sábado, dezembro 25, 2004

NATAL 2004

O dia de Natal deste 2004 está a chegar ao fim. Como sempre, deixa um sabor a desilusão atrás de si.
O Natal é isto ? - perguntava-me eu nos meus dez ou onze anos.
Pergunto-me ainda hoje.
É, é apenas isto.
Uma ocasião passageira, uma convenção bonita, uma espécie de sedativo anual das nossas consciências culpadas. Uma vez por ano fingimos que somos bonzinhos, que amamos não só a nossa família como o resto do Mundo, fingimos que homenageamos o Menino que havia de ser Homem ...
E contudo, apesar de tudo, há sempre uma magia especial que não sei de onde vem. Talvez das memórias de mil presépios de barro inventados, em miudo. Talvez do cheiro do musgo quando o arrancava da terra ou das árvores. Talvez dos olhos extasiados de esperança de milhões de putos em todo o Mundo. Sei lá.
Este Natal foi a três. A minha filha, o Pipoca e eu. Divertimo-nos, partilhamos com ele o perú estaladiço e saboroso e, por fim, até o deixei saciar a sede no meu copo de água ...
Porque não ? Afinal, é Natal, não é ?
E você, leitor ? Como passou este dia ?


terça-feira, dezembro 21, 2004

O MEU AMIGO FRANCISCO FREIRE DA SILVA

As nuvens voam baixo, hoje.
O Sol retirou-se cedo.
Levantou-se um vento súbito, gélido, que trespassa tudo e arrefece os velhos ossos.
O cérebro recusa aceitar a notícia, lembra tempos de alegria, camaradagem e luta, em terras banhadas por oceanos diversos, sob céus de outras estrelas.
Rejeito a notícia, não me interessa a verdade, não quero saber, não quero que me digam onde, nem a que horas nem para onde vai ... o meu velho amigo vai continuar por aí, por Lisboa, a enfrentar a doença com estoicismo e fé, a ter esperança no futuro e a lutar pela justiça social em que acreditava.
Não quero saber se este ou aquele me vem dizer, com ar compungido, que ele coitado ... Não é, não pode ser, nunca será verdade : da ultima vez que jantámos juntos ele contou-me que andava a tirar a carta de mota, deve ser isso, anda é por aí a acelerar, feito puto reguila como era há mais de quarenta anos atrás, quando nos conhecemos.
Não vou, nunca vou acreditar, não é verdade.
E contudo, o vento tornou-se muito mais frio e já não vejo nenhuma estrela no céu.
Mesmo assim, não aceito, digo apenas : adeus, Xico, amigo, até um destes dias ou meses ou anos ou quando fôr, não penses que te livras assim das minhas secas !

segunda-feira, dezembro 20, 2004

DIVAGAÇÕES EM TEMPO DE FRIO

Hoje à tarde começou a ficar um frio do caraças. Bom, muito frio, pelo menos. Aqui em Lisboa nunca está um frio do caraças, isso é lá para as Penhas da Saúde, Trás-os-Montes, e sítios assim. Aqui nunca me lembro de nevar, nem de gelar a água nos canos. O mais dramático que me lembro era de haver gelo nas poças de água, quando ia para o Liceu, de manhã. Ainda assim a malta ria-se muito e andava toda feliz de poça em poça, a partir o gelo com as botas.
Agora acho que já nem poças existem. Ehehehehehe. Ou, se existem, os putos nem sequer reparam nelas. As playstations destronaram essas coisas todas.
As poças actuais, em Lisboa, são os buracos do metro, no Terreiro do Paço, o buraco do túnel do Santana Lopes e o outro buraco do Terreiro do Paço, aquele do Bagão. E essas poças, que me conste, não fazem gelo nem fazem as delícias de ninguém. Isto digo eu, que sou ingénuo, mas se calhar até fazem as delícias de alguém. Há sempre alguém a ganhar dinheiro com os buracos dos outros. Ou melhor, é porque há sempre alguém a ganhar dinheiro que aparecem os buracos nos outros.
Brrrr ... chega de buracos, isto está a dar-me voltas à cabeça !
Volto à minha, está um frio do caraças, para Lisboa. Tenho o aquecedor a óleo ligado, aqui ao pé de mim e também liguei o que está ao pé do gato, não quero que o bicho congele. Se bem que talvez não fosse má ideia, se conseguisse que só os dentes dele congelassem. Mas acho que não é possível.
Queria escrever umas linhas para o meu blogue e vejam lá os efeitos do frio : saiu-me isto, assim, meio desconexo. Que se lixe : o que me apetecia agora era ir comprar pão quente e comê-lo, com manteiga, acompanhado de um café também bem quente. Uma amiga minha falou-me hoje em ir à padaria, e essa ideia não me sai da cabeça desde então ...
E é o que vou mesmo fazer. Até.

sábado, dezembro 18, 2004

A COSTA DOS MURMÚRIOS



Ontem fui ver “A costa dos murmúrios”, de uma jovem cineasta portuguesa, baseado no livro do mesmo nome de Lídia Jorge. Confesso que não li o livro, mas sei que a autora esteve em Moçambique, por volta de 69/70, época em que decorre o livro/filme. Era então casada com um oficial paraquedista e assistiu, digamos que de camarote, a certos aspectos da guerra colonial.
É claro que uma obra de ficção é tão ficção quanto se queira. Mas também é claro que qualquer ficção com base numa certa realidade acaba sempre, inevitavelmente, por mostrar quanto e como essa mesma realidade afectou a artista.
Neste caso, a ficção construida pela escritora e decalcada pela cineasta acaba por reduzir uma realidade extremamente rica e complexa numa série de clichés sequenciais : os militares são todos violentos, machistas, criminosos de guerra e politicamente alienados ; as mulheres desses oficiais aborrecem-se de morte enquanto os maridos fazem a guerra e entretêm-se portanto todas elas a dar umas quecas por fora do casamento, para manter a prática ; os jornalistas locais são esclarecidos e sabem o que se passa mas não podem fazer nada, a não ser participar entusiasticamente na actividade lúdica anteriormente mencionada das esposas sózinhas ; finalmente, os maridos corneados, quando regressam da guerra, dedicam-se a jogar à roleta russa com os amantes das mulheres e umas vezes safam-se ... outras vezes morrem...
Brilhante. Fiquei estarrecido com a riqueza e pureza cristalina da criação artística de Lídia Jorge.
Eu bem sei que ela era então casada com um paraquedista e que estes eram acusados de usarem boinas verdes para disfarçar o musgo que lhes crescia nas cabeças ...ehehehehe .... Neste caso, porém, acho que o musgo a afectou a ela, também ...
É que, leitores, eu também fazia parte deste filme que agora vi, mas na época e no local original do “crime”. E mesmo respeitando o direito à ficção e percebendo até algum ressentimento e horror da autora perante tal realidade, ainda assim me surpreendo com a miopia e o preconceito revelados.
Quanto à linguagem cinematográfica usada, apenas um comentário : um filme não pode, não deve ser uma sequência de planos filmados e depois colados, com uns textos em voz off para dar coesão. Eu não sei fazer filmes, mas sei ler um filme. E aquilo que vi é apenas uma tentativa de filme, nada mais.
Fiquei com lágrimas não choradas, por dentro. Um dia hão-de sair.

sexta-feira, dezembro 17, 2004

O SEGREDO PORTUGUÊS

Os portugueses são tontos. Somos mesmo totalmente ridiculos, tomados no seu conjunto. Ou então totalmente sábios, vá-se lá saber.
Vamos vivendo neste doce rame-rame, sem esforços nem iniciativas de maior, sem grandes motivos de alegria, mas também sem grandes motivos de pesar, essa é que é a verdade.
Isto ao longo dos ultimos séculos, não é de agora.

A essência dos portugueses é dificil de compreender pelas modernas sociedades de mercado. Talvez só mesmo os nossos ancestrais avós, os árabes, nos consigam compreender : nós somos os grandes especialistas em ser felizes com o esforço mínimo !
Produtividade ? Qualificações ? Hummm ... isso não dá muito trabalho ? - perguntamos logo ! E como dá ...

Isto porque, sem perceber nada disto, há economistas e políticos que vêm, de vez em quando, questionar a organização económica da nossa sociedade. O prof. Cavaco Silva veio agora, por exemplo, afirmar que até 2006 vai ser a mesma miséria de economia, que nos estamos cada vez mais a afastar da média europeia, que precisávamos era de aumentar as nossas exportações !
Concordo, devo dizer. E acho que todos os outros portugueses também concordam. Vamos lá então aumentar as nossas exportações, hem ? Bora ?

O único problema é que para exportar é preciso produzir coisas que os outros queiram comprar. E que raio de coisas havemos nós de produzir, sem grande suor ? Esse é que é o problema, pá ! Que sabemos nós fazer que os outros queiram comprar e que não nos obrigue a trabalhar no duro ??
Espera ... deixa-me pensar ... só se for a nossa secular habilidade para ir vivendo feliz sem saber nem querer produzir nada !
É isso .... Uauuuuu .... descobri !
Vamos exportar o nosso “know-how” para viver de papo para o ar, sem preocupações. Olhem que esta técnica vale dinheiro, vão ver !

terça-feira, dezembro 14, 2004

O CIRCO DESCEU À CIDADE

Ando de novo numa de preguiça. Não me consigo convencer a escrever. Os factos que vão surgindo na vida do nosso país ora me deprimem ora me dão uma enorme vontade de rir.
É como se Portugal fosse um imenso Circo Chen : umas vezes angustiamo-nos com os homens e mulheres do trapézio voador, outras vezes rimo-nos com os palhaços... ainda por cima, estes palhaços fazem as suas rábulas com um ar muito sério, como se fossem senhores competentes e responsáveis, e isso ainda me dá mais vontade de rir.
Pelo meio, os equilibristas, um pouco trapalhões, e os ilusionistas, que tão depressa mostram as cartas todas juntas como as fazem desaparecer, cada uma para seu lado ...
E com isto tudo, confesso, perco a vontade de escrever e começo a cansar-me do espectáculo.
Quando é que raio vai acabar o espectáculo de circo ?

sábado, dezembro 11, 2004

O ESTRANHO CASO DO SECRETÁRIO DE ESTADO SEM TEMPO NA AGENDA...

De todos os factos que têm vindo a lume, nos ultimos tempos, sobre a forma de actuar deste Governo, vou destacar apenas um, para vos mostrar como as coisas são na prática.
O Governo recorreu a um militar para o cargo de presidente do serviço nacional de protecção civil, o que não espanta para quem conheça o tipo de treino e a forma de pensar dos militares em relação ás exigências daquele cargo.
Desta vez, era um Major-General do Exército.
O senhor bateu com a porta há dias, com estrondo, dizendo publicamente que não tinha confiança nenhuma no Secretário de Estado que o tutelava e explicando porquê : o jovem governante, do alto da sua importância e certamente também competência política e técnica sobre as áreas tuteladas, dava-se ao luxo de não o receber, para despacho, há qualquer coisa como quatro ( 4 ! ) meses .... Este governante exemplar nem sequer tinha ido conhecer o Serviço Nacional de Protecção Civil ( sabem o que é, não sabem ? incêndios, ambulâncias, catástrofes ... ) e estava-se nas tintas para os problemas que o general lhe queria colocar ...
As diferenças da forma de estar na vida entre políticos e militares são conhecidas e fáceis de descrever, numa pincelada : enquanto uns fazem da arte de conquistar votos e do jogo das aparências a sua essência, os outros foram ensinados a dizer a verdade, frontalmente e sem papas na língua. É assim e pronto, eu conheço bem os dois tipos de pessoas de que falo. Com algumas excepções nos dois sectores, como sempre, claro.
Mas neste caso, nem sequer é essa a questão que me chocou.
O que me indigna é que um governante ( apesar de ser um ajudante na terminologia de Cavaco Silva ) se dê ao luxo de estar quatro meses sem discutir os assuntos de um Serviço como o SNPC só porque não gosta do general seu presidente ...
Este facto evidencia uma falta de respeito enorme pelo país, por todos nós, até pelo seu dever como governante. Mas mais : o senhor Ministro da Administração Interna sabia disto e achava muito natural ...
Pensem bem nesta história.
Que raio de gente é esta que pensa que pode fazer o que quer, quando está no poder ?
Quando é que nós vamos eleger um bom administrador deste nosso condomínio á beira mar plantado e dar um pontapé no rabo a tipos que andem a gozar com o nosso dinheiro ?

terça-feira, dezembro 07, 2004

A MAGIA DAS LUZES

Acho que já o disse, pelo menos no ano passado : não gosto muito do Natal, pelos clássicos motivos da solidão e da inveja da alegria dos outros. Bem sei que há muitos como eu, e que a alegria de outros é mais fingida ( ou convencionada ... ) que sentida. Mas ainda assim, não gosto.
Deveria existir um Natal para as pessoas sós ou de famílias incompletas e pequenas. Afinal, toda a gente sabe que são cada vez mais as famílias nestas condições, pelo que seria uma medida bem acolhida, pela certa! O Natal das Famílias Incompletas. O presépio poderia, por exemplo, não ter o S. José, nem a vaca e o burro. Enfim, só sugestões valiosas que aqui deixo a quem de direito nesta questão do Natal.
Mas apesar destas minhas reservas, a verdade é que há coisas no Natal de que sempre gostei. Coisas simples. Como ficar deslumbrado a olhar as pequenas luzinhas com que decoramos as nossas vidas neste tempo. Luzes brancas, amarelas, azuis, verdes, fixas ou a piscar, made in Taiwan ou China. É algo de mágico, esta ingenuidade de homens e mulheres, presos nas luzinhas, esquecidos temporariamente das suas lutas e dos seus problemas. Poucas coisas conheço tão tranquilizantes como uma simples árvore de Natal, mesmo artificial, cheia de luzinhas a apagar e a acender ... Vá, montem uma em vossa casa e percam-se na contemplação das vossas memórias, ou dos vossos sonhos de futuro, enquanto olham as luzinhas do Natal e bebem um golo de qualquer coisa quente.
Aproveitem. Embora digam que o Natal é quando um homem quer, não acreditem : Natal só é uma vez em cada ano e apenas enquanto não decidirem acabar com ele, já que está a dar pouco lucro. Qualquer dia fecha ou é deslocalizado, mas, por enquanto, a magia ainda funciona.

sexta-feira, dezembro 03, 2004

O PROBLEMA DO PSD

A grande questão que se coloca agora ao PSD : vão às eleições mantendo um candidato a primeiro-ministro que deu provas insofismáveis que não é capaz de governar , nem tem a mínima ideia de futuro para Portugal, ou vão arranjar outro candidato ?
É que se ficarem com o mesmo candidato, fica por demais evidente que apenas se preocuparam em maximizar as probabilidades de tornar a alcançar o poder, mesmo sabendo que, nesse caso, com o mesmo primeiro-ministro, seria a ruina para o país ...
Não acredito que não exista, dentro do PSD, muita gente que tem este mesmo raciocínio.
Porque não falam ? Porque se calam, à excepção de Pacheco Pereira e Miguel Veiga ?
Porque permitem que um partido que é representante de uma larga faixa de portugueses, gente moderada e sensata, seja liderado por um diletante e incompetente ( na função de primeiro-ministro, noutras será um ás ! ) como Santana Lopes ?
Acharão que a derrota nas próximas eleições é a única forma de se verem livres de tal personagem ? Ou acreditam ainda na capacidade de sedução de Santana Lopes, apesar de tudo, e não hesitam em alcançar o poder a todo o custo ?
Não gosto nada, mesmo nada, do que se anda a passar com as gentes mais responsáveis ( sê-lo-ão ? ) do meu país.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

AS PEQUENAS COISAS HABILIDOSAS DO SHARE POLÍTICO

Caros amigos : aquilo a que se convencionou chamar política, nos orgãos de comunicação e na terminologia dos políticos, mais não é, muitas vezes, que uma série de pequenas "jogadas" mais ou menos habilidosas, dentro de um "timing" bem escolhido, com o objectivo de valorizar a nossa posição e de prejudicar a do nosso adversário.
Pensavam que esta política era sempre e só uma coisa "limpa", de homens e mulheres sem nada nas mangas, de peito aberto e posições claras e desassombradas ?
Sim ? Pensavam isso, a sério ? Ehehehehehe, não acredito, já ninguém é assim tão ingénuo.
Leiam algumas coisas sobre os jogos de bastidores e inter-relações dos ministros deste ainda nosso governo, vão ver como é material do maior valor educativo !
Já repararam, também, na atitude do CDS/PP, nesta crise ? Ooooh, genial, meu Deus : é do tipo "eles é que foram os artolas e confusionistas, o PSD, nós trabalhamos bem e tivemos ministros de categoria ... ". Notem, em termos relativos até é uma meia-verdade, pelo menos, o pior é que é também um tiro pelas costas, logo que o cimento aglutinador do poder desapareceu ...
Mas estas coisas não acontecem apenas no campo da ainda actual maioria, não senhor. Hoje darei apenas um exemplo, não propriamente da oposição mas do senhor Presidente da República.
Reparem : vários foram os sinais de que o Presidente estará interessado em que o orçamento proposto pelo PSD/PP seja ainda aprovado, certo ?
Pergunto eu, então : nesse caso, porque é que o Presidente não esperou uma semana para declarar que ia dissolver a Assembleia ? Se o tivesse feito, o orçamento já estaria então aprovado ...
Porque não esperou então essa semana ?

Oferece-se um prémio ao leitor que der a resposta mais convincente, ehehehe ...

Mas estas breves linhas têm uma moral : a política real, não a dos livros e dos princípios, faz-se destes pequenos truques e não apenas de questões ideológicas e estratégicas.
A táctica destas pequenas malandrices (?)ganhou uma importância tremenda, sobretudo porque o que se disputa, afinal, não passa de uma espécie de "share" televisivo : o espectador, em vez de carregar num botão para sintonizar uma dada estação, irá escrever uma cruz num determinado quadrado de um bocado de papel.
Qual é a diferença, para muita gente ?
Isto é a democracia, gostem ou não gostem. Não sei se é, como afirmava o outro, o menor dos males ... mas lá que é um jogo bizarro, disso não tenho duvidas !
Apesar de o defender com unhas e dentes, se for necessário.
Fiquei farto de lápis azuis, no tempo da outra madame, e de ministros com raivinha de dentes, ou de centrais de informação, nestes ultimos tempos.

terça-feira, novembro 30, 2004

FINALMENTE !

Com mais de quatro meses de atraso, o Presidente da República decidiu dissolver a Assembleia da República e abrir caminho a eleições antecipadas.
Ouve-se um suspiro de alívio generalizado, o próprio Santana Lopes pareceu resignado e mesmo aliviado.
Ninguém agora irá contestar com grande veemência esta decisão do Presidente, depois de ser tão visível a balbúrdia e trapalhada política que este Governo trouxe à vida nacional.
Dá a ideia que Sampaio esperou por essa má actuação de Santana Lopes para ganhar força e tomar uma decisão quando toda a gente já tivesse visto, na realidade, o que valia este Governo.
O lider do PS é hoje Sócrates, e não Ferro Rodrigues, não se esqueçam também.
Aparentemente, pois, a actuação do Presidente da República foi impecável e muito inteligente, quando examinada na sua globalidade.
Discordo.
É que não era preciso ser bruxo, quatro meses atrás, para perceber que era isto que iria suceder, sendo Santana Lopes quem é. E, se isto é verdade, estes quatro meses foram um tempo perdido para o País.
Ou talvez não, pensando melhor.
Agora, a pouca aptidão de Santana Lopes para Primeiro-Ministro foi abundantemente demonstrada.
Agora, como exigia há dias Cavaco Silva, talvez tenha chegado o tempo da entrada em cena de políticos-homens e mulheres de barba rija, em vez de rapazes reguilas e atrevidos.
O unico problema é que ninguém sabe onde eles estão, esses políticos de primeira água ...

sexta-feira, novembro 26, 2004

COERÊNCIA OU TEIMOSIA ? CORAGEM OU SUICÍDIO ?

Impressionante. Intrigante.
Não consigo compreender a persistência teimosa do PCP nos ultimos anos.
Será que a verdadeira questão, o verdadeiro objectivo daquele partido é a coerência com as posições anteriores ?
Será que a virtude extrema de um militante do PCP é permanecer cego e surdo a tudo aquilo que os rodeia ?
Não mudar é, em si mesmo, uma virtude ?
Como explicam os dirigentes do PCP que o partido tenha cada vez menos votos, cada vez menos influência mesmo nos estratos sociais de cuja origem se reclama ?
Que critérios usam esses dirigentes para aferir a adequação das suas opiniões e das suas propostas políticas ? Ou essa questão não os preocupa ?
Que estranho maniqueismo os faz considerar como traição ou colagem ao PS e à direita qualquer crítica interna, qualquer proposta de alteração e adaptação aos tempos modernos ?
Que raio de eficácia política ou social poderá ter um partido que está tão desajustado da realidade como se vivesse noutro país ?
Que estranho autismo os fará manter uma linha política que a história mostrou ter sido catastrófica e criminosa em tantos países do mundo ?
Que espantosa cegueira os faz ignorar os anseios e necessidades das camadas populacionais mais necessitadas e falar como se Portugal em 2004 fosse um país de operários e camponeses ?? Onde é que diabo estão esses gajos ?
E sabem o que é mais dramático ?
É que tenho a convicção de que seria muito importante para o país ter um PCP moderno e ajustado às novas preocupações. Um partido como o PCP seria um tempero indispensável numa sociedade demasiado liberal, demasiado centrada numa política de voragem de destruição, abdicação e rapina.
Um PCP revigorado e actualizado seria tão util ao nosso país como uma URSS, igualmente actualizada e democratizada, seria ao Mundo, em contraponto a uns EUA demasiado impantes e impunes.
Não se trata de trair seja o que for, ou de cedências ou de desvios ... trata-se apenas de inteligência, sensibilidade, capacidade de leitura da realidade e, talvez mais importante que tudo isso, trata-se de interesse genuino pelos mais desprotegidos da sociedade.
Tudo aquilo que Jerónimo de Sousa não vai ser capaz de fazer. Com a indispensável vénia de respeito ao homem que ele é.
Já o disse uma vez e digo-o hoje outra vez : mas porque é que o PCP devia ter um lider diferente, se os outros todos têm os que têm ?

terça-feira, novembro 23, 2004

UMA VIAGEM AO RIBATEJO

Saímos de Lisboa pelas 10 da manhã, eu todo engaiolado numa caixa de plástico com muitas frestas que me permitem ver a rua e as pessoas. Não fazia a mínima ideia para onde íamos, a mim ninguém diz nada por mais que eu mie a reclamar. Fosse como fosse, foi agradável a viagem : a minha dona tirou-me da caixa e deitou-me no seu colo e eu ia vendo as árvores a passar, lá fora, muito depressa.
Sabem a velocidade que temos de dar quando queremos apanhar um rato ou um pássaro ? Pois eu acho que íamos a andar mais depressa ainda que isso. Não faço ideia de como é possível uma coisa dessas, deviam ver ...
Uma soneca e chegámos. Numa terra do Ribatejo, ouvi-os dizer, mas não me ralei nada, porque me foram mostrar um sítio muito bonito ( o que será um quintal ? ), cheio de ervas, ramos de árvores espalhados pelo chão e muitos cheiros novos ... Tchiiii, aquilo pareceu-me muito grande, mas também é verdade que eu sou pequenito e acho tudo muito grande, porque ainda não sou capaz de correr muito depressa.
Só vos digo que foi a sensação mais maravilhosa que tive até hoje ! A princípio estava um pouco medroso, havia uns arbustos muitoooooo altos e cheios de esconderijos e passagens secretas, mas nunca me afastei muito do meu dono, essa é que é a verdade.
Ele andava a apanhar umas bolas amarelas, de umas árvores que vi com muitas dessas bolas penduradas, e punha-os numa cesta. Não faço a mínima ideia para que quer ele aquilo, nem sequer cheiram bem, as bolas, fui lá cheirá-las e quase espirrei ! Tive que lavar as mãos bem lavadas a seguir, aquilo até sabe mal ! É lá com ele, pensei, eu tenho aqui muito com que me entreter.
O pior foi pouco depois ... de repente, aparece-me à frente, vindo não sei donde, um tipo muito maior e mais velho que eu, preto com grandes malhas brancas. O parvalhão estava todo excitado, pôs-se a falar grosso e a mostrar os dentes, como se me fosse assustar com aquilo ... e a verdade é que assustou mesmo, o estúpido. Lá tive que miar a pedir auxílio ao meu dono : ele olhou e começou a dizer palavrões para o cretino invasor e a correr direito a ele, enquanto me pegava ao colo. O outro, o herói ribatejano, só teve tempo para fugir dali, a vociferar e a bufar . Bem feito, este meu dono ainda serve para alguma coisa ! Ouvi-o depois ( ao meu dono ) a dizer não sei quê de gatos territoriais, mas achei aquilo uma grande léria. O outro tipo deve ser é mesmo parvo de todo, que mal lhe ia eu fazer ?
Bem, com aquela mania das explorações, tinha-me esquecido de comer, o que raramente me acontece. Fui reclamar à minha dona ( acho que ela é que me sabe compreender quanto a essas coisas ) e lá me serviu um magnífico prato com bocadinhos de uma coisa muito saborosa a que ela chama peixe. Não sei bem se é peixe se é pescada, porque já a ouvi dizer as duas coisas... se calhar, ela não sabe bem o nome e diz outro qualquer, de vez em quando. Aquilo é mesmo bom, seja uma coisa ou outra, não tenho querido comer mais nada ... A não ser, claro, para acompanhar, um pouco de um líquido cheiroso e saboroso, parecido com aquilo que eu chupava na minha mãe. Também gosto muito disso.
O meu dono prefere um líquido, também, mas o dele é umas vezes quase preto, outras vezes quase amarelo, ainda não percebi porque é que ele muda de côr.
Bom, não vos quero maçar mais ... daí a um bocado, lá fomos outra vez para aquela casa esquisita que anda muito depressa. Desta vez, nem sequer me puseram na caixa que eu odeio, fui directamente para o colo da minha dona.
E sabem que mais ? Adormeci logo, estafado com as correrias e saltos. Quando acordei já estava na minha casa verdadeira outra vez, estoirado de todo, sem sequer conseguir abrir os olhos ( ainda não tenho 2 meses, é preciso ver ) ... mas feliz com aquela aventura.
Aquilo de andar “à solta” deve ter as suas compensações ... tenho de lá voltar !

domingo, novembro 21, 2004

ABAIXO O SUOR NA EDUCAÇÃO !

Psicólogos, pediatras, pedagogos e sei lá mais quantos “sábios” vieram a terreiro desancar nos professores que se atrevem a mandar os meninos e meninas fazer trabalhos em casa ( TPC ). Pobrezitos, desunham-se a estudar a sério durante todo o santo dia, empenhados, entusiasmados, sem tempo sequer para limpar o suor que lhes cai rosto abaixo, enquanto escrevem e lêem nas salas de aula e depois ainda têm que ir para casa fazer TPC !!
E gastam nisso cerca de 5 horas por semana ! CINCO !!
Já viram ? Vejam lá se no resto da OCDE é assim ... é o tanas, claro : na média da OCDE trabalha-se MUITO MENOS, cerca de 4 horas e 36 minutos !! Faz toda a diferença, são cerca de uns longos 5 minutos por dia de diferença, o que é COLOSSAL !
Sinceramente, dou toda a razão aos “sábios” que levantaram esta questão. Os nossos jovens são autenticamente massacrados nas escolas, obrigam-os a trabalhar de uma forma desumana. E depois, para quê ? Não somos nós já dos melhores da Europa, se é que não do Mundo ? Pelo menos em Matemática, Física, Informática, Línguas ( incluindo o Português ) .... temos sempre as melhores classificações nesses concursos internacionais, como os Jogos Olímpicos da Matemática e outros ...
Eu iria até mais longe : proibia os TPC ; acabava com todos os exames, locais e nacionais ; proibia os professores de fazer testes escritos ou orais ( já pensaram no stress que isso provoca ? ) e, finalmente, decretava que só havia escola três dias por semana. Desses três dias, um deles seria obrigatoriamente dedicado ao futebol ou ao teatro, conforme as inclinações dos alunos.
Afinal, andar ao pontapé uns aos outros e a fazer de conta que somos um povo decente é aquilo de que mais precisamos ao longo da vida, não é ?
Então ? 'Bora nisso ?

sábado, novembro 20, 2004

DOUTORES EM ECONOMIA, POLÍTICOS ... E NÓS, OS CRIMINOSOS CONSUMIDORES !
( texto não aconselhável a pessoas impacientes ou àquelas que apenas gostam de ver a quinta não sei de quem )

Todos sabemos que a política, em democracia, é uma espécie de equilibrio na corda bamba, em que se perdem votos, frequentemente, quando se tomam boas decisões e, ao invés, se é recompensado com a confiança acrescida das pessoas ao tomar decisões estratégicamente erradas. A esta ultima táctica chama-se demagogia, toda a gente sabe isto.
Já alguma vez pensaram, porém, quem é que avalia, com rigor e isenção, se uma determinada decisão política é ajustada, errada ou apenas demagógica ?
Não é problema menor, responder a esta questão. Bem vistas as coisas, uma decisão política é sempre correcta para os correligionários do governo que a tomou e normalmente errada para os seus opositores. No caso de não a poderem baptizar de errada, então chamam-lhe demagógica. Ou seja, não é má em si mesmo, mas está-se mesmo a ver que foi tomada só para ganhar votos.
O povo, esse, habituado a estas questões, está-se nas tintas para a eventual demagogia : toda a gente sabe que em vésperas de eleições é que se resolvem os problemas...Há mesmo quem afirme que as eleições deviam ser feitas todos os anos, por esse motivo !
Não me compete defender este governo que temos agora. Nem nenhum outro, para ser verdadeiro. Como muitas outras pessoas, não gosto mesmo do “cheiro” que este poder político emana.
Mas ... baixar o IRS é bom, mau ou demagógico ? Desbloquear o acesso às contas bancárias é bom, mau ou demagógico ? Aumentar os funcionários públicos é bom, mau ou é demagógico ?
Das críticas que têm vindo a aparecer ao projecto de orçamento para 2005, entre elas as do Banco de Portugal, retiram-se as seguintes ideias :

--> Não há margem de manobra para baixar impostos ... ou, noutra versão, a baixa dos impostos não existe, de facto ;
--> O consumo está a aumentar – e irá ainda aumentar mais, com este orçamento – quando o que devia aumentar era as exportações ;
--> Não podemos ainda deixar de nos preocupar com os déficits orçamentais, e este orçamento não cuida disso ;
--> Nesta fase do ciclo económico, em que começa a haver algum crescimento, deve reforçar-se a contenção e a consolidação das contas e não alinhar no “esbanjamento” como aconteceu no guterrismo.


Pessoalmente, acho um piadão a estes doutores da pseudo-ciência económica. Esquecem-se, quase sempre, que os actores da economia real são pessoas e não numeros, e ficam muito admirados e escandalizados quando essas pessoas ( que para eles são apenas variáveis de um sistema ! ) resolvem não proceder como eles previram ou gostariam.
Agora a grande algazarra é contra os consumidores, que decidiram começar a consumir coisas ( automóveis, TVs, casas, que sei eu ... ) antes deles dizerem “Já podem !” ....
É que assim, as importações aumentaram muito mais que as exportações e isso é horrível, dizem eles ! Não é sustentável !
Mas que culpa têm as pessoas que cá em Portugal não se produza nada a não ser receber turismo ? Vamos todos ficar à espera que se resolvam a aumentar as exportações antes de comprar casa e carro e rádio e televisão ? E isso é que seria bom para a economia ?
Ora deixem-se de tretas para-científicas, sim ? Não são os consumidores que devem resolver os problemas estruturais do país, são eles, os políticos, auxiliados pelo Banco de Portugal e outras digníssimas instituições. E são os empresários, também.
Mas já alguma vez, em algum país do mundo, os economistas e analistas financeiros e políticos ajudaram a criar o que quer que fosse ?
E quanto a contenções salariais, que o senhor dr. Vitor Constâncio tanto se afadiga a recomendar, vivamente, nos ultimos anos, apetecer-me-ia aconselhá-lo a começar por si e pelos outros administradores do Banco de Portugal. O exemplo tem sempre muita força, sabe ? Mas se calhar vão dizer que isto é demagogia da minha parte ...
Conclusão : não temos um governo capaz, é certo, mas esta oposição e estes técnicos das coisas económicas também não nos dizem para onde devíamos ir, pois não ?

sexta-feira, novembro 19, 2004

O PIPOCAS E OS TRÊS LIDERES QUE TEMOS

Está decidido. Após “auscultação consensualizada” ( ?? ), como diz o comunicado do PCP, resolvemos dar o nome de PIPOCAS ao nosso jovem gatinho. É amarelo e branco, como elas, e tem uns olhos doces. O nome é sonoro e fácil de dizer. Fica, pois, PIPOCAS.
Como não vamos realizar um congresso só para ratificar este nome, fica assim e pronto. Nem mais é de esperar num país onde nem sequer o governo foi eleito.
Voltando ao início, já leram ou ouviram o comunicado do PCP ? Parece que Jerónimo de Sousa vai mesmo ser o futuro secretário-geral daquele partido.
Claro que têm todo o direito de escolher Jerónimo de Sousa para liderar o partido. Também o PSD escolheu Santana Lopes e o PS elegeu José Sócrates.
Três escolhas ambíguas, discutíveis, sem esperança nem emoção. Lembram-se de Sá Carneiro, Soares e Cunhal ? Meu Deus, até onde iremos descer ?
Nenhum destes homens é, aparentemente, aquilo que o seu partido mais precisaria. Ou mesmo aquilo que o país exigiria. Mas todos eles são, certamente, aquilo que os seus partidos merecem actualmente... e, se calhar, o mesmo se aplica quanto ao país.
Já notaram que continua a imperar o domínio da imagem, da comunicação social, do tipo que já tem um nome feito e conhecido ? Até o PCP já aderiu à moda de escolher um lider mediatizado e mediatizável.
Enfim, é assim que somos, que havemos de fazer ?
De qualquer forma, vai ser giro observar as discussões destes três candidatos à liderança do país ( mais dois que o terceiro, embora ), já que nenhum deles tem nada no seu interior parecido a um projecto estruturante, uma ideia de futuro, um sonho sequer.
Nada. Todos eles são especialistas do vazio mediatizado, da palavra ôca e sem sumo.
Vão ser mais uns anos perdidos, os próximos.
Uma vez mais, Portugal adiado.
Entretanto, viva o PIPOCAS !

quinta-feira, novembro 18, 2004

NÃO É SÓ NO REINO DA DINAMARCA ...

Estas discussões na Assembleia da República são uma enorme perda de tempo para os deputados e de dinheiro para os contribuintes. Ninguém nunca nos espanta com uma posição original, independente da estratégia do seu partido, algo de pessoal. É sempre a mesma troca absurda de argumentos a que ninguém liga. É uma coisa enfadonha, sem garra, sem imaginação e sem paixão. E também sem futuro, não acredito que esta monotonia e ineficácia se possam manter por muito mais tempo.
A disciplina partidária obriga o deputado a ter uma opinião única, a do seu partido. Dizem os defensores desta prática que, de outra forma, os partidos ficariam ameaçados, sem nunca poderem definir e aplicar com segurança uma estratégia integrada na sua luta.
Pois é, isso é o que eles dizem.
O que eu digo é que isto é revoltante, repugnante mesmo. Estou farto de ver senhores tipo DVD ( é preciso actualizar aquela da cassette, não acham ? ), muito bem postos, todos a dizer o mesmo, em cada um dos partidos. Se assim é, para que serve uma discussão na Assembleia ? Só para fingir que os problemas são discutidos ?
Confesso, hoje, agora e aqui : não tenho o mínimo respeito pela Assembleia da República. Nunca consentiria em ser deputado.E não me culpem, se ficarem chocados com a afirmação. Culpem-os a eles, aos senhores deputados, e a todos os dirigentes partidários que deixaram desprestigiar completamente aquela casa.
E nem sequer percebem isso, nem sequer sabem o que pensam deles as pessoas que dizem representar.
Mas nada disto é para admirar, de facto. A vida política nacional está em degradação acelerada, cheira a pôdre por toda a parte. Poucos orgãos são respeitados, há uma sensação vaga de que todos podem fazer o que quiserem, porque ninguém tem poder, verdadeiramente. Os tribunais estão desacreditados ; a Assembleia é uma farsa ; o Governo dá uma sensação de irrealidade, ninguém aposta nele a sério ; os hospitais ou não conseguem atender as pessoas doentes ou provocam-lhes a morte ; as escolas vivem o seu dia-a-dia a fingir que ensinam alguém ; as finanças cobram dinheiro aos pobres e ignoram os ricos ; as televisões e os jornais despedem quem lhes não agrade ; a Alta Autoridade para a Comunicação Social diz que houve pressão ilegitima de um Ministro deste Governo sobre a TVI e os deputados da maioria assobiam para o ar e dizem que não concordam ....
No meio disto tudo, o senhor Presidente da República preocupa-se, honra lhe seja feita, e a Associação 25 de Abril promove um colóquio sobre a democracia ...
Sabem o motivo de tudo isto ?
Os homens e mulheres do meu país deixaram de ter valores e ética. Passaram a ter partidos e sindicatos e associações patronais e coisas dessas, mas perderam a vergonha, a honra, a modéstia, a sinceridade, a espiritualidade, a verticalidade e tantas outras coisas.
A hora é dos mercadores de bens e de almas. A hora é dos vendilhões do templo. E o pior de tudo é que já não vejo nenhum Jesus Cristo que os expulse das nossas vidas.

segunda-feira, novembro 15, 2004


UM NOVO AMIGO
Pois é : já tenho aqui em casa um novo inquilino, a quem vou fornecer cama, mesa e pêlo escovado em troca da sua amizade e companhia. É amarelo(a) e branco, tem um mês e meio ( nasceu a 30 de Setembro ultimo ) e veio do Estoril... Tinham-nos dito que era uma menina, e demos-lhe o nome de Lili, dado tratar-se de uma gata da linha, né ? Acontece que, afinal, parece tratar-se de um garboso mancebo e estamos ainda indecisos quanto ao nome ...
É muito corajoso e voluntarioso, já trepa às camas e salta delas abaixo, começou a comer sólidos hoje mesmo ( uns pedacinhos de peixe que o deixaram de cabeça à roda ... ) e tem um feitio alegre, falador ( mia muito ! ) e sociável.
Se quiserem, podem sugerir nomes para o bichano. Estão a vê-lo aí em cima, não estão ?
Claro que tenho ainda muito vivas as recordações do Cenoura, uma amizade de dois anos e pouco, e até me sinto um pouco a "trair" essa mesma amizade. Sério, é estranhíssimo que essas emoções aconteçam nas nossas relações com bichos e não só com pessoas.
Achámos, porém, que adoptar um novo gatinho seria o melhor remédio para a tristeza que foi a perda do Cenoura.
E parece dar resultado, a minha filha anda feliz com o bichano e eu, eu ando com ele ao colo e até lhe ponho uma manta de lã por cima, para ele dormir quentinho !
Vamos ver se consigo convencer este fulaninho que os dentes e as unhas dele e a minha pele não são lá muito compatíveis. E que essa incompatibilidade também existe em relação à pele dos sofás e ao tecido dos cortinados...
Ir-vos-ei dando notícia do desenvolvimento do jovem felino. Por enquanto, dorme beatificamente dentro da sua cesta, aqui junto a mim, como se nada no Mundo o pudesse ameaçar.

sábado, novembro 13, 2004

DESGARRADA ESQUIZOFRÉNICA

Para que serve este congresso do PSD ?
Afinal, os impostos vão descer em 2005 ? Ou só em 2006 ? Ou não vão mesmo descer ?
A proposta de orçamento de estado para 2005 é despesista, de contenção ou demagógica ? Este nosso primeiro-ministro é mesmo a sério ou é só uma imagem virtual ?
Marcelo Rebelo de Sousa foi ou não “empurrado” para fora da TVI ?
A liberdade de imprensa está em risco em Portugal ?
O senhor presidente da república continua ou não preocupado ?
Álvaro Barreto acha que Paes do Amaral apenas fez aquilo que todos os empresários fazem, e que é não hostilizar o poder político. Não se tratou, pois, de pressão sobre Marcelo. Álvaro Barreto pensa que nós somos estúpidos ? Ou é ele que está xoné ?
Jerónimo Sousa vai ser o novo líder do PCP ? Vai mesmo ??
Guterres quebrou um silêncio de 3 anos para dizer que a vida política portuguesa actual mais parece um reality show ... não deve mesmo gostar nada de reality shows, para dizer isto !
Os palestinianos enlouqueceram e invadiram o funeral da Yasser Arafat... aquelas imagens quase desfizeram, em breves minutos, aquilo que Arafat levou uma vida inteira a fazer : a credibilidade da Palestina para vir a ser um Estado soberano.
Um muçulmano extremista quase degolou, em plena Amsterdão, o realizador Van Gogh, só porque este filmou um documentário denunciando a forma ignóbil como o islão trata as mulheres. Ou pelo menos como certos muçulmanos o fazem, invocando o islão.
Esta acção, pretendendo ser de vingança e de defesa da dignidade, apenas confirmou aquilo que Van Gogh denunciara : a coberto da religião, há formas de pensar e de actuar que não podem ser albergadas e toleradas na Europa. Nem se calhar no resto do Mundo.
E por aí fora, assim vai este país e este mundo, a caminhar apressadamente para a insalubridade mental.

terça-feira, novembro 09, 2004

BOLAS, QUE MAIS ME IRÁ ACONTECER ??

Nos ultimos dias tem sido uma avalanche de coisas desagradáveis : a revolta dos electrodomésticos, para começar, com as baixas do aspirador e da máquina de lavar roupa que tive que substituir. Não sem antes percorrer dezasseis lojas de electrodomésticos : umas não têm para entrega, as outras entregam mas não recebem ( os equipamentos velhos a substituir ) e ainda há aquelas que não têm nada em armazém nem parecem interessadas em encomendar ... enfim, Portugal, não é ?
Depois, o cartão do multibanco que se recusou a funcionar, obrigando-me a ir ao banco pedir outro e a resmungar com os tipos que, em pleno século XXI, são incapazes de produzir cartões com tarjetas que não se desmagnetizem.
Pelo meio, mais uma escritura, naquele edificio gigantesco que é a sede da CGD em Lisboa : burocracia, atrasos, calor dentro da sala em pleno Novembro...
Que mais ? Ah, uma mini-viagem meio de aventura que tinha combinada com pessoa amiga foi para as urtigas, inesperadamente, na véspera da largada ...
E ainda falta algo ... ah, sim ... da clínica veterinária telefonaram a dizer que a gatinha que nos tinham prometido tinha metido requerimento para ficar a mamar na mãe durante mais uns dias. Que havia de fazer ? Deferi o requerimento e tive de aturar a desilusão da minha filha que anda impacientíssima para ter a gatita cá em casa.
Como vêem, só chatices, desilusões, frustações. Ehehehehe ...Só duques, com este jogo não vou longe.
E não sei se notaram que, no meio destas coisas chatas todas, nem sequer falei do Governo e dos seus actos esquisitíssimos. Nem do n_ésimo ataque americano a Falluja, destinado ao êxito estrondoso dos anteriores, certamente. Nem de mais uma brilhantíssima dissertação política desse portento intelectual que é o sr. Ministro das relações parlamentares.
Náaaaa ... desta vez, para me chatear, bastou uma máquina de lavar roupa que desatou a fazer disparar o disjuntor geral do meu quadro eléctrico ...
Grrrrr ... que raiva, pá !!