segunda-feira, fevereiro 23, 2004

DEVO ESTAR EM DÉFICE

Hoje acordei triste. Deve ser o inconsciente a fazer balanços da minha vida, enquanto durmo. E deve ter concluido que ando em défice.
Se foi isso, não fui informado desse balanço, só sei que acordei mal-disposto e pensei que a minha vida exige mudanças. O problema é que nem sequer consigo perceber que raio de mudanças devia fazer !! Enquanto tento perceber o que hei-de fazer, hoje proponho-vos outro poema, desta vez de Pablo Neruda. Leiam.

Teu riso

Tira-me o pão,se quiseres
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
ás vezes por ver que
a terra não muda,
mas ao entrar o teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no Outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama, mas
quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

domingo, fevereiro 22, 2004

UM MOMENTO SOB A PONTE

Ao caminhar, junto do pilar da ponte, uma mulher jovem ergue o rosto para o sol e sorri. Há momentos destes, mágicos, perturbantes. A felicidade dela, naquele momento, era algo que quase se podia tocar. Um sorriso fácil, leve, bonito, como só uma mulher é capaz de fazer. Fazia muito frio, o vento estava forte e gelado, havia ondas no Tejo, mas ela sorria, jovem, confiante, bela.
A máquina disparou-se quase sózinha, é muito sensível a sorrisos daqueles. Eu, o companheiro da máquina, limitei-me a assistir e a premir o botão, ela já tinha escolhido o modelo, o enquadramento, a focagem, tudo na passagem, rumo ao carro aconchegante.
O Tejo sempre atraiu mulheres jovens que sorriem ao vento, ao sol e às gaivotas. E homens no Outono, atentos à beleza desses sorrisos que lhes recordam Verões passados, outros sorrisos e outros ventos.
A vida tem momentos destes, únicos, enquanto a água corre sob a grande ponte.

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

COISAS SEM NEXO NENHUM OU TALVEZ SIM

Esta tarde agarrei na pequena Olympus e desci às margens do Tejo. Tinha conversado ontem com uma pessoa amiga ligada à fotografia e queria fazer umas fotos para lhe mostrar do que era capaz a minha caixa de fósforos digital. Estava muito frio, até as gaivotas me pareceram enregeladas. Ninguém na praia, nem pescadores, esses profissionais da solidão marítima. Algumas pessoas, dentro dos carros, liam ou conversavam. Imaginei-os a ver-me tirar fotos, eu com o ar mais profissional que consegui vestir e a tremer apesar do casacão de cabedal tipo Gestapo. Bem, uma das fotos está aí à vossa esquerda. Sabem onde é ?
Cinco minutos depois fugi para o carro e liguei o motor, para aquecer os pés e as mãos. Decidi ir beber um café ao Vela Latina, perto da Torre de Belém.
Aos solavancos, sobe e desce, por um empedrado com mais ondulação que o rio vizinho, fui remoendo umas coisas. Para vos contar, tenho de recuar. Há quase nove anos que estou viuvo, mas a minha filha tem vivido sempre comigo. Damo-nos muito bem. Graças a ela, a verdade é que eu não sei praticamente o que é viver sózinho. Foi ficando, com aquela falta de incentivos para sair de casa dos jovens de hoje, não sei também até que ponto movida pela ideia de me fazer companhia. Claro que ia tendo os seus namorados, mas nunca tinha surgido a hipótese de casar ou sair de casa. Nunca fiz pressão para que as coisas fossem assim, aconteceram assim, apenas.
Bom, agora temos andado a combinar, vai comprar um apartamento, perto de mim e passar a viver sózinha. Ou com quem escolher. Estou feliz, acreditem, mas não consigo deixar de pensar que vou mesmo ficar sózinho, agora. Vou ficar definitivamente viúvo, nove anos depois de o ser.
Adiante, as aves jovens devem voar a solo .... e eu cá me arranjarei, sempre o fiz.
O café ( com um bolinho ... ) do Vela Latina aqueceu-me e estive a acabar a leitura d' A VISÃO. Ehehehe, o tal artigo a aconselhar o sexo como terapêutica... Ocorreu-me que, sendo assim, as farmácias podem vir a envolver-se, por exemplo, no negócio dos computer-dating ... só com prescrição médica, claro !
Um senhor de idade ( gostam desta, hem ? eu, velhote de cabelos brancos, a falar em senhores de idade ! ) à minha frente também lia um jornal qualquer. Ou melhor, tentava, porque passou o tempo todo a ler de olhos meio-fechados. Devia estar a reflectir. Ao lado dele, uma jovem ruiva, de sardas assopradas pela cara toda, metia combustível : duas sandes de queijo, um arroz doce e um café, ora toma ! Aquela não tinha problemas alimentares, não.... e até era toda jeitosa, observei-a quando se foi embora.
Tinha muita gente, hoje, o Vela Latina. Casais de idade, casais jovens, muito poucas pessoas on their own como eu. Bem, não me posso começar a armar em coitadinho, já tenho estado muitas vezes ali mesmo com amigos e amigas. E já tenho dois ou três jantares marcados com amigos, para as próximas semanas. Pessoas às quais me unem longos anos de trabalho em conjunto, ou quase. Outras com as quais me lembro de passar Natais a tomar banho nas águas do Índico. :)))) Estou longe de me poder considerar sózinho, vazio ou infeliz.
Hoje ao almoço - ia-me esquecendo desta efeméride, pá - para reforçar a minha autonomia, até surpreendi a minha filha, que vinha das aulas almoçar a casa, com um magnifico chop-suey ( é assim que se escreve ? ) de frango, inteiramente preparado cá por este vosso amigo... que tal ?
Portanto, vamos para a frente que a vida vive-se ... vivendo-a, não é ?
Só que, de vez em quando, esqueço-me destas coisas todas e sinto-me mesmo a iniciar a ultima volta da corrida. O que vale é que a pista é longa e esta ultima volta ainda pode ser que dure e que mereça o esforço final !!!
Assim espero.

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

MAIS UMA VEZ DIGO : O MEU GATO É QUE SABE

Tchiiii, grande confusão e excitação que aquele ultimo tema provocou ! Até mesas redondas vieram à baila. Pessoalmente, sempre achei que, para certas actividades inerentes ao tema tratado, as mesas baixinhas e rectangulares eram mais adequadas ... mas claro que há gostos para tudo, pronto.
Prometo voltar ao tema, em breve. Vão reflectindo e preparando argumentos. Ou façam experiências práticas, sei lá. Depois veremos.

A propósito, sabiam que hoje, em artigo publicado na Visão, se afirma que o sexo faz bem á saúde ? Pois é, faz emagrecer ( parece que é equivalente a correr durante 30 minutos ), estimula o ritmo cardíaco, aumenta a boa disposição e mais não sei quantos very nices. Será a isto que os americanos chamam "fringe benefits" ?
A ser verdade ( é, é, é, é ! ), sigam o conselho, cuidem da vossa saúde !

Hoje, vou limitar-me à sorna, não digo mais nada. Depois da barafunda de ontem, é bom descansar e não causar tanto rebuliço. E depois, tenho para aí leitoras que, de tanto me acusarem de lhes suprimir os comentários acabam por colocar quatro ou cinco de cada vez ! Safa !!
Pois bem, olhem para o meu gato, com aquele ar de esfinge pachorrenta. Ao pé dele, alguns dos meus símbolos do dia a dia, um livro qualquer, desses que só servem para descansar os olhos enquanto a mente voa, e um telemóvel, não vá aquela morena boazuda do 3º Esquerdo lembrar-se de me telefonar .... ehehehe ( não acreditem, hem ?, no 3º Esquerdo só mora um professor de geologia que é viuvo, ehehe ) !!
Digam lá, sinceramente : não invejam a sabedoria com que o meu gato se dedica ao dolce fare niente ? Vá lá, aprendam com ele ! Mas imitem-o só depois de seguirem aquele conselho do artigo da Visão, ouviram ? ....

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

UMA ÉTICA DO DESEJO, PRECISA-SE - PARTE II

De uma leitora interessada, recebi o seguinte comentário ao meu texto anterior, colocando o problema de uma forma um tanto rude mas verdadeira :

“De modo algum quis «complicar a solução destes problemas» porque, na minha modesta opinião, eles são insolúveis...Há muito tempo que o sexo comanda a vida... o resto, ou seja, aqueles que mantêm o casamento, fazem-no por razões económicas, sociais, etc... não por amor. Assim, mantêm o casamento e... têm, simultaneamente umas namoradas...
Como quer solucionar tal situação? Eu não faço a menor ideia... “


Estas afirmações simples e directas, contêm a questão básica a resolver. O sexo. O casamento, ou outra qualquer forma de vida a dois ( ou a 5, como na cultura muçulmana ) não esgota o desejo sexual dos participantes. Nem do homem, talvez mais predisposto à partida para jogos extra-relação, nem da mulher, cada vez ousando mais reconhecer o seu próprio desejo sexual.
Gostaria, ainda assim, de opinar que os motivos dados pela leitora para a continuidade de muitas ligações são manifestamente redutores. Há, de facto, pessoas entre as quais os laços são extremamente fortes, sejam de amor, amizade ou algo do género, e que forma alguma se confundem com as motivações económicas e sociais avançadas pela mesma leitora. Ela própria ( que eu não conheço ) reconhecerá decerto a existência de casos assim.
Contudo, para grande parte das ligações, a busca da satisfação do desejo sexual fora da relação é um dado facilmente observável. Então ? Como fazer ? Fingir que é questão sem importância ? Mentir permanentemente quer ao parceiro de ligação quer ao novo parceiro da “aventura” ? Declarar a verdade a todos, arriscando a dissolução da ligação ?
Será que há alguma dignidade em ignorar a dôr que estas digressões extra-relação provocam ? Tanto num parceiro, o antigo, o “oficial”, como no novo, o “provisório” ?
À semelhança de muitas outras coisas na vida quotidiana, será melhor não pensar nisto e deixar o tempo ir resolvendo estas questões ?

Bem, não me conformo, nunca me conformei. Procurei respostas aos 20 anos, continuo a procurá-las quase aos 60. Sou assim. Fica talvez agora mais nítido o meu apelo do texto anterior : UMA ÉTICA DO DESEJO, PRECISA-SE. Porque se trata de encarar esta realidade que todos conhecemos e pensar uma ética de comportamentos, sem hipocrisia, que garanta várias coisas : desde logo, a verdade como elemento do jogo, para que não haja actores envolvidos sem o saberem nem desejarem. Para que não exista o engano e a decepção/humilhação correspondente. Para que isto não seja um jogo de caçador-presa, mas antes uma actividade entre seres humanos dignos, livres e responsáveis.
Hoje, tal como quando lia Wilhem Reich, aos vinte e tal anos, sinto o apelo da “selva”, mas recuso a qualidade de “besta”.

Pergunta-me a leitora se eu sei como resolver. Claro que não. Mas sei isto : seja qual fôr a solução, ela terá de passar pela verdade e pela aceitação das partes. Sem isso, será sempre uma prática hipócrita e tendencialmente provocadora de conflitos e de dôr.

Entre todas as pessoas que conheci na vida, tenho uma amiga que sempre entendeu estas questões da forma como as coloco. É uma mulher como nunca conheci outra. Não faço ideia como nasceu dentro dela esta sabedoria, mas a verdade é que a possui. A minha homenagem a ela, agora que discutimos este tema.

PS – Por triste ironia da vida, e já depois do meu primeiro texto sobre este tema, alguém que eu conheço pessoalmente foi “vítima” deste comportamento hipócrita e enganoso, por parte de um digno namorado que se “esqueceu” de a informar que vivia já com outra mulher ... Humilhação e frustração.
O pior de tudo, porém, é que as “vítimas”, por uma estranha patologia comportamental, tendem por vezes a “desculpabilizar” o autor do engano, acreditando que ele irá resolver a seu favor o eterno triângulo amoroso ... Inverdades, incoêrencias, angústias, infelicidades.
Nestes jogos, assim, ou não há vencedores ou não há dignidade.

segunda-feira, fevereiro 16, 2004


UMA ÉTICA DO DESEJO, PRECISA-SE

Sou homem de muitos anos e de paixões e encantamentos diversos. Casei-me novo, aos 25 anos, mal saí daqueles portões largos ao cimo da Alameda da Fonte Luminosa. O casamento viria a durar quase 30 anos, eu sou daquela geração que encarava o divórcio quase como uma derrota pessoal. Houve coisas de que me arrependo, algumas “infidelidades” que não resisti a confessar à minha companheira de uma vida. Essa geração era também feita destas ideias românticas e idealistas, desta tentativa de compatibilizar o impossível. Já então eu pensava que o desejo devia ter uma ética por suporte ( baseada na verdade, queria eu acreditar ) embora não aceitasse que essa ética fosse a de matar à nascença o próprio direito ao desejo.
Deixem-me agora dar um salto de muitos anos, para os dias de hoje. Sou viúvo há vários anos, tenho tentado muitas soluções para um relacionamento homem-mulher. Tenho visto e experimentado muitas coisas, tenho observado e anotado. Não sou nada do género puritano ou conventual ou tímido ou tontinho ou distraido.
E contudo, estou totalmente confuso, confesso.
Todas as minhas ideias de ética do desejo foram completamente destruídas e ultrapassadas. Mais nos homens, é verdade, mas também em muitas mulheres, noto uma total ausência de ética quanto ao sexo. A única ideia presente é a do desejo puro e duro. Por vezes, ao ponto de nem sequer interessar para nada a personalidade do parceiro de cama. Vivemos uma era do prazer como forma de vida e sua justificação final, para muita gente.
Claro que, sendo assim, como podem subsistir condições para uma vida a dois com um mínimo de durabilidade e de verdade ? Como pode subsistir, nos tempos modernos, o paradigma da monogamia ( ou da monoandria ) ? Com que finalidade ? A criação dos filhos surge, assim, como a única motivação para um agregado a dois, funcionando como célula de defesa e educação dos filhos. Mas como defender os méritos desta solução, se ela não é verdadeira, na maior parte dos casos ? Se o núcleo familiar não funciona mesmo, dada a incompatibilidade de tempo ( e paciência ) dos pais ?
Então, se nem essa justificação é totalmente pacífica, para que se hão-de formar famílias ?
Por que não havemos, todos nós, de passar a vida com relações que duram desde um ou dois dias até dois meses, quando muito ?
Bem, espero que não vão pensar que estou a defender que deva ser assim. A verdade é que não faço a mínima ideia de como deva ser ou de como virá a ser. Nem eu ...nem ninguém.
E como tudo começa no desejo e no sexo, hoje, mais do que nunca, volto a reclamar uma ética do desejo. Só isso nos libertará para outras tarefas inadiáveis da vida em sociedade. Nem sequer sei exactamente o que isso seja, mas sonho com um grupo de procedimentos e de ideiais que nos ajudem a encontrar o balanço perdido. Algo como a versão moderna dos 10 mandamentos mas que venha de dentro de nós. Que não seja apenas o sopro do prazer a falar. Sem jamais o esquecer, claro, ao prazer. Mas que nos restitua, a todos, a dignidade e a pureza perdida algures dentro de cada um de nós. Que nos permita abandonar o cinismo e o desprendimento. Que nos faça sorrir uns para os outros. Que não nos deixe rancor nem culpa sempre que nos juntarmos dois a dois : mulher/homem ou seja o que for :)) .
Quero, hoje como há 30 anos, uma ética para o meu desejo. E para o vosso também.
Quero aprender a ser feliz sem ninguém ficar infeliz em troca.
E gostaria que não me chamassem lírico por querer isso.

domingo, fevereiro 15, 2004

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OS TONTINHOS DOS CACHECÓIS SÃO OS MELHORES DO FUTEBOL
Parece que é de futebol que vou falar mas não é : é de pouca-vergonha !

Hoje é dia de cachecóis encarnados e azuis, pelas minhas bandas. O Futebol Clube do Porto vem jogar à Luz. Nestes dias, não há restaurante ou café pelas redondezas do estádio onde não se vejam magotes de “furiosos”, facilmente identificados pelos artefactos próprios da liturgia do futebol. Gorros, cachecóis, eu sei lá.
Nunca consegui perceber bem o que vai por dentro desta gente. Gostam de futebol ou gostam de combater por intermédio do seu clube ? Procuram diversão ou vão ao estádio em tratamento psiquiátrico ? São pessoas normais ou tipos com “pancada” e frustrações de vária ordem ? Onde vão buscar os recursos para pagar todas estas viagens, os bilhetes e os comes e bebes ?
Um pouco disto tudo, talvez, que acham ?
E já que estou com a mão na “massa”, alguém me sabe explicar o motivo pelo qual os dirigentes dos clubes de futebol, das federações, das ligas, da arbitragem, os empresários dos jogadores, todos estes tipos têm um ar absolutamente mafioso e bafiento ? É obrigatório, ou algo do género ? Há alguma lei que obrigue os gajos do futebol a uma aparência troglodita, e a comportamentos completamente falhos de dimensão humana, ética ou moral ?
Vá, digam-me, eu confesso a minha ignorância ! Porque é que o futebol está nas mãos destes tipos sinistros, sem educação nem princípios, com vocabulários grotescos e modos directamente importados do Cais do Sodré às 3 da manhã ?
Ná, tem que haver uma explicação... deve existir para aí meio escondida uma Comissão qualquer encarregada de fazer a triagem das pessoas que querem ir para o futebol. Só pode ser isso : ai daquele que tiver mais uns estudozitos, uma educaçãozita, um ar sensato e delicado ... então se cheirar a pessoa séria e honesta está logo frito !
Deve ser isso, não acham ?
Agora só fica por explicar porque razão os políticos andam sempre com esta malta nas palminhas. De que raio andam à procura, que não faltam a nenhuma inauguração de estádio ou a nova sementeira de relva ? É atrás de votos que andam ? Ou andam a cobrar favores ?
Também é um mistério para mim.
Ainda chego à conclusão, pensando melhor, que de todo este pântano em que o futebol português se transformou, os unicos que se aproveitam são mesmo estes tontinhos de gorros e cachecóis azuis e vermelhos que andam por aqui a beberricar umas imperiais ...

quinta-feira, fevereiro 12, 2004


O FILME DESTE FIM DE SEMANA

Para este fim de semana recomendo BIG FISH, um filme cheio de fantasia e sonho, de tal forma entrelaçados na realidade que já não se distinguem muito bem. A par disso, para aqueles que gostam, uma história de amor que durou mais de quarenta anos ... ( eu não disse que a fantasia e a realidade se confundem ? ah ah ah ... )

Quem quiser ver o "trailer" do filme, faça favor ... clique AQUI e tenha alguma paciência até começar o video.

Se for mais exigente e quiser saber tudo sobre o filme, veja AQUI
Vá ao cinema e, durante duas horas, entregue-se à fantasia. Divirta-se !

terça-feira, fevereiro 10, 2004


QUE HÁ NO MUNDO MELHOR QUE A MULHER ?

Sabem, nunca entendi bem a homosexualidade masculina. Não é uma questão de machismo, marialvismo ou outro qualquer ismo que, de resto, nunca explica nada e apenas esconde a realidade dos sentimentos e emoções. Não tenho qualquer problema em reconhecer o fenómeno ( a homosexualidade ), em concordar que devem ter direitos e ser olhados com naturalidade pela sociedade. Tudo o que quiserem. Só não percebo, nunca hei-de perceber, porque é que preferem gostar de outros homens quando existem seres destes - as mulheres - à sua frente ! É que, para mim, a preferência duma coisa a outra ( ainda por cima se for por opção pessoal, como eles pretendem ) é completamente absurda, tonta, incompreensível... Há lá qualquer dúvida que uma mulher - todas as mulheres - são seres de uma beleza maravilhosa, misteriosa, suave, irresistível ? Há alguma coisa no Mundo que se compare à generosidade, abnegação e carinho de uma mulher pelo homem a quem ama ? Há qualquer emoção que iguale a que um homem sente quando a mulher amada lhe passa as mãos pela cara e o abraça ? Há alguma escultura mais bela e proporcionada que um corpo feminino, nas suas curvas e concordâncias complexas e indescritivelmente bem desenhadas ?
Estão a ver ? Para mim, a homosexualidade masculina, sobretudo se por opção pessoal, não passa do mesmo fenómeno que se verifica quando alguém afirma não gostar de Chopin ou Beethovan : é apenas uma simples questão de mau gosto, caraças !
Tenho dito. Gosto das mulheres, que querem ? Das, disse eu. De todas. Vivam as mulheres !

segunda-feira, fevereiro 09, 2004


O 2º ALBUM DE NORAH JONES ...

Lembram-se da menina de Nova Iorque com uma voz surpreendentemente melodiosa e doce, com canções suaves, baladas com influência de Blues ? Pois bem, aí está o novo Album desta jovem, na mesma linha melódica. Sai amanhã, mas isto da Internet permite-lhes já ouvir umas faixas, se quiserem.
O novo Album chama-se "It feels like home".

Experimentem clicar AQUI

Se não gostarem, digam-me, para lhes chamar surdos.

domingo, fevereiro 08, 2004

DOMINGO, CHEIO DE SORNA ...

Como hoje estou preguiçoso, não vou alongar-me em paleio ... ( sorte a vossa, hem ?? ).
Mas também não quero deixar-vos sem um mimo, pelo menos. Há que cuidar do leitor, não é verdade ? E das leitoras, também, claro. Mais ainda.
Bem : vão ver o endereço que indico abaixo e tenham um pouco de paciência. Surgirá uma animação cheia de espírito, sobre os hábitos hábitos vigentes em Itália por oposição aos da Comunidade Europeia, eheheheh .... Basta verem os primeiros bonecos para perceberem que o “gozo” é inteiramente aplicável a Portugal.

Ora experimentem lá. Cliquem AQUI

Tenham uma boa semana e sejam felizes.

sábado, fevereiro 07, 2004

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SABEM, SE CALHAR HÁ MESMO BRUXAS ...

Não acredito muito em astrologia, nem nessa miríade de conhecimentos mais ou menos orientais que clamam um conhecimento perfeito do ser humano, alma incluida. Mas a verdade é que também não acredito em bruxas e toda a gente sabe que, como dizem os espanhóis, que las hay, las hay ... Isto a propósito da minha vida na semana passada. Os deuses estavam chateados comigo, de certeza. Os horóscopos, reikis, bio-ritmos e tudo o resto deviam condizer todos : eu não devia falar com ninguém e, se possível, devia ficar deitado na cama a ver aqueles concursos todos da TV terrivelmente excitantes e educativos.
Como não segui essas indicações, foi uma miséria : zanguei-me com 2 ou 3 pessoas minhas amigas, houve jantares recusados e outros cancelados em cima da hora. Para finalizar, uma outra pessoa, por quem eu tenho amizade e consideração, diz-me na cara, na hora da sobremesa do jantar ( que eu pensara ir salvar a semana ! ), que eu sou um chato do caraças por motivos que não são para aqui chamados e eu já julgava enterrados há anos.
Bolas ! Até o meu gato anda às avessas comigo, já não me dá aquelas mordidelas simpáticas e só se ri para mim quando eu o suborno com uma latinha de petiscos tipo peixe com legumes ...
Espero bem que esta maré passe e o sol volte a brilhar. Agora à noite vou jantar e ao cinema, com a minha filha, aproveitando ela estar numa de pausa semanal com o namorado. Como nos damos muito bem, acho que não nos vamos aborrecer. Mesmo assim, pelo sim pelo não, vejam aí por mim o meu horóscopo para este sábado à noite, façam-me lá esse jeito ...

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

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COMO PODEMOS ACREDITAR NO FUTURO ??

Um destes dias li um artigo numa revista portuguesa em que um senhor se insurgia contra o derrotismo lusitano. Em França, Espanha ou na Suiça também há corrupção, pedofilia, presidentes de câmara de duvidosa honestidade e políticos em quem ninguém acredita, dizia ele. Porém, não há um tom geral de depressão na sociedade, como entre nós ; continua-se a acreditar no país, notava este colunista. Temos que mudar, temos que ultrapassar as nossas depressões e acreditar, incentivava.
OK, por mim estou pronto. Quando é que começo a ganhar o mesmo que ganharia se estivesse em França, Espanha ou na Suiça ? Ou até só 75% do que eles ganham !
Pois não vê esse senhor colunista distraido que a esperança ou qualquer outra atitude perante o destino colectivo não é algo que nasça connosco, que não tem a ver com o fado ? Não percebe que o entusiasmo criador de riqueza numa sociedade não nasce espontâneamente, é antes obra de lideres políticos ( ou gestores económicos ) que o sabem e querem despertar e sustentar ? Não percebe - esse colunista distraidíssimo - que esse entusiasmo crescerá na razão directa da repartição equitativa dos ganhos gerados ? E não saberá - anda mesmo despistado de todo, esse homem - que o nosso país é, dentro de toda a Europa, aquele em que o factor trabalho fica com a parcela mais baixa dessa riqueza anual criada ? Também nunca ninguém lhe teria chamado a atenção - a esse analista iluminado - que, em Portugal, existe uma noção profunda de descrença, sim, mas por razões muito sólidas : afinal, quem paga as crises sucessivas não são sempre os mesmos ? Quem paga impostos não são sempre os mesmos ? Quem enriquece cada vez mais, surdamente, sordidamente, não são os outros, os que não pagam impostos e ganham com as crises ? Então este ilustre comentador pretende que sejamos sugados até ao tutano e ainda por cima andemos alegres, entusiasmados, motivados e crentes no futuro ?
Porra, o homem ou é muito distraído ... ou muito cínico. Escolha o leitor.
Não, não digo quem é. Não interessa. É um dos muitos rapazes de partido que pululam por aí.
Uma ultima palavra : eu bem gostaria, malta, eu até vos pagaria um jantar e uns copos se pudesse acreditar no futuro ! Mas com estes senhores a tentar destruir tudo o que cheira a "social", só me resta andar mal encarado e a lutar para que se vão embora o mais depressa possível.

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

A MEDICINA E O MEDO DA MORTE

A minha atitude pessoal em relação à Medicina sempre foi de cepticismo moderado e selectivo. É claro que reconheço os avanços dos ultimos anos, o enorme impacto de alguns medicamentos ( os antibióticos, por exº ) e de algumas técnicas ( nos meios auxiliares de diagnóstico, as tomografias, as ecografias, as ressonâncias magnéticas, etc ...). Mas não me iludo com estas pequenas vitórias, conheço as enormes limitações da Medicina em muitas e variadas desordens no organismo humano como o cancro, a SIDA, a hepatite, alguns tipos de gripes, que sei eu ... Casos há, mesmo, em que os avanços nos meios de diagnóstico estão completamente desfasados dos meios de tratamento, originando situações em que o médico tem de informar o paciente que este sofre de uma certa doença ... em relação à qual não pode fazer nada ! ...Convenhamos, é uma situação esquisita e dificil de aceitar.
Vejam até que ponto a nossa ignorância vai, nestes domínios : um jogador morre repentinamente em pleno campo de futebol e a ciência declara-se incapaz de conhecer exactamente a causa da morte. Nem sequer conseguimos saber porquê ! Não é lá muito tranquilizante, pois não ?
Mas, se este meu quadro tem algo de correcto, porque motivo a Medicina moderna conquistou o estatuto de “super-estrela” nas nossas vidas quotidianas ? Porque se tornou numa das maiores preocupações sociais dos governos e também numa das maiores fontes de despesas nos orçamentos desses países ? Porque se investem fortunas na defesa das nossas vidas, a pagar especialistas e meios de diagnóstico e tratamento ? Porque se enriquece fácilmente nesta área de trabalho ?
Numa palavra : medo.
Temos medo de morrer. A morte assusta-nos de uma forma indescritível.
E sempre assim foi, em todos as culturas, etnias e organizações sociais. Os feiticeiros das tribos também não tinham mãos a medir, apesar de apenas usarem umas pedrinhas, patas de coelho e algumas folhas de vagos efeitos terapeuticos.
A morte assusta-nos a todos. Mesmo àquele idoso de 95 anos que vai sempre à consulta, queixando-se de uma leve dor nas costas ...
Por mim, tento fugir a essa espécie de ditadura da morte. Ainda não estamos mortos e já ela nos condiciona e obriga a andar medrosos ? Não, não deve ser assim.
O culto exagerado da vida está na génese de alguns comportamentos chocantes do ser humano – como o egoismo e a cobardia – da mesma forma que o culto oposto, o desprezo pela vida, esteve na origem de outros porventura ainda mais chocantes.
À medida que fui ganhando maturidade, comecei a aceitar a fragilidade e transitoriedade da vida humana. Percebi que a vida é apenas um empréstimo a prazo variável. A minha, também, que muitas vezes pensamos assim mas apenas para os outros !
Não exijo milagres, pois, da Medicina moderna. Recorro a ela, como todos nós, mas não tenho ilusões nem olho os profissionais deste sector como semi-deuses. Recomendaria mesmo mais modéstia e menor culto do seu valor. E, se possível, uma menor exploração comercial do medo da morte, ganhando milhões por actos de puro feitiçaria cabalística, muitas vezes apenas paliativos ou completamente ineficazes.
Não tenho pressa de testar estas minhas teorias, é certo, mas espero ser capaz de pensar assim até ao fim. Afinal, o dia da nossa morte é apenas mais um dia das nossas vidas, como dizia João Amaral.
E tu, leitor de blogues, como te relacionas com a morte ? Sim, com a tua ...

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

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FUTEBOL E POLÍTICA DO GOVERNO, O MESMO IMENSO ZERO

Não me tem apetecido escrever. Não sei bem porquê, as peripécias dos ultimos tempos neste meu país desanimaram-me, fizeram-me calar. O mundo do futebol profissional em Portugal continua a dar-me todos os motivos para fugir dele a sete pés. Um mundo rasteiro, ignorante, inculto, sem ética nem vergonha, feito de dinheiro fácil e relacões ambíguas com o poder político. Um mundo de simulação, violência, fuga às responsabilidades, vigarice como norma dos estádios. Mas porque é que todo o país atura isto ? Porque é que tivemos todos de dar dinheiro dos nossos impostos para dez estádios de futebol ? Dez ! Depois, quando este sub-mundo se revela na sua plenitude e as cadeiras dos estádios voam em direcção às cabeças de espectadores, árbitros e jogadores, aí os assim chamados responsáveis agitam-se e vá de fazer leis. Como já vos falei em escrito anterior, fazer leis é a forma original portuguesa de fingir que se resolvem problemas. Por azar, apareceu um gajo a gritar : "Alto, não é preciso nova lei, a actual já contempla estes casos ! ". Como ninguém cumpre as leis, corremos sempre este risco : esquecemo-nos que já fizemos esta ou aquela lei sobre esta ou aquela situação ! Alguém devia fazer uma espécie de listagem por tópicos das nossas leis, co'os diabos !
Ah, mas pensar que faltam 4 meses para aturar esse chavascal tremendo que vai ser o Europeu de Futebol ! O único gozo vai ser vê-los a explicar porque é que a geração de oiro (*) dos nossos futebolistas não conseguiram passar sequer aos quartos de final !

Depois, continua o folhetim deste Governo, sem direcção nem estratégia que não seja o ataque encarniçado a tudo o que pertence ao sector público. Qualquer dia, até a eles próprios se vão privatizar. Acho que se não o fizeram já é por falta de interessados em ficar com eles ! É pena, por mim ficava com aquela inefável ministra da Justiça, de sorriso tão lindo e conhecimentos tão profundos ... já viram como ficaria bem no Museu das figuras de cera da Madame Tussaud ? E os outros dois, com os seus ares compungidos e de grande fé religiosa ? ehehehehe ... o que me faz pensar para que raio precisará Jesus de pessoas deste jaez ! A não ser que seja para efeitos de figuração na grande peça divina, no papel de vendilhões do templo !
Enfim, vamos ver amanhã. Hoje estou farto destas macacadas todas. Sejam felizes.

(*) Geração de oiro = geração de jogadores que ganharam fortunas a jogar em clubes europeus fora de Portugal, para os quais jogar na selecção nacional funciona apenas como marketing no mercado das transferências.

segunda-feira, fevereiro 02, 2004


UM BREVE REGRESSO ÀS ORIGENS ...

Hoje fui ao Ribatejo, com a minha filha. Temos uma casa por essas terras da lezíria, era a casa da família da minha mulher. Uma moradia com quatro ou cinco quartos, um quintal com umas quantas laranjeiras e arbustos vários. Até bambus, uma bananeira e um cágado residente. Uma arrecadação no quintal, cujo telhado já reparei uma ou duas vezes ; uma delas com a ajuda de uma amiga, imaginem !
A casa não está ocupada, é uma pena ninguém lá ir pelo menos passar uns fins de semana. Bom, a família não é assim tão grande como isso, não é ? De qualquer forma, vamos lá de vez em quando. Não imaginam como as coisas partidas e desarranjadas se sucedem numa casa daquelas. Sempre que lá vou dou comigo a arranjar estores, telhas partidas na arrecadação exterior, fechaduras, eu sei lá ... Nunca tenho muita vontade de lá ir, por esse motivo.
Cumprindo uma velha tradição minha e de minha filha, o almoço foi no Café Central da Golegã, em pleno coração desta vila, um largo junto à Igreja Matriz, a tal do portal manuelino do século XVI ( ver foto ao lado ). Terra de lavradores, trabalhadores agrícolas e toureiros. Lembram-se do Manuel dos Santos ? Agora baptizaram-a de capital do cavalo ... enfim, a mim o que me interessa é o bife do Central, ou o sável frito com açorda ou um magnífico arroz de polvo que lá aparece também. Mistérios, prova da habilidade do polvo em caminhar por terra, é possível dar-se de caras com ele em sítios como Trás-os-Montes, Alentejo ... ou mesmo na capital do cavalo !
Resolvidos os assuntos que lá me levaram - e outros que só lá descobri, como uma fechadura encravada - metemos de novo á A23 ( a que vai para Castelo Branco, mas em sentido inverso ), apanhamos a A1 e aí estamos nós a andar calmamente para Lisboa, de novo. Eram 4 e tal da tarde, o céu tinha boas abertas, poucos carros na auto-estrada e não havia pressa. A minha filha, embalada com o calor dentro do carro e uma música pouco entusiasmante, acabou por cabecear, sonolenta. Eu deixei os cavalos ( não vinha da capital dos mesmos ? ) conduzirem-me, dóceis e ligeiros, até à 2ª Circular ...
Home, sweet home.

domingo, fevereiro 01, 2004


PNEU VELHO ( SÓZINHO ) EM PRAIA DESERTA

Domingo chato, este ! Eu tenho sempre dito que não gosto dos Domingos, mas mesmo assim há uns mais chatos que outros. As pessoas vão almoçar a casa umas das outras, vão passear não sei para onde, têm que ir ter com um amigo ou amiga ou precisam de arrumar umas coisas antes do início da semana, que sei eu ... Em termos práticos, no que me diz respeito, as pessoas desaparecem aos domingos !
Pelo menos, ainda fico com o café e os jornais. Sem estes, não sei como ficaria a minha sanidade mental.
Dirão vocês : mas hoje um homem só vive sózinho se quiser. É verdade. A minha solidão é totalmente voluntária. Ou melhor, não estou disposto a abdicar da minha autonomia. Não sei se seria capaz de encontrar um equilibrio, se o fizesse. Mas sejamos claros : esta independência custa-me muito caro. Custa-me este ódio aos domingos, para começar.
Vá lá, nem tudo acabou por ser tão mau, hoje. Quase no fim do dia encontrei uma alma amiga que me fez um pouco de companhia, por entre o nevoeiro e a chuva fininha...
Ah, sim, e vi um velho pneu, a ser lambido pelas marés.
Mas foi interlúdio de pouca dura, aqui estou eu de novo agarrado ao blogue ... ehehehe !
Abaixo os domingos, portanto ! E vivam os pneus que resistem às marés e ao tempo !

sábado, janeiro 31, 2004

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NEVOEIRO EM MONSANTO

Da varanda da minha casa, em Lisboa, vejo Monsanto. Não muito bem, construiram mais uns calhamaços de betão que me taparam parte da vista, mas ainda vejo as árvores por entre os prédios. Vejo também o fim da 2ª Circular, os carros sempre apressados, entrando ou saindo da via mais congestionada de toda a Europa : o IC19, para Sintra.
À noite, vêem-se as luzes das antenas de TV de Monsanto e os faróis dos carros, reflectindo-se nas árvores e nas bermas.
Esta tarde, porém, não se vê nada. Alguém deitou um spray de nevoeiro pela encosta toda e escondeu tudo : nem árvores, nem antenas, nem carros. Para ser sincero, nem sequer posso ter a certeza de que Monsanto ainda lá está.
Como muitas outras coisas na nossa vida, supomos que a realidade não muda tão depressa assim. Se as árvores estavam lá ainda ontem, hoje também devem estar, não acham ? As árvores não costumam sair por aí fora, não é ? E contudo, o leitor com mais experiência de vida já aprendeu que a realidade muda mesmo, por vezes dramaticamente depressa ... Aquilo com que se contava ontem já não existe hoje, ou, ao invés, vejo hoje ao pé de mim pessoas ou coisas que não estavam cá ontem. Pois é, a mudança. Nem sempre boa, nem sempre desejada, muitas vezes inesperada.
Temos que aprender a viver assim, não é ? Com uma espécie de nevoeiro nas nossas vidas, nevoeiro cerrado, que nos rouba coisas e pessoas ou nos traz outras, todas elas inesperadamente. Eu sei como é, comigo isso já aconteceu.
É por isso que não tenho a certeza que a encosta de Monsanto, com todas aquelas árvores, ainda lá esteja no mesmo sítio ...eu depois digo-vos.
A FOTO
A foto ( à qual dei um toque irreal ... ) do post anterior foi tirada em Mueda, norte de Moçambique, por volta de 1970. Era o coração da luta entre a FRELIMO e as Forças Armadas Portuguesas. A Força Aérea tinha lá um aeródromo, alguns edifícios, pessoal e aeronaves. Vêem-se as silhuetas de alguns aviões e do hangar de manutenção dos mesmos. Estas instalações ainda existem hoje, no Moçambique actual, mas estão totalmente abandonadas e destruidas.


MEMÓRIAS DE UMA ÉPOCA PASSADA

Hoje não me apetece escrever, nem falar de filmes, música ou poesia. Há dias assim, onde o vazio faz lei dentro de nós. Devia ter ido a um jantar de amigos mas não fui. Malta que fez a guerra em Moçambique, em Mueda, na longínqua década de 60, início da de 70.. Ainda hoje me cheira ao combustível dos aviões e dos helicópteros, misturado com o cheiro do suor na humidade do ar abafado. Uns vieram sãos, outros nem por isso, uns vieram envolvidos numa urna, outros fomos lá buscar os corpos muitos anos depois. O estranho de tudo isso é que a guerra se ia fazendo paulatinamente, com as suas rotinas, como se de outra coisa se tratasse. Pairava no ar um certo fatalismo, talvez resignação, até mesmo uma calma impressionante. Esta facilidade com que se morre e se mata, arrepia, vista daqui, hoje. Naquela época era apenas algo que se fazia porque sim.
Até que alguns se começaram a interrogar, cansados, desiludidos, frustrados, enganados. Até que o 25 de Abril deu um fim aquele horror.

quinta-feira, janeiro 29, 2004


HOUSE OF SAND AND FOG
Esta é a minha proposta de filme para este fim de semana. Ela é a belíssima Jennifer Connelly, ele o consagrado Ben Kingsley. Não é uma história daquelas com esqueletos no armário ( tipo Mystic River, do qual gostei muito ), nem é um thriller, muito menos um filme romântico, com um grande amor ... é apenas uma história banal do quotidiano, em que uma jovem mulher perde a casa da família sem saber como nem porquê. A casa vai a hasta pública e é comprada por um emproado coronel na reforma. Então .... bem, vão ver, se quiserem. Eu vou procurar ir.
Se quiserem mais pormenores, cliquem AQUI.

Se quiser, veja o trailer. Clique com botão direito do rato AQUI e escolha a opção de abrir nova janela.

quarta-feira, janeiro 28, 2004


SEI QUE NÃO VOU POR AÍ

Não sou grande conhecedor da poesia portuguesa, mas sempre achei este um dos poemas mais belos que foi escrito na nossa língua. É um grito de inconformismo. É o esbracejar irritado e claustrofóbico de quem recusa baias e limites. É o orgulho de quem é livre. É o grito que todos os portugueses deviam ser capazes de dar, sempre que aparecem idiotas "com olhos doces" a quererem que vamos por ali ...



CÂNTICO NEGRO
um poema de JOSÉ RÉGIO


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

terça-feira, janeiro 27, 2004

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HOJE NÃO HÁ MÚSICA PARA NINGUÉM, SÓ PALEIO !

Ontem recebi elogios vários pelo aspecto multimédia do meu blog ! É agradável, embora stressante, também, já que depois me “encolho” todo quando apenas tenho estas linhas para vos oferecer. Sem música e sem imagens.
Que se lixe, a vida é a preto e branco muitas vezes.

Vamos às minhas notas :

Leram hoje aquele resultado de uma sondagem aos portugueses sobre a SIDA e o uso de preservativos ? Claro, poucos portugueses sabem como a SIDA é transmitida, muitos acham que os preservativos são para os outros e alguns acham-os muito caros !
A malta fica muito horrorizada com estes resultados, mas a verdade é que eu poderia indicar estes valores sem mesmo fazer o inquérito... Palavra, vocês podem não acreditar mas a sociedade portuguesa é hoje uma mistura em percentagens variáveis de três grupos : os oportunistas/vigaristas/corruptos, os estúpidos/ignorantes e os tontinhos ( como eu e provavelmente vocês, leitores ) que insistem em viver no mesmo país em que vivem os outros dois grupos !!!! Há mesmo muitas pessoas que pertencem simultâneamente aos dois primeiros grupos. Ehehehehehehehe !

Adiante.

Fui trocar a pilha do identificador da Via Verde. Em Carcavelos. Passava pela Via Verde e aquela gerigonça insistia em acender uma luz amarela. Ainda pensei que fosse para variar do verde, mas não, havia gato ! Afinal, aquilo é Via Verde, não é Via Amarela, não é ?
Pois bem : para começar andei 15 minutos às voltas np parque de estacionamento deles. Tudo cheio. Também não admira, é maior o espaço de estacionamento para os empregados deles que para os clientes ! Enfim, entrei e tirei uma senha. Era a nº 138 ( juro ! ) da fila A ( só para trocar pilhas ! ) e o contador indicava 110 ....
Sentei-me e esperei quase 2 horas....
Conclusão : perdi mais tempo ali, por causa do raio da pilha, do que perderia nas portagens se não tivesse a Via Verde ! Ainda por cima tenho que lá voltar, a moça disse-me com um ar de pena que “não dá mesmo nada ...”. Suponho que se referia ao identificador, não a mim. Mesmo assim, olhei-a meio desconfiado ...
Porque é que não arranjam maneira da gente colocar umas pilhas novas no identificador tipo pilha de relógio que se compraria na loja da esquina ? Mistérios ...
Não me atrevi a perguntar isso à moça ...

Adiante.

Hoje, porque fui beber café com uma pessoa amiga à beira do Tejo, regressei a casa já noite e a chover. Fantástico : é uma aventura estarrecedora, conduzir à noite, debaixo de chuva, em certas zonas da cidade. Linhas no chão a demarcar as faixas não existem ou, ainda pior, estão lá algumas que valem e outras que não valem. Palavra que ainda estou para perceber como se consegue circular nestas condições sem andarmos todos para aí a bater uns nos outros desalmadamente.

Enfim, outro dia que aconteceu .... amanhã talvez tenham direito a uma musiquinha. Até lá, assobiem ou cantem sózinhos !
Sejam felizes.

segunda-feira, janeiro 26, 2004


EVANESCENCE

São uma banda nova - e de gente muito nova - de Little Rock, Arkansas, Estados Unidos da América. A minha filha falou-me neles, compramos o CD, ouvi e gostei bastante. A moça é a vocalista e chama-se Amy Lee. É ela a compositora do grupo e, se bem que as letras das canções revelem ainda alguma imaturidade ( natural, não, aos 20 anos ? ), têm já aquela marca que, a par de uma música muito simples e de uma voz cativante, fazem deste grupo algo que vale a pena ser ouvido. Não sei nada deles a não ser isto que vos digo, mas a sonoridade faz-me lembrar os grupos irlandeses.
Vejam abaixo a letra de "My immortal", uma das canções de maior sucesso deste CD que comprei e se chama FALLEN.
Pode VER AQUI um video desta canção, se possuir uma ligação à internet de banda larga.
Ou pode ir AQUI e ouvir esta ou outras canções !
Enjoy !

"My Immortal" - EVANESCENCE

I'm so tired of being here
Suppressed by all my childish fears
And if you have to leave
I wish that you would just leave
'Cause your presence still lingers here
And it won't leave me alone

These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase

[CHORUS:]
When you cried I'd wipe away all of your tears
When you'd scream I'd fight away all of your fears
I held your hand through all of these years
But you still have
All of me

You used to captivate me
By your resonating light
Now I'm bound by the life you left behind
Your face it haunts
My once pleasant dreams
Your voice it chased away
All the sanity in me

These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase

[Chorus]

I've tried so hard to tell myself that you're gone
But though you're still with me
I've been alone all along

[Chorus]

domingo, janeiro 25, 2004


A IMPROVÁVEL TERNURA

Sofia Coppola realizou o seu segundo filme, a que chamou Lost in Translation. A história é banalíssima e contudo aborda um dos segredos mais tocantes do ser humano, o milagre da empatia profunda entre duas pessoas. Neste caso, uma delas um velho actor em crise de carreira, a filmar um anúncio no Japão, e a outra uma jovem de 20 e poucos, recém-casada com um fotógrafo quase sempre sem tempo para ela. O envelhecimento bem humorado de um homem e o inicio de vida desencantado de uma jovem mulher. A improvável cumplicidade entre os dois. A ternura urgente embora impossível.
Ela pergunta, referindo-se à vida que a espera no futuro, à incerteza da relação com o marido : “Com o tempo isto torna-se mais fácil ?”. Ele hesita, demora o seu tempo e sussurra : “Não”. E lentamente, hesitantemente, singelamente, acaricia-lhe um pé.
Nunca se abraçam, nunca se beijam, nunca pensam em sexo um com o outro. Apenas sabem que se sentem bem os dois, que lhes apetece sorrir um para o outro, que existe uma grande ternura mútua.
Tudo os separa : a diferença de idades, a mulher e os filhos dele, o marido dela. A separação é um fim óbvio quando ele regressa a casa, nos EUA... Aí, e só no último momento, ele corre atrás dela e a abraça e beija comovidamente. E parte, olhando aturdido o espectáculo dos anúncios nos edifícios da cidade.
Sentimos perfeitamente o carinho e a ternura no ar, também nós.
E a esperança, também.
Coisas simples da vida, uma realização discreta e sóbria, um filme que faz de nós pessoas melhores, na saída.
Vão ver, façam favor.

sexta-feira, janeiro 23, 2004

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A GREVE DA FUNÇÃO PUBLICA E A FALTA DE VERGONHA DOS PARTIDOS POLÍTICOS

Estive a escrever umas linhas sobre esta greve da função pública. Depois, desisti. A raiva surda é tão forte que nem consegui dizer o que sinto. Estes senhores, tal como antes deles já outros o tinham feito, usaram e abusaram da máquina estatal para fornecer emprego e benesses ás suas clientelas partidárias e aos seus amigos. E como os salários normais da função publica não são principescos, londe disso, trataram de inventar subterfúgios legais para lhes pagar salários chorudíssimos. Como é que julgam que apareceram os Institutos ? E não pensem que é um ou dois : são centenas, caramba, centenas !
Depois, inventaram o estatuto especial do gestor público, os administradores dos hospitais SA, eu sei lá que mais, tudo sentado à mesa do orçamento do Estado.
Foram dezenas e dezenas de milhares os novos “funcionários públicos” que entraram por esta via nos ultimos anos. Normalmente, gente com pretensões, com ligações a partidos ou familiares, gente que veio para ganhar bem e fazer pouco. Inexperientes, sem qualquer qualificação especial, a quem foram distribuidas colocações na ordem dos 3000 ou 4000 0u 5000 euros mensais. Um escândalo partidário e nepotista, que nunca será trazido à luz do dia já que quase todo o país foi conivente ! Usaram os dinheiros públicos de uma forma obscena, distribuiram tachos como nunca o regime de Salazar ousou, meteram na função pública todos os amigos, apaniguados, primos, sobrinhos, cunhados, amantes, eu sei lá ....
E depois de tudo isto vêm agora reclamar que há muitos funcionários públicos, que o peso dos salários no orçamento do Estado é exagerado, que é preciso ter paciência e aguentar com reduções do salário real e reduções nas reformas !!!
Não é preciso ter lata ? Não é mesmo falta de vergonha e hipocrisia ? Mas quem é que criou a situação que eles mesmo denunciam ? Não foram eles ? Ou foram os funcionários públicos que meteram lá todos aqueles tipos de que falei ?
Senhores de todos os partidos, neguem o que afirmo, se puderem ! Mesmo o PCP, que nunca tendo estado no poder ( à excepção dos primeiros Governos provisórios pós-25 de Abril ) tem o controlo de várias Autarquias locais onde se passa exactamente o mesmo !

quinta-feira, janeiro 22, 2004


EU E O OUTRO

Quando estou muito tempo sózinho, sem falar nem ouvir vozes ( sequer da TV ) acontece-me algo semelhante a uma dissociação entre mim ( a minha capacidade de pensar ) e o meu corpo. É como se o meu eu pensante fosse alguém distinto daquele paspalhão que está ali sentado. Chego a falar com ele, normalmente para o insultar e perguntar o que está ali a fazer, em vez de ir tomar uma imperial à beira do Tejo, no fim de tarde ...
Não sei muito bem se isto não será uma daquelas doenças de personalidade de que os psiquiatras tanto gostam.... seja como for, não vou perguntar a nenhum, ficava a saber o mesmo e com menos 100 ou 150 euros, não era ?
Também não vou ao ponto de pensar num desdobramento de personalidades. Não, aqui há sempre apenas uma personalidade, embora em diálogo com o outro eu. Mas esse outro eu não tem sequer personalidade, que eu saiba.
É mais como se me visse a mim próprio, de um ponto exterior ao meu corpo. O meu ser pensante ( ia a dizer inteligente, mas isso já seria imodéstia ehehehe ! ) está nesse ponto exterior, e sou capaz de olhar para mim próprio com um distanciamento semelhante áquele que teria se estivesse a olhar uma outra pessoa.
Esquisito, não é ? Não sei nada de psicologia que me possa explicar esta sensação e, francamente, não estou muito interessado em pesquisar.
Está baralhado e perplexo, leitor, com este meu post de hoje ? Olhe, foi aquilo que me veio à cabeça...
Mas, pensando melhor, interpelo-o agora a si, leitor ! Nunca esteve em frente a um espelho, a olhar aquele tipo ( ou tipa ) que está na sua frente ( ainda por cima a imitá-lo nos movimentos ... ) e lhe apeteceu perguntar, em voz alta : “Quem és tu ?” ? Nunca fez isso ?
Então aconselho-o a experimentar. Talvez fique mais ciente deste extraordinário mistério que é o ser humano inteligente. Com capacidade de se olhar a si próprio e de se colocar questões.
Não será esta capacidade, esta duplicidade de ser e de se interrogar que distingue o ser humano dos outros animais todos ?
Bem, para não pensarem que estou vidrado de todo, informo-os que vou jantar esta noite a um restaurante italiano, com amigos do peito de longa data. Pasta e chianti ... e que se lixe a dieta.
Isto é o outro eu a falar, eu não digo alarvidades destas e cumpro a minha deita à risca.
Até amanhã. Sejam felizes.

quarta-feira, janeiro 21, 2004

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GARÇAS BRANCAS EM CAMPO VERDE

Voltaram. Quatro garças brancas, a “pastar” naquele espaço verde da ultima Quinta em Benfica, em frente do Colombo. Pensei que seriam dois casais, mas não percebo nada do sexo das garças. Ademais, estavam longe e de longe já nem certos homens eu distingo das mulheres, quanto mais garças macho ou fêmeas.
Houve qualquer coisa que entrou nos eixos, cá dentro de mim. Aquelas garças fazem parte do meu ficheiro de configuração interna. Nos ultimos tempos tinha-lhes sentido a ausência. Continuo sem fazer a mais pequena ideia de onde vêm os bichos e de como descobriram aquele espaço. Devem fazer reconhecimento aéreo para localizar bons locais de caça. Ou de turismo, sei lá o que elas andam para ali a fazer.
Para lá das garças, estive hoje no Colombo. Almocei uma salada ligeira, de frango. Ando a ver se perco dois ou três quilitos, mas fico sempre irritadiço quando me ponho a comer estas saladas magras. Será que as garças fazem dieta ? Duvido, os seres realmente livres não costumam fazer dietas.
Depois daquele simulacro de almoço ( aquilo é lá almoçar ? ) comprei o jornal e duas revistas e fui-me sentar um pouco a ler. Enquanto lia ia olhando à minha volta. A vida dentro de um Centro Comercial é muito variada : vi uma mãe a dar o biberão a um recém-nascido em estágio para a claque do Benfica ( berrava que se fartava ! ) ; dois velhotes a cabecear de sono mas tentando manter um ar de dignidade ( já viram como um gajo a dormir de boca aberta é ridículo ? ) ; três ou quatro teenagers fugidos de alguma Escola perto ; um casal com ar provinciano, sentados muito direitos, ele a olhar para tudo com um ar desconfiado, ela a puxar sempre a saia, não vá o diabo tentar os homens ; finalmente, uma jovem com um ar indefinido, pareceu-me empregada de loja ou coisa parecida, ostentando um daqueles telemóveis que parecem canivetes suiços, sabem, com música, máquina fotográfica, web camera e volante de 3 aros forrado a pele. Esperem, cortem essa ultima, essa ainda os gajos não descobriram. Aqueles telemóveis são caríssimos, como é que aquela miúda anda com um deles ? Arquivei essa pergunta, hei-de perguntar isso ao Pacheco Pereira ou ao Nuno Rogeiro, esses gajos sabem sempre tudo.
Para não parecer do tempo da outra senhora ( que até sou ), rapei do meu próprio telemóvel e .... surpresa, tinha uma mensagem SMS muito engraçada, que me restituiu a boa disposição. Não vos vou falar da mensagem, é um assunto meu, mas dediquei uns minutos a esgaravatar nas teclas minúsculas, a preparar e a mandar uma resposta.
Quando levantei os olhos, a jovem do canivete suiço com telemóvel incorporado olhou-me com mais consideração, embora ainda ligeiramente condescendente. Apesar de tudo, o meu não é forrado a pele, perdão, não tira fotografias, nem tem sons polifónicos, que é uma coisa que eu nem sequer sei muito bem o que é, mas me parece ser tocar a 5ª Sinfonia de Beethoven ( ou será um concerto de violino de Chopin ? ehehehe ) quando alguém nos quer falar.
Seja como for ( este “seja como for” é uma expressão muito boa, não é ? ) .... seja como for, dizia eu, acabei por ler tudo, ficar chateado ( entretanto já eram cinco ou seis velhotes a passar pelas brasas ) e resolvi pirar-me para casa. Sempre faço alguma coisa, posso escrever neste blogue.
Espero que agora os meus leitores não me venham bater, insinuando que esta escrita é muito light e que pareço aquela senhora meio magricela que publica três livros por ano e está convencida que é escritora ...
Ciao.

segunda-feira, janeiro 19, 2004

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POR FAVOR, ONDE É A SAÍDA ?

Sinto-me sufocar no meu País. Não o reconheço. Não me revejo nesta gente nova-rica, bem falante mas sem dignidade nem grandeza. Não consigo respirar este ar espesso, viscoso e viciado. Não percebo donde sairam tantas (in)competências. Não vislumbro outras explicações para certas escolhas senão a lealdade ao partido ou aos seus donos. Já não existe interesse colectivo, apenas existem partidos e lobies. A solidariedade chama-se competitividade, a dignidade humana depende da produtividade. Desgraçados daqueles que quiserem pensar pelas suas cabeças. Ridícula sociedade onde os heróis não resolvem problemas mas apenas discursam e se desculpam uns com os outros. Discursam sempre, sempre, sempre.
Este País já não existe.
Restam apenas dez estádios de futebol erguendo-se por cima de um mar de palavras.

domingo, janeiro 18, 2004


UMA FLOR AMARELA
Vejam como ela se esforçou por sobressair, naquele fundo verde. Admirem a sua beleza simples, a cor inspirada no Sol, a harmonia da distribuição das folhas. Algumas gotas de água da chuva, redondas, instáveis, trazem uma magia especial à pintura viva. Contemplar estas mini obras de arte leva-nos a um mundo diferente, onde as coisas simples ganham importância e o stress do dia a dia fica esquecido. A flor e a erva à volta são seres pequenos, sem vaidade, que normalmente nem vemos. Um destes dias, num dos meus locais preferidos à beira do Tejo, tive a felicidade de os ver. Olhei-os, fiquei feliz com estes pensamentos e tirei esta foto, muito perto deles.
Acho mesmo que ouvi algumas vozes fininhas, baixinho, e outra um pouco mais alto, a dar-me as boas tardes e a agradecer-me o interesse.
A próxima vez que virem erva e flores, no campo, aproximem-se, ponham os óculos, se for caso disso, afivelem um sorriso ( para não as espantar ) e olhem bem de perto para estas pequenas maravilhas. Vão ver que também se vão sentir felizes, como eu.

sexta-feira, janeiro 16, 2004


SORRIO, LOGO AINDA EXISTO
Eu sei. Por vezes, torno-me chato, obcecado. E não aborreço apenas quem me lê, também eu fico fisicamente indisposto. Não, preciso de descomprimir, de esquecer, ainda que por momentos. Ninguém consegue viver, sem paranóias ou depressões, numa atmosfera permanentemente crispada de crítica ou indignação.
É por isso que hoje me apetece agradecer aos amigos que me enviam diariamente mails com piadas, anedotas e material desse género. Não sei onde tudo isso tem origem, mas algumas piadas são mesmo muito giras.
Dessas todas, destaco uma que me fez sorrir com mais calor :

Não desistas nunca dos teus sonhos : se não os conseguires à primeira, tenta qualquer outra pastelaria próxima !


NÃO SE CONSEGUE ESTAR FELIZ MUITO TEMPO !
Logo hoje que eu estava tão bem disposto, chega-me a notícia daquele choque em cadeia na A23 : 56 veículos num dos sentidos da auto-estrada, mais 29 no outro.
Razão : um nevoeiro denso, com uma visibilidade de 10 metros. Comentário da BT da GNR : havia nevoeiro denso, mas os condutores não respeitaram a distância de segurança.
Boa ! Como se fosse fácil ! Hão-de mostrar-me como se faz !
E pronto, ninguém morreu ( parece ), trata-se da chapa e não se fala mais nisso !
Pois bem : pessoalmente, e com muitos anos e quilómetros de condução, sobretudo em auto-estradas, digo-vos que tenho um verdadeiro pavor a encontrar nevoeiro denso numa auto-estrada. Se repararem bem, a auto-estrada torna-se numa armadilha total : não se pode reduzir demasiado a velocidade, porque nos irão bater por detrás ; não se pode andar mesmo a 50 0u 60 kms/hora, porque não conseguiremos parar antes de bater no da frente; finalmente, não se pode parar e encostar na berma sem comprometer a segurança dos que vêm atrás.
Não se pode fugir. Que fazer, portanto ?
Há muito que, conversando com amigos, venho reclamando contra a inexistência de zonas de refúgio nas auto-estradas, sobretudo onde se sabe aparecer habitualmente nevoeiro denso. Uma zona de cada lado, para onde o automobilista possa retirar-se, saíndo da auto-estrada e esperando que o nevoeiro levante.
Recentemente, li que a Brisa começa a construir zonas dessas. Muito lentamente, claro.
Tal como estamos, se o leitor se vir envolvido em nevoeiro numa auto-estrada, que há-de fazer ? Qual o comportamento mais correcto ?
Não acham que conselhos quanto a estas situações, e outras, deviam ser lançados pela DGV ou sei lá por quem ligado à Prevenção de Acidentes ?
Não acham que a Brisa poderia investir um pouco mais em segurança ?
Claro, é mais simples dizer que os condutores não respeitaram a distância de segurança ...

quinta-feira, janeiro 15, 2004

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APETECE-ME DIZER : PORRA, ESTOU FARTO !

Uma vez mais, pelo segundo ano consecutivo, Durão Barroso impõe aos trabalhadores da Função Pública uma REDUÇÃO dos seus salários reais. Para todos com vencimentos superiores a 1000 euros que, como se sabe, é o limite da riqueza neste país. A partir de 1000 euros são todos ricos, ninguém precisa de aumentos.
Sejamos claros e rudes : não há qualquer justificação económica ou financeira para proceder desta forma. O défice não seria incomportável, se pelo menos todos os funcionários fossem aumentados em 2%.
Porque toma o Governo esta medida ?
Primeiro, como sempre, porque pode. Não sendo o sector público um negócio, ainda que a reacção seja violenta, com greves demoradas, o Governo encolhe os ombros : a sua capacidade de sobrevivência é muito maior que a capacidade de resistência dos funcionários públicos. Mais : ainda ganha dinheiro com as greves, não paga nem salários nem subsidios de refeição.
Segundo, quer dar o exemplo ao sector privado. Porém, neste sector as regras são outras e as negociações vão conduzir decerto a aumentos entre 2 a 3% para muitas empresas privadas.
Terceiro, e porventura mais importante : o Governo quer ganhar credibilidade política. Mostra que está a governar com rigor. Dá o exemplo. Ganha apoios em todo o centro e direita. Suscita aplausos entre todos aqueles que querem acabar com o Estado. É uma medida que lhes dá gozo pessoal. Tomem, cambada de malandros, chupistas do orçamento !

A todas estas razões, apetece dizer : vão gozar com as famílias deles, caramba ! Eu estou a ficar farto de ser o bombo da festa. Se querem mostrar-se convincentes numa política de austeridade, então que seja todo o País a pagar os custos dessa política e não apenas sempre os mesmos. Por exemplo, porque não fazem uma redução de 5 ou 10% em todos os vencimentos superiores a 5000 euros ?
Estou a ficar sem paciência, de facto. Não vejo apontarem nenhum objectivo mobilizador. Não vejo um só sinal de esperança. Não vejo equidade nos sacrifícios pedidos. Não vejo seriedade nesta política. Não vejo caminho nenhum traçado. Tenho a certeza que assim, não vamos a lado nenhum mesmo. Não é assim que se mobilizam pessoas como estas que vou mencionar e que, quer se goste ou não, fazem funcionar este país no dia a dia : Médicos e enfermeiros, Professores a todos os níveis, Juízes e oficiais de justiça, funcionários de Ministérios mais sensíveis, como os das Finanças ( cobrança de impostos ), Polícia e GNR, Forças Armadas, etc ...
Sim, porque NÃO é VERDADE que os funcionários públicos sejam uma espécie de sanguessugas da nação, como este Governo e os seus apoiantes andam a querer fazer crer.
Entre eles trabalham muitos técnicos de grande qualidade, de grande devoção, a troco de meia dúzia de amendoins, ainda por cima. Bolas, estou farto de ouvir disparates e mentiras sobre este tema.

Espero, bem sinceramente, que sejam MUITOS os que no dia 23 lhes vão dizer o que pensam deles.
Eu estou a fazê-lo já aqui e agora : se só sabem fazer isto, senhores do Governo, então porque não se vão embora ?
RESCALDO DOS INCÊNDIOS DO VERÃO PASSADO I

Eu ontem não lhe disse, leitor, que em Portugal todos os problemas se resolvem com mais legislação, que nunca é cumprida ? Pois bem, o MAI vem anunciar que a reforma da lei orgânica do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil vai avançar em Março !!
Ufa, o país respirou de alívio ! Agora podem vir todos os incêndios do Mundo, agora estamos prontos, caramba !
( a formação dos bombeiros, o treino efectivo operacional, as estruturas de comando e o treino respectivo, a decisão sobre a aquisição de meios aéreos, as medidas na disciplina das florestas ... continua tudo por fazer, mas também não interessa muito, vamos é fazer uma nova lei orgânica ... )

RESCALDO DOS INCÊNDIOS DO VERÃO PASSADO II

O responsável do NÚCLEO DISTRITAL INTERSECTORIAL DE ANÁLISE E COORDENAÇÃO DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS ( !!!! ) afirma que a legislação sobre florestas não está a ser cumprida.
Esta notícia suscita de imediato algumas perguntas : mas há alguma outra legislação que seja cumprida ? E depois, quem foi o criativo que inventou um nome daqueles para o serviço, ou lá o que é ??
Já repararam bem ? Agora já percebo porque é que, nos incêndios maiores, os bombeiros se queixavam que apareciam várias frentes de incêndio, ao mesmo tempo, em locais muito afastados .... deviam ser os gajos deste serviço a coordenar tudo isso, só podia ser. Só agora é que percebi, ao olhar bem para o nome...

RESCALDO DOS INCÊNDIOS DO VERÃO PASSADO III

Afinal, depois daquela tragédia toda do Verão passado, o que é que já se FEZ para melhorar as coisas ? E não me venham falar em leis orgânicas, regulamentos ou coisas do género que me dá um ataque !!
Fazer, fazer mesmo ? Fizeram alguma coisa ?




quarta-feira, janeiro 14, 2004

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THE PORTUGUESE WAY
Hoje preparei um pequeno esquema gráfico, muito simples, para ilustrar a maneira portuguesa de transformar a sociedade. Claro que isto não acontece apenas desde 1974, são manias que vêm de longe ...
Não vou estar a aborrecer-vos com grandes teorizações. Disso estamos todos fartos. Vou apenas lembrar meia dúzia de temas actuais.
A pergunta-chave a que o leitor deve responder é sempre a mesma : COMO ESTÁ A SER RESOLVIDO O PROBLEMA QUE EU VOU INDICAR ?
Vamos a isso então.
1) A hecatombe nas estradas ? -> Novo Código da Estrada, a entrar em vigor em breve
2) A eterna fuga ao fisco ? -> páginas e páginas acrescentadas ao Código IRS e IRC
3) A violação do segredo de justiça ? -> em estudo alteração da lei respectiva ....
4) Situação calamitosa do ensino secundário ? -> aprovado novo programa recentemente !
5) O problema das falências ? -> Nova legislação sobre falências
6) O problema do emprego, desemprego e produtividade ? -> novo Código Trabalho e outra legislação sobre produtividade e emprego em preparação ;
7) Entupimento crónico dos Tribunais ? -> Novas leis em preparação
8) Problema crónico dos incêndios ? -> no Verão 2003 tinha acabado de entrar em vigor nova legislação sobre o sector. Irá mudar agora, presumo...
9) Todos os problemas de atraso geral da nossa sociedade -> vai-se mudar a Constituição, a culpa é dela !

Caro leitor : acertou nas respostas todas ?
Também não admira, havemos de convir que esta maneira portuguesa de resolver os problemas da sociedade é velha, velhíssima, embora ainda faça espantar os países que não nos conhecem bem. E é curioso que esta fúria legisladora atravessa todos os partidos, é algo em que se consegue facilmente o consenso !
Assim como fomos um País de marinheiros, agora somos um País de produtores de legislação. Somos imparáveis nisso ! Orgulhemo-nos, portanto, conforme nos recomendam os nossos maiores. Em alguma coisa havemos de ser bons, caraças !

terça-feira, janeiro 13, 2004

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ATÉ O MEU GATO SE ESPANTA !
O folhetim da Casa Pia continua. Agora estendeu-se aos Açores e Madeira. Alberto João, como é hábito sempre que se publica algo de menos bom quanto à Madeira, afirma que é um ataque à Madeira. La Madeira c’est lui, portanto deve ter razão.
Pedro Santana Lopes continua a preparar a sua candidatura a candidato às eleições presidenciais. Publicou um livro, imagine-se. O prof. Cavaco Silva, convidado a estar presente no lançamento do livro, escusou-se. Eh, eh ...No dia em que Santana Lopes for eleito presidente da República a arte de viver ( bem ) à custa de todos nós chega a Belém.
Manuel Maria Carrilho declara-se desejoso de disputar a Câmara de Lisboa. Ou qualquer outra coisa que lhe dê estatuto, digo eu. Temos que ver que vai ser pai ...
Edite Estrela deu um tiro no pé, com aquela história da Câmara de Sintra. Ana Gomes continua a falar demais e num registo demasiado estridente. Vão ambas fazer uma cura de repouso ( e esquecimento ) ao Parlamento Europeu.
A Comissão Europeia, na pessoa do seu chefe, Romano Prodi ( em estágio para lider nas próximas eleições italianas ), resolveu apresentar queixa no Tribunal Europeu contra ... os países integrantes da Comunidade, por terem decidido não ligar pêvas aos défices francês e alemão. É assim mesmo, quem é que pensam que o Prodi é ? Agora até se queixa dos legítimos donos da Europa. É no que dá quando se concede demasiado poder aos burocratas.
Jorge Sampaio, o nosso Presidente da República, afirma não sei bem onde, pela enésima vez, que 2004 é muito importante, é agora ou nunca. Como já se disse em todos os anos dos ultimos 30.
Durão Barroso, vai ao Norte em sessão de marketing governativo e diz que é um Governo a falar nortenho. Promete mais uns milhões ( já me esqueci quantos ) para outra travessia do Douro. Um destes dias nem sequer vamos conseguir ver o rio, tantas são já as pontes.
A excelentíssima senhora ministra das Finanças, reconhece que a sua política causa desemprego e proclama que a competitividade nacional só poderá melhorar quando o Estado desistir das suas funções. A Auto-Europa ouve e pasma. Por mim, para acabar com o Estado, vou começar a fugir aos impostos.

O meu gato, o Cenoura, olha espantado para estes senhores ...

segunda-feira, janeiro 12, 2004

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O LIBERALISMO ECONÓMICO TRADUZIDO PARA PORTUGUÊS : OS OUTROS QUE SE LIXEM !

Olhemos para a fotografia tal qual ela se apresenta. Tornou-se moda ser liberal de direita. O liberalismo libertador. A ideia base é simples, claro ( se não o fosse também nunca a teriam escolhido ): o Estado consome uma percentagem elevada da riqueza anual produzida, não é ? Então, se não existir Estado, essa quota parte da riqueza anual pode ir para os bolsos dos outros, dos verdadeiros homens de trabalho que são eles... Percebido ? É muito simples, quase o ovo de Colombo. Acabe-se com quase todos os serviços do Estado, baixem-se os impostos e conseguem-se dois milagres : mais dinheiro disponível para o investimento privado e mais áreas de negócio para o mesmo sector.
O objectivo, tal como eles o afirmam publicamente, é que assim haverá mais oportunidades para todos, mais emprego e o país desenvolver-se-à muito mais depressa.
O objectivo que eles visam, não divulgado, é óbvio : libertarem-se da solidariedade obrigatória colectiva. Cada um deve pagar do seu bolso a educação dos filhos, a sua saúde e a dos seus familiares, a sua própria pensão de reforma futura. Quem não o puder fazer, paciência, passe sem essas coisas, desenrasque-se de outras formas. Se calhar é porque não quer trabalhar. E mesmo em caso de desemprego, que história é essa de todos lhe pagarmos um subsídio de desemprego ?? Isso só os faz ainda mais preguiçosos, dessa forma é que não querem mesmo trabalhar.
Bom, então já toparam, caros leitores ? Qual Estado nem meio Estado, eles estão-se nas tintas para existir Estado ou não existir. O que eles acham que não devem pagar é a solidariedade colectiva. O que eles recusam é pagar algum do seu dinheiro para as pensões de reforma dos que já não trabalham ou para os estudos dos jovens.
Cada um para si próprio, é o seu lema. Não lhes peçam dinheiro para os outros. Eles nem sequer utilizam as escolas oficiais, nem os hospitais públicos, para que hão-de pagar esses serviços para os outros ??
Não tenhamos medo de dizer a verdade : esta gente, os novos liberais, embora disfarçados sob a capa de uns quantos palavrões de política económica, como a produtividade e a eficácia, não passam de uns perfeitos e frios egoístas, incapazes do menor instinto de construção colectiva de um país de gente digna.
Embora já tenham nos seus bolsos, em regra, muito mais do que merecem e produzem, ainda querem mais, muito mais !
Ah, quase me esquecia de lhes dizer : estas lindas teorias, embora nunca levadas aos seus extremos, mesmo assim já produziram TENEBROSOS resultados sociais em alguns países onde foram aplicadas. Desemprego, aumento vertiginoso da desigualdade, ausência de oportunidades para os mais desprotegidos, conflitos sociais, criminalidade, infelicidade.
Mas é curioso : os arautos desta moderna barbárie económica nunca preconizam que o Estado abandone as suas funções de polícia e de defesa da ordem ... porque será ??

domingo, janeiro 11, 2004

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A REALIDADE NÃO É NUNCA A PRETO E BRANCO

Nunca na história do ser humano as relações inter-sexo foram tão fáceis como nos nossos dias. O primeiro contacto, em bares, discotecas ou concertos, ou ainda pelos meios electrónicos, chats, e-mails, messengers, SMS, etc... tornou-se bem mais imediato e simples do que há 50 anos. Quebraram-se tabus, derrubaram-se barreiras, destruiram-se preconceitos. Começa-se tudo bem mais cedo, nestes dias de hoje. O sexo banalizou-se, coisificou-se, democratizou-se. O único senão é a SIDA, já que aprendemos a usar todo o género de anti-conceptivos. Alguns deles, os veteranos preservativos, modernizaram-se até com pretensões policromáticas e sabores a frutas exóticas ! ( Essa dos sabores a frutas ainda não entendi muito bem ...eheheh... ). Mesmo quando as coisas aquecem subitamente e não há nem tempo nem lucidez para jogar à defesa, pode-se sempre recorrer no dia seguinte a uma pílula especial de efeitos retroactivos. Retroactivos apenas quanto à limitação das consequências, note-se ; o prazer havido já ninguém o tira, valha-nos a clarividência da ciência !
Em paralelo, aumentou a tolerância das sociedades para com relacionamentos não ortodoxos. A homosexualidade passou ( ou muitos pretendem que passe ) à categoria de opção, de livre escolha do homem ou mulher, deixando de ser entendida como um comportamento enviesado ou aberrante.
Enfim, pouca gente ainda haverá, nestas sociedades de vida fácil, que não consiga estabelecer e manter uma relação com um outro individuo, do sexo oposto ou do mesmo, de acordo com as suas preferências. Isto aparentemente.
Concordam com estas afirmações, em termos gerais ?
Então expliquem-me, se fazem favor, como e porquê cresceram, em simultâneo com estas realidades, outras bem mais perturbantes e enigmáticas, tais como :


--> a incapacidade de vida em comum, por um período razoável ( por vezes, as relações surgem totalmente como descartáveis ) ;
--> aumento, ou pelo menos a persistência, da solidão na vida de muitas pessoas;
--> um egoismo assustador, no que respeita a ter filhos e ou a educá-los, quando eles já existem ;
--> ainda no tema egoismo, uma incapacidade de gostar dos outros, uma falta impressionante de sentimentos de humanismo básico;
--> a subsistência de um grau de ignorância sexual assustador, motivando o fenómeno de mães adolescentes ;
--> o crescimento do fenómeno homosexual, seja ele um resultado de opções individuais, de fenómenos sociais ou de origens genéticas ;

Penso muitas vezes nestas questões, sem grandes dúvidas sobre a sua inter-relação, mas sem certezas nenhumas sobre as verdadeiras causas e explicações.
Querem avançar alguns comentários ? Têm opiniões sobre estes temas ?
Será que há sempre um preço a pagar por cada muro de Berlim que se derruba ?

sexta-feira, janeiro 09, 2004



A FRAUDE COMO NORMA DE VIDA

No ultimo Benfica-Sporting, o primeiro golo do Sporting resultou de uma grande penalidade “fabricada” por um jogador do Sporting, o Silva ( ver banda desenhada de Luis Afonso, ao lado, com a minha vénia ao autor ), ao simular que tinha sido derrubado por um jogador do Benfica.
Diga-se desde já que esta não é uma polémica clubística, era o que me faltava meter-me nessas. Não se trata, portanto, do Sporting. A verdade é que, em Portugal, a quantidade de golos obtidos desta forma fraudulenta é enorme, em todos os clubes.
Em recentes declarações, Fernando Santos, treinador do Sporting, reconheceu perante a imprensa ter havido simulação, achando o facto normal no futebol e adiantando que não manda os jogadores deitarem-se para o chão, mas também não lhes recomenda que o não façam...
Estas declarações são prova de uma insensibilidade tremenda sobre o que devia ser a ética de um treinador. A única explicação possível para estas palavras é que a fraude se tornou prática corrente, perdeu a conotação negativa e, pelo contrário, é algo valioso e eficaz no desempenho dos clubes.
Com a visibilidade que o futebol tem e a tendência dos adeptos para reproduzir modelos que lhes chegam por esta via, imaginem agora os danos éticos e morais que estas fraudes provocam na formação e comportamento de milhares e milhares de pessoas.
A mensagem é única e simples : a fraude compensa, desde que não seja descoberta e punida. E um treinador de futebol ( um ? dezenas ! ), e toda a Liga e a Federação, e todos os dirigentes dos clubes, e todos os adeptos sabem disto e ninguém se rala muito. A não ser quando o seu clube é prejudicado.
Acham que seria muito dificil acabar com este espectáculo degradante ? Eu não acho, desde que todos quisessemos acabar com isso. E não me venham tentar resolver o assunto com mais leis, as leis do futebol já punem a simulação. O que é preciso é vontade de acabar com a mentira e obrigar os jogadores a actuarem com verdade.
Bom, dirão vocês, leitores : mas isto é apenas futebol, que se lixe .... já se sabe que é um mundo sem grandes éticas !
Ah é só no futebol ? Mas então não é nítido que esta mesma permissividade perante a fraude e o ilícito ( e a falta de verdade e de fair play ) se estendeu já a toda a sociedade ?
Pensam que os penalties fabricados acontecem apenas no futebol ???

quinta-feira, janeiro 08, 2004



GOSTO DE BENFICA

Vivo em Benfica há muito tempo. Desde que o 25 de Abril decidiu tornar-se cravo vermelho e feriado. E gosto. É uma zona com resquícios de um passado não muito longínquo, de quintas e casas solarengas. O bairro mantem um ar de velho fidalgo, talvez arruinado nos haveres mas não nos princípios. É um daqueles bairros lisboetas, tal como Campo de Ourique ou a Graça, onde saímos de casa e temos ainda ali à mão cafés, pastelarias, padarias, farmácias, bancos, sapatarias e sapateiros, lugares de frutas e hortaliças, um grande mercado, lojas de ferragens, drogarias, lojas de tecidos e até retrosarias ! Ainda sabem o que é uma retrosaria ? Com todos aqueles carrinhos de linhas, agulhas, fechos éclair e bugingangada do género ?
Claro, não falta uma igreja matriz, antiga, sólida. Perto dela, um velho chafariz, encimado por um brasão do tempo da monarquia, agora normalmente escoltado por pombos cinzentos e brancos. É um bairro onde ainda se podem ver casas antigas, muitas recuperadas, de apenas rés do chão e primeiro andar, um traçado simples, limpo, puro. magnificas cantarias nas portas e janelas.
Num muro anexo à Igreja, a Junta de Freguesia mandou fazer uns painéis de azulejos com algumas figuras típicas da velha Lisboa : a lavadeira, o aguadeiro, a galinheira ( a mulher que vendia galinhas ), etc ...
Num dos restaurantes da zona existe um outro painel de azulejo, mostrando um ribeiro que corria exactamente em frente da Igreja ( onde é a pastelaria Nilo ) com as lavadeiras a lavar a roupa dos clientes. Isto há menos de um século !

Em Benfica, as pessoas mais "antigas" ainda se cumprimentam na rua, mantendo os hábitos tradicionais portugueses. Isto dá um sentimento de pertença colectiva, uma sensação agradável de sermos e pertencermos. Gosto de sair à rua, seja a que horas for, e deambular um pouco pelos passeios.
Hoje, foi diferente : lembrei-me de levar a máquina fotográfica, tirar algumas fotos e falar-vos desta zona onde vivo.
Espero que me desculpem o bairrismo. Em minha defesa, notem que nem sequer vos falei no clube de futebol que retirou de Benfica o seu nome. Talvez por pudor .... ehehehehe !

quarta-feira, janeiro 07, 2004

À TARDE, JUNTO DO TEJO, NUMA PRAIA COM LIXO
Sabem onde é agora o centro de controlo do porto de Lisboa ? Aquela espécie de torre de Pisa do Tejo ? Em frente da gare de caminho de ferro de Algés, perto da Doca-Pesca. Há aí ainda uma pequena praia, com areia, ondas e gaivotas.
Vê-se de tudo, na areia dessa praia, trazido pela corrente e pelas marés. Canas, pneus velhos ( os barcos têm pneus ?? ), bocados de redes e de bóias, tábuas de barcos apodrecidos e desmantelados, sei lá que mais.
Uma ou outra vez, agarrei numa cana comprida e lembrei o lançamento do dardo, para a água. No Verão, tenho visto por ali pessoas em fato de banho, na areia, á procura do bronzeado miraculoso. Agora, só se vêem gaivotas a sobrevoar a água e andorinhas do mar a andar pela areia, esperançadas em qualquer petisco que surja.
Em frente fica a Trafaria, com aquelas silhuetas escuras e feias dos silos e das gruas para descarregar e carregar os navios. Quando olho para a Trafaria, lembro-me sempre de uma ou outra boa refeição que já ali comi. Hoje, enquanto olhava, pensei nos petiscos da “Tasquinha do Aires” : morcela e chouriço assado, salada de polvo, um vinho verde tirado à pressão.
Vinda não sei donde, uma fragata da nossa Armada entrava no Tejo, imponente e rápida, sem precisar do barco dos pilotos da barra. Um pouco atrás, um navio a abarrotar de contentores ; é um milagre como aqueles navios não perdem os contentores todos em alto mar, quando há tempestades.
A meio caminho da outra margem, cerca de duas dezenas de pequenas embarcações com uma ou duas pessoas, suponho que de pesca artesanal. Pescarão o quê, ali e a estas horas ?
A partir dessa praia há um cais que corre ao longo da marina da Doca-Pesca. Foi pavimentado há uns dois anos e tem uns bonitos candeeiros e tudo. É claro que já arrancaram do chão uma série de lajes de pedra e que as lâmpadas dos candeeiros estão quase todas partidas. Nunca conseguimos esquecer o país que somos, não é ?
Fui andando por esse cais, entretido a ver os pescadores desportivos que por ali estavam. Não vi ninguém apanhar sequer um peixito, mas também suponho que não é isso que é importante para eles. Era gente nova, conversavam, gorros na cabeça e camisolas de lã, umas chupadas nos cigarritos. O que interessa é a perspectiva, a esperança de apanhar algo, não é ? Pescar assim é ter esperança.
Uma bonita cadela cor de mel corria de um lado para o outro, veio até junto de mim, quando passei, para uma festa na cabeça. Bichita linda ! O dono olhou-me e sorriu, antes de virar a cara para o mar, não fosse o sargo escolher aquele momento para picar.
Dei a volta, olhei o céu de um cinzento feio ( tinham previsto aguaceiros ... ) , caminhei para o carro e regressei a casa.
Eram 5 da tarde de um dia vazio com muitos pormenores à volta.

terça-feira, janeiro 06, 2004

À ESPERA QUE A CRISE PASSE ...

Ah, a CRISE ! O Monstro ! O dragão de sete cabeças ( não confundir com os dragões do Norte que esses só têm uma cabeça ) !!
Toda a comunicação social, nos intervalos da Casa Pia, pisa e repisa na CRISE. Pedem-se comentários a senhores sisudos e competentes, a presidentes de Bancos, a empresários, a simples passantes na rua : será que a CRISE vai terminar em 2004 ?? Hem ?? Ou só em 2005 ou 2006 ? Quando iremos ver o rabo da CRISE ?
Hum, talvez no 2º semestre de 2004, dizem os mais optimistas ou mais comprometidos com este Governo ! Não, só em 2005 se não for em 2006, diz outro, mais prudente, céptico ou filiado na oposição ...
Seja como for, é preciso esperar pelos bons ventos. É preciso esperar pelo que vier da Europa e dos EUA. Talvez, pá, tenhamos esperança ...
Caro leitor, mesmo que nada entenda de economia e da crise ( no que estará bem acompanhado, dá a ideia que o Governo também não ! ) não desanime e pense um pouco. Repare como tudo na nossa vida se passa sempre a ESPERAR alguma coisa !
Esperámos pelo D. Sebastião. Em vão.Esperámos que o 25 de Abril resolvesse os problemas económicos do país. Em vão. Esperámos que a integração europeia fizesse de nós um país moderno e com riqueza para todos. Em vão. Esperámos que o EURO ajudasse a Europa a competir no Mundo. Em vão, está tão alto que parece uma moeda alpinista, só prejudica. Esperámos que este Governo ( alguns de nós, alguns de nós ... ) resolvesse os grandes buracos financeiros do maléfico Engº Guterres. Em vão, está tudo na mesma ou pior. E agora ?
AGORA ESPERAMOS QUE PASSE A CRISE. Tipo esperar que passe a trovoada.
Já viram ? NUNCA FAZEMOS NADA ! LIMITAMO-NOS A ESPERAR !
E esta é a marca indelével da nossa maneira de ser. ESPERAR é que é bom. Pode ser que as coisas melhorem, pá !
Malta, que tal deixar apenas de esperar e começar a ajudar a sorte ? Que tal ( agora é convosco, senhores do Governo ) começarmos a ter políticas activas que ajudem o país a ser melhor ? Alguém conhece alguma estratégia nossa para sair da crise que não seja esperar ?
É que estou ( estamos, não estamos ? ) farto de esperar, farto de apertar o cinto, farto de ser um país pobrezinho, farto de papões como a CRISE, farto de ser parvo.
Ah, já me esquecia : também estou farto ( estamos, não é, leitor ? ) de ser só eu a pagar essa tal CRISE ! É que, a avaliar pelos salários de muitos gestores de empresas nacionais, publicas e privadas, iguais ou superiores aos seus congéneres europeus, parece-me que ou não há crise nenhuma ou ela é só para alguns. Os mesmos de sempre.

segunda-feira, janeiro 05, 2004

EM VEZ DE MUDAR DE ANO, DEVÍAMOS MUDAR DE ATITUDE !!
Hoje acordei a pensar que devia passar a ser mais optimista na minha forma de olhar os portugueses e a evolução do nosso país. Está decidido. Vou deitar fora a minha ideia de sermos um povo sem emenda. Vou acreditar. Vou fechar os olhos, os ouvidos e o nariz aos sinais de mal-estar. Vou estar atento às pequenas coisas boas que possam surgir.
Acho que vou precisar de toda a minha boa-vontade, mas vou tentar ...
Se for preciso, até passo a acreditar que Portugal vai ganhar este ano o campeonato europeu de futebol, o EURO 2004. E que a inflação em Portugal, este ano, se vai ficar pelos 2%. Vou mesmo ao ponto de acreditar na Justiça portuguesa e no fim das filas de espera nos hospitais. Já agora, se querem saber, acredito que quem deve ao fisco vai pagar tudo e que mais ninguém vai fugir aos seus impostos daqui em diante. Acho que a mania de meter os nossos familiares e os filhos dos nossos amigos naquelas vagas da empresa também vai terminar. E já agora, num esforço supremo, acredito até que o comportamento dos portugueses na estrada vai mudar drasticamente e que vamos passar a conduzir civilizadamente.
Palavra, vou fazer um esforço para acreditar nisto tudo.
Só resta um pequeno problema : é que para tudo isto mudar seria indispensável que a maneira de pensar dos portugueses mudasse MUITO a curto prazo ...
E nisso é que eu não posso acreditar, porque não vejo ninguém a tentar fazê-lo de uma forma eficaz.
Acho que vou passar a ser um optimista ... céptico. Ehehehehehe ...

domingo, janeiro 04, 2004

SÃO CAMINHOS DIFERENTES, ÓH SUSANA, NÃO CHORES MAIS POR MIM !

Tenho tido uma experiência muito enriquecedora com este pequeno blogue, lido diariamente por uma escassa dezena de pessoas. Pois bem, algumas dessas pessoas acham que eu devia deixar de escrever sobre as coisas erradas que vejo no nosso país ou, pelo menos, de não ser tão obsessivo quanto a elas. O que é mais curioso ainda é que, segundo julgo saber, são pessoas que também não aprovam as coisas que eu tento denunciar.
Então, que as leva a pedirem-me para falar de outros assuntos ?
Só posso especular. E penso que essa sua atitude revela um traço fundamental da nossa cultura portuguesa, quem sabe se ainda herdado do fatalismo árabe. Reconheço esse traço, embora nem sequer seja capaz de o caracterizar completamente. Trata-se de algo que nos leva a pensar que as coisas hão-de mudar, mais tarde ou mais cedo, sem ser preciso fazermos nada quanto a isso. O que for, soará. Não vale a pena matarmo-nos. Ora, eles que se lixem. Por mim, não lhes passo cartão. São todos iguais, para que me hei-de ralar ?
Muitas vezes, a par desta atitude, criamos focos de interesse e de paixão nas nossas vidas. Podem ser a Arte, a Ciência, a Literatura, a Dança, o Teatro, o Amor ao próximo, que sei eu ... o que importa é procurar o sentido ultimo da vida na Beleza que nos rodeia ... e o resto que vá para o Inferno.
Sabem ? Eu já deixei de utilizar e de acreditar em argumentos éticos, do género “é um dever procurar o bem social antes do bem individual”. Nada disso. Admito e aceito que cada ser humano é livre de escolher as suas prioridades e de procurar a sua felicidade pessoal. Tempos houve em que não pensava assim, achava que existiam imperativos sociais indeclináveis válidos para todos.
Mas agora, penso que cada um que escolhe o seu caminho, não é ?
Eu também escolhi o meu, deixem-me construi-lo até ao fim, por favor. Nunca serei capaz de ser feliz sabendo que há tanta coisa horrorosa a passar-se no dia a dia nas nossas costas.
Embora á minha escala microscópica, quero sentir que posso influenciar a mudança, que posso ajudar a melhorar. É afinal dessa atitude – e de alguma mudança que por milagre aconteça – que retiro o prazer de viver.

sábado, janeiro 03, 2004

GALILEU, A CASA PIA E O EXEMPLO DE ANGOLA
Para mim, seria relativamente simples perceber o que se passa. QUEM revelou publicamente que a tal carta anónima continha referências a Jorge Sampaio e António Vitorino ? QUEM ?
É que não é dificil perceber porque o fez. Há algum tempo atrás, QUEM divulgou excertos de conversas telefónicas ( das célebres escutas ) que comprometiam Ferro Rodrigues e António Costa ? QUEM ?
Não é óbvio que alguém anda a tentar retirar dividendos do processo Casa Pia, comprometendo o PS na pedofilia ? QUEM lucra com isso ?
O Ministério Público, tão zeloso das suas responsabilidades que até anexa ao processo cartas consideradas como irrelevantes, não desconfia de nada nestas coincidências todas ?
Ou lava daí as suas mãos ? Talvez ache que são actos irrelevantes...mas sendo assim, deveria anexá-los ao processo, de acordo com a sua prática anterior, não era ?
Porque é que o MP vem falar em intoxicação do processo, AGORA, depois de Adelino Granja ter indicado que há também um ministro do actual Governo que foi mencionado por uma testemunha como sendo pedófilo ? Porquê só AGORA e não há dois dias, quando os nomes de Jorge Sampaio e António Vitorino vieram para a praça publica ?
Há dois dias AINDA não havia intoxicação ??
.......
E, contudo, ela move-se, dizia o infeliz Galileu ácerca da Terra, depois de o terem obrigado a “confessar” que ela estava parada e o Sol é que girava em torno dela...
Eu nem sequer sou do PS ou voto neles. Só que a verdade é a verdade.

PS - para se divertirem um pouco : a TVI indica que um português foi expulso de Angola por ser pedófilo !!! Boa, finalmente vê-se uma justiça actuante num país como deve ser ! Pode-se assistir ao roubo de um povo inteiro, pode ver-se deixar morrer à fome esse mesmo povo, o que não se pode é tolerar um pedófilo ... que grande lição recebemos desse país !

sexta-feira, janeiro 02, 2004

2004, ANO DE ARRANQUE DA ECONOMIA ?
Ontem saí à rua. Quase não se via ninguém. Bom, é feriado, primeiro dia do ano, descanso merecido, disse para mim.
Hoje, sexta-feira, saí de manhã, para beber um café e fazer algumas compras. Muitas lojas ainda fechadas, incluindo o quiosque onde costumo comprar o jornal.
Bom, é Portugal, disse a mim próprio desta vez.

quinta-feira, janeiro 01, 2004

O DÉFICE É DE PRINCÍPIOS, NÃO FINANCEIRO
Uma amiga minha dizia-me, há dias, para eu escrever mais sobre as coisas belas da vida ...Eu sei, torna-se chato estar sempre a ler sobre as desgraças deste País e do Mundo, não é ? Se eu vivesse da escrita, se tivesse uma coluna numa revista ou jornal, teria que ter em atenção esse aspecto, sim. Mas isto é um blogue. No fundo, destina-se mais a ser uma válvula de escape para mim que algo feito a pensar no prazer do leitor. A verdade é que é muito dificil fruir a beleza quando à nossa volta vemos que crescem pântanos de corrupção e montanhas de interesses ilícitos. A maior parte dos dias tenho a sensação de um país a esboroar-se, parece-me ver a podridão moral a crescer por toda a parte, como um fungo preto numa velha parede.
Não me quero armar em homem de grande sensibilidade ou em lutador político infatigável. Nada disso. Só que , ultimamente, em cada sorriso de um ministro eu vejo contas na Suiça ( dos primos, é claro ), entendimentos com empreiteiros, filhas a entrar na Universidade por cima dos outros, professores colocados com cunhas, o Primeiro-Ministro todo sorridente, a título pessoal, no casamento da filha do Presidente de Angola, um dos regimes mais corruptos do Mundo ...
Vamos falar de amor, e esquecer isto ?
E os outros, os ilustres cidadãos anónimos deste meu país, não ficam melhor na foto : vigarice nos impostos, a corrupçãozinha em toda a parte, a moral hipócrita dos que se opõem ao aborto e o vão praticar a Londres ou Espanha, os olhos rasteiros de quem nunca nada lhe diz respeito, a mentira descarada e sem vergonha nas declarações de um mero acidente de carro .... quem não viu já estes filmes ?
Vamos falar de amor, e esquecer isto ?
Claro, a beleza (ainda) existe e temos que a olhar e sentir, a menos que sejamos masoquistas e candidatos a uma neurose galopante. Mas lá que é dificil, é. Nos ultimos tempos, é raro o dia em que saio de casa e não sou assaltado por uma qualquer circunstância que me destrói o humor e a ( pouca ) esperança.
De tal forma que ando a matutar neste tema curioso : actualmente, em Portugal, pode-se ser uma pessoa medianamente informada e, ao mesmo tempo, uma pessoa feliz ?
Os leitores que respondam ...