. Fosse por que motivo fosse. Sócrates, porém, não hesita nunca um momento, tem sempre uma Ota pronta na secretária á sua frente, tem sempre a certeza do que faz : vai reduzir o défice e pronto ! Ah, já me esquecia, desculpem lá : também vai colocar nas Escolas uns quadros esquisitíssimos, interactivos, dizem eles ( interagem com quem ? os alunos estão todos a ficar ignorantes ... ).
E vai, claro. Vai reduzir o défice. Vai reduzir o défice e muitas outras coisas mais, por arrasto, ao que se começa a ver.
Por favor, mas mesmo por favor, não queiram que Sócrates reduza mais o défice. Digam-lhe que já chega, está bem, obrigado, agora precisamos de outras coisas.
Como cuidar das pessoas, caramba. E da economia em geral.
E do País, já agora, se puder ser.

sábado, junho 30, 2007

CALMA, SENHORES MINISTROS

Amigos ou pelo menos leitores : que me dizem daquela história de Vieira do Minho ?
Conta-se em poucas palavras :

Acto 1 – O senhor Ministro da Saúde deu uma entrevista a um jornal. Entre outras preciosidades, afirmou que nunca na vida entrou num SAP, nem fazia ideia de alguma vez lá entrar ( acho que a ideia do Sr. Ministro seria a de que esses serviços estariam sempre insuficientemente dotados de equipamentos e pessoal, pelo que melhor seria muitos deles encerrarem ... ) ;

Acto 2 – Um médico do Centro de Saúde de Vieira do Lima, certamente sentindo-se “agradecido” ao Sr. Ministro por aquelas palavras, tão reconfortantes para quem todos os dias trabalha num serviço desses, resolveu afixar no placard do Centro uma cópia do jornal com a entrevista, adicionando-lhe um comentário brincalhão do género : “Façam como o sr. Ministro, não ponham aqui os pés !” ;

Acto 3 – O sr. Ministro, irritadíssimo com esta piada, exonerou a directora do Centro de Saúde ( não o autor da piada, cujo "castigo" acarretaria maiores dificuldades processuais ), invocando quebra de lealdade para com ele ;

Bom.
Que dizer de coisas como estas, que vão sucedendo um pouco por todo o país, entre cidadãos e membros do Governo ?

Em primeiro lugar, estas atitudes revelam insegurança.
Depois, imaturidade política.
Em seguida, uma atitude interior de pouca tolerância para com a forma de pensar dos outros.
Por ultimo, uma enorme confusão entre o que é o dever de lealdade institucional, de um servidor do Estado para com um membro do Governo, e a sua afinidade ou lealdade pessoal para com esse Governo, esse membro do Governo ou a sua política.

Estes sinais provocam inquietação em todos nós e também, segundo se sabe, dentro do próprio PS.

Mas que outra coisa seria de esperar, senhores Ministros ?
Este “nosso” Governo, em diversos sectores em simultâneo, investe sem dó nem piedade, tipo tsunami social, na destruição de muitas situações, a que chama de privilegiadas.
Os atingidos, funcionários do Estado, senhores de "privilégios" imensos como se sabe(embora não costumem fazer férias na neve nem em outros locais exóticos ) e milhares de outros cidadãos, atingidos pelo encerramento de instalações hospitalares,por exemplo, o que deveriam fazer ? Manifestações de agradecimento ao Governo, pelo empenho na defesa dos interesses nacionais ? Orações todos os dias pela manhã , pedindo graças divinas para os senhores Ministros ?
Ora vá lá, senhores Ministros : sou mais velho que a maior parte dos senhores, tenho a mesma formação académica, educação e inteligência, tenho experiência de vida e, num passado remoto, arrisquei tudo o que tinha ( não era muito, também ) para que este País voltasse a ter uma democracia. Sei o que custa hoje viver decentemente em Portugal, sem a protecção de privilégios, cartões de crédito, despesas de representação, carros caros de vidros escuros e outras mariquices quejandas. Não meto nem aceito cunhas, não precisei nunca de obter colocações vantajosas através de amigos, do partido ou da sociedade empresarial civil.
É desta posição, que receio bem comece a ser rara, que me permito lançar uma palavra de alerta e bom-senso : façam um esforço por cair no Portugal real, por perceber quão mal se vive neste gueto da Europa, por entender, finalmente, quão pouca gente percebe sequer o que os senhores Ministros pretendem fazer.
Pensam que as pessoas trabalham gostosamente e vivem para o combate ao défice, ou quê ? Terão sido os funcionários do Estado a inventar Institutos e outras posições muito bem remuneradas no mesmo Estado ? Somos nós que aumentamos as despesas e contratamos centenas e centenas de assessores e encomendamos pareceres e estudos caríssimos fora do Estado, quando lá dentro existem especialistas cuja função é essa mesmo ? Não vêem que estamos todos muito fartos de ouvir falar nisso, há anos e anos, aguentar salários sem aumentos ou aumentos baixíssimos, progressões congeladas, despedimentos, enquanto todos os outros países da Europa vão fazendo pela vida e conseguindo melhorar ?
Então, sinceramente, acham que os portugueses lhes deviam estar agradecidos por estes ultimos anos, nos quais obviamente incluo outros senhores Ministros anteriores a V. Exas ? Acham, a sério ?? Acham que os potugueses são parvos ?

Por ultimo, permitam-me que lhes recorde aquilo que Salazar sempre percebeu muito bem : deixem-nos ao menos brincar com estas coisas, senhores, inventar umas piadas, umas anedotas sobre V. Exªs ! Precisamos de válvulas de escape, senhores, não esqueçam !
Se nem isso lhes ( nos ) concederem, então podem ter a certeza, meus caros senhores, que os portugueses encontrarão, mais tarde ou mais cedo, uma resposta adequada para oferecer a V. Exªs.
Com toda a razão.

quinta-feira, junho 28, 2007

O CRIME DEFINE-SE POR OPOSIÇÃO AOS MEUS INTERESSES ?

Também disse que muitas situações são detectadas graças a denúncias, principalmente de particulares, o que reflecte uma mudança de mentalidade por parte das pessoas e «uma maior consciencialização de que a pirataria é crime».
O que acabam de ler é um excerto de uma notícia sobre a “caça” da TV Cabo aos ilustres cidadãos que se atrevam a instalar caixinhas pirata para ver a TV- Sport á borla.
Então é assim como viram : a “bufaria” é considerada pela TV-Cabo como sendo uma atitude de grande valor cívico, demonstrativa da forte consciência social dos portugueses perante o crime.
Extraordinário.
Ao ponto a que a hipocrisia chega : o elogio da denúncia como atitude positiva.
Estão mesmo a ver, não estão ? O Carlitos ali da esquina, todo roído com o Zeca por causa daquela garina boa do centro comercial, vá de chibar para a TV-Cabo que o Zeca vê o futebol á borla lá em casa, com uma box pirata ! É assim mesmo, catano, atão o gajo pensava que me gamava a garina e se ficava a rir ? Toma lá, lixa-te todo !
E aí temos o Carlitos das Fontaínhas, bufo inveterado e corno frequente, promovido á categoria de cidadão fortemente consciente dos seus deveres cívicos.

Claro que, como em tudo na vida, a verdade é relativa. Aquilo que para alguns é crime, para outros é perfeitamente normal. Assim, o manfio que se atreva a “fintar” a TV-Cabo é tratado de criminoso e sujeito á denúncia dos Carlitos todos deste país, sob o olhar complacente do nosso Governo ; por outro lado, um senhor Ministro que finta os valores da isenção e lisura de procedimentos e “mete” a filha no seu Gabinete, a ganhar 3.500 euros por mês, sem saber ler nem escrever ... esse não é criminoso, é apenas esperto e não faz mais que toda a outra rapaziada faz.

Ora vêem ? Notam como tudo isto é divertido ?

Pois bem, invertamos as verdades : que tal acusar a TV-Cabo de “pirataria económica”, por primeiro ter entrado em nossas casas, por X por mês, todos os canais em claro e depois, progressivamente, quando já nos tínhamos habituado, começar a pedir mais 15 ou 20 euritos por mês pelo futebol ou pelo cinema, sem que o cliente tenha qualquer alternativa ?
Hem, que me dizem, isso não poderá também ser rotulado de “pirataria” ?
Ou será apenas ... uma estratégia inocente de “marketing” ?

Sabem que mais ? Abram-me bem esses olhos, malta ! Há por aí uma série enorme de gajos a tirar-nos dos bolsos todos os poucos cêntimos que ainda lá restam ! Uns de uma maneira, outros de outra. Uns cheios de moralidade, invocando sempre a lei e o mercado ; outros nem por isso, abusando apenas da sua posição e poder.
Não me venham pois com consciências cívicas, caramba, chega de cinismo e hipocrisia.

quarta-feira, junho 27, 2007

UM GATO PRETO NA FLORESTA PERDIDA

Um destes dias, ao fim da tarde, estava sentado no Colombo, a comer uma canja. A minha filha sentava-se a meu lado. Estávamos calados. Á minha frente, aqueles troncos retorcidos, enredados numas ruinas misteriosas, a versão Belmiro de Azevedo de uma floresta perdida. Aqui para nós, sempre senti uma simpatia inconfessada por aquela imitação. Sonhos de criança, maravilhas que povoam as nossas mentes, os livros de aventuras da nossa infância ?
Seja como for, aquela pantera negra a descer por entre os ramos ressequidos tinha um toque surreal, naquele ambiente urbano de centro comercial.
Quase esfreguei os olhos. Que raio era aquilo, já faziam decorações assim tão reais ?
Não, era um gato que descia pelos ramos, seguro e ágil. Um gato preto de olhos verdes, desconfiados.
Um gato ?? Ali, no meio do Colombo ??
Sim,um gato.
Desceu das árvores falsas e foi direito a um prato de comida, bem real. Era óbvio que o rei da selva misteriosa tinha cúmplices entre o pessoal dos restaurantes. A minha filha perguntou a uma mulher que trabalhava na limpeza das mesas e o mistério esclareceu-se. Era o gato residente, já há uns oito anos, disse ela. Aparecera nas obras, coisinha minúscula, perdido ou abandonado pela mãe e pelo mundo em geral. O pessoal das obras foi tomando conta dele, o jovem gato foi-se adaptando ao local. Quando construiram aquela floresta, no ultimo piso, o gato sentiu-se em casa. Árvores, belos sítios para se esconder e dormir. Comida á borla, ainda por cima, era o paraíso.
E lá estava ele, elegante, pêlo brilhante, todo preto, maravilhoso na sua solidão. Subiu de novo, numa árvore da sua floresta e quedou-se, empoleirado num ramo, a lamber-se vagarosamente. Tentámos ainda umas fotos, com o telemóvel da minha filha, mas não ficaram nada de jeito. Talvez seja melhor assim, podem imaginá-lo como quiserem, a viver naquele ambiente.
Saímos do Colombo, mas o gato preto não me largava o pensamento. Viver daquela forma, ali, numa floresta fingida, absolutamente só, sem outros gatos, já viram que vida a daquele ser ? Que espantoso equilibrio psicológico, que ascetismo mais admirável, que capacidade maravilhosa de sobreviver com o pouco que tem.
Será feliz ? Nunca terá tentado sair dali e ir por esse mundo fora ?
Senti-me verdadeiramente irmão daquele bicho. Também eu me sinto, nestes ultimos tempos, a viver numa mata fingida, empoleirado no meu sexto andar, sem coragem para enfrentar o mundo. Um destes dias vou levar-lhe um petisco. Pena que os gatos não gostem de cerveja, poderíamos beber um copo juntos.

segunda-feira, junho 25, 2007

O INTRIGANTE E OMNI-PRESENTE SENHOR JOE BERARDO

Sou um aprendiz permanente da natureza humana.
Mais do que um amor genérico pelo ser humano, que não reinvidico – em certos casos sinto mesmo repugnância – tenho o fascínio dos porquês, das motivações, das explicações.
No fundo, talvez não seja mesmo um humanista, apenas alguém que gosta de desmanchar os brinquedos para saber como são por dentro.
Dito isto, confesso que aquele tipo me intriga, o Joe Berardo. Sei pouco sobre ele, ainda não ouvi muita coisa dele, apenas o vi e ouvi em algumas entrevistas, por causa do Benfica.
Da mesma forma que não me reclamo de humanista, também não sou um místico do dinheiro ou do poder. Não sinto qualquer apelo ou admiração particular nem por um nem por outro.
Contudo, gostaria muito de saber o que faz de um ser humano milionário e de outro sem-abrigo. A oportunidade, uma pre-disposição, a ambição, uma habilidade especial, o karma ?
Olhem bem para este homem, oiçam-o. Qe raio existe neste tipo que justifique ou explique os milhões que ele tem ? Transforma em ouro tudo o que lhe vem á mão ?
Coisa intrigante.
Aquilo que se vê é que o senhor é ecuménico : tanto compra obras de arte como clubes de futebol, os seus interesses não conhecem barreiras nem fronteiras, tal como a sua vida. Gosta de se ouvir, tem montes de ideias ( aparentemente sem grande brilho ), assume o papel de animador da vida portuguesa.
Ainda assim, das suas intervenções e palavras ressalta um vazio enorme. Quem é, de facto, este senhor ? Que fez ele na vida ? Ganhou o dinheiro como ? Que habilidades especiais o povoam ? Será um génio do investimento financeiro, será um especialista daquelas mais-valias tipo compra hoje e vende amanhã com 1000% de lucro ?
Notem, não estou a indignar-me nem a criticar o senhor. Apenas gostava de saber como é por dentro este Joe, o homem que diz “fuck him” acerca de Rui Costa, eh eh eh ... Alguma virtude terá, e grande, se o avaliarmos pela sua talha dourada. Mas onde se esconde essa veia de ouro que não a consigo descortinar no meio da sua conversa dificil, mal articulada e um pouco superficial ?
Não, decididamente, este Benfica não vai nada bem... não é este novo mecenas que vai trazer algo de novo ao velho clube...
É apenas mais do mesmo : uma troca de dinheiro por ... mais dinheiro, com a oferta adicional de uma auréola de homem importante e providencial.
Mas que raio terá o futebol, no seu interior, que tanto atrai este género de pessoas ?
Que estranhos tempos estes em que o nome de um clube velhinho, com história e tradição, mais não é que uma marca que vende bem.

quarta-feira, junho 20, 2007

NÃO NOS PODEMOS QUEIXAR DE ESTAR MOLHADOS, SE ANDARMOS Á CHUVA ...

Parece que o senhor José Socrates (JS ), cidadão deste país mas também Primeiro-Ministro, neste momento, apresentou queixa-crime contra o cidadão António Albino Caldeira (AAC ) , professor em Alcobaça, devido ás afirmações deste no seu blogue sobre o processo da licenciatura do primeiro, na Uni.
Não li a totalidade dos escritos de AAC no seu blogue, mas li alguns. Foi ele, nesse blogue, que levantou a celeuma, depois agarrada pelos orgãos de comunicação social.

Claro que JS tem todo o direito de apresentar queixas sobre quem ele quiser, não é isso que está em causa.
O facto de o fazer agora, porém, enquanto titular do cargo que ocupa, é extremamente revelador da sua personalidade.

Vamos agora aos factos : JS sente-se ofendido ( atacado ? ) por questionarem a forma como terminou a sua licenciatura na Uni. Na sua opinião, fez tudo com lisura e não teve qualquer responsabilidade em nada.
Tudo bem, cada um pensa o que quiser dos seus actos. Embora nunca ninguém seja bom juiz em causa própria, como se sabe.

O que eu não posso, porque ficaria a pesar na minha consciência, é deixar de dizer o seguinte :

1º ) Sou engº civil, com a licenciatura terminada no IST sog a égide da Academia Militar, dado que sou militar de carreira ( agora na reserva, prestes a passar á reforma ) ;

2º ) Estive muitos anos inscrito na Ordem dos Engenheiros, tendo depois cancelado a minha inscrição, por motivos pessoais ;

3º ) Tenho orgulho pessoal em ter “tirado” um curso de Engª Civil primeiro na Academia Militar, depois no IST, com professores qualificados e exigentes, dos quais recordo o célebre Prof Edgar Cardoso, em Pontes. Terminei o curso com uma boa média geral, acrescente-se ;

4º) Nesse tempo, nesse curso, seria IMPENSÁVEL que o mesmo Prof fosse responsável por quatro cadeiras, assim como seria IMPENSÁVEL fazer testes, ainda que de uma coisa chamada Inglês Técnico, através de fax ;

5º) No meu tempo, no IST, para que um aluno fosse convidado a dar aulas, após terminar o curso, era preciso que esse aluno fosse de facto um “craque”, do género 18 ou 19 de média ;

6º) Se eu tivesse concluido uma licenciatura em Engª Civil numa Universidade como a Universidade Independente, em idênticas condições ás de JS, NUNCA na vida teria a coragem de me intitular engenheiro, inscrito ou não na Ordem. NUNCA. Para mim, ser engº tem outra dignidade científica, técnica e intelectual ;

7º) As pessoas são obviamente diferentes, nos seus procedimentos habituais e na forma como se apresentam e actuam em sociedade. Por isso, acho que JS tem todo o direito a agir como quiser, embora seja obrigado a aceitar a opinião dos seus concidadãos, quanto ao mérito dos seus procedimentos ;

8º ) JS não se pode furtar a que qualquer pessoa, neste caso EU, faça um juízo de valor negativo sobre a qualidade científica e técnica daquelas cadeiras que fez na Uni, da forma como aparentemente foram leccionadas. Acho também que JS é obrigado a reconhecer-ME o direito a pensar que os cargos que desempenhava na altura tenham tido eventualmente influência na forma como todo o processo decorreu. Verdadeiro ou falso, com o seu conhecimento ou sem ele, tenho o direito a colocar essa hipótese e a escrever a minha OPINIÃO sobre ela. A verdade é que eu nunca poderia ter enviado um fax ao director do IST , nem a nenhum Professor, começando com um “Meu caro ... “ ;

9º) Acho que, se for verdade que JS apresentou uma queixa-crime contra AAC, este procedimento em nada engrandece JS, nem dignifica e fortalece a democracia portuguesa. JS não é hoje apenas um vulgar cidadão, qualquer atitude deste tipo que eventualmente tenha tomado questiona as liberdades fundamentais de uma democracia, fomentando o medo e o passivismo.
Por mim, odiei demasiado essas coisas ao longo da minha vida para agora as aceitar.

segunda-feira, junho 18, 2007


AS DESVENTURAS DE UMA GATA VOADORA
A Lili anda com uma crise de identidade. Ou não sabe que é apenas uma gata ou então tem secretos desejos de ser mais que isso. Um pássaro ? Uma águia ?
Não sei o que vai naquela cabecita, não vos posso explicar bem os porquês, mas a coisa foi assim : na passada sexta-feira, de manhã, estava eu a fazer a barba, o Pipoca ( o gatão amarelo, macho de 3 anos ) começou a fazer um enorme chinfrim na porta da casa de banho, com miados estridentes e enérgicas raspadelas.
Abri a porta e percebi que ele andava á procura da sua companheira Lili. Como ali não estava, fiz um rápido périplo pelos sítios habituais da gatinha. Sem êxito.
De repente,notei uma fresta na janela da marquise da cozinha. Senti-me gelar por dentro, aquela janela dá directamente para o parque de estacionamento das traseiras, seis pisos abaixo ... Corri para a janela e olhei : lá em baixo, muito pequenina, uma coisita branca e preta estava deitada no chão, imóvel, sabe-se lá em que estado !
O meu coração entrou em paranóia, confesso. Não tenho vergonha de vos confessar que foi um dos momentos mais aflitivos da minha vida, e já passei por alguns que não recomendo a ninguém.
Chamei-a, com um berro : “Lili !!!!!! “. Não é que a gatita virou a cabeça e olhou para cima ? Estava viva, pelo menos ainda estava viva !!
Precipitei-me para o elevador, a cara ainda com espuma, totalmente despenteado, só com uma t-shirt e umas calças, mas com a lucidez para agarrar as chaves do carro.
Era ela, a pobrezita. Teria caído ? Teria dado um salto para apanhar qualquer passarito ? Teria pensado que voava ? Certo, certo é que estava deitada ali, imóvel, em estado de choque, seis andares abaixo de casa.
Peguei-lhe e ela desatou num pranto de miados, dorida, assustadíssima, com um ar infeliz, como quem não entende o que lhe aconteceu. Fui correndo para o carro, enquanto lhe apalpava as patas e a barriga. Ela ia soltando miaus terríveis, as pessoas voltavam-se para olhar aquele quadro esquisito, um homem com ar esgazeado, as calças a cair, levando ao colo uma gata espavorida que soltava pungentes lamentos.
Fiz um vôo baixo até ao veterinário. Lá a examinou, não encontrou nada partido, injectou-lhe um anti-inflamatório e mandou-me ver se ela usava a bexiga bem ... entretanto, tinha avisado a minha filha, com cuidado.
A Lili passou o resto da sexta-feira deitada de lado, tapada com um cobertor, em estado de torpor, sem comer nem beber. Nem urinar, nem nada.
Eu e a minha filha íamos deitando olhares desconfiados para a bichinha e ás 9 da noite não resistimos : agarrámos na Lili e acelerámos para o Hospital Veterinário de S. Bento ( na Rua de S. Bento ), onde sabíamos existir urgências e meios complementares de diagnóstico.
E assim foi, a Lili teve direito a nova auscultação e apalpação, raios-X, ecografia e outro anti-inflamatório. Respirámos um pouco, finalmente, a bexiga da bicha via-se bem, intacta, na ecografia. Nem sinais de hemorragia interna nem nada.
Eram quase 11 da noite de sexta quando chegámos a casa, de novo, bastante mais descansados. A Lili, essa, alheia ás nossas preocupações, dormia descansadamente, na caixa de transporte...
Bem, o fim de semana passou-se ainda um pouco em sobressalto, mas a jovem felídea foi-se recompondo, recomeçou a comer desalmadamente e, pouco a pouco, também a fazer as suas visitas a sua casa de banho.
Relaxei, enfim. Só no domingo á noite me apercebi bem do stress que a queda da bichana nos tinha provocado.
Laços ... é o que é. Laços que tecemos com os outros, sejam pessoas, bichos ou até coisas. Laços de ternura, como aquele filme de há uns anos, lembram-se ?

quinta-feira, junho 14, 2007

QUANDO A ARGUMENTAÇÃO DESCE AO NÍVEL DA ANEDOTA
O nível da argumentação dos actuais dirigentes do PS para justificar as suas decisões quanto ao novo aeroporto atingiu os limites da decência intelectual.
Como sabem, a decisão do Governo quanto ao novo aeroporto tem duas componentes : fazer o aeroporto num local horroroso em termos geológicos e orográficos ( com autênticos pântanos rodeados por montes ) e, além disso, terminar com o actual aeroporto da Portela.
Que eu saiba, nunca ninguém explicou claramente aos portugueses o porquê destas duas decisões. Referem-se sempre uns estudos complicadíssimos, vastos e pesados dossiers, umas análises terrivelmente científicas feitas por entidades de renome internacional, mas, manda a verdade afirmar alto e bom som, NUNCA NINGUÉM DISSE AOS PORTUGUESES AS RAZÕES, PÃO, PÃO, QUEIJO, QUEIJO.
Como se estas coisas fossem complicadíssimas e não pudessem ser explicadas em termos simples.
Bom, hoje, na TV, ouvi António Costa usar um dos mais “inteligentes” e “sólidos” argumentos sobre o encerramento da Portela :
“Acho muita piada aos que defendem a manutenção do aeroporto da Portela no meio de uma cidade como Lisboa. Então, porque não defendem a construção do novo aeroporto também dentro da cidade, ali entre Benfica e Monsanto ? “
Esta pérola de lógica iluminou-me a manhã. Sinceramente, acredito que António Costa, nesta altura, já deve estar arrependido de se ter saido com esta ideia. Contudo, a verdade é que eu o vi e ouvi dizer isto.
Pelos vistos, para António Costa, pretender que a Portela continue, sob outras condições, ou fazer um aeroporto novo na 2ª circular são duas ideias idênticas e da mesma natureza.
Comparar a manutenção de um aeroporto que funciona todos os dias, em condições de segurança, com centenas de aviões a descolar e aterrar e milhares de passageiros a sair e a entrar com a construção de um novo aeroporto em Benfica é uma atitude intelectualmente MUITO desonesta e que revela um quase desespero, na incapacidade de explicar as questões.
Nós, portugueses, não merecemos atitudes destas e não as queremos. Nós, lisboetas, também não. Por isso, no que me respeita, António Costa não será o novo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. E se o vier a ser, por conseguir legitimamente a adesão de outros lisboetas que não eu, então o meu desejo é que aprenda a respeitar mais as pessoas e não volte a atirar-lhes ideias apressadas e tontas como esta.
Nem todos os lisboetas são estúpidos, co’os diabos.

terça-feira, junho 12, 2007

QUE CHATICE, PÁ, AGORA QUE EU ME ESTAVA A CONVENCER SOBRE A OTA !!

Que desilusão do caraças me deu o sr. Primeiro-Ministro !
A verdade é que eu andava com uma curiosidade tramada para ver até que ponto ia a teimosia do senhor. Um país inteiro a dizer-lhe que não tinha razão quanto áquela história da Ota e ele que sim, que era ali mesmo que ia ser o novo aeroporto, a menos que chovessem picaretas !
Confesso que a sua obstinação me andava a maravilhar, não é qualquer pessoa que faz aquilo, pá ! Um herói da resistência, um prodígio de autismo !
Bolas, então agora que eu já tinha praticamente feito do senhor o meu ídolo dos tempos modernos, ele muda, ele cede e afinal vai estudar a localização em Alcochete ??
Desculpem-me, senhores e senhoras, mas isto assim não é nada ! Apetece-me dizer : porra para Alcochete ! Então agora chegam aqui meia duzia de patrões da industria e só porque entregaram uma duzia de folhas A4 ao sr. Presidente da Republica, provavelmente amanhadas á pressa, falando em Alcochete, agora já vamos estudar um novo local ???
Não concordo, porra, Alcochete não se compara com a Ota, tem muito menos relevo, é praticamente um deserto, qualquer gajo faz ali umas pistas, qual é o gozo ? Hem ? Que piada vai ter terraplanar aquelas terras já todas lisinhas ? Tem algum jeito ? Vá lá, senhor Primeiro-Ministro, agora é que vai desistir ? ‘Bora continuar com a Ota ! Ota ! Ota ! Ota !
Como é que vai ficar agora a minha fé na indestrutibilidade da teimosia do senhor Primeiro-Ministro ? Hem ? Um destes dias ainda me vêem dizer que Mourinho não é o melhor treinador mundial de todos os tempos, começo a não acreditar em ninguém ...
Vivemos tempos de incerteza, pá, agora até já o engº Sócrates muda de opinião !
Que mais nos irá acontecer ??

sexta-feira, junho 08, 2007

A BANDA LARGA

Hoje foi dia de ar condicionado. Mais um, o terceiro.
A coisa ficou a funcionar, mas a minha confiança nele não. Até evito ligar o bicho, com medo que o mesmo vomite ar quente. Acho que trouxe um dragão para casa, em vez de um urso polar.
Esta epopeia da fuga do gás proporcionou-me, contudo, um momento cada vez mais raro na nossa relação com o mercado. Acontece que eu tinha entregue o cheque ao dono da firma que me instalou o ar condicionado, no dia anterior áquele em que de novo verifiquei que não estava a funcionar. Quando, no dia seguinte, os técnicos entraram em minha casa, um deles entregou-me o cheque que eu tinha passado, dizendo “O meu patrão devolve-lhe o cheque, só o quer de novo quando tudo estiver OK “...
Fiquei admiradissimo, ainda há gente assim, com ética e estilo. Boa !

A meio caminho de lado nenhum.
Este slogan foi inventado pelo PSD, celebrando o meio do mandato do PS. Raramente tenho visto, no marketing político, um slogan tão certeiro como este.
Pouco me importa se o slogan parte de senhores que, nos ultimos tempos, tampouco chegaram a algum lado; é giro e faz-me sempre sorrir, quando o leio nos outdoors espalhados por esta Lisboa. De facto, estamos todos numa dinâmica tremenda de mudança, mas ninguém sabe para onde iremos, ou o que queremos do futuro.
Confrange-me, esta miopia política, esta navegação sem rumo, ao mesmo tempo que se vão fazendo umas coisas para entreter o cidadão.
Navegamos rumo ao défice, como que se assim chegássemos a algum lado. O crescimento é baixissimo, a inflação aumenta ( óh a admiração dos economistas ! ), o desemprego prospera, os despedimentos colectivos upa, upa, a confiança da generalidade dos portugueses há muito que desapareceu ... mas o Governo que escolhemos ( digo escolhemos porque as eleições são um processo de responsabilidade colectiva, não porque eu o tivesse escolhido ) continua teimosamente, muito teimosamente a insistir que estamos no rumo certo.
A ultima das delícias foi esta do anuncio da oferta de computadores e do acesso á internet via banda larga a alunos e professores, ao desbarato. Fiquei emocionadíssimo, agora percebi, finalmente.
Num país de ignorantes, como o nosso, a banda larga é de facto uma aposta sensacional para o desenvolvimento.
Vamos poder afirmar que somos o primeiro país da Europa com analfabetismo funcional, insucesso escolar, elevado desemprego e baixos salários ... tudo em banda larga. E bem larga, ao que se sabe.
Já viram a pinta ?

quinta-feira, junho 07, 2007

OS FERIADOS SÃO POUCO MELHORES QUE OS DOMINGOS

Foi-se.
É verdade, não estou a gozar, o gás do ar condicionado fugiu todo outra vez.
Não perguntem, não faço a mínima ideia para onde fugiu e ainda menos por onde fugiu.
Começo a acreditar que este sistema de ar condicionado está com mau-olhado.
Amanhã tenho outra vez aí uma equipa de técnicos ( ?) ...

Hem, estão todos mais satisfeitos ?
Os países do G8 concordaram que é preciso diminuir a emissão de dióxido de carbono.
Não é fantástico ???
A resolução não diz QUANTO nem QUANDO será essa tal diminuição, mas toda a gente parece considerar este acordo como um passo em frente.
Eu também.
Acho que é um passo em frente para o prosseguimento inexorável do aquecimento da Terra, por via do efeito de estufa. E olhem que o dióxido de carbono não foge do sítio, como o gás do meu ar condicionado. Fica lá sempre a chatear, a tapar, a fazer subir a temperatura.
Raios os partam a todos.

A notícia estalou, como um milagre. Alguém, desconhecido, telefonou para a polícia espanhola dizendo que sabia onde estava a pequenita do Algarve.
Esperança ...
Horas depois : a policia espanhola nega a história e a nossa PJ também não sabe de nada.
Jornalismo, isto ? Ou já ninguém se dá ao trabalho de confirmar notícias ?
Jura solene : não volto a ler qualquer notícia sobre este caso, a menos que encontrem a menina.

Esta tarde, peguei no carro e fui dar uma volta pela marginal. Com a minha filha, tivemos uma ou duas horas pai-filha.
Não estava demasiado calor, o termómetro do carro indicava 26º C exteriores. Apesar disso, as praias da linha estavam já todas a 80 ou 90%. Esta malta anda toda maluquinha com o sol, mesmo com todos os avisos contra os ultravioletas.
Sabem porquê, não sabem ? A moda, a ditadura do fica bem, a pressão exacerbada da opinião publica ( credo, mulher, estás tão branquinha ... ).
Que se lixe a opinião publica. Desde miudo que gosto de mar, de pescar, de caça submarina, de tomar banho nas ondas ... mas nunca gostei de me esparramar ao sol, feito lagarto tonto de pele nua e sem escamas.
Não é agora que vou começar.

Acabámos a tomar uma bebida ( pronto, está bem, tabém comemos um bolito ... ) na Vela Latina, ali mesmo em frente á célebre Universidade Moderna e lado a lado com a Torre de Belém. É um local giro, onde se encontram, numa calma convergência, os ecos das grandezas passadas dos portugueses com algumas das suas recentes misérias. Turistas aos bandos, acho que éramos os unicos portugueses.
Minto, os arrumadores também eram portugueses. What else ?

Ciao, vou publicar este texto e depois vou ler ou ver TV.
Passem bem, não resmunguem muito e ... abram os olhos, os ouvidos e a garganta.
O tempo da tolerância acabou.