UMA QUESTÃO DE COMUNICAÇÃO
Um grande anuncio exterior, acho que lhe chamam um outdoor, iluminado àquela hora do fim de tarde.Uma foto com um rapaz, de costas, vestido com umas jeans. Abraçado a ele, uma rapariga, apenas se vendo as mãos dela, a apalparem-lhe o rabo, sem inibições.
Duas frases ilustram e dão sentido à foto : COMUNIQUE MAIS, VIVA MELHOR. Finalmente ! Bolas, andei uma vida inteira para perceber isto ! E foi preciso um anúnciozito luminoso para me explicar. Sempre pensei que gostaria de comunicar, escrever umas coisitas, sei lá, mesmo que fossem tipo margarida não sei quê, ou ser jornalista, quanto mais não fosse. Mas não, nada disso : afinal é DAQUILO que eu sempre gostei, daquele tipo de COMUNICAÇÃO. Não enjeitando aquele sentido ela /ele, se possível englobando também o sentido inverso. Sempre ouvi dizer que para haver comunicação tem que haver dois sentidos.
Ou mais, considerando este tipo especial de comunicação.
Blogs (Blogues) = crónicas (quase) diárias; registo periódico de factos, opiniões e críticas ; as impressões íntimas, a política, o social.
sexta-feira, outubro 31, 2003
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Vitor Cunha
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10/31/2003 07:41:00 da tarde
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PROMESSAS, PROMESSAS
E se a táctica usada nas eleições para presidente do Benfica se torna moda ??
.............
Portugueses, se votarem em mim, prometo que trago para o País um Primeiro Ministro alemão, francês, sueco ou mesmo espanhol, com provas dadas e golos marcados. O que temos cá já se viu que chuta sempre para o mesmo lado e mesmo assim mal, e os outros, os candidatos, não são estrelas nenhumas.
Prometo também uma nova Ministra das Finanças, francesa ou alemã, sem obsessão por défices. Esta nossa só sabe jogar à defesa.
Contrato também um substituto para o João Jardim, não pode ser nem da Irlanda nem da Escócia, ando a ver se encontro quem queira.
Até arranjo e trago para cá pedófilos conhecidos, da Bélgica, se quiserem, que estes nossos já cheiram mal.
Quanto ao Paulo Portas, prometo que não o deixo ir jogar para o estrangeiro, acho que devemos ter apenas exportações de qualidade, para melhorar o prestígio do país. A menos que a estratégia passe por lançar a confusão nos outros países europeus. É assunto a ponderar.
Votem em mim, já !
..............
Assim vão as eleições ... por enquanto, apenas para o presidente do Benfica.
E se a táctica usada nas eleições para presidente do Benfica se torna moda ??
.............
Portugueses, se votarem em mim, prometo que trago para o País um Primeiro Ministro alemão, francês, sueco ou mesmo espanhol, com provas dadas e golos marcados. O que temos cá já se viu que chuta sempre para o mesmo lado e mesmo assim mal, e os outros, os candidatos, não são estrelas nenhumas.
Prometo também uma nova Ministra das Finanças, francesa ou alemã, sem obsessão por défices. Esta nossa só sabe jogar à defesa.
Contrato também um substituto para o João Jardim, não pode ser nem da Irlanda nem da Escócia, ando a ver se encontro quem queira.
Até arranjo e trago para cá pedófilos conhecidos, da Bélgica, se quiserem, que estes nossos já cheiram mal.
Quanto ao Paulo Portas, prometo que não o deixo ir jogar para o estrangeiro, acho que devemos ter apenas exportações de qualidade, para melhorar o prestígio do país. A menos que a estratégia passe por lançar a confusão nos outros países europeus. É assunto a ponderar.
Votem em mim, já !
..............
Assim vão as eleições ... por enquanto, apenas para o presidente do Benfica.
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Vitor Cunha
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10/31/2003 11:23:00 da manhã
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quinta-feira, outubro 30, 2003
AS MOSCAS NÃO SÃO AS DOS ANOS 60, POIS NÃO ?
Quando comecei este diário, não fazia ideia nenhuma do que queria cá dizer. Ainda hoje não sei muito bem, não é ?, mas a pouco e pouco acho que fui parar a uma forma simples de conversa com amigos, num café, uma espécie de vale-tudo desde que seja sentido. Qualquer coisa do género.
Claro que isto não surge por acaso, uma das recordações mais gratas da minha juventude são as conversas entre amigos, à volta de uma mesa de café, na Mexicana ou mais frequentemente na Copacabana, em Lisboa. Não era uma tertúlia intelectual, faltava-nos muita coisa para isso, mas era um convívio onde todos aprendiam com todos, numa partilha de informação e de ideias que bebíamos sofrêgamente em livros, reuniões, espectáculos, o que calhava.
Tínhamos vinte e poucos anos e andávamos, a maior parte, a estudar no IST, ali mesmo ao pé. Salazar ainda reinava, num país pachorrento, e a grande excitação das nossas vidas eram as lutas estudantis e a consciência do muito que seria necessário mudar a nível político. A guerra colonial era uma afronta “doutrinária”, para nós, e ao mesmo tempo uma ameaça real. Alguns lá foram cair, por essa Áfricas, enquanto outros, para a evitar, se viram obrigados a uma emigração forçada para a Suécia, Bélgica e outros países, interrompendo os cursos e as vidas. Mas isso são outras histórias, que um dia lhes contarei.
Por hoje, lembrei-me desta fase da minha vida apenas porque ela moldou definitivamente a minha maneira de pensar o Mundo, não como uma forma cristalizada e derradeira, mas antes como algo que se faz e desfaz para logo depois se refazer. Aprendi a ter prazer na conversa, no debate de ideias, no escutar dos outros.
Creio que este diário se está a parecer cada vez mais com aquelas conversas do final da década de 60. Em todos os aspectos. Incluindo a ideia de que muito há a mudar neste nosso país, em termos políticos.
Como dizíamos então, isto está uma merda completa.
Quando comecei este diário, não fazia ideia nenhuma do que queria cá dizer. Ainda hoje não sei muito bem, não é ?, mas a pouco e pouco acho que fui parar a uma forma simples de conversa com amigos, num café, uma espécie de vale-tudo desde que seja sentido. Qualquer coisa do género.
Claro que isto não surge por acaso, uma das recordações mais gratas da minha juventude são as conversas entre amigos, à volta de uma mesa de café, na Mexicana ou mais frequentemente na Copacabana, em Lisboa. Não era uma tertúlia intelectual, faltava-nos muita coisa para isso, mas era um convívio onde todos aprendiam com todos, numa partilha de informação e de ideias que bebíamos sofrêgamente em livros, reuniões, espectáculos, o que calhava.
Tínhamos vinte e poucos anos e andávamos, a maior parte, a estudar no IST, ali mesmo ao pé. Salazar ainda reinava, num país pachorrento, e a grande excitação das nossas vidas eram as lutas estudantis e a consciência do muito que seria necessário mudar a nível político. A guerra colonial era uma afronta “doutrinária”, para nós, e ao mesmo tempo uma ameaça real. Alguns lá foram cair, por essa Áfricas, enquanto outros, para a evitar, se viram obrigados a uma emigração forçada para a Suécia, Bélgica e outros países, interrompendo os cursos e as vidas. Mas isso são outras histórias, que um dia lhes contarei.
Por hoje, lembrei-me desta fase da minha vida apenas porque ela moldou definitivamente a minha maneira de pensar o Mundo, não como uma forma cristalizada e derradeira, mas antes como algo que se faz e desfaz para logo depois se refazer. Aprendi a ter prazer na conversa, no debate de ideias, no escutar dos outros.
Creio que este diário se está a parecer cada vez mais com aquelas conversas do final da década de 60. Em todos os aspectos. Incluindo a ideia de que muito há a mudar neste nosso país, em termos políticos.
Como dizíamos então, isto está uma merda completa.
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Vitor Cunha
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10/30/2003 11:40:00 da tarde
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terça-feira, outubro 28, 2003
GATO SEM VERGONHA
O meu gato é teimoso como qualquer outro gato : é capaz de saltar para cima da mesa, ao almoço ou jantar, dez, vinte vezes, mesmo depois de umas valentes palmadas. Não há ameaças ou seduções que o desviem da sua tentação. Se falo no meu gato agora, é porque percebi que, afinal, os portugueses são tão dissimulados, teimosos e obstinados como ele.
Há uns dias, o Presidente da República fez uma comunicação ao país, sugerindo que se acabasse com a novela da Casa Pia e se enfrentassem os grandes problemas nacionais. Toda a gente ( de bem, aqueles a quem perguntam a opinião ) declarou compungidamente que sim senhor, que o senhor Presidente tinha razão, que era tempo de ganharmos juízo ... Claro que isto já foi há uns dias e um homem não é de pau : mensagem esquecida e pimba ! Aí a temos de novo, à novela, em todo o seu esplendor : uns dizem que o Ministério Público se comporta como a Pide ou a Gestapo , outros ( que por acaso é outra ) enervam-se com o adiamento dos julgamentos e dizem que assim, qualquer dia já não há vítimas, fogem todas. Uns continuam a declarar a sua fé na justiça ( nunca percebi que raio vem aqui fazer a fé ), outros insinuam que todo o edifício jurídico se está a desmoronar. Um "ilustre" causídico, invocando o seu dever de defesa do cliente, inventa artifícios das arábias para adiar o julgamento do mesmo. Cliente esse que estará na condição de "vegetal", na opinião de um qualquer psiquiatra que vi e ouvi na TV. Hummm, talvez um pepino, ou uma cenoura, a ajuizar por aquilo de que o homem é acusado.... Não, não me parece mal brincar com isto, toda a gente anda a brincar, só eu é que não posso ??
É a novela das 8, no auge das audiências.
É o regresso à barafunda depois do acto de contrição.
Estou a ver daqui o meu gato, a limpar os bigodes e a olhar-me com ar de gozo :
"Então, e eu é que sou desavergonhado, não é ?"
Touché. Nunca mais dou nenhuma palmada ao meu gato.
O meu gato é teimoso como qualquer outro gato : é capaz de saltar para cima da mesa, ao almoço ou jantar, dez, vinte vezes, mesmo depois de umas valentes palmadas. Não há ameaças ou seduções que o desviem da sua tentação. Se falo no meu gato agora, é porque percebi que, afinal, os portugueses são tão dissimulados, teimosos e obstinados como ele.
Há uns dias, o Presidente da República fez uma comunicação ao país, sugerindo que se acabasse com a novela da Casa Pia e se enfrentassem os grandes problemas nacionais. Toda a gente ( de bem, aqueles a quem perguntam a opinião ) declarou compungidamente que sim senhor, que o senhor Presidente tinha razão, que era tempo de ganharmos juízo ... Claro que isto já foi há uns dias e um homem não é de pau : mensagem esquecida e pimba ! Aí a temos de novo, à novela, em todo o seu esplendor : uns dizem que o Ministério Público se comporta como a Pide ou a Gestapo , outros ( que por acaso é outra ) enervam-se com o adiamento dos julgamentos e dizem que assim, qualquer dia já não há vítimas, fogem todas. Uns continuam a declarar a sua fé na justiça ( nunca percebi que raio vem aqui fazer a fé ), outros insinuam que todo o edifício jurídico se está a desmoronar. Um "ilustre" causídico, invocando o seu dever de defesa do cliente, inventa artifícios das arábias para adiar o julgamento do mesmo. Cliente esse que estará na condição de "vegetal", na opinião de um qualquer psiquiatra que vi e ouvi na TV. Hummm, talvez um pepino, ou uma cenoura, a ajuizar por aquilo de que o homem é acusado.... Não, não me parece mal brincar com isto, toda a gente anda a brincar, só eu é que não posso ??
É a novela das 8, no auge das audiências.
É o regresso à barafunda depois do acto de contrição.
Estou a ver daqui o meu gato, a limpar os bigodes e a olhar-me com ar de gozo :
"Então, e eu é que sou desavergonhado, não é ?"
Touché. Nunca mais dou nenhuma palmada ao meu gato.
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10/28/2003 10:25:00 da tarde
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segunda-feira, outubro 27, 2003
A DESELEGÂNCIA DA LUZ
Não gostei de ouvir aquela vaia e assobiadela gigantesca com que os adeptos do Benfica receberam o Primeiro-Ministro na inauguração do novo Estádio da Luz.
Estou à vontade para discordar desta vaia : não gosto deste Governo, não gosto da sua política, abomino o seu afã de destruição, irritam-me os ares pomposos que são a sua imagem de marca, acho que estão a desmoralizar completamente este pobre país. Não gosto, pronto.
Mas daí a gostar de ouvir uma "ovação" daquelas ao Primeiro Ministro vai um enorme passo que eu não dou.
Nunca gostei de cartas anónimas, nem da pseudo coragem de pessoas sem rosto no meio de uma multidão.
Não gostei de ouvir aquela vaia e assobiadela gigantesca com que os adeptos do Benfica receberam o Primeiro-Ministro na inauguração do novo Estádio da Luz.
Estou à vontade para discordar desta vaia : não gosto deste Governo, não gosto da sua política, abomino o seu afã de destruição, irritam-me os ares pomposos que são a sua imagem de marca, acho que estão a desmoralizar completamente este pobre país. Não gosto, pronto.
Mas daí a gostar de ouvir uma "ovação" daquelas ao Primeiro Ministro vai um enorme passo que eu não dou.
Nunca gostei de cartas anónimas, nem da pseudo coragem de pessoas sem rosto no meio de uma multidão.
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10/27/2003 10:32:00 da tarde
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domingo, outubro 26, 2003
DOMINGO, FIM DE TARDE
Hoje, eram 5 da tarde, fui dar a minha volta a pé. Gosto de andar a pé. Costumo ir ao Colombo, são cerca de 20 minutos a pé de minha casa, atravessando uma zona de que gosto muito, e que confina com os terrenos da "ultima quinta de Benfica", sobre a qual já vos falei em escrito anterior.
O passeio tem os seus laivos de ruralidade, estão a ver ?
Blusão quente, já de Inverno – nunca sei quando é que hei-de mudar de roupa – chapéu de chuva na mão, lá fui eu, debaixo de alguns chuviscos e de um céu ameaçadoramente negro.
Por falar em negro, ao passar mesmo ao lado da tal quinta, um homem negro dos seus quarenta anos olhava, extasiado, para o céu, saudoso da sua África de céus magnificos.
O céu estava realmente belo, acreditem. Os negros ( os do céu, não confundam ) misturavam-se com brancos muito brilhantes a reflectirem alguns raios de sol ainda resistentes. Umas núvens encasteladas, tipo ondas de mar junto da rebentação, tornavam a situação ainda mais estranha.
Quando passei pelo homem ele olhou para mim, um pouco envergonhado de estar para ali parado a admirar o céu. Não resisti e atirei-lhe com um cúmplice “Céu bonito, hem ?”. Fui recompensado com um sorriso aberto, branco, e um “É mesmo !” bem africano .... Coisas que vão acontecendo.
Entrei no Colombo ... e saí passado pouco tempo, aos Domingos aquilo é uma aproximação muito real da imagem que tenho do Inferno : gente, gente, gente e tudo aos encontrões.
À saida, lembrei-me de comprar umas castanhas assadas, mas acreditem ou não, o homem não tinha nenhumas: aquela gente toda, pelos vistos, também gosta de castanhas assadas ... raios os partam, eu não digo que isto assim é um inferno ?
Regressei, frustrado, sem as castanhas. Que se lixe, melhor para a dieta. Vim andando e olhando à volta.
À esquerda lá estava o terreno da quinta, as pequenas hortas, as couves ; logo acima da linha do casario da quinta, o céu estava mais harmonizado, todo em tons de cinzento escuro ; mais à frente, nas silhuetas dos prédios na Avenida do Uruguai, apareciam os primeiros rectângulos de luz. Ainda mais ao fundo, adivinhavam-se os contornos de prédios na Pontinha. Os carros, deslizavam do meu lado direito, com um ruido surdo, já a verem mal a estrada e a acenderem os olhos. Apenas duas ou três pessoas a andarem, como eu, ao longo do passeio bem pavimentado, com árvores jovens e uns candeeiros já acesos, também. Por acaso, uma delas era uma jovem com um rabo bem desenhado, andar quebrado e balançado que me fez lembrar Tom Jobim e as garotas de Ipanema...
Senti paz, neste fim de dia. Senti harmonia nas coisas. Lembrei-me de pessoas queridas e de amigos que já me deixaram. Senti saudade ... mas também me senti feliz por estar vivo e poder olhar estas coisas simples.
Chamem-me agora simplório ou senil que acaba-se já a paz deste fim de dia e vos dou uma coça das antigas !!!! Ehehehehehe !
Hoje, eram 5 da tarde, fui dar a minha volta a pé. Gosto de andar a pé. Costumo ir ao Colombo, são cerca de 20 minutos a pé de minha casa, atravessando uma zona de que gosto muito, e que confina com os terrenos da "ultima quinta de Benfica", sobre a qual já vos falei em escrito anterior.
O passeio tem os seus laivos de ruralidade, estão a ver ?
Blusão quente, já de Inverno – nunca sei quando é que hei-de mudar de roupa – chapéu de chuva na mão, lá fui eu, debaixo de alguns chuviscos e de um céu ameaçadoramente negro.
Por falar em negro, ao passar mesmo ao lado da tal quinta, um homem negro dos seus quarenta anos olhava, extasiado, para o céu, saudoso da sua África de céus magnificos.
O céu estava realmente belo, acreditem. Os negros ( os do céu, não confundam ) misturavam-se com brancos muito brilhantes a reflectirem alguns raios de sol ainda resistentes. Umas núvens encasteladas, tipo ondas de mar junto da rebentação, tornavam a situação ainda mais estranha.
Quando passei pelo homem ele olhou para mim, um pouco envergonhado de estar para ali parado a admirar o céu. Não resisti e atirei-lhe com um cúmplice “Céu bonito, hem ?”. Fui recompensado com um sorriso aberto, branco, e um “É mesmo !” bem africano .... Coisas que vão acontecendo.
Entrei no Colombo ... e saí passado pouco tempo, aos Domingos aquilo é uma aproximação muito real da imagem que tenho do Inferno : gente, gente, gente e tudo aos encontrões.
À saida, lembrei-me de comprar umas castanhas assadas, mas acreditem ou não, o homem não tinha nenhumas: aquela gente toda, pelos vistos, também gosta de castanhas assadas ... raios os partam, eu não digo que isto assim é um inferno ?
Regressei, frustrado, sem as castanhas. Que se lixe, melhor para a dieta. Vim andando e olhando à volta.
À esquerda lá estava o terreno da quinta, as pequenas hortas, as couves ; logo acima da linha do casario da quinta, o céu estava mais harmonizado, todo em tons de cinzento escuro ; mais à frente, nas silhuetas dos prédios na Avenida do Uruguai, apareciam os primeiros rectângulos de luz. Ainda mais ao fundo, adivinhavam-se os contornos de prédios na Pontinha. Os carros, deslizavam do meu lado direito, com um ruido surdo, já a verem mal a estrada e a acenderem os olhos. Apenas duas ou três pessoas a andarem, como eu, ao longo do passeio bem pavimentado, com árvores jovens e uns candeeiros já acesos, também. Por acaso, uma delas era uma jovem com um rabo bem desenhado, andar quebrado e balançado que me fez lembrar Tom Jobim e as garotas de Ipanema...
Senti paz, neste fim de dia. Senti harmonia nas coisas. Lembrei-me de pessoas queridas e de amigos que já me deixaram. Senti saudade ... mas também me senti feliz por estar vivo e poder olhar estas coisas simples.
Chamem-me agora simplório ou senil que acaba-se já a paz deste fim de dia e vos dou uma coça das antigas !!!! Ehehehehehe !
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Vitor Cunha
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10/26/2003 07:24:00 da tarde
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sábado, outubro 25, 2003
FUMAVA MUITO, NÃO ERA ?
Hoje dei comigo a pensar nos mecanismos de auto-defesa e tranquilização psicológica que todos nós usamos na nossa vida. Quando alguém morre de ataque cardíaco ou cancro nos pulmões perguntamos logo, esperançados na resposta:
“Fumava muito, não era ?”
Nós não fumamos, claro, portanto ...
Se ouvimos falar de uma vítima de SIDA, lemos logo avidamente a notícia, ou perguntamos a um amigo, tentando garantir que o infeliz era homosexual, drogado ou tinha uma vida sexual muito dissoluta.
Nós não somos nada disso, claro, portanto ...
A confirmação destas circunstâncias acalma-nos e tranquiliza-nos, “aquilo” não nos vai acontecer, estamos fora do grupo de risco. Que as coisas nem sempre sejam tão simples assim pouco interessa, o que conta é o sentimento de estarmos protegidos do mal.
Vem isto a propósito das notícias recentes sobre acidentes de trânsito, provocados por condutores em contra-mão. Em autoestradas ou vias rápidas, claro, a questão não se põe nas velhas estradas de dois sentidos.
Na minha perspectiva, dentro de cada um de nós, aparecem reacções do tipo “isso só acontece aos velhotes já senis e a putos malucos amantes de sensações radicais”. Ou então, se nos colocarmos no papel dos condutores potenciais vítimas desses actos, pensamos que seríamos capazes de evitar o acidente.
Convenhamos, são muito humanos estes mecanismos de defesa e de auto-protecção.
São humanos ... e são negativos, desresponsabilizantes, egoistas. São gato escondido com o rabo de fora, são a avestruz com a cabeça escondida na areia.
As doenças cardíacas, o cancro e a SIDA existem mesmo, podem atacar qualquer um, incluindo a nós próprios. E existe também a possibilidade de entrada errada numa faixa de autoestrada. Em vez de ficarmos tranquilos porque, eventualmente, estamos fora do grupo de risco, devíamos exigir que se gastasse mais tempo e dinheiro a investigar possíveis curas e soluções.
E se pensam que isso já sucede, então deixem-me dizer-lhes a minha sensação : a maior parte da investigação médica aplicada, digamos assim, a nível mundial, tem sido desenvolvida pela industria farmacêutica ou por ela financiada. Esta industria já ganha muitos milhões com os medicamentos que actualmente produzem para essas doenças. Ganhariam muito mais com uma simples vacina para a SIDA, por exemplo ? Respondam e pensem, e não se limtem a dizer que eu exagero e sou fundamentalista. Porque até nem sou.
Quanto aos velhotes que entram ao contrário nas autoestradas e vias rápidas : há aí alguém que afirme nunca ter hesitado num acesso qualquer ? Quem é capaz de afirmar que a sinalização das nossas autoestradas é suficiente para elucidar perfeitamente qualquer pessoa, velha ou nova, sóbria ou com duas cervejas, de dia ou de noite, com visibilidade ou em pleno nevoeiro ? Não há nada a fazer na melhoria dessa sinalização ?
Pois.
Hoje dei comigo a pensar nos mecanismos de auto-defesa e tranquilização psicológica que todos nós usamos na nossa vida. Quando alguém morre de ataque cardíaco ou cancro nos pulmões perguntamos logo, esperançados na resposta:
“Fumava muito, não era ?”
Nós não fumamos, claro, portanto ...
Se ouvimos falar de uma vítima de SIDA, lemos logo avidamente a notícia, ou perguntamos a um amigo, tentando garantir que o infeliz era homosexual, drogado ou tinha uma vida sexual muito dissoluta.
Nós não somos nada disso, claro, portanto ...
A confirmação destas circunstâncias acalma-nos e tranquiliza-nos, “aquilo” não nos vai acontecer, estamos fora do grupo de risco. Que as coisas nem sempre sejam tão simples assim pouco interessa, o que conta é o sentimento de estarmos protegidos do mal.
Vem isto a propósito das notícias recentes sobre acidentes de trânsito, provocados por condutores em contra-mão. Em autoestradas ou vias rápidas, claro, a questão não se põe nas velhas estradas de dois sentidos.
Na minha perspectiva, dentro de cada um de nós, aparecem reacções do tipo “isso só acontece aos velhotes já senis e a putos malucos amantes de sensações radicais”. Ou então, se nos colocarmos no papel dos condutores potenciais vítimas desses actos, pensamos que seríamos capazes de evitar o acidente.
Convenhamos, são muito humanos estes mecanismos de defesa e de auto-protecção.
São humanos ... e são negativos, desresponsabilizantes, egoistas. São gato escondido com o rabo de fora, são a avestruz com a cabeça escondida na areia.
As doenças cardíacas, o cancro e a SIDA existem mesmo, podem atacar qualquer um, incluindo a nós próprios. E existe também a possibilidade de entrada errada numa faixa de autoestrada. Em vez de ficarmos tranquilos porque, eventualmente, estamos fora do grupo de risco, devíamos exigir que se gastasse mais tempo e dinheiro a investigar possíveis curas e soluções.
E se pensam que isso já sucede, então deixem-me dizer-lhes a minha sensação : a maior parte da investigação médica aplicada, digamos assim, a nível mundial, tem sido desenvolvida pela industria farmacêutica ou por ela financiada. Esta industria já ganha muitos milhões com os medicamentos que actualmente produzem para essas doenças. Ganhariam muito mais com uma simples vacina para a SIDA, por exemplo ? Respondam e pensem, e não se limtem a dizer que eu exagero e sou fundamentalista. Porque até nem sou.
Quanto aos velhotes que entram ao contrário nas autoestradas e vias rápidas : há aí alguém que afirme nunca ter hesitado num acesso qualquer ? Quem é capaz de afirmar que a sinalização das nossas autoestradas é suficiente para elucidar perfeitamente qualquer pessoa, velha ou nova, sóbria ou com duas cervejas, de dia ou de noite, com visibilidade ou em pleno nevoeiro ? Não há nada a fazer na melhoria dessa sinalização ?
Pois.
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sexta-feira, outubro 24, 2003
VIVA O FC do PUARTO, CARAGO !
Começo por informar o amável leitor ( amável ? se calhar é um ou uma cusca do caraças, e eu aqui com salamaleques ) que não sou adepto do FC Porto nem tenho qualquer simpatia especial pelo sr. Pinto da Costa.
Dito isto, vou dizer outra coisa : se os portugueses, no seu conjunto, tivessem a garra e a auto-confiança do FCPorto, outro galo cantaria na Europa e no Mundo.
É triste que o exemplo para os portugueses tenha de vir de uma equipa de futebol. Ou de uma equipa de Hóquei em Patins, onde fomos de novo Campeões do Mundo ! Triste, mas ainda assim enriquecedor. Vejam bem, é só preciso ser competente, trabalhar e depois não ter complexos de inferioridade, ganhar auto-estima e “jogar” de cabeça bem no ar, a ver o esquema do adversário.
Assim como Kennedy afirmou, em alemão, na ainda dividida cidade de Berlim : “Ich bin ein Berliner “ ( “Sou um Berlinense também, cambada ” em tradução livre ) , também eu hoje gostaria de gritar “Eu soaa do Futebolee Claoube du Puarto, carago !”, aderindo à postura corajosa e desinibida daquela equipa !
É assim mesmo !
No fim, não resisto a uma alfinetadazita : o amável ( outra vez ?? ) leitor decerto não pensa que aquela auto-confiança e aquele saber nasceram apenas dos jogadores dentro do campo, pois não ? Alguém os treina, alguém os estimula, alguém lhes cria condições para eles , jogadores, aprenderem a reagir assim. Não é ?
É sempre o que falta nesta outra equipa portuguesa, o país inteiro : não temos empresários, nem treinadores nem dirigentes de jeito, com capacidade para nos fazer jogar com garra e confiança ...
Mais : esses ilustres agentes do nosso “futebol” nacional parecem ter esquecido que são as expectativas e os anseios pessoais, no seu conjunto, que fazem mover um país e uma economia.
Ou que fazem ganhar jogos e Taças.
Começo por informar o amável leitor ( amável ? se calhar é um ou uma cusca do caraças, e eu aqui com salamaleques ) que não sou adepto do FC Porto nem tenho qualquer simpatia especial pelo sr. Pinto da Costa.
Dito isto, vou dizer outra coisa : se os portugueses, no seu conjunto, tivessem a garra e a auto-confiança do FCPorto, outro galo cantaria na Europa e no Mundo.
É triste que o exemplo para os portugueses tenha de vir de uma equipa de futebol. Ou de uma equipa de Hóquei em Patins, onde fomos de novo Campeões do Mundo ! Triste, mas ainda assim enriquecedor. Vejam bem, é só preciso ser competente, trabalhar e depois não ter complexos de inferioridade, ganhar auto-estima e “jogar” de cabeça bem no ar, a ver o esquema do adversário.
Assim como Kennedy afirmou, em alemão, na ainda dividida cidade de Berlim : “Ich bin ein Berliner “ ( “Sou um Berlinense também, cambada ” em tradução livre ) , também eu hoje gostaria de gritar “Eu soaa do Futebolee Claoube du Puarto, carago !”, aderindo à postura corajosa e desinibida daquela equipa !
É assim mesmo !
No fim, não resisto a uma alfinetadazita : o amável ( outra vez ?? ) leitor decerto não pensa que aquela auto-confiança e aquele saber nasceram apenas dos jogadores dentro do campo, pois não ? Alguém os treina, alguém os estimula, alguém lhes cria condições para eles , jogadores, aprenderem a reagir assim. Não é ?
É sempre o que falta nesta outra equipa portuguesa, o país inteiro : não temos empresários, nem treinadores nem dirigentes de jeito, com capacidade para nos fazer jogar com garra e confiança ...
Mais : esses ilustres agentes do nosso “futebol” nacional parecem ter esquecido que são as expectativas e os anseios pessoais, no seu conjunto, que fazem mover um país e uma economia.
Ou que fazem ganhar jogos e Taças.
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Vitor Cunha
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10/24/2003 04:18:00 da tarde
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quarta-feira, outubro 22, 2003
HOMENAGEM ÀS MULHERES
Nos ultimos anos, em conversas pessoais ou através de programas de conversação na net ( uma realidade a merecer estudo sociológico profundo ) conheci aspectos importantes da vida de algumas mulheres portuguesas, de idade à volta dos 45 a 50 anos.
Com actividade profissional fora de casa, divorciadas ou separadas, magoadas, solitárias e ... com filhos para criar e amar. Não faço ideia da percentagem de mulheres desta gama etária que corresponde a este retrato, mas deve ser bastante elevada. Não quero comentar as causas da situação, nem mesmo as suas consequências. Quero apenas salientar que, em todos estes casos, quem cria os meninos e meninas deste país são elas, estas mulheres.
Sózinhas, abandonadas ou revoltadas, trocadas por modelos mais novos ou obrigadas a romper com situações intoleráveis, ainda assim conseguem ânimo para ganhar a vida e dar amor aos seus filhos, fazendo deles seres humanos integrados e bons.
Muitos dos pais destas crianças ou jovens, ex-maridos e companheiros destas mulheres, são demasiado egoistas e estão demasiado ocupados para ajudar, para amar os seus filhos. E, se o fazem, é durante um fim de semana curto e contrariado, ou limitam-se a enviar uns euros.
Fingimos todos ignorar esta realidade. Estas mulheres nem sequer ouvem uma palavra de estímulo da sociedade.
Por vezes, não sinto grande orgulho em ser homem.
Muitas vezes penso que as mulheres são infinitamente mais corajosas, determinadas e generosas.
A minha homenagem a estas Mulheres e a minha admiração genuina.
Bem hajam.
Nos ultimos anos, em conversas pessoais ou através de programas de conversação na net ( uma realidade a merecer estudo sociológico profundo ) conheci aspectos importantes da vida de algumas mulheres portuguesas, de idade à volta dos 45 a 50 anos.
Com actividade profissional fora de casa, divorciadas ou separadas, magoadas, solitárias e ... com filhos para criar e amar. Não faço ideia da percentagem de mulheres desta gama etária que corresponde a este retrato, mas deve ser bastante elevada. Não quero comentar as causas da situação, nem mesmo as suas consequências. Quero apenas salientar que, em todos estes casos, quem cria os meninos e meninas deste país são elas, estas mulheres.
Sózinhas, abandonadas ou revoltadas, trocadas por modelos mais novos ou obrigadas a romper com situações intoleráveis, ainda assim conseguem ânimo para ganhar a vida e dar amor aos seus filhos, fazendo deles seres humanos integrados e bons.
Muitos dos pais destas crianças ou jovens, ex-maridos e companheiros destas mulheres, são demasiado egoistas e estão demasiado ocupados para ajudar, para amar os seus filhos. E, se o fazem, é durante um fim de semana curto e contrariado, ou limitam-se a enviar uns euros.
Fingimos todos ignorar esta realidade. Estas mulheres nem sequer ouvem uma palavra de estímulo da sociedade.
Por vezes, não sinto grande orgulho em ser homem.
Muitas vezes penso que as mulheres são infinitamente mais corajosas, determinadas e generosas.
A minha homenagem a estas Mulheres e a minha admiração genuina.
Bem hajam.
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Vitor Cunha
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10/22/2003 10:50:00 da tarde
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UMA QUESTÃO DE BOM SENSO
Ouvi ontem o discurso do Presidente da República. As partes mais importantes, em meu entender, são a chamada de atenção para os problemas do país, á espera que a novela da pedofilia acabe e a ideia que não podemos permitir a actual quebra despudorada do segredo de justiça.
Duas opiniões sensatas.
Seria interessante que viessem a ser seguidas, não seria ?
Querem apostar que não o vão ser ?
Ouvi ontem o discurso do Presidente da República. As partes mais importantes, em meu entender, são a chamada de atenção para os problemas do país, á espera que a novela da pedofilia acabe e a ideia que não podemos permitir a actual quebra despudorada do segredo de justiça.
Duas opiniões sensatas.
Seria interessante que viessem a ser seguidas, não seria ?
Querem apostar que não o vão ser ?
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Vitor Cunha
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10/22/2003 10:05:00 da tarde
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terça-feira, outubro 21, 2003
REINICIALIZAR O PAÍS
Conheces o Windows, não conheces ? Desde o primeiro até ao actual XP, todos são iguais quanto a isso.
Que fazes quando tudo corre mal, o computador fica paralizado e nem sequer o rato mexe ? Ah ? Qual é a receita ?
Pois claro, as velhas teclas miraculosas Ctrl+Alt+Del ... a máquina desliga-se e recomeça tudo de novo, rejuvenescida, problemas ultrapassados, pronta para uma nova vida ... nem sequer precisamos de saber qual era o problema !
Isto não te provoca nenhuma ideia ? Vá lá ...
Isso mesmo : fazer Ctrl+Alt+Del a Portugal inteiro !!!
Onde serão as teclas ?
Conheces o Windows, não conheces ? Desde o primeiro até ao actual XP, todos são iguais quanto a isso.
Que fazes quando tudo corre mal, o computador fica paralizado e nem sequer o rato mexe ? Ah ? Qual é a receita ?
Pois claro, as velhas teclas miraculosas Ctrl+Alt+Del ... a máquina desliga-se e recomeça tudo de novo, rejuvenescida, problemas ultrapassados, pronta para uma nova vida ... nem sequer precisamos de saber qual era o problema !
Isto não te provoca nenhuma ideia ? Vá lá ...
Isso mesmo : fazer Ctrl+Alt+Del a Portugal inteiro !!!
Onde serão as teclas ?
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Vitor Cunha
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10/21/2003 05:59:00 da tarde
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segunda-feira, outubro 20, 2003
O TABACO E A TELEVISÃO MATAM
Conhecem os meus eventuais leitores ( poucos mas bons ) aquela sensação de que o Mundo nos desabou em cima quando, por infeliz coincidência, três ou quatro más notícias pessoais ou que envolvem a nossa família se acumulam na mesma semana ?
Pois bem, acho que isso está a acontecer connosco, os portugueses, com notícias alarmantes a choverem em catadupa, todos os dias. Pedofilia, contas de autarcas na Suiça, pedofilia, autarcas fugidos á justiça em emigração para o Brasil, pedofilia, cunhas de ministros para a filha entrar em medicina, pedofilia, elementos da Brigada de Trânsito presos preventivamente por receberem subornos, pedofilia, médicos em julgamento por prescreverem certos medicamentos a troco de benesses dos laboratórios, pedofilia, pedofilia, pedofilia ....
É um milagre que haja pessoas a ouvir noticiários destes nos ultimos tempos sem entrarem imediatamente numa urgência hospitalar qualquer com uma depressão profunda ! Não há tempo para “lamber feridas”, não há contrapontos positivos destacados, a falta de confiança e a sensação que tudo vai mal são inevitáveis !!
Mas será este um retrato verdadeiro da nossa sociedade ?
Ou será um retrato tirado através de um filtro especial, filtro de cores carregadas ?
E porque não nos dão outros retratos, sem filtros ou com filtros de cores mais claras ?
Porque nos dão só estes ainda por cima em doses repartidas ao longo dos dias e nunca de uma só vez ? Quem toma estas decisões, mostra este retrato hoje e aquele amanhã ? Não mostres esse que é muito cor-de-rosa, antes aquele que é bem vermelho ? Quem tem o poder para fazer isso ? Que tipo de controlo tem a sociedade sobre essas escolhas, e, consequentemente, sobre os impactos dessas escolhas no conjunto da população ?
Pois bem ... conhecem a recente medida de colocar etiquetas nos maços de tabaco avisando os possíveis compradores para os efeitos negativos do tabaco ? Do género “O TABACO MATA” ?
Tenho uma sugestão então : que se legisle, no âmbito da Assembleia da República, no sentido de obrigar as estações de televisão e os jornais a afixar, em pleno écran, durante os telejornais, ou na página de rosto, um aviso do seguinte tipo :
NOTE BEM : OS JORNAIS E A TELEVISÃO PODEM EMPOLAR E DETURPAR A REALIDADE SE COM ISSO CONSEGUIREM MAIOR AUDIÊNCIA”
Talvez assim fosse possível minorar os efeitos negativos deste tipo de informação. Talvez.
E mesmo que não se conseguisse impedir a depressão colectiva e a vida estragada de muita gente, sempre seria uma medida de coerência em relação ao tabaco.
Conhecem os meus eventuais leitores ( poucos mas bons ) aquela sensação de que o Mundo nos desabou em cima quando, por infeliz coincidência, três ou quatro más notícias pessoais ou que envolvem a nossa família se acumulam na mesma semana ?
Pois bem, acho que isso está a acontecer connosco, os portugueses, com notícias alarmantes a choverem em catadupa, todos os dias. Pedofilia, contas de autarcas na Suiça, pedofilia, autarcas fugidos á justiça em emigração para o Brasil, pedofilia, cunhas de ministros para a filha entrar em medicina, pedofilia, elementos da Brigada de Trânsito presos preventivamente por receberem subornos, pedofilia, médicos em julgamento por prescreverem certos medicamentos a troco de benesses dos laboratórios, pedofilia, pedofilia, pedofilia ....
É um milagre que haja pessoas a ouvir noticiários destes nos ultimos tempos sem entrarem imediatamente numa urgência hospitalar qualquer com uma depressão profunda ! Não há tempo para “lamber feridas”, não há contrapontos positivos destacados, a falta de confiança e a sensação que tudo vai mal são inevitáveis !!
Mas será este um retrato verdadeiro da nossa sociedade ?
Ou será um retrato tirado através de um filtro especial, filtro de cores carregadas ?
E porque não nos dão outros retratos, sem filtros ou com filtros de cores mais claras ?
Porque nos dão só estes ainda por cima em doses repartidas ao longo dos dias e nunca de uma só vez ? Quem toma estas decisões, mostra este retrato hoje e aquele amanhã ? Não mostres esse que é muito cor-de-rosa, antes aquele que é bem vermelho ? Quem tem o poder para fazer isso ? Que tipo de controlo tem a sociedade sobre essas escolhas, e, consequentemente, sobre os impactos dessas escolhas no conjunto da população ?
Pois bem ... conhecem a recente medida de colocar etiquetas nos maços de tabaco avisando os possíveis compradores para os efeitos negativos do tabaco ? Do género “O TABACO MATA” ?
Tenho uma sugestão então : que se legisle, no âmbito da Assembleia da República, no sentido de obrigar as estações de televisão e os jornais a afixar, em pleno écran, durante os telejornais, ou na página de rosto, um aviso do seguinte tipo :
NOTE BEM : OS JORNAIS E A TELEVISÃO PODEM EMPOLAR E DETURPAR A REALIDADE SE COM ISSO CONSEGUIREM MAIOR AUDIÊNCIA”
Talvez assim fosse possível minorar os efeitos negativos deste tipo de informação. Talvez.
E mesmo que não se conseguisse impedir a depressão colectiva e a vida estragada de muita gente, sempre seria uma medida de coerência em relação ao tabaco.
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Vitor Cunha
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10/20/2003 02:59:00 da tarde
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domingo, outubro 19, 2003
UMA SOCIEDADE DOENTE
Uma sociedade pode adoecer ?
Podem existir sintomas evidentes de mal estar nas relações entre pessoas do mesmo país, ou são apenas sensações individuais extrapoladas para o conjunto dessa sociedade ?
Quero ser mais claro : pareceu-me desde o início que o processo da Casa Pia tresandava a hipocrisia e incluia objectivos escondidos muito diversos da busca da verdade ou da defesa das crianças violentadas.
Hoje, não tenho dúvidas : este processo está a ser conduzido pelas regras da conquista de audiências e de auto-afirmação de alguns jornalistas desejosos de notoriedade, numa actividade que está a lançar uma tremenda confusão e angústia em muitos portugueses, nesta altura completamente incapazes de entender o que se passa.
Se, para além disso, está a ser aproveitado para destruir algumas figuras partidárias já não tenho tanta certeza, podendo acontecer que essa destruição seja mais fruto da agenda própria dos media e da falta de jeito político dessas figuras para lidar com a situação.
Um dos efeitos mais notórios de toda esta novela é a confusão total do público sobre a natureza e méritos da nossa justiça : então prende-se preventivamente e depois vê-se melhor e solta-se ? Ou três juízes da Relação de Lisboa dizem uma coisa hoje e amanhã, três outros, do mesmo Tribunal, dizem exactamente o oposto ? Mas então é mesmo assim que as coisas são ? Isto é que é a Justiça a funcionar ?
Estamos a ficar doentes, muito doentes.
PS – deixem-me só gozar com este pensamento : os media crucificaram Ferro Rodrigues por este ter dito, numa conversa telefónica privada ( e indevidamente escutada ! ) que se estava “cagando para o segredo de justiça”.
Suprema ironia ... é que os media, ao divulgarem esses dados de uma conversa telefónica privada, também estão a mostrar o mesmo desprezo pelo segredo de justiça , só que a nível público, ainda por cima !!!!
Uma sociedade pode adoecer ?
Podem existir sintomas evidentes de mal estar nas relações entre pessoas do mesmo país, ou são apenas sensações individuais extrapoladas para o conjunto dessa sociedade ?
Quero ser mais claro : pareceu-me desde o início que o processo da Casa Pia tresandava a hipocrisia e incluia objectivos escondidos muito diversos da busca da verdade ou da defesa das crianças violentadas.
Hoje, não tenho dúvidas : este processo está a ser conduzido pelas regras da conquista de audiências e de auto-afirmação de alguns jornalistas desejosos de notoriedade, numa actividade que está a lançar uma tremenda confusão e angústia em muitos portugueses, nesta altura completamente incapazes de entender o que se passa.
Se, para além disso, está a ser aproveitado para destruir algumas figuras partidárias já não tenho tanta certeza, podendo acontecer que essa destruição seja mais fruto da agenda própria dos media e da falta de jeito político dessas figuras para lidar com a situação.
Um dos efeitos mais notórios de toda esta novela é a confusão total do público sobre a natureza e méritos da nossa justiça : então prende-se preventivamente e depois vê-se melhor e solta-se ? Ou três juízes da Relação de Lisboa dizem uma coisa hoje e amanhã, três outros, do mesmo Tribunal, dizem exactamente o oposto ? Mas então é mesmo assim que as coisas são ? Isto é que é a Justiça a funcionar ?
Estamos a ficar doentes, muito doentes.
PS – deixem-me só gozar com este pensamento : os media crucificaram Ferro Rodrigues por este ter dito, numa conversa telefónica privada ( e indevidamente escutada ! ) que se estava “cagando para o segredo de justiça”.
Suprema ironia ... é que os media, ao divulgarem esses dados de uma conversa telefónica privada, também estão a mostrar o mesmo desprezo pelo segredo de justiça , só que a nível público, ainda por cima !!!!
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Vitor Cunha
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10/19/2003 10:24:00 da tarde
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sexta-feira, outubro 17, 2003
O ORÇAMENTO DE ESTADO OU A HISTÓRIA DO CAVALO DO ESPANHOL
É inevitável, aí a temos, a proposta para o orçamento do Estado de 2004. Ainda não a li, mas dela já se conhecem as grandes linhas. Mais do mesmo : continua a obsessão com o déficit, contra tudo e contra todos. Cortes no investimento público, sorrisos e reduções fiscais para os empresários, pedidos de contenção para os salários de quem trabalha.
A velha receita do novo liberalismo: reduza-se o papel do Estado na economia, dê-se condições ao capital e a verdadeira felicidade virá então.
Há só um pequeno problema.
É que, a continuarmos assim, um destes dias teremos sem duvida as contas públicas certas e as empresas com enorme capacidade de investimento ... só que já não haverá muitos portugueses para assistir e aplaudir esse milagre. Emigraram uns e os restantes morreram asfixiados pelos próprios cintos.
Não desanime porém a Drª Manuela Ferreira Leite e o Dr. Durão Barroso : mesmo sem portugueses para os aplaudir, terão a honra de serem na Europa os unicos a respeitar os 3% e a ganhar a Taça !
Aqui acabam as semelhanças com a história do espanhol que andava a treinar o cavalo para este viver sem comer....
É que, quando o cavalo morreu de fome, o espanhol chorou, arrependido, e percebeu a sua tolice.
É inevitável, aí a temos, a proposta para o orçamento do Estado de 2004. Ainda não a li, mas dela já se conhecem as grandes linhas. Mais do mesmo : continua a obsessão com o déficit, contra tudo e contra todos. Cortes no investimento público, sorrisos e reduções fiscais para os empresários, pedidos de contenção para os salários de quem trabalha.
A velha receita do novo liberalismo: reduza-se o papel do Estado na economia, dê-se condições ao capital e a verdadeira felicidade virá então.
Há só um pequeno problema.
É que, a continuarmos assim, um destes dias teremos sem duvida as contas públicas certas e as empresas com enorme capacidade de investimento ... só que já não haverá muitos portugueses para assistir e aplaudir esse milagre. Emigraram uns e os restantes morreram asfixiados pelos próprios cintos.
Não desanime porém a Drª Manuela Ferreira Leite e o Dr. Durão Barroso : mesmo sem portugueses para os aplaudir, terão a honra de serem na Europa os unicos a respeitar os 3% e a ganhar a Taça !
Aqui acabam as semelhanças com a história do espanhol que andava a treinar o cavalo para este viver sem comer....
É que, quando o cavalo morreu de fome, o espanhol chorou, arrependido, e percebeu a sua tolice.
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10/17/2003 07:05:00 da tarde
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quinta-feira, outubro 16, 2003
A CENTOPEIA
ou a prova de que também gosto de humor. Uma boa gargalhada é a melhor receita possível para estes tempos cinzentos. Esta história ( verídica ! ) foi-me enviada hoje por um velho amigo.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Um fulano vivia sozinho, aborrecido, até que decidiu que a sua vida seria melhor se tivesse um bichinho de estimação como companhia. Assim,foi a uma loja de animais e disse ao dono da loja que queria um bicho que fosse fora do vulgar.
Depois de algum tempo de discussão, chegaram à conclusão que ele deveria ficar com uma centopeia. Uma centopeia seria mesmo um bicho de estimação fora do vulgar, tão pequeno e com 100 pés! Realmente incomum!!!
A centopéia veio dentro de uma caixinha branca que seria a sua casinha...
Bom... o nosso amigo levou a caixinha para casa, arranjou um bom lugar para a casinha da centopeia e achou que o melhor começo para uma longa amizade com a sua nova companhia seria levá-la a tomar uma cervejinha...
Perguntou então à centopeia que estava dentro da caixinha:
--- Eh, gostavas de vir comigo à Portugália beber uma cerveja?
Não houve resposta. Meio chateado, esperou um pouco e perguntou de novo:
--- Que tal vires comigo à Portugália para uma bojeca e uns camarões, hein?
De novo, nada de resposta. Esperou mais um pouco, pensando no que poderia estar a acontecer, chegou bem perto da caixinha e gritou:
--- EI, Ó SURDA!!! QUERES IR OU NÃO COMIGO À PORTUGÁLIA ??
Foi então que uma vozinha se ouviu, lá do fundo da caixinha:
--- Fodassseee, pá !!! Ouvi à primeira! Estou só a calçar os sapatos!!!
ou a prova de que também gosto de humor. Uma boa gargalhada é a melhor receita possível para estes tempos cinzentos. Esta história ( verídica ! ) foi-me enviada hoje por um velho amigo.
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Um fulano vivia sozinho, aborrecido, até que decidiu que a sua vida seria melhor se tivesse um bichinho de estimação como companhia. Assim,foi a uma loja de animais e disse ao dono da loja que queria um bicho que fosse fora do vulgar.
Depois de algum tempo de discussão, chegaram à conclusão que ele deveria ficar com uma centopeia. Uma centopeia seria mesmo um bicho de estimação fora do vulgar, tão pequeno e com 100 pés! Realmente incomum!!!
A centopéia veio dentro de uma caixinha branca que seria a sua casinha...
Bom... o nosso amigo levou a caixinha para casa, arranjou um bom lugar para a casinha da centopeia e achou que o melhor começo para uma longa amizade com a sua nova companhia seria levá-la a tomar uma cervejinha...
Perguntou então à centopeia que estava dentro da caixinha:
--- Eh, gostavas de vir comigo à Portugália beber uma cerveja?
Não houve resposta. Meio chateado, esperou um pouco e perguntou de novo:
--- Que tal vires comigo à Portugália para uma bojeca e uns camarões, hein?
De novo, nada de resposta. Esperou mais um pouco, pensando no que poderia estar a acontecer, chegou bem perto da caixinha e gritou:
--- EI, Ó SURDA!!! QUERES IR OU NÃO COMIGO À PORTUGÁLIA ??
Foi então que uma vozinha se ouviu, lá do fundo da caixinha:
--- Fodassseee, pá !!! Ouvi à primeira! Estou só a calçar os sapatos!!!
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10/16/2003 02:45:00 da tarde
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terça-feira, outubro 14, 2003
MUDAR O POVO INTEIRO ?
Desde muito criança que ouço dizer que estamos em crise económica.
Antes do 25 de Abril era a crise do isolamento político do país, da inexistência de liberdade da iniciativa privada e do custo da guerra colonial.
Depois, ao longo de sucessivas crises, dizia-se que o problema estava nos estrangulamentos estruturais da nossa economia, ou nas más conjunturas internacionais, ou ainda nos aumentos salariais incomportáveis ( ?? ) e na baixa produtividade dos nossos trabalhadores.
Nestes ultimos trinta anos ouvi responsáveis políticos afirmar, vezes sem conta, que se iam entregar de alma e coração ao combate à fraude fiscal, à melhoria da educação, ao aumento da produtividade e da competitividade, à modernização da nossa economia.
Ouvi pedidos de paciência, ouvi exortações para “apertar o cinto”, que era apenas durante uns tempos e que mais tarde teríamos finalmente o desafogo merecido.
Nos ultimos três ou quatro anos, a ladaínha mudou : agora é o cumprimento do limite no déficit das contas públicas, é preciso antes de mais endireitar as finanças e só depois é que ...
Meu Deus, a verdade é que me dei conta, passados todos estes anos, que somos um país já não só adiado mas completamente condenado. Ou pelo menos fora de prazo. Com elites despojadas de valores ( que não os puramente materiais ), incapazes de motivar um povo analfabeto, ignorante e mais propenso à inveja que à iniciativa. Com empresários esmagadoramente de nível 4ª classe atrasada. Com pessoas incrédulas e cínicas, como eu.
Que fazer ?
Pois bem, um amigo meu, há tempos, à hora de almoço, descobriu a solução.
Eu tinha sugerido, numa ultima esperança, que contratássemos gestores e mesmo governantes estrangeiros, alemães ou suecos, para ver se era possível andar com este país para a frente.
Foi então que esse meu amigo se saiu com esta frase sábia e definitiva :
“Só os gestores e governantes, pá ? Então não se pode mudar o povo inteiro ?? “
Desde muito criança que ouço dizer que estamos em crise económica.
Antes do 25 de Abril era a crise do isolamento político do país, da inexistência de liberdade da iniciativa privada e do custo da guerra colonial.
Depois, ao longo de sucessivas crises, dizia-se que o problema estava nos estrangulamentos estruturais da nossa economia, ou nas más conjunturas internacionais, ou ainda nos aumentos salariais incomportáveis ( ?? ) e na baixa produtividade dos nossos trabalhadores.
Nestes ultimos trinta anos ouvi responsáveis políticos afirmar, vezes sem conta, que se iam entregar de alma e coração ao combate à fraude fiscal, à melhoria da educação, ao aumento da produtividade e da competitividade, à modernização da nossa economia.
Ouvi pedidos de paciência, ouvi exortações para “apertar o cinto”, que era apenas durante uns tempos e que mais tarde teríamos finalmente o desafogo merecido.
Nos ultimos três ou quatro anos, a ladaínha mudou : agora é o cumprimento do limite no déficit das contas públicas, é preciso antes de mais endireitar as finanças e só depois é que ...
Meu Deus, a verdade é que me dei conta, passados todos estes anos, que somos um país já não só adiado mas completamente condenado. Ou pelo menos fora de prazo. Com elites despojadas de valores ( que não os puramente materiais ), incapazes de motivar um povo analfabeto, ignorante e mais propenso à inveja que à iniciativa. Com empresários esmagadoramente de nível 4ª classe atrasada. Com pessoas incrédulas e cínicas, como eu.
Que fazer ?
Pois bem, um amigo meu, há tempos, à hora de almoço, descobriu a solução.
Eu tinha sugerido, numa ultima esperança, que contratássemos gestores e mesmo governantes estrangeiros, alemães ou suecos, para ver se era possível andar com este país para a frente.
Foi então que esse meu amigo se saiu com esta frase sábia e definitiva :
“Só os gestores e governantes, pá ? Então não se pode mudar o povo inteiro ?? “
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Vitor Cunha
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10/14/2003 10:09:00 da tarde
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segunda-feira, outubro 13, 2003
TÍTULOS DE CAIXA ALTA
O Diário de Notícias de hoje titula na 1ª página, a toda a largura e com letra bem grande, ao lado de uma fotografia de Paulo Pedroso : “Relação ignorou queixas contra Paulo Pedroso”.
Li o título e fiquei alarmado. Queres ver que agora um tribunal como o da Relação de Lisboa nem sequer conhecia as queixas ( os testemunhos ) contra o arguido quando fez aquele despacho de revogação da prisão preventiva do homem ??
A sério, pergunto-lhe a si, leitor, que pensa após ler este título ?
Vai-se ler o conteúdo da notícia e vemos que, afinal, se trata de uma questão diferente : a Relação, ao que diz a notícia, levantou duvidas quanto à competência do Ministério Público para investigar estes crimes, uma vez que sendo o crime de pedofilia semi-público exige uma queixa formal de alguém e essa queixa não constava do processo.
Percebem ? Não se trata do Tribunal não ter lido os testemunhos contra Paulo Pedroso, trata-se apenas de não ter conhecimento da queixa formal sem a qual nem sequer o caso poderia ser investigado. Ou seja, nada que comprometa o valor essencial do acordão.
Bom, se assim é, PORQUÊ UM TÍTULO DAQUELES, ASSIM ?
Esta “confusão” vem-se somar a iniciativas que vi na TV, ontem, que entendi como de recuperação da credibilidade de imagem do juiz Rui Teixeira, que procura sempre “fazer o melhor que sabe”.
Que leitura fazer deste tipo de jornalismo ? Isento ? Só comprometido com a procura da verdade ?
Hummmm ... parece-me que há também muito jornalista por aí com alma de vingador implacável e certezas demasiado apressadas !
Assim não vale, meus senhores. Vamos todos jogar limpo, ou estamos numa de vale tudo ?
O Diário de Notícias de hoje titula na 1ª página, a toda a largura e com letra bem grande, ao lado de uma fotografia de Paulo Pedroso : “Relação ignorou queixas contra Paulo Pedroso”.
Li o título e fiquei alarmado. Queres ver que agora um tribunal como o da Relação de Lisboa nem sequer conhecia as queixas ( os testemunhos ) contra o arguido quando fez aquele despacho de revogação da prisão preventiva do homem ??
A sério, pergunto-lhe a si, leitor, que pensa após ler este título ?
Vai-se ler o conteúdo da notícia e vemos que, afinal, se trata de uma questão diferente : a Relação, ao que diz a notícia, levantou duvidas quanto à competência do Ministério Público para investigar estes crimes, uma vez que sendo o crime de pedofilia semi-público exige uma queixa formal de alguém e essa queixa não constava do processo.
Percebem ? Não se trata do Tribunal não ter lido os testemunhos contra Paulo Pedroso, trata-se apenas de não ter conhecimento da queixa formal sem a qual nem sequer o caso poderia ser investigado. Ou seja, nada que comprometa o valor essencial do acordão.
Bom, se assim é, PORQUÊ UM TÍTULO DAQUELES, ASSIM ?
Esta “confusão” vem-se somar a iniciativas que vi na TV, ontem, que entendi como de recuperação da credibilidade de imagem do juiz Rui Teixeira, que procura sempre “fazer o melhor que sabe”.
Que leitura fazer deste tipo de jornalismo ? Isento ? Só comprometido com a procura da verdade ?
Hummmm ... parece-me que há também muito jornalista por aí com alma de vingador implacável e certezas demasiado apressadas !
Assim não vale, meus senhores. Vamos todos jogar limpo, ou estamos numa de vale tudo ?
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Vitor Cunha
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10/13/2003 02:43:00 da tarde
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A MUDANÇA COMO ATRIBUTO DAS COISAS
É da natureza das coisas que uma situação muito boa ou muito má não permaneça assim indefinidamente, antes tenha tendência para regressar a um ponto de equilíbrio ou para oscilar para o polo oposto. Esta lei inexorável encontra-se em coisas simples do dia a dia, como aquela aberta de sol brilhante no meio de uma tempestade ou aquele sorriso desarmante no meio de uma grande discussão.
Infelizmente, a tendência dos homens e mulheres, apesar de conhecerem esta lei, é a de pensarem sempre nas situações como definitivas, descurando a reparação do telhado quando o Sol brilha no céu, ou perdendo a esperança nos bons ventos, quando eles sopram do quadrante errado.
Homens e mulheres de pouca fé ou de pouca memória.
A próxima vez que se sentir mesmo “em baixo”, desanimado, esquecido de todos os Deuses, lembre-se : nada perdura sempre, tudo muda. E se as coisas estiverem muito más, então é natural que comecem a melhorar, mais tarde ou mais cedo, não ?
Então, se assim é, COMO É QUE A ECONOMIA PORTUGUESA ESTÁ HÁ TANTO TEMPO NA MESMA, NESTA SITUAÇÃO MISERÁVEL ?
Eu já sei que do poder político não poderá vir grande ajuda, tão entretido que anda a jogar o “Não podes passar dos 3%” ... Mas então e aquela lei, a lei da mutabilidade das situações ? Querem ver que em Portugal não é válida ?
É da natureza das coisas que uma situação muito boa ou muito má não permaneça assim indefinidamente, antes tenha tendência para regressar a um ponto de equilíbrio ou para oscilar para o polo oposto. Esta lei inexorável encontra-se em coisas simples do dia a dia, como aquela aberta de sol brilhante no meio de uma tempestade ou aquele sorriso desarmante no meio de uma grande discussão.
Infelizmente, a tendência dos homens e mulheres, apesar de conhecerem esta lei, é a de pensarem sempre nas situações como definitivas, descurando a reparação do telhado quando o Sol brilha no céu, ou perdendo a esperança nos bons ventos, quando eles sopram do quadrante errado.
Homens e mulheres de pouca fé ou de pouca memória.
A próxima vez que se sentir mesmo “em baixo”, desanimado, esquecido de todos os Deuses, lembre-se : nada perdura sempre, tudo muda. E se as coisas estiverem muito más, então é natural que comecem a melhorar, mais tarde ou mais cedo, não ?
Então, se assim é, COMO É QUE A ECONOMIA PORTUGUESA ESTÁ HÁ TANTO TEMPO NA MESMA, NESTA SITUAÇÃO MISERÁVEL ?
Eu já sei que do poder político não poderá vir grande ajuda, tão entretido que anda a jogar o “Não podes passar dos 3%” ... Mas então e aquela lei, a lei da mutabilidade das situações ? Querem ver que em Portugal não é válida ?
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Vitor Cunha
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10/13/2003 01:37:00 da manhã
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sábado, outubro 11, 2003
A JUSTIÇA A FUNCIONAR OU A ARTE DE TOLERAR O INTOLERÁVEL
Dou por mim a pensar, de vez em quando, que os portugueses são pessoas muito esquisitas, dotadas de uma incrível capacidade de alterar a realidade ou de, pelo menos, fingir que estão a ver outra coisa qualquer mas não aquela que está á frente dos seus olhos.
Algumas vezes por interesses partidários, outras por vantagens materiais, algumas mesmo por vício entretanto adquirido ou por comodismo genético, a verdade é que somos especialistas em “baralhar e dar de novo” sem nada alterar substancialmente. Interessante característica esta, a que poderíamos chamar de não-realismo ou de não-objectividade ou ainda de finge-que-faz-mas-não-faz.
Vejam agora este caso do deputado Paulo Pedroso : o Tribunal da Relação de Lisboa vem afirmar, no seu acordão, que os indícios existentes são fraquitos e que não chegam decididamente para manter o senhor em prisão preventiva. Daquilo que ficámos a saber, pela divulgação desse acordão, os indícios limitam-se a uma série de “bocas” de “putos” sem qualquer credibilidade, sobre os quais não sabemos que pressões foram exercidas nem quantas inquinações foram permitidas.
Bom, o Paulo Pedroso é mandado sair em liberdade, vai à Assembleia, os jornalistas fazem um chinfrim tremendo, a Comissão de Ética da Assembleia autoriza-o a regressar àquela casa e agora ?
Agora anda tudo doido : o Procurador-Geral da República ( PGR ) fica danadíssimo com a libertação do preso, desata a dizer coisas mais ou menos incorrectas, vários políticos e até juízes acham que ele devia era estar calado, os partidos do Governo e o PGR acham que se está a partidarizar a justiça ( ?? ) e que a ida de Paulo Pedroso à Assembleia desprestigiou aquela Instituição, o Presidente da Republica, como é hábito, atira hoje umas farpas certeiras para amanhã aconselhar calma e ponderação a todos, os menos inflamados proclamam que estão muito satisfeitos porque isto é “a Justiça a funcionar” e seguem caminho, impávidos e serenos ... enfim, a novela do costume.
É aqui que eu fico atónito : mas que raio de discussões laterais são estas ? A quem interessam ? Porque não se discute e resolve o âmago da questão ?
Vamos mas é ver se há forma de evitar “espertezas” destas no futuro.
Vamos alterar rapidamente o que for de alterar, sem medo nem falsos argumentos do tipo “ah, não se deve mexer nas coisas a quente ...”.
Vamos deduzir as acusações dos arguidos rapidamente e levá-los a julgamento.
Então isto é a “Justiça a funcionar” ? Reunem-se meia dúzia de bocas sobre um cidadão, mete-se o tipo na prisão, evita-se com truques que a Relação se pronuncie, o tempo passa, o cidadão está lá dentro 4 meses e tal e no fim ... isto é a Justiça a funcionar ????
Se é, o mínimo que posso dizer é que funciona muito lentamente ... e muito mal.
Que tipo de confiança poderei eu, simples cidadão, continuar a ter na justiça ? Se alguém se lembrar de dizer que me viu não sei onde, a fazer não sei o quê, posso ir parar á prisão por uns mesitos ? E esperar que a justiça funcione ??
É assim ? Eu não aceito que tenha que ser assim e que se deva aceitar uma coisa destas com um filosófico encolher de ombros.
Exijo juízes qualificados, sensatos e independentes, seja qual for a instância, seja qual for o seu papel. Exijo procedimentos controlados e não escutas telefónicas a torto e a direito. Exijo rigor e seriedade na obtenção da prova e na sua validação e valoração.Exijo que os juízes não se pensem anjos vingadores e justiceiros, impregnados de um espirito divino de certezas.Perante estas coisas, que me interessa a mim se o PS ou o PSD disseram isto ou aquilo ou se o PGR disse não sei o quê ?
Vamos ao que interessa, meus senhores.
Dou por mim a pensar, de vez em quando, que os portugueses são pessoas muito esquisitas, dotadas de uma incrível capacidade de alterar a realidade ou de, pelo menos, fingir que estão a ver outra coisa qualquer mas não aquela que está á frente dos seus olhos.
Algumas vezes por interesses partidários, outras por vantagens materiais, algumas mesmo por vício entretanto adquirido ou por comodismo genético, a verdade é que somos especialistas em “baralhar e dar de novo” sem nada alterar substancialmente. Interessante característica esta, a que poderíamos chamar de não-realismo ou de não-objectividade ou ainda de finge-que-faz-mas-não-faz.
Vejam agora este caso do deputado Paulo Pedroso : o Tribunal da Relação de Lisboa vem afirmar, no seu acordão, que os indícios existentes são fraquitos e que não chegam decididamente para manter o senhor em prisão preventiva. Daquilo que ficámos a saber, pela divulgação desse acordão, os indícios limitam-se a uma série de “bocas” de “putos” sem qualquer credibilidade, sobre os quais não sabemos que pressões foram exercidas nem quantas inquinações foram permitidas.
Bom, o Paulo Pedroso é mandado sair em liberdade, vai à Assembleia, os jornalistas fazem um chinfrim tremendo, a Comissão de Ética da Assembleia autoriza-o a regressar àquela casa e agora ?
Agora anda tudo doido : o Procurador-Geral da República ( PGR ) fica danadíssimo com a libertação do preso, desata a dizer coisas mais ou menos incorrectas, vários políticos e até juízes acham que ele devia era estar calado, os partidos do Governo e o PGR acham que se está a partidarizar a justiça ( ?? ) e que a ida de Paulo Pedroso à Assembleia desprestigiou aquela Instituição, o Presidente da Republica, como é hábito, atira hoje umas farpas certeiras para amanhã aconselhar calma e ponderação a todos, os menos inflamados proclamam que estão muito satisfeitos porque isto é “a Justiça a funcionar” e seguem caminho, impávidos e serenos ... enfim, a novela do costume.
É aqui que eu fico atónito : mas que raio de discussões laterais são estas ? A quem interessam ? Porque não se discute e resolve o âmago da questão ?
Vamos mas é ver se há forma de evitar “espertezas” destas no futuro.
Vamos alterar rapidamente o que for de alterar, sem medo nem falsos argumentos do tipo “ah, não se deve mexer nas coisas a quente ...”.
Vamos deduzir as acusações dos arguidos rapidamente e levá-los a julgamento.
Então isto é a “Justiça a funcionar” ? Reunem-se meia dúzia de bocas sobre um cidadão, mete-se o tipo na prisão, evita-se com truques que a Relação se pronuncie, o tempo passa, o cidadão está lá dentro 4 meses e tal e no fim ... isto é a Justiça a funcionar ????
Se é, o mínimo que posso dizer é que funciona muito lentamente ... e muito mal.
Que tipo de confiança poderei eu, simples cidadão, continuar a ter na justiça ? Se alguém se lembrar de dizer que me viu não sei onde, a fazer não sei o quê, posso ir parar á prisão por uns mesitos ? E esperar que a justiça funcione ??
É assim ? Eu não aceito que tenha que ser assim e que se deva aceitar uma coisa destas com um filosófico encolher de ombros.
Exijo juízes qualificados, sensatos e independentes, seja qual for a instância, seja qual for o seu papel. Exijo procedimentos controlados e não escutas telefónicas a torto e a direito. Exijo rigor e seriedade na obtenção da prova e na sua validação e valoração.Exijo que os juízes não se pensem anjos vingadores e justiceiros, impregnados de um espirito divino de certezas.Perante estas coisas, que me interessa a mim se o PS ou o PSD disseram isto ou aquilo ou se o PGR disse não sei o quê ?
Vamos ao que interessa, meus senhores.
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
10/11/2003 06:04:00 da tarde
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sexta-feira, outubro 10, 2003
NÃO HÁ PACHORRA PARA TANTA FALTA DE RIGOR E VERDADE
Conhecem o gosto daqueles dias em que tudo nos aparece pintado de cinzento, ou mesmo de preto ou envolto em nevoeiro ? Hoje é um desses dias, para mim. Apesar do céu azul luminoso, tudo me enche de tédio, tristeza e desânimo. Digo para mim que não posso ter atitudes destas, mas não adianta, fico em baixo na mesma.
Acho que são os blocos noticiosos na TV que me fazem estar assim : como é possível aturar uma hora e tal de tragédias, injustiças avulso, chamadas publicitárias ( três, quatro ... ) a futuras notícias-tragédias, intervalos comercias e ainda preciosidades como as intervenções públicas do senhor Procurador-Geral da República ? Claro que fico deprimido.
Acho mesmo que deveria ser criado um subsídio especial para todos os que se submetem a estes blocos noticiosos.
Não, não exagero nada. Os noticiários na TV estão a dar-me cabo do pouco juízo que me resta...
Aqui para nós, muito a sério : porque não se cala aquele senhor de bigodinho cinéfilo e ar enganadoramente tranquilo e pacífico ? O que o faz correr ? Porque diz sempre coisas que estão desfasadas ou erradas ou enviesadas ? Não há ninguém que o aconselhe a ficar calado ? Até quando irá pensar que tem procuração de alguém para defender a democracia ??
Bolas, já não há pachorra ...
Conhecem o gosto daqueles dias em que tudo nos aparece pintado de cinzento, ou mesmo de preto ou envolto em nevoeiro ? Hoje é um desses dias, para mim. Apesar do céu azul luminoso, tudo me enche de tédio, tristeza e desânimo. Digo para mim que não posso ter atitudes destas, mas não adianta, fico em baixo na mesma.
Acho que são os blocos noticiosos na TV que me fazem estar assim : como é possível aturar uma hora e tal de tragédias, injustiças avulso, chamadas publicitárias ( três, quatro ... ) a futuras notícias-tragédias, intervalos comercias e ainda preciosidades como as intervenções públicas do senhor Procurador-Geral da República ? Claro que fico deprimido.
Acho mesmo que deveria ser criado um subsídio especial para todos os que se submetem a estes blocos noticiosos.
Não, não exagero nada. Os noticiários na TV estão a dar-me cabo do pouco juízo que me resta...
Aqui para nós, muito a sério : porque não se cala aquele senhor de bigodinho cinéfilo e ar enganadoramente tranquilo e pacífico ? O que o faz correr ? Porque diz sempre coisas que estão desfasadas ou erradas ou enviesadas ? Não há ninguém que o aconselhe a ficar calado ? Até quando irá pensar que tem procuração de alguém para defender a democracia ??
Bolas, já não há pachorra ...
Publicada por
Vitor Cunha
à(s)
10/10/2003 11:29:00 da tarde
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