UMA GANGRENA SOCIAL ALARMANTE !
Em carta ao director do “PÚBLICO” de hoje, um professor do 1º Ciclo do Quadro de Zona de Bragança, de nome José Alegre Mesquita, narra o seguinte : pela primeira vez em 24 anos de ensino, e apesar da sua 89ª posição na lista ordenada, este ano não foi colocado em nenhuma escola, tendo-lhe passado à frente mais de 400 ( ! ) outros professores, invocando motivos de saude e juntando atestados médicos obviamente passados com apressada ligeireza, quando não mesmo com leviandade. Mais de 60% dos professores deste quadro apresentaram atestados desses, num caso sem precedentes no nosso país.
O Ministério da Educação determinou uma averiguação a esta situação, é verdade, mas o certo é que este professor não tem colocação e não virá a ser ressarcido das angústias e incómodos que esta gente sem escrúpulos lhe provocou.
O mesmo professor conta que todos os amigos lhe diziam para fazer o mesmo, ao que ele se opôs, na convicção de que a vigarice e o oportunismo não teriam êxito.
Enganou-se. Passaram-lhe todos à frente, fraudulentamnte, com a complacência de Governo e Sindicatos.
E ainda se este fosse caso único ! Mas não, os exemplos de comportamentos enviezados e pouco éticos têm crescido como cogumelos nos ultimos tempos em Portugal : foge-se aos impostos, incluindo um numero crescente de “deficientes”, como foi recentemente noticiado ; passam-se atestados médicos nitidamente “exagerados”; organizam-se golpes e calúnias contra pessoas ou partidos ; conseguem-se pensões de reforma dignas das Mil e Uma Noites ; chega-se a Primeiro Ministro sem votação prévia ou transforma-se uma região autónoma num domínio feudal ...
Nestes casos, como em muitos outros, os portugueses estão a interiorizar a noção de que compensa ignorar a lei e torpedear as normas. A sensação reinante é a de que usar expedientes ilegítimos para obter vantagens pessoais já não é vigarice, é apenas legítimo direito de defesa, é ser esperto numa terra onde vale tudo.
Esta noção deturpada e cínica alastra como uma gangrena pelo tecido social português, acelerada pela quase certeza da impunidade. As situações são bem conhecidas publicamente, há anos, sem vestígio de censura ou penalização.
Em Portugal começa a não haver espaço para a honestidade e seriedade.
Em Portugal os homens e mulheres de bem começam a sentir-se num gueto.
Em Portugal, a vigarice está na moda, a falta de escrúpulos é que está a dar, de cima a baixo, da direita à esquerda.
Enquanto isto se passa, todos nós continuamos calmamente a almoçar e a jantar, a dormir o sono dos justos e a passar umas fériazinhas regaladas no ripanço de uma qualquer praia.
Incluindo o sr. Presidente da República, os membros do Governo, os senhores deputados da Assembleia da República, os senhores procuradores da Procuradoria-Geral da República, os senhores bastonários das Ordens dos Médicos e dos Advogados, os senhores dos partidos políticos, os senhores dos sindicatos ... e todos nós afinal !
Quando iremos nós fazer qualquer coisa para interromper esta gangrena galopante ??
Senhores que detêm o poder político e ou a responsabilidade : ajam, por favor. Ajam. Sem perda de tempo.
Mostrem que o crime não compensa.
Se não o fizerem já, cada dia que passa aumenta a impunidade e faz alastrar o mal a toda a nação.
Ajam. Já não têm ( temos ) muito tempo.
Blogs (Blogues) = crónicas (quase) diárias; registo periódico de factos, opiniões e críticas ; as impressões íntimas, a política, o social.
quinta-feira, setembro 30, 2004
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
9/30/2004 02:49:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, setembro 28, 2004
VELHAS FOTOGRAFIAS NUMA CASA VAZIA
Fui hoje à velha casa de família, em pleno Ribatejo. A casa está desabitada, embora todas as semanas lá vá uma mulher dos arredores abrir as janelas e regar as plantas que ainda resistem. Era a casa dos meus sogros ( já ambos desaparecidos ) mas a ela me ligam circunstâncias muito fortes. Para começar, foi um dos meus primeiros projectos, em engenharia civil : uma moradia de dois pisos, quartos amplos, uma casa de banho do tamanho da do Júlio César, uma cozinha com espaço para dar uma festa de casamento. Depois, ali vivi momentos inesquecíveis, junto de pessoas que gostavam de mim e a quem eu também amava. Ali se criou a minha filha, com os avós, enquanto andei por guerras de África, e mesmo depois disso. Não se admirem, pois, que aquela casa me fale e eu lhe responda, agora que está vazia e triste de tanta saudade.
Curiosamente, nunca sinto o vazio, dentro desta casa. Devia sentir, penso eu, mas não sinto. É como se todas as coisas me falassem e saudassem, felizes de me verem por ali. Sinto-me lá bem.
Hoje, a minha filha decidiu abrir uma velha gaveta, num móvel que alberga um velho e bonito relógio de pêndulo. A gaveta estava cheia de fotografias. Antigas. Algumas do principio do século passado, de 1900 e poucos. Os pais da minha mulher, os avós, o casamento de primas e primos, senhores com ar digno e bigode farfalhudo que eu não soube dizer à minha filha quem eram. A minha mulher em criança e em jovem. Ela própria, a minha filha, em fases diferentes da sua meninice. Algumas minhas, também, com um ar esfomeado e magricelas. Traços de vidas cumpridas e terminadas, umas, etapas já percorridas de vidas ainda em aberto, noutras.
Não me apercebi logo, mas fui-o sentindo à medida que as fotos me iam escorregando pelos dedos : a angústia do irremediavelmente passado ia-se infiltrando em mim, insidiosamente, mansamente...
Desisti de ver as fotos primeiro que a minha filha. Trouxe duas ou três da minha mulher, muito jovem, de uma beleza e juventude que ainda me faz sofrer pela sua perda.
E foi isto, apenas.
Viemos embora, pouco depois, uma refeição simples e apressada na zona de serviço de Torres Novas e pouco depois, Lisboa de novo.
Os vazios da minha vida ficaram lá, a cento e tal quilómetros.
Fotos envelhecidas mal arrumadas numa gaveta de um relógio de pêndulo que há muito esgotou a corda.
Fui hoje à velha casa de família, em pleno Ribatejo. A casa está desabitada, embora todas as semanas lá vá uma mulher dos arredores abrir as janelas e regar as plantas que ainda resistem. Era a casa dos meus sogros ( já ambos desaparecidos ) mas a ela me ligam circunstâncias muito fortes. Para começar, foi um dos meus primeiros projectos, em engenharia civil : uma moradia de dois pisos, quartos amplos, uma casa de banho do tamanho da do Júlio César, uma cozinha com espaço para dar uma festa de casamento. Depois, ali vivi momentos inesquecíveis, junto de pessoas que gostavam de mim e a quem eu também amava. Ali se criou a minha filha, com os avós, enquanto andei por guerras de África, e mesmo depois disso. Não se admirem, pois, que aquela casa me fale e eu lhe responda, agora que está vazia e triste de tanta saudade.
Curiosamente, nunca sinto o vazio, dentro desta casa. Devia sentir, penso eu, mas não sinto. É como se todas as coisas me falassem e saudassem, felizes de me verem por ali. Sinto-me lá bem.
Hoje, a minha filha decidiu abrir uma velha gaveta, num móvel que alberga um velho e bonito relógio de pêndulo. A gaveta estava cheia de fotografias. Antigas. Algumas do principio do século passado, de 1900 e poucos. Os pais da minha mulher, os avós, o casamento de primas e primos, senhores com ar digno e bigode farfalhudo que eu não soube dizer à minha filha quem eram. A minha mulher em criança e em jovem. Ela própria, a minha filha, em fases diferentes da sua meninice. Algumas minhas, também, com um ar esfomeado e magricelas. Traços de vidas cumpridas e terminadas, umas, etapas já percorridas de vidas ainda em aberto, noutras.
Não me apercebi logo, mas fui-o sentindo à medida que as fotos me iam escorregando pelos dedos : a angústia do irremediavelmente passado ia-se infiltrando em mim, insidiosamente, mansamente...
Desisti de ver as fotos primeiro que a minha filha. Trouxe duas ou três da minha mulher, muito jovem, de uma beleza e juventude que ainda me faz sofrer pela sua perda.
E foi isto, apenas.
Viemos embora, pouco depois, uma refeição simples e apressada na zona de serviço de Torres Novas e pouco depois, Lisboa de novo.
Os vazios da minha vida ficaram lá, a cento e tal quilómetros.
Fotos envelhecidas mal arrumadas numa gaveta de um relógio de pêndulo que há muito esgotou a corda.
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
9/28/2004 01:59:00 da manhã
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sábado, setembro 25, 2004
A ESTRANHA RELAÇÃO ENTRE BAGÃO FÉLIX E OS LAVAGANTES
- E aquelas ali, todas pretas, o que são, pai ?
- Aquelas são lavagantes, filho ....
Estava hoje a olhar para um daqueles aquários-tipo que existem nas cervejarias, enquanto almoçava, quando estas palavras me vieram à memória, muitos anos depois do meu pai me ter ensinado o nome daqueles bichos que estavam no meio das lagostas mas pareciam mais guerreiros japoneses com armaduras negras.
Alguns deles passeavam-se lentamente pelo fundo do aquário, com as tenazes atadas, provavelmente louvando ministros como a Drª Manuela Ferreira Leite e o Dr. Bagão Félix : graças a esses distintos gestores da coisa pública, poucas famílias, nesta zona, se atreverão a perturbar o seu sossego ...
Enquanto esperava umas sardinhas assadas ( obviamente menos beneficiadas pelo regime fiscal em vigor ), fui-me enternecendo a pensar no meu pai ( há muitos anos falecido ) e nas muitas coisas que aprendi com ele.
Coisas como andar de bicicleta, fazer uma fisga para atirar aos pardais ( ainda não tinham direitos, os pardais, naquele tempo ! ), fazer brinquedos de madeira, com o auxílio de algumas ferramentas e sobretudo ...pescar. Passei muitas tardes com ele, à sombra de um salgueiro, na margem do Tejo ou então nas rochas da praia dos Salgados, perto de S. Martinho do Porto, sua terra natal.
Falava pouco, mas junto dele sentia-me sempre bem, em paz, como se tudo na vida fosse simples e tranquilo. Nunca conheci ninguém mais despojado das coisas materiais da vida que o meu pai. Era feliz ( penso eu ) com muito pouco e a sua filosofia de vida consistia em tentar viver tranquilo e sem chatices.
Acho que, mesmo sem dar por isso, parte dessa sua essência passou para mim. Sempre fugi das coisas chatas e incómodas da vida, nunca me atrairam honras ou popularidade ou riqueza. Fiquei em pânico, uma ou duas vezes na vida, só porque um desmiolado qualquer queria à viva força fazer de mim ministro, naqueles conturbados anos de 74/75 .... ainda hoje tremo só de pensar nisso.
Pois é. O meu pai. Tenho saudades dele... Da minha mãe também, com quem sempre tive uma relação agitada, de amor e desentendimento. Um dia hei-de falar disso, talvez. Mas sinto mais a falta de uma pessoa como o meu pai. Gostava de mim e eu sabia-o mesmo sem ele dizer uma palavra que fosse. Bastava ir com ele, de bicicleta, a pedalar por carreiros fora direitos ao Tejo, com as canas de pesca atadas ao longo das bicicletas.
Voltemos ao protector dos lavagantes. Ao dr. Bagão Félix. ( raio de nome ... ). Este circunspecto senhor tem mesmo um ar digno, sério, lavado, educado, não tem ? E diz coisas a favor dos pobrezinhos, contra os ricos ! Pessoa minha amiga disse dele que lhe achava um ar de padre, querem maior elogio ?
Gosto mesmo muito deste senhor tão sério. Portugal precisa de homens destes. Contudo, ando a ficar um pouco baralhado : primeiro, quando ele disse que eu pertencia ao grupo de 30% das pessoas mais ricas deste país. É que eu faço todos os anos um PPR . Bem, aí ainda acreditei ... Mas agora é que fiquei mesmo baralhado : se o senhor é assim tão asceta, sério, anti-corrupção e anti-PPR, porque diabo é que arranjou aquele tacho na CGD à ex-ministra Cardona ? Então o Estado não pode beneficiar-me em 250 euros por ano como incentivo no meu PPR mas pode pagar pr’aí uns 15.000 euros POR MÊS àquela senhora que NADA sabe daquilo ??
Decididamente, a vida está é para os lavagantes ...
- E aquelas ali, todas pretas, o que são, pai ?
- Aquelas são lavagantes, filho ....
Estava hoje a olhar para um daqueles aquários-tipo que existem nas cervejarias, enquanto almoçava, quando estas palavras me vieram à memória, muitos anos depois do meu pai me ter ensinado o nome daqueles bichos que estavam no meio das lagostas mas pareciam mais guerreiros japoneses com armaduras negras.
Alguns deles passeavam-se lentamente pelo fundo do aquário, com as tenazes atadas, provavelmente louvando ministros como a Drª Manuela Ferreira Leite e o Dr. Bagão Félix : graças a esses distintos gestores da coisa pública, poucas famílias, nesta zona, se atreverão a perturbar o seu sossego ...
Enquanto esperava umas sardinhas assadas ( obviamente menos beneficiadas pelo regime fiscal em vigor ), fui-me enternecendo a pensar no meu pai ( há muitos anos falecido ) e nas muitas coisas que aprendi com ele.
Coisas como andar de bicicleta, fazer uma fisga para atirar aos pardais ( ainda não tinham direitos, os pardais, naquele tempo ! ), fazer brinquedos de madeira, com o auxílio de algumas ferramentas e sobretudo ...pescar. Passei muitas tardes com ele, à sombra de um salgueiro, na margem do Tejo ou então nas rochas da praia dos Salgados, perto de S. Martinho do Porto, sua terra natal.
Falava pouco, mas junto dele sentia-me sempre bem, em paz, como se tudo na vida fosse simples e tranquilo. Nunca conheci ninguém mais despojado das coisas materiais da vida que o meu pai. Era feliz ( penso eu ) com muito pouco e a sua filosofia de vida consistia em tentar viver tranquilo e sem chatices.
Acho que, mesmo sem dar por isso, parte dessa sua essência passou para mim. Sempre fugi das coisas chatas e incómodas da vida, nunca me atrairam honras ou popularidade ou riqueza. Fiquei em pânico, uma ou duas vezes na vida, só porque um desmiolado qualquer queria à viva força fazer de mim ministro, naqueles conturbados anos de 74/75 .... ainda hoje tremo só de pensar nisso.
Pois é. O meu pai. Tenho saudades dele... Da minha mãe também, com quem sempre tive uma relação agitada, de amor e desentendimento. Um dia hei-de falar disso, talvez. Mas sinto mais a falta de uma pessoa como o meu pai. Gostava de mim e eu sabia-o mesmo sem ele dizer uma palavra que fosse. Bastava ir com ele, de bicicleta, a pedalar por carreiros fora direitos ao Tejo, com as canas de pesca atadas ao longo das bicicletas.
Voltemos ao protector dos lavagantes. Ao dr. Bagão Félix. ( raio de nome ... ). Este circunspecto senhor tem mesmo um ar digno, sério, lavado, educado, não tem ? E diz coisas a favor dos pobrezinhos, contra os ricos ! Pessoa minha amiga disse dele que lhe achava um ar de padre, querem maior elogio ?
Gosto mesmo muito deste senhor tão sério. Portugal precisa de homens destes. Contudo, ando a ficar um pouco baralhado : primeiro, quando ele disse que eu pertencia ao grupo de 30% das pessoas mais ricas deste país. É que eu faço todos os anos um PPR . Bem, aí ainda acreditei ... Mas agora é que fiquei mesmo baralhado : se o senhor é assim tão asceta, sério, anti-corrupção e anti-PPR, porque diabo é que arranjou aquele tacho na CGD à ex-ministra Cardona ? Então o Estado não pode beneficiar-me em 250 euros por ano como incentivo no meu PPR mas pode pagar pr’aí uns 15.000 euros POR MÊS àquela senhora que NADA sabe daquilo ??
Decididamente, a vida está é para os lavagantes ...
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
9/25/2004 05:39:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, setembro 24, 2004
DESCULPAS
Peço desculpas a dois dos meus leitores que fizeram comentários ao meu ultimo post. Eu li-os, mas não consegui que eles ficassem disponíveis no blog, por motivos técnicos que não consegui decifrar.
Será que estamos - os meus leitores e eu próprio - a sofrer represálias pelas críticas ao processo da colocação dos professores ??
O vírus COMPTA/ME estará a atacar ?
Veremos se este problema se resolve no futuro ...
Peço desculpas a dois dos meus leitores que fizeram comentários ao meu ultimo post. Eu li-os, mas não consegui que eles ficassem disponíveis no blog, por motivos técnicos que não consegui decifrar.
Será que estamos - os meus leitores e eu próprio - a sofrer represálias pelas críticas ao processo da colocação dos professores ??
O vírus COMPTA/ME estará a atacar ?
Veremos se este problema se resolve no futuro ...
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
9/24/2004 01:52:00 da manhã
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, setembro 22, 2004
TACHOCRACIA INTER-PARTIDÁRIA DE FACHADA DEMOCRÁTICA
Já o disse muitas vezes, mas repito agora : não sou extremista, em termos políticos. Com isto quero dizer que não acredito na eficácia de preconizar medidas políticas extremas no que respeita à evolução das sociedades. Pertenço, acho eu, a uma esquerda um pouco romântica, acredito em valores humanos e sociais básicos ( como justiça social, solidariedade, honestidade... ), penso que as transformações sociais se fazem gradualmente, com luta sim, mas sem balas nem mortes.
Sou isto tudo ... mas não sou parvo.
E como não me considero parvo, apetece-me hoje falar-vos de um fenómeno das nossas sociedades que de tão rotineiro e persistente se arrisca a ser considerado “normal”. Trata-se do fenómeno da distribuição inter-partidária dos bons tachos. A tacharia inter-partidária.
Vejamos como funciona : os senhores e senhoras das camadas superiores dos partidos de governo constituem-se numa espécie de clube de elites do país. Possuem formações académicas superiores, vestem bem, frequentam os mesmos círculos sociais e todos ostentam idênticos sinais exteriores de bem-estar social. São educados, simpáticos, bem falantes, não deixam que a ideologia dos partidos a que pertencem provoquem entre eles divisões ou atritos. São amigos dos membros do Governo e dos dirigentes partidários. Estão sempre presentes em todas as cerimónias de tomadas de posse, de director-geral para cima. Telefonam-se, convidam-se, fazem-se notar.
Depois ... é fácil : são sempre eles, e só eles, os elegíveis para todos os cargos públicos ou semi-públicos onde se ganha bem. É como se possuissem um alvará que mais ninguém tem. Rodam de empresa em empresa, de conselho de administração em conselho de administração. Sempre eles. Só eles. Mais ninguém tem acesso a este clube altamente restrito e ferozmente defendido da vil populaça.
Neste clube não interessa ser-se do PSD ou do PS ou do CDS. Quanto muito, ser-se do partido que está no poder apenas confere prioridade para os melhores lugares. Mas os outros podem sempre contar com lugares igualmente bem remunerados ...
E digo-vos mais : o mesmo fenómeno se nota, embora em grau muito inferior ( como convêm ... ) nas autarquias onde o PCP manda !
Ah, não pensem que os membros deste clube têm andado distraidos ... durante estes anos arranjaram maneira de se aumentarem, de aprovarem benesses várias, honrarias e distinções... por algum motivo os vencimentos dos gestores portugueses estão dentro dos maiores praticados na Europa !! Sim, ouviram bem !! Em valor absoluto, euro por euro. E, espertos como são, ainda passam a vida a afirmar que ganham pouco ...
Quanto a benesses, é melhor que ponham os olhos na pensão que o pobre do engº Mira Amaral vai usufruir por ter estado um ano e pouco no conselho de administração da CGD : mais de 3.000 contos por mês, coitado ! Leram bem, três mil contos mensais, uma bagatela, nada de especial. Nós, os tesos, é que não temos noção do que custa vestir bem e ter de ir almoçar a bons restaurantes, levar a família de férias para as praias das Caraíbas e ter de comprar e manter o Audi A-8 e a vivenda na Quinta da Marinha, para não falar da outra, naquela urbanização fechada da costa nordeste do Brasil. Experimentem, e vejam lá se não precisam mesmo dos 3.000 contos mensais... está tudo pelas horas da morte !
Bom, o que podemos fazer contra isto ? Confesso que não sei. Suponho que a primeira coisa que podemos e devemos fazer é tomar conhecimento.
Depois, podemos expressar a nossa indignação e o nosso cansaço deste vício tremendo.
Cada um de nós pode dizer : basta !
É que isto assim não é democracia, não é nada. Parodiando os outros, diria mesmo que a ser alguma coisa é tachocracia de fachada democrática ...
Já o disse muitas vezes, mas repito agora : não sou extremista, em termos políticos. Com isto quero dizer que não acredito na eficácia de preconizar medidas políticas extremas no que respeita à evolução das sociedades. Pertenço, acho eu, a uma esquerda um pouco romântica, acredito em valores humanos e sociais básicos ( como justiça social, solidariedade, honestidade... ), penso que as transformações sociais se fazem gradualmente, com luta sim, mas sem balas nem mortes.
Sou isto tudo ... mas não sou parvo.
E como não me considero parvo, apetece-me hoje falar-vos de um fenómeno das nossas sociedades que de tão rotineiro e persistente se arrisca a ser considerado “normal”. Trata-se do fenómeno da distribuição inter-partidária dos bons tachos. A tacharia inter-partidária.
Vejamos como funciona : os senhores e senhoras das camadas superiores dos partidos de governo constituem-se numa espécie de clube de elites do país. Possuem formações académicas superiores, vestem bem, frequentam os mesmos círculos sociais e todos ostentam idênticos sinais exteriores de bem-estar social. São educados, simpáticos, bem falantes, não deixam que a ideologia dos partidos a que pertencem provoquem entre eles divisões ou atritos. São amigos dos membros do Governo e dos dirigentes partidários. Estão sempre presentes em todas as cerimónias de tomadas de posse, de director-geral para cima. Telefonam-se, convidam-se, fazem-se notar.
Depois ... é fácil : são sempre eles, e só eles, os elegíveis para todos os cargos públicos ou semi-públicos onde se ganha bem. É como se possuissem um alvará que mais ninguém tem. Rodam de empresa em empresa, de conselho de administração em conselho de administração. Sempre eles. Só eles. Mais ninguém tem acesso a este clube altamente restrito e ferozmente defendido da vil populaça.
Neste clube não interessa ser-se do PSD ou do PS ou do CDS. Quanto muito, ser-se do partido que está no poder apenas confere prioridade para os melhores lugares. Mas os outros podem sempre contar com lugares igualmente bem remunerados ...
E digo-vos mais : o mesmo fenómeno se nota, embora em grau muito inferior ( como convêm ... ) nas autarquias onde o PCP manda !
Ah, não pensem que os membros deste clube têm andado distraidos ... durante estes anos arranjaram maneira de se aumentarem, de aprovarem benesses várias, honrarias e distinções... por algum motivo os vencimentos dos gestores portugueses estão dentro dos maiores praticados na Europa !! Sim, ouviram bem !! Em valor absoluto, euro por euro. E, espertos como são, ainda passam a vida a afirmar que ganham pouco ...
Quanto a benesses, é melhor que ponham os olhos na pensão que o pobre do engº Mira Amaral vai usufruir por ter estado um ano e pouco no conselho de administração da CGD : mais de 3.000 contos por mês, coitado ! Leram bem, três mil contos mensais, uma bagatela, nada de especial. Nós, os tesos, é que não temos noção do que custa vestir bem e ter de ir almoçar a bons restaurantes, levar a família de férias para as praias das Caraíbas e ter de comprar e manter o Audi A-8 e a vivenda na Quinta da Marinha, para não falar da outra, naquela urbanização fechada da costa nordeste do Brasil. Experimentem, e vejam lá se não precisam mesmo dos 3.000 contos mensais... está tudo pelas horas da morte !
Bom, o que podemos fazer contra isto ? Confesso que não sei. Suponho que a primeira coisa que podemos e devemos fazer é tomar conhecimento.
Depois, podemos expressar a nossa indignação e o nosso cansaço deste vício tremendo.
Cada um de nós pode dizer : basta !
É que isto assim não é democracia, não é nada. Parodiando os outros, diria mesmo que a ser alguma coisa é tachocracia de fachada democrática ...
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
9/22/2004 07:30:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, setembro 21, 2004
UMA IMENSA TRISTEZA ...
Inacreditável.
Confrangedor, mesmo.
O que me perturba não é o fracasso reiterado e quase suicidário das listas de colocação de professores. O que me faz calafrios é a ignorância, incompetência e incapacidade de decisão de tanta gente que anda lá pelo ministério á volta desta questão.
Como é possível esta gente toda estar colocada no ME ? Então é a gente desta que estamos “entregues” ? E nos outros ministérios, há alguns motivos para pensar que a situação seja diferente ?
Leitores : tenho mais de quinze anos a trabalhar em informática, como gestor num departamento público responsável pelo desenvolvimento de sistemas de informação ( vulgo programas ) de grau de complexidade elevada.
Sei muito bem como se processa este tipo de trabalho, aprendi, antes de mais, que todo o cuidado é pouco nas fases iniciais dos projectos, a de definição dos requisitos operacionais ( o que se pretende que o programa faça, de facto ) e a da análise dos fluxos e processamentos de dados, a que também poderíamos chamar a da definição das regras do jogo.
Estas fases exigem um trabalho permanente e íntimo entre dois grupos de pessoas : as donas do projecto, que devem conhecer exactamente os objectivos a atingir e todas as regras do jogo e aquelas outras pessoas que sabem analisar estas regras e convertê-las numa lógica de programação simples. Estes dois tipos de pessoas devem ser competentes nas áreas respectivas e devem também saber trabalhar em equipa, todos eles liderados por um chefe de projecto prestigiado, idóneo e experiente.
Esta interacção é tão íntima, tão estreita e imprescindível, que muitas vezes deve começar mesmo ANTES da definição das regras do jogo, ANTES da sua tradução em lei.
E aqui começam os factos aberrantes neste caso concreto : as regras do jogo de colocação de professores ( o DL 35/2003 e demais legislação posterior ) são obtusas, mal redigidas, pouco claras e muitas vezes quase incompreensíveis, numa perspectiva da sua conversão para linguagem binária. Em algumas das regras parece mesmo ter havido a preocupação de complicar as coisas, de forma a que não funcionem. E eu sei porquê : a concepção do modelo do concurso foi feita essencialmente por técnicos de gestão do pessoal docente e por juristas, uns e outros sem quaisquer preocupações de viabilidade do tratamento informático posterior.
Querem um exemplo ? Leiam as regras para afectação dos professores dos QZP a horários surgidos nesses QZP. Os horários são divididos em grupos, consoante o numero de horas, os professores declaram as suas preferências por escolas mas a estas acaba por se sobrepor o maior número de horas dos horários ... um pesadelo, concretizar estas regras baralhadas num programa informático. A hesitação do legislador, as suas duvidas e incertezas acabam por se tornar numa armadilha mortal para algum incauto que vá definir uma lógica de decisão para o sistema informático.
Depois ... estão mesmo a ver a dinâmica de uma equipa de projecto conjunta com técnicos do ME e de uma firma privada exterior, não estão ? Uns sem ideia nenhuma do que é a lógica binária, os outros sem qualquer contacto ou experiência do que é o mundo da colocação de professores !
Juntem a isto uma orientação política incapaz, desde o nível de director-geral até ao próprio ministro, e terão a fotografia completa do desastre.
Mais : em alturas de contingência, há que saber escolher alternativas, sem hesitações. Não é o que tenho visto suceder. Em diversas ocasiões, lembro-me de pensar que a decisão óbvia e sensata não fora tomada.
Por exemplo, quando se notaram milhares de erros na primeira lista de ordenações, decidiu o ME continuar o processo, avaliando as dezenas de milhares de reclamações entradas.
O mais elementar bom-senso aconselharia outro caminho : reconhecer que grande parte dos erros foram devidos aos impressos de recolha abstruzos que inventaram e á recolha dos dados pela leitura óptica desses impressos, com reconhecimento óptico de caracteres.
Qualquer pessoa com experiência destas coisas teria seguido outro caminho : redesenho do impresso de recolha e repetição dessa fase com maior garantia de dados sãos.
Outro exemplo : algumas das lógicas de validação dos dados recolhidos, nessa fase das listagens provisórias e definitivas, estavam totalmente erradas, numa perspectiva funcional, denunciando uma ligação imperfeita entre o ME e a firma de informática.
Aparentemente, ninguém se preocupou com isso.
Qualquer pessoa com experiência neste domínio teria ficado com os cabelos em pé e teria feito uma autêntica revolução na equipa de projecto, exigindo que os informáticos fossem totalmente esclarecidos quanto às regras das colocações ou optando por mudar a empresa responsável ... ou ambas as medidas.
Tal não foi feito, muitos erros forma considerados “erros informáticos” sem mais consequências.... Mas como é possível, já nesta fase final, afectar um professor de um determinado QZP a uma escola de outro QZP ? Pensam que isto é um erro informático ? O tanas é que é : isto é pura e simplesmente um erro de coordenação dentro da equipa e um erro na incapacidade de detecção de erros na fase de testes.
Enfim ... uma infinita tristeza, é o que tudo isto me provoca.
Como já disse, bem gostaria de pensar que a gestão da coisa pública estivesse entregue em mãos mais experientes ... mas a verdade é que está entregue a amadores. E maus.
Inacreditável.
Confrangedor, mesmo.
O que me perturba não é o fracasso reiterado e quase suicidário das listas de colocação de professores. O que me faz calafrios é a ignorância, incompetência e incapacidade de decisão de tanta gente que anda lá pelo ministério á volta desta questão.
Como é possível esta gente toda estar colocada no ME ? Então é a gente desta que estamos “entregues” ? E nos outros ministérios, há alguns motivos para pensar que a situação seja diferente ?
Leitores : tenho mais de quinze anos a trabalhar em informática, como gestor num departamento público responsável pelo desenvolvimento de sistemas de informação ( vulgo programas ) de grau de complexidade elevada.
Sei muito bem como se processa este tipo de trabalho, aprendi, antes de mais, que todo o cuidado é pouco nas fases iniciais dos projectos, a de definição dos requisitos operacionais ( o que se pretende que o programa faça, de facto ) e a da análise dos fluxos e processamentos de dados, a que também poderíamos chamar a da definição das regras do jogo.
Estas fases exigem um trabalho permanente e íntimo entre dois grupos de pessoas : as donas do projecto, que devem conhecer exactamente os objectivos a atingir e todas as regras do jogo e aquelas outras pessoas que sabem analisar estas regras e convertê-las numa lógica de programação simples. Estes dois tipos de pessoas devem ser competentes nas áreas respectivas e devem também saber trabalhar em equipa, todos eles liderados por um chefe de projecto prestigiado, idóneo e experiente.
Esta interacção é tão íntima, tão estreita e imprescindível, que muitas vezes deve começar mesmo ANTES da definição das regras do jogo, ANTES da sua tradução em lei.
E aqui começam os factos aberrantes neste caso concreto : as regras do jogo de colocação de professores ( o DL 35/2003 e demais legislação posterior ) são obtusas, mal redigidas, pouco claras e muitas vezes quase incompreensíveis, numa perspectiva da sua conversão para linguagem binária. Em algumas das regras parece mesmo ter havido a preocupação de complicar as coisas, de forma a que não funcionem. E eu sei porquê : a concepção do modelo do concurso foi feita essencialmente por técnicos de gestão do pessoal docente e por juristas, uns e outros sem quaisquer preocupações de viabilidade do tratamento informático posterior.
Querem um exemplo ? Leiam as regras para afectação dos professores dos QZP a horários surgidos nesses QZP. Os horários são divididos em grupos, consoante o numero de horas, os professores declaram as suas preferências por escolas mas a estas acaba por se sobrepor o maior número de horas dos horários ... um pesadelo, concretizar estas regras baralhadas num programa informático. A hesitação do legislador, as suas duvidas e incertezas acabam por se tornar numa armadilha mortal para algum incauto que vá definir uma lógica de decisão para o sistema informático.
Depois ... estão mesmo a ver a dinâmica de uma equipa de projecto conjunta com técnicos do ME e de uma firma privada exterior, não estão ? Uns sem ideia nenhuma do que é a lógica binária, os outros sem qualquer contacto ou experiência do que é o mundo da colocação de professores !
Juntem a isto uma orientação política incapaz, desde o nível de director-geral até ao próprio ministro, e terão a fotografia completa do desastre.
Mais : em alturas de contingência, há que saber escolher alternativas, sem hesitações. Não é o que tenho visto suceder. Em diversas ocasiões, lembro-me de pensar que a decisão óbvia e sensata não fora tomada.
Por exemplo, quando se notaram milhares de erros na primeira lista de ordenações, decidiu o ME continuar o processo, avaliando as dezenas de milhares de reclamações entradas.
O mais elementar bom-senso aconselharia outro caminho : reconhecer que grande parte dos erros foram devidos aos impressos de recolha abstruzos que inventaram e á recolha dos dados pela leitura óptica desses impressos, com reconhecimento óptico de caracteres.
Qualquer pessoa com experiência destas coisas teria seguido outro caminho : redesenho do impresso de recolha e repetição dessa fase com maior garantia de dados sãos.
Outro exemplo : algumas das lógicas de validação dos dados recolhidos, nessa fase das listagens provisórias e definitivas, estavam totalmente erradas, numa perspectiva funcional, denunciando uma ligação imperfeita entre o ME e a firma de informática.
Aparentemente, ninguém se preocupou com isso.
Qualquer pessoa com experiência neste domínio teria ficado com os cabelos em pé e teria feito uma autêntica revolução na equipa de projecto, exigindo que os informáticos fossem totalmente esclarecidos quanto às regras das colocações ou optando por mudar a empresa responsável ... ou ambas as medidas.
Tal não foi feito, muitos erros forma considerados “erros informáticos” sem mais consequências.... Mas como é possível, já nesta fase final, afectar um professor de um determinado QZP a uma escola de outro QZP ? Pensam que isto é um erro informático ? O tanas é que é : isto é pura e simplesmente um erro de coordenação dentro da equipa e um erro na incapacidade de detecção de erros na fase de testes.
Enfim ... uma infinita tristeza, é o que tudo isto me provoca.
Como já disse, bem gostaria de pensar que a gestão da coisa pública estivesse entregue em mãos mais experientes ... mas a verdade é que está entregue a amadores. E maus.
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
9/21/2004 06:28:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sábado, setembro 18, 2004
MAIS UMA IDEIA ORIGINAL EM SEDE DE IRS !
( os cidadãos que não fogem ao fisco devem pagar a crise ! )
A ideia é SEMPRE a mesma, inapelavelmente, infatigavelmente, desavergonhadamente : extorquir MAIS dinheiro àqueles que já pagam IRS.
Sim, todos nós sabemos que é mais fácil fazer isso do que ir incomodar e aborrecer os nossos ( deles ... ) amigalhaços que não se dignam pagar o seu IRSzito ... ainda se iam ofender connosco, sei lá ...
Apenas um aparte : sabem que os rendimentos médios declarados por engenheiros, advogados, médicos, etc ... em 2003 andavam à roda dos 800 euros mensais ? Taditos, ganham mesmo mal para quem tem tantos estudos e tanto trabalho ! Só os dentistas declararam um pouco mais, cerca de 1250 euros, imaginem !
Pois bem : em vez de fazer pagar essa malta toda, em vez de obrigar os bancos a pagar mais que uns míseros 13 a 14% de IRC, vá de acabar com os benefícios fiscais de quem faz contas poupança, tanto de reforma como de habitação ! Ora toma ! Vai-se buscar aos mais ricos, diz o Ministro ...
Aos mais ricos ???
Vai-se é buscar sempre aos mesmos, sempre aos mesmos, digo eu.
Até que esses mesmos acordem, de uma vez por todas, e resolvam dar um belo pontapé no rabo a quem assim os trata, deixando de lado, intocáveis e descansadinhos, todos os figurões acima referidos !
Hem ? Que acham da ideia ? Vamos a isso ?
( os cidadãos que não fogem ao fisco devem pagar a crise ! )
A ideia é SEMPRE a mesma, inapelavelmente, infatigavelmente, desavergonhadamente : extorquir MAIS dinheiro àqueles que já pagam IRS.
Sim, todos nós sabemos que é mais fácil fazer isso do que ir incomodar e aborrecer os nossos ( deles ... ) amigalhaços que não se dignam pagar o seu IRSzito ... ainda se iam ofender connosco, sei lá ...
Apenas um aparte : sabem que os rendimentos médios declarados por engenheiros, advogados, médicos, etc ... em 2003 andavam à roda dos 800 euros mensais ? Taditos, ganham mesmo mal para quem tem tantos estudos e tanto trabalho ! Só os dentistas declararam um pouco mais, cerca de 1250 euros, imaginem !
Pois bem : em vez de fazer pagar essa malta toda, em vez de obrigar os bancos a pagar mais que uns míseros 13 a 14% de IRC, vá de acabar com os benefícios fiscais de quem faz contas poupança, tanto de reforma como de habitação ! Ora toma ! Vai-se buscar aos mais ricos, diz o Ministro ...
Aos mais ricos ???
Vai-se é buscar sempre aos mesmos, sempre aos mesmos, digo eu.
Até que esses mesmos acordem, de uma vez por todas, e resolvam dar um belo pontapé no rabo a quem assim os trata, deixando de lado, intocáveis e descansadinhos, todos os figurões acima referidos !
Hem ? Que acham da ideia ? Vamos a isso ?
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
9/18/2004 04:06:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, setembro 10, 2004
UMA VISÃO DE FUTURO PARA OS PROFS, PRECISA-SE !
Nos ultimos dias, por pressão dos atribulados concursos de professores para o próximo ano lectivo, surgiu uma grande polémica centrada na gestão do pessoal docente de nomeação definitiva dos quadros de escola ( QE ) e dos quadros de zona pedagógica ( QZP ). A discussão tem sido feita mais em termos emotivos e egoistas do que outra coisa, passando ao lado das verdadeiras ( e incómodas ) questões de ordem estratégica e conceptual.
Sim, a verdade é que tem faltado uma noção do que são os QZP e de qual virá a ser o modelo futuro da relação contratual com o Estado de TODOS os professores.
Os QZP surgiram há poucos anos, como uma resposta à dificuldade do ME – e à sua pouca vontade política – em determinar as necessidades reais das diversas escolas em pessoal docente profissionalizado. Estas necessidades, no microcosmo de cada escola, têm vindo a variar muitissimo, nos ultimos anos, face a um cenário de diminuição da população estudantil nacional, a oscilações regionais e também a reestruturações da rede escolar.
O modelo exclusivo até há uns anos, de vínculos definitivos a cada escola ( os profs dos QE ) é extremamente pouco flexível, de facto, dada a dificuldade de introduzir ajustes na afectação dos professores às necessidades das escolas, em mudança permanente.
... De onde que a ideia da criação de “bolsas” regionais de professores é lógica e responde a essa mutabilidade das necessidades : assim, anualmente ou mesmo no meio de um ano escolar, os profs são redistribuidos pelas escolas em função da realidade existente.
Assim foi feito.
No actual panorama, co-existindo estes dois modelos de gestão do pessoal docente com vínculo definitivo, é totalmente compreensível ( diria mesmo que é indispensável para o funcionamento do sistema ) que seja dada prioridade aos professores de cada QZP na ocupação das vagas docentes inventariadas em cada ano para ESSE QZP( para além das que são asseguradas pelo pessoal QE das escolas desse QZP ).
Fazer o oposto seria negar a própria lógica da criação destas bolsas regionais de pessoal. Dito de outra forma, o vínculo destes profs dos QZP aos lugares surgidos no seu QZP é exactamente do mesmo tipo que o vínculo dos profs dos QE aos seus lugares das escolas : eles pertencem-lhes, ponto final, parágrafo.
Até aqui, creio que é insustentável outra visão, a menos que seja o interesse pessoal, legítimo ou ilegitimo, a falar e não a razão das coisas.
Dito isto, há algo contudo que parece faltar em toda esta amálgama de situações ... falta um quadro de intelegibilidade ultima, falta uma estratégia de transição que indique o caminho para uma situação final que seja transparente e funcional e que corrija eventuais injustiças !
Em meu entender, essa estratégia de transição poderia ser a de se caminhar, gradualmente, para uma situação onde os QE desaparecessem, sendo substituidos pelos QZP, na totalidade do pessoal docente. De resto, como em qualquer grande empresa com unidades geograficamente dispersas, ou mesmo como nas organizações militares. O pessoal pertence a um quadro único, ou a poucos quadros regionais e depois movimenta-se pelos diferentes locais de trabalho de acordo com regras específicas e, eventualmente, incentivos adequados.
Se assim fosse, se este conceito existisse bem claro pelas bandas do Governo ( depois de discutido com os sindicatos, claro ) então seria exigível definir uma forma de caminhar da realidade actual para a futura : não me parece complicado, por exemplo, criar um acréscimo de vagas anuais, em cada QZP, destinadas ao pessoal QE que a elas se candidatasse. Sempre que um professor QE entrasse num QZP a “sua” vaga QE na escola seria extinta, claro, embora pudesse continuar a ser um horário existente.Caso exista a necessidade de renovar os quadros, seria destinada a esses casos uma quota específica de vagas nos QZP, para os novos efectivos.
Esta solução iria encontrar oposição de muitos profs dos QE, claro, é natural. Mas também a transição seria longa e, no fim, a quase totalidade dos profs mais velhos, com maiores graduações profissionais, acabaria ou por nunca passar pelos QZP ou, mesmo que o fizessem, acabariam por ir parar às mesmas escolas da sua preferência.
Bom, se o ME pensasse assim, então daria uma perspectiva de futuro a todos esses professores dos QE que agora se angustiam por não terem o “seu” destacamento ... é que lhes seria dada oportunidade de ficarem, eles também, nas condições dos QZP, a quem eles agoram acusam de privilegiados ...
Depois se veria, mas eu acredito que muitos seriam tentados a concorrer aos QZP, uma vez que , dentro desses quadros, a sua posição relativa na lista ordenada seria boa, dadas as suas graduações profissionais.
O que sucedeu este ano, sem lhes dar uma “ideia” do futuro nem a possibilidade de concorrer aos QZP, onde não existiam vagas, foi mesmo muito MAU, em termos políticos e de gestão de pessoal, tendo pressionado tanta gente a ficar “doente”, como se viu !
Claro que esperar estas ideias e esta noção de futuro deste ME ( ou do anterior, para ser mais justo ), embora sendo o “abc” de qualquer gestor de recursos humanos, seria esperar MUITO de uma equipa que primou pela mais inacreditável incompetência, ainda por cima a par de uma arrogância tremenda.
Mas este Governo, esta nova senhora Ministra, tem agora ocasião de fazer melhor, de inovar e de corrigir esses erros. Aqui fica a sugestão de um possível caminho.
Ah, e já agora : substituam aquela senhora directora-geral dos recursos humanos, ela já demonstrou que não faz a mínima ideia do que deve ser um director-geral nesse sector complicado do Ensino. E vejam, já agora também, se dentro dos inúmeros boys que passam a vida a admitir, arranjam alguém que tenha experiência ou ideias ou inteligência ...
Já agora.
Nos ultimos dias, por pressão dos atribulados concursos de professores para o próximo ano lectivo, surgiu uma grande polémica centrada na gestão do pessoal docente de nomeação definitiva dos quadros de escola ( QE ) e dos quadros de zona pedagógica ( QZP ). A discussão tem sido feita mais em termos emotivos e egoistas do que outra coisa, passando ao lado das verdadeiras ( e incómodas ) questões de ordem estratégica e conceptual.
Sim, a verdade é que tem faltado uma noção do que são os QZP e de qual virá a ser o modelo futuro da relação contratual com o Estado de TODOS os professores.
Os QZP surgiram há poucos anos, como uma resposta à dificuldade do ME – e à sua pouca vontade política – em determinar as necessidades reais das diversas escolas em pessoal docente profissionalizado. Estas necessidades, no microcosmo de cada escola, têm vindo a variar muitissimo, nos ultimos anos, face a um cenário de diminuição da população estudantil nacional, a oscilações regionais e também a reestruturações da rede escolar.
O modelo exclusivo até há uns anos, de vínculos definitivos a cada escola ( os profs dos QE ) é extremamente pouco flexível, de facto, dada a dificuldade de introduzir ajustes na afectação dos professores às necessidades das escolas, em mudança permanente.
... De onde que a ideia da criação de “bolsas” regionais de professores é lógica e responde a essa mutabilidade das necessidades : assim, anualmente ou mesmo no meio de um ano escolar, os profs são redistribuidos pelas escolas em função da realidade existente.
Assim foi feito.
No actual panorama, co-existindo estes dois modelos de gestão do pessoal docente com vínculo definitivo, é totalmente compreensível ( diria mesmo que é indispensável para o funcionamento do sistema ) que seja dada prioridade aos professores de cada QZP na ocupação das vagas docentes inventariadas em cada ano para ESSE QZP( para além das que são asseguradas pelo pessoal QE das escolas desse QZP ).
Fazer o oposto seria negar a própria lógica da criação destas bolsas regionais de pessoal. Dito de outra forma, o vínculo destes profs dos QZP aos lugares surgidos no seu QZP é exactamente do mesmo tipo que o vínculo dos profs dos QE aos seus lugares das escolas : eles pertencem-lhes, ponto final, parágrafo.
Até aqui, creio que é insustentável outra visão, a menos que seja o interesse pessoal, legítimo ou ilegitimo, a falar e não a razão das coisas.
Dito isto, há algo contudo que parece faltar em toda esta amálgama de situações ... falta um quadro de intelegibilidade ultima, falta uma estratégia de transição que indique o caminho para uma situação final que seja transparente e funcional e que corrija eventuais injustiças !
Em meu entender, essa estratégia de transição poderia ser a de se caminhar, gradualmente, para uma situação onde os QE desaparecessem, sendo substituidos pelos QZP, na totalidade do pessoal docente. De resto, como em qualquer grande empresa com unidades geograficamente dispersas, ou mesmo como nas organizações militares. O pessoal pertence a um quadro único, ou a poucos quadros regionais e depois movimenta-se pelos diferentes locais de trabalho de acordo com regras específicas e, eventualmente, incentivos adequados.
Se assim fosse, se este conceito existisse bem claro pelas bandas do Governo ( depois de discutido com os sindicatos, claro ) então seria exigível definir uma forma de caminhar da realidade actual para a futura : não me parece complicado, por exemplo, criar um acréscimo de vagas anuais, em cada QZP, destinadas ao pessoal QE que a elas se candidatasse. Sempre que um professor QE entrasse num QZP a “sua” vaga QE na escola seria extinta, claro, embora pudesse continuar a ser um horário existente.Caso exista a necessidade de renovar os quadros, seria destinada a esses casos uma quota específica de vagas nos QZP, para os novos efectivos.
Esta solução iria encontrar oposição de muitos profs dos QE, claro, é natural. Mas também a transição seria longa e, no fim, a quase totalidade dos profs mais velhos, com maiores graduações profissionais, acabaria ou por nunca passar pelos QZP ou, mesmo que o fizessem, acabariam por ir parar às mesmas escolas da sua preferência.
Bom, se o ME pensasse assim, então daria uma perspectiva de futuro a todos esses professores dos QE que agora se angustiam por não terem o “seu” destacamento ... é que lhes seria dada oportunidade de ficarem, eles também, nas condições dos QZP, a quem eles agoram acusam de privilegiados ...
Depois se veria, mas eu acredito que muitos seriam tentados a concorrer aos QZP, uma vez que , dentro desses quadros, a sua posição relativa na lista ordenada seria boa, dadas as suas graduações profissionais.
O que sucedeu este ano, sem lhes dar uma “ideia” do futuro nem a possibilidade de concorrer aos QZP, onde não existiam vagas, foi mesmo muito MAU, em termos políticos e de gestão de pessoal, tendo pressionado tanta gente a ficar “doente”, como se viu !
Claro que esperar estas ideias e esta noção de futuro deste ME ( ou do anterior, para ser mais justo ), embora sendo o “abc” de qualquer gestor de recursos humanos, seria esperar MUITO de uma equipa que primou pela mais inacreditável incompetência, ainda por cima a par de uma arrogância tremenda.
Mas este Governo, esta nova senhora Ministra, tem agora ocasião de fazer melhor, de inovar e de corrigir esses erros. Aqui fica a sugestão de um possível caminho.
Ah, e já agora : substituam aquela senhora directora-geral dos recursos humanos, ela já demonstrou que não faz a mínima ideia do que deve ser um director-geral nesse sector complicado do Ensino. E vejam, já agora também, se dentro dos inúmeros boys que passam a vida a admitir, arranjam alguém que tenha experiência ou ideias ou inteligência ...
Já agora.
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
9/10/2004 11:55:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
domingo, agosto 15, 2004
O HORROR NACIONAL À CONCRETIZAÇÃO
Em Portugal, tanto na Educação como na Justiça, continua imparável o mito de que basta mudar legislação para que estes sistemas funcionem.
Esta é, de resto, talvez a maior fragilidade dos portugueses : perante algo que não funciona, fingem que a culpa é das leis que regulam esse funcionamento e não das estruturas e das pessoas envolvidas.
Assim, a Educação é o caos que é por causa dos currículos e da lei de bases do ensino. Modiquem-se estes e ver-se-á logo tudo a mexer, impecavelmente.
A Justiça está pura e simplesmente paralizada ? Não há que ver, a culpa é dos Códigos Penal e do Processo Penal. Alterem-se estes e pronto.
Matamo-nos todos na estrada, lenta e inexoravelmente ? Altere-se o Código da Estrada.
Ninguém ( ou poucos e sempre os mesmos ) paga impostos ? Modifique-se a lei.
O mercado funciona mal, em muitos sectores ? Legisla-se e inventam-se umas regras diferentes.
Por aí fora.
Percebe-se porquê.
Num país de líricos e especialistas do paleio, onde poucos possuem uma cultura “do fazer”, é quase impossível perceber que todo um sistema tem que ser mexido, quando não funciona. Estruturas, pessoas, procedimentos e, claro, depois de tudo também as regras do jogo, a legislação.
É muito mais fácil nomear uma comissão que prepare uma simples modificação apenas da lei, fingindo desconhecer que, depois, ninguém irá cumprir essa lei.
É toda uma mentalidade perante as coisas da vida real que importa mudar, não este ou aquele código ou lei. Exige-se um olhar integral sobre os sistemas, sem medo de mexer neles, em vez de considerações cosméticas sobre os mesmos.
A mentalidade reinante em Portugal há muitos anos é consistente com esta táctica de avestruz legislativa. A formação das elites portuguesas é maioritariamente orientada para actividades “de paleio” e muito menos para questões técnicas e operacionais. Todos são doutores ( juristas, economistas, consultores que sei eu ), muito poucos sabem de facto FAZER. Seja o que for. De um simples buraco na parede, em casa, com um berbequim, a uma nova organização bem montada, a funcionar sobre esferas.
Sabem, contudo, perorar sobre códigos, incluindo os romanos, e sobre as pseudo-leis da oferta e da procura e do efeito macro-económico da subida das taxas de juro.
Quem os ouvir e não conhecer Portugal há-de pensar que somos um país de génios, de gente de qualidade, com sistemas nacionais bem pensados e a funcionar suavemente ...
O que é curioso é que, de facto, estas duas perspectivas entram por vezes em choque, como no caso recente da TAP, entre um homem com experiência de gestão no sector ( Fernando Pinto ) e um outro, de há muito só habituado a mandar bocas e a ocupar cargos de favor.
Bom, sendo assim as coisas, que há de esperar deste país ?
A minha resposta é esta : infelizmente, nada há a esperar, nos tempos mais próximos. Os sectores públicos que precisavam urgentemente de ser renovados e colocados em funcionamento irão permanecer estagnados e à deriva. Enquanto ouvirem falar apenas em modificar a legislação , podem ter a certeza que tudo vai permanecer tal como está.
E, no fundo, não é isto que todos merecemos ? Os portugueses qualificados para fazer ( bem ) coisas não vão todos para o estrangeiro ou para o sector privado, à procura do vil metal ? Então o que seria de esperar ?
Lamento o pessimismo, mas acho que é assim que as coisas se passam.
Por mim, sempre tentei fazer com que as coisas funcionem, antes de mais, seja qual for a legislação em pano de fundo. Esta logo se modifica, mais tarde.
Quando me ouvem falar assim, não pensem que sou igual a eles, “só paleio”. Tenho horror a isso. Embora goste e respeite, por formação, o estudo e o projecto, para mim ambos só se justificam se depois forem levados à prática.
Sou daqueles que acredita que é melhor uma obra sem projecto ( embora minimamente pensada ) , que um projecto bonitinho ... que nunca se transforma em obra feita.
Sou sincero : detesto o espírito português de inventar sempre formas complicadas ... de não fazer nada que funcione.
Tolero mal advogados e economistas e outros que tais, enquanto actores da mudança, enquanto agentes do fazer.
Com eles, no século XV, apenas descobriríamos o caminho marítimo para Belém ou para S. Bento.
Tal como no Séc. XXI, afinal.
Em Portugal, tanto na Educação como na Justiça, continua imparável o mito de que basta mudar legislação para que estes sistemas funcionem.
Esta é, de resto, talvez a maior fragilidade dos portugueses : perante algo que não funciona, fingem que a culpa é das leis que regulam esse funcionamento e não das estruturas e das pessoas envolvidas.
Assim, a Educação é o caos que é por causa dos currículos e da lei de bases do ensino. Modiquem-se estes e ver-se-á logo tudo a mexer, impecavelmente.
A Justiça está pura e simplesmente paralizada ? Não há que ver, a culpa é dos Códigos Penal e do Processo Penal. Alterem-se estes e pronto.
Matamo-nos todos na estrada, lenta e inexoravelmente ? Altere-se o Código da Estrada.
Ninguém ( ou poucos e sempre os mesmos ) paga impostos ? Modifique-se a lei.
O mercado funciona mal, em muitos sectores ? Legisla-se e inventam-se umas regras diferentes.
Por aí fora.
Percebe-se porquê.
Num país de líricos e especialistas do paleio, onde poucos possuem uma cultura “do fazer”, é quase impossível perceber que todo um sistema tem que ser mexido, quando não funciona. Estruturas, pessoas, procedimentos e, claro, depois de tudo também as regras do jogo, a legislação.
É muito mais fácil nomear uma comissão que prepare uma simples modificação apenas da lei, fingindo desconhecer que, depois, ninguém irá cumprir essa lei.
É toda uma mentalidade perante as coisas da vida real que importa mudar, não este ou aquele código ou lei. Exige-se um olhar integral sobre os sistemas, sem medo de mexer neles, em vez de considerações cosméticas sobre os mesmos.
A mentalidade reinante em Portugal há muitos anos é consistente com esta táctica de avestruz legislativa. A formação das elites portuguesas é maioritariamente orientada para actividades “de paleio” e muito menos para questões técnicas e operacionais. Todos são doutores ( juristas, economistas, consultores que sei eu ), muito poucos sabem de facto FAZER. Seja o que for. De um simples buraco na parede, em casa, com um berbequim, a uma nova organização bem montada, a funcionar sobre esferas.
Sabem, contudo, perorar sobre códigos, incluindo os romanos, e sobre as pseudo-leis da oferta e da procura e do efeito macro-económico da subida das taxas de juro.
Quem os ouvir e não conhecer Portugal há-de pensar que somos um país de génios, de gente de qualidade, com sistemas nacionais bem pensados e a funcionar suavemente ...
O que é curioso é que, de facto, estas duas perspectivas entram por vezes em choque, como no caso recente da TAP, entre um homem com experiência de gestão no sector ( Fernando Pinto ) e um outro, de há muito só habituado a mandar bocas e a ocupar cargos de favor.
Bom, sendo assim as coisas, que há de esperar deste país ?
A minha resposta é esta : infelizmente, nada há a esperar, nos tempos mais próximos. Os sectores públicos que precisavam urgentemente de ser renovados e colocados em funcionamento irão permanecer estagnados e à deriva. Enquanto ouvirem falar apenas em modificar a legislação , podem ter a certeza que tudo vai permanecer tal como está.
E, no fundo, não é isto que todos merecemos ? Os portugueses qualificados para fazer ( bem ) coisas não vão todos para o estrangeiro ou para o sector privado, à procura do vil metal ? Então o que seria de esperar ?
Lamento o pessimismo, mas acho que é assim que as coisas se passam.
Por mim, sempre tentei fazer com que as coisas funcionem, antes de mais, seja qual for a legislação em pano de fundo. Esta logo se modifica, mais tarde.
Quando me ouvem falar assim, não pensem que sou igual a eles, “só paleio”. Tenho horror a isso. Embora goste e respeite, por formação, o estudo e o projecto, para mim ambos só se justificam se depois forem levados à prática.
Sou daqueles que acredita que é melhor uma obra sem projecto ( embora minimamente pensada ) , que um projecto bonitinho ... que nunca se transforma em obra feita.
Sou sincero : detesto o espírito português de inventar sempre formas complicadas ... de não fazer nada que funcione.
Tolero mal advogados e economistas e outros que tais, enquanto actores da mudança, enquanto agentes do fazer.
Com eles, no século XV, apenas descobriríamos o caminho marítimo para Belém ou para S. Bento.
Tal como no Séc. XXI, afinal.
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
8/15/2004 03:48:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, agosto 13, 2004
É TEMPO.
É tempo.
Definitivamente.
É tempo de falar verdade.
Cruamente.
Mal educadamente.
É assim, então ( como agora se diz ):
estou farto de figurões que, em cargos de destaque,
usam a sua posição para favorecer o seu grupo,
o seu partido,
a sua classe,
ou os gajos da sua rua.
Despudoradamente.
Cínicamente.
Impunemente.
( vai ficar impune, mesmo ? )
Desavergonhadamente.
Digam-me, leitores :
Não começam também a ficar muito fartos ?
Vem agora o outro, armado em bonzinho,
propor um pacto de regime perante os problemas da Justiça ...
Ah ah ... essa é boa :
primeiro colocam-se pessoas na PJ para fazerem as tarefas sujas,
depois fala-se em pacto de regime.
Ingenuamente.
Não seria melhor chamar-lhe o regime do pacto ?
Do pacto entre amigos ?
Ah, já me esquecia :
Esse figurão, de tão fino recorte ético e humano,
pasme-se : é juiz desembargador.
É um homem desses que julga outros homens e mulheres ...
Meu Deus, se ainda por aí andares,
regressa !
Regressa, pois bem preciso és.
Há vendilhões, vigaristas e outros homens sem escrúpulos por toda a cidade !!
É tempo.
Definitivamente.
É tempo de falar verdade.
Cruamente.
Mal educadamente.
É assim, então ( como agora se diz ):
estou farto de figurões que, em cargos de destaque,
usam a sua posição para favorecer o seu grupo,
o seu partido,
a sua classe,
ou os gajos da sua rua.
Despudoradamente.
Cínicamente.
Impunemente.
( vai ficar impune, mesmo ? )
Desavergonhadamente.
Digam-me, leitores :
Não começam também a ficar muito fartos ?
Vem agora o outro, armado em bonzinho,
propor um pacto de regime perante os problemas da Justiça ...
Ah ah ... essa é boa :
primeiro colocam-se pessoas na PJ para fazerem as tarefas sujas,
depois fala-se em pacto de regime.
Ingenuamente.
Não seria melhor chamar-lhe o regime do pacto ?
Do pacto entre amigos ?
Ah, já me esquecia :
Esse figurão, de tão fino recorte ético e humano,
pasme-se : é juiz desembargador.
É um homem desses que julga outros homens e mulheres ...
Meu Deus, se ainda por aí andares,
regressa !
Regressa, pois bem preciso és.
Há vendilhões, vigaristas e outros homens sem escrúpulos por toda a cidade !!
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
8/13/2004 07:09:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
COISAS QUE ACONTECEM NESTE NOSSO MUNDO TÃO CERTINHO ...
Hoje vou-vos falar de petróleo, para começar, e de professores, para finalizar.
Petróleo : o preço do barril de petróleo não para da subir. Vai nos 45 dólares. Bom, será que o preço sobe assim porque a procura superou a oferta ?
Há escassez de petróleo, no Mundo ?
Não, as reservas actuais darão para mais 40 anos de consumo, ao ritmo actual. A produção diária actual cobre as necessidades, também.
Então qual é o drama ? Porque sobe o petróleo ?
Por medo. Quem compra o petróleo receia que venha a haver escassez da oferta, num futuro próximo. A instabilidade no Médio Oriente : o caos do Iraque, as eleições do fim do ano na Arábia Saudita. A instabilidade na Rússia : a maior produtora em situação financeira periclitante, por alegadas fugas ao fisco. As eleições na Venezuela.
Enfim : uma vez mais, as expectativas comandam a economia. Há medo. Há instabilidade.
Há descrença na acção dos Estados Unidos.
Agradeçam em especial ao Sr. Bush, quando os preços de vários artigos começarem a subir. Porque vão subir.
Lembrem-se dele quando também começarem a pagar taxas de juro mais altas pelos empréstimos.
Esperemos que a situação no Iraque não piore ainda mais. Esperemos sobretudo que as próximas eleições nos EUA rectifiquem o erro perigoso de colocar um tolo a dirigir um País daqueles.
Professores : não sei se têm acompanhado o folhetim que foi, este ano, o concurso de colocação de professores do ensinário secundário. Um autêntico festival de incompetência técnica, autismo, sobranceria e provincianismo primário. Repito : nunca na minha vida vi tanta estupidez e incompetência juntas, neste sector que tão bem conheço há dezenas de ano, por envolvimento de familiares meus.
Erros tremendos ( e elementares ) na concepção do concurso, no desenho dos impressos de recolha de dados, na fase de passagem dos dados do papel para suporte digital, na programação da validação dos dados recolhidos, na programação da listagem dos candidatos .... enfim, não houve fase nenhuma em que não tivessem pura e simplesmente metido os pés pelas mãos. Totalmente. Com completa impunidade dos responsáveis políticos. E técnicos, também.
Pois bem, agora, com outro ministro, quando se esperava que algum bom senso tivesse finalmente chegado àquelas bandas, eis a ultima : depois das listas definitivas publicadas ( se o conseguirem, digo eu, com uma percentagem aceitável de erros ) espera-se que os professores concorram às escolas pretendidas ( os profs dos QZP e os dos destacamentos ) UNICAMENTE por via da internet.
Óptimo. Excelente. Para não perderem mais tempo a digitar dados, é lógico.
Quer dizer : seria excelente, se alguém se tivesse lembrado de verificar se equipamentos e canais de acesso vão aguentar o acesso concentrado de milhares de professores em todo o país, todos ao mesmo tempo !! Palpita-me que acharam que não valia a pena preocuparem-se com este pequeno pormenor. Como é hábito.
Querem apostar comigo que vai ser a loucura e a angústia de muita gente ? Vai haver muito menino e menina a tentar aceder ao sistema às 4 da matina, vão ver ...
Ah, mas é de esperar que um minitro ( ou ministra ) se preocupem com detalhes insignificantes ?
Hoje vou-vos falar de petróleo, para começar, e de professores, para finalizar.
Petróleo : o preço do barril de petróleo não para da subir. Vai nos 45 dólares. Bom, será que o preço sobe assim porque a procura superou a oferta ?
Há escassez de petróleo, no Mundo ?
Não, as reservas actuais darão para mais 40 anos de consumo, ao ritmo actual. A produção diária actual cobre as necessidades, também.
Então qual é o drama ? Porque sobe o petróleo ?
Por medo. Quem compra o petróleo receia que venha a haver escassez da oferta, num futuro próximo. A instabilidade no Médio Oriente : o caos do Iraque, as eleições do fim do ano na Arábia Saudita. A instabilidade na Rússia : a maior produtora em situação financeira periclitante, por alegadas fugas ao fisco. As eleições na Venezuela.
Enfim : uma vez mais, as expectativas comandam a economia. Há medo. Há instabilidade.
Há descrença na acção dos Estados Unidos.
Agradeçam em especial ao Sr. Bush, quando os preços de vários artigos começarem a subir. Porque vão subir.
Lembrem-se dele quando também começarem a pagar taxas de juro mais altas pelos empréstimos.
Esperemos que a situação no Iraque não piore ainda mais. Esperemos sobretudo que as próximas eleições nos EUA rectifiquem o erro perigoso de colocar um tolo a dirigir um País daqueles.
Professores : não sei se têm acompanhado o folhetim que foi, este ano, o concurso de colocação de professores do ensinário secundário. Um autêntico festival de incompetência técnica, autismo, sobranceria e provincianismo primário. Repito : nunca na minha vida vi tanta estupidez e incompetência juntas, neste sector que tão bem conheço há dezenas de ano, por envolvimento de familiares meus.
Erros tremendos ( e elementares ) na concepção do concurso, no desenho dos impressos de recolha de dados, na fase de passagem dos dados do papel para suporte digital, na programação da validação dos dados recolhidos, na programação da listagem dos candidatos .... enfim, não houve fase nenhuma em que não tivessem pura e simplesmente metido os pés pelas mãos. Totalmente. Com completa impunidade dos responsáveis políticos. E técnicos, também.
Pois bem, agora, com outro ministro, quando se esperava que algum bom senso tivesse finalmente chegado àquelas bandas, eis a ultima : depois das listas definitivas publicadas ( se o conseguirem, digo eu, com uma percentagem aceitável de erros ) espera-se que os professores concorram às escolas pretendidas ( os profs dos QZP e os dos destacamentos ) UNICAMENTE por via da internet.
Óptimo. Excelente. Para não perderem mais tempo a digitar dados, é lógico.
Quer dizer : seria excelente, se alguém se tivesse lembrado de verificar se equipamentos e canais de acesso vão aguentar o acesso concentrado de milhares de professores em todo o país, todos ao mesmo tempo !! Palpita-me que acharam que não valia a pena preocuparem-se com este pequeno pormenor. Como é hábito.
Querem apostar comigo que vai ser a loucura e a angústia de muita gente ? Vai haver muito menino e menina a tentar aceder ao sistema às 4 da matina, vão ver ...
Ah, mas é de esperar que um minitro ( ou ministra ) se preocupem com detalhes insignificantes ?
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
8/13/2004 12:28:00 da manhã
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, julho 27, 2004
QUERIAM LIMPEZA DO CADASTRO, NÃO ERA ? ...
Um destes dias, e a propósito dos fogos, perante as críticas ao Governo, comentava um dos novos Ministros : “Este Governo tem apenas oito dias ! “
Entenda-se nas suas palavras : não somos responsáveis pela situação, não fomos nós que fizemos ou deixámos de fazer alguma coisa.
À primeira vista, pode parecer que o referido senhor tem toda a razão.
Mas é só à primeira vista.
A verdade é que se este Governo se reclama da mesma fonte de legitimidade que o anterior, o de Durão Barroso ( as ultimas eleições legislativas ) então a sua responsabilidade política deve ter a mesma data de origem que a sua legitimidade. Ou seja, este não é um Governo diferente, é apenas um Governo de continuação. Melhor ainda : este Governo é responsável por tudo aquilo que o anterior fez e não fez.
Se não gostarem desta situação, então arranjem a sua própria legitimidade e não se sirvam da mesma que o Governo anterior.
Em suma : é falso que este Governo tenha apenas 8 dias de funcionamento. Na verdade, tem bastante mais que 2 anos !
E para quem duvidar desta minha argumentação : se assim não fosse, como poderia o eleitorado julgar um Governo, no final de uma legislatura ? Bastaria que o partido mais votado dividisse em dois o período da legislatura : na primeira metade funcionava o governo “mau”, das medidas duras e impopulares; na parte final, entrava o Primeiro-Ministro bonzinho, com medidas mais suaves e pacíficas, para que os eleitores esquecessem as outras medidas ....
Simples, não era ?
Não se deixem enganar, portanto. Este Governo É o outro, se a sua legitimidade é a mesma, e deve responder por tudo aquilo que o Governo de Durão fez e deixou de fazer.
Um destes dias, e a propósito dos fogos, perante as críticas ao Governo, comentava um dos novos Ministros : “Este Governo tem apenas oito dias ! “
Entenda-se nas suas palavras : não somos responsáveis pela situação, não fomos nós que fizemos ou deixámos de fazer alguma coisa.
À primeira vista, pode parecer que o referido senhor tem toda a razão.
Mas é só à primeira vista.
A verdade é que se este Governo se reclama da mesma fonte de legitimidade que o anterior, o de Durão Barroso ( as ultimas eleições legislativas ) então a sua responsabilidade política deve ter a mesma data de origem que a sua legitimidade. Ou seja, este não é um Governo diferente, é apenas um Governo de continuação. Melhor ainda : este Governo é responsável por tudo aquilo que o anterior fez e não fez.
Se não gostarem desta situação, então arranjem a sua própria legitimidade e não se sirvam da mesma que o Governo anterior.
Em suma : é falso que este Governo tenha apenas 8 dias de funcionamento. Na verdade, tem bastante mais que 2 anos !
E para quem duvidar desta minha argumentação : se assim não fosse, como poderia o eleitorado julgar um Governo, no final de uma legislatura ? Bastaria que o partido mais votado dividisse em dois o período da legislatura : na primeira metade funcionava o governo “mau”, das medidas duras e impopulares; na parte final, entrava o Primeiro-Ministro bonzinho, com medidas mais suaves e pacíficas, para que os eleitores esquecessem as outras medidas ....
Simples, não era ?
Não se deixem enganar, portanto. Este Governo É o outro, se a sua legitimidade é a mesma, e deve responder por tudo aquilo que o Governo de Durão fez e deixou de fazer.
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
7/27/2004 01:45:00 da manhã
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
segunda-feira, julho 26, 2004
Ainda os fogos de Verão.
Desta vez, mais a sério que ontem.
Li hoje que o nosso Governo pediu auxílio à EU ; no seguimento desse pedido a Grécia ( a Grécia !!!! ) vai enviar para cá dois aviões Canadair ...
Amigos : todos os anos é esta história. Toda a gente se interroga porque motivo Portugal não adquire uns quantos Canadair, aqueles aviões bimotores que largam grandes quantidades de água e depois vão reabastecer-se outra vez a barragens, lagos ou até ao mar, se estiver calmo. Não devia ser dificil para quem construiu 10 novos estádios de futebol. Mais : talvez não saibam, mas aqui não há muitos anos a nossa Força Aérea tinha um kit de combate a fogos que era instalado num C-130, um tanque cheio com uma mistura líquida de eficácia muito superior à simples água. Foi abandonada a ideia, porque a Força Aérea cansou-se de ter o avião preparado sem que o Serviço Nacional de Bombeiros o requisitasse, em épocas de fogos intensos.
Proponho-vos as seguintes linhas de raciocínio :
--> porque razão Portugal não compra pelo menos dois ou três Canadair, quando se vê que são indispensáveis todos os anos e que o seu custo seria rapidamente amortizado ?
--> porque razão esse C-130 da FAP com o kit de combate a incêndios deixou de ser utilizado ?
--> quem terá vantagens económicas com o facto de Portugal ( o Estado ) não possuir esses meios e ter que estar sempre a pagar o seu aluguer ( caríssimo ! ) ? Quem estará ligado a essas actividades directamente interessadas na industria do combate ao fogo ?
--> Será que não há interesses económicos que lutam, por detrás das cortinas, pela manutenção deste caos e a quem não interessa nada que o Estado possua meios aéreos próprios de combate aos fogos ?
--> Ou será, em alternativa, que as pessoas ligadas a este problema em vários Governos anteriores são todas incompetentes, medrosas ou cegas ??
Bem sei que este calor sahariano não convida muito a grandes esforços mentais ... mas, co’os diabos, são só dois micro-segundos de raciocínio !
Vá lá !
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
7/26/2004 04:21:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
HÁ COISAS QUE PARECEM INEVITÁVEIS
É inutil.
Não vale a pena estar sempre a falar nos fogos e no que se havia de fazer para acabar com eles ou pelo menos para lhes diminuir as consequências.
É totalmente inútil : todos os anos sucede o mesmo, com uma regularidade monótona. Todos os anos nos queixamos da falta de meios dos bombeiros, todos os anos dizemos que a culpa é das altas temperaturas e do vento.
A coisa é tal que começo mesmo a acreditar que os fogos só param quando querem, com ou sem os esforços dos bombeiros... assim sendo, não seria melhor aplicar o dinheiro que se gasta com bombeiros, viaturas, aviões, etc ... pura e simplesmente a limpar as matas, a seccioná-las e a dotá-las de caminhos ? Depois, quando acontecesse um fogo, deixava-se arder até acabar. A diferença para agora não seria muita e poupava-se aquele esforço inglório, aquele aparato dramático, aquela ostentação penosa da mais gritante descoordenação e ineficácia.
Isto que digo pode ser uma enorme parvoíce, é verdade. Porém, desafio alguém a demonstrar-me que estou londe da verdade ...
Claro que só estou a falar de fogos florestais, amigos, não dos fogos urbanos nem dos industriais.
E já agora, que estou com as mãos na massa, digam-me lá se não se ganhava também mais em não ter governo nenhum do que em ter este ?
Pensem bem nisso.
É inutil.
Não vale a pena estar sempre a falar nos fogos e no que se havia de fazer para acabar com eles ou pelo menos para lhes diminuir as consequências.
É totalmente inútil : todos os anos sucede o mesmo, com uma regularidade monótona. Todos os anos nos queixamos da falta de meios dos bombeiros, todos os anos dizemos que a culpa é das altas temperaturas e do vento.
A coisa é tal que começo mesmo a acreditar que os fogos só param quando querem, com ou sem os esforços dos bombeiros... assim sendo, não seria melhor aplicar o dinheiro que se gasta com bombeiros, viaturas, aviões, etc ... pura e simplesmente a limpar as matas, a seccioná-las e a dotá-las de caminhos ? Depois, quando acontecesse um fogo, deixava-se arder até acabar. A diferença para agora não seria muita e poupava-se aquele esforço inglório, aquele aparato dramático, aquela ostentação penosa da mais gritante descoordenação e ineficácia.
Isto que digo pode ser uma enorme parvoíce, é verdade. Porém, desafio alguém a demonstrar-me que estou londe da verdade ...
Claro que só estou a falar de fogos florestais, amigos, não dos fogos urbanos nem dos industriais.
E já agora, que estou com as mãos na massa, digam-me lá se não se ganhava também mais em não ter governo nenhum do que em ter este ?
Pensem bem nisso.
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
7/26/2004 12:06:00 da manhã
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, julho 21, 2004
A LIBERDADE DE USAR A INTELIGÊNCIA
Acabei de ver uma entrevista de Maria João Avilez a Pacheco Pereira e apetece-me dizer : vivam a inteligência, a honestidade intelectual e a liberdade de espírito !
Pacheco Pereira não é um homem da minha família política ; contudo, oiço-o sempre com um prazer imenso, mesmo se dele discordar, em parte ou no todo. Isto não me acontece com muitas outras pessoas, infelizmente.
Não é apenas a lucidez da análise e a facilidade de expressão, é também, e provavelmente antes de mais, a enorme sensação que transmite da sua liberdade de pensamento. Quando fala, é ele que fala, não um partido, um grupo económico ou um sindicato. A verdade é que todos estes anos me cansaram de frases repetidas, de ideias estereotipadas, de escravizantes opiniões de grupo. Agrupar as nossas opiniões e os nossos comportamentos, cristalizando-as em partidos, sindicatos, clubes de futebol ou outras coisas semelhantes, tem inegáveis vantagens na viabilização de uma sociedade plural e democrática, é verdade. Mas é também uma espécie de tirania intelectual e algo profundamente redutor para o espírito humano.
Por isso gosto das pessoas, como Pacheco Pereira, que se vão libertando do jugo das opiniões de grupo pré-definidas, nunca desistindo de ser livres e inteligentes.
Claro que nem todos o podem ser, nem todos o devem ser, nem todos o querem ser.
Contudo, é importante, muito importante, que existam pessoas assim.
Acabei de ver uma entrevista de Maria João Avilez a Pacheco Pereira e apetece-me dizer : vivam a inteligência, a honestidade intelectual e a liberdade de espírito !
Pacheco Pereira não é um homem da minha família política ; contudo, oiço-o sempre com um prazer imenso, mesmo se dele discordar, em parte ou no todo. Isto não me acontece com muitas outras pessoas, infelizmente.
Não é apenas a lucidez da análise e a facilidade de expressão, é também, e provavelmente antes de mais, a enorme sensação que transmite da sua liberdade de pensamento. Quando fala, é ele que fala, não um partido, um grupo económico ou um sindicato. A verdade é que todos estes anos me cansaram de frases repetidas, de ideias estereotipadas, de escravizantes opiniões de grupo. Agrupar as nossas opiniões e os nossos comportamentos, cristalizando-as em partidos, sindicatos, clubes de futebol ou outras coisas semelhantes, tem inegáveis vantagens na viabilização de uma sociedade plural e democrática, é verdade. Mas é também uma espécie de tirania intelectual e algo profundamente redutor para o espírito humano.
Por isso gosto das pessoas, como Pacheco Pereira, que se vão libertando do jugo das opiniões de grupo pré-definidas, nunca desistindo de ser livres e inteligentes.
Claro que nem todos o podem ser, nem todos o devem ser, nem todos o querem ser.
Contudo, é importante, muito importante, que existam pessoas assim.
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
7/21/2004 12:29:00 da manhã
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
domingo, julho 18, 2004
A VERDADE SOBRE A CONSTITUIÇÃO DESTE GOVERNO
Este primeiro-ministro é um finório !
As suas influências noctívagas foram determinantes na constituição deste cocktail, perdão, deste governo : uns quantos ingredientes, umas pedras de gelo, vai tudo ao shaker e ... aí está uma bela bebida, pronta a ser servida aos portugueses.
No fundo, não foi bem assim. Foi um pouco mais elaborado, o processo : foram produzidas duas listas diferentes, a das pessoas ministeriáveis e a dos ministérios. Depois, a cada pessoa, lida da primeira lista, foi feita a correspondência com um ministério tirado da outra lista, completamente à sorte !
Brilhante, esta táctica.
Assim ninguém se vai queixar de favoritismos ou de cunhas na distribuição das pastas, não é ? Quem vai contestar um sorteio ?
Este primeiro-ministro é um finório !
As suas influências noctívagas foram determinantes na constituição deste cocktail, perdão, deste governo : uns quantos ingredientes, umas pedras de gelo, vai tudo ao shaker e ... aí está uma bela bebida, pronta a ser servida aos portugueses.
No fundo, não foi bem assim. Foi um pouco mais elaborado, o processo : foram produzidas duas listas diferentes, a das pessoas ministeriáveis e a dos ministérios. Depois, a cada pessoa, lida da primeira lista, foi feita a correspondência com um ministério tirado da outra lista, completamente à sorte !
Brilhante, esta táctica.
Assim ninguém se vai queixar de favoritismos ou de cunhas na distribuição das pastas, não é ? Quem vai contestar um sorteio ?
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
7/18/2004 11:51:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sábado, julho 17, 2004
COMO É QUE SE MUDA ?
Confesso-lhes que não faço a menor ideia do que deverá ser feito para tornar Portugal um País próspero e justo, sem desigualdades sociais graves.Tenho alguns palpites, é verdade, mas não tenho certezas nenhumas.
Estas minhas dúvidas não são graves : ninguém espera de mim decisões importantes, as minhas dúvidas não comprometem o futuro do país e o dos meus concidadãos. Já acho grave, porém, que a maior parte dos nossos políticos, homens e mulheres, partilhem comigo essa ignorância : é que é bem visível que nenhum deles tem a mínima ideia de futuro, a mínima estratégia, o mínimo sonho ! Em todos eles noto a ausência de um projecto, sequer de um esboço. À esquerda e à direita limitam-se a navegar à vista da costa, não há rasgos, não há aceitação de riscos, não há caminhos.
Mesmo a magistratura de topo do Presidente da República é tímida e pantanosa, não ousando os gestos purificadores e que abrem soluções, preferindo a comodidade à incerteza, a mediania à possibilidade de uma saída.
Se Martin Luther King tivesse sido português nunca teria dito “Eu tenho um sonho...”, teria antes proclamado “Sede pacientes, irmãos, a estabilidade antes de tudo!”.
Aqui, neste meu país, joga-se sempre pelo seguro. Jogo rasteiro, baixinho, que o guarda-redes é anão, como se ironizava aqui há uns anos, antes do Ricardo ser herói.
Aqui nunca há grandes ondas, nem grandes arroubos. Nem nunca houve Hitlers, Mussolinis, Stalinis ou Francos, apenas um Salazar de botas rurais, ditador de meias tintas, sonhando com um país onde nada nunca mudasse ...
O horror à mudança parece ser a nossa essência. Também não gostamos muito daquilo que somos, é verdade, mas ainda gostamos menos de mudar. É isso que explica a nossa persistência em continuar a ser um país de merda.
Por essas e outras é que eu digo : não faço a mínima ideia de como podemos mudar Portugal.
Talvez Pedro Santana Lopes e Paulo Portas saibam... eheheheh ....quem sabe ?
Confesso-lhes que não faço a menor ideia do que deverá ser feito para tornar Portugal um País próspero e justo, sem desigualdades sociais graves.Tenho alguns palpites, é verdade, mas não tenho certezas nenhumas.
Estas minhas dúvidas não são graves : ninguém espera de mim decisões importantes, as minhas dúvidas não comprometem o futuro do país e o dos meus concidadãos. Já acho grave, porém, que a maior parte dos nossos políticos, homens e mulheres, partilhem comigo essa ignorância : é que é bem visível que nenhum deles tem a mínima ideia de futuro, a mínima estratégia, o mínimo sonho ! Em todos eles noto a ausência de um projecto, sequer de um esboço. À esquerda e à direita limitam-se a navegar à vista da costa, não há rasgos, não há aceitação de riscos, não há caminhos.
Mesmo a magistratura de topo do Presidente da República é tímida e pantanosa, não ousando os gestos purificadores e que abrem soluções, preferindo a comodidade à incerteza, a mediania à possibilidade de uma saída.
Se Martin Luther King tivesse sido português nunca teria dito “Eu tenho um sonho...”, teria antes proclamado “Sede pacientes, irmãos, a estabilidade antes de tudo!”.
Aqui, neste meu país, joga-se sempre pelo seguro. Jogo rasteiro, baixinho, que o guarda-redes é anão, como se ironizava aqui há uns anos, antes do Ricardo ser herói.
Aqui nunca há grandes ondas, nem grandes arroubos. Nem nunca houve Hitlers, Mussolinis, Stalinis ou Francos, apenas um Salazar de botas rurais, ditador de meias tintas, sonhando com um país onde nada nunca mudasse ...
O horror à mudança parece ser a nossa essência. Também não gostamos muito daquilo que somos, é verdade, mas ainda gostamos menos de mudar. É isso que explica a nossa persistência em continuar a ser um país de merda.
Por essas e outras é que eu digo : não faço a mínima ideia de como podemos mudar Portugal.
Talvez Pedro Santana Lopes e Paulo Portas saibam... eheheheh ....quem sabe ?
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
7/17/2004 04:10:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, julho 14, 2004
ANDO A TER PESADELOS
Por vezes olho este meu país como que num sonho. Num daqueles sonhos onde acontecem coisas estranhíssimas, como voar ou atravessar paredes. Olho as imagens na televisão e sinto-me no meio de um desses sonhos. Só pode ser sonho mesmo, sim. Aquele não é aquele puto cheio de paleio que girava na sombra de Sá Carneiro ? Aquele que passa a vida a mandar bocas que nunca cumpre e deixa sempre tudo a meio, mesmo as relações com mulheres ? Só pode ser sonho, imaginem, aquele gajo Primeiro-Ministro do meu país ! Será grave isto que sinto ? Para que me havia de dar, ter estes pesadelos, já viram ? Tenho que marcar uma consulta com o dr. Macedo, já não vou lá desde que deixei de fumar e me andava a sentir miserável de todo ...
Mas lá que este meu cérebro tem piada, isso tem ... onde raio é que iria ele buscar esta ideia de fazer do Santana Lopes Primeiro-Ministro de Portugal ...
Livra, tenho que deixar de ter estes sonhos, deixam-me angustiado de todo !
Por vezes olho este meu país como que num sonho. Num daqueles sonhos onde acontecem coisas estranhíssimas, como voar ou atravessar paredes. Olho as imagens na televisão e sinto-me no meio de um desses sonhos. Só pode ser sonho mesmo, sim. Aquele não é aquele puto cheio de paleio que girava na sombra de Sá Carneiro ? Aquele que passa a vida a mandar bocas que nunca cumpre e deixa sempre tudo a meio, mesmo as relações com mulheres ? Só pode ser sonho, imaginem, aquele gajo Primeiro-Ministro do meu país ! Será grave isto que sinto ? Para que me havia de dar, ter estes pesadelos, já viram ? Tenho que marcar uma consulta com o dr. Macedo, já não vou lá desde que deixei de fumar e me andava a sentir miserável de todo ...
Mas lá que este meu cérebro tem piada, isso tem ... onde raio é que iria ele buscar esta ideia de fazer do Santana Lopes Primeiro-Ministro de Portugal ...
Livra, tenho que deixar de ter estes sonhos, deixam-me angustiado de todo !
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
7/14/2004 11:44:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
domingo, julho 11, 2004
SER ISENTO É ESTAR SEMPRE CONTRA QUEM NOS ELEGEU ???
O impensável aconteceu.
Depois de grande meditação e de ouvir tanta gente, o Presidente fugiu, também.
Está na moda, de resto, no meu país. Durão Barroso fugiu, Sampaio imitou-o . Ambos fugiram das suas responsabilidades ( ou algo de muito parecido ! ), ambos optaram pelo mais fácil.
Mas esperem, não ficou por aqui ... Ferro Rodrigues também se baldou, pois então !
Durão alegou a importância de um português na Europa, Sampaio justificou-se com a estabilidade política, Ferro Rodrigues não aceitou a “traição” do “seu” Presidente !
Tretas ! Nem é importante estar um português na Europa nem a estabilidade é algo que os portugueses comam ou lhes dê emprego. Já viram se em 24 de Abril alguém se declarasse contra a revolução com o argumento da estabilidade política ?
E quanto a Ferro Rodrigues, um político deve ter ética e verticalidade, é certo, mas também deve ter um estômago de ... ferro.
Pois é ... a verdade é que aí estamos nós com um governo de ocasião, saído da cartola do Presidente. Governo em que ninguém votou.
Pior : Governo em que poucos votariam, se nos tivessem dado voz.
Se nos tivessem deixado.
A partir desta solução, Portugal só formal e legalmente é uma democracia.
No fundo, vamos ter um Governo não escolhido por nós, eleitores.
E um Presidente que acha que estabilidade é isso mesmo : aturar um Governo que ninguém escolheu.
Acha ele, mas não acho eu. Fiquei terrivelmente desiludido e desestabilizado. E irritado. E com um sentimento de que alguém me enfiou um grande barrete.
Então e foram precisos 15 dias para esta brilhante decisão ?
Sampaio, Sampaio, hás-de arrepender-te tanta vez, tanta !
O impensável aconteceu.
Depois de grande meditação e de ouvir tanta gente, o Presidente fugiu, também.
Está na moda, de resto, no meu país. Durão Barroso fugiu, Sampaio imitou-o . Ambos fugiram das suas responsabilidades ( ou algo de muito parecido ! ), ambos optaram pelo mais fácil.
Mas esperem, não ficou por aqui ... Ferro Rodrigues também se baldou, pois então !
Durão alegou a importância de um português na Europa, Sampaio justificou-se com a estabilidade política, Ferro Rodrigues não aceitou a “traição” do “seu” Presidente !
Tretas ! Nem é importante estar um português na Europa nem a estabilidade é algo que os portugueses comam ou lhes dê emprego. Já viram se em 24 de Abril alguém se declarasse contra a revolução com o argumento da estabilidade política ?
E quanto a Ferro Rodrigues, um político deve ter ética e verticalidade, é certo, mas também deve ter um estômago de ... ferro.
Pois é ... a verdade é que aí estamos nós com um governo de ocasião, saído da cartola do Presidente. Governo em que ninguém votou.
Pior : Governo em que poucos votariam, se nos tivessem dado voz.
Se nos tivessem deixado.
A partir desta solução, Portugal só formal e legalmente é uma democracia.
No fundo, vamos ter um Governo não escolhido por nós, eleitores.
E um Presidente que acha que estabilidade é isso mesmo : aturar um Governo que ninguém escolheu.
Acha ele, mas não acho eu. Fiquei terrivelmente desiludido e desestabilizado. E irritado. E com um sentimento de que alguém me enfiou um grande barrete.
Então e foram precisos 15 dias para esta brilhante decisão ?
Sampaio, Sampaio, hás-de arrepender-te tanta vez, tanta !
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
7/11/2004 07:42:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quinta-feira, julho 08, 2004
COM O TEMPO, A VERDADE VEM AO DE CIMA
A gestão da crise política pelo presidente Jorge Sampaio tem sido exemplar. Desde logo por não se isolar e, pelo contrário, ouvir não só os partidos políticos como uma longa série de notáveis, pessoas com experiência política e económica. Mas exemplar sobretudo pela utilização do factor tempo. Ao invés de Durão Barroso e de Santana Lopes, Sampaio percebeu que a passagem dos dias iria clarificar posições e atitudes. Assim aconteceu : a oposição sedimentou esperanças e iniciou um discurso mais agressivo e confiante, enquanto Paulo Portas e Santana Lopes evidenciaram um nervosismo tremendo, acumulando erros sobre erros. De facto, a paupérrima exibição destes dois lideres partidários nestas circunstâncias delicadas mostraram a muitos portugueses de que massa são feitos, esclarecendo mesmo aqueles que andam distraidos ou esquecidos quanto à personalidade política ( melhor, quanto à falta dela ) daqueles a quem ficariam entregues os nossos assuntos públicos.
Aqui chegados, talvez fosse bom clarificar a seguinte ideia ao PSD: os erros de “casting” pagam-se muito caro, em política. Um partido da dimensão e com a representatividade do PSD, em Portugal, não pode deixar-se conquistar por um homem como Santana Lopes, sem outras ideias ou projectos que não sejam os de vender a sua própria imagem. Seria bom para a democracia, em Portugal, que o PSD percebesse que Santana Lopes é um político vazio e sem estofo de estadista e se livrasse dele.
Fosse outro o actual lider do PSD e talvez a solução política para a crise pudesse ser outra. Assim, com Santana Lopes, seria uma palhaçada. O PSD não merece isto e Portugal muito menos.
Inteligente, Sampaio percebeu que uns dias de arrastamento da solução fariam vir à tona a essência das coisas : o ridiculo completo de um governo formado por um playboy da política e por um travesti de homem de Estado.
Vamos a votos, senhoras e senhores.
Nota ao PSD : no fim das eleições, se acontecer a derrota que pressinto, sugiro ao PSD que se livre de Santana Lopes. Se tal não suceder, será muito mau.
A gestão da crise política pelo presidente Jorge Sampaio tem sido exemplar. Desde logo por não se isolar e, pelo contrário, ouvir não só os partidos políticos como uma longa série de notáveis, pessoas com experiência política e económica. Mas exemplar sobretudo pela utilização do factor tempo. Ao invés de Durão Barroso e de Santana Lopes, Sampaio percebeu que a passagem dos dias iria clarificar posições e atitudes. Assim aconteceu : a oposição sedimentou esperanças e iniciou um discurso mais agressivo e confiante, enquanto Paulo Portas e Santana Lopes evidenciaram um nervosismo tremendo, acumulando erros sobre erros. De facto, a paupérrima exibição destes dois lideres partidários nestas circunstâncias delicadas mostraram a muitos portugueses de que massa são feitos, esclarecendo mesmo aqueles que andam distraidos ou esquecidos quanto à personalidade política ( melhor, quanto à falta dela ) daqueles a quem ficariam entregues os nossos assuntos públicos.
Aqui chegados, talvez fosse bom clarificar a seguinte ideia ao PSD: os erros de “casting” pagam-se muito caro, em política. Um partido da dimensão e com a representatividade do PSD, em Portugal, não pode deixar-se conquistar por um homem como Santana Lopes, sem outras ideias ou projectos que não sejam os de vender a sua própria imagem. Seria bom para a democracia, em Portugal, que o PSD percebesse que Santana Lopes é um político vazio e sem estofo de estadista e se livrasse dele.
Fosse outro o actual lider do PSD e talvez a solução política para a crise pudesse ser outra. Assim, com Santana Lopes, seria uma palhaçada. O PSD não merece isto e Portugal muito menos.
Inteligente, Sampaio percebeu que uns dias de arrastamento da solução fariam vir à tona a essência das coisas : o ridiculo completo de um governo formado por um playboy da política e por um travesti de homem de Estado.
Vamos a votos, senhoras e senhores.
Nota ao PSD : no fim das eleições, se acontecer a derrota que pressinto, sugiro ao PSD que se livre de Santana Lopes. Se tal não suceder, será muito mau.
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
7/08/2004 11:26:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Subscrever:
Mensagens (Atom)