HÁ COISAS QUE PARECEM INEVITÁVEIS
É inutil.
Não vale a pena estar sempre a falar nos fogos e no que se havia de fazer para acabar com eles ou pelo menos para lhes diminuir as consequências.
É totalmente inútil : todos os anos sucede o mesmo, com uma regularidade monótona. Todos os anos nos queixamos da falta de meios dos bombeiros, todos os anos dizemos que a culpa é das altas temperaturas e do vento.
A coisa é tal que começo mesmo a acreditar que os fogos só param quando querem, com ou sem os esforços dos bombeiros... assim sendo, não seria melhor aplicar o dinheiro que se gasta com bombeiros, viaturas, aviões, etc ... pura e simplesmente a limpar as matas, a seccioná-las e a dotá-las de caminhos ? Depois, quando acontecesse um fogo, deixava-se arder até acabar. A diferença para agora não seria muita e poupava-se aquele esforço inglório, aquele aparato dramático, aquela ostentação penosa da mais gritante descoordenação e ineficácia.
Isto que digo pode ser uma enorme parvoíce, é verdade. Porém, desafio alguém a demonstrar-me que estou londe da verdade ...
Claro que só estou a falar de fogos florestais, amigos, não dos fogos urbanos nem dos industriais.
E já agora, que estou com as mãos na massa, digam-me lá se não se ganhava também mais em não ter governo nenhum do que em ter este ?
Pensem bem nisso.
Blogs (Blogues) = crónicas (quase) diárias; registo periódico de factos, opiniões e críticas ; as impressões íntimas, a política, o social.
segunda-feira, julho 26, 2004
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Vitor Cunha
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7/26/2004 12:06:00 da manhã
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quarta-feira, julho 21, 2004
A LIBERDADE DE USAR A INTELIGÊNCIA
Acabei de ver uma entrevista de Maria João Avilez a Pacheco Pereira e apetece-me dizer : vivam a inteligência, a honestidade intelectual e a liberdade de espírito !
Pacheco Pereira não é um homem da minha família política ; contudo, oiço-o sempre com um prazer imenso, mesmo se dele discordar, em parte ou no todo. Isto não me acontece com muitas outras pessoas, infelizmente.
Não é apenas a lucidez da análise e a facilidade de expressão, é também, e provavelmente antes de mais, a enorme sensação que transmite da sua liberdade de pensamento. Quando fala, é ele que fala, não um partido, um grupo económico ou um sindicato. A verdade é que todos estes anos me cansaram de frases repetidas, de ideias estereotipadas, de escravizantes opiniões de grupo. Agrupar as nossas opiniões e os nossos comportamentos, cristalizando-as em partidos, sindicatos, clubes de futebol ou outras coisas semelhantes, tem inegáveis vantagens na viabilização de uma sociedade plural e democrática, é verdade. Mas é também uma espécie de tirania intelectual e algo profundamente redutor para o espírito humano.
Por isso gosto das pessoas, como Pacheco Pereira, que se vão libertando do jugo das opiniões de grupo pré-definidas, nunca desistindo de ser livres e inteligentes.
Claro que nem todos o podem ser, nem todos o devem ser, nem todos o querem ser.
Contudo, é importante, muito importante, que existam pessoas assim.
Acabei de ver uma entrevista de Maria João Avilez a Pacheco Pereira e apetece-me dizer : vivam a inteligência, a honestidade intelectual e a liberdade de espírito !
Pacheco Pereira não é um homem da minha família política ; contudo, oiço-o sempre com um prazer imenso, mesmo se dele discordar, em parte ou no todo. Isto não me acontece com muitas outras pessoas, infelizmente.
Não é apenas a lucidez da análise e a facilidade de expressão, é também, e provavelmente antes de mais, a enorme sensação que transmite da sua liberdade de pensamento. Quando fala, é ele que fala, não um partido, um grupo económico ou um sindicato. A verdade é que todos estes anos me cansaram de frases repetidas, de ideias estereotipadas, de escravizantes opiniões de grupo. Agrupar as nossas opiniões e os nossos comportamentos, cristalizando-as em partidos, sindicatos, clubes de futebol ou outras coisas semelhantes, tem inegáveis vantagens na viabilização de uma sociedade plural e democrática, é verdade. Mas é também uma espécie de tirania intelectual e algo profundamente redutor para o espírito humano.
Por isso gosto das pessoas, como Pacheco Pereira, que se vão libertando do jugo das opiniões de grupo pré-definidas, nunca desistindo de ser livres e inteligentes.
Claro que nem todos o podem ser, nem todos o devem ser, nem todos o querem ser.
Contudo, é importante, muito importante, que existam pessoas assim.
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Vitor Cunha
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7/21/2004 12:29:00 da manhã
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domingo, julho 18, 2004
A VERDADE SOBRE A CONSTITUIÇÃO DESTE GOVERNO
Este primeiro-ministro é um finório !
As suas influências noctívagas foram determinantes na constituição deste cocktail, perdão, deste governo : uns quantos ingredientes, umas pedras de gelo, vai tudo ao shaker e ... aí está uma bela bebida, pronta a ser servida aos portugueses.
No fundo, não foi bem assim. Foi um pouco mais elaborado, o processo : foram produzidas duas listas diferentes, a das pessoas ministeriáveis e a dos ministérios. Depois, a cada pessoa, lida da primeira lista, foi feita a correspondência com um ministério tirado da outra lista, completamente à sorte !
Brilhante, esta táctica.
Assim ninguém se vai queixar de favoritismos ou de cunhas na distribuição das pastas, não é ? Quem vai contestar um sorteio ?
Este primeiro-ministro é um finório !
As suas influências noctívagas foram determinantes na constituição deste cocktail, perdão, deste governo : uns quantos ingredientes, umas pedras de gelo, vai tudo ao shaker e ... aí está uma bela bebida, pronta a ser servida aos portugueses.
No fundo, não foi bem assim. Foi um pouco mais elaborado, o processo : foram produzidas duas listas diferentes, a das pessoas ministeriáveis e a dos ministérios. Depois, a cada pessoa, lida da primeira lista, foi feita a correspondência com um ministério tirado da outra lista, completamente à sorte !
Brilhante, esta táctica.
Assim ninguém se vai queixar de favoritismos ou de cunhas na distribuição das pastas, não é ? Quem vai contestar um sorteio ?
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Vitor Cunha
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7/18/2004 11:51:00 da tarde
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sábado, julho 17, 2004
COMO É QUE SE MUDA ?
Confesso-lhes que não faço a menor ideia do que deverá ser feito para tornar Portugal um País próspero e justo, sem desigualdades sociais graves.Tenho alguns palpites, é verdade, mas não tenho certezas nenhumas.
Estas minhas dúvidas não são graves : ninguém espera de mim decisões importantes, as minhas dúvidas não comprometem o futuro do país e o dos meus concidadãos. Já acho grave, porém, que a maior parte dos nossos políticos, homens e mulheres, partilhem comigo essa ignorância : é que é bem visível que nenhum deles tem a mínima ideia de futuro, a mínima estratégia, o mínimo sonho ! Em todos eles noto a ausência de um projecto, sequer de um esboço. À esquerda e à direita limitam-se a navegar à vista da costa, não há rasgos, não há aceitação de riscos, não há caminhos.
Mesmo a magistratura de topo do Presidente da República é tímida e pantanosa, não ousando os gestos purificadores e que abrem soluções, preferindo a comodidade à incerteza, a mediania à possibilidade de uma saída.
Se Martin Luther King tivesse sido português nunca teria dito “Eu tenho um sonho...”, teria antes proclamado “Sede pacientes, irmãos, a estabilidade antes de tudo!”.
Aqui, neste meu país, joga-se sempre pelo seguro. Jogo rasteiro, baixinho, que o guarda-redes é anão, como se ironizava aqui há uns anos, antes do Ricardo ser herói.
Aqui nunca há grandes ondas, nem grandes arroubos. Nem nunca houve Hitlers, Mussolinis, Stalinis ou Francos, apenas um Salazar de botas rurais, ditador de meias tintas, sonhando com um país onde nada nunca mudasse ...
O horror à mudança parece ser a nossa essência. Também não gostamos muito daquilo que somos, é verdade, mas ainda gostamos menos de mudar. É isso que explica a nossa persistência em continuar a ser um país de merda.
Por essas e outras é que eu digo : não faço a mínima ideia de como podemos mudar Portugal.
Talvez Pedro Santana Lopes e Paulo Portas saibam... eheheheh ....quem sabe ?
Confesso-lhes que não faço a menor ideia do que deverá ser feito para tornar Portugal um País próspero e justo, sem desigualdades sociais graves.Tenho alguns palpites, é verdade, mas não tenho certezas nenhumas.
Estas minhas dúvidas não são graves : ninguém espera de mim decisões importantes, as minhas dúvidas não comprometem o futuro do país e o dos meus concidadãos. Já acho grave, porém, que a maior parte dos nossos políticos, homens e mulheres, partilhem comigo essa ignorância : é que é bem visível que nenhum deles tem a mínima ideia de futuro, a mínima estratégia, o mínimo sonho ! Em todos eles noto a ausência de um projecto, sequer de um esboço. À esquerda e à direita limitam-se a navegar à vista da costa, não há rasgos, não há aceitação de riscos, não há caminhos.
Mesmo a magistratura de topo do Presidente da República é tímida e pantanosa, não ousando os gestos purificadores e que abrem soluções, preferindo a comodidade à incerteza, a mediania à possibilidade de uma saída.
Se Martin Luther King tivesse sido português nunca teria dito “Eu tenho um sonho...”, teria antes proclamado “Sede pacientes, irmãos, a estabilidade antes de tudo!”.
Aqui, neste meu país, joga-se sempre pelo seguro. Jogo rasteiro, baixinho, que o guarda-redes é anão, como se ironizava aqui há uns anos, antes do Ricardo ser herói.
Aqui nunca há grandes ondas, nem grandes arroubos. Nem nunca houve Hitlers, Mussolinis, Stalinis ou Francos, apenas um Salazar de botas rurais, ditador de meias tintas, sonhando com um país onde nada nunca mudasse ...
O horror à mudança parece ser a nossa essência. Também não gostamos muito daquilo que somos, é verdade, mas ainda gostamos menos de mudar. É isso que explica a nossa persistência em continuar a ser um país de merda.
Por essas e outras é que eu digo : não faço a mínima ideia de como podemos mudar Portugal.
Talvez Pedro Santana Lopes e Paulo Portas saibam... eheheheh ....quem sabe ?
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Vitor Cunha
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7/17/2004 04:10:00 da tarde
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quarta-feira, julho 14, 2004
ANDO A TER PESADELOS
Por vezes olho este meu país como que num sonho. Num daqueles sonhos onde acontecem coisas estranhíssimas, como voar ou atravessar paredes. Olho as imagens na televisão e sinto-me no meio de um desses sonhos. Só pode ser sonho mesmo, sim. Aquele não é aquele puto cheio de paleio que girava na sombra de Sá Carneiro ? Aquele que passa a vida a mandar bocas que nunca cumpre e deixa sempre tudo a meio, mesmo as relações com mulheres ? Só pode ser sonho, imaginem, aquele gajo Primeiro-Ministro do meu país ! Será grave isto que sinto ? Para que me havia de dar, ter estes pesadelos, já viram ? Tenho que marcar uma consulta com o dr. Macedo, já não vou lá desde que deixei de fumar e me andava a sentir miserável de todo ...
Mas lá que este meu cérebro tem piada, isso tem ... onde raio é que iria ele buscar esta ideia de fazer do Santana Lopes Primeiro-Ministro de Portugal ...
Livra, tenho que deixar de ter estes sonhos, deixam-me angustiado de todo !
Por vezes olho este meu país como que num sonho. Num daqueles sonhos onde acontecem coisas estranhíssimas, como voar ou atravessar paredes. Olho as imagens na televisão e sinto-me no meio de um desses sonhos. Só pode ser sonho mesmo, sim. Aquele não é aquele puto cheio de paleio que girava na sombra de Sá Carneiro ? Aquele que passa a vida a mandar bocas que nunca cumpre e deixa sempre tudo a meio, mesmo as relações com mulheres ? Só pode ser sonho, imaginem, aquele gajo Primeiro-Ministro do meu país ! Será grave isto que sinto ? Para que me havia de dar, ter estes pesadelos, já viram ? Tenho que marcar uma consulta com o dr. Macedo, já não vou lá desde que deixei de fumar e me andava a sentir miserável de todo ...
Mas lá que este meu cérebro tem piada, isso tem ... onde raio é que iria ele buscar esta ideia de fazer do Santana Lopes Primeiro-Ministro de Portugal ...
Livra, tenho que deixar de ter estes sonhos, deixam-me angustiado de todo !
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7/14/2004 11:44:00 da tarde
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domingo, julho 11, 2004
SER ISENTO É ESTAR SEMPRE CONTRA QUEM NOS ELEGEU ???
O impensável aconteceu.
Depois de grande meditação e de ouvir tanta gente, o Presidente fugiu, também.
Está na moda, de resto, no meu país. Durão Barroso fugiu, Sampaio imitou-o . Ambos fugiram das suas responsabilidades ( ou algo de muito parecido ! ), ambos optaram pelo mais fácil.
Mas esperem, não ficou por aqui ... Ferro Rodrigues também se baldou, pois então !
Durão alegou a importância de um português na Europa, Sampaio justificou-se com a estabilidade política, Ferro Rodrigues não aceitou a “traição” do “seu” Presidente !
Tretas ! Nem é importante estar um português na Europa nem a estabilidade é algo que os portugueses comam ou lhes dê emprego. Já viram se em 24 de Abril alguém se declarasse contra a revolução com o argumento da estabilidade política ?
E quanto a Ferro Rodrigues, um político deve ter ética e verticalidade, é certo, mas também deve ter um estômago de ... ferro.
Pois é ... a verdade é que aí estamos nós com um governo de ocasião, saído da cartola do Presidente. Governo em que ninguém votou.
Pior : Governo em que poucos votariam, se nos tivessem dado voz.
Se nos tivessem deixado.
A partir desta solução, Portugal só formal e legalmente é uma democracia.
No fundo, vamos ter um Governo não escolhido por nós, eleitores.
E um Presidente que acha que estabilidade é isso mesmo : aturar um Governo que ninguém escolheu.
Acha ele, mas não acho eu. Fiquei terrivelmente desiludido e desestabilizado. E irritado. E com um sentimento de que alguém me enfiou um grande barrete.
Então e foram precisos 15 dias para esta brilhante decisão ?
Sampaio, Sampaio, hás-de arrepender-te tanta vez, tanta !
O impensável aconteceu.
Depois de grande meditação e de ouvir tanta gente, o Presidente fugiu, também.
Está na moda, de resto, no meu país. Durão Barroso fugiu, Sampaio imitou-o . Ambos fugiram das suas responsabilidades ( ou algo de muito parecido ! ), ambos optaram pelo mais fácil.
Mas esperem, não ficou por aqui ... Ferro Rodrigues também se baldou, pois então !
Durão alegou a importância de um português na Europa, Sampaio justificou-se com a estabilidade política, Ferro Rodrigues não aceitou a “traição” do “seu” Presidente !
Tretas ! Nem é importante estar um português na Europa nem a estabilidade é algo que os portugueses comam ou lhes dê emprego. Já viram se em 24 de Abril alguém se declarasse contra a revolução com o argumento da estabilidade política ?
E quanto a Ferro Rodrigues, um político deve ter ética e verticalidade, é certo, mas também deve ter um estômago de ... ferro.
Pois é ... a verdade é que aí estamos nós com um governo de ocasião, saído da cartola do Presidente. Governo em que ninguém votou.
Pior : Governo em que poucos votariam, se nos tivessem dado voz.
Se nos tivessem deixado.
A partir desta solução, Portugal só formal e legalmente é uma democracia.
No fundo, vamos ter um Governo não escolhido por nós, eleitores.
E um Presidente que acha que estabilidade é isso mesmo : aturar um Governo que ninguém escolheu.
Acha ele, mas não acho eu. Fiquei terrivelmente desiludido e desestabilizado. E irritado. E com um sentimento de que alguém me enfiou um grande barrete.
Então e foram precisos 15 dias para esta brilhante decisão ?
Sampaio, Sampaio, hás-de arrepender-te tanta vez, tanta !
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7/11/2004 07:42:00 da tarde
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quinta-feira, julho 08, 2004
COM O TEMPO, A VERDADE VEM AO DE CIMA
A gestão da crise política pelo presidente Jorge Sampaio tem sido exemplar. Desde logo por não se isolar e, pelo contrário, ouvir não só os partidos políticos como uma longa série de notáveis, pessoas com experiência política e económica. Mas exemplar sobretudo pela utilização do factor tempo. Ao invés de Durão Barroso e de Santana Lopes, Sampaio percebeu que a passagem dos dias iria clarificar posições e atitudes. Assim aconteceu : a oposição sedimentou esperanças e iniciou um discurso mais agressivo e confiante, enquanto Paulo Portas e Santana Lopes evidenciaram um nervosismo tremendo, acumulando erros sobre erros. De facto, a paupérrima exibição destes dois lideres partidários nestas circunstâncias delicadas mostraram a muitos portugueses de que massa são feitos, esclarecendo mesmo aqueles que andam distraidos ou esquecidos quanto à personalidade política ( melhor, quanto à falta dela ) daqueles a quem ficariam entregues os nossos assuntos públicos.
Aqui chegados, talvez fosse bom clarificar a seguinte ideia ao PSD: os erros de “casting” pagam-se muito caro, em política. Um partido da dimensão e com a representatividade do PSD, em Portugal, não pode deixar-se conquistar por um homem como Santana Lopes, sem outras ideias ou projectos que não sejam os de vender a sua própria imagem. Seria bom para a democracia, em Portugal, que o PSD percebesse que Santana Lopes é um político vazio e sem estofo de estadista e se livrasse dele.
Fosse outro o actual lider do PSD e talvez a solução política para a crise pudesse ser outra. Assim, com Santana Lopes, seria uma palhaçada. O PSD não merece isto e Portugal muito menos.
Inteligente, Sampaio percebeu que uns dias de arrastamento da solução fariam vir à tona a essência das coisas : o ridiculo completo de um governo formado por um playboy da política e por um travesti de homem de Estado.
Vamos a votos, senhoras e senhores.
Nota ao PSD : no fim das eleições, se acontecer a derrota que pressinto, sugiro ao PSD que se livre de Santana Lopes. Se tal não suceder, será muito mau.
A gestão da crise política pelo presidente Jorge Sampaio tem sido exemplar. Desde logo por não se isolar e, pelo contrário, ouvir não só os partidos políticos como uma longa série de notáveis, pessoas com experiência política e económica. Mas exemplar sobretudo pela utilização do factor tempo. Ao invés de Durão Barroso e de Santana Lopes, Sampaio percebeu que a passagem dos dias iria clarificar posições e atitudes. Assim aconteceu : a oposição sedimentou esperanças e iniciou um discurso mais agressivo e confiante, enquanto Paulo Portas e Santana Lopes evidenciaram um nervosismo tremendo, acumulando erros sobre erros. De facto, a paupérrima exibição destes dois lideres partidários nestas circunstâncias delicadas mostraram a muitos portugueses de que massa são feitos, esclarecendo mesmo aqueles que andam distraidos ou esquecidos quanto à personalidade política ( melhor, quanto à falta dela ) daqueles a quem ficariam entregues os nossos assuntos públicos.
Aqui chegados, talvez fosse bom clarificar a seguinte ideia ao PSD: os erros de “casting” pagam-se muito caro, em política. Um partido da dimensão e com a representatividade do PSD, em Portugal, não pode deixar-se conquistar por um homem como Santana Lopes, sem outras ideias ou projectos que não sejam os de vender a sua própria imagem. Seria bom para a democracia, em Portugal, que o PSD percebesse que Santana Lopes é um político vazio e sem estofo de estadista e se livrasse dele.
Fosse outro o actual lider do PSD e talvez a solução política para a crise pudesse ser outra. Assim, com Santana Lopes, seria uma palhaçada. O PSD não merece isto e Portugal muito menos.
Inteligente, Sampaio percebeu que uns dias de arrastamento da solução fariam vir à tona a essência das coisas : o ridiculo completo de um governo formado por um playboy da política e por um travesti de homem de Estado.
Vamos a votos, senhoras e senhores.
Nota ao PSD : no fim das eleições, se acontecer a derrota que pressinto, sugiro ao PSD que se livre de Santana Lopes. Se tal não suceder, será muito mau.
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7/08/2004 11:26:00 da tarde
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terça-feira, julho 06, 2004
O MEDO DE PERDER O PODER
A posição dos partidos que não querem eleições antecipadas é cínica e despudorada. Ninguém que ocupe uma posição de poder legitimada pelo voto popular pode alguma vez, seja em que circunstâncias for, recusar novas eleições. Em democracia, a soberania não se delega em representantes eleitos, o que se delega é apenas o exercício temporário do poder. Em principio, por um período de tempo pré-determinado, sim, mas sempre sujeito a interrupção, caso as circunstâncias o justifiquem.
Alguns dos senhores e senhoras que são nossos representantes eleitos tendem a esquecer-se destas verdades básicas e nem mesmo têm vergonha de revelar que NÃO querem eleições. Esta é a verdade : FOGEM de eleições, EVITAM perguntar às pessoas como querem ser governadas.
Há que respeitar as eleições de 2002, dizem. Mas não seria melhor respeitar umas frescas, que sejam feitas AGORA ? O que é melhor, a vontade do povo em 2002 ou a vontade do mesmo povo AGORA, depois de tudo o que aconteceu ?
Vamos então fingir que as pessoas permanecem com as mesmas intenções de voto que em 2002, depois de uma união de partidos que surgiu á posteriori, depois de uma longa série de promessas eleitorais esquecidas, depois daquele em quem votaram ter desertado para Bruxelas, depois de dois anos infernais de uma contenção orçamental que foi só para alguns e sem resultados positivos visíveis ? Hem ? Votaríamos hoje como votámos em 2002 ? O tanas é que votávamos ... Viu-se nas ultimas eleições para o parlamento europeu. Viu-se.
QUEM TEM MEDO DE PERGUNTAR AOS PORTUGUESES O QUE QUEREM ?
Ao contrário do que toda a gente parece acreditar, não penso que a estabilidade política seja o bem absoluto a preservar na gestão da coisa política. A legitimidade e a genuinidade do poder são valores bem mais importantes.
A posição dos partidos que não querem eleições antecipadas é cínica e despudorada. Ninguém que ocupe uma posição de poder legitimada pelo voto popular pode alguma vez, seja em que circunstâncias for, recusar novas eleições. Em democracia, a soberania não se delega em representantes eleitos, o que se delega é apenas o exercício temporário do poder. Em principio, por um período de tempo pré-determinado, sim, mas sempre sujeito a interrupção, caso as circunstâncias o justifiquem.
Alguns dos senhores e senhoras que são nossos representantes eleitos tendem a esquecer-se destas verdades básicas e nem mesmo têm vergonha de revelar que NÃO querem eleições. Esta é a verdade : FOGEM de eleições, EVITAM perguntar às pessoas como querem ser governadas.
Há que respeitar as eleições de 2002, dizem. Mas não seria melhor respeitar umas frescas, que sejam feitas AGORA ? O que é melhor, a vontade do povo em 2002 ou a vontade do mesmo povo AGORA, depois de tudo o que aconteceu ?
Vamos então fingir que as pessoas permanecem com as mesmas intenções de voto que em 2002, depois de uma união de partidos que surgiu á posteriori, depois de uma longa série de promessas eleitorais esquecidas, depois daquele em quem votaram ter desertado para Bruxelas, depois de dois anos infernais de uma contenção orçamental que foi só para alguns e sem resultados positivos visíveis ? Hem ? Votaríamos hoje como votámos em 2002 ? O tanas é que votávamos ... Viu-se nas ultimas eleições para o parlamento europeu. Viu-se.
QUEM TEM MEDO DE PERGUNTAR AOS PORTUGUESES O QUE QUEREM ?
Ao contrário do que toda a gente parece acreditar, não penso que a estabilidade política seja o bem absoluto a preservar na gestão da coisa política. A legitimidade e a genuinidade do poder são valores bem mais importantes.
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7/06/2004 11:43:00 da tarde
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segunda-feira, julho 05, 2004
IDEIAS EM CONTRAMÃO
De repente, a ideia atinge-me como um clarão : a morte de alguém querido é muito mais penosa para os que ficam que para aquele que se finou. Se isto for verdade, a minha verdadeira morte está a acontecer agora, antes da outra, a biológica. Sinto a falta de pessoas que sempre me rodearam e eu admirei. Pessoas que eram parte do meu pequeno mundo. Pessoas de que ainda guardo o sorriso, o cheiro, o som das palavras.
Se isto é assim, morre-se aos poucos, lentamente, até já pouco restar que nos prenda á vida.
E, como todas as dívidas que não se pagam a pronto, morremos pagando juros e amortizações, morremos mais do que devíamos, muito mais.
A longo prazo, acabamos por morrer duas ou três vezes.
Por outro lado, a dor vem gradualmente, vamo-nos habituando a ela, insidiosamente, quase sem darmos por isso. Um mês fazemos um pagamento, no mês seguinte dois, lá vem depois um mês onde somos dispensados da prestação.
A morte financiada a prazo com prestações suaves.
Suaves ... mas mortíferas, não se esqueçam.
De repente, a ideia atinge-me como um clarão : a morte de alguém querido é muito mais penosa para os que ficam que para aquele que se finou. Se isto for verdade, a minha verdadeira morte está a acontecer agora, antes da outra, a biológica. Sinto a falta de pessoas que sempre me rodearam e eu admirei. Pessoas que eram parte do meu pequeno mundo. Pessoas de que ainda guardo o sorriso, o cheiro, o som das palavras.
Se isto é assim, morre-se aos poucos, lentamente, até já pouco restar que nos prenda á vida.
E, como todas as dívidas que não se pagam a pronto, morremos pagando juros e amortizações, morremos mais do que devíamos, muito mais.
A longo prazo, acabamos por morrer duas ou três vezes.
Por outro lado, a dor vem gradualmente, vamo-nos habituando a ela, insidiosamente, quase sem darmos por isso. Um mês fazemos um pagamento, no mês seguinte dois, lá vem depois um mês onde somos dispensados da prestação.
A morte financiada a prazo com prestações suaves.
Suaves ... mas mortíferas, não se esqueçam.
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7/05/2004 10:15:00 da tarde
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domingo, julho 04, 2004
A ARTE DE NÃO FAZER NADA
Um país em transe. Um país inteiro à espera. Como sempre. Não sei bem como, mas os portugueses arranjam sempre forma de estarem à espera de alguma coisa. Estar à espera significa que não é preciso fazer nada, nem sequer mexer, apenas respirar.
Agora espera-se pela final do Europeu 2004 e também pela decisão do Presidente. Depois há-de esperar-se pelo novo Governo, para ver como as coisas vão parar. E se houver eleições antecipadas ainda melhor : o tempo de espera aumenta e aumenta o período em que há justificação para não se fazer nada.
Hoje de manhã, no café, ouvi o seguinte comentário de uma senhora para o empregado de balcão : “Amanhã devia ser feriado nacional, se ganharmos hoje a final ! “ ... Com o meu melhor sorriso acrescentei : “E se perdermos também, para nos recompôrmos ...”
O sorriso de cumplicidade foi geral. Somos assim, uns mestres na arte de arranjar pretextos para não fazer nada.
Quem sabe se, afinal, não é essa a grande mais valia da cultura portuguesa ? Sim, porque essa história de que só o trabalho dignifica e dá valor à existência humana está muito mal contada, eheheh ...
Acho eu, claro.
Um país em transe. Um país inteiro à espera. Como sempre. Não sei bem como, mas os portugueses arranjam sempre forma de estarem à espera de alguma coisa. Estar à espera significa que não é preciso fazer nada, nem sequer mexer, apenas respirar.
Agora espera-se pela final do Europeu 2004 e também pela decisão do Presidente. Depois há-de esperar-se pelo novo Governo, para ver como as coisas vão parar. E se houver eleições antecipadas ainda melhor : o tempo de espera aumenta e aumenta o período em que há justificação para não se fazer nada.
Hoje de manhã, no café, ouvi o seguinte comentário de uma senhora para o empregado de balcão : “Amanhã devia ser feriado nacional, se ganharmos hoje a final ! “ ... Com o meu melhor sorriso acrescentei : “E se perdermos também, para nos recompôrmos ...”
O sorriso de cumplicidade foi geral. Somos assim, uns mestres na arte de arranjar pretextos para não fazer nada.
Quem sabe se, afinal, não é essa a grande mais valia da cultura portuguesa ? Sim, porque essa história de que só o trabalho dignifica e dá valor à existência humana está muito mal contada, eheheh ...
Acho eu, claro.
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7/04/2004 04:20:00 da tarde
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quinta-feira, julho 01, 2004
NÃO GOSTO DE POLÍTICOS PROFISSIONAIS, PRONTO !
A vida política tem destas coisas : os políticos profissionais, homens que nunca foram pedreiros, médicos, advogados, engenheiros ou funcionários administrativos, embora muitas vezes sejam titulares de diplomas e carteiras profissionais. Nunca tiveram qualquer profissão, foram sempre homens “dedicados” ao seu partido e à coisa pública. Leia-se : viveram do seu partido ou do nosso dinheiro. Profissão : político. Podem ser políticos centrais, ministros ou homens do aparelho partidário ou podem ser locais, autarcas e similares. Une-os porém o entusiasmo de representar o povo e de gerir as coisas que são de todos nós. Nunca trabalharam em nada de concreto, nunca demonstraram aptidão particular para nada além de se fazerem eleger ou nomear. Falam sempre com um ar categórico, possuidores de visões e certezas inabaláveis, vendem sempre uma ideia de convicção e segurança.
Nunca gostei desses tipos que nunca fizeram nada de prático na vida. Assim como nunca gostei de vadios, chulos ou vigaristas.
Por mim, faço-lhes sempre esta pergunta : oiça lá, óh mister, afinal quem é você e o que é que já produziu de útil na vida ? E se nunca fez nada de concreto, como quer que eu acredite que é capaz de governar este país ?
Não se espantem nem abespinhem : gajos destes, conheço-os de todas as cores ... embora nem todos se arrisquem a acabar em Primeiro-Ministro !
A vida política tem destas coisas : os políticos profissionais, homens que nunca foram pedreiros, médicos, advogados, engenheiros ou funcionários administrativos, embora muitas vezes sejam titulares de diplomas e carteiras profissionais. Nunca tiveram qualquer profissão, foram sempre homens “dedicados” ao seu partido e à coisa pública. Leia-se : viveram do seu partido ou do nosso dinheiro. Profissão : político. Podem ser políticos centrais, ministros ou homens do aparelho partidário ou podem ser locais, autarcas e similares. Une-os porém o entusiasmo de representar o povo e de gerir as coisas que são de todos nós. Nunca trabalharam em nada de concreto, nunca demonstraram aptidão particular para nada além de se fazerem eleger ou nomear. Falam sempre com um ar categórico, possuidores de visões e certezas inabaláveis, vendem sempre uma ideia de convicção e segurança.
Nunca gostei desses tipos que nunca fizeram nada de prático na vida. Assim como nunca gostei de vadios, chulos ou vigaristas.
Por mim, faço-lhes sempre esta pergunta : oiça lá, óh mister, afinal quem é você e o que é que já produziu de útil na vida ? E se nunca fez nada de concreto, como quer que eu acredite que é capaz de governar este país ?
Não se espantem nem abespinhem : gajos destes, conheço-os de todas as cores ... embora nem todos se arrisquem a acabar em Primeiro-Ministro !
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Vitor Cunha
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terça-feira, junho 29, 2004
CONDECOREM-O !
Proponho que o Presidente da Republica, no 10 de Junho de 2005, agracie o Dr. Durão Barroso com a mais alta condecoração nacional para premiar actos extraordinários na defesa dos interesses nacionais. Homens destes não temos muitos : combativos, abnegados, estóicos, persistentes, indiferentes a dificuldades e prejuízos pessoais, imunes á cobiça e ao deslumbramento das grandes benesses ...
Condecorem o homem, pois !
Proponho que o Presidente da Republica, no 10 de Junho de 2005, agracie o Dr. Durão Barroso com a mais alta condecoração nacional para premiar actos extraordinários na defesa dos interesses nacionais. Homens destes não temos muitos : combativos, abnegados, estóicos, persistentes, indiferentes a dificuldades e prejuízos pessoais, imunes á cobiça e ao deslumbramento das grandes benesses ...
Condecorem o homem, pois !
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Vitor Cunha
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6/29/2004 11:49:00 da tarde
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domingo, junho 27, 2004
APENAS ALGUMAS PERGUNTAS SIMPLES ...
- Durão Barroso, quando das eleições legislativas, não se tinha comprometido a exercer o cargo de Primeiro Ministro, se fosse eleito ? Ou era só até arranjar um emprego melhor ?
- Durão Barroso foi “obrigado” pela Europa a aceitar o cargo de presidente da Comissão Europeia ? Aceitou contrariadíssimo ? Mostrou pena de nos abandonar ?
- Porque motivo é que o dr. Durão Barroso aceitou o convite para esse cargo ? Sentido de dever patriótico ? Para poder solucionar a crise portuguesa ? Para dar um contributo á honra e glória de Portugal ?
- Para que raio precisa a Europa de um homem que abandonou o seu próprio país numa altura dificil ? Que esperam de um homem desses ? Ou isto já é como no futebol, o meu clube é quem me pagar melhor ?
- Que motivos levam o PSD e o PP a não desejar que se realizem novas eleições legislativas antecipadas ? O seu desejo de que seja respeitada a vontade dos portugueses ? Evitar as despesas de umas novas eleições ?
- É legítimo que o PSD se reuna e escolha um seu militante para Primeiro Ministro, assim sem dar cavaco a mais nenhum português, só porque o partido ganhou as eleições em 2002, com um OUTRO lider ?
- Afinal quem mais ordena no nosso desgraçado país ? Quem paga as contas, nós todos, ou meia dúzia de senhores empertigados que fazem tudo para não ouvir a nossa opinião ?
- E tu que achas, caro leitor : vamos a votos ou vamos deixar que nos governe alguém que nunca escolhemos ?
- Durão Barroso, quando das eleições legislativas, não se tinha comprometido a exercer o cargo de Primeiro Ministro, se fosse eleito ? Ou era só até arranjar um emprego melhor ?
- Durão Barroso foi “obrigado” pela Europa a aceitar o cargo de presidente da Comissão Europeia ? Aceitou contrariadíssimo ? Mostrou pena de nos abandonar ?
- Porque motivo é que o dr. Durão Barroso aceitou o convite para esse cargo ? Sentido de dever patriótico ? Para poder solucionar a crise portuguesa ? Para dar um contributo á honra e glória de Portugal ?
- Para que raio precisa a Europa de um homem que abandonou o seu próprio país numa altura dificil ? Que esperam de um homem desses ? Ou isto já é como no futebol, o meu clube é quem me pagar melhor ?
- Que motivos levam o PSD e o PP a não desejar que se realizem novas eleições legislativas antecipadas ? O seu desejo de que seja respeitada a vontade dos portugueses ? Evitar as despesas de umas novas eleições ?
- É legítimo que o PSD se reuna e escolha um seu militante para Primeiro Ministro, assim sem dar cavaco a mais nenhum português, só porque o partido ganhou as eleições em 2002, com um OUTRO lider ?
- Afinal quem mais ordena no nosso desgraçado país ? Quem paga as contas, nós todos, ou meia dúzia de senhores empertigados que fazem tudo para não ouvir a nossa opinião ?
- E tu que achas, caro leitor : vamos a votos ou vamos deixar que nos governe alguém que nunca escolhemos ?
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Vitor Cunha
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6/27/2004 11:44:00 da tarde
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sábado, junho 26, 2004
UMA IMENSA VERGONHA ...
Sinceramente, nunca esperei assistir a um espectáculo destes.
Uma falta de ética do tamanho do Mundo, uma ausência de principios completamente despudorada, um cinismo inacreditável !
Vamos por partes.
Durão Barroso prometeu servir os portugueses como Primeiro-Ministro. Mais : prometeu que, depois do apertar do cinto vinham aí agora os dias da retoma.
Prometeu ... e não vai cumprir. Falta de ética.
O País atravessa uma fase particularmente delicada, quanto á confiança dos cidadãos, quanto á sua capacidade de afirmação e de superação de dificuldades.
Abandonar o Governo nesta altura demonstra ausência de principios, demonstra que há outros amores na vida de Durão Barroso que não o amor à causa pública. Durão Barroso está-se nas tintas para os portugueses e para os seus problemas, é agora bem nítido.
Cinismo, por fim. É cinismo pretender que a presidência da comissão europeia seja algo mais que um desejo e sonho pessoais. Não é, nunca foi do interesse de Portugal que esse cargo seja desempenhado por um português. Não é, de forma alguma, uma escolha que nos faça ficar vaidosos. Durão Barroso não foi escolhido pelos seus méritos, foi escolhido por um consenso de indiferenças. A escolha de Durão Barroso não adianta nada aos portugueses, apenas enriquece o curriculo do próprio. Apenas alimenta a sua vaidade pessoal e a da sua corte próxima.
Cinismo, pretender disfarçar a cobiça pessoal com o interesse nacional.
Como se isto não chegasse, há quem sustente que não deve haver novas eleições e que Santana Lopes assuma, tranquilamente, o cargo de Primeiro-Ministro, visto que é o nº 2 do PSD ...
Meu Deus : então, depois da chapada violenta das ultimas e recentes eleições europeias, teremos que aturar como Primeiro-Ministro um qualquer senhor em que ninguém votou ?
Um foge das dificuldades e enriquece o curriculo e o outro fica Chefe de Governo como por artes mágicas ??????
Mas isto é assim ??
Fica-me uma duvida angustiante : o que pensarão os portugueses ( todos, mesmo os que votaram no PSD e em Durão Barroso nas ultimas legislativas ) desta novela ? Ficarão embevecidos com um presidente português na Comissão Europeia ou perceberão o grande barrete que enfiaram quando escolheram este homem ?
Por tudo isto, e porque quem manda nesta merdice toda afinal ainda somos nós, é imperioso fazer novas eleições, logo que possível. Urgentemente.
Talvez Durão Barroso venha a arranjar tempo para vir votar ao seu país.
Uma imensa vergonha !
Sinceramente, nunca esperei assistir a um espectáculo destes.
Uma falta de ética do tamanho do Mundo, uma ausência de principios completamente despudorada, um cinismo inacreditável !
Vamos por partes.
Durão Barroso prometeu servir os portugueses como Primeiro-Ministro. Mais : prometeu que, depois do apertar do cinto vinham aí agora os dias da retoma.
Prometeu ... e não vai cumprir. Falta de ética.
O País atravessa uma fase particularmente delicada, quanto á confiança dos cidadãos, quanto á sua capacidade de afirmação e de superação de dificuldades.
Abandonar o Governo nesta altura demonstra ausência de principios, demonstra que há outros amores na vida de Durão Barroso que não o amor à causa pública. Durão Barroso está-se nas tintas para os portugueses e para os seus problemas, é agora bem nítido.
Cinismo, por fim. É cinismo pretender que a presidência da comissão europeia seja algo mais que um desejo e sonho pessoais. Não é, nunca foi do interesse de Portugal que esse cargo seja desempenhado por um português. Não é, de forma alguma, uma escolha que nos faça ficar vaidosos. Durão Barroso não foi escolhido pelos seus méritos, foi escolhido por um consenso de indiferenças. A escolha de Durão Barroso não adianta nada aos portugueses, apenas enriquece o curriculo do próprio. Apenas alimenta a sua vaidade pessoal e a da sua corte próxima.
Cinismo, pretender disfarçar a cobiça pessoal com o interesse nacional.
Como se isto não chegasse, há quem sustente que não deve haver novas eleições e que Santana Lopes assuma, tranquilamente, o cargo de Primeiro-Ministro, visto que é o nº 2 do PSD ...
Meu Deus : então, depois da chapada violenta das ultimas e recentes eleições europeias, teremos que aturar como Primeiro-Ministro um qualquer senhor em que ninguém votou ?
Um foge das dificuldades e enriquece o curriculo e o outro fica Chefe de Governo como por artes mágicas ??????
Mas isto é assim ??
Fica-me uma duvida angustiante : o que pensarão os portugueses ( todos, mesmo os que votaram no PSD e em Durão Barroso nas ultimas legislativas ) desta novela ? Ficarão embevecidos com um presidente português na Comissão Europeia ou perceberão o grande barrete que enfiaram quando escolheram este homem ?
Por tudo isto, e porque quem manda nesta merdice toda afinal ainda somos nós, é imperioso fazer novas eleições, logo que possível. Urgentemente.
Talvez Durão Barroso venha a arranjar tempo para vir votar ao seu país.
Uma imensa vergonha !
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Vitor Cunha
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6/26/2004 05:47:00 da tarde
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domingo, maio 16, 2004
AINDA ESTE NOSSO EXCELENTE ENSINO
Diz o povo que não há pior cego que aquele que não quer ver.
Ai, ai ... que lhes havemos de fazer, aos profissionais do ensino ? Andam há tantos anos ofuscados e deslumbrados pelas promessas de um maravilhoso mundo novo que ainda não viram o lindo resultado a que essas miragens conduziram o ensino nos ultimos anos.
Será assim tão dificil compreender que, seja como for, os modelos que têm sido experimentados NÃO FUNCIONAM ?
Ouviram ? NÃO FUNCIONAM !!!!!!!!!!!!!!!!!
Quando algo não funciona, há que procurar as causas e inflectir, não é ? Porque insistem em jogos de palavras ? Porque tornam complicado aquilo que não o é assim tanto ? Que necessidade atávica têm de usar conceitos grandiosos e frases cabalísticas ( de resto de validade bem duvidosas ) para teorizarem .... não sei bem o quê, só se for para explicar o desastre onde nos atolámos todos.
E é sempre assim. Se o Governo mudar ( não é se, é quando ) aparecerão mais uns iluminados e iluminadas a mudar curriculos ( ou devo dizer curricula, para ser mais erudito ? ? ) , programas, sei lá eu mais o quê ?
Percebem ?
Ninguém se interessa pelo ensino, interessam-se é por eles mesmos, pela sua afirmação pessoal, pela tentativa de imprimirem o seu cunho pessoal.
Tristeza ....
Depois, oiço sempre a frase de um milhão de euros, a frase miraculosa que fará calar os opositores, reduzindo-os à categoria de fósseis ainda por cima conservadores e de costela totalitária : a escola de ontem morreu, não voltará a ser a mesma ...
Ehehehe ... como se alguém, aqui este escriba incluido, pretendesse ressuscitar a escola de ontem !
O que eu quero, isso sim, é uma Escola que funcione, onde os alunos aprendam ( têm um pavor desta palavra tremendo, não têm ? ), seja conhecimento, seja atitudes, e donde não saiam permanentemente fraudes totais, em percentagens escandalosas .... com a excepção dos alunos dedicados a Medicina que, de repente, passaram todos a ter médias de 20 !! Ehehehehe ... isto é um gozo pegado, e eles não vêem !
Bom, sejamos mais claros. Eu sou adepto de visitas de estudo ( fiz algumas por iniciativa minha e proporcionei outras, do outro lado, como entidade visitada ), acho que os jovens devem aprender conceitos de cidadania, piano, música, código da estrada e essas coisas todas. Não é aí que está o busilis, pois não ?
O problema está no Português, kd x + pobre ( né ? ), na Matemática, na Filosofia, no domínio das ferramentas básicas da estruturação mental, na posse dos conceitos indispensáveis ao raciocínio, meu Deus ....
Até quando vamos a andar a enganarmo-nos uns aos outros ?
Ou será que ESTA escola, esta nossa escola de miséria e de ignorância é que É, VERDADEIRAMENTE, a Escola de HOJE e de AMANHÃ ?
Diz o povo que não há pior cego que aquele que não quer ver.
Ai, ai ... que lhes havemos de fazer, aos profissionais do ensino ? Andam há tantos anos ofuscados e deslumbrados pelas promessas de um maravilhoso mundo novo que ainda não viram o lindo resultado a que essas miragens conduziram o ensino nos ultimos anos.
Será assim tão dificil compreender que, seja como for, os modelos que têm sido experimentados NÃO FUNCIONAM ?
Ouviram ? NÃO FUNCIONAM !!!!!!!!!!!!!!!!!
Quando algo não funciona, há que procurar as causas e inflectir, não é ? Porque insistem em jogos de palavras ? Porque tornam complicado aquilo que não o é assim tanto ? Que necessidade atávica têm de usar conceitos grandiosos e frases cabalísticas ( de resto de validade bem duvidosas ) para teorizarem .... não sei bem o quê, só se for para explicar o desastre onde nos atolámos todos.
E é sempre assim. Se o Governo mudar ( não é se, é quando ) aparecerão mais uns iluminados e iluminadas a mudar curriculos ( ou devo dizer curricula, para ser mais erudito ? ? ) , programas, sei lá eu mais o quê ?
Percebem ?
Ninguém se interessa pelo ensino, interessam-se é por eles mesmos, pela sua afirmação pessoal, pela tentativa de imprimirem o seu cunho pessoal.
Tristeza ....
Depois, oiço sempre a frase de um milhão de euros, a frase miraculosa que fará calar os opositores, reduzindo-os à categoria de fósseis ainda por cima conservadores e de costela totalitária : a escola de ontem morreu, não voltará a ser a mesma ...
Ehehehe ... como se alguém, aqui este escriba incluido, pretendesse ressuscitar a escola de ontem !
O que eu quero, isso sim, é uma Escola que funcione, onde os alunos aprendam ( têm um pavor desta palavra tremendo, não têm ? ), seja conhecimento, seja atitudes, e donde não saiam permanentemente fraudes totais, em percentagens escandalosas .... com a excepção dos alunos dedicados a Medicina que, de repente, passaram todos a ter médias de 20 !! Ehehehehe ... isto é um gozo pegado, e eles não vêem !
Bom, sejamos mais claros. Eu sou adepto de visitas de estudo ( fiz algumas por iniciativa minha e proporcionei outras, do outro lado, como entidade visitada ), acho que os jovens devem aprender conceitos de cidadania, piano, música, código da estrada e essas coisas todas. Não é aí que está o busilis, pois não ?
O problema está no Português, kd x + pobre ( né ? ), na Matemática, na Filosofia, no domínio das ferramentas básicas da estruturação mental, na posse dos conceitos indispensáveis ao raciocínio, meu Deus ....
Até quando vamos a andar a enganarmo-nos uns aos outros ?
Ou será que ESTA escola, esta nossa escola de miséria e de ignorância é que É, VERDADEIRAMENTE, a Escola de HOJE e de AMANHÃ ?
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Vitor Cunha
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5/16/2004 01:05:00 da manhã
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segunda-feira, maio 10, 2004
O meu ultimo texto mereceu o seguinte comentário de uma amiga minha, de resto professora experimentada e com êxitos averbados na sua carreira.
Cito :
“Hoje em dia, é convicção geral que a aprendizagem depende, antes de mais, da actividade do aluno. E se assim é, isso obriga a redefinir o papel do professor. Assim sendo, não faz qualquer sentido uma perspectiva que continue a encarar o trabalho dos docentes como o de distribuidores exclusivos do saber. Qualquer docente tem de saber assumir-se essencialmente como criador de situações de aprendizagem e como organizador de trabalho escolar. O discurso magistral tem de ceder lugar a um saber construído interactivamente através de uma actividade disciplinada, com regras comumente assumidas e estabelecidas e que justifique, verdadeiramente, a designação de trabalho.”
Leram ? Concordam ?
Também eu.
E, contudo, não vos sei bem explicar porquê, foi sempre assim desde que o 25ABRIL levantou a tampa do caldeirão : no sector da Educação, nunca duas pessoas concordaram com nada, houve sempre a tentação de transportar para o interior do sector as realidades e análises da vida política circundante. Desta forma, todo o ensino que existia foi apelidado de autoritário, fascista, elitista, magister dixit, eu sei lá. E não era ? Era um pouco disso tudo, sim, mas era também outra coisa : um sistema profundamente testado pelo tempo e do conhecimento de todos os agentes de ensino, quase de olhos fechados. O numero de alunos abrangidos era ínfimo ( aí sim, aí é que residia o essencial NEGATIVO do seu carácter elitista, não nos programas nem na relação professor-aluno, mas enfim ... ) o que permitia uma grande eficácia no seu funcionamento.
O 25ABRIL destapou, como já disse, o caldeirão. Tudo foi posto em causa. Programas, métodos, formas de acesso, professores ... a palavra de ordem foi abater, destruir. E foi isso que sucedeu, note-se. A relação professor-aluno foi destruida, “fascista” que era, e em seu lugar apareceu ... nada, apareceu um granel incomensurável, o vazio total de autoridade, como se sabe. E é óbvio que, numa situação caótica, não há programa nem método que resultem ....
Contudo, sabem o que suedeu então ? Vindos das profundezas de uns vagos mestrados em Ciências da Educação tirados não sei bem onde, uma pleiade de arautos ( arautas, tb ! ) dos novos métodos invadiram o Ministério, chateando o juízo a quem os queria ouvir : que nada, que era preciso centrar o ensino no aluno, que a criatividade assim e assado, que era preciso destruir o ar magistral do ensino, que as criancinhas sabiam muito bem como queriam aprender, etc..etc ...
E tumba, saía reforma.
O pior é que mudava o Governo ou os funcionários superiores do Ministério e tumba, os outros eram uns estúpidos e eles é que sabiam, vá de fazer outra reforma.
Entretanto, como traço comum a todas estas reformas, aquilo a que eu chamo a política da cobardia pedagógica : era preciso fazer coisas cada vez mais atraentes, era preciso que os programas pudessem competir com os jogos de computador, o objectivo era o ensino sem dor, a aprendizagem alegre, tudo numa boa sem qualquer tipo de trabalho ou suor ...
E o mito do bom aluno ganhava raízes, como já anos antes ganhara o do bom selvagem. Os homens tendem muito a esquecer, sabem ? A verdade é que o ambiente nas nossas Escolas era e ainda é , em muitos casos, o do encontrão de alunos aos professores nos corredores ... o medo dos professores de verem os seus carros riscados, a subserviência perante alunos cretinóides que ameaçam bater em professores e os apelidam de filhos da puta, em plena aula e nas calmas, sem que nem sequer uma repreensão mereçam em seguida ... E se julgam que minto ou exagero é porque, de facto, nunca viram uma Escola nos dias de hoje. Eu vi e trabalhei numa, pelo menos.
Resultado de tudo isto : os alunos acabaram por fazer aquilo que é o seu interesse imediato, ou seja fugir ao trabalho e dedicarem-se aos shots do Bairro Alto, com a complacência dos papás e dos senhores professores, ambos absolvidos pelos pedagogos da liberdade no ensino.
( exceptuam-se sempre aqueles alunos que são sempre bons alunos seja qual for a tormenta, claro )
E depois ?
Bem, quando me falam em interactividade, fico com os cabelos em pé. Percebem porquê ?
Hoje entende-se que a aprendizagem depende essencialmente da actividade do aluno .... diz-me a minha querida amiga.
E quando é que não era assim ?
Precisamente por se saber que dependia em muito da atitude do aluno é que , sabiamente, se criavam mecanismos para incentivar e controlar essa atitude. Desde trabalhos para casa até aos exames nacionais obrigatórios, passando pelas chamadas, perguntas para o lugar, etc ...
Hoje, toda esta panóplia de armas do professor está posta em causa. São armas fascistas que ameaçam ou a liberdade dos alunos ou o seu tempo livre, tadinhos ...
Então, como vamos criar neles essa atitude ?
Reune-te com os teus colegas e discute o conceito de batata ? Ehehehe, esta é màzinha, não é ?
Ou vamos todos discutir em conjunto e escolher o tema da aula de hoje ?
Ou quem acha que se não devia aprender Matemática ?
Ai meu Deus, que grandes confusões e buracos Abril abriu ...
Já longo este solilóquio, ainda lhe junto mais estas farpas, dirigidas a ninguém em especial, apenas a todos nós que somos sempre tão prontos a aderir a todas as coisas novas :
1º) o discurso magistral conduziu a resultados práticos incomparavelmente superiores aos actuais, em termos de eficácia e até de eficiência. A sua não aplicabilidade, nos dias de hoje, deriva mais da sua não adequação “democrática” que da falta de eficácia técnica.
O autor, e muita gente ainda como ele, foi “vítima” desse tipo de ensino e a verdade é que aprendeu. E nem sequer recorda os seus professores como algo distante e “magistral”.
2º) por oposição ao discurso magistral criou-se hoje um discurso quase que maliciosamente inverso, em que, em nome da “interactividade”, aqueles que sabem se diluem na sala de aula, em detrimento daqueles que não percebem patavina da matéria. Lindo. Casos conheço em que a sala de aulas parece uma miniatura da Assembleia da Republica, que, como se sabe, é o paradigma do saber e da eficácia.
3º) toda a gente ligada ao Ensino parece ( curiosamente ) mais interessada na discussão e na experimentação de pedagogias, didácticas, filosofias, etc... que em resultados concretos no sector onde trabalham.
4º) a questão do magistral versus interactividade, bem como da memória versus a sua recusa ( pelos mesmos motivos ideológicos, a negação da autoridade ) conduziram a situações caricatas, como a de alunos de engenharia, entrevistados á porta do IST, evidenciando o seu desconhecimento quanto ao resultado de 8 vezes 9 ...
5º) abandonar um qualquer método estabilizado sem que um outro o substitua, funcionando igualmente de uma forma suave e oleada, resulta em desastre certo.
Toda esta gente ( gente competente e dedicada, na sua maioria ) parece ter esquecido a velha mas sempre infalível verdade : é preferível um mau método que funcione bem, e ao qual toda a gente esteja adaptada, que um método excelente que não funcione minimamente, por ser pouco familiar aos agentes de ensino ou por não existirem condições exteriores que o viabilizem.
6º) Se persistirem objecções ideológicas ou outras a um método que prefira a eficácia à “interactividade”, então que se declare o estado de sítio no ensino. A calamidade bem o merece, e , nesse caso, como se sabe, os direitos e liberdades sofrem algumas restricções em nome do bem comum. Assim se faça, é preciso que a nossa malta comece a saber alguma coisa de jeito, caraças. Mesmo que seja através de métodos magistrais, ditatoriais ou outros que tais.
Que me desculpe a minha amiga este desabafo. As ideias que defende estarão correctas, são generosas, mas talvez não sejam aplicáveis a um “tempo de guerra” como o que se vive no ensino... e a verdade é que os ultimos vinte ou trinta anos no ensino em Portugal foram catastróficos. E ela é uma das que bem o sabem e contra isso lutam no dia a dia.
Apesar de tudo, como sempre assim foi, que cada um faça como quiser ... mas, repetindo a minha divisa criada há dias : ENSINEM, PORRA !!
Quanto aos senhores alunos, interactivos ou estáticos, ESTUDEM, CARAGO !!
Por ultimo, quanto aos papás ... ah, estes nossos seráficos papás : SEJAM PAIS, CARAMBA !
Não sei dizer mais nada, esgotei-me.
Também não admira, sou fruto de um ensino magistral e com laivos fascistas, a imaginação não é o meu forte.
Cito :
“Hoje em dia, é convicção geral que a aprendizagem depende, antes de mais, da actividade do aluno. E se assim é, isso obriga a redefinir o papel do professor. Assim sendo, não faz qualquer sentido uma perspectiva que continue a encarar o trabalho dos docentes como o de distribuidores exclusivos do saber. Qualquer docente tem de saber assumir-se essencialmente como criador de situações de aprendizagem e como organizador de trabalho escolar. O discurso magistral tem de ceder lugar a um saber construído interactivamente através de uma actividade disciplinada, com regras comumente assumidas e estabelecidas e que justifique, verdadeiramente, a designação de trabalho.”
Leram ? Concordam ?
Também eu.
E, contudo, não vos sei bem explicar porquê, foi sempre assim desde que o 25ABRIL levantou a tampa do caldeirão : no sector da Educação, nunca duas pessoas concordaram com nada, houve sempre a tentação de transportar para o interior do sector as realidades e análises da vida política circundante. Desta forma, todo o ensino que existia foi apelidado de autoritário, fascista, elitista, magister dixit, eu sei lá. E não era ? Era um pouco disso tudo, sim, mas era também outra coisa : um sistema profundamente testado pelo tempo e do conhecimento de todos os agentes de ensino, quase de olhos fechados. O numero de alunos abrangidos era ínfimo ( aí sim, aí é que residia o essencial NEGATIVO do seu carácter elitista, não nos programas nem na relação professor-aluno, mas enfim ... ) o que permitia uma grande eficácia no seu funcionamento.
O 25ABRIL destapou, como já disse, o caldeirão. Tudo foi posto em causa. Programas, métodos, formas de acesso, professores ... a palavra de ordem foi abater, destruir. E foi isso que sucedeu, note-se. A relação professor-aluno foi destruida, “fascista” que era, e em seu lugar apareceu ... nada, apareceu um granel incomensurável, o vazio total de autoridade, como se sabe. E é óbvio que, numa situação caótica, não há programa nem método que resultem ....
Contudo, sabem o que suedeu então ? Vindos das profundezas de uns vagos mestrados em Ciências da Educação tirados não sei bem onde, uma pleiade de arautos ( arautas, tb ! ) dos novos métodos invadiram o Ministério, chateando o juízo a quem os queria ouvir : que nada, que era preciso centrar o ensino no aluno, que a criatividade assim e assado, que era preciso destruir o ar magistral do ensino, que as criancinhas sabiam muito bem como queriam aprender, etc..etc ...
E tumba, saía reforma.
O pior é que mudava o Governo ou os funcionários superiores do Ministério e tumba, os outros eram uns estúpidos e eles é que sabiam, vá de fazer outra reforma.
Entretanto, como traço comum a todas estas reformas, aquilo a que eu chamo a política da cobardia pedagógica : era preciso fazer coisas cada vez mais atraentes, era preciso que os programas pudessem competir com os jogos de computador, o objectivo era o ensino sem dor, a aprendizagem alegre, tudo numa boa sem qualquer tipo de trabalho ou suor ...
E o mito do bom aluno ganhava raízes, como já anos antes ganhara o do bom selvagem. Os homens tendem muito a esquecer, sabem ? A verdade é que o ambiente nas nossas Escolas era e ainda é , em muitos casos, o do encontrão de alunos aos professores nos corredores ... o medo dos professores de verem os seus carros riscados, a subserviência perante alunos cretinóides que ameaçam bater em professores e os apelidam de filhos da puta, em plena aula e nas calmas, sem que nem sequer uma repreensão mereçam em seguida ... E se julgam que minto ou exagero é porque, de facto, nunca viram uma Escola nos dias de hoje. Eu vi e trabalhei numa, pelo menos.
Resultado de tudo isto : os alunos acabaram por fazer aquilo que é o seu interesse imediato, ou seja fugir ao trabalho e dedicarem-se aos shots do Bairro Alto, com a complacência dos papás e dos senhores professores, ambos absolvidos pelos pedagogos da liberdade no ensino.
( exceptuam-se sempre aqueles alunos que são sempre bons alunos seja qual for a tormenta, claro )
E depois ?
Bem, quando me falam em interactividade, fico com os cabelos em pé. Percebem porquê ?
Hoje entende-se que a aprendizagem depende essencialmente da actividade do aluno .... diz-me a minha querida amiga.
E quando é que não era assim ?
Precisamente por se saber que dependia em muito da atitude do aluno é que , sabiamente, se criavam mecanismos para incentivar e controlar essa atitude. Desde trabalhos para casa até aos exames nacionais obrigatórios, passando pelas chamadas, perguntas para o lugar, etc ...
Hoje, toda esta panóplia de armas do professor está posta em causa. São armas fascistas que ameaçam ou a liberdade dos alunos ou o seu tempo livre, tadinhos ...
Então, como vamos criar neles essa atitude ?
Reune-te com os teus colegas e discute o conceito de batata ? Ehehehe, esta é màzinha, não é ?
Ou vamos todos discutir em conjunto e escolher o tema da aula de hoje ?
Ou quem acha que se não devia aprender Matemática ?
Ai meu Deus, que grandes confusões e buracos Abril abriu ...
Já longo este solilóquio, ainda lhe junto mais estas farpas, dirigidas a ninguém em especial, apenas a todos nós que somos sempre tão prontos a aderir a todas as coisas novas :
1º) o discurso magistral conduziu a resultados práticos incomparavelmente superiores aos actuais, em termos de eficácia e até de eficiência. A sua não aplicabilidade, nos dias de hoje, deriva mais da sua não adequação “democrática” que da falta de eficácia técnica.
O autor, e muita gente ainda como ele, foi “vítima” desse tipo de ensino e a verdade é que aprendeu. E nem sequer recorda os seus professores como algo distante e “magistral”.
2º) por oposição ao discurso magistral criou-se hoje um discurso quase que maliciosamente inverso, em que, em nome da “interactividade”, aqueles que sabem se diluem na sala de aula, em detrimento daqueles que não percebem patavina da matéria. Lindo. Casos conheço em que a sala de aulas parece uma miniatura da Assembleia da Republica, que, como se sabe, é o paradigma do saber e da eficácia.
3º) toda a gente ligada ao Ensino parece ( curiosamente ) mais interessada na discussão e na experimentação de pedagogias, didácticas, filosofias, etc... que em resultados concretos no sector onde trabalham.
4º) a questão do magistral versus interactividade, bem como da memória versus a sua recusa ( pelos mesmos motivos ideológicos, a negação da autoridade ) conduziram a situações caricatas, como a de alunos de engenharia, entrevistados á porta do IST, evidenciando o seu desconhecimento quanto ao resultado de 8 vezes 9 ...
5º) abandonar um qualquer método estabilizado sem que um outro o substitua, funcionando igualmente de uma forma suave e oleada, resulta em desastre certo.
Toda esta gente ( gente competente e dedicada, na sua maioria ) parece ter esquecido a velha mas sempre infalível verdade : é preferível um mau método que funcione bem, e ao qual toda a gente esteja adaptada, que um método excelente que não funcione minimamente, por ser pouco familiar aos agentes de ensino ou por não existirem condições exteriores que o viabilizem.
6º) Se persistirem objecções ideológicas ou outras a um método que prefira a eficácia à “interactividade”, então que se declare o estado de sítio no ensino. A calamidade bem o merece, e , nesse caso, como se sabe, os direitos e liberdades sofrem algumas restricções em nome do bem comum. Assim se faça, é preciso que a nossa malta comece a saber alguma coisa de jeito, caraças. Mesmo que seja através de métodos magistrais, ditatoriais ou outros que tais.
Que me desculpe a minha amiga este desabafo. As ideias que defende estarão correctas, são generosas, mas talvez não sejam aplicáveis a um “tempo de guerra” como o que se vive no ensino... e a verdade é que os ultimos vinte ou trinta anos no ensino em Portugal foram catastróficos. E ela é uma das que bem o sabem e contra isso lutam no dia a dia.
Apesar de tudo, como sempre assim foi, que cada um faça como quiser ... mas, repetindo a minha divisa criada há dias : ENSINEM, PORRA !!
Quanto aos senhores alunos, interactivos ou estáticos, ESTUDEM, CARAGO !!
Por ultimo, quanto aos papás ... ah, estes nossos seráficos papás : SEJAM PAIS, CARAMBA !
Não sei dizer mais nada, esgotei-me.
Também não admira, sou fruto de um ensino magistral e com laivos fascistas, a imaginação não é o meu forte.
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Vitor Cunha
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5/10/2004 03:23:00 da tarde
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sábado, maio 08, 2004
A APOSTA NA EDUCAÇÃO É UM IMPERATIVO DE TODOS ! URGENTE !
“As escolas não podem viver na permanente expectativa de uma nova lei, de uma nova reforma, de um novo currículo, de um novo modelo de gestão»
Jorge Sampaio, Presidente da República, declarações feitas hoje na Fundação de Serralves
Pois é. É isso mesmo e muito mais. De repente, descobrimos que os novos 10 países que vieram juntar-se a nós na Europa têm, todos eles, índices de literacia melhores que os nossos. Todos.
E mais : descobrimos, de repente também, que por este andar nos tornámos um país de ignorantes chapados que não sabem nada, não produzem nada e apenas gostam de comer, ver futebol, apanhar sol e fazer sexo. Actividades atraentes e altamente motivadoras, diga-se. O mal está em que, no mundo moderno, para se poder fazer essas coisas é preciso um pouco mais que ler mal e atabalhoadamente e dizer que 3 vezes 9 são 29...
Et voilá. E agora ? Como é que vamos inverter esta trapalhice completa ? Não vai ser nada fácil, não ...
Eis a minha sugestão :
1. Os partidos do Governo e da oposição devem atingir uma plataforma de entendimento mínimo quanto a este objectivo e assumir o compromisso solene de não utilizar a educação no combate político nem mudar as regras do jogo do sistema educacional num período de 10 (? ) anos, salvo consenso em contrário.
2. Toda a gente – MAS MESMO TODA, HEM ? – deve reconhecer que este é um assunto VITAL e INADIÁVEL. A questão começa por se jogar em casa, com pais que saibam ser pais e filhos a trabalhar e não apenas “numa boa”, em jogos de computador, internet e saídas até às quinhentas com 15 anos de idade !!!
O maior problema do insucesso na educação COMEÇA EM CASA, gaita ! É assim tão dificil perceber isto ? Deixamos os meninos fazer o que querem, nunca os disciplinamos, obrigamos, estimulamos, o que quiserem ... e depois queremos que os professores façam maravilhas de uma matéria-prima completamente estragada ??
3. Utilizam-se os currículos actuais. Ninguém altera mais nada.
4. Os senhores professores e professoras vão convencer-se, de uma vez por todas, que o seu papel é o de ensinar e não o de andar por aí a inventar uns vagos e poéticos “projectos” que outro objectivo não tem que fugir ao trabalho pesado e ingrato de ensinar. Deixem-se de “áreas escolas” e de outras patetices quejandas. Ensinem Português, Matemática, Física, Literatura, Línguas, Informática, o que quiserem, mas ensinem, por Deus. Até mesmo coisas como Ética, Civismo, etc ...
Não façam tanta reunião sem propósito nem eficácia, não divinizem tanto os paizinhos patetas que vão refilar às Escolas, não fujam tanto aos seus deveres nem os remetam para os pobres contratados, não discutam tanto as pseudo-justificações sócio-psicológicas para o insucesso escolar, não inventem tantos estratagemas para não dar aulas .... ENSINEM, porra ! E percebam que, para poder ENSINAR, é preciso paz e tranquilidade nas Escolas e evitar a demagogia de que os alunos é que são o centro do ensino ...
5. Os senhores Ministros, Secretários de Estado, Directores-Gerais e Regionais da área da Educação devem ser escolhidos SEMPRE por consenso na Assembleia da República e ser personalidades à “antiga portuguesa” : sabedores, empenhados, HONESTOS, dotados de grande ÉTICA PROFISSIONAL e POLÌTICA.
A eles recomendaríamos que deixem as Escolas funcionar, preocupem-se mais em dar-lhes meios e condições, promovam uma grande campanha motivadora de introdução de paz e tranquilidade nas Escolas, restituam aos professores a sua dignidade perdida e sejam com eles exigentes, em seguida.
Pensam que seria dificil ? Ahahahaha .... sabem que eu acredito que até seria fácil ? O que falta é a nossa VONTADE COLECTIVA !
Como sempre. Como Povo, somos medíocres, não sabemos funcionar em conjunto para grandes objectivos. Os exemplos da Expo e do Euro 2004 não servem, nem deviam ser para aqui chamados : estou a referir-me a grandes objectvos colectivos de um povo, não a ideias de meia dúzia de entusiastas sabiamente aproveitadas por empreiteiros civis e sociedades de promoção imobilária.
É preciso não confundir.
VAMOS À EDUCAÇÃO ?
“As escolas não podem viver na permanente expectativa de uma nova lei, de uma nova reforma, de um novo currículo, de um novo modelo de gestão»
Jorge Sampaio, Presidente da República, declarações feitas hoje na Fundação de Serralves
Pois é. É isso mesmo e muito mais. De repente, descobrimos que os novos 10 países que vieram juntar-se a nós na Europa têm, todos eles, índices de literacia melhores que os nossos. Todos.
E mais : descobrimos, de repente também, que por este andar nos tornámos um país de ignorantes chapados que não sabem nada, não produzem nada e apenas gostam de comer, ver futebol, apanhar sol e fazer sexo. Actividades atraentes e altamente motivadoras, diga-se. O mal está em que, no mundo moderno, para se poder fazer essas coisas é preciso um pouco mais que ler mal e atabalhoadamente e dizer que 3 vezes 9 são 29...
Et voilá. E agora ? Como é que vamos inverter esta trapalhice completa ? Não vai ser nada fácil, não ...
Eis a minha sugestão :
1. Os partidos do Governo e da oposição devem atingir uma plataforma de entendimento mínimo quanto a este objectivo e assumir o compromisso solene de não utilizar a educação no combate político nem mudar as regras do jogo do sistema educacional num período de 10 (? ) anos, salvo consenso em contrário.
2. Toda a gente – MAS MESMO TODA, HEM ? – deve reconhecer que este é um assunto VITAL e INADIÁVEL. A questão começa por se jogar em casa, com pais que saibam ser pais e filhos a trabalhar e não apenas “numa boa”, em jogos de computador, internet e saídas até às quinhentas com 15 anos de idade !!!
O maior problema do insucesso na educação COMEÇA EM CASA, gaita ! É assim tão dificil perceber isto ? Deixamos os meninos fazer o que querem, nunca os disciplinamos, obrigamos, estimulamos, o que quiserem ... e depois queremos que os professores façam maravilhas de uma matéria-prima completamente estragada ??
3. Utilizam-se os currículos actuais. Ninguém altera mais nada.
4. Os senhores professores e professoras vão convencer-se, de uma vez por todas, que o seu papel é o de ensinar e não o de andar por aí a inventar uns vagos e poéticos “projectos” que outro objectivo não tem que fugir ao trabalho pesado e ingrato de ensinar. Deixem-se de “áreas escolas” e de outras patetices quejandas. Ensinem Português, Matemática, Física, Literatura, Línguas, Informática, o que quiserem, mas ensinem, por Deus. Até mesmo coisas como Ética, Civismo, etc ...
Não façam tanta reunião sem propósito nem eficácia, não divinizem tanto os paizinhos patetas que vão refilar às Escolas, não fujam tanto aos seus deveres nem os remetam para os pobres contratados, não discutam tanto as pseudo-justificações sócio-psicológicas para o insucesso escolar, não inventem tantos estratagemas para não dar aulas .... ENSINEM, porra ! E percebam que, para poder ENSINAR, é preciso paz e tranquilidade nas Escolas e evitar a demagogia de que os alunos é que são o centro do ensino ...
5. Os senhores Ministros, Secretários de Estado, Directores-Gerais e Regionais da área da Educação devem ser escolhidos SEMPRE por consenso na Assembleia da República e ser personalidades à “antiga portuguesa” : sabedores, empenhados, HONESTOS, dotados de grande ÉTICA PROFISSIONAL e POLÌTICA.
A eles recomendaríamos que deixem as Escolas funcionar, preocupem-se mais em dar-lhes meios e condições, promovam uma grande campanha motivadora de introdução de paz e tranquilidade nas Escolas, restituam aos professores a sua dignidade perdida e sejam com eles exigentes, em seguida.
Pensam que seria dificil ? Ahahahaha .... sabem que eu acredito que até seria fácil ? O que falta é a nossa VONTADE COLECTIVA !
Como sempre. Como Povo, somos medíocres, não sabemos funcionar em conjunto para grandes objectivos. Os exemplos da Expo e do Euro 2004 não servem, nem deviam ser para aqui chamados : estou a referir-me a grandes objectvos colectivos de um povo, não a ideias de meia dúzia de entusiastas sabiamente aproveitadas por empreiteiros civis e sociedades de promoção imobilária.
É preciso não confundir.
VAMOS À EDUCAÇÃO ?
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Vitor Cunha
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5/08/2004 06:47:00 da tarde
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quinta-feira, maio 06, 2004
INCAPACIDADE É ADMISSÍVEL ; FALTA DE VERGONHA, NÃO !
Estão a par da inacreditável trapalhada em que se transformou a fase inicial do concurso de professores para 2004-2005 ?
Sabem o que é estranho, mesmo estranhíssimo neste caso, em meu entender ? A atitude do Ministério, a insistência no erro ( já nas colocações do ano lectivo em curso os erros tinham sido tremendos ) , a leviandade com que se desdramatiza e desculpa uma incompetência aflitiva, a incapacidade política de resolver a situação, como se de uma catástrofe natural e inevitável se tratasse.
Já o inefável Ministro da Administração Interna veio, um dia destes, com a mesma doutrina : avisou o País que, se ocorrerem neste Verão as mesmas condições negativas do ano passado, tudo voltará a ser o mesmo ...
Ou seja, em palavras simples para todos perceberem : eles, esses Ministros, declaram-se incapazes de resolver ou de, pelo menos, minorar, estes problemas nos seus Ministérios.
Muito bem, até admito que isso é humano, ninguém os obriga a saber orientar as soluções.
Nesse caso, porém, como é que têm a lata suprema de continuar a receber todos os meses aquilo que lhes pagamos ( nós, os portugueses ) para servir a coisa pública ?
Que falta de vergonha inexplicável tomou conta dos seus actos ? Foram apresentar a demissão ao sr. Primeiro-Ministro e ele não consentiu na sua saída ? Ou nem sequer levantaram o problema e o Dr. Durão Barroso assobia para o ar, fingindo que não vê e não sabe de nada ?
Seja como fôr, há falta de ética pessoal ou excesso de tácticas partidárias para minizar danos no Governo. Eu, e o resto dos “condóminos” deste nosso país é que não queremos saber dessas questões, e devíamos ser tratados com mais consideração.
Há, de certeza, neste nosso cantinho quem seja capaz de fazer melhor que aqueles dois senhores, tanto na preparação do concurso dos professores como no combate aos incêndios. E, afinal, temos o direito de esperar que os problemas sejam resolvidos.
Estou-me nas tintas para os partidos políticos, se estes apenas se preocuparem consigo mesmos em vez de se preocuparem connosco.
Francamente, acho que um pouco mais de vergonha e de ética da responsabilidade a nível político seria MUITO desejável ...
Estão a par da inacreditável trapalhada em que se transformou a fase inicial do concurso de professores para 2004-2005 ?
Sabem o que é estranho, mesmo estranhíssimo neste caso, em meu entender ? A atitude do Ministério, a insistência no erro ( já nas colocações do ano lectivo em curso os erros tinham sido tremendos ) , a leviandade com que se desdramatiza e desculpa uma incompetência aflitiva, a incapacidade política de resolver a situação, como se de uma catástrofe natural e inevitável se tratasse.
Já o inefável Ministro da Administração Interna veio, um dia destes, com a mesma doutrina : avisou o País que, se ocorrerem neste Verão as mesmas condições negativas do ano passado, tudo voltará a ser o mesmo ...
Ou seja, em palavras simples para todos perceberem : eles, esses Ministros, declaram-se incapazes de resolver ou de, pelo menos, minorar, estes problemas nos seus Ministérios.
Muito bem, até admito que isso é humano, ninguém os obriga a saber orientar as soluções.
Nesse caso, porém, como é que têm a lata suprema de continuar a receber todos os meses aquilo que lhes pagamos ( nós, os portugueses ) para servir a coisa pública ?
Que falta de vergonha inexplicável tomou conta dos seus actos ? Foram apresentar a demissão ao sr. Primeiro-Ministro e ele não consentiu na sua saída ? Ou nem sequer levantaram o problema e o Dr. Durão Barroso assobia para o ar, fingindo que não vê e não sabe de nada ?
Seja como fôr, há falta de ética pessoal ou excesso de tácticas partidárias para minizar danos no Governo. Eu, e o resto dos “condóminos” deste nosso país é que não queremos saber dessas questões, e devíamos ser tratados com mais consideração.
Há, de certeza, neste nosso cantinho quem seja capaz de fazer melhor que aqueles dois senhores, tanto na preparação do concurso dos professores como no combate aos incêndios. E, afinal, temos o direito de esperar que os problemas sejam resolvidos.
Estou-me nas tintas para os partidos políticos, se estes apenas se preocuparem consigo mesmos em vez de se preocuparem connosco.
Francamente, acho que um pouco mais de vergonha e de ética da responsabilidade a nível político seria MUITO desejável ...
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Vitor Cunha
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5/06/2004 11:43:00 da tarde
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terça-feira, maio 04, 2004
OS PORTUGUESES E O AMOR AO PORMENOR
Nós, os portugueses, somos assim.
Somos repentistas, improvisadores, desleixados, preguiçosos.
Temos um ódio visceral ao detalhe, ao estudo, à preparação do pormenor.
Falta-nos a paciência, o espírito de rigor.
Odiamos a matemática, adoramos o paleio gratuito.
Para nós, as coisas vão sempre correr bem, porque haveria de não ser assim ?
Para quê identificar as prováveis causas de erro e tomar medidas de antemão ? Se algo de menos bom acontecer, logo se resolve em cima do acontecimento.
Essas coisas de estudar os detalhes são para os povos do Norte, não habituados ao desenrascanço como nós. Nós não precisamos disso.
Segurança no Euro 2004 ? Concursos de Professores bem conduzidos ? Processos judiciais bem preparados e conduzidos ? Obras de construção civil bem projectadas, orçamentadas e sem derrapagens monstras nos custos ? Expo 98 sem esqueletos escondidos ? Futebol sem escândalos e corrupção ?
Quem pensar que pode responder sim a uma única das perguntas anteriores, não é português. Ou é mas nunca viveu em Portugal. Ou anda muito distraído.
A estas características do português comum, já de si nada recomendáveis, juntaram-se ultimamente algumas outras ainda piores.
Se for possível arranjar “algum” por fora, no exercicio da minha profissão ou através do poder que possuo, porque não ? Sou algum parvo ou quê ? Todos os meus conhecidos o fazem ... e se precisar de mentir e vigarizar para isso, qual é o problema ?
Beeeemmmm... nem sei que dizer. Odeio a maneira de ser lusitana, essa é a verdade. Nunca morri de amores pelos alemães ou pelos suecos, mas invejo o seu espírito, a sua determinação, a sua vontade de fazer tudo sem erros, tão perfeito quanto possível.
Será que amor ao pormenor e ao rigor naquilo que se faz é indissociável do frio e da falta de imaginação e alegria ? O nosso desleixo, apatia e desinteresse pela qualidade é o preço a pagar pela nossa exuberância, alegria, humor, gosto pela mesa e pelas coisas boas da vida ?
Recuso-me a acreditar nisso.
Penso que somos assim, mauzinhos naquilo que fazemos e desleixadinhos, porque nunca ninguém foi capaz de nos envergonhar suficientemente, porque nunca nenhum político soube ou quis promover os valores do rigor e da qualidade, porque nunca nenhum português acreditou que seriamos capazes de ser diferentes.
No fundo, no fundo, não serão estas características que explicam a miséria da nossa vida económica ?
Quem é que, na Europa ou no Mundo, compraria um automóvel construido pelos portugueses, oriundo de uma fábrica gerida por portugueses com normas de qualidade portuguesas ? ( Auto-Europas não valem ... ) Ou uma casa ? Ou seja o que for ?
É isso, é.
A miséria da nossa vida deriva directamente da nossa incapacidade de rigor e de amor ao pormenor e à qualidade do que fazemos.
Nós, os portugueses, somos assim.
Somos repentistas, improvisadores, desleixados, preguiçosos.
Temos um ódio visceral ao detalhe, ao estudo, à preparação do pormenor.
Falta-nos a paciência, o espírito de rigor.
Odiamos a matemática, adoramos o paleio gratuito.
Para nós, as coisas vão sempre correr bem, porque haveria de não ser assim ?
Para quê identificar as prováveis causas de erro e tomar medidas de antemão ? Se algo de menos bom acontecer, logo se resolve em cima do acontecimento.
Essas coisas de estudar os detalhes são para os povos do Norte, não habituados ao desenrascanço como nós. Nós não precisamos disso.
Segurança no Euro 2004 ? Concursos de Professores bem conduzidos ? Processos judiciais bem preparados e conduzidos ? Obras de construção civil bem projectadas, orçamentadas e sem derrapagens monstras nos custos ? Expo 98 sem esqueletos escondidos ? Futebol sem escândalos e corrupção ?
Quem pensar que pode responder sim a uma única das perguntas anteriores, não é português. Ou é mas nunca viveu em Portugal. Ou anda muito distraído.
A estas características do português comum, já de si nada recomendáveis, juntaram-se ultimamente algumas outras ainda piores.
Se for possível arranjar “algum” por fora, no exercicio da minha profissão ou através do poder que possuo, porque não ? Sou algum parvo ou quê ? Todos os meus conhecidos o fazem ... e se precisar de mentir e vigarizar para isso, qual é o problema ?
Beeeemmmm... nem sei que dizer. Odeio a maneira de ser lusitana, essa é a verdade. Nunca morri de amores pelos alemães ou pelos suecos, mas invejo o seu espírito, a sua determinação, a sua vontade de fazer tudo sem erros, tão perfeito quanto possível.
Será que amor ao pormenor e ao rigor naquilo que se faz é indissociável do frio e da falta de imaginação e alegria ? O nosso desleixo, apatia e desinteresse pela qualidade é o preço a pagar pela nossa exuberância, alegria, humor, gosto pela mesa e pelas coisas boas da vida ?
Recuso-me a acreditar nisso.
Penso que somos assim, mauzinhos naquilo que fazemos e desleixadinhos, porque nunca ninguém foi capaz de nos envergonhar suficientemente, porque nunca nenhum político soube ou quis promover os valores do rigor e da qualidade, porque nunca nenhum português acreditou que seriamos capazes de ser diferentes.
No fundo, no fundo, não serão estas características que explicam a miséria da nossa vida económica ?
Quem é que, na Europa ou no Mundo, compraria um automóvel construido pelos portugueses, oriundo de uma fábrica gerida por portugueses com normas de qualidade portuguesas ? ( Auto-Europas não valem ... ) Ou uma casa ? Ou seja o que for ?
É isso, é.
A miséria da nossa vida deriva directamente da nossa incapacidade de rigor e de amor ao pormenor e à qualidade do que fazemos.
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Vitor Cunha
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5/04/2004 03:37:00 da tarde
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quarta-feira, abril 28, 2004
O CASO DO MAJOR ESTÁ A LIXAR-ME AS ANÁLISES ...
Confesso que esta me desnorteou. Fiquei sem as minhas referências nortenhas. Fiquei sem um norte.... Então aquele senhor impoluto, imagem de marca da melhor educação e cavalheirismo nacional, aquele modelo de virtude, aquele marco sólido de homem de negócios acima de qualquer suspeita ... afinal, o senhor é arguido num processo de favorecimentos ilícitos, tráfico de influências e mais não sei o quê.
Não acredito.
Que é que querem, pá, não pode ser, não é possível.
Então eu compro lá a teoria que um senhor presidente de câmara, presidente da sociedade do metro do Porto, presidente da liga do futebol profissional, presidente de mais não sei quantas coisas ia fazer coisas daquelas ? Hem, é lá possível !!
Agora muito a sério, este caso está a deitar por terra as minhas teorias sobre o nosso desgraçado país. Há anos que sustento que esta sociedade está corrupta de alto a baixo e que não tem salvação possível, a não ser trocar de povo.
Este caso aberto contra o pseudo-major nortenho perturbou-me, confesso. Não bate certo. Não segue o padrão. Então agora a justiça está a atirar-se aos poderosos ? Desde quando é que isso se usa ? Hem ?
Queres ver que, por este andar, ainda acabo por ter de admitir que algo vai mudando, na justiça e no país ?
Nanananan ... não acredito muito. Vamos esperar para ver.
Até lá, pelo sim pelo não, cuidem-se bem, pequenos majores de todos os quadrantes... sabe-se lá que outros apitos dourados são capazes de inventar aqueles gajos da Judiciária !
Eheheheh ...
Confesso que esta me desnorteou. Fiquei sem as minhas referências nortenhas. Fiquei sem um norte.... Então aquele senhor impoluto, imagem de marca da melhor educação e cavalheirismo nacional, aquele modelo de virtude, aquele marco sólido de homem de negócios acima de qualquer suspeita ... afinal, o senhor é arguido num processo de favorecimentos ilícitos, tráfico de influências e mais não sei o quê.
Não acredito.
Que é que querem, pá, não pode ser, não é possível.
Então eu compro lá a teoria que um senhor presidente de câmara, presidente da sociedade do metro do Porto, presidente da liga do futebol profissional, presidente de mais não sei quantas coisas ia fazer coisas daquelas ? Hem, é lá possível !!
Agora muito a sério, este caso está a deitar por terra as minhas teorias sobre o nosso desgraçado país. Há anos que sustento que esta sociedade está corrupta de alto a baixo e que não tem salvação possível, a não ser trocar de povo.
Este caso aberto contra o pseudo-major nortenho perturbou-me, confesso. Não bate certo. Não segue o padrão. Então agora a justiça está a atirar-se aos poderosos ? Desde quando é que isso se usa ? Hem ?
Queres ver que, por este andar, ainda acabo por ter de admitir que algo vai mudando, na justiça e no país ?
Nanananan ... não acredito muito. Vamos esperar para ver.
Até lá, pelo sim pelo não, cuidem-se bem, pequenos majores de todos os quadrantes... sabe-se lá que outros apitos dourados são capazes de inventar aqueles gajos da Judiciária !
Eheheheh ...
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Vitor Cunha
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4/28/2004 10:30:00 da tarde
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segunda-feira, abril 26, 2004
O 25 DE ABRIL JÁ ME CANSA ...
Nós, portugueses, somos uma cambada de gente mesquinha, doentia, saudosista, preguiçosa e piegas. Esqueci-me de alguma coisa ? Ah, somos também irremediavelmente invejosos.
O 25 de Abril ? Mas que raio de importância tem HOJE o 25 de Abril desse longinquo ano de 1974 ? Mudou a essência deste povo ? Passámos a ter consciência social, a cumprir as leis, a ser gente educada ?
Ah, sim, a liberdade ! Pois, a liberdade. A liberdade é boa para para aqueles que podem e sabem poderem falar. E escrever. E ganhar dinheiro com isso. A liberdade também é boa para se conseguirem bons cargos na coisa pública, nas dezenas de institutos, na burocracia da Europa, sei lá eu. E até serve, essa mesma liberdade, para se pedir contenção salarial ao zé povinho sem que caia o carmo e a trindade, afinal quem nos pede isso são aqueles em quem votámos, pá ! Ou pelo menos temos que ter respeito por eles, sempre foram eleitos, caramba.
Bem, claro, tens que ver os números, óh meu ! Em 1970 existiam menos de 50 mil licenciados e agora são mais de 600 mil !! Então, que dizes a isto ? A democratização do ensino superior, hoje toda a malta pode ser advogado e médico e economista e ....
Pois.
Só que continuo a não perceber o que é que essa malta toda faz no dia a dia. É que melhoras na situação deste cantinho não se vêem ... pelo menos em termos relativos, por exemplo quanto aos espanhóis, aqui tão perto.
Não, já não tenho paciência para este meu país. São os que vão ao rabo aos putos, os que metem a mão na massa alheia, os que são invejosos do vizinho, os que serpenteiam nos meandros do futebol, os que crescem à sombra do partido, os que, mesquinhos, tiram os érres ás revoluções, os que ficam dezenas de anos a tirar dividendos de uma aventura romântica-libertária de uma madrugada em Abril, os que sentem inveja de não serem heróis, os que se julgam talhados para isso mesmo, os que insultam tudo e todos, acabando por ver em Mário Soares o único herói da democracia ( ahhh, o que a idade, o despeito e a raivinha fizeram a Vasco Pulido Valente ! ) e, finalmente, os que, como eu, estão cansados desta patacoada toda e só queriam que se começasse a fazer alguma coisa deste atoleiro ...
Pronto. Dei-vos uma ideia das razões pelas quais já não posso ouvir falar em 25 de Abril ?
Nós, portugueses, somos uma cambada de gente mesquinha, doentia, saudosista, preguiçosa e piegas. Esqueci-me de alguma coisa ? Ah, somos também irremediavelmente invejosos.
O 25 de Abril ? Mas que raio de importância tem HOJE o 25 de Abril desse longinquo ano de 1974 ? Mudou a essência deste povo ? Passámos a ter consciência social, a cumprir as leis, a ser gente educada ?
Ah, sim, a liberdade ! Pois, a liberdade. A liberdade é boa para para aqueles que podem e sabem poderem falar. E escrever. E ganhar dinheiro com isso. A liberdade também é boa para se conseguirem bons cargos na coisa pública, nas dezenas de institutos, na burocracia da Europa, sei lá eu. E até serve, essa mesma liberdade, para se pedir contenção salarial ao zé povinho sem que caia o carmo e a trindade, afinal quem nos pede isso são aqueles em quem votámos, pá ! Ou pelo menos temos que ter respeito por eles, sempre foram eleitos, caramba.
Bem, claro, tens que ver os números, óh meu ! Em 1970 existiam menos de 50 mil licenciados e agora são mais de 600 mil !! Então, que dizes a isto ? A democratização do ensino superior, hoje toda a malta pode ser advogado e médico e economista e ....
Pois.
Só que continuo a não perceber o que é que essa malta toda faz no dia a dia. É que melhoras na situação deste cantinho não se vêem ... pelo menos em termos relativos, por exemplo quanto aos espanhóis, aqui tão perto.
Não, já não tenho paciência para este meu país. São os que vão ao rabo aos putos, os que metem a mão na massa alheia, os que são invejosos do vizinho, os que serpenteiam nos meandros do futebol, os que crescem à sombra do partido, os que, mesquinhos, tiram os érres ás revoluções, os que ficam dezenas de anos a tirar dividendos de uma aventura romântica-libertária de uma madrugada em Abril, os que sentem inveja de não serem heróis, os que se julgam talhados para isso mesmo, os que insultam tudo e todos, acabando por ver em Mário Soares o único herói da democracia ( ahhh, o que a idade, o despeito e a raivinha fizeram a Vasco Pulido Valente ! ) e, finalmente, os que, como eu, estão cansados desta patacoada toda e só queriam que se começasse a fazer alguma coisa deste atoleiro ...
Pronto. Dei-vos uma ideia das razões pelas quais já não posso ouvir falar em 25 de Abril ?
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Vitor Cunha
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4/26/2004 10:36:00 da tarde
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sábado, abril 17, 2004
FUI AO CINEMA, APENAS ISSO ...
Caminho só pelo passeio pavimentado com pedras irregulares. Passa da meia-noite e venho do cinema para casa. A rua está quase deserta, a esta hora. É capaz de ser uma doidice andar assim sózinho, a pé, a estas horas, mas gosto de me sentir vivo, gosto do som dos meus passos na rua deserta. Só falta uma chuvinha gelada para fazer disto uma cena de um qualquer filme francês. Não está muito frio, mas levanto a gola do blusão de cabedal. Para melhorar a imagem no filme, estão a ver ?
Nunca vos acontece ? Estarem perfeitamente conscientes da realidade e contudo, em simultâneo, entreterem-se a imaginar cenas de uma outra realidade ou de um filme ?
Hummmm ... será que, bem no fundo, não passo de um esquizofrénico anónimo ?
Ah, já sei o que vos queria dizer, a sério : não tenho escrito nada, peço desculpa. Não arranjo vontade nem tema nem .... acho que perdi o fio à meada, sabem o que é ?
Um destes dias vou tentar de novo, prometo.
Até lá, um abraço meu e ... vivam as vossas vidas, please.
Caminho só pelo passeio pavimentado com pedras irregulares. Passa da meia-noite e venho do cinema para casa. A rua está quase deserta, a esta hora. É capaz de ser uma doidice andar assim sózinho, a pé, a estas horas, mas gosto de me sentir vivo, gosto do som dos meus passos na rua deserta. Só falta uma chuvinha gelada para fazer disto uma cena de um qualquer filme francês. Não está muito frio, mas levanto a gola do blusão de cabedal. Para melhorar a imagem no filme, estão a ver ?
Nunca vos acontece ? Estarem perfeitamente conscientes da realidade e contudo, em simultâneo, entreterem-se a imaginar cenas de uma outra realidade ou de um filme ?
Hummmm ... será que, bem no fundo, não passo de um esquizofrénico anónimo ?
Ah, já sei o que vos queria dizer, a sério : não tenho escrito nada, peço desculpa. Não arranjo vontade nem tema nem .... acho que perdi o fio à meada, sabem o que é ?
Um destes dias vou tentar de novo, prometo.
Até lá, um abraço meu e ... vivam as vossas vidas, please.
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Vitor Cunha
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4/17/2004 11:51:00 da tarde
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terça-feira, abril 06, 2004
A INSUSTENTÁVEL ASFIXIA DOS IMPOSTOS
Não há, não pode haver, é impossível.
Nenhum outro país no Mundo pratica tantos impostos aos seus cidadãos, abrangendo tantas circunstâncias das suas vidas. Por vezes, vai-se mesmo ao requinte de nos obrigar a pagar imposto sobre uma verba de um outro imposto, como acontece no caso dos automóveis.
Vejam alguns casos típicos. No imobiliário : paga-se imposto quando se compra a casa ( a antiga SISA ), paga-se todos os anos a ex-autárquica, pagam-se taxas de esgotos, paga-se imposto de mais-valias se a vendermos.
Nos automóveis : pagam-se dois impostos quando se compram ( o IA e o IVA sobre o preço do carro mais o IA !! ), paga-se todos os anos o Imposto de Circulação, paga-se um imposto tremendo em cada litro de combustível que metemos no depósito, pagam-se portagens, estacionamentos, paga-se o IVA nas reparações, paga-se, paga-se ...
Quando alguém falece : paga-se imposto sucessório se houver herança.
Em tudo o que ganharmos, fruto da nossa actividade profissional : paga-se IRS e a uma taxa bem gordinha !
Nos restaurantes, cinemas, casas de fado, discotecas, cafés, bares , eu sei lá : paga-se IVA.
Na compra de todos os bens de consumo, equipamentos, material de construção, livros, etc , pagamos IVA, por vezes à taxa de 19% !
Tem uma casa sua que arrendou a terceiros ? Paga IRS sobre o valor das rendas.
Comprou umas acções que se valorizaram e que depois vendeu ? Não se esqueça do IRS sobre o lucro ...
Enfim, nada escapa ao furor do fisco. Os homens que pensaram estes esquemas não se esqueceram de nada. TUDO está previsto. Nascer, viver e morrer pagam imposto.
Depois de tudo isto, apenas apeteceria colocar uma questãozita. É que, se assim é, se todos devíamos pagar imposto em todos aqueles actos da nossa vida, como é que o orçamento é sempre curto, do lado das receitas ?? Como é que falta sempre dinheiro ???
Hummmm, parece-me bem que andam por aí uns gajos que não pagam, ai andam, andam ...
Não há, não pode haver, é impossível.
Nenhum outro país no Mundo pratica tantos impostos aos seus cidadãos, abrangendo tantas circunstâncias das suas vidas. Por vezes, vai-se mesmo ao requinte de nos obrigar a pagar imposto sobre uma verba de um outro imposto, como acontece no caso dos automóveis.
Vejam alguns casos típicos. No imobiliário : paga-se imposto quando se compra a casa ( a antiga SISA ), paga-se todos os anos a ex-autárquica, pagam-se taxas de esgotos, paga-se imposto de mais-valias se a vendermos.
Nos automóveis : pagam-se dois impostos quando se compram ( o IA e o IVA sobre o preço do carro mais o IA !! ), paga-se todos os anos o Imposto de Circulação, paga-se um imposto tremendo em cada litro de combustível que metemos no depósito, pagam-se portagens, estacionamentos, paga-se o IVA nas reparações, paga-se, paga-se ...
Quando alguém falece : paga-se imposto sucessório se houver herança.
Em tudo o que ganharmos, fruto da nossa actividade profissional : paga-se IRS e a uma taxa bem gordinha !
Nos restaurantes, cinemas, casas de fado, discotecas, cafés, bares , eu sei lá : paga-se IVA.
Na compra de todos os bens de consumo, equipamentos, material de construção, livros, etc , pagamos IVA, por vezes à taxa de 19% !
Tem uma casa sua que arrendou a terceiros ? Paga IRS sobre o valor das rendas.
Comprou umas acções que se valorizaram e que depois vendeu ? Não se esqueça do IRS sobre o lucro ...
Enfim, nada escapa ao furor do fisco. Os homens que pensaram estes esquemas não se esqueceram de nada. TUDO está previsto. Nascer, viver e morrer pagam imposto.
Depois de tudo isto, apenas apeteceria colocar uma questãozita. É que, se assim é, se todos devíamos pagar imposto em todos aqueles actos da nossa vida, como é que o orçamento é sempre curto, do lado das receitas ?? Como é que falta sempre dinheiro ???
Hummmm, parece-me bem que andam por aí uns gajos que não pagam, ai andam, andam ...
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Vitor Cunha
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4/06/2004 10:16:00 da tarde
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sexta-feira, abril 02, 2004
HOJE NEM ACREDITAM : VOU LOUVAR UMA INICIATIVA !
Tenho a certeza de que já experimentaram ir tratar de um assunto qualquer a uma repartição ou direcção-geral ou coisa no género. A quantidade de certificados, atestados, declarações, impressos e selos é absolutamente um TERROR !!
Neste país pequenino, de gente desconfiada e vigarista, nada se faz sem um papel com muitas assinaturas e carimbos a CONFIRMAR aquilo que se declara. E como são muitas as coisas a confirmar, os papéis são aos milhões, claro. Para grande gozo de muitos funcionários zelosos, aos quais esses papéis emprestam autoridade, e não poucas vezes, um acréscimo salarial também ...
Não sei se os mais distraidos já perceberam, mas a entrada dos computadores para a Administração Pública está a provocar neste estado de coisas uma autêntica revolução, lenta e silenciosa, mas inexorável. As Lojas do Cidadão, a pouco e pouco a espalharem-se por todo o território, espelham isto que afirmo. A concentração num único local de variados serviços dantes espalhados por toda a cidade só foi possível com a informática associada às telecomunicações e com um enorme esforço de reorganização do “back-office”, ou seja das tradicionais formas de trabalhar entre nós.
Apesar de tudo – e com isto quero dizer que apesar de muita gente dos sucessivos governos sem visão nem entusiasmo – existem pessoas no nosso país que têm procurado introduzir modernidade e eficiência em alguns sectores da vida nacional.
O que nem sempre é fácil, dado que nem sempre encontram vinda de “cima” a receptividade desejada e os recursos indispensáveis.
Mas, apesar de tudo, já se podem pedir certidões pela internet, entregar as declarações de IRS, fazer concursos públicos ( o dos professores, este ano, correu MUITO mal por nítida falta de cuidado e saber na preparação e na criação de condições ), consultar muita legislação, fazer a importação de impressos, etc, etc ... Devagar, mas está-se a melhorar, sem dúvida.
Foi inaugurado recentemente o Portal do Cidadão. É esta a placa giratória de eleição entre a administração pública e o cidadão. A proliferação dos serviços à disposição do cidadão, neste portal, servirá bem de indicador para a evolução de que estou a falar. É , pois, uma iniciativa a acompanhar.
Poderão ver este portal AQUI e depois colocá-lo nos vossos Favoritos.
Para vos aguçar o apetite, e ao mesmo tempo ilustrar o esforço que é preciso fazer, falo-vos do serviço que este portal já tem em funcionamento : mudar a direcção do cidadão em vários organismos do Estado e privados ao mesmo tempo, desde a morada fiscal até á Via Verde passando pelos fornecedores de electricidade e água ...
Através do Portal o cidadão escolhe os organismos/empresas onde quer ver alterada a sua residência, faz o download de um impresso e depois .... ( e aqui reside ainda uma debilidade do sistema ) deve ir com o impresso a uma Loja do Cidadão e apresentar o seu BI, para provar que é quem é ... e é tudo ! Ou seja, vai a um lado em vez de ir a seis ou sete.
Já não é nada mau, hem ???
Porém, não faltará muito para podermos fazer tudo isso sem mesmo ir com o BI á Loja do Cidadão. Uma simples chave a fornecer a cada cidadão pode resolver o problema. Tal como o IRS já faz, talvez com um pouco mais de cuidado.
Ou seja ... hoje uma palavra de esperança : nem tudo está perdido neste nosso país
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Vitor Cunha
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4/02/2004 05:51:00 da tarde
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terça-feira, março 30, 2004
A TANGA E A RETOMA
Sabem que mais ? Durão Barroso deve estar arrependidíssimo daquela ideia do país a andar de tanga ... tanto repetiram o mote que as pessoas e as empresas interiorizaram o conceito e passaram a agir como se estivéssemos mesmo com a corda na garganta. Resultado : ficámos mesmo com a corda na garganta, que isto da economia é ainda uma espécie de bruxedo medieval e quando as pessoas se assustam é o diabo !
Agora, como já lhe começa a convir, o Governo e o PSD encarniçam-se a dizer que já aí está a retoma, que a tempo das vacas gordas está à porta .... A oposição, como é de bom tom, procura denegrir esta luz no fundo do túnel, gritando alto e bom som que não há retoma nenhuma !
Já viram ? Quer num caso quer noutro, o interesse ( pelo menos imediato ) de alguns partidos políticos é oposto ao interesse público nacional. Não é a primeira vez que noto e registo este fenómeno. Não seria possível fazer melhor que isto, meus senhores ? Será inevitável que a política, e os políticos, se movam sempre num terreno semi-pantanoso, onde a verdade e a ética sejam coisas um pouco dispensáveis ?
Sabem que mais ? Durão Barroso deve estar arrependidíssimo daquela ideia do país a andar de tanga ... tanto repetiram o mote que as pessoas e as empresas interiorizaram o conceito e passaram a agir como se estivéssemos mesmo com a corda na garganta. Resultado : ficámos mesmo com a corda na garganta, que isto da economia é ainda uma espécie de bruxedo medieval e quando as pessoas se assustam é o diabo !
Agora, como já lhe começa a convir, o Governo e o PSD encarniçam-se a dizer que já aí está a retoma, que a tempo das vacas gordas está à porta .... A oposição, como é de bom tom, procura denegrir esta luz no fundo do túnel, gritando alto e bom som que não há retoma nenhuma !
Já viram ? Quer num caso quer noutro, o interesse ( pelo menos imediato ) de alguns partidos políticos é oposto ao interesse público nacional. Não é a primeira vez que noto e registo este fenómeno. Não seria possível fazer melhor que isto, meus senhores ? Será inevitável que a política, e os políticos, se movam sempre num terreno semi-pantanoso, onde a verdade e a ética sejam coisas um pouco dispensáveis ?
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Vitor Cunha
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3/30/2004 10:18:00 da tarde
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segunda-feira, março 29, 2004
CÁ ESTOU EU DE NOVO ... DESCULPEM QUALQUER COISINHA !
Há alguns dias que não escrevo no meu blogue. Sabem que sinto uma espécie de culpa, em relação a alguns leitores habituais ? Pois é, mas não tenho conseguido escrever. Hoje vou tentar outra vez, domingo à tarde, sentado à secretária, absorto, sentindo a humidade no ar, aquecimento ligado.
Na TV, no Eurosport, um clássico : a prova de remo Cambridge-Oxford, no Tamisa. Os comentários surgem-me em música de fundo, alguém diz que o timoneiro de Cambridge cometeu um erro, fez não sei o quê ... Penso noutras coisas, por exemplo no caso do processo judicial da queda da ponte de Castelo de Paiva.
O juiz de instrução achou que a queda se deveu a “causas naturais”, referindo-se às cheias verificadas em dois anos, e mandou arquivar o processo.
Toda a gente pensante lhe caiu em cima : rádios, TV e jornais. Faz-se humor, mandam-se bocas, comenta-se o estado da justiça. Estas coisas intrigam-me !! Os portugueses devem ser os indivíduos mais estranhos do Mundo : tão depressa se estão nas tintas para tudo e para todos, como gritam de raiva e indignação para encontrar um culpado, alguém que pague pela incúria que se sabe ser generalizada. Como se, com a descoberta desse culpado, ficássemos “limpos” e “purificados” de toda as incúrias e do “não-te-rales” do nosso passado, presente e futuro.
Já passou um dia e a “crónica” não ficou completa, continuo hoje. Fui de “peregrinação” à minha terra natal, algures no Ribatejo. Casarão sempre a exigir atenção, por isto ou por aquilo. Arranjei um estore dos grandes, suei e sujei-me todo. A minha filha, peregrina comigo, apanhou umas flores, estrelícias, para trazer para Lisboa e uma cesta de limões, para dar ao namorado ... Não faço ideia para que raio quer o rapaz tanto limão, mas enfim ...Almoçamos, num restaurante de um amigo do tempo da infância, uns excelentes filetes de cherne com um arroz de tomate. Depois passei pela Câmara Municipal, resolver um problema com uma factura de água que não tinha pago, pelos vistos .... ehehehe .... tornei a passar por casa e eis-nos de abalada de novo, pela autoestrada para Lisboa.
Faço este trajecto há milhões de anos e cada vez me parece mais complicado andar na autoestrada. Carros pesados em todas as faixas, a ultrapassarem-se uns aos outros, gente apressadinha a ultrapassarem-nos pela direita ( quando eu ia a 150 Km/h .... ! ), molhos de carros encostadinhos uns nos outros ( haverá homosexualidade entre automóveis ?? ) e a entupirem o caminho aos outros .... enfim, andar uma centena de kms em autoestrada não é nada, mesmo nada uma tarefa que se possa fazer descontraida e alegremente !
E já nem falo na ficção dos 120 km/h legais ! Tchiiiii, meu Deus, NINGUÉM anda a essa velocidade, NINGUÉM !!!!!!!
A burocracia bancária produziu resultados : telefonaram hoje à minha filha a dizerem-lhe que o pedido de crédito já estava autorizado ! Boa, os dados estão lançados, a coisa vai avançar agora com a odisseia dos registos provisórios na Conservatória, mais tarde a escritura notarial, depois os contratos de electricidade, água, gás, cabo, ... sei lá que mais !
Por hoje é tudo, tenham uma boa noite !
Há alguns dias que não escrevo no meu blogue. Sabem que sinto uma espécie de culpa, em relação a alguns leitores habituais ? Pois é, mas não tenho conseguido escrever. Hoje vou tentar outra vez, domingo à tarde, sentado à secretária, absorto, sentindo a humidade no ar, aquecimento ligado.
Na TV, no Eurosport, um clássico : a prova de remo Cambridge-Oxford, no Tamisa. Os comentários surgem-me em música de fundo, alguém diz que o timoneiro de Cambridge cometeu um erro, fez não sei o quê ... Penso noutras coisas, por exemplo no caso do processo judicial da queda da ponte de Castelo de Paiva.
O juiz de instrução achou que a queda se deveu a “causas naturais”, referindo-se às cheias verificadas em dois anos, e mandou arquivar o processo.
Toda a gente pensante lhe caiu em cima : rádios, TV e jornais. Faz-se humor, mandam-se bocas, comenta-se o estado da justiça. Estas coisas intrigam-me !! Os portugueses devem ser os indivíduos mais estranhos do Mundo : tão depressa se estão nas tintas para tudo e para todos, como gritam de raiva e indignação para encontrar um culpado, alguém que pague pela incúria que se sabe ser generalizada. Como se, com a descoberta desse culpado, ficássemos “limpos” e “purificados” de toda as incúrias e do “não-te-rales” do nosso passado, presente e futuro.
Já passou um dia e a “crónica” não ficou completa, continuo hoje. Fui de “peregrinação” à minha terra natal, algures no Ribatejo. Casarão sempre a exigir atenção, por isto ou por aquilo. Arranjei um estore dos grandes, suei e sujei-me todo. A minha filha, peregrina comigo, apanhou umas flores, estrelícias, para trazer para Lisboa e uma cesta de limões, para dar ao namorado ... Não faço ideia para que raio quer o rapaz tanto limão, mas enfim ...Almoçamos, num restaurante de um amigo do tempo da infância, uns excelentes filetes de cherne com um arroz de tomate. Depois passei pela Câmara Municipal, resolver um problema com uma factura de água que não tinha pago, pelos vistos .... ehehehe .... tornei a passar por casa e eis-nos de abalada de novo, pela autoestrada para Lisboa.
Faço este trajecto há milhões de anos e cada vez me parece mais complicado andar na autoestrada. Carros pesados em todas as faixas, a ultrapassarem-se uns aos outros, gente apressadinha a ultrapassarem-nos pela direita ( quando eu ia a 150 Km/h .... ! ), molhos de carros encostadinhos uns nos outros ( haverá homosexualidade entre automóveis ?? ) e a entupirem o caminho aos outros .... enfim, andar uma centena de kms em autoestrada não é nada, mesmo nada uma tarefa que se possa fazer descontraida e alegremente !
E já nem falo na ficção dos 120 km/h legais ! Tchiiiii, meu Deus, NINGUÉM anda a essa velocidade, NINGUÉM !!!!!!!
A burocracia bancária produziu resultados : telefonaram hoje à minha filha a dizerem-lhe que o pedido de crédito já estava autorizado ! Boa, os dados estão lançados, a coisa vai avançar agora com a odisseia dos registos provisórios na Conservatória, mais tarde a escritura notarial, depois os contratos de electricidade, água, gás, cabo, ... sei lá que mais !
Por hoje é tudo, tenham uma boa noite !
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Vitor Cunha
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3/29/2004 09:55:00 da tarde
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terça-feira, março 23, 2004
AINDA SOBRE OS ISRAELITAS E OS PALESTINIANOS
Deixem-me dizer-vos, antes de mais, que este é terreno minado. Analisar e discutir esta questão exige o mesmo comportamento que é obrigatório ao atravessar um campo minado : é preciso ver muito bem onde se põem os pés... Mais ainda, é preciso ter a certeza de que não se está a reflectir segundo ideias preconcebidas, do tipo “eu defendo os palestinianos” ou “eu sou visceralmente pró-judeu”. Nada que se prenda com palestinianos e israelitas é simples ou puro. O sangue de vítimas inocentes provocadas pelos dois lados empapa as areias dos desertos naquela zona do Mundo.
A questão fundamental que se coloca é a seguinte : num conflito político internacional, num cenário onde as acções terroristas são usadas por um dos lados, é legítimo ou não abandonar o direito e passar a actuar como se de uma guerra clássica se tratasse ? Ou seja, em poucas palavras, seria legítimo abater friamente a tiro os autores dos atentados do 11 de Novembro, nos EUA, ou do 11 de Março em Espanha, ou os do IRA ou da ETA ?
A resposta parece ser simples, para quem acredite que a democracia é o melhor sistema político, e que devemos respeitar as suas normas até ao fim: NÃO, não é legítimo um procedimento assim.
Porém, não sejamos ingénuos : essa atitude não é seguida pelos terroristas, obviamente. Eles sabem que as democracias têm poucas defesas perante acções violentas organizadas, exactamente pela necessidade de respeitar os direitos individuais. Eles sabem isso e usam-o em seu proveito. Passeiam-se livremente no meio daqueles que irão atingir, usam sem pestanejar as suas liberdades, reclamam os seus direitos exigentemente em caso de prisão.
Que me conste, nunca nenhuma organização terrorista ouviu previamente em audiência representantes das pessoas no meio das quais se propõem fazer estoirar umas bombas, para conhecerem a sua opinião ...
Já pensaram que, caso o uso do terrorismo se intensifique muito, é natural que as democracias tenham que rever os seus conceitos e restringir o respeito pelas garantias individuais ? Perceberam que isso começou a acontecer, JÁ, nos EUA e mesmo na Europa ? Por muito que nos desagade a todos ! E sabem porquê ?
Porque finalmente nos apercebemos do horror que é o terrorismo organizado à escala internacional. Porque finalmente nos damos conta do que é o terrorismo. Porque deixou de ser uma coisa longínqua e improvável. Porque nos pode atingir amanhã e aqui.
Bom, é nessa situação que israelitas e árabes vivem, há muito tempo. Mesmo muito tempo. Não se esqueçam disso a próxima vez que começarem a arengar, no café ou no local de trabalho, sobre os mauzões dos israelitas e os bonzões dos palestinianos. Ou vice-versa.
Não queiram nunca ver-se metidos na teia de ódios e reacções primárias em que eles vivem há dezenas de anos.
Tentem perceber. Não para tolerar ou desculpar, mas para exigir que a situação termine. Não vejam de um lado vítimas e do outro carrascos. Quem são uns e outros ? Não serão todos uma coisa e outra ?
A verdade é que não sou capaz, intelectualmente, de chamar assassino a Sharon e apelidar cândida e ingenuamente Ahmed Yassine de líder espiritual do Hamas ... isso, para mim, é cinismo e sectarismo.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Claro, a violência cresce em espiral : acabo de ler que o substituto de Yassine vai ser um homem ainda mais radical que ele, Al-Rantissi, que sempre se opôs a qualquer negociação com Israel ... meu Deus, que acham que vai acontecer ??
A paz no Médio-Oriente não é com certeza ...
Deixem-me dizer-vos, antes de mais, que este é terreno minado. Analisar e discutir esta questão exige o mesmo comportamento que é obrigatório ao atravessar um campo minado : é preciso ver muito bem onde se põem os pés... Mais ainda, é preciso ter a certeza de que não se está a reflectir segundo ideias preconcebidas, do tipo “eu defendo os palestinianos” ou “eu sou visceralmente pró-judeu”. Nada que se prenda com palestinianos e israelitas é simples ou puro. O sangue de vítimas inocentes provocadas pelos dois lados empapa as areias dos desertos naquela zona do Mundo.
A questão fundamental que se coloca é a seguinte : num conflito político internacional, num cenário onde as acções terroristas são usadas por um dos lados, é legítimo ou não abandonar o direito e passar a actuar como se de uma guerra clássica se tratasse ? Ou seja, em poucas palavras, seria legítimo abater friamente a tiro os autores dos atentados do 11 de Novembro, nos EUA, ou do 11 de Março em Espanha, ou os do IRA ou da ETA ?
A resposta parece ser simples, para quem acredite que a democracia é o melhor sistema político, e que devemos respeitar as suas normas até ao fim: NÃO, não é legítimo um procedimento assim.
Porém, não sejamos ingénuos : essa atitude não é seguida pelos terroristas, obviamente. Eles sabem que as democracias têm poucas defesas perante acções violentas organizadas, exactamente pela necessidade de respeitar os direitos individuais. Eles sabem isso e usam-o em seu proveito. Passeiam-se livremente no meio daqueles que irão atingir, usam sem pestanejar as suas liberdades, reclamam os seus direitos exigentemente em caso de prisão.
Que me conste, nunca nenhuma organização terrorista ouviu previamente em audiência representantes das pessoas no meio das quais se propõem fazer estoirar umas bombas, para conhecerem a sua opinião ...
Já pensaram que, caso o uso do terrorismo se intensifique muito, é natural que as democracias tenham que rever os seus conceitos e restringir o respeito pelas garantias individuais ? Perceberam que isso começou a acontecer, JÁ, nos EUA e mesmo na Europa ? Por muito que nos desagade a todos ! E sabem porquê ?
Porque finalmente nos apercebemos do horror que é o terrorismo organizado à escala internacional. Porque finalmente nos damos conta do que é o terrorismo. Porque deixou de ser uma coisa longínqua e improvável. Porque nos pode atingir amanhã e aqui.
Bom, é nessa situação que israelitas e árabes vivem, há muito tempo. Mesmo muito tempo. Não se esqueçam disso a próxima vez que começarem a arengar, no café ou no local de trabalho, sobre os mauzões dos israelitas e os bonzões dos palestinianos. Ou vice-versa.
Não queiram nunca ver-se metidos na teia de ódios e reacções primárias em que eles vivem há dezenas de anos.
Tentem perceber. Não para tolerar ou desculpar, mas para exigir que a situação termine. Não vejam de um lado vítimas e do outro carrascos. Quem são uns e outros ? Não serão todos uma coisa e outra ?
A verdade é que não sou capaz, intelectualmente, de chamar assassino a Sharon e apelidar cândida e ingenuamente Ahmed Yassine de líder espiritual do Hamas ... isso, para mim, é cinismo e sectarismo.
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Claro, a violência cresce em espiral : acabo de ler que o substituto de Yassine vai ser um homem ainda mais radical que ele, Al-Rantissi, que sempre se opôs a qualquer negociação com Israel ... meu Deus, que acham que vai acontecer ??
A paz no Médio-Oriente não é com certeza ...
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Vitor Cunha
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3/23/2004 07:22:00 da tarde
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segunda-feira, março 22, 2004
EFEMÉRIDES
Os israelitas fizeram outra das deles : mataram o dirigente máximo e teórico do Hamas, com um míssil. Veremos se foi um passo na solução do problema ou no avolumar do mesmo.
A guerra do Iraque começou há um ano. Entretanto, nem o terrorismo diminuiu, nem foram encontradas as armas de destruição massiva. E agora o problema é sair de lá.
O Afeganistão continua.
Em Madrid, Zapatero multiplica-se em declarações. Algumas sensatas e imprescindíveis, outras nem por isso.
Tony Blair vem a Portugal encontrar-se com Durão Barroso. A oposição comenta : “encontro de dois mentirosos”.
O meu blogue fez seis meses. Parece pouco tempo, mas são mais de cento e cinquenta textos escritos e mais de 2000 pessoas a lê-los. Para mim, estes números são significativos.
Começou a Primavera, mas o Mundo não sabe disso.
Não, ainda não fui ver a Paixão de Cristo. Há coisas que prefiro ver tal como as imaginei na minha infância. Quando Jesus Cristo e Afonso Henriques eram os meus ídolos. Diga-se, em abono da verdade, que não tinham ainda nascido nem Paulo Portas nem Durão Barroso ...
Os israelitas fizeram outra das deles : mataram o dirigente máximo e teórico do Hamas, com um míssil. Veremos se foi um passo na solução do problema ou no avolumar do mesmo.
A guerra do Iraque começou há um ano. Entretanto, nem o terrorismo diminuiu, nem foram encontradas as armas de destruição massiva. E agora o problema é sair de lá.
O Afeganistão continua.
Em Madrid, Zapatero multiplica-se em declarações. Algumas sensatas e imprescindíveis, outras nem por isso.
Tony Blair vem a Portugal encontrar-se com Durão Barroso. A oposição comenta : “encontro de dois mentirosos”.
O meu blogue fez seis meses. Parece pouco tempo, mas são mais de cento e cinquenta textos escritos e mais de 2000 pessoas a lê-los. Para mim, estes números são significativos.
Começou a Primavera, mas o Mundo não sabe disso.
Não, ainda não fui ver a Paixão de Cristo. Há coisas que prefiro ver tal como as imaginei na minha infância. Quando Jesus Cristo e Afonso Henriques eram os meus ídolos. Diga-se, em abono da verdade, que não tinham ainda nascido nem Paulo Portas nem Durão Barroso ...
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Vitor Cunha
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3/22/2004 09:51:00 da tarde
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sexta-feira, março 19, 2004
ABAIXO OS DIAS DISTO E DAQUILO !
Hoje de manhã, olhei o meu telemóvel e tinha uma mensagem. Rezava qualquer coisa como “Anima-te, pai ! Um beijinho para ti !” e vinha da minha filha. Ela nunca me envia mensagens, prefere sempre falar ... aquela mensagem porquê ? Pensei que tinha lido o meu blogue ontem e que percebera o meu desânimo ... de repente, entendi : hoje é o dia do pai. Ahhh, afinal é apenas por ser dia do pai ... e ri-me, com os meus botões. Estava a achar demasiada preocupação da parte dela, ehehehehe, se percebem o que quero dizer ...
Pus-me a pensar. Os pais também pensam, sabiam ? Dia do pai. Dia da mãe. Dia dos Namorados. Dia do Coração. Dia das Bruxas. Dia Mundial da Paz. Dia da Mulher. Dia da Árvore. Estou bem acompanhado, caraças. Dia do Pai.
Mentiras piedosas, acho eu. Tranquilizamos as nossas consciências. Fingimos durante um dia que damos muita importância a certas coisas. E sempre anima o comércio.
Mas há algo que me perturba, nestes dias especiais. Porque será que nunca se lembraram daqueles que não têm namorada/o, ou pai ou mãe ou filhos ? Não seria boa ideia um Dia dos Sem Namorado/a ? Ou um dia dos Orfãos de Pai ou Mãe ? Ou um Dia Dos Que Não São Pais nem Mães ? E mesmo para quando um Dia do Filho/a ?
Foi assim que me surgiu uma sugestão inovadora e revolucionária : vamos passar a celebrar o Dia Mundial das Coisas Sem Dia Atribuido !
Que tal ? Não só se eliminavam aquelas injustiças e esquecimentos a que acima me referi, como também se poupavam as celebrações de uma data de dias dedicados a isto e aquilo, passando todas as festas, paradas e discursos a concentrarem-se num só dia.
A isto chamaria eu produtividade celebracional do Dia Mundial.
Nem mais. Tenho dito.
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Vitor Cunha
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3/19/2004 11:51:00 da tarde
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quinta-feira, março 18, 2004
A NOITE
A noite vem e com ela o desânimo, a escuridão, a memória do passado. Bem podem os amigos tentar animar-me, dizer-me que a vida é bela ... não acredito, eu sempre a vi, a essa senhora, ser tão depressa bela como soturna e perigosa. Porque iria agora ser diferente ?
Estar no ultimo quarto da nossa vida é tremendamente destruidor, se se pensa muito nisso. Nos ultimos anos, tenho vindo de perda em perda até ao nada. A normalidade, o imprevisto, o receio, tudo se conjugou para me tornar apenas num ser que já foi. Com a agravante de me lembrar bem de o ter sido. Espanta-me, a minha quase derrota de hoje. Nunca pensei que fosse tão dificil envelhecer e ficar só. Ou será apenas uma fase, como tantas outras nas nossas vidas ? Talvez, deve ser isso, sim ...
É assim que sou, tão volúvel como uma prima-dona ou uma pop-star. Num dia amo a vida e o belo, no dia seguinte vejo tudo pintado de um cinzento monótono e vazio. A única solução foi sempre a de me manter a trabalhar até embotar a lucidez e a capacidade de pensar sobre mim.
Acho que, nascido com outros ventos, teria sido poeta ou anarquista ou um doido iluminado como Almada Negreiros. Provavelmente, acabaria como Antero do Quental, num qualquer banco de jardim. Ou talvez não.
Os deuses não me dotaram dessa forma, limitaram-se a pôr-me dentro um bocadinho de pensamento e uma dose maior de indiferença. Foi assim que fui feito, não sou capaz de me refazer.
Ai de quem se aproximar de mim. Se odeio, sou impiedoso, se amo sou imprevisto, possessivo umas vezes, indiferente outras, um turbilhão emocional a maior parte do tempo. Conheço a minha variabilidade, tento evitar que se aproximem de mim. Sobretudo as pessoas que poderiam amar-me e a quem eu iria magoar, mais tarde. Mais vale só.
Não me lastimem, peço-lhes, nem tentem mostrar-me caminhos. Se são meus amigos deixem-me continuar a caminhar por onde vou.
Podem é acenar-me, lá de onde quer que estejam, e atirar-me um sorriso de compreensão e amizade.
É quanto basta.
A noite vem e com ela o desânimo, a escuridão, a memória do passado. Bem podem os amigos tentar animar-me, dizer-me que a vida é bela ... não acredito, eu sempre a vi, a essa senhora, ser tão depressa bela como soturna e perigosa. Porque iria agora ser diferente ?
Estar no ultimo quarto da nossa vida é tremendamente destruidor, se se pensa muito nisso. Nos ultimos anos, tenho vindo de perda em perda até ao nada. A normalidade, o imprevisto, o receio, tudo se conjugou para me tornar apenas num ser que já foi. Com a agravante de me lembrar bem de o ter sido. Espanta-me, a minha quase derrota de hoje. Nunca pensei que fosse tão dificil envelhecer e ficar só. Ou será apenas uma fase, como tantas outras nas nossas vidas ? Talvez, deve ser isso, sim ...
É assim que sou, tão volúvel como uma prima-dona ou uma pop-star. Num dia amo a vida e o belo, no dia seguinte vejo tudo pintado de um cinzento monótono e vazio. A única solução foi sempre a de me manter a trabalhar até embotar a lucidez e a capacidade de pensar sobre mim.
Acho que, nascido com outros ventos, teria sido poeta ou anarquista ou um doido iluminado como Almada Negreiros. Provavelmente, acabaria como Antero do Quental, num qualquer banco de jardim. Ou talvez não.
Os deuses não me dotaram dessa forma, limitaram-se a pôr-me dentro um bocadinho de pensamento e uma dose maior de indiferença. Foi assim que fui feito, não sou capaz de me refazer.
Ai de quem se aproximar de mim. Se odeio, sou impiedoso, se amo sou imprevisto, possessivo umas vezes, indiferente outras, um turbilhão emocional a maior parte do tempo. Conheço a minha variabilidade, tento evitar que se aproximem de mim. Sobretudo as pessoas que poderiam amar-me e a quem eu iria magoar, mais tarde. Mais vale só.
Não me lastimem, peço-lhes, nem tentem mostrar-me caminhos. Se são meus amigos deixem-me continuar a caminhar por onde vou.
Podem é acenar-me, lá de onde quer que estejam, e atirar-me um sorriso de compreensão e amizade.
É quanto basta.
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Vitor Cunha
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quarta-feira, março 17, 2004
HISTÓRIA DE UMA RECLAMAÇÃO AO ADSL.SAPO.PT ( PT TELECOMUNICAÇÕES )
Exmos Senhores :
Sou cliente ADSL-SAPO XXXXXXXXXXX.
Desde há uns dias a esta parte as condições de funcionamento da ligação degradaram-se notoriamente.
Dificuldades de acesso a páginas internacionais e nacionais, tempos de resposta dignos das antigas ligações dial-up, de tudo um pouco tenho experimentado.
Não houve qualquer alteração nos meus parâmetros de configuração da ligação. A verdade é que, durante o dia e tb à noite, a velocidade baixou drasticamente.
Daí a minha reclamação. Isto assim não é banda larga coisa nenhuma, nem sequer banda chega a ser...
Não esqueçamos que pago todos os meses uma quantia nem por isso assim tão reduzida por um serviço que é suposto ter determinados níveis de exploração.
Com o aumento do numero de utilizadores ADSL não se estarão a esquecer de fazer o upgrade ( ou substituição ) dos equipamentos das centrais telefónicas e/ou da disponibilidade das trunks ??
Agradecia uma resposta, por favor. Fico mais feliz com a verdade que com conversa de marketing para amolecer clientes.
Por favor.
------------------------------------- RESPOSTA DO SAPO.PT ------------------------------------------------------------------------------------
Estimado Cliente,
Em resposta à sua questão gostaríamos de informar que é necessário efectuar alguns despistes para verificar a situação descrita:
- Colocar o computador em monoposto (ligado apenas a um computador).
- Desactivar software antivírus e Firewall existentes
Tendo em conta que ao efectuar o traceroute não deverá ter nenhum software de TCP/IP a funcionar em simultâneo ( correio electrónico, web, IRC, MSN, Rádios ou TV on-line etc. ) caso contrário o resultado do traceroute será incorrecto, uma vez que a largura de banda que usa, é dividida pelas aplicações de TCP/IP consoante os programas que tiver a utilizar.
- Abrir uma janela de MSDos (Ex. menu "iniciar"; "run"; escrever "cmd" e clicar em "OK") e, na raiz (c:\>), escreva os seguintes comandos:
- ping www.dn.pt
- tracert www.dn.pt
– ipconfig
Solicitamos o envio dos resultados, através de “Print Scrn”, de todos os testes acima indicados para melhor podermos averiguar a situação em causa.
Mais informamos que, as linhas Adsl têm velocidades downstream muito superiores às de upstream, o que acaba por deteriorar um pouco a linha quando é necessário realizar uploads e downloads em simultâneo.
Assim, e por forma a efectuar um despiste mais completo é ainda necessário que nos forneça informação mais detalhada para que possamos efectuar um diagnóstico correcto:
- Username
- Número de telefone ADSL
– Número de telefone de contacto alternativo (telemóvel)
- Número de contribuinte do titular da Activação
– Qual o modem utilizado?
– Existe rede interna?
- Qual o estado das luzes do modem quando cai a ligação: ambas ligadas, ambas desligadas, ou apenas uma acesa?
– Qual a cor da luzes do modem?
- Quanto tempo dura a ligação em média?
- Utiliza o microfiltro duplo na ligação ADSL e o simples num outro equipamento telefónico?
- Já experimentou ligar o modem directamente à tomada RITA ?
– Utiliza alguma extensão telefónica para ligar o modem ou utiliza o cabo RJ-11 fornecido no pacote?
- Qual o sistema operativo que utiliza (Windows, MacOS, outro e qual a versão)?
- Ocorre, frequentemente, alguma mensagem de erro no estabelecimento da ligação à Internet? Se sim, qual?
– Utiliza algum periférico USB (Ex. impressora, câmara) em simultâneo com modem?
– Ao ligar o modem a outra porta USB a situação se mantém?
- Tem alguma firewall e/ou Anti-virús activo?
– Verifica algum ruído na linha telefónica de voz? Tem voz na linha telefónica? A ligação ADSL permanece se usar o telefone?
– O computador utilizado é um portátil?
Mais informamos que no Internet Explorer é necessário verificar as seguintes configurações:
- opção "Ferramentas"; "Opções de Internet"; "Ligações" escolher "nunca estabelecer uma ligação" ("never dial a connection")
- opção "Ferramentas"; "Opções de Internet"; "Ligações"; "Ligações de Rede" (Lan Settings) e Nenhuma das opções deve estar seleccionadas.
Caso subsista alguma questão não hesite em contactar-nos de novo, através deste e-mail ou, de forma mais rápida, através do número de apoio a Clientes 707 22 72 76*.
Saudações cordiais,
Carla Paiva
Serviço de Apoio a Clientes
PTM.com
--------------------------------- MINHA RÉPLICA -------------------------------------------------------------------------------------------------
Meus caros senhores :
A esta vossa resposta ao meu mail chamo eu "atirar barro para o ar", em português claro e directo. Claro que é muito mais fácil para um serviço de apoio ao cliente formular umas dezenas de perguntas, obrigando o cliente a um esforço tremendo para lhes responder, sendo a maior parte das vossas perguntas completamente irrelevantes na situação que lhes tipifiquei.
E que é MUITO SIMPLES : a degradação sentida ( bem percebida, de resto ) na qualidade do serviço, nas ultimas semanas, em TOTAL IGUALDADE DE CONDIÇÕES DE EXPLORAÇÃO RELATIVAMENTE AO PERIODO ANTERIOR.
Desta forma, a maior parte das questões que me colocam é irrelevante.
E, por favor, não me venham com pings nem com traceroutes. Esses comandos dão-nos uma medida PONTUAL e INSTANTÂNEA da situação, nada mais. Não preciso do ping ou do traceroute para saber que não consigo aceder a certas páginas, nacionais e estrangeiras, a certas horas ou que o faço à velocidade de caracol. E não tenho problemas de ligação à internet ou de corte nessa ligação.
Preferia que me falassem do estado de saturação ( ou não ) dos routers da central telefónica onde estou ligado.
Preferia que me falassem do vosso esforço na manutenção da qualidade de serviço.
De qualquer forma, e porque me prezo de não ser uma pessoa mal-educada, o meu obrigado.
--------------------------- CONCLUSÃO -----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Assim vão as grandes empresas em Portugal. O objectivo é sempre a maximização do lucro, fácil, e o cliente é sempre considerado um trouxa sem direitos a quem se impingem umas explicações rebuscadas e complexas, para ver se ele desiste ....
A verdade é mais simples : o número de utilizadores, tanto da NETCABO como do ADSL têm vindo a crescer bastante, fruto de um marketing agressivo. Ora o que me parece que não tem crescido em paralelo é o investimento da PT ( a dona tanto da NETCABO como do ADSL ! ) no aumento da capacidade dos equipamentos indispensáveis á manutenção da qualidade de serviço.
Para que se iriam chatear e gastar dinheiro ? O cliente aguenta tudo ! Qual é a alternativa, afinal, que nós temos ?
E, no meio de tudo isto, uma mensalidade de 35 Euros ( SETE CONTOS !!! ) não é um valor assim tão reduzido como isso para uma ligação à Internet, sabiam ? É bem superior, em termos absolutos, à média que existe na Europa, onde o poder de compra é bem maior ....
Portugal, sempre a mesma ganância mesquinha, a mesma incompetência, a mesma incapacidade congénita de ser uma firma de altos padrões de qualidade e respeito pelos clientes !
Exmos Senhores :
Sou cliente ADSL-SAPO XXXXXXXXXXX.
Desde há uns dias a esta parte as condições de funcionamento da ligação degradaram-se notoriamente.
Dificuldades de acesso a páginas internacionais e nacionais, tempos de resposta dignos das antigas ligações dial-up, de tudo um pouco tenho experimentado.
Não houve qualquer alteração nos meus parâmetros de configuração da ligação. A verdade é que, durante o dia e tb à noite, a velocidade baixou drasticamente.
Daí a minha reclamação. Isto assim não é banda larga coisa nenhuma, nem sequer banda chega a ser...
Não esqueçamos que pago todos os meses uma quantia nem por isso assim tão reduzida por um serviço que é suposto ter determinados níveis de exploração.
Com o aumento do numero de utilizadores ADSL não se estarão a esquecer de fazer o upgrade ( ou substituição ) dos equipamentos das centrais telefónicas e/ou da disponibilidade das trunks ??
Agradecia uma resposta, por favor. Fico mais feliz com a verdade que com conversa de marketing para amolecer clientes.
Por favor.
------------------------------------- RESPOSTA DO SAPO.PT ------------------------------------------------------------------------------------
Estimado Cliente,
Em resposta à sua questão gostaríamos de informar que é necessário efectuar alguns despistes para verificar a situação descrita:
- Colocar o computador em monoposto (ligado apenas a um computador).
- Desactivar software antivírus e Firewall existentes
Tendo em conta que ao efectuar o traceroute não deverá ter nenhum software de TCP/IP a funcionar em simultâneo ( correio electrónico, web, IRC, MSN, Rádios ou TV on-line etc. ) caso contrário o resultado do traceroute será incorrecto, uma vez que a largura de banda que usa, é dividida pelas aplicações de TCP/IP consoante os programas que tiver a utilizar.
- Abrir uma janela de MSDos (Ex. menu "iniciar"; "run"; escrever "cmd" e clicar em "OK") e, na raiz (c:\>), escreva os seguintes comandos:
- ping www.dn.pt
- tracert www.dn.pt
– ipconfig
Solicitamos o envio dos resultados, através de “Print Scrn”, de todos os testes acima indicados para melhor podermos averiguar a situação em causa.
Mais informamos que, as linhas Adsl têm velocidades downstream muito superiores às de upstream, o que acaba por deteriorar um pouco a linha quando é necessário realizar uploads e downloads em simultâneo.
Assim, e por forma a efectuar um despiste mais completo é ainda necessário que nos forneça informação mais detalhada para que possamos efectuar um diagnóstico correcto:
- Username
- Número de telefone ADSL
– Número de telefone de contacto alternativo (telemóvel)
- Número de contribuinte do titular da Activação
– Qual o modem utilizado?
– Existe rede interna?
- Qual o estado das luzes do modem quando cai a ligação: ambas ligadas, ambas desligadas, ou apenas uma acesa?
– Qual a cor da luzes do modem?
- Quanto tempo dura a ligação em média?
- Utiliza o microfiltro duplo na ligação ADSL e o simples num outro equipamento telefónico?
- Já experimentou ligar o modem directamente à tomada RITA ?
– Utiliza alguma extensão telefónica para ligar o modem ou utiliza o cabo RJ-11 fornecido no pacote?
- Qual o sistema operativo que utiliza (Windows, MacOS, outro e qual a versão)?
- Ocorre, frequentemente, alguma mensagem de erro no estabelecimento da ligação à Internet? Se sim, qual?
– Utiliza algum periférico USB (Ex. impressora, câmara) em simultâneo com modem?
– Ao ligar o modem a outra porta USB a situação se mantém?
- Tem alguma firewall e/ou Anti-virús activo?
– Verifica algum ruído na linha telefónica de voz? Tem voz na linha telefónica? A ligação ADSL permanece se usar o telefone?
– O computador utilizado é um portátil?
Mais informamos que no Internet Explorer é necessário verificar as seguintes configurações:
- opção "Ferramentas"; "Opções de Internet"; "Ligações" escolher "nunca estabelecer uma ligação" ("never dial a connection")
- opção "Ferramentas"; "Opções de Internet"; "Ligações"; "Ligações de Rede" (Lan Settings) e Nenhuma das opções deve estar seleccionadas.
Caso subsista alguma questão não hesite em contactar-nos de novo, através deste e-mail ou, de forma mais rápida, através do número de apoio a Clientes 707 22 72 76*.
Saudações cordiais,
Carla Paiva
Serviço de Apoio a Clientes
PTM.com
--------------------------------- MINHA RÉPLICA -------------------------------------------------------------------------------------------------
Meus caros senhores :
A esta vossa resposta ao meu mail chamo eu "atirar barro para o ar", em português claro e directo. Claro que é muito mais fácil para um serviço de apoio ao cliente formular umas dezenas de perguntas, obrigando o cliente a um esforço tremendo para lhes responder, sendo a maior parte das vossas perguntas completamente irrelevantes na situação que lhes tipifiquei.
E que é MUITO SIMPLES : a degradação sentida ( bem percebida, de resto ) na qualidade do serviço, nas ultimas semanas, em TOTAL IGUALDADE DE CONDIÇÕES DE EXPLORAÇÃO RELATIVAMENTE AO PERIODO ANTERIOR.
Desta forma, a maior parte das questões que me colocam é irrelevante.
E, por favor, não me venham com pings nem com traceroutes. Esses comandos dão-nos uma medida PONTUAL e INSTANTÂNEA da situação, nada mais. Não preciso do ping ou do traceroute para saber que não consigo aceder a certas páginas, nacionais e estrangeiras, a certas horas ou que o faço à velocidade de caracol. E não tenho problemas de ligação à internet ou de corte nessa ligação.
Preferia que me falassem do estado de saturação ( ou não ) dos routers da central telefónica onde estou ligado.
Preferia que me falassem do vosso esforço na manutenção da qualidade de serviço.
De qualquer forma, e porque me prezo de não ser uma pessoa mal-educada, o meu obrigado.
--------------------------- CONCLUSÃO -----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Assim vão as grandes empresas em Portugal. O objectivo é sempre a maximização do lucro, fácil, e o cliente é sempre considerado um trouxa sem direitos a quem se impingem umas explicações rebuscadas e complexas, para ver se ele desiste ....
A verdade é mais simples : o número de utilizadores, tanto da NETCABO como do ADSL têm vindo a crescer bastante, fruto de um marketing agressivo. Ora o que me parece que não tem crescido em paralelo é o investimento da PT ( a dona tanto da NETCABO como do ADSL ! ) no aumento da capacidade dos equipamentos indispensáveis á manutenção da qualidade de serviço.
Para que se iriam chatear e gastar dinheiro ? O cliente aguenta tudo ! Qual é a alternativa, afinal, que nós temos ?
E, no meio de tudo isto, uma mensalidade de 35 Euros ( SETE CONTOS !!! ) não é um valor assim tão reduzido como isso para uma ligação à Internet, sabiam ? É bem superior, em termos absolutos, à média que existe na Europa, onde o poder de compra é bem maior ....
Portugal, sempre a mesma ganância mesquinha, a mesma incompetência, a mesma incapacidade congénita de ser uma firma de altos padrões de qualidade e respeito pelos clientes !
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Vitor Cunha
à(s)
3/17/2004 10:41:00 da tarde
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terça-feira, março 16, 2004
HOJE NÃO TIVE ANGÚSTIAS E ALMOCEI BEM !
Há casas que falam, com eloquência, com amor mesmo. Já lá iremos, porém. Antes, queria falar-vos de um restaurante onde almocei hoje, com quatro velhos amigos. Foi no Painel de Alcântara, na Rua do Arco de Alcântara, em Lisboa. Ah, meus amigos e amigas, a velha cozinha tradicional portuguesa, como é boa ... um pernil do outro mundo, muito bem assado, com arroz e esparregado, e um divinal feijão branco guisado com entrecosto, chouriço e farinheira .....ehehehe, pois é, o colesterol, não é ?
Vejam aí ao lado como é a ementa deste velho restaurante de Lisboa e digam-me lá se não gostam ...
Não pensem que fomos uns alarves, éramos cinco e apenas mandámos vir duas doses, uma do pernil e outra do guisado, que as doses são tipo enfarta-brutos !
A conversa fluiu, leve, despreocupada. Uns beberam vinho tinto, bastante aceitável, servido num bonito jarro de barro vidrado. Outros foram para a água, que os problemas de saúde são chatos que se fartam. Não vi ninguém atacar doces, era tudo pessoal da pesada, daqueles que preferem o queijinho ao arroz doce ... cafés e águas finais e só saímos do restaurante lá pelas 3 da tarde.
Ah, esta maravilhosa sabedoria portuguesa de fazer da mesa um local de culto da conversa, da amizade ... e mesmo do amor, se lá quiserem ir com outra disposição e companhia ...
Entretanto, um desses meus amigos que mora em Algés, convidou-me a subir a casa dele ( eu tinha o meu carro estacionado ali perto ) para uma surpresa ....
Deixem-me dizer-vos que este meu amigo é de Lamego e a sua família tinha uma propriedade ( Lamego e Régua ) onde faziam vinho, o vinho fino, como se chama para aqueles lados. O vinho do Porto, para o comum dos mortais.
Pois bem, chegados lá acima diz-me ele : “Queres experimentar um vinho fino de ...1872 ? “ .... Tchiiiii, meu, 1872 ?? Sim, século XIX, pá !
A garrafa era ainda a original, o líquido côr de rúbi, o sabor esquisito, como se o tempo lhe tivesse dado um travo especial. Impressão minha, talvez, tive que repetir o cálicezinho para ter a certeza , ehehehe .... Muito agradável, a sensação.
E chegamos agora às casas que falam. A casa deste meu amigo fala de tempos passados, de coisas lindas que foram de avós e tios e tias, leques franceses, porcelana inglesa e do início da Vista Alegre, contadores de mogno, mesas de jogo cheias de truques e gavetas secretas, velhas camas com torneados e fresados, livros de outros séculos, que sei eu.
Não sei se estou a ficar mais sensível a estas coisas, com os anos, mas aquela casa seduziu-me. Toda ela respira tranquilidade e sabedoria. Paz interior. Beleza.
Regressei a casa mais alegre e reconciliado com a vida. Hoje nem me lembrei do tédio e das angústias... mérito dos amigos, do feijão guisado e do vinho fino de 1872 ... !
Há casas que falam, com eloquência, com amor mesmo. Já lá iremos, porém. Antes, queria falar-vos de um restaurante onde almocei hoje, com quatro velhos amigos. Foi no Painel de Alcântara, na Rua do Arco de Alcântara, em Lisboa. Ah, meus amigos e amigas, a velha cozinha tradicional portuguesa, como é boa ... um pernil do outro mundo, muito bem assado, com arroz e esparregado, e um divinal feijão branco guisado com entrecosto, chouriço e farinheira .....ehehehe, pois é, o colesterol, não é ?
Vejam aí ao lado como é a ementa deste velho restaurante de Lisboa e digam-me lá se não gostam ...
Não pensem que fomos uns alarves, éramos cinco e apenas mandámos vir duas doses, uma do pernil e outra do guisado, que as doses são tipo enfarta-brutos !
A conversa fluiu, leve, despreocupada. Uns beberam vinho tinto, bastante aceitável, servido num bonito jarro de barro vidrado. Outros foram para a água, que os problemas de saúde são chatos que se fartam. Não vi ninguém atacar doces, era tudo pessoal da pesada, daqueles que preferem o queijinho ao arroz doce ... cafés e águas finais e só saímos do restaurante lá pelas 3 da tarde.
Ah, esta maravilhosa sabedoria portuguesa de fazer da mesa um local de culto da conversa, da amizade ... e mesmo do amor, se lá quiserem ir com outra disposição e companhia ...
Entretanto, um desses meus amigos que mora em Algés, convidou-me a subir a casa dele ( eu tinha o meu carro estacionado ali perto ) para uma surpresa ....
Deixem-me dizer-vos que este meu amigo é de Lamego e a sua família tinha uma propriedade ( Lamego e Régua ) onde faziam vinho, o vinho fino, como se chama para aqueles lados. O vinho do Porto, para o comum dos mortais.
Pois bem, chegados lá acima diz-me ele : “Queres experimentar um vinho fino de ...1872 ? “ .... Tchiiiii, meu, 1872 ?? Sim, século XIX, pá !
A garrafa era ainda a original, o líquido côr de rúbi, o sabor esquisito, como se o tempo lhe tivesse dado um travo especial. Impressão minha, talvez, tive que repetir o cálicezinho para ter a certeza , ehehehe .... Muito agradável, a sensação.
E chegamos agora às casas que falam. A casa deste meu amigo fala de tempos passados, de coisas lindas que foram de avós e tios e tias, leques franceses, porcelana inglesa e do início da Vista Alegre, contadores de mogno, mesas de jogo cheias de truques e gavetas secretas, velhas camas com torneados e fresados, livros de outros séculos, que sei eu.
Não sei se estou a ficar mais sensível a estas coisas, com os anos, mas aquela casa seduziu-me. Toda ela respira tranquilidade e sabedoria. Paz interior. Beleza.
Regressei a casa mais alegre e reconciliado com a vida. Hoje nem me lembrei do tédio e das angústias... mérito dos amigos, do feijão guisado e do vinho fino de 1872 ... !
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Vitor Cunha
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3/16/2004 08:11:00 da tarde
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segunda-feira, março 15, 2004
GUERRA, TERRORISMO, MENTIRAS E VOTOS !
Foi uma outra explosão em Espanha, a de ontem. O PSOE teve a maioria relativa nas eleições gerais espanholas, quando nada o fazia prever. Lembram-se do caso do Prestige e de como o Governo de Madrid escondeu e manipulou a verdade, semanas a fio ? Lembram-se das provas que Aznar dizia conhecer sobre as armas de destruição massiva no Iraque ? Pois bem, agora a manipulação da verdade foi em relação aos presumíveis autores das acções de terrorismo do dia 11 de Março. Quando já tinham dados claros a indicar uma origem fora do País ( Al Qaeda ou não ), Aznar continuou a falar na ETA. Estão a ver porquê, não estão ? É que se a origem dos atentados fosse da Al Qaeda ou equivalente, a política do PP que envolveu a Espanha na guerra do Iraque estaria no banco dos réus, logo em plenas eleições ....
Mas sabem o que é completamente lamentável neste caso, como já foi no do Prestige e na guerra do Iraque ? É a facilidade com que um Governo mente para poder levar a cabo a política que pretende. Mentir, deturpar a realidade. E, depois, ter a "lata" de aparecer em público, com um ar sério, composto, grave ...
Desculpem-me, chamemos as coisas pelos nomes : estes senhores do PP espanhol foram mentirosos. Aldrabaram em numerosas ocasiões. Demonstraram mesmo uma frieza tremenda e descarada no uso da mentira.
A derrota nas eleições surge como uma lufada de ar fresco e verdade. Restituiu-me fé e confiança na capacidade dos eleitores punirem quem não os respeita. Mostrou-me uma Espanha com coluna vertebral. Gostei.
O unico comentário que me apetece fazer, depois destas palavras, é apenas este : então e por cá, ninguém nos mentiu em nada ? Humm ? Que acham ? Vamos ser menos "tesos" que nuestros hermanos ?
Foi uma outra explosão em Espanha, a de ontem. O PSOE teve a maioria relativa nas eleições gerais espanholas, quando nada o fazia prever. Lembram-se do caso do Prestige e de como o Governo de Madrid escondeu e manipulou a verdade, semanas a fio ? Lembram-se das provas que Aznar dizia conhecer sobre as armas de destruição massiva no Iraque ? Pois bem, agora a manipulação da verdade foi em relação aos presumíveis autores das acções de terrorismo do dia 11 de Março. Quando já tinham dados claros a indicar uma origem fora do País ( Al Qaeda ou não ), Aznar continuou a falar na ETA. Estão a ver porquê, não estão ? É que se a origem dos atentados fosse da Al Qaeda ou equivalente, a política do PP que envolveu a Espanha na guerra do Iraque estaria no banco dos réus, logo em plenas eleições ....
Mas sabem o que é completamente lamentável neste caso, como já foi no do Prestige e na guerra do Iraque ? É a facilidade com que um Governo mente para poder levar a cabo a política que pretende. Mentir, deturpar a realidade. E, depois, ter a "lata" de aparecer em público, com um ar sério, composto, grave ...
Desculpem-me, chamemos as coisas pelos nomes : estes senhores do PP espanhol foram mentirosos. Aldrabaram em numerosas ocasiões. Demonstraram mesmo uma frieza tremenda e descarada no uso da mentira.
A derrota nas eleições surge como uma lufada de ar fresco e verdade. Restituiu-me fé e confiança na capacidade dos eleitores punirem quem não os respeita. Mostrou-me uma Espanha com coluna vertebral. Gostei.
O unico comentário que me apetece fazer, depois destas palavras, é apenas este : então e por cá, ninguém nos mentiu em nada ? Humm ? Que acham ? Vamos ser menos "tesos" que nuestros hermanos ?
Publicada por
Vitor Cunha
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3/15/2004 06:05:00 da tarde
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sábado, março 13, 2004
LUTAR POR UMA CAUSA JUSTA OU SER SIMPLESMENTE UM ASSASSINO SÁDICO ?
Querem acompanhar-me em duas ou três reflexões básicas ? Vamos nessa ?
Então lá vai : qual é a única justificação que pode haver para o exercício do poder político ? Esta não é dificil : é o bem-estar das pessoas que são sujeitas a esse poder político, em nome de quem o mesmo é exercido. Quando assim não sucede, há uma perversão social e política, não é ? As pessoas são o fim ultimo de qualquer sistema de governo político. O seu bem-estar. A sua felicidade.
Que pensar então de um grupo de individuos que, a pretexto da defesa deste ou aquele bonito princípio político ( a conquista da liberdade, da autonomia ou seja do que for ) não hesita em assassinar milhares de pessoas inocentes ? Que afirmação directa e simples se pode fazer sobre gente desta ?
Também é simples : para eles, o tal principio que defendem é superior à vida de milhares de pessoas inocentes.
Ou seja, a única legitimidade que poderiam ter para a sua acção – a conquista de bem-estar das pessoas – é totalmente desmentida pela constatação que, afinal, se estão pura e simplesmente nas tintas para todas as outras pessoas, não hesitando em assassinar milhares.
Que tipo de comportamento seria de esperar de pessoas destas, que não hesitam nestas acções, se um dia chegassem ao poder político ? Está-se mesmo a ver que passariam, então, a ter um grande respeito pela vida humana, não era ??
Sabem, o que é espantoso é que alguns destes grupos começaram com um ideário justo e legítimo, os seus principios eram inquestionáveis e generosos ... porém, algures no meio dos milhares de mortos que provocaram, convencidos que era esse o caminho, perderam-se totalmente. Perderam a razão, perderam a legitimidade e, pior do que isso, perderam a própria grandeza, ficando reduzidos à categoria de criminosos sem escrúpulos, sem ética e sem futuro.
Muitos deles, dessa gente perdida, cansados do cheiro a sangue, fizeram este mesmo raciocínio ... sabem o que lhes acontecia ? Foram considerados traidores e executados.
Esta gente sofreu um processo gradual de tremenda destruição, não só das vidas dos outros como dos seus próprios ideiais. No final, já não são sequer homens e mulheres com uma visão, uma ideologia, uma luta justa : são simplesmente pessoas destruidas, sem sentido, sem compaixão, sem dignidade e sem alma. Com as mãos cheias de sangue.
Que nenhum homem ou mulher de bem, mesmo daqueles que sempre lutaram contra a opressão e a injustiça, se engane e os considere como pessoas com uma causa, digna de respeito e admiração. Começaram por aí, sem dúvida, alguns desses. Hoje, são apenas feras sem qualquer respeito pela vida humana, viciados no sangue e na indignidade, chafurdando em pântanos ideológicos, defendendo-se exclusivamente a si próprios, completamente esquecidos do que deve ser o poder político : algo para trazer a felicidade às pessoas, não o luto.
Querem acompanhar-me em duas ou três reflexões básicas ? Vamos nessa ?
Então lá vai : qual é a única justificação que pode haver para o exercício do poder político ? Esta não é dificil : é o bem-estar das pessoas que são sujeitas a esse poder político, em nome de quem o mesmo é exercido. Quando assim não sucede, há uma perversão social e política, não é ? As pessoas são o fim ultimo de qualquer sistema de governo político. O seu bem-estar. A sua felicidade.
Que pensar então de um grupo de individuos que, a pretexto da defesa deste ou aquele bonito princípio político ( a conquista da liberdade, da autonomia ou seja do que for ) não hesita em assassinar milhares de pessoas inocentes ? Que afirmação directa e simples se pode fazer sobre gente desta ?
Também é simples : para eles, o tal principio que defendem é superior à vida de milhares de pessoas inocentes.
Ou seja, a única legitimidade que poderiam ter para a sua acção – a conquista de bem-estar das pessoas – é totalmente desmentida pela constatação que, afinal, se estão pura e simplesmente nas tintas para todas as outras pessoas, não hesitando em assassinar milhares.
Que tipo de comportamento seria de esperar de pessoas destas, que não hesitam nestas acções, se um dia chegassem ao poder político ? Está-se mesmo a ver que passariam, então, a ter um grande respeito pela vida humana, não era ??
Sabem, o que é espantoso é que alguns destes grupos começaram com um ideário justo e legítimo, os seus principios eram inquestionáveis e generosos ... porém, algures no meio dos milhares de mortos que provocaram, convencidos que era esse o caminho, perderam-se totalmente. Perderam a razão, perderam a legitimidade e, pior do que isso, perderam a própria grandeza, ficando reduzidos à categoria de criminosos sem escrúpulos, sem ética e sem futuro.
Muitos deles, dessa gente perdida, cansados do cheiro a sangue, fizeram este mesmo raciocínio ... sabem o que lhes acontecia ? Foram considerados traidores e executados.
Esta gente sofreu um processo gradual de tremenda destruição, não só das vidas dos outros como dos seus próprios ideiais. No final, já não são sequer homens e mulheres com uma visão, uma ideologia, uma luta justa : são simplesmente pessoas destruidas, sem sentido, sem compaixão, sem dignidade e sem alma. Com as mãos cheias de sangue.
Que nenhum homem ou mulher de bem, mesmo daqueles que sempre lutaram contra a opressão e a injustiça, se engane e os considere como pessoas com uma causa, digna de respeito e admiração. Começaram por aí, sem dúvida, alguns desses. Hoje, são apenas feras sem qualquer respeito pela vida humana, viciados no sangue e na indignidade, chafurdando em pântanos ideológicos, defendendo-se exclusivamente a si próprios, completamente esquecidos do que deve ser o poder político : algo para trazer a felicidade às pessoas, não o luto.
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Vitor Cunha
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3/13/2004 04:27:00 da tarde
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quinta-feira, março 11, 2004
PRÉMIO DA PERSEVERANÇA, JÁ VIRAM O TRABALHÃO QUE O HOMEM TEVE ?
De um amigo de há muitos anos, recebi este saboroso pedaço sobre o funcionamento da Justiça em Portugal ( e não só ) no século XV e as preocupações demográficas do poder real ...
Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo
SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5.o,maço 7)
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.
Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".
"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".
De um amigo de há muitos anos, recebi este saboroso pedaço sobre o funcionamento da Justiça em Portugal ( e não só ) no século XV e as preocupações demográficas do poder real ...
Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo
SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5.o,maço 7)
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.
Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".
"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".
Publicada por
Vitor Cunha
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3/11/2004 04:14:00 da tarde
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terça-feira, março 09, 2004
FANTASIAS, CRENDICES OU TALVEZ HAJA ALGUMA COISA DE VERDADE ?
Penso que, nos ultimos tempos, grande parte das pessoas se renderam a "técnicas" não-convencionais de tratamento de doenças físicas ou psíquicas, bem como a numerosos instrumentos de auto-conhecimento psicológico do comportamento individual. Muitas pessoas consultam o seu horóscopo, ou vão a consultas mais sofisticadas de astrologia, reiki, tarot e mais algumas de que nem sequer ouvi falar. Quanto a terapêuticas, aromaterapia, talassoterapia, cores do halo do indivíduo, acunpunctura, é só escolher, há tratamentos para todos os gostos e bolsas.
Desde que me lembro - invocando a minha experiência pessoal - que a realidade é assim : ia-se à bruxa, ao curandeiro, ao santo milagreiro. Hoje, porém, estas "para-ciências" conquistaram definitivamente o seu lugar junto dos homens e mulheres, de uma forma nunca vista. Alargaram a sua base de crentes, conquistaram aceitação social, aparecem nas capas e no interior das revistas da moda. Curiosamente, conquistaram mesmo muitos daqueles que, fiéis a outras fés, deveriam olhar de soslaio para estas "coisas".
Que se passa ? Qual a razão desta onda de popularidade ?
Pode haver outras razões, mais profundas, que só um estudo cuidadoso revelaria. Por mim, não tenho grandes dúvidas que, na base desta atitude de muita gente, está uma descrença cada vez maior na "ciência oficial", quando não mesmo uma quebra na sua fé religiosa tradicional.
Se virmos bem, por exemplo, a medicina ocidental clássica deixa muito a desejar na forma como encara a pessoa, considerada logo como um paciente, sem deixar grande espaço à influência da vontade na cura. A psicologia, por outro lado, nunca ( ainda não ? ) se estruturou em conhecimentos práticos de alcance universal, ao alcance do comum dos mortais, nem nunca se aventurou por terrenos menos clássicos.
A fé religiosa está em regressão, para muita gente, cansada da falta de esperança na solução imediata dos problemas.
Hoje vivem-se tempos sem paciência, tempos de recusa de sacrifício e de dor, tempos de exigir o milagre já !
Confesso que não sei muito bem se esta tendência acabará por ter consequências boas ou não. A verdade é que a minha própria fé inabalável ( mas nunca cega ) na luz, na ciência, no homem de Descartes, começa a esmorecer um pouco.
Seria tempo de ter respostas a muitas questões e elas tardam.
Dirão que sempre foi assim. Dirão que as respostas em falta acabarão por vir, como sempre vieram, por via da ciência e do conhecimento "sério", oficial.
Talvez.
Penso, ainda assim, que a sobranceria e a arrogância da ciência oficial nunca foram tão visíveis e assustadoras. Apesar da falta de respostas a tantos problemas. Já pensaram se a actual estrutura e organização da produção do saber ( Universidades, laboratórios, equipas, muito dinheiro envolvido ) não serão impeditivas do verdadeiro saber ? Já pensaram se muitos dos actuais cientistas não serão tão ignorantes como os velhos bruxos e curandeiros ?
Com uma agravante : deixaram de olhar o homem, na sua complexidade e unidade, e passaram a ver um objecto ou paciente ou ainda ... uma forma de atingir a glória ou o dinheiro.
E se, afinal, os homens e as mulheres da astrologia e do tarot andarem lá tão perto ( ou tão longe ) da verdade como os senhores das batas brancas, só que ainda um bocadinho menos mitificados e endeusados ?
E se, afinal, a verdade não residir apenas num dos campos ?
E se, afinal, as Universidades do nosso mundo ocidental não forem assim tão abertas ao saber como se pensa ?
E se, por ultimo, esta for apenas mais uma provocaçãozita minha ? Que dizem ?
Penso que, nos ultimos tempos, grande parte das pessoas se renderam a "técnicas" não-convencionais de tratamento de doenças físicas ou psíquicas, bem como a numerosos instrumentos de auto-conhecimento psicológico do comportamento individual. Muitas pessoas consultam o seu horóscopo, ou vão a consultas mais sofisticadas de astrologia, reiki, tarot e mais algumas de que nem sequer ouvi falar. Quanto a terapêuticas, aromaterapia, talassoterapia, cores do halo do indivíduo, acunpunctura, é só escolher, há tratamentos para todos os gostos e bolsas.
Desde que me lembro - invocando a minha experiência pessoal - que a realidade é assim : ia-se à bruxa, ao curandeiro, ao santo milagreiro. Hoje, porém, estas "para-ciências" conquistaram definitivamente o seu lugar junto dos homens e mulheres, de uma forma nunca vista. Alargaram a sua base de crentes, conquistaram aceitação social, aparecem nas capas e no interior das revistas da moda. Curiosamente, conquistaram mesmo muitos daqueles que, fiéis a outras fés, deveriam olhar de soslaio para estas "coisas".
Que se passa ? Qual a razão desta onda de popularidade ?
Pode haver outras razões, mais profundas, que só um estudo cuidadoso revelaria. Por mim, não tenho grandes dúvidas que, na base desta atitude de muita gente, está uma descrença cada vez maior na "ciência oficial", quando não mesmo uma quebra na sua fé religiosa tradicional.
Se virmos bem, por exemplo, a medicina ocidental clássica deixa muito a desejar na forma como encara a pessoa, considerada logo como um paciente, sem deixar grande espaço à influência da vontade na cura. A psicologia, por outro lado, nunca ( ainda não ? ) se estruturou em conhecimentos práticos de alcance universal, ao alcance do comum dos mortais, nem nunca se aventurou por terrenos menos clássicos.
A fé religiosa está em regressão, para muita gente, cansada da falta de esperança na solução imediata dos problemas.
Hoje vivem-se tempos sem paciência, tempos de recusa de sacrifício e de dor, tempos de exigir o milagre já !
Confesso que não sei muito bem se esta tendência acabará por ter consequências boas ou não. A verdade é que a minha própria fé inabalável ( mas nunca cega ) na luz, na ciência, no homem de Descartes, começa a esmorecer um pouco.
Seria tempo de ter respostas a muitas questões e elas tardam.
Dirão que sempre foi assim. Dirão que as respostas em falta acabarão por vir, como sempre vieram, por via da ciência e do conhecimento "sério", oficial.
Talvez.
Penso, ainda assim, que a sobranceria e a arrogância da ciência oficial nunca foram tão visíveis e assustadoras. Apesar da falta de respostas a tantos problemas. Já pensaram se a actual estrutura e organização da produção do saber ( Universidades, laboratórios, equipas, muito dinheiro envolvido ) não serão impeditivas do verdadeiro saber ? Já pensaram se muitos dos actuais cientistas não serão tão ignorantes como os velhos bruxos e curandeiros ?
Com uma agravante : deixaram de olhar o homem, na sua complexidade e unidade, e passaram a ver um objecto ou paciente ou ainda ... uma forma de atingir a glória ou o dinheiro.
E se, afinal, os homens e as mulheres da astrologia e do tarot andarem lá tão perto ( ou tão longe ) da verdade como os senhores das batas brancas, só que ainda um bocadinho menos mitificados e endeusados ?
E se, afinal, a verdade não residir apenas num dos campos ?
E se, afinal, as Universidades do nosso mundo ocidental não forem assim tão abertas ao saber como se pensa ?
E se, por ultimo, esta for apenas mais uma provocaçãozita minha ? Que dizem ?
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Vitor Cunha
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3/09/2004 10:13:00 da tarde
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segunda-feira, março 08, 2004
COINCIDÊNCIAS
Hoje foi um dia complicado, para mim. Rico de significado. Cheio de evocações e coincidências. Dores antigas ainda vivas. Outras, mais recentes, já atenuadas.
Antes de mais, a minha homenagem, hoje, a todas as Mulheres. Os que me conhecem e aqueles que acompanham este blogue desde o início, sabem que não é uma homenagem hipócrita ou circunstancial. Há muito que acho serem as mulheres o melhor que a humanidade pode apresentar em sua defesa, quando chegarmos ao dia do grande julgamento.
Por outro lado, e deixem-me partilhar convosco estas minhas memórias pessoais, faz hoje 9 anos que faleceu subitamente a minha mulher, companheira de tantos anos. Hoje apeteceu-me partilhar este facto, já está um longo tempo percorrido, já tenho coragem para isso.
Conhecíamo-nos desde os bancos do Liceu, e muitas vezes é ainda assim que a relembro, de bata preta, a sorrir para mim.
Hoje, dia da Mulher, quero dizer que ainda sofro com a sua partida, ainda lamento ter ficado tanto por dizer, tanta desculpa por pedir, tantos gestos de ternura por fazer.
Ficou a minha filha, e a vida continua : hoje também, finalmente, ajudei-a pedir o empréstimo bancário para a compra da futura casa dela. Descobrimos um apartamento com boas condições, em local perto de mim ( requisito dela de que eu gostei, claro ) e nem hesitámos. Oxalá ela venha a poder dizer, a esse propósito, aquela frase que um conhecido grupo bancária anda por aí a popularizar : “Aqui, vou ser feliz ! “
Por ultimo, hoje ainda conversei com uma amiga minha em situação laboral dificil ( a empresa onde trabalha está em riscos de falência ) assegurando-lhe a minha amizade e apoio, se o pior vier a acontecer...
Coincidências, tudo isto, no dia da Mulher ? Ou talvez não ?
Talvez por aí, algures, exista um poeta supremo que faz questão de escrever assim a letra desta grande canção : a nossa vida.
Unplugged. Numa analogia, mais do que tradução : sem rede. Como sempre.
Hoje foi um dia complicado, para mim. Rico de significado. Cheio de evocações e coincidências. Dores antigas ainda vivas. Outras, mais recentes, já atenuadas.
Antes de mais, a minha homenagem, hoje, a todas as Mulheres. Os que me conhecem e aqueles que acompanham este blogue desde o início, sabem que não é uma homenagem hipócrita ou circunstancial. Há muito que acho serem as mulheres o melhor que a humanidade pode apresentar em sua defesa, quando chegarmos ao dia do grande julgamento.
Por outro lado, e deixem-me partilhar convosco estas minhas memórias pessoais, faz hoje 9 anos que faleceu subitamente a minha mulher, companheira de tantos anos. Hoje apeteceu-me partilhar este facto, já está um longo tempo percorrido, já tenho coragem para isso.
Conhecíamo-nos desde os bancos do Liceu, e muitas vezes é ainda assim que a relembro, de bata preta, a sorrir para mim.
Hoje, dia da Mulher, quero dizer que ainda sofro com a sua partida, ainda lamento ter ficado tanto por dizer, tanta desculpa por pedir, tantos gestos de ternura por fazer.
Ficou a minha filha, e a vida continua : hoje também, finalmente, ajudei-a pedir o empréstimo bancário para a compra da futura casa dela. Descobrimos um apartamento com boas condições, em local perto de mim ( requisito dela de que eu gostei, claro ) e nem hesitámos. Oxalá ela venha a poder dizer, a esse propósito, aquela frase que um conhecido grupo bancária anda por aí a popularizar : “Aqui, vou ser feliz ! “
Por ultimo, hoje ainda conversei com uma amiga minha em situação laboral dificil ( a empresa onde trabalha está em riscos de falência ) assegurando-lhe a minha amizade e apoio, se o pior vier a acontecer...
Coincidências, tudo isto, no dia da Mulher ? Ou talvez não ?
Talvez por aí, algures, exista um poeta supremo que faz questão de escrever assim a letra desta grande canção : a nossa vida.
Unplugged. Numa analogia, mais do que tradução : sem rede. Como sempre.
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Vitor Cunha
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3/08/2004 09:55:00 da tarde
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sexta-feira, março 05, 2004
ANGÚSTIA PARA O JANTAR
Hoje é outra vez sexta-feira. Bah...e depois ? Já lá vai o tempo em que o início do fim de semana me dava alegria. Agora é apenas mais um sábado e domingo, com rituais repetidos e, o que é pior de tudo, com uma vontade de os viver muito perto do nada.
Continuo a pensar que tenho que dar uma volta grande à minha vida, mas hesito, contemporizo. Creio que não é medo meu, é mais o medo das mudanças que vou provocar nos hábitos dos outros, nomeadamente na vida da minha filha.
Não sei muito bem qual possa ser essa tal volta, não passa por viver com uma mulher ou sequer por arranjar um “affair” interessante. Parece-me que envolveria sempre uma mudança drástica no ambiente envolvente, no local onde vivo. Apesar de gostar deste sítio.
Por vezes, brinco comigo mesmo “Mas que raio queres tu ? Apanhar polvos na Grécia ? canoagem no Colorado ?”. Não sei. Se calhar é apenas vontade de fugir aos problemas e de ir para onde não tivesse que me preocupar com mais nada nem mais ninguém até ao fim.
Não sei, não mudo nada, não viajo, não trabalho, não escrevo : assim vai passando o tempo e eu limito-me a ajudar os outros nas suas decisões.
Conhecem Alberto Morávia, escritor italiano que tão bem descreveu o interior da classe média italiana do tempo do fascismo ( e não só ) ? Percebeu e descreveu excepcionalmente bem o que é o tédio, o aborrecimento, a indiferença, como esses estados de espírito corroem a alma e destróiem a vontade de viver.
E tantos outros escritores, incluindo o nosso Pessoa, sempre a navegar na orla do vazio e a acabar por morrer só e sem respostas. E Luis de Sttau Monteiro, que deu origem ao título deste texto.
Há muita gente que pensa ser este um problema fácil : mexe-te, faz qualquer coisa, vai para a dança aprender salsa, vais ver como ficas logo bom !
Se tudo fosse assim tão simples. Para mim, nunca foi.
Acreditam que eu tinha uns 4 ou 5 anos e passava a vida a chatear a minha mãe, perguntando-lhe que havia eu de fazer, porque estava aborrecido ? Já vêem, esta minha angústia e apatia, este sentimento de que poucas coisas valem a pena, já vem de longeeeeeeee !!
Caramba, angústia existencial aos 5 anos de idade é obra, hem ? E se não acreditam, vejam a foto ao lado. Onde iria eu buscar aquela expressão se não estivesse sempre angustiado ?
Bem, olhem : tentem ser felizes, não sejam parvos como eu !
Hoje é outra vez sexta-feira. Bah...e depois ? Já lá vai o tempo em que o início do fim de semana me dava alegria. Agora é apenas mais um sábado e domingo, com rituais repetidos e, o que é pior de tudo, com uma vontade de os viver muito perto do nada.
Continuo a pensar que tenho que dar uma volta grande à minha vida, mas hesito, contemporizo. Creio que não é medo meu, é mais o medo das mudanças que vou provocar nos hábitos dos outros, nomeadamente na vida da minha filha.
Não sei muito bem qual possa ser essa tal volta, não passa por viver com uma mulher ou sequer por arranjar um “affair” interessante. Parece-me que envolveria sempre uma mudança drástica no ambiente envolvente, no local onde vivo. Apesar de gostar deste sítio.
Por vezes, brinco comigo mesmo “Mas que raio queres tu ? Apanhar polvos na Grécia ? canoagem no Colorado ?”. Não sei. Se calhar é apenas vontade de fugir aos problemas e de ir para onde não tivesse que me preocupar com mais nada nem mais ninguém até ao fim.
Não sei, não mudo nada, não viajo, não trabalho, não escrevo : assim vai passando o tempo e eu limito-me a ajudar os outros nas suas decisões.
Conhecem Alberto Morávia, escritor italiano que tão bem descreveu o interior da classe média italiana do tempo do fascismo ( e não só ) ? Percebeu e descreveu excepcionalmente bem o que é o tédio, o aborrecimento, a indiferença, como esses estados de espírito corroem a alma e destróiem a vontade de viver.
E tantos outros escritores, incluindo o nosso Pessoa, sempre a navegar na orla do vazio e a acabar por morrer só e sem respostas. E Luis de Sttau Monteiro, que deu origem ao título deste texto.
Há muita gente que pensa ser este um problema fácil : mexe-te, faz qualquer coisa, vai para a dança aprender salsa, vais ver como ficas logo bom !
Se tudo fosse assim tão simples. Para mim, nunca foi.
Acreditam que eu tinha uns 4 ou 5 anos e passava a vida a chatear a minha mãe, perguntando-lhe que havia eu de fazer, porque estava aborrecido ? Já vêem, esta minha angústia e apatia, este sentimento de que poucas coisas valem a pena, já vem de longeeeeeeee !!
Caramba, angústia existencial aos 5 anos de idade é obra, hem ? E se não acreditam, vejam a foto ao lado. Onde iria eu buscar aquela expressão se não estivesse sempre angustiado ?
Bem, olhem : tentem ser felizes, não sejam parvos como eu !
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Vitor Cunha
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3/05/2004 05:39:00 da tarde
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quarta-feira, março 03, 2004
..
A GLOBALIZAÇÃO, MAIS MEDOS QUE RAZÃO ? ... OU TALVEZ NÃO ?
Imagine-se um técnico de informática, um analista-programador, funcionário de uma grande firma nacional de software. Quarenta e três anos, um bom vencimento, família ( mulher e 2 filhos ) e uma bela casa nos arredores de Cascais.
Um belo dia, o céu escurece instantâneamente para si. A "sua" empresa decide cessar em Portugal a sua actividade e ir operar na Índia, onde existe uma interessante “bolsa” de técnicos informáticos bem qualificados, com vencimentos cerca de um quinto dos vencimentos pagos em Portugal .... a globalização ao vivo !
Seguem-se tempos angustiantes, negociar indemnizações, minimizar o desastre. Será praticamente impossível encontrar igual colocação em outra empresa a operar em Portugal, as grandes estão todas a deslocalizar-se, as pequenas não lhe podem pagar um salário nem sequer perto do anterior, para além de não precisarem das suas qualificações de topo.
Acomoda-se, tenta baixar os custos da sua vida diária, vende o carrão, troca a casa de Cascais por uma em Alcochete, tenta manter a dignidade, última coisa que deve morrer.
O dinheiro da indemnização não é elástico nem eterno, decide investir num pequena loja de computadores no Centro Comercial de Alcochete. Dois anos depois, tem que fechar a loja, as dívidas acumularam-se, já nem o aluguer consegue pagar. É o fim, aos 46 anos. O casal passa a viver do salário da sua mulher, funcionária pública no Ministério das Finanças.
......................................................
Esta história está hoje a passar-se, com grande aceleração, em países europeus, como a França ou a Alemanha, e também nos EUA. A “fuga” de empresas grandes, de tecnologia de ponta, para outros países da Ásia ou do Leste europeu, acontece todos os dias.
Os Governos, preocupados com o fenómeno, tentam travá-lo, com multas às empresas ou aplicação de taxas adicionais, quando os produtos vierem a ser vendidos nos seus mercados internos.
.........................................................
Em artigo de Sarsfield Cabral, publicado no “Diário de Notícias” de hoje, desdramatiza-se esta questão, argumentando que as empresas que deslocalizam os seus serviços contribuem para o aumento do nível de vida dos países para onde vão, e, além disso, através da melhoria da sua produtividade, passam a dispor de mais recursos para tornar a investir e gerar novos empregos, também nos países de onde sairam. Acreditando nesta teoria, acusa os governos que referi de irracionalidade, criticando-os por cederem a interesses sectoriais.
.........................................................
Caro leitor/a : quer comentar esta história e a opinião de Sarsfield Cabral ? O que acha que vai acontecer na economia destes países onde a fuga se está a dar ? Preocupa-o/a esta questão ?
Ou acha, simplesmente, que sou um chato do caraças, ao escrever sobre isto ?
Ehehehehehe .....
A GLOBALIZAÇÃO, MAIS MEDOS QUE RAZÃO ? ... OU TALVEZ NÃO ?
Imagine-se um técnico de informática, um analista-programador, funcionário de uma grande firma nacional de software. Quarenta e três anos, um bom vencimento, família ( mulher e 2 filhos ) e uma bela casa nos arredores de Cascais.
Um belo dia, o céu escurece instantâneamente para si. A "sua" empresa decide cessar em Portugal a sua actividade e ir operar na Índia, onde existe uma interessante “bolsa” de técnicos informáticos bem qualificados, com vencimentos cerca de um quinto dos vencimentos pagos em Portugal .... a globalização ao vivo !
Seguem-se tempos angustiantes, negociar indemnizações, minimizar o desastre. Será praticamente impossível encontrar igual colocação em outra empresa a operar em Portugal, as grandes estão todas a deslocalizar-se, as pequenas não lhe podem pagar um salário nem sequer perto do anterior, para além de não precisarem das suas qualificações de topo.
Acomoda-se, tenta baixar os custos da sua vida diária, vende o carrão, troca a casa de Cascais por uma em Alcochete, tenta manter a dignidade, última coisa que deve morrer.
O dinheiro da indemnização não é elástico nem eterno, decide investir num pequena loja de computadores no Centro Comercial de Alcochete. Dois anos depois, tem que fechar a loja, as dívidas acumularam-se, já nem o aluguer consegue pagar. É o fim, aos 46 anos. O casal passa a viver do salário da sua mulher, funcionária pública no Ministério das Finanças.
......................................................
Esta história está hoje a passar-se, com grande aceleração, em países europeus, como a França ou a Alemanha, e também nos EUA. A “fuga” de empresas grandes, de tecnologia de ponta, para outros países da Ásia ou do Leste europeu, acontece todos os dias.
Os Governos, preocupados com o fenómeno, tentam travá-lo, com multas às empresas ou aplicação de taxas adicionais, quando os produtos vierem a ser vendidos nos seus mercados internos.
.........................................................
Em artigo de Sarsfield Cabral, publicado no “Diário de Notícias” de hoje, desdramatiza-se esta questão, argumentando que as empresas que deslocalizam os seus serviços contribuem para o aumento do nível de vida dos países para onde vão, e, além disso, através da melhoria da sua produtividade, passam a dispor de mais recursos para tornar a investir e gerar novos empregos, também nos países de onde sairam. Acreditando nesta teoria, acusa os governos que referi de irracionalidade, criticando-os por cederem a interesses sectoriais.
.........................................................
Caro leitor/a : quer comentar esta história e a opinião de Sarsfield Cabral ? O que acha que vai acontecer na economia destes países onde a fuga se está a dar ? Preocupa-o/a esta questão ?
Ou acha, simplesmente, que sou um chato do caraças, ao escrever sobre isto ?
Ehehehehehe .....
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Vitor Cunha
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3/03/2004 06:32:00 da tarde
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terça-feira, março 02, 2004
SOLIDÃO OU MENOS SOLIDÃO, EIS A QUESTÃO
O que é a solidão ?
É estranha a pergunta, não é ? Não é, não. Definir solidão é mais complicado do que parece.
Solidão NÃO é estar ou viver sózinho. Há pessoas que vivem sós que não sofrem de solidão, e há pessoas que vivem com companheiros e família que se sentem miseravelmente solitárias. Estamos muitas vezes sózinhos e não nos sentimos solitários, estamos bem, equilibrados. Por vezes, há mesmo pessoas que necessitam e buscam este isolamento, porque necessitam dele para a sua paz interior.
Solidão NÃO é também NÃO ter um companheiro/a ou namorado/a. Há muitas pessoas que, nesta situação, parecem não se ressentir grandemente, encontraram outros equilíbrios, têm familiares, amigos e actividades que as preenchem.
Então, o que vem a ser a solidão, de que tantos se queixam ?
Bem, espero que me ajudem, aqui chegados.
Na minha opinião, a solidão é um estado de espírito ( e por vezes de corpo, ai, ai ) que depende da filosofia de vida da pessoa e, logo, das suas necessidades e expectativas. Ou seja, quanto maior for a nossa necessidade de uma outra pessoa ( ou pessoas ) junto de nós, em qualquer um dos vários planos – físico, psíquico, afectivo, prático – tanto mais solitários nos sentiremos, se isso não acontecer.
O que significa, visto ao contrário e numa perspectiva pragmática, que a muitos pode interessar : em certa medida, a solidão pode ser combatida, desde que nos tornemos menos dependentes dos outros e aprendamos a viver melhor com nós próprios.
Será esta afirmação verdadeira, sempre, sem limitações ? Humm, tenho as minhas dúvidas. E estou também a imaginar as vossas.
É que o ser humano é um bicho de matilha...Nós precisamos sempre uns dos outros, embora em graus variáveis. E há necessidades tremendamente fortes, como a de ouvir os nossos semelhantes, a nossa própria língua materna, ou a de tocar e acariciar a pele de um outro ser humano.
A capacidade de combater a solidão, tem limites, concordemos, limites que irão depender da pessoa em concreto, do local, da época. Em todo o caso, haverá sempre limites, o que significa que, sendo a solidão um sentimento bem pessoal, há sempre um mínimo também pessoal abaixo do qual nunca um ser humano deveria descer...
Afinal, tal como em muitas outras necessidades básicas do homem e da mulher.
Pelo meu lado, por mais que tenha tentado ( e parcialmente conseguido ) dou por mim de vez em quando a reflectir sobre este tema ... o que todos sabemos o que significa, não é verdade ?
Passem bem e ... evitem a solidão. Escrevam comentários a este texto, por exemplo...
O que é a solidão ?
É estranha a pergunta, não é ? Não é, não. Definir solidão é mais complicado do que parece.
Solidão NÃO é estar ou viver sózinho. Há pessoas que vivem sós que não sofrem de solidão, e há pessoas que vivem com companheiros e família que se sentem miseravelmente solitárias. Estamos muitas vezes sózinhos e não nos sentimos solitários, estamos bem, equilibrados. Por vezes, há mesmo pessoas que necessitam e buscam este isolamento, porque necessitam dele para a sua paz interior.
Solidão NÃO é também NÃO ter um companheiro/a ou namorado/a. Há muitas pessoas que, nesta situação, parecem não se ressentir grandemente, encontraram outros equilíbrios, têm familiares, amigos e actividades que as preenchem.
Então, o que vem a ser a solidão, de que tantos se queixam ?
Bem, espero que me ajudem, aqui chegados.
Na minha opinião, a solidão é um estado de espírito ( e por vezes de corpo, ai, ai ) que depende da filosofia de vida da pessoa e, logo, das suas necessidades e expectativas. Ou seja, quanto maior for a nossa necessidade de uma outra pessoa ( ou pessoas ) junto de nós, em qualquer um dos vários planos – físico, psíquico, afectivo, prático – tanto mais solitários nos sentiremos, se isso não acontecer.
O que significa, visto ao contrário e numa perspectiva pragmática, que a muitos pode interessar : em certa medida, a solidão pode ser combatida, desde que nos tornemos menos dependentes dos outros e aprendamos a viver melhor com nós próprios.
Será esta afirmação verdadeira, sempre, sem limitações ? Humm, tenho as minhas dúvidas. E estou também a imaginar as vossas.
É que o ser humano é um bicho de matilha...Nós precisamos sempre uns dos outros, embora em graus variáveis. E há necessidades tremendamente fortes, como a de ouvir os nossos semelhantes, a nossa própria língua materna, ou a de tocar e acariciar a pele de um outro ser humano.
A capacidade de combater a solidão, tem limites, concordemos, limites que irão depender da pessoa em concreto, do local, da época. Em todo o caso, haverá sempre limites, o que significa que, sendo a solidão um sentimento bem pessoal, há sempre um mínimo também pessoal abaixo do qual nunca um ser humano deveria descer...
Afinal, tal como em muitas outras necessidades básicas do homem e da mulher.
Pelo meu lado, por mais que tenha tentado ( e parcialmente conseguido ) dou por mim de vez em quando a reflectir sobre este tema ... o que todos sabemos o que significa, não é verdade ?
Passem bem e ... evitem a solidão. Escrevam comentários a este texto, por exemplo...
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Vitor Cunha
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3/02/2004 07:29:00 da tarde
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segunda-feira, março 01, 2004
A VIDA SEGUNDO O AUTOR
Nunca me preocupei em gerir a minha vida, com qualquer objectivo que fosse. Não porque tenha razões morais ou éticas contra isso, mas simplesmente porque sou preguiçoso. Sim, assumo que sempre preferi estar sentado a ler, a escrever ou a ver um filme que a trabalhar para a carreira, a aturar gente importante ou a sujeitar-me a burocracias e a protocolos. Isto não significa que me deixe “levar” inteiramente na corrente do rio, sempre houve valores que quis deliberadamente preservar e outros que fantasiei e ousei defender. Não sou, portanto, um amorfo, acho eu : apenas um tipo que é demasiado preguiçoso e pouco seduzido por valores materiais do tipo casa+piscina+mercedes+andares e carros para os filhos...
Não admira, pois, que nunca me tenha tornado rico, nem mesmo um destes ultimos novos ricos à custa do orçamento de Estado. Afinal, a posse plena da nossa coluna dorsal tem os seus inconvenientes, claro !
Mas a verdade é que em momento algum me arrependi desta forma de encarar a vida, não como algo que urge vencer e ganhar, contra não sei quem ou o quê, mas como uma coisa que decorre naturalmente. Algo que é preciso saber deixar fluir sem perturbações ou sobressaltos de maior. Com placidez, tranquilidade e sabedoria.
Penso muitas vezes nesta questão, nos ultimos tempos. Vejo quão diferentes somos uns dos outros, na forma como interpretamos este acto de viver. Lembro-me muitas vezes de Agostinho da Silva e os seus gatos.
Sinto-me bem assim, tranquilo, em paz comigo mesmo.
Bem, não é totalmente assim, infelizmente : este Governo e estas políticas põem-me a adrenalina em cima, despertam-me velhos instintos guerreiros, deixam-me em pé de guerra. Lá se vai a minha tranquilidade ...
Nunca me preocupei em gerir a minha vida, com qualquer objectivo que fosse. Não porque tenha razões morais ou éticas contra isso, mas simplesmente porque sou preguiçoso. Sim, assumo que sempre preferi estar sentado a ler, a escrever ou a ver um filme que a trabalhar para a carreira, a aturar gente importante ou a sujeitar-me a burocracias e a protocolos. Isto não significa que me deixe “levar” inteiramente na corrente do rio, sempre houve valores que quis deliberadamente preservar e outros que fantasiei e ousei defender. Não sou, portanto, um amorfo, acho eu : apenas um tipo que é demasiado preguiçoso e pouco seduzido por valores materiais do tipo casa+piscina+mercedes+andares e carros para os filhos...
Não admira, pois, que nunca me tenha tornado rico, nem mesmo um destes ultimos novos ricos à custa do orçamento de Estado. Afinal, a posse plena da nossa coluna dorsal tem os seus inconvenientes, claro !
Mas a verdade é que em momento algum me arrependi desta forma de encarar a vida, não como algo que urge vencer e ganhar, contra não sei quem ou o quê, mas como uma coisa que decorre naturalmente. Algo que é preciso saber deixar fluir sem perturbações ou sobressaltos de maior. Com placidez, tranquilidade e sabedoria.
Penso muitas vezes nesta questão, nos ultimos tempos. Vejo quão diferentes somos uns dos outros, na forma como interpretamos este acto de viver. Lembro-me muitas vezes de Agostinho da Silva e os seus gatos.
Sinto-me bem assim, tranquilo, em paz comigo mesmo.
Bem, não é totalmente assim, infelizmente : este Governo e estas políticas põem-me a adrenalina em cima, despertam-me velhos instintos guerreiros, deixam-me em pé de guerra. Lá se vai a minha tranquilidade ...
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Vitor Cunha
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